MUNDIAL-PRIMEIRO DIA:OS FUNDAMENTOS…

Desativo o som da transmissão televisiva a fim de não sentir o desprazer de ouvir tantas imprecisões sobre o que de real interesse a equipe americana apresentava na quadra.

Glorificar ao êxtase enterradas, bloqueios e arremessos de três, dando continuidade ao que reputam serem tais aspectos a essência do jogo, induzindo os jovens telespectadores (claro, aqueles cujo poder econômico os tornam espectadores de um espetáculo via cabo…) a errônea idéia de que “aquilo” que está sendo glorificado é o exemplo a ser seguido, imitado, buscado e praticado, numa ótica absurda e irresponsável.

Técnicas apuradíssimas de drible, fintas, passes, mudanças de ritmo e de direção, posicionamento defensivo irretocável, leitura antecipativa, na defesa e, principalmente no ataque, posicionamento nos rebotes, corta-luzes, cruzamentos, contra-ataques, arremessos DPJ, paradas bruscas, e acima de tudo, todo esse arsenal de habilidades executado numa velocidade assombrosa.

Trocando em miúdos, uma exibição do mais alto nível de fundamentos do jogo, sua marca indelével desde as categorias de base, aprimorada no dia a dia em seus treinamentos, já que ferramenta indissociável para a pratica do grande jogo.

Armadores, alas e pivôs, irmanados ao principio básico do jogo, esteio de qualquer sistema que empreguem, ou mesmo, sem utilizarem sistema algum, pois uma equipe mestra nos fundamentos sempre estará apta a enfrentar qualquer outra que se baseie unicamente em táticas e sistemas, porém com fundamentos de menor qualidade.

Foi o que vimos no jogo de hoje, onde podemos acrescentar mais dois aspectos pouco ou nada relatados por nossos narradores, analistas, jornalistas e um mar de comentaristas nos blogs da modalidade, a defesa dos pivôs à frente, e o entra e sai ofensivo destes mesmos marcadores quando no ataque, jogando de frente para a cesta, raramente de costas, ações estas somente possíveis a jogadores de alta estatura cujo potencial genético é preservado quanto à velocidade e elasticidade, na contra mão dos autênticos mamutes que muitos defendem por aqui, e que já se assanham nas exigências de mais 20-5kg de lastro ao jovem Lucas, que se “modificado” neste patamar, perderá sua maior qualidade, a velocidade, e arriscando-se a futuros rompimentos de tendões e articulações, como o inditoso Delfin.

Mike Krzyzewski, que apesar da exibição acintosa e vaidosa de dois anéis de campeão NCAA, um em cada mão, copiando (infelizmente) seu colega Rick Pitino, demonstra sua fidelidade ao princípio estrutural do basquete americano, elevando aos píncaros a importância dos fundamentos acima dos sistemas, fator que pode ser razoavelmente contestado por equipes com igual ou aproximado poder fundamental, que se somado a um eficiente sistema de jogo, principalmente valorizando ações interiores, poderá colocar tão cabal superioridade em risco considerável.

Mesmo assim, o simples fato da equipe americana ter posto de lado o sistema único de jogo, advindo da NBA, imitado por todas as equipes que até agora tiveram seus jogos transmitidos ( e acredito mesmo que todas o utilizarão), por si só conota uma verdadeira revolução, fator sempre bem vindo ao progresso do basquetebol.

Pena que nossa seleção se mantenha fiel ao mesmo, que claudique seriamente nos fundamentos, e que permaneça escrava de uma administração continuísta e política, onde a meritocracia não encontra a mínima acolhida, esmagada desde sempre pela mais deslavada e medíocre mesmice, que foi o que vimos hoje contra a fraquíssima equipe do Iran.

Os três magníficos pivôs nunca estiveram em plena forma, onde um já se foi, um outro só joga daqui a duas partidas(?), e o outro saiu de quadra hoje com uma bolsa de gelo na coxa, demonstrando não estar curado da lesão, além dos outros dois não terem atingido o nível técnico exigido para uma competição de tal magnitude.

Armadores? Temo pelos mesmos quando tiverem de enfrentar defesas mais próximas e agressivas, assim como nossos alas não estão a altura das exigências defensivas e reboteiras, pelo menos em comparação às equipes que tiveram seus jogos hoje transmitidos, assim como temo por uma classificação mais digna se adaptações emergenciais não forem fomentadas, principalmente no jogo ofensivo interior, e no bloqueio efetivo dos arremessos de três, trocando-os pelos de dois.

Nosso basquete tem que ser submetido a uma reforma radical, desde a base, desde a preparação de novos técnicos, sem as formatações e padronizações alardeadas pomposamente pela ENTB/CBB, ainda mais agora quando tais aspectos estão sendo confrontados pela pequena revolução técnico tática americana, advinda de uma escola pluralista e democrática, a mesma pequena e parecida revolução que ousei ensaiar na direção do Saldanha no NBB2, convenientemente expurgada para o NBB3.

Mas como santo de casa não faz milagres, Vox populi, Vox dei.

Amém.

EM OFF, CARA?…

Paulo, aqui em off, quais suas analises sobre a seleção do Magnano que disputa o Mundial dentro de alguns dias?

Em off cara? O fato de ter entrado no clube da LNB (já me saíram…), não tira de mim o tique blogueiro, afinal de contas o Basquete Brasil está ai desde 2004…

Antes, um pequeno intróito justificativo ao que veremos taticamente dentro de poucos dias.

Nos sete primeiros jogos do campeonato paulista, com oito equipes que também participarão do NBB3, 440 arremessos de três foram perpetrados, numa média de 62.8 tentativas e de 28.5 bolas perdidas, numa clara demonstração de que a sangria dos três e os erros de fundamentos ainda continuarão a reinar por um longo tempo entre nós, assim como o indefectível sistema único de jogo, com suas capitanias hereditárias de 1 a 5.

E como a seleção representa a forma de jogar de seus jogadores, quanto mais a nossa que segue fielmente a notória globalização técnico tática advinda da NBA, pressinto que a mesmice irá imperar absoluta na Turquia, talvez com a exceção da equipe americana, pela ausência de seus pivôs de choque, tendendo para três alas-pivôs e os dois armadores clássicos de suas formações desde sempre, pois o Coach K indubitavelmente não teme mudar conceitos e sistemas de jogo, como excelente técnico que é.

E se quisermos mais análises feitas por quem realmente conhece o grande jogo, ai está um comentário do Prof. Walter Carvalho postado aqui no blog sobre a postagem “E SE NÃO BASTASSE…” DE 4/8/2010.

·  walter carvalho 16.08.2010 (2 dias atrás) ·

Professor Paulo Murilo,

(…) Em relação à seleção brasileira que está se preparando para o mundial, tive a oportunidade de assistir os jogos treinos no Brasil e estes são os meus comentários:
1. Não podemos contestar os resultados alcançados pelo técnico argentino..
2. Assistindo o jogo pela TV – não pude observar nenhuma diferença na forma de atuar do Brasil – O time parecia que ainda estava sendo dirigido por Lula, Helio Rubens, etc…O que eu pude observar foi um maior comprometimento e mais seriedade dos jogadores e isto geralmente acontece no período de lua de mel entre técnico e jogadores
3. O Brasil da forma que atuou não terá condições de competir a nível de mundial – pois a equipe com 3 armadores baixos e 2 pivôs não é a formação ideal para os adversários que encontrarão na competição na Turquia.
4. A defesa ainda comete os mesmos erros básicos de outrora – ou seja, deixam nossos pivôs Varejão e Splitter – desprotegidos e em situação de 1 contra 1 – pois os nossos armadores não sabem marcar o homem da bola – contra algum técnico esperto o Splitter e o Varejão não ficarão muito tempo na quadra pois sairão já no primeiro quarto com 2 faltas.
5. O sistema de ataque do Brasil era similar ao de nossos adversários, pois estes utilizam jogadas e movimentações da NBA e não movimentações que venham a favorecer e a tirar vantagem da habilidade individual de nossos jogadores – ou seja, não tem um jogo e forma brasileira de atacar
6. O Brasil marca mal o arremesso de 3 pontos e os bloqueios verticais e horizontais sem bola do adversário – movimentações estas muito utilizadas por equipes européias
7. Para o Brasil ter sucesso na competição 5 jogadores pelo menos terão que ter uma performance de 70-80% de aproveitamento em todos os segmentos do jogo (física e técnica) com jogos diários – isto será muito difícil manter e os nossos substitutos não estão no mesmo nível dos que começam o jogo.
8. As substituições feitas durante o jogo a nível de observação – não poderão ser feitas no mundial. Isto irá certamente influenciar na manutenção do rendimento técnico e físico dos atletas principais de nossa equipe
9. A formação inicia do Brasil é muito baixa – Huertas, Leandrinho e Alex não terão como auxiliar no rebote defensivo e este será um dos maiores problemas do Brasil.
10. O aproveitamento do Brasil nos arremessos de fora do garrafão e de 3 pontos é muito baixo – e nossos atletas são baixos para penetrar no garrafão dos europeus com eficiência.
11. A equipe não demonstrou nestes jogos possuir plano de jogo para cada adversário – jogou da mesma forma com as mesmas alternâncias técnicas e táticas previsíveis
12. O técnico argentino já deve, hoje, estar analisando, e espero que corrigindo os erros na composição da equipe e os erros defensivos – porém eu não acho que ele conhece bem os jogadores e tenha tempo o suficiente para corrigir.
13. Acredito também que o sistema defensivo que deve ser usado contra as equipes européias é um sistema de marcação combinada (triangle-and-two-ou box and 1) pois só assim o Brasil irá poder forçar a equipe adversária a jogar de uma outra forma ou a ter que se ajustar taticamente durante o jogo o que seria um fator positivo – Se marcar pura e simplesmente homem a homem voltaremos de uma competição mundial mais uma vez sem alcançar o sucesso esperado!
14. O Brasil só tem um armador – o Huertas -e continua dependendo dele para as armações táticas ofensivas da equipe – isto é um erro e o Brasil teria condições de fluir bem melhor no ataque jogando com 2 armadores. Do jeito que a seleção atuou aqui nos jogos amistosos, e se o Huertas tiver um dia ruim, ou se o marcador não o deixar jogar o Brasil não terá equilíbrio ofensivo e isto é um grave erro!
15. O resultado do amistoso contra Porto Rico já deve ter forçado o técnico argentino a ter que rever seus planos técnicos e táticos, e espero que ao chegar na Turquia estes planos tenham sido corrigidos, efetivados e implantados.

No mais só nos resta torcer, pois a falta de bons resultados em competições internacionais não é bom para nenhum de nos brasileiros que militam no grande jogo, tanto no Brasil quanto no exterior.

Seja o que Deus quiser!

Ao que respondi-

  • Basquete Brasil Ontem ·

Walter, se me permitir, assino embaixo de suas análises, precisas, irretocáveis. Muitos pretensos “conhecedores” do grande jogo não concordarão, e até se sentirão ofendidos, mas a realidade dos fatos você expôs na veia. Somente acrescentaria um penúltimo pormenor, o de não sabermos, e mesmo desconfiarmos do que venha a ser jogar com os pivôs, que segundo o Oscar, só servem para pegar rebotes, a fim de propiciar oportunidades aos matadores, principalmente os de três. Lamentável afirmação, de quem nos legou essa incontrolável hemorragia dos longos arremessos, desde as divisões iniciais de base, até a elite de nosso país.
E concluindo Walter, no excelente blog Bala na Cesta de hoje (17/8/2010), o Fabio Balassiano anotou(…)”Os 84 x 68 talvez espelhem não a diferença entre os times, mas a diferença dos “dois basquetes” jogados nos dois países(…) (Sobre o jogo de hoje contra a Espanha).
Creio que o bom jornalista cometeu um pequeno equívoco, pois assim aqui, como lá, o sistema único de jogo é utilizado, com uma diferença, os de lá praticam-no à base de fundamentos muito bem estruturados desde a mais tenra base, daí seus 1, 2, 3, 4 e 5 serem superiores aos nossos, ao passo que nós…
Um abração Walter. Paulo.

PS- Nesse nosso encontro convidei o Walter para fazer parte do projeto Escola Carioca de Basquete que lançarei em breve, reunindo-o a mim e ao Gil Guadron, para provermos os jovens técnicos brasileiros que se interessarem, de materiais gráficos, artigos e análises de sistemas e formas de treinamento, numa tentativa de difundirmos nossas experiências fundamentadas na generalização democrática de conceitos técnico táticos, e da informação, numa oposição clara e objetiva às formatações e padronizações que muitos vêm impondo coercitivamente ao nosso basquetebol.

Oxalá sejamos bem sucedidos nessa honesta tentativa. PM.

Amém.

Foto- Walter e eu no almoço de hoje(17/8/2010). Clique para ampliar.

O MEU AMIGO GIL…

O meu amigo Gil, técnico em Chicago, me enviou esse artigo na data de seus 63 anos, como o melhor presente que recebeu, não agora, mas em quase toda a sua vida de treinador. Divido-o com todos vocês, jovens técnicos de meu país, sugerindo ser este um dos temas a ser estudado, com afinco, na ENTB/CBB.

Gil Guadron, Wooden su influencia

Parabéns pelos seus 63 anos de maravilhosa vida.

Amém.

PS-Na foto, o Gil é o primeiro à esquerda, em Loyola, Chicago, com o técnico Jim Whitesell e um jovem treinador de El Salvador.(clique na foto para ampliá-la)
PS2- Clicar duas vezes no titulo do artigo.

NIVELANDO POR…


“Estamos aqui presentes fazendo a história do basquete nacional” (Diego Jeleilate, na inauguração da ENTB/CBB, como seu coordenador, mesmo não sendo técnico, e sim preparador físico).
“Esse é o inicio de um trabalho que será importante para nivelar o nível dos treinadores aqui no Brasil. Isso nos dá uma tranquilidade, pois sabemos que todos os técnicos terão que passar por esse curso, desde os mais experientes até os que estão começando agora”, afirmou o técnico do Assis Basket, Carlão.
NIVELAR, v. tr. dir. Medir com o nível a diferença de elevação que existe entre (dois ou mais pontos); tornar horizontal; aplainar; (fig.) igualar: a morte nivela ricos e pobres; destruir; arrasar; tr. dir. e ind. pôr ao mesmo nível; igualar; nivelar um terreno com outro; (fig.) graduar; proporcionar; equiparar; tr. ind. igualar-se em nível; ficar no mesmo plano; pr. Igualar-se; equiparar-se.
( Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa).
“O que falta para os técnicos brasileiros é a capacitação. Não são todos que têm condições de ir para o exterior para fazer cursos e clínicas internacionais. Acho que esse é o primeiro passo para o aperfeiçoamento e nivelamento dos nossos treinadores”, afirmou o técnico do Paulistano/Amil, Gustavo De Conti. ( Depoimentos constantes de matéria publicada no site da LNB em 7/7/2010).
Ou seja, nivelamento é a palavra de ordem para os técnicos da categoria adulta, aspecto gerador de tranqüilidade, pelo fato de que todos, experientes ou iniciantes, estarão num mesmo plano técnico existencial, fator que para outros capacita o treinador para o exercício de suas funções, independendo de currículo, graduação, pós-graduação, estudo, pesquisa, e longa estrada teórico prática percorrida, como numa pré justificativa de que tais variáveis temporais passem a inexistir quando o interesse único é o do nivelamento puro e simples, este sim, justificando a oficialização profissional dissociada de tão incômodos detalhes “acadêmicos”.
ESCOLA (ó), s. f. Casa ou estabelecimento, onde se recebe ensino de ciências, letras ou artes; conjunto de professores e alunos desse estabelecimento; método e estilo de um autor ou artista; processo seguido pelos grandes mestres; doutrina de algum filósofo ou homem célebre; sistema; seita; (fig.) aprendizagem; experiência; exemplo. (Do lat. Schola.) (Do mesmo dicionário)
E a história está sendo feita, mas por quem, de que forma, com que objetivos?
Ensinar a ensinar o grande jogo, ou nivelar técnicos, aspirantes a técnicos, ou pseudo técnicos num mesmo e absurdo patamar, como se tal nivelamento fosse exequível, ou mesmo aceitável ante a cronologia do processo didático pedagógico indissociável do fator tempo, responsável pela maturação do saber?
Ou simplesmente o nivelamento cúmplice e conivente no nascedouro de um corporativismo garantidor de um nicho profissional, onde vivências, experiências curtas e longas, ou mesmo inexperiências, se tornam caldo de um mesmo tacho, à sombra de um nivelamento lastreado numa “certificação” adquirida em quatro dias de palestras?
E por onde se perdeu a meada do processo seguido pelos grandes mestres, aqueles poucos e esquecidos que justificariam e endossariam uma verdadeira escola, todos técnicos, um dos quais poderia estar proferindo as palavras do inicio desse artigo, substituido injustamente por um profissional de outra área, e que nunca privou da arte de ensinar o grande jogo?
Finalmente, como entender uma escola que começa sua caminhada na contra mão de sua função básica, a de preparar jovens que iniciam suas carreiras, e não certificar e nivelar técnicos, que acima de tudo e de todos deveriam propugnar a diversidade, o livre pensar, a democratização sistêmica, fatores que geram as discussões, as contradições, a busca da verdade, a criatividade, a eterna aventura ao desconhecido, molas impulsionadoras do progresso humano?
Pensei e repensei ir à escola, mas me deparei com uma verdade inquestionável, a coerência de toda uma vida voltada ao estudo, à pesquisa e a transmissão do pouco que amealhei e aprendi nesta já longa jornada, de muitos sacrifícios e renúncias, mas plena da maior das satisfações, a do dever cumprido, com firmeza e dedicação, onde a hierarquia e o mérito sempre se antepuseram ao nivelamento escuso e político.
Ainda tenho uma tarefa a cumprir nessa liga, a de sedimentar um sistema de jogo iniciado no Saldanha da Gama, antagônico e diferenciado, mas jamais nivelado, produto do grande esforço de uma equipe humilde e lutadora, que espero seja mantida, para uma tarefa que poderá ser de grande importância para o nosso basquete, a de provar que podemos jogar o grande jogo de formas diferentes, com atitudes e posicionamentos diferentes, como diferentes têm de ser as capacitações e níveis dentro de uma modalidade que pretenda tornar a ser vencedora.
Poderei fazê-lo, e me deixarão realizá-la? Honesta e sinceramente não sei responder. Mas sei, bem sei da minha competência, do meu espírito sempre em busca do novo, e de minha inesgotável competividade. Amo o basquete, o grande jogo de minha vida, ao qual jamais cometerei o erro de nivelá-lo… por baixo.
Amém.

TÉCNICOS POR ATACADO…


Se porventura um técnico atuante e experiente tiver que estar presente ao Curso de Certificação Nível III em São Paulo, para em 4 dias (7 a 10 de julho) poder ter acesso a uma das carteiras que o tornem um técnico daquele nível, e sem a qual não poderá exercer a orientação de uma equipe adulta, numa ação didático pedagógica impar no universo do ensino, pela concentração de conteúdos de tal ordem extraordinários, que reduz a tão poucos dias o que qualquer técnico desportivo leva anos, décadas para aprender, tornou-se claro para mim a necessidade de analisar tão revolucionário programa, constituído de onze temas, os quais passo a enumerar e discutir:
- A importância da formação dos treinadores.
Este é um tema realmente importante para um curso de administradores, ou gerentes, ou mais propriamente para um público leigo nos assuntos desportivos, nunca para os técnicos, já que os mesmos, inseridos no contexto, sabem e conhecem de sobra a importância e liderança resultantes de sua formação. Logo, nada a somar para esse nível. Mas em se tratando de técnicos nível I, seria um assunto aceitável. Com tão escassos dias de curso, obviedades deveriam ser descartadas em prol de assuntos realmente relevantes.
- Gestão e marketing esportivo.
Por que motivo(s) tal tema tenha de ser desenvolvido em um curso de formação de técnicos de 4 dias, quando uma vasta bibliografia sobre os assuntos propostos está à disposição dos mesmos em qualquer biblioteca ou livraria? Não creio que tais assuntos repassados superficialmente somem algo que realmente beneficie a formação técnico tática de um treinador de alto nível.
- Justiça desportiva.
Parece que muita gente quer deixar sua marca na fase inaugural da ENTB/CBB, não importando o que fale, discurse ou comunique, na medida que aponha seu lacre na ata de fundação de uma escola pioneira.
- Aspectos táticos: conceitos ofensivos e defensivos.
Eis um assunto realmente importante, pena que tais conceitos divaguem por sobre um só existente, o sistema único de jogo, desenvolvido e implantado em todo território nacional, em todas as categorias e faixas etárias a mais de 20 anos, no plano ofensivo. No defensivo, o que dizer, quando um sistema ofensivo único reina por duas décadas sem anteposições? Ou se negam a admitir que se conceitos defensivos eficientes tivessem sido desenvolvidos o tal sistema único de jogo não teria sido sistematicamente mudado? E o que justificar quando professamos a ditadura dos arremessos de três pontos, exatamente pela inexistência dos tais “conceitos”?
- Filosofias de jogo.
É de arrepiar quando vemos uma escola mencionar para estudos “filosofias de jogo”. Por que não sistemas, conceitos, estratégias, táticas de jogo? Filosofia? Seria mais interessante que incentivassem os técnicos no esclarecimento etimológico da palavra filosofia, pois muitos males entendidos seriam corrigidos. Uma leitura rápida em um dicionário bastaria.
- Valorização da profissão e do profissional.
Obviedade é isso ai, menos para os crefs da vida. Meus deuses, e ao custo de 800 reais!
- Tecnologia no basquete.
E lá vai a turma da estatística dar o seu recado para os desinformados do nível III. Haja sacrifício por uma prosaica carteira…
- Terminologia do basquete.
Anos atrás um grande professor de educação física, Otavio Fanalli editou um libreto com as terminologias mais comuns na educação física e nos desportos. Por que não um libreto, ou apostila com os termos basquetebolisticos pura e simplesmente? Sobraria tempo para o basquete de 4 dias.
- Preparação física.
Ridículo, se todos são professores experientes, ou não são? Se são técnicos largamente experientes, ou não são? Ou terão de ser “provisionados”?
- Formação de jogadores da base ao adulto.
É o típico tema para os técnicos de nível I, não para os de nível III, largamente formados e informados na temática da formação de base da
modalidade, pela qual, obrigatoriamente passaram em suas longas formações, ou não?
- Disciplina tática.
É o aspecto que justifica a presença de todos no curso, não só a disciplina tática, mas a técnica e a de vida, logo, não discutida por ser mais do que óbvia.
Concluindo, somente o quarto tema daria por si só assunto para os 4 dias do curso, com suas variáveis e diversidades, todas do mais alto interesse de técnicos de alto nível, mas somente possível se realmente professássemos conceitos e sistemas diversificados, e não um só, absoluto e imutável, e ai tenho de reconhecer, sobrariam muitas horas nos 4 dias propostos, e talvez seja esta a justificativa da presença dos temas definidos no programa, e que acima discuti.
Mas uma analise bem superficial constata uma particularidade sobejamente conhecida por todo professor e técnico experiente, a de que a formulação temática do curso segue a norma estabelecida pelo Confef em seus cursos para provisionados, onde o preparo de leigos para uma tarefa de transcendental importância para o processo educacional da juventude brasileira prima pela falta de bom senso, numa primeira ação de conquista, para agora evoluir de encontro aos licenciados e aos técnicos mais experientes, amparados por leis que antecederam a fundação de tão arrogantes e nefastos conselhos, e cujo curso de formação de treinadores parece ser uma jóia preciosa em seus desígnios de poder absoluto sobre a indústria do corpo, para a qual são os avalistas e banqueiros.
E que outra justificativa daria a ENTB quando na ficha de inscrição para o curso consta o item CREF(nº do registro) e sua validade?
Por prever e antecipar exatamente tudo isso que vem ocorrendo, é que me insurgi técnica e hierarquicamente contra a indicação de um preparador físico para coordenador da escola de treinadores, sabedor dos reais motivos para tal escolha. Agora que todos vocês já sabem, optem admitir, ou não. De minha parte emiti desde sempre um brado de indignação, e continuarei a lutar e me indignar para garantir o direito constitucional de continuar a ser o que sempre fui, um professor e técnico, por formação acadêmica e nas quadras desse imenso país, a mais de 50 anos, e não formado, provisionado e certificado em 4 dias.
Mas, se não restar mais nenhum recurso que me garanta, por direitos adquiridos, a direção de uma equipe adulta, e dependendo da ajuda fianaceira da equipe do Saldanha da Gama, da qual sou o técnico, para fazer frente aos gastos de passagens, estadia, alimentação em São Paulo, e o tal “investimento” exigido pela ENTB/CBB, serei obrigado a comparecer ao tal curso, onde sentado por 4 dias, ouvindo palestrantes, estarei sendo devidamente atualizado e certificado, e por que não, reiniciado na carreira de técnico de basquetebol. Seria cômico, se não fosse absolutamente trágico.
Mas, se for este o prêço que terei de pagar para poder enfrentá-los numa quadra, o farei, e quem sabe…
Com a palavra a Liga Nacional de Basquetebol – LNB, a qual não deveria apor sua chancela a tão evidentes distorções.
Amém.

PS – Sugestivo o logotipo da ENTB/CBB, onde se destaca altaneira e absoluta…uma prancheta! Coerência é isso aí…

CERTIFICAÇÃO(OU PROVISIONAMENTO?)…


“ A comunidade do basquetebol está em festa. A Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol, ENTB, uma antiga reinvidicação dos técnicos de basquetebol do nosso país, finalmente saiu do papel e é uma realidade. Sei que muitos técnicos ainda questionam a forma como a ENTB foi criada mas era preciso criá-la, não importando como. A partir da sua criação, com certeza, muita coisa terá que ser corrigida mas isso se tornará mais fácil. O importante é que teremos a partir de agora uma entidade que norteará todo o trabalho dos profissionais envolvidos com o esporte da bola laranja” (…).
(Trecho da matéria publicada pelo Prof. Byra Bello no seu blog Lance Livre em 19/6/2010).
Mais do que nunca mantenho minha posição contra a forma de como foi criada a Escola, e “o não importando como” mencionado pelo autor da matéria demonstra, sendo ele um dos componentes fundadores da mesma, a falibilidade da argumentação que a sustenta, ao largo da afirmação de que “o importante é que teremos a partir de agora uma entidade que norteará todo o trabalho dos profissionais envolvidos com o esporte da bola laranja”.
O “não importando como”, permitiu que a coordenação da Escola escorregasse para as mãos de um crefiano preparador físico, justificando um aparte do técnico Jorge Guerra durante o Congresso de Treinadores, quando de uma comunicação do técnico Aloísio Ferreira sobre a realização do Curso de Certificação Nível III, de que para o futuro somente os formados em educação física registrados nos crefs poderiam exercer a profissão, esquecendo que a massa crítica, sustentáculo do Confef e dos crefs estaduais se escuda nas centenas de “provisionados” , aqueles sem formação superior, e em muitos casos, sem formação secundária, autorizados pelos mesmos, ai incluindo técnicos desportivos, das lutas ao futebol, inclusive de seleções nacionais, atualizados e formatados em cursos pagos de qualidade inferior, os “provisionados”. E que são os mesmos que agora se arvoram no pseudo direito de formulação dos conteúdos programáticos das disciplinas de cursos superiores de educação física, na ingerência nos concursos públicos para professores de formação superior, nos municipios e estados, e por que não, no controle de formação de técnicos desportivos, onde a ENTB se encaixaria como uma luva.( É oportuno referendar ter sido esta a única comunicação extra programa durante toda a realização do excelente congresso dos técnicos).
O reconhecimento de que “a partir da sua criação, com certeza, muita coisa terá de ser corrigida, mas isso se tornará mais fácil”, incorre num erro fatal de previsão, o fato de que a partir de agora nada será corrigido, principalmente se tais correções forem de encontro a interesses solidamente estabelecidos, por se tratar de um mercado restrito e altamente rentável, pelo menos à luz de nossa realidade economico desportiva.
E pensar que tudo isso deveria ter sido o produto maior de uma associação nacional de treinadores, onde a hierarquia e o mérito pautariam uma verdadeira escola, e não um pastiche de interesses e inversões de valores. E foi durante aquela comunicação sobre o curso da ENTB durante o Congresso de Técnicos, que inquiri o porque de não ter sido escolhido o nível I ( técnicos de iniciação dos 9 aos 14 anos) para dar partida à escola, por serem os mais carentes de conhecimentos, tendo como resposta de que tal curso teria de ser realizado nas férias de fim de ano, já que a clientela seria basicamente formada pelos professores de educação física, numa suposição pública de que o mesmo se estenderia por um ou dois meses, e tal foi minha surpresa ao constatar de que o curso para o nível III será realizado em 3 dias de julho, quando todos aqueles novos técnicos, os mais carentes estarão também usufruindo suas férias de meio de ano, fato que anula a versão da coordenação da escola.
E nessa cornucópia de valores equivocados nos deparamos com as qualificações de “carteira definitiva” e “carteira provisória”, onde se encaixarão os técnicos da elite do basquete nacional, os de nível III após o curso de 3 dias em São Paulo ao custo de R$ 800,00 por participação, ao largo daqueles poucos, bem sei, altamente qualificados acadêmica e tecnicamente, que por principio constitucional se graduaram através os anos em cursos superiores nacionais e internacionais, nas quadras e ginásios, por décadas de trabalho profícuo, que terão de ser “provisionados” com suas carteiras definitivas ou provisórias, exigência esta fundamentada em que leis federais?
Senão vejamos o caso do professor Paulo Murilo:
-Licenciado em Educação Física pela EEFD/UFRJ em 1962
-Especialização em Basquetebol no Curso de Técnica Desportiva da EEFD/UFRJ em 1963.
-Registro de Técnico de Basquetebol no CND/MEC, em 1965.
-Técnico Emérito da FBERJ.
-Estágio Técnico de basquetebol em Universidades Americanas após concurso público qualificatório promovido pelo Dep.de Estado Americano e CBB, em 1967.
-Professor de Cursos de Atualização de Basquetebol do DED/MEC em vários estados brasileiros.
-Idealizador e fundador das duas primeiras associações de técnicos do país, a ANATEBA (1971), e a BRASTEBA(1975).
-Coordenador e Professor do Curso de Técnica de Basquetebol da UERJ em 1985.
-Graduação em Jornalismo Audiovisual pela ECO/UFRJ em 1975.
-Especialização em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela PUC/RJ em 1976.
-Coordenador das disciplinas de Didática e Prática de Ensino da FE/UFRJ por 27 anos.
-Coordenador do Laboratório de Tecnologia do Ensino da FE/UFRJ por 10 anos.
-Sub coordenador do Departamento de Educação Física da UFF por 9 anos.
-Doutorado em Ciências do Desporto na FMH/UTL de Lisboa em 1992 com a tese “Estudo sobre um efetivo controle da direção do lançamento com uma das mãos no basquetebol”.
-Técnico de basquetebol de equipes infantis, infanto juvenis , juvenis e de primeira divisão, masculinas e femininas por mais de 45 anos.
-Editor e fundador do blog Basquete Brasil(www.paulomurilo.com), com mais de 750 artigos técnicos, táticos e didáticos, voltados aos jovens técnicos, jogadores e entusiastas do país, desde 2005.
-Atual técnico do CR Saldanha da Gama na LNB.
São cursos, estágios e qualificações amparadas em leis federais, auferindo direitos adquiridos em entidades de ensino superior nacionais e internacionais, assim como um vastíssimo campo de experiências, estudos, pesquisas e trabalhos teóricos e práticos, em décadas de dedicação à causa da educação e do desporto pátrio.
Sei que são poucos aqueles que ainda resistem ao tempo, trabalhando e produzindo, mas eles ai estão, não como participantes de direito e mérito na formação de uma escola, mas prestes a serem nivelados àqueles que iniciam suas caminhadas, prestes a terem, ou não, o direito de continuarem seus trabalhos arduamente conquistados, representado por uma crefiana carteira de provisionado, disfarçada em definitiva ou provisória, justo e lídimo prêmio punitivo às suas ainda resistentes teimosias, aquelas que propugnam a valorização do mérito e da hierarquia, fatores fulcrais e determinantes de uma verdadeira, generalista e democrática Escola Nacional de Treinadores, de que modalidade for.
Torço para que a LNB, com suas reais propostas de progresso para o basquetebol, atente para tais distorções emanadas da CBB, a qual está vinculada a ENTB. Nunca será tarde para correções de rumo, assim espero.
Amém.

Fotos da comunicação técnica do Prof.Paulo Murilo no Congresso de Técnicos da LNB.
OBS-Clique nas fotos para ampliá-las.

UM CONGRESSO EM LISBOA…

IMG_7997Dedico o artigo de hoje à apresentação da palestra de abertura que  proferi em Lisboa na abertura do 3º Congresso Mundial de Treinadores da  Língua Portuguesa em 17 de julho de 2009, quando tive a honra de ser  convidado a desenvolver o tema – O que vem a ser um técnico de sucesso.

O TÉCNICO DE SUCESSO- Não propriamente o maior vencedor de torneios e campeonatos, grandes ou de menor expressão, e sim alguém visceralmente comprometido com a tarefa de educar através do desporto, preparando bons cidadãos, ótimos atletas, e equipes competitivas, todos dentro dos mais altos padrões sociais, éticos e desportivos, no seio da sociedade em que vive e atua, sempre com presteza, conhecimento e profissionalismo.

O mundo em que vivemos,  repleto de injustiças e insensibilidade, anseia por mudanças, principalmente aquelas nações relegadas ao estigma terceiromundista, que no limiar de um novo século ainda não encontraram soluções que reduzam tantas e profundas diferenças com as demais nações desenvolvidas.

A Educação é um dos caminhos redentores, base e sustentáculo de uma sociedade mais justa e igualitária, e o desporto um dos elementos voltados a estes objetivos, com sua proposta aglutinadora e profundamente democrática.

O professor / técnico desportivo foi, é e continuará sendo o agente propulsor de alguns destes importantes objetivos, e para tanto deverá ser preparado e instruído com afinco, atualizado e reciclado permanentemente à luz dos conhecimentos científicos, didático pedagógicos e incondicional acesso à informação virtual.

O professor / técnico desportivo assim preparado, experiente, estudioso e participativo, sempre trilhará o caminho do possível e alcançável progresso de seu povo, através seus alunos, seus atletas, suas comunidades e equipes. E quando um destes segmentos atingir objetivos e metas planejadas, poderá ser considerado professor e técnico de sucesso, se bem que tal projeção não seja tão importante e crucial como se propala, pois o sucesso deve ser definido como um bem realizado trabalho, nada mais do que um bom e recompensador trabalho. Notoriedade e fama ficarão por conta de outras, e quase sempre descartáveis circunstâncias.

Espero ter representado com honra e dignidade professores e técnicos deste esperançoso país.

Amém.

PS – No caso do último segmento não rodar, reinicie o artigo e clique no mesmo que rodará. PM.

DEBUTANDO…

E lá vem esse cara de novo mostrando o que está errado. Será que não elogia nunca? É rabugice demais!

Até que concordo, mas, elogiar o que?

Querem ver um cândido, porém simplório exemplo?

Ontem em um jogo do NBB 2 (contando assim parece que tem prazo determinado de validade…), um novíssimo assistente técnico estreou interinamente na direção de uma equipe que teve seu técnico principal despedido. E que estréia meus deuses, pois “nunca na história deste país” a síndrome da luzinha vermelha ( aquela lâmpada piloto que define uma câmera de TV  como operante, no ar…), foi tão evidente e tão explorada. Nosso debutante a perseguiu durante toda a partida, sendo que no terceiro quarto, distraído olhando passivamente a equipe francana deslanchar na quadra, não notou que estava sendo insistentemente focalizado ( desconfio que o diretor de video  acionou a câmera de propósito), mas no momento em que percebeu a luzinha acesa fez desencadear um frenético gestual de fazer corar as grandes vedetes do nosso passado teatro de rebolado da Tiradentes. E a luzinha continuava acesa, a tal ponto que ele encarou de soslaio aquela lente consagradora por duas vezes, até que foi desligada, pois o jogo teria de ser transmitido pelo seu real interesse, os jogadores, e não pelo balé hilário de corpo e mãos constrangedor à beira da quadra.

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ONDE O GALO CANTA…

Jogos pela Liga das Américas, NBB e final do paulista masculino, onde a presença da dupla, e às vezes tripla armação já se tornou lugar comum, assim como o domínio dos grandes e pesados pivôs decresce em importância na mesma proporção, dando lugar a uma forma de jogar mais dinâmica e veloz, e com um substancial reforço das defesas, graças ao incremento técnico dos fundamentos.

Pena que o sistema de jogo continue praticamente o mesmo, onde a estrutura sedimentada nos últimos 20 anos se mantêm inalterada, tanto por parte dos jogadores, como, e principalmente, por parte dos técnicos, tanto os veteranos, como surpreendentemente os mais novos. E o pior, com a plena aceitação de ambos os seguimentos, já que princípios arraigados desde a formação, que continuam a serem disseminados pelas clinicas técnicas (?) da CBB, a serem continuadas pela nova administração que veio para “mudar” conceitos superados.

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PAPAGAIOS DE PIRATA…

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E o homem falou, contido, sério e profundamente cauteloso, a ponto de não ferir suscetibilidades linguísticas ao mencionar sua intenção prioritária em estudar o idioma, e de não precisar de tradutor ao entender com precisão todas as perguntas que lhe foram feitas, ao vivo e à cores, ao contrario da ridícula tradução às suas respostas aos interlocutores do SPORTV, numa demonstração de preciosismo ante uma divindade aqui baixada para classificar nosso basquete às Olimpíadas de 2012, fator este que elegante e tecnicamente tratou de ponderar, traindo-se um pouco ao mencionar que medalha no Mundial poderá ou não ser conquistada, e que jamais aceitaria um contrato que exigisse tal conquista, mesmo que fosse em seu país, pois tais cobranças não se coadunam com sua forma de trabalhar.

Perguntas válidas e algumas tolas foram feitas, conveniente e politicamente respondidas, principalmente quando questionado sobre os segredos da vitoria olímpica, depois de um longo tempo de apagão internacional de seu país. Para uma platéia embevecida pelas perspectivas que sua presença poderá representar em vitorias nacionais, respondeu com a simplicidade argumentativa de quem teve por trás de si toda uma estrutura técnica de alta qualidade, que se empenhou por mais de vinte anos de trabalho e estudos intensos em todas os segmentos, da base à Liga Nacional, referendadas por fortes e bem estruturadas associação de técnicos e escola de treinadores, fazendo questão de mencionar seu agradecimento a todos os técnicos de formação, cujo trabalho silencioso e longe das mídias propiciaram os magníficos resultados que alcançou.

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