O ENTER – QUATORZE ANOS DEPOIS…

O ENTER

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Quatorze anos atrás, 11 de setembro de 2004, às 4hs da madrugada, hesitei em dar um Enter, iniciando a saga do Basquete Brasil. Não por receio de não ser compreendido, ou mal compreendido, haja vista meus sempre contestados posicionamentos e pontos de vista, mas pelo forçado afastamento das quadras, pelo distanciamento movido pelas decepções e pelas injustiças cometidas com o basquete pátrio, pelo avesso sentimento ao que de pior vinha se apossando do comando do grande jogo nesse imenso e pobre país. Pensei muito, e considerei ser profundamente injusto guardar só para mim o pouco que sei e  amealhei pelas andanças da vida, sempre estudando, pesquisando, e trabalhando muito, dentro e fora das quadras, nas salas de aula, do primário à universidade, nos clubes, nas seleções, aqui e lá fora.

A primeira matéria ali estava, na brilhante tela já a algum tempo, como me enfrentando, mais um dos incontáveis desafios que enfrentei por toda a vida, ganhando e perdendo, mas sempre aprendendo, sempre transferindo o saber, sempre buscando novos rumos, novos desafios.

Fui a cozinha e peguei uma xícara de café, voltei ao escritório, e lá estava a página incólume, brilhando, e uma imagem me desafiando com um sorriso no canto da boca, olhando bem dentro de meus próprios olhos.

Não vacilei, e com firmeza e determinação dei o ENTER, e graças aos deuses nunca me arrependi de tê-lo feito.

Amém.

Foram 1477 artigos publicados, 5527 comentários autenticados (o anonimato é vedado à publicação), e 478.049 visulizações diretas no blog, em 14 anos de atividade contínua.

A CRÔNICA DE UMA VIDA…

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Faz um mês que nada publico neste humilde blog, e para ser bem franco, muito pouco poderia ter escrito, muito menos pensar seriamente basquetebol, sem me repetir ad infinitum, frente a endêmica mesmice imposta ao grande jogo desde sempre…

Talvez (palavra ícone deste nosso tempo),  ou quem sabe, reportando a um incoerente Petrovic, afirmando em sua primeira entrevista que não entendia, e não aceitava  a enorme quantidade de arremessos de três pontos perpetrados por nossos jogadores, mas, no entanto, permitindo 5/25 bolas de três na derrota contra a Venezuela (72×56), e uma convergência na vitória contra a Colômbia (98×71), quando arremessaram 20/37 bolas de dois pontos e 16/34 de três, em nada alinhado a seu posicionamento inicial em terra tupiniquim…

E que dizer, pela milésima vez, sobre os números finais das quatro partidas do playoff que decidiu a Liga Ouro, quando foram lançadas 160/292 (44,7%) bolas de dois pontos, 60/207 (28,9%) de três, e 154/224 (68,7%) em Lances livres, acrescidos de uma média de 25 erros de fundamentos por partida? Absolutamente nada…

Quanto a ciranda das “peças” e estrategistas no âmago das franquias, agora somados aos “managers caboclos e caipiras”, todos mancomunados com a mesmice endêmica que os fazem existir, já que pareados “filosoficamente”,  técnica, tática e administrativamente, não vale mais a pena perder tempo com nenhum deles…

Tenho me dado um tempo junto aos filhos, aqui e lá fora, vindo a pouco de uma passeio fantástico por uma Europa antiga, tradicional, mas que tenta se renovar, quando aqui sequer pensamos em simplesmente, crescer…

Oito anos atrás me dei um tempo, o publiquei, e agora o republico, pois nada mudou no grande jogo, e que, infelizmente, se encontra atual.

 

ME DEI UM TEMPO…

terça-feira, 1 de junho de 2010 por Paulo Murilo–  18 Comentários

Me dei um tempo, precisava muito, não por cansaço físico, mas porque necessitava me situar com rigor ante a reviravolta que dei assumindo a direção de uma equipe da LNB, e numa situação de alto risco técnico, já que última classificada e muito depreciada.

Substituir o blog pela equipe não seria algo que desejava, já que profundamente arraigado aos princípios que nortearam a criação do mesmo, a luta pelo soerguimento do basquete em nossa terra, sob todos os aspectos, do político ao técnico tático, e sempre primando pelo respeito e a ética.

Foi então que resolvi postar o dia a dia do preparo da equipe, num trabalho que encontrou respostas positivas no seio dos jovens técnicos, e de todos aqueles que amam o grande jogo.

No entanto, nossa participação se encerrou, após 49 dias de muito sacrifício, perdas, derrotas e vitórias inquestionáveis e redentoras, mas não suficientes para nos afastar da última colocação na Liga.

Mas algumas conquistas foram determinantes, principalmente a utilização de sistemas ofensivos e defensivos diferenciados dos restantes membros participantes do NBB2, e que comprovaram serem eficientes, apesar do pouco tempo de treinamento. Muitos desejaram ver jogos da equipe em vídeos, aficionados e mesmo jornalistas, aos quais oferecí dois exemplos no blog( e que me custaram imensas preocupações e trabalho), aceitos e elogiados pelos primeiros, e decididamente omitidos pela maioria dos segundos, os mesmos que ansiavam assisti-los.

E o mutismo dessa imprensa altamente especializada tem uma explicação que prima pela simplicidade, não tinha, a grande maioria, a menor idéia do que assistiram ( se é que o fizeram…), já que profunda e irremediavelmente engessada e compromissada com o sistema único e divino de jogo utilizado em nosso país, calcado e colonizado pelo éden sagrado e desejado por todos, o World Championship basketball da NBA, pelo qual muitos são pagos e patrocinados ( o DraftBrasil foi o único site interessado no assunto).

E como o Eurobasket, aos poucos vem perdendo sua independência técnico tática por força do trator financeiro da matriz americana, haja vista a última final vencida pelo Barcelona, com um basquete cópia fidedigna do sistema único, inclusive nas interpretações arbitrais, antecipamos o que ocorrerá no próximo Mundial onde o reino dos jogadores 1, 2, 3, 4 e 5 ainda fluirá majestoso por um longo tempo, imutável.

Não à toa os argentinos subverteram a ordem olímpica e mundial a bem pouco tempo, mas aos poucos foram sendo engolfados pelo sistema único, fruto da mais bem urdida campanha publicitária de que se tem notícia na história do esporte, cujo peso político econômico não tem paralelo nos tempos modernos, juntamente com a religião mundial do futebol.

Estamos vivendo a decisão do NBB2, com jogos que raiam ao inconcebível, onde somente nos três últimos do play off final 201 arremessos de três foram tentados, ou 603 pontos possíveis, numa impossibilidade técnica de vê-los convertidos, numa média de 67 por jogo, furtando do mesmo o mais primário sistema coletivo, o princípio de equipe, o princípio do jogo. E todos, assim como as demais equipes da Liga, utilizando o sistema único.

Ainda conceituamos jogos de baixíssima qualidade, como exemplos de técnica apurada, numa proposital confusão onde se misturam emoção e agressividade, mas tudo em nome da preservação do status quo, onde jogadores, técnicos e muitos jornalistas se aliam para o bem comum, o monopólio do mercado de trabalho, no qual um sistema único, padronizado e de conhecimento de todos, garante as trocas de equipes e de regiões, viabilizando curtos espaços para treinamentos e pré temporadas, pela similitude de ações, e mesmo de sinalizações de jogadas, numa cumplicidade que raia ao absurdo.

E o público ignaro, aceitando e difundindo tais princípios, promove seus preferidos dentro das posições de 1 a 5, estratificadas pela rigidez do sistema, onde o 1 é o armador, o 2 é o armador arremessador, o 3 é o ala, o 4 é o ala-pivô, e o 5 é o pivô ( última classificação dos narradores da sportv), variando na votação para os melhores do anos da LNB que classifica os jogadores em 1 o armador, 2 o ala-armador, 3 o ala, 4 o ala-pivô e 5 o pivô.

E quando a LNB me contatou para que eu designasse os melhores da minha equipe, a fim de que os mesmos pudessem ser votados pelos demais técnicos para os melhores do ano, designei-os como 2 armadores e 3 pivôs móveis, ou se quisessem, 3 alas-pivôs, o que deixou meu interlocutor embaraçado, já que fora do padrão, do sistema único, no qual, tenho a certeza, ele encaixou os jogadores que designei.

E veio a convocação para o Mundial, onde a discussão inicial e monocórdia é de que o Huertas é o 1, e seu reserva o Valter, e que o Alex e o Marcelo são 2, e que o Guilherme é o 3, o Spliter 4 e o Nenê 5. E o Varejão? Ah, esse será um ótimo 6, seguindo o bonde do “padrão mundial”.

Mas se o exemplo fugaz do meu humilde Saldanha merecesse um mínimo de estudo e consideração por parte dos “entendidos”, assim poderia jogar a base da seleção, com Huertas e Valter de armadores puros, e Spliter, Varejão e Nenê de pivôs móveis, não fosse o Nenê em sua origem pré-engorda um ala poderoso e atlético (Aliás, essa era uma das intenções do Moncho, em entrevista na TV logo em sua chegada). Vejam e analisem os vídeos que postei e tentem visualizar o óbvio, uma forma sugerida de jogo diferenciado, e que adaptado, ou na forma apresentada, tumultuaria profundamente as equipes adversárias, também engessadas e viciadas num sistema altamente previsível, por ser único.

Mas Paulo, e aqueles que só sabem( ou pensam saber…)arremessar de três, como ficariam? No banco, ou em casa, vendo que é perfeitamente possível vencer jogos e campeonatos de 2 em 2, com a maior precisão dos arremessos de curta e média distâncias, onde os de três se constituiriam num recurso pontual, e não a base de uma equipe, como se transformou o basquete brasileiro, e agora o internacional também.

E muito mais grave do que os acontecimentos extra jogo no Nilson Nelson de Brasília, onde a não permissão de qualquer público dentro da quadra em momento algum, antes ou depois dos jogos, evitaria o espetáculo hediondo a que todos assistimos ( onde não absolvo alguns jogadores do Flamengo em agressões gratuitas, pois deveriam estar nos vestiários, ato contínuo ao término de uma partida nervosa e agressiva, numa ação de comando, inexistente na equipe, mas que poderá beneficiá-la numa bem provável inversão de mando de campo, no caso de uma quinta partida…), é o fato inquestionável de que transformamos o grande jogo, numa competição absurda e irracional de arremessos de três, demonstrando e exemplificando aos jovens ser esse o caminho a ser seguido, onde os fundamentos deixam de ter importância na medida em que de 10 tentativas de 3, se converta uma ou duas bolas, pois se assim todos se comportam, a começar pelas estrelas(?), por que então não tentar?

Mas lá no Saldanha, se obtiver os patrocínios prometidos, garanto que nada disso ocorrerá, mesmo que sozinhos neste grande e imensurável deserto de idéias e coragem para enfrentar novos caminhos e concepções, rompendo as ditaduras de um sistema único e dos arremessos de três.

Amém.

 

18 comentários

  • Douglas Stapf Amancio02.06.2010· 
  • Merecido o descanso professor.
  • Tomara que dê certo o patrocínio para o Saldanha e através do seu blog o senhor nos presenteie com mais aulas de como se treinar uma equipe de basquete e continue fazendo meus finais de semana mais interessante com um diário aqui em seu blog.
  • Gostaria também de que comentasse as finais da NBB.
  • Um abraço e bom repouso.
  • Leandro Areco02.06.2010· 
  • Gostei dessa análise que o Senhor fez do sistema “engessado” que toma conta do basquete brasileiro. A divisão 1-5 na minha opinião só funciona nos EUA. Bem lembrado o fato de que a Argentina utilizou por muito tempo o sistema 2-3 (Sanches/Ginobili/Nocioni/Scola/Oberto) além de Hermann/Delfino/Kammerichs para dar suporte. Será que funcionaria assim no Brasil? Splitter, Nenê e Varejão são muito lentos para serem pivôs móveis… seria como?
  • No mais, bom descanso Professor!!!
  • Basquete Brasil02.06.2010· 
  • Prezado Douglas, me parece que as coisas vão cominhando razoavelmente para o Saldanha, e que a equipe se mantêm compromissada com o trabalho realizado, originando boas perspectivas para o proximo NBB. Com o reinicio dos trabalhos, penso não um diário sobre a preparação, mas uma resenha semanal mais detalhada e ilustrada com fotos, graficos e eventualmente com videos. Vamos estudar uma maneira mais pratica para exequibilizar esse projeto. Quanto às finais do NBB, tenho implicitamente feito alguns comentários nos artigos publicados, principalmente sobre a orgia dos arremessos de três. Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil02.06.2010· 
  • Prezado Leandro, você me pergunta se o Nenê, o Spliter e o Varejão poderiam se adaptar como pivôs moveis, se na sua opinião os mesmos são lentos. Discordo da mesma, pois o Spliter e o Varejão são na realidade alas pivôs de formação, e o Nenê o era quando foi “modificado” para se transformar num pivô de choque, o que não deu certo e o magoou fisicamente bastante.No entanto, nesse sistema não necessariamente os três tenham de ser velozes por igual, já que funções reboteiras têm de ser levadas em consideração. E não só os três exerceriam tais funções, já que temos outros alas pivôs ágeis e flexiveis atuando no país. Seis deles comporiam duas trincas que se revezariam em “n” situações, e mesmo formações, sempre servidos e alimentados por duplas de armadores de qualidade. Em síntese, seria esta uma excelente oportunidade de apresentarmos algo inusitado para fazer frente à mesmice técnico tática que está implantada no mundo do basquetebol internacional, e cujo alto grau de imprevisibilidade tática se chocaria com o jogo, também altamente previsível do sistema único praticado pelas demais equipes.
  • Um abraço, Paulo Murilo.
  • Gustavo03.06.2010· 
  • Eu nunca tinha lido uma reflexão sobre basquete que viesse acompanhada de uma reflexão anti-capitalista. Muito interessante.
  • Me faz lembrar de movimentos como o slowfood.
  • Será que foi lançado agora o movimento slowbasket?
  • Certamente revolucionário, visionário.
  • Por favor, continue escrevendo e faça uma conta no twitter para podermos acompanhar suas reflexões durante os jogos.
  • Como diz o Paulinho da Viola: Faça como um velho marinheiro. Que durante o nevoeiro. Leva o barco devagar!
  • Guilherme de Paula03.06.2010· 
  • Não tenho dúvidas que se trata de um dos textos mais importantes da história de nosso basquete.
  • Parabéns pela potência e pela análise, professor.
  • Sou suspeito, você sabe, mas achei, outra vez, brilhante.
  • Um abraço
  • Basquete Brasil04.06.2010· 
  • Antes de serem reflexões, se constituem em conceitos amalgamados e sedimentados ao longo dos anos de estudos, experimentações, pesquisas e muito, muito trabalho, prezado Gustavo, desde as divisões de base até as adultas, desde as escolas até o magistério superior, e sempre estudando e discutindo democraticamente o grande jogo. Slowbasket? Quem sabe se uma degustação refinada e sofisticada não se constituisse numa bela viagem pelo magnetico mundo da bola laranja, tão coisificado e mediocrizado por gente que no fundo o odeia, por não dominá-lo, não compreendê-lo.
  • Sim, continuarei a escrever sobre esse amor incontido, verdadeiro e puro, o amor ao esporte como mecanismo educacional, como veiculo de cidadania.
  • Twitter? como adotá-lo se sua conotação basica é a Fastnoticia? Prefiro a Slownoticia, pensada, pesada e equilibrada, brotando de um teclado antigo, como de uma Olivetti classica, originando textos simples, objetivos e profundamente pensados.
  • E como Paulinho da Viola descreveu sua amada Portela, como “um rio que passou por sua vida”, assim também descrevo a emoção perene e fascinante representada pelo basquete na minha.
  • Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil04.06.2010· 
  • Guilherme, ninguem é suspeito por professar honestamente um conceito de verdade, que pode, não, que é sempre composto de três vertentes- a nossa verdade, a do outro, e certamente a verdade verdadeira, como resultante da discussão, do dialogo, do bom senso. Mas, infeliz e comumente, certas verdades afloram de uma só vertente, o que as tornam discutiveis, por unilaterais, e muitas vezes aprovadas sem discussão. E este é o caminho que desaprovo, dai a provocação ao dialogo, permanente e democratico, mas quase sempre, ou na maioria das vezes, solitario e amargo. Fico profundamente triste, mas prossigo na luta, entrincheirado permanentemente contra a omissão, o maior pecado de nossos dias, eivados do mais abominavel egoismo.
  • Um abraço, Paulo.
  • Andre Neto04.06.2010· 
  • Professor, concordo que poderíamos utilizar o sistema de dupla armação na seleção e vejo que temos peças para tal. Só discordo quanto à formação proposta. Não deixaria Leandro de fora desse time. Ele poderia formar a dupla de armação com Huertas, não acha? Acredito que, com ele, teríamos até uma gama maior de alternativas ofensivas, dada a sua superioridade neste aspecto em relação ao Valtinho.
  • Pedro04.06.2010· 
  • Professor Paulo, gostaria que você analizase a equipe do Flamengo, que é uma equipe que concentra seu jogo nas invidualidades e nos arremessos de 3 pontos. E pode se tornar tri-campeã nacional, você acha que o esse êxito que eles vem obtendo é pelas defesas fracas das outras equipes ou pelo fato de serem excepecionais na sua maneira de jogar ?
  • Basquete Brasil04.06.2010· 
  • Como deixar o Leandro de fora prezado André? Uma equipe nacional é composta de 12 jogadores de alto nivel(assim deveria ser…), prontos para jogar 40, 30, 20, até um minuto, e repito, sempre no mais alto nivel. Os cinco que exemplifiquei foi uma base de pensamento, um posicionamento referencial, onde armadores o são de verdade, puros e irretocáveis. O Leandro, para mim, sempre foi um armador, mas deslocado para uma dessas posições hibridas de arremessador, marcador, e até velocista, como muitos o definem, lá mesmo na meca sagrada. Claro que, numa concepção de jogo como essa, muita gente tida como referência técnica sobraria, já que são outras as exigências, os posicionamentos. Enfim, novos rumos, novos tempos. E isso não é mudado de repente, daí a minha certeza de que tudo continuará intocado, inclusive o posicionamento do excelente Leandro. Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil04.06.2010· 
  • (…)”que é uma equipe que concentra seu jogo nas individualidades e nos arremessos de 3 pontos. E pode se tornar tri-campeã nacional(…).
  • Melhor analise do que essa impossivel, prezado Pedro.
  • Agora, quanto ao exito ser reflexo de pessimas marcações, ou pela excepcionalidade de seus jogadores, somente lembro que, na ausência de um sistema defensivo grupal por parte de uma equipe,sempre florescerá as habilidades do oponente que ataca, por mais mediocres que sejam, ou bons de ofício. Excepcionalidade só poderia ser realmente reconhecida quando anteposta a defesas de verdade, atestando, ai sim, um padrão de excelência. Um abraço, Paulo Murilo.
  • Gil Guadron05.06.2010· 
  • John Wooden, murio ayer.
  • Considerado el mejor entrenador que jamas haya existido, el ex-entrenador de la Universidad de Los Angeles ( UCLA ) murio ayer.
  • Coach Wooden fue un extraordinario filosofo, un educador , y por supuesto un extraordinario entrenador de basquetbol,gano 10 campeonatos Universitarios en NCAA .
  • Alguna vez le preguntaron si estaba orgulloso de que un gran numero de jugadores de la UCLA, estuvieran pre-seleccionados al equipo olimpico de USA y el respondio : ” que de lo que realmente estaba orgulloso era de la cantidad de profesores, abogados,doctores y otro tipo de profesionales en que la inmensa mayoria de sus ex-jugadores se habian convertido, pues a UCLA se llegaba a estudiar. Que el basquetbol deberia de ser una escuela para la vida, mas alla del deporte”.
  • Tuve la oportunidad de aprender de el, alla temprano en los 70’s, cuando aun yo vivia en El Salvador.Posteriormente viviendo ya en USA asistiendo a sus Clinicas en mi ciudad adoptiva, Chicago.
  • A los jovenes entrenadores les recomiendo leer del Coach Wooden :
  • — Practical Modern Basketball –, originalmente publicado en 1966, con ediciones posteriores. Es un libro clasico que deberia ser obligatorio en la biblioteca de todo entrenador, tan valido ayer como tan valido hoy.
  • — John Wooden’s UCLA OFFENSE , este libro incluye un DVD –, publicado el 2006.
  • Ambas obras estan escritas en Ingles.
  • — La Piramide del Exito — en Idiona Español. Editorial Peniel, Buenos Aires, Argentina. Posee un concepto filosofico tipico del gran maestro que fue.
  • Les dejo con estos pensamientos del Coach Wooden:
  • “Este mas preocupado con su caracter, con su personalidad que con su reputacion, porque es su caracter quien usted realmente es , mientras que su reputacion es apenas lo que otros piensan de usted”.
  • ” Usted no a tenido el dia perfecto sino no a hecho algo por alguien, que lo mas seguro es que jamas se lo agradecera”.
  • ” Todo lo que le pido es que ponga el maximo de su esfuerzo, y eso solo usted lo sabra , de tal manera que al finalizar el partido, y al margen del resultado, usted debe tener su frente en alto “.
  • Rezo una plegaria por Coach Wooden, de quien aprendi no solo basquetbol, a enriquecerme como ser humano , a ser mejor entrenador de basquetbol.
  • Descanse en paz , maestro.
  • Gil Guadron.
  • Basquete Brasil05.06.2010· 
  • Amigo Gil, seu texto é o artigo de hoje no Basquete Brasil. Obrigado.
  • Paulo.
  • Gustavo06.06.2010· 
  • Caro Professor, hoje houve mais uma prova desta incapacidade criativa do basquete campeão brasileiro.
  • Um jogo com pouquíssimos pontos e muitos arremessos de três. Quase que uma loteria.
  • O Universo levou, mas do começo ao fim do jogo não conseguiu romper uma simples marcação zona rubro-negra 2×3.
  • Gostei da reflexão sobre o Twitter, mas ainda assim valeria uma conta sua por lá pelo menos para divulgar as novidades do blog.
  • E que bom que esta reflexão está avançada, é uma novidade brasileira ou já há pessoas pensando nisso à nível mundial?
  • Basquete Brasil07.06.2010· 
  • Olhe prezado Gustavo,também fiquei muito triste pelos baixos indices técnicos da partida. Arremessarem 56 bolas de 3, e cometerem 26 erros computados( fora os que não foram…)é constrangedor demais. Já nem toco mais no assunto zona 2-3, e a incapacidade das nossas equipes para enfrentá-las, quando desde sempre teimei em mostrar e demonstrar como fazê-lo, sempre calcado na máxima guerrilheira do “dividir para destruir”, tarefa mestra para as infiltrações, jamais o jogo de contorno.Mas este é a chave mestra para os arremessos de 3, logo…
  • Mas o que realmente me preocupa é o fato de mais da metade da seleção brasileira ter estado na quadra, às vésperas de um Mundial, todos passando o recado de como atuarão, e do paredâo que o Magnano terá de demolir, ou escalar…
  • Quanto às resenhas semanais prometidas durante o preparo da equipe para o NBB3, nem desconfio se é inédito no mundo, pois não conoto primazias neste assunto. O que importa é a informação didático pedagógica que elas possam transmitir, principalmente para os jovens técnicos, nada mais.Um abraço, Paulo Murilo.
  • Laline Oliveira09.06.2010· 
  • Professor Paulo, faço votos de que o sr. possa continuar atuando em equipes do basquete brasileiro nos presenteando e nos fazendo SEMPRE refletir sobre o jogo de basquetebol. Para mim e outros colegas daqui que estamos fora do país a algum tempo estudando, suas reflexões são sempre motivadoras e nos fazem acreditar num futuro melhor para o basquete no nosso país, com um caminho longo, mas que valerá a pena.Ai, como eu gostaria de ver o senhor frente a uma de nossas seleções nacionais, orientando nossas jovens atletas, essas sim tão carentes de uma formação completa.
  • Bueno, por aqui despeço-me lhe desejando felicidades e parabenizando-lhe pelos excelentes comentários sempre.
  • Um abraço
  • Laline Oliveira
  • Basquete Brasil10.06.2010· 
  • Fico imensamente feliz com os votos a mim dirigidos, prezada Laline, e pode estar certa de que contunuarei a escrever o que sinto sobre o grande jogo, sempre.Quanto à dirigir uma seleção brasileira, de a muito deixei de acreditar nessa possibilidade, pois somente possuo o conhecimento e a longa experiência, muito pouco no que concerne a indicações que não primam pelo mérito. Mas seguirei no comando do Saldanha, agora numa temporada com principio, meio, e fim.Torça pela equipe e por mim também. Um abraço,Paulo Murilo.

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Comentário: 

 Paulo Murilo – Sabemos muito bem e tristemente como tudo terminou.

Foto – Com o filho João David em Madrid (Clique duplamente na mesma para ampliá-la)

 

 

REFLEXIONANDO…

  10801580_416056811852694_60297652605880243_n-002     Em recente artigoFabio Balassiano apontou avanços  substanciais no gerenciamento do basquetebol brasileiro, tanto pela CBB, quanto pela LNB, tendo como foco principal a reforma dos estatutos da primeira, estratificado desde sua fundação, e que finalmente galgou um patamar bastante positivo, principalmente na composição de seu colégio eleitoral, agora acrescido de jogadores e técnicos, algo tido como impossível a bem pouco tempo atrás. No entanto, um nevrálgico ponto deixou de ser analisado, o fato da escolha dos técnicos ter sido feita pelo presidente da ATBB (Associação dos Técnicos do Basquetebol Brasileiro), uma entidade que sucedeu a APROBAS, que deixou de existir pela baixa adesão dos técnicos, assim como a anterior ABRASTEBA, quando do falecimento de seu presidente e mantenedor Moacyr Daiuto, aspecto que parece pode se repetir, face a baixa adesão dos técnicos à nova associação, que com as antecedentes, contava quase que exclusivamente com técnicos paulistas…

Pois bem , numa recente materia do Databasket pela internet, o presidente da ATBB comunica que pessoalmente indicou os dois técnicos para compor o colégio eleitoral da CBB, ao contrário da CBB que que se utilizou do voto universal para indicar os jogadores representativos, e era de se esperar que o mesmo acontecesse pela direção da ATBB, que inclusive se auto nomeou o representante no Conselho Administrativo da CBB, e mais, comunicou que propôs a administração da ENTB com a possibilidade de inclusão de cursos a distância, ou seja, uma entidade que de forma alguma alcançou representatividade nacional, pois conta com baixa adesão de técnicos, experiência que não chega a dois anos de atuação, e como suas duas predecessoras, sendo composta quase exclusivamente por técnicos paulistas, apontando claramente que, em hipótese alguma, permitirão que o controle técnico do basquetebol brasileiro saia de sua direta influência, que data da primeira administração do grego melhor que um presente, que garantiu sua eleição sobre o Renato Brito Cunha, com o decisivo apoio dos paulistas, em troca do domínio absoluto do setor técnico da entidade maior (é bom lembrar que até aquele momento a CBB, com sede no RJ, comandava o setor técnico, época em que o basquetebol brasileiro alcançou suas maiores conquistas internacionais, com três mundiais e cinco medalhas olímpicas), dando início a hecatombe que se instalou entre nós, e que aí está escancarada pela padronização e formatação do nosso indigitado basquetebol, inserido coercitivamente no tenebroso sistema único de jogo, da base até a elite, dando início ao corporativismo exacerbado que tanto nos oprime e humilha…

Mas não satisfeito, ensaia um convite para que durante o jogo das estrelas no Ibirapuera, os técnicos se reunam para num “brain storming” discutirem caminhos e sugestões para que a presidência os representem, mas onde, se já se decidiu fazê-lo sozinho e seus dois parceiros? Parece não, é realmente surreal ( e mais um lembrete, foi durante o Mundial Feminino neste mesmo Ibirapuera em 1971, durante um seminário técnico, que lancei a idéia de fundarmos uma associação de técnicos, que contou com a adesão imediata de mais de 180 técnicos nacionais e alguns internacionais, dando início ãquela que seria a segunda associação nas Américas, perdendo somente para a NABC, fundada em 1926. Foi um concenso absoluto, fruto de uma iniciativa democrática discutida por todos os presentes  Abri mão da da unânime indicação a presidência (aos 32 anos me considerei jovem demais para o cargo, além de algumas rusgas com a CBB), em nome do técnico e professor Antenor Horta, tendo na vice presidência o professor Moacyr Daiuto, ficando como secretário da mesma. A ANATEBA foi dois anos mais tarde dissolvida pela negação da CBB em apoiá-la, quando do lançamento do Mini Basquete no país).

Honestamente, a CBB não pode repetir o brutal erro cometido quando do lançamento da ENTB, levando-a ao fracasso e praticamente sucumbir ao seu péssimo e incompetente projeto de ação. Uma Escola é algo de transcendente importância, e que deve reunir a nata de professores e técnicos, veteranos e alguns jovens promissores, inclusive aqueles que pertençem a associações estaduais de técnicos (aqui no RJ existe uma, e quem sabe em outros estados), para aí sim, reunidos em torno de uma imensa mesa, estabelecerem aquelas importantes discussões para a formação de base, e o estabelecimento de uma autêntica e séria ENTB, e não mais um capítulo de imprevidência e oportuno continuísmo, exclusivo de um grupo no perene comando técnico do grande jogo no nosso imenso e injusto país…

E um dos resultados nefastos dessa influência pode ser descrito por alguns e singelos números que ocorreram nas semifinais e final da LDB, categoria sub 20 de jogadores que já deveriam estar prontos para o NBB, onde alguns já competem e cujos erros nos fundamentos básicos são preocupantes, pois os tornam ineficientes no desenvolvimento de sistemas de jogo, ofensivos e defensivos, os quais somente se tornam produtivos com o pleno domínio dos mesmos, e por essa indiscutível razão, serão extremamente limitados nas ações que exigem criatividade e improviso consciente na consecução dos sistemas propostos, e consequente leitura de jogo. Aqui os resultados:

– Nos 24 jogos desta fase final, foram cometidos 871 erros de fundamentos, ou 36,2 por jogo na média.

– Por equipes :

– Pinheiros 112 (22.4 pj); Flamengo 108 (21.6 pj); Minas 108 (21.6 pj); Paulistano 98 (19.6 pj); Ceará 90 (18.0 pj);  São José 81 (16.2 pj); Franca 76 (15.2 pj); Curitiba 70 (14.0 pj).

– Finalistas :

– Pinheiros/Franca – 25/17 – 42 erros

– Paulistano/Sãp José – 15/20 – 35 erros

– Jogo com mais erros – Paulistano/Minas (28/27) 55 erros.

– Para um razoável padrão na elite de 5-8 erros por equipe, alcançaram os novos jogadores : 1 jogo com mais de 50 erros; 6 entre 40 e 50; 4 entre 30 e 40; 5 entre 20 e 30, e absolutamente nenhum abaixo dos 20 erros. Seria interessante que fossem contabilizados os erros de toda a competição, com resultados assustadores, confiram, ou não se deem ao trabalho, para que, não? Noves fora a endêmica chutação de três…

Complementando o desanimador quadro, o jogo da primeira rodada da Liga Ouro entre Brusque e Cerrado apresentou os seguintes e absurdos números – 32 arremessos de 2 pontos e 74 de 3, sendo que ao fim do segundo quarto perpetraram 3 de 2 pontos e 26 de 3, simplesmente inacreditável!…

Agora a pouco o Paulistano arrasou o Botafogo arremessando 19/29 de 2 pontos e 21/43 de 3, sedimentando a “nova filosofia” de jogo tupiniquim (como ninguem defende, é uma excelente oportunidade de agregar vitórias e recordes aos currículos, e que se explodam os resultados nas seleções mais a frente), até o dia em que as equipes reaprendam a defender, a contestar, mas claro, se derem importância aos fundamentos básicos do jogo, desde a base, preferencialmente, ou mesmo praticá-los na elite, por que não, porque não?…

Mas algo de “positivo” que vem acontecendo nos jogos da seleção dirigida pelo Petrovic, a sua progressiva adesão aos chutes de três (vide o Magnano), inclusive nos contra ataques e por parte dos pivôs, num gritante contra ponto aos seus conceitos croatas de basquetebol, o que seria lastimável se olvidados, espero contrito que não…

No mais, fazendo coro ao meu permanente e atento interlocutor, que me considera um empedernido pessimista, alerto ao mesmo que, muito pelo contrário me considero um irremediável otimista, a ponto de vislumbrar uma tênue esperança em dias melhores para o grande jogo entre nós, na medida, mais tênue ainda, de que afastemos dele aqueles que no fundo o odeiam, pelo simples fato de não o entenderem naqueles pontos que tem de grandioso, sua inesgotável capacidade criativa, ousada e corajosa, mesmo  aviltado e agredido sem maiores contemplações, pois o que tem importado de verdade é a bola sagrada de três, a enterrada monstro, o toco transcedental, o duplo e o triplo duplo, as pranchetas que falam, os palavrões e coerções a jogadores e árbitros, a patética mímica extra quadra, as violentas torcidas de icônicas camisas, os tatibitates craques que exportamos antes do tempo, a importação dos que não servem mais para a matriz, e a continuidade da mesmice endêmica em nossa autofágica forma de jogar, negando as diferenças, o bom senso, o criativo e o ousado, em nome do que aí está  Um novo ciclo olímpico já foi iniciado, e nada parece que aprendemos técnica e taticamente, mas meus deuses, até quando, até quando…

Amém.

 

PORQUE HOJE É NATAL…

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Pois é minha gente, hoje é Natal, data do congraçamento, do perdão, da esperança, do amor fraterno, da fé no amanhã, do soerguimento…

Homem forjado no desporto, como praticante visando qualidade de vida, professor, técnico e hoje jornalista bissexto, blogueiro a 15 anos, ligado ao basquetebol desde sempre, teimoso e lutador, me sinto agradecido aos deuses por ainda me manter ativo aos 78 anos, absorto no estudo permanente do processo educativo, e dos meandros do grande jogo em particular…

E é exatamente sobre ele que gostaria de tecer alguns pontuais comentários, principalmente nos aspectos técnico táticos por que vem passando nos últimos anos, num momento em que a mente permanentemente aberta de um experiente profissional se debruça sobre a realidade da modalidade em nosso imenso, desigual e injusto país…

Ontem assisti pela TV o jogo Franca e Flamengo, no qual algumas novas ações encontraram eco ao analítico caudal de apelos e sugestões que venho estabelecendo regularmente através artigos aqui publicados desde 2010, logo após a curta temporada que participei na direção técnica do Saldanha da Gama no NBB2, onde introduzi algumas idéias de treinamento e sistemas de jogo, totalmente contraditórias ao sistema único utilizado por todas as franquias, como tentativa mais do que válida de provar a possibilidade prática de poder jogar o grande jogo de forma diferenciada, com resultados bastante positivos, abrindo um enorme portal para sistemas inovativos, ousados, onde a criatividade fosse desenvolvida e incentivada, desde a formação de base até as divisões adultas…

Propugnava  e aplicava na prática a dupla armação, garantidora da posse de bola sem os sobressaltos do pressionamento defensivo, da amplitude organizativa em torno de todo o perímetro externo, pela constante movimentação abrindo linhas seguras para passes internos, onde os três alas pivôs, rápidos, flexíveis e atléticos, também em constante, ininterrupto e aleatória  movimentação (talvez o aspecto mais impactante da proposta, pois partia da criatividade dos jogadores a consecução das jogadas, naquelas situações de jogo que estavam vivenciando, e não produtos de jogadas de antemão imaginadas e armadas em pranchetas, por parte dos estrategistas ao lado da quadra) , abrindo espaços para a recepção segura dos mesmos, sempre um passo à frente dos defensores, provocando espaços, que por menores que fossem, os tornavam factíveis ao drible, a finta e o arremesso, exatamente por estarem sempre um tempo adiante da defesa. Por outro lado, essa formação propiciava o estabelecimento da defesa linha da bola lateralizada, pela velocidade de seus componentes e a ausência de jogadores pesados e lentos, logo plenamente aptos ao jogo antecipativo e constante contestação…

E foi o que vi um pouco em Franca no jogo de ontem, porém ainda um tanto atado ao sistema único, com seus chifres e punhos  castradores, que são jogadas que povoam o imaginário de jogadores utentes das mesmas desde a formação de base, com sinais pré existentes, posições estratificadas, e comportamentos mais voltados ao 1 x 1 do que ao coletivo tão ansiosamente desejado e buscado por todos, mas que infelizmente não o alcançam por não dominarem os fatores pedagógicos necessários às didáticas exigidas para sua aprendizagem efetiva e sustentável…

Foi um jogo com menos de 20 arremessos de três para cada equipe (8/19 e 7/19), e que no entanto alcançou a casa dos 100 pontos, demonstrando que de 2 em 2 e 1 em 1 podem as equipes pontuarem efetivamente, sem a trágica hemorragia dos insanos chutes de fora, e o mais instigante de tudo, sem contar com a presença de americanos individualistas, porém contando com talentosos jovens nacionais que merecem um sistema proprietário de jogo, e não serem encordoados como marionetes descerebrados de fora da quadra. Ensiná-los, treiná-los e orientá-los olho no olho, e não através midiáticas e cretinas pranchetas, é a chave para a reforma de que tanto necessitamos, para sairmos do terrível limbo em que nos encontramos. Seria um belo presente de natal se tudo o que ví se transformasse em realidade, após sete anos em que dei partida a essa até agora inglória luta para poder voltar a dirigir equipes da LNB, quando poderia  ter abreviado essa tão ansiada evolução em pelo menos cinco anos, após o que foi demonstrado no Saldanha no NBB2 (e nas equipes de base por mais de quarenta anos) ter sido tão revelador e importante, e que somente agora está sendo valorizado, não pelo Saldanha em si, e muito menos por mim (que santo de casa faz milagres?), mas pelo colonizador Warriors e já algumas equipes da NBA, aceitando o repto inovador do Coach K quando na direção das últimas e campeãs equipes americanas em olimpíadas e mundiais…

Em contraponto a tudo isto, aconteceu um jogo entre Vasco e Paulistano, vencido pelos paulistas por 77 x 71,quando foram perpetrados 20/63 arremessos de três e 31/59 de dois (15/29 de 2 e 10/32 de 3 para os paulistas e 16/30 e 10/31 respectivamente para os cariocas), com 24 erros de fundamentos (13/11), numa demonstração tácita de que convergências de tentativas de arremessos se firmam a cada dia entre as equipes,principalmente aquelas que são dirigidas por estrategistas que permitem, e até incentivam essa forma de jogar, e que são os verdadeiros responsáveis pela autofágica realidade em que vive o nosso indigitado grande jogo, pequeno, minúsculo para todos eles, precursores e mantenedores da tragédia que administram…

Torço para que o exemplo de Franca frutifique, que seu técnico evolua com firmeza, que sua tradição seja mantida, e que uma ou outra franquia siga seus passos, o que duvido bastante, a não ser que apareça uma que siga o exemplo do hoje extinto Saldanha, aquele do NBB2, brilhante, humilde e inovador…

Desejo a todos que me leem neste humilde blog, um Feliz Natal e um 2018 pleno de sucessos, muita saúde e amor ao grande, grandíssimo jogo…

Amém.

Foto – Arquivo. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

HOJE SIM É O MEU DIA…

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P1100653-002Quando lecionava para alunos da EEFD na FE/UFRJ, sempre lembrava que não se considerassem somente professores de educação física, e sim professores, na acepção maior do termo, que como os demais das diversas disciplinas, compõem o corpo docente escolar, num todo uníssono e afiado na nobre arte de ensinar, instruir, orientar a juventude deste país, e mais, com um bônus exclusivo de sua área de atuação, o de pautar seu ensino nas três áreas pedagógicas, a cognitiva, a afetiva e a psicomotora, motivo mais do que suficiente para pertencer e algumas vezes liderar o fator multidisciplinar de uma educação de qualidade, que é um direito constitucional dos jovens cidadãos deste enorme e injusto país…

Fiz esse intróito por um simples motivo, o da presente e insistente tendência de alguns pseudo líderes em situar a educação física em um outro patamar, inclusive auferindo a denominação de profissional de educação física aos que se graduam no bacharelato e na licenciatura superior, assim como aos provisionados sem graduação específica, todos obrigados a pertencerem aos Cref´s regionais e ao Confef federal, numa apropriação indevida que não encontra paralelo nas demais disciplinas, colocando o professor de educação física na situação única de ter de “prestar contas” a órgãos de fora do âmbito escolar, e o mais grave, tentando e ousando igualar uma formação superior a cursos provisionadores de qualidade inferior, numa nítida intenção de, aí sim, provisionar a crescente indústria do corpo, que movimenta bilhões anualmente, e para a qual o incremento maciço da educação física nas escolas torna-se indesejável, pela perda da clientela mais importante, a juventude adolescente, num comércio que já se prepara para inaugurar academias para crianças…

Por tudo isso é que propugno insistentemente também, que nos situemos como professores, exclusivamente professores, quanto às disciplinas tradicionais, às artes, à música, à dança, somando nossa qualificação ao todo curricular obrigatório, sem diferenciações e dúvidas de caráter ético e profissional, cabendo aqui muito bem o termo…

Enfim, considero, como sempre considerei ser hoje o meu dia, não o da semana ´passada, falso e usurpador, pois acima de qualquer denominação interesseira fui, sou e sempre serei um professor, simples assim.

Amém.

Foto de grupo – Professores Roberto Santos, Paulo Murilo Alves Iracema, Alfredo de Faria Jr., Léa Laborinha e Eugênio Corrêa, no I Seminário Regional sobre Prática de Ensino/Estágio supervisionado em Educação Física, quando fui agraciado com uma placa comemorativa. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

ARTIGO 1400 – “BASQUETE BRASIL”…

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Em setembro vindouro esse humilde blog completará 14 anos de ininterrupta presença no cenário um tanto desgastado do grande jogo, e entre todos aqueles que amam incondicionalmente essa incomparável modalidade, rainha de todos os desportos coletivos neste mundo, com seus deuses divididos entre suas preferências esportivas terrenas, ou não…

No início quis denominá-lo “BASQUETEBOL BRASIL”, mas me conscientizei de que não deveria ousar me apossar do teor administrativo e gerencial de uma modalidade organizada e referendada por entidades estaduais e a nacional, a quem cabe organizá-la e difundi-la pelo território deste imenso país, e sim optar por uma terminologia popular como é também conhecida, basquete, que dissociado do sufixo bol, em nada e por nada confrontaria a denominação oficial da modalidade, basquetebol…

Nasceu então o “BASQUETE BRASIL”, o blog da modalidade mais antigo e de continuidade ininterrupta no país, onde conquistou o respeito de muitos  dos adeptos e entusiastas do grande jogo, ´principalmente os jovens técnicos e professores, e que a partir de sua denominação,  jamais feriu o bom senso e o livre pensar por parte de seu autor/editor, e de todos aqueles que privaram e privam do espaço livre e democrático aqui existente desde sempre, respeitando desde seu início o aspecto etimológico de sua denominação, inclusive o perene e inalienável direito de jamais admitir comentários e inserções apócrifas, no mais absoluto respeito ao contraditório, desde que responsavelmente assumido e assinado, pois o Basquete Brasil não é e jamais será solo para anônimos…

Com o tempo, descobri através a incisiva penetração do blog no amplo mundo das discussões e debates aqui travados, que a denominação do mesmo se tornara uma marca de forte apelo, mesmo que não denominasse a modalidade em sua essência etimológica, e a fim de evitar emulações e distorções futuras tentei registrá-la no INPI, no que fui mal sucedido, com a explicação de seus analistas de que não se tratava de uma marca merecedora de patente, corroborando minha decisão de utilizá-la da maneira mais aberta e acessível possível, como sempre planejei, e assim foi feito e continuado, dando forma a uma tradição no mundo blogueiro da modalidade de basquetebol, numa coerência atestada nos 1400 artigos até aqui publicados, onde nos mesmos jamais grafei a terminologia basquete, e sim basquetebol…

Recentemente um dos candidatos a presidência da CBB apôs contíguo a seu nome a denominação Basquete Brasil (Amarildo Rosas Basquete Brasil), talvez querendo sugerir o apoio deste blog autoral à sua candidatura, no que fui incisivo, negando-o veementemente, e agora, numa entrevista ao blog Bala na Cesta do jornalista Fabio Balassiano, o eleito candidato Guy Peixoto, assim se manifestou em um dos parágrafos da mesma:  

– (…) “Esta nova logomarca remete ao período das nossas maiores gerações e enaltece as principais conquistas do basquete brasileiro, os dois mundiais masculinos e um feminino, simbolizadas pelas três estrelas. Além disso, traz o nome ‘Basquete Brasil’, que adotaremos a partir de agora, por sermos o órgão representativo da modalidade no País”, explicou.(…)

Perfeito em sua parte inicial, quando privilegia nossas conquistas e sua grande tradição junto ao povo brasileiro, mas pecando na definição etimológica da modalidade, cuja denominação correta, basquetebol, é substituída pela terminologia basquete, que não a define como modalidade, haja vista todas as denominações internacionais, como pallacanestro, baloncesto, basketball, basquetebol, que a definem através suas denominações confederativas e de ligas por todo o mundo, nas quais o termo basquete sequer é mencionado para fins representativos, fator que também foi determinante na escolha do nome deste blog, por não ferir de forma alguma a identidade oficial da modalidade, basquetebol…

 

– (…) Vale dizer também que em uma primeira análise o ”Basquete Brasil” também é um recado bem claro e que Guy Peixoto faz questão de colocar no centro da discussão. Acuada por uma série de problemas recentes, a CBB perdeu espaço no cenário nacional e passou a representar o que há de pior em termos de gestão graças a anos sombrios de Grego e Carlos Nunes, os dois últimos (terríveis) presidentes. O novo mote tenta resgatar o fato de que, na concepção da Confederação Brasileira, é ela que no final das contas dita as regras sobre a modalidade no país.(…), relata o autor da entrevista.

Se o novo presidente realmente quis dar um recado direto a pretensa divisão de comando na modalidade basquetebol no país, não pode desconhecer o fato de que a própria LNB, grafa em sua denominação o termo basquete, e não basquetebol (Liga Nacional de Basquete), numa atitude complementar muito próxima a minha,  na escolha anterior da denominação do blog, afastando corretamente a ideia de se colocar como o “órgão representativo da modalidade no País” na divisão de elite, lembrada pelo presidente da CBB em seu comentário, e sim uma liga de clubes etimologicamente bem situada em sua inteligente apresentação, que proposital ou não, marcou bem sua posição complementar, e não hegemônica…

Longe de mim lastimar ou não concordar com a menção do “BASQUETE BRASIL” no novo logotipo da CBB, de muito bom gosto aliás, e sim vê-lo preenchido por uma citação etimologicamente equivocada, pois sendo considerada o órgão máximo da modalidade no país, deveria grafá-lo em sua denominação plena, “BASQUETEBOL BRASIL”, sendo ou não uma marca menos impactante, midiática como a que lá está, porém correta e definidora da modalidade que representa oficialmente, a do BASQUETEBOL…

Se for mantida a versão atual, tudo bem, pois assim como afirmou o atual presidente adotá-la “por sermos o órgão representativo da modalidade no País”, continuarei também a mantê-la na designação do blog, não pelo motivo lembrado pelo presidente, e sim em respeito pela primazia autoral coerente à modalidade nos 14 anos de permanente publicação, e que hoje ao atingir seus 1400 artigos, deveria ter abordado um tema especial que havia preparado, porém substituído por este oportuno esclarecimento, se lança rumo aos 1500, quiçá 2000 artigos, na continuidade deste humilde, porém combativo e sempre presente BASQUETE BRASIL, até quando minha mente, meu corpo e os deuses o permitirem…

Amém.

ME DANDO UM TEMPO (FORÇADO)…

Desculpem-me pela longa ausência, mas se analisarem bem as fotos anexas logo compreenderão o motivo, já que fui vítima de uma infelicidade, um incêndio gerado pela explosão do meu carro dentro da garagem aqui de casa, que me custou a perda de um outro carro, do meu filho, e toda a parte lateral da mesma, num sinistro de grande proporção, e que por pouco não causou lesões em mim na tentativa de destravar o carro para afastá-lo da casa e do outro carro, em vão, para assistir consternado a destruição de ambos, da garagem e parte da casa. Os seguros cobrem boa parte do estrago, mas fica a sensação de impotência ante a impossibilidade de lutar contra a descontrolada fúria de um incêndio, um pouco mais tarde debelado pelos bombeiros.

Prometo, no entanto, voltar a publicar artigos à partir de amanhã, se os deuses assim o permitirem. Um abraço a todos.

Amém.

 

Fotos – Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

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COMUNICANDO…

Estaremos fora da mídia por 4 dias, a fim de trocar de provedor. Desculpem, pois é a primeira vez desde 2004 quando iniciei este humilde blog. Obrigado pela paciência e até o dia 18 próximo. Um abraço a todos que prestigiam o Basquete Brasil. Paulo Murilo.

O ESCATOLÓGICO ACHISMO…

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Eis-me de volta para mais um ano de presença ante o grande jogo, para satisfação de uns poucos, e muita raiva e desprezo da maioria, principalmente daqueles que consideram a data de seus nascimentos coincidentes com o do basquetebol, negando o pequeno espaço de tempo que os separam de um certo James Naismith que o inventou um pouquinho antes, em 1893…

Pois é, já fazem treze anos que aqui estou nesse humilde espaço, teimando em pesquisar, estudar e reverenciar os que me antecederam na estrada de pedras, depois de a percorrer por mais de 50 anos, aprendendo muito mais do que ensinando, perdendo mais do que ganhando, trabalhando muito além do exigido, como todo professor e técnico que se preze, ainda mais quando natural de um país que não o valoriza, relegando-o às sobras de verbas gastas em suntuosidades megalópicas, onde o roubar se tornou endêmico, onde a ignorância é imposta como projeto político, onde os valores culturais e a ética se tornaram dispensáveis…

Então, creio ter justificado alguma ausência no espaço, não pela idade que alcancei, mas pela mais absoluta falta do que mais prezo, e sempre propugnei, apliquei e desenvolvi fora e dentro das quadras, a permanente e incansável busca pelo novo, pelo inusitado, pelo desafio, única forma de manter a mente e o espírito alertas, desde sempre, não só em mim, mas principalmente, nos alunos e atletas, que os tive a perder de conta, porém lembrados e cultuados, cada um deles, dos quais tenho imensas saudades…

Vamos então a alguns fatos, mesmo aqueles que me desagradam, que ferem o bom senso, que magoam os sentidos, que ofendem o grande jogo:

– Comecemos com o NBB, onde a insânia dos três pontos nunca esteve tão presente, fruto da inexistência defensiva fora do perímetro, preocupados que estão estrategistas e jogadores com a evolução dos atuais homens altos dentro do mesmo, quando defendê-los pela frente, numa verdadeira e lateralizada linha da bola, criaria o equilíbrio de forças necessário à contestação dos longos arremessos, fator técnico de difícil e complexo aprendizado, sendo por isso mesmo o grande prêmio a ser alcançado pelos verdadeiros praticantes do grande jogo, tanto os que aprendem, como os que ensinam. Alguns números emprestam a relevância a esse princípio, como os acontecidos em jogos recentes, onde num Ceará x Bauru, 23/68 foram os arremessos de dois pontos, contra 28/70 de três, ou num Mogi x Ceará, com 29/60 de dois e 31/78 (isso mesmo, 78 arremessos de três!!!!!), e muitos jogos com mais de 50 tentativas de fora, numa autofagia indescritível de ruindade basquetebolistica, tudo somado a média absurda de 25 erros de fundamentos por jogo, salvo muito poucas exceções. Duvidam? Façam as contas, por favor…Ah, um exemplo derradeiro? Paulistano x Vasco, 29/63 de dois, 20/55 de três e 25 erros de fundamentos. Definitivamente tem algo de errado com nosso basquetebol…

– Em dois meses acontecerá a eleição na CBB, onde duas chapas já declaradas e oficializadas se defrontarão dentro de regras estatutárias, retrógradas e viciadas, porém com um fator novo, o de uma delas ser composta por pessoas fora do contexto da casa, que garantiu anos e anos de um continuísmo destruidor de tudo aquilo que garimpamos duramente por anos e anos de trabalho, formada por pessoas ligadas a modalidade, mas não pertencente a situação, que se vencedora for, quem sabe, impulsionará o grande jogo a tempos melhores e mais sadios, se além de se ater ao implemento de modernas técnicas gerenciais e de desenvolvimento massivo, se dedicar ao verdadeiro óbice que nos estrangula a quase três décadas, o fator técnico, que no frigir dos ovos, é a verdadeira função confederativa, dolosamente esquecida e vilipendiada pela política do escambo, do apadrinhamento e do corporativismo de uma minoria lá encastelada, onde os interesses pessoais e econômicos se sobrepõem ao jogo em si, ao grande jogo…

Finalmente, não posso nem devo deixar passar uma preocupante tendência, a da elevação de um outro jogo, com regras próprias, com interesses hegemônicos, não só esportivos, como comerciais, políticos até, de outro país, junto a nossos jovens, com promessas de transmissões em rede aberta, eivado de comentaristas amparados e escorados por toneladas de computadorizadas informações, nas TVs e na internet, onde comentam “a fundo” o que absolutamente não conhecem no sentido prático, num escatológico achismo que fere de morte o nosso ainda cambaleante NBB, este sim, tão necessitado de discussões opinativas visando seu desenvolvimento técnico e tático, e que pertence a uma realidade antítese daquela que tentam nos empurrar a fórceps, bem sabendo que é um produto de outra espécie de sociedade, resultante de políticas educacionais e culturais inexistentes aqui, numa forçação de barra profundamente irresponsável e até certo ponto, perigosa…

Conheço a NBA desde os anos sessenta, quando lá estive estudando, e desde aquela época concordava não ser aquele o caminho que deveríamos trilhar, pois totalmente fora da nossa realidade esportiva, educacional, econômica, cultural e política, não fosse àquela época, em plena convulsão racial, ser nomeada embaixadora americana para os países do mundo a equipe dos Harlem Globetrotters, na tentativa governamental de atenuar os graves efeitos da integração no plano socioeconômico fora de suas fronteiras, pois somente o basquetebol tinha penetração mundial, e não os restritos football (o deles), baseball, ice hockey. Hoje os interesses são outros, todos de bases mercadológicas, sem dúvida alguma…

Bem, fico por aqui, prometendo ser mais presente aqui no blog, já que grandes eventos nos aguardam, mas que não sejam jogadas monstros, tocos, e hemorragias dos três. O grande jogo merece coisa melhor, bem melhor…

Em tempo – Agora mesmo assisti a partida Mogi x Bauru, descrita como da mais alta técnica, incensada e comentada como o verdadeiro basquete brasileiro, mas que apresentou ao seu final estes inacreditáveis, comprometedores e constrangedores números – 36/52 arremessos de 2 pontos e, acreditem, 19/72 de três, com a equipe perdedora do Bauru perpetrando 13/19 de 2 e absurdos 10/42 de 3, sendo que num dos pedidos de tempo o técnico da equipe pediu jogo mais no interior do perímetro, sendo demovido pelos jogadores que optaram pela artilharia insana de fora, tudo isso emoldurado por 24 erros de fundamentos. Inacreditável…

Amém.

Foto – Foto captada na internet. Clique na mesma para ampliá-la.

 

O EDUCADO E AMÁVEL JOÃO ROSSI…

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Terminado o jogo no Pinheiros pelo NBB2, quando na direção do Saldanha, após 19 dias de intenso treinamento, estando a equipe na lanterna da competição, apresentando uma forma totalmente diferenciada de atuar, na contra mão de todas as equipes da liga, e mesmo perdendo por 11 pontos depois de liderar os três quartos iniciais, estava recolhendo meus haveres no banco, sozinho, pois toda a equipe já se encontrava no vestiário, quando um senhor de camisa vermelha se aproxima e se apresenta – Sou João Rossi, dirigente esportivo do Pinheiros, e quero felicitá-lo pela bela apresentação de sua equipe, inclusive sou leitor de seu blog, e gostaria que soubesse que as portas do clube estarão sempre abertas para recebê-lo – Agradeci lisonjeado, ficando com a inteira certeza de que estava trilhando um caminho factível, mesmo sendo incomum, ainda mais pelo reconhecimento da figura maior da direção daquele mítico clube, que acabara de nos vencer…

Dois dias depois vencemos o Paulistano em seu ginásio, reforçando em mim e a todos a certeza de que reverteríamos aquela incômoda posição. No entanto, no retorno a Vitória vi acontecer um indesejado retrocesso com o afastamento compulsório de três dos mais importantes jogadores da equipe, nos lançando em três semanas de derrotas, a maioria das quais não teriam acontecido se o grupo tivesse permanecido coeso e unido, não mesmo…

Porém, com muita garra e empenho nos treinamentos conseguimos alinhar três vitórias seguidas, contra equipes já qualificadas nos playoffs, inclusive a que venceria a competição no mês seguinte, o poderoso Brasília…

Terminada a competição, tendo sido apontado em blogs basqueteiros como o técnico do ano, comparecí ao encerramento solene daquele NBB2 no Pinheiros, para a entrega dos prêmios concernentes a competição, para após o mesmo, acontecer o Congresso dos técnicos e assistentes num hotel fazenda em Campinas por três dias. Foi naquela solenidade que reencontrei o educado e amável João Rossi, estando eu acompanhado do diretor do Saldanha, Alarico Duarte. Foi então, que na presença do mesmo, o João Rossi reiterou o convite para me transferir para o seu clube, me parecendo pela transparência do momento que ambos já conheciam o teor da oferta, esperando somente a minha decisão, que não poderia ter sido outra que não reforçar o compromisso de enfrentar o grande desafio em Vitória, como havia prometido ao Alarico, a toda a equipe e torcida vibrante. O que aconteceu depois é de pleno conhecimento dos leitores, pois publiquei todos os fatos, que culminaram com meu afastamento do basquetebol da LNB…

Interessante recordar que durante os três dias do congresso, onde participei ativamente na formulação e questionamento de perguntas sobre os vários e importantes temas apresentados, inclusive com a presença do novo técnico nacional, Magnano, e onde sofri um grande afastamento da maioria da comunidade basqueteira ali presente (certamente pela existência do Basquete Brasil), com pouquíssimas exceções, entre elas a frequente presença do João Rossi, sempre atento às minhas intervenções, tendo inclusive discutido uma delas após as palestras dos técnicos…

Foi em um dos intervalos das palestras, que recebi a sugestão de um dos dirigentes da LNB de deixar de publicar esse blog, pois o mesmo não se coadunava com a função técnica, a qual discordei veementemente, apresentando como argumento o fato de ter publicado o dia a dia da minha função no Saldanha, como ajuda aos técnicos mais jovens em seu aprendizado, com enorme sucesso e repercussão, fator que de forma alguma conflitava com as funções de técnico daquela equipe…

Durante todos estes anos de compulsório afastamento, jamais encontrei uma explicação coerente e franca que a justificasse, ainda mais pelo inconteste fato de ter visto a imensa maioria de minhas convicções e práticas sistêmicas terem sido utilizadas por todos os técnicos da liga (vide a dupla armação, dois e até três pivôs ágeis dentro do perímetro, defesa linha da bola, etc.), abertamente na prática, solertemente negada no reconhecimento, com uma ou outra exceção, muito poucas que pudessem reverter o covarde e coercitivo limbo…

Agora, o João Rossi preside com justiça a liga maior, com a promessa de a elevar a patamares mais altos, principalmente o técnico, que sempre considerei o nosso exposto tendão de Aquiles, desde a base formativa até a elite, e quem sabe, poderei ter a chance de entender o castigo a que fui submetido depois de mais de 50 anos de profissão, como professor e técnico, hoje jornalista bissexto, papel honroso, mas não protagonista no exercício do grande jogo, nesse imenso, demeritado e injusto país…

Amém.

Foto – Autoral. Técnicos e Assistentes presentes ao Congresso de Técnicos do NBB2. Clique na mesma duas vezes em sequencia para ampliá-la.

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