O ÚNICO CAMINHO…

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Tem sido um novembro de muito trabalho em casa, na tentativa de colocá-la em ordem até o natal, depois dos muitos contratempos por que passei após o incêndio de março, mas aos poucos estou conseguindo dar conta da tarefa, além das demais que teimo desenvolver, como esse humilde blog, um tanto defasado, não só pelo curto espaço de tempo que disponho, mas, e principalmente, pela aversão que tenho desenvolvido pela mesmice endêmica que vem estrangulando inexoravelmente o grande jogo, pelo menos aquele que conheci, pratiquei, estudei, pesquisei e venho ensinando por cinco décadas…

Sem dúvida alguma paramos no tempo, em sua principal e determinante face, a da técnica de jogo, hoje mascarada por “avanços” midiáticos “like NBA”, com números circenses, bailarinas, pegadinhas, e outras mais tupiniquins, como narradores tonitruantes, ufanistas, festivos, futebolísticos, assessorados por comentaristas e entrevistadores que pouco informam sobre as técnicas do jogo, igualmente festivos, que se esmeram em recados de fans e números de ouvintes, e estrategistas sobraçando pranchetas solidamente compromissados com o sistema único de jogo, certamente o único que conhecem, num nicho onde os muito poucos que entendem do riscado se apagam frente a uma realidade marqueteira, mil anos luz afastados da essência do grande jogo, basicamente aquela que tanta falta nos faz neste decisivo momento, o de seu soerguimento, depois da formidável queda que o lançou num limbo atroz nos cenários caseiro e internacional…

Então, como perder precioso tempo assistindo o mesmo do mesmo ano após ano, onde a média de erros de fundamentos se mantêm no absurdo número de 27,2 por jogo na liga maior, e já nem mais falo da hemorragia crônica dos três pontos, com todas as franquias jogando da mesma forma, e que somente agora, dez anos depois de fundada, suas defesas começam a se antecipar às manjadas jogadas, principalmente por parte de alguns americanos mais escolados, propiciando algumas vitórias pontuais, porém muito aquém do desejável impacto modificador do padronizado e formatado modelo que aí está, medíocre, primário, escancarado a todos…

Ainda mais, analisando as estatísticas da LDB, com a média de 35 erros por jogo, com algumas partidas atingindo os inacreditáveis mais de 50 erros de fundamentos, absurdo dos absurdos. E querem soerguer o basquetebol dessa forma? Vão lá nas estatísticas e aufiram tais números, estarrecedores e comprometedores…

Treinam-se (?) táticas, sistemas, padrões e comportamentos, a jogadores que acima dos 17 anos simplesmente não sabem jogar basquetebol com pleno conhecimento e domínio de seus fundamentos básicos, todos se considerando especialistas nas bolinhas de três, e vem tais estrategistas posarem de doutores e conhecedores do grande jogo? Simancol B12 é pouco para essa turma graduada em cursos de 4 dias pela falida ENTB, e osmoticamente grudados em um ou outro luminar da modalidade, como se fosse possível incorporar seus incontáveis anos de conhecimento e trabalho duro em 2 ou 3 anos, e que desfila imponente como se a salvaguarda do grande jogo lhe pertencesse, todos calados e subservientes à sombra de um croata salvador…

Logo mais destinarei um tempinho para acompanhar a seleção em sua estréia nas qualificatórias ao Mundial de 2019 na China, jogando contra o Chile em terras andinas, sabendo de antemão como jogará, claro, dentro do sistema único, mais seguro quando tiveram somente uma semana de treinos, com talvez uma disposição defensiva mais enérgica, fator natural a todo namoro inicial entre comandante e comandados no primeiro encontro de uma competição desse nível, porém menos impactante graças a fragilidade conhecida do basquetebol masculino chileno. Talvez na segunda feira, quando enfrentaremos a Venezuela aqui no Rio, tenhamos um verdadeiro retrato do que nos espera daqui para diante, quando o técnico croata terá a oportunidade de aferir a nossa realidade, e do quanto terá de trabalhar para minorar nossas deficiências mais urgentes, sabedor que é da nossa deficiente formação de base, antítese da formação desenvolvida historicamente em seu país, que nos tinha num passado não tão distante assim, como rivais diretos, fruto da bela formação que ostentávamos e perdemos criminosamente nos últimos 30 anos…

Infelizmente temos de reconhecer que não será com penduricalhos midiáticos, ufanismos desenfreados, endeusamentos precoces, cópia deslavada e colonizada de uma matriz que somente nos quer como consumidores de seu bilionário produto, econômico, cultural e mercadologicamente interesseiro, que emergiremos do atoleiro em que nos encontramos, e sim, atuando fortemente na base colegial e clubística, nas pequenas e grandes ligas municipais, estaduais e nacionais, na criação e desenvolvimento de associações estaduais de técnicos, formando melhores professores e técnicos através substanciais incrementos e correções curriculares nas escolas de educação física, hoje mais voltadas a área da saúde, balizando e sedimentando o culto ao corpo, numa indústria bilionária capitaneada por holdings de academias para onde são direcionados seus formandos, vigiados e controlados por cref´s abusivos e equivocados, para os quais uma política nacional de educação física e desportos centrada nas escolas se torna altamente indesejada, por interferir no mercado milionário de jovens que jamais migrariam para suas hostes se pudessem usufruir de seu direito constitucional a uma educação de qualidade nas escolas e nos hoje quase dizimados clubes de bairros e comunidades…

Se o grande jogo quiser honesta e sinceramente sair de tão humilhante posição, precisa investir seriamente em qualidade, qualidade mesmo, e não escambo político, protecionismo interesseiro, para investir no conhecimento, no estudo e pesquisa de alto nível, no mérito enfim, abandonando de vez o imediatismo e as “ações entre amigos”, cujos resultados mancharam o brilhante histórico do nosso basquetebol. É o único caminho a ser percorrido…

Amém.

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DE 40? NÃO, DEFINITIVAMENTE, NÃO…

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Não foi de 40, foi de 39, mas a contagem chegou aos 42 antes do fim, e que inglório fim…

Inadmissível, absurdo , ofensivo, acachapante, e de tal forma que nem as de 3 acertaram uma sequer (0/9), noves fora o tanto de bandejas perdidas e os já tradicionais 20 erros do básico do básico, os fundamentos do grande jogo, aqui diminuto, ridículo, atroz…

E lá pelas tantas, numa bola duvidosa para a arbitragem (a diferença já ia além dos 20 pontos) fortes e inócuas reclamações, com as caras e bocas de praxe, como se a pretensa falha ameaçasse a liderança numa partida liquidada e contabilizada…

Discursos antecipados de medalha, vaga no papo, renovação da equipe, tornando imperdoável a convocação de jogadoras ultra veteranas e completamente fora dos padrões mínimos físicos para uma competição classificatória para um mundial, numa salada indigesta e comprometedora, sob qualquer critério que tente explicar tanta irresponsabilidade, onde o discurso de ineficiência administrativa não pode ser levado em consideração, em se tratando de uma nova gerência central, tornando cristalina de onde se origina a falha, sempre omitida pela mídia, num descabido protecionismo a estrategistas quase sempre indicados por serem jovens, promissores e independentes tática e tecnicamente, argumentos corporativistas e mantenedores da ordem vigente, onde impera absoluto e intocável o sistema único, o preparo da equipe privilegiando os sistemas táticos, jamais os fundamentos, com as desculpas de que o fator estreito de tempo direciona o treinamento para os mesmos e para os amistosos fajutos, deixando de lado, como sempre deixaram, os fundamentos, e que aos poucos vem revelando e aflorando algo que sempre destaquei aqui neste humilde blog, que tal artimanha simplesmente desnuda uma triste verdade, a de que nada entendem ou sabem sobre os fundamentos, sequer como ensiná-los, já que “altamente qualificados” para orientar e dirigir estrategicamente jogadores prontos, qualificados e proprietários da arte de jogar o grande jogo em sua forma mais elevada, e que aos poucos, agora, revela-se mentirosa e aviltante, afinal, como afirmam dirigentes, técnicos, jogadores, aficionados e jornalistas também – “onde já se viu jogador adulto ou de seleção treinar e praticar fundamentos? Isso é lá para a formação de base”…

Mas, e se a base também não os treinam e praticam, trocando-os pelos arremessos de 3, as enterradas e as monumentais peladas, como agirão lá na frente, inclusive nas seleções, como? Inclusive como muitos destes se transformam em técnicos, provisionados ou não, o que esperar de tal formação, ou melhor, transformação, o que?…

Exatamente o que aí está, escancarado e transparente à vista de todos, me parecendo um pouco mais esclarecidos por força de cada vez mais resultados lastimáveis e equivocados, a começar com pauladas como a de hoje, meus deuses, de 40? Não, definitivamente, não, e não só um não, mas um basta se impõe, antes da derrocada definitiva…

Ah, a solução, técnicos estrangeiros, já que falta a coragem para quebrar, liquefazer, pulverizar tanta tapeação em nome de QI´s politiqueiros e de escambo, onde o mérito é escanteado propositalmente, afinal, quantos votos ele representa? No meu humilde, porém experiente ponto de vista, ele ainda é a forma mais justa, responsável e inteligente para se galgar a excelência, seja no campo que for, e por isso mesmo um terreno para poucos, muito poucos, nominando etimologicamente as expressões “seleção” e “competência”, ambas frutos de tomadas corajosas, incisivas, inovadoras e instigantes, e como disse, terreno para muito poucos que, acreditem, habitam esse enorme e injusto país, minimizados e marginalizados, como reza a boa cartilha corporativista…

Amém.

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CREIO QUE AGORA “CHEGA”…

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No último artigo aqui publicado neste humilde blog, finalizei-o questionando sobre a escolha dos futuros técnicos para as seleções nacionais:

(…)Mas, será que temos um, ou nomes que encarem tão necessárias e estratégicas mudanças?  Para começar um “chega” seria de bom tamanho, ou não?(…)

Que necessárias e estratégicas mudanças seriam essas, caro Paulo, pergunta-me o amigo que não descola do meu calcanhar, e pede para que eu o mantenha somente dialogando comigo, pois não tem mais paciência para “debates”, principalmente na grande rede, o que aceito sem maiores discussões…Há, em tempo, que “chega” é esse?…

Bem, vamos lá, começando pelo “chega”, cujo título acima expõe tudo, ou quase, já que se faz urgente, inadiável e em definitivo, expurgar de uma vez por todas a continuidade do que aí está, década após década, de uma mesmice que se perpetua ad infinitum, patrocinada ad nauseam pelo protecionismo, pelo escambo, pelos amiguinhos, pelas falsas promessas de líderes, pelos pretensos e mais falsos ainda “gênios das pranchetas”, pelos exibicionistas, contorcionistas, pelos herdeiros osmóticos, pelos estrategistas incapazes de corrigir um simples vício de arremesso, de drible conduzido, de passes impróprios, de um deslize lateral defensivo, de um giro após rebote, de um bloqueio em amplitude não faltoso, de uma cobertura antecipativa lateralizada, de uma finta em drible concomitante à troca de lado, de um corta luz arrítmico, de um correto direcionamento nos arremessos, de uma ação diversiva sem a bola, de um salto antecipativo ao passe, da necessidade da recepção do passe em constante movimento, mantendo em tudo e por tudo a infame média de 27,2 erros de fundamentos no recém terminado playoff do NBB9, enfim, ensinando, corrigindo e desenvolvendo os fundamentos como básica e estratégica preparação para os sistemas de jogo, somente factíveis perante o domínio completo e consciente dos mesmos, e não invertendo conceitos, e princípios para a aprendizagem técnica e tática sistêmica, como vemos acontecer desde sempre em nossas competições, em todas as divisões, da base a elite, incluídas as seleções, decorrentes naturais da realidade do nosso basquetebol, onde do treino a competição nada muda, nada transpõe o sistema único, com seus imutáveis chifres, punhos, polegares et alli…

Somos os líderes mundiais da maquiagem técnica e tática, onde estrategistas estabelecem comportamentos midiáticos planejados para sua evolução de pirâmide invertida, onde a experiência, fruto da longa vivência na formação, no estudo e na pesquisa constante, cede vez ao imediatismo, genial para para aqueles que definem a estrutura e o futuro do grande jogo sob uma visão distorcida e política, avessos que são à técnica e a tática de alto nível, e que não tem o mínimo preparo e sensibilidade para situá-lo como deveria sê-lo, sob a ótica evolutiva do desejável e do possível…

Nossas competições em todas as categorias estão impregnadas pela mesmice endêmica que tanto combato e critico, e que me cansei de confrontar pelo teimoso e incansável contraditório técnico, e principalmente tático, em todas as equipes que dirigi, desde os anos 60, quando sempre tive na platéia das competições que participava, do infantil a primeira divisão, fosse masculina ou feminina, colegial ou clubística, inclusive seleções, uma plêiade de técnicos famosos, alguns míticos, que lá iam, senão para aprender, mas muito mais para discutir e trocar opiniões pelo que viam e assistiam seguidamente, e cuja reciprocidade foi sempre mantida por mim, quando alguns sistemas que se firmaram e ainda hoje são empregados eram dissecados a exaustão em longas reuniões de quinto tempo, aberta e democraticamente, para a seguir serem aperfeiçoados, ou não, nas competições em sequência. Foi neste tempo que nos tornamos imbatíveis nas competições nacionais, fator congregador este que me fez idealizar e concretizar a primeira associação de técnicos do país durante o Mundial Feminino de 1971 em São Paulo, com a adesão inicial de 180 técnicos nacionais e estrangeiros, não fosse a ANATEBA a segunda associação fundada no mundo, perdendo para a americana (NABC) existente desde 1926, e antecedendo em anos a espanhola e a argentina, que hoje tentamos copiar…

Técnicos e professores como Togo Renan, Tude Sobrinho, Waldir Bocardo, Ary Vidal, José Carlos Ferraz, Renato Brito Cunha, Emanuel Bomfim, Geraldo Conceição, Heleno Lima, Raimundo Nonato, Telúrio Aguiar, Olímpio das Neves, Luiz Carlos “Chocolate”, Valtinho e Helinho Blaso, Guilherme Borges, Epaminondas Leal, Orlando Gleck, Antenor Horta, Falão, Carlos Jorge, José Afro, Marcelo Cocada, Zeny Azevedo, José Pereira, Honorato, e muitos outros, que sempre e sempre trocavam idéias, fossem quais fossem as rivalidades dentro das quadras, numa interação diversificada, hoje trocada pela padronização e formatação que engessou a todos em torno do sistema único e das pranchetas, inexistentes naquela época criativa e voltada para o treino, para o ensino dos fundamentos do jogo, e depois, bem depois, para as sistematizações personalizadas e muitas vezes inéditas…

Sou talvez um dos últimos daqueles moicanos teimosos e brilhantes que ainda subsiste insistentemente na defesa do basquete clássico que nos tornou vencedores um dia, junto a outros poucos espalhados por esse enorme e injusto país, batalhando por dias melhores, criativos, ousados e corajosos pelo grande jogo, que precisa se soerguer do limbo a que foi lançado pela intolerância, pelo egocentrismo e a mais absoluta colonização de sua história, através o corporativismo doentio e covarde, e que para tanto urge um basta, definitivo e categórico, um “chega” salvador…

Respondido o chega, restam as necessárias e estratégicas mudanças, correto? Quase correto, não fosse a dolorosa existência do marketing institucionalizado que situa e mantêm a corriola pasteurizada no comando de um mercado restrito e defendido ao preço que for, ao preço da imutabilidade do que aí está implantado e enraizado em todos os segmentos que o definem, da gestão ao comprometimento massivo e ideológico das equipes, da imprensa especializada mais dedicada ao basquetebol da matriz, ao qual tenta atrelar o impossível sonho a nossa pobre realidade, do gerenciamento escravocrata de jogadores, manietados e agrilhoados a um sistema equivocado e limitador de suas mais autênticas capacidades criativas e de improvisação técnica e tática dentro de uma quadra de jogo, já que  propositalmente delimitados dentro da quadra de treino, onde a personalidade a ser exaltada é a do estrategista e seu alter e insuflado ego, sua prancheta, com a qual diz e exala tão pouco, que fico imaginando o que restaria sem a mesma, talvez a definitiva e realística mudez…

Logo, o que restaria a não ser o ressurgimento daqueles que realmente têm algo a dizer, a somar, a treinar, a ensinar, a dirigir e orientar com plenos conhecimentos de causa, que é e sempre foi o caminho percorrido pelas nações que lideram o grande jogo internacionalmente desde sempre, incapazes de privar seus jogadores do conhecimento e experiência adquiridos em anos e anos percorridos nas estradas de pedra da vida, aquelas que definem os verdadeiros e solitários líderes, que não delegam seu comando em nome de pseudas comissões, que não se omite das responsabilidades inerentes nas vitórias, e principalmente nas derrotas, onde a verdade verdadeira traça os rumos a serem seguidos, com autenticidade, independência e autoridade, que são os fatores primordiais para a formulação e exequibilização de uma verdadeira equipe desportiva, da modalidade que for, e mais ainda no grande jogo, onde o coletivismo somente fluirá através o extremo conhecimento do que isto representa. e que vai muito, muito além do que os que aí estão defendem, praticam e pensam conhecer…

Necessárias e estratégicas mudanças significam de saída um “basta”, um “chega” ao que aí está, e um recomeço pelo que nos falta, porém existente, bastando a coragem para ser resgatado, originando a pergunta final – tal coragem existe? Respondam se forem capazes…

Amém.

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A SÉRIA PREOCUPAÇÃO II…

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P1150125O primeiro jogo da série final no NBB9 foi no sábado, e pelo que vi não me deu vontade nenhuma de escrever, pois de nada adiantaria analisar uma partida que a mídia classificava de brilhante, vibrante, de alto nível, resgatando o verdadeiro basquetebol brasileiro, com uma garotada abaixo dos 21 anos jogando como veteranos, como estrelas, deixando a certeza de que o futuro que se avizinha será uma grata realidade, e a dura constatação do que assisti constrangido e temeroso pela falsa e ufanista imagem da tal grata realidade…

Pensei então do que tem adiantado minhas análises, perdidas num mundo artificial e enganoso de situações técnico táticas, que de forma alguma referendam tanta e fartamente documentada evolução do grande jogo entre nós, onde a palavra absoluta de ordem é o desvario convergente dos arremessos de dois e três pontos, a mesmice larga e endemicamente implantada pelo sistema único de jogo, com suas padronizadas e universalizadas jogadas, idênticas para todos, equipes, jogadores, téc…digo, estrategistas e mídia especializada, com o aval de dirigentes, agentes, empresários e torcidas em geral, irmanados na crença de que é assim que devemos atuar, da formação de base até a elite, já que, na certeza de todos, é a maneira que se joga no mundo, principalmente pela matriz, que investe pesado nesse modelo hegemônico, deixando sua marca na mente perversamente colonizada de seus iludidos seguidores, principalmente os mais jovens…

No entanto, teimosa e solitariamente, prevejo uma catástrofe de dimensões bastante graves para o soerguimento sustentável e possível do grande jogo no país, pois a base garantidora desse processo se esvai na continuada mediocridade arrivista e aventureira de muitos, quase a maioria, dos responsáveis que ainda se mantém no comando do mesmo, absolutos, e que não encontram, ou não deixam florescer toda e qualquer tentativa de renovação autêntica e independente, face ao forte corporativismo que exercem livremente, quando se situam como começo, meio e fim de todo o processo, eliminando toda e qualquer possível dissidência…

E teimosamente lembro que, nesse “magnífico e fantástico” jogo foram cometidos 29 (15/14) erros dos fundamentos mais básicos, acima da média de 27,2 nesse campeonato, e que assombrosamente as duas equipes convergiram em seus arremessos, quando o Paulistano perpetrou 12/27 nos de 2 pontos e 13/37 nos de três, ficando Bauru com seus 17/36 de 2 e 7/32 de 3, perfazendo as duas juntas 29/63 nos 2 pontos e 20/69 nos 3, ou seja, foram perdidos 34 tentativas de 2 e (isto sim é absurdamente lamentável|) 49 de 3!!! Em outras palavras, foi o mais autêntico “tiro aos pombos” em vez de um jogo de basquetebol, fato que previ com sobras nos dois artigos antecedentes a esse, e em muitos outros nestes 13 anos de Basquete Brasil…

Um outro e emblemático fator deve ser levado em alta conta, o de serem os dois estrategistas dessas equipes finalistas, apontados como o créme de la créme da nova geração nacional, ambos que foram assistentes do hermano na seleção nacional, juntos ao do Flamengo, os responsáveis confessos nesta hemorragia autofágica dos arremessos de três, claro, consentidos pela ausência de defesa exterior organizada, abrindo os duelos, onde vence o que acertar a última bolinha, para depois apagar as luzes e levantar o caneco, maldade esta que desafio ser concretizada quando, segundo seus proclamados desejos, estiverem, juntos ou não, dirigindo a seleção nacional, frente a seleções internacionais de peso, que de forma alguma negarão o direito de intervir fortemente com suas eficientes defesas dentro, e principalmente fora de seus perímetros, forçando nosso deficiente e primário jogo individual, refém dos 27,2 erros em média nos fundamentos na liga principal (imagino a média na formação de base, seja ela masculina ou feminina), a um confronto desigual, como o que vem ocorrendo sistemática e repetidamente nas competições de vulto em que temos participado desde muito, fator que inviabiliza a consecução de qualquer sistema de jogo, por mais simples que seja, pelo singelo fato de que de há muito relegamos ao mínimo o básico e estratégico ensino dos fundamentos, trocando-os por sistemas e jogadas tuteladas de passo marcado, peladas disfarçadas em treinos de “ritmo de jogo”, enterradas e bolinhas de três, ah, não esquecendo jamais as midiáticas pranchetas, alter ego e convenientes álibis da turma de estrategistas jovens e veteranos, que aí está, torcendo, gesticulando e aplaudindo de fora quando as bolinhas caem, coagindo e pressionando arbitragens quando elas se negam a cair, mas muito pouco preocupados com os erros contornáveis (se corrigidos, ou mesmo ensinados) de seus jogadores, mas que serão solucionados trocando-os por outros na próxima temporada, pois onde já se viu ensinar adulto a dominar os fundamentos, onde? Para isso existem e pululam os agentes, os empresários, muitos dirigentes, para os quais o objetivo maior é o campeonato, independentemente de quem se mata lá dentro para conquistá-lo…

E por cima disso tudo, vem um representante da nóvel ATBB, que sucede a APROBAS, ambas associações de técnicos e direção majoritariamente paulistas desde sempre, reivindicando liderança nacional, cobrar da nova administração da CBB um anterior ajuste com a direção que se foi, de que caberia a mesma a organização técnica e formulação de material didático da ENTB, exatamente para manter sob domínio o rígido e unilateral corporativismo que tanto discuto aqui pelo Basquete Brasil, onde a palavra final das técnicas e sistemas de preparo de equipes do país, assim como a formação técnico, tática e pedagógica dos futuros técnicos em níveis de I a III, continue em seu domínio, com seus cursos formadores de 4 dias, responsáveis pela pobreza e mediocridade do que implantaram desde sua criação, que ao ser inaugurada foi presidida por um preparador físico, e não um professor e técnico de basquetebol, como deveria ter sido, para desenvolver um projeto diversificado, plural e democrático…

São situações anacrônicas como estas que colocam e dimensionam o grande jogo, num patamar tão inferiorizado ante o concerto internacional, de onde está afastado pela FIBA, com fortes e sérios argumentos de gestão, entre vários, onde se inclui a baixa qualidade da ENTB, sem atuação desde 2014, quando já era dirigida pela mesma turma que volta a reivindicar sua continuidade diretiva, o que seria um inqualificável erro de percurso, onde ironicamente, até a experiência hermana de trinta anos é mencionada, como algo a ser copiado, esquecendo serem outros e diversificados os parâmetros sócio administrativos e educacionais que nos diferenciam. Já se faz tardia uma mudança radical desta liderança trintona, dando oportunidade a outros e novos posicionamentos, originando o princípio do contraditório, porta de entrada do salutar processo democrático de que tanto precisamos, para o soerguimento técnico sustentável do grande jogo neste enorme, desigual e injusto país.

Amém.

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A FLUIDEZ CONCEITUAL…

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(…)- Ele é um dos técnicos que mais me ajudaram na carreira. Ele me deu liberdade, que era o que eu precisava. Temos uma ótima relação, uma ótima conexão, e fico muito feliz por ter a chance de anatrabalhar com ele. Ele tem esse sucesso porque é louco. Ele acredita em coisas que ninguém mais vai acreditar. Ele é um motivador incrível. Em seus olhos, você pode ver essa força que o incentiva a cada segundo. Ele dá uma energia incrível. Ele não falou nada (sobre a importância de se chegar a uma final olímpica). Talvez não quisesse colocar muita pressão em nós. Mas você pôde ver em quadra que ele planejou o jogo de forma perfeita. O jeito que jogamos é responsabilidade dele. E ele preparou o time de forma ótima.(…)

( Trecho de uma entrevista dada ao Globoesporte em 20/8/16)

Lendo o depoimento do Teodosic acima, sobre o seu técnico Sacha Djordjevic na seleção da Servia, podemos entender com clareza os porquês da esplêndida fluidez que marca uma equipe que se destaca junto a da Croácia pela ininterrupta movimentação ofensiva, acompanhada de uma forte e combativa defesa, dotando as duas de sistemas de jogo sem similares na competição, exceto pela equipe americana, com seu jogo extremamente atlético e dominadora dos fundamentos básicos do grande jogo…

Os balcânicos também dominam com maestria os fundamentos individuais, e mais ainda os coletivos, dotando-os do instrumental necessário a implantação de sistemas de jogo, onde a movimentação contínua de todos os jogadores se torna fluente, exatamente pela naturalidade e firmeza com que manuseiam a bola, em qualquer situação tática que se apresente no transcorrer de uma partida, seja qual for o adversário, pois sempre terá sob controle uma movimentação consciente e espontânea de todos os jogadores em quadra, numa fluidez técnica admirável, fruto de uma coerente preparação de base…

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Enquanto essas mudanças ocorrem em muitos países, ainda teimamos nos “espaçamentos” ofensivos, estratagema utilizado exatamente por aqueles que falham nos fundamentos, quando precisam de muito espaço para tentarem efetuar dribles e fintas em movimento, incapazes que são de os conseguirem em espaços diminutos, onde a técnica se impõe, e nos quais os arremessos mais seguros, pela proximidade com a cesta, são alcançados, dai a preferência pelas longas tentativas, altamente imprecisas quando efetuadas por não especialistas ,e mais ainda quando contestadas fora do perímetro…

No entanto, a fluidez contínua exige uma alta interação tempo/espaço, onde deslocamentos com e sem a bola atingem limites críticos de coordenação e precisão, que são fatores diretamente proporcionais ao maior ou menor domínio que tenham sobre os fundamentos do jogo, e de como são ensinados e treinados a executá-los, e sem os quais a fluidez inexistirá por conceito implícito, gerando um outro de maior e decisiva amplitude, o da fundamentação básica, introduzida nas divisões formativas, nos mais jovens, como o instrumental de seu trabalho e evolução no grande jogo…

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Agora mesmo a equipe sérvia acaba de ser severamente derrotada pelos americanos na final olímpica, exatamente por ter abdicado de seu jogo controlado, paciente e fluido após um primeiro quarto onde o utilizou, equilibrando a partida. Tentando duelar nos longos arremessos (foram 4/24 contra 10/31 dos americanos), estranhamente deu a seu adversário o acesso direto a duas de suas maiores armas, o domínio dos rebotes ante os falhados longos arremessos, e os contra ataques mortais, convertidos impiedosamente dali para frente. Mesmo assim, não devemos e nem podemos conceituar mal sua forma de atuar, que para o mundo Fiba tem sido exemplar, haja vista sua colocação no âmbito das grandes competições internacionais em que tem participado. Croácia, Espanha e Austrália seguem seu exemplo de uma forma de atuar, onde a permanente dupla armação, e a utilização de três homens altos, atléticos, ágeis e velozes, muito tem feito pela evolução técnico tática do grande jogo, fator que se fez presente em nosso basquete no NBB2, prontamente banido em favor da mesmice endêmica que nos sufoca desde sempre Os americanos, num outro e superior patamar, se beneficiam de uma estrutura exemplar de formação de base em suas escolas, colégios e universidades, alimentando continuamente suas equipes de alto nível no âmbito profissional, de uma maneira única e exclusiva…

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Num outro extremo, nossa  seleção travou exatamente na fluidez, com seu basquete tatibitate, praticado em arranques pontuais, jamais no coletivismo que vem sendo apregoado a cinco anos por uma comissão técnica que, de forma alguma, pode dar continuidade a um projeto falho em todos seus aspectos, do convocatório eivado de equívocos, ao técnico tático, ausente nas correções dos funamentos (sim,selecionáveis também devem se exercitar profundamente neles, principalmente na elite…), fator básico para a consecução de qualquer sistema de jogo planejado para ela, e que no caso de dissolução, deve atingir a sua totalidade (mesmo!!!), pois em caso de uma passagem de bastão do hermano para um de seus assistentes (ou todos), ficará caracterizada a continuidade do que ai está, escancarada a todos, e mais, se acontecerem “mudanças” no percurso técnico tático por parte do(s) escolhido(s), ficará provada que a comissão não era tão uníssona como se autodefinia, aguardando somente o momento propício para efetuarem o notório tapetebol.*  Num projeto sério e comprometido, iniciam todos, vencem todos ou caem todos, pois irmanados pelo projeto comum, fator indissociável na vitoria e na derrota.

Precisamos realmente mudar esse cenário de uma mesmice aterradora, obtusa, doentiamente repetida, suicida…

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E como tudo tem um começo, que tal voltarmos a envergar a gloriosa e histórica camiseta listrada de verde e amarelo, nossa marca vitoriosa, pois se os argentinos podem numa olimpíada usar a sua listrada azul e branca, por que não podemos, por que? Pelo menos ela jamais foi desrespeitada, abjurada, negada, e sim glorificada pelos verdadeiros campeões, mantendo a mística do mérito e do merecimento para vestí-la, como deveria ocorrer desde sempre…

Mas só a camisa, Paulo?

Bem, tudo do que é errado no basquetebol brasileiro já comentei à exaustão aqui nesse humilde blog, principalmente nas abordagens na formação de base, quando os formandos das escolas de educação física cursam hoje um semestre de cada modalidade esportiva, quando até os anos setenta cursavam quatro, agora substituídas pelas disciplinas biomédicas, influenciados pela ascendência dos centros de ciências da saúde nesses cursos, em vez dos centros de preparação de professores, que foi uma política naquela década implantada visando a fortíssima e bilionária industria do corpo de hoje…

Com professores e técnicos assim preparados, fica comprometida a formação de base desportiva, inclusive na escola, e que muitas vezes são substituídos por ex atletas e jogadores sem o preparo didático pedagógico mínimo exigido, na tarefa especializada de ensinar jovens desportistas. Sem especialistas bem treinados, nada é possível fazer nas divisões de base, e que no caso do basquetebol, muito se esperava da ENTB, que infelizmente se fundamentou nos conceitos técnicos vigentes, negando o novo, o contraditório, no que seria uma verdadeira escola onde a criatividade e o desafio forjaria técnicos e técnicas realmente inovadoras, corajosas, ousadas, proprietárias…

Comando central da modalidade? Não creio que possa ocorrer com brevidade, a não ser que 14 federações resolvam aderir a algo que possa , realmente, mudar um cenário a que todas(ou quase) se acostumaram, nas benfeitorias e escambos, não arriscando uma posição política corporativamente conquistada, logo…

Com a mesmice cronica estabelecida, e fortemente defendida por um corporativismo retrogrado e imune a “novidades”, pouco, ou quase nada podemos esperar acontecer no âmago de uma modalidade que, para alguns, tem de se manter onde está, não oferecendo perigo de voltar a ser a segunda opção desportiva do brasileiro, cujo amor pelo grande jogo vem sendo orientado, canalizado comercial e economicamente para a liga maior, aquela que joga outro jogo, um tanto parecido com o que se pratica no resto do mundo, ao qual estamos sendo tragados, sugados, tendo como ponto central o ganho financeiro, num universo promissor de mais de 200 milhões de habitantes, com as maiores reservas mundiais de petróleo e água, as duas riquezas que pautarão as disputas sócio políticas deste século, amalgamadas pela força incontrolável da informação, onde o domínio, a influência cultural e desportiva tentarão amaciar seus projetos de conquistas no seio de nossa  juventude, órfã de políticas educacionais absolutamente necessárias a manutenção de sua independência como nação…

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É duro constatar em entrevistas televisivas, que a turma do volei de quadra que comanda o esporte de alto nível no país, teima a não mais poder pela segunda preferência junto a população tupiniquim, mesmo sendo desmentida por matérias na imprensa, como no O Globo de hoje (vide reprodução anexa), onde sequer ocupa uma das cinco primeiras colocações na pesquisa, coerente na liderança do futebol, do handebol, desporto colegial por excelência teimosamente existente, até mesmo na forma da “queimada”, da tradição do lazer praieiro das redes de volei, do histórico basquete, o concorrente a ser afastado a qualquer custo, que foi surrupiado politicamente do patrocínio do Banco do Brasil, sem o qual não teria atingido o nível atual que ostenta, mesmo sem investimentos na formação massiva de base, e da ginástica, o patinho feio e abandonado da escola pública, em benefício da industria do corpo milionariamente inserida nas holdings de academias espalhadas pelo país, para as quais não interessa a perda da clientela jovem, se atendidas pela ed.física escolar, tendo o suporte “regulador” dos confef’s e cref’s da vida…

Enfim, abre-se, por mais um ciclo, os tortuosos caminhos para uma modalidade impar em sua complexidade, profunda e das mais inteligentes, e por isso mesmo criativa e libertadora de mentes e personalidades, quase única na formulação consciente de lideres, que por conta desses atributos sempre sofrerá o combate direto, e nem sempre pautado pela lisura e a ética, para seu controle, e se possível submissão, mas que em pequenas ilhas de excelência sempre se manterá vivo o derradeiro sentimento da indignação, grito primal dos quem tem algo a dizer e somar, e não somente tomar e postergar, e mesmo evitar a constitucional obrigação de educar competentemente a nossa juventude.

Que os piedosos deuses nos ajudem…

Amém

(*) Tapetebol, a arte de puxar o tapete dos pés dos inimigos, e dos amigos também…

Fotos – Autorais e reproduções da TV e da mídia impressa. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

76…

P1030972-003Ontem foi meu aniversário, que incrivelmente ainda comemoro, claro, com muito menos empenho social, porém o suficiente para um singelo e recôndito almoço com minha filha, sem a presença física de seus dois irmãos, ambos no exterior, mas bem próximos através a tecnologia do skype, para minha, também singela, felicidade…

Lá se vão setenta e seis anos, seis, compulsoriamente afastado da quadra, mas sempre presente fora dela, me mantendo atualizado, até um pouco demais, no dia a dia desse humilde blog, que me obriga prazeirosamente ao estudo, na busca incessante dos sistemas ideais, mesmo que impossibilitado de os verem na prática…

Porém os tenho visto, aos poucos, homeopaticamente, em algumas equipes da elite (?), na dupla armação, na substituição dos cincões por jogadores mais ágeis, rápidos, flexíveis, atuando dentro e fora do perímetro, melhorando seus fundamentos, com melhor leitura de jogo, mesmo que ainda bastante travados taticamente por técnicos travestidos de estrategistas, encordoando a todos a manoplas como marionetes descerebrados…

E por conta desse comportamento, temos assistido algumas pérolas de como não dirigir e liderar equipes, numa avidez de demonstrar sapiências de que não são absolutamente possuidores, pois imberbes, apesar de arrogantes, nas minúcias e entranhas do grande jogo, alguns recentemente promovidos e já deitando cátedra, de uma forma que aqueles conhecedores de verdade jamais o fizeram, jamais…

Nas duas últimas semanas assisti alguns jogos do NBB, da LSB e um da NBA, que me fez dormir, tendo desligado a TV na manhã seguinte ao acordar. Estranhamente nenhum deles teve méritos de me remeter ao teclado para alguns, mesmo poucos comentários, a não ser um do São José, que perdeu para o Caxias embaixo de uma enxurrada de piruadas de jogadores lesionados, dentro e fora do banco, dirigido por um assistente de um dos técnicos estreantes, ausente no jogo. Desde a muito descrevo esse tipo de jogador que agindo dessa forma, se prepara para daqui a um pouco empunhar uma prancheta, afinal, sua enorme experiência jogando, parece o qualificar para a direção, tática de preferência, quando alguns outros valores de menor monta, ou mesmo insignificantes, como conhecimento amplo teórico da modalidade, seus fundamentos estudados ao máximo, sua estrutura organizacional, grupal, mental e comportamental, fosse de somenos importância perante sua transcendental vivência como jogador, mais ainda se galardoado e apoiado pela mídia especializada, que o qualifica como mito, ícone, logo, pronto para dar seguimento a seus conhecimentos, pronto para o comando…

Num ledo e constrangedor erro conceitual, estrutural, profissional dos grandes, porém dissimulado pela mesmice imperativa que os cercam e protegem, cerceando o desenvolvimento do grande jogo, ávido e carente de criatividade, ousadia e, acima de tudo, conhecimento básico e necessário para inovar, para romper a mediocridade institucional que ai está, correndo célere para o desastre iminente, que está logo ali em uma das esquinas de 2016…

Mas como, mesmo na presença iminente de grandes desastres, algo tênue e fugaz às vezes aparece, se consultarmos as estatísticas do NBB 8, vemos um decréscimo bastante evidente na “chutação de três”, com jogos cada vez mais decididos “lá dentro”, de 2 em 2, de 1 em 1, como deve ser ante a precisão maior na curta e media distâncias, otimizando as extenuantes e difíceis movimentações de ataque, reservando às bolinhas de três seu verdadeiro significado, como um arremesso recursal, executado por especialista, nas condições de passes de dentro para fora do perímetro, e não se constituindo o sistema básico de uma equipe, seja de que nível for, da base a elite…

Pretendo daqui para diante me fixar em análises de alguma partida que revele algo mais do que a mesmice institucionalizada que nos oprime e envergonha, assim como me planejo para retornar em grande aos artigos técnicos, dos fundamentos individuais e coletivos, até os sistemas ofensivos e defensivos, que afinal de contas sempre foi a função maior e estratégica deste humilde blog, um dos responsáveis (talvez o maior…) pelo meu afastamento das quadras, ao me negar a abjurá-lo em função das enormes resistências ao mesmo, por sua independência e democrática luta, e me indispondo indignadamente a participar do corporativismo vigente, originando covardes contra partidas,  que insulta e humilha o grande, grandíssimo jogo entre nós, tão premente a novas ideias, mesmo partindo de veteranos técnicos e professores, aos quais muito me honra pertencer em suas companhias desde sempre.

Amém.

Foto – Eu e minha filha Andrea.

 

OS PROTAGONISTAS(?)…

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Era para ter sido um jogo bem razoável de se ver, principalmente se tivesse sido desenvolvido dentro dos garrafões, fator técnico que os artilheiros de plantão em ambas as equipes não permitiram, ao deflagarem um duelo de bolinhas, contestadas ou não, com tempo de sobra dos 24 disponíveis ou não, onde o “chegar e chutar” imperou absoluto. Foram 51 arremessos de três (6/24 para os paulistas e 14/27 para os cariocas), determinando vencedor aquele que conseguiu encestá-los em maior número, sendo que a definição ocorreu da forma mais bizarra possível, quando o pequeno armador Gegê, encaixou três deles seguidos sob a flacidez defensiva dos gigantes Cezar e Devon, determinando os 9 pontos decisivos da partida…

 

Pronto, creio teria sido este o melhor e mais esclarecedor retrato do “clássico”, não fosse o aspecto mais inusitado, porém previsível, que o caracterizou, seus mais legítimos protagonistas, a futura dupla que orientará nossa seleção master, segundo os mais conceituados e esclarecidos experts do grande jogo tupiniquim…

 

E para tanto, já se colocam na vanguarda midiática, um suporte valioso para alçar voos maiores, consubstanciados em seus vastíssimos conhecimentos e experiência profissional no comando de equipes, dentro e fora das quadras. Claro, como bons estrategistas que julgam ser, pensam poder se dar ao luxo de estipular planos de jogo a priori, tabulando ações fundamentais de qualquer equipe que se preze, pressionar juizes contumazmente, manipular torcidas contra os mesmos, teatralizar situações normais de jogo, para no final dar entrevistas televisivas, concluindo enfaticamente, que não julga arbitragens depois dos jogos, num cinismo constrangedor e revelador…

 

Muito me preocupam esses posicionamentos, onde o recente técnico de um grande clube paulista, conclama sua torcida de futebol para estar “ao lado” da equipe que dirige, sabendo de antemão não serem tais torcedores muito afeitos a costumes bem diferentes daqueles extravasados ao redor dos gramados das arenas nacionais, incluindo a inexistência de alambrados nos ginásios…

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Enfim, assim começa o NBB7, que ao meu ver não começa bem, pois vícios de outros carnavais tendem a se repetir, ou mesmo perpetuar, em nome de uma realidade onde a mesmice técnico tática, e agora de personalidades midiáticas, tendem como aquelas, se tornarem endêmicas, afastando cada vez para mais longe, toda e qualquer tentativa de um saudável e democrático revisionismo, pautado pelo controverso, pelo modo diferenciado de se ver e sentir o grande jogo entre nós, da base à elite, das partes para o todo, e não o contrário que ai está formatado e padronizadamente estabelecido…

 

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

 

OS “NOVOS CONCEITOS”…

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Do elenco brasileiro que vai disputar a Copa do Mundo da Espanha, três jogadores chegam à competição com status de estrelas da equipe. E todos da mesma posição. O trio de pivôs da NBA Tiago Splitter (Spurs), Nenê (Wizards) e Anderson Varejão (Cavs) promete dar muito trabalho às defesas adversárias. O moral está tão elevado que o técnico Rubén Magnano conseguiu implementar um novo conceito de jogo ao diminuir o número de arremessos do perímetro, passando a ser mais presente dentro do garrafão.

Como antídoto ao tripé, os oponentes tendem a observar mais esse setor e achar uma forma de não deixá-los jogar dentro da área pintada. Para não se tornar previsível e facilmente marcado, o Brasil vem treinando bastante a rotação de seu quinteto, fazendo a bola passar pelos “grandalhões” e ser devolvida rapidamente aos armadores ou laterais. Na cabeça de Magnano, esse tipo de lance será recorrente nas partidas, o que os tornam verdadeiros armadores.

– Com certeza, as equipes vão entrar em quadra pensando no garrafão do Brasil e, taticamente, vão tratar de fechá-lo. Esse garrafão tem que ter habilidade de fazer o time jogar. Curiosamente, o jogo pode vir de dentro para fora, ele vão fazer o retorno de jogo, falo entre aspas, pois não sei o que vai acontecer. Nem sempre vão pontuar, mas serão armadores. Assim como nossos jogadores têm que passar (a bola) para o garrafão, eles lá de dentro têm que ter a leitura de passar a bola para os que estão desmarcados – declarou Magnano.(…)

(Matéria do Globoesporte.com de 28/8/2014)

 

Como vemos, um “novo conceito” de jogo está sendo implementado pelo galardoado hermano junto à seleção que estréia amanhã na Copa do Mundo da Espanha contra a França, e que como ele mesmo afirma, diminue o número de arremessos do perímetro, passando a ser mais presente dentro do garrafão, conceito esse que de forma alguma me é desconhecido, ainda mais quando o desenvolvi e o utilizei nos últimos, vamos ser frugal, trinta anos, e que apresentei na breve experiência junto ao Saldanha da Gama no NBB2, tendo, na medida de minhas limitadas possibilidades econômicas, veiculado artigos e vídeos aqui publicados nesse humilde blog, onde nesses últimos quatro anos de afastamento compulsório das quadras, “teimei” à exaustão pelo aproveitamento de seus princípios inéditos em confronto com a mesmice endêmica de nossa formatada e padronizada maneira de jogar, sem qualquer resposta, inclusive quanto aodesafio que fiz quando do artigo 1000 aqui publicado.

Mas claro, agora, frente ao ineditismo tático formulado pelo comando de nossa seleção, gostaria de, por mais uma vez, colaborar com a mesma, da forma mais honesta e sincera possível, sugerindo a todos que revejam um dos vídeos daquela incrível equipe que dirigí nos idos de 2010, com sua, ai sim, inédita proposta de jogo, relacionada ao que hoje executa a nossa equipe nacional, para que analisem com isenção as definitivas, porém sutís, diferenças que ocorrem dentro do perímetro, no que concerne à movimentação dos homens altos, no âmago do sistema defensivo que enfrentavam, fator determinante de seu sucesso, e que deveria ser estudado frente às fugidias e pouco convincentes aberturas dos grandes pivôs, não como uma comparação de cunho negativo, e sim, como uma prova inconteste de sua exequibilidade prática e definitivamente estratégica, pois possibilita de forma concreta o jogo ambivalente, ou seja, de fora para dentro e vice versa, propiciando grandes e formidáveis espaços para os tiros de média, e até os de longa distâncias, quando pertinentes…

No conteúdo do recente artigo – Falando de Fluidez –  faço menção a todos esses pormenores, aos quais agrego o video que sugeri ao início, e onde se encontram lá presentes alguns dos componentes dessa equipe que agora nos representa na Copa, torcendo para que se inspirem, por pouco que seja, de algo que foi provado em quadra, na competição, e não no imaginário de uma possibilidade tática, que muito pouco tem de agregada a um novo conceito…

Espero ter ajudado, de longe e do coercitivo exílio…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

O ÁPICE DA CONVERGÊNCIA…

“Pôxa Paulo, o sul americano comendo solto e você nada, nadinha?

Olha amigo, com tanta “fera” comentando até minúcias que honestamente desconheço, que falta faço? E mesmo que tentasse me ombrear com a “especializada”, que mais poderia acrescentar, senão, talvez, uma ou outra colocação escrita, ou gráfica, com a minha proverbial ranzinzice de veterano que não aceita (e jamais aceitou) tanta mediocridade que afoga o grande jogo, injusta e renitentemente?

Mas velho, pelo menos uma pincelada, monocrômica até, de leve…

Tá bem, vamos lá, mas só uma pincelada…

Não vi os jogos contra a Argentina e a Venezuela (estava ajudando minha filha Andrea em seu IV Congresso Brasileiro de Dança Moderna, algo bem mais técnico e belo que as peladas institucionalizadas que imperam por aí…) , mas analisei os números, manjados, os de sempre, principalmente quanto a eterna hemorragia, jamais estancada das bolas de três, como numa afronta deliberada e profundamente estúpida, burra até…

Consegui assistir(?) o do Uruguai, que foi uma lástima, pois em absoluto percebi algo que se comparasse a uma equipe treinada, organizada, minimamente preparada para uma competição internacional, e com uma retumbante novidade, um sistema com dois pivôs e três armadores, numa clara, direta e incisiva, pois deliberada, opção pela convergência, pela priorização das bolinhas de três, que nessa partida consumou 18/25 de dois pontos e inacreditáveis 6/28 de três, e que irônicamente conseguiu vencer em duas esporádicas finalizações embaixo da cesta no minuto final da partida, numa tácita confirmação de ser esta a concepção tática de seu trei…,digo, estrategista…

Também foi tentado o sistema de dois armadores e três pivôs, assim como em toda a partida sempre estavam em quadra dois armadores, numa claríssima demonstração de “inovações” pretendidas, porém profundamente equivocadas, pois desenhar, ou pranchetar tais formações que exigem um profundíssimo conhecimento do “como” fazer uma equipe se comportar coletiva e harmonicamente dentro dessas concepções avançadas de jogo, e que são, com a mais absoluta certeza, desconhecidas por essa geração de estrategistas ligada xipófogamente ao sistema único. E quando afirmo não conhecerem o “como” fazer jogar, basta o simples fato de vermos o resultado dos especializados testes, treinos físicos e de força, além dos rachões de praxe, resultarem na bagunça, triste e lamentável, que temos visto acontecer em nossas seleções, para avaliarmos com isenção e muita certeza que, com tal liderança estaremos roubados para 2016, com ou sem os “detalhes” previamente inseridos nos espertos álibis premonitórios que já se desenham no horizonte…

Somemos a este sombrio cenário ao pavoroso ensaio que se desenrola nos mais sombrios ainda, bastidores do nosso tecnicamente indigitado basquetebol, sobre a efetivação de uma associação de técnicos, que segundo o técnico Lula Ferreira “existe, mas não funciona”, e que logo para mim, se não funciona, inexiste, e sendo que a mesma jamais foi prioridade para nenhum dos luminares que se apossaram do controle técnico do grande jogo, mas que se afigura como um politico instrumento, mais um, na busca do domínio completo da modalidade, na forma de um clubinho entre amigos comprometidos com o que aí está, sacramentado e cristalizado, quando deveria ser amplamente discutida em caráter nacional, ocupasse o tempo que fosse necessário para sua consecução, já que estrategicamente básica e fundamental. No entanto, vejo o velho e acalentado sonho, que tentei por duas vezes tornar realidade, começar a se transformar em mais um instrumento da mesmice endêmica em que foi transformado o basquetebol, em sua organização de base e em sua formulação técnico tática desde sempre.

Voltando ao jogo em si, e suas anárquicas e equivocadas “soluções” táticas, acompanhem as fotos que ora posto, como prova inconteste do muito que ainda temos de aprender sobre a grande arte de formar, treinar e fazer jogar uma verdadeira equipe, em toda a sua dimensão de coletivismo e produção individual, totalmente voltada ao bem comum, no qual estará inserida se orientada e comandada por quem realmente entende o que está fazendo, de verdade, de verdade mesmo, e não apoiado sob o manto do corporativismo vigente…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e ter acesso às legendas.

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OS CONSELHOS…

 

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Na semana passada a LNB organizou mais um encontro técnico com a turma que dirige o basquete brasileiro desde o banco, sempre os mesmos, com um ou outro candidato referendado por todos, e outros que, mesmo sem equipes continuam a dar as cartas, inclusive sendo eleitos para compor o conselho técnico da entidade, provando que o corporativismo segue impoluto e férreo, sem deixar qualquer brecha para opiniões, votos discordantes e dissidentes.

Mas Paulo, essa sua critica não se fundamenta no fato de, por mais uma vez, não ser convidado a participar, apesar de ter dirigido uma das equipes da liga? Não, pois em caso de lá estar participando criaria um contraponto isolado, órfão em apoio e consideração por parte da turma, afinal, fora o Marcel que, por obra e graça de um daqueles pequenos milagres que hora e meia acontecem, estará daqui para diante compondo o plantel de técnicos da mesma (espero que mantenha suas convicções técnico táticas ante a mesmice endêmica que enfrentará…), minha presença soaria à esquerda de tudo que preconizam para o grande jogo no nosso imenso e injusto país, numa resolução que prima pela mais absoluta vontade majoritária, aquela que não se permite enfrentar contraditórios (os milagres não contam…), por mais profícuos que possam ser, já que agregam sugestões e opiniões de fora de seu hermético sistema.

No entanto, algo me preocupou sobre maneira, o fato de ter sido colocado em evidência para discussões, a criação de uma associação de técnicos, velha aspiração presente nesse humilde blog, que sempre a defendeu desde que iniciou sua publicação dez anos atrás.

Me preocupou pelo fato de que uma associação deste porte e importância vital venha a ser constituída no seio da LNB, organizada pelos conselhos que a dominam, com as mesmas e carimbadas figuras desde sempre, quando deveria ser constituída de forma autônoma e independente, desligada técnica e administrativamente de federações, confederação e ligas, a fim de que pudesse se legitimar ao galgar etapas fundamentadas na confiabilidade e credibilidade de suas ações, créditos e políticas voltadas ao desenvolvimento do grande jogo, dissociada de grupos e instituições compromissadas com políticas próprias e muitas vezes inidentificáveis.

Num tempo atrás intuí, sugeri, planejei e participei da criação das duas primeiras associações nacionais de técnicos, a ANATEBA e a ABRASTEBA, assim como a primeira estadual, a ATBRJ, todas finitas, exatamente por estarem próximas a órgãos federativos e confederativos, numa ligação que as levou a extinção, por não concordarem com suas politicas vigentes.

Uma ação de caráter nacional tem de ser implementada no intuito de ser criada uma associação de técnicos. amplamente discutida, se possível em cada estado ou região do país, a fim de que a mesma represente a realidade do grande jogo entre nós, e não a fundação de um outro clubinho onde vigorará o que vemos acontecer e se repetir em nosso dia a dia, uma irretocável e exclusiva “ação entre amigos”, similar às rifas que povoam nosso destino esportivo.

Espero que prevaleça o bom senso, se é que ele ainda vigora ou ainda teime em existir…

Amém.

 Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

Comentários Recentes


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