MUDAR PARA SOBREVIVER…

O novo sistema durou menos de 48 horas. Contra a Austrália voltamos ao velho e confiável (?) sistema com uma única armadora, e exatamente contra a equipe que mais desenvolveu a dupla armação, sendo que a melhor delas tem 1,62m de estatura! Que, aliás, deu um baile de técnica e velocidade em toda jogadora nossa que se atreveu a marcá-la.

Também regressamos ao posicionamento constrangedor da bola acima da cabeça, executado por alas e pivôs que vinham para fora do perímetro executar a coreografia padrão do nosso basquetebol.

É sumamente doloroso vermos repetidamente, ano após ano, seleção após seleção, masculina ou feminina, de divisão de base ou adulta, rezarem pela mesma cartilha, onde o posicionamento obrigatório de todo jogador que se preza ao receber um passe, que é o de se postar na posição de tripla ameaça, ser substituído pela empunhadura da bola acima da cabeça, a fim de servir de ponto de passagem de uma serie interminável de passes, como que obedecendo um script odioso e castrador de toda condição de autonomia que vizasse um ato criativo. E previamente sabedora desse engessamento técnico-tático, bastou a equipe australiana, numa engenharia reversa de quem conhece e domina profundamente todos os caminhos possíveis daquele sistema, cortar as linhas de passes, numa atitude antecipativa, para aniquilar nossas parcas esperanças de vitoria, já que dominadas e anuladas no nascedouro.

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DESFILANDO A ILUSÃO…

Daqui a dois dias estaremos sôfregos na frente da TV apreciando de longe a festança de abertura de mais uma Olimpíada. Cores, muito brilho e pompa descomunal, marcarão, como sempre marcaram, o inicio da mais importante efeméride do esporte mundial.

Veremos delegações minúsculas, até de um único participante, contrastando com o gigantismo das grandes potências, plenas de campeões, super treinamento, performances mais do que anunciadas e esperadas, graças ao milagre da informação tecnológica, distribuída pelos satélites globalizados. Constataremos daí para diante, os resultados de políticas educacionais e conseqüentemente desportivas, através recordes batidos e medalhas conquistadas, numa demonstração cabal de competência e fundamentação administrativa.

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O ÓTIMO BLOG DO CRUZ…

O grande amigo Pedro Rodrigues de Brasília, me envia regularmente ótimos artigos sobre os mais variados assuntos, sempre de bons autores, que nos propiciam oportunos e sempre atualizados debates. Ontem, um dos artigos enviados, o do jornalista José Cruz, do Correio Braziliense, publicado no passado dia 24, em seu Blog do Cruz, despertou em mim uma saudável inveja, por não ter sido o autor, sobre um assunto que sempre discuto aqui no blog. Em poucos parágrafos o Cruz disseca uma dolorosa realidade do nosso desporto, que como mencionei antes não tive a oportunidade de publicar, mas uma oportunidade muito maior em lê-lo, oportunidade esta que passo a dividir com os leitores, sendo esta a segunda vez que o faço neste blog.

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E OS IGNORANTES SOMOS NÓS…

Minutos atrás acessei o blog da TV Esporte Interativo, com uma entrevista do presidente da CBB, sobre a situação do basquete brasileiro após a desclassificação no Pré-Olímpico.

Tudo do que mais é contestado sobre sua administração, merece um tratamento expositivo que raia ao mais completo absurdo. Mas dois pontos me chamaram a atenção: Primeiro, a sua afirmação de que duas, das nove federações que votaram contra sua reeleição, Paraná e Rio de Janeiro, “já estavam alinhadas com ele”, ressaltando com a mais absoluta clareza “que no Rio coloquei um novo presidente lá”, num testemunho que bem demonstra sua capacidade de comprar consciências e votos.

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UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA…

Quando ecoou o sinal estridente da sirene, anunciando o fim do sonho classificatório para a competição olímpica, o grego melhor que um presente mudou um discurso de onze anos, os mesmos em que se encontra no poder confederativo. A desclassificação pela terceira vez, obrigou-o a uma mudança estratégica de planos, visando seu continuísmo naquela entidade. Coincidentemente, a par da desclassificação, 20 clubes se reúnem na cidade sede da CBB, e fundam uma nova entidade, a Liga Nacional de Clubes (LNB), cujos objetivos são idênticos às outras duas ligas fundadas nos três últimos anos. Objetivo principal? A posse das chaves do cofre, ciosa e rigidamente guardadas pelo impoluto grego. Chaves estas que controlam verbas públicas, verbas lotéricas, contratos televisivos e publicitários. Chaves estas que conotavam ao mesmo, poder e tráfico de influências.

Porque somente agora o preclaro presidente aquiesceu das benditas e sagradas chaves, numa hora de comoção nacional pela perda olímpica, depois de bravatas classificatórias e importação de técnico, por que ? Perda de mandato, impossível, já que teve suas contas aprovadas pela assembléia da CBB, constituída pelos clubes que sempre o elegeram através delegação de voto dos presidentes de suas federações, clubes estes que o tem garantido permanentemente. Então, o que o levou a declarar que chancelaria a nova entidade, mesmo sabendo que perderia a exclusividade sobre a propriedade do chaveiro cobiçado?

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24 HORAS DEPOIS…

No O Globo de hoje (19/07), na matéria sobre a derrota da seleção no Pré-Olímpico, uma declaração do presidente da CBB deve ser seriamente analisada por todos aqueles que propugnam pela melhoria da modalidade no país, mais propriamente, os técnicos.

Para o dirigente, o trabalho para o futuro será longo: “Os países de ponta trabalham há cinco anos. A CBB vai criar a escola nacional de técnicos. É hora de união”.

Como vemos caríssimos basqueteiros, escolas de formação de técnicos, que em todos os países, como ele mesmo define, de ponta, as tem indissociavelmente ligadas às suas associações de técnicos , num vínculo apartidário, que garante suas autonomias eminentemente técnicas, com fortes suportes éticos, que são fatores quase nunca respeitados quando sob controle de entidades de cunho político, é a mais nova ameaça que ronda o nosso infeliz basquetebol, cuja direção não abre mão, em hipótese alguma, do controle absoluto e despótico, daqueles elementos passíveis de manipulação política e econômica, colocando-os à serviço de seus interesses, como moeda de troca para a manutenção continuísta junto às federações.

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A QUEM INTERESSAR POSSA…

“Ufa! Conseguimos, conseguimos mesmo! Agora, com os quatro anos que temos de tranqüilidade pela frente, é tratarmos de reforçar outras modalidades, ajudando-as a subir um pouco mais na preferência popular, ficando como mais algumas na frente dos caras, já que pouco perigo poderão oferecer à nossa situação de segundo esporte no país. Não ousem sequer pensar em retirar os meios que mantém nosso grego de ouro lá na CBB. Ficou bem claro isso?

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O PROSAICO PONTINHO…

Na ronda de final de noite pelos excelentes blogs de basquete, leio no Basquete UOL a noticia de mais um fracasso da seleção brasileira no Chile, a derrota por 15 pontos ante a frágil Venezuela, encerrando uma participação pífia e constrangedora de uma seleção equivocada desde seu nascedouro. Não assisti o jogo, e creio até que não tenha sido transmitido, mas dois pequenos parágrafos da reportagem esclarecem muito bem o que ocorreu nas plagas andinas, vejamos:

- “Não demonstramos a mesma consistência na marcação que tivemos nas duas últimas partidas. Com isso, o nosso ataque também não conseguiu funcionar como deveria. Tínhamos time para chegar à final e conquistar o título. Infelizmente não foi possível. Cada um de nós trabalhou muito e não desistimos nunca, mas não deu. Agora é trabalhar para os próximos desafios do Brasil”, observou o ala Arthur.

-“Hoje a equipe não teve atitude defensiva. A Venezuela soube aproveitar todas as oportunidades que a nossa frágil marcação deu. O primeiro objetivo foi alcançado, que era a classificação para a Copa America. O segundo, que era o título, infelizmente não veio. De maneira geral, o time deu o máximo, lutou e não se entregou”, explicou o técnico Paulo Sampaio.

A primeira declaração define a derrota como resultado da ausência de consistência defensiva, presente, segundo o jogador nas duas últimas partidas, contra o Uruguai e a mesma Venezuela, vencedora na disputa do terceiro lugar. Creio, que tenha se enganado, ou queira enganar àqueles todos que acompanharam os jogos desta seleção, quando ficou absolutamente claro que o sistema defensivo inexistiu, tanto no aspecto individual (com poucas exceções…), como, e principalmente no todo coletivo. Simplesmente, essa equipe, em momento algum infringiu o mais tênue respeito nos adversários que enfrentou, e somente se classificou, em um ridículo e comprometedor quarto lugar, pela diferença de um ponto, um único e mísero ponto, num jogo emblemático contra a fraquíssima equipe do Chile. E se classificou com um saldo negativo de mais de 40 pontos! Então, que não me venham falar em consistência defensiva. Devem, isto sim, falarem em fraqueza no domínio dos fundamentos, entre os quais os de defesa, que deveriam ser urgentemente reciclados, para consubstanciarem os já presentes projetos de participação “para os próximos desafios do Brasil”, se merecedores forem após trabalharem muito e duro, de serem dignos de envergarem a camisa de uma seleção.

Quanto à segunda, cabe somente um comentário, mais propriamente um lembrete, originado daqueles formidáveis técnicos de antanho, que ao se dirigirem a um campeonato internacional, o faziam para conquistá-lo, como prioridade única, cujos aspectos classificatórios seriam conseqüência da intenção inicial, dimensionando-os dentro da atitude óbvia e natural de quem parte para vencer os obstáculos, e não condicioná-la a uma simplória e covarde opção classificatória. Dos três títulos em jogo, ouro, prata e bronze, ficamos com aquele ínfimo ponto, que nos classificou humilhantemente para uma Copa America, onde concepções técnico-táticas, administrativas e comportamentais terão de alçar patamares bem acima do vexame andino.

E para todos aqueles que ainda têm o desplante de apresentarem desculpas esfarrapadas, arrogantemente pensando estarem tratando com analfabetos no conhecimento do grande jogo, sugiro ingerirem boas doses daquele remédio indicado para tanta pretensão, salvo aqueles pouquíssimos jogadores que mantiveram o recato e o silêncio, marca dos verdadeiros jogadores de basquetebol.

Aí está a prescrição, com efeitos colaterais óbvios e duradouros.

Amém.

COMOVENTE OTIMISMO…

Dois jogos, duas vitorias. Dois dias atrás, contra a Venezuela, mesmo jogando muito mal na defesa, conseguiu a seleção passar raspando nos 10 pontos, onde a qualidade coletiva da equipe não se fez presente em nenhum momento da partida, salvando-se duas ou três atuações individuais, com o Drudi em relevo, dando continuidade ao seu desempenho linear e maduro dentro da competição, mesmo esquecido no banco por longo tempo. Ontem, necessitando vencer por uma margem de 22 pontos a fim de jogar a final, priorizou o ataque, numa situação em que a defesa deveria pautar o comportamento da equipe, como base para ações ofensivas mais seguras, e que garantissem passo a passo, a anulação da vantagem da equipe uruguaia. Esta, ao sentir a fragilidade defensiva dos brasileiros, deixou o tempo passar, trocando cestas sem muito esforço, sabedores, que mesmo perdendo não veriam ameaçada sua participação na final. Agora, o técnico de nossa seleção deve estar colhendo de si para consigo mesmo, as amargas declarações que proferiu após a fragorosa derrota para os argentinos, entre as quais-“Foi um jogo que não valia nada. Vencer a Venezuela e Uruguai sim”- Pois muito bem, venceu os dois e vai disputar o terceiro lugar, com a Venezuela…

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APOSTAS…E BLEFES

E no Clube Pinheiros em São Paulo, 12 clubes do Nacional e 8 da ACBB se reuniram para criar uma nova liga, que segundo eles, será reconhecida pela CBB, e terá sua data de fundação em 19 de julho próximo na sede do Flamengo. O nome proposto é o de Associação Nacional de Basquete (ANB), com ação já programada para a temporada 2008-2009, com a participação inicial de 16 clubes, e que caberá à mesma a gerencia dos contratos de mídia e patrocínios. A CBB aguarda a proposta dos clubes para se manifestar, o que coloca em dúvida se reconhecerá ou não a mais nova liga na praça.

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