O EXIGIDO E FUNDAMENTAL COMANDO…

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Pronto, explodiu a refrega, pipocam de todos os lados apoios e críticas sobre as escolhas da CBB na direção da seleção nacional, quando reivindicam direitos meritórios, continuidade de um trabalho montado para sucessões automáticas, críticas contundentes de dirigente clubístico em nome de um técnico injustiçado, claro, sua opinião, voltando à ribalta os poderosos argumentos sobre direitos adquiridos por títulos conquistados, e o mais impactante, salta aos olhos a velada influência marqueteada no endeusamento advindo de uma classe de torcedores nem sempre do grande jogo, em torno de nomes deificados por uma mídia fabricante de mitos e de falsos magos, na maioria das vezes auto promovidos, numa ciranda de interesses muito mais individuais do que coletivos, como deveria ser em se tratando de uma modalidade…coletiva…

Mas, fluindo de toda essa discussão, esquecem daquela entidade que conta com a unanimidade de todos, e que deveria face a essa primazia ser eleita sem ressalvas a responsável pela direção da seleção, isso mesmo, sua majestade sereníssima, a prancheta, sendo de somenos importância aquele que a portasse, a partir da evidência tácita de que fosse quem fosse, as diretivas, estratégias, jogadas e macêtes técnicos lá estariam armazenados, prontos para o consumo comum a todos eles, pois afinal de contas “as pranchetas falam”, ou não?…

Noves fora tais verídicos ou não fatores, esquecem mais do que nunca alguns importantes, vitais e sutis pormenores, a saber:

1 – Campeonatos nacionais, amadores ou profissionais, em cada um dos países que lideram o grande jogo no mundo, pela sua equilibrada competitividade e permanente renovação de bem formados jogadores, escolhem técnicos nacionais nem sempre os mais galardoados, e sim aqueles que representam melhor a essência técnico tática evolutiva de suas escolas, sendo na esmagadora maioria deles apontados os mais experientes, vividos, e por isso mesmo menos sujeitos aos erros comuns aos mais jovens, fator decisivo na produtividade de uma seleção nacional;

2 – Em contraponto a esta constatação, desenvolvemos de trinta anos para cá, o hábito de premiar (não indicar ou escolher) aqueles mais titulados, em campeonatos de uma pobreza franciscana em termos de preparação individual dos jogadores nos fundamentos básicos do jogo (e isso de maneira geral), logo incapacitados de conceber e desenvolver um sistema de jogo minimamente aceitável nos planos coletivos ofensivo e defensivo, fatores que os colocam de saída inferiorizados ao confronto internacional de alto nível, aí incluídos os verdadeiros responsáveis que adotaram desde sempre um limitado e manietado sistema único de jogo, os técnicos, em sua quase absoluta maioria, e o pior, desde as categorias de base, adotando, padronizando e formatando-o coercitivamente, liderados por uma comunidade corporativada, e por isso mesmo, comungando da mesmice endêmica que lá se encontra  arraigada, e até essa indicação do novo técnico, interino ou não, inamovível. Logo, fosse quem fosse, de saída, repito, já entra em inferioridade técnica e tática no concerto mundial, e que por uma questão de menor importância dessa Copa América, pode se dar ao luxo de manter o que faz a muito tempo, sem maiores riscos, mas mesmo assim contestado clara ou disfarçadamente, afinal, poderia ser um bem mais laureado…

3 – E neste curioso contexto, somente vejo uma saída para contornar este libelo, que o novato, interino ou não, rompa com o sistema único, de uma vez por todas, quebrando essa lamentável dependência escravizante, e como será uma seleção bastante jovem, que dê a todos eles a oportunidade de fazerem algo que os promovam a um outro patamar, pois a continuar atuando na mesma  sintonia ao que fazem e como atuam seus futuros adversários, certamente encontrarão sérias e até intransponíveis dificuldades, motivadas por sua inferioridade nos fundamentos do jogo, confrontando a máxima aceita pela comunidade séria dos técnicos das maiores escolas, ao propugnarem o fato indiscutível de que entre duas equipes que atuam num mesmo sistema, vence aquela que domina mais eficientemente os fundamentos, e não através um sistema fragilizado pela ineficiência dos mesmos;

4 – Neste raciocínio, o mérito jamais dependerá somente de títulos conquistados, e sim de sua qualificação técnica superior, tanto na formação e orientação técnica de jogadores, como na condução tática dos mesmos, onde a diagnose de falhas estivesse ao alcance imediato das devidas retificações, distância esta que quanto menor for, maior sua qualificação profissional;

5 – E mais um determinante e primordial fator, hoje praticamente extirpado em nome da divisão de responsabilidades pela delegação fracionada de comando, com a entronização de cada vez mais auxiliares técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, gerentes disso e daquilo, supervisores, psicólogos, médicos em profusão, nutricionistas, e até um inédito analista de desempenho, compondo um exército que ultrapassa em número o de jogadores, num esquema organizacional que minimiza o ponto fulcral na consecução de uma verdadeira equipe de basquetebol, o comando indivisível, responsável, altamente competente e  solitariamente decisório de um autêntico head coach, o técnico principal, aquele que por suas qualidades de liderança adquirida pelos anos de estudo, pesquisa e árduo trabalho, caberá o indivisível e muitas vezes solitário comando, incluindo ou não a cedência de delegação de poderes, e a constituição da equipe assessora e diretiva com quem trabalhará, sem divisões políticas e interesseiras de responsabilidade, desculpas ou mesmo de caráter ético…

Por todos estes fatores acima apontados, permanece no ar uma decisiva e básica questão – Temos no país homens com tal perfil de comando no âmago do grande jogo? Sim, temos, são poucos, mas os temos, bastando que sejam mobilizados para a tarefa maior e de inadiável urgência, e não indicar os seis por meia dúzia usuais, ou mesmo um estrangeiro, que aqui desembarcará com as mesmas convicções pelo sistema único, agravado pelo distanciamento sócio cultural com seus países de origem, nem um pouco interessados em nossa evolução, mas claro, em busca dos nossos sacrificados e contidos dólares ou euros, muito mais importantes se aplicados aqui, ajudando a alavancar o soerguimento do grande, grandíssimo jogo entre nós…

Finalmente, um repto ao novo técnico nacional, o mesmo que fiz a antiga comissão, assim como aos demais técnicos do país através o insistente desafio, esnobado e sequer tentado, a não ser por uma ou outra tentativa de adaptar a dupla armação ao sistema único, e jamais levar em consideração a utilização de três alas pivôs atuando dentro do perímetro em constante e permanente movimentação, quebrando de vez a mesmice endêmica de nossa atual maneira de jogar, padronizada, formatada e pretensamente globalizada, aproveitando a oportunidade única de disputar uma Copa América sem injunções classificatórias a competições importantes, oportunizando sem desmedidas cobranças que um jovem grupo e alguns experientes jogadores se preparem dentro de um sistema proprietário, inovador, corajoso e acima de tudo inédito para as fortes equipes que enfrentarão. Que treinem fortemente os fundamentos mais básicos, inclusive como forma de preparação física e orgânica, não perdendo tempo precioso com testes de saltos, impulsões, força, dobrinhas cutâneas, motricidades várias, que só são aplicadas e lembradas quando da vitrine de seleções nacionais, ocupando tempo no crítico calendário das competições internacionais, para a “pesquisa” de uns poucos, quando seriam de grande importância se existentes permanentemente nos clubes e equipes formadoras desde as divisões mais básicas, e aferidas em seu ápice, e de forma laboral na fase adulta. E antes da revolta científica, pergunto no que resultam dados coletados na véspera de uma competição? Resposta de quem como eu pesquiso desde sempre? Nada, absolutamente nada de prático e utilizável, logo, “sentem brasa” nos fundamentos, colocando todos os selecionados num mesmo barco, remando na mesma direção, sejam armadores, alas ou pivôs, pois é a melhor maneira de se conhecerem profundamente, nos acertos, e principalmente nos erros, qualificando a todos no reconhecimento do que cada um tem de melhor e de precario, e como aproveitar suas qualificações,  e em algum sistema que nossos adversários desconheçam mesmo, era o que eu faria, aliás, tenho feito em todas as oportunidades que tive para preparar, treinar e fazer jogar uma equipe de alta competição, por isso, e mais uma vez o desafio, que se aceito, sem a menor dúvida, estabelecerá um salto decisivo em nossa evolução a patamares mais elevados, mas que exigirá muita coragem e convicção para alçá-lo, terá? Torço sinceramente que sim…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

CREIO QUE AGORA “CHEGA”…

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No último artigo aqui publicado neste humilde blog, finalizei-o questionando sobre a escolha dos futuros técnicos para as seleções nacionais:

(…)Mas, será que temos um, ou nomes que encarem tão necessárias e estratégicas mudanças?  Para começar um “chega” seria de bom tamanho, ou não?(…)

Que necessárias e estratégicas mudanças seriam essas, caro Paulo, pergunta-me o amigo que não descola do meu calcanhar, e pede para que eu o mantenha somente dialogando comigo, pois não tem mais paciência para “debates”, principalmente na grande rede, o que aceito sem maiores discussões…Há, em tempo, que “chega” é esse?…

Bem, vamos lá, começando pelo “chega”, cujo título acima expõe tudo, ou quase, já que se faz urgente, inadiável e em definitivo, expurgar de uma vez por todas a continuidade do que aí está, década após década, de uma mesmice que se perpetua ad infinitum, patrocinada ad nauseam pelo protecionismo, pelo escambo, pelos amiguinhos, pelas falsas promessas de líderes, pelos pretensos e mais falsos ainda “gênios das pranchetas”, pelos exibicionistas, contorcionistas, pelos herdeiros osmóticos, pelos estrategistas incapazes de corrigir um simples vício de arremesso, de drible conduzido, de passes impróprios, de um deslize lateral defensivo, de um giro após rebote, de um bloqueio em amplitude não faltoso, de uma cobertura antecipativa lateralizada, de uma finta em drible concomitante à troca de lado, de um corta luz arrítmico, de um correto direcionamento nos arremessos, de uma ação diversiva sem a bola, de um salto antecipativo ao passe, da necessidade da recepção do passe em constante movimento, mantendo em tudo e por tudo a infame média de 27,2 erros de fundamentos no recém terminado playoff do NBB9, enfim, ensinando, corrigindo e desenvolvendo os fundamentos como básica e estratégica preparação para os sistemas de jogo, somente factíveis perante o domínio completo e consciente dos mesmos, e não invertendo conceitos, e princípios para a aprendizagem técnica e tática sistêmica, como vemos acontecer desde sempre em nossas competições, em todas as divisões, da base a elite, incluídas as seleções, decorrentes naturais da realidade do nosso basquetebol, onde do treino a competição nada muda, nada transpõe o sistema único, com seus imutáveis chifres, punhos, polegares et alli…

Somos os líderes mundiais da maquiagem técnica e tática, onde estrategistas estabelecem comportamentos midiáticos planejados para sua evolução de pirâmide invertida, onde a experiência, fruto da longa vivência na formação, no estudo e na pesquisa constante, cede vez ao imediatismo, genial para para aqueles que definem a estrutura e o futuro do grande jogo sob uma visão distorcida e política, avessos que são à técnica e a tática de alto nível, e que não tem o mínimo preparo e sensibilidade para situá-lo como deveria sê-lo, sob a ótica evolutiva do desejável e do possível…

Nossas competições em todas as categorias estão impregnadas pela mesmice endêmica que tanto combato e critico, e que me cansei de confrontar pelo teimoso e incansável contraditório técnico, e principalmente tático, em todas as equipes que dirigi, desde os anos 60, quando sempre tive na platéia das competições que participava, do infantil a primeira divisão, fosse masculina ou feminina, colegial ou clubística, inclusive seleções, uma plêiade de técnicos famosos, alguns míticos, que lá iam, senão para aprender, mas muito mais para discutir e trocar opiniões pelo que viam e assistiam seguidamente, e cuja reciprocidade foi sempre mantida por mim, quando alguns sistemas que se firmaram e ainda hoje são empregados eram dissecados a exaustão em longas reuniões de quinto tempo, aberta e democraticamente, para a seguir serem aperfeiçoados, ou não, nas competições em sequência. Foi neste tempo que nos tornamos imbatíveis nas competições nacionais, fator congregador este que me fez idealizar e concretizar a primeira associação de técnicos do país durante o Mundial Feminino de 1971 em São Paulo, com a adesão inicial de 180 técnicos nacionais e estrangeiros, não fosse a ANATEBA a segunda associação fundada no mundo, perdendo para a americana (NABC) existente desde 1926, e antecedendo em anos a espanhola e a argentina, que hoje tentamos copiar…

Técnicos e professores como Togo Renan, Tude Sobrinho, Waldir Bocardo, Ary Vidal, José Carlos Ferraz, Renato Brito Cunha, Emanuel Bomfim, Geraldo Conceição, Heleno Lima, Raimundo Nonato, Telúrio Aguiar, Olímpio das Neves, Luiz Carlos “Chocolate”, Valtinho e Helinho Blaso, Guilherme Borges, Epaminondas Leal, Orlando Gleck, Antenor Horta, Falão, Carlos Jorge, José Afro, Marcelo Cocada, Zeny Azevedo, José Pereira, Honorato, e muitos outros, que sempre e sempre trocavam idéias, fossem quais fossem as rivalidades dentro das quadras, numa interação diversificada, hoje trocada pela padronização e formatação que engessou a todos em torno do sistema único e das pranchetas, inexistentes naquela época criativa e voltada para o treino, para o ensino dos fundamentos do jogo, e depois, bem depois, para as sistematizações personalizadas e muitas vezes inéditas…

Sou talvez um dos últimos daqueles moicanos teimosos e brilhantes que ainda subsiste insistentemente na defesa do basquete clássico que nos tornou vencedores um dia, junto a outros poucos espalhados por esse enorme e injusto país, batalhando por dias melhores, criativos, ousados e corajosos pelo grande jogo, que precisa se soerguer do limbo a que foi lançado pela intolerância, pelo egocentrismo e a mais absoluta colonização de sua história, através o corporativismo doentio e covarde, e que para tanto urge um basta, definitivo e categórico, um “chega” salvador…

Respondido o chega, restam as necessárias e estratégicas mudanças, correto? Quase correto, não fosse a dolorosa existência do marketing institucionalizado que situa e mantêm a corriola pasteurizada no comando de um mercado restrito e defendido ao preço que for, ao preço da imutabilidade do que aí está implantado e enraizado em todos os segmentos que o definem, da gestão ao comprometimento massivo e ideológico das equipes, da imprensa especializada mais dedicada ao basquetebol da matriz, ao qual tenta atrelar o impossível sonho a nossa pobre realidade, do gerenciamento escravocrata de jogadores, manietados e agrilhoados a um sistema equivocado e limitador de suas mais autênticas capacidades criativas e de improvisação técnica e tática dentro de uma quadra de jogo, já que  propositalmente delimitados dentro da quadra de treino, onde a personalidade a ser exaltada é a do estrategista e seu alter e insuflado ego, sua prancheta, com a qual diz e exala tão pouco, que fico imaginando o que restaria sem a mesma, talvez a definitiva e realística mudez…

Logo, o que restaria a não ser o ressurgimento daqueles que realmente têm algo a dizer, a somar, a treinar, a ensinar, a dirigir e orientar com plenos conhecimentos de causa, que é e sempre foi o caminho percorrido pelas nações que lideram o grande jogo internacionalmente desde sempre, incapazes de privar seus jogadores do conhecimento e experiência adquiridos em anos e anos percorridos nas estradas de pedra da vida, aquelas que definem os verdadeiros e solitários líderes, que não delegam seu comando em nome de pseudas comissões, que não se omite das responsabilidades inerentes nas vitórias, e principalmente nas derrotas, onde a verdade verdadeira traça os rumos a serem seguidos, com autenticidade, independência e autoridade, que são os fatores primordiais para a formulação e exequibilização de uma verdadeira equipe desportiva, da modalidade que for, e mais ainda no grande jogo, onde o coletivismo somente fluirá através o extremo conhecimento do que isto representa. e que vai muito, muito além do que os que aí estão defendem, praticam e pensam conhecer…

Necessárias e estratégicas mudanças significam de saída um “basta”, um “chega” ao que aí está, e um recomeço pelo que nos falta, porém existente, bastando a coragem para ser resgatado, originando a pergunta final – tal coragem existe? Respondam se forem capazes…

Amém.

Foto – Divulgação CBB. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

 

A TEORIA NA PRÁTICA…

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Estamos à véspera de termos de volta a seleção masculina nos torneios internacionais, e logo uma importante Copa América, com técnico novo, com comissão tão nova quanto, promessa da nova direção da CBB, visando um novo tempo em nosso combalido basquetebol…

Veteranos e novas caras abundam para uma convocação de certa qualidade, onde sobram pivôs, como Nenê, Splitter, Varejão, Felício, Augusto, Lucas, Bebê, Faverani, Hettsheimeir, Alexandre, Guilherme, Jefferson, e mais alguns que podem ser lembrados, assim como armadores, Huertas, Fulvio, Raul, George, Derick, Benite, e alas a vontade, como o Alex, Marcos, Meindl, Lucas, Caboclo, Jimmy, Renato, Leandro e tantos outros, novos e mais experientes, cenário este que favorece plenamente uma convocação prêt a porter, ou seja, toda essa turma perfeitamente afinada com o sistema único, com seus manjados chavões desde sempre, nas movimentações punho, polegar, chifre, picks, camisa, e sei lá mais quantas denominações seis por meia dúzia, já que absolutamente iguais, a começar com um indefectível e solitário armador, dois alas e dois pivôs jogando mais fora do que dentro do perímetro, num carrocel repetitivo de uma mesmice endêmica aterradora, que compõem o eterno e limitado repertório “via prancheta” da esmagadora maioria dos técnicos nacionais, da base a elite, que teimosamente ousam duelar uns com os outros utilizando as mesmas armas ofensivas e até defensivas (quando existentes), estendendo-as até nos confrontos internacionais, onde o sistema único se constitui, com pontuais e importantes exceções, o lugar comum técnico tático existente, porém algo diferenciado pela maior qualidade de jogadores bem formados nos fundamentos básicos, fator nevrálgico na realidade de nossos jogadores, e que os situam sempre a beira de resultados nada positivos quando os enfrentam…

Então, desde já, e bem antes da escolha que deverá ser anunciada por estes dias, podemos com alguma precisão prever que, fora uma ou outra convocação discutível, o fator técnico tático em nada mudará, talvez a cor da hidrográfica a ser largamente utilizada, e a presença do novo logo da CBB impresso na onipresente e midiática prancheta, ora essa…

Como postei no artigo anterior, onde recordei o Desafio proposto em 2010 logo após o NBB2, relembro agora uma entrevista que dei ao Fabio Balassiano em seu blog Bala na Cesta pré UOL, logo após os dois primeiros jogos em que dirigi o Saldanha da Gama naquele NBB, quando o jornalista me perguntou algo instigante e desafiador, que passo a reproduzir:

(…)– Você tem adotado uma postura tática que muita gente conhece através de seus posts: dois armadores, três pivôs móveis. Como é isso em quadra? Fale, também, da sua “ordem” pelos não-chutes de três pontos e poucos erros. Essa pergunta, aliás, gera outra: será que é possível, sim, vermos uma seleção nacional com Nenê, Anderson Varejão e Splitter ao mesmo tempo, ou é devaneio?

— -Tenho aplicado esse, vamos conceituar, sistema, há muitos anos, e agora aqui no Saldanha, claro cumprindo o pré-requisito dos fundamentos, para que o mesmo se torne plausível. Os 22 erros do jogo passado ainda sinalizam a premente necessidade de praticarmos alguns fundamentos pendentes, passes e fintas. Se aceitarmos o lugar comum que setoriza um perímetro externo e outro interno, limitados pela linha dos três pontos, podemos determinar o externo como de ação direta dos dois armadores, em toda a sua extensão, e o interno como região prioritária dos três homens altos, que se rápidos, flexíveis e habilidosos com o manejo da bola, os tornarão em verdadeiros “arrietes” por sobre a defesa adversária, tanto no sentido incisivo à cesta (prioridade dos dois pontos), como no sentido contrário, de dentro para fora do mesmo, onde os arremessos de dois ainda serão os de maior eficiência, e mesmo os de três, executados por aqueles jogadores que realmente os dominam, de uma forma mais equilibrada e protegida. A integração destes dois setores aparentemente estanques é que conotarão a qualidade do sistema proposto, que como todo sistema aberto prioriza a técnica, a improvisação e a perfeita leitura de jogo, todas ações aleatórias, que são variáveis constantes nos desportos de contato físico. Quanto ao três jogadores mencionados, o Splitter, o Varejão e o Nenê, imagine-os jogando dentro do sistema que defini a seu pedido. Encaixe mais do que perfeito, mas não nos iludamos, é ousado demais para o gosto estratificado de nossos experts. O Magnano? Talvez…(…)

Como vemos, desde aquela época (na realidade dos fatos, bem antes, cerca de 40 anos desde que comecei a desenvolver o sistema), já propugnava uma radical mudança na forma de como todos atuavam, propondo uma maneira diferenciada e democrática de jogar o grande jogo, bem sei extremamente trabalhosa, pois partia do princípio de que todos os jogadores teriam de voltar a exercitar fortemente a prática dos fundamentos, a fim de se adequarem o melhor possível frente a uma proposta a que não estavam acostumados, sequer conheciam, o de jogarem em dupla armação e tripla presença dentro, muito dentro do perímetro interno, todos em constante e permanente movimentação com e sem a bola, fluindo de fora para dentro e de dentro para fora do mesmo, onde os passes de contorno praticamente inexistiriam, tornando as ações ofensivas incisivas e permanentemente em direção a cesta, de 2 em 2 e 1 em 1 pontos, assim como, se utilizando do princípio defensivo da linha da bola com flutuação lateralizada, sistema este que passado todos estes 12 anos nenhuma das equipes da nossa elite sequer tentou utilizar, ou por negligenciá-la, ou mesmo por não entendê-la, e na dúvida, com a aceitação de todas, partirem para o duelo dos arremessos de três deixando de lado contestações e desgastes defendendo cansativamente com as pernas, adotando os braços e a posição erecta, mais a vontade, vencendo aquela que acertasse a última bolinha, desencadeando a catástrofe em que se tornou o grande jogo entre nós, onde a convergência entre os arremessos de 2 e os de 3 praticamente atingiram o mesmo número de tentativas, numa escalada inversa e de uma mediocridade e falta de inteligência atroz…

Com a quantidade de jogadores altos, entre pivôs e alas, que ora atuam dentro e fora do país, e os bons armadores que agora temos, creio que nada impediria que atuássemos ofensiva e defensivamente diferentes dos demais, equilibrando a nossa inferioridade nos fundamentos, forçando a quebra de alguns dogmas que tornaram o sistema único num padrão universal, onde as duas ou três exceções (aí incluída a corajosa opção do coach K) plenamente justifica a regra geral, da qual teríamos de nos livrar para reacender ao lugar do qual nunca deveríamos ter saído, obra e arte do corporativismo técnico e tático que nos foi impingido de 30 anos para cá, e que ainda insiste em se manter absoluto e imperial, colonizado e hipnotizado por um jogo que não é, e jamais foi o nosso, e sim de um país que nos é radicalmente oposto, econômica, educacional, política e culturalmente em todos os sentidos…

Nomes serão anunciados em breve, e peço contrito aos deuses que permitam que uma nesga de coragem em inovar seja, ao menos, considerada, o que já seria uma enorme evolução ante ao cenário de mesmice endêmica que nos esmaga e humilha a tempo demais. Mas, será que temos um, ou nomes que encarem tão necessárias e estratégicas mudanças?  Para começar um “chega” seria de bom tamanho, ou não?

Amém.

Foto – autoria própria na Rio 2016. Clique na mesma para ampliá-la e acessar a legenda.

 

AS ENTRANHAS DO GRANDE JOGO…

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Grandes e pequenas notícias, entrevistas mil, abalizadas análises, pontos de vista a perder de…vista, novidades para o feminino, mais ainda para o masculino, prospectos de enterradas femininas no abaixamento das cestas, conceitos e projetos para as seleções, sonhos realizados, reuniões diretivas, promessas de marketing aprimorado, festivo, consumista, lucrativo, num turbilhão de achismos e certezas de sucesso…

Muito bem, mas, e a técnica de jogo, do jogo, como fica, como? Nenhuma lauda, uma linhazinha sequer, como se os fatos picarescos e circenses acima descritos fossem mais do que o suficiente para o reencontro do grande jogo tupiniquim com as glórias de um passado já um pouco mais distante, desde de quando caiu nas mãos dos estrategistas pranchetados, padronizados e formatados que aí estão, protegidos, irmanados,impolutos e inatingíveis, fincados pelas profundas raízes de um sistema anacrônico e equivocado, sombreado pela matriz de um outro jogo, de uma outra realidade econômica e cultural, de uma realidade antítese da nossa, pobre e carente de educação, de insumos, de investimentos, e de coragem para assumi-la, e por isso escravos da cópia canhestra, osmótica, de incapaz fuga para algo realmente proprietário, que já o fomos um dia, quando o mérito na maioria das vezes se fazia vencedor, escolhido e reverenciado, ao invés do deslavado protecionismo corporativista que tanto nos empobrece e humilha…

Fala-se às tantas nas “filosofias de jogo”, nos conceitos (?), no domínio e conquistas de sistemas modernos, quando de moderno mesmo fulgura a preparação física, quando jogadores ficam mais rápidos, saltam às estrelas, enterram com inaudíta violência, e arremessam cada vez mais distante, num pastiche comprometedor para o grande jogo, que cada vez mais prima pela monocórdia previsibilidade, vítima e refém da tenebrosa mesmice endêmica que insidiosamente se abateu sobre ele, tornando-o incapaz e engessado de criar, de improvisar, de se fazer e tornar brilhante como outrora, sendo esta a verdadeira razão do afastamento dos torcedores e admiradores desta outrora e inigualável modalidade de jogo coletivo, transformada numa vitrine de inflados egos dentro, e principalmente fora das quadras, que se transforma aos poucos em guerras miniaturizadas dos confrontos futebolísticos, insufladas por estrategistas emplumados e exibicionistas, que sabem muito bem como transformá-las em explosivos e perigosos sextos jogadores a apoiá-los irresponsavelmente…

E a pergunta que se nega a calar retorna – E a técnica de jogo, como fica, como?

Publiquei um desafio sete anos atrás, e nada mudou, sequer foi tentado mudar, pois não é do interesse mudar algo garantidor do “nicho profissional” graníticamente instalado, onde ao término de cada temporada trocas são feitas, de jogadores, de estrategistas, de americanos, e um ou outro latino, num seis por meia dúzia exatamente para continuar a mesmice endemicamente instaurada, com reflexos terríveis nas seleções, atuando e jogando como os mais fortes adversários, que com uma ou duas exceções praticam a mesma “filosofia”, o mesmo sistema único de jogo, porém com uma básica e estratégica diferença, a de manterem em alto nível suas formações de base, orientadas e dirigidas por professores e técnicos comprometidos com os fundamentos do jogo, e não voltados, como nós, ao sistema, a coreografia padronizada e formatada em todas as divisões, que nada ou pouco produzem, exatamente pela impossibilidade técnica dos jogadores em exequibilizá-lo pela fraqueza de seus fundamentos, ferramenta básica que não dominam, mesmo nas divisões de elite, e que não encontram ninguém que os ensinem, corrijam, por não saberem como fazê-lo…

John Wooden dizia que “uma equipe bem preparada nos fundamentos e somente neles, sempre se imporá a outra que pretensamente utilize sistemas de jogo sem um razoável domínio dos mesmos”, numa constatação cada vez mais negada, e até desconhecida pela maioria de nossos especializados estrategistas, e pela grande maioria da mídia, para os quais o entorno midiático que envolve o grande jogo se torna mais importante que sua verdadeira essência, campo limitado aos que o estudam, pesquisam e ensinam de verdade, e por isso marginalizados…

Numa recente matéria, a jogadora Hortência assim se manifestou – (…)A Rainha acha que falta também metodologia de trabalho na base. Para ela, as equipes devem ter o mesmo padrão de jogo do sub-11 ao adulto. Sem podar a criatividade, mas criando um sistema de jogo mínimo para que na mudança de categoria as garotas não sejam completamente reorientadas: “A menina do sub-15, quando chega no sub-17, precisa ter o mesmo método. Quando a jogadora chega no adulto, não tem mais o que corrigir. Já está adulta” (…).

Meus deuses, não é exatamente o que vem acontecendo nos últimos 30 anos de imposição do sistema único, quase sempre antecedendo, e mesmo substituindo o correto e básico ensino dos fundamentos individuais e coletivos do grande jogo, e que coerentemente se torna inaplicável exatamente pela ausência dos mesmos? Ela mesma assume e exemplifica seu arremesso com uma das mãos afirmando ser produto de sua enorme eficiência no mesmo o fato de ser o dedo indicador o último a tocar na bola em seus lançamentos, quando na realidade são dois, o indicador e o médio, os últimos a fazê-lo, e que por projeção final á frente da mão impulsionadora parece ser o indicador o último? Creio que nem ela própria tenha se apercebido deste detalhe, num dos fundamentos básicos do jogo, posicionamento idêntico ao de outro grande arremessador, o Oscar…

São princípios essenciais ao ensino dos fundamentos, dentre uma infinidade de outros mais, que não podem jamais serem substituídos por “jogadas e esquemas táticos” que fazem parte do corolário sistêmico, como polegares, chifres, punhos,etc,etc e tais, que extrapolam de insensatas pranchetas, verdadeiros biombos separando jogadores de técnic..digo, estrategistas que as abraçam enlevados, pois, segundo muitos, “elas falam”, e de tanto falarem é que nos encontramos mergulhados neste interminável, absurdo e grudento limbo…

Gostaria imenso que pudéssemos alçar voos maiores, corajosos e desbravadores voos, inusitados e criativos voos, embalados todos eles num pujante domínio dos fundamentos, para aí sim, termos segurança e conhecimentos básicos dos movimentos que alavancariam sistemas, ofensivos e defensivos, abertos e democráticos, onde um princípio proprietário pudesse florescer, o do improviso em torno e no bojo de quem sabe jogar, sempre respeitando o coletivo, campo somente acessível àqueles que amam, compreendem e dominam o grande, grandíssimo jogo, dentro e fora das quadras, e que infeliz e lastimavelmente não ser o nosso caso, mas até quando, até quando?

Amém.

Fotos – Série de detalhamentos sobre sintonia fina no controle de direcionamento do arremesso com uma das mãos, arte maior deste fundamento do grande jogo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

Artigos correlatos – Anatomia do arremesso I, II, III, IV, V e VI  (Clique em cada um para acessar os artigos)

 

O MVP…

P1010328-1A Liga Ouro chegou ao seu final, e o Botafogo ascendeu a liga maior, dependendo de uma avaliação financeira para disputá-la a partir de outubro próximo, com boas chances de atender as exigências necessárias, pois possui um bom ginásio para a temporada regular, e uma equipe nada inflacionada, cuja verba mínima de 1,5 milhão de reais seria o bastante para viabilizar sua participação, a não ser que ceda as investidas de agentes e complacência administrativa e técnica, prontos para promover seus midiáticos craques numa agremiação de tanta tradição e camisa, como sempre o fazem, começando em dispensar jogadores de segunda, na “opinião abalizada” de todos eles, substituindo-os pelos de primeira e nominados jogadores, como sempre acontece nas equipes que sobem para a liga maior…

E é nesse ponto que me insurjo com veemência, pois a maior parte dos jogadores que lutam e se desgastam ao máximo para vencer uma liga classificatória a elite, pouco ou quase nada devem em técnica a turma de cima, a não ser por um fator omitido pela maioria dos técnicos e jornalistas especializados, o de que ao jogarem todos num mesmo sistema de jogo, padronizado e formatado até o estado de pasteurização em que se encontra, vence e sobressai a equipe que consegue congregar um maior número de bons jogadores, permitindo uma rotação mais constante, para que a mesma se mantenha equilibrada pelo máximo de tempo possível, ao contrário de outras com rotações mínimas e carentes de maior experiência, além do fato de todas pecarem defensivamente, acionando pela extrema facilidade, a orgia desenfreada das bolas de três, a que todas aderem com vontade, tendo o beneplácito de seus técnicos e para o regozijo da mídia e dos torcedores menos entendidos do grande jogo. Agora mesmo nessa final, foram arremessadas 15/55 bolas de três, ou seja, 40 ataques perdidos, que numa final se torna imperdoável, não só na liga ouro, como também na liga maior…

Me parece que é do conhecimento de todos o que irá suceder na equipe vencedora, como em todas as que até agora ascenderam ao patamar maior, a substituição de muitos que lutaram a exaustão até a vitória final, por jogadores considerados e nominados que já participam da liga maior, numa manobra que fatalmente elevará significativamente valores contratuais, que na ótica dos agentes justifica um ganho maior pela substituição pura e simples de jogadores, no que acertam em cheio, pois num cenário em que existe uma única forma de jogar institucionalizada, somente terão lugar no mercado aqueles que fazem parte do sistema, do escambo, do unificado conceito de mercado existente, quando na realidade de quem realmente conhece e avalia coerentemente jogadores, todos se equivalem no que aí está implantado, mas se mostrariam bastante diferenciados se sujeitos a outras formas de jogar o grande jogo, principalmente se atuassem  num sistema proprietário, ousado e inovador, onde insuspeitadas qualidades aflorariam, e a criatividade e o improviso consciente encontrariam espaço para se impor…

Esta dura realidade, expõe bons e valiosos jogadores a injustas situações de subavaliações e equivocados julgamentos técnico táticos, cujas performances seriam bem mais evidentes se submetidos a sistemas diferenciados de jogo, onde insuspeitadas qualidades seriam evidenciadas, exatamente por fugirem da mesmice endêmica que tanto empobrece e limita o grande jogo aqui praticado, sintonizando todos a uma melancólica e monocórdia repetição de um sistema único de jogo, com suas jogadas de passo marcado, descerebradas e monitoradas de fora para dentro das quadras através ininteligíveis e absurdas pranchetas…

P1150302 - CopySintetizo melhor essa realidade com a escolha do jogador mais valioso (MVP) nessa final, premiando o americano Jamal com seus malabarismos e força muscular, realmente elogiáveis, porém bastante longe da estratégica importância de um jogador frequentemente subavaliado, como mencionei acima existirem muitos em nosso país, o Roberto, que arrumou, bloqueou e comandou a defesa interna, ajudando com sua experiência no perímetro defensivo externo também, atacando e reboteando com rara eficiência no ataque, e não poucas vezes partindo para o contra ataque com a bola dominada, em ações de alta qualidade e exemplar sobriedade, mesmo nas pontuais enterradas e oportunos bloqueios, e que aprendi a admirar quando o treinei no Saldanha no NBB2, e que dentro do sistema lá desenvolvido de dupla armação e uma trinca de alas pivôs, protagonizou magníficas atuações, como logo em seu segundo jogo em São Paulo contra o Paulistano nessa nova forma de jogar, sendo escolhido o dono da bola pelo site da LNB naquela rodada. O Roberto é um jogador que, assim como muitos, é sempre minimizado pela incompatibilidade de suas habilidades frente ao sistema limitado e robotizado que é utilizado massiva e padronizadamente por todas as equipes, da base a elite no país, e que, infelizmente,  ainda se fecha rigidamente a soluções que o contradigam, já que tem de manter o status vigente, base do corporativismo técnico que o sustenta, para a infelicidade do grande jogo entre nós. Logo, na opinião desse humilde blog, o jogador mais valioso da final foi, sem dúvida alguma, o Roberto.

Amém.  

Fotos – Fotomontagem da LNB quando nomeou o Roberto como o Dono da Bola da terceira rodada do returno do NBB2 no jogo contra o Paulistano, atuando pelo Saldanha da Gama.

Flagrante do jogo final contra Joinville numa reprodução da TV, atuando pelo Botafogo.

Clique duplamente em ambas para ampliá-las.

 

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