AS TEMÍVEIS E ANUNCIADAS MINI HECATOMBES…

A mídia especializada tupiniquim estipulou que ajudaria no crescimento do grande jogo colocando-o num altar de excelência, onde tudo está em ordem técnica e tática (onde o reinado das pranchetas é absoluto), com arenas e ginásios bem frequentados (inclusive com torcida única presente no caso do RJ), espetáculos e shows atraentes, entrevistas formidáveis, bordões bradados aos gritos, divulgação sistemática de #tags e twitters a não mais poder, abraços enternecidos e beijos a granel para os fãs, enfim, todo uma encenação em parte copiada da grande matriz do norte, onde até a beijação caipira televisiva ameaça adentrar nossas semi desertas bancadas. Mas fazemos por merecer, pela terrível omissão que caracteriza a grande parte daqueles que dizem e apregoam amar o grande jogo, mas que o permitiram ter se tornado refém do granítico corporativismo que se apossou dele com passagem de ida, onde a vinda se torna cada vez mais improvável. Numa matéria de hoje no O Globo sobre nossas chances em Toquio, o basquetebol sequer é mencionado…

Esqueceram, porém, o fator mais importante, determinante para o ressurgimento do grande jogo, e como deveria ser aprendido, treinado, praticado e jogado entre nós, o domínio técnico de seus fundamentos desde a formação de base, ensinado e orientado por bem formados professores e técnicos, treinados e supervisionados por especialistas de verdade, num acompanhamento progressivo, avaliado e medido visando a excelência do ensino, e não os títulos conquistados à revelia do mesmo, beneficiando unilateralmente aqueles interessados em seus currículos profissionais. Carece a maioria da mídia de conhecimentos sobre o largo campo do ensino do grande jogo, suas exigências e implicações, principalmente quanto aos mais jovens, cumulando-os de falsas e perigosas expectativas, mais voltadas ao elitista caminho do sucesso sócio econômico (principalmente além fronteiras), do que uma sólida base em seu processo de crescimento educacional  e cultural…

Sem dúvida um cenário triste e constrangedor, mas, de repente, como um sopro de bem vinda novidade, se apresentou aos internautas da grande rede, uma experiência de transmissão totalmente comandada por mulheres, no jogo Botafogo x Brasília, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, no que se constituiu num bom e instigante trabalho jornalístico, ainda mais numa modalidade complexa e exigente para todos que a tentam transmitir e comentar. As jornalistas se saíram muito bem, inclusive a comentarista, mais comedida e objetiva em suas opiniões técnicas, não extrapolando seu ainda restrito conhecimento da modalidade, fazendo boa companhia a narradora, contida e simpática, assim como as duas repórteres de campo, formulando perguntas a serem livremente respondidas pelos jogadores e técnicos, e não concordes com suas opiniões pessoais. A transmissão foi, sem dúvida alguma muito superior ao que fazem seus colegas masculinos, sem a menor dúvida…

Voltando um pouco às análises acima, podemos afiançar com bastante certeza, serem a maioria das transmissões e comentários de jogos do NBB, responsáveis por uma falsa e manipulável realidade, tanto técnica, onde os erros cumulativos de fundamentos são minimizados e desculpáveis frente a defesas fortes (onde até faltas pessoais de retardo técnico são elogiadas), não tão fortes assim, pois se permitem ultrapassar com facilidade (crasso erro de fundamentos defensivos), assim como erros de manuseio de bola no drible, na finta, no passe  e no arremesso são relevados e sequer apontados, como taticamente, onde o sistema único de jogo jamais é detalhado, a não ser pelas jogadas chifre, punho, camisa, especiais que são mencionadas sem explicitar suas configurações e aplicabilidade dentro do sistema utilizado, exceto as enterradas monstros, tocos monumentais, e bolinhas mágicas de três, carros chefes de seus rompantes ufanistas e altamente influenciáveis junto aos jovens que se iniciam e as torcidas advindas do futebol, e claro agregando singularidades e personalismos a seus ululantes personagens…

Se outra fosse a realidade, em hipótese alguma poderia deixar de ser larga e profundamente comentada a hecatombe basquetebolista ( ao contrário, foi um jogo elogiadíssimo) que aconteceu ontem em Franca pela Liga das Americas, quando o Paulistano derrotou o dono da casa e da festa (?) por 87 x 82, deflagrando por mais uma vez o que vem sendo definido pelos corporativados estrategistas donos do basquetebol nacional, como o “basquete do futuro”, aquele que inventamos antes do Warriors da vez, (segundo o laureado Oscar), mas que como todo movimento modernoso e oportunista, já vem sofrendo perdas e derrotas lá mesmo, na matriz, onde a retomada defensiva se manifesta, como uma volta ao equilíbrio técnico tático que se reveza perenemente no âmago do grande jogo, desde sua invenção no século 19…

A hecatombe? Vejamos os números – Foram 34/59 de cestas de 2 pontos e 21/72 de 3 (16/26 de 2 para Franca e 18/33 para o Paulistano. assim como 10/33 de 2 e 11/39 respectivamente de 3 pontos), com 20/25 e 18/21 de lances livres para ambos, porém bem menos erros de fundamentos, 17 (9/8), numa prova cabal da inexistência defensiva propiciando a chutação desenfreada e insana nas tentativas de 3 pontos. Num jogo com diferença final de 5 pontos (número de erros de Franca nos lances livres), onde foram perpetradas 51 perdas nos 3 pontos e 25 nos 2, num inqualificável absurdo de equipes que se colocam como do mais alto nível em nosso indigitado e pretensioso basquetebol e seus estrategistas de prancheta, que precisam estudar muito e muito, se quiserem se ombrear com a turma lá de fora. Numa continha final, bastaria que uma das equipes investisse um pouco que fosse no jogo interno para vencer o jogo com folga, que não foi o que fizeram Franca e Paulistano, com este arriscando somente duas bolas a mais nos 2 pontos e uma a mais na roleta dos 3, vencendo um escatológico jogo, num triste prenúncio do que nos aguarda nos jogos internacionais do Mundial mais a frente, como o visto nessa Liga Américas, onde equipes já ensaiam defesas mais presentes fora do perímetro,  onde a equipe do Paulistano se viu forçada ao jogo interior para vencer seus três jogos, se classificando ao turno semifinal. Imaginem o que nos aguarda no Mundial da China, quando encontrarmos fortes e bem plantadas defesas dentro, e principalmente fora do perímetro, onde nos consideramos o warriors dos trópicos, inclusive os pivôs?…

Avaliem aqueles que realmente conhecem o grande jogo, o impacto junto aos jovens que se iniciam, testemunhar um jogo desse nível tão primário e absurdo, em equipes compostas dos nossos melhores prospectos, com altíssimos investimentos e patrocinadores, dirigidas pelos mais conceituados estrategistas, perante um “templo” lotado de torcedores, narrado e comentado pela mídia mais respeitada e incensada, para, numa análise bem simples e objetiva se preocupar com um Petrovic avesso a esse modelo tupiniquim de jogar, conforme já expôs em entrevistas largamente divulgadas, com a responsabilidade de liderar a seleção num campeonato de tal envergadura, sabendo de antemão o quanto lhe custará mudar algo, ou alguma coisa no modo de atuar dessa turma que se considera à frente de seu tempo. Conseguirá mudá-los, ou aderirá ao “chega e chuta”agora institucionalizado?…Honestamente, já estou preocupado desde já, prevendo outras mini hecatombes similares a Franca x Paulistano, com efeitos devastadores, a não ser que, bem, o futuro dirá…

Em tempo – Acabo de testemunhar mais uma mini – Flamengo derrota Bauru (80 x 72), onde ambas as equipes arremessaram 20/69 bolas de 3 e 30/54 de 2 (Flamengo 17/26 e 10/33 contra 13/28 e 10/36 do Bauru, cometendo as duas 35 (19/16) erros de fundamentos. Definitivamente entramos na era oficializada e padronizada da chutação de três, tornando as convergências no mote principal da nossa forma de sentir e jogar o que já foi um grande, grandíssimo jogo, cada vez menor para essa turma que nega os conceitos e sistemas defensivos básicos e necessarios para exequibilizá-lo. Palmas para os omissos e oportunistas estrategistas disfarçados em técnicos de basquetebol. Vamos ver suas falseadas convicções postas a prova quando enfrentarem adversários de verdade, que jamais respeitarão equipes com mais de 20 erros de fundamentos por partida, e que arremessam mais de 3 do que 2, anulando toda e qualquer possibilidade de soerguimento deste massacrado e arruinado basquetebol brasileiro ao espelhar seus péssimos exemplos para os mais jovens. Lamentável…

Amém.

Fotos – Reproduções do O Globo, TV e divulgação da Fiba Americas. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

Escrevi e postei em 2014, propondo agora a todos os leitores desse humilde blog uma releitura contrastante a tudo que vem sendo veiculado pela imprensa sobre as grandes reformas por que está passando a educação neste novo governo. Lendo e acompanhando tudo o que se relaciona a nova lei do ensino básico e médio, desafio a todos apontar enfoques oficiais que estejam sendo relacionados ao ensino da educação física e os desportos escolar, e suas extensões para a formulação de uma verdadeira e atuante política nacional, até o momento absolutamente inexistente. Será que se trata de assunto importante para o amanhã de nossos jovens, será? Leiam e considerem discuti-lo em sua básica importância, ou não..

 

A ENCRUZILHADA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO DESPORTO TUPINIQUIM…

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 por Paulo Murilo – Sem comentários

 

Duas semanas atrás saíram na mídia impressa essas duas notícias, que de uma forma bastante direta espelha uma situação anômala e irônica por que atravessa a educação física e os desportos em nosso incongruente país.

Estamos vivendo tempos olímpicos da mais alta complexidade competitiva, onde a realidade desportiva de alta (e baixa também…)qualidade inexiste entre nós, totalmente voltados a que estamos na construção dos cenários, como no Pan Americano de 2007, e recentemente no Mundial de Futebol, com praças e arenas suntuosas, construídas a peso de ouro nem sempre auditadas, dando margem a vultosos desvios e lucros exacerbados a todos aqueles envolvidos no regabofe das verbas oficiais, além de um legado  que nem de longe beneficia a formação de uma cultura desportiva e educacional de nossa juventude, em escolas, universidades e clubes de todo o país, mas que locupleta toda uma poderosa minoria de empreiteiras, empresas (muitas estrangeiras) de hotelaria, turismo, serviços computacionais, e uma plêiade de políticos e empresários, todos unidos em volta da cornucópia milionária dos sacrificados recursos econômicos pertencentes ao povo brasileiro…

Frente a tão hedionda realidade, qual o real e verdadeiro significado das duas notícias acima mencionadas, qual?

Inicialmente, a que constata determinantemente ser a Educação Física a mais procurada área na formação de professores , muito além das demais disciplinas acadêmicas, mas que propriamente não os formam licenciandos, pois uma grande parte, ou mesmo a maioria (o estudo apresentado não define bem esse aspecto) se bacharelam, e que no frigir dos ovos, explica tanta supremacia acadêmica, pois orientados e voltados para a industria do corpo, através as praticas personalizadas e a brutal realidade das holdings que administram a mesma, com suas academias que se avolumam em proporção aritmética por todo o país, e que movimenta em torno de 25 bilhões anualmente, às quais mais do que claramente, não interessa nem de longe a existência regular e constitucional de tais atividades nas escolas e clubes, pois tão lucrativo mercado correria o perigo de ver esvair uma clientela estratégica demais para ser perdida em políticas educacionais voltadas aos jovens deste enorme e injusto país, e a segunda notícia expõe tal realidade com uma clareza exemplar…

Então, frente a tão contundente cenário, onde muitos jovens procuram as escolas de Educação Física na busca de uma compensação financeira e econômica mais imediata, tendo inclusive um conselho regulador em sua permanente cola (nenhuma outra disciplina acadêmica permitiu algo semelhante, tornando-a um instrumento a serviço da industria do corpo, mas que encontra uma sadia e enérgica contrafação às suas permanentes investidas no âmbito escolar, numa afronta à constituição do país…), vêem no mercado existente a resposta, muitas vezes cruel, de suas ambições a uma vida melhor, frente a realidade de um mercado corporativo e totalmente a serviço do lucro e da riqueza…

No entanto, algumas saídas podem ser encontradas a médio e longo prazos, como por exemplo, no campo das definições, já que o Confef e os Cref’s da vida dificilmente largarão o lucrativo osso a que se aferraram, começando por definir o que seria de sua alçada no pseudo controle de qualidade que ostentam realizar junto aos bacharéis e os provisionados, que são aqueles que de livre escolha, se voltam à mencionada industria e alguns desportos profissionais, mas que nunca poderiam se voltar para os licenciados, que deveriam ser da alçada única do MEC, pois formados nas instituições regulamentadas e aprovadas pelo mesmo, diplomando-os dentro das exigências legais e constitucionais do país. Logo, no âmbito escolar dos três segmentos existentes, básico, médio e superior, de forma alguma poderiam ser monitorados por um órgão sem as devidas qualificações acadêmicas para fazê-lo…

Definida tão importante questão, um outro fator tem de ser equacionado, o da volta das escolas de educação física aos centros de formação de professores,  direcionando os currículos de formação de professores de educação física na priorização das modalidades desportivas, no aumento substancial de suas cargas horárias, como existiam anos atrás, antes da anexação daqueles cursos a área biomédica, quando o transformaram numa preparação de paramédicos de terceira categoria hoje existentes, mas que são preciosos no suporte da industria acima mencionada…

Esta radical mudança, propiciaria uma melhor formação nos princípios pedagógicos e didáticos do futuro licenciado, preparando-o melhor no manejo de jovens escolares, assim como num maior e mais qualificado conhecimento das diversas técnicas pedagógicas e didáticas de ensino dos desportos, sem omitir o conhecimento de disciplinas de caráter biomédico e científico, porém num quantitativo de carga horária nunca superior às desportivas, como ocorre atualmente…

Transposto esse patamar, voltaríamos a ter melhores e mais bem preparados professores, propiciando dai para diante um mais eficiente patamar para o incremento e desenvolvimento das modalidades olímpicas de que tanto necessitamos para muito além de 2016, que desde já pode ser considerada uma etapa perdida, e que marcará com bastantes restrições nossa participação na maior de todas as competições, ironicamente a ser realizada em nosso país…

Voltando-se para o basquetebol, poderíamos ir mais longe se porventura uma mudança pudesse ocorrer na administração do grande jogo em nosso país, apesar de ser bastante difícil, frente às legislações que monitoram os poderes federativos e confederativos ora vigentes, mas que poderiam ser atenuadas através duas e fundamentais ações, a existência das associações de técnicos regionais e uma nacional que as coordenassem, e uma completa reestruturação da Escola Nacional de Treinadores, capilarizando-a pelas cinco regiões do país, e reformulando seus objetivos pedagógicos e técnicos, voltando-a à formação progressiva e orientada dos futuros técnicos, onde suas qualificações aos diversos níveis se exequibilizariam pelo estudo progressivo e permanente, e pelos resultados alcançados na promoção de jogadores por eles orientados às categorias regionais ascendentes e seleções municipais, estaduais e nacionais, e não por títulos alcançados, que é um fator distorcido perante a realidade das divisões de formação de base, como hoje é plenamente realizado. Em síntese, a formação técnica iria de encontro a realidade de trabalho dos professores, com suas limitações e óbices, e não o que ocorre, com o deslocamento dos mesmos para sessões de palestras por 4 ou 5 dias, além da utilização maciça da rede informatizada na divulgação de bibliografias, textos, testes e materiais didáticos tecnicamente preparados, a serem utilizados em sua formação. As promoções aos níveis estabelecidos, seriam conquistadas através resultados alcançados no trabalho de formação de uma base solida e permanentemente acompanhada, numérica e estatisticamente, através dados compilados, registrados e guardados nos anais da Escola.

Revistas técnicas poderiam ser editadas nas regiões cobertas pela escola, assim como encontros, fóruns e seminários para a complementação de sua formação, progressiva e eficiente.

No entanto, uma bem formulada política educacional voltada às escolas e universidades, aos clubes também, onde a educação física, enfim, retornaria ao âmbito, controle e supervisão do MEC, como uma das disciplinas básicas na formação acadêmica e do caráter de nossos jovens, ao lado das artes cênicas, da música, da dança, consubstanciando o projeto de ensino integral escolar, tão ansiado pela nação, que não pode adiar, de forma alguma, seu estratégico projeto de qualificar a mão de obra de que tanto necessitamos, para administrar e desenvolver nossas riquezas e potencialidades.

Enfim, chegamos à encruzilhada, não só da Educação Física, mas da Educação na sua forma mais ampla e inadiável.

Nossos jovens ai estão na longa espera, assim como nossos professores, ambos pertencentes à reserva intelectual e técnica de nosso imenso, injusto e desigual país.

Amém.

Notícias – Reproduções do O Globo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

Deixe seu comentário

Logado como Basquete Brasil. Logout »

Comentário:

Assine o Feed

Receba por E-mai

SEGUINDO EM FRENTE…

Paulo, com tantos jogos emocionantes no NBB, finais de tirar o fôlego, cestas decisivas de três, enterradas animais, duplos duplos em profusão, jogadas mirabolantes, narradores empolgados e criativos, comentaristas caudais e prolixos, onde conhecer o jogo não é tão importante quanto as postagens no twitter dos telespectadores, os infindáveis abraços e beijos retribuídos dos mesmos, além é claro, das piadas de péssimo gosto destiladas a granel pelos microfones, tudo isso em stereo e a cores, pergunto, como você se ausenta deste magnífico proscênio do mais alto nível desportivo, como, e porque?…

Primeiro, porque amo o grande jogo, dediquei muitos anos de minha vida a ele, e por conseguinte, lastimo e odeio vê-lo tão achincalhado, travestido de “produto de primeira linha”, com “peças” do mais alto nível (?) desfilando um jogo medíocre e primário, no caso da esmagadora maioria dos nacionais, além da enganação e empáfia da maioria dos estrangeiros que só tem um ponto a ser valorizado, o de mandar às favas todas as incursões de seus estrategistas na formulação enganosa de jogadas “exaustivamente treinadas” em suas “pranchetas de ofício”, liberando-os para fazer e jogar como bem entenderem, na contramão dos nacionais, cúmplices e coniventes com a mesmice endêmica em que se encontram ad eternum, com raríssimas exceções…

Segundo, porque ainda não perdi de vez a esperança de vê-lo se soerguer da mixórdia em que se encontra, dosando ao máximo pareceres a respeito como professor e técnico que sou, e não um neófito torcedor vítima de tanta empulhação técnico tática, canhestramente mal copiada da matriz, sem ter 1/1000 avos do poder econômico, social e administrativo da mesma, mas que mesmo perante tanta discrepância, é vendido como algo especial por uma mídia mais deslumbrada pela NBA e sua luxuosa embalagem, sonhando um sonho impossível para a nossa dura realidade, do que expor com clareza e honestidade (às vezes, uns poucos, escorregam e mostram a realidade…) o que deveria ser dito e comentado para o bem do nosso combalido basquetebol, através o objetivo e embasado esclarecimento do que realmente ocorre nas quadras, dentro e fora; da formação de base a decantada elite, e não o dourando com apelos ufanistas, como o “esse é o NBB que vocês nunca viram”, sem especificar um mínimo de conhecimento do que realmente ocorre no campo de jogo, com média de 26,6 erros de fundamentos; de 40 a 50 erros nos lançamentos de três num “chega e chuta” descomunal; troca do real sentido defensivo por “faltas técnicas inteligentes” (aquelas cometidas para travar os contra ataques do adversário); ataque “aberto” com a única finalidade dos arremessos de três, ou uma esporádica penetração em velocidade, que é um recurso muito utilizado por jogadores com pouco domínio ambidestro no drible e na troca de mãos; a quase absoluta ausência de contestação defensiva aos longos arremessos fora do perímetro (fator primordial na disseminação da chutação de três), assim como o pleno desconhecimento do que seja defender no 1 x 1 dentro do mesmo; o primarismo tanto ofensivo, como defensivo nos bloqueios, corta luzes e cruzamentos, fundamentos coletivos que são; a cansativa e inócua coreografia dos estrategistas ao lado das quadras, acompanhada pela explícita coerção sobre as arbitragens, que de forma alguma fazem parte do trabalho “natural” daqueles profissionais, num corolário do que não se deve fazer no âmbito do grande jogo, cuja grandeza é minimizada in extremis perante tanta ignorância e absoluta falta de bom senso, porém pródiga em exposição marqueteira e autopromoção, ao pleno gosto e aprovação da mídia especializada e da direção administrativa das franquias…

Por todo este cenário, fica bem clara a influência negativa sobre os jovens que se iniciam no grande jogo, num espelhamento completamente equivocado para seu desenvolvimento técnico, físico e psicológico, ao emular os péssimos exemplos que lhes são apresentados na teoria e na prática, e o pior, com a aprovação e incentivo de técnicos despreparados e coniventes com as “filosofias” emanadas da elite…

Vários ciclos olímpicos já foram perdidos, inclusive aquele jogado aqui em 2016, todos fartamente alertados por aqueles que realmente conhecem basquetebol, o desporto em seu todo, resultante da mais completa ausência de uma política nacional voltada à educação formal, artística, desportiva e cultural neste imenso, desigual e injusto país, oportunizando desvios monumentais de verbas, ainda não investigadas a fundo, como deveria sê-lo, por aventureiros desonestos travestidos de cultores de um progresso, que só a eles beneficiou com fortunas colossais, deixando para trás a imensidão de elefantes brancos inoperáveis e terrivelmente vazios, numa tétrica repetição que parece não ter fim…

Agora mesmo discute-se na mídia as mais avançadas técnicas de ensino, formuladas através processos cibernéticos, computacionais e até robóticos, claro, tendo como fundo balizador o interesse das indústrias globalizadas que as patrocinam, num país que sequer promove, auxilia e remunera decentemente seus professores, que tentam trabalhar em escolas decadentes e destruídas, sem um mínimo de segurança estrutural, física e econômica, onde em 80% delas inexistem quadras esportivas, piscinas e espaços artísticos, culturais, e pasmem, bibliotecas! Recentemente quis doar uma bem formada biblioteca que serviu de base para meus filhos para uma escola primária perto daqui de casa, que não a aceitou por não possuir espaço para alojá-la, assim como numa recente ida a EEFD/UFRJ, perguntei onde era a biblioteca, sendo informado que não existia, mas que livros do assunto poderiam ser encontrados na biblioteca do CCS a um quilômetro dali! Simplesmente não acreditei, mas sobrava espaço no ginásio de desportos coletivos para armar barracas de campismo para um evento de estudantes, aniquilando o piso especial daquele recinto desportivo…

Enquanto isso, o NBB11 vai de vento em popa com seus emocionantes jogos, que servirão de base para as convocações do Petrovic para o Mundial da China em outubro, mas sem antes fazer uma visita protocolar aos Estados Unidos para conversar com o Felício do Bulls, o Raul do Jazz e o Caboclo do Toronto, perá lá, o Caboclo que recentemente se negou a entrar em quadra num jogo de seleção brasileira, um jogador de NBA, adulto, vacinado e que vota, numa negativa em que se tratando de uma seleção nacional não tem volta? Conversar o que? Quanto aos outros dois, que sequer jogam mais do que 5 min, quando jogam, por suas equipes, transacionar o que? Façam chegar a eles a convocação (a internet hoje é de ação imediata) e o resto é com eles, ou não?…

Por fim, fico imaginando como ser ainda possível que uma equipe perca para uma outra arremessando 20/42 de 2 pontos e 7/18 de 3, com o adversário lançando 22/30 e 11/28 respectivamente, com ambas perdendo 4 lances livres cada, e cometendo 17/14 erros de fundamentos, ou seja, a equipe perdedora arremessou 12 bolas a mais dentro do perímetro, e permitiu que a vencedora arremessasse 10 a mais de fora sem as fundamentais contestações? Ainda se “paga para ver” na nossa “elite”. O jogo? Franca 93 x 78 Pinheiros…

O mesmo poderíamos dizer do jogo Botafogo 67 x 73 Flamengo, quando os botafoguenses arremessaram 19/40 de 2 pontos e 7/29 de 3, enquanto os rubro negros lançaram 13/25 e 10/28 respectivamente, com ambos perdendo 3 e 4 lances livres, e com 5/21 erros de fundamentos, ou seja, o Flamengo errou muitos mais fundamentos, convergiu nos arremessos, chutando mais de 3 do que 2 pontos, e mesmo assim venceu o jogo por 6 pontos. Com uma continha básica, primária mesmo, bastaria os jogadores do Botafogo serem instruídos a substituir 3 ou 4 tentativas das 22 de 3 perdidas por arremessos de 2 e possíveis lances livres, para vencer o jogo, ficando faltando somente, o que? Creio que a resposta é mais do que óbvia, ou não?

Sigo trabalhando meu livro (será que sai até novembro, nos meus 80 anos?), e se paciência tiver (minha ranzinzice a tenho desde muito jovem…) ligarei a TV para a dolorosa penitência de assistir jogos mal jogados tecnicamente (todas as equipes ainda não sabem como atacar uma defesa zonal, o que é lamentável e constrangedor), terrivelmente transmitidos, onde até moçoilas destilam inescrutáveis conhecimentos técnicos sobre algo que nem sabem em que se baseiam (porém simpáticas e falantes, o que “valoriza” as transmissões). Pobre grande jogo tupiniquim, com narradores que teimam e lutam para trazer para as quadras o ambiente futebolístico com seus urros ufanistas, ecoando ginásios afora pela ausência de público, comentaristas em sua maioria mais preocupados com gossips do que um mínimo de técnica e tática de jogo, tornando ínfima a participação daqueles poucos que realmente o entendem, sem o caudal e a prolixidade característica de muitos outros, toda uma realidade que em nada auxilia os esforços, que acredito existentes, de um estrangeiro que tenta incutir mais seriedade a uma seleção, cujos jogadores refletem com precisão todo esse processo descrito, e que não será nada fácil mudar suas concepções de jogo, formatado e padronizado por anos e anos de estrada, desde suas formações numa base profundamente equivocada…

Mesmo assim, torço para que ele acerte e consiga razoavelmente mudá-los, sem concessões, a começar pelo respeito a tradição, a camisa nacional, prêmio maior e objetivo sonhado por todo jovem iniciante no desporto, que em hipótese alguma pode ser maculada, negada e esquecida, no que deveria, obrigatoriamente, ser um caminho sem volta, para todos aqueles que esquecerem e negarem seu indelével primado…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV, arquivo pessoal, e divulgação CBB. Clique nas mesmas duplamente para ampliá-las.

Comentários Recentes


    Warning: mysql_query(): Access denied for user ''@'localhost' (using password: NO) in /home/paulo/public_html/blog/wp-content/themes/paulomurilo/functions.php on line 7

    Warning: mysql_query(): A link to the server could not be established in /home/paulo/public_html/blog/wp-content/themes/paulomurilo/functions.php on line 7

    Warning: mysql_fetch_row() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/paulo/public_html/blog/wp-content/themes/paulomurilo/functions.php on line 8