O ESPECIALISTA (From Dublin)…

         Neste último dia de Europa, aqui do aeroporto de Dublin, aguardando o voo de volta para casa, me veio a ideia de tornar a discutir o que venha a ser um especialista nos longos arremessos de basquetebol, assunto este que suscita tantos debates, num momento em que estamos jogando fora do perímetro praticamente em mais da metade do tempo de jogo, numa temerária aventura que nos tem levado ladeira abaixo no concerto mundial, e que na continuidade, nos manterá fora de um futuro vencedor, como a turma adepta do “chega e chuta” nos ilude em alcançar…

No artigo passado, algumas colocações foram comentadas por pessoas ligadas profundamente ao basquetebol, mas uma em particular, um real especialista nos longos arremessos (em sua época ainda não existiam os arremessos de três pontos), o grande Sérgio Macarrão, medalhista olímpico, tio de outro especialista, o Marcelo, grande campeão do NBB, jogando pelo Flamengo…

Vale a pena ler seu comentário no artigo em questão, pois define com precisão a real importância dos arremessos de três pontos, sob a ótica precisa do bom senso, pela priorização que obrigatoriamente deve ser dada ao especialista, e somente a ele…

Bem, sou agora chamado ao embarque, e se possível continuarei durante o voo, até já…

Estando de volta, a 11km de altura, continuemos o raciocínio, definindo uns poucos conceitos, começando pela precisão nos lançamentos, ou como define o Sérgio, “só arremessa de três quem mete bola”, sugerindo de saída uma questão – “o que torna um jogador num metedor de bola?” Será o mesmo espontâneo ou treinado? Em meus mais de 50 anos de quadra, conheci poucos reais e autênticos “metedores de bolas”, e o Sérgio foi um deles, outros mais como o Dutrinha, o Pecente, Waldir Bocardo, Wlamir, Rosa Branca, Vitor, Chuí, Oscar, Marcel, e mais uns poucos que me falham na lembrança, fizeram com que me orientassem à pesquisa dos porquês eram tão eficientes, originando minha tese doutoral, da qual pincei detalhes publicados nesse humilde blog, na série Anatomia de um Arremesso de I a VI, facilmente encontrada digitando no espaço Buscar Conteúdo…

Claro que não testei nenhum dos acima mencionados, mas outros pertencentes às equipes nacionais de Portugal, quando desenvolvi a pesquisa na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, onde pude relacionar a precisão na direcionalidade dos arremessos com os diversos tipos de pegas sobre a bola, num trabalho que, com a mais absoluta fidedignidade, define quem realmente domina a arte dos longos arremessos, garantindo serem muito poucos, derrubando fragorosamente a tese modal de que qualquer jogador pode ser eficiente nas grandes distâncias, bastando se sentir livre e autorizado a fazê-lo…

Vale a pena ler os artigos, para entender de forma definitiva o quanto de desperdício e eficiência temos alcançado, nessa estúpida e selvagem hemorragia em que estamos transformando o grande jogo, onde técnica e tática se prostituem substituídas por arrivismos, aventuras e irresponsabilidade proposital, em nome de um pretenso e falacioso “conceito moderno de basquetebol”, que nada mais é e representa do que uma mesmice endêmica institucionalizada, aceita por técnicos, jogadores, dirigentes e muito da dita mídia especializada, alheios a verdadeira essência do grande jogo, onde em nome do espetáculo (e que rapidamente vem se transformando em autêntica palhaçada), tudo deve ser permitido, inclusive quanto às regras (que é uma realidade bem conhecida na NBA), e que vem sendo adotado por aqui também…

Longos arremessos à parte, outros fatores merecem atenção de todos aqueles que amam o basquetebol de verdade, como a falibilidade nos fundamentos básicos, a forma semelhante e pasteurizada de jogar das equipes da liga, espelhando negativamente na formação de base, em exemplos que nunca e em hipótese alguma deveriam ser continuados, assim como descontinuado deveria ser esse caudal autofágico em que vem sendo transformado o grande jogo, através a artilharia absurda e descerebrada dos três pontos, das narrações e comentários que não refletem a realidade da competição, sem que, em nenhum momento algo de inovador possa ser admitido por um corporativismo inamovível e terminal…

O Sérgio tem razão, pois só mete bola quem sabe fazê-lo, assim como só planeja, pesquisa, estuda, ensina, treina e compete, quem conhece o grande jogo no seu cerne, sem esgares e dancinhas, sem coerções e agressividade gratuita, despidos de marketing e poderosos Q.I.s, sem midiáticas pranchetas, e sem rezas para que as bolinhas caiam, nacionais ou estrangeiras…

Daqui a pouco chego ao Rio, com muitas saudades de casa, porém temeroso do que se avizinha do nosso tão amado e judiado basquetebol…

Amém.

Foto – Arquivo pessoal.

IMPROVAVEL OU IMPOSSIVEL? (From Dublin)…

“ Que grande jogo teremos aqui na Arena 1, completamente lotada, demonstrando a força do NBB”…

Assim começou a transmissão do jogo Flamengo e Corinthians pelo Super 8 pelas vibrantes palavras da jovem repórter televisiva, numa discutível afirmativa frente a uma arena olímpica desfigurada e com um público ridículo frente à sua desnudada grandeza…

Foi este o assunto do blog Bala na Cesta nesta semana, pertinente aliás , perante o vendaval midiático por sobre um”NBB como nunca se viu” , porém esvaziado de um público bairrista, regionalista, outrora fiel, agora substituído por um outro, errático e inconstante das agremiações de camisa, quase que totalmente composto por torcedores de futebol, com conhecimento próximo de zero em se tratando do grande jogo, carregando para as arenas, olímpicas ou não, toda sua tradição de violência, irascibilidade a oponentes, e acima de tudo, insegurança para todos aqueles que compareciam as mesmas com suas famílias , no firme propósito de torcerem limpa e vibrantemente por equipes e jogadores que conheciam integralmente, próximos que eram, e não esse enxame de estrangeiros (agora podem somar quatro por cada franquia), que qual “peças ” automotivas, equipam num carnavalesco rodízio equipes tão ou mais desfiguradas a cada temporada, como as arenas em que atuam…

Nosso glorioso basquetebol sempre pertenceu aos clubes regionais, com seus acanhados ginásios , com um ou outro de dimensões generosas, porém integrados a seus admiradores, pais, mães , filhos, tios, avós, e simpatizantes, pertencentes àquelas comunidades regionais, bairristas, agremiações estas em declínio acentuado, muitas agonizantes, outras terminais. Eram nossas high schools na formação de base, sem a grandeza esmagadora do exemplo ao norte do hemisfério, na matriz, e que mesmo sem a continuidade formativa universitária daqueles, galgou os píncaros entre os grandes do basquetebol mundial, num passado não tão distante assim…

Eis que de repente (somente quatro décadas ), no caso carioca, numa criminosa e imposta fusão interestadual (nos roubaram inclusive o democrático e constitucional direito ao plebiscito popular), quando deixamos de ser o segundo estado mais rico, para ostentar hoje a condição de miserável, corrompido e favelado, causando o empobrecimento municipal e populacional, onde os clubes deixaram de ter a importância agregadora e familiar de seu gentio, que somado ao declínio proposital e politico de suas excelentes escolas, hospitais referências no pais, transportes simples porém eficientes, e níveis controláveis de violência, praticamente selaram o destino destrutivo do esporte básico e de elite, deixando o reinado absoluto com Sao Paulo e suas formidáveis cidades (as quais os bairros  cariocas se assemelhavam), com quem dividíamos a liderança do esporte nacional, o grande jogo inclusive…

Tijuca TC, Grajau TC, Grajau CC, Riachuelo TC, Sampaio SC, EC Mackenzie, AA Florenca, Botafogo FR, Fluminense FC, CR Vasco da Gama, AA Vila Isabel, EC Aliados, Jacarepagua TC, Olaria AC, America FC, Sao Cristovao FR, Clube Sirio e Libanes, Clube Municipal, AABB. Clube Professorado, todos no Estado da Guanabara, que somados ao Canto do Rio FC, Gragoata , Icarai, Petropolitano, Grumari, Liga Angrense, São Gonçalo , todos do Estado do Rio de Janeiro original, nos abasteciam de jogadores bem formados, competitivos pela diversidade clubistica e regional, pela qualidade de seus professores e técnicos, que juntos a pujança paulista e outros estados desenvolvedores esportivos, como Minas Gerais, Goiás , Rio Grande do Sul, Paraná , Pernambuco, Bahia, Ceara , Para , no caso do basquetebol, davam ao nosso pais uma pequena, porém qualificada imagem do que de melhor faziam as escolas e universidades americanas, alimentando a elite em suas seleções e as iniciantes ABA e NBA…

O Maracanãzinho, a verdadeira capital do basquetebol brasileiro, onde foram conquistados um vice e um campeonato mundial, congregava as finais daqueles saudosos e grandiosos tempos, comungando inclusive, com as seleções nacionais em torneios internacionais, com assistências de 25 mil pagantes, hoje transformadas numa arena elitista para 12 mil, onde grandes jogos aconteciam em paz e muita vibração, entre equipes realmente qualificadas, onde jogadores estrangeiros tinham vagas se realmente fossem muito, muito bons, e não essa leva de terceira categoria, sobras das mais de quinze ligas de alguma qualidade existentes no mundo, fazendo o que querem em quadra, sob a permissividade de muitos estrategistas descomprometidos com a essência do grande jogo, restrito e enclausurado em pranchetas absurdas rabiscadas hieroglificamente…

Hoje, postam nas redes midiáticas e televisivas que a grandeza será retomada através o marketing profissionalizado, com patrocínios de grandes empresas, CEOs e administradores grifados, publicidade focada nas franquias com seus trabalhos comunitários, suas merchandaizes, modelo NBA, espetáculos pífios nos intervalos, beijos televisivos, brioches lançados a plebe, digo, povo, cadeiras de quadra para famosos, geralmente vazias, inclusive de famosos, e cada vez mais, intensos, horripilantes, ridículos , risíveis urros após enterradas, tocos e bolinhas de três , entonados por narradores sem  amígdalas , comentaristas compromissados com o belo, perfeito, inenarrável e mágico trabalho de jogadores formidáveis e da mais alta qualidade, impar e absoluta, mas que mantêm a média das equipes de 24,25 erros de fundamentos por partida, 48,6% nos arremessos de 2 pontos, 32,6% nos de 3, e razoáveis 75,3% nos lances livres, somente nos ate agora agora quatro jogos disputados pelo Super 8 do NBB…

Olha minha gente que ama o grande jogo de verdade, muito antes de grandes arenas, estrangeiros ostentando qualidades para lá de duvidosas, onde as poucas exceções não devem ser esquecidas, como todos os armadores da região platina que aqui estão, e dois ou três bons americanos, deveriam com a máxima e inadiável urgência, CBB, LNB e LFB, centrarem seus esforços e parcos recursos, numa forte e bem planejada retomada da formação de base, sugerindo e orientando aqueles ainda existentes e resistentes clubes regionais e municipais, para cederem em convênio suas instalações a escolas públicas onde inexistem quadras, num esforço conjunto de dotar um lugar seguro e educativo para os jovens praticarem o desporto, com as grandes empresas ajudando na manutenção dos professores e técnicos nesses locais, organizando competições bem formuladas e voltadas a qualidade, movimentando e integrando as famílias de volta as quadras de seus pequenos e históricos ginásios , onde nascem, se criam e se desenvolvem futuros campeões , e melhores cidadãos, como outrora, otimizando os grandes pátios de estacionamento de grandes mercados nos horários vagos, alguns cobertos, para quinzenal ou mensalmente promover torneios de mini basquetebol (a Europa abusa dessa ideia , e por isso vence…), verdadeira escola para o grande basquetebol, e não um 3×3, refúgio daqueles que não tiveram oportunidades nas equipes de quadra inteira, numa modalidade plenamente voltada ao confronto individual…

Na verdade, nossas arenas continuarão semi desertas, enquanto o espírito desportivo e agregador dos antigos admiradores do grande jogo se mantiverem ausentes, principalmente na qualidade do jogo em si, bem e tecnicamente praticado, coletivo, envolvente e solidário , através a arte de bons e solidamente bem formados jogadores em seus fundamentos básicos, somente adquiridos numa responsável e qualificada formação, orientada por bons e muito bem formados professores e técnicos , não a imagem das escolas e ricas universidades americanas, antítese de nossa pobre e precária realidade, que teima em transladar para cá uma inalcançável realidade, a deles, com seus dólares duelando em desigualdade brutal com nossos minguados reais…

Enquanto isso, vendo aqui de longe os jogos do Super 8. constatamos sem surpresa absolutamente nenhuma, que tudo está no mesmo patamar de ontem, anteontem, a perder de vista, técnica e taticamente, porém sabedores todos nós de quantas cidades os narradores e comentaristas conhecem nesse imenso, injusto e desigual país , que estremece pelos seus urros e ufanismos de  viajados jornalistas midiáticos, turísticos e televisivos, numa prova inconteste de que o grande, grandíssimo jogo, se torna liliputiano para a maioria deles, exceto uns poucos que se encolhem ante tantos likes, compartilhamentos e verborragia insana, que nada ajuda no soerguimento do basquetebol tupiniquim, entupindo-o de informações chulas e vazias …

Peço aos deuses todos os dias, a cada artigo aqui publicado neste humilde blog, que concedam uma réstia , minúscula que seja, de bom senso a todos que um dia prometeram cuidar do grande jogo, mas que resolveram atrela-lo a interesses que não nos dizem respeito, esquecendo os bons exemplos de formação e técnicas diferenciadas e inovadoras, que renegavam ações medíocres e mesmices institucionalizadas, num recente passado, que não era perfeito, mas sim conduzido por quem entedia com precisão e sabedoria o que vinha a ser basquetebol de verdade, mesmo sob administrações equivocadas e algumas vezes reprováveis, acertando, errando, porém estudando, trabalhando e formando jogadores, muitos e bons jogadores, quase sempre em solitárias lideranças, onde ter assistente responsável para carregar e entregar servilmente uma prancheta seria algo absolutamente improvável , melhor ainda, impossível …

Amém .

Em tempo – Acabo de assistir o quinto jogo do Super 8, definindo o primeiro finalista, entre Franca e Minas, numa partida com 26 erros de fundamentos (16/10), na qual a vencedora Franca (83 x 79) arremessou 20/37 bolas de 2 pontos e 10/25 de 3, convertendo 13/17 lances livres, enquanto Minas arremessou 15/31 e 11/35 respectivamente, convertendo 16/20 lances livres, deixando no ar uma questão – Como uma equipe pretende chegar a uma final convergindo de forma tão irresponsável, chutando mais de 3 pontos do que de 2, tendo bons alas pivôs, e armadores competentes, como? Quem sabe os americanos não estavam numa boa noite no chega e chuta de praxe…

JUSTO E OBJETIVO (From Dublin)…

No artigo de ontem, veiculei um video de um jogo de dez anos atrás, no NBB2, Joinville x Saldanha da Gama, tendo como resposta imediata um email do amigo fiel e inquisidor perguntando – Qual é Paulo, saudosista de algo que ninguém se lembra mais? Que tal virar o disco?…

Uau, essa foi na veia cara, mas, se você não percebeu bem, tinha endereço direto, justo e objetivo, num lembrete que, refutando sua pergunta, faço a mais absoluta questão de responder aos porques da vetusta partida de um jogo singular. Vamos a eles:

– Porque daquela data aos dias de hoje, repleta de “jogos emocionantes”, como nunca se viu, com transmissões em 100% das partidas, narradores ensandecidos pelos maravilhosos espetáculos que tronitruam em seus microfones, comentados por experts tão ou mais empolgados com a “redenção do basquetebol nacional”, através confrontos da mais alta qualidade, onde enterradas, tocos e  bolas de três reinam absolutas, emocionando plateias (um tanto ausentes das quadras, mero detalhe…), bem vindas e ansiadas prorrogações prolongando o prana generalizado, num NBB apoteótico…

– Porque durante todos estes anos nada de inovador e criativo foi visto por quem entende, por pouco que seja, do grande jogo, inclusive em seleções de todas as categorias, a não ser enxertos copiados daquela esquecida equipe capixaba, como a dupla armação e os alas pivôs em constante movimentação dentro do perímetro (pelo menos cinco anos antes da era Warriors e Curry), cópias canhestras adaptadas ao monocórdio e estratificado sistema único de jogo, promovendo suas estrelas doble triple a cada rodada, não importando se vencedoras ou não suas equipes, afinal seguem o modelo NBA, onde a cada temporada o coletivo cede espaco vital ao individualismo rapinador, na querência máxima de transformar um jogo coletivo em individual, ao preço que for, desde que as cifras cheguem a estratosfera…

– Porque a reboque dessa tragédia, flui a esmagadora maioria das franquias a partir de interesses mercadológicos, em contra ponto as nossas reais e emergentes necessidades, a fim de nos reentroduzirmos no cenário internacional de verdade…

– Porque, se realmente quizermos avaliar o peso dos porques anteriores, e dispendermos um tempinho revendo este vetusto video, poderemos ter uma grata, apesar de perdida no tempo, surpresa ao vermos e constatarmos o quão  injustos fomos com aquela surpreendente equipe, atuando sem os rompantes vocais de narradores que veem e imaginam um outro jogo, avalizados por comentaristas que o imaginam surreais, porém atuando como equipe, una e indivisível, atacando em bloco, lá dentro, bem dentro da cozinha adversária, e defendendo numa irrepreensível linha da bola, flutuando lateralmente, jamais longitudinalmente, a ponto de raramente ter um jogador excluido pelo limite de faltas, dominando os rebotes com maestria e se antepondo aos longos arremessou com decisão e competência. Uma equipe que não deveria ter sido aniquilada como foi, em duas etapas, uma logo ao início do trabalho no segundo turno, quando teve afastados três de seus melhores jogadores, depois ao não ser mantida para o NBB3, trocada pela mediocridade, séria e perigosamente  ameaçada pela mesma se continuada, voltando a ser o saco de pancadas de quando a encontrei, treinei e competi no mais alto nível, Realmente lamentável e inglório o seu fim…

Revendo-a jogar, última classificada na competição, mas vinda de duas vitórias exuberantes, contra a líder do campeonato, Brasilia, e Vila Velha, enfrentando a quinta colocada, Joinville, num grande e repleto ginásio, que a aplaudiu no final, com uma comissão técnica aquietada e tranquila em seu banco, em oposição a uma frenética e agressiva do outro lado, pedindo somente um tempo num jogo difícil, delegando iniciativas previamente treinadas com seus experientes jogadores, sérios e dedicados uns para com os outros, ajudando-se permanentemente, errando minimamente nos fundamentos, e principalmente, jogando em harmonia, como deve ser jogado o grande jogo, coletivamente…

Atuar coletivamente, objetivo inalcançável por nossas equipes, da base a elite, por uma única razão, não são ensinadas, treinadas e orientadas para alcança-lo, porque primeiro não existe interesse, segundo porque não sabem, os estrategistas, como faze-lo, sendo mais fácil e palatável trocar “peças” a cada temporada, dá menos trabalho, e como todos os corporativados seguem a mesma cartilha, que vença o mais equipado com pecas importadas e uma ou outra nacional, chutando de três, dando tocos monumentais, e monstruosas enterradas, para o encantamento de todos…

Que bom teria sido ver aquela humilde equipe jogar uma temporada completa, mas vale a pena assistir seu basquete enxuto, técnico, correto, equilibrado, e acima de tudo, proprietária, por pouco tempo, bem sei, do coletivismo até hoje inalcançável pelas demais franquias e mesmo seleções, passados dez anos de estrada…

Assistam, deleitem-se com o grande jogo bem jogado, sem histerias vocais e comentários ufanistas, claro, se houver interesse no que venha a ser basquetebol coletivo. Um abração a todos, feliz Natal e um 2020 repletos de esperanças, principalmente para o grande, grandíssimo jogo.

Amém.

Foto – Arquivo pessoal.
Um oportuno adendo clicando aquihttp://www.coracaoemquadra.blog.br/2010/04/02/joinville-63-x-71-saldanha-da-gama/.

SURPRESA!!!(From Rome)…

`    Eis-me em Roma, conhecendo um pouco de seus encantos e cantos históricos, e são tantos, em suas ruínas imperiais, em sua modernidade contrastante, no povo apressado pilotando um mundaréu de motonetas e Smart’s minúsculos, em sua mesa farta, aromática e deliciosa, apreciada após longas caminhadas de encontro a museus inesquecíveis. Enfim, uma magnífica prévia do que apreciaremos em Florença, Veneza e Bolonha, num périplo continuado em Dublin, Lisboa e Madri, voltando ao Rio, com sua magnificência, pobreza, injustiça, minha adorada terra natal…

    Foi o presente que meus filhos me deram pelos 80 anos de trabalho duro, de intensa luta pela educação justa e de qualidade, pelos muitos anos de quadra junto ao grande jogo, num projeto de vida que me orgulha e jamais trai, no magistério, na técnica desportiva na paternidade integral e democrática…

    E dessa lonjura não abro mão de saber tudo que possível sobre o basquetebol nacional, pelos blogs, emails, e um ou outro jogo veiculado na grande rede, até agora impossível mesmo assinando o DAZN, ausente fora do Brasil. Talvez um próximo pelo facebook ou twitter, quem sabe. Tento as estatísticas na LNB, e logo no primeiro relatório de um jogo, Mogi 91 x 84 Minas, tenho a mais grata surpresa, e que surpresa, um jogo definidor de nosso adiantado estágio técnico tático, pois não é todo dia que uma partida tão importante apresenta números tão determinantes da era inovadora que se avizinha, ou mesmo, se estabelece como apanágio de um novo tempo, a da chutação oficializada, institucionalizada, para gáudio e realização do corporativismo enraizado no grande jogo desde muito tempo. Sim, surpresa das surpresas, vê-lo definitivamente esmagado pela mediocridade insana e absolutamente estúpida, descerebrada, criminosa, fatores que serão cobrados pesadamente quando enfrentarmos seleções de verdade nos grandes torneios mundiais e olímpicos, se la chegarmos…

    Ah, os números, desculpem o esquecimento (seria uma dádiva esquecê-los), constrangido os replico, desejando ardente e do fundo do coração não repetí-los alhures, claro, sabedor de que la estarão, dia após dia, por meses e, infelizmente, mais alguns anos, enquanto durarem os estoques de gente que definitivamente odeia o grande jogo, jamais o entenderá, nunca aprenderá sua significativa importância técnica, estratégica e cultural, pois são ignorantes funcionais forjados pelo apadrinhamento continuísta, pelo QI político, pela permanente negação do novo, do instigante e desafiador improviso produzido pelo pleno conhecimento da fundamentação do jogo, contraponto definitivo da mesmice crônica em que o lançaram da forma mais absurda e abjeta possível. Ah, os números minha gente, os números: 41/70 bolas de 2 pontos (20/36 para Mogi, 21/34 para Minas), 20/73 de 3 pontos (9/31 e 11/42 respectivamente, 33/38 lances livres (24/28 e 9/10), tudo somado a 19 erros de fundamentos (10 e 9)…

    O que temos? Isso ai bem esfregado na cara dos quem defendem, adoram e dizem amar o grande jogo, principalmente aqueles profissionais (?) que margeiam as quadras, com seus esgares, shows midiáticos, coercitivos, cúmplices de jogadores que não os levam a serio, e fazem o que bem entendem (principalmente os estrangeiros), de que estudam, pesquisam e planejam suas equipes, numa deslavada tapeação que tarda merecer um basta definitivo, um basta radical, Equipes que se defrontam, lançando mais de 60 bolas de 3 beiram o desastre indefensável, ofensivo, e principalmente defensivo, num duelo tolo e irresponsável, atentando aos que assistem tanta estupidez, e que aos poucos se afastam ante espetáculos ridículos e muito abaixo do sofrível, desqualificando e minimizando um grande, grandíssimo jogo, caindo nos braços da NBA, quando muito pelo feérico espetáculo…

    Temo seriamente pelos jovens que se iniciam, ate mesmo aqueles que vem ganhando sul americanos de um jogo só, quando muito, dois, a maioria se espelhando na turma de cima, nos Durant, Curry, Thompson, numa cultura de jogo equivocada e colonizada, fora de uma realidade que não é a nossa, em qualquer perspectiva que se tente comparar, numa entrega absurda e caótica. Os números estão a cada jogo, a cada temporada a disposição de todos, frios e objetivos, porém determinantes na busca do que realmente queremos e desejamos para nossas futuras gerações, reféns do desconhecimento técnico do que venha a ser os fundamentos do grande jogo, ferramenta básica para o desenvolvimento e consecução das técnicas e táticas exigidas para a sua correta e eficiente prática, e não essa pelada monstruosa, irresponsável e aventureira em que transformaram o basquetebol nacional, que daqui a muito pouco tempo terá em quadra em sua liga maior oito estrangeiros e dois brasileiros se defrontando para a glória tupiniquim, e bem provável, sendo narrado no mais puro slang do basketball hegemônico do norte, já que caminhamos céleres, sorridentes e agradecidos por essa dádiva concedida, claro, muito bem claro, em troca do comercio de muitos milhares de camisas e tênis personalizados de Lakers, Bulls, e todos os demais, é o que merecemos por nossa omissão e subserviência…

    Que os deuses nos ajudem.

    Amém.

Fotos – Arquivo pessoal (Paulo Murilo, Andre Luis e Joao David). Reprodução da TV.

15 ANOS ATRÁS…

Este foi um dos primeiros artigos publicados nesse humilde blog, 15 anos atrás. O que mudou de lá para cá? Pouco, quase nada, infelizmente…

Basquetebol brasileiro-Fracasso ou omissão?

Domingo, 12 de setembro de 2004 por Paulo Murilo–  2 Comentários

Por 44 anos venho lutando pelo basquetebol no Brasil, e gostaria de fazer desta página um fórum de discussão acerca dos diversos motivos que levaram essa modalidade ao retrocesso que constatamos, infelizmente, em nosso país. Para dar partida peço licença para, na forma de um pequeno artigo, expôr algumas constatações que ao longo dos anos testemunhei como técnico e professor de futuros técnicos. Em 1963, no Ginásio Gilberto Cardoso no Rio de Janeiro, a equipe masculina do Brasil sagrou-se bicampeã mundial em uma final com os Estados Unidos, resultado que muitos e atuais jogadores, técnicos, jornalistas e dirigentes teimam em minimizar a qualidade do basquete praticado na época.Na equipe americana seis dos jogadores se profissionalizaram na NBA, onde atuaram por mais de 6 anos, sendo que um deles, Willis Reed, faz parte do Hall da Fama como um dos cinco maiores centros de todos os tempos com suas atuações no New York Knicks. Na equipe brasileira atuavam maravilhosos jogadores com Amauri, Wlamir, Rosa Branca, Ubiratan, Menon, Jatir e muitos outros que fizeram do jogo um espetáculo inesquecível. Quatro deles arremessavam de distâncias equivalentes à linha dos três pontos atuais, Jatir, Vitor, Rosa Branca e Amauri, o fazendo com uma bola de 18 gomos costurados à mão, com uma esfericidade que nem de longe se comparavam às verdadeiras jóias tecnológicas das bolas atuais, corrugadas e com sulcos profundos onde os dedos encontram base e aderência para exercerem total domínio direcional nos arremessos. Tivessem na época tais bolas e uma linha de três pontos todas, afirmo, todas as vitórias da equipe brasileira teria ultrapassado os 100 pontos. Jogávamos com dois armadores, dois alas e um centro, num rodízio permanente de posições, compensando com velocidade e astúcia a inferioridade na altura, principalmente os centros.Jogava-se com a bola nas mãos, em pleno domínio da arte do drible, onde os passes faziam a ligação que antecedia o arremesso, e sempre com um mínimo de três jogadores participando dos rebotes. Por anos dominamos a arte do drible e dos rápidos corta-luzes, onde os armadores dominavam a maior das habilidades, criar espaços onde não existiam, progredir em direção à cesta, estabelecer a superioridade numérica sempre que possível, arremessar como opção, e não como prioridade. Os alas e o centro em permanente rodízio iam sempre de encontro ao passe e não esperando por ele estaticamente. Antecipando o movimento sempre conseguiam o melhor posicionamento ofensivo, obrigando os defensores a se movimentarem e por conseguinte desestabilizarem suas ações. Enfim, jogava-se com a bola sob domínio físico e não, como hoje, sob o domínio do absurdo passing game. No final dos anos setenta e início dos anos oitenta a NBA se encontrava numa fase de afirmação econômica. Era necessário levar público aos ginásios, era fundamental encontrar-se um sistema de jogo que privilegiasse o um contra um, em duelos dentro do jogo, se possivel entre gigantes, e melhor ainda se entre brancos e negros.Nascia o passing game, formula perfeita para gerar duelos individuais, e melhor ainda se respaldado pela proibição da defesa por zona e pela flutuação na defesa individual. Não se ia aos ginásios para ver Lakers versus New York, e sim Jabar versus Willis Reed. O gosto do torcedor americano pelo embate de gigantes no Boxe, no Football teria de ter sucedâneo no Basketball para que despertasse seu altamente lucrativo interesse. O passing game era a solução técnica, como os embates um contra um seria a solução financeira. A divulgação maciça pela mídia, principalmente a televisiva lançou ao mundo o modelo NBA, que com o sucesso alcançado motivou o governo americano a utilizá-lo como sutil propaganda de sua superioridade esportiva, cultural e política perante o mundo. Cometeram um erro porém, ao subestimar a importância das regras internacionais, ao subestimar a FIBA, estando hoje colhendo alguns fracassos pela inabilidade de seus jogadores quando submetidos às mesmas em mundiais e recentemente nas olimpíadas. Mas no caso do Brasil o estrago já tinha sido letal. Nos últimos 20 anos mudamos nossa forma de jogar e adotamos o modelo NBA, o modelo baseado no passing game. Nossos armadores empolgados pelo um contra um passaram de organizadores para finalizadores, esqueceram a arte do drible, assim como os alas simplesmente a aboliram. Da posição básica no ataque, com a bola de encontro ao peito, prontos para o drible, o passe ou o arremesso, retrocederam para a posição da bola acima da cabeça, simplesmente para a execução do passe, dando continuidade a verdadeira coreografia em que se transformou o jogo, ao passing game. O”basquetebol Internacional”, como muitos apregoam, realmente se estabeleceu pela maioria dos países, pois subserviência cultural não é prerrogativa do Brasil, no entanto, alguns deles não descuidaram do ensino dos movimentos básicos, e cito a Argentina, a antiga Iugoslávia, a Lituânia e a Rússia como exemplos. Conseguiram os mesmos manter um excelente nível no domínio dos fundamentos, principalmente o drible, e hoje colhem os resultados desta saudável atitude. Ao esquecermos nossa herança de duas vezes campeões do mundo e três vezes medalhistas olímpicos, mergulhando numa mediocridade técnica na tentativa de imitarmos um sistema planejado, estudado e executado para a manutenção do domínio do modelo NBA, esquecemos também que fundamentando o modelo americano sempre existiu a massificação de jogadores nas escolas e nas universidades, ao contrário da pobreza franciscana de nossa realidade. Transpor modelos estrangeiros fora de nossa realidade é a atitude mais estúpida que se possa tomar, mais é sem dúvida nenhuma a mais fácil de ser utilizada por um grupamento de pseudo técnicos que determinaram omitir nossa passada grandeza em nome de uma realidade absurda e irresponsável. Em 1971 sugeri e ajudei a fundar a primeira associação de técnicos de basquetebol do Brasil, a ANATEBA, onde exerci o cargo de secretário. Mais tarde, em 1976 também ajudei a fundar a BRASTEBA da qual fui o vice-presidente, e no Rio de Janeiro a ATBRJ que como as anteriores logo se desintegraram. Mais recentemente fundou-se em São Paulo a APROBAS, que encontra sérias dificuldades para expandir-se. O fator restritivo é, como foi no passado, o total desinteresse pela discussão dos problemas técnicos, culturais e até sociológicos que submetem nosso desporto aos interesses de um grupo que se apossou do comando do mesmo, um feudo, onde alguns empunham microfones para em transmissões esportivas criticarem e oferecerem soluções táticas e técnicas, visando empregos futuros nas equipes de ponta, numa flagrante falta de ética profissional, já que do outro lado não existem microfones para a defesa. Sofremos de um unilateralismo crônico, ontem no aspecto de sistema de jogo, hoje de divulgação de um modelo em que somente um dos lados exerce o domínio da informação. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, grandes e pequenos técnicos, perene falta de incentivos, pouca divulgação da modalidade, intercâmbio pouco desejável, mas alcançávamos resultados, discutíamos mais, e às vezes até brigávamos , procurando adaptar novas tecnologias e novos sistemas à nossa realidade, enfim, sabíamos administrar nossa pobreza. Hoje reina a omissão e prevalece a mesmice, a cópia a falta de imaginação e a ausência de criatividade. E a classe que no fim das contas é a que dita as normas de conduta técnica, de sistemas de jogo, de estratégias a serem seguidas, dentro e fora das quadras, é a classe que peca pela omissão, por que de todas as envolvidas no processo decisório é a que tem por obrigação deter o domínio e o conhecimento do jogo. Por isso considero serem os técnicos, que por seus conhecimentos, estudos e pesquisas deveriam comandar e estruturar as políticas referentes ao desenvolvimento do jogo, os grandes responsáveis pelo seu declínio, por negarem as tradições, os conceitos e a verdadeira índole de nossos jovens, ao trocarem esses valores por soluções estrangeiras sem as devidas adaptações por ser uma solução fácil e desprovida de responsabilidades. Podemos fugir deste modelo? Difícil, porém possível. daí a sugestão para o debate. Até o fim do ano publicarei meu livro, onde estenderei ao máximo esses pontos de vista, e aí sim poderei expor com todas as letras o que vivi, senti e experimentei nos últimos 40 anos de basquetebol.

Amém.

2 comentários

  • M Ponte
  • Yesterday
  • Excelente, Professor.
    Foi visível, real e tristemente, a incentivação deliberada ao jogo egoísta, por ditame midiático e publicitário, com deletérias consequências ao desporto e à sociedade, sem dizer uma irresponsável e mesmo abominável atropelação em massa prol uma sub-cultura (?) de segregação 
  • Basquete Brasil
  • Yesterday
  • E o pior, prezado Ponte, é que nada aprendemos até a data de hoje. Lamentável e constrangedor. Um abraço. Paulo Murilo.

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O ENTER – QUINZE ANOS DE BASQUETE BRASIL…

Quinze anos atrás, 11 de setembro de 2004, às 4hs da madrugada, hesitei em dar um Enter, iniciando a saga do Basquete Brasil. Não por receio de não ser compreendido, ou mal compreendido, haja vista meus sempre contestados posicionamentos e pontos de vista, mas pelo forçado afastamento das quadras, pelo distanciamento movido pelas decepções e pelas injustiças cometidas com o basquete pátrio, pelo avesso sentimento ao que de pior vinha se apossando do comando do grande jogo nesse imenso e pobre país. Pensei muito, e considerei ser profundamente injusto guardar só para mim o pouco que sei e  amealhei pelas andanças da vida, sempre estudando, pesquisando, e trabalhando muito, dentro e fora das quadras, nas salas de aula, do primário à universidade, nos clubes, nas seleções, aqui e lá fora.

A primeira matéria ali estava, na brilhante tela já a algum tempo, como me enfrentando, mais um dos incontáveis desafios que enfrentei por toda a vida, ganhando e perdendo, mas sempre aprendendo, sempre transferindo o saber, sempre buscando novos rumos, novos desafios.

Fui a cozinha e peguei uma xícara de café, voltei ao escritório, e lá estava a página incólume, brilhando, e uma imagem me desafiando com um sorriso no canto da boca, olhando bem dentro de meus próprios olhos.

Não vacilei, e com firmeza e determinação dei o ENTER, e graças aos deuses nunca me arrependi de tê-lo feito.

Amém.

OS HERMANOS E SEU SCOLA MAGISTRAL…

E os hermanos chegaram às semifinais, derrotando a favorita ao título e atual campeã, a Sérvia, por 97 x 87, numa partida memorável, onde um Scola, aos 39 anos, liderou a equipe com maestria, competência, talento,  e acima de tudo, amor a camisa de seu país, onde a negação a ela é algo inimaginável, absolutamente impossível de acontecer, sequer pensar, ao contrário de jogadores que a macularam em nosso imenso, tosco e culturalmente fragilizado país, num comportamento aceito e tolerado por quem abomina a tradição, a mística e a representatividade de um símbolo que em hipótese alguma pode ser desrespeitado. abjurado, negado, ao preço que for…

O grande jogo é cultuado e respeitado na Argentina, desde a formação de base, ensinada, preparada e treinada por professores bem formados nessa complexa modalidade, e cujos frutos vem amadurecendo de vinte anos para cá, pujantes e vencedores. Torna-se emocionante e inspirador termos o privilégio de testemunhar o brilhantismo das grandes equipes argentinas, atuando com uma dupla armação magistral, e alas pivôs, jovens e veteranos primando pela velocidade, agilidade, flexibilidade e profunda prontidão aos detalhes do jogo, numa leitura somente atingida com uma excelente e detalhada formação, espelhada pelos magníficos exemplos de consagrados jogadores, como o Scola nessa equipe que disputa o Mundial…

Talvez não cheguem a grande final, mas o que alcançaram os definem, não como um milagre, ou um produto de um chaveamento menos exigente, mas sim como uma prova cabal na arte de formar jogadores técnicos, fortes fisicamente, e melhor ainda, mentalmente. Se arremessarem um pouco menos da linha dos três, reforçando o jogo interior, será muito difícil de serem batidos, sem a menor dúvida…

Amém.

Foto – Reprodução da TV.

2-3 OFENSIVO, UM SISTEMA A SER CONSIDERADO SERIAMENTE…

Peguei o jogo com quase 6 min corridos, o despertador me pregou uma peça, e a primeira informação captada foi do comentarista Marcelo dizendo que até aquele momento a equipe brasileira havia arremessado 0/6 bolas de três, estando atrás 5 pontos, e que havia necessidade de incrementar o jogo interno que manteve a equipe invicta até aquele momento, depoimento esse inusitado vindo de um convicto arremessador nos muitos anos de seleção por ele vivido, e que agora fora das quadras começa a perceber o jogo de outra maneira, o que é muito bom e promissor…

E foi o que permaneceu acontecendo no transcorrer da partida, com a volta da chutação de fora com 8/27, enquanto os checos arriscaram 8/20, com 12 ataques improdutivos contra 19, somente em bolinhas de 3, ou seja, conseguiram contestar os arremessos com mais consistência do que nós, otimizando física e tecnicamente 7 posses de bola, além de nos ferir lá dentro da cozinha com uma elevada 28/44 conclusões, contra 19/40, vencendo a partida mesmo perdendo 5 lances livres contra 2 dos nossos, e até errando 13 fundamentos contra 11, porém dominando os rebotes com 39 captados, contra 28…

No entanto, as diferenças entre erros e acertos nos arremessos, mesmo expondo a crueza dos números, não explica o outro e determinante fator, o técnico tático, senão vejamos – Nos jogos anteriores, nossa dupla armação funcionou no muito bem realizado rodízio entre o Huertas, o Luz e o Benite, com presenças pontuais do Alex e do Leandro, sem que o Yago participasse do mesmo por sua jovem inexperiência, o que radicalmente mudou pela presença de armadores muito altos e técnicos dos checos, não só na contestação dos longos arremessos, como no duro enfrentamento nas fases dribladoras e fintadoras dos mesmos, deixando-os sem muitas opções ao jogo interno com os alas pivôs, o que aparentemente obrigou o técnico tentar algo inusitado, arriscado, porém diferenciado, lançando o Yago, que frente a uma barreira monstruosa de armadores e pivôs descomunais, rápidos e combativos, de saída cometeu um 0/4 nas bolas de 3, no momento em que os checos alargavam o placar, e inclusive se utilizando da arma tática brasileira da marcação zonal, da qual não soubemos sair, sendo inoculada com o mesmo veneno utilizado contra os gregos. E nesse ponto acontecia a maior das diferenças técnicas e táticas dentro da quadra, pois ambas as equipes se utilizavam da dupla armação, e de três homens altos transitando dentro do perímetro interno, a começar pela qualificação biotipológica dos checos, muito mais altos que nossos armadores, e tão rápidos e lépidos quanto os mesmos, porém com uma diferença determinante, possuidores de uma base sólida nos fundamentos e na leitura de jogo, assim como seus altíssimos e velozes alas pivôs, transitando numa média acima dos 2,10m, superando em alguns palmos nossos homens mais altos…

Interessante mesmo foi a constatação de que ambas as equipes, ao contrário das demais nesse Mundial (ainda não tive a oportunidade de ver os americanos), utentes do sistema único e universalizado de jogo, propunham o especialíssimo sistema de dupla armação e uma trinca de alas armadores interiorizados no perímetro, a brasileira através uma recentíssima guinada de seu técnico, a checa através uma longa convivência com a mesma (em breve conto uma boa e instigante história sobre essa opção checa aqui no blog), fator determinante na longa experiência somada a qualificação desde muito jovens nos fundamentos do grande jogo (fui testemunha dessa qualificação quando em 1997 disputei com a equipe infanto juvenil do Barra da Tijuca o torneio da Amadora em Portugal, onde a pré seleção checa da categoria jogou conosco vencendo de 8 pontos, num jogo memorável para a gurizada tupiniquim…). No ano seguinte essa seleção, cuja geração antecedeu a esta que disputa o Mundial, foi vice campeã cadete europeia perdendo para a Itália dirigida pelo Piero Gamba. que por conta desse título dirigiu a seleção do mundo de jovens no Torneio Goodwill contra os americanos no palco das finais da NCAA em San Antonio, e em cuja equipe despontaram o Scola e o Dirk Novinsky, e sabe com que sistema o Gamba venceu os americanos? Isso mesmo, com a dupla armação e três alas pivôs rápidos, atléticos e flexíveis ( penso em veicular ambos os vídeos, o da Amadora e o do Goodwill, aqui no blog, e claro, de co mo o sistema foi parar nas mãos inteligentes do Gamba)…

E nesse ponto sobressai uma questão – Como e porque o sistema ofensivo 2-3 foi desenvolvido prioritariamente na República Checa, tornando-a hoje adversária temível na Europa e agora no Mundial, fugindo radicalmente do sistema único adotado pela maioria esmagadora das demais equipes? Ouso afiançar, que a adoção de tal sistema, (do qual fui o introdutor aqui no país 40 anos atrás), como desencadeador de uma visão mais ampla e criativa do grande jogo, foi adotado pelo inconteste fato de que iguala o ensino e a aprendizagem dos fundamentos individuais e coletivos por todas as faixas etárias, por todas as posições em quadra, onde baixos e altos, franzinos e corpulentos tem a oportunidade de se exercitar por igual, nivelando habilidades, lendo melhor as situações de jogo, cooperando coletivamente e acima de tudo, raciocinando em função do outro, e não em causa própria, que é o que vemos e constatamos no mundo do basquetebol moderno, visto hoje, e mais do que nunca, como um business a ser alcançado ao preço que for…

Perdemos um jogo decisivo exatamente por termos, corretamente concordo, executado um sistema de jogo promissor em toda sua extensão pedagógica visando um futuro de amplas oportunidades, frente a uma equipe que o adotou duas décadas atrás, e que hoje colhe os bons frutos de sua ousada e corajosa escolha. ìnsisto ser de enorme importância mantermos o mesmo frente aos americanos logo mais decidindo a classificação às quartas de finais, isto porque, desde o advento do Coach K que eles mesmos, donos absolutos do sistema único, subverteram a ordem estabelecida e se bandearam para o atleticismo e velocidade de seus alas pivôs, abandonando as massas estratosféricas de seus pivosões, assim como, adotaram a artilharia de três a partir das universidades, mas que hoje, frente a retomada defensiva, contestando cada vez mais aquela tendência, retornam ao jogo interior, porém todos afeitos e acostumados às regras da NBA, encontrando sérias dificuldades sob às da FIBA, principalmente na defesa interior do garrafão, aspecto que podemos explorar com algum sucesso pelos bons pivôs e alas pivôs que temos, e pena, muita pena mesmo que outros mais bem dotados para essa briga não tenham sido convocados, ainda mais quando um Augusto sequer entra em quadra…

Temos que atuar com nossos melhores armadores no maior tempo de quadra possível, revezando-os ao mínimo, pois com a possibilidade de classificação, cansaço nenhum será justificativa em se tratando de profissionais tarimbados e experientes, o mesmo para os alas pivôs, todos juntos para o “bola ou búrica” de suas vidas…

No caso de uma vitória da Grécia sobre a República Checa, mais ainda terá de ser o esforço para o enfrentamento com os americanos, quando a vitória simples nos classificará. Vencendo os checos, difícil mas não impossível chegarmos lá. Torçamos então e quem sabe…

Amém. 

Fotos – Reproduções da TV.

A FUGIDIA E TEIMOSA ESPERANÇA…

 

Segundos antes do início da partida, jogadores reunidos em torno do técnico, ouviram suas últimas instruções – Façam a chifre, melhor, a chifre baixo,  e briguem pelos rebotes… E lá se foram os botafoguenses para o bola ao alto, onde já os esperavam os rubro negros, que tenho a certeza de que ouviram algo semelhante, já que ambas as equipes, como todas da liga, jogam taticamente iguais, de 1 a 5, espaçadas, trocando passes de entorno cada vez mais velozes, com seus pivôs vindo fora do perímetro para os idefectíveis, repetidos e manjadíssimos bloqueios, e concordes com algo que as definem irmamente, atuando para o desenlace trabalhado e desejado arduamente, a prioritária finalização com arremessos de três pontos…

Foram 20/55 (9/26 para o Botafogo e 11/29 para o Flamengo),  40/68 de 2 pontos (18/32 e 22/36 respectivamente), com 24/29 lances livres (11/14 e 13/15), mais 21 erros (11/10), num jogo nervoso e intenso, vencido pela equipe que apostou um pouquinho mais no jogo interno, o Flamengo (90×75), fazendo por merecer a classificação para a final com Franca, quando ambas darão prosseguimento à mesmice técnico tática, perene e inamovível, através um sistema único patrocinado e exequibilizado por todas as franquias desde o NBB 1, sem que ocorresse em todos estes anos uma mudança sistêmica sequer, a não ser uma única e solitária proposta, exceção justificadora a regra geral e impositiva do sistema único de jogo, o Saldanha no NBB 2, injusta e coercitivamente apagada do cenário basquetebolístico tupiniquim…

Mas da qual copiaram (copyrights mencionados, nem pensar…) e continuam copiando (os vídeos aí estão a disposição) a dupla armação, os alas pivôs rápidos e maleáveis, a defesa deslizante e lateralizada quanto a linha da bola, a alternância de rítmo ofensivo, mas sem nunca alcançarem o sentido coletivo daquele bela e humilde equipe, (não dominam a didática necessária para implementá-la) pelos deslocamentos constantes de todos os jogadores nos perímetros ofensivos, a baixíssima opção pelos arremessos de três, alcançando bons placares de 2 em 2 e de 1 em 1, onde a precisão atingia índices seguros e confiáveis, e mais claro ainda, o posicionamento recatado, maduro  e sem exibicionismos e tretas com as arbitragens ao lado da quadra, de seu técnico de mãos livres de pranchetas midiáticas e absolutamente imprestáveis, assim como absolutamente cônscio de sua importância vital nos exigentes e intensos treinos, onde se faz realmente necessário, e não agindo, como a maioria se comporta estelarmente nos jogos, como se fossem eles o foco principal dos mesmos, onde as cenas reverentes, quando tem sua cadeira diligentemente colocada por um assistente, tendo outro lhe passando a caneta e a prancheta nos pedidos de tempo, como se catedráticos fossem, numa cena absolutamente risível, e por que não, dispensável pela falsidade em si…

Veremos então a continuidade do que aí está e sempre esteve desde sempre, com os melhores jogadores de 1 a 5 da praça, os mais bem pagos pela constância e aceitação do que fazem ano após ano, repetida e ciclicamente, como num carrossel colorido, iluminado e embalado pela mesma música, indefinidamente, onde o espetáculo é propiciado por estrangeiros razoáveis de bola, e por um ou outro nativo, que teimosamente tenta lutar contra a mesmice endêmica que o asfixia em sua luta pelo contraditório, porém tendo em seus calcanhares a tribo corporativa (estrategistas, dirigentes e agentes) que repete após o encerramento de cada temporada, o mantra das contratações mágicas, claro, de 1 a 5, agora alcunhadas de “peças” , numa reposição em rodízio do existente na praça, dos nomões e raros prospectos oferecidos prematuramente ao draft da matriz, escanteando os “dispensáveis”, principalmente aqueles que classificam equipes no acesso à liga maior, já que os responsáveis pelas suas franquias não os reconhecem como ” aptos” a elas pertencerem…

São maldades e injustiças cometidas, pois estando todos enquadrados nos mesmos princípios e regras do sistema único, podem ser classificados pelo fator “produtividade”, mas que não é o mesmo que qualifica os estrategistas, membros do corporativismo, e do continuísmo absolutamente necessário para manter o nicho econômico financeiro que os mantêm, limitado e exclusivo…

Um ex jogador, agora comentarista, explanava ontem seu ponto de vista sobre a qualidade técnica que se espera para o desenvolvimento e massificação do basquetebol em nosso país, enaltecendo a enorme contribuição dos muitos americanos e alguns latinos que aqui atuam, como o fator mais importante para a presença de torcedores nas arenas e ginásios deste enorme e injusto país, quando deveria enaltecer a implementação do fator maior que os tornam exemplos a serem seguidos, sua formação de base, aprimorada em seus países de origem, praticamente ausente aqui, dolorosa e inconsequente, e verdadeiramente trágica…

Serão finais repletas de emoção, suor e muita luta, mas também repletas de chutes de três, equilibrados ou não, contestados ou não, grandes e esperadas falhas defensivas, individualidades exacerbadas, erros crassos de fundamentos, estrategistas com crises e esperneios ao lado da quadra, pressòes injustificadas na arbitragem, mobilidade ofensiva de todos os jogadores próxima de zero, litros de tinta gastas em pranchetas descerebradas, chifres de todos os tipos e nuances, narradores perto da apoplexia e do impropério vocal, comentaristas dizendo nada sobre sistemas de jogo, e muito sobre churrascos, abraços, lembranças e beijos televisivos, brados solenes festejando acessos de torcedores nas redes midiáticas, onde recordes têm de ser quebrados…

Enquanto isso, quem sabe, sentado em algum ponto da bancada, o técnico croata assista o que temos de melhor, que  ao lado da turma que joga na matriz e na europa, comporá a seleção ao mundial, onde até jogador que abjurou a camisa da seleção já tem vaga garantida, pensando e raciocinando como deverá agir de acordo com os parâmetros vigentes em nossa realidade, na qual o novo, o inusitado, o ousado, o diferenciado é abafado e negado pela onipresença de um sistema anacrônico de jogo, reforçado pela ausência de uma consistente formação de base, alicerce fundamental para a existência sustentável do grande jogo, como a existente em seu país de origem…

Quem sabe tenhamos alguma chance, mas honestamente, tenho muitas dúvidas e pouquíssimas certezas, sendo uma delas a esperança em dias melhores…

Amém.

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AS DÚVIDAS DO VAREJÃO…

Ao término da fase classificatória do March madness universitário americano (único torneio de lá que habitualmente assisto), já posso tirar algumas conclusões sobre o momento ianque de jogar o grande jogo, o mais próximo possível das regras internacionais, um pouco menos conflitante do que o modo NBA de praticá-lo, ou mesmo, transformá-lo num produto altamente rentável, e não um desporto comum a todo o restante deste planeta, unido em torno das regras da FIBA, se constituindo na exceção que as justificam. Sem dúvida alguma é um outro jogo o praticado na matriz, sendo a NCAA um ponto de passagem entre as duas evidências, mas ainda tendendo ao exclusivismo paternal de uma modalidade que vê negado o universalismo além de suas fronteiras…

É um outro jogo, porém com um princípio indivisível e comum ao restante do mundo, a forma de dominá-lo através fundamentos bem ensinados, exemplarmente treinados, e aplicados com maestria dentro dos sistemas ofensivos e defensivos adotados por professores e técnicos bem formados neste mister, apesar da maioria avassaladora dos mesmos se utilizarem do sistema único ofensivo, em contrafação aos flexíveis e variados sistemas defensivos, que diferem em forma, mas comungam dos princípios enérgicos e incansáveis aplicados durante todas as partidas, numa prova coletiva de comprometimento e entrega defensiva a serviço da equipe em seu todo…

Com poucas exceções, as equipes atacavam da mesma maneira, mesmo em dupla armação, onde passes de contorno, espaçamento gerador dos embates 1 x 1, corta luzes fora do perímetro, e trocas muito rápidas de passes visando os arremessos de três (são 30 seg de posse de bola em vez dos 24 seg da regra internacional), se constituíram no lugar comum a ser alcançado, num desperdício físico considerável num torneio de tiro curto como esse, onde a era dos massudos pivosões definitivamente deixou de existir, dando lugar a outros mais velozes, flexíveis e aptos ao jogo interno, como ao externo também, assim como mais versáteis no manejo dos fundamentos básicos do grande jogo. Mesmo assim, não vimos sistemas diferenciados, a não ser o emprego da defesa zonal por poucas equipes, com sucesso relativo, porém suscetíveis aos longos arremessos, responsáveis pela artilharia desferida por muitas das equipes, adotando o estilo Warrios, mas sem a eficiência dos mesmos…

Se quisesse destacar um jogo em especial nessa primeira fase do torneio, Duke 77 x 76 UCF, seria o escolhido, pois representou a afirmação de quebra da mesmice tática por parte do coach K, com sua equipe errática, porém azeitada em quadra, onde uma dupla competentíssima de armadores, alimentava alas pivôs fortíssimos que transitavam dentro e fora do perímetro, com seu grande jogador Zion atuando indistintamente dentro e fora do mesmo, ( o jogo foi vencido através um curto arremesso dele, seguido de um lance livre) defendendo com enorme vigor, principalmente nos rebotes, contra uma equipe dentro dos padrões atuais, contando inclusive com um pivô, Tacko Fall, de 2,29m enfiado no garrafão e dominando defensivamente sua cesta, e um atacante, Dawkins, especialista nas bolas de três, que foi o maior marcador do jogo, mas que no entanto viu sua equipe perder por um ponto, numa partida exemplar pelo confronto direto entre o antes e o depois técnico tático estabelecido no atual panorama do basquetebol de seu país…

Acredito que pouca coisa mudará nas semifinais e grande final deste grande torneio, onde a utilização do atual sistema ofensivo de jogo será mantido, garantindo a continuidade técnica e tática da liga maior, agora mais bem alimentada pela participação de jogadores universitários com um ano somente de frequência escolar, garantidora de sua contínua e inesgotável renovação, num mercado bilionário, e por isso mesmo, cruelmente disputado…

Sobre essa realidade no basquetebol profissional americano, vale a pena ler a entrevista que o jogador Anderson Varejão concedeu ao blog Bala na Cesta do jornalista Fábio Balassiano, da qual pincei alguns e esclarecedores pontos:

-(…) Cara, o jogo é outro. Totalmente. É outro esporte. Tudo muito rápido, todo mundo chutando de fora, muitas trocas nos bloqueios. Você não vê mais aquele jogo de cinco contra cinco, bola no pivô, essas coisas(…)

-(…) O que vejo hoje, e me questiono muito se é eficiente, é que todos os times tentam se igualar na forma de jogar ao que o Golden State Warriors e o Houston Rockets fazem para ter chance de ganhar. Mas será que esse é o caminho? Ou será que o ideal seria fazer algo de diferente pra machucar os caras? No momento é isso aí – correria, chute de três, muita transição, jogo sem tanta defesa agressiva…(…)

-(…) Hoje é um caminho sem volta. Pode ser que em 2, 3 anos a gente volte a conversar e o negócio tenha mudado. Mas hoje é assim(…)

Como vemos, um jogador com larga experiência no basquetebol europeu e americano, em sua liga maior por mais de dez anos, tem sérias dúvidas sobre a realidade que ora se apresenta no âmago do grande jogo, principalmente quanto a sua exequibilidade sistêmica em nosso país, não como um utente negligenciado em sua atuação pontuadora dentro do perímetro, mas sim, como um observador detalhista e consciencioso dos caminhos que se apresentam ao grande jogo em seu desenvolvimento futuro, em bases sólidas  e possíveis de serem trilhadas com conhecimento e competência…

Como acabamos de testemunhar na fase classificatória do march madness da NCAA, da fase classificatória aos playoffs do NBB, das competições sul americanas, assim como o dia a dia dos intermináveis jogos da NBA, a mesmice endêmica técnico tática corre solta e livre, assim como a desenfreada hemorragia das bolas de três impera mundialmente (muito mais por aqui mesmo, em terra tupiniquim), vítimas que somos do colonialismo atávico advindo das matrizes, e que é sutilmente mencionado pelo grande jogador ao responder a uma pergunta direta do Fábio – (…) Você gosta ou é o que é? Não tem muito o que escolher. A vida te leva pros caminhos e você tem de fazer parte disso (…).

E é neste ponto que insiro dois artigos antigos publicados aqui neste humilde blog, cuja leitura em muito poderá auxiliar na plena compreensão do testemunho do Varejão, pois explicita com sobras os porquês de não adotarmos formas diferenciadas de jogar o grande jogo, e mais ainda os porquês da não continuidade das minhas propostas teóricas e práticas quando na direção fugaz do Saldanha da Gama no NBB2, dez anos atrás, a não ser acolhimentos pontuais por determinados técnicos pela dupla armação, ferozmente combatida desde aquela época por blogueiros, jornalistas, comentaristas e palpiteiros, hoje plena e aplicada por todas as franquias, até extrapolando em triplas armações, assim como a substituição dos massudos e lentos cincões, por alas pivôs mais atléticos, ágeis e velozes, que hoje povoam nossas quadras, todos, porém, ainda longe do coletivismo alcançado por aquela emblemática equipe, fruto de uma experiente e qualificada pedagogia de ensino por muitos anos pesquisada, e muito mais ainda distante da compreensão e domínio dos imediatistas estrategistas que as comandam, ao negarem, por muito pouco conhecerem, da importância do árduo treino dos fundamentos individuais e coletivos para seus graduados e nominados jogadores, tornando-os aptos e receptivos a sistemas atípicos às suas monocórdias realidades, dando início a um novo ciclo de aprendizagem e conhecimento pleno do que venha a ser jogo coletivo e verdadeira e consistente leitura de jogo a qualquer momento de uma partida (ápice de um competente treinamento), dispensando o encordoamento manipulador que exercem de fora para dentro da quadra, em descerebrados marionetes fantasiados de jogadores…

Os artigos em questão – Dupla o que?

                                    – Fazendo pensar

Poderiam culminar com um artigo ( O desafio…artigo 1000) que muito explica e esclarece uma inglória luta aqui travada desde sempre, e que hoje responde em alto e bom som as dúvidas externadas pelo Anderson Varejão em sua entrevista, num repto por mim lançado e que pouquíssimas respostas foram elaboradas a respeito, fora e dentro das quadras, escancarando o verdadeiro absurdo do meu coercitivo afastamento do grande jogo, talvez o único profissional com coragem e independência para dar continuidade ao belo e exemplar trabalho iniciado no Saldanha da Gama no NBB2, e que após ser varrido para baixo do tapete da história, se vê canhestra, débil e sutilmente copiado sem o conhecimento, domínio e profundidade do original, que em caso contrário, teria desencadeado soluções teóricas e práticas que naturalmente  evoluiriam estrategicamente na direção do questionamento inquisidor do Anderson – (…) Ou será que o ideal seria fazer algo diferente pra machucar os caras? (…).

Que eu diria e afiançaria diferenciado, proprietário, exclusivo em termos nacionais, da base a elite, democrático, forte e consciente, independente, criativo e responsável, e acima de tudo, nosso…

Durante esta semana assisti de tudo, NCAA, NBB, Euroliga, e até um pouco de NBA, mas para dar um tempo nas mesmas críticas sobre erros e mais erros de fundamentos, cascatas de bolas de três, chiliques e poses ao lado das quadras, pranchetas vazias de idéias e conhecimento real do grande jogo, transmissões e comentários apocalípticos, jogadores americanos deitando regras e comandos nos jogos, ginásios e arenas semi desertos, peladas disfarçadas de clássicos, num NBB formatado e pasteurizado pela mediocridade fruto da teimosia corporativa de seus mentores, é que nada comentarei, no momento (quem sabe nos playoffs), sobre jogos que expõem a triste realidade técnico tática que tanto preocupa o Varejão, e não só ele, e sim a todos aqueles que amam de verdade o grande, grandíssimo jogo…

Amém.

Nota – Atentem nos excelentes comentários agregados aos artigos sugeridos.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.