6 x 6 …UMA EFICIENTE ESTRATÉGIA.

Lá pelos idos dos anos oitenta estava no Fluminense treinando uma das melhores equipes que dirigi,a de Infanto-juvenis masculina, quando enfrentamos o Flamengo no ginásio do C.Municipal na preliminar dos adultos, perante uma grande platéia. Já naquela época adotava a formação de dois armadores e três pivôs móveis,todos em constante movimentação,com jogadas abertas à criatividade e improvisação em torno de uma formação básica, como o tema em uma reunião de jazz, fosse contra defesa individual ou zona. A equipe do Flamengo,muito alta adotava um sistema profundamente controlado pelo técnico, muito parecido ao que ocorre hoje em dia, onde a movimentação atingia altos graus de previsibilidade, dando oportunidade de defendermos em constante antecipação.Antes do jogo, reuni a equipe e combinamos uma estratégia para dificultarmos ao máximo as intervenções do técnico adversário no controle da equipe.Combinamos utilizar uma defesa extremamente atenta e com variações entre individual,zona e pressão a cada dois ataques que efetuassemos,para provocar os pedidos dos dois tempos a que tinham direito antes da metade do primeiro tempo,e que durante os mesmos a minha intervenção seria nenhuma,e que nossa equipe sequer se aproximaria do banco.Se conseguissemos, o técnico adversário só instruiria a equipe se pedissemos tempo,o que não pretendiamos fazer. A estratégia funcionou de tal maneira que os dois pedidos de tempo aconteceram com 5 minutos de jogo, o que facilitou em muito nossa vitória, desenhada naqueles minutos iniciais.No segundo tempo demos continuidade ao combinado,e foi a primeira vez que nenhum tempo foi pedido por mim em uma partida de campeonato. O técnico adversário ficou muito nervoso pelo fato da minha não participação durante os pedidos de tempo que fazia, como se fosse obrigatório tal participação, afirmando que haviamos faltado com a ética, que haviamos desrespeitado sua equipe.Esqueceu porém que cabe ao técnico traçar sua estratégia da maneira que melhor lhe convier,e não como o adversário determinar, e que treinos existem para preparar a equipe no conhecimento de suas potencialidades e nas dos seus adversários, ai incluindo o técnico. Em algumas situações adversas, onde
ao enfrentarmos equipes que se situam como poderosas e imbatíveis,principalmente quando atuam em seus ginásios,torna-se de capital importância analisarmos atentamente
como atua e se comporta o técnico adversário, pois qualquer equipe tende a se comportar como seu lider de fora da quadra, e se esse tiver um carater previsivel poderá dar margem ao emprego de estratégias bastante eficientes. Por isso sempre afirmo que em jogos dificeis não são confrontados 5 x 5 e sim 6 x 6.Mais recentemente,em 1997,quando dirigia a equipe juvenil masculina do B.da Tijuca,fomos enfrentar o Fluminense nas Laranjeiras, na abertura da temporada.Repeti,com pequenas variações a estratégia de 80 ,com os mesmos resultados alcançados àquela época,e sofrendo as mesmas críticas por parte do adversário, o que me convenceu da pobreza que se instalou em nosso meio, esmagado que se encontra pela globalização que nos impuseram.Tornou-se pecado capital não comungar com a mediocridade que se instalou entre nós, e que cada vez mais escurece as mentes em torno do que designam como”basquetebol internacional”. Acabo de ler uma entrevista de um jovem pivô que entre muitos agradecimentos aos técnicos que o dirigiram destaca um deles que o convenceu a mudar de jogador 3(designio de um ala) para 4(ala-pivô)!Francamente,gostaria imensamente que me explicassem qual as diferenças,quais os limites de atuação entre as duas designações, o que pode ou não ser realizado,ou proibido entre ambas,a não ser a constatação de que não ensinam a nenhuma das duas o drible,as fintas e até os passes.Treinam a intimidação pela força, as enterradas e os rebotes em projeção obliqua, que constituem-se em faltas na maioria das vezes. Quando constatamos a ausência do ensino dos fundamentos mais especializados a jogadores na faixa dos dois metros,vemos como estamos mergulhados na falsa premissa das “battles under basket”,que caracterizam o basquete de nossos irmãos do norte.E pensar que nosso maior armador de todos os tempos começou como pivô,mas pelas suas qualidades de manejo inteligente da bola tornou-se armador,Amauri Passos,que sequer é convidado para passar suas experiências nas seleções que defendeu,sendo somente bi-campeão mundial e duas vezes medalhista olímpico, com pouco menos de dois metros de altura! Com muitos,ou a maioria dos técnicos brasileiros raciocinando em uníssono,planejar uma estratégia de 6×6 torna-se um prato feito para aqueles que os enfrentarem.Aliás, os argentinos já descobriram isso a algum tempo…



2 comentários

  1. Mylena da Silva 02.11.2010

    Eu quero saber as melhores estrategias de um pivô, pq eu jogo no time que se chama ATOS e meu treinador que se chama Sebastia reclama muito pq eu mim esqeço de fazer proteção de rebote e mim tbm do meu pé de apoio !! eu tento fazer o possivel estudando as taticas estrategias e a logica pra mim num ficar levando grito num treino pq eu treino todo dia ai que é pior mesmo!!
    kkk’ por favor mim ajudar

  2. Basquete Brasil 02.11.2010

    Prezada Mylena,não ficou claro em que faixa etária vocÊ se situa, se na base, ou em equipe adulta. Se na base, toda a responsabilidade de suas deficiências técnicas se deve ao maior ou menor interesse que seu técnico dispende no ensino dos fundamentos, ou mesmo, o pleno conhecimento dos mesmos. Se em divisão adulta, as responsabilidades são divididas entre seu técnico e você, pois de alguma forma a ausência de conhecimentos básicos em ambos levam a esse tipo de cobrança. Em última instância, tente um outro técnico, ou procure você mesma uma saida para essa situação de aprendizagem. Cobranças agressivas e infundadas podem deixar marcas indeléveis.
    Um abraço, Paulo Murilo.

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