O ORGÁSTICO PRANA…

O que importa rebote posicionado, sistema organizado, se sou um especialista…

Num determinado momento do último quarto do jogo, técnico e assistente se entreolharam sorrindo, com o júbilo transparente nos olhares, pois enfim, atingiam o orgástico prana de suas convicções sobre e para o grande jogo, que dali para diante, não seria mais o mesmo neste imenso, desigual, e injusto país, pois acabavam de provar sua exequibilidade tática e estratégica, sobre uma forte seleção (porém ausente) em sua própria casa…

Os números finais não podem deixar ou originar dúvidas, ei-los –

Brasil  102  x   56   Mexico

                                (83,3)  15/18   2    15/43  (34.8)

                                (50.0)  20/40   3     5/25   (20.0)

                                (75.0)  12/16   LL  11/15  (73.3)

                                             44       R      30

                                             13       E        8

Na somatória das duas equipes obtiveram-

                                 Nos dois pontos  –  30/61

                                 Nos tres pontos   –  25/65

                                 Nos lances livres –  23/31

                                 Nos erros              – 21

Chutar, chutar e chutar, o novo dogma…

É a provada redenção de um princípio, creem agora dogmático seus executores, que tentam a final escalada desde a era Oscar, na busca do easy basketball, aquele em que dribles, fintas com e sem a bola, passes críticos, bloqueios e cortam luzes, técnicas defensivas cedem seus perdulários espaços ao chega e chuta minimalista, aquele, que segundo essa inculta malta, analfabeta funcional, mudará o jogo, pelo menos entre nós. Ledo engano, pois nos anos sessenta uma outra equipe já o praticava entre nós, o Praia de Uberlândia, que arremessava ao transpor o meio da quadra, e numa época em que a linha de três pontos sequer era cogitada…

Os americanos mergulharam de cabeça seguindo o momento Curry, os europeus nem tanto, porém os asiáticos e pacíficos aderiram de primeira, todos motivados pela indefinição lógica, marcar prioritariamente fora ou dentro do perímetro, com ou sem coberturas, zona ou individual, todas opções que deixam rastros, vazios, indecisões. Porém, perfeitamente contornáveis, mas extremamente trabalhosas nos treinos, nas contendas, nas pequenas, medias e grandes competições, daí o caminho mais factível, o chega e chuta…

Olhem e analisem bem estes dois gráficos, e tentem, com um mínimo de bom senso, aceitar que uma seleção nacional vença a uma outra arremessando 15/18 nos dois pontos e 20/40 nos três. contra 15/43 e 5/25 respectivamente numa partida inteira. Que seleção mexicana é essa que cede os espaços externos, contestatórios, deixando-os absurdamente livres, originando a mais absoluta certeza brasileira de que se todos os seus jogadores arremessassem de fora as bolas caíriam, que foi o que aconteceu com onze deles, que seriam doze, pois o Lucas Dias (logo ele…) não atuou…

Os mexicanos bem que tentaram acompanhar a festança, num 15/43 de dois pontos e 5/25 de três, rigorosamente contestados, porém estendendo o tapete vermelho no contorno externo, exequibilizando o butim, e o mais preocupante, firmando a certeza de que nossa seleção tenha encontrado o velocino de ouro supremo, por contar com doze aspirantes a Curry, ou Oscar, não importando o quem é quem nessa equação difícil de digerir, aquela que desconsidera a arte defensiva do adversário, porém minimamente acreditando em sua própria, mais por vontade, não por técnica fundamental…

São pequenas realidades que não serão encontradas num mundial, numa olimpíada, possuindo ou não doze chutadores de fora, pois bastariam dois ou três especialistas numa equipe com altos índices defensivos e contestatórios para nos vencer, e elas existem, e logo logo as encontraremos…

Da próxima vez que sorrirem ante o milagre (?) dos doze que chegam e chutam, tentem cair na realidade de que do lado de lá possa acontecer um outro milagre, o dos doze que sabem e dominam os caminhos individuais e coletivos da defesa, a arte primal do grande, grandíssimo jogo que dispensam solenemente giocondos sorrisos, daqueles que ouviram o galo cantar e se encontram de bússola na mão tentando encontrá-lo…

Muitos e muitos acreditam neles e seus sorrisos, infelizmente, por força da dura labuta, dos estudos sem fim, e da pedregosa estrada ainda a ser percorrida, sincera e honestamente não acredito. Direito auto concedido aos 83 anos (14/11/1939), e aqui autenticado no Basquete Brasil desde 4/9/2004…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e arquivo próprio. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las. 

A VICEJANTE IMPUNIDADE…

Segundo tempo voltado ao chega e chuta, sem sequer um rebote posicionado

Pouco ou nada tenho escrito sobre basquetebol, principalmente este do NBB, pois, ao se manter sob uma mesmice técnico tática endêmica, absoluta e teimosamente sufragada por técnicos, jogadores, dirigentes, agentes e mídia, sob a égide de um discutível `”basquete moderno”, onde todas as equipes praticam um mesmo sistema de jogo, é de se esperar  que a seleção nacional assim também atue, espelhando fidedignamente o que vem praticando desde sempre nas competições nacionais dos últimos vinte e poucos anos, onde a chutação de três pontos, as majestosas enterradas e os monstruosos tocos passaram a definí-lo como o vencedor objetivo a ser alcançado no cenário internacional, tristemente perdido por uma modalidade desportiva que alcançou a quarta posição entre as nações no século vinte, segundo classificação da FIBA…

Tenho lutado intransigentemente contra esse desmando, principalmente nos últimos dezoito anos de existência deste blog, o Basquete Brasil, hoje alocado logotipo da CBB e recentemente apondo seu nome ao IBB, Instituto Basquete Brasil, remendo da prematuramente falecida ENTB, Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol, liquefeita pelo mesmo, mesmíssimo grupo que agora se empodera no IBB, nome por nome, e que bem sei, por larguíssima experiência que não irá muito longe, ainda mais quando se manterá professando o desmando rei, o sistema único, formatado e padronizado para todas as divisões masculinas e femininas, nas áreas municipais, estaduais e nacionais, como dogma absoluto, descerebrado e profundamente destituído de criatividade, e improviso consciente, haja vista o progressivo e asfixiante encordoamento de jogadores manipulados como marionetes, por todo o tempo em quadra, por técnicos/estrelas, ou estrelados, entocados por trás de pranchetas, verdadeiros biombos que os separam de atônitos e muitas vezes incautos jogadores, todos reféns de uma falácia disfarçada de estratégia máxima do grande jogo, aquele que deveria sê-lo, e nao esse pastiche que aí está cercado de ufanismo e ignorância sobre o que ele representa de verdade. Pretendem formar e graduar técnicos por todo o país, tendo ao lado um CREF que não possui qualificações acadêmicas para tal objetivo, pois trata-se de um orgão voltado exclusivamente ao controle ético e funcional dos denominados profissionais de educação física, e mais os milhares de leigos provisionados em cursos de infima duração por todo o país, nada tendo a ver com as licenciaturas e bacharelados obtidos nas universidades reconhecidas pelo MEC em seus cursos superiores de educação física e desportos. Pretender formar técnicos desportivos é função inconstitucional, já que, como cursos superiores pertencem as universidades. Provisionar leigos não acredito ser a forma mais recomendável de didático pedagogicamente implementar o desporto junto aos mais jovens, função para frofessores de verdade…

Os reflexos de tanta insânia se desnudam nas grandes competições, como o torneio de classificação para o mundial masculino, onde a seleção já amargou três derrotas (Porto Rico, México e Colômbia), vencendo uma piada de seleção americana, composta por jogadores desligados das franquias da NBA, e participantes de sua D League, assim como os jogadores brasileiros que são enviados para a matriz como prospectos da mais alta qualidade, num ledo e constrangedor engano, de todos aqueles que se se acham vastos conhecedores do basquete NBA, quando sequer conhecem o do NBB, do país em que professam sua vasta sabedoria…

Vamos aos fatos deste último jogo com os americanos meia, e põe meia boca nisso, e que explica com a maior clareza o imenso óbice em que se encontra o nosso judiado e marginalizado basquetebol. comecemos com alguns números estatísticos

–                    Brasil 58   x  34   USA (Dados do primeiro tempo)

         (69.5) 16/23      2     11/24 (45.8)

         (37.5)   3/8        3       2/13 (15.3)

         (85.0)  17/20     LL     6/8   (45.0)

                          21     R      15

                            4     E        6

                    Brasil 36 x  45  USA (Dados do segundo tempo)

          (50.0)   7/14      2     13/24 (54.1)

          (43.7)   7/16      3       5/13 (38.4)

          (59.0)   1/2        LL     4/7   (57.1)

                           19     R       17

                             8     E         2

                     Brasil 94 x  79  USA (dados finais)

          (62.1)  23/37      2      24/48 (50.0)

          (41.6)  10/24      3        7/26 (26.9)

          (81.8)  18/22      LL    10/15 (66.6)

                          40      R       32

                          12      E         8

No primeiro tempo a equipe brasileira, que sempre atuou com dois armadores (o Benite é um armador de raiz, e bissexto nas bolas de três, nunca uma ala), jogou com seus homens altos, com bom percentual de arremessos de média e curta distâncias (69.5%), numa movimentação intensa, principalmente dentro do perímetro. Arremessou somente oito bolas de três (37.5%), e faturou muitos lances livres (85.0%), deixando defensores americanos pendurados com faltas. Por conta da má pontaria de fora dos americanos (15.3%), bem contestados defensivamente, e pegando 21 rebotes contra 15, pode a seleção nacional terminar os dois períodos iniciais com 24 pontos de diferença, alcançada de 2 em 2 e 1 em 1 pontos, metodicamente…

Nos dois períodos finais, a síndrome longamente implantada no cerne do nosso basquetebol se fez presente, quando arremessamos mais bolas de três do que de dois (a famigerada e já endêmica convergência), e como paramos de jogar dentro do perímetro, arremessamos somente dois lances livres, enquanto a trôpega equipe americana inverteu o papel estabelecido pela nossa seleção, em todos os aspectos do jogo, inclusive seus números, como atesta a segunda tabela acima, ou seja, perdemos esses quartos por 9 pontos, não suficientes para dirimir a vantagem de 24 pontos alcançada no primeiro tempo. São números preocupantes, pois enfrentaremos mais adiante equipes bem mais estruturadas que essa remendada seleção americana , que rotaciona seus jogadores, não somente durante os jogos, e sim em sua convocação que varia conforme as disponibilidades de seus jogadores. Como provavelmente se classificarão, possivelmente poderão contar com alguns jogadores mais graduados da NBA para o Mundial, melhorando significativamente a parte técnica e estrutural da equipe, colocando-a como forte candidata ao título…

A mesmice dos quatro abertos e um pivô lutando sozinho imperou nos quartos finais, com o jogo externo dando as cartas. Veremos se funciona logo mais com os mexicanos…

No próximo jogo contra a boa equipe mexicana, num duelo decisivo para a classificação, teremos boas chances se jogarmos como o fizemos no primeiro tempo da partida contra os americanos, que foi uma mudança técnico tática com excelente resultado, comprometida pela volta ao rame rame que nos têm contemplado com o pior dos mundos, aquele onde a mesmice endêmica, a nulidade criativa, e a ausência da improvisação consciente, marca indelével do coletivismo inter pares, alcançado no duro e minucioso treino, e não no improviso chutador grafado em pranchetas, aquelas que muitos afirmam que falam, mas que garanto serem descerebradas como os que a manejam midiaticamente. Uma grande equipe é formada e forjada no treino, jamais em convescotes, malabarismos e estrelismos de beira de quadra, quadra essa de plena propriedade de jogadores bem iniciados, bem formados, melhor ainda, treinados e acima de tudo proprietários de sistemas diferenciados de jogo, e não repetidores imbecilizados de conceitos equivocados, formulados e impostos de fora para dentro da quadra, impunemente…

Espero que o bom senso baixe por sobre a seleção nesta segunda-feira, senão… 

Amém

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las. 

OS TEIMOSOS E ESTUPENDOS LEITORES…

Tenho um leitor (ou serão leitores…) que sempre acessa específicos artigos sobre formação de base, antigos e novos (e olhem que são dezoito anos de blog com mais de 1650 artigos publicados), pertinentes a realidade em que patina o grande jogo entre nós, nos quais extensos debates são estabelecidos com retidão, conhecimento, ética, e acima de tudo, amor ao basquetebol, o grande jogo. Reproduzo alguns, sugerindo que os leiam, pensem e reflitam a respeito, e se possível deem seguimento aos mesmos, pois refletem com a mais absoluta precisão o trágico momento que atravessa o grande jogo entre nós. Clicando em algumas palavras em negrito, outros textos correlatos são expostos a análise mais profunda de tão instigante assunto…

PS – No levantamento dos artigos publicados, tenho acesso às estatísticas dos assuntos pesquisados, onde são somente mencionados os números de buscas realizadas, sem menção de nomes, o que não caracteriza anonimato, por não se tratar de comentários, vetados no blog sem a responsabilidade nominal de quem os endereçam. PM.

Se interessados num real e claro retrato de nosso basquetebol formativo, aí estão os artigos, e principalmente, os comentários a eles agregados, como um testemunho crítico e objetivo de como se encontra o nosso maltratado e vilipendiado basquetebol.

MUDAR PRA QUE? ESTÁ BOM ASSIM…

quinta-feira, 2 de setembro de 2021 por Paulo MuriloEditar postSem comentários

Publiquei em 2011, faz 10 anos, e o que mudou? Absolutamente nada, e o que mudará daqui para diante? Temo que nada, absurdamente, NADA…

FUNDAMENTOS? ONDE ESTÃO?…

domingo, 11 de dezembro de 2011 por Paulo Murilo14 Comentários

Assisto ao jogo, me concentro, mas não acredito no que vejo. Saio da sala, vou até a cozinha, pego um café, e volto. Continuo não acreditando, mas persisto teimoso que sempre fui, e se comecei a ver, penso ir até o fim. De repente acordo (foi um cochilo de uns 30-40 segundos), como se o corpo e a mente tivessem reagido ao que testemunhavam, se protegendo de algo inenarrável, e pelo mais absoluto respeito que ainda mantenho pelo grande jogo desligo a TV e volto à minha leitura interrompida, jurando me calar, e até esquecer tão absurdo espetáculo, principalmente por se tratar da partida inaugural de uma Liga adulta.

Abro hoje os sites de basquete, e leio o artigo do Fábio Balassiano no Bala na Cesta, que publica tudo aquilo que me revoltou, e até certo ponto me envergonhou, travando a vontade imensa de extravasar um sentimento de tristeza ante tanta pobreza técnica e de fundamentos, principalmente estes. Mas o Fabio foi lapidar e cirúrgico em sua crítica, a qual não aporia uma vírgula sequer, pois refletiu em toda sua dimensão “a quantas andam o nosso outrora brilhante basquete feminino”.

É inadmissível que jogadoras adultas confundam desenfreadas corridas com basquete, tropeçando na bola, ultrapassando-a em várias ocasiões, que não dominem o drible, mesmo usando somente a mão natural, que não saibam arremessar, de longe, muito menos de perto, que não saibam se deslocar defensivamente, e o pior de tudo, que não dominem, nem de longe, a arte de passar a bola. E perante tanta falta de habilidades individuais, como ousam os técnicos exigir jogadas e sistemas sem que as jogadoras sequer saibam dominar uma bola?

O que falta para ensinar fundamentos a todas elas, igual, democrática e tecnicamente confrontadas, nivelando-as perante a necessidade grupal de que sem os mesmos nada conseguirão ou atingirão de realmente prático nos sistemas e jogadas que são instadas a praticar? Será que seus técnicos só conhecem sistemas, jogadas e chaves, se auto conotando como “estrategistas”, deixando de lado o verdadeiro objetivo do jogo, o domínio de seus fundamentos? Como exigir continuidade e fluidez tática se as jogadoras sequer sabem executar um drible, uma finta e um passe com um mínimo de precisão? Como?

Assim como o jovem articulista, também me sinto preocupado no mais alto nível, aquele que me trouxe à sétima década de vida, cinco delas dedicadas à educação e ao basquetebol, respeitando por todo esse longo tempo o grande principio que o tornou universal, o histórico conceito que o desenvolveu e sedimentou, o de ser exequibilizado e jogado através o pleno domínio de seus fundamentos.

Espero que todos aqueles envolvidos no preparo e treinamento de jogadores, sejam de que divisões, sexo, faixas etárias, estaturas e pesos forem, se conscientizem disso, como plataforma segura para o soerguimento do grande jogo.

Amém.

Foto – Divulgação LBF. Clique para ampliá-la.

14 comentários

  • Victor Dames
  • 12.12.2011
  • · Pra ser bem sucinto, Professor… Muita gente nessa LBF quer viver DO basquete, mas poucos vivem PARA o basquete…
    Abraços!
  • Basquete Brasil
  • 12.12.2011
  • · 
  • E mais sucinto ainda, Victor…Concordo.
    Um abraço.
  • Henrique Lima
  • 12.12.2011
  • · 
  • Professor Paulo,
    se a Seleção Feminina tem um nível baixíssimo, o que esperar do nacional feminino ?
    Imagino então como é na base, se o apresentado aí, é a elite do que temos.
    Um abraço
  •  
  • Basquete Brasil
  • 12.12.2011
  • · Mas o que impressiona sobremaneira, são as diligentes e enérgicas intervenções dos técnicos em torno das jogadas, das táticas, jamais sobre os fundamentos, como que partissem da premissa de que os mesmos estão sob o domínio das jogadoras, quando na fria realidade dos fatos, elas nem de uma forma rudimentar os controlam, sequer dominam. O jogo então se desenrola numa velocidade assustadora, onde os erros se duplicam, triplicam, numa frequencia demolidora. E pensar que tanto talento e juventude estejam sendo desperdiçados por omissão e desconhecimento. Lamentável.
    Um abraço Henrique, Paulo.
  •  
  • Fernando Ribeiro
  • 14.12.2011
  • ·Acredito que tenha visto o jogo errado, São josé jogou muito bem para uma equipe que começou a treinar a menos de duas semanas queria assistir uma partida delas.
  •  
  • Basquete Brasil
  • 14.12.2011
  • · Não, prezado Fernando, assisti o jogo inaugural da Liga entre duas das mais tradicionais e vitoriosas equipes que a ela pertencem. Também assisti outro que não comentei porque nada tinha a escrever de diferente do primeiro, e fico aguardando a oportunidade de assistir um jogo do S.José logo que seja veiculado pela TV, duvidando que seja diferente dos demais.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  •  
  • ANTONIO CARLOS VENDRAMINI
  • 14.12.2011
  • ·PROFESSOR,TENHO QUATRO DÉCADAS DEDICADAS AO BASQUETE E COMO O SR.,SENTI A MESMA TRISTEZA AO ASSISTIR A ABERTURA DA LBF.
    AS MATÉRIAS DO BASQUETE BRASIL SÃO ÓTIMAS.PARABÉNS UM ABRAÇO,PROF.VENDRAMINI.
  •  
  • Basquete Brasil
  • 14.12.2011
  • · Prezado Vendramini, você com quatro, eu com cinco décadas voltadas ao ensino do grande jogo, ou seja, “velhos e ultrapassados”, frente a uma juventude que acredita piamente que o basquete nasceu com a vinda deles ao mundo, esquecendo os idos de 1892 em Springfield, e sua base sedimentada nos fundamentos, sem os quais sistema nenhum de jogo se torna minimamente exequivel. Os resultados aí estão, escancarados, indesculpáveis, fruto de uma tendência absurda voltada às formatações e padronizações técnico táticas, que destinam a um mesmo tacho o que poderia, e deveria ser sua negação, frente à criatividade e ao livre pensar e ler o jogo, que são fatores somente alcançáveis através o pleno domínio dos fundamentos, principalmente por parte de quem os estudam, pesquisam e ensinam.
    Fico feliz e honrado com sua presença aqui nesta humilde trincheira, valorizando-a sobremaneira. Obrigado, e um abraço.
    Paulo Murilo.
  •  
  • Cleverson
  • 15.12.2011
  • · Pois é Professor. E como uma criança ou um adolescente vai se interessar em assistir um jogo com um nível assim?
    Quem vai querer ir a um ginásio assistir um jogo desses?
    Basquetebol na televisão só em canais fechados e será que esse produto, da forma que está, se apresenta de uma maneira interessante para a emissora que o transmite?
    Assisti a um jogo, se não me engano foi do paulista feminino, que o primeiro quarto terminou 12×8. Muitos erros de passe, finalização, enfim, feio mesmo. Meu pai, irmã e cunhado me pressionaram tanto para mudar de canal que acabei cedendo. Eles queriam assistir futebol de areia.
    Perdendo espaço para outros esportes, sem grandes jogadores para as crianças se espelharem, cada vez menos crianças praticando (pelo menos na minha cidade).
    Vai ser uma luta árdua Professor!
    Um abraço.
  •  
  • Basquete Brasil
  • 15.12.2011
  • · Apesar de tudo, prezado Cleverson, temos de continuar insistindo, estudando, ensinando, debatendo, e acima de tudo, nos indignando, sempre e sempre, pois um mal não pode permanecer ativo por todo o tempo, aos poucos irá cedendo pela força do conhecimento, do árduo trabalho, enfim, pelo restabelecimento do bom senso. Temos de ir em frente, até quando pudermos. Um abraço, Paulo Murilo.
    PS- Seus artigos estarão seguindo na próxima semana. Desculpe a demora. PM.
  •  
  • Cleverson
  • 20.12.2011
  • Um outro detalhe Professor que eu penso ter uma enorme influência na formação dos novos jogadores é a utilização de estagiários sem supervisão nas categorias de base principalmente por ser mão de obra barata? (claro que não é só isso).
    Eu por exemplo assumi uma escolinha no meu primeiro ano de faculdade e a única pergunta que me foi feita na entrevista para o estágio foi se eu conseguiria reproduzir os exercícios dos treinamentos para as crianças. Permaneci na escolinha por 4 anos sem ninguém me pedir um plano de aula ou virem assistir uma aula minha.
    A iniciação esportiva por ser um momento chave na formação do atleta deveria ser vista de uma outra forma. Acredito que um Professor com maior experiência deveria cuidar da base ou, pelo menos, acompanhar de perto a atuação do estagiário, orientando e exigindo aulas fundamentadas. Eu não sabia praticamente nada sobre o desenvolvimento da criança, sobre aprendizagem, emocional, socialização, me preocupava somente com os exercícios nessa época.
    Com uma boa formação de base esses erros grosseiros de fundamentos seriam bem menores. Para se trabalhar com crianças é preciso ter conhecimento e experiência. Acredito que esse seria um grande passo para a mudança.
    Um abraço.Cleverson.
  • Basquete Brasil
  • 22.12.2011
  • Inicialmente Cleverson, eram os jogadores mais carentes financeiramente que assumiam a formação, atitude que reduzia os custos em contratações de técnicos por parte dos clubes, e que aos poucos, com o aumento no número de escolas de educação fisica no país, foram sendo substituídos pelos notórios estagiários, a um preço ínfimo, se comparado ao de um competente e experiente professor.As grandes holdings de academias também se utilizam desse estratagema, substituindo os formandos por outros estagiários, numa espiral exploratória que mantêm seus lucros à salvo de reivindicações salariais e vinculações trabalhistas. Por tudo isso, a formação de base vem carecendo de estrutura e embasamento técnico e pedagógico desde sempre, culminando no que testemunhamos hoje, a mais completa ausência de formação de base no que se refere aos fundamentos do jogo. Essa é a realidade.
    Talvez, com o incremento do basquetebol e demais modalidades na grade curricular das escolas, onde a figura do professor está presente, esse hiato seja atenuado, ainda mais se uma política nacional dos esportes subvencionar tal projeto. Fora disso, Cleverson, pouco se pode esperar para o futuro.
    Um abraço, Paulo.
  •  
  • Jalber Rodrigues
  • 06.01.2012
  • · Professor, estou um pouco afastado dos comentários, mas não da leitura. Por anos acompanho a luta incansável pelo soerguimento do basquete no Brasil através de excelentes artigos publicados aqui no blog. No masculino as coisas são difíceis… imagine como é no feminino…fazer base no feminino ainda nem se fale… trabalhamos muito duro, muito mesmo para fazer o mínimo… as meninas não tem expectativa nenhuma… porque e para que se dedicar ao basquete? Como fazer com que as meninas trabalhem forte? Como competir com as baladas, com a internet e com a desconfiança dos pais de que “jogar bola não leva a nada”? Não conseguimos nem vincular a educação ao esporte? As críticas são sempre duras e mais pesadas… mas corretas… porém ferem a quem se doa ao máximo e não consegue respaldo, apoio, credibilidade… se o basquete feminino de São Paulo está nessas condições imagine o resto do Brasil? Imagine no interior de Minas? Precisamos de ajuda professor!! Precisamos de ajuda! Queremos ter excelentes meninas praticando o fino do basquete… mas precisamos de ajuda professor! Sugestões?!
    desculpe o desabafo e abraço professor!
  •  
  • Basquete Brasil
  • 16.01.2012

                Jalber, estou utilizando seu comentário como base para o artigo hoje publicado. Espero que você não 

                se aborreça, mas um assunto dessa magnitude merece uma abordagem mais ampla           .

                Um abraço, Paulo Murilo.

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DEZOITO ANOS DE BASQUETE BRASIL-CHUTAÇAO DE TRÊS X BANDEJAS…

Diferentes épocas, porém o mesmo amor pelo grande jogo, comemorando os 18 anos do Basquete Brasil.

Meus Deuses, o blog completou dezoito anos de existência no dia 11 do mês passado, e nada publiquei, erro imperdoável, segundo o crítico amigo de sempre, a quem me penitencio, por sua canina cobrança e zêlo por esse humilde e democrático instrumento de consulta e debate pelo grande jogo, neste imenso, desigual e injusto país. E aqui de Florianópolis, onde visito meu filho André, basqueteiro de raiz, publico esse artigo comemorativo(?).

E começo tentando complementar o último artigo publicado, que merecia uma conclusão mais enfática, frente ao resultado alcançado por nossa seleção, numa derrota previsível, por conta de uma realidade que nos acompanha a três décadas, que em tempo algum mereceu uma abordagem técnico/tática por parte dos mandatários do grande jogo no país, mais preocupados com a cartelização grupal, mantenedora de seus nichos majoritariamente políticos, e minimamente desportivos, se é que existem…

Perdemos uma decisão, frente a uma lógica irreparável, pois teimamos em nos manter aferrados ao sistema único de jogo, em concomitância a uma aberração nominada de Uma nova Filosofia de Jogo, onde o Chega e Chuta das bolinhas de três, foi implantado em nossa forma de jogar, desde a formação de base até as seleções municipais, estaduais e nacionais. O resultado da Copa América, espelha com fidedignidade essa terrível realidade, na qual a corriqueira desculpa dos Detalhes, corrobora com sobras o pavoroso limbo em que nos encontramos na cena internacional do grande jogo…

Neste jogo em particular, ficaram provadas duas situações bem diferentes, quando tratamos de formação de base, treinamento formal, sistemas de jogo e estratégia para grandes competições, numa escala de valores progressiva e de cunho didático pedagógico exigente e altamente profissional, agregando valores e conhecimentos pelo mérito, e nunca pela recomendação político interesseira. Diferimos do basquetebol argentino e mundial, exatamente pelos fatores acima mencionados, pois ainda professamos o apadrinhamento corporativista na escolha da maioria de nossos técnicos, a partir mesmo das divisões de base, e declaradamente nas divisões superiores, com seleções inclusas… 

Logo, os resultados de cunho internacional, refletem uma realidade irretocável de como jogamos o grande jogo, e essa decisão, mais do que qualquer outro argumento que se deseje mencionar, demonstrou com sobras o quanto e como vimos praticando a modalidade desde as últimas três décadas. Deduzimos que chutação de três é a porta de entrada para as grandes competições, que a velocidade extremada, da defesa para o ataque, e o acúmulo de preparo fisioterápico são os esteios do propalado Basquete Moderno, esquecendo e até omitindo a fundamentação básica na formação e manutenção de todos os jogadores, fatores que minimizados os tornam incapazes de executar sistemas de jogo, sejam eles quais forem, sintetizar e assimilar e sequer visualizar informações, geralmente advindas de pranchetas incompreensíveis, que na esmagadora maioria das vezes se apresentam herméticas, e muito distantes da realidade dos treinos, onde as verdades do jogo são equacionadas, analisadas, discutidas e finalmente aceitas por todos, igual e democraticamente aceitas, e porconseguinte levadas a prática…

Última tentativa brasileira…de três!
Última tentativa argentina…de bandeja!

Concluindo, perdemos no momento da verdade, o último minuto do jogo, porque arremessamos as duas últimas bolas, coerentes ao que nos foi implantado por uma corriola que age e pensa saber tudo do grande jogo, com bolinhas fantásticas, geniais, de três, enquanto os argentinas, no mesmo tempo final de jogo, matou nossas pretensões com duas simplórias, porém definitivas bandejas de dois pontos, articuladas por dois excelentes armadores, e concluídas por dois de seus alas pivôs, optando por arremessos de alta confiabilidade e reconhecida precisão, concluindo no ápice sua forte formação de base, sua meticulosa preparação de professores e técnicos do grande jogo, enquanto nosotros embarcamos na Filosofia do Basquete Moderno, do Chega e Chuta irresponsável, na escolha política de técnicos despreparados, porém absolutamente crentes de serem os melhores do mundo, ladeando, incentivando e obrigando jogadores que também se acham os arquétipos da era definitiva das bolinhas de três. Infelizmente, duas bandejas (movimentos menores, se comparados as portentosas bolinhas) derrubaram tão tristes e irresponsáveis falácias…

Será que algum dia despertemos deste abissal pesadelo? 

Amém.

Fotos- Reproduçoes da TV e arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

A FATAL CONVERGÊNCIA…

Argentina campeã com inteira justiça.

Eis um jogo muito difícil de analisar, principalmente pelas similitudes táticas empregues por ambas as equipes, optando pela plena aceitação da convergência pontuadora (14/29 nos 2 pontos e 11/39 nos 3 para os brasileiros, e 13/23 e 10/33 respectivamente para os argentinos), pela velocidade ofensiva, pausada em alguns momentos da partida pelos argentinos, cônscios de seu superior domínio nas jogadas coletivas, capitaneadas por seus dois esplêndidos armadores, Campazzo e Laprovittola, quando do lado brasileiro, uma intensa rotação na armação da equipe, retirava da mesma uma continuidade tática, como a mantida, por longos períodos pelos hermanos, cujo quarteto básico, Campazzo, Laprovittola, Delia e Deck, estiveram em quadra por 122:05 minutos, alcançando 52 pontos, enquanto o quarteto brasileiro que mais tempo atuou, com Yago, Huertas, Benite e Meindl, convertendo 46 pontos, o fizeram em 84:46 minutos, sendo que o trio de pivôs, Mariano, Felício e Augusto somente estiveram em quadra por 32:14 minutos, tempo inferior a participação do Ala pivô Deck com 32:28 minutos. O mais instigante porém, foi  nos lances livres, que pela clara opção argentina de equilibrar arremessos externos, com um poderoso jogo interno, conseguiu um 19/21 nos lances livres, contra 12/16 da nossa seleção, determinando, em conjunto com seus dois ataques finais de bandejas, a pontuação que os levou a vitória, pois na chutação externa praticamente empataram…

Jogo interno argentino com a intensa participação dos alas pivôs.

Analisem os números:

                                   Brasil      73 x 75      Argentina

                        (48,3%) 14/29        2        13/23 (56,5%)

                        (28,2%) 11/39        3        10/33 (30,3%)

                        (75,0%) 12/16       LL       19/21 (90,5%)

                                      37            R         38

                                       9             E         13

,Muitos detalhes do jogo, certamente fogem de uma análise numérica, pois se estendem por todas as nuances de um jogo decisivo, nervoso, pensado, onde uma Argentina se situava profundamente acuada naquele intenso caldeirão, vibrante e ensurdecedor, quando fez aflorar sua técnica superior nos fundamentos, na esplêndida dupla armação, e no jogo fluido e veloz de seus alas pivôs de enorme categoria, sem falar num sistema defensivo na linha da bola, praticamente perfeito…

Ação padrão da seleção, prioridade nas bolinhas.

Do nosso lado, uma indefinição em quem armava quem, pois ainda patinamos nas afirmativas de que o Benite é um 3 (???), que o George pode ser um 2 ou 3 (???), que o Luz é o melhor defensor, que o Huertas tem de ser poupado para a hora da verdade, que o Yago é um rompedor e pontuador brilhante, que o Caio não tem chances, que o Raul, ora o Raul, por onde anda? Enfim, nossa armação sequer se define, começando o jogo de ontem com um só em quadra, o Huertas, para depois penosamente se estabelecer em dupla, mas dentro dos cânones do sistema único, ou seja, com cada um deles agindo independentemente, quando o correto e básico é que se coordenassem e agissem em constante parceria, defendendo e atacando, e o mais importante, liderando a equipe, como fizeram Campazzo e Laprovittola quando em quadra, principalmente na hora da verdade, nos dois últimos ataques argentinos concluídos em bandejas, preparadas e servidas pelos dois…

Arremesso final da Argentina, uma prosaica bandeja…

Sem dúvida, ambas as equipes convergiram seus arremessos de quadra, porém com uma sutil diferença, os argentinos forçaram mais o jogo de seus alas pivôs, conseguindo 7 lances livres convertidos a mais do que nós, que em tempo algum do jogo tentamos estrategicamente forçá-los com nossos pivôs, bem mais fortes do que os deles (o Scola já se tornou lenda), num erro estratégico de quem acredita e tenta coercitivamente implantar o conceito do chega e chuta desvairado e imoral, na desculpa de ser esta a tendência mundial do basquete moderno, liberando  toda a equipe nos longos arremessos, que por parte dos hermanos foram disparados por 7 de seus integrantes, contra 11 dos nossos, que só não foram 12 pelo fato do Luz só ter atuado por 2:11…

Arremesso final brasileiro a 6 segundos e de três…

Torna-se de difícil compreensão ter uma seleção nacional convocado três imensos tratores, razoavelmente rápidos, para numa decisão de título atuarem a saber: Augusto – 16:11 minutos – Felício – 11:03 e Mariano – 5:05 com participação técnica praticamente nula, assim como no último ataque, após dois tempos seguidos pedidos pela douta comissão, com 2 pontos atrás, optarem por uma bolinha, quando uma tentativa de 2 em penetração, com possível bônus de falta, poderia garantir, no mínimo, uma prorrogação, ou mesmo uma vitória. No entanto, como uma singela cesta de 2 pontos poderia se antepor ao majestoso climax de uma de 3 pontos, como a definitiva afirmação de um novo tempo do grande jogo, como? Os argentinos já haviam respondido com duas humildes bandejas, em seus dois derradeiros ataques, e foram os campeões. O resto, é papo de quem se acha e considera acima dos princípios norteadores do grande, grandíssimo jogo. A eles uma bússola seria mais útil do que uma medalha de vice… 

Quanto aos jogadores, os parabenizo pelos enormes esforços e sacrifícios numa competição de tal envergadura, para os quais a medalha de vice se torna mais do que justa.

Amém.

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SUTÍS DETALHES…

                 

Equipe brasileira atacando dentro do perímtro, algo desejável a ser expandido em nossa forma de jogar.

De saída comparemos esses dois relatórios estatísticos:     

                       Argentina 82     x      73     USA

              (58,9%) 23/39            2          21/33 (63,6%)

              (17,3%)   4/23            3            8/30 (26,6%)

              (82,7%)  24/29          LL           7/10 (70,0%)

                                37             R             34

                                10             E             17

                          Brasil    86          x    76     Canadá

              (64,5%) 20/31            2            15/40 (37,5%)

              (30,7%) 11/36            3             10/22 (45,4%)

              (100 %) 13/13           LL            16/19 (84,2%)

                                 47           R              28

                                 18           E              10

Por que não insistimos no emprego dos bons pivôs que temos, o que falta?

E o que constatamos? Que Argentina, USA e Canadá priorizaram os arremessos de 2 pontos, e a equipe brasileira os de 3 pontos, mas atingindo sua mais elevada porcentagem nos de 2 pontos (64,5%), e no excelente aproveitamento nos lances livres (100,0%), e supremacia nos rebotes (47/28), fatores que lhe deram a vitória, apesar dos 18 erros de fundamentos. No entanto, a Argentina focou prioritariamente no jogo interior, e de tal forma, que forçou os americanos a conceder 29 lances livres, com os argentinos convertendo 24 deles, alcançou 3 rebotes a mais e cometeu 10 erros de fundamentos…

Numa primeira opção, porque não o passe para os pivôs bem colocados?

Com as quatro equipes semifinalistas atuando com duplas armações, pesado jogo interior, alimentado por armadores qualificados, com alguma supremacia dos argentinos, mais técnicos, experientes e criativos, com maior permanência em quadra, ao contrário da excessiva rotação brasileira, quebrando a unidade da equipe em muitos e importantes momentos da partida, contrastando a maior linearidade portenha…

Armadores criativos, e por que não pontuadores, têm de ser duplicados em quadra, ajudando-se mutuamente defensiva e ofensivamente.

Claro que foram jogos distintos, porém, como todas as equipes atuaram num mesmo sistema de jogo, similaridades ocorrem, no desenho das jogadas, nos deslocamentos, e na tendência antecipativa das defesas, pelo conhecimento de todos sobre ações repetidas e padronizadas. Essa linear realidade, propicia o estabelecimento de criações e improvisos pontuais, por parte de armadores experientes e rodados, e nesse ponto os argentinos se destacam, inclusive como ótimos pontuadores…

A equipe brasileira, que daqui a um pouco decidirá com a argentina a Copa América, terá de definir algumas escolhas, sendo as mais importantes de difícil aplicação, como uma rotação mais seletiva dos armadores, com o Huertas, Benite e George na rodízio básico, e o Yago no incidental, priorizando a utilização de pivôs próximos a cesta, num embate direto aos bons pivôs argentinos, e alas pivôs mais estáveis e experientes, mantendo-os o mais tempo possível dentro da quadra, pois a economia de energias numa partida final se torna anacrônica. Priorizar o jogo interior, economizar nas bolinhas inconsequentes, defender com mais proximidade os excelentes armadores argentinos, o mais próximo que a regra possa permitir, e a cereja do bolo, marcar os pivôs frontalmente, sem receio de passes por cobertura para os mesmos, atenuados e imprecisos por conta de uma marcação intransigente dos armadores, seriam as armas contundentes para vencer uma partida importante para o soerguimento do grande jogo entre nós…

O jogo interno tem de ser resgatado em nosso basquetebol, por uma questão básica de sobrevivência.

São pequenas e econômicas observações, porém repletas de sutis detalhes, importantes e pontuais, merecedoras de uma análise, nem que fosse por mera curiosidade…

Peço aos deuses que nos ajudem, apesar das bolinhas…

Amém.

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AS REFERÊNCIAS…

Enfim, um alento, a seleção venceu a boa equipe dominicana usando por algum tempo, o bom senso tático, apesar dos quinze erros de fundamentos, principalmente as três perdas de bola no drible, duas delas do Huertas, apesar de sua boa participação na armação dupla da equipe, tanto com o George, como, e principalmente, com o Yago no quarto e decisivo período da partida. Até aquele momento, os dominicanos atuando séria e contundentemente no perímetro interno (25/53 em bolas de 2 pontos e 13 rebotes ofensivos), mantinham o placar equilibrado, apesar da perda por indisciplina do Delgado, único a fazer frente direta com o Felício e o Lucas Mariano, que com a saída do Feliz por faltas, deixou a equipe nacional bem mais a vontade para, num relance do bom senso acima mencionado, se lançar para perto da cesta, onde os pivôs fizeram a festa, só que dessa vez de 2 em 2 e de 1 em 1, com mais precisão (16/31) do que as 10/23 tentativas de três pontos, contra as 4/14 dos caribenhos…

O forte ataque interno dominicano.

E porque a festa dos pivôs? Foram municiados por uma dupla armação preocupada em colocá-los realmente em jogo, e não utilizá-los como apanhadores de rebotes oriundos da avalanche de bolinhas, a que se acostumaram a fazer desde sempre. Vinte e um foram os lances livres cobrados contra treze do adversário, pendurando jogadores importantes e garantindo majoritariamente os rebotes (37/31)…

Enfim uma opção válida, a clara disposição ao jogo interno.

Os armadores brasileiros, puderam realmente armar a equipe voltada prioritariamente ao jogo interior, deixando o exterior como complemento das ações ofensivas, como deve se comportar toda equipe no plano coletivo, e não seletivo, quando um pretenso domínio pontuador se desvanece quando competentemente contestado, fator cada vez mais presente em confrontos contra equipes realmente qualificadas no concerto mundial. Falham, no entanto, os armadores, ao se situarem muito distantes entre si, tanto na transposição do campo defensivo ao ofensivo, como em seu posicionamento em torno do perímetro, quando um deles se transforma em ala, deixando seu companheiro a mercê de forte marcação, inclusive com duras dobras, armadilhas em que caímos por três vezes nesse jogo…

Mesmo se beneficiando do jogo interno, o vicio longamente adquirido patrocina uma bolinha com 14seg a jogar.

Huertas, George e Yago, podem se tornar a base criadora da equipe, complementada por Benite e Luz, claro, se a seleção vier a optar por esse sistema diferenciado de jogar, determinando um potente jogo interior, de constante e ininterrupta movimentação dentro do perímetro (o princípio dos cinco abertos, onde um joga e quatro se colocam para os chutes de três, é a antítese desse sistema), onde passes rápidos e precisos, mesmo de curtas distâncias, abrem os espaços necessários a complementações precisas e seguras, além, é claro, do posicionamento estratégico nos rebotes, e retardamento tático nas tentativas de contra ataque do adversário…

Os dominicanos, mesmo sem os melhores fora do jogo, insistem dentro do perímetro.

Essa nova e ainda tímida descoberta do poder decisivo de uma dupla armação de qualidade técnica e criativa, com jogadores que realmente possuem o dom da improvisação, agregando a essas qualidades, funções de eficiente apoio aos homens altos dentro da pequena e conflagrada área ofensiva, é a pedra angular das grandes equipes de alta competição, pois exige jogadores técnicos e inteligentes na leitura objetiva de jogo, assim como técnicos que desenvolvem, ensinam, treinam e insuflam tais conhecimentos em uma equipe que real e comprometidamente deseja galgar parâmetros elevados, e não atuar dentro da mesmice endêmica em que se situam a bastante tempo. Seleções que assim agem (sejam municipais, estaduais ou nacionais), servem de modelo aos que se iniciam, muito ao contrário do que vemos e assistimos desoladamente nesses últimos vinte e cinco anos, de muita enganação e equivoco pomposamente designado como basquete moderno, que nada mais representa do que a confissão explícita de todos aqueles que, em absoluto, entedem o que venha ser o grande, grandíssimo jogo…

Sem dúvida alguma, a dupla armação e o jogo interno melhorou em muitro a atuação da equipe brasileira.

Tenho, no entanto, de reconhecer a enorme melhoria na qualidade das análises técnicas do pessoal da Sportv nesta Copa América, onde o narrador, excelente por sinal, sem abdicar da emoção, leva ao telespectador um relato preciso do que realmente ocorre na quadra, sem o histerismo verborrágico que se instalou na maioria de seus tronitruantes colegas, e o comentarista, um ex jogador, melhorando a cada dia sua visão do jogo, com calma, espírito de observação, e o mais importante, reconhecendo, ainda que timidamente que, realmente, existem outros meios diferenciados de jogar o grande jogo, onde a dupla armação e a utilização inteligente e estratégica dos homens altos próximos à cesta, podem e devem se constituir em um enorme avanço para o nosso combalido basquetebol. Só não vale afirmar ser da tríade que comanda a seleção a Invenção sistêmica que aos poucos vão sutilmente se utilizando, pois neste campo, por cinquenta e muitos anos de quadra, e dezessete através esse humilde blog, divulgo incansavelmente essa forma de atuar, teórica e praticamente, complementando o princípio maior, o do ensino, e treino dos fundamentos básicos, sem os quais sistema nenhum se torna praticável, Faço justiça ao Renatinho, grande e olímpico juiz, professor e comentarista, único a reconhecer minha primazia neste campo. Citação referencial faz parte do mundo acadêmico em que me doutorei…com tese em basquetebol, extensão do longuíssimo trabalho em quadra, e nessa mais humilde ainda, trincheira.

Que os deuses os encorajem a seguir essa boa trilha.

Amém.

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OS LUMINARES…

Como sempre, e tradicionalmente, a formação aberta se tornou sua marca registrada, onde um trabalha, e quatro se colocam a serviço das possíveis bolinhas.

De um lado, uma equipe, a brasileira, com poder de rotação muito superior a outra, e de outro, uma equipe uruguaia extremamente coesa taticamente, que por pouco quase complica uma vitória que poderia ter sido bem mais ampla e sossegada, não fossem equivocadas escolhas tomadas pela turma tupiniquim…

E que escolhas foram essas? Pelo fato das duas seleções se utilizarem do mesmo sistema único, que parece ser unanimidade mundial, e se utilizando da dupla armação, com os uruguaios mais bem coordenados que os brasileiros, isso porque ainda patinamos na busca dos armadores mais básicos para a equipe, numa escolha entre Yago, George, Luz, Huertas, Scott e Benite, escolhas essas de grande importância para os jogos deste e dos futuros campeonatos, pois tal definição estabelecendo um trio ou quarteto rotativo, dotará a seleção de uma armação mais estável, criativa e com capacidade improvisadora, que os uruguaios e argentinos vem apresentando durante a competição…

Ataque interno uruguaio, bem mais coordenado que o brasileiro, através armadores mais comprometidos com o jogo coletivo.

A outra escolha foi a de se manter a equipe dentro do princípio do chega e chuta, seguida de perto pelos uruguaios, originando números praticamente iguais, ou seja:

          Brasil  76 x 66  Uruguai

          (65,5%)    19/29    2     14/28   (50,0%)

          (29,4%)     10/34   3      10/31  (32,3%)

          (80,0%)       8/10   LL    8/11    (72,7%)

                             46       R      26

                              17      E      11

Como vemos, foram os 5 arremessos de 2 a mais, que deram a vitória a seleção, haja vista a maior quantidade de pivôs experientes dentro do perímetro que os uruguaios, fator que explica o controle dos rebotes, principalmente os ofensivos, por parte de uma seleção, que mesmo errando mais (17/11) encontrou na rotação a margem necessária para vencer…

Chute de três sem posicionamento para o rebote.

No entanto, quando vemos um jogo com tal convergência (33/57 nos 2 pontos e 20/65 nos 3), equilibrado até o quarto final, temos de admitir que algo de muito errado está acontecendo com o basquetebol que estamos praticando, pois se torna inadmissível trocar eficiência por aventura, onde todo jogador, independente de posição, peso e estatura, se arvora como especialista nos longos arremessos, que no nosso caso, foram dez nesse jogo, produzindo terríveis números, que bem poderiam ser estancados, se fossem substituídos por arremessos de média e curta distâncias, mais seguros, precisos e eficientes, valorizando todo e qualquer ataque, economizando esforço físico, premiando o trabalho conjunto, sem anular talentos, a capacitação criativa grupal, e a improvisação pessoal…

O festival de bolinhas continua, a qualquer tempo.

Por que não, ao se ver sozinho no perímetro externo, o jogador não se aproxima da cesta, onde arremessos mais precisos se tornam possíveis, além de situá-lo numa posição de recuperar a bola em caso de falha, ou até provocar falta pessoal em um defensor importante, e mais, ficar situado numa zona de interferência, retardando um possível contra ataque adversário, enfim, todo um corolário de possibilidades, que se perdem por conta de uma arrivista bolinha…

Muito ainda se poderia escrever na análise desses números, mas nenhuma exporia com mais precisão o que representam,senão o fato inconteste de que, a passos largos, evolui a dura tendência de transformar o mais sofisticado, técnica e taticamente desporto, em uma modalidade individual, movida a muita grana, confronto racial (lá na matriz), ego, idolatraria midiática, e interesses pessoais, numa somatória que já originou o 3×3, e já já o 1×1 FIBA, algo bem possível de acontecer…

Até lá, quem sabe, teremos nossos prospectos e talentos convocados para as seleções municipais, estaduais e nacionais, ensinados e treinados nos fundamentos básicos do grande jogo, onde os longos arremessos deixem de ser as prioridades táticas, para se situarem como elementos complementares em situações propícias a sua execução, e mesmo assim, por parte daqueles muito poucos executores, os especialistas, de verdade…,

Com esses luminares, o chega e chuta se estabelece definitivamente na seleção, espelho irradiador para as gerações que se sucederão…

Claro, não é o caso da atual seleção, onde os três maiores, mais preparados, experientes e profundamente conhecedores do grande jogo, formam uma tríade imbatível, capacitada a inclusão definitiva do chega e chuta redentor, de que são os mais luminares arautos, para a glória do basquetebol nacional.

Que os deuses, se puderem, os iluminem…

Amém.

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A IMPONDERÁVEL FESTA…

Tema padrão – Quatro abertos, um jogando…

Foi uma festa, perante uma Colômbia antítese daquela que bem a pouco venceu o Brasil pelas eliminatórias ao Mundial, e que agora se apresentou de uma forma ridícula e constrangedora, ante um adversário em que dez dos doze jogadores arremessaram de três pontos. Realmente é uma equipe abençoada, com sua quase totalidade especializada nos três pontos, façanha negada as maiores franquias americanas e européias, que quando muito têm em seus quadros dois, três reais especialistas no mais sutil e difícil fundamento do grande jogo, mas que para nossos craques, é lugar comum,das divisões de base até as adultas, fator explicativo de muitas das nossas deficiências…

Sem maiores delongas, aberta a temporada de tiro aos pombos…

A começar pela convergência entre os arremessos de dois e três pontos (14/32 e 20/38), com amplo numerário para as bolinhas, critério hoje mais do que estabelecido, balizando comportamentos despertados desde as categorias de base, e desaguando nas adultas, seleções inclusive, emoldurando com dourados louros o auto denominado basquete moderno, que de moderno mesmo seja o fato da explícita tentativa de transformar uma modalidade coletiva clássica em individual, onde muito poucos pensam brilhar, com a esmagadora maioria servindo de escada para aqueles falsos ícones, fabricados e idolatrados por uma mídia, que pouco ou quase nada entende do grande jogo, mas que se capacita como avalista dolarizada do mesmo, pouco ou absolutamente nada enxergando o imenso mal que projeta por sobre um desporto nobre e profundamente técnico, que não merece ser tão duramente prejudicado…

Para que posicionamento para rebotes ante tanta e mortal precisão?

E porque prejudicado? Pelo simples fato de se limitar a um adquirido e péssimo hábito, de abdicar quase que totalmente dos fundamentos, que permitem aos jogadores atuar por toda quadra, mesmo nos recantos mais vigiados do perímetro interno, com desenvoltura e domínio do corpo e da bola, habilitando-os na execução de todo e qualquer sistema ofensivo e defensivo, assim como a correta e importante leitura de situações de jogo, fator básico para a consecução do coletivismo tão almejado por toda equipe séria de competição, em contraponto ao esvair de tempo e esforço nas colossais perdas dos inúmeros erros nos longos arremessos, com suas percentagens nitidamente inferiores aos de média e curtas distâncias, além, e muito além, da nula necessidade de se utilizar de dribles, fintas, passes, quiçá luta por rebotes, trocada pela chutação desenfreada de fora. Num passado não tão distante assim, ensinava-se ao jogador que lançava a cesta, de perto ou de longe, que acompanhasse a trajetória da bola, se possível antes ou ao mesmo tempo que ele chegasse ao aro, como forma de conseguir retomá-la se não obtivesse sucesso, muito ao contrário de hoje, quando a maioria dos jogadores ficam parados, ou retrocedem para seu campo, tal a certeza de um imponderável acerto, motivados e incentivados por uma irreal e capciosa convicção, na maioria das vezes advinda de fora para dentro da quadra, por parte de seus gurus travestidos de saltitantes técnicos/torcedores, ensandecidos narradores e comentaristas extasiados com tanta genialidade, mesmo quando falham…

Sem qualquer presença defensiva, até o roupeiro arremessaria.

Sem dúvida foi uma festa, com lembranças de nunca terem presenciado o pivô Felício ter conseguido dois arremessos de três numa mesma partida, e do outro pivô, o Mariano conseguir um 4/6 depois de um 0/5  no jogo anterior contra canadenses, e de somente o terceiro pivô, o Augusto, ter se preocupado somente em seu trabalho dentro do perímetro, que no final das contas, é o seu dever de ofício…

Defensor sequer salta, e um dos quatro abertos, e em posição de disparo aguardam novas chances..

Muito bem, a equipe brasileira, que enfrentará daqui a pouco a uruguaia, fechando a fase classificatória, provavelmente vencerá a partida, só não se sabendo se festivamente como contra os colombianos, ou mais duramente se a artilharia de fora não consumar mais uma feliz convergência, vamos aguardar. Até lá, se mantêm no ar a instigante pergunta – Será mesmo essa impostura do chega e chuta a redenção do nosso sofrido basquetebol, a reboque de uma impostura maior, definida e mapeada por um sistema único de jogo, imposto por uma liga hegemônica lastreada por uma dinheirama que somente ela possui? …

Que festança de basquete moderno.

Sempre torço para estar enganado, profundamente, mas, infelizmente, quase nunca deixo de acertar, pois a experiência e os muitos anos vividos definem certezas, não sonhos e quimeras, somente certezas…

Que os deuses, pacientes deuses nos ajudem.

Amém.

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UM POUCO DE INTELIGÊNCIA NÃO FAZ MAL…

Com pivôs fortes, hábeis e velozes que temos, jogar fora do perímetro é um desperdício monumental.

Foi melhorar um pouquinho o jogo interno, para vencer uma partida absolutamente medíocre no aspecto técnico, pois já nem discuto e enfoco  o tático, onde, apesar de começarmos a entender como é jogar em dupla armação, com a trinca George, Yago e Huertas se revezando na alimentação dos grandões dentro do perímetro, ainda priorizam os pseudos especialistas dos tiros longos, que nessa noitada perpetraram 99 pontos em potencial (9/33 – 27.2%), para converterem míseros 27, ou seja, 72 pontos jogados ao léu, em 24 ataques inócuos e perdidos. Muito pior foram os canadenses, que barbarizaram na chutação num 3/28 com 10.7% de aproveitamento, preferindo-os aos 21/44(47,7%) arremessos interiores, seis pontos melhores aos 18/38 (47,3%) da turma brasileira, que conseguiram pontuar melhor nos três pontos, compensando um pouco a perda de 8 pontos nos lances livres, contra 2 dos canadenses…

Efetivo ataque interior canadense, esquecido em pról dos arremessos falhados de fora, para nossa sorte.

Voltamos então ao impasse que desde sempre nos assombra, a de nos negarmos a vencer convincentemente jogos difíceis, por optarmos permanentemente pelo jogo exterior, que começa a ser sutilmente negado por alguns jogadores, como o hábil Meindl, que com sua pujança, dribla, finta e se lança para dentro com bastante domínio técnico e enorme vontade de jogar o grande jogo como deve ser jogado, com criatividade e improvisação consciente, assim como um Didi ainda bastante imaturo, porém talentoso. Difícil é engolir e digerir um comentário a respeito do Lucas Dias, que para o comentarista de plantão, deve ser aquele jogador, o cara, a ser trabalhado pelos demais, a fim de colocá-lo como o grande finalizador de fora, (3/7), pois em caso contrário se torna um  desperdício mantê-lo em outra função que não aquela, `”sem sentido`”, finalizou. Meus deuses, e as funções de um ala pivô, penetrando como o faz muito bem o Meidl, sendo um jogador bastante alto e forte, precisando melhorar substancialmente o posicionamento defensivo, que são habilidades que podem e devem ser ensinadas por todo o tempo a ele, afinal, estão no comando da seleção os mais competentes técnicos do país, OU NÃO?…

Precisamos expurgar esse padrão de jogo “aberto”, que visa o 1 x 1, a chutação tresloucada de três, e o afastamento dos homens altos da tabela e dos rebotes.

Num outro comentário, defendeu ardentemente o posicionamento interior do Mariano, reconhecendo ter o mesmo um potente arremesso de fora, ontem foram 0/5 nas bolinhas, mas um 3/4 dentro do perímetro, sua verdadeira e lógica posição, junto às tábuas, assim como os demais pivôs de ofício, como o Augusto e o Felício, e não executando bloqueios fora do perímetro (muitas vezes faltosos), e tentando chutes de fora, que são ações inerentes ao sistema único implantado, formatado e padronizado em nosso infeliz e judiado basquetebol…

Com 14″ por jogar, nenhum rebote colocado, contestado, arremessa de fora, quando teria tempo para um ataque interno bem elaborado e eficiente.

Jogadores como o Meindl, Mineiro, Lucas Dias, DIdi, e alguns outros que temos no país, merecem um sistema de jogo que os tornem ofensivos dentro do perímetro, sem perderem sua velocidade gestual e atlética, atuando junto a um ou outro pivô de ofício, no domínio dos rebotes, da defesa em bloco, e principalmente, no ataque poderoso e estratégico na cozinha do adversário, onde os jogos são vencidos, de 2 em 2, de 1 em 1 pontos, paciente e cirurgicamente, e onde as percentagens de aproveitamento técnico e físico decidem os vencedores, muito ao contrário do que assistimos contritos e envergonhados perante essa mediocridade endêmica em números constrangedores, como os de ontem, os tais 99 potenciais pontos, com somente 27 conseguidos, transformando o grande jogo numa imensa loteria às avessas, numa monumental perda de tempo, suor e inteligência, se é que ainda a levamos em consideração…

A sempre presente e majestosa bolinha, com rebote defensivo praticamente garantido.

Logo mais enfrentaremos a Colômbia, que nos derrotou dias atrás na classificatória ao Mundial, e que se fosse possível, num relance, numa sutil fresta de bom senso, mudar o raciocínio de que `”estando livre, chuta`”, poderia ser trocado pela pachorrenta opção de que é possível vencer jogos com mais de 80 pontos assinalados, jogando de 2 em 2, com complementares arremessos de 3, e não os mantendo como prioritários, irresponsavelmente aventureiros, para, de uma vez por todas, evoluirmos de encontro a um sistema diferenciado de jogar, proprietário, fazendo com que os adversários readaptem seus comportamentos táticos, ao terem de modificar hábitos longamente adquiridos pela prática do sistema único, que se tornou um padrão mundial, e aqui lembro, vencendo as competições aqueles que detêm os jogadores com os melhores fundamentos, numa rotina que só poderá ser rompida por algo inovador, criativo, proprietário, agregando ao mesmo um preparo enérgico e basilar nos fundamentos do grande jogo, pois em caso contrário, tudo se manterá como desde sempre, em nosso definitivo mergulho no abismo em que já nos encontramos.

Amém.

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