AS DÚVIDAS DO VAREJÃO…

Ao término da fase classificatória do March madness universitário americano (único torneio de lá que habitualmente assisto), já posso tirar algumas conclusões sobre o momento ianque de jogar o grande jogo, o mais próximo possível das regras internacionais, um pouco menos conflitante do que o modo NBA de praticá-lo, ou mesmo, transformá-lo num produto altamente rentável, e não um desporto comum a todo o restante deste planeta, unido em torno das regras da FIBA, se constituindo na exceção que as justificam. Sem dúvida alguma é um outro jogo o praticado na matriz, sendo a NCAA um ponto de passagem entre as duas evidências, mas ainda tendendo ao exclusivismo paternal de uma modalidade que vê negado o universalismo além de suas fronteiras…

É um outro jogo, porém com um princípio indivisível e comum ao restante do mundo, a forma de dominá-lo através fundamentos bem ensinados, exemplarmente treinados, e aplicados com maestria dentro dos sistemas ofensivos e defensivos adotados por professores e técnicos bem formados neste mister, apesar da maioria avassaladora dos mesmos se utilizarem do sistema único ofensivo, em contrafação aos flexíveis e variados sistemas defensivos, que diferem em forma, mas comungam dos princípios enérgicos e incansáveis aplicados durante todas as partidas, numa prova coletiva de comprometimento e entrega defensiva a serviço da equipe em seu todo…

Com poucas exceções, as equipes atacavam da mesma maneira, mesmo em dupla armação, onde passes de contorno, espaçamento gerador dos embates 1 x 1, corta luzes fora do perímetro, e trocas muito rápidas de passes visando os arremessos de três (são 30 seg de posse de bola em vez dos 24 seg da regra internacional), se constituíram no lugar comum a ser alcançado, num desperdício físico considerável num torneio de tiro curto como esse, onde a era dos massudos pivosões definitivamente deixou de existir, dando lugar a outros mais velozes, flexíveis e aptos ao jogo interno, como ao externo também, assim como mais versáteis no manejo dos fundamentos básicos do grande jogo. Mesmo assim, não vimos sistemas diferenciados, a não ser o emprego da defesa zonal por poucas equipes, com sucesso relativo, porém suscetíveis aos longos arremessos, responsáveis pela artilharia desferida por muitas das equipes, adotando o estilo Warrios, mas sem a eficiência dos mesmos…

Se quisesse destacar um jogo em especial nessa primeira fase do torneio, Duke 77 x 76 UCF, seria o escolhido, pois representou a afirmação de quebra da mesmice tática por parte do coach K, com sua equipe errática, porém azeitada em quadra, onde uma dupla competentíssima de armadores, alimentava alas pivôs fortíssimos que transitavam dentro e fora do perímetro, com seu grande jogador Zion atuando indistintamente dentro e fora do mesmo, ( o jogo foi vencido através um curto arremesso dele, seguido de um lance livre) defendendo com enorme vigor, principalmente nos rebotes, contra uma equipe dentro dos padrões atuais, contando inclusive com um pivô, Tacko Fall, de 2,29m enfiado no garrafão e dominando defensivamente sua cesta, e um atacante, Dawkins, especialista nas bolas de três, que foi o maior marcador do jogo, mas que no entanto viu sua equipe perder por um ponto, numa partida exemplar pelo confronto direto entre o antes e o depois técnico tático estabelecido no atual panorama do basquetebol de seu país…

Acredito que pouca coisa mudará nas semifinais e grande final deste grande torneio, onde a utilização do atual sistema ofensivo de jogo será mantido, garantindo a continuidade técnica e tática da liga maior, agora mais bem alimentada pela participação de jogadores universitários com um ano somente de frequência escolar, garantidora de sua contínua e inesgotável renovação, num mercado bilionário, e por isso mesmo, cruelmente disputado…

Sobre essa realidade no basquetebol profissional americano, vale a pena ler a entrevista que o jogador Anderson Varejão concedeu ao blog Bala na Cesta do jornalista Fábio Balassiano, da qual pincei alguns e esclarecedores pontos:

-(…) Cara, o jogo é outro. Totalmente. É outro esporte. Tudo muito rápido, todo mundo chutando de fora, muitas trocas nos bloqueios. Você não vê mais aquele jogo de cinco contra cinco, bola no pivô, essas coisas(…)

-(…) O que vejo hoje, e me questiono muito se é eficiente, é que todos os times tentam se igualar na forma de jogar ao que o Golden State Warriors e o Houston Rockets fazem para ter chance de ganhar. Mas será que esse é o caminho? Ou será que o ideal seria fazer algo de diferente pra machucar os caras? No momento é isso aí – correria, chute de três, muita transição, jogo sem tanta defesa agressiva…(…)

-(…) Hoje é um caminho sem volta. Pode ser que em 2, 3 anos a gente volte a conversar e o negócio tenha mudado. Mas hoje é assim(…)

Como vemos, um jogador com larga experiência no basquetebol europeu e americano, em sua liga maior por mais de dez anos, tem sérias dúvidas sobre a realidade que ora se apresenta no âmago do grande jogo, principalmente quanto a sua exequibilidade sistêmica em nosso país, não como um utente negligenciado em sua atuação pontuadora dentro do perímetro, mas sim, como um observador detalhista e consciencioso dos caminhos que se apresentam ao grande jogo em seu desenvolvimento futuro, em bases sólidas  e possíveis de serem trilhadas com conhecimento e competência…

Como acabamos de testemunhar na fase classificatória do march madness da NCAA, da fase classificatória aos playoffs do NBB, das competições sul americanas, assim como o dia a dia dos intermináveis jogos da NBA, a mesmice endêmica técnico tática corre solta e livre, assim como a desenfreada hemorragia das bolas de três impera mundialmente (muito mais por aqui mesmo, em terra tupiniquim), vítimas que somos do colonialismo atávico advindo das matrizes, e que é sutilmente mencionado pelo grande jogador ao responder a uma pergunta direta do Fábio – (…) Você gosta ou é o que é? Não tem muito o que escolher. A vida te leva pros caminhos e você tem de fazer parte disso (…).

E é neste ponto que insiro dois artigos antigos publicados aqui neste humilde blog, cuja leitura em muito poderá auxiliar na plena compreensão do testemunho do Varejão, pois explicita com sobras os porquês de não adotarmos formas diferenciadas de jogar o grande jogo, e mais ainda os porquês da não continuidade das minhas propostas teóricas e práticas quando na direção fugaz do Saldanha da Gama no NBB2, dez anos atrás, a não ser acolhimentos pontuais por determinados técnicos pela dupla armação, ferozmente combatida desde aquela época por blogueiros, jornalistas, comentaristas e palpiteiros, hoje plena e aplicada por todas as franquias, até extrapolando em triplas armações, assim como a substituição dos massudos e lentos cincões, por alas pivôs mais atléticos, ágeis e velozes, que hoje povoam nossas quadras, todos, porém, ainda longe do coletivismo alcançado por aquela emblemática equipe, fruto de uma experiente e qualificada pedagogia de ensino por muitos anos pesquisada, e muito mais ainda distante da compreensão e domínio dos imediatistas estrategistas que as comandam, ao negarem, por muito pouco conhecerem, da importância do árduo treino dos fundamentos individuais e coletivos para seus graduados e nominados jogadores, tornando-os aptos e receptivos a sistemas atípicos às suas monocórdias realidades, dando início a um novo ciclo de aprendizagem e conhecimento pleno do que venha a ser jogo coletivo e verdadeira e consistente leitura de jogo a qualquer momento de uma partida (ápice de um competente treinamento), dispensando o encordoamento manipulador que exercem de fora para dentro da quadra, em descerebrados marionetes fantasiados de jogadores…

Os artigos em questão – Dupla o que?

                                    – Fazendo pensar

Poderiam culminar com um artigo ( O desafio…artigo 1000) que muito explica e esclarece uma inglória luta aqui travada desde sempre, e que hoje responde em alto e bom som as dúvidas externadas pelo Anderson Varejão em sua entrevista, num repto por mim lançado e que pouquíssimas respostas foram elaboradas a respeito, fora e dentro das quadras, escancarando o verdadeiro absurdo do meu coercitivo afastamento do grande jogo, talvez o único profissional com coragem e independência para dar continuidade ao belo e exemplar trabalho iniciado no Saldanha da Gama no NBB2, e que após ser varrido para baixo do tapete da história, se vê canhestra, débil e sutilmente copiado sem o conhecimento, domínio e profundidade do original, que em caso contrário, teria desencadeado soluções teóricas e práticas que naturalmente  evoluiriam estrategicamente na direção do questionamento inquisidor do Anderson – (…) Ou será que o ideal seria fazer algo diferente pra machucar os caras? (…).

Que eu diria e afiançaria diferenciado, proprietário, exclusivo em termos nacionais, da base a elite, democrático, forte e consciente, independente, criativo e responsável, e acima de tudo, nosso…

Durante esta semana assisti de tudo, NCAA, NBB, Euroliga, e até um pouco de NBA, mas para dar um tempo nas mesmas críticas sobre erros e mais erros de fundamentos, cascatas de bolas de três, chiliques e poses ao lado das quadras, pranchetas vazias de idéias e conhecimento real do grande jogo, transmissões e comentários apocalípticos, jogadores americanos deitando regras e comandos nos jogos, ginásios e arenas semi desertos, peladas disfarçadas de clássicos, num NBB formatado e pasteurizado pela mediocridade fruto da teimosia corporativa de seus mentores, é que nada comentarei, no momento (quem sabe nos playoffs), sobre jogos que expõem a triste realidade técnico tática que tanto preocupa o Varejão, e não só ele, e sim a todos aqueles que amam de verdade o grande, grandíssimo jogo…

Amém.

Nota – Atentem nos excelentes comentários agregados aos artigos sugeridos.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

  

O CHIFRE ETERNO…

Bem pessoal, publiquei o artigo a seguir em 2011, se puderem e quiserem lê-lo, inclusive os esclarecedores comentários, o façam, para logo após responderem a uma pergunta que faço – De lá para cá, o que mudou técnica e taticamente no grande jogo tupiniquim, o que?

A ONIPRESENTE CHIFRE…

quinta-feira, 10 de novembro de 2011 por Paulo Murilo

É chifre para cima, chifre para baixo, para o lado, invertido, falso, forte, dissimulado, chifre para tudo e para toda situação de jogo. Sem dúvida o chifre está valorizado, e como.

Tempo pedido, discute-se, às vezes xinga-se, outras silenciam, mas ao final o lembrete: -“vamos de chifre, ah, pra baixo”…

E lá vão os jogadores chifrar o oponente, mas com uma importante ressalva, o fazem sem mudar, acrescentar absolutamente nada ao que vinham, vem e virão a fazer enquanto jogarem, pois simplesmente… chifram.

Observo atento, não, concentrado, concentradíssimo na jogada chifre em questão, e nada, absolutamente nada vejo de diferente, inovador, criador, ou mesmo contestador, nada.

-“Os caras não podem continuar a ganhar os rebotes no ataque, não podem arremessar livre de fora, bandeja então, nem pensar. Marquem forte, e usem a chifre (alto, baixo, pro lado, ora, o que importa desde que seja a chifre…)”.

Mas como todo jogador criativo, exemplo, o Shamell, atuando dentro de uma chifre genérica, sai de sua zona preferida para os chutes estratosféricos de três (às vezes depreendo ser essa a verdadeira função das chifres, colocar jogadores para arremessos de três, será?), e mata o jogo com seis pontos seguidos de DPJ, um deles acrescido de reversão, todos de dois pontos, próximos, seguros, eficientes, fechando a série para a sua equipe.

Do outro lado, uma equipe ensandecida nos arremessos de três e um furor de inócuos dribles por parte de armadores que simplesmente resolveram riscar o jogo interior de suas preferências, e claro, atuando numa chifre polivalente.

Nos três jogos finais as duas equipes finalistas do paulista, perpetraram um 58/145 nos arremessos de três, contra 111/205 de dois pontos, e cometeram juntas 78 erros em perdas de bola, e tudo sob a égide de jogadas nunca obedecidas e defesas permissivas, mas ambas, perfeitamente alinhadas pela mais emblemática das jogadas exigidas, quem sabe até um sistema, a onipresente chifre.

O que me preocupa de verdade, é que o argentino também tem uma queda por ela, o que justifica a sempre presente hemorragia dos três, que nos tem causado tantos contratempos.

E foi sob esse cenário que um talentoso Shamell resolveu e definiu um jogo de 2 em 2, simples e nada glamoroso, sem enterradas e tocos cinematográficos, apesar de ter levado um decisivo na terceira partida da série.

Mas com ou sem chifre, parabenizo a equipe do Pinheiros por sua conquista, e ao Shamell em particular, por sua inteligente opção.

Amém.

OBS-Antes que me questionem – DPJ- Drible, parada e jump, classica jogada dos que sabem jogar o grande jogo.

 

6 comentários

  • Henrique Lima11.11.2011·
  • Jogadas e mais jogadas.
  • Até quando os caras vão entender que o necessário é saber jogar basquetebol e não decorar um livro de coreografias ?
  • Triste de nós, Professor, que andamos numa estrada e com uma luta que parecem não ter fim.
  • Abraços
  • Basquete Brasil11.11.2011·
  • E ainda tem técnicos que vêm a publico afiançar que estão mais preparados para encarar o batente, como se a liga maior fosse algum Jardim da Infância. Mas como são produtos desvairados do conceito Q.I. de escolha, o que podemos esperar? Corporativismo é isso ai.
  • Um abraço Henrique, Paulo.
  • Henrique Lima12.11.2011·
  • Professor,o pior que não tende a acabar.
  • Eu imagino um Pinheiros jogando num sistema diferente, com os atletas sabendo movimentar fora da bola, utilizando os bons pivôs que tem, os excelentes infiltradores e chutadores. Enfim, um time com tanta qualidade e tanto potencial, fica preso à chifres e polegares. Aos individualismos que só dão certo num jogo de NBA e olhe lá … nem mais lá tem dado certo.
  • Agora, ao invés de chifres e polegares para baixo, para o alto, para o lado, se estes caras treinassem 50% do tempo que gastam decorando estas porcarias, em fundamentos, estaríamos em outro nível.
  • Não sei se o senhor notou, o Jack Martinez, pivô dominicano. O cara simplesmente domina todos os fundamentos. É um jogador de basquetebol. Sabe jogar basquete. Fez o que quis no Pré Olímpico, carregou nas costas o time por boa parte do jogo contra nossa seleção e no PAN deitou e rolou sobre o Murilo, que é um atleta competente no nosso nível interno, dos melhores pivôs que temos por aqui, se bobear o melhor do torneio nacional. A diferença na qualidade dos fundamentos dos dois, é monstruosa. É um pequeno exemplo, mas estamos falando de caras de elite né ? Deveriam ser mais parelhos.
  • Dá até pena do quanto este pessoal desperdiça de talento e tempo por aí.
  • Mas, a maioria parece acreditar que este é o caminho, os chifres, os polegares ou o fazem mesmo porque é mais simples para se manterem nos cargos. Aí, a minoria que pensa diferente é vista como louca … embora os resultados dos últimos não sei quantos anos falam por si …
  • Abração
  • PS: Professor, o senhor não teve nenhum convite para o NBB 4 não ?
  • A falta de visão dos dirigentes de basquetebol no país, é algo crítico.
  • É muita gente cega ….
  • Basquete Brasil12.11.2011·
  • Henrique, treinar fundamentos com jogadores de altas folhas salariais, se foram contratados exatamente pela pretensa proficiência nos mesmos? Perder tempo em corrigir adultos calejados naqueles detalhes de ação individual, quando, apesar das falhas, conseguem estar melhores dentro do padrão brasileiro? Nem pensar! Ainda mais quando perfeitamente familiarizados com o sistema único que praticam, independentemente da equipe onde estejam,o que os deixam ” treinados” a priori, sem cansativas inovações.Musculação, alongamentos, aeróbicos, arremessos de preparação, cinco para cada lado, bola ao alto, e vamos todos para os rachas de profunda preparação. Mais adiante, nada que uma bem azeitada prancheta não possa resolver, ou pelo menos, aparentar que resolve. Faz parte do roteiro, como toda e bem entendida coreografia.
  • O Jack Martinez realmente é um excelente jogador, e dono de uma técnica individual indiscutível. Pena que muito marrento e um tanto individualista. Bem orientado e cuidado faria enormes estragos em seus adversários. Realmente, o Murilo não foi páreo para ele, apesar de ser um jogador de boa qualidade, mas pouco exigido nos fundamentos do jogo.
  • Não podemos esquecer Henrique, que a manutenção de um sólido corporativismo é conseguido pela homogeneidade funcional de seus participantes, daí a adoção do sistema único e suas jogadas de passo marcado por todos os seus integrantes, onde algum insurgente tem de ser banido, ainda mais se não socio e participante do mesmo.
  • Se fui convidado? Sequer para o Sub 21,que vai se tornar o continuismo do que ai está implantado. Honestamente, não acredito que melhoraremos agindo dessa forma unilateral e sumamente covarde.
  • Um abraço, Paulo.
  • wilson16.11.2011·
  • o problema não é com a chifre e sim a maneira que se usa, pois ela nada mais é que o pick and roll, no qual é o sistemo que o mundo inteiro joga, o problema do brasil é a demasiada ânsia d pontuar, os arremessos de três, são com chifre, sem chifre, não importa aqui se joga com pressa e não com velocidade…culpar a chifre é culpar todo o sistema ofensivo q nada mais é q uma tentativa de facilitar a ação, portanto deixem a chifre, a punho ou qualquer outra movimentação ofensiva em paz…o erro está na formação oscariana que os técnicos da base enfiam na cabeça dos seus pupilos.
  • Basquete Brasil17.11.2011·
  • Exato prezado Wilson, chifre, punho, cabeça, etc, compõem o repertório do sistema único, que como você mesmo confirma é o “sistema que o mundo inteiro joga”, e que infeliz e convenientemente também é jogado por aqui, numa mesmice endêmica e consentida por todos aqueles que se negam a estudar e pesquisar outras formas de jogar o grande jogo. E exatamente por isso é que estamos na situação em que nos encontramos, de ineficiência técnico tática desde as divisões de base, o que é lamentável.
  • Desculpe, mas não deixei, deixo e jamais deixarei em paz tanta mediocridade e preguiça em buscar novos e ousados caminhos, porta de entrada da criatividade e desenvolvimento. Acredito firmemente que nossos jovens merecem algo de melhor, de instigante. Aliás, todos nos merecemos.
  • Um abraço, Paulo Murilo.

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AS TEMÍVEIS E ANUNCIADAS MINI HECATOMBES…

A mídia especializada tupiniquim estipulou que ajudaria no crescimento do grande jogo colocando-o num altar de excelência, onde tudo está em ordem técnica e tática (onde o reinado das pranchetas é absoluto), com arenas e ginásios bem frequentados (inclusive com torcida única presente no caso do RJ), espetáculos e shows atraentes, entrevistas formidáveis, bordões bradados aos gritos, divulgação sistemática de #tags e twitters a não mais poder, abraços enternecidos e beijos a granel para os fãs, enfim, todo uma encenação em parte copiada da grande matriz do norte, onde até a beijação caipira televisiva ameaça adentrar nossas semi desertas bancadas. Mas fazemos por merecer, pela terrível omissão que caracteriza a grande parte daqueles que dizem e apregoam amar o grande jogo, mas que o permitiram ter se tornado refém do granítico corporativismo que se apossou dele com passagem de ida, onde a vinda se torna cada vez mais improvável. Numa matéria de hoje no O Globo sobre nossas chances em Toquio, o basquetebol sequer é mencionado…

Esqueceram, porém, o fator mais importante, determinante para o ressurgimento do grande jogo, e como deveria ser aprendido, treinado, praticado e jogado entre nós, o domínio técnico de seus fundamentos desde a formação de base, ensinado e orientado por bem formados professores e técnicos, treinados e supervisionados por especialistas de verdade, num acompanhamento progressivo, avaliado e medido visando a excelência do ensino, e não os títulos conquistados à revelia do mesmo, beneficiando unilateralmente aqueles interessados em seus currículos profissionais. Carece a maioria da mídia de conhecimentos sobre o largo campo do ensino do grande jogo, suas exigências e implicações, principalmente quanto aos mais jovens, cumulando-os de falsas e perigosas expectativas, mais voltadas ao elitista caminho do sucesso sócio econômico (principalmente além fronteiras), do que uma sólida base em seu processo de crescimento educacional  e cultural…

Sem dúvida um cenário triste e constrangedor, mas, de repente, como um sopro de bem vinda novidade, se apresentou aos internautas da grande rede, uma experiência de transmissão totalmente comandada por mulheres, no jogo Botafogo x Brasília, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, no que se constituiu num bom e instigante trabalho jornalístico, ainda mais numa modalidade complexa e exigente para todos que a tentam transmitir e comentar. As jornalistas se saíram muito bem, inclusive a comentarista, mais comedida e objetiva em suas opiniões técnicas, não extrapolando seu ainda restrito conhecimento da modalidade, fazendo boa companhia a narradora, contida e simpática, assim como as duas repórteres de campo, formulando perguntas a serem livremente respondidas pelos jogadores e técnicos, e não concordes com suas opiniões pessoais. A transmissão foi, sem dúvida alguma muito superior ao que fazem seus colegas masculinos, sem a menor dúvida…

Voltando um pouco às análises acima, podemos afiançar com bastante certeza, serem a maioria das transmissões e comentários de jogos do NBB, responsáveis por uma falsa e manipulável realidade, tanto técnica, onde os erros cumulativos de fundamentos são minimizados e desculpáveis frente a defesas fortes (onde até faltas pessoais de retardo técnico são elogiadas), não tão fortes assim, pois se permitem ultrapassar com facilidade (crasso erro de fundamentos defensivos), assim como erros de manuseio de bola no drible, na finta, no passe  e no arremesso são relevados e sequer apontados, como taticamente, onde o sistema único de jogo jamais é detalhado, a não ser pelas jogadas chifre, punho, camisa, especiais que são mencionadas sem explicitar suas configurações e aplicabilidade dentro do sistema utilizado, exceto as enterradas monstros, tocos monumentais, e bolinhas mágicas de três, carros chefes de seus rompantes ufanistas e altamente influenciáveis junto aos jovens que se iniciam e as torcidas advindas do futebol, e claro agregando singularidades e personalismos a seus ululantes personagens…

Se outra fosse a realidade, em hipótese alguma poderia deixar de ser larga e profundamente comentada a hecatombe basquetebolista ( ao contrário, foi um jogo elogiadíssimo) que aconteceu ontem em Franca pela Liga das Americas, quando o Paulistano derrotou o dono da casa e da festa (?) por 87 x 82, deflagrando por mais uma vez o que vem sendo definido pelos corporativados estrategistas donos do basquetebol nacional, como o “basquete do futuro”, aquele que inventamos antes do Warriors da vez, (segundo o laureado Oscar), mas que como todo movimento modernoso e oportunista, já vem sofrendo perdas e derrotas lá mesmo, na matriz, onde a retomada defensiva se manifesta, como uma volta ao equilíbrio técnico tático que se reveza perenemente no âmago do grande jogo, desde sua invenção no século 19…

A hecatombe? Vejamos os números – Foram 34/59 de cestas de 2 pontos e 21/72 de 3 (16/26 de 2 para Franca e 18/33 para o Paulistano. assim como 10/33 de 2 e 11/39 respectivamente de 3 pontos), com 20/25 e 18/21 de lances livres para ambos, porém bem menos erros de fundamentos, 17 (9/8), numa prova cabal da inexistência defensiva propiciando a chutação desenfreada e insana nas tentativas de 3 pontos. Num jogo com diferença final de 5 pontos (número de erros de Franca nos lances livres), onde foram perpetradas 51 perdas nos 3 pontos e 25 nos 2, num inqualificável absurdo de equipes que se colocam como do mais alto nível em nosso indigitado e pretensioso basquetebol e seus estrategistas de prancheta, que precisam estudar muito e muito, se quiserem se ombrear com a turma lá de fora. Numa continha final, bastaria que uma das equipes investisse um pouco que fosse no jogo interno para vencer o jogo com folga, que não foi o que fizeram Franca e Paulistano, com este arriscando somente duas bolas a mais nos 2 pontos e uma a mais na roleta dos 3, vencendo um escatológico jogo, num triste prenúncio do que nos aguarda nos jogos internacionais do Mundial mais a frente, como o visto nessa Liga Américas, onde equipes já ensaiam defesas mais presentes fora do perímetro,  onde a equipe do Paulistano se viu forçada ao jogo interior para vencer seus três jogos, se classificando ao turno semifinal. Imaginem o que nos aguarda no Mundial da China, quando encontrarmos fortes e bem plantadas defesas dentro, e principalmente fora do perímetro, onde nos consideramos o warriors dos trópicos, inclusive os pivôs?…

Avaliem aqueles que realmente conhecem o grande jogo, o impacto junto aos jovens que se iniciam, testemunhar um jogo desse nível tão primário e absurdo, em equipes compostas dos nossos melhores prospectos, com altíssimos investimentos e patrocinadores, dirigidas pelos mais conceituados estrategistas, perante um “templo” lotado de torcedores, narrado e comentado pela mídia mais respeitada e incensada, para, numa análise bem simples e objetiva se preocupar com um Petrovic avesso a esse modelo tupiniquim de jogar, conforme já expôs em entrevistas largamente divulgadas, com a responsabilidade de liderar a seleção num campeonato de tal envergadura, sabendo de antemão o quanto lhe custará mudar algo, ou alguma coisa no modo de atuar dessa turma que se considera à frente de seu tempo. Conseguirá mudá-los, ou aderirá ao “chega e chuta”agora institucionalizado?…Honestamente, já estou preocupado desde já, prevendo outras mini hecatombes similares a Franca x Paulistano, com efeitos devastadores, a não ser que, bem, o futuro dirá…

Em tempo – Acabo de testemunhar mais uma mini – Flamengo derrota Bauru (80 x 72), onde ambas as equipes arremessaram 20/69 bolas de 3 e 30/54 de 2 (Flamengo 17/26 e 10/33 contra 13/28 e 10/36 do Bauru, cometendo as duas 35 (19/16) erros de fundamentos. Definitivamente entramos na era oficializada e padronizada da chutação de três, tornando as convergências no mote principal da nossa forma de sentir e jogar o que já foi um grande, grandíssimo jogo, cada vez menor para essa turma que nega os conceitos e sistemas defensivos básicos e necessarios para exequibilizá-lo. Palmas para os omissos e oportunistas estrategistas disfarçados em técnicos de basquetebol. Vamos ver suas falseadas convicções postas a prova quando enfrentarem adversários de verdade, que jamais respeitarão equipes com mais de 20 erros de fundamentos por partida, e que arremessam mais de 3 do que 2, anulando toda e qualquer possibilidade de soerguimento deste massacrado e arruinado basquetebol brasileiro ao espelhar seus péssimos exemplos para os mais jovens. Lamentável…

Amém.

Fotos – Reproduções do O Globo, TV e divulgação da Fiba Americas. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

Escrevi e postei em 2014, propondo agora a todos os leitores desse humilde blog uma releitura contrastante a tudo que vem sendo veiculado pela imprensa sobre as grandes reformas por que está passando a educação neste novo governo. Lendo e acompanhando tudo o que se relaciona a nova lei do ensino básico e médio, desafio a todos apontar enfoques oficiais que estejam sendo relacionados ao ensino da educação física e os desportos escolar, e suas extensões para a formulação de uma verdadeira e atuante política nacional, até o momento absolutamente inexistente. Será que se trata de assunto importante para o amanhã de nossos jovens, será? Leiam e considerem discuti-lo em sua básica importância, ou não..

 

A ENCRUZILHADA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO DESPORTO TUPINIQUIM…

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 por Paulo Murilo – Sem comentários

 

Duas semanas atrás saíram na mídia impressa essas duas notícias, que de uma forma bastante direta espelha uma situação anômala e irônica por que atravessa a educação física e os desportos em nosso incongruente país.

Estamos vivendo tempos olímpicos da mais alta complexidade competitiva, onde a realidade desportiva de alta (e baixa também…)qualidade inexiste entre nós, totalmente voltados a que estamos na construção dos cenários, como no Pan Americano de 2007, e recentemente no Mundial de Futebol, com praças e arenas suntuosas, construídas a peso de ouro nem sempre auditadas, dando margem a vultosos desvios e lucros exacerbados a todos aqueles envolvidos no regabofe das verbas oficiais, além de um legado  que nem de longe beneficia a formação de uma cultura desportiva e educacional de nossa juventude, em escolas, universidades e clubes de todo o país, mas que locupleta toda uma poderosa minoria de empreiteiras, empresas (muitas estrangeiras) de hotelaria, turismo, serviços computacionais, e uma plêiade de políticos e empresários, todos unidos em volta da cornucópia milionária dos sacrificados recursos econômicos pertencentes ao povo brasileiro…

Frente a tão hedionda realidade, qual o real e verdadeiro significado das duas notícias acima mencionadas, qual?

Inicialmente, a que constata determinantemente ser a Educação Física a mais procurada área na formação de professores , muito além das demais disciplinas acadêmicas, mas que propriamente não os formam licenciandos, pois uma grande parte, ou mesmo a maioria (o estudo apresentado não define bem esse aspecto) se bacharelam, e que no frigir dos ovos, explica tanta supremacia acadêmica, pois orientados e voltados para a industria do corpo, através as praticas personalizadas e a brutal realidade das holdings que administram a mesma, com suas academias que se avolumam em proporção aritmética por todo o país, e que movimenta em torno de 25 bilhões anualmente, às quais mais do que claramente, não interessa nem de longe a existência regular e constitucional de tais atividades nas escolas e clubes, pois tão lucrativo mercado correria o perigo de ver esvair uma clientela estratégica demais para ser perdida em políticas educacionais voltadas aos jovens deste enorme e injusto país, e a segunda notícia expõe tal realidade com uma clareza exemplar…

Então, frente a tão contundente cenário, onde muitos jovens procuram as escolas de Educação Física na busca de uma compensação financeira e econômica mais imediata, tendo inclusive um conselho regulador em sua permanente cola (nenhuma outra disciplina acadêmica permitiu algo semelhante, tornando-a um instrumento a serviço da industria do corpo, mas que encontra uma sadia e enérgica contrafação às suas permanentes investidas no âmbito escolar, numa afronta à constituição do país…), vêem no mercado existente a resposta, muitas vezes cruel, de suas ambições a uma vida melhor, frente a realidade de um mercado corporativo e totalmente a serviço do lucro e da riqueza…

No entanto, algumas saídas podem ser encontradas a médio e longo prazos, como por exemplo, no campo das definições, já que o Confef e os Cref’s da vida dificilmente largarão o lucrativo osso a que se aferraram, começando por definir o que seria de sua alçada no pseudo controle de qualidade que ostentam realizar junto aos bacharéis e os provisionados, que são aqueles que de livre escolha, se voltam à mencionada industria e alguns desportos profissionais, mas que nunca poderiam se voltar para os licenciados, que deveriam ser da alçada única do MEC, pois formados nas instituições regulamentadas e aprovadas pelo mesmo, diplomando-os dentro das exigências legais e constitucionais do país. Logo, no âmbito escolar dos três segmentos existentes, básico, médio e superior, de forma alguma poderiam ser monitorados por um órgão sem as devidas qualificações acadêmicas para fazê-lo…

Definida tão importante questão, um outro fator tem de ser equacionado, o da volta das escolas de educação física aos centros de formação de professores,  direcionando os currículos de formação de professores de educação física na priorização das modalidades desportivas, no aumento substancial de suas cargas horárias, como existiam anos atrás, antes da anexação daqueles cursos a área biomédica, quando o transformaram numa preparação de paramédicos de terceira categoria hoje existentes, mas que são preciosos no suporte da industria acima mencionada…

Esta radical mudança, propiciaria uma melhor formação nos princípios pedagógicos e didáticos do futuro licenciado, preparando-o melhor no manejo de jovens escolares, assim como num maior e mais qualificado conhecimento das diversas técnicas pedagógicas e didáticas de ensino dos desportos, sem omitir o conhecimento de disciplinas de caráter biomédico e científico, porém num quantitativo de carga horária nunca superior às desportivas, como ocorre atualmente…

Transposto esse patamar, voltaríamos a ter melhores e mais bem preparados professores, propiciando dai para diante um mais eficiente patamar para o incremento e desenvolvimento das modalidades olímpicas de que tanto necessitamos para muito além de 2016, que desde já pode ser considerada uma etapa perdida, e que marcará com bastantes restrições nossa participação na maior de todas as competições, ironicamente a ser realizada em nosso país…

Voltando-se para o basquetebol, poderíamos ir mais longe se porventura uma mudança pudesse ocorrer na administração do grande jogo em nosso país, apesar de ser bastante difícil, frente às legislações que monitoram os poderes federativos e confederativos ora vigentes, mas que poderiam ser atenuadas através duas e fundamentais ações, a existência das associações de técnicos regionais e uma nacional que as coordenassem, e uma completa reestruturação da Escola Nacional de Treinadores, capilarizando-a pelas cinco regiões do país, e reformulando seus objetivos pedagógicos e técnicos, voltando-a à formação progressiva e orientada dos futuros técnicos, onde suas qualificações aos diversos níveis se exequibilizariam pelo estudo progressivo e permanente, e pelos resultados alcançados na promoção de jogadores por eles orientados às categorias regionais ascendentes e seleções municipais, estaduais e nacionais, e não por títulos alcançados, que é um fator distorcido perante a realidade das divisões de formação de base, como hoje é plenamente realizado. Em síntese, a formação técnica iria de encontro a realidade de trabalho dos professores, com suas limitações e óbices, e não o que ocorre, com o deslocamento dos mesmos para sessões de palestras por 4 ou 5 dias, além da utilização maciça da rede informatizada na divulgação de bibliografias, textos, testes e materiais didáticos tecnicamente preparados, a serem utilizados em sua formação. As promoções aos níveis estabelecidos, seriam conquistadas através resultados alcançados no trabalho de formação de uma base solida e permanentemente acompanhada, numérica e estatisticamente, através dados compilados, registrados e guardados nos anais da Escola.

Revistas técnicas poderiam ser editadas nas regiões cobertas pela escola, assim como encontros, fóruns e seminários para a complementação de sua formação, progressiva e eficiente.

No entanto, uma bem formulada política educacional voltada às escolas e universidades, aos clubes também, onde a educação física, enfim, retornaria ao âmbito, controle e supervisão do MEC, como uma das disciplinas básicas na formação acadêmica e do caráter de nossos jovens, ao lado das artes cênicas, da música, da dança, consubstanciando o projeto de ensino integral escolar, tão ansiado pela nação, que não pode adiar, de forma alguma, seu estratégico projeto de qualificar a mão de obra de que tanto necessitamos, para administrar e desenvolver nossas riquezas e potencialidades.

Enfim, chegamos à encruzilhada, não só da Educação Física, mas da Educação na sua forma mais ampla e inadiável.

Nossos jovens ai estão na longa espera, assim como nossos professores, ambos pertencentes à reserva intelectual e técnica de nosso imenso, injusto e desigual país.

Amém.

Notícias – Reproduções do O Globo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

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SEGUINDO EM FRENTE…

Paulo, com tantos jogos emocionantes no NBB, finais de tirar o fôlego, cestas decisivas de três, enterradas animais, duplos duplos em profusão, jogadas mirabolantes, narradores empolgados e criativos, comentaristas caudais e prolixos, onde conhecer o jogo não é tão importante quanto as postagens no twitter dos telespectadores, os infindáveis abraços e beijos retribuídos dos mesmos, além é claro, das piadas de péssimo gosto destiladas a granel pelos microfones, tudo isso em stereo e a cores, pergunto, como você se ausenta deste magnífico proscênio do mais alto nível desportivo, como, e porque?…

Primeiro, porque amo o grande jogo, dediquei muitos anos de minha vida a ele, e por conseguinte, lastimo e odeio vê-lo tão achincalhado, travestido de “produto de primeira linha”, com “peças” do mais alto nível (?) desfilando um jogo medíocre e primário, no caso da esmagadora maioria dos nacionais, além da enganação e empáfia da maioria dos estrangeiros que só tem um ponto a ser valorizado, o de mandar às favas todas as incursões de seus estrategistas na formulação enganosa de jogadas “exaustivamente treinadas” em suas “pranchetas de ofício”, liberando-os para fazer e jogar como bem entenderem, na contramão dos nacionais, cúmplices e coniventes com a mesmice endêmica em que se encontram ad eternum, com raríssimas exceções…

Segundo, porque ainda não perdi de vez a esperança de vê-lo se soerguer da mixórdia em que se encontra, dosando ao máximo pareceres a respeito como professor e técnico que sou, e não um neófito torcedor vítima de tanta empulhação técnico tática, canhestramente mal copiada da matriz, sem ter 1/1000 avos do poder econômico, social e administrativo da mesma, mas que mesmo perante tanta discrepância, é vendido como algo especial por uma mídia mais deslumbrada pela NBA e sua luxuosa embalagem, sonhando um sonho impossível para a nossa dura realidade, do que expor com clareza e honestidade (às vezes, uns poucos, escorregam e mostram a realidade…) o que deveria ser dito e comentado para o bem do nosso combalido basquetebol, através o objetivo e embasado esclarecimento do que realmente ocorre nas quadras, dentro e fora; da formação de base a decantada elite, e não o dourando com apelos ufanistas, como o “esse é o NBB que vocês nunca viram”, sem especificar um mínimo de conhecimento do que realmente ocorre no campo de jogo, com média de 26,6 erros de fundamentos; de 40 a 50 erros nos lançamentos de três num “chega e chuta” descomunal; troca do real sentido defensivo por “faltas técnicas inteligentes” (aquelas cometidas para travar os contra ataques do adversário); ataque “aberto” com a única finalidade dos arremessos de três, ou uma esporádica penetração em velocidade, que é um recurso muito utilizado por jogadores com pouco domínio ambidestro no drible e na troca de mãos; a quase absoluta ausência de contestação defensiva aos longos arremessos fora do perímetro (fator primordial na disseminação da chutação de três), assim como o pleno desconhecimento do que seja defender no 1 x 1 dentro do mesmo; o primarismo tanto ofensivo, como defensivo nos bloqueios, corta luzes e cruzamentos, fundamentos coletivos que são; a cansativa e inócua coreografia dos estrategistas ao lado das quadras, acompanhada pela explícita coerção sobre as arbitragens, que de forma alguma fazem parte do trabalho “natural” daqueles profissionais, num corolário do que não se deve fazer no âmbito do grande jogo, cuja grandeza é minimizada in extremis perante tanta ignorância e absoluta falta de bom senso, porém pródiga em exposição marqueteira e autopromoção, ao pleno gosto e aprovação da mídia especializada e da direção administrativa das franquias…

Por todo este cenário, fica bem clara a influência negativa sobre os jovens que se iniciam no grande jogo, num espelhamento completamente equivocado para seu desenvolvimento técnico, físico e psicológico, ao emular os péssimos exemplos que lhes são apresentados na teoria e na prática, e o pior, com a aprovação e incentivo de técnicos despreparados e coniventes com as “filosofias” emanadas da elite…

Vários ciclos olímpicos já foram perdidos, inclusive aquele jogado aqui em 2016, todos fartamente alertados por aqueles que realmente conhecem basquetebol, o desporto em seu todo, resultante da mais completa ausência de uma política nacional voltada à educação formal, artística, desportiva e cultural neste imenso, desigual e injusto país, oportunizando desvios monumentais de verbas, ainda não investigadas a fundo, como deveria sê-lo, por aventureiros desonestos travestidos de cultores de um progresso, que só a eles beneficiou com fortunas colossais, deixando para trás a imensidão de elefantes brancos inoperáveis e terrivelmente vazios, numa tétrica repetição que parece não ter fim…

Agora mesmo discute-se na mídia as mais avançadas técnicas de ensino, formuladas através processos cibernéticos, computacionais e até robóticos, claro, tendo como fundo balizador o interesse das indústrias globalizadas que as patrocinam, num país que sequer promove, auxilia e remunera decentemente seus professores, que tentam trabalhar em escolas decadentes e destruídas, sem um mínimo de segurança estrutural, física e econômica, onde em 80% delas inexistem quadras esportivas, piscinas e espaços artísticos, culturais, e pasmem, bibliotecas! Recentemente quis doar uma bem formada biblioteca que serviu de base para meus filhos para uma escola primária perto daqui de casa, que não a aceitou por não possuir espaço para alojá-la, assim como numa recente ida a EEFD/UFRJ, perguntei onde era a biblioteca, sendo informado que não existia, mas que livros do assunto poderiam ser encontrados na biblioteca do CCS a um quilômetro dali! Simplesmente não acreditei, mas sobrava espaço no ginásio de desportos coletivos para armar barracas de campismo para um evento de estudantes, aniquilando o piso especial daquele recinto desportivo…

Enquanto isso, o NBB11 vai de vento em popa com seus emocionantes jogos, que servirão de base para as convocações do Petrovic para o Mundial da China em outubro, mas sem antes fazer uma visita protocolar aos Estados Unidos para conversar com o Felício do Bulls, o Raul do Jazz e o Caboclo do Toronto, perá lá, o Caboclo que recentemente se negou a entrar em quadra num jogo de seleção brasileira, um jogador de NBA, adulto, vacinado e que vota, numa negativa em que se tratando de uma seleção nacional não tem volta? Conversar o que? Quanto aos outros dois, que sequer jogam mais do que 5 min, quando jogam, por suas equipes, transacionar o que? Façam chegar a eles a convocação (a internet hoje é de ação imediata) e o resto é com eles, ou não?…

Por fim, fico imaginando como ser ainda possível que uma equipe perca para uma outra arremessando 20/42 de 2 pontos e 7/18 de 3, com o adversário lançando 22/30 e 11/28 respectivamente, com ambas perdendo 4 lances livres cada, e cometendo 17/14 erros de fundamentos, ou seja, a equipe perdedora arremessou 12 bolas a mais dentro do perímetro, e permitiu que a vencedora arremessasse 10 a mais de fora sem as fundamentais contestações? Ainda se “paga para ver” na nossa “elite”. O jogo? Franca 93 x 78 Pinheiros…

O mesmo poderíamos dizer do jogo Botafogo 67 x 73 Flamengo, quando os botafoguenses arremessaram 19/40 de 2 pontos e 7/29 de 3, enquanto os rubro negros lançaram 13/25 e 10/28 respectivamente, com ambos perdendo 3 e 4 lances livres, e com 5/21 erros de fundamentos, ou seja, o Flamengo errou muitos mais fundamentos, convergiu nos arremessos, chutando mais de 3 do que 2 pontos, e mesmo assim venceu o jogo por 6 pontos. Com uma continha básica, primária mesmo, bastaria os jogadores do Botafogo serem instruídos a substituir 3 ou 4 tentativas das 22 de 3 perdidas por arremessos de 2 e possíveis lances livres, para vencer o jogo, ficando faltando somente, o que? Creio que a resposta é mais do que óbvia, ou não?

Sigo trabalhando meu livro (será que sai até novembro, nos meus 80 anos?), e se paciência tiver (minha ranzinzice a tenho desde muito jovem…) ligarei a TV para a dolorosa penitência de assistir jogos mal jogados tecnicamente (todas as equipes ainda não sabem como atacar uma defesa zonal, o que é lamentável e constrangedor), terrivelmente transmitidos, onde até moçoilas destilam inescrutáveis conhecimentos técnicos sobre algo que nem sabem em que se baseiam (porém simpáticas e falantes, o que “valoriza” as transmissões). Pobre grande jogo tupiniquim, com narradores que teimam e lutam para trazer para as quadras o ambiente futebolístico com seus urros ufanistas, ecoando ginásios afora pela ausência de público, comentaristas em sua maioria mais preocupados com gossips do que um mínimo de técnica e tática de jogo, tornando ínfima a participação daqueles poucos que realmente o entendem, sem o caudal e a prolixidade característica de muitos outros, toda uma realidade que em nada auxilia os esforços, que acredito existentes, de um estrangeiro que tenta incutir mais seriedade a uma seleção, cujos jogadores refletem com precisão todo esse processo descrito, e que não será nada fácil mudar suas concepções de jogo, formatado e padronizado por anos e anos de estrada, desde suas formações numa base profundamente equivocada…

Mesmo assim, torço para que ele acerte e consiga razoavelmente mudá-los, sem concessões, a começar pelo respeito a tradição, a camisa nacional, prêmio maior e objetivo sonhado por todo jovem iniciante no desporto, que em hipótese alguma pode ser maculada, negada e esquecida, no que deveria, obrigatoriamente, ser um caminho sem volta, para todos aqueles que esquecerem e negarem seu indelével primado…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV, arquivo pessoal, e divulgação CBB. Clique nas mesmas duplamente para ampliá-las.

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