
Com o email acima, o Prof. Dante De Rose iniciou uma aproximação comigo, mas as circunstâncias que cercavam a fundação da ENTB, concorreram para que eu me mantivesse afastado da mesma, por motivos que externei numa série de artigos postados no blog. Mais adiante, o Prof. De Rose insistiu na aproximação, postando o seguinte email:
Prezado Paulo
Tenho acompanhado suas manifestações sobre a ENTB e na condição de coordenador pedagógico da mesma gostaria de me dirigir a você com todo respeito que sempre me mereceu desde nossos contatos na pós da USP e BRASTEBA.
Perdemos contato mas creio que você deva me conhecer o suficiente para reconhecer minha luta constante pelo basquetebol. Inclusive pela criação de uma Escola.
Segundo informações recebidos, durante reunião da Liga a Escola foi apresentada e os treinadores foram convidados a participar da elaboração do projeto. Isto resultou na participação de vários: Lula, Flávio, Guerrinha, Bial, Ênio, entre outros.
Em um determinado momento eu, pessoalmente, enviei a você um email, convidando-o a participar, já que você tinha sérias restrições quanto à Escola e sua presença poderia ser de muita valia para melhorar nosso processo. Não recebi resposta deste email e seus ataque à ENTB cotinuaram sem que nunca nós tivéssemos a oportunidade para conversar sobre o assunto.
Sua colocação neste email adjetivando a Escola como “farsa” me parece muito inadequada pois atinge profissionais de conduta ilibada e com carreiras bastante significativas em nosso basquetebol. Eu não me considero um “farsante”, pois entendo que se você coloca a Escola como ”farsa” aqueles que dela participam seriam “farsantes”.
Não me parece justo este tipo de citação.
Estamos todos imbuidos dos melhores propósitos para tentar ajudar o basquetebol. A ENTB não é e nem pretende ser a salvação da lavoura. Mas talvez consiga
contribuir um pouquinho. Reconheço que há muito o que melhorar e pessoas com a sua competência e experiência poderiam contribuir demais para isto.
Como sempre, coloco-me à sua disposição para discutirmos o assunto.
Abraços
Atenciosamente
Dante
On Mon, 24 Jan 2011 07:45:07 -0200, “Prof. Dr. Dante De Rose Junior”
<danrose@usp.br> wrote:
Prezado Paulo
Reenvio o email enviado no dia 20 de janeiro, reforçando o convite para que venha contribuir com suas idéias para melhorarmos nosso projeto.
Atenciosamente,
Prof. Dr. Dante De Rose Junior
Respondi ao email da seguinte forma:
Dante, como é largamente sabido no nosso ambiente basquetebolistico, a mais contundente restrição que faço desde sempre à ENTB é a sua coordenação e criação ter sido entregue a um preparador físico, sob os pretextos mais absurdos de que jamais tive conhecimento nos 50 anos que milito no grande jogo. Fosse você, o Aloisio,o Helio, ou um outro professor e técnico o responsável pela implantação da Escola, e ter sido formalmente convidado a participarde sua organização, estaria de muito colaborando com a mesma. Não concordo e não admito essa inversão de valores, que já vai se transformando em algo corriqueiro em nosso infeliz país. No meu ponto irrevogável de vista, esse é o fator restritivo que nega à ENTB o grau de confiabilidade e reconhecimento acadêmico indissociável a uma Escola de verdade. Hierarquia e mérito são fundamentos básicos na constituição de uma academia de ensino.
Saudações universitárias.
Paulo Murilo Alves Iracema.
PS- Me reservo o direito de tornar pública esta resposta, na medida de meu particular interesse. PM.
Prezado Paulo
Fico feliz pelo contato.
Gostaria de esclarecer que eu não conheço os motivos pelos quais o Diego foi incumbido de coordenar o projeto. No entanto, assim que ele iniciou, o Diego me procurou para participar e ajudá-lo a desenvolvê-lo. E assim fizemos o convite a vários técnicos que passaram a participar do projeto. Em nossas reuniões preliminares tivemos a presença de cerca de 30 pessoas diretamente envolvidas com a área técnica e acadêmica. Citando alguns: Lula, Guerrinha, Bial, Flávio Davis, Medalha, Hermes Balbino, Roberto Paes, Sergio Maroneze, Ênio Vechi, Paulo Bassul, Macau, Byra Bello, Miguel Ângelo, Chuí, Tácito, Ruben Magnano, entre outros.
Como vê a participação dos treinadores foi maciça.
Eu entendo que o fato de ser um preparador físico não o descredencia para o cargo. Mas esta é uma opinião pessoal e respeito muito a sua.
O que posso te adiantar é que, a partir de março a coordenação da ENTB estará sob minha responsabilidade. Assim sendo, ratifico meu convite para que você participe conosco e traga suas idéias e experiências para melhorarmos o projeto da ENTB.
Em relação à publicar sua resposta fique à vontade. E se achar conveniente fique também à vontade para publicar a minha.
Abraços
Dante
Com essa decisão, publico hoje os emails, assim como respondo a alguns conteúdos inseridos nos mesmos:
- Em nenhum momento do processo de implantação da ENTB fui convidado formalmente para compor o quadro que estudava a criação da mesma.
- Todos os componentes dos três setores da ENTB foram convidados pela direção técnica da CBB, omitindo grandes nomes do basquete brasileiro na formação de base, optando pelos técnicos a ela ligados, e guardando para si o Comitê de Desenvolvimento, confome publicação oficial da CBB.
- A coordenação da ENTB, entregue ao preparador físico das seleções nacionais, determinou de imediato o meu não apoio à escola, pela quebra hierárquica que deve sempre ser preservada, basicamente na área da Educação e do Desporto.
- A afirmativa no último email, de que a partir de março a coordenação da ENTB seria de sua responsabilidade, e que desconhecia os porquês da indicação do atual coordenador, conota uma reviravolta política dentro da escola, haja vista o descontentamento de muitas pessoas ligadas ao basquete com aquela indicação, veementemente contestada por mim desde o inicio do processo.
- A confirmação do envolvimento direto do sistema Confef/Cref na formulação, implantação e reconhecimento da ENTB, como fator balizador de sua existência.
Enfim, ficam confirmadas todas as alegações que consubstanciaram minha imediata repulsa “à forma” de como foi criada a ENTB, reforçada por uma declaração de um de seus fundadores, o Prof. Bira Bello, que afirmava;
“ A comunidade do basquetebol está em festa. A Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol, ENTB, uma antiga reinvidicação dos técnicos de basquetebol do nosso país, finalmente saiu do papel e é uma realidade. Sei que muitos técnicos ainda questionam a forma como a ENTB foi criada mas era preciso criá-la, não importando como. A partir da sua criação, com certeza, muita coisa terá que ser corrigida mas isso se tornará mais fácil. O importante é que teremos a partir de agora uma entidade que norteará todo o trabalho dos profissionais envolvidos com o esporte da bola laranja” (…).
(Trecho da matéria publicada pelo Prof. Byra Bello no seu blog Lance Livre em 19/6/2010).
Como podemos então atestar, a criação da ENTB foi eivada de erros e equívocos, não só administrativos, como técnicos, e principalmente, pelo seu teor eminentemente político nas escolhas iniciais para a sua implantação, transformando-a numa farsa de si mesma, quando deveria ter pautado o caminho do mérito e da hierarquia acadêmica, pois afinal, se tratava de uma Escola. Concordo, e me penitencio por parecer que denomino bons profissionais como farsantes, no que não é o caso, e sim lastimando vê-los envolvidos no que apontei acima,
uma ansiada escola que se transformou numa farsa de si mesma, pelos muitos erros, pela impensada pressa em implantá-la a qualquer custo, pelo equivoco técnico politico.
Acredito que devam estar esclarecidos os desvãos que separam meu posicionamento da realidade político desportiva da ENTB/CBB, desvãos estes até esta data, intransponíveis.
Amém.