UM (IM)PREVISÍVEL PANORAMA…

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pinheiros-x-bauruAcompanhei pela TV e pelas mídias os playoffs deste NBB 10, assim como uma boa parte dos comentários apostos nos blogs e sites especializados, sendo inclusive informado por um deles, que uma era estava se esgotando, acabando, a era Spurs, sucumbida pelo “novo basquetebol”, o da chutação dos três pontos, da incontrolável velocidade, dos triplos duplos, do exacerbado individualismo, do resultado acima de tudo, todo um corolário de evidências(?), as quais tornavam a continuidade vencedora da equipe texana improvável, segundo a ótica do articulista. Porém, o mais emblemático de tudo é o fato de seu técnico ter sido escolhido para comandar a equipe de seu país para o próximo ciclo olímpico e os mundiais, e que em se tratando de um líder “superado” pelo “modernoso” e incensado modismo, não se coadunará  com tão decisivo momento do grande jogo, deixando no ar uma questão – Afinal, como explicar tamanha blasfêmia, emoldurando um modismo que muito em breve fenecerá ante sistemas defensivos ensaiando o devido troco, num modus operandi permanente, quando ante uma evolução sistêmica ofensiva, é gerada outra defensiva, alternada e sucessivamente, conotando ao grande jogo sua permanente evolução, fruto perene da tradição?…

Em se tratando de basquetebol nacional, a continuidade da mesmice endêmica em sua forma mais devastadora, estratificou de vez, apesar de alguns  tímidos avanços de uma ou duas equipes, que evoluíram um pouco além da hoje aceita dupla armação, e a tríade de alas pivôs ágeis e mais rápidos pela maioria das equipes, adaptando o inamovível sistema único, com sua indefectível classificação de jogadores de 1 a 5, a um movimento sistematicamente criticado e combatido aqui nesta humilde trincheira, desde a efetiva e exitosa aplicação do sistema de dupla armação e três alas pivôs pela equipe do Saldanha da Gama no NBB 2, fato incontestável e inegável, apesar de omitido,mas hoje oportunisticamente (mal) adaptado por quase todos, salvo uma ou duas exceções no âmbito da mídia especializada…

Para o turno semifinal quatro franquias se defrontarão apresentando algumas particularidades, como a do Flamengo, talvez a que mais se aproxima daquele sistema, contando com três muito bons armadores, e uma plêiade de homens altos de grande mobilidade e qualidade, pecando somente pela teimosa mecanização tática de seu estrategista, amarrado a jogadas de passo marcado, de uma previsível prancheta, e de uma excessiva liberação dos chutes de três, absolutamente desnecessários em sua maioria, perante o efetivo e dominador jogo interno de que é possuída. Se liberta dessas amarras, dificilmente poderá ser derrotada, a não ser que sucumba ao jogo particular dos três americanos do Mogi, que constituem quase que uma equipe dentro da equipe, com movimentos e atitudes que ferem muitas vezes os desígnios táticos de seu estrategista, perdendo-se muitas vezes pela ausência de sintonia entre ambos, fator decisivo em algumas derrotas…

Paulistano, líder do desvario convergente no mais alto grau, se marcado e contestado efetivamente fora do perímetro, sendo oportunizado somente nas penetrações, onde poderá encontrar fortíssimos bloqueios, enfrentará grandes problemas contra Bauru, uma equipe que pelos sérios desfalques que sofreu, a começar por seu melhor jogador, o Alex, somente se sairá a contento se pausar e ritmar seu jogo, defendendo o perímetro com dedicação e muita paciência, e se utilizar ao máximo do seu forte jogo interno, duelando com o também forte bloqueio de seu adversário…

As duas equipes, ou pelo menos uma delas, que passarão ao playoff final, poderão encerrar de uma vez por todas este ciclo vicioso que nos tem amargado grandes retrocessos e insucessos técnico táticos, principalmente nas grandes competições internacionais, onde a hemorragia dos três pontos alcançou o pico máximo de sua desditosa evolução, numa autofágica influência, principalmente na formação de base, quem sabe apresentando algo de novo, evoluído, corajoso e determinante, onde o sistema de dupla armação e três alas pivôs interagindo permanentemente fora e dentro do perímetro, consiga atingir a tão sonhada fluidez coletivista, onde a criatividade e o improviso alcance sua forma mais efetiva e brilhante, antítese da saraivada descontrolada e suicida de dezenas de bolinhas lançadas das formas mais bizarras, inconsequentes e irresponsáveis. Somente lamento, e muito, me ter sido vetada  participação neste processo que iniciei na direção da humilde equipe do Saldanha, com conceitos e princípios didático pedagógicos estudados, pesquisados e profundamente adequados a nossa realidade de país carente de cultura e educação, que após oito anos não encontrou respostas convincentes ao desafio  feito a todos aqueles, que ao contrário de mim, tiveram e ainda tem as infindáveis oportunidades de lá estarem, apesar dos erros e equívocos que cometem até hoje, principalmente ao tentar adaptar seu absurdo sistema único àquela proposta, e não partir para desenvolvê-la com coragem e determinação, como deveria sê-lo, pois ao contrário do que apregoam os arautos midiáticos de que”as pranchetas falam”, muito pelo contrário, falseiam conhecimentos e domínio do grande jogo, estabelecendo o verdadeiro óbice do basquetebol nacional, a compreensão e a dimensão de um grande, grandíssimo jogo.

Amém.

yagoooEm tempo – Que maldade e falta do mais primário bom senso, lançar mais um de nossos escassos e imaturos prospectos a uma aventura mercantilista bem ao gosto dos que o empresariam, quando, ao contrário de australianos e canadenses, que os forjam no basquete universitário americano, auferindo no mínimo uma educação de qualidade, aumentam o poderio de suas seleções, e abrem algumas portas no hegemônico universo da NBA. Mas como o importante e básico é a grana em jogo, que se danem os princípios…

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

RELEMBRANDO…

Publiquei em 2007, e mais uma vez pergunto – O que mudou de verdade, o que?

 

A ILUSÃO SISTÊMICA.

domingo, 16 de setembro de 2007 por Paulo Murilo

Muito se tem escrito sobre sistemas de jogo, de como jogam os europeus, como agem os americanos, como criam os eslavos, indo da velocidade de “transição” ( ninguém explica o que seja, talvez pela inexistência de tal definição se confrontada com o simplório ritmo de jogo…), até os intrincados termos americanos definidores de jogadas básicas como o dá e segue, os corta-luzes interiores e exteriores, as penetrações por trás da cesta, o jogo de pivôs, os bloqueios, etc.etc., tão ao gosto de narradores e comentaristas, com a desculpa de que se tratam de termos internacionais, argumentação que se dilui ao manusearmos livros de técnica e fundamentos nos mais diversos idiomas, inclusive o nosso. Mas soam bem e aparentam cultura superior, esquecendo os preclaros cronistas que a maioria da população brasileira não conhece o idioma saxão, principalmente os mais jovens.

E páginas e mais páginas são escritas sobre sistemas de jogo, que pela preocupação que despertam parecem existir às dezenas, com particularidades que variam de país para país, até de continentes. No entanto, não se vêem os mesmos descritos e exemplificados em suas nuances e detalhes técnicos, como deveriam fazê-lo, já que os discutem com apaixonada veemência, deixando a audiência basbaque ante tanta sapiência e conhecimento. Um velho e inesquecível professor sempre lembrava que a erudição e o prolixidade era a arma dos enroladores, principalmente quando externada em outro idioma que não o nosso. Entendamos como o popular “se colar, colou…”. Então, que mágicos sistemas são estes que gabaritam técnicos, principalmente estrangeiros, a serem seus fieis depositários? Um deles, já candidato à direção de nossa seleção para o próximo e derradeiro Pré-Olímpico? Afinal, quantos são e como são constituídos esses sistemas? Quais suas decisivas influências? Americanas ou européias? Ocidentais ou orientais?

Sugiro fortemente que se munam de um simples e prosaico lápis, e algumas folhas de papel, e tentem grafar as disposições dos diversos jogadores, das diversas equipes, e dos mais diversos ainda países, ao iniciarem toda e qualquer jogadas de ataque, e mais ainda, com algum esforço, o desenrolar de alguns movimentos das mesmas, num exercício de progressivo encadeamento entre deslocamentos de caráter coletivo, e algumas ações de caráter individual, para chegarem a uma conclusão de assombrosa obviedade, a de que todos, sem exceção jogam rigorosamente iguais. De repente, se darão conta de que o modelo NBA se tornou universal, e que o maior e único beneficiário desse sistema de jogar é a liga mais rica, mais difundida, e por isso mesmo aquela que deve ser preservada em sua dominância político-econômica, mesmo que tenha de “aparentar disfarçadamente” uma aceitação da realidade internacional em torno da FIBA, num exercício estratégico que esconde e camufla sua luta hegemônica e globalizante. Porque o basquete americano é o único, seja amador ou profissional que se nega a seguir as normas, regulamentos e regras aceitas e difundidas no restante do mundo do basquetebol FIBA ? Agora mesmo, varias personalidades americanas foram introduzidas no Hall da Fama da FIBA, como os lendários Dean Smith e Bill Russel, numa prova de suas importâncias para o grande jogo, mesmo que praticado de uma forma diferente, mas que deveria sê-lo da forma como é praticado internacionalmente.

A conclusão a que chegarão após o exercício proposto, é a de que na constatação da existência de um único sistema universal de jogo, o que é lastimável e preocupante, somente duas variáveis ainda podem incidir sobre o mesmo, para sua aplicabilidade com algum caráter personalista, a velocidade e o domínio pleno dos fundamentos. E é exatamente nestes dois pormenores, nestas duas variáveis, é que se encaixam as formas de jogar de muitos países europeus quanto à velocidade, bem menor para os mesmos, como os universitários americanos, os fundamentos para todos, e a variação de velocidades e excelência nos fundamentos para uns poucos, ações estas bem aproveitadas por argentinos, espanhóis, lituanos e croatas, eslovenos e um pouco menos dos gregos. Nosso basquetebol, optou simplesmente pelo modelo cru NBA, sem a base fundamental do mesmo, ou seja, aproveitou o desenho da jogada inicial e seu desenvolvimento, mas sem o suporte exeqüibilizador do mesmo, o pleno, responsável e determinante domínio dos fundamentos do jogo.

Então, como os analistas de plantão, que pouco ou quase nada buscam na origem dos sistemas, alguns dos quais septuagenários, mas que lá estão perpetuados na maior bibliografia existente entre todos os desportos, como, para exemplificar um, que alguns técnicos, inclusive americanos, teimam maliciosamente em requerer autoria, o sistema dos triângulos, que nada mais é do que a aplicação de três dos movimentos básicos do basquete, magistralmente descritos pela geração de um Clair Bee, Dean Smith, Nat Holman, John Wooden , Forrest Allen, e muitos outros que se dignaram doar a seus pósteros livros e estudos magníficos, então, repito, como explicam a existência dos sistemas de jogo? Mas como explicá-los se não definem nem reconhecem a base comum do atual existente? Sim senhores, atualmente só um sistema se mantêm em foco, variando tão somente em ritmo e na excelência de seus praticantes na utilização dos fundamentos do grande jogo. E um outro detalhe de fundamental importância reforça esse conhecimento, o de que a existência do atual e monopolizante sistema sucedeu a outros, bem definidos e largamente utilizados, inclusive e basicamente por nós, em um passado não tão distante assim, quando inovávamos e arriscávamos no novo e no audacioso, sem medos e ressalvas, e que nos levou a muitas e inesquecíveis vitórias. Mas era um tempo de verdadeiros técnicos, de grandes e destemidos jogadores, de formidáveis analistas e colunistas, de dirigentes menos interessados em suas contas bancárias e enganosos prestígios políticos, ao contrário de hoje, onde somente persistem os dirigentes mais politizados e muito mais interessados nas benesses inerentes aos cargos, já que técnicos e jogadores mergulharam de cabeça no modelo NBA, tão à gosto dos mais globalizados e pasteurizados ainda cronistas e analistas de hoje, para os quais os ensinamentos do passado, brilhantes ou não, são relegados a um estorvo que deve ser guardado e esquecido no fundo dos baús da história.

E é em nome desse esquecimento, da negação da história e de seus participantes, daqueles que teimaram estudar, não só os sistemas, mas o teor e a fundamentação dos mesmos, que devemos aceitar e engolir a seco a definitiva implantação do que deveria ser substituído por algo de novo, inédito, audacioso e corajoso, mas que virá, na forma de um eslavo, espanhol ou americano para nos impingir a formula única, e de resultados imprevisíveis, à peso de muitos e muitos dólares, pagos com nossos impostos, sem que possamos sequer argumentar que tantos e sacrificados valores poderiam ser alocados em programas de desenvolvimento e preparação de futuras gerações de técnicos e jogadores, liderados por aqueles que realmente conhecem e dominam a arte de ensinar, treinar e dirigir equipes, que existem, sim senhores, entre nós, faltando somente que os reconheçam e reverenciem, em português mesmo, sem a prepotência daqueles que os negam por ignorância, espírito colonizado, ou mesmo, má fé.

Que os deuses, com o bom senso que os inspiram, nos ajudem a enxergar o óbvio, e que nos faça merecedores de um futuro menos doloroso, ou mais uma vez decepcionante. Amém.

 

4 comentários

  1. Jalber Rodrigues16.09.2007·
  2. Bom Professor,
    o que comentar após esse fantástico artigo?!!!!!
    Apenas agradece lo por nos lembrar sempre que os fundamentos e o poder de decisão do jogador dentro da quadra é que se transformam em eficiência e dão qualidade ao grande jogo, e que as chaves simples ou complexas só funcionam bem diante dos (para os grandes conhecedores do basquete como o professor disse) “skills and drills”.
    Parabéns e obrigado!!!!
  3. Basquete Brasil17.09.2007·
  4. Prezado Jalber,eu é que agradeço sua honrosa audiência,cujo único comentário a esse artigo me encoraja a prosseguir.Sei que ele retrata uma realidade que muitos teimam em negar,já que pressionados pela chaga do imediatismo que tanto nos empurra ladeira abaixo,exigem panacéias milagosas que refreie a inevitável queda.Temos de recomeçar de algum modo,mesmo que do princípio, trabalhando com afinco e bom planejamento nas escolas,nos clubes,nos parques e até sob viadutos,com jovens técnicos que sejam preparados pelos mais veteranos e experientes,sob a ótica do possível,aprendendo de cedo a administrar nossa pobreza,enriquecendo-a com estudo e pesquisas de caso,divulgando esses conhecimentos pela rede que se espraia pelo país,a internet,despertando aqueles comerciantes,industriais e lideres políticos que tiveram em sua juventude o auxilio educacional através a pratica do grande jogo,motivando-os ao premente auxilio,por menor que seja,em materiais e leis, que beneficiem o universo de jovens que clamam por uma política voltada à sua estratégica importância para o país.Que os poucos e quase escassos valores monetários que dispomos sejam alocados nesse projeto,e não colocados à disposição de técnicos estrangeiros e suas poções mágicas a curto prazo, que nada somarão às nossas imediatas e esquecidas necessidades.Desculpe a longa resposta,mas é o que penso,é o que sempre pensei e pratiquei na medida de minhas parcas possibilidades.Um abraço,Paulo Murilo.
  5. Henrique Lima17.09.2007·
  6. Caro Professor,Pelo que parece, na Seleção Masculina além de não saberem usar, usavam sempre os mesmos e previsiveis,
    e as vezes sem lógica sistema de jogo.E claro, maior enfase aos fundamentso nas categorias de base,
    pois isso anda em falta pela gana pela vitória a qualquer preço.Abraçao,
    Henrique Lima
  7. Peço ao senhor que escreva um pouco mais sobre a ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE no basquetebol, se possivel !
  8. Ainda acho que é necessário o estudo dos mesmos mas sempre adaptando tudo à nossa realidade,
    não é melhor assim ?
  9. sobre o artigo dos Sistemas de Jogo,
    acho que não deviamos fechar os olhos para a existencia dos mesmos, mas sim sabermos usa-los.
  10. Basquete Brasil18.09.2007·
  11. Prezado Henrique,concordo com você para o fato de não fecharmos os olhos aos sistemas,novos e antigos,pois se justificam pela interdependência de seus princípios e soluções.O grande desafio se inicia pelo pleno conhecimento de ambos, fator não muito motivante para a grande maioria dos técnicos, o que é lastimável.
    Quanto à sugestão de escrever sobre a especialização precoce que parece ter se transformado em moda no país,será tema que abordarei em breve.Um abraço,Paulo Murilo.

CAMINHOS E DESCAMINHOS DO GRANDE JOGO…

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Voltando ao batente depois de um tempo reflexivo, se deveria, ou não, tecer comentários sobre o peladobol vigente, emoldurado pelas grandiosas emoções de jogos disputados quase no tapa, com médias de 26,2 erros de fundamentos a cada jogo, e com, cada vez mais predominância dos arremessos de três sobre os de dois, e claro, com uma ou duas exceções de equipes que arriscam algo de novo taticamente, muito pouco num cenário devastador de mesmice endêmica, que remete o grande jogo à vala comum da mediocridade, comprovada com a retomada hermana na última competição internacional, e claras evidências de que dificilmente sairemos deste limbo imposto coercivamente desde as categorias de base, em torno de um sistema de jogo anacrônico e absolutamente burro de jogar, exceto para a turma do arromba que o defende ao preço que for, afinal, trata-se de um mercado de trabalho restrito, movido e imposto por um corporativismo, que se não demolido, nos enterrará definitivamente perante o concerto internacional, porém plenamente satisfeito com com o brilhareco tupiniquim, a que se apegam com o desespero dos náufragos em seus estertores…

Desculpem os poucos leitores, mesmo aqueles que ainda se dão ao trabalho de assistir jogos falhos e destituídos de técnicas individuais e coletivas nos fundamentos, e absolutamente pífios taticamente, apesar dos rompantes escatológicos de estrategistas que confiam mais nos rabiscos desconexos em suas hilariantes pranchetas, que para alguns falam e expõem soluções, do que dotar seus jogadores de ensinamentos técnicos, treinamentos plenos de criatividade e improviso, base do espírito coletivista, numa modalidade coletiva, e não portal de egolatrias e pseudo lideranças…

Desculpem mais uma vez, mas acima de tudo, de torcidas distorcidas sou um técnico, um professor de basquetebol, e como tal devo me reportar aos fatos, às reais situações de jogo, e não a rasgos ufanistas desprovidos de lógica, do bem jogar e compreender o grande jogo, realidades cada vez mais ausentes em nossas quadras, agora palco de vedetismos ao lado delas, institucionalização do palavrório mais chulo e ofensivo aos que assistem as transmissões, principalmente os mais jovens, aceito e perdoado pelos que transmitem e comentam, quando não cometem os mais primários erros de informação técnica, e o mais icônico, quando jovens entrevistadoras se dirigem aos jogadores e técnicos opinando sobre sistemas e estratégias de jogo de suas concepções, solicitando dos mesmos opiniões sobre o exposto, quando deveriam obter como respostas uma simples meia volta, envolta no mutismo definidor da fronteira que deveria separar com a mais absoluta clareza uma entrevista, de uma colocação técnico tática equivocada e desprovida de conhecimentos básicos…

E o que vimos de relevante nos jogos classificatórios às quartas do NBB 10, senão a incontida ânsia da mídia pelas prorrogações, claro, em nome das ansiadas emoções, porém um tormento pelo acréscimo exponencial dos endêmicos erros que afligem o grande jogo, onde jogos são perdidos absurdamente pela hemorragia dos três pontos, quando prorrogações bem jogadas deveriam primar pela contagem de 2 em 2, de 1 e1 pontos, otimizando cada sacrificado ataque com maiores percentagens, e não jogando ralo abaixo reservas físicas com bolinhas absurdas e irresponsáveis, de jogadores e estrategistas acima de tudo, pois cúmplices na aventura.que ainda nos custará enormes retrocessos por longos anos, pois não vislumbro qualquer tentativa de enfáticas mudanças a médio prazo, que a cada temporada que passa mais se afastam, exceto por uma ou duas tênues tentativas em franquias da LNB, que sem dúvida alguma evoluíram quanto à utilização da dupla armação, e da movimentação um pouco melhor dos homens altos, agora mais atléticos, flexíveis e velozes dentro do perímetro interno, porém de uma forma ainda muito frágil, já que todos ainda se mantêm presos e manietados pelo sistema único, artifício que garante as jogadas pretensamente marcadas pelos estrategistas, desnudadas em suas midiáticas pranchetas, que seguramente não são levadas em consideração pela maioria dos jogadores, mas que certamente garantem a exposição de vastos conhecimentos táticos pelos mesmos, mas que aos poucos não enganarão mais ninguém, pelo menos aqueles que entendem de fato os meandros e sutilezas do grande jogo…

E aqui cabe um importante ponto, pois de umas semanas para cá, não sei se por um posicionamento da liga, não se vêem mais microfones em grande parte dos  pedidos de tempo, fator altamente positivo, pelo menos evitando espetáculos grotescos e ofensivos entre jogadores e estrategistas, e obrigando os analistas a comentar o que veem a luz do que sabem e dominam, e não o que testemunhavam naqueles intervalos técnicos, na concordância ou discordância do que ouviam, numa situação dúbia e oportunista…

Então, o que pude observar nesta última semana, para efetuar comentários pertinentes? Bem, na refrega das três prorrogações entre Vitória e Minas, noves fora as toneladas de emoções, tivemos 44/81 de bolas de 2 e 29/80 de 3, ou seja, 51 tentativas (em 153 pontos possíveis) falhas no mais difícil dos arremessos, num desperdício de esforço físico brutal, talvez o responsável direto pelas três prorrogações, vide os 35 erros nos fundamentos básicos do jogo, cometidos por exauridos e pouco técnicos jogadores, assim como os 27/52 arremessos de 2 e 16/59 de três perpetrados por Caxias e Mogi para um placar de 63 x 60 para os paulistas, quando a poucos segundos do fim da partida com um ponto de vantagem para Mogi, o atacante Alex do Caxias teve a possibilidade de um arremesso de curtíssima distância preterido por um passe para a lateral visando um arremesso de três do Caferatta, que errou, quando bastaria uma simplória cesta de dois pontos para vencer a partida. Mas não, estão as equipes do “moderno basquete brasileiro” tão aferradas ao autofágico chute de três, que uma vitória só se valoriza se produto do mesmo, com a complacência de seus estrategistas, contorcendo-se nas laterais das quadras para que eles entrem, o que é sinal de alerta para o fosso em que estão lançando o grande jogo, em nome de um modismo irreal e perverso, ao agirem sistematicamente mais como torcedores do que técnicos…

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Mas algo de alentador se descortina nessa dolorosa paisagem, a equipe do Flamengo, que deve vencer este campeonato na medida em que mantenha seu atual sistema de jogo com dois excelentes armadores e três alas pivôs ágeis e velozes trafegando em velocidade pelo perímetro interno, complementado por uma bem postada defesa garantidora dos importantes e estratégicos rebotes, faltando, no entanto, que se utilize bem mais do improviso e criatividade no jogo interno, liberando espaço para arremessos mais precisos e equilibrados, inclusive os de três, quando executados pelos seus dois especialistas, o Marcos e o Marcelo, e não ficando presa a  esquemas e coreografias em nada condizentes com a qualidade individual de alguns bons jogadores que possui. Aliás, ao faltarem 3.8 seg para o final do segundo quarto, foi esquematizada em rabiscados detalhes uma jogada para uma importante cesta, o que realmente aconteceu, e de três pontos. Perguntado pelo repórter sobre o esquema ter dado tão certo, o jogador JP Batista esclareceu que o que ocorreu foi puro improviso dos jogadores, efetivado com sucesso, derrubando a tese da “prancheta que fala”, e mais uma vez desnudando a falibilidade do que vem sendo cansativa e permanentemente apregoado de que “elas realmente falam”, será?…

Sérias dúvidas existem, persistem, e as tenho em profusão, entre as quais uma se sobressai, a de que será esse o verdadeiro caminho a ser trilhado pelo grande jogo entre nós, onde as tentativas de um rígido controle tático por parte da maioria dos estrategistas, se sobrepõe a libertária e criativa improvisação, adquirida na suprema arte do treino, definindo a máxima de que “só improvisa quem sabe e domina os fundamentos individuais e coletivos do grande jogo”? Honestamente tenho uma certeza, a de que não seja esse o caminho a ser seguido, e já provei isso a algum tempo atrás, inclusive propondo um desafio aos técnicos nacionais, que continua de pé, (e lá se vão 8 anos…) pouco ou nada técnico tático mudou, apesar da boa organização, dos apoios e patrocínios, e do emergente interesse redescoberto pelos aficionados pelo grande jogo, que seria muito maior se evoluíssemos técnica e taticamente, que foi a grande arma do voleibol para se impor internacionalmente. Chegaremos lá? Torço para que sim, mas não com a turma que aí está coreografando gestualmente o grande, grandíssimo jogo.

Amém.

Em tempo, infelizmente – Testemunhei ontem um verdadeiro assassinato praticado contra o nosso indigitado basquetebol, um pastiche de jogo entre o Ceará e o Paulistano (72 x 67 para o Ceará), onde ambos perpetraram os seguintes números – 15/40 arremessos de 2 pontos e 11/30 de 3 para o Ceará, e 16/25 e 8/44 respectivamente para o Paulistano (inadmissível arremessar 19 bolas de 3 a mais do que as de 2 pontos), ou seja, somaram ambos 31/65 nos 2 pontos  19/74 nos 3, errando nestes últimos 55 bolinhas (ou 165 pontos pulverizados na mais absoluta mediocridade…), além dos 25 erros de fundamentos (14/11), tudo isso em nome do “moderno basquetebol”, tendência modal absurda e suicida que nossos estrategistas sonham manter e até ampliar no âmbito de nossas seleções de base e da elite, quando na realidade se trata da mais absoluta ignorância e aberração do que venha a ser um basquetebol jogado com correção, lucidez, equilíbrio, bom senso, e sólidos conhecimentos sobre o grande jogo, minimizado até o rés do chão por essa mistificação institucionalizada, gestada, produzida e administrada por uma mídia mais ignorante e ufanista ainda, salvas raríssimas e honrosas exceções, porém insuficientes para estancar essa gigantesca e quase irreversível hemorragia técnico tática, e de preparo convincente e profissional de jogadores, de equipes enfim, e que em tudo e por tudo continuará a facilitar o planejamento de nossos adversários nas competições internacionais, que agradecem penhorados a tanta e imperdoável ignorância desportiva. O fundo do poço ainda está muito longe de ser atingido, essa é a mais triste e lamentável realidade, que convenios com a NBA e os mil penduricalhos mediáticos e comerciais adicionados não evitarão seu desfecho, pois o real e verdadeiro óbice do nosso sofrido basquetebol é técnico, em sua acepção do termo, nada mais do que simplesmente técnico. PM.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

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