O FRONTAL DESAFIO…

-“Se ele está livre tem de chutar, ele é muito consistente no jogo de três…” (comentarista do Sportv no jogo de ontem contra a Grécia).

E ele chutou, e muito, mesmo após ser repreendido por fazê-lo, repetindo a mesma cena do jogo de véspera. Mas…as bolinhas caíram, e aí meus deuses, o que fará o hermano?

Creio ser este o grande problema que enfrentará o argentino daqui para diante, a não ser que se imponha lastreado em razões, por assim dizer, estratégicas.

E que razões seriam estas, senão aquelas que o tornaram um campeão olímpico, na direção de um outro modo de jogar o grande jogo, e não esse em que se defronta com a dura realidade do vamo que vamo…

Perdeu a seleção ontem, estrategicamente falando, uma grande oportunidade de fazer nossos grandes pivôs jogarem contra outros grandes pivôs, dos melhores da Europa, que será a constante que encontraremos em Londres, e que deveria ter sido o mote do jogo, de um jogo de preparação para um campeonato maior, e não um torneio que distribuiu medalhas e troféus inexpressivos, e lampejos geniais de bolinhas mediáticas de três, lançadas como num desafio sutil e perigoso, pois escancarou uma insatisfação aberta e pública de um técnico laureado por um lado, e um jogador em final de carreira que quer por que quer impor uma forma de jogo, que se de um lado o levou ao estrelato, por outro, põe em risco a ansiada tentativa de uma seleção se fazer inovadora, depois de um longo purgatório marcado por uma mesmice endêmica, embalada exatamente pela forma de atuar de jogadores e técnicos descompromissados com a defesa, originando, pela ausência da mesma, a orgia desvairada dos longos arremessos de três.

Marcelo e Marcos são maus marcadores, mas pensam compensar tal inabilidade com arremessos de três, numa contrafação direta aos planos do técnico, focado num jogo interior poderoso, não só pelos jogadores à sua disposição, mas pela reafirmação desse mesmo modo de jogar empregado em Mar del Plata, onde não contava com dois deles. Num cenário de tal dimensão, arremessos arrivistas inabilitam em muito o jogo interior, possibilitado pela forte defesa implantada e desenvolvida por ele energicamente.

Quer dizer Paulo, que você se coloca frontalmente contra as bolinhas? Nunca me coloquei contra qualquer tipo de arremesso, na proporção direta de sua aplicabilidade efetiva, equilibrada e no momento adequado. Arremessos longos devem ser executados com o máximo equilíbrio, firmeza e tempo adequado à sua concretização, exatamente pela exigência implícita nos mesmos da máxima precisão de execução, condições estas somente alcançáveis através passes vindos de dentro para fora do perímetro, e somente neste caso.

Por conceituação lógica, um poderoso jogo interior propiciaria tais condições, onde a recíproca jamais seria verdadeira se o sentido das jogadas percorrerem o caminho inverso. E é neste ponto que o modo arrivista e aventureiro de jogar se choca com todo um principio técnico tático desejado pelo Magnano, onde sua ainda contida revolta pode estar sendo interpretada como uma “politica aceitação” de algo difícil de ser contornado, ou mesmo, corrigido.

Defesa forte, rebotes precisos, contra ataques concluídos de curta distância, e não em bolas de três, jogo ofensivo prioritariamente interior, e adequada e precisa seleção de arremessos, preenchem toda uma estratégia de jogo do bom argentino, que acredito não se deixará levar por desafios imaturos e personalistas, ainda mais quando pode contar com jogadores de grande qualidade embaixo das taboas, ausentes em seleções anteriores, e que necessitam de permanente apoio, pois seria inconcebível que se transformassem em apanhadores de rebotes e sobras de arremessos despropositados.

Mas tal apoio exigiria pleno domínio de armação por todo o perímetro externo, fator somente concebível em dupla armação, rápida, precisa e acima de tudo inteligente, sendo este sim, o bom problema a ser equacionado por ele, e não o anterior, que numa penada poderá ser resolvido se não houver entendimento e compreensão por parte daqueles que ainda insistem e teimam em recriar o que de muito, já deveria ter sido superado. Maturidade estratégica?  Falta em alguns, mas nada que não possa ser devidamente corrigido…

Amém.

Fotos – Divulgação CBB. Clique nas mesmas para ampliá-las.

O HÁBITO…

O Pedro me liga e dispara – Parece que poderemos esperar coisa boa em Londres. Estou animado, e já reservei hotel e ingressos para assistir…

Que bom que o velho amigo vai a uma Olimpíada, e mais ainda, esperançoso de uma boa participação brasileira. Mas me reservo o direito de ponderar sobre tão otimista previsão, pois ainda muito teremos de melhorar, ou mesmo mudar a forma de jogar, principalmente quanto ao coletivismo pretendido pelo Magnano, dirigindo jogadores que, em alguns casos bem marcantes divergem inconscientemente desse saudável posicionamento do argentino.

Arremessar de três somente na bola que volta do perímetro interno, e mesmo assim se as condições de equilíbrio e espaço forem a favor, é a exigência do técnico, que tenta priorizar o jogo interior, a fim de explorar ao máximo o potencial de seus pivôs no jogo seguro das bolas de curta e média distância, além, é claro, forçar as faltas dos pivôs adversários.

Mas algo destoa dessa tendência, o hábito arraigado desde sempre por parte dos cardeais, agora acrescido do Marcos, todos fissurados nas bolinhas em qualquer situação de espaço mínimo, inclusive em contra ataques. E foi num desses que o Magnano advertiu o Marcelo, mesmo com a conversão do arremesso.

Num jogo desse nível, em que o adversário se mostrou deficiente em todas as suas linhas, tal facilidade de espaços eram argumentos atraentes para a turma da bolinha, esquecendo que a prioridade nesta fase do treinamento deveria ser centrada no tipo de jogo que não professam em seus clubes e em suas participações estelares. E o incansável técnico lembrava isso a todo o momento, energicamente em algumas situações, e nesse ponto, lembro como altamente positiva a proibição de microfones nos pedidos de tempo e nas entrevistas televisivas, principalmente numa fase de estruturação técnica e tática visando à grande competição de julho, e que deixou órfãos os “comentaristas de comparação”, ou seja, que projetam nas falas e interferências dos técnicos suas posições e preferências pessoais, na contra mão do que agora são forçados, pela proibição, a analisar o que vêem, e não o que escutam.

Outro fator ainda tem de ser considerado, a de que o hábito de chutar a qualquer pretexto, adquirido frente à fragilidade de nossas defesas, é o mesmo que tornam nossos jogadores negligentes defensivamente, e aí, prezado Pedro, é que o problema se avulta, pois é de difícil correção, que podemos constatar facilmente na progressão dos quartos do jogo. Iniciamos com toda a energia, mas não mantemos o foco defensivo, exatamente pela ausência de praticá-lo desde as divisões de base, pois o mesmo exige continua e persistente insistência, até se tornar um hábito dos mais positivos.

Hoje, teremos pela frente uma seleção de verdade, muito técnica e aguerrida, quando, ai sim, poderemos avaliar com alguma precisão a quantas andam as influências vindas do sul, da terra onde desde muito cedo, já que na formação de base, jogadores dão ao hábito de defender o mesmo valor do de atacar, ano após ano de sua trajetória rumo a boas e equilibradas seleções, ao contrário dos nossos jogadores, pobremente formados e informados, quando, por força de seu talento, optam por técnicas midiáticas como maravilhosas enterradas (pivô que se preza, ali embaixo, tem de enterrar- recado da maioria dos comentaristas), e arremessos de três de outro mundo…

Com o Delfin pacificado e em boa forma, e os cardeais ainda reticentes quanto às suas facilidades restringidas nas bolinhas, veremos como nos comportaremos coletivamente daqui para diante, torcendo para que algo que restringe todo um projeto modificador do Magnano possa ser atenuado a níveis que comportem sua tentativa mais do que válida, de tornar essa equipe competitiva ao máximo, o hábito, que situa nossos jogadores atuantes no perímetro externo quando atacam, e ausente do mesmo, quando defendem.

Conseguirá mudar esse panorama o bom técnico argentino? Difícil, Pedro, não impossível, na medida em que todos realmente se comprometam, e se envolvam com a retórica de quem já venceu a grande competição, numa outra realidade, num outro comprometimento, o de base, o de formação.

Torço para que consiga, mesmo, sem ressalvas, mas com cautela e esperança.

Amém.

Foto – Divulgação CBB, Clique na mesma para ampliá-la.

UM BOM CAMINHO…

 

A equipe ainda está incompleta, treinou em segredo, falou muito pouco, e mesmo assim através uns poucos jogadores mais midiáticos, e veio para um jogo contra um adversário muito fraco e previsível.

Reapresentou sua disposição defensiva vista em Mar del Plata, mais robustecida com uma táboa mais consistente e forte pela presença do Nenê, que em conjunto com o Varejão e o Spliter, sem dúvida alguma formarão um dos núcleos defensivos mais fortes da competição olímpica.

Ofensivamente, pelo que foi apresentado, algumas pequenas tendências puderam ser apontadas e observadas, sem, no entanto apresentarem algo de realmente inovador. Nas fotos 1 e 2, temos algumas pistas pela observação do posicionamento defensivo dos maoris à vontade e majoritários na primeira foto, e sob pressão de três brasileiros no âmago do perímetro na segunda, quando toda uma gama de possibilidades se descortinam pela intensa movimentação interior de nossos jogadores, e o posicionamento da armação exterior, pronta  para dar seguimento às possíveis e várias opções de jogadas, mas com um fator restritivo, quando o segundo armador na ocasião, o Alex, ocupa uma posição que deveria estar sendo exercida pelo Guilherme, não só por sua maior estatura, mas pela habilidade que demonstra quando em ação dentro do garrafão, principalmente nos arremessos curtos e com reversão, assim como seria mantido um forte equilíbrio defensivo pela presença do Alex junto ao Nezinho.

Na foto 3, mais uma vez vemos um ala pivô de grande estatura e velocidade, o Marcos, se situando muito fora do perímetro, claramente se posicionando para o tiro longo, quando poderia estar colocando toda a sua habilidade pontuadora a serviço de arremessos mais precisos e eficientes se dentro do perímetro.

No entanto, algo de muito positivo pudemos observar no transcurso da partida, como a intensa movimentação de todos os jogadores, e não duplas ou aventuras solitárias, como podemos atestar na foto 4, onde bloqueios simultâneos dentro e fora do perímetro mantêm a defesa adversária colada nos atacantes, originando daí bons espaços para ações ofensivas mais perto da cesta, otimizando os ataques, para de dois em dois avançarem no placar.

Na foto 5 temos uma situação perto da ideal, com praticamente todos os homens mais altos da equipe dentro da zona de rebotes, permitindo dessa forma que segundas situações de ataque aconteçam com mais frequência. Rebotes ofensivos é uma garantia bastante segura de sucesso, ao acrescentar ataques extras em jogos mais difíceis e decisivos.

O que não pode ocorrer é permitir que uma superioridade posicional defensiva supere as possibilidades acima mencionadas, com podemos observar na última foto, que é uma constante em nossos campeonatos regionais e nacionais, fator que poderíamos releva desde a base, pela ação coletiva constante de todos os jogadores, principalmente junto à cesta.

Enfim, pontos positivos estão sendo implementados, e razoavelmente utilizados pelos jogadores, ainda muito presos a vícios de longa data, inclusive os mais jovens da seleção. Acredito que a continuidade desse trabalho proposto pelo Magnano, sirva de parâmetro aos demais técnicos, no intuito de tentarmos mudar nossa endêmica forma de jogar, aspecto este somente possível pela reformulação didático pedagógica no ensinar o grande jogo entre nós, através a criação de metodologias de longo prazo, informatizadas e divulgadas ao longo de um bem elaborado projeto de alcance nacional, bem ao contrário das reuniões de fim de semana até agora patrocinadas por uma ENTB equivocada e errática.

Acredito que possamos melhorar bastante no decorrer da preparação, e que, se optarmos por uma dupla armação e um jogo interior intenso por parte de nossos potentes alas pivôs, muito de oportunidades poderemos auferir nas grandes competições que participaremos até 2016.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

FÁBIO, UM LUTADOR…

Olá Professor Paulo,

Escrevo lhe para contar que neste final de semana encerramos nossa participação nas finais do INTERCEUS 2012 sub-17 masculino de basquete conquistando a medalha de prata da competição!

Estamos muito felizes porque essa medalha veio como resultado e recompensa a muita dedicação, união e trabalho duro,  e quero que o senhor saiba que muito se deve a filosofia de jogo que tenho adotado ( a qual o senhor é uma das grandes referências).

Se chegamos tão longe, muito deve-se à superação de limites individuais e coletivos, esta foi minha primeira experiência com o sistema de dupla armação, tenho certeza que só deixamos equipes tecnicamente superiores para trás (inclusive o campeão do ano passado) por conta de nossa forma de jogar diferenciada. Na final perdemos para uma equipe com muitos meninos de clubes, inclusive atletas federados, então a disparidade técnica e física era brutal, ainda assim dificultamos o máximo que pudemos.

No fim nos coube à medalha de prata, o que num primeiro momento deixou os meninos chateados, pela sensação de “perda do ouro”. Conversamos bastante e logo enxergaram de outra forma, valorizando a nossa conquista. Sei que o senhor já passou por situações dessas, gostaria de pedir uma palavra sua sobre essa questão de medalhas de ouro, prata e bronze para que eu repasse aos meninos.

Um grande abraço, obrigado pela resposta no blog também, logo comentarei mais, tenho acompanhado tudo,

Fábio

obs: segue anexa uma foto nossa com o troféu de prata e as medalhas.

Recebi esse email de um jovem técnico de São Paulo, reafirmando minha convicção de que podemos vencer etapas tidas como incontornáveis no atual panorama do basquete no país. Recentemente o Fábio foi ao meu encontro em Mogi das Cruzes, quando lá estive para acompanhar a final do NBB4,  e onde  tive o enorme prazer em conversar com ele por mais de 6 horas, que passaram rapidamente, ofuscadas pelo seu ardor e empenho em discutir sua grande paixão, o grande jogo.

E que mais poderia acrescentar àquela conversa tão rica e produtiva que tivemos, senão pedir que continue o belo trabalho que promove junto a juventude que lidera, lembrando a todos seus jogadores que dêem o máximo de valor à sacrificada conquista, lembrando sempre que um outro fator se sobrepõe às medalhas e troféus na fase da vida em que se encontram, o de adquirirem o máximo de técnicas individuais e coletivas possiveis, pela incessante prática dos fundamentos, que é a ferramenta mestra do jogo, e que deverá ser praticado em todas as etapas de suas vidas,  enquanto jogadores.

Parabenizo a todos, e ao Fábio em particular, por sua seriedade e profunda honestidade como professor e técnico, sempre pronto a aprender, assim como a ensinar e transmitir incondicionalmente o grande jogo.

Amém.

Foto – Equipe sub 17 do C.E.U. Jaçanã, vice campeã do INTERCEUS 2012 – São Paulo. Clique na mesma para ampliá-la.

OCTAGON, UM PROGRAMA PARA TODA A FAMILIA 4 …

‘Spider’ perde a paciência, xinga Sonnen e garante: ‘Ele vai apanhar como nunca’

Rio –  A paciência de Anderson Silva parece ter acabado. Depois de ouvir muitas provocações do rival Chael Sonnen, o campeão dos médios perdeu a compostura e criticou fortemente o americano. Os dois disputam o cinturão no UFC 148, no dia 7 de julho.

Demonstrando estar cansado das provocações, ‘Spider’ decretou: “A falação acabou, a brincadeira acabou. Esse cara nunca mais falar m… de um lutador“.
O brasileiro continuou e xingou o rival de “marginal” e “imbecil”.

“Esse cara é um marginal, é uma escória do esporte. Esse cara não merece estar no UFC. É um cara que teve problema com doping, com a Justiça. Esse cara é um imbecil, e no dia 7 eu vou acabar com ele”, gritou durante conferência por telefone.

Sonnen escutava os insultos e surpreendentemente não reagiu. Sobre a luta do próximo dia 7, ‘Spider’ prometeu a vitória e garantiu que “vai quebrar o Sonnen por inteiro”.

“Eu vou bater nele de novo. Não tem muito o que ficar falando. Acabou a brincadeira. Ele vai apanhar como nunca apanhou. Tudo o que ele não apanhou da mamãe e do papai, ele vai apanhar de mim para aprender a respeitar o país dos outros. Por baixo, por cima, de lado, de pé, ele vai apanhar de novo. Ele vai engolir todos os dentes da boca dele. Muita gente vai ficar assustada com o que vai acontecer. Estou dedicado, preparado e designado a fazer algo que ninguém nunca fez no UFC: quebrar o Sonnen inteiro. Ele vai ficar com os braços quebrados, as pernas quebradas. Não vai conseguir sair sozinho do octógono”, atacou. (O DIA, em 25/6/2012).

Com um portfólio desse nível, todos ligados na TV, pois melhor programa para a família, impossível, ainda mais quando o nosso ícone campeão sugere a inclusão da disciplina MMA nas escolas, e como aula prática de como quebrar um adversário por inteiro, testemunharemos o enorme alcance deste exemplo na educação de nossos jovens, num espetáculo edificante e exemplar.

No fundo, no fundo, creio que merecemos tudo isso

Amém.

Foto – EFE. Clique na mesma para ampliá-la.

O TIRO NO PÉ…

Meus amigos, do que adianta defender uma tese provada no campo de jogo por anos e anos, de que de dois em dois pontos podemos vencer jogos, atingir contagens elevadas, defender com mais precisão, agilizar tanto o jogo interior, como o exterior, dotar os jogadores do poder decisório em quadra, item tão temido por tantos técnicos, por aprenderem e apreenderem a arte da leitura de jogo, por sedimentarem no dia a dia dos treinos os fundamentos do jogo, ferramenta visceral para a execução dos sistemas ofensivos e defensivos, pela aprendizagem ao diálogo sobre o que treinam e jogam, entre si, e com seus técnicos, numa mútua relação de confiança, respeito e consideração, professando uma autêntica dupla armação, e uma corajosa e diferenciada ação interior através uma tripla utilização de alas pivôs, rápidos, ágeis, flexíveis, e acima de tudo plenamente participantes do jogo, e não coadjuvantes de uma interminável hemorragia de arremessos de três pontos, que tanto empobrecem nossa autofágica maneira de jogar o grande jogo.

Foi o que ocorreu, pela milionésima vez no jogo com a Venezuela, quando de dois em dois pontos endurecemos um jogo perfeitamente ao nosso alcance, para numa falha sucessão de bolinhas de três, propiciarmos contra ataques venezuelanos que esticaram o placar além dos 20 pontos.

E o que dizer do jogo da Sub 18 contra os americanos, que jogaram dentro de nós, enquanto treinávamos a pontaria de fora, sem falar na brutal diferença na postura fundamental de seus jogadores, frutos de uma escola que nos negamos a praticar, trocando um tempo precioso de formação por formatações e padronizações de sistemas de jogo, numa opção equivocada e absurda.

Senhores, utilizar uma dupla armação adaptada ao sistema único é praticamente um tiro no pé, pois retira do foco da ação exterior um dos armadores, que ridiculamente vai executar bloqueios dentro do garrafão, e de encontro aos grandes pivôs, enquanto seu companheiro de armação se vira sozinho e sem balanço defensivo presente, além de somente poder contar para uma jogada incisiva com um dos alas, claramente inferiores nos fundamentos básicos de drible e passes, pela ausência do outro armador. O resultado se reporta aos passes de contorno, num crescendo inócuo e destituído de penetração aos pivôs, que por conta de uma movimentação sagital se postam de costas para a cesta, quando deveriam atacá-la de frente e em veloz movimentação, situando-se dessa forma um tempo adiante dos defensores, que é a arma mais letal para superá-los.

O que poderia dizer ou acrescentar a mais, frente a resultados tão medíocres por repetitivos, e tão solidificados por padronizações e formatações?

Nada, se frente a uma realidade imutável, solida e corporativista.

Tudo, se uma fresta, por tênue que fosse, de repente, se abrisse para algo de novo, iluminando caminhos abertos pelo diálogo, pelo trabalho conjunto daqueles que realmente conhecem e amam o grande jogo, e que comungassem princípios e conhecimentos entre jovens e veteranos técnicos e professores, no reencontro de um destino rompido e violentado pela mesmice endêmica que tem ferido de morte nossa maior riqueza, a criatividade inata de nossos jovens, enclausurada que se encontra nos limites de uma lamentável prancheta.

Mantenho uma contida esperança, de que nossa seleção olímpica possa vir a romper alguns desses grilhões, apresentando um jogo voltado ao perímetro interno, através um pleno domínio no externo, equilibrando ações voltadas ao coletivismo defensivo e ofensivo, onde arremessos de media e curta distância, mais precisos e eficientes, se sobreponham definitivamente às aventureiras bolinhas, lastreado por um sistema defensivo ousado e corajoso, base verdadeira de uma equipe de alta competição. Que assim seja, torço e espero.

Amém.

Foto-Divulgação CBB. Clique na mesma para ampliá-la.

EM TEMPO- Agora,  oficialmente na America do Sul, estamos em quarto…

DUPLA O QUE?…

Toca o telefone, e o amigo Pedro do lado de lá da linha me alerta –Paulo, até que estão inovando, pois estão jogando com dois armadores… Pera lá Pedro, substituir um ala por um armador dentro do imutável, rígido, ciclópico sistema único pode ser tudo, menos jogar em dupla armação. E para conseguí-lo, uma mudança estrutural tem de ser desencadeada na forma de se situar e ler o jogo, pois atuar em dupla exige dos armadores um completo domínio das possibilidades oferecidas por um perímetro externo amplo e desafiador, onde a visão periférica se expande no mais amplo sentido criativo, alimentando pluridirecionalmente um perímetro interno sutil, ou escancaradamente habitado por alas pivôs velozes, ágeis e em permanente movimento, ferindo a defesa em seu âmago, e não contornando-a através óbvios e inócuos passes destituídos de objetividade e precisão, culminando em arremessos apressados e desequilibrados.

Mas o pior de tudo é a constatação de que nomes, por si só, não definem uma boa seleção, a começar por uma opção técnico tática compromissada com um sistema de jogo em tudo e por tudo absolutamente equivocado. Sim, tínhamos dois armadores em quadra, um Nezinho dito de ofício, e um Benite gravitando entre equipes na busca incessante e imatura de uma posição permanentemente confrontada com sua tendência anotadora, a mesma de seu companheiro “armador”, que por conta disso desandaram nas bolinhas, no individualismo crônico, negligenciando o jogo com seus pivôs, relegando-os ao notório papel de “apanhador de sobras”.

Bem, isso tudo no plano ofensivo, porque no defensivo meu amigo, algo de muito, muito sério está grassando em nosso basquete, o mais absoluto desprezo pela ação no perímetro externo, por onde os paraguaios (meus deuses, aonde chegamos…) fizeram uma festa do arromba nas bolinhas, jamais contestadas, sequer tentadas através um simples e singelo movimento defensivo, como num trato inter pares, já sedimentado em nosso dia a dia, o de quem acertar a última, ganha.

Pedro, garanto a você, e bem sei que pensa o mesmo, de que temos melhores e mais comprometidos jogadores que lá não estão na maioria das posições, porém, inominados que são, ao gravitarem por equipes menos midiáticas, se perdem no injusto e perverso anonimato de um basquete anacrônico e desleal.

Numa coisa tenha a mais absoluta certeza, não se adquire conhecimento e sabedoria no grande jogo por osmose, como alguns pensam ao gravitarem em torno de um campeão olímpico. Tempo, estudo e experiência ainda ditam as regras do comando, da liderança, da ousadia, do livre pensar, da real e comprovada competência, enfim.

Quem sabe um dia acordaremos para a realidade do grande jogo, um dia…

Amém.

Foto – Divulgação CBB. Clique na mesma para ampliá-la.

GERSON…

Estava em Portugal fazendo meu doutoramento em 1986, e ali do lado, na Espanha, transcorria o Campeonato Mundial de Basquetebol, com a grande presença da equipe brasileira. Meus estudos não permitiam que lá fosse assistir a competição, mas a acompanhava através os jornais e a TV.

E foi uma caminhada brilhante a da nossa seleção, com atuações coletivas inesquecíveis, e algumas contundentes presenças em quadra por parte de jogadores que defendiam uma tradição de qualidade histórica em nosso país, e que acima de tudo amavam defender sua gloriosa camisa, sem protelações, recusas, esquivas e interesses que não fossem os da seleção.

Um destes jogadores se elevou ao máximo de sua posição, o grande pivô Gerson. Reboteiro inigualável sucedeu o inesquecível Ubiratan, pelo poder defensivo, pela dedicação, pelo amor ao grande jogo. Rivalizou e superou jogadores como Sabonis, David Robinson, Wiltger, tendo ao seu lado outro mito nos rebotes, o Israel.

Terminou o Mundial como o maior e mais eficiente jogador na difícil e altamente especializada arte dos rebotes, com brilho e poder.

Na quarta feira passada, o grande jogador foi retirado do recinto onde a seleção olímpica treinava por ordem de um técnico estrangeiro. Lamentável, vergonhoso, constrangedor.

Mas quem sabe, talvez mereçamos, por nossa omissão e subserviência.

Amém.

Fotos – Reproduções. Clique nas mesmas duas vezes para ampliá-las.

“NOMES”…

Depois de postar uma notinha de rodapé com a final do NBB, o jornalão publica hoje uma meia página de equivoco completo, pois, seguindo a tendência colonizada e subserviente de grande parte de nossa mídia esportiva (?), teima e força a opinião de que basquete seja um jogo individual, demonstrando sua mais absoluta ignorância sobre o grande jogo, pequeno para ela.

Mas lá para dentro da matéria, o Durant coloca as coisas nos devidos lugares, quando afirma: – “Todos estão falando sobre meu duelo com LeBron, mas é Thunder contra Heart(…) Não é um jogo de um contra o outro para vencer a série. Os times é que vão decidir tudo, e vai ser divertido”.

Como vemos, o jovem jogador tem um bom senso mais evoluído do que a turminha torcedora…e ignorante da realidade do grande jogo…

Sem dúvida alguma assistiremos logo mais o inicio da mais divulgada, incensada e cultuada série de peladas monumentais, protagonizadas por excelentes jogadores, as mesmas que em hipótese alguma serão emuladas pela equipe olímpica americana sob o comando do Coach K, isto porque, se assim  jogasse em Londres, não pegaria o caneco, pois jogar uma competição FIBA, com suas regras diferenciadas da NBA quanto aos embates e violações, complicaria sua participação frente a equipes mais afeitas às mesmas, além de se comportarem como equipes, e não como palco de solistas geniais.

Sei muito bem que esse enfoque levantará imensos e contrariados comentários, e mesmo aversões, mas mantenho esse ponto de vista, bem aproximado do grande professor, comentarista e brilhante jogador Wlamir Marques, quanto a essa inegável constatação, a de que há muito, a NBA desenvolve um jogo basicamente focado no individualismo exacerbado, como ponto de sustentação de apelo popular pela busca do estrelismo, da paixão pelos ídolos e materialização iconográfica.

Por conta dessa triste realidade, aqui pela terra tupiniquim, dirigentes e, às vezes, técnicos, que se reestruturam para o NBB5, correm aberta ou veladamente na busca dos “nomes”, dos melhores e mais ranqueados “1 a 5”, para comporem suas equipes, comparando-os posicionalmente, pareando-os, como personagens de futuros embates 1 x 1, sabedores que são de que a contratação de um bom numero deles por sobre as demais equipes, provavelmente os tornarão “imbatíveis”, pelo menos em suas concepções megalomaníacas, condições estas que fazem a festa de agentes inteligentes e oportunistas, principalmente num mercado que tende a crescer junto à relativa estabilidade econômica do país.

Claro, que num país em que um sistema único de jogo prevalece de forma incontestável e esmagadora, o enfoque descrito acima se encaixa com precisão cirúrgica, já que dificilmente contestado por qualquer outro modo de se ver e jogar o grande jogo, e concretizado pelo estabelecimento da mesmice endêmica técnico tática, que se faz presente desde sempre entre nós.

Kevin Durant, singelamente põe os pingos nos is, lá, na terra do basquete, dos contratos milionários, da Xanadú que grande parte de nossa mídia e torcedores sonha em pertencer, o de como deve ser visto, sentido e jogado o basquetebol, e não aquele que professamos subservientes e colonizados da forma mais fantasiosa e irreal possível.

Enquanto isso, muitos, muitos mesmos, jogadores jovens e veteranos são esquecidos por não terem “nomes” midiáticos, mas prontos e aptos para alçarem novos sistemas de jogo que os redimam e projetem do limbo em que se encontram, pela ignorância e submissão a um sistema único, mantido por uma confraria, um corporativismo técnico tático que nos oprime, humilha e fere de morte. Aliás, ontem mesmo nossos hermanos, por mais uma vez, nos lembraram disso.

Que nossa seleção fuja um pouco, ou o suficiente, desses grilhões absurdos e ignorantes, arejando nosso jogo, nossa defesa, nosso espírito empreendedor e corajoso, como se comportou a geração do grande Wlamir, com seu coletivismo e pluralidade. Torço por isso.

Amém.

Foto – Reprodução do O Globo de 12/6/2012. Clique na mesma duas vezes para ampliá-la.

A VITÓRIA INCONTESTE (E JUSTA) DE UMA MESMICE ENDÊMICA…

Com um ou dois minutos do segundo quarto de jogo, o Murilo cisma de trazer a bola da defesa para o ataque, quando bem no meio da quadra, ao tentar um corte, se atrapalha com a bola, perdendo-a para o Cipriano, que serve a um Arthur leve e solto numa bandeja inadmissível para uma decisão de campeonato. Foi naquele momento que ficou escancarado o destino final do jogo, no limiar de um segundo quarto, talvez, a decisão mais tranqüila de todos os NBB’s até agora disputados.

E porque tranqüila? Vejamos:

– Apesar da desnecessária, porém habitual enxurrada de bolinhas de três, com a equipe de São José arremessando 5/23, e Brasília 6/26, num jogo que estava sendo decidido dentro do perímetro por parte dos candangos, mesmo assim 20 ataques seus ficaram inoperantes pelas, repito, desnecessárias e aventureiras tentativas, ao passo que pela incapacidade de insistir e forçar o jogo interno, São José, perpetrou 18 tentativas que se perderam pela imprecisão e desmedida pressa ante um placar que se alargava a cada minuto da partida.

– Jogadores viciados nas bolinhas, como Guilherme e Arthur, foram decidir o jogo em precisos DPJ’s, boas reversões, e melhores ainda penetrações por sobre uma defesa temerosa em perder seu melhor jogador com faltas, em dobras imprecisas que deixavam brechas imensas para arremessos curtos e médios, precisos e mais equilibrados, por parte de uma experiente e veterana equipe.  Mesmo com tal vantagem, e como afirmei acima, por puro hábito, tentaram os jogadores da capital, arremessos  completamente fora de um contexto que os favorecia pelas enormes fendas na defesa sanjoanense.

– Outrossim, com uma defesa focada no âmago de seu perímetro, afastando o Murilo da tabela, ou cercando-o nas disputas dos rebotes, inviabilizando-o ofensivamente, e vigiando fortemente o armador Fúlvio, que ao bloquear na altura do peito um arremesso de três do Nezinho, bem no inicio do jogo, viu-se daí por diante motivo de uma ação defensiva e ostensiva por parte do armador candango, como num ajuste de contas pelo bloqueio recebido, intenso e decisivo na inoperância de seu opositor. Com tais ações defensivas, a equipe de Brasília garantiu seus contra ataques precisos e indefensáveis, reinou dentro do perímetro adversário, e só não venceu com mais diferença por ainda não saber estancar uma persistente e crônica hemorragia de três.

Outro fator preponderante nesse jogo foi o absurdo, por exagerado, número de erros de fundamentos, 27, sendo que 17 de São José, o que demonstrou sua imprecisão e nervosismo.

Como nervosismo em uma equipe finalista, e até bem pouco tempo a de melhor produtividade da Liga, como?

Pela ausência de uma consciência tática efetiva para o enfrentamento de uma equipe, que como ela, jogava da mesma forma, agia com semelhantes jogadas, variava ofensivamente com notória previsibilidade, e se utilizava magistralmente da rodagem de seus encanecidos jogadores básicos. A equipe de São José falhou onde não poderia falhar de modo algum, na defesa, na rotação estratégica, e principalmente, na presunção de que um jogo aberto a favoreceria pela notória ausência de contestação dos longos arremessos por parte de um adversário, que, exata e inteligentemente, resolveu contestá-los na decisão, bem lá fora do perímetro, e mais ainda, concentrando seus maiores esforços lá dentro, bem lá dentro de seu garrafão.

Por conta destes aspectos acima relacionados, alguns pontos ficaram bem claros, e mostrados na série de fotos que fiz ( sim, lá estive), que contam um pouco do jogo, mas suficientes na demonstração do quanto variou Brasília em sua forma de jogar ( se utilizou inclusive da dupla armação e jogo interior de pivôs), em oposição à completa ausência de definição tática por parte de uma equipe indecisa e fragilizada por não ousar, criar, e acima de tudo, arriscar sair da mesmice endêmica ( será que se mantêm daqui por diante?) que afasta da formação de base exemplos de como jogar o grande jogo de forma diferenciada, inusitada e criativa, portal que elevaria nossas chances no cenário internacional.

Observemos as fotos:

1 – Inicio de jogo. Ataque linear de Brasília. Notar afastamento do    Murilo no combate direto ao Alírio.

2 – Ataque totalmente aberto do São José, com defensores na Linha da Bola fechando o garrafão, e dobra lateral no Fúlvio, comandados pelo Alex.

3 – Fúlvio eleva erroneamente a bola acima da cabeça, com poucas opções de passe para o interior. Notar o correto bloqueio no Murilo, uma constante em toda a partida.

4 – Ataque interior de Brasília, com os três homens altos e dupla armação fora do perímetro.

5 – No 3º quarto insistência do São José pelo jogo aberto, inócuo e inferiorizado, com seu pivô afastado da cesta. (Desculpar foto desfocada).

6 – Neste 3º quarto Brasília abandona um pouco o jogo interior, voltando às temerárias bolinhas, como essa do Nezinho, o que aproximou o placar em 6 pontos.

7 – Por outro lado, a continua ausência do Jefferson na ajuda ao Murilo nos rebotes, fator determinante na derrota de sua equipe.

8 – Outro momento de ausência de foco interno do São José.

9 – Completa ausência de contestação de um arremesso de três do Guilherme, com seu defensor com os braços completamente arriados, uma constante de toda a equipe no confronto.

10 – Exemplo maior e constante de ausência de jogo interior ante o posicionamento defensivo de Brasília.

11 – A solitária briga do Murilo no rebote. Indesculpável.

12 – Mais uma tentativa de três de São José sem rebote corretamente colocado, outra e determinante constante no jogo.

13 – E mais outra com o Murilo bem contido por um eficiente Alirio, Chico fora e Fúlvio deslocado para uma improvável tentativa de rebote.

14 – Jogo ganho, hora de Brasília emular seu oponente, abrindo seu ataque, prova de sua maturidade e total domínio sobre o sistema único de jogo.

15 – A turma do Basketeria em ação.

16 – O redator aqui exercendo sua inatacável opção de vivenciar o grande jogo.

 

Foi uma vitória inquestionável e justa, da equipe mais experiente e madura, numa competição em que não encontrou um basquete diferenciado que a pudesse derrotar como foi um dia, exatamente por ter se deparado com um no NBB2, onde se sagrou campeã,  e nas competições internacionais onde o sistema único tem galgado uns degraus a mais do que entre nós. Se não nos ajustarmos a essa realidade, já poderemos arriscar a consecução de um tetra para o NBB5, consolidando definitiva, conceitual e irreversivelmente o sistema que tanto nos limita e oprime.

Amém.

Fotos – Paulo Murilo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

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