Escrevi e postei em 2014, propondo agora a todos os leitores desse humilde blog uma releitura contrastante a tudo que vem sendo veiculado pela imprensa sobre as grandes reformas por que está passando a educação neste novo governo. Lendo e acompanhando tudo o que se relaciona a nova lei do ensino básico e médio, desafio a todos apontar enfoques oficiais que estejam sendo relacionados ao ensino da educação física e os desportos escolar, e suas extensões para a formulação de uma verdadeira e atuante política nacional, até o momento absolutamente inexistente. Será que se trata de assunto importante para o amanhã de nossos jovens, será? Leiam e considerem discuti-lo em sua básica importância, ou não..

 

A ENCRUZILHADA DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO DESPORTO TUPINIQUIM…

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 por Paulo Murilo – Sem comentários

 

Duas semanas atrás saíram na mídia impressa essas duas notícias, que de uma forma bastante direta espelha uma situação anômala e irônica por que atravessa a educação física e os desportos em nosso incongruente país.

Estamos vivendo tempos olímpicos da mais alta complexidade competitiva, onde a realidade desportiva de alta (e baixa também…)qualidade inexiste entre nós, totalmente voltados a que estamos na construção dos cenários, como no Pan Americano de 2007, e recentemente no Mundial de Futebol, com praças e arenas suntuosas, construídas a peso de ouro nem sempre auditadas, dando margem a vultosos desvios e lucros exacerbados a todos aqueles envolvidos no regabofe das verbas oficiais, além de um legado  que nem de longe beneficia a formação de uma cultura desportiva e educacional de nossa juventude, em escolas, universidades e clubes de todo o país, mas que locupleta toda uma poderosa minoria de empreiteiras, empresas (muitas estrangeiras) de hotelaria, turismo, serviços computacionais, e uma plêiade de políticos e empresários, todos unidos em volta da cornucópia milionária dos sacrificados recursos econômicos pertencentes ao povo brasileiro…

Frente a tão hedionda realidade, qual o real e verdadeiro significado das duas notícias acima mencionadas, qual?

Inicialmente, a que constata determinantemente ser a Educação Física a mais procurada área na formação de professores , muito além das demais disciplinas acadêmicas, mas que propriamente não os formam licenciandos, pois uma grande parte, ou mesmo a maioria (o estudo apresentado não define bem esse aspecto) se bacharelam, e que no frigir dos ovos, explica tanta supremacia acadêmica, pois orientados e voltados para a industria do corpo, através as praticas personalizadas e a brutal realidade das holdings que administram a mesma, com suas academias que se avolumam em proporção aritmética por todo o país, e que movimenta em torno de 25 bilhões anualmente, às quais mais do que claramente, não interessa nem de longe a existência regular e constitucional de tais atividades nas escolas e clubes, pois tão lucrativo mercado correria o perigo de ver esvair uma clientela estratégica demais para ser perdida em políticas educacionais voltadas aos jovens deste enorme e injusto país, e a segunda notícia expõe tal realidade com uma clareza exemplar…

Então, frente a tão contundente cenário, onde muitos jovens procuram as escolas de Educação Física na busca de uma compensação financeira e econômica mais imediata, tendo inclusive um conselho regulador em sua permanente cola (nenhuma outra disciplina acadêmica permitiu algo semelhante, tornando-a um instrumento a serviço da industria do corpo, mas que encontra uma sadia e enérgica contrafação às suas permanentes investidas no âmbito escolar, numa afronta à constituição do país…), vêem no mercado existente a resposta, muitas vezes cruel, de suas ambições a uma vida melhor, frente a realidade de um mercado corporativo e totalmente a serviço do lucro e da riqueza…

No entanto, algumas saídas podem ser encontradas a médio e longo prazos, como por exemplo, no campo das definições, já que o Confef e os Cref’s da vida dificilmente largarão o lucrativo osso a que se aferraram, começando por definir o que seria de sua alçada no pseudo controle de qualidade que ostentam realizar junto aos bacharéis e os provisionados, que são aqueles que de livre escolha, se voltam à mencionada industria e alguns desportos profissionais, mas que nunca poderiam se voltar para os licenciados, que deveriam ser da alçada única do MEC, pois formados nas instituições regulamentadas e aprovadas pelo mesmo, diplomando-os dentro das exigências legais e constitucionais do país. Logo, no âmbito escolar dos três segmentos existentes, básico, médio e superior, de forma alguma poderiam ser monitorados por um órgão sem as devidas qualificações acadêmicas para fazê-lo…

Definida tão importante questão, um outro fator tem de ser equacionado, o da volta das escolas de educação física aos centros de formação de professores,  direcionando os currículos de formação de professores de educação física na priorização das modalidades desportivas, no aumento substancial de suas cargas horárias, como existiam anos atrás, antes da anexação daqueles cursos a área biomédica, quando o transformaram numa preparação de paramédicos de terceira categoria hoje existentes, mas que são preciosos no suporte da industria acima mencionada…

Esta radical mudança, propiciaria uma melhor formação nos princípios pedagógicos e didáticos do futuro licenciado, preparando-o melhor no manejo de jovens escolares, assim como num maior e mais qualificado conhecimento das diversas técnicas pedagógicas e didáticas de ensino dos desportos, sem omitir o conhecimento de disciplinas de caráter biomédico e científico, porém num quantitativo de carga horária nunca superior às desportivas, como ocorre atualmente…

Transposto esse patamar, voltaríamos a ter melhores e mais bem preparados professores, propiciando dai para diante um mais eficiente patamar para o incremento e desenvolvimento das modalidades olímpicas de que tanto necessitamos para muito além de 2016, que desde já pode ser considerada uma etapa perdida, e que marcará com bastantes restrições nossa participação na maior de todas as competições, ironicamente a ser realizada em nosso país…

Voltando-se para o basquetebol, poderíamos ir mais longe se porventura uma mudança pudesse ocorrer na administração do grande jogo em nosso país, apesar de ser bastante difícil, frente às legislações que monitoram os poderes federativos e confederativos ora vigentes, mas que poderiam ser atenuadas através duas e fundamentais ações, a existência das associações de técnicos regionais e uma nacional que as coordenassem, e uma completa reestruturação da Escola Nacional de Treinadores, capilarizando-a pelas cinco regiões do país, e reformulando seus objetivos pedagógicos e técnicos, voltando-a à formação progressiva e orientada dos futuros técnicos, onde suas qualificações aos diversos níveis se exequibilizariam pelo estudo progressivo e permanente, e pelos resultados alcançados na promoção de jogadores por eles orientados às categorias regionais ascendentes e seleções municipais, estaduais e nacionais, e não por títulos alcançados, que é um fator distorcido perante a realidade das divisões de formação de base, como hoje é plenamente realizado. Em síntese, a formação técnica iria de encontro a realidade de trabalho dos professores, com suas limitações e óbices, e não o que ocorre, com o deslocamento dos mesmos para sessões de palestras por 4 ou 5 dias, além da utilização maciça da rede informatizada na divulgação de bibliografias, textos, testes e materiais didáticos tecnicamente preparados, a serem utilizados em sua formação. As promoções aos níveis estabelecidos, seriam conquistadas através resultados alcançados no trabalho de formação de uma base solida e permanentemente acompanhada, numérica e estatisticamente, através dados compilados, registrados e guardados nos anais da Escola.

Revistas técnicas poderiam ser editadas nas regiões cobertas pela escola, assim como encontros, fóruns e seminários para a complementação de sua formação, progressiva e eficiente.

No entanto, uma bem formulada política educacional voltada às escolas e universidades, aos clubes também, onde a educação física, enfim, retornaria ao âmbito, controle e supervisão do MEC, como uma das disciplinas básicas na formação acadêmica e do caráter de nossos jovens, ao lado das artes cênicas, da música, da dança, consubstanciando o projeto de ensino integral escolar, tão ansiado pela nação, que não pode adiar, de forma alguma, seu estratégico projeto de qualificar a mão de obra de que tanto necessitamos, para administrar e desenvolver nossas riquezas e potencialidades.

Enfim, chegamos à encruzilhada, não só da Educação Física, mas da Educação na sua forma mais ampla e inadiável.

Nossos jovens ai estão na longa espera, assim como nossos professores, ambos pertencentes à reserva intelectual e técnica de nosso imenso, injusto e desigual país.

Amém.

Notícias – Reproduções do O Globo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

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UMA PEQUENA RESENHA…

Eis-me de volta, depois de algum tempo envolto na construção de minha mini quadra de basquete (de utilidade básica para as futuras Oficinas Técnicas aqui em casa), do enfrentamento de um vendaval que quase afundou de vez essa bela e abandonada cidade, deixando-me sem energia elétrica, internet, tv, por quase uma semana. Com a volta da normalidade, pinçei na mídia algumas notícias e relatos, que farão parte da pequena resenha a seguir:

– Lá fui eu publicar o artigo “O negócio é puxar ferro“, e rapidinho a turma fisioterapeuta da CBB organiza o evento “Performance e prevenção no basquete”, onde a pessoal antenado com a mesmice endêmica incrustada no grande jogo, aprenderá como criar maiores e melhores atletas para a prática do basquete, noves fora, é claro, a bola e suas dispensáveis e ocultadas técnicas de manuseio, frente ao atleticismo performático imposto coercitivamente aos nossos incautos jogadores, a partir da formação de base, induzidos a correrem mais velozmente, saltar na estratosfera, e trombar com potência e energia, enrijecendo a musculatura, sobrecarregando as articulações, prontidão para maratonas, deixando em segundo ou terceiro planos os fundamentos básicos do jogo, a evolução natural física, mental e psicológica de todo jovem, fatores de prioridade máxima na aprendizagem desportiva, anos luz à frente de precoces e discutíveis cientificismos que não nos tem levado a lugar algum, a não ser a geração enriquecedora de “papers” curriculares, deixando de lado aqueles mestres que realmente conhecem, ensinam e desenvolvem o grande jogo técnico e coletivista em nosso imenso, injusto e desigual país, onde uma ENTB se torna inexequível por conta de um corporativismo retrógrado e cúmplice do que aí está solidamente implantado…

– Do Jogo das Estrelas, vi um pouco do torneio das habilidades, onde pude constatar pela primeira vez desde sua implantação, um vencedor que soube driblar dentro das regras e normas oficiais, o Lucas Dias (seu oponente, o Yago carregou, ou conduziu a bola em todos os obstáculos transpostos) , ao contrário de todos os que o antecederam, vencendo irregularmente, conforme publiquei todos os anos. Quanto ao jogo principal, vencido pela turma brasileira por 144 x 92, apresentou os seguintes números (alguns poderão afirmar ter sido resultado da ïnformalidade”da festa…)-30/50 de 2 pontos, 26/49 de 3, e 6/11 nos LL para os brasileiros, contra 22/36, 13/53 e 9/13 respectivamente para os estrangeiros, para um absurdo total de 52/86 nos 2 pontos, 39/102 nos 3, e 15/24 nos LL, com 25(12/13) erros de fundamentos, ou seja, quem inadvertidamente compareceu ao Pedrocão, assistiu 63 arremessos perdidos nas bolinhas, aspecto que conota muito bem a qualidade da festança. Aliás, cabe aqui uma hilariante referência ao  comentarista da ESPN, quando aos 12 seg do final da partida, mencionou o fato do técnico da equipe brasileira pedir um tempo e desenhar uma jogada na prancheta, assim como o técnico adversário, também usá-la estando 52 pontos atrás no placar. Realmente hilariante e constrangedor…

– E por conta da festança, me vem a recordação de nove anos atrás, quando assumi o Saldanha no NBB2, exatamente nessa fase da competição, dando a mim 10 dias para treinar a equipe, ou 18 bons e puxados treinos, basicamente de fundamentos e introdução ao sistema de 2 armadores e 3 alas pivôs, que se revelou excelente nos resultados finais (hoje mal e equivocadamente copiado por todas as franquias da Liga), apesar das perdas de jogadores importantes afastados administrativamente. Me neguei a comparecer em Uberlândia para a festança, mas não pude evitar que três dos jogadores lá estivessem para cumprir a determinação da Liga. Desde então defendo a tese de que um jogo de estrelas devesse ocorrer ao final da competição, reservando as datas das festas de fim de ano para o ajuste das equipes mal colocadas na tabela classificatória. Porém, duvido que as mesmas mudassem algo, a não ser reforçar as jogadas constantes do sistema padronizado e formatado, únicas do conhecimento de técnicos e jogadores, como até os dias de hoje acontece, dando a mim a plena certeza de que o grande problema do nosso basquetebol foi, é, e será por um longo tempo a parte técnica e tática, inclusive na estratégica formação de base, fatores estes que festanças, publicidade, marketing e torneios chinfrins jamais substituirão tais e fundamentais necessidades, encobertas pelo nefando biombo que as separam da dura realidade, onde a mesmice endêmica impera absoluta…

– Finalmente, proponho uma reflexão – Sabemos todos nós que nos Estados Unidos e em grande parte dos países europeus, divisões de base competem somente em seus bairros (8 aos 10 anos), suas cidades (10 aos 12 anos), estados ( 13 aos 16 anos), para daí em diante competir internacionalmente, mantendo os jovens incluídos ou bem próximos de suas famílias, dando prioridade aos seus estudos básicos, complementados pela atividade desportiva, e afastados ao máximo nas etapas pré e pós adolescência de influências fora de seu círculo familiar, por mais limitado economicamente que seja, propiciando auxílios pontuais que não os afastem de casa, onde o fator educação tem importância maior e vital, reservando a escola e o preparo desportivo o fator instrutivo, e o suplemento educacional. Sempre fui contra a retirada de jovens talentos do seu círculo familiar, sempre, vendo com olhar extremamente crítico as cada vez maiores quantidades de jovens afastados de seu lar e entregues a organizações e agentes particulares, clubes, empresários nacionais e até internacionais, para orientá-los ao desporto, nem sempre amparados por pessoal realmente qualificado e responsável para fazê-lo, originando, muitas vezes, em graves desvios sociais e comportamentais, com lamentáveis desfechos. Acredito, honestamente, que se tivéssemos uma verdadeira e autêntica política nacional voltada à educação (fator estratégico de uma nação), aos desportos e as artes, não estaríamos hoje lamentando e chorando a trágica perda de dez jovens num incêndio que jamais deveria ter acontecido, pois lá não estariam por conta de seu precoce valor no mercado do esporte profissional, antecipado em uma década de suas valiosas, jovens e ceifadas vidas…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV e arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

“O NBB QUE VOCÊ NUNCA VIU”…

Andei analisando e revendo muitos vídeos e fotos sobre os últimos NBB´s, tendo sido alguns daqueles registros parte de muitos artigos aqui publicados, todos fazendo parte de uma rotina imutável, como se houvesse sido baixada uma lei central de que somente um sistema de jogo pudesse ser executado, ano após ano, e já lá se vão dez, de uma mesmice endêmica, onde jogadores, técnicos, dirigentes, analistas , empresários e agentes gravitam em torno do mesmo, num tétrico carrossel em sua monocórdia trajetória, sem princípio, e muito menos fim…

Repetir, insistir, repetir, tornar a insistir, metódica e servilmente, agregando uma novidade/cópia aqui, mais uma imitação alí, uma canhestra apropriação tática acolá, num somatório previsível e na maioria das vezes infantilóide, típico de todos aqueles que se julgam conhecedores de tudo, e certamente de nada, nada mesmo, pois o tatibitati técnico tático faz as honras da mesa de um indigesto banquete, aquele que intoxica e muitas vezes mata…

“É outro o basquetebol agora jogado, e precisam se acostumar”, e tome “chega e chuta”, preparação fisioterápica arrasadora, quase que precisando de uma quadra de 50 metros e uma aro a 3,50m do solo, frente ao poderio atlético descomunal de jogadores que muito tarde descobrem a existência de uma bola no campo de jogo, e a obrigação técnica de controlá-la, dominá-la  direcioná-la com precisão, e não maltratá-la e percuti-la da forma mais primária e imprecisa, isso quando conseguem contatar alguma no meio de tanta insana correria…

Já se ouve comentaristas, uns raros que parecem entender um pouco melhor o grande jogo, dizerem que os jogos pecam demais na técnica, na tática, nos fundamentos, mas sobram em emoções, levando à histeria narradores ufanistas e boquirrotos, empolgando seu público mais para torcedores de futebol do que basquetebol, que raramente enchem os ginásios e arenas, aplaudindo ruindades dentro e fora das quadras, pencas de medíocres americanos para cá canalizados no projeto NBA/NBB, que agora mesmo patrocina escolinhas pagas em estados do país, porém, como num escorregão, prestigiando excelentes armadores argentinos que, honestamente, perdem muito de seu potencial ao se defrontar com um sistema formatado e padronizado, que anula muito de suas qualidades adquiridas no excelente processo de formação de base de seu país…

Mas para não afirmarmos que tudo está perdido, já jogamos, mesmo dentro do inefável SU, com dupla armação, alas pivôs mais atléticos e velozes, um pouco mais de jogo interior, sem, no entanto avançarmos na defesa exterior, e o principal, evoluirmos nos fundamentos básicos do jogo, trocando-os por um atleticismo desvairado, perigoso e descerebrado, principal e estrategicamente na formação de base, onde são poucos os professores e técnicos real e fortemente preparados para exercer tal prioridade para o futuro do grande jogo entre nós…

E como categórico exemplo do que tanto tenho alertado em função dos tortos caminhos em que nos enveredamos, ao término a poucas horas do jogo entre Paulistano e Pinheiros (91x 85 para o Pinheiros), ambas as equipes trucidaram o bom senso técnico tático com os seguintes números: 18/31 nos arremessos de 2 pontos para o Paulistano, contra 17/34 para o Pinheiros, 9/37 nos 3 pontos, contra 12/29 respectivamente, 22/25 nos lances livres, contra 11/32 também respectivamente, totalizando a convergência de 35/65 nos 2 pontos e 21/66 nos 3, numa absurda e perturbadora realidade do que estamos equivocadamente implantando no basquetebol tupiniquim, principalmente como modelo aos jovens iniciantes, ainda mais quando somamos a tal incúria 30 erros de fundamentos (15/15), fechando com chave de m…o que estamos presenciando e testemunhando do que pior possa existir como basquetebol elitizado (?)…

Em breve estaremos disputando as duas últimas partidas na classificatória ao Mundial, que deveremos ultrapassar, restando a incógnita questão do que ocorrerá no Mundial, onde um técnico croata se deparará com uma realidade antítese da sua, a começar com seus assistentes, em tudo e por tudo antagônicos técnica e taticamente a suas convicções e experiência técnica, até jogadores que se acreditam ungidos na seletiva especialidade nos longos arremessos, aí incluídos os pivôs, pouco ou quase nenhum comprometimento com a defesa exterior do perímetro, ausência atávica de movimentação sem a bola, sentido de cobertura longitudinal a linha da bola , e não lateralizada a mesma como deve ser, num caldo incolor, típico de uma elite produto de uma formação de base viciosa, falha e acima de tudo, descompromissada com o duro e permanente trabalho nos fundamentos, ferramenta básica de sua modalidade, sem a qual sistema nenhum de jogo se torna realidade, mesmo o SU a que se dedicam desde sempre, logo, o NBB que você nunca viu, é esse que você sempre viu, o que aí está, agregando a grande revolução da chutação de três. Se acostumar com isso é dose…

Mesmo assim torço para que o Petrovic consiga, de alguma forma mágica, contornar tantos obstáculos, solitário de preferência, pois se depender de sua assistência, certamente estará frito, patinando no escorregadio tapetebol* já estendido a sua frente…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

*Tapetebol – A arte de se puxar o tapete dos pés de um adversário, ou pior, de um colega de profissão.

Mais sobre o tema Tapetebol

O PASSO ADIANTE…

2018 se foi, e como último suspiro um torneio premiando uma classificação para a Liga América, intitulado de Super 8, reunindo num mata mata os oito mais bem classificados ao final do turno inicial do NBB, feericamente anunciado, sendo transmitido ao vivo e a cabo, reunindo em suas transmissões praticamente a nata dos comentaristas e narradores do basquetebol nacional, sem contar os abalizados convidados, medalhados ou não, situados todos em torno da deificação do momento brilhante por que passamos (opinião de todos), auferindo as maiores esperanças de grandes vitórias nos torneios internacionais que se  avizinham, entre eles a classificatória ao Mundial do segundo semestre…

No entanto, em meio a tanto confete e serpentinas, algo sequer foi mencionado, muito menos analisado, os frios e determinantes números emergidos da competição, os mesmos que nos tem afligido e seriamente preocupado, pela dolorosa constatação de que a mesmice endêmica em que nos encontramos estratificados, se mantém incólume, intocada e triunfante, com os 254/482 (52,6%) arremessos de dois pontos, 124/381 (32,5%) nos de três pontos, 225/288 (78,1%) nos lances livres e uma média de 17,9 erros de fundamentos por jogo, quando o padrão aceitável para uma competição deste nível seria de 70% nos dois pontos, 60% nos três, 90% nos LL, e 10 erros por jogo, e um pouco mais em se tratando do repositório das  seleções nacionais…

Não entra nestas contas o sistema formatado e padronizado utilizado por todas as equipes, com seus previsíveis passes laterais, pivôs atuando fora do perímetro, ou solitários quando de posse da bola dentro do mesmo, jogadas totalmente empreendidas para o arremesso de três, desnudando a cumplicidade explícita entre jogadores e estrategistas, juntos neste atentado ao grande jogo, e plenamente cônscios de que o estão “revolucionando”, num erro estratégico e colossal, pela mais profunda ignorância do que venha a ser precisão técnico científica na direcionalidade dos longos arremessos com uma das mãos, contrapondo o alto aproveitamento estatístico dos médios e curtos arremessos, aqueles que realmente vencem jogos…

E como presente de ano novo, na retomada do NBB, Paulistano e Corinthians perpetraram um absurdo jogo, onde o campeão da temporada passada venceu por 82 x 78, arremessando 12/18 bolas de dois pontos e inacreditáveis 15/38 de três (seu adversário arremessou 12/32 de dois, e 12/29 de três), totalizando os dois bandos 24/50 de dois e 27/67 de três, ou seja, 40 ataques perdidos de três, num arrepiante desperdício de tempo e esforço físico, noves fora a ausência defensiva, que o estrategista do Paulistano tentou emular com sua caminhada de ida e volta pelos dez metros em frente ao seu banco, numa frequência aproximada de 5 passagens por minuto, ou  50 metros, que ao final de 40 minutos de jogo proporcionou uma boa metragem (calculem…), entremeadas pelas contumazes reclamações e pressões na arbitragem, e claro, pela torcida escancarada pelas bolinhas, assim como seu oponente do outro lado, e tudo isso emoldurando 33 erros de fundamentos (23/10), dando o direto recado de como será o basquetebol daqui para diante, sob os aplausos da mídia, e daqueles que odeiam o grande jogo, vide o solene vazio de público nas arenas tupiniquins, não adiantando de nada os comentários do técnico Petrovic sobre a farra dos três pontos, e tendo como assistentes diretos dois dos maiores adeptos e utentes das dita cujas em suas equipes no NBB, fato que por si só justificaria suas substituições na assistência do técnico nacional (atitude esta que ele mesmo deveria tomar, claro, se tivesse carta branca para tanto), que em hipótese alguma poderia privar de assistentes em flagrante contraponto com suas convicções técnico táticas, ainda mais numa seleção nacional…

Porém, algo maior preocupa muito mais, a cada vez maior incidência de cobertura jornalística (?) na grande rede sobre a NBA, com requintes técnicos, táticos, administrativos, econômicos, sociais, e até pessoais, sobre um universo que não nos diz respeito pela imensa distância de nossas realidades, mas que tenta influir e direcionar os anseios de nossos jovens, como o eden a ser alcançado, divulgando conceitos de vida opostos e equivocados, dentro da realidade que nos separam, inclusive emitindo opiniões técnicas, táticas, estratégicas, administrativas e comportamentais de técnicos profissionais de um outro país, em seu próprio campeonato, sem o mais ínfimo conhecimento local, pessoal, vivencial, no seu dia a dia laboral, extra e intramuros, soando falso, muito falso, palpiteiro, onde os achismos se fazem presentes, onde opiniões e pontos de vista caem num vazio prepotente e audacioso, que não resiste ao mais primário julgamento qualitativo, ante tanta pretensão de quem se acha conhecedor profundo do grande jogo, aqui, e muito mais, lá fora…

Proclamar aos ventos que o futuro do basquetebol, seu modernismo, sua pujança se reflete na capacidade pontuadora nos três pontos, na força física, na velocidade insana, é duvidar da capacidade centenária de se reinventar do grande, grandíssimo jogo, onde o poder do contraditório fez dele o master dos jogos coletivos, com sua rica bibliografia, filmografia, pródigas muito antes da era digital, da computação, sempre combatendo e defenestrando os bestialógicos postados na mídia através décadas de presença praticamente universal. É a modalidade desportiva onde a enganação não encontra subterfúgios, máscaras, personas, mas que propugna certezas, razões e vasto conhecimento àqueles que humildemente se dedicam honestamente a ela, por ela e para ela, para no final descobrir que muito pouco aprendeu do universo de conhecimentos que ainda tem de descobrir e estudar…

Agora mesmo, um diretor substituído por uma nova administração, revela que buscou o técnico campeão da temporada passada, por estar o mesmo “um passo à frente”, técnica e taticamente de seus colegas de profissão, dotando-o com uma estrutura altamente profissional e jogadores do mais alto nível, para, segundo o mesmo, vencer todas as competições possíveis, nacionais e internacionais, mas que fracassou na recente Liga Sul Americana jogando em casa, porém vencendo um morno Super 8 com vaga na Liga das Américas. Muito bem, pergunto em que passo à frente estava o referido técnico? O “chega e chuta” alucinado de seu sistema de jogo? A permanente dupla armação que integrou a equipe? Dupla armação essa sempre liderada por um armador argentino, cuja escola formativa é imensamente superior a nossa? Defesa maciça nos rebotes e no âmago do garrafão, propiciando os contra ataques? Bem, fora a epidemia da chutação de três, cuja desculpa maior é a da rápida elasticidade nos placares naqueles jogos mais difíceis (engraçado ser esta a desculpa de todas as equipes da liga…), os demais pontos foram pinçados de uma equipe humilde e vencedora de 11 anos atrás, no NBB2, que indo jogar contra a equipe da qual o grande técnico fazia parte, venceu o jogo, apanhando muito ante uma arbitragem “da casa”, fez 91 pontos de 2 em 2 e 1 em 1, com somente 9 tentativas de 3, convertendo 5, conquistando 20 rebotes a mais do que sua equipe (jogando em casa, diga-se), e contestando todos os arremessos longos, (que foram 33!!), e atuando com dois armadores de ofício e três alas pivôs ágeis, rápidos e atléticos, dando o verdadeiro passo adiante na mesmice endêmica existente, e que resiste até hoje, no NBB11. A grande “novidade e conquista” é a chutação insana, burra e irresponsável de três, cuja cobrança tem sido dolorosa nas grandes (as grandes mesmo…) competições internacionais, como os Mundiais e as Olimpíadas…

O primeiro, e até hoje grande passo para a evolução estratégica e tática do grande jogo entre nós foi varrida para baixo do tapete da história, onde até seu implementador foi defenestrado, e proibido de exercer sua profissão de técnico graduado, mantendo a de professor mais graduado e doutorado ainda em Ciências do Desporto, com tese em basquetebol, além de teimosamente manter esse humilde blog, trincheira maior contra a enganação institucionalizada nesse imenso, desigual e injusto país…

Que bom que algo tenha sido pinçado daquela magnífica equipe, pena que não tenham pinçado a totalidade do que ela representou e inovou, mas não os condeno, pois para tanto teriam de…Ora, quem se importa…

Como no exemplo acima, quando o Paulistano venceu fazendo 82 pontos, arremessando 18 bolas de 2 e 38 de 3, fica a lição maior da humilde equipe do NBB2 fazendo 91 pontos, arremessando somente 9 bolas de 3, duvidam? Clique AQUI. ( Outros jogos na seção Multimídia do Blog)

Amém.

Foto – A equipe que deu o primeiro passo, e que foi liquefeita por tanta ousadia, numa opção burra e equivocada, fruto do exacerbado corporativismo que esmaga e humilha o grande jogo no país.

Saldanha da Gama – NBB2.

 

O POSSÍVEL AMANHÃ…

Desde algum tempo, e face à progressiva decadência do desporto de base no país, me perguntam insistentemente, que providências encaminharia ao poder público, a fim de serem estudadas e analisadas junto a sociedade civil, na busca de soluções factíveis a nossa realidade de país carente de recursos voltados a educação física e ao desporto, como manifestações de extraordinária importância na formação plena de nossa juventude, em conjunto com as disciplinas tradicionais, as artes, a música, o teatro e a dança, que é um direito constitucional de todo cidadão brasileiro, queiram ou não os dirigentes e os políticos deste imenso, desigual e injusto país…

Sendo na Educação Física e o Desporto a minha formação básica, como professor e técnico em todos os níveis e graus de escolaridade, do primário à universidade, face à licenciatura plena, assim como o profundo envolvimento na área clubística, da formação de base até a elite junto ao basquetebol, por mais de 50 anos de árduo trabalho, estudo, pesquisa e ação direta na formação dos futuros professores de educação física na UFRJ, Universidade Castelo Branco, UERJ e UFF, complementando minha educação com o bacharelato em Jornalismo Audiovisual, e o Doutoramento em Ciências do Desporto na FMH/UTL de Portugal, sinto que posso sugerir algumas providências que auxiliariam substancialmente o desenvolvimento da educação física e os desportos no país…

Para tanto, devo me reportar ao início da hecatombe que se abateu sobre a formação dos futuros professores de educação física e desportos, quando em 1972, sob a direção da Profa. Maria Lenk, foi estabelecida a transferência da EEFD/UFRJ do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, para o Centro de Ciências da Saúde daquela instituição (eramos na ocasião, eu e o Alfredo Gomes de Faria acessores da Maria Lenk, demissionários pela decisão), com a justificativa de que a educação física somaria um mais elevado status profissional se ligada a área médica, dando início ao ciclo da saúde integral, mais tarde transformada em culto ao corpo, originando o bacharelato e o inacreditável CONFEF/CREF, à imagem do Conselho de Medicina, transformando as escolas de educação física em praticamente centros de formação de paramédicos, pois seus currículos prioritários de créditos de disciplinas desportivas, com suas didáticas específicas, foram sendo minimizados em beneficio de disciplinas biomédicas, justificando o aparecimento do bacharelato na área, fortalecendo e abastecendo a indústria do corpo com mão de obra estagiária barata, hoje largamente disseminada pelo país, com suas holdings de suntuosas academias, utilizando-os a granel e preço baixo, num negócio que já movimenta mais de 20 bilhões anuais, não interessando ao mesmo a implementação e desenvolvimento da educação física escolar, arriscando um mercado de tal monta e estratosféricos lucros, daí suas incursões na área das licenciaturas, origem do professorado, e não somente bacharéis e provisionados, definidos como profissionais de educação física…

Com os currículos minimizados nas disciplinas desportivas, como preparar melhores professores para as mesmas, como desenvolvê-los nas disciplinas da licenciatura com tão poucos e parcos conhecimentos, como? O resultado a longo prazo (e já lá se vão 46 anos desde a trágica opção) se faz sentir com a perda e clara decadência do ensino dos desportos junto aos jovens, nas escolas e nos clubes, pois muitos dos responsáveis por essa básica tarefa, foram sendo transformados dai em diante em “professores” após seu tempo como praticantes, além dos muitos que foram, e continuam sendo “provisionados” pelo sistema CONFEF/CREF por todo o país, que não satisfeito ousa, com algum sucesso político, influir na formação universitária, seus currículos, e nos concursos públicos municipais, estaduais e federais, condicionando o ingresso aos mesmos ao registro no cref, numa atuação diretiva a que não deveria ter direitos, pois teima em investir na área educacional quando estruturado como controlador qualitativo dos “profissionais de educação física”, como tentam definir os licenciandos das escolas de educação física, nivelando-os aos provisionados que avaliza, e os bacharéis, abastecedores do bilionário mercado da indústria do corpo, e que teria de ser alijado da pretensão absolutista do controle qualitativo dos licenciados, dos professores, haja vista a não existência de conselhos nas demais disciplinas dos currículos escolares, gerando a pergunta mais enfática – por que somente existe um conselho federal na disciplina de educação física, por que? Creio que o exposto acima responde com folga a este questionamento, ou não?

Hoje mesmo, o Confef publica em página inteira no jornal O Globo uma publicidade oportunista e falaciosa, pois o eleito presidente da república não é formado em curso superior de educação física, e sim qualificado como instrutor em curso de um ano, quando oficial do exército, pela EEFEx, que forma também monitores quando sargentos, para atenderem as exigências físicas das tropas nos quartéis, onde em muitos deles atendem jovens da periferia e organizam colônias de férias em suas bem cuidadas instalações, muito bem administradas, deve ser dito, e que durante os governos militares também recebiam o registro “D”, equivalente aos licenciados, que os qualificavam para o ensino escolar e universitário, hoje não mais existente. Trata-se a publicação da página do Comfef de uma jogada política oportunista, e que tem como razão maior sedimentar e dar impulso a sua conquista prioritária, o domínio total da indústria do culto ao corpo com seus vultosos lucros, onde o desenvolvimento pleno da educação física e do desporto escolar ao desviar um número significativo de utentes de suas majestosas academias, deve ser mantido no estágio falimentar atual…

Então, como primeiro passo para reencontrarmos o caminho para um melhor ensino da educação física e os desportos nas escola e nos clubes, se torna prioritário e obrigatório a volta dos cursos de educação física para os Centros de Ciências Humanas, berço formador de professores, deixando para trás os Centros da Saúde, que já se locupletaram com o rentável naco da fisioterapia, reintroduzindo prioritariamente os créditos das modalidades desportivas e pedagógicas, como de antanho, assim como reforçando a licenciatura e as práticas de ensino junto a escolas, e não academias. Acredito que num prazo médio obteriamos melhorias substanciais no ensino dos desportos, sem dúvida alguma…

Dada a grande dificuldade politico econõmica para a extinção do anacrônico e impositivo sistema Confef/Cref, que o mesmo se situe no “controle qualitativo” dos muitos e muitos provisionados que patrocinou e registrou por anos a fio, e dos bacharéis não credenciados com a licenciatura, até que o bom senso seja resgatado, que é o fator crucial que difere “profissionais” de professores de educação física, com sua formação avalizada e reconhecida por quem de direito, as universidades e o MEC, responsáveis de direito pela formação e graduação dos professores do país, e a quem cabe definir suas qualificações…

Outro fator de grande importância é o aparelhamento e atualização das dependências desportivas já existentes nas escolas, sem luxos. e sim com parcimônia e realismo, assim como a criação de parcerias com os inúmeros clubes sociais, que desenvolveram por muitos anos o desporto jovem, hoje ausentes do processo social desportivo, com escolas vizinhas desprovidas de instalações desportivas, em horários compatíveis, sem a necessidade de investimentos em locais inapropriados, a não ser a manutenção e melhria dos mesmos, beneficiando a ambos, alunos e utentes.

Outra boa perspectiva no âmbito do basquetebol, seria a de investir qualitativamente na ENTB da CBB, com um planejamento voltado a diversificação regional, atendendo a qualificação de futuros técnicos através o acompanhamento gradual na formação de base, atualizando-os localmente e através informações pela internet, classificando-os anualmente, atendendo a seus progressos no ensino, e não por títulos conquistados, critério este destinado eventualmente aos técnicos das divisões adultas, priorizando o mérito na formação de base, que é o princípio de tudo no desporto…

Finalmente, a reestruturação e despolitização da CBDU e da CBDE, encaixando-as numa política nacional de Educação Física e Desportos, visando o universo estudantil, sem dúvida alguma incrementaria o desenvolvimento de nossos jovens em seu ambiente natural, a escola e a universidade, complementada pela revigoração dos clubes.

Enfim, são soluções viáveis e de oneração compatível a realidade do país, bastando ser estabelecida uma autêntica e objetiva política voltada a educação física e os desportos visando a tão negligenciada juventude deste enorme, desigual e injusto país.

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal da participação  feita no Congresso Brasileiro de Justiça Desportiva, realizado em Florianópolis em setembro de 2015, onde expus alguns dos pontos aqui abordados nesse artigo, e reprodução do jornal O Globo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

QUE OS DEUSES NOS PROTEJAM…

Nessas duas primeiras rodadas do NBB 11, consegui, com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e como, invariavelmente acontece, me coloco na contramão da mídia dita especializada, pois os comento como professor e técnico de basquetebol em todos os parâmetros exigidos pelas funções, e não como torcedor, consumidor, entusiasta, ou mesmo comentador de uma modalidade complexa e altamente refinada como o grande jogo deve ser encarado e esmiuçado, sem as chutações a que é submetido no processo osmótico daqueles que o foram apresentados outro dia, sem contar as transmissões ufanistas e empoladas em termos “de como dizem os americanos”, como se isto fosse a nossa verdade do grande jogo, num colossal erro de falsa percepção e conhecimento profundo do mesmo…

Impressionante as elucubrações técnico táticas que são lançadas a esmo pela rede, pela TV, pelos blogs, e o que é mais tragicômico, sem um mínimo de autenticidade, pois comentam jogos rigorosamente iguais, praticados por equipes que se emulam freneticamente, onde americanos meia boca ditam suas normas individualistas (pranchetas? Ha, sei…), elevando o sistema único ao patamar supremo da mesmice endêmica a que pertencem, todos, rigorosamente todos, numa incômoda, precária e lastimável repetição do nada a que estão atrelados, dentro, e o pior, fora das quadras, bastando observar estupefatos os desconexos rabiscos nas midiáticas pranchetas desde sempre, a desenfreada hemorragia nas bolinhas consentidas e incentivadas pelos estrategistas, resultantes da ausência defensiva generalizada (logo falseadas), que retomam sua predominância em jogos, como Joinville e Pinheiros, onde 73 arremessos de três foram realizados (30/43), contra 45 de dois pontos (25/20), numa demonstração tácita do descaminho em que enveredamos a cada rodada que passa, realocando na cabeça do Petrovic sua maior preocupação em termos de seleção, de equipe enfim – como encarar de frente essa situação, combatendo-a, ou aderindo, como fizeram  seus colegas estrangeiros que o antecederam? – com os resultados que conhecemos, tristes resultados, e mais tristes ainda, catastróficos, a continuar grassando essa absurda autofagia…

Os erros de fundamentos continuam na faixa dos 27,2 por jogo, com somente uma partida abaixo dos 20 erros, Mogi 97 x 83 Pinheiros com 15 (num jogo de ontem o comentarista mencionou os 20 erros de uma das equipes como uma tragédia, no entanto classificou o jogo como um “partidaço” digno de nossas melhores tradições), sendo que um deles vem se avolumando perigosamente pelas mãos de armadores, categorizados ou não, que “conduzem” a bola abertamente no drible (cometendo a infração de andar com a bola, já que interrompem deliberadamente a trajetória da mesma em direção ao solo) , facilitando e exequibilizando jogadas e fintas mirabolantes, que sem a utilização desse estratagema ilegal, jamais se concretizariam, sem que os juízes os impeçam como deveriam fazê-lo. Aliás, lembremos que num jogo em Mogi do ano passado, a dupla de comentaristas Cadum e Boracin, mencionava aos risos que se as conduções fossem penalizadas, nenhum jogo nosso andaria, relato esse vindo de dois de nossos melhores armadores, inclusive de seleções nacionais…

Mas o mais frustrante, é ter de presenciar o “ritual” em torno do estrategista a cada tempo pedido, quando o mesmo se reúne com seus assistentes confabulando estratégias (que se treinadas dispensaria tais e inócuas reuniões), ter sua cadeira (trono?) colocada por um deles em frente aos jogadores, sua prancheta entregue por outro, para ao fim do discurso e dos rabiscos, devolvê-la, senhorialmente. Simplesmente constrangedor…

Acredito firmemente que, nem tão cedo veremos progressos em nosso infeliz basquetebol, investidor pesado em marketing, imitação (que não deveriqa ser assim) pífia da matriz, penduricalhos disfarçados em lazer, e arenas cada vez mais vazias, esquecendo a mater tarefa para desenvolver de verdade o grande jogo em nosso imenso, desigual e injusto país, o investimento maciço e estratégico na formação de base e de técnicos, entregue a quem tem competência de planejá-lo, orientá-lo e liderá-lo, também na elite, para servir de exemplo balizador aos que se iniciam, priorizando um maior envolvimento com os fundamentos do jogo, e o emprego de sistemas ofensivos e defensivos diferenciados, e não essa mesmice endêmica escancarada, descaracterizada e robotizada da nossa realidade, camuflando-a com um pastiche imitado, servil e colonizado do que, por força de um mercado voltado ao lucro, nos impingem desenfreadamente, e de fora para dentro. Acredito, honestamente, que temos muito mais a mostrar e demonstrar técnica e taticamente no mundo do grande jogo (já fomos grandes, lembram?), que não seja o que aí está, carcomido e absolutamente medíocre, onde nossos melhores prospectos são lançados além fronteiras às feras ainda púberes, com precário preparo estudantil (muitas vezes nem isso…), manipulados por agentes e empresários ávidos por lucros imediatos, a que preço for, tendo o apoio de uma mídia mais ávida ainda do reconhecimento de suas abalizadas, imprecisas e interesseiras projeções, muitas vezes incultas e irresponsáveis, vide o que vem acontecendo com nossos “craques” no mercado selvagem do basquetebol internacional, a começar pela matriz, onde sequer conseguem se manter 5 minutos em quadra, sendo descartados no varejo de um mercado que não perdoa a má formação de base, enquanto por aqui gasta-se muito dinheiro com estrangeiros de terceiro/quarto níveis (uns poucos se salvam, a começar pelos hermanos), participantes de um festim, onde o sistema único nivela jogadores, técnicos, diretores, jornalistas e torcedores, em torno de uma formatação e padronização aceita por todos, pois mantenedora de suas posições, empregos e discutíveis prestígios, se confrontados com a dura realidade internacional…

Sim, consegui com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e, sinceramente, preferiria não tê-lo feito, a fim de não sentir o triste desprazer de ter postado a matéria acima , mas convenhamos, alguém teria de fazê-lo, principalmente se realmente se interessa e ama o grande jogo bem formado, treinado, discutido e, acima de tudo, bem jogado, pois lá se vão 14 anos de Basquete Brasil, esta humilde e democrática trincheira em defesa de todo um corolário de conhecimentos factíveis e responsáveis, ao largo das chutações e achismos modais, anônimas ou não… 

Que os deuses nos protejam…

Amém.

Fotos – Conferência de abertura do 3o Congresso Mundial de Treinadores de Lingua Portuguesa, Lisboa julho de 2009 (video).

– Divulgação CBB. Clique duas vezes nas mesmas para ampliá-las.

RESPONDENDO AO ALEX NETTO…

Um comentário sobre o último artigo aqui publicado, merece, sem dúvida, uma resposta a altura de sua importância:

Alex – Ontem

Por uma incrível coincidência ouço a duas décadas que “foi nos detalhes” ou “faltou sorte na hora H” sempre que somos derrotados para uma seleção de ponta da América do Norte, do Caribe ou da Europa (as européias, em especial as eslavas, que jogam “batendo na defesa”).

Poderia ajudar a desvendar esse mistério professor (o porque essa ‘coincidência’ persiste a duas décadas) ?

 

Vamos lá então, prezado Alex – Comecemos com uma pequena equação de primeiríssimo grau – A qualidade e força de uma equipe está diretamente proporcional ao maior ou menor conhecimento e domínio dos fundamentos do jogo, por parte de todos os seus integrantes, dentro e fora da quadra – verdade indiscutível na prática do grande jogo, e que não apresenta a relevância de sua básica importância na formação de base dos nossos jovens que se iniciam no mesmo. Não se trata de um mistério, e sim de uma brutal realidade no processo de ensino e aprendizagem do basquetebol em nosso país, onde os sistemas táticos antecedem em tempo e importância o ensino dos fundamentos, numa inversão de prioridades que nos tem causado enormes, e até agora, intransponíveis reveses…

Toda essa carência de conhecimentos tem origem a partir do início dos anos 70 com a ida dos cursos de educação física para os centros de ciências da saúde, saindo de sua base educacional dos centros de filosofia e ciências humanas, ocasionando uma radical mudança curricular, onde os seis semestres dedicados ao ensino dos desportos, foram reduzidos a dois, ás vezes um só semestre, trocados por disciplinas da área biomédica, dando início ao ciclo do culto ao corpo, mantido até os dias de hoje, que somado a criação dos bacharelados de educação física, desencadeou e sedimentou a uma indústria do corpo que movimenta mais de 12 bilhôes de reais ao ano, sacramentada pelo sistema Confef/Crefs, avalizador e agenciador da mesma com suas holdings monumentais, onde a educação física e o desporto voltado aos jovens nas escolas e clubes se torna indesejável ante a lucratividade ensejada pela ausência de políticas nacionais voltadas aos mesmos…

Com professores e técnicos mai formados, o aproveitamento de ex jogadores e antigos leigos referendados como “provisionados” pelo sistema Confef/Cref passou a vigorar no país, com a diminuição da qualidade, e mesmo do total desconhecimento didático pedagógico necessário ao ensino qualificado, dando origem ao descalabro que atestamos nos dias de hoje, onde as parcas verbas governamentais se destinam ao topo de uma injusta e absurdamente invertida pirâmide de ponta cabeça, e cujos resultados finais retratam nossas colocações no cenário internacional…

Somemos a tudo isso, no caso do basquetebol, a política e criminosa fusão do estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro, que até aquela época rivalizava com São Paulo, por ser uma ex capital da república, e ser a segunda economia do país, que a partir daquele trágico momento  foi transformado num violentado e hoje miserável município, espoliado e humilhado no cenário nacional. E o mais trágico é sabermos que mesmo constando um plebiscito na constituição para aprovação da fusão por parte das duas populações envolvidas, nada foi levado em consideração pelo governo militar, que via na mesma a dissolução da eterna e histórica resistência carioca aos governos absolutistas…

Claro que os desportos foram atingidos em cheio, destinando a São Paulo a dominância político educacional dos mesmos, inclusive o nosso amado basquetebol. O resultado aí está, escancarado a todos, com o afastamento radical da influência carioca, que gerava o equilíbrio entre os dois mais importantes pólos de desenvolvimento do grande jogo entre nós, e não vejo a médio e mesmo longo prazo, o reequilíbrio da balança…

Todo esse processo fez nascer o domínio unilateral, por parte de uma geração de técnicos, voltados aos exemplos advindos do hemisfério norte, principalmente dos Estados Unidos e mais recentemente de uma Europa mais organizada e técnica, no intuito de os fomentarmos,  esquecendo porém, que tais e poderosas influências sempre foram fundamentadas numa formação de base colegial e universitária poderosa e massificada, fator este ausente em nosso país, gerando os abissais equívocos com que nos deparamos desde sempre…

Finalmente, o ápice dessa tragédia, foi a decisão absurda e suicida, pela adoção de um sistema único de jogar e ensinar (?) o grande jogo, copiada, formatada e padronizada  ipsi literis da NBA, sem se darem conta, por indesculpável ignorância, flacidez mental e oportunismo preguiçoso, de ao menos, adequá-lo (se isso fosse possível…) a nossa realidade, exposta no texto acima, seguindo a norma arrivista e aventureira do que “se lá dá certo, por que não aqui?”, num lamentável processo colonizado e excuso…

Então, como explicar, ou mesmo justificar as coincidências mencionadas por você Alex? Creio que o exposto dirime suas dúvidas, que poderemos sintetizar afirmando que – Perante um quadro formativo, técnico e tático, onde a ausência quase total de alternativas didático pedagógicas possam ser estudadas, confrontadas e utilizadas, sob o democrático princípio da diversidade e do contraditório, fontes inesgotáveis da criatividade e do consciente improviso, como pretender formar técnicos, professores e jogadores diferenciados e tecnicamente evoluídos, capazes de confrontar as clássicas “coincidências” tão bem formuladas por você Alex, como? Creio que você agora sabe as respostas, logo…

Amém.

Foto – Arquivo pessoal. Clique duas vezes na mesma para ampliá-la.

AGENTES (FROM DUBLIN)…

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Sobrou um tempinho, perdido entre as enormes caminhadas desbravando segredos e encantos de Dublin, suficiente para elaborar este artigo, que sucedeu uma rápida leitura sobre as novidades esportivas brasileiras, incluso o basquetebol, em sites, blogs e pelo jornal digital que assino, quando um comentário me chamou a atenção, ao mencionar a “enxurrada de currículos” enviados por agentes, de técnicos se candidatando a direção da equipe do Flamengo, com a saída de seu premiado comandante  na semana passada…

Fiquei curioso e algo assustado, pois não imaginava que técnicos de basquetebol fossem conduzidos e determinados por agentes, campo fértil entre os jogadores, mas não entre os técnicos, pelo menos assim pensava até me deparar com a instigante matéria, que na dura realidade confirma um processo de cartel, que de algum tempo venho questionando quando da formação de equipes da LNB, e a enorme influência de agentes e empresários na formação das mesmas, porem nao voltadas, assim pensava, nas indicações de técnicos, que no meu ferrenho ponto de vista, deveriam ser os responsáveis diretos nas indicações e contratações de jogadores, pois acima de tudo e todos, serão os líderes diretos na formação, orientação e condução das equipes nas competições, secundados por assistentes e auxiliares de sua mais estrita confiança. Mas pelo que começo a compreender (perdoem-me os leitores minha aparente ingenuidade sobre uma evidência, que solidifica agora todo um raciocínio que expunha nos artigos escritos até agora sobre o assunto), diretores, supervisores, agentes, beneméritos, palpiteiros, eminências pardas, constituíam, equipes completas para depois nomearem os técnicos, numa ação com poucas exceções nas mais fortes franquias, culminando agora pelo agenciamento dos técnicos também?…

Meus deuses, seria o fim do mais primário princípio de liderança, aquela garantida e avalizada pelo mérito, pelo reconhecimento profissional, pelo respeito inter pares, pelo sério e inatacável currículo enfim, e não como moeda de troca, o toma lá dá cá abjeto e humilhante, subtraído da competência e do conhecimento basilar do grande jogo…

Dois ou tres anos atras, numa discussão profissional com meu filho André Luis, ele me afirmou convicto – Pai, procure um agente que você retorna ao basquetebol – Simplesmente me neguei a concordar com algo inimaginável para mim, em todos os sentidos, éticos e profissionais, mas agora, perante o trágico realismo da cena nacional, devo admitir que ele estava com a razão, porém não suficiente para abdicar os princípios que sempre orientaram e regularam minha vida de professor, técnico e jornalista, onde o agente maior, mais poderoso e influente, seria agora, como sempre foi antes, o aval qualificatório garantidor do meu trabalho profissional…

Nesses oito anos que me separam da única oportunidade que me foi dada no NBB, abordei alguns aspectos da infame e notória covardia a que fiz jus pela independência de pensar e agir no grande jogo, e muito poucos defenderam essa posição, mas a esmagadora maioria dos técnicos aplicam hoje situações e estratégias de jogo que foram desenvolvidas por mim desde sempre, e sequer mencionam a fonte, preferindo incensar estrangeiros e a matriz, num processo autofágico que muito em breve cobrará, com altos juros tanta vassalagem. Outras e sérias verdades guardo para mim, nunca esquecendo, no entanto que – podem enterrar a verdade o mais fundo que puderem, porém matá-la, nunca, pois um dia ela ressurgirá, como tudo na vida, na natureza…

Amem.

Foto – Visita ao Trinity College. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

Em tempo –  Sonho ou realidade, adoraria estar agora ensinando como jogar contra esse primitivo “chega e chuta” que tanto empobrece e.  vulgariza o grande jogo, inclusive na matriz…

PEQUENOS E INSTIGANTES TÓPICOS…

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– Nosso técnico croata tem feito o que seu antecessor pouco fazia, ou seja, percorrer as quadras do país para observar de perto os valores que poderão defender a seleção nas próximas, muito próximas eliminatórias para o Campeonato Mundial, e que, tenho a mais absoluta certeza, o está deixando surpreso com o que está testemunhando, principalmente com a concepção de nossos estrategistas liberando geral uma artilharia boçal e irresponsável nos arremessos de três, todos sintonizados com a ausência defensiva fora do perímetro, responsável pela descomunal farra por parte de jogadores que se consideram especialistas neste crítico e especialíssimo arremesso (que a crítica midiática vem definindo hilariamente como um fundamento específico), transformando os jogos numa mera competição de tiro aos patos, errática, absurda e profundamente prejudicial ao grande jogo, principalmente ao servir de imagem e parâmetro aos jovens que se iniciam nesta complexa modalidade. Números assustadores o devem estar horrorizando, e temeroso frente ao enorme abacaxi que tem em mãos, que, talvez, o belo salário que aufere não compense o esforço descomunal de Prometeu que o espera, escalando um cume improvável de alcançar de acordo com a realidade que tem presenciado, como por exemplo os três últimos jogos do playoff paulista, onde foram arremessadas 102/183 bolas de dois, e 69/180 de três, sendo que na terceira partida de série foram cometidos 12/45 de três (18/27 de dois) pelo Paulistano, e 12/29 (16/26) respectivamente por Franca, numa desvairada orgia do que estão querendo implantar no país, como arremedo de um Warriors da matriz que idolatram beociamente. Com exemplos como estes, antevejo sérios problemas com um técnico que prioriza a defesa, o ritmo, os fundamentos, e por conseguinte o coletivismo, antítese do “chega e chuta” que tem presenciado, e mais claro ainda, as performances americanas em jogos onde são a maioria nas formações básicas, e o pior, sendo quase todos meia-boca, ocupando um precioso espaço aos jovens ansiosos por uma chance, mas importantes para estrategistas que lançam nas mãos deles as decisões, que omitem nos rachões disfarçados em treino, e os rabiscos desenfreados em suas midiáticas e enganosas pranchetas. Prevejo sérios problemas para o croata, mesmo hablando español…motta

– No entanto, a excelente conquista do sul americano sub 14 pela seleção masculina, tendo, inclusive, o MVP da competição, o Felipe Motta, filho e neto de ilustres basqueteiros, os Paulos Cesares Motta, dando seguimento a uma linhagem de brilhantes jogadores que foram, agora espelhados num jovem formado pela escola italiana, mas que optou defender o país de sua família, mesmo após se sagrar campeão italiano por uma equipe de Roma e ter seu nome cogitado para integrar a seleção daquele país, e na sua primeira participação internacional se sagra campeão e MVP da competição. A equipe brasileira, bem dirigida por uma técnica especializada na formação de base do EC Pinheiros, numa meritória indicação da CBB, merece todos os elogios, principalmente pelo fato de ser o primeiro degrau para o futuro de nossas seleções, e que as demais equipes de base sejam formadas e dirigidas por professores com o mesmo cabedal da técnica campeã, e não ungidos politica e compadrinhamente, como se tornou hábito nas administrações anteriores da CBB. Torço ardentemente que nas próximas seleções seja dado seguimento progressivo aos fundamentos do grande jogo, assim como sistemas ofensivos e defensivos diferenciados, a fim de dotar os jovens em sua ascensão etária, de um amplo cartel de conhecimentos técnico táticos, livrando-os das amarras asfixiantes de um sistema único, passando desta forma a servir de exemplo para a formação de base em escolas e clubes, onde a pluralidade de conhecimentos e leitura de jogo atinja o mais alto patamar para a prática de um basquetebol criativo, ousado e acima de tudo, vencedor…JP3_9199-1200x800

– Também aconteceu o lançamento do NBB 10, com o anúncio das conquistas que catapultarão o grande jogo às grandes conquistas, começando com o depoimento dos eternos cardeais, o Marcelo, o Guilherme e o Alex, figuras ícones e dominantes, repetindo o discurso de sempre, acompanhando o grande progresso feérico e de marketing da LNB, com bola personalizada, atrações antes, durante e após os jogos, com as transmissões televisivas abertas, fechadas e via internet, com sofisticadas estatísticas, anunciantes e patrocinadores de peso, com equipes recheadas de americanos e uns poucos latinos, dolarizados e independentes tecnicamente como sempre, mas com um grave, gravíssimo senão, eterno e constrangedor senão, a manutenção corporativa de estrategistas compromissados com o sistema único, maciço, pétreo, inamovível, mantenedor do status técnico tático que aí está,escancarado e falido, porém alinhado a realidade de jogadores que se revezam pelas equipes, ano após ano, e americanos que se sentem à vontade por encontrarem o sistema de jogo que convivem em sua terra, intacto, cristalino, e de automática adaptação. Novidades neste campo, sim, a adoção da dupla armação, dos pivôs leves e ágeis, do jogo mais livre, numa imitação canhestra de algumas equipes da NBA, como o Warriors, adaptando-os às movimentações sacramentadas pelo sistema único, com seus chifres, punhos, etc.,porém nada parecido a algo de realmente novo, diferenciado, como o exemplar Saldanha do NBB2, e aqui refaço o desafio feito em 2010, jamais aceito pela comunidade de estrategistas tupiniquins. Pena que não me foi dada a alforria pelo castigo de inovar e vencer alguns luminares naquela lapidar ocasião, o que foi um brutal erro, já que poderíamos ter antecipado em sete anos a definitiva fuga de um sistema absurdo e equivocado, que nos teria ajudado a trilhar novos e corajosos rumos, com algo nosso e proprietário, e não essa mal ajambrada, porém conveniente, cópia da matriz…P1150624

– Finalmente, o que falta ao Ministério Público, a Polícia Federal, a Receita Federal para expurgar de vez esse momento mafioso e seus conhecidos utentes, que se apossou do desporto nacional nos últimos 30 anos, o que falta meus deuses?…

Amém.

Fotos – Reproduções da internet e do site CBB. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

SUTIS REALIDADES E LEMBRANÇAS…

 

– Começou a LDB, com verbas liberadas pela CBC (não mais o ME), e já na primeira rodada tivemos clube cometendo 32 erros de fundamentos, mas com as pranchetas e o sistema único afiados como nunca, ou seja, não aprendem, e o pior, não ensinam fundamentos, e fico por aqui…

Marcus-vinicius-002– Tivemos o ex-diretor executivo de esporte do COB numa entrevista dada ao O Globo de 20/10/17 dando uma de surpreso com a prisão (agora solto) do ex chefe Nuzman, afirmando num determinado ponto da mesma – (…) O problema é que hoje a gente tem uma mancha no que foi feito. Essa mancha pode ser muito maior ou não. Vamos ver. E para mim, manchou o país inteiro, principalmente Rio 2016 e governos(…), para mais adiante dizer – (…) Não tenho nada a ver com a Rio 2016, pelo amor de Deus!(…). E ainda rebate – (…) Para mim, ela (a dívida de 132 milhões) é muito maior do que estão falando. E não acho. O COB será o herdeiro dessa dívida.(…) Bem, para quem foi cuidado pelo chefe a pedido de seu pai aos 13 anos, convivendo profissionalmente com o mesmo por 18 anos, até alçar ao cargo de diretor executivo do COB, torna-se difícil aceitar sua inocência angelical, ou não?…

gettyimages-587859680– Num recado direto e sem firulas, a CBB anuncia o novo técnico para a seleção masculina, o croata Alecsandar  Petrovic, irmão do lendário jogador Drazen Petrovic, morto num acidente na Alemanha quando se firmava na NBA, recado direto a LNB na afirmação de que nenhum técnico do NBB tem competência para liderar a seleção, a não ser como possíveis assistentes, que provavelmente poderão ser os mesmos que dirigiram a seleção perdedora na Copa América do mês passado, que sequer se classificou para o pan americano do Peru, fato que discordo veementemente, pois deveria ter sido dado ao europeu a escolha de seu assistente, para não se repetir com ele o ocorrido com o Magnano, que somente trocava planos e idéias diretas nos jogos com seu conterrâneo Duró, destinando a trinca brazuca ao papel de assistentes privilegiados no banco atulhado de aspones.

Quanto ao croata, representante da mais evoluída escola do basquete europeu, antes a após a dissolução da Iugoslávia, temo que tenha enormes dificuldades por aqui, pois não encontrará a base sólida da força maior dos praticantes de seu país, os fundamentos em seu estado maior, encontrando jogadores falhos e claudicantes nos mesmos, evoluindo em torno de um sistema único de jogo, que mesmo sendo do total conhecimento dele, se defrontará com a impossibilidade real de desenvolvê-lo, frente a flagrante e limitativa realidade da pobreza de jogadores no domínio dos fundamentos básicos necessários para acioná-lo com alguma margem de sucesso, principalmente se direcioná-lo ao coletivismo, ponto fulcral para a consecução do mesmo, e tendo de se postar frontalmente com a praga arraigada em nosso pobre basquetebol, a da autofágica e já endêmica síndrome dos três pontos, largamente difundida e aceita como uma resultante da nossa fragilidade defensiva fora do perímetro ( ontem mesmo o Paulistano venceu o Mogi arremessando mais de três do que de dois no playoff paulista), realidade que  poderá assustá-lo se porventura quiser impor um sistema defensivo mais rígido, como a emblemática defesa linha da bola com flutuação lateralizada, magistralmente empregada nas históricas seleções da nação iugoslava que defendeu como jogador dirigida pelo mítico Mirko Novosel, hoje desfeita.petrovic_novosel

Some-se a tudo isso a dificuldade linguística, os novos hábitos, a mais completa ausência de uma política de preparação da base, com uma geração de técnicos moldados num modelo importado sem maiores adaptações e de formação deficiente, e acima de tudo, o custo que ele importará aos combalidos cofres da CBB, que não será baixo, gerando uma corrente de insatisfação num momento sensível por que passa o país, e que por conta desse fator cobrará fortemente resultados que, sem dúvida alguma, dificilmente poderá atingir num prazo menor, quando um novo ciclo olímpico se inicia sem as devidas e mencionadas políticas voltadas a formação correta de técnicos e consequente aprimoramento dos jovens praticantes em todo o país.

Mas o recado foi dado, numa má hora e na pior situação possível, quando um técnico nacional poderia ter sido escolhido, mesmo não sendo dos quadros do NBB, pois temos alguns muito bons, esquecidos pelas administrações anteriores de péssima memória, e que não o deveriam ser principal e coerentemente por essa também…

P1030919-002Finalmente refaço uma pergunta de  longa data (sete anos), agora que o ME (e seus nefastos dirigentes) não mais patrocina a LDB, com suas covardes e pusilânimes contrapartidas, e que passado tanto tempo desde o NBB2, quando tudo de diferenciado que lá desenvolvi não encontrou tática e tecnicamente continuidade em nenhuma das franquias desde sempre, a não ser e disfarçadamente a utilização da dupla armação e dos homens altos, ágeis e atléticos agindo esporadicamente (quando deveriam agir permanentemente como demonstrei) no perímetro interno, numa negação de algo real, comprovadamente válido, ousado e inovador, o que fica faltando para me ser devolvido o sagrado direito de exercer a técnica desportiva, para a qual destinei toda uma vida de sacrifício, honestidade, integridade e competência ao grande, grandíssimo jogo? O que falta meus deuses?

Bem, enquanto não se faz presente a justiça, continuo aqui nessa inexpugnável e democrática trincheira, desse humilde blog, onde continuo a exercer o também sagrado direito de, ao menos, me indignar, dando seguimento ao soerguimento do grande jogo neste imenso e injusto país.

Amém.

Fotos – Reproduções da internet. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

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