O POSSÍVEL AMANHÃ…

Desde algum tempo, e face à progressiva decadência do desporto de base no país, me perguntam insistentemente, que providências encaminharia ao poder público, a fim de serem estudadas e analisadas junto a sociedade civil, na busca de soluções factíveis a nossa realidade de país carente de recursos voltados a educação física e ao desporto, como manifestações de extraordinária importância na formação plena de nossa juventude, em conjunto com as disciplinas tradicionais, as artes, a música, o teatro e a dança, que é um direito constitucional de todo cidadão brasileiro, queiram ou não os dirigentes e os políticos deste imenso, desigual e injusto país…

Sendo na Educação Física e o Desporto a minha formação básica, como professor e técnico em todos os níveis e graus de escolaridade, do primário à universidade, face à licenciatura plena, assim como o profundo envolvimento na área clubística, da formação de base até a elite junto ao basquetebol, por mais de 50 anos de árduo trabalho, estudo, pesquisa e ação direta na formação dos futuros professores de educação física na UFRJ, Universidade Castelo Branco, UERJ e UFF, complementando minha educação com o bacharelato em Jornalismo Audiovisual, e o Doutoramento em Ciências do Desporto na FMH/UTL de Portugal, sinto que posso sugerir algumas providências que auxiliariam substancialmente o desenvolvimento da educação física e os desportos no país…

Para tanto, devo me reportar ao início da hecatombe que se abateu sobre a formação dos futuros professores de educação física e desportos, quando em 1972, sob a direção da Profa. Maria Lenk, foi estabelecida a transferência da EEFD/UFRJ do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, para o Centro de Ciências da Saúde daquela instituição (eramos na ocasião, eu e o Alfredo Gomes de Faria acessores da Maria Lenk, demissionários pela decisão), com a justificativa de que a educação física somaria um mais elevado status profissional se ligada a área médica, dando início ao ciclo da saúde integral, mais tarde transformada em culto ao corpo, originando o bacharelato e o inacreditável CONFEF/CREF, à imagem do Conselho de Medicina, transformando as escolas de educação física em praticamente centros de formação de paramédicos, pois seus currículos prioritários de créditos de disciplinas desportivas, com suas didáticas específicas, foram sendo minimizados em beneficio de disciplinas biomédicas, justificando o aparecimento do bacharelato na área, fortalecendo e abastecendo a indústria do corpo com mão de obra estagiária barata, hoje largamente disseminada pelo país, com suas holdings de suntuosas academias, utilizando-os a granel e preço baixo, num negócio que já movimenta mais de 20 bilhões anuais, não interessando ao mesmo a implementação e desenvolvimento da educação física escolar, arriscando um mercado de tal monta e estratosféricos lucros, daí suas incursões na área das licenciaturas, origem do professorado, e não somente bacharéis e provisionados, definidos como profissionais de educação física…

Com os currículos minimizados nas disciplinas desportivas, como preparar melhores professores para as mesmas, como desenvolvê-los nas disciplinas da licenciatura com tão poucos e parcos conhecimentos, como? O resultado a longo prazo (e já lá se vão 46 anos desde a trágica opção) se faz sentir com a perda e clara decadência do ensino dos desportos junto aos jovens, nas escolas e nos clubes, pois muitos dos responsáveis por essa básica tarefa, foram sendo transformados dai em diante em “professores” após seu tempo como praticantes, além dos muitos que foram, e continuam sendo “provisionados” pelo sistema CONFEF/CREF por todo o país, que não satisfeito ousa, com algum sucesso político, influir na formação universitária, seus currículos, e nos concursos públicos municipais, estaduais e federais, condicionando o ingresso aos mesmos ao registro no cref, numa atuação diretiva a que não deveria ter direitos, pois teima em investir na área educacional quando estruturado como controlador qualitativo dos “profissionais de educação física”, como tentam definir os licenciandos das escolas de educação física, nivelando-os aos provisionados que avaliza, e os bacharéis, abastecedores do bilionário mercado da indústria do corpo, e que teria de ser alijado da pretensão absolutista do controle qualitativo dos licenciados, dos professores, haja vista a não existência de conselhos nas demais disciplinas dos currículos escolares, gerando a pergunta mais enfática – por que somente existe um conselho federal na disciplina de educação física, por que? Creio que o exposto acima responde com folga a este questionamento, ou não?

Hoje mesmo, o Confef publica em página inteira no jornal O Globo uma publicidade oportunista e falaciosa, pois o eleito presidente da república não é formado em curso superior de educação física, e sim qualificado como instrutor em curso de um ano, quando oficial do exército, pela EEFEx, que forma também monitores quando sargentos, para atenderem as exigências físicas das tropas nos quartéis, onde em muitos deles atendem jovens da periferia e organizam colônias de férias em suas bem cuidadas instalações, muito bem administradas, deve ser dito, e que durante os governos militares também recebiam o registro “D”, equivalente aos licenciados, que os qualificavam para o ensino escolar e universitário, hoje não mais existente. Trata-se a publicação da página do Comfef de uma jogada política oportunista, e que tem como razão maior sedimentar e dar impulso a sua conquista prioritária, o domínio total da indústria do culto ao corpo com seus vultosos lucros, onde o desenvolvimento pleno da educação física e do desporto escolar ao desviar um número significativo de utentes de suas majestosas academias, deve ser mantido no estágio falimentar atual…

Então, como primeiro passo para reencontrarmos o caminho para um melhor ensino da educação física e os desportos nas escola e nos clubes, se torna prioritário e obrigatório a volta dos cursos de educação física para os Centros de Ciências Humanas, berço formador de professores, deixando para trás os Centros da Saúde, que já se locupletaram com o rentável naco da fisioterapia, reintroduzindo prioritariamente os créditos das modalidades desportivas e pedagógicas, como de antanho, assim como reforçando a licenciatura e as práticas de ensino junto a escolas, e não academias. Acredito que num prazo médio obteriamos melhorias substanciais no ensino dos desportos, sem dúvida alguma…

Dada a grande dificuldade politico econõmica para a extinção do anacrônico e impositivo sistema Confef/Cref, que o mesmo se situe no “controle qualitativo” dos muitos e muitos provisionados que patrocinou e registrou por anos a fio, e dos bacharéis não credenciados com a licenciatura, até que o bom senso seja resgatado, que é o fator crucial que difere “profissionais” de professores de educação física, com sua formação avalizada e reconhecida por quem de direito, as universidades e o MEC, responsáveis de direito pela formação e graduação dos professores do país, e a quem cabe definir suas qualificações…

Outro fator de grande importância é o aparelhamento e atualização das dependências desportivas já existentes nas escolas, sem luxos. e sim com parcimônia e realismo, assim como a criação de parcerias com os inúmeros clubes sociais, que desenvolveram por muitos anos o desporto jovem, hoje ausentes do processo social desportivo, com escolas vizinhas desprovidas de instalações desportivas, em horários compatíveis, sem a necessidade de investimentos em locais inapropriados, a não ser a manutenção e melhria dos mesmos, beneficiando a ambos, alunos e utentes.

Outra boa perspectiva no âmbito do basquetebol, seria a de investir qualitativamente na ENTB da CBB, com um planejamento voltado a diversificação regional, atendendo a qualificação de futuros técnicos através o acompanhamento gradual na formação de base, atualizando-os localmente e através informações pela internet, classificando-os anualmente, atendendo a seus progressos no ensino, e não por títulos conquistados, critério este destinado eventualmente aos técnicos das divisões adultas, priorizando o mérito na formação de base, que é o princípio de tudo no desporto…

Finalmente, a reestruturação e despolitização da CBDU e da CBDE, encaixando-as numa política nacional de Educação Física e Desportos, visando o universo estudantil, sem dúvida alguma incrementaria o desenvolvimento de nossos jovens em seu ambiente natural, a escola e a universidade, complementada pela revigoração dos clubes.

Enfim, são soluções viáveis e de oneração compatível a realidade do país, bastando ser estabelecida uma autêntica e objetiva política voltada a educação física e os desportos visando a tão negligenciada juventude deste enorme, desigual e injusto país.

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal da participação  feita no Congresso Brasileiro de Justiça Desportiva, realizado em Florianópolis em setembro de 2015, onde expus alguns dos pontos aqui abordados nesse artigo, e reprodução do jornal O Globo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

QUE OS DEUSES NOS PROTEJAM…

Nessas duas primeiras rodadas do NBB 11, consegui, com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e como, invariavelmente acontece, me coloco na contramão da mídia dita especializada, pois os comento como professor e técnico de basquetebol em todos os parâmetros exigidos pelas funções, e não como torcedor, consumidor, entusiasta, ou mesmo comentador de uma modalidade complexa e altamente refinada como o grande jogo deve ser encarado e esmiuçado, sem as chutações a que é submetido no processo osmótico daqueles que o foram apresentados outro dia, sem contar as transmissões ufanistas e empoladas em termos “de como dizem os americanos”, como se isto fosse a nossa verdade do grande jogo, num colossal erro de falsa percepção e conhecimento profundo do mesmo…

Impressionante as elucubrações técnico táticas que são lançadas a esmo pela rede, pela TV, pelos blogs, e o que é mais tragicômico, sem um mínimo de autenticidade, pois comentam jogos rigorosamente iguais, praticados por equipes que se emulam freneticamente, onde americanos meia boca ditam suas normas individualistas (pranchetas? Ha, sei…), elevando o sistema único ao patamar supremo da mesmice endêmica a que pertencem, todos, rigorosamente todos, numa incômoda, precária e lastimável repetição do nada a que estão atrelados, dentro, e o pior, fora das quadras, bastando observar estupefatos os desconexos rabiscos nas midiáticas pranchetas desde sempre, a desenfreada hemorragia nas bolinhas consentidas e incentivadas pelos estrategistas, resultantes da ausência defensiva generalizada (logo falseadas), que retomam sua predominância em jogos, como Joinville e Pinheiros, onde 73 arremessos de três foram realizados (30/43), contra 45 de dois pontos (25/20), numa demonstração tácita do descaminho em que enveredamos a cada rodada que passa, realocando na cabeça do Petrovic sua maior preocupação em termos de seleção, de equipe enfim – como encarar de frente essa situação, combatendo-a, ou aderindo, como fizeram  seus colegas estrangeiros que o antecederam? – com os resultados que conhecemos, tristes resultados, e mais tristes ainda, catastróficos, a continuar grassando essa absurda autofagia…

Os erros de fundamentos continuam na faixa dos 27,2 por jogo, com somente uma partida abaixo dos 20 erros, Mogi 97 x 83 Pinheiros com 15 (num jogo de ontem o comentarista mencionou os 20 erros de uma das equipes como uma tragédia, no entanto classificou o jogo como um “partidaço” digno de nossas melhores tradições), sendo que um deles vem se avolumando perigosamente pelas mãos de armadores, categorizados ou não, que “conduzem” a bola abertamente no drible (cometendo a infração de andar com a bola, já que interrompem deliberadamente a trajetória da mesma em direção ao solo) , facilitando e exequibilizando jogadas e fintas mirabolantes, que sem a utilização desse estratagema ilegal, jamais se concretizariam, sem que os juízes os impeçam como deveriam fazê-lo. Aliás, lembremos que num jogo em Mogi do ano passado, a dupla de comentaristas Cadum e Boracin, mencionava aos risos que se as conduções fossem penalizadas, nenhum jogo nosso andaria, relato esse vindo de dois de nossos melhores armadores, inclusive de seleções nacionais…

Mas o mais frustrante, é ter de presenciar o “ritual” em torno do estrategista a cada tempo pedido, quando o mesmo se reúne com seus assistentes confabulando estratégias (que se treinadas dispensaria tais e inócuas reuniões), ter sua cadeira (trono?) colocada por um deles em frente aos jogadores, sua prancheta entregue por outro, para ao fim do discurso e dos rabiscos, devolvê-la, senhorialmente. Simplesmente constrangedor…

Acredito firmemente que, nem tão cedo veremos progressos em nosso infeliz basquetebol, investidor pesado em marketing, imitação (que não deveriqa ser assim) pífia da matriz, penduricalhos disfarçados em lazer, e arenas cada vez mais vazias, esquecendo a mater tarefa para desenvolver de verdade o grande jogo em nosso imenso, desigual e injusto país, o investimento maciço e estratégico na formação de base e de técnicos, entregue a quem tem competência de planejá-lo, orientá-lo e liderá-lo, também na elite, para servir de exemplo balizador aos que se iniciam, priorizando um maior envolvimento com os fundamentos do jogo, e o emprego de sistemas ofensivos e defensivos diferenciados, e não essa mesmice endêmica escancarada, descaracterizada e robotizada da nossa realidade, camuflando-a com um pastiche imitado, servil e colonizado do que, por força de um mercado voltado ao lucro, nos impingem desenfreadamente, e de fora para dentro. Acredito, honestamente, que temos muito mais a mostrar e demonstrar técnica e taticamente no mundo do grande jogo (já fomos grandes, lembram?), que não seja o que aí está, carcomido e absolutamente medíocre, onde nossos melhores prospectos são lançados além fronteiras às feras ainda púberes, com precário preparo estudantil (muitas vezes nem isso…), manipulados por agentes e empresários ávidos por lucros imediatos, a que preço for, tendo o apoio de uma mídia mais ávida ainda do reconhecimento de suas abalizadas, imprecisas e interesseiras projeções, muitas vezes incultas e irresponsáveis, vide o que vem acontecendo com nossos “craques” no mercado selvagem do basquetebol internacional, a começar pela matriz, onde sequer conseguem se manter 5 minutos em quadra, sendo descartados no varejo de um mercado que não perdoa a má formação de base, enquanto por aqui gasta-se muito dinheiro com estrangeiros de terceiro/quarto níveis (uns poucos se salvam, a começar pelos hermanos), participantes de um festim, onde o sistema único nivela jogadores, técnicos, diretores, jornalistas e torcedores, em torno de uma formatação e padronização aceita por todos, pois mantenedora de suas posições, empregos e discutíveis prestígios, se confrontados com a dura realidade internacional…

Sim, consegui com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e, sinceramente, preferiria não tê-lo feito, a fim de não sentir o triste desprazer de ter postado a matéria acima , mas convenhamos, alguém teria de fazê-lo, principalmente se realmente se interessa e ama o grande jogo bem formado, treinado, discutido e, acima de tudo, bem jogado, pois lá se vão 14 anos de Basquete Brasil, esta humilde e democrática trincheira em defesa de todo um corolário de conhecimentos factíveis e responsáveis, ao largo das chutações e achismos modais, anônimas ou não… 

Que os deuses nos protejam…

Amém.

Fotos – Conferência de abertura do 3o Congresso Mundial de Treinadores de Lingua Portuguesa, Lisboa julho de 2009 (video).

– Divulgação CBB. Clique duas vezes nas mesmas para ampliá-las.

O ONTEM, O HOJE, E O AMANHÃ…

Me dei um tempo, até pensei prolongá-lo definitivamente, pois sinto cansaço extremo frente a tanta mediocridade, consubstanciada pela massacrante mesmice endêmica que nos agrilhoou, creio que por mais um ciclo olímpico, espelhada nessa vitória da seleção sub 21 no sul americano concluído no domingo passado, não que eu não a parabenize, já que conquistada na casa dos hermanos, vencendo-os por duas vezes de forma inconteste, onde bons e promissores jogadores se destacaram, lutando com denodo e entrega, mesmo que amarrados e sucumbidos por um sistema único globalizado, irmanado agora à moda dos longos arremessos, numa cópia canhestra do que pior se faz lá fora, ou fazia, já que severamente contestada pelo progressivo desenvolvimento e aplicação de defesas potentes no perímetro externo, premissa essa solenemente negada por nós em campeonatos onde as estrelas mais cobiçadas são as estratosféricas bolinhas e as enterradas monstros, produtos de ausências defensivas em ambos os perímetros, desde a formação de base, cujo resultado mais recente aconteceu em terra hermana…

Definitivamente adotamos a convergência como estratégia de jogo, seja ele qual for, independendo de faixa etária, sexo, ou qualquer que seja as classificações possíveis, mesmo que contundentemente criticada pelo selecionador master, Petrovic, em sua primeira entrevista dada em terra tupiniquim, quando afirmou não compreender a enxurrada de arremessos de três adotada e praticada no nosso basquetebol, com a mais plena anuência de treinadores e estrategistas, responsáveis e coniventes, coroada agora no sub 21 campeão, dirigida pelos seus dois assistentes técnicos, que passaram um recado mais do que claro do que pensam a respeito, já que aplicado em quadra, vencendo a competição, sugerindo um determinismo contrário ao posicionamento técnico tático do croata, numa contundente repetição do que ocorreu com seus dois antecessores, estrangeiros como ele, ficando em suspenso uma solene indagação – Perante a importante conquista, mudará seu posicionamento de décadas no basquetebol europeu, ou aderirá saltitante a moda imposta, ou sugerida por seus mais diretos colaboradores?…

No jogo final de domingo, enquanto a equipe argentina se desdobrou nas coberturas externas contestando os longos arremessos de nossos brazucas, conseguiu se manter à frente do placar, no entanto, acumulou muitas faltas pessoais nas tentativas de barrar o forte jogo interno dos bons e fortíssimos alas pivôs brasileiros, fator este determinante para sua derrota, já que no quarto final perdeu sua força reboteira, deixando-se vencer por 8 pontos, e sem nunca ter tentado marcar os pivôs pela frente, que é a certeza mais absoluta do que acontecerá nas competições mais duras daqui para diante, já que aos poucos a realidade de que trocar possibilidades de penetrações que valem 2 pontos, ao longo de uma dura partida, se torna mais rentável do que abrir a porteira dos 3 pontos, pela quantidade que forem as tentativas…

E os números não mentem, ao contrário, escancaram a dura realidade de uma forma midiática de jogar, onde a evolução natural de técnicas defensivas, sem a menor dúvida, estancarão essa hemorragia autofágica promovida por quem ouviu o galo cantar e se encontra perdido sem saber de onde ele vem, afinal de contas copiar o que aparente e rapidamente dá certo, cai melhor do que ir fundo no grande jogo, algo desconhecido e tabu para a maioria daqueles que se intitulam estrategistas, já que técnicos e professores não o são, de forma alguma, ao omitirem seus saberes, principalmente no ensino dos fundamentos do grande jogo…

E os números? Aí vão:

– Nos 6 jogos classificatórios (tentativas certas e erradas das equipes):

– 2 pontos – 156/324   48,1%

– 3 pontos – 102/297  34,3%

– L Livres  – 97/133 72,9%

– Erros      – 136 22,6 pj

– Nos 4 jogos mais significativos – Argentina-(2),Uruguai e Chile (Idem):

– 2 pontos –   83/224 37,5%

– 3 pontos –   59/171 34,5%

– L Livres  – 66 / 86 76,7%

– Erros      – 75  18,7 pj

– Jogo final:

– 2 pontos –    36 / 73 49,3%

– 3 pontos –    21 / 60 35,0%

– L Livres  – 25 / 33  75,8%

– Erros      – 25

 

O que eles dizem? Que na classificação, a presença das fracas equipes do Paraguai e Peru, fizeram aparecer mais arremessos de 2 pontos (48,1%), suplantando os de 3 (34,3%), mas mesmo assim, no jogo contra o Uruguai, vencido por 3 pontos, a seleção nacional arremessou 15/34 de 2 e inacreditáveis 17/43 de 3, continuando sua saga artilheira perpetrando 38 bolinhas contra o Chile (vencido por 4 pontos), e 30 contra a Argentina, vencendo por 12 pontos. No jogo final, a seleção arremessou 29 bolas de 3, e a Argentina 31, sendo este o único jogo em que a equipe arremessou abaixo de 30 nas indefectíveis bolinhas. Vejam que nas três tabelas o percentual de bolas de 3 se mantêm praticamente igual, ou seja, para cada 10 bolas arremessadas de fora do perímetro, somente 3,5 caem, num desperdício de energia ofensiva que, se bem administrada por defesas bem treinadas e postadas, anularão a tão decantada supremacia das bolas de 3, ação que a Argentina conseguiu nos três quartos iniciais da partida, cedendo no quarto final pela perda de seus homens altos na defesa interna, já que na externa vinham se saindo além da expectativa. E nesse ponto vale lembrar as continhas que tanto divulgo nos artigos antes publicados, ou seja – se a seleção substituísse a metade das bolas perdidas de 3 pontos por tentativas trabalhadas para os 2 pontos, venceria as mesmas partidas com diferenças que beirariam os 20 pontos, economizando esforço físico com eficiência pontuadora de 2 em 2, e se somarmos a estes números os graves erros nos fundamentos do jogo (com números acima de 16 na maioria dos jogos), onde as falhas nas contestações defensivas não são computadas (se fossem apontariam uma catástrofe a cada jogo), concluiremos que continuamos a trilhar o mesmo caminho obscuro e nem um pouco inteligente que nos lançou no limbo técnico tático que tanto nos prejudicou no concerto internacional, culminando na autopromoção burra e incompreensível de uma liderança revolucionária na concepção de um modernoso basquetebol, escravo vicioso da cópia canhestra de uma forma de atuar tecnicamente restrita a muito poucos jogadores, detentores de uma técnica superior e quase exclusiva no manejo direcional de uma bola de basquetebol, lançada de longas distâncias, fator este que ilustra com precisão alguns trabalhos e pesquisas acadêmicas muito sérias, nas quais incluo a tese doutoral “Estudo sobre um efetivo controle da direção do lançamento com uma das mãos no basquetebol”, defendida em 1990 na FMH/UTL de Lisboa, de minha autoria, com alguns tópicos aqui publicados, e ainda sem estudos que a contradigam na esfera internacional até a data de hoje…

Por que a menciono? Pelo simples, simplíssimo fato de que, frente ao desastre estratégico. a curto, médio e longo prazos, nada fazemos na preparação de base e nas quadras da elite, para evitarmos um equívoco tão descomunal, aquele de nos acharmos imbatíveis no jogo exterior, com seus “afastamentos e aberturas” e imprecisa artilharia se convenientemente contestada, caminho que começa a ser trilhado pelas melhores escolas de fundamentos mundiais, e que nos relegará a praticantes arrivistas de tiro aos pombos, sem a contrapartida de sólidos fundamentos e de preciso e forte jogo interior como opção primeira, postergando a bolinha infalível ao seu lugar de direito, como um recurso complementar, e não principal de uma equipe que preza o coletivismo agregador e uníssono, antítese do que praticamos…

Poderíamos começar pela salvação dessa geração de bons jogadores, reunindo-os numa equipe espelho, fonte de estudos práticos de uma séria ENTB, mantida pela CBB, participando do NBB, dando a seus jovens integrantes um treinamento sólido e evolutivo nos fundamentos básicos, destinando horas do dia para seus estudos em boas instituições de ensino médio e superior (oportunidade de uma relação da CBB com instituição privada de ensino, dividindo despesas), fator básico para seu futuro após os anos de competições, abrindo oportunidades, inclusive, para concluir sua formação em escolas do exterior. Seria uma conjugação de interesses esportivos, educacionais e culturais, inédito em nosso país, servindo de exemplo para o desporto escolar e universitário, clubístico também, pois após a cessão de um ou dois de seus jovens por no máximo duas temporadas, os teriam de volta mais maduros, e tecnicamente embasados, com tempo precioso de ação prática, e não esquecidos nos bancos de equipes recheadas de nomões escorados contratualmente em minutos a ser jogados, manipulados por interesses de agentes e franquias agregadas ao status quo vigente…

No vértice desta retomada, uma ENTB realmente representativa, e não avidamente buscada pela mesma coligação que domina o grande jogo desde sempre, ativando e desativando na mesma velocidade, associações de técnicos majoritariamente de um mesmo estado, alijando os demais de seus projetos hegemônicos e monetariamente atrativos, onde o comando baila pelas mesmas mãos, trocando somente as siglas que as denominam, esquecendo que o espírito de qualquer escola que se preze passa pelos conhecimentos de ontem, que sedimentam o hoje, e projetam o progresso para o amanhã, não importando de onde venham, onde o trabalho alicerçado pelo mérito, em tudo e por tudo, deveria ultrapassar os interesses, as trocas, e os favores requeridos por quem quer que fosse, prestigiando a qualquer custo o processo democrático e o direito ao contraditório, cernes do progresso equânime e constitucional de todos os envolvidos no processo de ensinar a ensinar. aprender fazendo, estudar e pesquisar todas as questões inerentes ao grande jogo, obrigatoriamente presencial, com apoio suplementar virtual. Assim deveria se constituir uma verdadeira Escola Nacional de Técnicos de Basquetebol.

Amém.

Fotos – Divulgação CBB, CABB, reprodução da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

  

O ÚNICO CAMINHO…

P1040088-001

Tem sido um novembro de muito trabalho em casa, na tentativa de colocá-la em ordem até o natal, depois dos muitos contratempos por que passei após o incêndio de março, mas aos poucos estou conseguindo dar conta da tarefa, além das demais que teimo desenvolver, como esse humilde blog, um tanto defasado, não só pelo curto espaço de tempo que disponho, mas, e principalmente, pela aversão que tenho desenvolvido pela mesmice endêmica que vem estrangulando inexoravelmente o grande jogo, pelo menos aquele que conheci, pratiquei, estudei, pesquisei e venho ensinando por cinco décadas…

Sem dúvida alguma paramos no tempo, em sua principal e determinante face, a da técnica de jogo, hoje mascarada por “avanços” midiáticos “like NBA”, com números circenses, bailarinas, pegadinhas, e outras mais tupiniquins, como narradores tonitruantes, ufanistas, festivos, futebolísticos, assessorados por comentaristas e entrevistadores que pouco informam sobre as técnicas do jogo, igualmente festivos, que se esmeram em recados de fans e números de ouvintes, e estrategistas sobraçando pranchetas solidamente compromissados com o sistema único de jogo, certamente o único que conhecem, num nicho onde os muito poucos que entendem do riscado se apagam frente a uma realidade marqueteira, mil anos luz afastados da essência do grande jogo, basicamente aquela que tanta falta nos faz neste decisivo momento, o de seu soerguimento, depois da formidável queda que o lançou num limbo atroz nos cenários caseiro e internacional…

Então, como perder precioso tempo assistindo o mesmo do mesmo ano após ano, onde a média de erros de fundamentos se mantêm no absurdo número de 27,2 por jogo na liga maior, e já nem mais falo da hemorragia crônica dos três pontos, com todas as franquias jogando da mesma forma, e que somente agora, dez anos depois de fundada, suas defesas começam a se antecipar às manjadas jogadas, principalmente por parte de alguns americanos mais escolados, propiciando algumas vitórias pontuais, porém muito aquém do desejável impacto modificador do padronizado e formatado modelo que aí está, medíocre, primário, escancarado a todos…

Ainda mais, analisando as estatísticas da LDB, com a média de 35 erros por jogo, com algumas partidas atingindo os inacreditáveis mais de 50 erros de fundamentos, absurdo dos absurdos. E querem soerguer o basquetebol dessa forma? Vão lá nas estatísticas e aufiram tais números, estarrecedores e comprometedores…

Treinam-se (?) táticas, sistemas, padrões e comportamentos, a jogadores que acima dos 17 anos simplesmente não sabem jogar basquetebol com pleno conhecimento e domínio de seus fundamentos básicos, todos se considerando especialistas nas bolinhas de três, e vem tais estrategistas posarem de doutores e conhecedores do grande jogo? Simancol B12 é pouco para essa turma graduada em cursos de 4 dias pela falida ENTB, e osmoticamente grudados em um ou outro luminar da modalidade, como se fosse possível incorporar seus incontáveis anos de conhecimento e trabalho duro em 2 ou 3 anos, e que desfila imponente como se a salvaguarda do grande jogo lhe pertencesse, todos calados e subservientes à sombra de um croata salvador…

Logo mais destinarei um tempinho para acompanhar a seleção em sua estréia nas qualificatórias ao Mundial de 2019 na China, jogando contra o Chile em terras andinas, sabendo de antemão como jogará, claro, dentro do sistema único, mais seguro quando tiveram somente uma semana de treinos, com talvez uma disposição defensiva mais enérgica, fator natural a todo namoro inicial entre comandante e comandados no primeiro encontro de uma competição desse nível, porém menos impactante graças a fragilidade conhecida do basquetebol masculino chileno. Talvez na segunda feira, quando enfrentaremos a Venezuela aqui no Rio, tenhamos um verdadeiro retrato do que nos espera daqui para diante, quando o técnico croata terá a oportunidade de aferir a nossa realidade, e do quanto terá de trabalhar para minorar nossas deficiências mais urgentes, sabedor que é da nossa deficiente formação de base, antítese da formação desenvolvida historicamente em seu país, que nos tinha num passado não tão distante assim, como rivais diretos, fruto da bela formação que ostentávamos e perdemos criminosamente nos últimos 30 anos…

Infelizmente temos de reconhecer que não será com penduricalhos midiáticos, ufanismos desenfreados, endeusamentos precoces, cópia deslavada e colonizada de uma matriz que somente nos quer como consumidores de seu bilionário produto, econômico, cultural e mercadologicamente interesseiro, que emergiremos do atoleiro em que nos encontramos, e sim, atuando fortemente na base colegial e clubística, nas pequenas e grandes ligas municipais, estaduais e nacionais, na criação e desenvolvimento de associações estaduais de técnicos, formando melhores professores e técnicos através substanciais incrementos e correções curriculares nas escolas de educação física, hoje mais voltadas a área da saúde, balizando e sedimentando o culto ao corpo, numa indústria bilionária capitaneada por holdings de academias para onde são direcionados seus formandos, vigiados e controlados por cref´s abusivos e equivocados, para os quais uma política nacional de educação física e desportos centrada nas escolas se torna altamente indesejada, por interferir no mercado milionário de jovens que jamais migrariam para suas hostes se pudessem usufruir de seu direito constitucional a uma educação de qualidade nas escolas e nos hoje quase dizimados clubes de bairros e comunidades…

Se o grande jogo quiser honesta e sinceramente sair de tão humilhante posição, precisa investir seriamente em qualidade, qualidade mesmo, e não escambo político, protecionismo interesseiro, para investir no conhecimento, no estudo e pesquisa de alto nível, no mérito enfim, abandonando de vez o imediatismo e as “ações entre amigos”, cujos resultados mancharam o brilhante histórico do nosso basquetebol. É o único caminho a ser percorrido…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

COLOCAÇÕES E REFLEXÕES…

10801580_416056811852694_60297652605880243_n-002

Hoje sugiro a releitura de dois artigos e respectivos comentários, num debate esclarecedor aqui publicados neste humilde blog, a saber:

ENFIM, DISCUTE-SE A ENTB/CBB (24/1/2011)

– DISCUTINDO UMA ESCOLA (18/9/2011)

Acredito ser este o ponto mais nevrálgico e delicado para que o basquetebol brasileiro reencontre seu caminho, a partir da formação de base consciente, responsável e estratégica, para o soerguimento do grande jogo no país. Leiam e reflitam sobre as colocações apresentadas e discutidas, e se possível deem seguimento aos debates, seis anos depois, e quem sabe, encontremos as preciosas respostas de que tanto precisamos.

Amém.

Foto – Arquivos do autor. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

TRISTE, MUITO TRISTE…

TRISTE, MUITO TRISTE...

Querido amigo Paulo, o mundo da bola laranja se liquefazendo apanhando feio e vergonhosamente em Medellin, o Brasília se mandando do NBB, o Caboclo cuspindo no prato que comeu, a ENTB sendo entregue a Estácio de Sá, e você mocó? Que houve, desistiu também?…

Depois de um telefonema neste desabusado teor, como me omitir de extravasar ao menos algumas linhas aqui neste humilde blog, como?…

Pois bem, vamos lá, e em primeiro lugar externando meu último sentimento ainda válido, o de não me privar da indignação, da mais pura e primal indignação, pela ignomínia pulsante que grassa no seio do grande jogo, em todas as esferas, da administração ao meio da quadra, da técnica fajuta e enganosa a tática absurda, questionável e equivocada, da crítica primária, ufanista e interesseira a realidade inquestionável dos resultados, escancaradamente jogados para o alto, num barata voa dantesco e autofágico, onde tudo e todos afundam abraçados, num naufrágio coletivo e desalentador…

Linhas e muitas linhas foram escritas ufanisticamente em torno dos jovens craques que emanaram da LDB (com suas equipes apresentando médias de 27,2 erros de fundamentos por jogo e uma cascata interminável de bolas de três), ascendendo equipes do NBB, e agora na Seleção, para gáudio e prazer de espertos agentes, mídia ufanista, oportunos estrategistas, torcedores encobertos pelo anonimato covarde e pusilânime em comentários nas redes da web, narradores e comentaristas se eximindo da crítica direta e objetiva dos reais fatos que destroem a credibilidade do grande jogo, optando pelo falso otimismo, todos, absolutamente todos afirmando contribuir para “o soerguimento do basquetebol no país”, porém omissos aos verdadeiros fatos que o corroem e aviltam desde sempre, num exercício bem conhecido da política e dos políticos que desgraçam este imenso e injusto país…

Caboclo é mais um destes falsos heróis produzido antes do tempo de uma maturação obrigatória e difícil, onde degraus básicos são transpostos aos pares, culminando com a pseuda definição de craque, que de tal modo se impõe, que não admite contestações, ficando a um passo da rebeldia, da não aceitação de comandos, afinal é um profissional(?) da NBA, que tudo pensa saber e agir, para, finalmente, e pela terceira vez em nossa pujante tradição basquetebolista, ser mais um a se negar entrar em quadra, se negar a defender a seleção numa competição oficial, fato que por si só o desqualifica para toda e qualquer convocação futura, sem maiores considerações, e que ele cobre de quem o assessora e orienta a tomar “decisões profissionais” sem o ser na acepção do termo, pois aos 21 anos já é um adulto, e não um jovem em formação, não mesmo…

Brasília se vai do NBB depois de falsa e erroneamente inflacionar o mercado de jogadores, como umas outras poucas franquias o fazem, tornando a médio prazo impraticável a manutenção do modelo sem a contrapartida dos títulos, desnudando de vez a precariedade dos reais valores apostos a jogadores medianos nada próximos aos valores a eles destinados, culminando com o estouro de uma bolha inflacionária incontrolável, num numerário comum ao mundo do futebol, em nada e por nada sequer parecido a realidade do basquetebol nacional. Aqui bem perto o basquete argentino tem um teto salarial definido e sustentável, e somente aqueles que o extrapolam por qualidades realmente de alta técnica emigram para o exterior, para ligas que sejam mais bem dotadas que a dela, simples assim…

P1150546

Enfim, e dolorosamente previsível, o basquete tupiniquim chegou ao fundo do poço técnico, já que o administrativo o tenha conseguido bem antes, e pela enésima vez afirmo que o técnico pouco tem a ver com o administrativo, pois na esteira do segundo se instalou no âmago do grande jogo um corporativismo técnico que deflagrou a mesmice endêmica do sistema único, que aí está perdendo de México, Porto Rico e vencendo a Colômbia de um ponto, e no feminino naufragando sem comiseração, tornando inviável e absurda a grita dos “entendidos” do grande jogo pela renovação com jogadores claudicantes e inseguros nos fundamentos, e téc…digo, estrategistas mais claudicantes e inseguros ainda nos conhecimentos mais básicos do jogo, tornando-os inócuos para o comando, agora midiaticamente substituídos por comissões que se reúnem a cada pedido de tempo, ratificando uma lastimável coerência, compromissada ao sistema único, apensa aos tais chifres de diversas matizes e polegares para cima ou para baixo, que seria o correto dentro da lógica romana, que ao direcioná-lo para baixo definiam o destino dos perdedores, lá primários, aqui contumazes…P1150548P1150547

Finalmente a ENTB, que planeja ser entregue a Estácio de Sá, conveniando um sistema de ensino a distância, isso numa atividade cujo aspecto presencial se torna imprescindível ao conhecimento prático e teórico de uma modalidade complexa e detalhista, em tudo e por tudo inadequada a um ensino desta natureza, num autêntico tiro no pé, bem a gosto daqueles que definem massificação pela distribuição pura e simples de informação, que é uma atividade complementar às técnicas de ensino e aprendizagem presenciais, e não a essência das mesmas, conforme pretendem e propalam. Será mais um equívoco, semelhante àquele de sua fundação quando foi comandada por um preparador físico, cujos resultados aí estão…

P1150552

Desculpe amigo insistente, mas não inconveniente, são essas as minhas dolorosas colocações, que já vêm de longuíssima data, bem antes da publicação deste humilde blog, propondo, inclusive, que uma saída para esta crise de identidade desportiva fosse debatida em torno de uma grande mesa, por todos aqueles que realmente viveram intensa e profissionalmente o grande jogo em sua mais autêntica essência, anos luz de semelhante proposta como algo inédito e proprietário de pessoas que nasceram ontem, mas julgam que o basquetebol nasceu com eles, pretensão oportunista e infantil, bem ao gosto dos que acham que o grande jogo somente será soerguido exclusivamente pela cabeça arejada dos jovens, esquecendo o princípio que fundamenta a experiência válida, aquela que tem de ser vivida, plena e profundamente vivida, e por isso mesmo menos vulnerável aos erros, os muitos e terríveis erros que tem desgastado e aniquilado o grande jogo, ou não, respondam, debatam, ou se calem frente a tais e contundentes evidências…

Amém, meus deuses, Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

TEM DE PONTUAR!!!!…

P1150487P1150488No artigo de ontem abordei as duas temáticas que, no meu ponto de vista, explicam com sobras o abismo em que nos enfiamos tecnicamente, muito mais amplo e profundo do que o aspecto administrativo gerencial que a mídia designa como o fator da hecatombe, responsabilizando-o pelo cenário que aí está escancarado a todos. Mas, e desde sempre, responsabilizo prioritariamente o fator técnico tático como o causador direto pela implantação da mesmice endêmica, contínua e teimosa que nos catapultou para baixo, e que somente a custo de enormes esforços, poderemos emergir a médio/longo prazo desse incomensurável limbo. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, agora técnicos e professores, não mais, e as pouquíssimas exceções pouco pesam nesta dolorosa realidade…

Esse jogo contra a Argentina desnudou as duas temáticas acima referidas, a do despreparo acintoso das jogadoras nos fundamentos do jogo, e a ausência proposital no ensino dos mesmos por parte da esmagadora maioria dos téc…digo, estrategistas que inundam a modalidade sobraçando suas infames e midiáticas pranchetas, espelhando através das mesmas seus mais estigmatizados equívocos, frutos do imediatismo e consentida cópia uns dos outros, emoldurados em um sistema único de jogar, onde até as posições dos jogadores são codificadas de 1 a 5, forçando-os a atuar encordoados, como fantoches manipulados de fora para dentro da quadra, descerebrados e sujeitos coercivamente aos rompantes circenses da grande maioria deles, numa busca incessante das lentes e microfones televisivos que os lançam na ilusória ribalta da fama passageira, esquecendo ou omitindo suas mais importantes e decisivas funções, a de educador e a de técnico de uma modalidade complexa, apaixonante e extremamente rica em saberes, aprendizagem e lições de vida…

Fico profundamente preocupado quando assisto um técnico exigir de suas jogadoras que “façam pontos”, “que pontuem”, que “precisam pontuar”, mas não indica os caminhos para satisfazê-lo, eis o ponto, pois ao não admitir afastar-se de seus “conceitos sistêmicos de via única”, perde o direito de exigir tal comportamento, ainda mais quando antecedendo aos exigidos pedidos esclarece “que não adianta somente defender se não pontuar lá na frente”, e tudo isso no comando de uma seleção nacional…

Que me perdoe o galardoado técnico, mas todo um trabalho minucioso de treinamento sugere conceitos de dupla via, onde toda e qualquer orientação e ensino técnico em uma equipe, terá de estabelecer respostas advindas da mesma, em ações e, principalmente, em diálogos esclarecedores e conclusivos, pois a ausência de qualquer um destes fatores geram dúvidas e em alguns casos, cisões muitas vezes incontornáveis, sendo que a mais grave e decisiva é a da negativa (explícita ou velada) ao comando, traduzida pela indiferença disfarçada pela falsa aceitação da liderança autocrática, o que muito explica certas “aventuras” de jogadores(as) mais experientes e vividos nas quadras…

Pelo exposto, é que sempre propugnei pelo preparo inicial dentro e através a prática intensa, geral e não diferenciada por posições para todos os jogadores nos fundamentos do jogo, inclusive como eficiente forma de preparação física comungada com a técnica, colocando-os num mesmo barco que precisa ser direcionado para um mesmo e uniforme destino, abrindo caminho para o conhecimento conjunto das habilidades e inabilidades de cada um, aspecto fundamental na adequação de sistemas de jogo ao nível médio do grupo e factível a todos, dando margem a individualidades e criatividade (que é a chave do improviso consciente) dentro da competição, e não ficando refém de um comando que simplesmente cobra eficiência de quem não possui as competências para atendê-lo em suas elucubrações táticas de via única. Por isso a importância do pleno conhecimento do domínio dos fundamentos de cada integrante de uma seleção, para aí sim, adequá-las a sistemas de jogo, corrigindo e ensinando os fundamentos, pois, ao contrário do que muito especialista no grande jogo afirma, não é pelo fato de uma seleção ser adulta ou de base, que não se possa ensinar ou aprender as técnicas corretas para a execução dos movimentos básicos individuais e coletivos do grande jogo, sendo  a negativa acintosa dessa evidência a responsável pelo mais baixo nível que alcançamos nas últimas três décadas nas competições nacionais, e por extensão nas internacionais também, sedimentadas na vergonhosa média de mais de 25 erros por partida, inviabilizando sistemas ofensivos e defensivos, sejam de que escola e tendências forem, avalizando o panorama cinzento que aí está, estabelecido, formatado e padronizado pelo corporativismo fechado e lacrado ao novo, ao instigante e a corajosas e solitárias tentativas práticas de se antepor a tanta cega e estupida mesmice…

Sairemos desta fossa? Com a palavra os estrategistas em permanente plantão, sobraçando seus impolutos alter egos, suas pranchetas…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O AMANHÃ…

P1150269

E o NBB9 chegou ao fim, com a equipe do Bauru vencendo o Paulistano por 92 x 73, num quinto jogo clone dos outros quatro, e de muitos outros, praticamente todos deste campeonato, onde a mesmice endêmica técnico tática imperou absoluta, sob o manto avalizador da liga e seus circundantes, dirigentes, técnicos, digo, estrategistas, jogadores, narradores, comentaristas, culminando numa festa onde um Billy Cristal tupiniquim desandou a emitir comentários e piadas, quase sempre sem graça e de péssimo gosto, atrapalhando e por pouco  quase estragando uma festa que deveria ser de basquetebol, e não de um desastrado vaudeville chinfrim, e que premiou uma seleção composta numa formação do sistema único, com um armador, dois alas e dois pivôs, afirmando e confirmando como “devemos jogar”, num recado bem claro aos jovens que se iniciam, porém sobraçando uma imensa incoerência, a de que a grande maioria das equipes atuaram com dupla e muitas vezes tripla armação, e os pivôs clássicos rarearam bem próximos a extinção, como que premiando a formação básica do sistema único, atuando com suas jogadas punho, polegar, chifre, etc, etc, num hibridismo lamentável…

Esqueceram, no entanto, de premiar com justiça, a chutação de três que atingiu neste NBB o sublime patamar da convergência endêmica, futuro objetivo maior de nossas seleções a continuarem sob a direção da turma corporativada que aí está a 30 anos, intocável e absoluta, com suas pranchetas midiáticas e absolutamente idiotas, mas “que falam”, segundo alguns, mas que na realidade nada dizem, a não ser serem a prova cabal do que ainda entendemos como comandar e liderar equipes tendo nas mãos uma caneta hidrográfica, palavrões, pressões nas arbitragens, chiliques ao lado das quadras, e não o verdadeiro conhecimento aplicado no treino, na preparação, no planejamento prático e inteligente, no estudo e na pesquisa responsável, no posicionamento ético para com o grande jogo e sua ascendência histórica, na busca permanente pelo novo, produto do passado, promessa para o futuro, somente alcançado pelo mérito, e não pelo QI institucionalizado refletido em sua trágica e pranchetada imagem…

Agora mesmo a CBB teve sua suspensão encerrada pela FIBA, quando terá pela frente a sublime tarefa de soerguer nosso tão maltratado basquetebol, onde ao largo da enorme tarefa de sanear suas finanças, projetos e organização administrativa, terá pela frente sua maior luta, a da busca pela excelência técnica, competitiva, vencedora, que jamais será alcançada com o que foi até agora implantado coercitivamente na formação de jogadores, professores e de técnicos, com resultados desastrosos e comprometedores, fruto de compadrios e escambo interesseiro, e que precisa ter um fim, um freio permanente e definitivo, gerando espaço a novas e sérias lideranças, onde o mérito e o longo trabalho gerador de experiência e conhecimento seja convocado para a grande discussão técnico tática e de formação de base, começando estrategicamente pela ENTB, chave absoluta do processo de soerguimento do grande, grandíssimo jogo entre nós.

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique na mesma duplamente para ampliá-la.

PADRONIZAÇÃO/FORMATAÇÃO, O LASTIMÁVEL EQUÍVOCO…

015

DSCN0654-002Aproxima-se a data chave para o basquetebol brasileiro, 10 de março, quando saberemos qual o futuro que aguarda o grande jogo neste imenso, desigual e injusto país…

A chapa vencedora terá pela frente um rol de exigências de assustar, a começar pela imensa dívida acumulada pela administração atual, com todas as inferências advindas da mesma, mas nada que se compare a verdadeira e hercúlea tarefa de soerguer tecnicamente o grande jogo no país, da formação de base a elite, com todas as implicações logísticas inerentes a tão relevante e difícil tarefa…

E nenhuma delas transcende em importância vital como a formação adequada e minuciosa dos técnicos e professores que serão responsáveis pela retomada séria e criteriosa da modalidade, tão mal tratada e minimizada por mais de trinta anos de incúria, compadrio, protecionismo, corporativismo, e ignorância técnico tática…

No momento que atravessamos, em que técnicos brotam do solo, quase como geração espontânea, diretamente na elite, sem a formação primordial e obrigatória nas divisões de base, em um desporto altamente complexo como o basquetebol, me reporto a um artigo remetido pelo professor Gil Guandron, radicado a décadas em Chicago, a fim de tentarmos conceituar da forma mais básica possível o que venha a ser um verdadeiro professor e técnico do grande jogo. Começo pelo email recebido a algum tempo do Gil, o qual transcrevo a seguir:

Paulo,

Me  es  bien  dificil  comprender ,  como  en  Brasil  se  permite  la  formacion  de  tecnicos  de  basquetbol ,  sin  bases  psicopedagogicas  adecuadas,  y  con limitaciones  tecnico / tacticas ….  en  el  basquetbol  el  elemento  tecnico ,  es  el  mas  importante….

Como  professor  ,  me  lastima  que  los  jovenes  estudiantes (  los  jugadores  de  basquetbol  son  estudiantes ), no  reciban  la  capacitacion  adecuada  a  sus  intereses.

Cuente  conmigo  en  su desinteresada   tarea   por  la  superacion  pedagogica  de  los  entrenadores  brasileños.

Si  lo  considera  adecuada, publique  este  articulo,  en  function  del  articulo  de  su  pagina.

Abrazos.

Gil

Mike  Krzyzewski  

Gil  Guadron

Claro  que  es  importante  lo  que  usted  conoce  como  entrenador, pero  lo  que  es  mucho  mas  importante  es  lo  que  sus  jugadores  aprenden  y  como  lo  aplican   en  la  realidad  del  partido , y   al  establecer   esa  conexión   muestra  su  calidad  como  profesor.

Una  de  las  metas  de  los  entrenadores  es  desarrollar  un  sistema  de  juego  sobre  el  que  usted  pueda  construir, entonces  usted  debe  de  evaluar  y  re-evaluar  su  sistema  para  asegurarse  que   esta  ajustado  debidamente  a  las  habilidades  tanto  físicas  como  mentales  de  sus  jugadores.

Claro  que  nosotros  podemos  ir  por  ahí  diciendo   a  los  cuatro   vientos  que  nuestros  jugadores  son  estúpidos, pero  en  la  realidad  podría  ser  que  los  verdaderos  estúpidos  seamos  nosotros  por  no  analizar  nuestros  sistemas  para  saber  si  lo  que  estamos  enseñando  a  nuestros  jugadores  es  demasiado  difícil  para  el  nivel  de  comprensión  de ellos. Es  importante  que  cuando  usted  decide  plantear  un  sistema   de  juego  tiene  que  tomar  en  cuenta  las  habilidades  físicas  y  emocionales  de  sus  jugadores  y  planear  sus  estrategias  metodológicas  basándose  en  esa  realidad.

En  mis  primeros  años  de  mi   carrera  fui  bien  rigido  en  mi  filosofía  y  en  mis  planes  de  entreno. Mis  entrenos  eran  bien  precisos  pero  demasiado  aburridos  para  los  jugadores. He  cambiado  bastante  desde  entonces. claro  que  sigo  utilizando  una  defensa  personal  y  en  el  ataque un  Motion  Offense, pero  ejecuto  dichas  cosas  dentro  de  mi  personalidad. Los  ejercicios  que  practicamos  concuerdan  con  mi  manera  de  pensar. El  éxito  que  hemos  tenido  en  Duke  University  se  debe  a  la  calidad  de  jugadores, pocas  lesiones, y  que  siempre  hemos  sido  consistentes. Algunas  veces  los  entrenadores  practican  un  sistema  enseñando  ciertos  habitos  para  que  el  siguiente  año    o  temporada  lo  cambian  totalmente  y  enseñan  habitos  completamente  diferentes  y  contrarios  a  los  que  habían  enseñado  la  temporada  previa. Los  cambios  que  hemos  hecho  en   Duke  University  de  un  año  para  el  otro  son  bien  sutiles.

Cuando  usted  intenta  desarrollar  un  sistema , usted  debería  de  experimentar, pero  debería  iniciar  con  un  sistema  dominante  sobre  el  que  se  pueda  construir  posteriormente. Un  ejemplo  personal  de  experimentacion  me  ocurrió  cuando  trate  de  tener  una  defensa   secundaria  a  nuestra  defensa  personal  y   me  decidi  por  una  defensa  de  zona  en  Match-Up  que  me  había  impresionado  cuando  se  la  vi  jugar  a  la  Universidad  de  Fresno  State. La  utilize  ese verano  en  nuestra  gira  por  Europa  y  al  inicio  de  nuestra  temporada  regular. Los  resultados  fueron   horribles. Lo  que  encontré  es  que  yo  buscaba  utilizarla  en  5%  del  tiempo  del  partido, pero  yo  esperaba  que  funcionara  tan  bien   como  nuestra  defensa  personal  que  normalmente  la  utilizamos  el  95%  del  tiempo. Las  cosas  estructuradas de  esa  manera  no  funcionan. Bueno  el  siguiente  año  jugamos zona  2 – 3 , realmente  no  la  practicamos  mucho. La  única  vez  que  nuestro  primer  equipo  la  utilizo  fue  cuando  nuestro  segundo  equipo  practico  el  ataque  contra  ella. Claro  que  teníamos   muy  buenos  jugadores  y  les  explique  que  defendieran  al  atacante  en  su  zona  como  si  fuera  defensa  individual. Si  su  atacante  designado  abandona  su  area, avisele  a  alguien  y  no  permita  ninguna  penetración.

Una  de  las  razones  por  la  que  utilize  la  defensa  de  zona  2 – 3  fue  para  cambiar  el  — momentum — . Y  por  esa  razón   estaba  dispuesto  a  aceptar  las  consecuencias  en  el  caso  de  que  algún equipo  ejecutara  el  ataque  de  manera  correcta. No  estoy  vendiéndole  la  defensa  de  hombre  a  hombre  ni  el  Motion  Offense, pues  he  sido  derrotado  por  equipos  jugando  defensa  de  zonas  y  por  formidables  ataques  contra  mis   defensas  zonales. Lo  que  estoy  tratando  de  insistirles  es  en  la  necesidad  de  evaluar  sus  sistema.

Otro  factor  importante  en  desarrollar  su  sistema  es  saber  con  los  recursos  con  los  que   usted  cuenta:  Cuantos  entrenadores  asistentes  tiene ?, Tiene  materiales  como  Toss-Back, Rebounder, cuerdas  pesadas  de  salto  etc.  ?,  Dispone  de  un  Gimnasio  solo  para  su  equipo ?,  Por  cuanto  tiempo  entrena  diariamente ?, Cual  es  el  tiempo  de  entreno    antes  del  inicio  de  la  temporada  ?   Si   tiene  12  jugadores  y  dos  canastas  como  hace  sus  ejercicios  de  Breakdown (  deglosamiento  o parcialización )  ?, Habla  con  un  jugador  y  dejar  a  los  demás  11 jugadores  sin  su  dirección ?,  De  cuantas  pelotas  dispone  ? etc.

Existe  una  idea  generalizada  en  el  cochaje  que  entre  mas  alto  es  el  nivel  , mejor  es  el  nivel  del  cochaje. Discrepo  con  esa  afirmación  pues  he   visto  extraordinarios  cochajes  en  el  nivel  de  High  School  además  de  observar  excelentes  entrenos  en  ese  nivel. La  calidad  del  buen  entreno   es   cuestión  de  enseñar  de  manera  organizada.

Dentro  de  su  sistema, van  algunas  destrezas  que  lo  acompañan  y   la  única  manera  de  lograr  que  esas  destrezas  se  instauren  en  el  vocabulario  motor  del  jugador , que  sean  aprendidas,  dominadas  , automatizadas   por  los  jugadores , practicando   acciones  repetitivas   las  que  paulatinamente  usted  las  va   acercando  a  las  realidades    a  las  que  los  jugadores  se  enfrentaran   en  el   partido. Las  acciones  psicomotores  deben  de  ser  enseñadas  y  practicadas  por  los  jugadores  una  y  otra  vez,  una  y  otra  vez.

Cuando  usted  hace  ejercicios  individuales, usted  desea  que  los  jugadores  ejecuten  la  destreza  10  o  15  veces  pero  al  mismo  tiempo  no  desea  perder  la  atención  del  resto  del  equipo, usted  entonces   hace   que  los  jugadores  no  involucrados  en  el  ejercicio  que usted  supervisa  practiquen  tiros  libres  u  otras  tareas. Si  tiene  un  entrenador  asistente  que  sus  jugadores practiquen  otras  destrezas  con  el, pues  esto  le  permitirá  a  usted  hacer  una  mejor  tarea  de  enseñanza. La  estrategia  de  —  trabajo  por  estaciones  —  constituye  una  buena  opción  metodológica.

Los  entrenos  en  Duke  consisten  de  un  30%  de  ataque, 30%  de  defensa  y  el  10%  de  preparacion  física  y  situaciones  especiales.

Como  entrenador  usted  se plantea  varias  preguntas,  entre  ellas : Tiene  que  tener  su  sistema  ya  implementado  al  inicio  de  la  temporada, o  se  dara  la  oportunidad  de  irlo  mejorando  conforme  la  temporada  de  vaya  desarrollando ?.  Desde  mi  punto  de  vista  usted  tiene  que  construir  un equipo  que  va  mejorando  y  mejorando  conforme  la  temporada  progresa. Yo  no  trato  de  poner  el  sistema  en  su  totalidad  al  comienzo  de  la  temporada. Nosotros  colocamos  nuestra  defensa  básica  de  hombre  a  hombre  y  el  Motion  pero  le  vamos  agregando  cosas  conforme  la  temporada  progresa.  Usted  no  entrena  de  la  misma  manera  en  Febrero  como  los  que  tuvo  en  Noviembre.

En  Febrero  solo  entrenamos  por  45  minutos, claro  que tenemos  pre-entreno  y  post- entreno,  pero  la  duración  del  entreno  regular  es  de  solo 45 minutos. Los  jugadores  no  sienten  los  periodos  de  pre  y  post  entreno  como  si  estuvieran  entrenando  y  eso  es  excelente  pues  muestra  que  están  motivados, por  lo  consiguiente  en  esas  situaciones usted  obtiene  una  mayor  atención  y  mas  trabajo  de  parte  de  los  jugadores, puesto  que   a  ellos  les agradan  las  actividades, principalmente  si   ven  las  conexiones  con  la  realidad  de  un  partido.

Nosotros  no   hacemos  ningún  ejercicio  de  5  contra  5  por  mas  de  10  minutos  de  duración , podríamos  hacer  un   ejercicio  similar    por  10  minutos  en otra  etapa  del  entreno,  pero  no  por  20  minutos  continuados , pues  la  intensidad ,  el  foco   de  la  atención de  jugador  disminuye  poco  a  poco  conforme  la  temporada  avanza.

El  cambiar  de  ejercicios ( drills )  de  manera  constante mantiene  a  sus  jugadores  atentos  y  motivados, partiendo  del  hecho que  sus  entrenos  son  adecuadamente  planificados. Dentro  de  ese  contexto  usted  siempre  necesitara  cierta  flexibilidad  en  sus  entrenos, pues  el  basquetbol  es  un  deporte  en  donde  hay  que  realizar   ajustes  constantes, además  le  sugiero  que  sus  entrenos  deben  tener  algo  que  cambien el  momentum  de  la  situación  por  ejm.  el  entrenar   situaciones  que  podrían  darse  en  un  partido.

Trate  que  sus  entrenos  reproduzcan   lo  mas  cercano  posible las  situaciones  a  las  que  sus  jugadores   se enfrentaran  en  un  partido  oficial, deseo  mencionarles   que  los entrenos  de  Duke  University   son  mas  elaborados  en  los  inicios  de  la  temporada  que  cuando  esta  ya  esta  avanzada.

Agregar  que   hay  que   colocar  a   los   jugadores  en  situaciones  diferentes , cambiantes, y  muchas  veces  desconocidas  para  ver  de  que  manera  ellos  tratan  de  resolverlas . Esto  enmarcado  en  que  el  basquetbol  es  un  juego  cambiante  que  requiere  de  adaptaciones  y  modificaciones  constantes  y  nuestra  tarea  es  preparar   al  equipo  para  enfrentarlas  sin  caer  en  el  desespero.

El  entrenador  constantemente  esta  enseñando, orientando  el  aprendizaje  de  nuestros  jugadores, esa  es  nuestra  tarea  principal.

Este excelente artigo do Gil , que em conjunto dos muitos por mim publicados traçam uma linha expositiva e explicativa do “como” formar professores e técnicos, profissionais altamente capacitados, em contraste da formação de “estrategistas” que tanto empobrecem o desenvolvimento do grande jogo entre nós, sempre na cola da matriz, com seu modo específico e particular de jogar, designando uma modalidade que sequer reconhece a FIBA, inclusive nas regras…

Então, sobre sai uma pergunta, a que não nos permite omitir, sequer calar – O que realmente formamos (ou promovemos, inventamos, criamos, projetamos, incensamos, deificamos, publicamos, adjetivamos…) para a difícil e complexa tarefa de educar, orientar, dirigir e liderar nossos jogadores, desde a formação a elite, os de ascendência meteórica advindos do bojo viciado da mesmice endêmica que oprime e minimiza o grande jogo, sem o aprendizado e a formação básica exigida para tão relevante tarefa, ou aqueles que se propuseram percorrer a longa estrada pedregosa do estudo, do sacrifício em busca do saber, da formação correta e objetiva, pesquisando e trabalhando desde a formação de base, seria e competentemente, progredindo pelo mérito, e não pelo corporativismo exacerbado que aí está, padronizado e formatado a mais de trinta anos?

E nesse momento recebo um telefonema de um amigo de longa data, perguntando na lata – Paulo, vai ficar em cima do muro sobre a eleição de sexta feira na CBB?

Penso rapidamente e respondo – Quatro anos atrás recebi aqui em casa a visita do Carlos Fontenelle e do Alcyr Magalhães, que vieram expor para discussão um esboço de projeto para o basquetebol brasileiro, inclusive publiquei o encontro aqui no blogMais recentemente recebi por email o projeto pronto pela equipe do candidato Gui Peixoto, onde pontifica o Carlos Fontenelle, e constatei que algumas das sugestões discutidas quatro anos atrás aqui em casa foram consideradas, e claro, aprimoradas pela equipe do candidato, que não conheço pessoalmente, mas que bem sei de sua trajetória no grande jogo. Então, como dois são os candidatos na eleição, sendo que um deles foi participante da atual e caótica administração, apoiado por presidentes de federações que comungam com suas idéias, e que inclusive veiculou a seu nome a marca Basquete Brasil (Amarildo Rosas Basquete Brasil), sugerindo minha aquiescência a seu nome, o que é falso, e outro que também é apoiado por presidentes de federações dissidentes, mas que no entanto nunca fez parte da direção da CBB, e que através de um de seus maiores apoiadores apresentou e discutiu comigo soluções técnicas para o soerguimento da modalidade no país, sem que eu jamais soubesse a quem estaria apoiando, nome esse que o próprio Carlos não revelou quando do nosso encontro no meio tempo de uma partida durante a Olimpíada, devo concluir num momento de absoluta franqueza, que gostaria que vencesse um pleito onde meu voto é impossível pela legislação existente, aquele que vem de fora do sistema, mesmo apoiado por alguns de dentro, mas que de uma forma corajosa e inovadora, desejam inverter (assim espero…) os papeis manchados e pardacentos que se acumularam na sede da Rio Branco. Espero que vença e mude algo no grande jogo.

Amém.

Fotos – Gil Guadron, a esquerda, num de seus cursos de aperfeiçoamento na De Paul University, e o encontro aqui em casa com o Carlos Fontenelle e o Alcyr.

Clique nas mesmas duplamente para ampliá-las.

SAINDO DO RECESSO…

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

                                                                                                                                                                                                        Fazem 15 dias que nada posto nesse humilde blog, precisei de um tempo para repensar alguns aspectos de minha vida, próximo que me encontro dos 75 anos bem vividos, bem trabalhados, melhor ainda, dedicados ao magistério, à técnica desportiva, ao estudo permanente, à pesquisa, à divulgação democrática do grande jogo, emoldurado por uma amada e presente família, que respalda e sempre respaldou todo esse esforço de que muito me orgulho.

 

Mesmo assim, pensava em estender por mais algum tempo esse recesso, quando ontem cedo atendi um telefonema, que a princípio parecia ser engano, mas que se transformou numa enorme e prazerosa surpresa, pois quem do outro lado da linha tentava justificar um involuntário aperto de botão era o Macarrão, isso mesmo, o grande Sergio Macarrão, que se surpreendeu muito quando me identifiquei, travando daí para diante um diálogo de velhos amigos, conciso e verdadeiro. Foi o sinal de que o recesso terminara, pois a luta deve continuar, caminhar, indo de encontro a uma realidade teimosa em se revelar, sem medos e contradições, simplesmente acontecer, nada mais…

 

Então, vamos lá, começando com uma listagem do que vimos acontecer nesses 15 longos dias, a saber:

 

– Os 20 anos da grande conquista do Mundial Feminino na Australia.

 

– A seleção masculina para o

 Sul Americano.

 

– A seleção masculina sub-18 para a Copa América no Colorado.

 

– A grande conquista dos Spurs na NBA.

 

– O curso nível III da ENTB em São Paulo.

 

– A convocação da seleção masculina para o Mundial na Espanha.

 

– A formação das equipes para o NBB7.

 

Vinte anos se passaram desde a grande conquista da seleção feminina no Mundial da Austrália, história contada e recontada à exaustão, mas que deixou um “legado” (palavra bem em moda , aliás…) traído seguidamente por todos aqueles que se locupletaram com o sucesso de uma geração sacrificada e injustamente liderada por aqueles, que em tempo algum,  a formou ao longo de vinte anos de duro trabalho, mas que no justo momento de colher os frutos de tanta abnegação, os viram degustados por quem, após a grande vitória, não deu continuidade ao trabalho, abandonando-o e trocando-o por outros objetivos, deixando acontecer a realidade que hoje assombra o basquete feminino, inclusive com a saída de cena do clube mais vencedor na última década, Ourinhos. Sem dúvida alguma um legado absurdo e constrangedor…

 

Do lado masculino, uma seleção Ç é convocada para o Sul Americano, falseando, e muito, numa escolha, mais uma vez equivocada de valores, mas perfeitamente alinhada à,mesmice endêmica que nos assola no aspecto tático, quando qualquer outra composição de jogadores em nada a mudaria, pois aceita por todos como verdade imutável dentro de um panorama monocórdio em que nos encontramos desde muito tempo. Se trata de um conceito de atuar, jogar o grande jogo de uma forma formatada e padronizada por uma plêiade  de estrategistas apegados ao seu único cais, garantidor do mercado de trabalho, que deve ser mantido inter pares a todo custo, mesmo que tal atitude mantenha a modalidade perante o atraso em que se encontra, numa atitude imutável e autofágica. Logo, nada mudará ou se apresentará de inovativo, a não ser inéditas cores e logotipos impressos em caprichadas e midiáticas pranchetas, estrelas de um lamentável circo de horrores…

 

Que aliás, por mais uma vez se revelou na tarde de hoje em Colorado Springs, onde a seleção sub18 do Canadá esmagou nossa jovem seleção por implacáveis 42 pontos de diferença (101×59), com 52 pontos conseguidos dentro do garrafão, contra somente 18 de nossos indigitados meninos, que cometeram 23 erros de fundamentos e arremessaram 8/27 bolas de 3 e 10/30 de dois, numa demonstração cabal de má formação de base, em momento algum corrigida por pretenciosas comissões de três técnicos, incapazes de corrigir simples arremessos, quiça fundamentos gerais, mas altamente comprometidos e compromissados com um sistema único que professam arrogante e coercivamente, na trilha imposta por uma geração de técnicos (ou estrategistas…), consubstanciada por uma ENTB que se apressa em cursos nivel III, a fim de credenciar novos candidatos a preencher vagas na LNB e futuros NBB’s, quando deveriam centrar esforços por alguns anos nos niveis I e II, para que pudéssemos estabelecer novos parâmetros didático pedagógicos no ensino progressivo e inovador do grande jogo no país.

 

Tivemos também a grande vitória dos “vovôs” texanos do Spurs, repetindo aqueles outros “vovôs” dos Cavalliers, vencendo um duro torneio da NBA, apresentando um nível de jogo representado por uma intensa movimentação de todos os jogadores no ataque, e uma postura defensiva atuante, principalmente no perímetro externo, equilibrando suas forças ante um oponente mais atlético e duro, e com a presença do incensado LeBron, que nos momentos mais decisivos se viu mais vovô e desgastado que seus oponentes, deixando no ar o questionamento de seu companheiro Wade em uma das práticas da equipe veiculada pelo You Tube, quando provocava o grande jogador- Afinal James, qual a sua verdadeira idade?…

 

Então tivemos a convocação para o Mundial, onde um esperto e calejado técnico indica uma óbvia composição de jogadores, onde alguns deles não ostentam mais aquelas qualidades que os tornaram quase institucionais em nossas seleções, como que capitanias hereditárias, omitindo outros que pelo menos apresentaram melhor produtividade no recente NBB6, principalmente no jogo interno, como o Murilo, Cipolini e os mais afinados em suas silhuetas, como o Caio e o Prestes, nem mesmo presentes na convocação para o Sul Americano, e que submetidos a um bom treinamento poderiam afinar mais um pouco, podendo ser úteis a seleção, provando que a formula aplicada na classificação olímpica poderá ser reposta em contrafação ao desastre da Copa America de triste lembrança. No caso de ser mantida essa tendência, poderemos estar assistindo um inteligente álibi ser insinuado num possível fracasso na Espanha, tendo como personagens praticamente o mesmo grupo classificado no pré olímpico, tanto os presentes, como aqueles que por um motivo ou outro de “somenos importância”, não participarem da competição…

 

Finalmente, assistindo ao entra e sai de jogadores e técnicos nas equipes para o próximo NBB, vemos perplexos que a mesmice endêmica se solidifica a cada ano que passa, onde agentes e certos dirigentes se firmam como os verdadeiros artífices das equipes, comandando e estabelecendo parâmetros a ser seguidos pelos técnicos que continuam, e aqueles que serão contratados para administrar a obra de outrem, pois nada mudará taticamente, de 1 a 5, como sempre, facilitando os encaixes sem maiores problemas, já que “todo jogador de elite” sabe e conhece os caminhos que levam aos chifres, punhos, camisas, e, por que não, aos “pinquerrois” da vida…Quanto aos mais jovens, que tratem de se adaptar a essa cruel realidade, e sem muito, ou qualquer tempo para insignificâncias como acessar a ferramenta de trabalho de todo jogador que se preza, os fundamentos do jogo, e os drills para a formação de uma verdadeira equipe, mas isso é outra conversa…

 

Amém.

 

 

Comentários Recentes


    Warning: mysql_query(): Access denied for user ''@'localhost' (using password: NO) in /home/paulo/public_html/blog/wp-content/themes/paulomurilo/functions.php on line 7

    Warning: mysql_query(): A link to the server could not be established in /home/paulo/public_html/blog/wp-content/themes/paulomurilo/functions.php on line 7

    Warning: mysql_fetch_row() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/paulo/public_html/blog/wp-content/themes/paulomurilo/functions.php on line 8