OS INOMINADOS…

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Paulo, os playoffs do NBB se encerraram e você mocó, por que, resolveu ignorar?…Não, claro que não, mas, agora quem questiona sou eu, comentar uma mesmice perene e inamovível, mesmo cercada de emoções a mil, e recheada de erros de fundamentos que assustam para valer?…

             E mais, assistir incrédulo americanos meia boca “encerarem” a quadra, monopolizando a bola a seu bel prazer, sob a passividade defensiva fora e dentro do perímetro, numa permissividade inadmissível sob qualquer critério técnico que se escolha, mas que aufere vitórias e classificações improváveis, dignas de um basquetebol tatibitate, e que ainda engatinha à sombra de uma forma de jogar, que celeremente vem sendo substituída por algo ainda negado por aqui, arraigados que estamos ao sistema único, ao 1 x1, às bolas de três, à frouxidão  consensual defensiva, na contra mão da busca pela velocidade, habilidade e criatividade, que são a resultante de um enorme domínio dos fundamentos individuais e coletivos do jogo por todos os jogadores, e não um ou outro diferenciado, como os meia bocas mencionados, numa carreata liderada por estrategistas que se repetem ad nauseum em pranchetas midiáticas e absolutamente inexpressivas técnica e taticamente, num carrossel de repetições e lugares comuns, de coisíssimas nenhumas…

E o pior, assistirmos a dissolução de equipes derrotadas pela má gestão técnica, pela escolha de “nomes” valorizados por espertos agentes, esquecendo no limbo da história jogadores realmente importantes, veteranos ou não, para uma equipe, para um sistema de jogo coletivista, diferenciado, ao largo da mesmice implantada de forma absurda e profundamente burra por um corporativismo que visa a manutenção do que ai está, imexível e garantidor de um  mercado de trabalho tão, ou mais medíocre que suas anacrônicas capitanias hereditárias…

É duro saber de antemão o destino de bons e úteis jogadores que se matam numa Liga Ouro para classificar suas equipes, sabedores que sucedendo a classificação serão trocados por outros mais “ranqueados” para o NBB, segundo a “altamente qualificada” opinião de agentes, dirigentes e estrategistas de plantão, claro, todos afinados com a mesmice endêmica que defendem com o denodo de “donos do pedaço” que julgam ser…

Pena que nossa educação e conhecimento desportivo, do grande jogo em particular, seja tão canhestra, tão ignorante, fatores estes que poderiam ser decisivamente confrontados se ao menos uma equipe, bastaria uma somente, mesmo sem muita verba, sem muito apoio midiático, porém formada por jogadores de verdade, repito, veteranos ou não, competentes em seu labor, valentes e corajosos o suficiente para adotarem novas formas de jogar, de se comportar, de acreditar em algo inteligente e desafiador, reunidos em torno de um técnico que exigisse comprometimento nivelando a todos em torno dos movimentos básicos, como um barco onde remam numa mesma direção, com humildade de aprender, e o mais importante, reaprender e apreender ações e movimentos individuais e coletivos, para um pouco mais além, abraçarem um sistema de jogo proprietário, e não um decalque estúpido e retrogrado do que ai está implantado desde sempre…

Mais duro ainda é o fato de testemunharmos os comportamentos da grande maioria dos técnicos ao lado da quadra, nos pedidos de tempo, numa mistura de proposital teatralidade, ferocidade no trato com jogadores, ingerência desproporcional junto as arbitragens, ao não reconhecimento dos erros, sempre direcionados a equipe, aos juízes, nunca ao sistema que usam e abusam com seus chifres, polegares e canetas hidrográficas, todos pertencentes a elite do lugar comum em que nos encontramos, inclusive os brand news…

Mas como não há mal que sempre dure, quem sabe emergirá dessa densa penumbra, uma agremiação corajosa, sem medos de inovações, propensa a um passo além da mesmice vigente, que adote os fundamentos como base física e técnica no seu preparo, que resolva jogar muito além de um sistema único retrógrado e acomodado, que converse e discuta seus passos no dia a dia, onde os jogadores se respeitem ao trabalharem igualmente, numa permanente troca de valores e conhecimentos, quando descobrirão o portal de entrada na constituição de uma verdadeira equipe, que acerta e erra junto, paciente e madura, humilde e brilhante…

Paulo, você realmente acredita na possível existência de uma equipe assim? Claro que sim pois já dirigi por 49 dias uma desse naipe no NBB2, e que ainda poderia ser reunida, pelo menos alguns de seus componentes, afinal de contas as equipes midiáticas não querem, ou se interessam pelos jogadores que a compuseram, espalhados que estão pelo país, mas que se reunidos dariam um trabalho imenso para serem derrotados, e disso tenho a mais absoluta certeza, e sabe porque? Porque são muito bons, apesar de opiniões contrárias dos estrategistas de plantão…

Amém.

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5 comentários

  1. Fabio/SP 21.04.2015

    Que os anjos digam “amém” e que esse desejo se transforme numa realidade concreta, caro professor.

    Será um “sopro” de vida inteligente numa modalidade cada vez mais acéfala, onde todos “pensam” igual, falam igual, dirigem igual… aproveito para fazer um desafio hipotético: que o senhor liste 12 jogadores subestimados do NBB que juntos formariam uma equipe assim como esses que estão fora q

    Conte comigo sempre, EU ACREDITO!

    Grande abraço,

    Fabio

  2. Fabio/SP 21.04.2015

    12 jogadores reservas absolutos do NBB que seriam uma possível equipe de qualidade para a disputa do certame.

    Abraços

    Fabio

  3. Basquete Brasil 22.04.2015

    Prezado Fabio, sim , é um desejo de longa data, de cinco anos para cá, alimentado pela esperança de dias melhores para o nosso formatado e padronizado basquetebol, onde a liberdade criativa, responsável e de livre arbítrio pudesse demonstrar suas imensas possibilidades técnico/táticas, abrindo um grande leque de opções que fariam um imenso bem aos jovens que se iniciam, dentro e fora das quadras. Mas sonhos nem sempre se coadunam com a dura realidade que cerca o grande jogo em nosso imenso e injusto país, por isso dificilmente se tornam realidade, infelizmente.
    Porém, temos de ir em frente, até quando pudermos, e os deuses permitirem.
    Quanto ao desafio proposto, creio que que não somente você, mas todos aqueles que realmente amam e entendem o grande jogo, saberiam listar muitos bons e relegados jogadores, veteranos ou não, que reunidos formariam não uma, mas varias equipes de excelente nivel, se bem treinadas e ensinadas por técnicos, e não estrategistas de ocasião.
    Obrigado pelo seu permanente apoio e consideração, o que muito me incentiva a continuar na luta. Um abraço, Paulo.

  4. Sergio Barreto Gomes 25.04.2015

    A grande decepção dos palayoffs foi o técnico Marcel . Não pelo desempenho ruim do seu time pelo qual muito pouco pode fazer em virtude da fragilidade do seu elenco. A decepção é muito mais pela sua postura evidenciada em um dos tempos que pediu no jogo contra o Brasília, confronto que eliminou o Pinheiros. Nessa intervenção, Marcel se dirigiu aos seus jogadores com ofensas, palavrões e gritos incontrolados. Desse jeito não vai muito longe como técnico.

  5. Basquete Brasil 27.04.2015

    Prezado Sergio, creio não se tratar de uma decepção, e sim uma inadequação da equipe a um sistema de jogo pouco ou nada assimilado por jogadores calejados no sistema único praticado no país. Talvez, a forma e o didatismo apresentado pelo técnico, no intuito de implantar algo novo, diferenciado, tenha sido equivocado, mas nada que não possa ser revertido através ajustes pontuais, e muito trabalho, principalmente no plano individual, nos fundamentos, a fim de adequar a todos às exigências do sistema a ser implantado. Quanto às reações agressivas e destemperadas do mesmo, bem,é um problema a ser resolvido intimamente, e que somente a ele diz respeito.
    Um abraço, Paulo Murilo.

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