UM ESPERANÇOSO 2020 (From Dublin)…

Enfim o Basquete Brasil voltou ao ar, foram três dias de apreensão , pois nos quinze anos de sua existência duas outras interrupções ocorreram por falhas nos provedores que o atendiam, tendo sido trocados por duas vezes, e espero que não aconteçam mais acidentes…

Em 2020 teremos algumas pequenas, porem significativas novidades, como uma página semanal de técnicas básicas do grande jogo, assim como uma repaginada no blog, e uma surpresa que anseio lançar a um longo tempo, pois nossos poucos, porem fieis leitores deste humilde blog, as merecem com a mais absoluta certeza…

Termino este ano desejando a todos aqueles que real e decididamente amam incondicionalmente o grande jogo, aquele em que fomos líderes num passado não tão distante assim, mas que vem sofrendo um depreciativo desgaste técnico e tático progressivo e de difícil prognóstico para seu futuro, desde a formação de base, até as divisões adultas, que se reencontre com sua verdadeira identidade, através professores e técnicos compromissados com ações inovadoras, corajosas, e acima de tudo, competentes e responsáveis …

Que o próximo ano inspire a todos a vencer e ultrapassar essa  mesmice endêmica que tanto mediocriza o grande, grandíssimo jogo de nossas vidas. Feliz ano para todos…

Amém

Foto – Brindando com o filho João David o ano que se aproxima.

A CHUTACAO QUASE CENTENARIA, UMA CONQUISTA (From Dublin)…

Dublin, cidade onde vive o Joao David, filho mais novo, a dez anos. Antiga, geralmente nublada, e muito, muito fria, onde o vento constante lança a temperatura ao congelante, como no belo passeio pelos Gardens, curtido em um terço pelo vento cortante, deixando no gélido ar o quão impactante seja num ensolarado dia de verão, ou primavera. Ser conhecida como a Ilha Esmeralda faz justiça a uma Irlanda verdejante a não mais poder, mesmo num inverno mais do que rigoroso. Porem, a breve convivência com o filho caçula compensa as baixas temperaturas, onde um bom vinho é sempre bem vindo…

Compensações existem, como as tecnologias instaladas em sua casa, e com as quais trabalha no PayPal, dando a mim a oportunidade de estar ligado a qualquer momento com o Brasil, e mesmo poder assistir em alta definição as programações de nossa TV e os jogos de basquetebol que desejar analisar neste humilde blog…

Assisti uns poucos e medíocres jogos, onde a mesmice endêmica que se instalou definitivamente no pais se faz presente sem cerimonias, mas foi num relatório de jogo, Paulistano x Sao Paulo, que tive a mais absoluta certeza de que dificilmente conseguiremos emergir do abissal fosso em que meteram o grande jogo, da forma mais absurda e suicida, e para dirimir quaisquer duvidas, ai vão os terríveis e inacreditáveis números, num jogo com uma prorrogação e placar final de 98 x 92 para o Paulistano:

– Nos 2 pontos – 18/41 para o Sao Paulo é 17/27 para o Paulistano.

– Nos 3 pontos – 14/38 para o Sao Paulo e 17/55 para o Paulistano.

– Temos então – 35/68 nos arremessos de 2 pontos e 31/93 nos de 3 pontos, numa conclusiva definição do fracasso defensivo e ofensivo em que caminha no fio de uma navalha o grande jogo tupiniquim. Triste e vergonhoso que estrategistas disfarçados de técnicos imponham ao basquetebol uma fraude nominada de “ basquetebol moderno”, onde estrangeiros, agora em numero de quatro por franquia, façam e desfaçam técnica é taticamente o que querem em quadra, e claro, seguidos pelos nacionais que os suplementam, sob o aplauso consentido daqueles que deveriam incutir preparo fundamental e sistemas de jogo decentes, criativos e coletivistas, e não esses espetáculos onde a mediocridade seria elogiosa demais. Inadmissível que se chegue perto de 100 arremessos de 3 pontos numa partida de basquetebol, mesmo prorrogada, num testemunho vivido e constrangedor da mais absoluta pobreza de técnica individual e coletiva, irmanada a pobreza muito alem de miserável de um “NBB como nunca se viu”, o que realmente concordo com a apeladora definição, porem acrescentando …de tão ruim, ridiculo e descaracterizado do que venha a ser um verdadeiro jogo de basquetebol”, como nunca deveria ser visto num pais de tantas tradições no grande jogo…

Afinal, o que querem provar com tanta ausência, omissão e descompromisso para com o basquetebol, esse fechado e inóspito corporativismo que se apossou do mesmo, em nome de um deletério “sistema moderno de jogo”? O que querem meus deuses? Mata-lo de vez?…

Agora mesmo o inenarrável Confef, faz uma parceria com a CBB para preparar técnicos para a nova modalidade de 3 x 3, admitida na Olimpiada de Toquio, e aqui faço a pergunta primal – Com que competência legal e técnica um absurdo conselho de educação física se considera apto na formação de técnicos desportivos, função de caráter superior em escolas superiores de educação física, e não por conselhos destinados originariamente as observâncias trabalhistas dos que denominam profissionais de educação física? Quer dizer que de agora em diante teremos um Confef e seus Crefs estaduais formando técnicos esportivos em cursos (?) de alguns dias para depois “provisiona-los” como tem feito por todo este imenso, injusto é desigual pais desde sua fundação? E qual será o próximo passo, o Bacharelato e a Licenciatura? Com que direitos, e quais leis federais o autorizam? Um conselho criado a mais de vinte anos e que é gerido em sucessivas eleições por uma única pessoa desde sua fundação, não pode ser levado a serio, assim como o gestor semi eterno, destituído do COB agindo da mesma forma, e prestes a ser cobrado e investigado pelas fraudulentas empreitadas na organização e realização das competições mundiais aqui realizadas recentemente. ..

“Oficializar” a formação de técnicos, seja em que esporte for, através reuniões e palestras inócuas em um ou mais fins de semana é um engodo que tem trazido o mais devastador prejuizo ao grande jogo, técnica, tática e na mais básica de suas necessidades, a formação de base…

É tempo de se por a limpo as finalidades de um conselho que interfere exclusivamente na educação fisica, disciplina curricular desde o ensino de primeiro grau ate o universitário, nao se conhecendo conselhos nas demais disciplinas em nenhum desses niveis de escolaridade. Por que so a educação fisica, porque? Ou sua importância na estruturação mais do que presente da industria do corpo, com seus bilhões movimentados a cada ano, na qual os futuros bacharéis prestam seus estágios nas holdings gestoras das milhares de academias a preço vil?…

Honesta é sinceramente pergunto – Qual o verdadeiro interesse de um conselho de educação fisica na formação de técnicos de basquete excedendo suas funções perante a lei?…

Pobre basquetebol brasileiro sob tantas e negativas influencias. Torco para que os deuses o possam ajudar, mas tenho la minhas bem pensadas e solidamente embasadas duvidas,,,

Amem..

Fotos – Arquivo pessoal e divulgação CBB.

DO SONHO A REALIDADE…

Páginas e páginas centrais hoje são impressas anunciando simpósios, seminários, congressos e imersões sobre a temática chave para o alavancamento decisivo dessa infeliz terra, a educação justa e estratégica de seu povo, direito constitucional relegado e aviltado desde sempre. Fala-se de tudo, discutem a não mais poder sistemas, conceitos, filosofias, projetos e políticas governamentais, sem conclusões plausíveis, num vazio de idéias factíveis a nossa realidade de país pobre de saber e cultura, propositada e politicamente carente de ambas, num projeto de perpetuação da ignorância que beneficia indiscriminadamente direita e esquerda em suas projeções de domínio político, econômico e administrativo. Sem dúvida alguma, um povo analfabeto funcional se torna massa de manobra bem mais em conta para tê-lo no cabresto abjeto e criminoso, a direita ou à esquerda, não importando muito o sentido…

Porém, algo chama a atenção no âmago de todas as propostas largamente anunciadas, a ausência praticamente total de qualquer discussão que incluísse a Educação Física, os Desportos, as Artes, a Música, a Dança, como se não existissem, como se não fossem de básica importância na formação plena de cidadania, num todo cultural que nenhuma nação séria e importante ousa desconhecer, relativizar, omitir, e muito menos alijá-la do contexto educacional de seus povos…

Pobres disciplinas, esquecidos e subjugados mestres e professores, num cenário em que pululam negócios com lucros estratosféricos, como as poderosas holdings do culto ao corpo, a quem não interessa educação física nas escolas, muito menos desportos, sua próxima investida, afinal, trata-se de um mercado promissor que política desportiva nenhuma poderá interferir, numa indústria que movimenta bilhões anualmente, e que cada vez mais investe no mercado adolescente, seu mercado presente/futuro, e um exemplo arrepiante ai está ao lado, com a inclusão em cem escolas municipais das lutas marciais (leia-se MMA), numa investida irresponsável e absurda, pois envolve “mestres” cuja formação didático pedagógica se torna discutível, inclusive, pela legislação em vigor, por não se tratar de licenciados, vínculo indiscutível e pétreo para o exercício no magistério escolar. Frente a tal descalabro, o que virá a seguir, o que, meus deuses?…

Anos atrás postei o artigo a seguir nesse humilde blog, republicando-o pela sua dolorosa atualidade, com um fator a ser aguardado, a punição total, geral e irrestrita de uma quadrilha de maus e corruptos brasileiros, a fim de que sirvam de exemplo aos futuros mandatários e postulantes de políticas mentirosas e criminosas junto aos jovens desse imenso, injusto e desigual país…

Amém.

Fotos – Reproduções da mídia.

A HERANÇA…

domingo, 8 de junho de 2008 por Paulo MuriloSem comentários

È uma sexta-feira radiosa, e bem cedo pego meu velho Fiat 95 e parto para a cidade via Barra da Tijuca. Como moro na Taquara prenuncia-se uma viagem e tanto até meu destino. Mas o que vejo? O trânsito fluindo calmamente, sem atropelos, mudança esta sentida desde antes um pouco do início dos Jogos Pan-Americanos, quando estações do metrô foram inauguradas no sentido Barra-Penha e Barra-Botafogo, transformando a ida de carro praticamente num tour turístico pela belíssima orla do Rio.

Como havia um pouco de tempo sobrando ao meu compromisso na cidade, paro em uma das escolas públicas beneficiadas pelo plano de projeto esportivo anexado ao futuro olímpico de massa, que dotou as escolas cariocas de dependências mínimas, porém decentes, de kits formados por uma quadra coberta, uma piscina de 25 metros e uma mini pista de atletismo, além de uma pequena verba suplementar para que os professores de Ed.Física dessem mais horas de trabalho visando o atendimento comunitário. Converso com os professores e constato o sucesso do projeto, estampado em seus sorrisos de satisfação pelo trabalho que desenvolvem junto aos professores de artes e música, em estreita colaboração com os demais professores das disciplinas tradicionais. Antes de sair dou um pulo na pequena, porém atualizada biblioteca, e na cozinha, onde um estimulante odor de comida bem feita exala no ar. Saio e percorro o trajeto até o autódromo, onde grandes e modernas instalações desportivas foram construídas para os Jogos, e o que vejo meus deuses? Muitas, muitas crianças ocupando as quadras e piscinas, praticando as modalidades oferecidas pela municipalidade, em escolinhas onde os talentos garimpados nos programas desenvolvidos nas escolas da região desenvolvem suas aptidões. Fico feliz e gratificado com a herança deixada pela organização lapidar dos Jogos para a população carioca. E como surpresas ainda poderiam ocorrer, vejo voltarem os pescadores nas lagoas que circundam as dependências do autódromo, como um pouco mais adiante o bairro que serviu de Vila Olímpica, cujas águas límpidas contrastam dramaticamente com a cloaca a céu aberto de antes daqueles benditos Jogos. E chego na Barra, suavemente, rejuvenescido, admirando o quanto o povo desta cidade evoluiu em sua educação no trânsito, quando perante ações sócio-políticas que realmente os beneficiava. E com a ausência de jovens e muitas crianças que pululavam os cruzamentos na ostentação de sua pobreza e abandono, hoje amparados pela sociedade e estudando em tempo integral, fico agradecido do fundo do coração, desejando, ao passar pela monumental sede do COB na Avenida das Américas, saltar e ir agradecer tão contundentes e preciosas dádivas, frutos de uma extraordinária administração dos bens públicos na organização ímpar e patriótica daqueles inesquecíveis Jogos.

E quando no dia seguinte, abro o jornal e me deparo com as autoridades diretivas do Estado e do desporto nacional, onde ministro, governador, prefeito, presidente do COB e benemérito da FIFA, entre outras autoridades empresariais, sempre eles, se abraçam, se beijam e sorriem escancaradamente para as lentes televisivas do mundo inteiro ao ver a cidade maravilhosa escolhida na rodada semifinal para sede das Olimpíadas de 2016, cujos projetos enfocam benfeitorias muito além daquelas que herdamos do Pan, e que relatei emocionado acima, numa exibição explícita de poder além do sonhado, inclusive para cidadezinhas como Madri, Tóquio e Chicago, onde só o projeto de exeqüibilização a ser apresentado no ano que vem na rodada decisiva se eleva no patamar acima dos 50 milhões de reais,e cujas obras complementares às do Pan irão orçar por volta dos 3 bilhões, é que percebo ter sido aquele trajeto até a cidade uma armadilha em forma de sonho a que todos os cidadãos honestos e trabalhadores desse infeliz estado, seus filhos e famílias, caem dia após dia, ano após ano, décadas após décadas, restando aos mesmos, a mim, um urro do fundo de nossas indignadas almas- CANALHAS!

Amém.

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RESPONDENDO AO PEDRO…

Me reporto hoje aos comentários feitos pelo Prof. Pedro Rodrigues de Souza e minha consequente resposta no artigo OPORTUNAS QUESTÕES de 12/8/19 sobre o basquetebol feminino brasileiro, que valeria uma boa e oportuna reflexão a respeito.

  • PEDRO RODRIGUES DE SOUZA
  • 14.08.2019 (2 semanas atrás))
  • Paulo Murilo, Passados as alegrias e as comemorações da fantástica vitória do PAN com certeza a equipe seguirá a sua preparação para novos embates.
    Deverá existir um planejamento já esboçado a espera do início do trabalho.
    Tomo a liberdade de anexar ao comentário um roteiro útil a ser seguido.
    Abaixo um arrazoado de caminhos a seguir.
    O nosso saudoso e amigo Camilo Calazans dizia faz tempo: ” no Brasil existem bons planejadores, o problema não é só planejar, é preciso de bons fazedores”.
    Para se fazer alguma coisa, jamais esquecer das inovações.
    DE ONDE VEM AS GRANDES IDÉIAS
    INOVAÇÃO
    Ser criativo é pensar sobre o seu modo de pensar.
    Ser inovador é agir com base em suas idéias.
    São necessários SETE níveis que exigem ação:
    Nível 01: EFICÁCIA fazer as coisas certas

    Nível 02: EFICIÊNCIA fazer as coisas de maneira certa.

    Nível 03: MELHORAR:fazer melhor as coisas certas.

    Nível 04: ENXUGAR: livrar-se das coisas supérfluas.

    Nível 05: COPIAR:.fazer as coisas boas que outras pessoas estão fazendo.

    Nível 06: SER DIFERENTE: fazer coisas que mais ninguém está fazendo.

    Nível 07: BUSCAR O IMPOSSÍVEL: fazer coisas que não podem ser feitas.
    Frequentemente a formulação de um problema é mais essencial do que a sua solução.
    Pedro Rodrigues de Souza
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  • Basquete Brasil
  • 20.08.2019 (5 dias atrás))
  • Prezado Pedro, começo pelo Camilo Calazans, tio do excelente professor e técnico de basquetebol Heleno Lima, que o inspirou, sendo o presidente do BB na época, a promover o primeiro patrocínio de um banco oficial nacional a uma modalidade desportiva, no caso do basquetebol, com sucesso imediato em nossas seleções, patrocínio esse que um pouco mais adiante foi nos bastidores, politicamente surrupiado pela turma do vôlei, junto ao regime militar vigente, e sem o qual jamais atingiria os resultados internacionais que conquistaram, já que de posse e domínio da maior verba pública existente, e inclusive, responsável por um centro exclusivo de treinamento, mantido até hoje. No caso, o “fazemento” foi magistral, por parte da turma liderada pelo Nuzman, o grande planejador e executor das maiores verbas públicas voltadas ao desporto, com os resultados que ainda aguardam sindicâncias sobre suas corretas e honestas aplicações no Pan, no Mundial e na Olimpíada. Dia virá em que tudo será clarificado e julgado, tenho a mais absoluta certeza…
    Quanto ao planejamento no basquetebol feminino, tenho lá sérias dúvidas sobre a Eficiência, Eficácia, Melhoria, Enxugamento, Busca pelo Impossível, sequer o Copiar que fazem tão mal da matriz. Restaria o Ser Diferente, mas como Pedro, se professam em massa a coerência da mesmice endêmica em que vivem, trabalham e afirmam fazer acontecer o grande jogo entre nós, como Pedro, como?
    Inovar, antes de tudo é agir, estudar, pesquisar e difundir aspectos diferenciados de uma ação social, política, vivencial, desportiva, constituindo todo um processo democrático, onde a existência do contraditório tem obrigatoriamente de ser preservado, estudado, incentivado, e posto a prova, gerando resultados e discussões comparativas e fundamentadas no bom senso, objetivando o bem comum. Por tudo isso é que não acredito na existência de um planejamento minimamente plausível dentro do cenário corporativista de uma única via existente, infeliz e lamentavelmente…
    Um abraço, Pedro. Paulo Murilo.

Fotos – Reproduções da TV.

A VITÓRIA DA MEDIOCRIDADE…

Teimoso que sou, testemunhei os 107 a 32 da seleção americana sobre a brasileira na sub 16 feminina da Copa América, surra conclusiva depois de duas derrotas seguidas, contra o Canadá ( 78 a 39), e o Equador (71 a 55), despedindo-se das semi finais da competição da forma mais humilhante possível. Nestes três jogos foram números terríveis apresentados pelas meninas patrícias, como os 23.1% (38/164) nos 2 pontos, contra 58.2% (74/127) das adversárias, 16.2% (7/43) nos 3 pontos, contra 23.7% (23/97), 53.7% (29/54) nos lances livres, contra 51.3% (39/76), e uma média de 23 erros por partida, contra 21 das turmas do lado de lá, deixando uma certeza absoluta, no fato de nossas jovens jogadoras simplesmente não saberem arremessar com um mínimo de precisão (nos 3 pontos a quantidade de air balls foi assustadora, e até simplórias bandejas perdidas ), além do fato constrangedor de que pouco, ou quase nada, sabem sobre os fundamentos do jogo, onde a ambidestralidade no drible é praticamente nula, a precisão nos passes passa a léguas de uma razoável execução, e o posicionamento defensivo e nos rebotes é algo inacreditável. Sobram espírito de luta e combatividade, em seus rompantes juvenis, porém órfãs de um preparo minimamente aceitável para uma disputa parelha com jovens da mesma idade, de países que levam a sério o grande jogo, na dimensão em que deve ser correta e competentemente ensinado em suas escolas e clubes comunitários por professores capacitados de verdade, na contramão do que priorizamos em sistemas e táticas “avançadas” de jogo, antes de serem preparadas nos fundamentos básicos, cuja ausência inviabiliza toda e qualquer pretensão técnico tática de seus luminares estrategistas, aferrados e enamorados de suas ridículas pranchetas…

E foi o que vimos, que continuamos vendo, no masculino, no feminino, ano após ano, e que continuaremos a ver, se algo de inovador e ousado não acontecer em nosso combalido basquetebol, que não merece ser surrado continuamente desde as categorias de base, onde tudo começa, campo onde pululam os falsos e mal formados técnicos de ocasião, patrocinados por oportunistas e profissionais do escambo, do favorecimento, do corporativismo deslavado, ocupando um nicho que deveria ser de excelência, do mérito, do saber, da experiência comprovada e incontestável, formuladora e avalizadora dos melhores, à parte dos Q.Is interesseiros e pusilânimes que nos esmaga pela mediocridade, enquadrada pelas midiáticas e absurdas “pranchetas que falam”, expositoras dos grafismos ininteligíveis e definitivamente analfabetos do que vem a ser o grande, grandíssimo jogo…

Mais uma geração está indo para os ares, sufocada e paralisada pela mesmice endêmica que pune atrozmente tantos jovens promissores e talentosos, travados e anulados por um batalhão de incompetentes adoradores do próprio umbigo, sabichões arrogantes, apaniguados e protegidos daqueles que no fundo, odeiam o grande jogo, ontem, hoje, e infelizmente num prolongado futuro, até um dia em que o bom senso, a justiça e o mérito se façam presentes, enfim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para aumentá-las.

 

NOVOS, TRISTES E LAMENTÁVEIS TEMPOS…

 

“Oi Paulo, já soube que os seus últimos seis artigos bombaram no acesso ao seu “humilde ” blog, e também no Face, demonstrando que você ainda se encontra vivíssimo, atuante e lúcido aos 80!!!! Muito legal e parabéns!! Vai parar por aí, ou ensinará algumas dicas para superarmos a “mesmice endêmica que afoga o grande jogo tupiniquim?”…

Atendi o telefone bem tarde da noite de ontem para ouvir o recado acima, vindo do tal amigo que jamais me permite um momento, por menor que seja, de relaxamento técnico conjuntural, mesmo, e confirmo, aos 80!! E mesmo cansado de um dia de reformas aqui em casa, posso afiançar que, na medida do possível, continuarei a batalhar a boa luta, aquela que vem do fundo da alma, convicta, lúcida, aberta, democrática, e acima de tudo, competente e inquisidora, sim, profundamente inquisidora, pois cansada de tanta estupidez e incúria, em nome de pseudos doutores no grande jogo, ciosos de seus poderes de conhecimento e argumentações acima do patamar que congrega os demais mortais, coercitivamente ajoelhados perante falsas genialidades, construídas por cima do trabalho alheio, garantidas pelo elevado e interesseiro Q.I. manipulado pelo escambo político, midiático, econômico, afastando o mérito técnico, educacional e cultural que deveriam ser os elementos mais importantes e estratégicos na escolha para o comando, liderança e confiabilidade, frente aos jovens desse imenso, injusto e desigual país/continente…

Mas dia virá em que o bom senso se fará presente, obrigatoriamente, se quisermos navegar por águas menos conturbadas e armadilhadas, onde os imorredouros exemplos do ontem, aplainando os caminhos do hoje, projetarão um amanhã esperançoso em dias melhores, ricos e repletos de conquistas, facultadas pela justiça e pelo verdadeiro, autêntico e não osmótico conhecimento, tão esquecido em nome de pastiches e equívocos letais, modismos desses novos tempos, tristes tempos, lamentáveis tempos…

Creio que agora basta, simples assim, basta…

Amém.

Foto – Arquivo pessoal. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

Em tempo – Uma dica, pediu o amigo, sim tenho uma, longamente defendida aqui nesse humilde blog, contida numa simples sugestão – Reúnam com urgência as excelentes cabeças pensantes que ainda teimam em amar, compreender, conhecer e ensinar o grande jogo, colocando-os num largo recinto, divididos em pequenos grupos discursivos, num brain storming de respeito, a fim de discutir, formular e divulgar conhecimentos forjados por longos e longos anos de quadra, emergindo conselhos, documentos e experiências válidas por terem sido intensa e longamente vividas, que são aquelas que determinam o progresso de qualquer modalidade desportiva, servindo de balizadores para as novas gerações de professores e técnicos, envolvendo e motivando-os ao mérito de suas atuações, e não ao compadrio atual, descerebrado do tosco Q.I… PM.

REFLEXIONANDO II…

Faltando menos de 20 seg, três pontos à frente no placar, com a posse de bola num último ataque, frente a mais de 70 mil espectadores numa arena gigantesca, e mais alguns milhões de telespectadores em seu país e no mundo, sabedor que a única chance de seu adversário seriam as faltas pessoais para terem a chance de uma posse de bola, e que no fato de conseguir converter ao menos um lance livre colocaria o caneco no bolso, todas possibilidades reais e factíveis, mas não, o chamamento para a glória suprema de fechar o jogo, ter seu nome indelével na história da liga colegial mais famosa do mundo, e mais ainda, escancarar as portas do draft com seus sonhados milhões falaram mais alto, e aconteceu o absurdo, um chute de três do meio da rua, falhado por não merecido por sua arrogância juvenil, dando o contra ataque ao adversário que ao tentar, também, a bola de três desesperada sofre a evidente falta, indo para a linha do lance livre, convertendo os três, provocando uma prorrogação, e vitória mais do que merecida por 10 pontos. Contou-se assim a vitória de Virginia sobre Texas Tech, onde a bolinha consagradora da moda, não caiu…

Mas foi um belo torneio mata mata, com fundamentos bem praticados, defesas altamente técnicas, e ataques, que apesar do uso global do sistema único, teve o mérito de priorizar o jogo interno, onde uma geração de excelentes alas pivôs fizeram jús aos mais altos elogios da mídia e dos amantes do grande jogo bem jogado…

Por aqui, jogos finais dos playoffs, onde a profusão das artilharias de três fizeram a farra, mas nenhuma chegando perto do segundo e decisivo jogo entre Ceará e Paulistano, que a exemplo de sua participação na Liga das Américas, propôs um jogo à moda Duel of OK Corral, onde venceria quem desse o último tiranbaço do meio da rua, vencendo a turma do sudeste com a camisa cearense, com números assustadores, tais como: 14/33 nos 2 pontos e 10/34 de três para os cearenses, contra 17/34 e 6/37 respectivamente para os paulistas, num total de 31/67 de 2 e 16/71 de 3 para ambos os duelistas, perfazendo a incrível perda de 36 tentativas de 2, e 55, isso mesmo, 55 de 3 pontos para as duas turmas de pretensos especialistas nos arremessos quando livres e desimpedidos pelas ausências defensivas, mas que quando contestados fortemente (e a quantidade de faltas pessoais, originando 26/30 para o Ceará e 22/27 para o Paulistano atestam essa evidência), perdem drasticamente a ilusória eficiência de seus gênios dos arremessos, que são muitos, pois 8 do Ceará e 9 do Paulistano trituraram os aros, demonstrando definitivamente que não são os especialistas que pensam e são incentivados a acharem que são, e não são MESMO!!!…

A maioria das equipes nessas quarta de finais que se iniciam, cometem os mesmos erros uma das outras, das defesas aos sistemas de ataque, da falta de fundamentos a pretensão de que são e representam a “nova era” do grande jogo com suas ridículas artilharias (em qualquer liga importante mundial, dois ou no máximo quatro são realmente especialistas nos longos arremessos, aqui não, onde a média de 8 jogadores se acham ungidos pelos deuses em suas pretensões divinas, bajulados e incensados por uma mídia ufanista e majoritariamente analfabeta sobre os mais básicos fundamentos do jogo, arremessos em particular…), judiando da paciência daqueles que realmente entendem e amam profundamente uma modalidade ímpar em sua complexidade e profundidade. Basquetebol é coisa muito séria caros deslumbrados, não à toa leva 70 mil pessoas em finais universitárias, média de 15 mil na NBA, 10 mil numa forte Euroliga, e não mais do que mil como aquí, que quando atingem 2 mil assistentes na grande rede é comemorado como recorde mundial…

Sem dúvida nenhuma poderemos alcançar platéias cada vez maiores, porém, não imitando o lazer extra quadra copiado da matriz (temos lazeres mais apaixonantes), e sim com uma longa e paciente  melhoria técnico tática de nossas equipes, formadas por jogadores bem iniciados e treinados desde a base, e não contando com o individualismo exacerbado e independente da estrangeirada que aqui aporta como penúltima opção entre as ligas profissionais, e que com raras exceções realmente somam algo que beneficie nossa forma de ver e sentir o jogo, mas que em sua maioria trava um duelo de influências com os estrategistas tupiniquins, nos meios e na forma de jogá-lo, ante a mesmice institucionalizada, padronizada e formatada em que se inserem no sistema único que bem conhecem e professam, e do qual se sentem à vontade para contorná-lo quando bem lhe aprouver, mais ainda se somados e irmanados a seus muitos conterrâneos existentes nas franquias…

No entanto, como se torna cada vez mais importante para a mídia o que ocorre na matriz, com seus craques milionários desfilando técnicas e comportamentos fartamente compilados e divulgados em nossas TVs, Jornais, Portais, Blogs e redes de informação, como competir contra tanta grana envolvida, interesses midiáticos, influências político esportivas, estratégicas até, ante um quadro catastrófico em que se encontra a educação de um povo abandonado em sua ignorância proposital e planejada, facilitando sua manipulação política, vide o momento atual em que o MEC é dilacerado por interesses puramente ideológicos voltados a manutenção do que aí está, esteve, e estará por um longo tempo, talvez definitivamente, aí inclusas as manifestações culturais, artísticas e desportivas também, exceto o futebol, com sua destinação entorpecedora, anestesiante da realidade crua em que vivemos. Carnaval e futebol são fundamentais para esse controle, educação e cultura, não, desporto então…

Amém.

Fotos – Reproduções da Tv e divulgação CAP. Clique nas mesmas para ampliá-las.

IGNORÂNCIA E COVARDIA SEM FIM…

Com a enxurrada de basquetebol acontecendo nas TVs, Internet e mesmo em nossos ginásios, deixa a mídia especializada mais seletiva em seus comentários, claro, enaltecendo preferencialmente a NBA, a NCAA e de quebra o NBB, fora uma ou outra matéria sobre nossas seleções, com a feminina ameaçada de ter como seu técnico, um que jamais lidou com o mesmo, nem como assíduo assistente, o que honestamente elas não merecem…

Então, como assunto de rodapé de página interna, faço questão de focar na surra memorável que o Paulistano levou do San Lorenzo na Liga das Américas, por 70x 58, numa partida em que chegou a estar perdendo por quase 30 pontos! Motivo principal? (um dulce de leche a quem acertar…) Na mosca, as bolinhas não caíram, foram 10/40 e 10/36 (como pretender vencer uma Liga América convergindo dessa absurda forma?) de 2 pontos, contra 8/27 e 21/43, respectivamente, dos platinos. Nos lances livres se equivaleram com 8/11 para nosostros e 7/9 para eles, que por conta da mais absoluta fragilidade defensiva dos paulistas, que nem faltas pessoais tiveram a oportunidade de cometer (até mesmo as “famosas e inteligentes” faltas de cunho técnico )…

Explicações? Para que, se os números desnudam tudo e mais alguma coisa, para que? A não ser que, ainda teimem que jogos e campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais como esse, se vence com velozes transições (êta definição esdrúxula), tocos, enterradas e chutação desenfreada de três, em que todos envolvidos na equipe (desconfio até dos mordomos e aspones que enxameiam os bancos) se consideram especialistas no mais complexo dos arremessos, fatores pontuais estabelecidos como os definidores de sucesso nas competições…

O grande problema é que realmente se consideram os donos da cocada preta, imunes a críticas que o afastem da verdade suprema que doentiamente veneram, se entregam, a cada treino, a cada jogo, desde sempre, onde a propalada “eficiência”  nos longos arremessos o imbuíssem na busca da verdade suprema do grande jogo, cada vez mais incensada e incentivada por estrategistas/torcedores de beira de quadra, mídia exultante e ufanista, dirigentes e agentes fazendo e desfazendo equipes, levados ao êxtase supremo a cada bolinha que caia, testemunha solitária da mediocridade de suas lideranças…

E não caíram, assim como no jogo mais importante da seleção em sua busca, agora satisfeita, pela classificação ao Mundial, contra o Canadá, quando as ditas cujas também não caíram, e sabem por que? (outro dulce de leche a quem acertar) Isso, foram contestadas, eficientemente contestadas ( nos jogos do march madness da NCAA, aulas contestatórias têm sido dadas em quase todos os jogos, com defesas verticalizadas, onde o objetivo é a alteração das trajetórias, e não o bloqueio puro e simples, e na maioria das vezes faltoso), por uma equipe veloz e determinada na defesa interna e externa de seu campo de luta…

Mas não aprendemos, nem pensar o contrário, afinal de contas somos o poder supremo do “open game”, dos “espaçamentos”, das penetrações de cabeça baixa driblando com a mão preferencial, aliás, a única que dominam, e mesmo assim com sérias ressalvas, onde as reversões naturais são taxadas de geniais, porém dissociadas, na maioria das vezes, do interesse coletivo, oposto aos pontuais estrelismos personalistas…

Ainda temos muito o que aprender, estudar, pesquisar, e acima de tudo, empregar todo esse conhecimento na base da pirâmide, nos seus alicerces, ajudando e preparando nossos infelizes e abandonados jovens em sua penosa caminhada, num país que sempre pautou por um estranho e absurdo dilema, que nos muitos anos por mim exercidos no magistério universitário de formação de futuros professores definia – Conheço muitos países, no entanto esse é o único no qual, nem a direita e nem a esquerda quer o povo educado, a direita para se manter no poder, a esquerda para usá-lo como massa de manobra para alcançar o poder, e ao assumí-lo se bandear para a direita mantendo-o ignorante, frágil, passivo e manipulável, exatamente o que faz a direita agora vencedora, indefinindo e postergando a educação com os mesmos propósitos. Pobre país, pobre juventude, criminosa covardia sem fim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

Escrevi e postei em 2014, propondo agora a todos os leitores desse humilde blog uma releitura contrastante a tudo que vem sendo veiculado pela imprensa sobre as grandes reformas por que está passando a educação neste novo governo. Lendo e acompanhando tudo o que se relaciona a nova lei do ensino básico e médio, desafio a todos apontar enfoques oficiais que estejam sendo relacionados ao ensino da educação física e os desportos escolar, e suas extensões para a formulação de uma verdadeira e atuante política nacional, até o momento absolutamente inexistente. Será que se trata de assunto importante para o amanhã de nossos jovens, será? Leiam e considerem discuti-lo em sua básica importância, ou não..

 

A ENCRUZILHADA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO DESPORTO TUPINIQUIM…

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 por Paulo Murilo – Sem comentários

 

Duas semanas atrás saíram na mídia impressa essas duas notícias, que de uma forma bastante direta espelha uma situação anômala e irônica por que atravessa a educação física e os desportos em nosso incongruente país.

Estamos vivendo tempos olímpicos da mais alta complexidade competitiva, onde a realidade desportiva de alta (e baixa também…)qualidade inexiste entre nós, totalmente voltados a que estamos na construção dos cenários, como no Pan Americano de 2007, e recentemente no Mundial de Futebol, com praças e arenas suntuosas, construídas a peso de ouro nem sempre auditadas, dando margem a vultosos desvios e lucros exacerbados a todos aqueles envolvidos no regabofe das verbas oficiais, além de um legado  que nem de longe beneficia a formação de uma cultura desportiva e educacional de nossa juventude, em escolas, universidades e clubes de todo o país, mas que locupleta toda uma poderosa minoria de empreiteiras, empresas (muitas estrangeiras) de hotelaria, turismo, serviços computacionais, e uma plêiade de políticos e empresários, todos unidos em volta da cornucópia milionária dos sacrificados recursos econômicos pertencentes ao povo brasileiro…

Frente a tão hedionda realidade, qual o real e verdadeiro significado das duas notícias acima mencionadas, qual?

Inicialmente, a que constata determinantemente ser a Educação Física a mais procurada área na formação de professores , muito além das demais disciplinas acadêmicas, mas que propriamente não os formam licenciandos, pois uma grande parte, ou mesmo a maioria (o estudo apresentado não define bem esse aspecto) se bacharelam, e que no frigir dos ovos, explica tanta supremacia acadêmica, pois orientados e voltados para a industria do corpo, através as praticas personalizadas e a brutal realidade das holdings que administram a mesma, com suas academias que se avolumam em proporção aritmética por todo o país, e que movimenta em torno de 25 bilhões anualmente, às quais mais do que claramente, não interessa nem de longe a existência regular e constitucional de tais atividades nas escolas e clubes, pois tão lucrativo mercado correria o perigo de ver esvair uma clientela estratégica demais para ser perdida em políticas educacionais voltadas aos jovens deste enorme e injusto país, e a segunda notícia expõe tal realidade com uma clareza exemplar…

Então, frente a tão contundente cenário, onde muitos jovens procuram as escolas de Educação Física na busca de uma compensação financeira e econômica mais imediata, tendo inclusive um conselho regulador em sua permanente cola (nenhuma outra disciplina acadêmica permitiu algo semelhante, tornando-a um instrumento a serviço da industria do corpo, mas que encontra uma sadia e enérgica contrafação às suas permanentes investidas no âmbito escolar, numa afronta à constituição do país…), vêem no mercado existente a resposta, muitas vezes cruel, de suas ambições a uma vida melhor, frente a realidade de um mercado corporativo e totalmente a serviço do lucro e da riqueza…

No entanto, algumas saídas podem ser encontradas a médio e longo prazos, como por exemplo, no campo das definições, já que o Confef e os Cref’s da vida dificilmente largarão o lucrativo osso a que se aferraram, começando por definir o que seria de sua alçada no pseudo controle de qualidade que ostentam realizar junto aos bacharéis e os provisionados, que são aqueles que de livre escolha, se voltam à mencionada industria e alguns desportos profissionais, mas que nunca poderiam se voltar para os licenciados, que deveriam ser da alçada única do MEC, pois formados nas instituições regulamentadas e aprovadas pelo mesmo, diplomando-os dentro das exigências legais e constitucionais do país. Logo, no âmbito escolar dos três segmentos existentes, básico, médio e superior, de forma alguma poderiam ser monitorados por um órgão sem as devidas qualificações acadêmicas para fazê-lo…

Definida tão importante questão, um outro fator tem de ser equacionado, o da volta das escolas de educação física aos centros de formação de professores,  direcionando os currículos de formação de professores de educação física na priorização das modalidades desportivas, no aumento substancial de suas cargas horárias, como existiam anos atrás, antes da anexação daqueles cursos a área biomédica, quando o transformaram numa preparação de paramédicos de terceira categoria hoje existentes, mas que são preciosos no suporte da industria acima mencionada…

Esta radical mudança, propiciaria uma melhor formação nos princípios pedagógicos e didáticos do futuro licenciado, preparando-o melhor no manejo de jovens escolares, assim como num maior e mais qualificado conhecimento das diversas técnicas pedagógicas e didáticas de ensino dos desportos, sem omitir o conhecimento de disciplinas de caráter biomédico e científico, porém num quantitativo de carga horária nunca superior às desportivas, como ocorre atualmente…

Transposto esse patamar, voltaríamos a ter melhores e mais bem preparados professores, propiciando dai para diante um mais eficiente patamar para o incremento e desenvolvimento das modalidades olímpicas de que tanto necessitamos para muito além de 2016, que desde já pode ser considerada uma etapa perdida, e que marcará com bastantes restrições nossa participação na maior de todas as competições, ironicamente a ser realizada em nosso país…

Voltando-se para o basquetebol, poderíamos ir mais longe se porventura uma mudança pudesse ocorrer na administração do grande jogo em nosso país, apesar de ser bastante difícil, frente às legislações que monitoram os poderes federativos e confederativos ora vigentes, mas que poderiam ser atenuadas através duas e fundamentais ações, a existência das associações de técnicos regionais e uma nacional que as coordenassem, e uma completa reestruturação da Escola Nacional de Treinadores, capilarizando-a pelas cinco regiões do país, e reformulando seus objetivos pedagógicos e técnicos, voltando-a à formação progressiva e orientada dos futuros técnicos, onde suas qualificações aos diversos níveis se exequibilizariam pelo estudo progressivo e permanente, e pelos resultados alcançados na promoção de jogadores por eles orientados às categorias regionais ascendentes e seleções municipais, estaduais e nacionais, e não por títulos alcançados, que é um fator distorcido perante a realidade das divisões de formação de base, como hoje é plenamente realizado. Em síntese, a formação técnica iria de encontro a realidade de trabalho dos professores, com suas limitações e óbices, e não o que ocorre, com o deslocamento dos mesmos para sessões de palestras por 4 ou 5 dias, além da utilização maciça da rede informatizada na divulgação de bibliografias, textos, testes e materiais didáticos tecnicamente preparados, a serem utilizados em sua formação. As promoções aos níveis estabelecidos, seriam conquistadas através resultados alcançados no trabalho de formação de uma base solida e permanentemente acompanhada, numérica e estatisticamente, através dados compilados, registrados e guardados nos anais da Escola.

Revistas técnicas poderiam ser editadas nas regiões cobertas pela escola, assim como encontros, fóruns e seminários para a complementação de sua formação, progressiva e eficiente.

No entanto, uma bem formulada política educacional voltada às escolas e universidades, aos clubes também, onde a educação física, enfim, retornaria ao âmbito, controle e supervisão do MEC, como uma das disciplinas básicas na formação acadêmica e do caráter de nossos jovens, ao lado das artes cênicas, da música, da dança, consubstanciando o projeto de ensino integral escolar, tão ansiado pela nação, que não pode adiar, de forma alguma, seu estratégico projeto de qualificar a mão de obra de que tanto necessitamos, para administrar e desenvolver nossas riquezas e potencialidades.

Enfim, chegamos à encruzilhada, não só da Educação Física, mas da Educação na sua forma mais ampla e inadiável.

Nossos jovens ai estão na longa espera, assim como nossos professores, ambos pertencentes à reserva intelectual e técnica de nosso imenso, injusto e desigual país.

Amém.

Notícias – Reproduções do O Globo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

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UMA PEQUENA RESENHA…

Eis-me de volta, depois de algum tempo envolto na construção de minha mini quadra de basquete (de utilidade básica para as futuras Oficinas Técnicas aqui em casa), do enfrentamento de um vendaval que quase afundou de vez essa bela e abandonada cidade, deixando-me sem energia elétrica, internet, tv, por quase uma semana. Com a volta da normalidade, pinçei na mídia algumas notícias e relatos, que farão parte da pequena resenha a seguir:

– Lá fui eu publicar o artigo “O negócio é puxar ferro“, e rapidinho a turma fisioterapeuta da CBB organiza o evento “Performance e prevenção no basquete”, onde o pessoal antenado com a mesmice endêmica incrustada no grande jogo, aprenderá como criar maiores e melhores atletas para a prática do basquete, noves fora, é claro, a bola e suas dispensáveis e ocultadas técnicas de manuseio, frente ao atleticismo performático imposto coercitivamente aos nossos incautos jogadores, a partir da formação de base, induzidos a correrem mais velozmente, saltar na estratosfera, e trombar com potência e energia, enrijecendo a musculatura, sobrecarregando as articulações, prontidão para maratonas, deixando em segundo ou terceiro planos os fundamentos básicos do jogo, a evolução natural física, mental e psicológica de todo jovem, fatores de prioridade máxima na aprendizagem desportiva, anos luz à frente de precoces e discutíveis cientificismos que não nos tem levado a lugar algum, a não ser a geração enriquecedora de “papers” curriculares, deixando de lado aqueles mestres que realmente conhecem, ensinam e desenvolvem o grande jogo técnico e coletivista em nosso imenso, injusto e desigual país, onde uma ENTB se torna inexequível por conta de um corporativismo retrógrado e cúmplice do que aí está solidamente implantado…

– Do Jogo das Estrelas, vi um pouco do torneio das habilidades, onde pude constatar pela primeira vez desde sua implantação, um vencedor que soube driblar dentro das regras e normas oficiais, o Lucas Dias (seu oponente, o Yago carregou, ou conduziu a bola em todos os obstáculos transpostos) , ao contrário de todos os que o antecederam, vencendo irregularmente, conforme publiquei todos os anos. Quanto ao jogo principal, vencido pela turma brasileira por 144 x 92, apresentou os seguintes números (alguns poderão afirmar ter sido resultado da ïnformalidade”da festa…)-30/50 de 2 pontos, 26/49 de 3, e 6/11 nos LL para os brasileiros, contra 22/36, 13/53 e 9/13 respectivamente para os estrangeiros, para um absurdo total de 52/86 nos 2 pontos, 39/102 nos 3, e 15/24 nos LL, com 25(12/13) erros de fundamentos, ou seja, quem inadvertidamente compareceu ao Pedrocão, assistiu 63 arremessos perdidos nas bolinhas, aspecto que conota muito bem a qualidade da festança. Aliás, cabe aqui uma hilariante referência ao  comentarista da ESPN, quando aos 12 seg do final da partida, mencionou o fato do técnico da equipe brasileira pedir um tempo e desenhar uma jogada na prancheta, assim como o técnico adversário, também usá-la estando 52 pontos atrás no placar. Realmente hilariante e constrangedor…

– E por conta da festança, me vem a recordação de nove anos atrás, quando assumi o Saldanha no NBB2, exatamente nessa fase da competição, dando a mim 10 dias para treinar a equipe, ou 18 bons e puxados treinos, basicamente de fundamentos e introdução ao sistema de 2 armadores e 3 alas pivôs, que se revelou excelente nos resultados finais (hoje mal e equivocadamente copiado por todas as franquias da Liga), apesar das perdas de jogadores importantes afastados administrativamente. Me neguei a comparecer em Uberlândia para a festança, mas não pude evitar que três dos jogadores lá estivessem para cumprir a determinação da Liga. Desde então defendo a tese de que um jogo de estrelas devesse ocorrer ao final da competição, reservando as datas das festas de fim de ano para o ajuste das equipes mal colocadas na tabela classificatória. Porém, duvido que as mesmas mudassem algo, a não ser reforçar as jogadas constantes do sistema padronizado e formatado, únicas do conhecimento de técnicos e jogadores, como até os dias de hoje acontece, dando a mim a plena certeza de que o grande problema do nosso basquetebol foi, é, e será por um longo tempo a parte técnica e tática, inclusive na estratégica formação de base, fatores estes que festanças, publicidade, marketing e torneios chinfrins jamais substituirão tais e fundamentais necessidades, encobertas pelo nefando biombo que as separam da dura realidade, onde a mesmice endêmica impera absoluta…

– Finalmente, proponho uma reflexão – Sabemos todos nós que nos Estados Unidos e em grande parte dos países europeus, divisões de base competem somente em seus bairros (8 aos 10 anos), suas cidades (10 aos 12 anos), estados ( 13 aos 16 anos), para daí em diante competir internacionalmente, mantendo os jovens incluídos ou bem próximos de suas famílias, dando prioridade aos seus estudos básicos, complementados pela atividade desportiva, e afastados ao máximo nas etapas pré e pós adolescência de influências fora de seu círculo familiar, por mais limitado economicamente que seja, propiciando auxílios pontuais que não os afastem de casa, onde o fator educação tem importância maior e vital, reservando a escola e o preparo desportivo o fator instrutivo, e o suplemento educacional. Sempre fui contra a retirada de jovens talentos do seu círculo familiar, sempre, vendo com olhar extremamente crítico as cada vez maiores quantidades de jovens afastados de seu lar e entregues a organizações e agentes particulares, clubes, empresários nacionais e até internacionais, para orientá-los ao desporto, nem sempre amparados por pessoal realmente qualificado e responsável para fazê-lo, originando, muitas vezes, em graves desvios sociais e comportamentais, com lamentáveis desfechos. Acredito, honestamente, que se tivéssemos uma verdadeira e autêntica política nacional voltada à educação (fator estratégico de uma nação), aos desportos e as artes, não estaríamos hoje lamentando e chorando a trágica perda de dez jovens num incêndio que jamais deveria ter acontecido, pois lá não estariam por conta de seu precoce valor no mercado do esporte profissional, antecipado em uma década de suas valiosas, jovens e ceifadas vidas…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV e arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.