RETORNANDO…

Nestas últimas semanas tenho lido muito sobre as políticas injustas e absurdas que cercam o nosso desporto de suspeitas e desconfianças, principalmente voltadas a seus dirigentes, longevos, megalomaníacos e profundamente dissociados das reais necessidades educacionais de nosso povo. Agora mesmo, diz-se que 5 bilhões de reais será o preço mínimo para a realização das olimpíadas de 2016, pela qual disputamos o direito de realizá-la no Rio de Janeiro, e que somente o projeto de apresentação de nossa proposta ao COI já nos levou 80 milhões!

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SORTE,MUITA SORTE…

Foi no sábado passado. Desde aquela data venho lendo entristecido os diversos relatos sobre um jogo que tudo teria para ser festivo, já que encerrava um dos mais tradicionais torneios do país, os Jogos Abertos do Interior de SP.

E revendo o taipe das tristes atitudes tomadas por todos naquele medonho espetáculo, saltam à minha experiente e longeva capacidade de observação duas bem aventuradas obras do destino, onde a sorte de um agressor e a de um agredido se entrelaçaram de forma milagrosa, sem em momento algum inocentar o ato violento perpetrado por um jogador tido como exemplar. A grande sorte do Nezinho foi a de ser tocado lateralmente de forma brutal quando se encontrava em absoluto equilíbrio instável, somente apoiado na perna esquerda( a penetração estava sendo realizada pelo lado direito da quadra) e em grande velocidade,fatores que amorteceram em muito o impacto, já que o mesmo o fez rodopiar e ser lançado ao solo num giro reverso. Caso estivesse apoiado na perna direita, lado do impacto, a resistência ao choque teria sido imensamente maior, pois todo o peso corporal estaria no mesmo sentido do golpe , que pelo posicionamento do antebraço do Marcio na direção de seu pescoço poderia ocasionar uma seria contusão cervical. E esta foi a sorte do Marcio, o posicionamento instável do Nezinho e seu apoio na perna contraria, o que tornou seu impensado(?) ato responsável pela pancada ao solo da nuca do Nezinho, sem maiores danos à sua coluna cervical. Sorte, muita sorte de ambos, e o que melhor poderia fazer o Marcio era ir pessoalmente pedir desculpas ao Nezinho, agradecendo aos deuses a sorte que ambos tiveram, um por não se machucar gravemente, outro por não ser responsável por uma possível tragédia.

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TRÁGICA TEIMOSIA…

“Fizemos um excelente primeiro tempo, mas não conseguimos repetir o mesmo desempenho na etapa final. A derrota foi ruim só que não temos tempo para ficar lamentando. Além disso, o time mostrou que tem qualidade e condições de jogar de igual para igual contra Venezuela e Uruguai e brigar por uma vaga na Copa América. Exceto o Peru, as outras quatro seleções estão no mesmo nível.A Venezuela tem um grupo alto e habilidoso e conta com o apoio da torcida. Vamos com tudo para buscar a vitória”, disse o técnico César Guidetti.

Resultado final- Argentina 64 x Brasil 44. Só 20 pontos!

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AS GERAÇÕES…

Hoje,depois de lutar contra uma infestação proposital de 61 virus obcenos e coisitas mais, retomo a lide deste humilde blog, ainda um pouco chamuscado, e tendo de adiar por mais alguns dias a publicação de artigos com vídeo, já que perdi quase todo o material digitalizado e montado. Mas não faz mal, sempre tive como professor e técnico a chama do recomeço ardendo dentro de mim, numa recriação constante e teimosa na busca de novos e excitantes desafios.

E para não perder o embalo, lendo uma reportagem no O Globo de domingo sobre a seleção sub-15 masculina que treina para o Sul-Americano da categoria, me deparo com uma jóia do nosso cancioneiro basquetebolistico, nas afirmações de um dos jovens pivôs selecionados, que assim se manifestou – “Depois de ter tido a chance de treinar com a seleção, resolvi me esforçar mais e comecei a fazer musculação para perder peso. Cheguei aqui com 126kg, e hoje estou com 124,3kg, grande parte em massa muscular”. Mais adiante, sobre a possibilidade de jogar na Europa – “Queria jogar lá, onde o basquete é mais forte e tem mais investimento. Aqui não somos muito valorizados “- e concluindo –“ Nesse Sul-Americano, acho que a Argentina e Venezuela são as favoritas”.

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PARA ONDE ESTAMOS INDO?

Terminada a nossa participação olímpica, com 4 derrotas e uma única vitória, e mesmo assim num jogo em que participou previamente desclassificada, retirando grande parte das pressões e responsabilidades inerentes a uma equipe em busca da continuidade na competição, conseguiu a seleção o feito de não ter saído invicta de vitórias, numa participação melancólica e frustrante.

“O desempenho da seleção só deve melhorar na próxima Olimpíada, quando a equipe recém-montada estiver mais madura e entrosada”, disse o técnico Paulo Bassul ( Coluna Direto da China, O Globo de 16/08/08). Ou seja, já está o responsável técnico da equipe se projetando no comando da mesma para mais um ciclo olímpico, antecedendo análises e críticas, numa posição que se tornou habitual em nosso basquete, o de técnico dono e patrão de um cargo que deveria, por principio e bom senso ser destinado àqueles profissionais que se destacassem cumulativamente pelos seus estudos, trabalhos e larga experiência na direção de equipes, assim como pela liderança inter pares, fazendo-os dignos de escolha, unicamente pelo critério do mérito, e não pelos conchavos e interesses político-federativos.

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NADA, NADINHA…

Dois meses atrás uma reportagem sobre a preparação das seleções brasileiras, apontava para um protocolo entre a CBB e uma universidade paulista, no intuito de promover testes e aferições físico-cardio-pulmonares que, segundo o mesmo, dariam aos técnicos e preparadores físicos condições de adequarem seus treinamentos na busca do melhor condicionamento atlético possível, fator determinante a altas performances das equipes.

Muito bem, testes e aferições feitas através espirometrias, controles e aferições cardíacas , débitos de oxigênio, dobras cutâneas, saltometros , pliometros, fadigas induzidas, e não sei mais quantas “pesquisas”, e o que temos visto de relevante perante tanto cientificismo de última hora? Em termos de basquetebol, de ciência do treinamento, planejamento, estratégia e fundamentação técnico-tática, rigorosamente nada. Como nada transparece do excesso de adiposidades nada atléticas de muitas jogadoras desta seleção, fazendo da lentidão ofensiva, e principalmente defensiva, um cartão de visitas às avessas de todos os “doutores” responsáveis pelos avanços tecnológicos trombeteados mercadologicamente pela mídia, também nada especializada. Quando muito, a lastimar o tempo precioso de treinamento perdido nas elucubrações megalomaníacas e oportunistas de uma turma de cientistas que nada, nadinha, sequer desconfia o que seja desporto de alta competição, e suas exigências especificas, basicamente no aspecto técnico e de execução do mesmo, um degrau acima de seus relativos conhecimentos de fisiologia laboratorial.

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MUDAR PARA SOBREVIVER…

O novo sistema durou menos de 48 horas. Contra a Austrália voltamos ao velho e confiável (?) sistema com uma única armadora, e exatamente contra a equipe que mais desenvolveu a dupla armação, sendo que a melhor delas tem 1,62m de estatura! Que, aliás, deu um baile de técnica e velocidade em toda jogadora nossa que se atreveu a marcá-la.

Também regressamos ao posicionamento constrangedor da bola acima da cabeça, executado por alas e pivôs que vinham para fora do perímetro executar a coreografia padrão do nosso basquetebol.

É sumamente doloroso vermos repetidamente, ano após ano, seleção após seleção, masculina ou feminina, de divisão de base ou adulta, rezarem pela mesma cartilha, onde o posicionamento obrigatório de todo jogador que se preza ao receber um passe, que é o de se postar na posição de tripla ameaça, ser substituído pela empunhadura da bola acima da cabeça, a fim de servir de ponto de passagem de uma serie interminável de passes, como que obedecendo um script odioso e castrador de toda condição de autonomia que vizasse um ato criativo. E previamente sabedora desse engessamento técnico-tático, bastou a equipe australiana, numa engenharia reversa de quem conhece e domina profundamente todos os caminhos possíveis daquele sistema, cortar as linhas de passes, numa atitude antecipativa, para aniquilar nossas parcas esperanças de vitoria, já que dominadas e anuladas no nascedouro.

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O SOM DO SILÊNCIO…

Entrevistado logo após a derrota para a Coréia, o técnico da seleção brasileira foi sutil ao declarar que ofensivamente a equipe foi inoperante e cometeu um elevado número de erros, mas que defensivamente atingiu o índice de pontos concedidos à adversária, abaixo de 60 , no tempo normal de jogo, e que mesmo neste quesito falhara na prorrogação. Trocando em miúdos, sua estratégia defensiva foi exitosa ( para ele a prorrogação não conta), mas a equipe falhou ofensivamente, pela lentidão e imprecisão, faltando somente afirmar, mas deixando implícito, que a derrota deveu-se àqueles fatores dentro da quadra, e não no planejamento estratégico fora dela.

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TWO GUARDS,TWO FOWARDS,ONE CENTER…

Foi preciso um técnico universitário de prestígio assumir a seleção americana, para desmistificar o endeusado sistema NBA de jogo, aquele que rotula jogadores em 1, 2, 3, 4 e 5, com suas posições estabelecidas sob rígidos padrões técnicos, comportamentais e ética específica.

O coach K, retornou solenemente ao principio histórico de seu basquetebol, inicialmente com a escalaçõa clássica de two guards, two fowards, one center, a saber, Jason Kidd, Kobe Bryant, LeBron James, Carmelo Anthony e Dwight Howard, para o jogo com a Turquia. E foi mais longe, evoluindo para um jogo com três armadores, e finalizando com uma armação onde sequer um pivô estava em quadra. Em pinceladas bem reais, optou o coach K em jogar com dois armadores e três alas-pivôs ( o que chamo de pivôs móveis), ágeis, atléticos, pontuadores, reboteiros, e principalmente, extremamente rápidos na defesa, ponto fulcral para a tentativa de anulação dos arremessos de três pontos, arma letal de todas as equipes européias mais a grande equipe argentina.

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A AULA CARIBENHA…

“Porto Rico? É um time de peladeiros, que quando estão “no dia” metem tudo de três!”

“Não marcam ninguém, e não podem mesmo, com dois caras baixos na armação”.

“O gigantão é lento, desengonçado e fraco nos arremessos”.

“O outro grandão, comete faltas demais, e já está em final de carreira. Saudades do Piculin Ortiz…”

E por ai vão os comentários sobre aquela que está sendo a única equipe a jogar fora do padrão globalizado das demais equipes. E por conta desta “rebelião”, triturou a poderosa e bem estruturada Eslovênia, com direito a vê-la jogar a toalha nos dois minutos finais da partida.

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