ENFIM, CONSEGUIRAM…

 

7_-_img_1948Custaram, perseveraram, se esmeraram ao máximo, insistiram, batalharam, e por fim…venceram (?), deram o grito primal, urraram de satisfação e orgasmo mental, e mudaram a estética, o modus faciendi de jogar o ex grande jogo (para quase todos eles…), mas que continua grande, grandíssimo para mim, apesar de derrotado frente ao novo tempo, ao Novo Basquete Brasil da convergência definitiva, do reinado absolutista das bolinhas, do abandono defensivo do perímetro, numa aceitação inter pares de uma competição de tiros irresponsáveis, estilosos, desqualificados, aceito por todos dentro de um sistema padronizado e formatado pelo estúpido e boçal corporativismo implantado coercivamente em todas as categorias, num sentido de jogo descerebrado dentro das quadras, e mais descerebrado ainda ao lado das mesmas, nos esgares, caras e bocas, gesticulação circense, coações explícitas, auto presença impositiva nos tempos e nos garranchos pranchetados, sem os quais, no discurso padrão da comunidade de comando, nada aconteceria de importante e decisivo na quadra, numa triste constatação de um falseado poder decisório, somente alcançado única e exclusivamente na arte do treino, quando o mais saber, o preparo, a vivência e a insubstituível experiência sempre dará as cartas nesse jogo específico para quem o domina, não para aquele que julga e pensa dominar, fruto do marketing, da arrogância, da troca, do escambo, jamais pelo mérito, jamais…

Caminhamos celeremente para a convergência dos arremessos de 2 e 3 pontos, não mais por parte de uma das equipes, e sim por ambas a cada jogo disputado, demonstrando a aceitação do que ousam implantar, já implantando nesse estágio inicial da lamentável mudança que se avizinha, solerte, capciosa, impositiva, como nos recentes Ceará x Mogi e Vitória x Mogi, quando no primeiro perpetraram 21/70 arremessos de 3 e 33/66 de 2, e no segundo, 18/65 e 25/60 respectivamente, e mais, a brilhante marca de 30 e 24 erros de fundamentos, mantendo a média da competição que é de 26 erros por jogo, um número realmente lastimável. A cada rodada, a cada partida, com umas poucas exceções, o que assistimos contritos é um desfile pré agônico de uma modalidade outrora brilhante, técnica, tática e sedimentada em bons fundamentos, preparada, orientada e dirigida por técnicos de verdade, e não o que aí está, escancarado, através cada vez mais falsos especialistas de três, arrivistas e oportunistas de ocasião, o mais abertos possíveis no ataque a fim de obterem espaços compensatórios às suas gritantes deficiências nos fundamentos de drible, fintas e passes, a maioria em busca do brilhareco midiático, frutos de exemplos recentes de jogadores individualistas se locupletando de um jogo coletivo, onde os duplos e triplos duplos é a meta pretendida, mesmo a custa dos esforços da equipe, sendo a vitória muitas vezes descartada na medida do brilho individual das  estrelas, para a satisfação máxima dos que as empregam e agenciam…

O fruto dessa irracional busca pela glorificação individual, é manifesta pela explosão no cerne das equipes do desejo da maioria de seus componentes alcançarem o estrelato também, daí a chutação desenfreada de quase todos que as compõem, dolorosamente chancelados pelos permissivos estrategistas que as dirigem, ou pensam dirigir, bem mais torcedores do que aqueles que se encontram nas bancadas, quando uma atuação técnica, racional, estratégica se faria urgente e necessária, pois resultante da observação arguta e precisa, fruto de sua vasta experiência, onde o binômio diagnose/retificação (*) se impõe soberano, ação essa anulada ou minimizada pela cega militância praticada, na pretensa busca da vitória a qualquer preço…

Mas conseguiram o que tanto perseguiam, emular o exemplo da  matriz que, se observarmos bem, chutam de três menos do que aqui, e mesmo assim somente através seus poucos especialistas de verdade, exceto por duas ou três equipes no seu vasto e rico universo de trinta, isso nos profissionais. Mas o que realmente importa por aqui é a busca pela genialidade, principalmente ao lado da quadra, e nesse pormenor somos realmente imbatíveis, ao conseguirmos formar técnicos de “altíssima qualidade” com dois ou três anos de experiência na liga maior, a que incentiva a convergência, a que ignora a defesa exterior, a que se lixa para os fundamentos, porém a que exalta as pranchetas em vez do treino, do treino de verdade, da longa e laboriosa vivência, da larga experiência adquirida nas derrotas e vitórias, da necessária participação na base formadora, das longas estradas de pedras percorridas, base estrutural do mérito, do grande jogo. Mas como todos jogam da mesma forma sistêmica, vence aquele que chuta a última e apaga a luz…

Parabéns a todos, afinal conseguiram implantar o novo conceito convergente de jogar, onde a relação custo/benefício…ora o que isso importa, quando o que passa a valer é a bola de três, a enterrada monstro e o toco fenomenal, ou não?…

Que os deuses nos ajudem, pelo menos, se uma nova administração reabrir a ENTB, reestruturando-a como deve ser uma escola de verdade, numa iniciativa que poderá vir a ser válida na corajosa tentativa de reverter tão triste quadro…

Amém.

(*) – Diagnose/Retificação – A capacidade didática de diagnosticar falhas, erros e omissões técnicas em ações individuais e coletivas e suas decorrentes correções, onde o espaço temporal entre ambas define a maior  ou a menor qualificação do professor/técnico, conceito não muito difundido entre estrategistas, principalmente os menos experientes…

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma duplamente para ampliá-la.

A ANSIADA VOLTA DO BOM SENSO…

P1140569Estamos em plena efervescência pós olímpica, curtindo ao máximo o gigantesco legado a que fizemos jús na contrapartida dos bilhões que nos foram surrupiados por uma máfia desportiva (?) que numa época próxima ou distante terá de se haver com a lei, bandidos que são…

Desde o Pan, passando pelo Mundial de Futebol, e desaguando nos Jogos Olímpicos, muitas são as ruínas que outrora foram estádios, pistas, piscinas,velódromos, arenas, centros de controle disso e daquilo, monumentais, ciclópicas, que fizeram a riqueza de muitos “abnegados desportistas”, e que daqui a bem pouco farão outras fortunas para os especialistas em desmontes e sucatas, onde até as medalhas desbotam e desmancham, tal a precariedade de sua fabricação, claro, a peso de ouro, não o olímpico, mas o dos tolos que acreditaram  e avalizaram o butim histórico, muitos dos quais ainda não viram a devolução dos valores dos ingressos revendidos, se é que verão…

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P1140526E quando o maior dos legados foi a nossa transformação em nação olímpica, praticante em massa dos desportos, nas escolas, clubes e universidades, segundo as afirmativas da bandidagem que perpetrou todo esse desperdício, tripudiando das reais necessidades de um povo ignorante e semi alfabetizado, utente das mais variadas bolsas, que não são Vuitton, mas que adora uma novidade tutelada, vemos agora sendo implantada uma nova realidade importada da matriz, que aos poucos vai nos conquistando, comendo pelas beiradinhas, sem pressa, através do idioma dito “universal”, de sua forma de entender a dimensão política do desporto, da música, das artes, da cultura, exportando-os, porém mantendo e defendendo essa mesma dimensão em suas fronteiras, tendo o apoio pago, e muito bem pago da mídia tupiniquim, vide essas duas páginas inteiras sobre o caviar desportivo deles, o absurdo e medieval football jogado com as mãos, onde a regra é a conquista de espaços em jardas (?), o que sempre fizeram, fazem e farão mundo afora até o fim dos tempos, restando-nos uma pergunta – Afinal, quem é Tom Brady?…

 

NBA, NFL, e outras ligas bilionárias lá de cima, ditando hábitos e caminhos que devemos trilhar, afinal de contas o velocíno de ouro está aqui, na forma da água, do petróleo, dos minérios raros e da floresta, ou não?…

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Aqui entre nós, iniciamos o combate a corrupção, que se os deuses quiserem chegará a educação, aos desportos, já atingindo a saúde, as infraestruturas, aos políticos, aos entreguistas e traidores, as nossas dilapidadas riquezas, e quem sabe, poderemos vislumbrar a salvação de futuras gerações de jovens, abandonados e desorientados nesse mar de crueldade e indiferença…

Mas até que esse dia chegue, continuaremos a lutar pelo que nos toca, aprendendo a administrar nossa injusta pobreza, tentando melhorar o que temos, como o basquetebol, que aí está se debatendo num mar de incertezas, de incúria, afogado pelo corporativismo, pela pétrea mediocridade, pela negação do mérito, mas enlevado pelos oportunistas, sempre prontos aos voos personalistas do “se colar, colou…”, dos “EUs” totalitários, onde conceitos didáticos e pedagógicos inexistem desde sempre:

(…)- Eu acho o seguinte: eu realmente me encontrei como técnico. Isso é fundamental. O prazer que eu tive de ser jogador e o prazer de ser técnico são coisas surreais. E com isso vem o entusiasmo. Quando eu falo hiperativo, eu sou um cara que é entusiasmo puro. E eu gosto do que estou fazendo, principalmente ali. Aquilo ali me mantém no jogo. Tem muita gente que me olha de fora e pensa que é um desespero, mas estou totalmente ciente do que o time precisa fazer. Mas, principalmente no fim do jogo, eu sou o inverso, sou mais cauteloso, mais calmo porque sei que precisa de tranquilidade para fechar o jogo nos minutos finais – explicou Dedé sobre seu jeito peculiar no banco do Vasco da Gama.(…)

( Trecho de uma matéria publicada pelo globoesporte em 7/2/17).

Vendo os vídeos dos pedidos de tempo finais de um jogo “de alto nível  técnico”, onde o primeiro estabelece uma relação impessoal com os jogadores utilizando uma linguagem cifrada e impessoal, e outro, perdendo por um ponto, a nove segundos do final, inventa uma jogada, bastando uma cesta de dois pontos para vencer a partida, concluída brilhante e disciplinadamente pela equipe, se entende bem o porquê de estarmos no fundo de um poço sem fim…

 

Indo mais um pouco além, constatamos a continuidade da mesmice endêmica técnico tática que nos tem sufocado, sem qualquer esperança de uma retomada qualitativa que nos redima, vendo a cada rodada da liga maior nacional crescer o número de erros de fundamentos, hoje na média de 26 por partida, com picos absurdos como os 38 de Brasília x Vitória, e os 36 de Minas x Ceará e Vasco x Macaé, sem contar as convergências entre arremessos de 2 e 3 pontos, cada vez mais presentes no campeonato transformando-o numa competição de tiros de fora e de egos inflados dentro e ao lado das quadras, emulando para bem pior o exemplo da matriz, fartamente veiculada por aqui, com seus Curry’s pontuais, que muito em breve estarão superados pela natural evolução defensiva que já se faz notar no hemisfério lá de cima…

Brevemente, em 10 de março próximo, uma nova (ou não) direção assumirá a CBB, falida e desmoralizada, que exigirá um trabalho hercúleo para soergue-la,  financeira e administrativamente, mas que terá algo maior a realizar, o soerguimento técnico, razão básica  de sua existência confederativa, que precisa ser radical, pontual, cirúrgica em todos os sentidos na sua atual liderança e agregados recursos humanos, sem contemplações, a mínima que seja, pois tiveram mais de vinte anos de “projetos e eficiência” que nos levaram ladeira abaixo, porém abrindo as portas à discussão democrática e plural, na busca de novos caminhos, novas idéias, novos rostos, respeitando o regionalismo deste gigante país continente, buscando líderes pelo mérito de seus sacrificados estudos e trabalhos na educação através do desporto, do grande jogo, afastando de vez o protecionismo, o escambo, o maléfico corporativismo que aí está refestelado na impunidade e no mais dos abjetos descasos junto a nossos jovens, e porque não, na elite também…

Torço, como sempre torci pela volta do bom senso, o que já seria uma grande plataforma de relançamento do verdadeiro basquetebol brasileiro, e não esse pastiche que aí está, e que mesmo assim já se posta na mira dos ladinos e chacais travestidos de basqueteiros, o que nunca sequer pensaram em ser, pedindo aos deuses que nos protejam de todos eles…

Amém.

Fotos – Reproduções de jornais. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

COMUNICANDO…

Estaremos fora da mídia por 4 dias, a fim de trocar de provedor. Desculpem, pois é a primeira vez desde 2004 quando iniciei este humilde blog. Obrigado pela paciência e até o dia 18 próximo. Um abraço a todos que prestigiam o Basquete Brasil. Paulo Murilo.

O QUE COMENTAVAM EM 2010…

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Nosso basquete está em alta, dizem os especialistas, subindo em audiência e presença (claro que na Arena da Barra não conta…), com transmissões nas TVs aberta e fechada, na WEB, em blogs (proporção de 20 -1 para a NBA), e até em alguns artigos na mídia impressa, ensaiando aqui e acolá um movimento de reconquista pelo segundo lugar na preferência popular, ainda precoce, mas que impressiona bastante…

Um destes veículos informativos, exatamente aquele incluído no painel da LNB, o  Territõrio NBB, que discutia e reportava os aspectos técnicos e táticos das equipes, com suas seleções da rodada, entrevistas e editoriais, deixou de circular, sendo substituído por uma página denominada Chuá, graciosa e popularesca, mas que soma muito pouco, ou nada, para o desenvolvimento técnico do grande jogo, num momento pós olímpico decisivo para o crescimento da modalidade no ciclo que se inicia para 2020…

Tenho postado teimosa e seguidamente aqui nesse humilde blog, artigos técnicos, dos fundamentos às táticas, aos sistemas defensivos e ofensivos de jogo, sempre preconizando pelo novo, pelo inusitado, pelo criativo, pelo corajoso, levantando uma premissa, uma bandeira, defendendo a tese de que somente voltaremos ao cenário internacional no momento em que passemos a jogar de forma diferenciada do basquete globalizado e pasteurizado que aí está, largamente difundido pelas redes comprometidas com o modelo NBA, como se fosse o mesmo o supra sumo do jogo, quando o é pelo fator comercial e financeiro, poderoso e hegemônico, tornando-o inalcançável sob esses padrões…

Mas muito além das postagens aqui publicadas, um outro fator as enriqueciam, o fator prático em quadra sucedendo teorias estudadas e pesquisadas por muitos e muitos anos, em equipes de base e adultas, sempre divulgando e ensinando suas aplicações práticas, divulgando-as na medida do possível, pois tecnologias custam caro, estando além dos limitados recursos de um professor. Por isso, a página técnica da LNB faz tanta falta, pois de gracinhas bastam as transmissões e comentários da grande maioria da turma que pensa estar transmitindo um jogo, quando na realidade o tem transformado em um “alegre” momento de descontração, bem típico do pouco que entende e domina os meandros do grande jogo…

E foi numa das páginas daquele espaço perdido, que reencontrei uma matéria, sobre o até hoje, sete anos depois, único sistema de jogo que ousou quebrar a mesmice endêmica que já se instalava no NBB2, que é mantida, e agora, profundamente sedimentada, com pouquíssimas exceções, em nosso indigitado basquetebol, vítima indefesa dos estrategistas com suas infames pranchetas, da praga autofágica dos arremessos de três, da busca desenfreada pelas enterradas “monstros”, do corporativismo que elimina toda a possibilidade de quebra do que aí está implantado, mas que tenta copiar, ou adaptar, ou mesmo inventar soluções canhestras do que foi experimentado naquele NBB2. Estamos no NBB9, e pouco ou nada foi mudado de verdade, a não ser o olho gordo na vaga do hermano que se foi, para, enfim, gloriosamente inaugurar a era  Curry entre nós, especializados que pensamos ser na fina arte do arremesso de fora, aquele que nivela talentos com medíocres, aqueles que transformam o grande jogo num concurso de tiro aos pombos, pela incapacidade de dominar os fundamentos, o drible, os passes, as fintas, os rebotes, a defesa, as corridas e paradas pluridirecionais, os bloqueios, o coletivismo, o conceito de equipe, e não do estrelismo a que estão levando o basquetebol, através daqueles que ainda teimam transformar um jogo coletivo em individual, era inaugurada no pós pan americano de Indianápolis, e hoje venerando sua continuidade “via Curry”. Por que preocupações com “detalhezinhos” como os tais fundamentos, se lá de fora tudo pode ser resolvido, ou não? Claro, claríssimo que se a grande maioria das equipes pensa dessa forma, a relação erro/acerto se torna bem distribuída, gerando esses monstrengos apelidados de “emocionantes e sensacionais” jogos, onde a técnica, noves fora…

Enfim, se esse é o caminho que a confraria corporativada destina para o nosso infeliz basquetebol, jamais o foi, e jamais será o meu, fato que um dia remoto de 2010 o Território NBB reconheceu ao publicar esse artigo lapidar…

E inserido no texto duas outras matérias são mencionadas e publicadas, que valem a pena recordar, junto a uma outra do Bala na Cesta , e essa outra que publiquei desafiando a turma a mudar nossa maneira de jogar, no que fui solenemente esnobado, mas “lembrado” com a adoção da dupla armação e os alas pivôs móveis, adaptados ao sistema único, bastante diferente à fluidez original que testei naquele NBB2. e que infelizmente não me foi permitido dar continuidade a um trabalho realmente inovador, que teria ajudado bastante no desenvolvimento tático do grande jogo em nosso pais, antecipando em cinco anos o que aplaudem hoje nas performances do Warriors no  quesito fluidez ofensiva, porém sem a orgia dos três, que avidamente herdamos. Duvidam?   Eu não, jamais, e o provei…

Amém.

Foto – Divulgação CBB, Clique na mesma duas vezes para ampliá-la.

 

 

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