ALTRUÍSMO, ENTREGA, E UMA CAMISA…

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Que bela perda de tempo, ainda mais empacotados numa camisa absolutamente ridícula, “marca texto”, segundo o narrador da TV, bem posto aliás, quebrando de vez a mística perdida de uma camisa gloriosa, fato ausente no vôlei, no futebol, no andebol, todos envergando o amarelo ouro, e não essa aberração patrocinada por quem, absolutamente, odeia o grande jogo…

Mas por que falar em camisa, em mística, tradição e respeito, se na feminina a atual capitã a enchovalhou em plena quadra olímpica, se negando a defendê-la, e agora mesmo um jovem é reconvocado um mês depois de negá-la? Afirmam muitos que camisa não é importante, mas será essa a opinião dos All Blacks, da USA shirt?

Temos como uniforme básico o branco desbotado, o verde como segundo, e esse absurdo como terceiro, e pensar que bem antes do vôlei e do andebol dividíamos a gloriosa amarelo ouro com o futebol, mas tendo como padrão de excelência a listrada verde e amarela. Foram bons tempos, que muitos teimam em esquecer, mas não conseguem, então apelam…

Neste cenário desbotado e inerme, jogamos para o alto, por mais uma vez, a oportunidade de treinarmos nossos homens altos “lá dentro”, quando duelariam com jogadores de 2,14m em diante, numa rara oportunidade de aprimorar nosso claudicante jogo interno, desde sempre preterido pelas bolinhas midiáticas e valorizados pelo mercado dos que nada, ou muito pouco, entendem do grande jogo, do verdadeiro grande jogo…

Exatamente o que fez a Lituânia contra a Austrália na preliminar, quando arremessaram somente 14 bolas de três, e olha que são muito bons nas mesmas. Com homens grandes muito bons dos dois lados, aproveitaram para testar soluções de curta distância, com todas as suas implicações de faltas pessoais, contra ou a favor, passes e deslocamentos curtos e precisos, treinando efetivamente para a competição para valer daqui a uma semana…

E nós, chutando vinte (4/20) contra uma equipe frágil, que para tentar algum equilíbrio se fechava no garrafão, permitindo a enxurrada de nossos especialistas, que pensam que são, mas não são, mesmo, deixando de lado a oportunidade dadivosa de acionar os grandões pelo maior tempo que fosse possível, treinando e habilitando-os em situações reais de jogo…

Vamos ver logo mais contra a Lituânia se conseguiremos dobrá-la “lá de fora”, e vamos ver se retribuímos quando ela se lançar bem “lá dentro” de nossa defesa, num duelo que proclamará vencedora aquela equipe que ganhar as tabelas e concluir com a máxima precisão possível, ou seja, dentro da cozinha adversária, de 2 em 2 e de 1 em 1.

Mas em se tratando de um jogo preparatório, que dali a quatro dias se tornará para valer, desconfio que a nossa turma de especialistas vai se esbaldar, pois afinal de contas as bolinhas põem, segundo os midiáticos, a torcida em êxtase, ainda mais se caírem, o que não vem acontecendo ultimamente. Também desconfio que os bálticos continuarão a treinar seus gigantes, pois para eles, bolinhas, somente em equilíbrio e absoluta estabilidade…

Torço para estar enganado, e que a seleção se encontre no coletivismo e no bom senso de jogar o grande jogo como deve ser jogado, apesar de, bem lá no fundo, duvidar bastante que nossos vícios cedam lugar ao altruísmo e à entrega de todos, única maneira de alcançá-lo de verdade…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 



2 comentários

  1. Bruno 31.07.2016

    Bom dia professor.

    Vivendo aqui na Espanha, entendo sua visão de jogo e comparto em tudo. Acostumado a ver Euroleague e liga ACB vejo como alguns treinadores constroem bem os pontos com passes e movimentações rápidas. Sem nenhuma precipitação explorando as brechas nas defesas e utilizando bem os 24 segundos. Da até gosto de ver! Me lembro de um treinador italiano chamado Romeo Sachetti que trabalha com uma dupla armação em seus times e que construía arremessos limpos e equilibrados. Também não esqueço como seus pivôs se movimentavam constantemente procurando um mínimo de espaço para atacar a cesta próximos a mesma. Creio professor que para mudar o panorama do basquete brasileiro teríamos que começar do minibasket onde as crianças de um modo divertido aprendem a jogar e se apaixonam pelo grande jogo como se faz aqui na Espanha e também na Itália. Também com os jovens construindo exercícios de leituras ofensivas e defensivas. Eles chamam exercícios problemáticos onde os jogadores precisam resolver uma situação ofensiva e defensiva rapidamente em situações de superioridade ou inferioridade numérica. Também professor não posso esquecer: muita, mas muita técnica! que é o nosso grande problema a nível juvenil e por que não dizer adulto também.

    Continue com o blog professor…nos enriquece muito.
    Um grande abraço e que Deus o abençoe

  2. Basquete Brasil 02.08.2016

    Obrigado, prezado Bruno pelo excelente comentário que tanto valoriza esse humilde e democrático espaço. Sem dúvida alguma teremos de evoluir muito na busca de uma melhor compreensão do grande jogo entre nós, através a adoção de melhores sistemas de jogo, e principalmente, evoluindo na direção do ensino mais eficiente dos fundamentos do jogo, nossa maior falha na formação de base. Um abraço, e sucesso ai nesse distante país europeu.Paulo Murilo.

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