VERDADES CONHECIDAS, MAS TRISTEMENTE OMITIDAS…

Este é o terceiro ou quarto, sei lá, técnico estrangeiro que nos brinda com “inovações” para a seleção brasileira que se prepara para os dois jogos decisivos a classificação para  o Mundial na China, porém, com uma instigante diferença, fala, às claras, sobre as mazelas técnico táticas que nos aflige a décadas de pusilânime dependência da matriz do norte, e sem meias palavras, na bucha, escancaradas verdades que temos omitido por todo esse tempo, perdendo gerações de bons talentos, formatados e padronizados por um sistema obtuso de jogo único, sustentado por um corporativismo exacerbado de “estrategistas” disfarçados em técnicos de alto nível, e mais recentemente, propalando aos midiáticos ventos, a supremacia autofágica das bolinhas de três, sufragando com as mesmas uma hegemonia falseada e absolutamente inaceitável (inclusive por ele mesmo)…

Foi esse nevrálgico óbice que o Petrovic abordou na entrevista de hoje cedo, quando anunciou a convocação para os dois jogos contra a República Dominicana e o Canadá, decisivos para a classificação ao Mundial. Vale muita a pena assistir a matéria produzida pela CBB, assim como a participação brilhante do Wlamir, do alto de sua experiência e inegável qualidade de grande campeão, técnico e professor do grande jogo…

Fico deveras feliz com a entrevista, pois, coincidentemente, esbarra num posicionamento que defendo e venho publicando nos últimos 14 anos de Basquete Brasil, confirmando com sobras, o quanto de conhecimentos aqui expostos, emulam os do croata, advindo de um basquetebol mais evoluído que o nosso nos tempos atuais, quando um pouco lá atrás éramos nós que dávamos as cartas, num tempo esquecido, por não devidamente valorizado, vítima do nosso incorrigível defeito de omitir glórias passadas. Mas hoje o Wlamir ali estava, avalizando o croata e fechando certas boquinhas que negam o que ele representou e representa para o nosso basquetebol…

O mais engraçado, se não fosse tragicômico, é o fato inconteste e indiscutível de, por toda minha vida nas quadras (e lá se vão mais de 50 anos), somados aos 14 deste humilde blog, ter estudado, pesquisado, ensinado, dirigido jogadores, equipes de todos os formatos e faixas etárias, e formado muitos e muitos professores, é que “agora”, com a palestra do Petrovic, tais evidências e conceitos serão reconhecidos, e quem sabe defendidos e divulgados, por todos aqueles que sistematicamente voltaram as costas para minhas realizadas ações técnico táticas, e por um único motivo, o de jamais me ter submetido ao abjeto corporativismo, autor e mantenedor da mesmice endêmica que o sustenta e promove, corporativismo este que, sem dúvida alguma gerará muita dor de cabeça a este croata visionário, que para cúmulo da má sorte foi brindado com um par de assistentes, que em nada, e por nada, comungam com suas sólidas e acadêmicas posições técnico táticas do grande jogo, não fossem as equipes por eles dirigidas, das mais e sôfregas utentes da hemorragia do três pontos em todas as competições de que participam. Sem dúvida alguma, muito pouco somarão às suas elaboradas convicções, avessas ao “chega e chuta” que ambos defendem…

Petrovic terá somente 7 dias para treinar a equipe, muito pouco para uma revisão técnica, quem sabe talvez aprimorar um pouco o sistema defensivo, o que já seria muito bom, tentar segurar a enxurrada de bolinhas, melhor ainda, e insistir no jogo interior, que se conseguido, classificará a seleção ao Mundial. Dali para frente será outra história, com mais tempo de treinamento, aperfeiçoamento de novos jogadores, e quem sabe, a implementação de uma forma proprietária de jogar, ousada e corajosa, onde o domínio dos fundamentos individuais e coletivos marcarão o futuro do grande, grandíssimo jogo entre nós. Torço sincera e honestamente para que ocorra tudo aquilo que professa e acredita…

Amém.

Foto – Reprodução da divulgação CBB. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

Entrevista – Página da CBB no Facebook –https://www.facebook.com/BasqueteCBB/videos/1121157921388503/ ou clicando em entrevista acima no texto.

O POSSÍVEL AMANHÃ…

Desde algum tempo, e face à progressiva decadência do desporto de base no país, me perguntam insistentemente, que providências encaminharia ao poder público, a fim de serem estudadas e analisadas junto a sociedade civil, na busca de soluções factíveis a nossa realidade de país carente de recursos voltados a educação física e ao desporto, como manifestações de extraordinária importância na formação plena de nossa juventude, em conjunto com as disciplinas tradicionais, as artes, a música, o teatro e a dança, que é um direito constitucional de todo cidadão brasileiro, queiram ou não os dirigentes e os políticos deste imenso, desigual e injusto país…

Sendo na Educação Física e o Desporto a minha formação básica, como professor e técnico em todos os níveis e graus de escolaridade, do primário à universidade, face à licenciatura plena, assim como o profundo envolvimento na área clubística, da formação de base até a elite junto ao basquetebol, por mais de 50 anos de árduo trabalho, estudo, pesquisa e ação direta na formação dos futuros professores de educação física na UFRJ, Universidade Castelo Branco, UERJ e UFF, complementando minha educação com o bacharelato em Jornalismo Audiovisual, e o Doutoramento em Ciências do Desporto na FMH/UTL de Portugal, sinto que posso sugerir algumas providências que auxiliariam substancialmente o desenvolvimento da educação física e os desportos no país…

Para tanto, devo me reportar ao início da hecatombe que se abateu sobre a formação dos futuros professores de educação física e desportos, quando em 1972, sob a direção da Profa. Maria Lenk, foi estabelecida a transferência da EEFD/UFRJ do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, para o Centro de Ciências da Saúde daquela instituição (eramos na ocasião, eu e o Alfredo Gomes de Faria acessores da Maria Lenk, demissionários pela decisão), com a justificativa de que a educação física somaria um mais elevado status profissional se ligada a área médica, dando início ao ciclo da saúde integral, mais tarde transformada em culto ao corpo, originando o bacharelato e o inacreditável CONFEF/CREF, à imagem do Conselho de Medicina, transformando as escolas de educação física em praticamente centros de formação de paramédicos, pois seus currículos prioritários de créditos de disciplinas desportivas, com suas didáticas específicas, foram sendo minimizados em beneficio de disciplinas biomédicas, justificando o aparecimento do bacharelato na área, fortalecendo e abastecendo a indústria do corpo com mão de obra estagiária barata, hoje largamente disseminada pelo país, com suas holdings de suntuosas academias, utilizando-os a granel e preço baixo, num negócio que já movimenta mais de 20 bilhões anuais, não interessando ao mesmo a implementação e desenvolvimento da educação física escolar, arriscando um mercado de tal monta e estratosféricos lucros, daí suas incursões na área das licenciaturas, origem do professorado, e não somente bacharéis e provisionados, definidos como profissionais de educação física…

Com os currículos minimizados nas disciplinas desportivas, como preparar melhores professores para as mesmas, como desenvolvê-los nas disciplinas da licenciatura com tão poucos e parcos conhecimentos, como? O resultado a longo prazo (e já lá se vão 46 anos desde a trágica opção) se faz sentir com a perda e clara decadência do ensino dos desportos junto aos jovens, nas escolas e nos clubes, pois muitos dos responsáveis por essa básica tarefa, foram sendo transformados dai em diante em “professores” após seu tempo como praticantes, além dos muitos que foram, e continuam sendo “provisionados” pelo sistema CONFEF/CREF por todo o país, que não satisfeito ousa, com algum sucesso político, influir na formação universitária, seus currículos, e nos concursos públicos municipais, estaduais e federais, condicionando o ingresso aos mesmos ao registro no cref, numa atuação diretiva a que não deveria ter direitos, pois teima em investir na área educacional quando estruturado como controlador qualitativo dos “profissionais de educação física”, como tentam definir os licenciandos das escolas de educação física, nivelando-os aos provisionados que avaliza, e os bacharéis, abastecedores do bilionário mercado da indústria do corpo, e que teria de ser alijado da pretensão absolutista do controle qualitativo dos licenciados, dos professores, haja vista a não existência de conselhos nas demais disciplinas dos currículos escolares, gerando a pergunta mais enfática – por que somente existe um conselho federal na disciplina de educação física, por que? Creio que o exposto acima responde com folga a este questionamento, ou não?

Hoje mesmo, o Confef publica em página inteira no jornal O Globo uma publicidade oportunista e falaciosa, pois o eleito presidente da república não é formado em curso superior de educação física, e sim qualificado como instrutor em curso de um ano, quando oficial do exército, pela EEFEx, que forma também monitores quando sargentos, para atenderem as exigências físicas das tropas nos quartéis, onde em muitos deles atendem jovens da periferia e organizam colônias de férias em suas bem cuidadas instalações, muito bem administradas, deve ser dito, e que durante os governos militares também recebiam o registro “D”, equivalente aos licenciados, que os qualificavam para o ensino escolar e universitário, hoje não mais existente. Trata-se a publicação da página do Comfef de uma jogada política oportunista, e que tem como razão maior sedimentar e dar impulso a sua conquista prioritária, o domínio total da indústria do culto ao corpo com seus vultosos lucros, onde o desenvolvimento pleno da educação física e do desporto escolar ao desviar um número significativo de utentes de suas majestosas academias, deve ser mantido no estágio falimentar atual…

Então, como primeiro passo para reencontrarmos o caminho para um melhor ensino da educação física e os desportos nas escola e nos clubes, se torna prioritário e obrigatório a volta dos cursos de educação física para os Centros de Ciências Humanas, berço formador de professores, deixando para trás os Centros da Saúde, que já se locupletaram com o rentável naco da fisioterapia, reintroduzindo prioritariamente os créditos das modalidades desportivas e pedagógicas, como de antanho, assim como reforçando a licenciatura e as práticas de ensino junto a escolas, e não academias. Acredito que num prazo médio obteriamos melhorias substanciais no ensino dos desportos, sem dúvida alguma…

Dada a grande dificuldade politico econõmica para a extinção do anacrônico e impositivo sistema Confef/Cref, que o mesmo se situe no “controle qualitativo” dos muitos e muitos provisionados que patrocinou e registrou por anos a fio, e dos bacharéis não credenciados com a licenciatura, até que o bom senso seja resgatado, que é o fator crucial que difere “profissionais” de professores de educação física, com sua formação avalizada e reconhecida por quem de direito, as universidades e o MEC, responsáveis de direito pela formação e graduação dos professores do país, e a quem cabe definir suas qualificações…

Outro fator de grande importância é o aparelhamento e atualização das dependências desportivas já existentes nas escolas, sem luxos. e sim com parcimônia e realismo, assim como a criação de parcerias com os inúmeros clubes sociais, que desenvolveram por muitos anos o desporto jovem, hoje ausentes do processo social desportivo, com escolas vizinhas desprovidas de instalações desportivas, em horários compatíveis, sem a necessidade de investimentos em locais inapropriados, a não ser a manutenção e melhria dos mesmos, beneficiando a ambos, alunos e utentes.

Outra boa perspectiva no âmbito do basquetebol, seria a de investir qualitativamente na ENTB da CBB, com um planejamento voltado a diversificação regional, atendendo a qualificação de futuros técnicos através o acompanhamento gradual na formação de base, atualizando-os localmente e através informações pela internet, classificando-os anualmente, atendendo a seus progressos no ensino, e não por títulos conquistados, critério este destinado eventualmente aos técnicos das divisões adultas, priorizando o mérito na formação de base, que é o princípio de tudo no desporto…

Finalmente, a reestruturação e despolitização da CBDU e da CBDE, encaixando-as numa política nacional de Educação Física e Desportos, visando o universo estudantil, sem dúvida alguma incrementaria o desenvolvimento de nossos jovens em seu ambiente natural, a escola e a universidade, complementada pela revigoração dos clubes.

Enfim, são soluções viáveis e de oneração compatível a realidade do país, bastando ser estabelecida uma autêntica e objetiva política voltada a educação física e os desportos visando a tão negligenciada juventude deste enorme, desigual e injusto país.

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal da participação  feita no Congresso Brasileiro de Justiça Desportiva, realizado em Florianópolis em setembro de 2015, onde expus alguns dos pontos aqui abordados nesse artigo, e reprodução do jornal O Globo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

QUE OS DEUSES NOS PROTEJAM…

Nessas duas primeiras rodadas do NBB 11, consegui, com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e como, invariavelmente acontece, me coloco na contramão da mídia dita especializada, pois os comento como professor e técnico de basquetebol em todos os parâmetros exigidos pelas funções, e não como torcedor, consumidor, entusiasta, ou mesmo comentador de uma modalidade complexa e altamente refinada como o grande jogo deve ser encarado e esmiuçado, sem as chutações a que é submetido no processo osmótico daqueles que o foram apresentados outro dia, sem contar as transmissões ufanistas e empoladas em termos “de como dizem os americanos”, como se isto fosse a nossa verdade do grande jogo, num colossal erro de falsa percepção e conhecimento profundo do mesmo…

Impressionante as elucubrações técnico táticas que são lançadas a esmo pela rede, pela TV, pelos blogs, e o que é mais tragicômico, sem um mínimo de autenticidade, pois comentam jogos rigorosamente iguais, praticados por equipes que se emulam freneticamente, onde americanos meia boca ditam suas normas individualistas (pranchetas? Ha, sei…), elevando o sistema único ao patamar supremo da mesmice endêmica a que pertencem, todos, rigorosamente todos, numa incômoda, precária e lastimável repetição do nada a que estão atrelados, dentro, e o pior, fora das quadras, bastando observar estupefatos os desconexos rabiscos nas midiáticas pranchetas desde sempre, a desenfreada hemorragia nas bolinhas consentidas e incentivadas pelos estrategistas, resultantes da ausência defensiva generalizada (logo falseadas), que retomam sua predominância em jogos, como Joinville e Pinheiros, onde 73 arremessos de três foram realizados (30/43), contra 45 de dois pontos (25/20), numa demonstração tácita do descaminho em que enveredamos a cada rodada que passa, realocando na cabeça do Petrovic sua maior preocupação em termos de seleção, de equipe enfim – como encarar de frente essa situação, combatendo-a, ou aderindo, como fizeram  seus colegas estrangeiros que o antecederam? – com os resultados que conhecemos, tristes resultados, e mais tristes ainda, catastróficos, a continuar grassando essa absurda autofagia…

Os erros de fundamentos continuam na faixa dos 27,2 por jogo, com somente uma partida abaixo dos 20 erros, Mogi 97 x 83 Pinheiros com 15 (num jogo de ontem o comentarista mencionou os 20 erros de uma das equipes como uma tragédia, no entanto classificou o jogo como um “partidaço” digno de nossas melhores tradições), sendo que um deles vem se avolumando perigosamente pelas mãos de armadores, categorizados ou não, que “conduzem” a bola abertamente no drible (cometendo a infração de andar com a bola, já que interrompem deliberadamente a trajetória da mesma em direção ao solo) , facilitando e exequibilizando jogadas e fintas mirabolantes, que sem a utilização desse estratagema ilegal, jamais se concretizariam, sem que os juízes os impeçam como deveriam fazê-lo. Aliás, lembremos que num jogo em Mogi do ano passado, a dupla de comentaristas Cadum e Boracin, mencionava aos risos que se as conduções fossem penalizadas, nenhum jogo nosso andaria, relato esse vindo de dois de nossos melhores armadores, inclusive de seleções nacionais…

Mas o mais frustrante, é ter de presenciar o “ritual” em torno do estrategista a cada tempo pedido, quando o mesmo se reúne com seus assistentes confabulando estratégias (que se treinadas dispensaria tais e inócuas reuniões), ter sua cadeira (trono?) colocada por um deles em frente aos jogadores, sua prancheta entregue por outro, para ao fim do discurso e dos rabiscos, devolvê-la, senhorialmente. Simplesmente constrangedor…

Acredito firmemente que, nem tão cedo veremos progressos em nosso infeliz basquetebol, investidor pesado em marketing, imitação (que não deveriqa ser assim) pífia da matriz, penduricalhos disfarçados em lazer, e arenas cada vez mais vazias, esquecendo a mater tarefa para desenvolver de verdade o grande jogo em nosso imenso, desigual e injusto país, o investimento maciço e estratégico na formação de base e de técnicos, entregue a quem tem competência de planejá-lo, orientá-lo e liderá-lo, também na elite, para servir de exemplo balizador aos que se iniciam, priorizando um maior envolvimento com os fundamentos do jogo, e o emprego de sistemas ofensivos e defensivos diferenciados, e não essa mesmice endêmica escancarada, descaracterizada e robotizada da nossa realidade, camuflando-a com um pastiche imitado, servil e colonizado do que, por força de um mercado voltado ao lucro, nos impingem desenfreadamente, e de fora para dentro. Acredito, honestamente, que temos muito mais a mostrar e demonstrar técnica e taticamente no mundo do grande jogo (já fomos grandes, lembram?), que não seja o que aí está, carcomido e absolutamente medíocre, onde nossos melhores prospectos são lançados além fronteiras às feras ainda púberes, com precário preparo estudantil (muitas vezes nem isso…), manipulados por agentes e empresários ávidos por lucros imediatos, a que preço for, tendo o apoio de uma mídia mais ávida ainda do reconhecimento de suas abalizadas, imprecisas e interesseiras projeções, muitas vezes incultas e irresponsáveis, vide o que vem acontecendo com nossos “craques” no mercado selvagem do basquetebol internacional, a começar pela matriz, onde sequer conseguem se manter 5 minutos em quadra, sendo descartados no varejo de um mercado que não perdoa a má formação de base, enquanto por aqui gasta-se muito dinheiro com estrangeiros de terceiro/quarto níveis (uns poucos se salvam, a começar pelos hermanos), participantes de um festim, onde o sistema único nivela jogadores, técnicos, diretores, jornalistas e torcedores, em torno de uma formatação e padronização aceita por todos, pois mantenedora de suas posições, empregos e discutíveis prestígios, se confrontados com a dura realidade internacional…

Sim, consegui com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e, sinceramente, preferiria não tê-lo feito, a fim de não sentir o triste desprazer de ter postado a matéria acima , mas convenhamos, alguém teria de fazê-lo, principalmente se realmente se interessa e ama o grande jogo bem formado, treinado, discutido e, acima de tudo, bem jogado, pois lá se vão 14 anos de Basquete Brasil, esta humilde e democrática trincheira em defesa de todo um corolário de conhecimentos factíveis e responsáveis, ao largo das chutações e achismos modais, anônimas ou não… 

Que os deuses nos protejam…

Amém.

Fotos – Conferência de abertura do 3o Congresso Mundial de Treinadores de Lingua Portuguesa, Lisboa julho de 2009 (video).

– Divulgação CBB. Clique duas vezes nas mesmas para ampliá-las.

REFLEXIONANDO…

  10801580_416056811852694_60297652605880243_n-002     Em recente artigoFabio Balassiano apontou avanços  substanciais no gerenciamento do basquetebol brasileiro, tanto pela CBB, quanto pela LNB, tendo como foco principal a reforma dos estatutos da primeira, estratificado desde sua fundação, e que finalmente galgou um patamar bastante positivo, principalmente na composição de seu colégio eleitoral, agora acrescido de jogadores e técnicos, algo tido como impossível a bem pouco tempo atrás. No entanto, um nevrálgico ponto deixou de ser analisado, o fato da escolha dos técnicos ter sido feita pelo presidente da ATBB (Associação dos Técnicos do Basquetebol Brasileiro), uma entidade que sucedeu a APROBAS, que deixou de existir pela baixa adesão dos técnicos, assim como a anterior ABRASTEBA, quando do falecimento de seu presidente e mantenedor Moacyr Daiuto, aspecto que parece pode se repetir, face a baixa adesão dos técnicos à nova associação, que com as antecedentes, contava quase que exclusivamente com técnicos paulistas…

Pois bem , numa recente materia do Databasket pela internet, o presidente da ATBB comunica que pessoalmente indicou os dois técnicos para compor o colégio eleitoral da CBB, ao contrário da CBB que que se utilizou do voto universal para indicar os jogadores representativos, e era de se esperar que o mesmo acontecesse pela direção da ATBB, que inclusive se auto nomeou o representante no Conselho Administrativo da CBB, e mais, comunicou que propôs a administração da ENTB com a possibilidade de inclusão de cursos a distância, ou seja, uma entidade que de forma alguma alcançou representatividade nacional, pois conta com baixa adesão de técnicos, experiência que não chega a dois anos de atuação, e como suas duas predecessoras, sendo composta quase exclusivamente por técnicos paulistas, apontando claramente que, em hipótese alguma, permitirão que o controle técnico do basquetebol brasileiro saia de sua direta influência, que data da primeira administração do grego melhor que um presente, que garantiu sua eleição sobre o Renato Brito Cunha, com o decisivo apoio dos paulistas, em troca do domínio absoluto do setor técnico da entidade maior (é bom lembrar que até aquele momento a CBB, com sede no RJ, comandava o setor técnico, época em que o basquetebol brasileiro alcançou suas maiores conquistas internacionais, com três mundiais e cinco medalhas olímpicas), dando início a hecatombe que se instalou entre nós, e que aí está escancarada pela padronização e formatação do nosso indigitado basquetebol, inserido coercitivamente no tenebroso sistema único de jogo, da base até a elite, dando início ao corporativismo exacerbado que tanto nos oprime e humilha…

Mas não satisfeito, ensaia um convite para que durante o jogo das estrelas no Ibirapuera, os técnicos se reunam para num “brain storming” discutirem caminhos e sugestões para que a presidência os representem, mas onde, se já se decidiu fazê-lo sozinho e seus dois parceiros? Parece não, é realmente surreal ( e mais um lembrete, foi durante o Mundial Feminino neste mesmo Ibirapuera em 1971, durante um seminário técnico, que lancei a idéia de fundarmos uma associação de técnicos, que contou com a adesão imediata de mais de 180 técnicos nacionais e alguns internacionais, dando início ãquela que seria a segunda associação nas Américas, perdendo somente para a NABC, fundada em 1926. Foi um concenso absoluto, fruto de uma iniciativa democrática discutida por todos os presentes  Abri mão da da unânime indicação a presidência (aos 32 anos me considerei jovem demais para o cargo, além de algumas rusgas com a CBB), em nome do técnico e professor Antenor Horta, tendo na vice presidência o professor Moacyr Daiuto, ficando como secretário da mesma. A ANATEBA foi dois anos mais tarde dissolvida pela negação da CBB em apoiá-la, quando do lançamento do Mini Basquete no país).

Honestamente, a CBB não pode repetir o brutal erro cometido quando do lançamento da ENTB, levando-a ao fracasso e praticamente sucumbir ao seu péssimo e incompetente projeto de ação. Uma Escola é algo de transcendente importância, e que deve reunir a nata de professores e técnicos, veteranos e alguns jovens promissores, inclusive aqueles que pertençem a associações estaduais de técnicos (aqui no RJ existe uma, e quem sabe em outros estados), para aí sim, reunidos em torno de uma imensa mesa, estabelecerem aquelas importantes discussões para a formação de base, e o estabelecimento de uma autêntica e séria ENTB, e não mais um capítulo de imprevidência e oportuno continuísmo, exclusivo de um grupo no perene comando técnico do grande jogo no nosso imenso e injusto país…

E um dos resultados nefastos dessa influência pode ser descrito por alguns e singelos números que ocorreram nas semifinais e final da LDB, categoria sub 20 de jogadores que já deveriam estar prontos para o NBB, onde alguns já competem e cujos erros nos fundamentos básicos são preocupantes, pois os tornam ineficientes no desenvolvimento de sistemas de jogo, ofensivos e defensivos, os quais somente se tornam produtivos com o pleno domínio dos mesmos, e por essa indiscutível razão, serão extremamente limitados nas ações que exigem criatividade e improviso consciente na consecução dos sistemas propostos, e consequente leitura de jogo. Aqui os resultados:

– Nos 24 jogos desta fase final, foram cometidos 871 erros de fundamentos, ou 36,2 por jogo na média.

– Por equipes :

– Pinheiros 112 (22.4 pj); Flamengo 108 (21.6 pj); Minas 108 (21.6 pj); Paulistano 98 (19.6 pj); Ceará 90 (18.0 pj);  São José 81 (16.2 pj); Franca 76 (15.2 pj); Curitiba 70 (14.0 pj).

– Finalistas :

– Pinheiros/Franca – 25/17 – 42 erros

– Paulistano/Sãp José – 15/20 – 35 erros

– Jogo com mais erros – Paulistano/Minas (28/27) 55 erros.

– Para um razoável padrão na elite de 5-8 erros por equipe, alcançaram os novos jogadores : 1 jogo com mais de 50 erros; 6 entre 40 e 50; 4 entre 30 e 40; 5 entre 20 e 30, e absolutamente nenhum abaixo dos 20 erros. Seria interessante que fossem contabilizados os erros de toda a competição, com resultados assustadores, confiram, ou não se deem ao trabalho, para que, não? Noves fora a endêmica chutação de três…

Complementando o desanimador quadro, o jogo da primeira rodada da Liga Ouro entre Brusque e Cerrado apresentou os seguintes e absurdos números – 32 arremessos de 2 pontos e 74 de 3, sendo que ao fim do segundo quarto perpetraram 3 de 2 pontos e 26 de 3, simplesmente inacreditável!…

Agora a pouco o Paulistano arrasou o Botafogo arremessando 19/29 de 2 pontos e 21/43 de 3, sedimentando a “nova filosofia” de jogo tupiniquim (como ninguem defende, é uma excelente oportunidade de agregar vitórias e recordes aos currículos, e que se explodam os resultados nas seleções mais a frente), até o dia em que as equipes reaprendam a defender, a contestar, mas claro, se derem importância aos fundamentos básicos do jogo, desde a base, preferencialmente, ou mesmo praticá-los na elite, por que não, porque não?…

Mas algo de “positivo” que vem acontecendo nos jogos da seleção dirigida pelo Petrovic, a sua progressiva adesão aos chutes de três (vide o Magnano), inclusive nos contra ataques e por parte dos pivôs, num gritante contra ponto aos seus conceitos croatas de basquetebol, o que seria lastimável se olvidados, espero contrito que não…

No mais, fazendo coro ao meu permanente e atento interlocutor, que me considera um empedernido pessimista, alerto ao mesmo que, muito pelo contrário me considero um irremediável otimista, a ponto de vislumbrar uma tênue esperança em dias melhores para o grande jogo entre nós, na medida, mais tênue ainda, de que afastemos dele aqueles que no fundo o odeiam, pelo simples fato de não o entenderem naqueles pontos que tem de grandioso, sua inesgotável capacidade criativa, ousada e corajosa, mesmo  aviltado e agredido sem maiores contemplações, pois o que tem importado de verdade é a bola sagrada de três, a enterrada monstro, o toco transcedental, o duplo e o triplo duplo, as pranchetas que falam, os palavrões e coerções a jogadores e árbitros, a patética mímica extra quadra, as violentas torcidas de icônicas camisas, os tatibitates craques que exportamos antes do tempo, a importação dos que não servem mais para a matriz, e a continuidade da mesmice endêmica em nossa autofágica forma de jogar, negando as diferenças, o bom senso, o criativo e o ousado, em nome do que aí está  Um novo ciclo olímpico já foi iniciado, e nada parece que aprendemos técnica e taticamente, mas meus deuses, até quando, até quando…

Amém.

 

FALAR O QUE?…

 

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– O basquete chegou ao fundo do poço Paulo, afundou de vez, e até intervenção da FIBA vem por ai, que vergonha, que fracasso, que…

Calma amigo, calma. Para começar, a FIBA não tem poder intervencionista em nosso país, nossas leis comuns e desportivas não o permitem, quando muito vêm se informar “quando” a grana devida deverá ser paga, se o for, e se a nossa gloriosa CBB ainda ostenta um resquício de seriedade para organizar e se responsabilizar por campeonatos internacionais, ou mesmo, simples torneios. E aí é que se espantarão, pois de há muito a irresponsabilidade e incompetência se instalaram solidamente por aquelas bandas, terreno fértil para arranjos, escambos e protecionismos descarados, tudo avalizado por federações que mantêm o grupelho diretivo com seus votos “desinteressados”, pois estão todos auferindo “cargos de sacrifício”, masoquistas que aparentam ser, mas não o são, mesmo!…

Nada, caro amigo, que eu não tenha publicado à exaustão nesse humilde espaço, nesse Basquete Brasil, que um já proclamado candidato à próxima eleição na falida confederação, anexou a seu nome de campanha, numa clara e indevida apropriação de uma marca que a treze anos se dedica ao grande jogo. a fim de ajudá-lo em seu soerguimento no país, através artigos e discussões técnicas, táticas, pedagógicas, didáticas e comentários democráticos desde sempre, e jamais se associando a candidaturas e pretensões políticas…

Mas no fundo, há males que vêm para bem, e quem sabe, essa vergonheira que uns poucos nos impõem venha nos redimir de tanta incúria e omissões, inclusive a de todos aqueles que poluem os blogs da modalidade com suas “abalizadas opiniões”, lastreadas sordidamente pelo anonimato, covardes que são ao não exporem suas “honradas e impolutas” identidades, protegidas e encobertas por trás dos diáfanos véus da pior e mais danosa política de bastidores…

Por isso, muito pouco podemos almejar no campo diretivo, que se repete e perpetua através das últimas décadas, até o dia em que leis forem estudadas, deliberadas e discutidas no intuito de aprimorarmos a legislação desportiva no país, ensejando políticas eficientes e factíveis para seu desenvolvimento harmônico e democrático junto a juventude brasileira nas escolas, clubes…

No entanto, mesmo frente a essa dolorosa realidade, um aspecto de formidável relevância ainda pode ser discutido, estudado, desenvolvido e aplicado com boas perspectivas de sucesso, a discussão técnico tática, que tanto nos empenhamos nos últimos anos nesse humilde espaço, e que de alguma forma balizou alguns comportamentos, algumas modificações, algum e bem vindo progresso, pois depende de todos nós, professores e técnicos, que em todas as passadas épocas, sob bons e maus comandos administrativos, sempre propugnaram pela troca de saberes e informações, propiciando belos trabalhos, excelentes equipes, mais excelente ainda trabalho de base, preparando jogadores bem treinados nos fundamentos, num processo interrompido a vinte e poucos anos atrás, quando foi instalado em nosso infausto grande jogo o domínio do sistema único, emanado de uma NBA, emergindo na mente acomodada de uma geração de técnicos voltados ao “alto nível”, abandonando a formação de base, abdicando dos fundamentos, e aderindo em massa às pranchetas, com sua jogadas de passo marcado, marca registrada dessa geração de “estrategistas”, dessa geração de marqueteiros e oportunistas em sua grande maioria, claro que as exceções, que são muito, muito poucas, não contam, mas também, pouco somam no frigir dos ovos…

E uma cabal prova do que exponho está publicado no site da LNB, onde as estatísticas finais de uma LDB jogada para bancadas desertas oferece uma trágica realidade sobre a última etapa de acesso de nossos jovens jogadores ao desporto de alto nível, e que posso exemplificar de maneira simples e objetiva, a seguir:

– Em 40 jogos de suas etapas, foram cometidos 1510 erros de fundamentos ( sem contar os arremessos), numa média de 37,75 erros por partida, o que demonstra o abissal fosso no preparo dos fundamentos de uma faixa etária que os deveria ter sob controle, como os grandes países que lideram o basquetebol internacional;

– Aconteceram 7 jogos com mais de 50 erros de fundamentos (uma catástrofe), 9 jogos com 40/49 erros (uma aberração), 18 com 30/39 (constrangedor), 6 com 20/29 (nível infanto juvenil), e absolutamente nenhum, zero, entre 10/19 erros, que seria a razoável meta a ser atingida, numa tácita demonstração de incúria e irresponsabilidade no preparo fundamental dos jovens jogadores, alguns já apontados como grandes craques que garantirão o futuro do nosso basquetebol, o que duvido muito. Mas não faltaram rabiscos ininteligíveis nas midiáticas e ridículas pranchetas, onde “sistemas e filosofias” de jogo eram demonstradas aos olhares atônitos de uma jovem geração incapaz de exequibilizá-las, por desconhecimento prático e fundamental de como fazê-lo, pois o que importava era a sapiência tática de uma turma que necessita urgentemente voltar ao estudo, a pesquisa, ao preparo didático pedagógico, ao estágio supervisionado, e não ao princípio de aprendizagem osmótica a que se acostumaram, como todo papagaio de pirata que se preza. Se as escolas de educação física substituíram a maioria dos créditos das disciplinas desportivas pelas da área biomédica, despreparando-os ao ensino das mesmas, transformando-os em paramédicos de terceira categoria, ases de manga da indústria do corpo, torna-se estratégica e urgente a reformulação curricular, claro, sem os entraves e ingerências de um comprometido sistema confef/cref com a mesma…

Mas uma sobrinha restou, a ENTB, que mesmo implantada da forma mais precária possível, ainda poderia reverter sua obscura origem, e se transformar em um veículo realmente eficiente, desde que entregue a uma direção e coordenação voltada a diversidade técnica presente neste país continente, mas profundamente ancorada no ensino dos fundamentos, fruto de uma ampla discussão entre os verdadeiros formadores existentes no país, hoje afastados pelo corporativismo implantado coercitivamente desde muito, muito tempo…

Muitos outros fatores poderiam, e deveriam ser discutidos, mas por quem realmente se dispusesse a discuti-los, de cara lavada, em torno de uma gigantesca mesa, no intuito maior de soerguer o grande jogo entre nós, com lisura, conhecimento, responsabilidade e, acima de tudo, vontade de acertar o que aí está, vilipendiado, carcomido, mal cheiroso, corrompido a não mais poder…

Falar sobre olimpíadas, para que, e por que, se refletiu o que temos e o que somos? Quem sabe para nos penitenciarmos pela ausência de verdadeiros e bem planejados objetivos, omitidos pela pobreza cultural e técnica daqueles que deveriam planejá-los e executá-los, mas que não o fizeram, exatamente, por não saberem como…

Falar mais o que, o que? Fico por aqui.

Amém.

Fotos – Autorais feitas no Congresso Brasileiro de Justiça Desportiva, realizado em Florianópolis em setembro de 2015, onde expus alguns dos pontos aqui abordados nesse artigo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

BASQUETE, PRANCHETAS E VAIDADES…

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Tenho estado fora do blog por algum tempo, já bem prolongado, mas não ausente do entorno do grande jogo, mesmo que me negue a descrevê-lo pela mediocridade que o envolve desde sempre, numa inamovível triste realidade que, salvo raras exceções, mantêm nosso basquetebol no patamar de uma mesmice endêmica de arrepiar…

E poe mesmice nisso, técnica e taticamente, onde o volume de erros de fundamentos chega a uma média aproximada de mais de 25 por partida nos playoffs (façam as continhas, por favor), números que constrangem numa liga maior, princialmente nas fintas com drible por parte de alas que somente tem olhos para os lances de três, e nos passes, por conta de armadores que visam as finalizações ao preço que for. Taticamente, novos chifres e punhos dão as caras, que agora são largos, especiais para baixo, para o lado, e aonde não sei mais, mas que, invariavelmente, não funcionam, a não ser nas superfícies lustrosas e delirantes das midiáticas pranchetas, verdadeiros e lamentáveis biombos entre estrategistas e jogadores, afastados e dicotomizados personagens de um desencontro sem prazo de validade…

E uma constatação, triste constatação, a de vermos monocordicamente a exibição de vastos conhecimentos táticos através estrategistas que clara e diretamente enviam seus rebuscados, rabiscados e ininteligíveis recados para uma tripla audiência, a mídia que os deificam, dirigentes que os contratam e um público que pensam ser suscetível a tanta sapiência, mas que aos poucos vão se dando conta de tamanho engôdo.  No entanto, como ficam os jogadores cassados das informações mais vitais, aquelas que deveriam ser passadas nos treinos, isso mesmo, nos treinos, que se bem assimiladas dispensariam as “atualizações pranchetadas”?  Omitem informações básicas (terreno exclusivo para quem realmente conhece o grande jogo…) sobre o comportamento defensivo dos adversários, suas brechas individuais e coletivas, suas opções ofensivas (e ai vale o peso do treino defensivo voltado às suas próprias falhas…), tudo relevado a lamentáveis  atitudes, como a “falta tática”, artifício rasteiro e comprometedor de quem não sabe, sequer desconfia do que venha ser defesa, dominar suas técnicas e minúcias, substituídas pela atitude vazia e indefensável da absoluta falta de conhecimento, ausente e trocado pelas “estratégias pontuais”, que em hipótese alguma são treinadas “exaustivamente” como afiançam os comentários televisivos, substituídas pela criação improvisada nas e em cima das coxas, berço das mágicas, midiáticas e fabulosas estrelas do jogo, por que se assim não fossem, dispensariam o gratuito e risível espetáculo que engendram…

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Mas um outro algo tem me chamado profundamente a atenção, o extremo conhecimento do basquete NBA por parte de nossa imprensa jovem, que vai muito além da crítica pura e simples do que veem pela TV, indo a detalhes técnicos e táticos “admiráveis e profundos, profundíssimos”, muitos dos quais sequer domino após mais de cinquenta anos de batente, no que avalio ser a diferença de alimentação, vacinação, sei lá, dessa geração precoce e antenada numa rede (onde está tudo lá, bem mastigadinho…) que não frequento, mas se o fizesse, jamais omitiria suas referências, atitude básica ao mundo acadêmico a que sempre pertenci, trocando-as simplesmente pela simplória…quadra, onde as verdades verdadeiras realmente acontecem…

Finalmente algo que mexeu comigo, mexeu mesmo, pela imprecisão e deliberado esquecimento de um fato marcante ocorrido seis anos atrás em Vitoria, quando dirigi a equipe do Saldanha da Gama por 11 jogos (tão poucos, meus deuses!) no NBB2, numa ação de 49 dias (todos aqui reportados) de muito trabalho, sérios imprevistos, mas plenos de inovações técnicas e táticas que, queiram ou não os analistas jovens ou veteranos, influem até a presente data no nosso basquetebol (a confraria corporativista nega isso, mas eu sei,,,), e que se lá tivessem tido continuidade em muito as teriam acelerado (lá se vão seis temporadas…), pois seriam desenvolvidas por quem as criou, treinou e praticou, à imagem daqueles desprestigiados e subestimados (até hoje o são…) jogadores, e por mim, afastado compulsoriamente até hoje, numa inexplicável ação varrida para baixo do tapete dessa curta história da Liga. E o motivo que me incomodou foi um trecho da entrevista dada ao Globoesporte, pelo dirigente Alarico Duarte, quando afirma em um dos parágrafos da mesma:

(…)Quando nosso time saiu da Liga (Saldanha da Gama), algumas pessoas até gostaram, que sobraria mais dinheiro para outros esportes. Mas hoje de mim, amanhã de ti. O Estado ajudava aqui com transporte e tudo, mas não era possível contratar um time competitivo. O time não tinha dinheiro, tinha alguma estrutura, como tínhamos. Mas não tínhamos o salto de qualidade quando o NBB cresceu. Quando todo mundo era igual, ganhamos do Flamengo lá dentro, do Brasília, do Pinheiros. Mas depois, os outros estados evoluíram e ficamos no mesmo – recorda(…).

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 Impressionante tais declarações, pois a equipe em questão, que foi montada por ele mesmo (a peguei no returno daquele campeonato),  era composta de muito bons jogadores, que frente aos resultados alcançados no restante da competição, exatamente por se diferenciar tática e tecnicamente das demais equipes, pela propriedade de sistemas diferenciados de jogo, daria o salto mencionado de qualidade no NBB3, sem dúvida alguma, pois, apesar do desmonte provocado por ele mesmo após os dois bons resultados em São Paulo (quando afastou três importantes jogadores, dois dos quais titulares), enfrentou a corajosa e dedicada equipe duas semanas de derrotas que poderiam ter sido contestadas se tivesse sido mantida completa, mas que mesmo a frente de tantos obstáculos, conseguiu  ascender a uma condição técnico tática admirável, mesmo restrita a uma rotação dos nove experientes jogadores remanescentes. Logo, bastaria ter mantido a equipe, com no máximo duas novas contratações de jogadores sem muita projeção midiática, mantendo a mim e a mini comissão técnica existente, para que o salto fosse dado. Preferiu uma parceria fracassada com uma equipe paulista que  visava a posse da franquia, que somente aproveitou dois jogadores daquela bela equipe, ficando na lanterna do paulista, provando a fraqueza do projeto, e mais adiante, preferiu investir no sistema único de jogo (fator que anulava o tal salto de qualidade…),amealhando derrotas de mais de 50 pontos, mesmo contando com alguns jogadores remanescentes da equipe do NBB2, negando a qualidade do meu trabalho inovador. E quando digo inovador, podemos avaliá-lo por conceitos que aplicamos e publicamos na época, e que vem sendo utilizados pela maioria das equipes atuais, como a dupla armação e a utilização de três homens altos ágeis e velozes, mas claro, muito longe da forma como jogávamos (e aqui vai um exemplo), pois os princípios didáticos utilizados na implementação daqueles sistemas, o ofensivo e o defensivo, continuam inalcançáveis pelos estrategistas que ai estão, quando simplesmente trocam um ala por outro armador, mantendo, no entanto, o sistema único intocado, principalmente na tutela rígida e excludente de jogadores às jogadas impostas de fora para dentro do campo de jogo, e que por conta disso vemos aumentar vertiginosamente desobediências técnicas e táticas por parte daqueles jogadores mais inconformados, ou simplesmente, mais esclarecidos…

Sinto muito pela omissão depreciativa do Alarico, a quem fui leal ao não aceitar, na sua presença, a um convite de uma das maiores franquias da Liga, o que lastimo profundamente hoje, ao aprender como funcionam as engrenagens do desporto de alto nível em nosso infeliz e injusto país. Mas no fundo o compreendo, e um jogo esclarece muito sua posição, quando num ginásio repleto em Vitoria, o classificado nos playoffs e eterno rival Vila Velha, perdeu para seu Saldanha por 30 pontos, dirigida por um veterano professor e técnico que, (in)felizmente teve seu nome aclamado pela torcida em cena aberta (está no vídeo), num gesto espontâneo de agradecimento pelo trabalho realizado, mas mortal quando a vaidade é posta em jogo…

Em tempo – O Flamengo ao vencer o Mogi na quinta partida do playoff, se classificou à final com o Bauru, também para um outro melhor de três. Venceu uma partida em que ambas as equipes privilegiaram o jogo interno, mais seguro e eficiente, não exagerando nas bolas de três, e atuando ambas em dupla armação e velocidade no perímetro interno, com uma única exceção, o Paulão, pivô estilo cincão que, com sua baixa velocidade propiciou ao Flamengo um domínio nas táboas sempre que o mesmo estava em quadra, a tal ponto que os cariocas, numa decisão, somente arremessaram 3/5 lances livres. Velocidade contra massa não se discute mais, ah, mais uma das lições do Saldanha do Alarico no NBB2…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las, e nas palavras em negrito para acessar multimídia.

 

THE OTHER SIDE…

UMA EXCELENTE INICIATIVA…

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  • Ginásio da Universidade Celso Lisboa, as 09:00 horas do dia 14 de Março de 2015. Rua 24 de Maio 797, Sampaio.

CONVOCAÇÃO

CONVOCAMOS Á TODOS OS TREINADORES DE BASQUETE DO RIO DE JANEIRO Á COMPARECER A ASSEMBLEIA DE FUNDAÇÃO DA ATEBARJ – ASSOCIAÇÃO DE TREINADORES DE BASQUETEBOL DO RIO DE JANEIRO –

*NO GINÁSIO DE ESPORTES DA UNIVERSIDADE CELSO LISBOA, NO DIA 14 DE MARÇO DE 2015 ÁS 09:00 H*.

Você que trabalha com basquetebol em escola, clube, escolinha, ligas, universidades, projetos sociais, basquete 3 X 3, basquete de rua, participe deste movimento que pretende colaborar com a evolução técnica dos Professores de basquetebol do nosso estado.

Para que possamos ser fortes necessitamos estar juntos em uma entidade, compareçam e tragam as suas idéias.

TODOS OS PRESENTES SERÃO CONSIDERADOS SÓCIOS FUNDADORES.

Divulgo com o máximo prazer essa matéria enviada pelo Prof. Miguel Palmier, sobre uma iniciativa que se fazia necessária ao basquetebol do nosso estado, esperando que a mesma encontre o respaldo dos verdadeiros basqueteiros cariocas e fluminenses.

 

ORANGOTANGO ANCIÃO (OU QUEM SABE, UMA INSTIGANTE VIAJADA SOBRE QUEM JAMAIS PREGOU UM PREGO SEM ESTOPA POR ESSE MUNDO AFORA)…

 

                                                                                                                                                                                                                            orangotango-velho-03-17929392-271x300

(…)De qualquer forma, a aproximação da NBA já vale como um baita reconhecimento ao trabalho da liga nacional. Serve como um gesto de aprovação ao trabalho feito até aqui, que pegou um esporte no buraco e o transformou num produto que atraiu o interesse estrangeiro, contando antes com aporte do ministério do Esporte e de uma patrocinadora estatal. No que vai resultar esse envolvimento, ninguém sabe ainda. “Ficam me perguntando o que esperar disso? Digo que não sei”, afirma Cássio Roque, o presidente da LNB. “Só sei que estamos ao lado da companhia certa.”(…)

Esse é o último parágrafo do excelente artigo do Giancarlo Gianpietro no seu blog Vinte Um, e que deixa no ar um mundo de expectativas quando o presidente da LNB afirma quando perguntado sobre a parceria com a NBA –   “Digo que não sei”(…) “Só sei que estamos ao lado da companhia certa.”

Muito bem, se o presidente signatário de tão impactante parceria, feita pela primeira vez no mundo pela mega liga americana, diz que não sabe no que vai dar, quem então saberá, eu, você leitor, quem?…

Macaco velho, digo, orangotango ancião que sou das idas e vindas do grande jogo em nossa terra, sinto atrás da orelha, não uma pulga se instalando, mais sim um baita e trombudo elefante, que me deixa muito, muito curioso, e mais ainda, preocupado…

Curioso, pelo simples fato do porque da mega liga se associar a nossa, quando mercados asiáticos e orientais, e mesmo europeus, economicamente promissores e fortes, não receberam (ou  dispensaram…) tal primazia, centrando para um mercado insipiente no mundo da modalidade, porém, precioso quando o foco de interesse maior da grande e hegemônica nação, representada por uma de suas fortes e poderosas ligas desportivas,  decide massificar sua presença no país, incutindo e sedimentando seus programas e sofisticada organização junto aos jovens, trazendo-os para sua esfera de forte influência esportiva, social, e por que não, politica também, pois afinal de contas, obter a simpatia e aprovação do segmento  jovem de uma nação, que virá a ser neste século a líder na produção de petróleo e proprietária da maior reserva de água do planeta (riqueza esta que será, em prazo não muito distante, disputada no tapa…), sem dúvida alguma se constituirá num excelente investimento, e rentabilíssimo negócio a longo prazo, como consta em sua longa tradição comercial globalizada, tendo o esporte como um importante elo nessa escalada hegemônica…

Preocupado, pelo fato de que constarão no processo educacional de nossos jovens, influências técnicas, sociais e políticas sobre tais riquezas, cabendo futuramente aos mesmos a condução do país de encontro à sua independência e total autonomia, ou subserviência gestora, perante o realismo de sua deficiente formação educacional e cultural, para  alcançar a garantia de que atingirão as metas de seu desenvolvimento, ou não, onde o sempre marginalizado desporto muito pouco  contribuirá nessa formação, ou não…

Torna-se importante que as futuras gerações pudessem ser também inspiradas por ícones desportivos, artísticos e culturais, nacionais de preferência, com seus exemplos de  luta e perseverança, envolvidas sob o manto de uma politica nacional de educação, de desporto, de artes, que muito auxiliaria aqueles que investissem pesadamente neste precioso nicho, no intuito de liderá-lo e orientá-lo em suas conquistas ou coercitivas entregas, e nada mais oportuno do que inteligentes tentativas, através influências exógenas venham a ocorrer, como uma liga majoritária do basquetebol mundial, cuja penetração e aceitação vem se tornando fortemente presente em nossas fronteiras, principalmente no segmento mais jovem, bastando somente investir, organizar e influenciá-lo in loco, para colher mais adiante o produto de seu planejado, ousado e bem pensado investimento…

Honestamente, não acredito em benemerências e ajudas para o progresso do grande jogo entre nós, advindas de uma liga que divulga abertamente seu interesse comercial voltado ao lucro, aos bons negócios, que tem às suas costas uma gigantesca base escolar, universitária e comercial alimentando e sustentando-a, em oposição à nossa realidade, extremamente distante daquele modelo, quando outros mercados ofereceriam à mesma, vantagens também rentáveis, a não ser que, num prazo razoável e de paciente espera, outros e estratégicos ganhos venham a beneficiar, não só os seus interesses desportivo/comerciais, como os de seu país num todo econômico, político e cultural, emoldurando uma inteligente, oportunista e estratégica parceria de quem sabe realmente o que quer atingir, e como conseguí-lo…

Mas, se por um outro lado, a mega liga aqui aportar, para simplesmente doar sua expertise no domínio e vasta experiência no grande jogo, visando seu desenvolvimento técnico, gerando sua popularização e decorrentes receitas parcimoniosamente divididas entre as partes parceiras, em equânime comando, acredito que sob tais circunstâncias a viajada seria muito maior, ou alguém duvidaria?…

Por tudo isso, teço sérias desconfianças sobre a mesma, sem objetivos explícitados, às claras, desprovida de amplos, abertos, e  democráticos debates, principalmente quando propostas deste porte se restringe decisoriamente a uns poucos, dentro de um cenário limitado bem aquém de nossas reais necessidades, e por que não, exigências, afinal, vultosas verbas públicas também estarão sobre a mesa para serem administradas, por quem, e com que objetivos?…

E muito mais me preocupa, a constatação da ainda presente continuidade histórica de nossa colonizada genuflexão atávica a interesses de nações que, desde sempre, investiram pesado em nossa reconhecida tradição de povo receptivo e afável, talvez receptivo e afável um pouco demais. Afinal, o próprio presidente da Liga afirma nada saber, mas sente estar na companhia certa, será?…

Amém.

Foto – Internet.

 

 

HQ DE UM JOGO EXEMPLAR, MESMO QUE NO SISTEMA ÚNICO…

 

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EM TEMPO – A equipe mogiana venceu a partida arremessando 6/18 bolas de três pontos, 19/38 de dois e 13/20 nos lances livres, contra 6/29, 19/33 e 9/12 respectivamente por parte dos cariocas, e cometeram ambas, 31 erros de fundamentos (13/18), num jogo em que 13 (6/7) entre os 24 arremessaram dos três pontos, realmente uma marca preocupante…

O terceiro jogo, no sábado em Mogi das Cruzes, tem todos os ingredientes para por em cheque alguns paradigmas que enclausuram a técnica e tática de nossas equipes, bastando que os princípios básicos de defesa sejam mantidos, principalmente na contestação dos arremessos fora do perímetro, que a dupla armação permita a proximidade e estreita colaboração entre os dois armadores, e que finalmente, os pivôs se mantenham servidos em movimento, de frente para a cesta e se colocando corretamente nos rebotes. Creio que das equipes finalistas, seja a de Mogi a que melhor se situa para essa tão ansiada quebra. Torço para que consiga…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e de autoria própria. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

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