A SUTIL OBVIEDADE…

 

SuzanovsBrasilia_IMG_2336-640x426Publiquei há alguns anos o artigo Engenharia Reversa, que seria interessante ser revisto, para que esse de hoje fosse entendido em toda sua extensão, pois se trata de um assunto básico para o desenvolvimento técnico tático do nosso basquetebol, que necessita com a máxima urgência se livrar dos grilhões do sistema único de jogo, utilizado às raias da exaustão em nosso país…

Comentaristas e narradores televisivos e da mídia, tem divulgado com imensa satisfação o grande equilíbrio nas rodadas iniciais deste NBB10, como prova inconteste da enorme evolução técnica das equipes em confronto, apresentando, inclusive, resultados surpreendentes por parte de franquias com ranqueamento inferior às que sempre lideraram as temporadas, face a investimentos muito superiores em jogadores e técnicos nomeados como os melhores entre nós, além de contratações cada vez mais amplas de muitos americanos, e alguns latinos, infestando cada vez mais equipes que, em alguns casos entram em quadra com três deles e dois nativos, não sendo novidade nenhuma estarem seis deles atuando ao mesmo tempo, desvirtuando, em muito, a decantada premissa acerca de nossa evolução…

Mas, bem para lá dessa triste realidade, um fator de sutil obviedade não é sequer relacionado para análises dos jogos até aqui realizados, o por que de algumas equipes consideradas “top de linha”, estarem sendo derrotadas, algumas fragorosamente, ante outras tidas e havidas como inferiores, preferindo os tonitroantes arautos da técnica nacional, mencionarem o salto qualitativo do grande jogo, de seus técnicos e jogadores, fugindo, ou ignorando os reais motivos de tanta e pujante “evolução”…

Se tiveram a paciência, ou curiosidade de ler o artigo sugerido acima, poderão entender a sutil obviedade que ele exemplifica analogamente, e que tentarei explicar. Desde muito aprendi, estudei, apliquei e sempre divulguei o princípio de que sucedendo a toda evolução técnica ofensiva, através sistemas bem planejados de jogo, emerge uma contrapartida defensiva da mesma intensidade, gerando ajustes compensatórios, que são os fatores básicos ao desenvolvimento do grande jogo, e de todo desporto coletivo. Um sistema novo ofensivo, gera outro defensivo para enfrentá-lo, ou mesmo anulá-lo, gerando uma troca de influências, fundamentais ao progresso técnico da modalidade…

Então, o que estamos assistindo, com um substancial atraso de dez anos, é o fato de que algumas equipes começam a se utilizar de alguns princípios de engenharia reversa, pela antecipação defensiva às jogadas marcadas do sistema único, que como tal, sendo praticado por todas as equipes em confronto, são similares entre si, principalmente pela utilização das mesmas jogadas e movimentações coletivas, gerando uma uniformidade e previsibilidade tática generalizada, sendo passíveis de interceptações em suas linhas de passes, responsáveis pelas coreografias de passo marcado desenvolvidas e exigidas pelos estrategistas, através, inclusive, de explanações gráficas em suas midiáticas pranchetas, que entra ano e sai ano em nada mudam, quiçá inovam, a não ser a agregação de um palavreado cada vez mais chulo e vulgar, fato aceito por narradores e comentaristas como “naturais” face às pressões inerentes a competição, numa reprovável e lastimável cumplicidade com os mesmos…

No entanto, esta evolução defensiva que deveria vir acontecendo desde sempre, encontrou na sua permissividade o campo ideal para o surgimento da festança autofágica das bolinhas de três, lançando o nosso indigitado basquetebol ao estágio em que se encontra, no famigerado “chega e chuta” desenfreado e altamente irresponsável, até que num tênue lampejo de inteligência, uns muito poucos começam a desconstruir o próprio sistema de jogo utilizado, percebendo o quanto de eficiência defensiva pode ser agregada pela antecipação à movimentação tática de seus adversários, gerando eficiência defensiva e resultados mais eficientes ainda, principalmente contra equipes mais bem ranqueadas…

Eureka ! Faz-se a luz, e muitos poderosos começam a ruir, pelo simples fato de trilharem os mesmos caminhos a cada ataque realizado, tentando emular as trilhas rabiscadas nas pranchetas manjadas de seus estrategistas, não muito diferentes das que enfrentam, pois é tudo igual, a não ser pela sutil obviedade que está sendo descoberta, o porque não desconstruir as estratificadas trilhas, repetitivas, gestualmente mais do que previsíveis, e por isso facilmente de serem fragmentadas, por que não interceptá-las ?…

É isso aí, prezados estrategistas, já se torna tardio o momento de fugir da mesmice endêmica que implantaram impunemente até os dias de hoje, pois como sempre afirmei, e agora repito – Que sucedendo a toda evolução técnica ofensiva, através sistemas bem planejados de jogo, emerge uma contrapartida defensiva da mesma intensidade, gerando ajustes compensatórios, que são os fatores básicos ao desenvolvimento do grande jogo – Então mãos à obra, estudem o sistema que utilizam, desconstrua-o passo a passo, e treine seus jogadores a o negarem, mesmo que teimosamente continuem a usá-lo, para enfim obter o antídoto para o mesmo, e quem sabe encontrarão algo de novo, intuitivo, ousado, e acima de tudo, evoluindo acima da mesmice endêmica em que dormitam desde sempre…

Esta era uma das minhas metas a ser alcançada no comando do Saldanha no NBB 2, e que me foi negada, não só esta, como as demais, que muito ajudariam na fuga de tudo o que aí está formatado e padronizado por um comportamento medíocre e corporativo, típico de todos aqueles que negam o pensar, o novo, a inquestionável e sutil obviedade…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

NOVIDADES SEM FUNDAMENTOS? NÃO VALE…

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Oi Paulo, que tal as novidades que se acumulam a cada ano do NBB, tornando-o hoje um produto, como afirmam, de primeira? Com este chamado do amigo sócio benemérito deste humilde blog, sou forçado a tecer alguns comentários sobre tais novidades, mas não antes de reforçar minha opinião de que ainda continuaremos afastados da matriz por um bom par de décadas, sem perspectivas de evolução antes deste prazo, e talvez nunca, pois são realidades tão diferentes, que inviabiliza a compreensão colonizada da turma fascinada por algo poderoso que a manipula a seu bel prazer e interesses, de uma forma metódica e estratégica…

Metódica, porque sedimenta a cada temporada, os princípios técnico táticos do que definem como “basquete internacional”, realidade sistêmica padronizada e formatada pelo corporativismo vigente, imune a novas interpretações do grande jogo, num clube fechado composto por técnicos, jogadores, diretores, agentes, empresários e mídias, que a mantém intocada…

Estratégica, pelo fato direto de ser nosso país um mercado futuro promissor aos declarados interesses da matriz, não fosse nossa liga atrelada de maneira única no mundo basqueteiro à mesma, e que ensaia atrevidamente, inclusive, incidir no desporto escolar, numa ação que não lhe diz respeito a nível constitucional…

Visto e colocado isto, quais novidades são estas que apregoam estar fazendo evoluir o grande jogo entre nós? Segundo a mídia dita especializada, a introdução de espetáculos de entretenimento para o público (?), até circenses, líderes de torcida, mascotes, premiações, estão gerando maior interesse pelos espetáculos, trazendo para as quadras assistentes que os valorizam até mais que o jogo em si, atraindo cada vez mais os diferenciados torcedores de futebol, com sua cultura violenta e passional, desvirtuando a tradição desportiva do basquetebol, onde a imagem de um alambrado soa como uma injúria, assim como as agressões verbais e físicas comuns aos mesmos, mas que mesmo assim mantém os ginásios e arenas semi vazios. Basqueteiros de verdade são adeptos do quinto tempo, quando discutem técnica e taticamente suas equipes, com respeito e acima de tudo, educação. Foi sempre assim, e deveria continuar sendo assim, mas no entanto se ausentam pelo péssimo nível das partidas, pois emoções dissociadas da técnica, não vale…

Mais novidades? Vejamos, a cópia canhestra e fora de nossa cultura na apresentação de nossas equipes, em tudo e por tudo emulando as americanas, com suas rodinhas tribais, túneis e cumprimentos movidos a tapas e peitadas, e claro, as reuniões midiáticas de técnicos e jogadores em quadra antes da bola subir, ações estas que deveriam ter ocorrido nos vestiários, assim como a última novidade, as reuniões de técnicos e assistentes nos pedidos de tempo, deixando os jogadores com um mínimo de segundos que sobram de tão “importantes e básicos” encontros, demonstrando a cada temporada que passa a perda de comando consciente e determinante de um técnico de fato. Mas que diferença pode fazer se todos eles pensam e agem dentro da formatada padronização de onde se originaram como jogadores?…

Então caro amigo, que novidades foram estas, senão um baita atraso, retrocesso mesmo, diante do que éramos como verdadeiros conhecedores do grande jogo, ou não?…

 

P1010302-1Então, sem fundamentos e presos a um sistema único de jogo, quais as novidades que tanto apregoam, quais? Transformar um segundo armador em ala, mantendo a integralidade dos chifres, punhos e camisas? Não vale. Arriscar timidamente atuar com dois pivôs, dissociados pelas distâncias, mantendo-os na linha dos três pontos? Não vale. Abrir os cinco para ter mais espaços, a fim de chifrar desordenadamente em penetrações onde as técnicas no controle de bola e do corpo inexistem? Não vale. Deixar um pivozão sozinho e de costas enquanto o restante da equipe aplaude? Não vale…

Porém, o que deveria valer, de verdade, seria o reestímulo ao treinamento severo dos fundamentos para todos, adultos e jovens, orientados por quem realmente conhece fundamentos, para que conhecessem e dominassem as ferramentas básicas do jogo, o corpo e a bola, nessa ordem, para que bem mais tarde se colocassem a serviço consciente de sistemas de jogo criados para destacar suas competências, e não os acorrentarem a um sistema no qual qualquer deslocamento ou ação parte dos devaneios infantis e descerebrados de estrategistas e suas midiáticas pranchetas, num espetáculo chinfrim de desconhecimento quase total do que venha a ser o grande jogo, aquele em que a criatividade e o improviso se sobrepõe ao passo marcado, pois só improvisa que sabe, quem domina a arte de jogar basquetebol ensinada e aprendida através do esforço e dedicação de uma vida, cujos exemplos em quadra e fora dela sempre foram os assuntos discutidos nos quintos tempos, pelos verdadeiros torcedores, hoje ausentes em jogos previsíveis pela mesmice endêmica que se apoderou inexoravelmente dele, até um dia em que…

Meus deuses, até quando, até quando?

‘Amém.

Fotos  Reproduções da Internet. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

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