O CHIFRE ETERNO…

Bem pessoal, publiquei o artigo a seguir em 2011, se puderem e quiserem lê-lo, inclusive os esclarecedores comentários, o façam, para logo após responderem a uma pergunta que faço – De lá para cá, o que mudou técnica e taticamente no grande jogo tupiniquim, o que?

A ONIPRESENTE CHIFRE…

quinta-feira, 10 de novembro de 2011 por Paulo Murilo

É chifre para cima, chifre para baixo, para o lado, invertido, falso, forte, dissimulado, chifre para tudo e para toda situação de jogo. Sem dúvida o chifre está valorizado, e como.

Tempo pedido, discute-se, às vezes xinga-se, outras silenciam, mas ao final o lembrete: -“vamos de chifre, ah, pra baixo”…

E lá vão os jogadores chifrar o oponente, mas com uma importante ressalva, o fazem sem mudar, acrescentar absolutamente nada ao que vinham, vem e virão a fazer enquanto jogarem, pois simplesmente… chifram.

Observo atento, não, concentrado, concentradíssimo na jogada chifre em questão, e nada, absolutamente nada vejo de diferente, inovador, criador, ou mesmo contestador, nada.

-“Os caras não podem continuar a ganhar os rebotes no ataque, não podem arremessar livre de fora, bandeja então, nem pensar. Marquem forte, e usem a chifre (alto, baixo, pro lado, ora, o que importa desde que seja a chifre…)”.

Mas como todo jogador criativo, exemplo, o Shamell, atuando dentro de uma chifre genérica, sai de sua zona preferida para os chutes estratosféricos de três (às vezes depreendo ser essa a verdadeira função das chifres, colocar jogadores para arremessos de três, será?), e mata o jogo com seis pontos seguidos de DPJ, um deles acrescido de reversão, todos de dois pontos, próximos, seguros, eficientes, fechando a série para a sua equipe.

Do outro lado, uma equipe ensandecida nos arremessos de três e um furor de inócuos dribles por parte de armadores que simplesmente resolveram riscar o jogo interior de suas preferências, e claro, atuando numa chifre polivalente.

Nos três jogos finais as duas equipes finalistas do paulista, perpetraram um 58/145 nos arremessos de três, contra 111/205 de dois pontos, e cometeram juntas 78 erros em perdas de bola, e tudo sob a égide de jogadas nunca obedecidas e defesas permissivas, mas ambas, perfeitamente alinhadas pela mais emblemática das jogadas exigidas, quem sabe até um sistema, a onipresente chifre.

O que me preocupa de verdade, é que o argentino também tem uma queda por ela, o que justifica a sempre presente hemorragia dos três, que nos tem causado tantos contratempos.

E foi sob esse cenário que um talentoso Shamell resolveu e definiu um jogo de 2 em 2, simples e nada glamoroso, sem enterradas e tocos cinematográficos, apesar de ter levado um decisivo na terceira partida da série.

Mas com ou sem chifre, parabenizo a equipe do Pinheiros por sua conquista, e ao Shamell em particular, por sua inteligente opção.

Amém.

OBS-Antes que me questionem – DPJ- Drible, parada e jump, classica jogada dos que sabem jogar o grande jogo.

 

6 comentários

  • Henrique Lima11.11.2011·
  • Jogadas e mais jogadas.
  • Até quando os caras vão entender que o necessário é saber jogar basquetebol e não decorar um livro de coreografias ?
  • Triste de nós, Professor, que andamos numa estrada e com uma luta que parecem não ter fim.
  • Abraços
  • Basquete Brasil11.11.2011·
  • E ainda tem técnicos que vêm a publico afiançar que estão mais preparados para encarar o batente, como se a liga maior fosse algum Jardim da Infância. Mas como são produtos desvairados do conceito Q.I. de escolha, o que podemos esperar? Corporativismo é isso ai.
  • Um abraço Henrique, Paulo.
  • Henrique Lima12.11.2011·
  • Professor,o pior que não tende a acabar.
  • Eu imagino um Pinheiros jogando num sistema diferente, com os atletas sabendo movimentar fora da bola, utilizando os bons pivôs que tem, os excelentes infiltradores e chutadores. Enfim, um time com tanta qualidade e tanto potencial, fica preso à chifres e polegares. Aos individualismos que só dão certo num jogo de NBA e olhe lá … nem mais lá tem dado certo.
  • Agora, ao invés de chifres e polegares para baixo, para o alto, para o lado, se estes caras treinassem 50% do tempo que gastam decorando estas porcarias, em fundamentos, estaríamos em outro nível.
  • Não sei se o senhor notou, o Jack Martinez, pivô dominicano. O cara simplesmente domina todos os fundamentos. É um jogador de basquetebol. Sabe jogar basquete. Fez o que quis no Pré Olímpico, carregou nas costas o time por boa parte do jogo contra nossa seleção e no PAN deitou e rolou sobre o Murilo, que é um atleta competente no nosso nível interno, dos melhores pivôs que temos por aqui, se bobear o melhor do torneio nacional. A diferença na qualidade dos fundamentos dos dois, é monstruosa. É um pequeno exemplo, mas estamos falando de caras de elite né ? Deveriam ser mais parelhos.
  • Dá até pena do quanto este pessoal desperdiça de talento e tempo por aí.
  • Mas, a maioria parece acreditar que este é o caminho, os chifres, os polegares ou o fazem mesmo porque é mais simples para se manterem nos cargos. Aí, a minoria que pensa diferente é vista como louca … embora os resultados dos últimos não sei quantos anos falam por si …
  • Abração
  • PS: Professor, o senhor não teve nenhum convite para o NBB 4 não ?
  • A falta de visão dos dirigentes de basquetebol no país, é algo crítico.
  • É muita gente cega ….
  • Basquete Brasil12.11.2011·
  • Henrique, treinar fundamentos com jogadores de altas folhas salariais, se foram contratados exatamente pela pretensa proficiência nos mesmos? Perder tempo em corrigir adultos calejados naqueles detalhes de ação individual, quando, apesar das falhas, conseguem estar melhores dentro do padrão brasileiro? Nem pensar! Ainda mais quando perfeitamente familiarizados com o sistema único que praticam, independentemente da equipe onde estejam,o que os deixam ” treinados” a priori, sem cansativas inovações.Musculação, alongamentos, aeróbicos, arremessos de preparação, cinco para cada lado, bola ao alto, e vamos todos para os rachas de profunda preparação. Mais adiante, nada que uma bem azeitada prancheta não possa resolver, ou pelo menos, aparentar que resolve. Faz parte do roteiro, como toda e bem entendida coreografia.
  • O Jack Martinez realmente é um excelente jogador, e dono de uma técnica individual indiscutível. Pena que muito marrento e um tanto individualista. Bem orientado e cuidado faria enormes estragos em seus adversários. Realmente, o Murilo não foi páreo para ele, apesar de ser um jogador de boa qualidade, mas pouco exigido nos fundamentos do jogo.
  • Não podemos esquecer Henrique, que a manutenção de um sólido corporativismo é conseguido pela homogeneidade funcional de seus participantes, daí a adoção do sistema único e suas jogadas de passo marcado por todos os seus integrantes, onde algum insurgente tem de ser banido, ainda mais se não socio e participante do mesmo.
  • Se fui convidado? Sequer para o Sub 21,que vai se tornar o continuismo do que ai está implantado. Honestamente, não acredito que melhoraremos agindo dessa forma unilateral e sumamente covarde.
  • Um abraço, Paulo.
  • wilson16.11.2011·
  • o problema não é com a chifre e sim a maneira que se usa, pois ela nada mais é que o pick and roll, no qual é o sistemo que o mundo inteiro joga, o problema do brasil é a demasiada ânsia d pontuar, os arremessos de três, são com chifre, sem chifre, não importa aqui se joga com pressa e não com velocidade…culpar a chifre é culpar todo o sistema ofensivo q nada mais é q uma tentativa de facilitar a ação, portanto deixem a chifre, a punho ou qualquer outra movimentação ofensiva em paz…o erro está na formação oscariana que os técnicos da base enfiam na cabeça dos seus pupilos.
  • Basquete Brasil17.11.2011·
  • Exato prezado Wilson, chifre, punho, cabeça, etc, compõem o repertório do sistema único, que como você mesmo confirma é o “sistema que o mundo inteiro joga”, e que infeliz e convenientemente também é jogado por aqui, numa mesmice endêmica e consentida por todos aqueles que se negam a estudar e pesquisar outras formas de jogar o grande jogo. E exatamente por isso é que estamos na situação em que nos encontramos, de ineficiência técnico tática desde as divisões de base, o que é lamentável.
  • Desculpe, mas não deixei, deixo e jamais deixarei em paz tanta mediocridade e preguiça em buscar novos e ousados caminhos, porta de entrada da criatividade e desenvolvimento. Acredito firmemente que nossos jovens merecem algo de melhor, de instigante. Aliás, todos nos merecemos.
  • Um abraço, Paulo Murilo.

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