FIM DE LINHA…

Sendo canhota, e por força de séria contusão no ombro, Sabally atuou por quase todo o tempo de jogo com a mão direita, suficiente para vencer a seleção brasileira.

Terminou o suplício, com generosas doses de drama, reviravoltas, entregas, sacrifícios, e erros, muitos, foram 38 (16/22), com as alemães errando mais nos fundamentos, mas acertando cestas nos momentos decisivos, apesar da perda inacreditável de 18 lances livres (23/41), muitos por conta de sua melhor jogadora, Sabally, seriamente contundida em seu predominante ombro, e que o viu ser magoado por diversas vezes em despretensiosos contatos, num dos quais, por pouco, não aconteceu uma cena de “perturbação da ordem”, contornada com faltas técnicas e antidesportiva, mas sem fugir dos princípios éticos do jogo…

Importante afirmar que, a presença icônica dessa jogadora em quadra, numa situação real de entrega a uma equipe apenas razoável, mas que com sua presença dominante nos rebotes, na armação e nas conclusões, gerou um poderoso bônus que, ao final da refrega, deu às alemãs a classificação olímpica…

Comportamento padrão de atuar fora do perímetro, um contumaz erro da seleção.

Do nosso lado, erros crassos nos passes, na condução de bola, e principalmente na escalação da equipe, quando uma segunda pivô Stephanie, com 2:04 m, foi atuar fora do perímetro, quando se atuasse permanentemente próxima da Kamilla (2:01m), assessoradas pela também muito alta Damiris, lá dentro da cozinha adversária, sem dúvida alguma equilibrariam e até superariam as grandes defensoras alemãs, sem a menor dúvida. Mas isso é outra história, triste história, pois para que tal atitude técnico tática ocorresse, teriam de ser ensinadas, preparadas e treinadas para ali atuarem, de preferência desde a base, por professores e técnicos conhecedores e preparados didática e tecnicamente para assim proceder, nos mínimos detalhes possíveis, em constante ligação com armadoras que realmente conhecem a arte de fazê-lo, e não como definidoras em bandejas severamente bloqueadas pelo gigantismo defensor, ou arremessos inconstantes e desregulados de três pontos,sempre contestados, ansiados quase como uma prece, por estrategistas de ocasião e analistas equivocados…

E mais do mesmo, a procura incessante das salvadoras bolinhas…

Enfrentamos três equipes que jogaram dentro de nossa defesa, explorando-a, pendurando-a, dominando preciosos rebotes ofensivos, e arremessando de curta e média distâncias, onde os valores estatísticos superam em muito os de longa distância, e que mesmo assim, tentaram com algum sucesso suas benditas e complementares bolinhas, porém jamais considerando-as como prioridade de jogo…

Jogo interior alemão, uma constante.

Algo, no entanto chamou a atenção nessa competição, a presteza no condicionamento físico de nossas três adversárias, atléticas, enxutas, bem preparadas e condicionadas para uma competição de tiro extremamente curto como essa, em confronto desigual com uma equipe inferior nos fundamentos básicos, porém bastante alta, mas fragilizada em sua condição física e atlética, onde o excesso de peso era tristemente flagrante em algumas jogadoras, algumas das quais sequer jogaram, numa inconcebível falha convocatória para um torneio de tal dimensão…

Concluindo, urge em caráter absolutamente prioritário que se reformule o ensino do grande jogo desde a base, através um bem estudado e escalonado projeto, onde o condicionamento técnico, principalmente nos fundamentos, seja administrado por reconhecidos professores e técnicos, meritoriamente preparados, e não alçados por influentes Q.I.s, como de praxe, num movimento que reencontre os caminhos que fizeram do basquete feminino um orgulho para o desporto nacional…

Muito ainda poderiamos discorrer sobre esse jogo, mas peço licença para não ir além, pois nada mais constrangedor do que a repetição de algo que se nega a evoluir, se apegando como náufrago a uma única boia disponível. Dessa forma, afundam todos, sem comiseração, inclusive dos deuses…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e da divulgação FIBA. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las. 

ALTURA NÃO É TUDO…

Equipe Sérvia sempre atuando dentro do perímetro, otimizando seu jogo coletivo e preciso nas curtas e médias distâncias.

 Ontem perdemos um jogo que poderia ter sido vencido, se dispuséssemos de um mínimo de conhecimento tático  no aspecto coletivo, e visão estratégica em alguns e importantes momentos do jogo, fator este explorado cirurgicamente pela técnica sérvia, mesmo quando acuada no marcador, provando na prática o que teimamos demonstrar na prancheta,,,

Olho no olho, e não uma prancheta/biombo como institualizamos,

No aspecto tático a equipe sérvia se utilizou de uma dupla armação, liderada por uma jogadora, Anderson, veloz, pequena e esguia, porém de uma lucidez aguda e oportunista, de drible fácil e fintas desconcertantes, defensora  implacável, emoldurando uma qualidade de passe dentro do preciso modelo da escola de onde advém, a base americana, com suas schools, colleges and universities, distribuindo e colocando suas companheiras em condições de jogo, explorando ao máximo suas pontuações, além da própria, com seus decisivos e marcantes 30 pontos!!

O padrão, uma joga, as demais assistem, lamentável,,,

Estrategicamente, dispôs a excelente técnica, suas pivôs nas posições onde mais rendiam, principalmente a canhota Stankovic, com seu jogo milimétrico e coletivista bem no miolo da defesa brasileira, fazendo duplas e muitas vezes trincas com suas companheiras dentro do perímetro, enquanto do lado oposto, nossas jogadoras abriam em leque em torno do perímetro externo. para “aplaudir”, ou mesmo “torcer” para que uma de nossas pivôs. solitariamente, enfrentasse a sólida defesa sérvia. ou servisse uma delas para o salvador arremesso de três (foram 6 em 31 tentativas- 19,4%). A boa comentarista e ex -armadora da seleção brasileira, Helen, lamentava pesarosa, que em nenhum momento de tais jogadas, uma companheira cruzasse ou auxiliasse a pivô cercada e pressionada pelas sérvias, tornando a conclusão da ação profundamente contestada…

Mesmo perante um desfecho nada improvável de vitória brasileira, apesar dos enormes erros diretivos, a equipe sérvia fez jogar a Anderson por 35:34min, exigindo da mesma seu esforço máximo, pois esse papo de minutagem bastante aplicado em nosso país, sempre soou falso para mim, ainda mais quando está em jogo uma classificação olímpica,.. 

De 3 sem rebote colocado, uma decorrência de como jogamos por aqui,

E para fechar o número de equívocos, continuamos a tentar arremessos de três com o placar a 3, 4 pontos de diferença, quando de 2 em 2, e 1 em 1, poderíamos, inclusive, obter pontos preciosos e vencedores, mas para tanto seria necessário que nossas jogadoras fossem ensinadas a atuar dentro do perímetro (como ensiná-las se não tem quem as ensine?), onde os deslocamentos e precisos passes abrem espaços preciosos para as conclusões de curta, e até médias distâncias, e não esses imprecisos, aventureiros e midiáticos tiros de fora, ineficientes ante os de dentro do perímetro, que são aqueles que vencem jogos, fazendo dos longos um complemento, e não um sistema básico de jogo…

Uma das raras vezes em que nos dispomos dentro do perímetro, ação que deveria ser padrão e não exceção.

Daqui a pouco enfrentaremos a Alemanha, que como toda equipe europeia é alta, forte e atlética, e por conseguinte, veloz e resistente, o que a torna perigosa e determinada, afinal, a vencedora desse jogo carimba o passaporte para Paris…

Já nem peço nada aos deuses, somente sugiro que tente iluminar a mente de nossos luminares estrategistas, o que, tenho de reconhecer, é difícil pacas…

Amém,

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

QUANDO A BALANÇA PESA…

O velho cacoete, cinco abertas…

Por  se tratar de um jogo de seleção brasileira, saio do mutismo que vem progressivamente me assaltando, frente a medíocre realidade do nosso indigitado basquetebol, prisioneiro e vítima de uma sistematização técnico tática e formativa, que tem, inexoravelmente, nos lançado no limbo de um colossal buraco, exaustivamente por aqui discutido há décadas, dia a dia, mês a mês, ano a ano, sem uma resposta, por tênue que fosse, no enfrentamento de uma chaga, cada dia mais difícil de ser curada, face às equivocadas lideranças até aqui escaladas para orientar o grande jogo por um caminho evolutivo e libertador de uma mesmice endêmica que, fatalmente, nos privará de voltar a pertencer ao restrito rol dos líderes do grande jogo no cenário internacional…

Como desde sempre, de 3 sem rebote colocado…

Jogou a seleção feminina no pré olímpico de Belém, e perdeu para uma Australia longe das qualidades que a tornaram campeã mundial, mas que ainda se mantêm qualificada nos fundamentos básicos, e numa postura físico atlética de altíssima qualidade, enxuta, frente a uma seleção  pátria fragilizada em seus fundamentos, tanto individuais, como coletivos, e primando com algo constrangedor, uma forma física deficiente, e em muitos casos raiando a obesidade, restritora da velocidade e da capacidade saltadora e defensora, assim como da resistência necessária a uma competição olímpica, onde, dentre  os dezesseis membros que compõe sua comissão técnica, nenhum deles é um nutricionista, certamente o profissional de maior importância num plantel que prima pela robustez excessiva, e mesmo assim sob um projeto a médio prazo a ser desenvolvido mesmo longe da seleção, e que caso não fosse levado com seriedade, privaria as jogadoras de posteriores convocações…

Robustez em demasia, numa seleção?

Some-se a tal precariedade, com os contumazes erros nos passes, nos dribles, nos arremessos, nos rebotes e na postura defensiva, e teremos  

um fiel retrato do que aflige nossa esforçada  seleção…

Se olharmos o jogo pelo ângulo técnico, podemos atestar com precisão quão inferior ela se portou nos embates mais decisivos, nos rebotes, onde a flexibilidade e atleticismo australiano superou nossa robustez nos mais decisivos momentos, mesmo possuindo jogadoras de mais de 2 metros em quadra, que se viram bloqueadas, inclusive nos arremessos, e pela marcação frontal, somente factível por jogadoras atleticamente superiores, mesmo não sendo as mais altas…

Imagem de uma equipe sem sistema de jogo definido…

No plano tático, ainda teimamos jogar com as cinco abertas, projeto somente vencedor através armadoras velozes e aptas fisicamente, os mesmos princípios para as pivôs, e uma ou outra ala melhor dotada daquelas valências, como foi o caso da valente Leila, que soube enfrentar as australianas de igual para igual. Nossas pivôs são muito altas, muito jovens, e o mais instigante, pouco atléticas, tornando-as menos velozes e mais suscetíveis a embates físicos mais exigentes. Enfim, uma seleção que tem a obrigação de ser melhor e convenientemente preparada nos fundamentos e no controle atlético e alimentar, fatores que, se bem planejados, substituirão com apreciável folga, as midiáticas e absurdas pranchetas, ainda mais a 00,9 segundos do final do jogo, num inacreditável apêgo a mesma…

Tempo e prancheta a 00,9 seg, inacreditável…

Quem sabe logo mais contra a Sérvia, no jogo mais importante nessa competição, possamos evoluir taticamente, pois tecnicamente a balança não ajuda…

Como encarar uma defesa desse calibre?

Que um deus de plantão possa nos ajudar, quem sabe,,.

Amém.

Fotos- Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.       

ODE AO DESPERDÍCIO…

  Tenho assistido alguns jogos do NBB e da Liga Américas, uns poucos da NCAA e um ou dois da NBA e do europeu, além de raríssimos assuntos publicados sobre o grande jogo, na escassa “mídia especializada” que cobre o nosso indigitado basquetebol…

No entanto, tenho publicado cada vez menos sobre o que vejo e testemunho, por conta do brutal impacto de uma mesmice endêmica que aos poucos, cirurgicamente, vem corroendo o cerne de uma modalidade que um dia foi grande, imensa na preferência de um povo cada vez mais ausente dos ginásios, trocando-a por outras mais medalháveis, midiaticamente mais palatáveis, comercial e economicamente…

Doloroso é assistir um “NBB que você nunca viu”, com jogos acumulando inacreditáveis 45 erros de fundamentos (Franca x Vasco), e 43 (Franca x Brasília), num campeonato com média de erros de 28 por jogo, bastando conferir nas estatísticas dos jogos, editadas pela Liga. Já nem toco mais no fator artilharia de fora, hábito para lá de cristalizado na maioria de nossos jogadores, convictos que estão na liderança mundial desse difícil fundamento, exclusivo de muito poucos altamente especializados jogadores,,,

Mais doloroso ainda, é a constatação final, de que, enfim, atingimos o prana técnico tático do grande jogo neste imenso, desigual e injusto país, quando as seleções nacionais de todas as categorias professam o mesmo sistema tático, imutável, rígido, atreladas a influência direta e coercitiva de fora para dentro da quadra, encordoadas tal como marionetes, por técnicos, estrategistas, sei lá o que representam, decidindo a cada ataque o que e como fazer jogadas pseudas e exaustivamente treinadas, o que é uma deslavada mentira, e sim fazer acontecer os toques geniais através as “pranchetas que falam’, com seus ininteligíveis garranchos e desconexos rabiscos, expostos e jogados na cara de incrédulos jogadores, e mais incrédulos ainda incautos telespectadores, num português eivado de “eu quero”, “exijo”, noves fora os palavrões, assim como num inglês e num portunhol de araque, por conta dos muitos estrangeiros contratados pela maioria das equipes, levados a crer por inacreditáveis comentaristas, estarem testemunhando uma obra de arte criativa, quando na dura realidade testemunham um colossal e irresponsável embuste…

Embuste Paulo? Sim, embuste, porque numa mísera e primária observação, nota-se, com clareza, que os jogadores estrangeiros e a maioria dos nacionais, pouco atentam, e mesmo compreendem as mensagens, brilhantemente expostas nas mágicas pranchetas e no discurso anárquico e irreal que ouvem com postura blasé, quando ouvem…

Somemos a todo esse horror, às atuações hilárias e circenses dessa turma ao lado das quadras, querendo jogar no grito, bailando e correndo por todo o tempo de jogo, como que cercando galinhas, inclusive coagindo arbitragens, insuflando torcedores, forçando mostrar trabalho e empenho, num esforço que deveria ocorrer exclusivamente no treino, que dissociado de plateia, nada soma de apelo mercadológico, mas que no frigir dos ovos, é o definidor de lideranças, o verdadeiro motor na construção de uma equipe de verdade, e não esse circo que aí está…

Mas é o “basquete que você nunca viu”, onde a emoção comanda o espetáculo, mesmo que a técnica fique comprometida, apesar dos 16 argentinos, e muitos americanos, que não estão nem aí para os gênios das pranchetas, fazendo o que querem nas quadras, abiscoitando seus dólares,e  inclusive agora dando início ao premio “craque do jogo”, mesmo perdendo o jogo, bem ao gosto do que fazem na matriz, que de há muito tenta transformar um jogo sofisticado de conjunto, numa reles competição individual, onde a proliferação do jogo de apostas encontra seu provimento maior, fator esse que nos trará enormes contratempos, que um breve futuro nos dirá. Então, como defini-lo, como?…

Basta observarmos os quintetos iniciais, com cada vez mais estrangeiros que nacionais, num lesa-pátria que preenche a vaidade de muitos estrategistas, ostentando o palpável fato de comandar americanos e argentinos, arranhando guturalmente seus idiomas, o que muito pouco importa, frente a realidade de que não estão nem um pouco preocupados com tão ínfimo pormenor, fazendo o que querem no campo de jogo, afastados que se colocam frente ao que presenciam vindo de rabiscos pranchetados e “instruções” numa língua estranha, para logo improvisarem ao seu bel prazer e vontade, preferentemente entre eles próprios, num arremedo de clube do bolinha lamentável…

Todo este impacto sócio, técnico cultural nos coloca de frente com uma situação de transcendental importância, nossas seleções em busca de uma classificação olímpica, suas convocações, treinamento e preparação técnico tática, pois se fundamentadas pelo que realizamos em nossas ligas, pouco, ou nenhuma chance teremos naquelas competições, e o pior ainda, nada, absolutamente nada legaremos aos mais jovens, frente a dura realidade do que vem praticando desde sempre, um basquetebol anacrônico, fundamentado na desenfreada chutação de fora, inclusive por seus pivôs, e pela mais completa ausência de sistematização tática ofensiva e defensiva,  posicionamento estratégico frente à realidade do basquete praticado por países que, de forma geral,  priorizam os fundamentos em sua formação, da base a elite, sem exceções…

Até quando daremos provimento e cobertura a esse autofágico festim, até quando? Estamos no limiar da impossibilidade da volta ao bom senso, sacramentando a debacle final, negando às futuras gerações uma saída honrosa, digna de nossa tradição vencedora de três mundiais e quatro medalhas olímpicas, em tudo e por tudo oposto ao que vimos e testemunhamos nas três últimas décadas, onde a qualidade e o mérito se fez refém da mediocridade e do oportunismo atroz e mercadológico…

Sinto e pressinto uma enorme vontade de parar, diria mesmo, de bater em ferro de ponta, e só não o fiz por honestamente acreditar que exista ainda uma tênue e fugidia nesga de luz no final desse infindável buraco em que lançaram o grande jogo, vivido em sua imensidão por minha geração em mais de seis décadas, o qual vejo fenecer por baixo e esmagado por abomináveis e ridículas pranchetas e canetas hidrográficas, discursos inócuos e ilógicos, estertorando na vontade final de ver renascer a inteligência e o verdadeiro amor por seus valores de grande, grandíssimo jogo, daqueles que o mereceram e ainda o merecem de verdade.

Que os cansados e extenuados deuses nos protejam e ajudem no legitimo anseio de podermos enfrentar essa engessada turminha no campo de jogo, onde as verdades verdadeiras sào ditas e postas de frente, e não essa enganação corporativada que aí está…

Amém.

Em tempo: Quem sabe poderíamos ter tempo de nacionalizar uns dois argentinos e outros tantos americanos para disputar a vaga olímpica, no que seria o sonho dourado da turma que se apossou do destino do grande jogo entre nós. Que tal? 

Fotos -Arquivo pesoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las,    

O RÉQUIEM “EXAUSTIVAMENTE”ANUNCIADO, E COMO…

A artilharia deles caiu, a nossa não…

Comissão completa, a mesma que se anuncia como a mais gabaritada neste imenso, desigual e injusto país, dona de um QI monumental, a tal ponto que irradia às divisões inferiores toda a sua pujança e sabedoria, dando as cartas de como instituir toda uma programática formativa, da técnica ao condicionamento físico, da administração a gerência multidisciplinar, de como formar  gerações de incautos jovens, mas claro, claríssimo, formatando-a, padronizando-a e globalizando-a, como sendo o ápice glorioso do soerguimento do grande jogo tupiniquim…

“É mentira Terta, é mentira? Claro que não Pantaleão”…

Desculpe dizer, é a mais abjeta mentira que aos poucos, infelizmente a conta gotas, sutilmente despenca por nossas esperanças em dias melhores, cada vez mais próximos da pá derradeira de cal em seu insepulto cadáver…

Revezamento de prancheta no minuto final da partida, astuta divisão de responsabilidades, por sobre um comando que deveria ser indivisível…

E com uma instigante novidade, o revezamento de prancheta, numa astuta delegação de comando, no momento em que a vaquinha deitou (copyright Zé Boquinha), numa atitude evasiva às responsabilidades do cargo. Lamentável…

Já escrevi e postei às toneladas a respeito neste humilde blog, não só sobre seleções nacionais, como de todo basquetebol de base, onde, indignado com tanta empáfia e equivocados posicionamentos técnico táticos, ignorância didático pedagógica, o vejo sofrer e agonizar irremediavelmente…

Sinto anunciar pesaroso que Consumatum Est, C’est fini, Finito, Acabado, The end, faltando só a cremação do grande jogo, pequeno para essa gente que simplesmente não sabe o que faz, ou lá no fundo,bem o sabem…

Infelizmente me vi obrigado a testemunhar este desastre, mudando, inclusive, de canal no Youtube, preferindo um site chileno, comedido e justo, aos estertores nacionalistas e ufanistas de uma turma que pode saber algo de outras modalidades, mas de basquetebol…

Não devo me estender mais, bastando postar duas imagens e uma planilha final, testemunha de tudo aquilo que dolorosamente expús “exaustivamente” por mais de 50 anos dentro das quadras, e 19 anos de Basquete Brasil, tendo mais dolorosamente ainda uma triste certeza, a de errar muito pouco, cada vez menos, que se por um lado me torna mais e mais confiável, por outro, cada vez mais triste por não me ser permitido ajudar de verdade o soerguimento do grande, grandíssimo jogo, neste imenso, desigual e injusto país, vítima eterna da politicagem e do autofágico e desumano QI institucionalizado…

Uma prova final e definitiva do que formataram, padronizaram e globalizaram para o outrora glorioso e vencedor basquetebol brasileiro.

Amém.

Fotos – Reproduções da Internet. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O ESPÚRIO ESQUECIMENTO…

O basquetebol está em crise, brigam os comandantes, teimam em não se entender, reinvidicam primazias, dividem-se em vez de somar esforços, ampliando esponencialmente a distância que nos separa do soerguimento da combalida modalidade, aquela que, desde sempre foi a segunda opção dos torcedores e desportistas brasileiros, hoje anestesiados frente a a um momento de decadência que poderia ser evitada com uma única ação, o bom senso entre todos eles…

Republico a seguir um artigo aqui publicado logo após as Olimpiadas, que dizem um pouco sobre a nossa realidade educacional e desportiva da qual o basquetebol faz parte, hoje minimizada e omitida, quando deveria ser estudada a fundo, o que não acontece, infeliz e desgraçadamente.

O OUTRO CICLO…

domingo, 2 de outubro de 2016 por Paulo Murilo

Foram-se dois ciclos olímpicos, perdidos na busca do “alto nível”, em vez do investimento maciço na base, coroados nas últimas olimpíadas na terra tupiniquim, pela busca dos ouros redentores, aqueles que absolveriam a ganância megalópica de uma elite diretiva compromissada com as empreiteiras e os altos e vultosos negócios na informação, nos transportes, no turismo, nos serviços e na segurança, pagos por bilionárias verbas que deveriam ter sido canalizadas para a educação, a saúde e a segurança de uma e das futuras gerações de jovens, abandonadas e entregues a ignorância, a marginalidade, e a um incerto e covarde futuro…

Inicia-se um outro, onde de saída se propugna pela negativa ao ensino das artes e da educação física no ensino médio, exatamente a meta que deveria ter sido exaltada uma geração e dois ciclos atrás, para, quem sabe, colhermos alguns frutos em Tóquio, e não em Los Angeles, que será o nosso destino se iniciarmos algo neste exato momento do país, que só se soerguerá através do mais profundo e completo projeto de educação jamais sequer tentado nesse imenso e injusto país continente…

Na minha caminhada de professor, talento que se manifestou desde muito cedo, poderia ter escolhido estudar, pesquisar e lecionar História, Geografia, Filosofia, Idiomas, disciplinas que muito me atraíam pelos seus extensos conteúdos cognitivos e afetivos, mas algo ainda ficavam a dever, o psicomotor, que só encontrei na Educação Física, senhora dos três conteúdos geradores dos mais completos objetivos voltados a educação dos jovens, tendo ao lado somente a Dança como proprietários da tríade básica. Cognição, afetividade e psicomotricidade, somente são encontrados juntos naquelas duas disciplinas, tornando-as fundamentais em qualquer programa educacional voltado aos jovens, e porque não, aos adultos também…

Claro, claríssimo para qualquer legislador que propugne pelo controle absoluto do processo educacional, que alija de seus projetos os fantasmas da independência e livre arbítrio de pensamento, assim como a criatividade liberta das amarras impositivas dos centrismos, políticos ou religiosos, pseudos patamares da educação integral, transparente e democrática que tanto ansiamos para nossos jovens, tornando-os aptos ao questionamento responsável e ao envolvimento nos projetos de grandeza nacional, muito ao contrário da obediência cega e retrógrada fundamentada em dogmas e interesses hegemônicos de fora, haja vista a imposição do inglês como idioma estrangeiro prioritário, esquecendo o espanhol totalmente falado e escrito por nossos vizinhos, a quem deveríamos estreitar cada vez mais os laços que nos unem pela latinidade que nos é comum, exceto as guianas, mantidas pela proximidade estratégica às incomensuráveis riquezas amazônicas…

Então, nesta semana que passou, o jornal O Globo em sua edição de 30/9/16, publicou duas matérias correlatas ao momento pós olimpíadas que estamos vivendo (matérias ilustradas nas fotos), onde o professor universitário Pedro Hellal discorre com bastante propriedade sobre o tema – “ O estudante fisicamente ativo aprende melhor”, que deveria ser bastante divulgada e discutida, principalmente frente aqueles que desejam ardentemente alijar as duas disciplinas aqui descritas, dos currículos do ensino médio, como obrigatórias, tornando-as optativas, eximindo dessa forma as escolas de se aparelharem para desenvolvê-las, em flagrante contraste com a cornucópia financeira derramada na organização da Rio 2016 e do Pan 2007, com seus prometidos legados, perfeitos para o empresariado bilionário nacional, e catastrófico para as tarefas básicas educacionais e de saúde de nossas sempre criminosamente esquecidas crianças…

A segunda matéria, “Arremesso futuro – Assistência” , trata da solidificação da franquia NBA em nosso país, da qual retiro algumas afirmações do entrevistado Arnon de Mello, vice presidente da mesma para a América Latina, que considero verdadeiras pérolas a serviço de uma entidade, que segundo ele – (…) o Brasil é importante para os dois vetores principais de crescimento da NBA hoje, que são o mercado internacional e a participação digital (…). (…) E tem seu principal foco no apoio a programas em mais de 70 escolas públicas de Rio e São Paulo, abrangendo 8 mil alunos – Nossos esforços estão em fazer com que a criança goste de basquete desde cedo – Quando entrei na NBA, achava que teríamos que construir mais quadras pelo país. Mas não precisa de nada disso, qualquer pracinha ou escola já tem uma quadra. Nosso desafio, então, é com os professores. A gente tenta incentivar, através de projetos esportivos, que o professor escolha dar o basquete na aula de educação física, e não o handebol ou o queimado (…).

Ou seja, temos uma NBA ousando interferir nos currículos e conteúdos das escolas públicas, definidas em seus projetos num país onde existem somente Rio  e São Paulo, onde professores municipais e estaduais priorizariam o basquete em vez do handebol, ou outra atividade desportiva, numa ingerência passível de sanções bem mais sérias do que seus projetos de caráter eminentemente mercadológico, segundo as próprias palavras do entrevistado, que aliás, confessa candidamente ter conseguido o cargo na maior cara de pau, segundo relato seu contido na matéria reproduzida…

Mas a cereja do bolo são os dois últimos parágrafos, que prefiro que o leitor leia diretamente, nos quais somente aponho uma ressalva, quando diz que – (…) O que talvez ainda falte é melhorar a seleção, para atrair mais gente. Esperamos contribuir (…).,,

Bem, será que melhorando os espetáculos, como vimos na olimpíada, com malabarismos, dançarinas, bonecos inflados, mascotes insossas, música bate estaca ensurdecedora,  apresentadoras inconvenientes, distribuição dirigida de brindes à imagem e semelhança das arenas romanas, ah, e beijaços ridículos pelo oportunismo midiático, teremos de volta nossa pujante herança de jogar o grande jogo, ou o que valeria para nós seria a volta de um público perdido para a pobreza técnico tática que nos abraçou, e fez se tornar passado uma época em que realmente formávamos excelentes jogadores, melhores ainda professores e técnicos, arrastando multidões para assistirem basquetebol de verdade, e não essa mixórdia que aí está, emulada na liga que ele hoje preside na AL, esquecendo de mencionar que, a grandeza do voleibol se deveu a expropriação política do patrocínio do BB, conseguida nos porões da ditadura, e que o tornou suficientemente poderoso até o apogeu de comandar o COB, a toda poderosa organização que tudo faz para manter a CBB no estágio do que aí está, facilitando e intermediando verbas do ME para manter a politicalha lá entranhada, pois dessa forma não correm o perigo de voltar a ser o quinto ou sexto esporte na preferência do torcedor brasileiro desde sempre. E se foram campeões olímpicos, deveu-se aos excelentes técnicos que floresceram à margem das vultosas verbas públicas, roendo as bordas das demais modalidades, ai o basquetebol incluso, infeliz e politicamente…

E não me venham dizer que a NBA salvará o triste atual basquetebol que tanto amamos, voltada às megastores que começa a implantar pelo país, alimentada por muitos dólares que propiciam a transmissão e divulgação midiática de praticamente toda a temporada da matriz, tão distante da nossa realidade, que se funde e talvez se explique nas duas matérias acima discutidas, mas relativamente perto de uma solução que depende de uma única saída, a de tomarmos verdadeira e definitivamente vergonha na cara, simples assim, vergonha na cara…

Amém.

Fotos – Reproduções do O Globo (30/9/16). Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

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PAULO CESAR DA CUNHA MOTTA.

Paulo Cesar da Cunha Motta, foi meu aluno na Escola Carioca de Basquetebol, depois atleta na AA Vila Izabel, e mais adiante no CR Flamengo. De certa forma concorri para que cursasse a EEFD/UFRJ, mesmo sabendo que seu plano era a engenharia, onde sem dúvida teria carreira de sucesso, mas não tanto como a de Professor de Educação Física e Técnico Desportivo, no que realmente veio a se transformar, em décadas de laborioso e profícuo mister na nobre arte do ensino, influindo com seu preparo e absoluto talento sobre gerações de jovens estudantes/cidadãos.

Paulo num embate com o grande Ubiratan.

Como jogador brilhou no CR Flamengo, nas Seleções Cariocas, Araçatuba (SP), na Seleção Brasileira Universitária na Universiade de Tóquio, como Técnico na Seleção Juvenil Feminina no Mundial de Moscou, e por muitos anos no Barra da Tijuca Basquete Clube em sua sede no Condomínio Riviera del Fiori, e como Professor no Colégio de Aplicação da UFRJ.

Éramos compadres, pois sou padrinho de seu filho Paulo Cesar, também jogador, e pai do hoje jogador do Flamengo Filipe Motta. que formavam uma tríade basquetebolista de altíssima qualidade. Discutiamos muito sobre a atualidade do basquetebol em nosso país, pensando sempre em auxiliá-lo em seu soerguimento, inclusive com alguns projetos, mas a vida e o destino assim não quis. Porém, de minha parte, e se saúde e força ainda se mantiverem em mim, darei continuidade aos nossos sonhos.

O Paulo se foi, deixando imorredouras saudades, e o legado de uma realidade de ações e intervenções do mais alto valor, de integridade, de seriedade, de preparo , conhecimento, ética, e acima de tudo, de um profundo amor a que se atirava com todas as suas forças na consecução de seus magníficos projetos, voltados a educação e a cidadania.   

Hoje é um dia muito triste para mim, perdi um amigo querido e de fé.

Que os deuses o recebam com os braços estendidos, e quem sabe batendo uma bolinha com um verdadeiro mestre.

Amém. 

Fotos – Arquivo pessoal.

UM POSSÍVEL AMANHÃ? TENHO DÚVIDAS…

Campeões com a máxima justiça.

Chegou ao final este surpreendente mundial, com a queda de alguns conceitos dogmáticos tão ao gosto de um certo público que, decididamente, pôs na cabeça que o grande jogo nasceu, ou mesmo foi criado, no dia de suas vindas a essa terra, tal a desfaçatez de o qualificarem de “basquete moderno”, numa alusão pretensiosa de que nada, absolutamente nada, existiu antes de seus parcos conhecimentos sobre a história, tradição e a riqueza deste que, com a mais absoluta certeza, possui a mais extensa bibliografia dentre todos os desportos coletivos (duvido muito que a maioria de nossos estrategistas tenha lido algo a respeito…), quiçá os individuais, se constituindo num ótimo estratagema, para sequer tentar estudá-lo, conhecê-lo, como  fazem os verdadeiros artífices do mesmo, os verdadeiros professores e técnicos deste grande, grandíssimo jogo. As cabeças brancas que dirigiram as grandes equipes que brilharam neste mundial, não deixa a menor dúvida sobre quem tem gabarito e estrutura técnica e didático pedagógica para orientá-las com a precisão dos líderes de verdade, aqueles que sabem os porquês, descobertos e compreendidos em suas andanças por pedregosos caminhos, onde aprenderam e apreenderam como fazer acontecer uma verdadeira, coletiva, uníssona, solidária, e consequentemente, confiável e consistente equipe de basquetebol…

Foram muitas as cabeças brancas neste mundial, lugar perene dos mais preparados, dos mais experientes.

As equipes semifinalistas jamais convergiram seus arremessos de 2 com os de 3 pontos, finalizaram seus ataques majoritariamente dentro do perímetro (busquem as estatísticas, pois já me cansei de fazê-las públicas aqui neste humilde blog, mas as tenho todas, e que tal acessá-las e estudá-las um pouco?), apresentando, talvez, a maior de todas as conquistas, defesas excepcionais, na linha da bola, e mesmo zonais de extrema eficiência, combatendo ferozmente os armadores, e contestando com ardor e permanente presença os longos arremessos, que poucas vezes foram realizados em completa liberdade, provando por mais uma vez , e espero que fique razoavelmente entendido e aceito pelos defensores da chutação desenfreada, que tanto tem nos empobrecido no contexto internacional, que de 2 em 2 e de 1 em 1 podem ser concebidos placares vencedores, economizando precioso esforço físico, perdido nos muitos ataques com arremessos de três falhados, como provaram os finalistas deste icônico mundial, onde estes arremessos complementavam suas ações ofensivas, mas nunca como prioridade absoluta, como muitos ainda os priorizam por aqui…

Ataque alemão incidindo fortemente no jogo interior, duelando com a forte defesa sérvia.

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 Porque icônico?   Porque ajuda a derrubar o mito do sistema único, divulgado, globalizado, padronizado e formatado por um corporativismo que se instalou na formação de base, seleções municipais, estaduais e nacionais deste imenso, desigual e injusto país, por uma plêiade de profissionais (?), colonizados repetidores de um conceito larga e mundialmente difundido e dominante de que, o utilizando, advindo de uma centralista NBA, técnica e economicamente dominante, estaria o grande jogo fadado ao sucesso e as vitórias ansiadas…

Com rígida defesa interior, e eficiente contestação aos arremessos de fora, os alemães diminuiram bastante a precisão do ataque sérvio, sua arma mais letal.

Pois é, e por mais uma vez esse conceito ruiu, bastando constatar a representatividade do quinteto eleito pela FIBA como o ideal, onde constam três, e não dois armadores, somados a dois alas pivôs de enorme e poderosa mobilidade. Até mesmo alguns dos grandes pivôs se impuseram nesta competição pela enorme mobilidade atlética, onde o conhecimento e domínio dos fundamentos básicos se fizeram presentes de forma decisiva, fatores em que falhamos lamentavelmente, e continuaremos a falhar, pela constrangedora ausência de conhecimentos técnicos, táticos, estratégicos, não só sobre o grande jogo, como o sociológico e político de nosso povo, propositalmente mal educado, e pior ainda, terrivelmente mal orientado no sentido e representatividade do desporto como fator educacional e inclusivo, miserável e covardemente ferido com o despejo abjeto da ministra Moser, substituída por um fufuca qualquer…

Premiação de armadores e alas pivôs não deixa margem a quisquer dúvidas sobre o quanto o sistema único foi contestado.

O desporto reflete a grandeza de uma nação, em conjunto com sua cultura, seu sistema educacional, sua estabilidade democrática, a saúde e segurança de seu povo. Creio que claudicamos muito em alguns, ou todos estes importantes e esclarecedores parâmetros, logo…

DISSE TUDO!!!!

Que os deuses se apiedem de nós.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e O Globo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O ENTER-DEZENOVE ANOS DE BASQUETE BRASIL…

Dezenove anos atrás, 11 de setembro de 2004, às 4hs da madrugada, hesitei em dar um Enter, iniciando a saga do Basquete Brasil. Não por receio de não ser compreendido, ou mal compreendido, haja vista meus sempre contestados posicionamentos e pontos de vista, mas pelo forçado afastamento das quadras, pelo distanciamento movido pelas decepções e pelas injustiças cometidas com o basquete pátrio, pelo avesso sentimento ao que de pior vinha se apossando do comando do grande jogo nesse imenso e pobre país. Pensei muito, e considerei ser profundamente injusto guardar só para mim o pouco que sei e  amealhei pelas andanças da vida, sempre estudando, pesquisando, e trabalhando muito, dentro e fora das quadras, nas salas de aula, do primário à universidade, nos clubes, nas seleções, aqui e lá fora.

A primeira matéria ali estava, na brilhante tela já a algum tempo, como me enfrentando, mais um dos incontáveis desafios que enfrentei por toda a vida, ganhando e perdendo, mas sempre aprendendo, sempre transferindo o saber, sempre buscando novos rumos, novos desafios.

Fui a cozinha e peguei uma xícara de café, voltei ao escritório, e lá estava a página incólume, brilhando, e uma imagem me desafiando com um sorriso no canto da boca, olhando bem dentro de meus próprios olhos.

Não vacilei, e com firmeza e determinação dei o ENTER, e graças aos deuses nunca me arrependi de tê-lo feito.

Amém.

NOTA IMPORTANTE – Muito em breve algumas sensíveis mudanças no blog, na apresentação e nova página técnica.

EM SE TRATANDO DE COMANDO…

Estratégia de véspera compartilhada com comissão é válida? Funciona? Claro que não…

Sim, sem dúvida, a Letônia nos venceu convergindo seus arremessos com 22/33 nos 2 pontos (66.7%), e 16/33 nos 3 pontos (48.5%), e de quebra 12/12 (100%) nos lances livres, números alcançados em conformidade ao seu preciso jogo coletivo, dentro e fora do perímetro, criando condições de arremessos não forçados próximos da perfeição, tal a coordenação exibida em sua movimentação ofensiva, onde todos os jogadores se deslocavam permanentemente, com e sem a bola, abrindo generosos espaços para conclusões precisas e letais. Defensivamente, exerciam um frenético combate individual, com coberturas magistrais, onde as contestações se fizeram presentes por todo o jogo, provocando números insuficientes para equilibrarmos a partida a partir do terceiro quarto, quando deslancharam para a vitória de 20 pontos de diferença…

Começamos bem com intensa movimentação, resistindo por somente dois quartos, por falta de treinamento forte e prolongado. Conceitos de jogo não são mudados e fixados de véspera…

Arremessamos 22/40 (55%) bolas de 2 pontos, 7/24 (29.2%) de 3, e 19/24 (79.2%) em lances livres, percentuais muito aquém do exigido para uma partida daquele nível, pegamos 36 rebotes (foram 26 para os lituanos), e erramos 11 fundamentos contra 6, logo desperdiçando a vantagem reboteira. Pecamos pela imprecisão nos arremessos, forçados pela sufocante defesa, e não respondemos na mesma moeda, exatamente por não possuímos um domínio dos fundamentos básicos similar ao apresentado pelos letões, principalmente na técnica defensiva, e dos arremessos, curtos, médios e longos, que coroavam um vasto domínio no conceito de equipe coesa, solidária e profundamente comprometida com um altíssimo grau de criatividade e improvisação consciente, fatores de tal complexidade, que somente podem ser alcançados com treinamento pesado, constante e rigorosamente detalhista, onde o perfeccionismo tem de ser o objetivo buscado com dedicação a cada sessão de treinamento…

Ataque interior letão, exemplo não seguido por nossa seleção, que optou pelas falhadas bolinhas…

Sempre propugnei  por uma radical mudança em nossa forma de jogar o grande jogo, começando pela formação de base, a fim de procurarmos  formas diferenciadas de praticá-lo, abrindo mão do sistema único que nos tem prejudicado no cerne de muito tempo para cá, nos levando ladeira abaixo, como neste mundial. Na véspera do jogo contra o Canadá, salientei a necessidade de mudarmos algo para enfrentá-lo, como diminuir a chutação inconsequente de fora do perímetro, incentivar uma movimentação dos homens altos  mais presente dentro do mesmo, lutando pelos preciosos rebotes, e uma defesa a mais contestatória possível aos longos arremessos. A comissão técnica, após a vitória revelou sua estratégia, desacelerar o jogo, como o maior motivo para a boa e convincente vitória. Então veio o jogo contra a Letônia…

Cesta final de três pontos da Lituânia, com posicionamento interior postado…

O que se viu não deve ser esquecido por um longo tempo, o suficiente para honesta e humildemente tentar algo para nos aproximarmos dessas equipes que ousam peitar a maior liga do mundo, cujos vencedores se intitulam arrogantemente campeões mundiais, mas que ontem mesmo perderam para uma Lituânia vizinha fronteiriça com a Letônia, tão brilhante quanto ela, na prática de um basquetebol bem mais evoluído do que a mesmice endêmica que se apossou globalmente de todas as nações praticantes, e que agora se vêem ante algo de novo, inusitado, crescer cada vez mais no cenário mundial, o Steve Keer que o diga…

Desde muitas décadas em que me inseri no grande jogo, estudei, ensinei e orientei equipes e jogadores no sentido contrário ao sistema único, solidificando a dupla armação (ontem ridicularizada, hoje adotada por todas as franquias), e a utilização de três homens altos atuando dentro do perímetro (mais um pouco e estarão todos empregando) em constante movimentação, priorizando as curtas e médias finalizações, e utilizando os longos arremessos como complementos do sistema, jamais como prioridade do mesmo. Aos poucos muitos técnicos passaram a adotar a dupla armação, forma mais segura e confiável na levada da bola, e no apoio direto aos homens grandes enfiados no perímetro, otimizando os arremessos, o tempo disponível a cada ofensiva, para de 2 em 2 , e 1 em 1 pontos, estabelecer robustos placares, tendo como alternativa complementar os longos arremessos, jamais prioritários…

Lituânia, Letônia, Sérvia atuam declaradamente dessa forma, e por conta disso vem obtendo ótimos resultados neste mundial…

Nossa seleção cometeu graves erros, como relacionar jogadores que pouco ou nada jogaram, sequer um minuto, como no caso do Filipe, e um Felício nitidamente fora de forma, em detrimento de outros futurosos esquecidos em convocações equivocadas ou parciais, assim como armadores veteranos que bem poderiam ceder espaço a outros mais jovens que por aqui ficaram, enquanto seleções gabaritadas os apresentavam na faixa dos 20 anos, ou menos, com excelentes resultados…

Convocar um jogador por ter 2,18 m e não acioná-lo por um minuto sequer, fica parecendo uma vitrine para impressionar, lamentável…

Devemos sempre lembrar que, para mudar formas de jogar, substituindo sistemas enraizados por longuíssimo tempo, um correlato tempo se torna necessário para implementar novos rumos, novas concepções de jogo, que devem ser desenvolvidas primordialmente na formação de base, como, só para exemplificar, o veto a defesas zonais até a idade de 15 anos, o aumento de posse de bola dos atuais 24 seg para 30, e a validação de somente 2 pontos para qualquer arremesso de quadra, para a mesma faixa, aspectos técnicos que em muito aprimoraria o sentido defensivo dos mais jovens, assim como o ofensivo, quando priorizariam o jogo interno, a eficiência dos arremessos curtos e médios, e o sentido coletivista, solidário e cúmplice do grande jogo…

Enfim, muito ainda por fazer, criar mesmo, desenvolver e ensinar uma modalidade desportiva riquíssima em elementos educacionais e sociais, valores hoje tão esquecidos em nossa sociedade, em vez de nos apresentarmos com mudanças estratégicas de véspera, sem o mais comezinho tempo de fixação, quiça compreensão de como e quando utilizá-las com um mínimo de competência e firmeza. Convicções se estabelecem durante um longo período de esperimentações, estudo e muito suor derramado em exaustivos treinos, jamais através uma prancheta de véspera, daí a “responsabilização coletiva” de uma comissão técnica, quando tal e vital responsabilidade deverá ser sempre de um comando, solitário e decisivo comando, verdadeiro nascedouro de robustas e estratégicas convicções, pois todo comando é indivisível, quando muito delegando ações, pequenos detalhes, nada mais…

Sem a menor dúvida precisamos do apoio e compreensão dos deuses, pelo menos aqueles que apreciam um grande, grandíssimo jogo, para inspirarem os poderosos dirigentes na correta e justa escolha de seus comandantes, principalmente na base,  aqueles verdadeiros e experientes comandantes, e não aspirantes atemporais e em alguns casos, oportunistas com Q.I. elevado…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.