REBUILDING…

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Em maio de 2011 publiquei um artigo (aqui) sobre esse bom prospecto de jogador, que recomendaria que lessem antes de prosseguirem adiante, e mais, atentando para os preciosos comentários no mesmo, quando um posicionamento contrario ao futuro desse jovem é enfocado e discutido como muita propriedade.

E por que volto ao assunto, quando interesses ligados à NBA pouco me sensibilizam, por se tratar de um outro jogo, de uma outra realidade, onde o fator econômico em muito supera e submete o fator desportivo, substituído pela destinação política auferida ao mesmo pela grande nação do norte, por sua poderosa influência junto aos jovens do mundo?

Volto pelo inconformismo por tal influência, que de tão poderosa, evita em seu âmago as mesmas sindicâncias antidopagens  realizadas pela senadoria do congresso americano, que vem intervindo forte e drasticamente nas mais diversas ligas desportivas, cassando medalhas olímpicas e títulos mundiais de muitos de seus atletas de ponta, e que regateia sua intervenção junto a NBA, por ser aquele desporto que mais promove e divulga a marca USA junto aos jovens de praticamente todo o mundo, cuja influência poderia sofrer um enorme baque e desastroso desgaste político econômico se tal investigação comprovasse o que muitos já sabem.

Mas, e o Bebê, o que tem a ver com tudo isso? Bem, lendo a entrevista do jogador ao jornalista Fabio Balassiano no blog Bala na Cesta, um fragmento da mesma elucida o atual posicionamento do jogador, principalmente se comparada com a outra reportagem mencionada acima, quando comenta, em oposição ao seu desejo de ser um ala pivô desde sempre – (…) embora Lucas mesmo reconheça que neste primeiro momento o fundamental para ele seja ganhar massa muscular pra enfrentar gigantes como Dwight Howard, Joakim Noah, Andrew Bynum etc.(…)

Então, o que veremos daqui para diante será uma metamorfose acintosa deste jovem ai retratado (compare essa foto com qualquer outra dele daqui a alguns meses), quando uma grande massa muscular lhe será implantada (não esquecer que seus tendões e articulações continuarão os mesmos, mas circundados pela tal da massa pretendida…), o que fatalmente acarretará num breve espaço de tempo os possíveis rompimentos de praxe, como os que ocorrem na maioria dos “inchados de plantão”, mas nada que não seja compensado pelos milhões amealhados e sofregadamente divididos pelos seus mentores, administradores e dependentes, numa bem azeitada indústria do faturamento às custas da incultura e inexperiência de muitos jovens, como ele…

Triste assistir a um ala pivô,  por desejo e sonhos próprios, talentoso, rápido e atlético, cedendo espaço a mais um fabricado brutamontes, a fim de distribuir tocos, enterradas e muitas cotoveladas (fico imaginando como seria um atleta dessa altura e envergadura, bem treinado e orientado, atuando de fora para dentro do perímetro, inclusive na NBA, pleno de habilidades no drible, nas fintas, nos passes, nas conclusões em velocidade…), para gáudio de uma minoria que bem lá no fundo odeia o grande jogo bem jogado, e que em hipótese alguma abre mão de vultosos lucros, ao preço que for.

Quanto à seleção, seu coração “doerá” a cada recusa em servi-la, como prescreve o bom e já bem conhecido discurso da maioria  daqueles que lá chegaram…

Que os deuses o ajudem e preservem, se puderem.

Amém.

Foto – Bala na Cesta. Clique na mesma para ampliá-la.

AH, OS FUNDAMENTOS…

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Se um jogador corre em alta velocidade driblando uma bola, olhando para ela (e não a vendo em visão angular), sem alternar ritmos e pequenas negaças, ou mesmo mudando de direção com troca de mãos, sem a cabeça erguida e olhos visionados perifericamente quando em estreita presença adversária, semi pressionado, perdendo ou mesmo tropeçando na mesma, poderemos dizer com propriedade, que ele não domina o drible, o mesmo ocorrendo quando executa passes paralelos à linha final, ou o faz sem uma finta antecedente, que não conhece bem as técnicas do passe, ou quando troca de mãos num corte sob pressão, sem concomitantemente executar um passo atrás,  estabelecendo a distância mínima necessária para ultrapassar a marcação, sua inabilidade nas fintas, ou que, num rebote, ofensivo ou defensivo, visa prioritariamente a bola, em vez do posicionamento antagônico, e mais, quando em posicionamento e deslocamento defensivo frente a um habilidoso atacante, permite situar seu centro de gravidade na borda, ou fora da área ocupada e delimitada por seus pés na quadra, concluiremos enfaticamente que, de fundamentos ele pouco sabe, ou mesmo entende, pois pouco ou nunca foi ensinado a dominá-los com alguma propriedade.

Podemos ir um pouco mais longe quanto aos arremessos, onde empunhaduras, controles direcionais, domínio do eixo diametral, e pleno conhecimento dos ângulos de incidência e reflexão em impactos nas tabelas, cedem o mais absoluto espaço à estética, à beleza gestual, ao “estilo”, às majestosas enterradas, ou à volúpia descabida dos longos, temerosos e altamente imprecisos arremessos de três, quando, na contramão de toda essa maquiagem, desequilíbrios e variações limites do centro de gravidade podem ser altamente compensados pelo pleno conhecimento da arte de arremessar uma bola à cesta, bastando para tal o mais pleno ainda conhecimento das técnicas inerentes ao mesmo, e as maneiras mais efetivas e eficientes de ensiná-los, tanto quanto os demais fundamentos do grande jogo.

Somemos a todo este conhecimento dos fundamentos individuais, às variáveis inerentes aos fundamentos coletivos, onde a verdadeira base de uma equipe é forjada por igual, quanto ao domínio técnico do ferramental de todos os seus componentes, os fundamentos, é que poderemos aquilatar o potencial da mesma para desenvolver e dominar sistemas de jogo, ofensivos e defensivos, que sem aqueles não funcionarão, sequer no mais rasteiro nível primário, quanto mais nas megalomaníacas “estratégias de prancheta”, foco inatingível e fantasioso de técnicos que teimam aprender a dominar os caminhos do grande jogo por osmose.

Então, frente à realidade dos números estatísticos que têm sido apresentados nos recentes embates na LDB, e nos campeonatos internacionais sub’s 17, 18, 19, e não sei mais quantos outros, masculinos e femininos, poderemos concluir, e mesmo projetar uma realidade nada encorajadora para um futuro logo ali na esquina, 2016, onde deveriam ser alcançados os resultados de um bem planejado e desenvolvido projeto de soerguimento do basquetebol nacional, em vez da reafirmação de uma política de favorecimentos e corporativismo voltados ao interesse de uns poucos, rudemente dissociados dos muitos que poderiam estar inseridos no grande e ansiado projeto da formação de base, sem a qual iremos, inexoravelmente, de encontro ao fiasco e ao fracasso, com a mais absoluta certeza.

Complementando, dois exemplos práticos, começando com nossa, e ainda na luta classificatória, seleção feminina sub 19, que amanhã cedo joga suas esperanças contra a forte equipe francesa, num jogo que, mesmo de longe e sem qualquer registro visual, tem apresentado uma razoável proposta ofensiva, minimizando os arremessos de fora do perímetro, e priorizando o jogo interno, conseguindo bons resultados, mas que conta contra si uma media absurda de mais de 20 erros de fundamentos por jogo, prostrando ao solo seus esforços de tentar ir mais além, num equivocado carrossel de repetidos erros e óbices na preparação de nossos equipe de base, mas que poderá,  no caso de uma difícil, mas não impossível correção de técnicas individuais ( muito difícil de acontecer por se tratar de hábitos pouco efetivados, e somente enraizados através um longo aprendizado), assim como uma drástica mudança na forma de jogar “dentro” da defesa francesa, sem dúvida alguma, o grande obstáculo.

O outro exemplo fica bem claro nos números apresentados na segunda fase da LDB, se comparados com os da primeira fase, aqui descritos:

 

– Arremessos de 2 pontos – 1519/3257 (46.6%)

– Arremessos de 3 pontos –   497/1685  (29.4%)

– Lances Livres                 –  1053/1631 (64.5%)

– Erros de Fundamentos    –  1031 (23.9 por jogo)

Nota – Números de 88 jogos, pois dois deles não foram publicados pela liga (Goiânia x Limeira e Ginástico x Vitoria-ES)

 

Se somarmos e tabularmos com os jogos da primeira fase, teremos:

 

– Arremessos de 2 pontos – 3136/6986 (44.8%)

– Arremessos de 3 pontos –    968/3388 (28.5%)

– Lances Livres                 –   2220/3352(66.2%)

– Erros de Fundamentos    – 2327 (26.4 por jogo)

 

Logo, o retrato não é nada animador, ainda mais se tratando de uma divisão sub 22, mas que aceita jovens desde a sub 17, e que inclusive tem como participante uma equipe, Limeira, que apresenta os seguintes números em 8 jogos, numa convergência espantosa:

 

-Arremessos de 2 pontos – 67/157 (42.6%)

– Arremessos de 3 pontos – 50/187 (26.7%)

– Erros de Fundamentos   –  78 (15.6 pj)

 

E também uma equipe que não venceu um único jogo, Vitoria-ES, perdendo-os com placares muitas vezes acima dos 30 pontos. Por conta de tão eloquentes exemplos, fico pensando quão equivocada foi a determinação da LDB obrigando a permanência por duas temporadas dos jogadores nas equipes participantes, num critério punitivo para muitos deles, pela mais do que deficiente fraqueza de algumas franquias em seus projetos técnicos na preparação dos mesmos.

Enfim, todo o panorama acima descrito e enumerado, tem como denominador comum um único fator, a ausência quase geral de um domínio aceitável dos fundamentos do jogo, sem os quais estaremos sendo levados para cada vez mais fundo na mesmice endêmica que nos tem esmagado, neles e nos sistemas, aliás, pelo único sistema que professamos contrita e colonizadamente falando. Não à toa a NBA acaba de selecionar um bom numero de nossos mais talentosos prospectos para moldá-los à sua imagem e semelhança num formidável Camp em São Paulo, e já providencia a “musculação” de um ingênuo Bebê, para trilhar o caminho dos lesionados Nenê, Varejão, e outros mais que arriscam sua integridade em troca de alguns milhões de dólares, que devem valer o sacrifício para os mesmos, e principalmente para os que os empresariam, sem ter de levantar uma única grama de ferro, noves fora os eternos enamorados da liga americana, bailando e embalados em seus sonhos de fictícias e infantis quimeras projetadas na carreira dos mesmos, bem, muito bem ao largo do que aqui existe de real e factível, além da flagrante constatação de que para a grande maioria daqueles jogadores pertencentes à liga matriz, a seleção nacional jamais será uma prioridade, talvez uma midiática concessão…

Temo que cada vez mais nos afastemos do que deveria estar sendo desenvolvido junto aos nossos jovens, a verdadeira e transcendental estratégia visando o soerguimento do grande jogo em nosso país, mas quem sabe para, 2020…

Até lá, que os bondosos e ainda pacientes deuses nos ajudem.

Amém.

Foto – Divulgação FIBA. Clique na mesma para ampliá-la.

DE 2 EM 2 = 96 PONTOS…

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Constatar que num campeonato mundial, uma seleção brasileira, ainda mais feminina, arremesse numa partida inteira, e contra uma seleção tradicional como a Coreia, somente duas bolas de três pontos (0/2), e mesmo assim atinge, de 2 em 2 e de 1 em 1 os 96 pontos (o resultado foi de 96×81), é uma alvissareira notícia, empolgante mesmo, pois confirma o que venho defendendo a anos aqui nesse humilde blog, e provei na quadra de jogo no NBB2, que a hierarquia dos arremessos se inicia do mais perto, para o mais distante, não só pelo fator precisão, muito mais pela participação coletiva de toda uma equipe, que para exequibilizar uma cesta de curta distância necessita do trabalho dedicado de todos, e não da exibição extemporânea de “falsos especialistas” da mais complexa arte do basquete, os arremessos de longa distância, campo restrito a muito poucos “realmente” especialistas.

E mais, que a estratégica necessidade de se valorizar cada sacrificado e trabalhoso ataque com pontos mais precisos e de frequência elevada, ao contrário da quase sempre baixa produtividade dos longos arremessos, deveria obrigatoriamente priorizá-los, numa escalada mais profícua e eficiente, e acima de tudo lastreada pelo bom senso tático, e por que não técnico também.

Mas apesar da manutenção de um elevado e incrível número de erros de fundamentos (23 para cada equipe), propiciando inclusive inacreditáveis 27 roubadas de bola (15/12), o simples e objetivo fato da conquista de tão elevado placar sem a conversão de uma única bolinha (as coreanas tentaram e conseguiram um 2/17), por si só demonstra uma clara evolução na perfeita leitura de uma inquestionável verdade, a de que deve toda qualificada e bem treinada equipe procurar sempre a otimização de cada ataque realizado, façanha esta somente atingida através conclusões as mais precisas possíveis, campo irrestrito dos arremessos de médias e curtas distâncias, reservando-se os de longa distância àqueles poucos versados jogadores nos mesmos, e mesmo assim em situações construídas para que sejam realizados nas mais perfeitas situações de liberdade e equilíbrio, sendo dessa forma corretamente definidos como ações complementares, talvez suplementares, jamais prioritárias para quaisquer equipes, de divisões que forem, principalmente em seleções.

Torço para que tão ansiada e esperada conquista não se torne um fator simplesmente pontual, e que se transforme realmente num patamar construído, pensado e praticado em direção ao domínio da eficiência e da elevação na arte de jogar o grande jogo, como deve ser jogado.

Amém.

Foto – Divulgação FIBA. Clique na mesma para ampliá-la.

E ELAS CAIRAM…

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Venceram, as meninas venceram, formidável, começaram bem, classificando podem aspirar o pódio, é uma bela geração…

Tudo bem, legal, mas, como afirmar excelências sem que vejamos os jogos, sem podermos avaliar ações, atitudes, posicionamentos, produtividade, como?

Sobram as estatísticas, frias, cortantes, subjetivas no plano técnico, mas profundamente objetivas quanto à realidade do que realmente ocorre numa partida, apontando acertos e erros, apontando o caminho futuro face aos mesmos, para o bem, e infelizmente também para o mal.

E os erros, esquecidos pela mídia lá estão, enumerados, frios, cortantes, num jogo amarrado em pontos, mas eivado de muitos erros de fundamentos, para ambas as equipes, somando incríveis 48 (23 para nós, 25 para as russas), com 25 roubadas de bola (13 e 12 respectivamente), demonstrando que dribles e interceptações de bola compuseram o cardápio azedo de um jogo medíocre, mas desequilibrado nos rebotes, onde as russas mais altas faturaram 47 contra 34 das nossas, porém equilibrado nas percentagens de arremessos (15/45 nos de 2 para nós e 17/43 para elas, e 9/17 contra 14/21 nos lances livres respectivamente), onde o diferencial foi estabelecido nos arremessos de 3, quando as bolinhas verde e amarelas caíram (9/16) e as das russas em menor numero (5/15), determinando o resultado do jogo, 66×63…

Fica então, bailando no ar a pergunta que não cala, mas consente o continuísmo de uma realidade que tão bem conhecemos, e iludidamente pensamos dominar – E se nos próximos jogos elas não caírem? Pois se dependermos dos fundamentos, base e alicerce de qualquer sistema de jogo que se escolha, ofensivo e mesmo defensivo, pouco avançaremos, agora, e para mais adiante, quem sabe, 2016, mas as bolinhas, essas, quem sabe…

Amém.

Foto – Divulgação FIBA. Clique na mesma para ampliá-la.

ROMÊNIA TAMBÉM?…

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Enfim, conseguimos perder para a Romênia, que sempre foi um país unificado, logo, a desculpa de que a Iugoslávia e a Rússia geraram nações fortes no basquetebol, justificando nossas freqüentes derrotas para os mesmos, não se aplica nesse caso, inaugurando mais um ciclo de equívocos que vem caracterizando nossa desdita sempre focada nos “detalhes”, ainda mais quando se trata da badalada seleção de novos, dirigida e orientada pela cúpula técnica da seleção principal, sendo todos os jogadores universitários de carteirinha, que, a exemplo da matriz americana, estudam para valer num período, e treinam num outro, como deve (?) ser, a fim de disputarem uma Universiade, que é uma competição séria e tradicional no universo acadêmico a que pertencem aquelas nações comprometidas para valer com a educação de seus cidadãos.

Mas como dizia, perdemos o 5º lugar para os romenos, e disputaremos o 7º  hoje com os estonianos, numa participação medíocre em se tratando de uma seleção composta por jogadores com boa experiência em competições de alto nível, como o NBB…

Neste ponto, convido o leitor a dar uma boa olhada na tabela acima, com os dados contabilizados nos sete jogos até aqui realizados, quando enfrentamos, chineses, finlandeses, lituanos, canadenses, prestando atenção em alguns “detalhes” para lá de interessantes, como o fato de obtermos 60% de eficiência nos arremessos de 2 pontos (166/276), contra 43% (117/272) de nossos oponentes, e 32% nos de 3 pontos (52/164), contra 28% (43/156), numa clara evidência de um melhor e mais confiável jogo interior, que se continuado fosse teríamos ido mais longe na competição. Basta olharmos o excesso de alguns jogadores nos arremessos de 3, com marcas de 11/32, 9/29, 8/20, 2/14, 5/18, 2/13, 1/9, para atestarmos o alto grau de aventuras nas bolinhas cometidas e consentidas por uma seleção nacional, que em nenhum momento sofreu um basta por parte de seus técnicos, permitindo que uma equipe que atinge a marca de 302 pontos dentro do garrafão, contra 186 dos adversários nos cinco primeiros jogos, opte por arremessos de três da forma mais dispersiva e irresponsável possível, em vez de concentrar maciçamente  seus pontos no jogo interior, onde sua eficiência era mais marcante e decisiva, para de 2 em 2 vencer partidas. Mas seu técnico, campeão nacional, afirmava numa outra ocasião em uma entrevista, que contava com os arremessos de fora por parte de seus especialistas, pois o que valia era a qualidade e não a quantidade das bolinhas. Pelo visto falharam ambas, para menos e para mais na seleção, o que é de lamentar.

Ah, e em tempo, acabamos de perder para a Estônia (quando detonamos 7/30 nos 3…), leram bem? ESTÔNIA!!!!

Estamos roubados, e mal pagos, mas merecemos, e como…

Amém.

Fotos – Divulgação Universiade. Clique nas mesmas para ampliá-las.

OS FUNDAMENTOS DE TODOS?…

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Professor Paulo,

Acredito que o senhor certamente irá escrever algum artigo sobre a entrevista dada pelo Rafa Monclova, publicada no Território LNB (http://lnb.com.br/territorio/entrevista-exclusiva-com-rafa-monclova/). Muito interessante a opinião do técnico espanhol, que enfatizou bastante a importância do aprimoramento da técnica/tática individual para a formação de bons jogadores.

Um abraço,
Lucas Diego.

 

 

Bom dia professor, gostaria de saber se o Sr leu a entrevista do Sr. Rafa Monclova, tec do Cajasol Sevilla no site Territorio LNB/NBB? O Sr Rafa fala muito de um assunto que o Sr sempre defende aqui, que é o apuramento da tecnica individual na formação dos nossos jogadores em detrimento da massificação de jogadas. Interessante a visão de um tecnico espanhol e dá pra ver a diferença de mentalidade.

Antonio Ferreira

 

Não só li, como estava com o artigo quase pronto ao receber esses comentários veiculados no artigo anterior, e que me fez repensar a forma como o abordaria, inicialmente com uma forte critica ao aspecto contraditório na fala do referido técnico no teor da entrevista, quando defende enfaticamente a pratica dos fundamentos para todos os jogadores, independendo de posições em que atuam, como ferramental básico de suas evoluções técnico táticas, em confronto com sua clinica para jogadores e técnicos da LDB, onde setorizou e aplicou os exercícios de fundamentos por posições, armadores, alas e pivôs, perdendo uma excelente oportunidade de reiterar e gravar na mente de todos os participantes a necessidade da pratica generalista dos fundamentos, conforme sua explanação anterior.

Bem, concordo que exercícios especiais de fundamentos devam ser ensinados e praticados por armadores, alas e pivôs, mas em etapas mais avançadas, paralelas e decorrentes do desenvolvimento dos mesmos, que não é o caso da maioria das equipes da LDB, onde se erra em demasia nos fundamentos básicos, priorizando a diversidade no ensino para as categorias menores, como o fazem na Espanha (vide as declarações do prof. espanhol) e na Europa em geral, reiterando e concordando com o mesmo ser o habito da pratica generalista, com a participação não setorizada de todos, se constituir na base de todo plano sério de treinamento, inclusive auxiliando em muito na preparação física, com o melhor dos dois mundos, a posse e contato permanente com a bola, e a movimentação enérgica e profunda de todos os segmentos articulares e musculares do corpo em desenvolvimento, complementado pelo controle e equilíbrio mental necessários para a evolução harmônica e rítmica de todos os jovens, e por que não adultos também, no processo de ensino e aprendizagem do grande jogo.

Lamento porém, que somente sejam reconhecidos como válidos e avançados os sistemas e métodos de treinamento vindos do exterior, como algo inusitado e revolucionário (o que absolutamente não o é, já que clássicos), mesmo existindo no país profissionais capazes e competentes na preparação de jogadores, e que nunca foram reunidos e ouvidos em projetos de formação de base, sendo afastados e negados coercitivamente do meio basquetebolístico, substituídos por técnicos formados, formatados e padronizados em cursos de 4/5 dias, e  estrangeiros que não oferecem perigo ao mercado de trabalho, pois mesmo sendo muito bem pagos por verbas oficiais, logo se vão “deixando” um pretenso legado que pouco ajudará no soerguimento do basquetebol entre nós sem a devida e necessária continuidade, mas garantindo o mercado para aqueles poucos que o dominam e o particularizam entre si, inter pares.

O técnico espanhol confirmou o que se faz em seu país, na Europa, nos Estados Unidos, no desenvolvimento do grande jogo, e que foi por nós conhecido no passado, hoje esquecido em nome da estratégia, dos “estrategistas”, com descerebradas pranchetas nas mãos.

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

DISCUTIR, CONTESTAR, COMO?…

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Prezados basqueteiros, jornalistas, dirigentes, jogadores, técnicos, entusiastas (?), pergunto, a todos, como ser possível discordar, lutar, contra essa turma ai de cima, como?

Primeiro, jamais permitirão que qualquer “dúvida” sobre gestão de confederações seja discutida, fiscalizada,quiçá, penalizada, às vésperas das grandes “conquistas” nacionais, o mundial e as olimpíadas, quando toda a entourage está prestes a se locupletar economicamente com a megalomania longamente planejada, distribuída, corrompida, consolidada.

Como esperar de qualquer um deles coerência, lisura, transparência, ligados e irmanados pelo código do silêncio, do afastamento e desligamento do clamor público, seguros de suas inamovíveis posições, garantidas por partidos políticos, votos de cabresto de uma corriola mancomunada com a visão das benesses, mordomias, voltadas à manutenção da elite auto promovida, antidemocrática, pusilânime, como?

Segundo, no caso do basquetebol, jamais permitirão que volte a se tornar o segundo esporte no gosto do brasileiro, desde que nos primórdios da ditadura militar, era a única modalidade coletiva que não contava com o domínio e conhecimento técnico dos militares, fugindo à sua influência direta e interesseira, fator que catapultou o futebol e o voleibol para um controle que privilegiou-os, inclusive, aos grandes patrocínios, como o da troca do Banco do Brasil do basquetebol para o vôlei, dotando-o da infra-estrutura econômica necessária ao seu desenvolvimento técnico, hoje uma realidade incontestável, mas que feriu o grande jogo de morte, fazendo-o vitima, daí para diante, das péssimas e políticas administrações, que o levaram ao estagio pré falimentar em que se encontra, e que se mantêm pelos altos interesses em nada mudar, deixando-o nas mãos de despreparados, aspones e chupins do poder, o que bem explica a liberação de verbas oficiais que os mantêm e manterão pelo tempo que quiserem, como figurantes, jamais protagonistas desse execrável circo em que transformaram o esporte e a educação do país.

Terceiro, todo esse imbróglio, tende a afastar a percepção do real problema que mantêm o basquetebol na situação de fraqueza técnica atual que “deve” ser mantida e patrocinada, a desunião e proposital afastamento dos técnicos junto à causa primordial para seu sustentável soerguimento, o trabalho na base, nas escolas de educação física, onde urge a revisão das cargas horárias nos desportos, hoje minimizadas e trocadas por disciplinas paramédicas, justificando o precário preparo dos futuros professores e técnicos no processo de ensino e aprendizagem dos mesmos, aspecto lapidar e conceitual, que somente se tornará factível a partir do momento que essa união se materialize, num trabalho realmente difícil, mas não impossível de ser alcançado.

Política, políticos e politiqueiros sempre (?) estarão por perto, infames, criminosos, mas que graças aos deuses, não formam, ensinam e treinam os jovens na modalidade, mas que tudo fazem para atrapalhar e retardar todo um processo, é bem verdade, mas que podem ser energicamente confrontados através o trabalho associativo daqueles que realmente fazem o grande jogo acontecer, os professores, os técnicos, principalmente nas escolas, onde os crefs da vida jamais deveriam poder se imiscuir…

Unam-se e trabalhem juntos, todos, e não uma minoria elitista, para a sobrevivência e resgate do grande jogo, ou simplesmente o vejam morrer tragado pela discórdia, pelo abandono, pelo apadrinhamento e pela ação entre amigos. O basquetebol merece um destino melhor.

Amém.

Fotos – Divulgação CBB, Globoesporte. Clique nas mesmas para ampliá-las.

Leitura obrigatória – Bala na cesta

A OFICINA DE APRIMORAMENTO DE ENSINO DO BASQUETEBOL ESTÁ COM AS INSCRIÇÕES ABERTAS PARA AGOSTO (9 a 11). CLIQUE AQUI PARA OS DETALHES.

 

ALTO NÍVEL…

 

(…) A terceira edição da Liga de Desenvolvimento de Basquete começou no dia 24/06, com as partidas do subgrupo A1, que já deram uma excelente demonstração de que a competição está com um altíssimo nível. Agora, é a vez das dez equipes do subgrupo A2 medirem forças entre si e mostrarem que é a melhor (…) Trecho do artigo publicado no site da LNB no dia de hoje.

 

Bom, é a opinião da Liga, mas será que corresponde a verdade dos fatos, ou dos números, já que jogo nenhum foi mostrado a publico, mesmo que pela internet, unzinho que fosse, para que o restante daqueles que realmente se interessam pela melhoria e o progresso do grande jogo pudesse atestar o “altíssimo nível” anunciado, e não ficarem frente a números que se situam na direção inversa do mesmo?DSC_0360-640x426

 

Então, recordemos os números finais do grupo A1 na competição:

 

– Arremessos de 2 pontos – 1617/3729 (43,3%)

 

– Arremessos de 3 pontos –    471/1703 (27,6%)

 

– Lances Livres                 –   1167/1721(67,8%)

 

– Erros de fundamentos     –   1296 (28,8 pj)

 

 

 

Aguardemos os jogos do grupo A2 para atestarmos, ai sim, a efetiva demonstração que se constitui numa competição exemplar, como anunciada pela LNB, o que real e honestamente não acredito, mesmo, pois percentuais de arremessos muito abaixo das médias razoáveis para a faixa etária em competição, e o absurdo número de erros de fundamentos, 28,8 em média por jogo, nos deixam apreensivos quanto à qualidade técnica de uma geração, que assim como as que a precederam, foram direcionadas prioritariamente aos sistemas coreografados, do que ao exercício básico do jogo, seus fundamentos.

 

Mas dia virá em que essa lastimável tendência deverá ser revertida.

 

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

 

 

FALANDO DE TÉCNICOS…

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José –  Enviado hoje

Sei lá Professor, não seria o caso de se procurar o melhor treinador na categoria sub19 para dirigir essa seleção? Já que os jogadores são dessa categoria, acho que não precisaria de um treinador do adulto e sem experiência com jovens.

            O leitor José postou esse comentário no último artigo, e que abre um bom leque de discussões, claro, se nos predispuséssemos a enveredar num cipoal de equívocos de tal ordem,  que dificilmente sairíamos com alguma conclusão, por mais simplória que fosse.

Porque não sairíamos com alguma conclusão, Paulo?

Porque tentar explicar corporativismo, ações entre amigos, trocas de interesses e favores, padronização e formatação de sistemas de jogo e de formação de técnicos (?) dentro de uma triste e repetitiva realidade, profundamente sedimentada no nosso basquetebol, parece, não, temos a mais absoluta certeza ser uma tarefa fadada ao sempre possível fracasso, frente a mesmice endêmica que se enraizou na modalidade, onde quaisquer resquícios de mudanças se perdem e anulam ante a vontade explicita de que seja mantido o que ai está, aspecto garantidor de um mercado de trabalho beneficiário de seus membros.

Mesmo assim, lutar contra tal realidade torna-se absolutamente necessário, apesar de inglório, pois mesmo que marginal, posicionamentos antagônicos à mesma poderão reverter em longo prazo um cenário que tem levado o grande jogo ao estado de penúria técnica e tática que vem se estabelecendo de muito, e que merece uma oportunidade de se reerguer através posicionamentos diametralmente  opostos ao que foi coercitivamente implantado.

Então Paulo, dentre tantas deficiências, quais aquelas que justificam esse estado pré-falimentar?

Jornalistas de diversas origens, quase que unanimemente conotam as péssimas administrações junto à CBB como o fator preponderante na situação que se estabeleceu no âmbito do basquetebol, num posicionamento que discordo com veemência, pois o problema que nos atinge, antes de ser administrativo, é basicamente técnico, pois desde sempre tivemos bons e maus dirigentes, boas e más administrações, mas tínhamos bons professores e melhores técnicos, que ao sabor das políticas vigentes à época, sabiam manter a formação e a direção eficiente de equipes num alto nível, produto de um tempo em que a ajuda fraterna, o estudo compartilhado e a divulgação democrática dos saberes faziam o grande jogo se manter na dianteira do desporto nacional, chegando bravamente a ser considerada a segunda modalidade mais querida e apoiada pelo povo brasileiro, e sem um quinto das verbas hoje existentes, porém esbanjadas irresponsavelmente.

Uma criminosa e pretensiosa fusão política, que transformou o segundo estado mais rico e influente da nação, o estado da Guanabara, num município pobre e problemático, catapultou para baixo o tradicional e histórico confronto com os demais estados, principalmente com São Paulo, deixando-o quase que solitariamente na liderança do grande jogo, propiciando o unilateralismo técnico tático que sob alguns aspectos se mantêm até os dias de hoje.

E de repente, uma saudável rivalidade dentro das quadras, com suas multiplicidades em sistemas de treinamento, preparação, formação e táticas de jogo se viu sob o manto de um dominante centrismo que desencadeou a implementação de um sistema único copiado, e mal, do basquete profissional americano, que mergulhou o grande jogo na mesmice endêmica, robustecida por uma das mais devastadoras síndromes técnicas, a ditadura do jogo externo, através a inesgotável e torrencial hemorragia dos arremessos de três, que nos corroei e diminui ante o basquete internacional.

Logo, com a dissociação dos nossos técnicos, onde uns poucos se constituíram em um circulo fechado, dominando o centro decisório e de comando da estrutura técnica do jogo nos últimos vinte e poucos anos, e mais recentemente liderando as metodologias no preparo dos futuros técnicos junto a ENTB, mergulhou a modalidade em uma espiral descendente, inclusive no nível sul e centro americano, perdendo sua hegemonia para argentinos e mais recentemente ameaçada por países, antes normalmente derrotados por nós.

Atualmente, apesar do relativo e ainda indeciso sucesso da LNB, ante o fracasso técnico administrativo de uma CBB eivada de incompetência, o basquetebol se mantêm manietado e enclausurado numa forma unilateral de ver e fazer o jogo fluir, como se existisse somente o que implantaram, mantêm e divulgam aos novos técnicos, um sistema único de jogo que desde sempre combati e continuo combatendo em nome da diversidade e da criatividade perdidas ao longo do tempo, em nome de uma liderança centrada nos “estrategistas” que teimam em poluir e entravar o futuro do grande jogo entre nós.

Clamo e sempre clamarei ser a atual liderança entre os técnicos ditos da elite, como a responsável pela falência do grande jogo no país, e os resultados internacionais nas divisões de base ai estão para comprovar tão grave situação (vide o excelente artigo do Fabio Balassiano em seu blog, onde relata os resultados de nossas seleções de base nas competições internacionais), confirmando o acima exposto, pois dirigentes ruins e administrações piores  ainda sempre existiram em nosso viciado meio, mas que nunca foram e jamais irão às quadras preparar e treinar jogadores, bastando ver a composição de componentes comissionados em seleções nacionais que se igualam em numero ao de jogadores, e até mais, todos envolvidos numa forma de agir, e que mal ou bem tem tido a oportunidade de treinarem os jovens talentos do país, da forma mais canhestra e simplória possível, já que atrelados a formatações e padronizações egressas das lideranças da elite, a mesma que desde sempre faz parte do corpo docente e organizacional da ENTB nos cursos de formação (?) de técnicos em 4 dias, numa cruzada simplesmente absurda, continuísta e coercitiva, sem em momento algum liderar, como deveria se séria fosse, um movimento que congregasse os demais técnicos, muitos dos quais mestres na arte do treinamento, para participarem na elaboração de uma política que englobasse metodologias e didáticas de ensino e aprendizagem, espalhados que estão nesse imenso país, com suas regionalidades e especifico gentio, e que no final das contas resultaria no associativismo tão clamado pela comunidade basqueteira, mas que ao resultar na capilarização e pulverização das  informações técnicas nos mais distantes e carentes quadrantes do país, sem duvida alguma colocaria em cheque o centrismo e domínio de tal liderança, originando aquele fator que nos falta, que nos tiraria dessa tirania técnico tática, que nos alforriaria dos grilhões de um corporativismo cruel e profundamente egoísta, uma autêntica, forte e independente Associação Nacional de Técnicos, que congregaria suas congêneres estaduais, e seria a lídima representante classista, responsável direta pelas diretrizes sócio desportivas que direcionariam o soerguimento do grande jogo ao seu devido e imorredouro lugar no cenário nacional.

Para o mês, o Prof. José Curado, presidente da Associação das Associações de treinadores de Portugal, e também Secretário da Associação Internacional de Treinadores, virá ao Brasil, e pela enésima vez direi a ele da impossibilidade de nos filiarmos a tão importante entidade, porque simples e vergonhosamente, não temos uma associação nacional, muito menos congêneres estaduais, pois a elite que governa e define o basquetebol no Brasil, não tem interesse em participar de tais movimentos, sequer promovê-los como jamais o fizeram, com duas honrosas exceções, a ANATEBA em 1971, e a ABRASTEBA em 1976, ambas idealizadas por mim e dirigidas por técnicos e professores profundamente engajados e compromissados com o grande jogo, mais tarde anuladas pela pesada ingerência da CBB nas mesmas, decretando suas liquidações, pois afinal de contas como está deverá continuar, mantendo garantido e sob controle o nicho de trabalho tão dura e politicamente conquistados. É uma pena, mas é a dura realidade. Vida que segue sem que culpemos tão somente os dirigentes que repito, não serem aqueles que vão para dentro das quadras iniciarem, desenvolverem e treinarem nossa juventude desportiva, claro, exceto os sempre presentes e decisivos estrategistas de plantão, que põem para jogar o que temos egressos da formação, que como sabemos, reflete o que ai está, escancarado para quem quiser (ou não) ver e avaliar, seja sob o prisma dirigente, seja pela ótica técnica.

Amém.

Foto – Professores Paulo Murilo e José Curado em Lisboa, quando do III Congresso Mundial de Treinadores da Língua Portuguesa, onde proferi a conferência de abertura do mesmo. Clique na mesma para ampliá-la.

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UMA SIMPLES QUESTÃO DE TREINO E LIDERANÇA, DA BASE À ELITE…

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Pois é, basqueteiros de plantão, o que prevíamos aconteceu, a seleção Sub 19 masculina não se classificou no Mundial de Praga ao perder para a Rússia, somente vencendo uma partida das cinco disputadas, restando agora disputar do 9º ao 12º lugar na magna competição.

Se olharmos com alguma atenção os números deste jogo, fica evidenciado de cara um fator indiscutível, nossos jogadores mal sabem arremessar em cesta, e pasmem, dos dois pontos, já que dos três, era sabido de muito que nem desconfiam como executá-los com um mínimo de eficiência, mas dos dois? Nesse jogo contra os russos, arremessamos 24/58 de dois, 5/15 de três e 15/22 de lances livres, e os russos, 21/36 de dois, 10/25 de três e 10/17 de lances livres, ou seja, tivemos 22 arremessos de dois a mais e 10 de três a menos do que eles, que desta forma conseguiram 30 pontos de três, contra 15 dos nossos, e que muito poderiam ter sido compensados se convertêssemos pelo menos a metade dos 34 erros nos dois, e até vencido se soubéssemos defender um mínimo fora do perímetro de onde os russos chutaram 10/25 de três, já que ambos erraram sete lances livres.

Somemos a essa lamentável deficiência os 16 erros de fundamentos (e olhem que os russos erraram 21…), para vermos com clareza tudo aquilo que comento de longa data, o fato de não exercermos o pleno domínio dos fundamentos, numa preparação que prioriza a formatação e padronização de sistemas de jogo, em detrimento da ferramenta básica, que quando lembrada é para ser entregue a estrangeiros, aqui e lá fora, num tipo de planejamento voltado ao gasto interesseiro de verbas, que deveriam ser empregues na melhoria e treinamento de nossos jovens técnicos, através um bem planejado programa de formação, e não cursos expositivos de 4 dias de arquibancada, sem as exigências de estágios práticos por um bom tempo, com acompanhamento qualificado em seus locais de trabalho, única maneira de bem formá-los.

Mas não, se em muitos casos, nossas seleções de base são entregues a jogadores a pouco retirados das quadras e travestidos de técnicos, sem um mínimo de preparo e experiência didático pedagógica no campo das técnicas de ensino e aprendizagem, como se exigir que jogadores por eles orientados se caracterizem pela excelência na pratica dos fundamentos, que é a coluna mestra da pratica do grande jogo?

E por essa estrada poeirenta ainda transitaremos por longo tempo, talvez tempo demais para nos defrontarmos com a realidade olímpica daqui a poucos anos, onde, desgraçadamente veremos coroada a suprema ignomínia de sermos vencidos ante erros que teimamos em não corrigir, em nome do clientelismo, do apadrinhamento, da sedimentação de um corporativismo mafioso e absolutamente irresponsável, mas que gera continuísmos e vultosos lucros.

Mas temos obrigatoriamente de admitir que somente transporemos tantas e históricas deficiências, se pararmos um pouco que seja, perante a exigência maior de um movimento associativo dos técnicos, liderados por aqueles que realmente representam a classe, por sua tradição e reconhecido trabalho, e que sempre se negaram a erguer as bandeiras do oportunismo e do imediatismo midiático e enganador, daqueles que realmente conhecem, estudam, respeitam e amam o grande jogo, de verdade. É o que nos resta.

Amém.

Foto – Divulgação FIBA. Clique nas mesma para ampliá-la.

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