MUDANÇAS À VISTA!

Desde Setembro do ano passado venho publicando artigos nesse singelo blog,sem imagens,diagramas,videos,a não ser textos,com algumas lembranças e testemunhos de uma caminhada de mais de 40 anos pelo mundo do basquetebol.O que mais me impressionou durante todo esse tempo das publicações, foi a total ausência de qualquer comentário,um que fosse,emitido por aqueles que os leram,como se tivessem tomado conhecimento de relatos acima de quaisquer dúvidas, verdades indiscutíveis.Como temo toda e qualquer unanimidade,optei em procurar pelos meios a que tive acesso,sites,jornais,revistas,outros blogs e ferramentas de procura na rêde,qualquer pista de respostas,mesmo tênues para o que vinha publicando.E eis que me deparei com um sem número de inclusões do blog nos sites de pesquisa,além de vários pedidos de repubicação por outros blogs congêneres,e ai tive a prova de que,mesmo sem ter sido questionado diretamente,atingi um pequeno público interessado na matéria.Por isso,e só por isso, dei continuidade ao trabalho,que não é muito diferente daquele que desenvolvi no magistério superior e como técnico,sempre voltado para a pesquisa e a divulgação das mesmas.E está sendo encorajadora a sensação de que, de alguma forma,vislumbramos mudanças importantes no comportamento de grupos e pessoas ligadas ao basquete,e que de alguma forma influenciei um pouco nessas mudanças. Temos alguns exemplos,como a reunião de técnicos de Curitiba em um ciclo de discussões,como
a dessa semana onde será analisado e estudado o Passing Game,sistema de jogo ao qual dediquei muitas linhas de combate sem tréguas contra essa triste experiência, que empobreceu nossa técnica e encerrou nossos técnicos em uma camisa de força de triste memória e teimosa presença.O lançamento das escolinhas de basquete da Associação de Veteranos de Basquetebol do Rio de Janeiro é outra constatação de que aos poucos aqueles que outrora engrandeceram a modalidade abrem suas portas para os jovens,em vez de se dedicarem ao lazer e recordações dos tempos passados.Essas Associações têm no seio de seus adeptos o que de melhor existiu no basquetebol brasileiro,e quer queiram ou não, são a memória viva de nosso passado brilhante,e que cabe a eles repassarem seu entusiasmo aos jovens,tanto pelo exemplo de continuarem a praticá-lo, como pela função patriótica de divulgá-lo junto aos mesmos. Também alguns sites bastante ligados à divulgação da NBA já abrem espaços de discussão,como o da criação de uma Liga Nacional, assim como enfocam a sucessão na CBB dentro de critérios éticos
técnicos e até politicos. Aos poucos espocam aqui,e acolá, movimentos ainda dispersos
que visam uma salutar discussão sobre o nosso futuro,o futuro do basquetebol.Que sejam benvindas essas mudanças, ausentes a longo tempo de nosso meio, e que se multipliquem para termos,com certeza,dias muito,muito melhores.Aqui dessa humilde trincheira continuarei a abordar esse tema que me apaixonou desde muito cêdo e ao qual prometi amar enquanto lúcido e capaz de estudá-lo,pesquisá-lo e divulgá-lo.Mas bem que um comentário seria bem-vindo,pelo menos um…

FALEMOS UM POUCO DE TÁTICAS E SISTEMAS

Acabo de assistir pela TV as quartas de final do campeonato universitário norte
americano, numa louvável iniciativa da ESPN INTERNACIONAL que nos tem brindado,entre
outras transmissões, com campeonatos de sinuca,habilidade com bolinhas e um inacreditável mundial de pôquer.Deve haver mercado para tais modalidades,mas não precisavam exagerar.Mas valeu pelo basquetebol,que nos deu uma excelente oportunidade de comprovar o verdadeiro potencial da modalidade nas terras do Tio Sam.Também inacreditável a constatação de que os dezesseis classificados nas quatro chaves nacionais jogavam rigorosamente iguais,no mesmo sistema,e com as mesmas jogadas,diferenciando-se entre si pelo maior ou menor talento de seus jogadores.E ai está o grande segredo do basquete americano,a homogeinização do sistema de jogo,que tem seguimento na NBA,só que em 24 segundos de posse de bola,em vez dos 35 segundos dos universitários, pois esse tempo extendido mantêm os técnicos no total comando e controle das ações dentro da quadra,o que é impossivel entre os profissionais,daí o fracasso de um Rick Pitino quando na NBA, num evidente contraste com sua impressionante atuação na NCAA. O potencial defensivo tinha como pilar performático,não só a total entrega dos jogadores,mas principalmente o mais profundo conhecimento das ações ofensivas dos adversários pela similitude de seus sistemas.Por essa razão as interceptações de bola eram frequentes,assim como os bloqueios próximos à cesta.Vimos equipes com fortissimo potencial nos três pontos serem superadas pelo jogo centrado nos dois pontos,principalmente através os pivôs.Testemunhamos o ápice das jogadas de um contra um desenvolvidas por especialistas no drible,mas que enfrentavam flutuações e fortes coberturas.Como na NBA essas ações são praticamente excluidas, dão aos atacantes espaços para jogadas de maior efeito plástico,que é o fator mais valorizado pelos expectadores, pelos comentaristas e pelos jovens mundo afora.Mas a maior lição que as equipes nos deram foi a consistência defensiva.Entre nós,frequentemente,cometemos faltas pessoais até nos últimos segundos de um ataque de 24 segundos do adversário,pois não conseguimos manter a atitude defensiva por um longo tempo.Dá gosto assistir uma equipe universitária americana manter a atitude defensiva pelos 35 segundos que duram os ataques,sem esmorecer,sem dar folgas.Se entre nós estabelecessemos a regra dos 35 segundos nas divisões de base teriamos,pelo treinamento e pela continuidade um significativo aumento na tão desejada atitude defensiva, assim como ampliariamos os comportamentos táticos ofensivos e melhores ações de técnica individual,principalmente o drible.Chega a ser lastimável vermos equipes infantis e infanto-juvenis jogando dentro das limitações dos 24 segundos que não respeitam seu desenvolvimento mental e nervoso.Poderiamos inclusive extender para 40 segundos as ações ofensivas dos mirins e mini-basquetebol,para dessa forma criarmos uma escala didática que respeitasse a evolução psicomotora dos jovens.É dessa forma que os americanos e europeus desenvolvem seu basquetebol,tendo como consultores e executores os professores e técnicos,reservando aos burocratas as funções que lhe dizem respeito. Mas,assim como a homogeinização do sistema de jogo,o
Passing-Game,é a tônica do basquete universitário americano,fator alimentador de talentos para a NBA, levou ao fracasso dos mesmos nas competições internacionais,pelo
simples fato de algumas nações não o empregarem, e que foi copiado “in extremis”por
nossos técnicos,poderiamos nos unir às mesmas na fuga da influência do norte,para voltarmos às nossas raízes,não muito diferentes das que transformaram paises que nunca nos venceram,nos donos atuais do basquetebol internacional.Mas para que isto possa vir a ocorrer, seria necessario,entre outras coisas, que os jovens cronistas e
jornalistas tão atuantes hoje em dia se debruçassem um pouco em nosso passado,que o pesquisassem, para após conhecê-lo pudessem realmente divulgar a nossa realidade,que em absoluto é a que hoje divulgam e em alguns casos endeusam, pois se campeões fomos
sendo conotados pela FIBA como a quarta maior nação basquetebolística do século XX,
não estamos merecendo a correta divulgação e consequente valorização por intermédio de seus testemunhos, que na maioria das vezes pecam pelo deslumbramento de realidades estranhas às nossas, e pelo canhestro desconhecimento de nossas técnicas,de nossos
verdadeiros técnicos e de nossa autêntica e esquecida forma de jogar.A essência do verdadeiro jornalista é o profundo conhecimento da história e do passado,fatores que explicam o presente e que sedimentam o futuro, e que são as variáveis intervenientes na mais simples das pesquisas.Desconhecer tais valores não só comprometem a verdade,mais acima de tudo conota a ignorância, proposital ou não.Estudem então.

A QUEDA DO IMPÉRIO…ROMANO?

Absolutamente não, pois este caiu alguns séculos atrás.Trata-se do império onde todos os campeonatos nacionais profissionais levam a denominação pomposa e arrogante de World Championship, sem mais nem menos. O Congresso norte-americano pega fogo com as comissões que discutem o uso dos esteróides nas equipes desportivas,inicialmente no beisebol, com uma repercussão avassaladora.Pensam,inclusive, em anularem recordes alcançados por atletas declaradamente dopados.Dois anos atrás houve um ensaio junto a atletas famosos no mundo do atletismo, com punições exemplares, mas nada se compara ao que vem ocorrendo qundo a abordagem incide no esporte nacional,o beisebol. Problemas ocorridos com o futebol americano têm sido roteirizados para o cinema e para a TV em series de grande impacto,retratando a dolorosa realidade das drogas no seio daquela modalidade que é a paixão do torcedor americano. O baquetebol tem escapado das sindicâncias do govêrno,mas não por muito tempo,pois a negativa das grandes estrelas em defender o país nos Jogos Olimpicos tem deixado grandes e interrogativas questões no ar, mesmo tendo a administração da NBA um programa de reabilitação para aqueles jogadores que eventualmente forem pegos no uso de drogas e estimulantes. Pela importância social, política e educacional destas modalidades junto a população americana,principalmente os jovens, é que o Congresso resolveu intervir numa limpeza ética voltada aos altos valores representados pela atividade desportiva.De muito já se sabia da existência destes problemas no desporto americano,
e muitos cronistas e especialistas,não só americanos, mas também os estrangeiros já
vinham colocando sérias dúvidas às últimas conquistas americanas em torneios e competições internacionais,inclusive as Olimpíadas.Para uma nação que reinvidica, quando não impõe,uma liderança política mundial,tais situações a fragilizam perante o concerto das nações,que põem em dúvida a lisura de seus líderes.E toda essa discussão e intervenção por parte do Congresso Americano dá-se por sobre fortissimas e poderosas instituições,que movimentam alguns bilhões de dólares anualmente,e que influenciam milhões de indivíduos pelo mundo afora.Mas para nós o que poderá representar tais comportamentos e relevantes questões.Creio com grande dose de certeza,que o atual momento do nosso basquetebol poderia tirar algumas lições práticas,objetivas e principalmente voltadas a nossa realidade,que teima em copiar o que considera perfeito de aqui empregar, sem as devidas análises, adaptações e até mesmo negação pelo modêlo que eles adotam, que é fundamentado na extrema riqueza e real poder de suas instituições, às quais não podemos rivalizar. Tudo que emana e é divulgado pelo mundo pela NBA tem como condição básica o dominio de seu modêlo, que vai do sistema de jogo até o padrão dos uniformes, e que o fazem com regras próprias que antagonizam às da FIBA, sem que esta,que representa o restante do mundo, tenha força politica para obrigá-los a seguirem suas normas técnicas. Em poucas palavras,se impõe ao largo das regras internacionais, utilizando outras que exequibilizam sua forma de jogar.E é exatamente essa forma peculiar de jogo que vimos adotando nos últimos 20 anos.O resultado aí está perante todos. Mas o mais grave são os efeitos gerados em algumas gerações de jogadores,inclusive os que atuam nesse momento na NBA, com ganhos anormais de pêso e massa muscular(um deles foi punido por uso de esteróides no último pré-olimpico), e contusões articulares pelo excesso de musculação incidindo em suas musculaturas elásticas e de boa explosão, para transformá-las em usinas de força e choque.Os argentinos campeões olímpicos atuavam,e ainda atuam na Europa, exceto dois que o fazem na NBA,mas não se notam nos mesmos mudanças em suas estruturas físicas.A Argentina optou pelo exemplo europeu, que segue as regras internacionais e o sistema de jogo baseado na velocidade e na explosão muscular.Não foi por acaso que a final olímpica teve a Itália e a Argentina como protagonistas.Infelizmente,nossos técnicos escolheram o modêlo americano,num equívoco monumental, mas que bem explica o altíssimo teor de subserviência colonial a que fomos expostos até os dias de hoje.A maior lição que poderiamos tirar de tudo o que vem ocorrendo e ocorrerá na estrutura do desporto profissional norte-americano, é a
constatação,não tão tardia,de que é o pior exemplo que ainda teimamos em seguir,e que
se inteligentes formos, poderemos restabelecer nosso verdadeiro caminho,nossa verdadeira vocação, a de sabiamente tirarmos proveito de nossas deficiências sociais,
educacionais e econômicas, enfrentando-as com soluções nossas,aquelas que sabemos administrar,desenvolver e organizar,ou seja, precisamos reaprender a administrar nossa pobreza, que é a nossa realidade, pelo menos por enquanto. Com sabedoria,bom senso,muito estudo e coragem voltaremos ao nosso lugar,de onde nunca deveriamos ter saído.Um bom começo é a união de todos para um bem comum, que não pode se manter como uma impossibilidade, a não ser para alguns que dela se beneficiam.

A CHUVA DE DINHEIRO.

E o debate continua, cada vez mais quente,emotivo,apaixonado, descontrolado, bem ao modo adolescente,prato feito”à lá carte”para velhas,frias e calculistas rapôsas,que de tão felpudas se esquivam estratégicamente, aguardando o momento oportuno e garantido para se manterem intocadas.E esse momento será em maio, quando muito do fervor juvenil arrefecerá e os votantes de sempre garantirão a continuidade do que aí está,de preferência sem acertos com ligas de qualquer espécie.A liderança aí está,lastreada em uma carreira brilhante de atleta, e principalmente, pelo poder de sufragar alguns milhôes de votos em uma eleição para senador no estado mais poderoso do país.O Flamengo berço recente de políticos eleitos por sua força popular,anteviu no brilhante atleta e secretario de esportes o homem certo para seus sonhos de poder, mas algo não deu certo,ou o brilhante atleta se deu conta que não era aquela a sua praia. Vida que segue,e eis que ressurge liderando a criação de uma Liga de Clubes, no momento de definição politica na CBB, tendo em torno de si dirigentes e políticos, entre os quais um suplente de senador da república,ex-atleta, patrocinador de TRÊS, repito,TRÊS equipes no Campeonato Nacional da CBB, dono de um dos maiores conglomerados universitários do país.Porque ele não liderou esse movimento, já que é um profissional do ramo? Porque o brilhante atleta? Por seu amor sincero pela camisa da seleção brasileira, ou pelo seu carisma sacramentado pelo voto popular? Ser suplente de senador, pelo que se sabe não angaria um voto sequer, mas ocupa eventualmente aquela cadeira, fato que os milhôes de votos de quem perde uma eleição não aufere ao mesmo a honra de lá sentar.Esse é o jogo do poder ao qual as rapôsas felpudas sequer cogitam dialogar.São donas do pedaço, e de lá dificilmente serão banidas.Irônicamente vinte e poucos votos têm mais valor naquele pedaço que os milhões do outro lado, mas que poderão ser úteis com estratégias diferentes, que garanto desde já não beneficiarão o brilhante, emotivo e idealista atleta, e sim quem conhece os meandros do poder. Um outro brilhante atleta,hoje comentarista propugna por politicas desportivas que promovam uma chuva de dinheiro para todo o esporte nacional, mas não esclarece nas mãos de quem deverá essa chuva desabar. Caro amigo, em se tratando de dinheiro alto, não precisa ser uma chuva,as rapôsas saem de seus esconderijos e rapidamente se apoderam do mesmo, muito antes do que se possa imaginar, pois é para isto que alí se alojam, no centro do poder, donas absolutas do pedaço. Querem tomá-lo de verdade? Lembro inicialmente, que se quiserem”copiar” a organização da NBA terão de fazê-lo direito,estudando e pesquisando em profundidade qual o papel e a importância da NABC dentro daquele sistema. Também o Sindicato dos Jogadores, que como todo sindicato americano tem real poder.Vejam bem, técnicos e atletas coesos em torno de representatividade real e poderosa. É o que temos por aqui? Porque querer começar pelo fim de um processo que custou décadas de esforço aos irmãos do norte?Porque não começar pelo princípio, simples,objetivo e factível? Que quadros executivos terão sem uma forte e coesa representatividade de técnicos e atletas? Convidarão as rapôsas de plantão? Técnicos que se odeiam, ou quando muito se toleram?Ex-atletas que de um dia para o outro se transformam em técnicos experientes? Técnicos que de posse de um microfone criticam o trabalho de colegas com a desculpa de “estarem” comentaristas? Será que pelo fato de todos adotarem o sistema de jogo empregado pelas equipes da NBA fazem, ou vem fazendo de nosso basquete sinônimo de qualidade Made in USA? Agora mesmo um dos assistentes técnicos da seleção está embarcando para um estágio de meses em uma equipe da NBA, quando deveria empregar todo essa verba em visitas pelos campeonatos europeus que estão no seu ápice,e nas horas vagas visitar os fantásticos museus,andar pelas cidades, e aprender um pouco da
sociologia de quem vamos enfrentar num futuro próximo.Faria um bem enorme esses conhecimentos a quem se propôe liderar e preparar equipes desportivas. O inicio é exatamente este,colocar em torno de mesas afora nesse enorme país os técnicos e professores, para que discutam e elaborem as políticas de formação e direção de equipes, que em conjunto com os arbitros elaborem adaptações às regras que beneficiem
a formação gradual de nossos jovens( sabem vocês que no Torneio da NCAA vigora a regra de 35 segundos de posse de bola? Atrazados eles,hein?),e que dessas associações emerjam os corretos dirigentes de que precisamos, e não os politicos que se locupletam. Quantas dúvidas encerradas em igual número de indagações. Quais as respostas? Que atitudes tomar? Tirar um curso intensivo de como se transformar em raposa? ou estabelecer algumas pequenas metas, traçando objetivos precisos e democráticos, sem falsos idealismos, mas com fundamentação e bom senso, e principalmente enlevados pelo genuíno e cristalino patriotismo desse grande atleta e cidadão brasileiro, Oscar, a quem rendo minha admiração, mas que da minha humilde trincheira e caminho percorrido aconselho-não entre numa luta sem retaguarda confiável, que é um sentimento de muitos e muitos anos, mesmo na discordância.Aliados de última hora”cambian con el viento”,que é o momento aguardado por toda boa raposa, pelo seu faro aguçado.Quando, daqui a alguns anos de trabalho e união nosso basquete
percorrer o caminho que o volei vem pecorrendo, apostando seriamente na técnica,na formação e nas lideranças, aí sim teremos munição para conquistar o pedaço, e que aqui pra nós,acontecerá naturalmente,sem precisar cortar caudas de raposas felpudas.

SEM SEQUER UMA LUZINHA NO FIM DO TÚNEL…

De ontem para hoje testemunhei três fatos marcantes no mundinho do nosso basquetebol.A importância dos mesmos será medida nos próximos dias, perante as possiveis reações e comentários que deles advirão.Comecemos pelo jogo na Argentina em que o Uberlândia venceu com méritos ao Atenas.Vimos com enorme satisfação o time brasileiro jogar como jogava seu técnico nos áureos tempos, com dois armadores, dois alas e um pivô, evoluindo com velocidade, drible sob controle e luta permanente nas duas tabelas. Somente o fato de utilizarem o sistema”moderno e internacional” de jogo,onde um armador inicia e desencadea as ações da equipe, é que anulou em muito o potencial da ação conjunta dos dois armadores se ambos estivessem mais próximos e mais ligados um ao outro. Mesmo assim,como um deles agia como ala,houve uma substancial melhora no controle dos fundamentos,principalmente nos passes e no drible. Creio que se derem continuidade ao que foi executado na Argentina, muito de evolução poderemos auferir no futuro. O segundo fato foi a ressucitação da APROBAS, associação de técnicos localizada em São Paulo, e que após um longo desaparecimento volta, com seus 60 associados ao cenário da luta. Recebi o email com a notícia, acompanhado do pedido de divulgação para sua implantação em caráter nacional. Já não era sem tempo de que movimentos dessa expressão se desenvolvesse entre nós, e espero que em vez de se dedicarem somente a clinicas e cursos, que se façam representar como
desenvolvedores e incentivadores de políticas regionais nos diversos segmentos em que os técnicos e professores atuam.Ligas estudantis e mesmo de clubes poderão ser organizadas sob supervisão dos mesmos, pois suas funções sócio-educativas os qualificam para esse trabalho.Tenho escrito muitos artigos sobre essas questões aqui nesse blog, e creio que o momento dessas mudanças já está amadurecendo, faltando somente decisão e coragem, ações estas que os politicos vem aplicando, com sucesso a bem da verdade, nos últimos 40 anos! O terceiro fato ocorreu hoje, com a notícia de
que reunidos em São Paulo os clubes que participam do Campeonato Nacional resolveram criar a Liga Nacional, para já começar no segundo semestre seu primeiro campeonato.
Nessa mesma noite, um dos vice-presidantes da CBB e presidente da FPB declara pela TV
que nada existe e que nada existirá sem o aval da CBB. O fato da lei que faculta a criação de Ligas está em vigor não abala nem de longe o poder impositivo e feudal da
CBB, e sabem porque? Porque têm a chave do cofre, e como na piada do patrício português que de tão eficiente era o segredo do seu, que jogou a chave fora.Essa
é a verdadeira briga, e parece-me ver a Lisa Minelli cantando em Cabaret o clássico
Money,money,money…! Não era o momento nem a ocasião, pois fica parecendo um movimento de NOVOS dirigentes contra ANTIGOS dirigentes, como se a salvação técnica do basquetebol nacional se efetuará com a troca dos mesmos. O que se tenta trocar é a
posse da chave do cofre, sob o suporte de que os novos mudarão os resultados pífios que temos alcançado nos últimos anos. Isso só seria possivel com o desenvolvimento de
pequenas ligas regionais unindo escolas e clubes, a Liga de Londrina é um exemplo dessa possibilidade,para aos poucos o trabalho de base sendo desenvolvido, estudado e quantificado em conjunto com as associações de técnicos, evoluirem para efetivas, seguras e fundamentadas tomadas de posição, aí de caráter político, que definiriam as grandes Ligas, que poderiam ser de clubes uma, e de universidades outra. Seria uma retomada com lastro suficiente para evitar que muitos aventureiros se apossassem da fatia maior do bolo. O momento atual só fará reforçar o que já existe, e o politico da CBB de plantão já deu o competente e arrogante recado, nada existe e nem aconteceu, pois ao contrário do patricio a chave está no bolso. Aguardemos…

DEU NO NEW YORK TIMES !

Na edição de hoje do NYT,na página esportiva,foi publicado um artigo que todo técnico deveria ler(http://www.nytimes.com/2005/03/14/sports/ncaabasketball/14jumper.htm).O título-The midrange jump shot:A lost art that only wins games-Trata-se de um artigo que aborda o ressurgimento do arremesso de dois pontos como arma decisiva para as vitorias,e que foi o ponto de partida para muitos dos classificados para as finais do campeonato universitário dos EEUU. Tenho debatido exaustivamente através este site da importância dos técnicos para a manutenção, e mesmo a sobrevivência do basquetebol como veículo sócio-educativo em permanente evolução, principalmente nas divisões de base,onde as técnicas fundamentais são a salvaguarda da modalidade enquanto desporto. E é nesse imenso campo de pesquisa e prática constante que as equipes profissionais vêm abastecer suas hostes através os melhores praticantes, os melhores atletas. Os demais,não escolhidos, seguem suas vidas, garantidas pela boa formação que tiveram nas universidades. Estudar,treinar,jogar e se graduar são atividades que se complementam naquele sistema, que infelizmente não nos é permitido desenvolver por políticas governamentais dissociadas de nossas necessidades básicas.O artigo em questão nos leva a uma importante constatação, a de que a evolução das técnicas do basquetebol inexoravelmente passa através a experimentação acadêmica, para posteriormente alcançar o meio profissional. Enquanto nós cada vez mais afundamos
em sistemas que privilegiam os três pontos e as enterradas,nossos irmãos do norte,que
desde algum tempo reconheceram a grande perda de tentativas de arremessos de três pontos como um fator negativo no aproveitamento ofensivo, principalmente no confronto com defesas cada vez mais fechadas e combativas, retornam a aplicação de sistemas
que incentivam o arrêmesso de media distância, mais preciso e com menos impacto,o que propicia rebotes mais previsíveis e de curto ricochete.São movimentos que se espalham
como um rastilho através organizadas associações de técnicos, que os publicam às centenas, em vários órgãos de midia. Proponho a várias décadas que implantemos associações, participei inclusive das primeiras que tivemos, mas não houve continuidade, principalmente pelo desinterêsse proposital das entidades que comandam a modalidade. Professor, técnico, dirigindo,divulgando,ensinando e principalmente liderando setores normativos, administrando a formação e os campeonatos? Nem pensar, pois somos nós, os dirigentes, os políticos, que TEMOS de ter nas mãos o contrôle e as finanças do esporte nacional.Afinal de contas vamos viver de que? A lei atual permite a existência de Ligas, e por que não os técnicos em uma primeira etapa não se constituirem em associações regionais, para gerar uma nacional, e numa segunda etapa, organizados e fortes em torno de suas Ligas evoluirem para a conquista das federações, para aí sim sonharem com a CBB, e com dias melhores e conquistas maiores?E como vocês acham que os atuais dirigentes lá chegaram? Garanto que não foi através de geração expontânea, e sim de um bem urdido,longamente trabalhado esquema de favorecimentos e sem políticas transparentes, onde o fator “espirito do jogo” sequer foi, nem ligeiramente, defendido e abordado. Favores,benesses,viagens,mordomias, foram a moeda de troca até os dias de hoje.Mas que importa, ideais são para técnicos e professores…

PAPOS QUE NÃO DEVERIAM SER FURADOS.

A discussão do momento é a necessidade de serem criadas Associações de Clubes em torno de uma Liga Nacional,e a criação de Associações de Técnicos, ou mesmo um Sindicato de Jogadores.É um papo-furado que escuto a 30 anos, com a mais primária das constatações,NINGUÉM se apresenta DECISIVAMENTE para liderar tais movimentos, pois os mesmos são fundamentados, única e exclusivamente na credibilidade de quem os propõem, e credibilidade tem como estrutura básica a aceitação de uma liderança que desencadeará as discussões, que quanto mais democráticas forem, maiores as possibilidades de alcançarem sucesso em suas pretensões. O que se vê, e temos visto desde sempre é a proposição desses temas no meio de um tiroteio de interêsses e vaidades, frustrando de saída as possibilidades de entendimento e coesão. Ademais,todo esse emaranhado de futricas e propositais mal-entendidos só beneficia quem se mantêm no poder,e não é surprêsa nenhuma a sua ausência no fóco das discussões.Por que se arriscar discutindo quando se têm os ases nas mangas? Fala-se na Liga Nacional como a salvação do basquetebol,mas no fundo o que se disputa é a apropriação das verbas oficiais, de patrocinadores e da mídia.Com o dominio das mesmas nas mãos TUDO pode ser feito,desde a garantia de salários até o jogo político de influências, como alguns dos interessados já o fazem de a muito tempo. A importância política dos desportos sempre foi uma realidade para os iniciados, aí incluidos os militares pós mundial de futebol de 1970, aos prefeitos construtores de estádios suntuosos, passando pelos médicos que disputaram a tapa as verbas para os laboratórios de fisiologia do esforço, e que se especializaram em dobras cutâneas e débito de oxigênio, assim como os expertos e maquiavélicos empresarios que geraram a era do culto ao corpo, com a facilitação da formação dos professores de Ed.Fisica fora da área humanistica e lançados nos braços da formação paramédica.Centros de formação de administradores,como a FGV,mantêm cursos de MBA para essa área, que se tornou na galinha dos ovos de ouro de nosso tempo. Claro, com a exclusão da Escola e da educação integral e de qualidade.Mencionam o exemplo da Europa,da Argentina,dos Estados Unidos, que têm ligas fortes e organizadas, mas se calam e jamais mencionam que a base de tudo aquilo gira em torno de fortíssimas,coesas e decisivas associações
de técnicos, pois estes,ao contrário dos dirigentes, é que detêm o poder da continuidade do jogo, de suas regras,de seus conceitos, e principalmente de sua ética. Mas entre nós inexiste essa coesão, e sabem porque? Não? Então dou algumas pistas. Para começar definam quais critérios são empregados na escolha de técnicos de seleções nacionais, da formação à principal? São critérios técnicos ou políticos? E quanto aos administradores dessas seleções? São movidos pelo conhecimento da modalidade ou pelo conhecimento e importância política? Quais parâmetros técnicos são
desenvolvidos e incluidos na formação de nossos jóvens,tanto no aspecto regional como nacional? Como são formados nossos técnicos? Nossos árbitros? Nossos estatísticos?
Nossos preparadores físicos? Nossos assistentes? São muitas as perguntas, cuja única
resposta estaria incluida na união, se é que é possivel,dos técnicos desse país. Somente eles terão as respostas, darão seguimento às nossas tradições, defenderão o espirito e a essência do jogo,fundamentando o futuro. Anos atrás ajudei a fundar duas associações nacionais e uma no Rio,que foram sublimes enquanto existiram em torno de nomes como Antenor Horta, Moacyr Daiuto,Geraldo da Conceição, e muitos outros que exerciam verdadeiras e honestas lideranças. Foi uma época de realizações, tanto nas salas de reuniões, nas salas de aulas, como dentro das quadras. Muito foi conseguido,
mas a força dos políticos e da ignorância massificada em torno de influências mercadológicas fizeram que todo aquele esfôrço sucumbisse para o que aí está.Mas foi uma época de construção e não de papo-furado. Sugiro do fundo do coração que todos aqueles que amam realmente o basquetebol, basicamente os técnicos, se reunam,se unam em torno de mesas por esse Brasil afora, na certeza de serem os ÚNICOS que podem nos tirar desse atoleiro de três décadas. Depois disso ser concretizado, a Liga será mais
um dos elementos que comporão nosso futuro.Mas para tudo isso terão de ter peito, e
não vaidade e suscetibilidades anacrônicas e infantís. Levantem a bola, como os antigos fizeram, e dêem seguimento ao jogo. Amén.

UNIFORMIZAR A FILOSOFIA…

Agora é a vez dos rapazes.Reunem-se por dez dias,para entre outras coisas se submeterem a uma “uniformização de filosofia de treinamento e jogo”.Trocando em miúdos,serão submetidos a essa coisa que grassa no seio de nosso basquetebol nos últimos 20 anos e que só nos tem levado para o fundo do poço. Por que não reunir os técnicos, os verdadeiros, os que realmente entedem o jogo, os antigos também,por que não? Foram da época em que fomos campeões de tudo, que dificilmente perdíamos,quando jogavamos basquetebol, para em rodadas de discussão democrática nos ajudassem a reencontrar o caminho perdido? O que veremos é essa turma globalizada,que venera a NBA e sonha com ela permanentemente, que sequer se preocupa em pesquisar o que fomos, o que fizemos e o que conquistamos. Turma essa que qualifica nosso maior cestinha como o melhor jogador brasileiro de todos os tempos, e sequer avalia o fato de que o mesmo jamais jogou para uma equipe,e sim que as equipes jogavam para ele, queiram ou não seus mais ardorosos defensores, e que este fato não o desqualifica perante seu extraordinário poder ofensivo,mas que não pode ser definido como um parâmetro do coletivismo que caracteriza o jogo. Testemunharemos a continuidade do que aí está,medíocre,colonizado e profundamente anacrônico. Teremos nossos longilíneos e velozes pivôs encaminhados a técnicas de musculação, ditadas por gente que se intitula expert na formação de massas disformes, porém adequadas aos sonhos de batalhas em baixo das cêstas, em cópias canhestras dos pivôs americanos e alguns europeus.Se seus ainda frágeis joelhos aguentarão é outra conversa, pois não é atôa que a maioria das contusões de nossos pivôs se localizam nos joelhos. Veremos nossos talentosos armadores se transformarem em passadores de bola e corredores de maratonas em quadra,estando permanentemente fora do fóco das jogadas,mas centrados em suas performances de cestinhas.Pior para os alas,que se manterão na situação de indefinição tática em um sistema de jogo que delega aos mesmos as funções
de pontes,de passadores de bola e de arremessadores em desespêro de causa. Não é coincidência que na maioria dos estouros de tempo de posse de bola a mesma esteja
nas mãos de um ala. Enfim, com essa atitude de “uniformização filosófica”, retira-se
das mãos dos técnicos desses jovens as possibilidades de que os mesmos tenham a oportunidade de testarem outros caminhos, outras soluções técnicas.Ficou estabelecido
em nosso país que somente um pequeno grupo de técnicos detêm os segredos e as verdades do treinamento, mas não é o que vemos nas seleções, onde armadores não armam
pois sequer sabem o valor do drible, alas que se progredirem com a bola tropeçarão na mesma e pivôs que por sua lentidão sequer se situam para os rebotes ofensivos,já que abrem para além da linha dos três pontos para servirem de passadores de bola.De defêsa então nem é bom falar.Uma preparação induzida a um sistema pré-estabelecido de jogo cheira a má fé,pois o contário é que deveria ser concretizado, a construção de um sistema de jogo que aproveitasse as talentosas características desses jovens, e que as mesmas fossem desenvolvidas ao máximo em treinamentos de técnica individual e coletiva, o que de muito foi relegado em nosso país.O que interessa é o sistema, recurso covarde de técnicos despreparados e pretenciosos, que se acham donos de uma verdade que nem os grandes mestres ousavam requerer. Outro dia um jovem me escreveu pedindo uma orientação para a sua dificuldade de driblar com marcação rígida,e enviei a ele dois exercicios que tem por finalidade treiná-lo na arte de criar espaços onde aparentemente não existem, que é a chave dos grandes dribladores. Um dos motivos que
torna muito dificil o aproveitamento daqueles grandes jogadores do street ball americano pelas equipes da NBA, é o fato de que os mesmos somente criam esses espaços
executando o drible fraudulento,ou seja,aquele que é interrompido frequentemente em sua trajetória,a fim de dar tempo para as mudanças de direção e criação de espaços,como vem sendo aplicados por muitos de nossos armadores. Mas a febre do street ball já vem sendo incentivada entre nós dentro dos preceitos americanos,esquecendo nossos luminares que aquela forma de jogar visa exclusivamente o espetáculo, o aspecto financeiro e de sobrevivência de jovens marginalizados.Como seria formidável que a CBB reunisse os técnicos pare que os mesmos discutissem novos caminhos, que ensinassem os mais jovens e que formassem a ala desenvolvimentista de
nosso basquetebol.Creio, porém que já estou sonhando demais. A nossa realidade é essa que aí está, GO AHEAD PASSING GAME!!

6 x 6 …UMA EFICIENTE ESTRATÉGIA.

Lá pelos idos dos anos oitenta estava no Fluminense treinando uma das melhores equipes que dirigi,a de Infanto-juvenis masculina, quando enfrentamos o Flamengo no ginásio do C.Municipal na preliminar dos adultos, perante uma grande platéia. Já naquela época adotava a formação de dois armadores e três pivôs móveis,todos em constante movimentação,com jogadas abertas à criatividade e improvisação em torno de uma formação básica, como o tema em uma reunião de jazz, fosse contra defesa individual ou zona. A equipe do Flamengo,muito alta adotava um sistema profundamente controlado pelo técnico, muito parecido ao que ocorre hoje em dia, onde a movimentação atingia altos graus de previsibilidade, dando oportunidade de defendermos em constante antecipação.Antes do jogo, reuni a equipe e combinamos uma estratégia para dificultarmos ao máximo as intervenções do técnico adversário no controle da equipe.Combinamos utilizar uma defesa extremamente atenta e com variações entre individual,zona e pressão a cada dois ataques que efetuassemos,para provocar os pedidos dos dois tempos a que tinham direito antes da metade do primeiro tempo,e que durante os mesmos a minha intervenção seria nenhuma,e que nossa equipe sequer se aproximaria do banco.Se conseguissemos, o técnico adversário só instruiria a equipe se pedissemos tempo,o que não pretendiamos fazer. A estratégia funcionou de tal maneira que os dois pedidos de tempo aconteceram com 5 minutos de jogo, o que facilitou em muito nossa vitória, desenhada naqueles minutos iniciais.No segundo tempo demos continuidade ao combinado,e foi a primeira vez que nenhum tempo foi pedido por mim em uma partida de campeonato. O técnico adversário ficou muito nervoso pelo fato da minha não participação durante os pedidos de tempo que fazia, como se fosse obrigatório tal participação, afirmando que haviamos faltado com a ética, que haviamos desrespeitado sua equipe.Esqueceu porém que cabe ao técnico traçar sua estratégia da maneira que melhor lhe convier,e não como o adversário determinar, e que treinos existem para preparar a equipe no conhecimento de suas potencialidades e nas dos seus adversários, ai incluindo o técnico. Em algumas situações adversas, onde
ao enfrentarmos equipes que se situam como poderosas e imbatíveis,principalmente quando atuam em seus ginásios,torna-se de capital importância analisarmos atentamente
como atua e se comporta o técnico adversário, pois qualquer equipe tende a se comportar como seu lider de fora da quadra, e se esse tiver um carater previsivel poderá dar margem ao emprego de estratégias bastante eficientes. Por isso sempre afirmo que em jogos dificeis não são confrontados 5 x 5 e sim 6 x 6.Mais recentemente,em 1997,quando dirigia a equipe juvenil masculina do B.da Tijuca,fomos enfrentar o Fluminense nas Laranjeiras, na abertura da temporada.Repeti,com pequenas variações a estratégia de 80 ,com os mesmos resultados alcançados àquela época,e sofrendo as mesmas críticas por parte do adversário, o que me convenceu da pobreza que se instalou em nosso meio, esmagado que se encontra pela globalização que nos impuseram.Tornou-se pecado capital não comungar com a mediocridade que se instalou entre nós, e que cada vez mais escurece as mentes em torno do que designam como”basquetebol internacional”. Acabo de ler uma entrevista de um jovem pivô que entre muitos agradecimentos aos técnicos que o dirigiram destaca um deles que o convenceu a mudar de jogador 3(designio de um ala) para 4(ala-pivô)!Francamente,gostaria imensamente que me explicassem qual as diferenças,quais os limites de atuação entre as duas designações, o que pode ou não ser realizado,ou proibido entre ambas,a não ser a constatação de que não ensinam a nenhuma das duas o drible,as fintas e até os passes.Treinam a intimidação pela força, as enterradas e os rebotes em projeção obliqua, que constituem-se em faltas na maioria das vezes. Quando constatamos a ausência do ensino dos fundamentos mais especializados a jogadores na faixa dos dois metros,vemos como estamos mergulhados na falsa premissa das “battles under basket”,que caracterizam o basquete de nossos irmãos do norte.E pensar que nosso maior armador de todos os tempos começou como pivô,mas pelas suas qualidades de manejo inteligente da bola tornou-se armador,Amauri Passos,que sequer é convidado para passar suas experiências nas seleções que defendeu,sendo somente bi-campeão mundial e duas vezes medalhista olímpico, com pouco menos de dois metros de altura! Com muitos,ou a maioria dos técnicos brasileiros raciocinando em uníssono,planejar uma estratégia de 6×6 torna-se um prato feito para aqueles que os enfrentarem.Aliás, os argentinos já descobriram isso a algum tempo…

UNIFORMES E ADERÊÇOS.

Outro dia testemunhei um fato somente visivel quando acionei a câmera lenta do reprodutor de vídeo,por ter achado um tanto estranha a queda de um armador durante uma finta.Para minha surprêsa constatei que o mesmo havia tropeçado no próprio calção!Não acreditei, e a cada volta da fita lá estava a imagem do calcanhar se enroscando com a bainha do calção,que se estendia até os tornozelos.Seguindo a moda lançada por Michael Jordan,que usava largos calções para disfarçar a utilização de um outro calção por baixo do oficial de jogo,atitude supersticiosa por achar que teria sorte ao usar o calção com que se tornara campeão universitário pela North Carolina, implantou-se pelo mundo a moda do saiote,a moda que sugere a seus utilizadores os poderes extraordinários do inigualável Air Jordan. No mesmo compasso em que desportos como a natação,o atletismo e mesmo o voleibol adequam seus uniformes à leveza,à aerodinâmica e ao confôrto,o”basquetebol internacional” impinge por motivação muito mais econômica do que técnica este verdadeiro carnaval de mau gôsto e inadequação técnica em que se transformaram os uniformes de jogo. Engraçado que alguns atletas de ponta,como os míticos John Stockton, Pat Erwing e outros poucos, se mantiveram fieis ao modêlo tradicional e eficiente dos calções até o meio das coxas, que não prendiam seus movimentos e tornavam suas figuras elegantes sem perder a mobilidade. Na Europa já são esboçadas reações contra a imposição dessa moda Made NBA, ao contrário de nosso país em que cada vez mais os atletas se escondem atrás de metros e metros de tecido, como envergonhados de seus corpos, sufocando-os em um clima tropical no qual a economia nos tecidos deveria ser a regra geral. Aderêços nos braços e nas cabeças,com desenhos estaparfúdios fazem supor o quanto de tempo perdem em se auto-produzirem em vez de o utilizarem em treinos e estudos. Atletas de verdade e de qualidade,que irradiam cultura à juventude, não podem gastar seu tempo em videogames e salões de beleza, como vitrines ambulantes de nada, a não ser imitarem seus ídolos da NBA, estes sim com fortunas incalculáveis para gastarem com modismos,que em muitos disfarçam sua pobreza técnica. Não é por nada que a tendência ascendente de lançarem jogadores vindos diretamente das Escolas Secundárias no Draft da NBA já encontra sérias divergências no seio da sociedade e da imprensa esportiva americana, pela queda cultural e comportamental observada desde que a obrigatoriedade da passagem pelas equipes das universidades deixou de ser condição para o acesso à NBA. Mas como
continuamos a ser colonizados pela influência dos profissionais americanos,mesmo sem termos 1/100 avos das condições que eles tem, ainda sofreremos por um longo tempo os efeitos dessa submissão, até um dia em que tropeçaremos não com um dos calcanhares, e
sim com os dois nas bainhas dos calções. Recordo com grande emoção quando em 1969 trouxe a equipe feminina do CPP de Brasilia para disputar os Jogos da Primavera patrocinados pelo Jornal dos Sports com enormes sacrificios e gastos.No dia da estréia uma das melhores jogadoras, Edilma,me confidenciou que não havia trazido seus tenis que haviam se rompido no último treino. Fizemos uma pequena coleta e compramos um par do popular Conga. E com eles jogou e terminou como a cestinha da equipe, que foi a campeã,além de competir e vencer os 200 metros na pista do Célio de Barros no dia seguinte.Uniformes e calçados são complementos importantes em qualquer equipe de competição, mas quando se transformam em elementos prioritários,mercadológicos e de auto-projeções, determinam que o fator qualidade técnica se encontra em segundo plano, que é a nossa posição no panorama atual. Muitos de nossos jovens atletas se preocupam mais com suas aparências perante a mídia do que o treinamento dos fundamentos do jogo, estes sim,que farão deles jogadores prestigiados e respeitados, é claro, por quem entende de basquetebol.

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