CONSUMATUS EST…

Meu velho e inesquecível pai, grande causídico uma vez me disse: “Podem enterrar a verdade, matá-la, nunca, pois por mais fundo que a enterrem, mais cedo ou mais tarde aflorará em busca de sua redenção”. E fiz destas simples palavras um relicário comportamental, que me acompanhou pela vida acadêmica e desportiva, e me acompanhará até o fim de meus dias. São como alicerces dos princípios éticos que devem balizar e orientar todo relacionamento humano, naqueles momentos em que a sinceridade, o objetivo comum, a busca da superação, o esforço irmanado, a honestidade absoluta, o irretocável juramento, a luta impessoal em função do todo, o sacrifício voluntario, a renuncia às vaidades, o bem comum, o amor espontâneo, o orgulho participativo, a alegria da vitoria, o embalo na derrota, o compromisso inalienável com a verdade, somente a verdade, pautarão e indicarão o caminho a ser seguido por um grupamento humano, uma equipe, sob o comando do eleito aceito por todos no inicio da jornada, qualificando-o no posto até que ela seja percorrida por completo. O preceito de hierarquia ao ser estabelecido e aceito por todos, jamais poderá ser rompido, sob pena de se instalar o caos pela perda da autoridade e da responsabilidade participativa e honesta. Trair tais preceitos, acordados no inicio da caminhada, é o erro mais torpe e abjeto que pode ser cometido por um grupamento, por uma equipe que almeje e se sinta merecedora de respeito e consideração, que almeje a vitoria, mesmo que manchada pela perfídia da traição. Decididamente não é esse tipo de vitoria que almejamos e desejamos para o nosso tão combalido, massacrado, injustiçado e agora traído basquetebol.

A reportagem de David Abramvezt do site Lancenet, com o jogador Marquinhos, desligado da seleção brasileira por contusão, é estarrecedora, inacreditável, e põe um ponto final em toda e qualquer especulação, que possa vir a ser estabelecida, sobre o verdadeiro teor da reunião secreta que os jogadores organizaram logo após a derrota para a equipe de Porto Rico. Nego-me a transcrever qualquer afirmativa exposta na reportagem, mas convido o público leitor a tomar conhecimento da mesma, e não as transcrevo por se tratar de um testemunho pusilânime, covarde, ignorante, que só poderia ser originado de um traidor, em concluio com os demais traidores, figuras abjetas e absurdas, e que bem representam o retrato fiel da improbidade e delinqüência que se instaurou na CBB, com sua absoluta falta de autoridade, competência e legitimidade. O Grego melhor do que um presente, deveria estar envergonhado em participar de tamanha fraude, de tamanha vilania. Se comandante fosse, um basta deveria ter sido dado ante tanta baixeza. Sua permanente ausência ao que o rodeia é a prova inconteste de sua nulidade.

Não estou aqui defendendo a comissão técnica, muitas vezes criticada por mim em artigos aqui publicados sobre seu trabalho. Defendo, isto sim, o primado da autoridade, o cumprimento do estabelecido e aceito por todos, incondicionalmente. Defendo a existência de uma unidade de objetivos e de comportamentos compatíveis visando alcançá-los. Defendo o respeito aos mais experientes, aos mais velhos, mesmo que alguns não concordem com determinados conceitos emanados pelos mesmos, pois existem caminhos e até atalhos que podem ser utilizados na busca do entendimento respeitoso e responsável. Mas, caminhos há que não devem ser trilhados, principalmente aqueles que levam à perfídia, ao hermetismo interesseiro, às sombras que ocultam os traidores, as resoluções que visam interesses próprios, na maioria das vezes escusos, e que em muitos casos vêm envolvidos em falsos pacotes patrióticos, que visam o sucesso nem sempre, ou quase sempre imerecido.

Agora podemos entender perfeitamente certas declarações de jogadores, olhando a câmera diretamente, como passando um recado a todos aqueles que não seguirem suas cartilhas, do alto de seus contratos vultosos no exterior, onde não têm peito nem coragem de se insurgirem contra seus patrões e empresários, escravos que são, da forma como se insurgem e agem covardemente entre nós. Podemos entender a recusa deprimente de se negar a defender a equipe brasileira quando solicitado a fazê-lo em pleno jogo. Podemos entender a agressividade chula e infantilóide contra uma imprensa que, por obrigação e direito expõe suas mazelas. Infelizmente, podemos agora entender o que vem a significar ter um grupo”fechado”, já que composto de desqualificados e indignos de vestir a camiseta de uma seleção que conquistou o mundo com lealdade, técnica e acima de tudo honra.

Amanhã, esta equipe tentará uma classificação olímpica, renegando seus técnicos, renegando suas tradições de lisura e dignidade. Amanhã, esse grupelho, comandado técnicamente por não sei quem, já que decidiram omitir e desconhecer as determinações dos técnicos, enfrentarão a equipe argentina, que torço para que vença, pela força de sua equipe, de seus técnicos e dirigentes, pela força de sua organização desportiva, pelo orgulho patriótico, pela limpidez de seu trabalho. Caso percam, subsistirá entre nós o agora primado da traição, a inversão definitiva de valores, a instauração do caos, que nem uma taça e uma vaga olímpica perdoará, e nos fará esquecer. Estou envergonhado e profundamente triste. O basquetebol brasileiro não merecia, e não merece passar por tal constrangimento. Consumatus est.

A HORA DAS VERDADES…

Dentro de duas horas americanos e argentinos decidem a liderança do Pré-Olímpico em sua fase classificatória às semi-finais. A equipe brasileira, ao vencer largamente os uruguaios nesta noite classificaram-se para uma das semi-finais, e se os prognósticos não sofrerem nenhuma surpresa, os argentinos serão nossos adversários a uma das vagas olímpicas.

A vitória brasileira contra os uruguaios pode ser definida como convincente? No plano estritamente técnico, sem dúvida nenhuma, apesar do inequívoco racha nas inter relações de alguns jogadores, e do alheamento de alguns deles com relação à comissão técnica. E que não venham, escudados em uma vitória facilitada pela fragilidade defensiva e reboteira da equipe uruguaia, tentarem desmentir o que qualquer profissional atento tem captado nos gestuais, nas agressões verbais, e o pior, no descaso escancarado de alguns de seus componentes às instruções técnicas nos pedidos de tempo, beirando mesmo ao desprezo. As tristes e reveladoras imagens da ESPN Brasil, mostrando em todas as minúcias o ataque sofrido por uma jornalista de um diário paulista, por parte dos jogadores Guilherme e Huertas, e do técnico Lula, pela publicação do teor da reunião fechada dos jogadores logo após a derrota contra o Porto Rico, além de profundamente constrangedor, expôs o alto grau de descontentamento e divisão que tanto tentam esconder, pois quem não deve não teme, nunca. Ainda mais, partindo tais ações de um jogador que se auto intitula porta-voz do grupo, fato indesmentível, desde quando após o último mundial de triste lembrança, veio a público criticar o posicionamento de seu atual companheiro de equipe, Nenê, por não defender a seleção, expondo inclusive as condições que o mesmo teria de aceitar para voltar ao grupo”fechado”. Quanto ao técnico, é inadmissível que o mesmo se dirija publicamente a uma jornalista, na companhia de dois jogadores, para exigir reparações, que se consideradas afrontosas, deveriam ser encaminhadas pelos canais previstos em lei, sendo um direito acessível a qualquer cidadão que se julgue injustiçado. Sua primaria obrigação era afastar os jogadores daquela lamentável situação registrada por cameras, e ato contínuo, solicitar ao responsável pela chefia da seleção o encaminhamento legal que o caso exigisse. Sua atitude intempestiva tipificou um evidente desequilíbrio de comando, ainda mais na presença de um jogador, que junto a alguns outros estabeleceram na equipe um tipo de liderança de total e irrestrita responsabilidade do técnico da equipe, ainda mais, como na atual forma de comando, à comissão técnica. Pairaram no ar pinceladas de media junto a alguns jogadores que contestam sua integral liderança, e naquele momento a encurralada jornalista se prestava convenientemente àquele papel, reforçado pela presença televisiva. Foi uma atitude reprovável, que em situação de normalidade técnica-administrativa careceria de qualquer importância.

A vitória aconteceu através um consistente jogo interior, onde os poucos e limitados pivôs uruguaios, à exceção do Gonzales, não opuseram resistência aos pivôs brasileiros, principalmente nos rebotes, e ao jogo exterior responsável e paciente, desenvolvido por alas e armadores contidos em suas aventuras de três pontos, substituído-as por eficientes penetrações e deslocamentos em velocidade, principalmente nos contra-ataques. A defesa funcionou melhor na justa medida do domínio dos rebotes, não permitido aos uruguaios as segundas tentativas. Os arremessos alcançaram médias razoáveis e o placar elástico premiou o esforço que devem ter assumido em face de desencontros, descontentamentos, falsos juízos, e muita falta de humildade e desprendimento. Mas o desencontro com a comissão técnica ainda se faz presente e visualizada, exigindo que algo deva ser feito para que as grandes e aguçadas arestas comportamentais e de comando sejam aparadas, fator essencial ao possível sucesso no confronto decisivo de sábado próximo.

Enfim, apesar dos grandes tombos e desavenças, a seleção atingiu o estágio de semi-finalista, numa façanha que demonstra com perfeição o grande potencial de seus jogadores, e necessitando daqui para diante que um comando efetivo e digno de crédito seja estabelecido e almagamado ao corpo da equipe, para que juntos tentem a vitoria possível. Em caso contrário, toda uma geração expiará pelos muitos e perpetuados erros cometidos nos últimos anos de descalabro técnico-administrativo, erros estes que atingem, como vem atingindo aqueles que menos podem reverter tal situação, os jogadores.

Que se faça um pouco de luz e bom senso, é o que desejo de coração. Amém.

VELADAS VERDADES…

Aconteceu em um dos muitos mundiais de que participamos, mais propriamente durante a era de Oscar e companhia, quando tínhamos uma brilhante equipe, mas, nem sempre bem dirigida e orientada. O jogo era contra uma Lituânia com três formidáveis jogadores, um deles o inesquecível Arvidas Sabonis, e uma plêiade de jovens inexperientes que submetiam sua seleção a uma forçada, porém necessária renovação. Sabedores de que somente venceriam a equipe brasileira se chegassem no momento da decisão com os três grandes jogadores em quadra, o que fez o técnico lituano? Isso, acertou bem na mosca caro leitor, orientou seus craques a não cometerem faltas pessoais, no momento em que constatou que a equipe brasileira não abrandaria de forma alguma sua voracidade pelos arremessos de três pontos, sua marca registrada. Pratica e sutilmente “propôs” ao técnico brasileiro um trato de cavalheiros, ao afrouxar sua defesa aos arremessos curtos, em contrapartida à notória e histórica inapetência em defender da equipe brasileira, para, nos momentos finais da partida decidirem o vencedor. Claro, que em se tratando de uma proposta velada, e que propiciaria à equipe lituana sua única chance de vitória, apostou seu técnico que os brasileiros, por hábito e excesso de confiança, não abririam mão de seus arremessos de três em função de meros dois pontos. Outrossim, através seus três formidáveis e únicos jogadores experientes ia minando os pivôs brasileiros no jogo interior, de dois em dois pontos, pacientemente mantendo um razoável equilíbrio no placar. No entanto, tal equilíbrio se tornou permanente no momento que os arremessos de três teimavam em não cair numa proporção inferior aos de dois dos lituanos, e assim chegaram aos minutos finais. O quadro de faltas quanto aos três experientes lituanos era ridículo, pois somente cometeram três, uma para cada, ao passo que os brasileiros já começavam a sentir o peso das muitas faltas acumuladas na tentativa de segurarem os curtos arremessos lituanos. Note-se que em momento algum a equipe brasileira se deu conta de que os lituanos, por força de sua limitação de jogadores experientes, jamais oporiam forte marcação aos arremessos curtos, os de dois pontos, tão desprezados pelos brasileiros, atrelados à sua volúpia pelos de três. O que ocorreu então nos minutos finais? Na mosca de novo, caro leitor. Os lituanos apertaram na marcação, pois tinham 12 faltas para gastar naqueles decisivos momentos, nos quais os brasileiros resolveram apelar para as penetrações ante o decréscimo de acerto nos arremessos de três, fator este que definitivamente equilibrou um jogo, que pela análise comparativa entre as equipes, pendia claramente para o lado brasileiro, dada a qualidade e experiência de seus jogadores, ao contrario dos lituanos com seu juvenis reforçada de três excelentes veteranos. A equipe do Báltico nos venceu de 10 ou 12 pontos, não me recordo o placar, e despachou nossas chances naquele mundial.

E porque essa reminiscência tirada lá do fundo do baú? Perfeito, caro leitor, acertou mais uma vez. O jogo de ontem, e alguns outros que temos perdido pela manutenção daquela volúpia que persiste entre alguns de nossos jogadores, viúvas inconsoláveis e eternos candidatos ao trono do mítico Oscar. Numa partida, talvez a única até o presente momento em que tínhamos alguma supremacia no jogo interior, tanto pelo Spliter e o Murilo, como pelo delfin, resolveram alguns de nossos mais do que experientes jogadores, abandonarem o óbvio pelo arriscado e até certo ponto aventureiro arremesso de três pontos, aquele mesmo que em muitas ocasiões enterraram justas e oportunas chances de resultados positivos para nossa seleção, assim como pela imperícia e passividade da comissão técnica para simplesmente exigir que o jogo interior tivesse prioridade absoluta, pois, com uma vantagem de 17 pontos ao inicio do quarto final, bastariam jogarem e pontuarem de dois em dois pontos, permitindo aos argentinos tão somente a mesmas pontuação, para que a administração da vantagem fosse mantida.

Mas não, o que é isso, cara? Duvidar de nossa capacidade pontuadora, mortal e decisiva? Nem pensar, nos garantimos ! E tanto se garantiram que ante uma preguiçosa seleção argentina, pascáciamente descansada em sua garantida classificação, se viu forçada a assumir um pequeno esforço, que não custava nada ante tanta permissividade de nossa equipe, e foi de encontro a uma vitória renunciada por uma grupo que não se une, e que é dirigido sobre a égide da “coisa planejada”, que de tão pretensamente imaginada, sequer tem o apoio da equipe e o respeito de seus perdidos jogadores. Lastimável e preocupante, muito mais do que preocupante, trágico, simplesmente isto, trágico.

Hoje, contra o Uruguai, que não se descuidem, pois é uma equipe, que apesar de limitações e até uma certa indisciplina por parte de um jogador, é valente e com uma concepção de jogo coletivo apreciável e profundamente perigoso. Se não mudarmos certos comportamentos, não só técnicos, mas de relacionamentos inter pessoais, poderemos amargar um resultado em nada conveniente ao nosso combalido, mal administrado e pessimamente dirigido basquetebol.

Torço honestamente para que a equipe supere suas barreiras coletivas e inter pessoais, e que conquiste aquele lugar compatível às suas qualidades e ao seu justo merecimento.

Amém.

12 HORAS DEPOIS…

Ato contínuo à vitoria contra a fraca equipe mexicana, e os arautos renascidos da secreta reunião de Las Vegas, onde somente os jogadores participaram, vêm através da imprensa ( O Globo de hoje) externarem opiniões personalistas, em assuntos, que no mínimo, pertenceriam aos membros da comissão técnica em seu pleno direito de comando, já em muito arranhado pela não participação na referida e divulgada reunião.Eis o que foi publicado : “Um dos destaques da vitória, o pivô Nenê, com 17 pontos, disse que depois da derrota para Porto Rico o elenco conversou e se acertou. O pivô do Denver Nuggets acrescentou que os jogadores atuaram como equipe contra o México, ao contrário do que ocorrera na humilhante apresentação da véspera. Para o ala Guilherme, existe a possibilidade de a comissão técnica poupar alguns atletas, hoje, contra a Argentina, pensando no Uruguai : -Vamos entrar para ganhar da Argentina, mas cabe à comissão técnica saber quem vai usar, se pode fazer rotação maior e poupar para a decisão com o Uruguai. Se corrermos na mesma direção, fica mais fácil ser um time vencedor”.

Num dos trechos da ótima coluna da jornalista Mirian Leitão nesse mesmo jornal podemos ler : “Os escorregadios caminhos da mente produzem frases reveladoras, já explicou Freud” , definindo o ardil psicológico que assalta certas declarações de homens públicos.

Jogadores de seleções nacionais também são homens públicos, com imensa audiência e decisiva influência junto à opinião pública, principalmente aquela que os tem e adotam como referências e exemplos a serem seguidos em suas declarações e atos. Por estes motivos é que tais declarações e posições tomadas em reunião secreta de jogadores, óbviamente repassadas à comissão técnica, com imediatas modificações de critérios nas escalações da equipe e em seu modo de atuar, é que calam fundo na desconfiança de que os preceitos indiscutíveis de comando foram irremediavelmente corrompidos pela aceitação incondicional do que foi consensual na decisão dos que deveriam se manter como comandados. Um dia antes, num jogo do Uruguai, um dos pivôs se insurgiu violentamente contra seu técnico, atitude agressiva documentada pela transmissão de TV, e que teve uma interpretação esclarecedora da realidade que se espraiou no seio da comunidade profissional do basquete sul-americano, por parte de um dos técnicos –comentaristas da SPORTV, defendendo o ponto de vista de que tal e agressiva atitude de um jogador contra seu técnico, deveria ser levada como “natural no ardor da disputa, e que o técnico ofendido publicamente em sua autoridade deveria relevar com amor tão agressiva atitude, enaltecendo a grandiosidade do perdão”. Ao final da partida, em seu quarto final, retornou triunfante o grosseiro e violento jogador, ante a passiva e condescendente conivência de seu técnico, numa decisão que o desqualifica como líder de um grupo que se pressupõe ligado e amalgamado por preceitos de disciplina e educação desportiva.

Temo pela evolução de tantas e negativas influências que vicejam no sentido inverso do espectro social, onde participantes de um pacto coletivista, sob a égide de um comando aceito à priori por todos, se insurge contra o mesmo, fazendo-o refém de uma decisão majoritária, liderada por aqueles participantes que jamais deveriam exercê-la de pleno direito, os jogadores, ainda mais quando tais decisões e posicionamentos são tomadas à revelia de quem de direito, a comissão técnica. Imposição de uns, e aceitação de outros, o eterno embate entre o certo e o errado, o positivo e o negativo, o vitorioso e o irremediavelmente derrotado, que no frigir dos ovos representa a derrota de todos nós, que por vários caminhos e estradas da vida aprendemos um dia o valor e respeito à ética social. Rompidos tais preceitos, pouco ou nada de saudáveis e transparentes objetivos comuns poderão ser alcançados, a não ser aqueles envoltos pela neblina e pela escuridão do que de pior pode aflorar no seio de uma equipe, a inversão de valores.

Anseio que se façam claras e transparentes as importantes e decisivas decisões e definições a serem estabelecidas daqui para diante, único caminho a ser trilhado em busca do bem comum, a classificação olímpica, obedecidos , e que se farão necessários, os princípios da ordem e de comando, sem os quais imperará o caos e o desrespeito. Amém.

REUNIÃO EM LAS VEGAS.

E de repente, emergindo de uma reunião logo após a tremenda e constrangedora derrota contra Porto Rico, ressurge um outro time, uma outra disposição para o enfrentamento, uma outra concepção de liderança, uma outra relação inter pares, enfim, uma outra equipe. Pouco ou nada se sabe sobre o teor da reunião, a não ser alguns entreveros flagrados pela TV, onde abundaram ofensas e graves quebras de hierarquia logo após o encerramento do jogo, ainda em quadra. No entanto, duas entrevistas que antecederam o jogo desta noite com o México, dadas à imprensa pelo delfin e pelo Guilherme, deixaram no ar que pontos muito sérios e controvertidos foram postos à discussão aos presentes na mesma, que pasmem, era composta exclusivamente pelos jogadores, sem a presença do comando da equipe, a comissão técnica com seus três integrantes. Numa linguagem evasiva e hermética, externaram ter sido a reunião um ajuste entre algumas posições divergentes e pessoais, realizada olho no olho, e que culminou num “fechamento” de objetivos a serem alcançados por todos. E tantas eram as divergências, que o treino desta manhã deu lugar a um segundo tempo de reunião, onde mais posicionamentos foram definidos.

E então, o que se viu ainda no primeiro quarto do jogo contra os mexicanos, foi uma guinada radical na escalação da equipe, quando, contrariando o seu reiterado posicionamento de partidas anteriores, a comissão técnica fez entrar os até aquele momento inaproveitados Guilherme e Huertas, encostando de forma visível e acintosa os jogadores Nezinho e JP Batista, reservas preferidos do técnico principal, que somente participaram nos minutos finais do jogo, e cujos semblantes demonstravam nitidamente suas insatisfações ante a nova situação. Outrossim, Marcelo e Alex se firmaram em suas inabaláveis posições, agora na companhia do Guilherme, exatamente o trio de cardeais que expuseram pela mídia, ao término do Campeonato Mundial de triste memória, seus posicionamentos contrários àqueles jogadores que se negavam à participar da seleção, o delfin em especial. Com a definição da base da equipe, formada pelo Valter, Leandro e o delfin, de a muito definida no check list nenesiano, o grupo cardinalício formado pelo Marcelo, Alex e Guilherme se impôs nas escalações levando consigo o Huertas, preterido claramente pela comissão nos jogos do torneio, em favor do Nezinho . No campo dos pivôs, os posicionamentos do delfin, do Spliter e do Murilo, não poderiam ser obstados pelo novato JP Batista, preferido pelo técnico principal em muitas das etapas percorridas pela equipe, mesmo sendo um bom jogador.

Com estas disposições estabelecidas, constatou-se de uma vez por todas o conservadorismo técnico-tático enraizado no âmago dos jogadores, acostumados e sedimentados no sistema de jogo tradicional com um armador e suas movimentações padronizadas e repetitivas. Essa forma de jogar e atuar garante o aproveitamento permanente dos alas, dos cardeais, num rodízio de três para duas posições, destinando o Huertas à reserva direta do Valter, em vez do preferido Nezinho. Claro, que com a adoção de dois armadores a divisão territorial das capitanias hereditárias seria alterada para menos, o que não era de interesse dos cardeais.

O que se viu daí para diante, foi a tremenda ascensão da liderança dos jogadores por sobre o comando da comissão, que não pode sequer disfarçar tal evidencia, haja visto as radicais mudanças de escalação testemunhadas por todos aqueles que entendem um mínimo de basquetebol, e mesmo por aqueles que pouco entendem do mesmo, bastando para isto revisar os jogos anteriores. Temos então estabelecida uma nova ordem, item final do check list onde o quadradinho permitindo a continuidade do técnico pode ser preenchido pelo xis do delfin e dos cardeais.

A entrevista do delfin, onde explica ao seu modo como a equipe se comportava tecnicamente, e como mudou esse mesmo comportamento após o estabelecido na secreta reunião, nos esclarece a dimensão do que lá ocorreu, e do que foi modificado, aspectos estes demonstrados através a performance da equipe na vitória contra os mexicanos. E tudo à revelia da comissão, que se tiver um pingo de dignidade, se vê na obrigação de tomar duas atitudes : ou restabelece seu primado de comando, agora mesmo submergido pela liderança dos que deveriam ser os comandados, ou, por uma questão de quebra irrecorrível e definitiva de hierarquia e de ética, se retira de um campo de luta a que não mais pertence por deposição de comando, antes de que seja vitima de seus próprios erros, de suas omissões.

Mas meu amigo, se tais mudanças levaram a equipe à vitória, por que tanta objeção a uma simples e retórica reunião de jogadores bem intencionados? Bem, vimos o que ocorreu no jogo contra o México, uma equipe fraca e de pior performance defensiva do torneio. Esperemos os dois jogos à seguir, contra argentinos e uruguaios, onde as definições serão de maior monta, para aquilatarmos objetivamente quem realmente deve comandar uma equipe nacional de basquetebol lutando por uma vaga olímpica, se uma comissão técnica , ou um núcleo de jogadores opositores da mesma. Bem sabemos a resposta, e a coragem necessária para assumí-la. Tudo o mais é conversa de compadres colocando panos quentes, no afã de não perderem feudos conquistados também em reuniões ,tão ou mais fechadas e herméticas do que esta em Las Vegas.

Amém.

OS PELADEIROS NA CADEIRA DE BARBEIRO…

A equipe de comentaristas televisivos foi cruel na análise da equipe do Porto Rico : “Peladeiros”, “Faremos barba, cabelo e bigodes neles”, “Tiveram a classificação caída no colo…”, entre outras considerações “elogiosas”. Mas esqueceram um detalhe que apontei no artigo de ontem, o fato inconteste de que são possuidores de melhores fundamentos que a maioria de nossos jogadores, e que, ao optarem jogar com dois armadores, que além de mestres na arte de liderarem a equipe, são exímios arremessadores de três pontos, e marcam excelentemente bem. E não deu outra, fizeram o que quiseram com nossos pretensos defensores, impotentes e frágeis para marcá-los devidamente. Ainda mais que, ao ser escalada a nossa equipe com um só armador, destinou um dos dois endiabrados porto-riquenhos à guarda de um dos nossos alas, do grupo de três, absolutamente incapazes de exercerem qualquer tentativa, por mais tênue que seja, de defenderem os espaços reservados para fazê-lo, e foi exatamente por esses canais de drenagem que os dois armadores de Porto Rico se revesaram nas penetrações e nos precisos e desmarcados arremessos de três. Chegou às raias da covardia o que fizeram ao destroçarem nossa imitação de defesa, fosse ela individual ou por zona. Como eleitos” peladeiros”, administraram o tempo de seus ataques com maestria, paciência e muita, muita técnica individual e por equipe. Foram brilhantes também no jogo interior, onde encontraram um delfin gordo e travado em sua movimentação, declaradamente fora de preparo físico e técnico. Somente o Spliter ainda conseguia impor um pouco de luta reboteira, pois além de corajoso é insistente ao encarar dificuldades. Numa antítese do principio do curvo e do convexo, onde o encaixe das partes geram o equilíbrio, ao confrontarmos dois armadores habilidosos com um armador e um ala provocamos o desequilíbrio fatal às nossas pretensões de vitoria, pois a supremacia territorial do 2 x 1 já se prenunciava pela escalação inicial de nossa equipe, e que, em momento algum viu tal desequilíbrio ser compensado com a escalação de um segundo e habilidoso armador. Por teimosia caipira, a fim de demonstrar o “quem manda aqui é eu”, perdeu a comissão técnica representada pelo seu mentor, a grande oportunidade de tentar por em prática o único antídoto possível e lógico para confrontar aquela situação, ou seja, restabelecer o equilíbrio defensivo antepondo habilidade com habilidade, dois armadores contra dois armadores, atitude primária no sentido tático para aquela situação, estrategicamente armada pelo técnico de Porto Rico.

Mas, como ficaria os humores dos cardeais ao se verem preteridos por um Huertas, ou mesmo um Nezinho qualquer? Claro, se tratasse de uma verdadeira equipe, treinada e preparada para o enfrentamento pré-olimpico, com planos realistas de treinamento, sem influências divisoras de comando, como por exemplo, um check list imposto pelo delfim, desde convocações, diretrizes organizacionais e até mesmo uma carta liberatória para o continuísmo do técnico principal ( este o fato mais deprimente e comprometedor), além de destinar a seleção para enriquecimento de currículos e despedidas de jogadores que de a muito já deveriam ter cedido seus lugares à necessária e indiscutível renovação, muito do que vem ocorrendo de indefinição e instabilidade da equipe inexistiria, em contraponto à dissimulação consentida por todos ao acobertarem problemas estruturais, que aflorarão na medida em que as derrotas venham a ocorrer, como a de hoje, acachapante, indesculpável, vexaminosa, mas previsível pelo encaminhamento inexorável de fatos negativos e dissimulados, fatores que comprometem todo e qualquer principio de liderança, ainda mais quando diluída em uma comissão “unida e uníssona”. Vamos ver qual dos integrantes da mesma inicia mais uma partida de tapetebol, pois quando o barco começa a afundar, alguém no meio do caos sempre propõe o “barata voa”.

Infelizmente, nem as orações aos deuses de plantão salvaram a seleção de uma derrota tão impactante. Para mim, que sempre desenvolvi o habito de ler e interpretar textos, definições, afirmativas e discursos, e por que não, estudos e pesquisas, dando o máximo de atenção, e até mesmo focando-a numa única direção, aquela que tenta compreender e explicar os conteúdos milimétrica e dissimuladamente contidos nas entrelinhas, como as minúsculas letras de um prolixo e extenso contrato, onde as verdades se escondem, num mimetismo que nos força a raciocinar, pensar e tentar concluir sobre as verdades ali contidas, mas omitidas da compreensão daqueles que se beneficiariam das mesmas, em favor de uma minoria apanigüada e protegida pelo obscuro manto da conivência e da vaidade.

Estamos hoje escravos de uma minoria que aceita e absorve qualquer proposta que a mantenha no comando, até aquelas que colocam sua pretensa liderança em jogo, mas que não pode ser afastada por ser legal perante as leis desportivas do país. Seremos escravos permanentemente? Nunca fui, nunca me calaram e jamais me calarão, pois nunca perdi o direito à indignação. Continuo a perguntar : Aceitarão calados continuarem a ser escravos dessa malta? Ou reagirão como todo e qualquer bom e honesto desportista reagiria em qualquer nação desenvolvida desse mundo? Estão todos com a palavra, e porque não, ações.

Amém.

O DEVER DE APRENDER…

Esqueçam que houve um jogo contra a equipe dos Estados Unidos. Esqueçam que perdemos por 37 pontos de diferença. Esqueçam os rompantes pomposos dos responsáveis pela s transmissões . Esqueçam as definições de “basquete moderno”, “conceitos modernos”, “filosofias disso e daquilo”, e outras frases feitas de um discurso enfadonho, repetitivo e nunca empregado pelos que o defendem sempre que de posse de um microfone. Mas, jamais esqueçam as duras lições que nos foram impostas pela seleção americana, principalmente aquela que somente qualifica jogadores extremamente bem preparados nos fundamentos do jogo, na incumbência de jogá-lo em alto nível. A grande força da equipe americana se concentra no seu enorme potencial no domínio dos fundamentos defensivos e ofensivos, praticados por todos os seus integrantes, de qualquer posição, e que somados ao grande potencial físico, torna-os uma equipe difícil de ser batida, principalmente atuando em seus próprios domínios.

Por outro lado, nossa seleção se apresenta claudicante exatamente no aspecto de domínio dos fundamentos, com jogadores incapazes de exercer os movimentos defensivos básicos, ocasionando permanentes rotas de ações das equipes que enfrentamos, fator que anula todo e qualquer esforço ofensivo, pois a equipe não capitaliza os ganhos obtidos pelo mesmo. Temos graves carências defensivas, quiça ofensivas, todas motivadas pela nossa deficiência crônica nos fundamentos do jogo, que enquanto subsistirem anulará toda e qualquer possibilidade de progresso técnico-tático.

Claro está que uma equipe do calibre desse time americano, se insinuará sempre pelos setores ocupados por defensores de fraco desempenho, principalmente nas tentativas de arremessos longos, ou nas penetrações em drible na direção da cesta. Numa analise bem superficial, qualquer técnico de boa formação rapidamente localiza os pontos fracos em nosso sistema defensivo, principalmente quando em quadra os alas Marcelo e Marcos, que jamais poderão ser cobertos em suas seguidas falhas pelo fato, também primário, de nossos pivôs jamais marcarem à frente os adversários a eles destinados. Criam-se avenidas despoliciadas e liberadas para as mais eficientes e convergentes penetrações, que desequilibram profundamente todo o sistema defensivo da equipe.

Quanto ao nosso sistema ofensivo, que é rebuscado e prioritariamente efetivado e desenvolvido através passes lateralizados, com tentativas seguidas de corta-luzes efetuados fora do perímetro pelos pivôs, é totalmente comprometido pelo desconhecimento de grande parte dos fundamentos exigidos para a realização dos mesmos, assim como nos dribles e nas fintas sob intensa e pressionada ação defensiva. Trata-se de um sistema que privilegia rotações sem a bola e um exagerado emprego de corridas em torno do garrafão efetuadas pelo(s) armador(es), que os colocam fora do foco das ações, e utiliza um tempo exagerado para a definição das jogadas, tornando os arremessos precipitados e desequilibrados, mesmo os de media e curta distâncias. Torna-se necessário o encontro de uma nova concepção ofensiva, principalmente que se adapte rapidamente a ambos os sistemas de marcação adversária, o individual e o zonal. A utilização permanente de dois armadores deve ser implementada e desenvolvida, agilizando o ataque e o qualificando nos passes, nos dribles e nas fintas.

Finalmente, temos de desenvolver um conceito participativo impactante, no qual a definição da composição da equipe deve ser tomada com a antecedência necessária para que um bom plano de treinamento possa ser levado a termo, com a presença de todos os integrantes da equipe, sem os privilégios e ausências de alguns, em demérito de outros. Nossa seleção carece de preparo físico e consequentemente de preparo técnico coletivo, e muito mais de preparo individual nos fundamentos, que é a base dos demais.

Nossa performance ante a equipe americana, nada mais representa do que nossas deficiências de técnicas individuais, e por conseguinte, a não consecução das exigências inerentes a todos os princípios que regem sistemas de jogo, sejam lá os que forem escolhidos ou adotados pela direção técnica. Se observarmos com olhar isento e atento as ações dos grandes jogadores americanos, poderemos aquilatar e compreender quão precisos são seus movimentos, adquiridos pelo treinamento exaustivo e prolongado dos mesmos, tornando-os aparentemente fáceis de serem realizados, e que somados às suas exuberantes valências físicas, os tornam difíceis de serem batidos, e nunca esquecendo, que são o produto de uma intensa e tradicional massificação ocorrida nas escolas e universidades de todo o país, o que não ocorre em nosso país.

A classificação olímpica pode ser conseguida, apesar de muito difícil, pois teremos de nos defrontar com equipes que de certa forma privilegiam o ensino dos fundamentos, e se utilizam de sistemas de jogo bem mais evoluídos do que os que empregamos, como a Argentina e o Porto Rico, mas que não afastam de nós a possibilidade de classificação, que seria bem mais factível se percorrêssemos outros caminhos que não os que percorremos atualmente.

Enfim, tentemos retirar destes 37 pontos de diferença as lições mais significativas que nos beneficiem no futuro, reconhecendo o fato inconteste de que devemos mudar profundamente nossas concepções de ensino, preparo e treinamento de jogadores, assim como a premente necessidade de nos organizarmos em associações regionais de técnicos, a fim de que experiências, estudos, pesquisas e conhecimentos fluam democraticamente entre todos aqueles que, por princípios, definem a essência do jogo. Trata-se de uma luta antiga, da qual participei ativa e decisivamente em seus primórdios, e que deve ser retomada como um fator prioritário para a evolução do grande jogo entre nós. Sugiro que se fale menos, que se lamente menos, e que ajam mais, saindo do estágio de omissão que nos levou a tão triste realidade. O basquetebol brasileiro agradecerá sinceramente. Amém.

A BABA ELÁSTICA…

Foi uma vitória arrancada à fórceps. Por mais uma vez a equipe demonstrou uma grande carência de comando e decisão nas jogadas armadas, somente se impondo quando “se espalhou na quadra”, através forte marcação individual, forçando retomadas e conseqüentes contra-ataques, principalmente no terceiro quarto. O sistema defensivo nos quartos iniciais falhou seguidamente, quando o combate às tentativas de arremessos longos primaram pela indiferença e pela acomodação posicional. Temos na seleção jogadores que de forma alguma se situam num patamar mínimo de exigência defensiva, simplesmente não sabem marcar, e o pior, não se esforçam para melhorar tal deficiência. Com a dedicação defensiva do Alex e do Valter no terceiro quarto, a diferença de 14 pontos foi superada e revertida para uma de 12 pontos ao final do mesmo, numa reação oportuna e que garantiu a vitoria. Mesmo assim, no quarto final a equipe afrouxou a disposição defensiva, e novamente se viu ante a possibilidade de perder um jogo que não ofereceria qualquer obstáculo se houvesse um mínimo de regularidade e constância técnico-tática. A seleção brasileira carece de treinamento e de soluções táticas no jogo de meia quadra, numa indefinição que oscila entre a simples e a dupla armação jamais definida, tornando também indefinidos os papéis dos demais jogadores, basicamente os alas, dois deles nitidamente fora de forma física e técnica, assim como o grande e festejado pivô, que se apresenta fora do peso e com nítido despreparo aeróbico. Com tais indefinições e limitações físicas, uma decorrente fragilidade se avulta, multiplicada pela ausência de tempo hábil de treinamento e da ausência dos grandes nomes junto aos demais jogadores presentes ao mesmo. A equipe não está coletivamente preparada, restando a razoável forma de uns poucos jogadores e suas valentes e corajosas disposições à luta e ao sacrifício, o que infelizmente não ocorre com todos.

No jogo deste domingo, contra a equipe norte-americana, poderemos aquilatar com razoável precisão o quanto de despreparo técnico-tático atinge a equipe, já que os americanos tentarão de todas as formas imporem o seu modo de melhor atuar, baseado na grande e permanente velocidade por toda a quadra, escudados no mais forte de seus argumentos, a grande capacidade no desenvolvimento dos fundamentos básicos do jogo por todos os integrantes da equipe, dos armadores aos pivôs, começando por uma defesa rígida de linha da bola, e culminando com um ataque sem tréguas por todos os setores da quadra e sempre no sentido incisivo da cesta. Para enfrentar tão contundente modo de ação coletivista, duas são as únicas opções. Uma, a de acompanhar tal ação com um comportamento similar, numa esgrimáge em nada aconselhável, pelos inúmeros motivos apontados anteriormente. Outra, cadenciar fortemente o jogo, tornando-o o mais lento e acadêmico possível, similar ao comportamento da seleção argentina no Campeonato Mundial de 86 na Espanha, quando freiou a seleção americana em sua única derrota naquele campeonato em que acabou campeã. Esse jogo tornou-se um modelo clássico de como se torna possível vencer uma partida aprioristicamente perdida, revertendo tal previsão com inteligência tática e lucidez estratégica. Mas para tanto, se torna necessário um bom e forte período de treinamento, efetuado por todo o plantel, sem exceções e privilégios, o que de forma alguma aconteceu no preparo de nossa equipe. Mas mesmo assim, se tivéssemos que optar entre as duas formas de atuar mencionadas, sem duvida nenhuma o cadenciamento do jogo seria a opção mais inteligente e factual, o que nos daria uma razoável chance de bom enfrentamento. Nenhum corcel campeão de corridas reage de bom grado a um potente e enérgico bridão. O problema é saber utilizá-lo por um longo e paciente período de tempo, período este que um só armador seria insuficiente , exigindo, pela própria proposta redutora de velocidade e controle, a utilização de dois.

São conjecturas baseadas em experiências passadas e históricas, mas jamais destituídas de valor e coerência, e que podem ser levadas em consideração na medida em que para determinadas situações repetitivas somente um antídoto as farão inertes, e que mesmo assim não apresentando garantias de sucesso, jamais poderão ser descartadas em seu teor de exeqüibilidade. Coragem é o elemento fundamental para utilizá-las.

Infelizmente, ao percorrermos os mais diversos meios de mídia, observamos incrédulos a instituição quase absoluta de um endeusamento da equipe americana e sua quase mitificação no campo desportivo, numa tendência continuista e colonizada, para a qual, o destino lógico de nossos melhores valores só poderá ser plausível se situado nos caminhos dourados da NBA, numa adoração e veneração que beira ao paradoxismo conceitual, aspecto altamente nocivo ao futuro do grande jogo entre nós, pois carecedor de uma visão dentro da nossa realidade, no âmago de nossa juventude e na concepção de nossas autênticas necessidades, que é a tarefa mais importante e transcendental a ser implantada e desenvolvida pelos técnicos e professores do país. Essa dependência cultural e política é talvez o maior obstáculo que poderemos encontrar na construção de um sistema de jogo que possa enfrentar a galática equipe, e por que não, derrotá-la, senão amanhã, mas um pouco mais adiante, sob o signo do trabalho bem feito e da justa crença de nossa capacidade. Comecemos acreditando em nós mesmos, sem enterradas cinematográficas, sem uniformes absurdos, sem penduricalhos imitativos e macaqueados de uma cultura que não é a nossa, e principalmente sem as influências econômicas que alimentam nossa inferioridade, pagas, e bem pagas àqueles que trombeteiam uma nefasta e exógena influência que não nos diz respeito, sob qualquer aceitável e lógica condição.

Merecemos dias melhores, mas teremos que batalhar por eles, reunindo os bons e esquecidos cérebros de grandes professores e técnicos espalhados por este imenso país, pois enquanto esta tarefa não for reiniciada, com décadas de atraso, não conseguiremos e não iremos a lugar algum, e continuaremos nas mãos da corriola que ai está, entre nefastos dirigentes, pseudos técnicos, e moldadores da opinião pública com seus discursos voltados aos interesses hegemônicos do norte. Houve um tempo, não tão distante assim, em que vencíamos a todos , jogando o nosso jogo, exportando a nossa habilidade e cultura, quando tínhamos um imenso orgulho de rivalizarmos com todos eles, sem a necessidade servil de babarmos humilhantemente como muitos o fazem hoje, ao vivo e à cores. Amém.

PRANCHETA’S FALL !

Do mestre Veríssimo Use o mouse para ampliar

O TALCO MILAGROSO…

Depois do jogo de ontem, depois do frisson causado pelo mesmo em toda a crônica dita especializada, depois do show patriótico das pitonisas de plantão na reverência ao delfin e sua presença salvadora da honra nacional, depois de assistirmos um único jogador colocar a bola embaixo do braço e definir toda e qualquer jogada, na mais autêntica performance do “arma que eu chuto” vista nos últimos tempos, depois de uma vitória claudicante ante uma equipe fraquíssima, depois de tudo que assistimos incrédulos ante a passividade acachapante de uma comissão técnica, onde nem a prancheta milagrosa era levada muito à serio pelos jogadores em volta da mesma, e que um inédito e emblemático distanciamento dos demais integrantes da comissão”unida e uníssona” se fazia constrangedoramente notar, além da declaração da estrela da noite de que somente ao final da partida é que descobriu junto à quadra um talquinho que evitaria que a bola escorregasse das mãos, o que teria aumentado muito sua produtividade(deuses meus, sequer posso imaginar o que ocorreria…), pois bem, depois de tudo isso assaltou-me uma sensação de que algo de profundamente errado está ocorrendo, e que se não forem tomadas sérias e urgentes decisões, muitos e preocupantes problemas surgirão quando enfrentarmos equipes de verdade.

Inicialmente, constatou-se que técnico-táticamente nada mudou, a não ser o fato de um único jogador ter tomado em mãos a responsabilidade de ganhar o jogo sozinho, fazendo com que o comentarista da ESPN Brasil, quase sempre tranqüilo em suas análises, se exasperasse em algumas ocasiões em que tal atitude anulava qualquer disposição da equipe em jogar conjuntamente, provocando inclusive algumas tímidas ações de notórios individualistas de tentarem o mesmo caminho, com resultados nada promissores, principalmente nos segundo e terceiro quartos da partida. Ficou também muito clara a cada vez maior dificuldade que os dois bons jogadores que atuam na NBA têm no jogo de 1 x 1 sob as regras da FIBA, onde flutuações e ajudas dificultam sobremaneira suas atuações ofensivas, assim como a difícil readaptação às ações defensivas motivadas pelo mesmo motivo, as regras diferenciadas entre NBA e FIBA. Nosso delfin saiu com 5 faltas atuando por pouco tempo ao que está acostumado, e o Spliter já vai se enquadrando no novo esquema que terá de enfrentar em 2009. Saiu com 5 faltas também.

Jogamos com dois armadores, é verdade, fato que de principio parecia auspicioso, mas que rapidamente foi esquecido quando o Leandro resolveu, ou foi resolvido (Por quem, meus deuses? Grande dúvida…), a iniciar sua missão redentora de salvar a pátria vestida de bufantes calções. E aí foi o que se viu no primeiro quarto do jogo. E de tal maneira essa atuação foi marcante, que sua ausência inicial no segundo quarto e inercial no terceiro colocou o restante da equipe num marasmo conclusivo, que propiciou à medíocre seleção canadense uma aproximação perigosa e preocupante, que somente foi contornada com a repentina disposição do Valter em tomar às rédeas do jogo no quarto final, quando armou e defendeu com tirocínio e eficiência, inclusive fazendo o Leandro atuar como deveria ter feito desde o principio, com e para a equipe.

Temos pedreiras pela frente, e como já foram definidos os papéis que cabem a cada um dos integrantes da equipe, dentro e fora da quadra, fica a grande dúvida. Como realmente jogaremos esse importante e transcendental campeonato? Com dois armadores bem definidos e coordenados? Com um só armador como viemos atuando nos últimos 20 anos, o que tem nos custado caro nos torneios internacionais? Ou mesmo, numa confusa e difusa combinação de nada com não sei o que, ensaiada no jogo de ontem, e que por felicidade encontrou um adversário absolutamente incapaz tecnicamente de se aproveitar de nossa deficiência?

Treinamos muito pouco, principalmente os jogadores mais emblemáticos e ditos fundamentais. Jogamos fora um tempo precioso de preparo e lapidação antes e durante o Pan, quando, em vez de trombetearmos que seria um torneio de “passagem”, deveríamos ter investido determinadamente naqueles jogadores que efetivamente nos seriam úteis e presentes no Pré-Olímpico, este mesmo campeonato em que agora participamos sem sequer termos bem, ou razoavelmente treinado um verdadeiro e sólido sistema de jogo. O que vemos, é uma aplicação inodora e indolor (…mas que pode se tornar extremamente dolorosa) de um check list, que neste exato momento tem todos seus itens preenchidos pelos “xis” do grande delfin.

Que me perdoe a grande, unida e uníssona comissão, ou reassumem seu verdadeiro papel, mesmo teimando com suas antigas convicções, ou então veremos jogadores tomarem em suas mãos o comando da seleção, com talquinho ou sem ele, pois numa taba que tem mais cacique do que índio, vence aquele com o tacape maior e mais aderente com o talco milagroso.

Temos alguma chance? Sim temos, não muitas, mas temos. Falta-nos somente um assumido comando, que de posse de uma eficiente borracha, firme nos dedos com o auxilio do talco aderente, apague vigorosamente os “xis” apostos nos itens do check list, retomando o controle do leme de um barco que poderá estar indo à deriva pela inconsistência de comando e princípios técnico-táticos.

Precisamos reverter tal situação, com bom senso e muita coragem, Amém.

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