FALANDO DE DUPLA ARMAÇÃO…

(…) É um jogo difícil, mas com a ausência do pivô deles, o Deivisson, faremos um jogo interior mais forte, contando também com a experiência da equipe, acostumada às pressões (…) Técnico de Brasília na entrevista antes da partida ao Sportv.

 

 

 

(…) O time não está bem, depois dizem que eu fico brabo… Não estamos marcando nada, nada…(…) Jogador Shamell em entrevista ao Sportv no intervalo da partida.

 

 

 

(…) A equipe do Pinheiros está perdida em quadra, insistindo nos arremessos de três, precisa mudar a estratégia, quem sabe uma dupla armação, que é uma tendência mundial… (…) Comentarista Renato Santos do Sportv no terceiro quarto da partida.

 

 

 

Mas o plano pré anunciado do técnico do Brasília não funcionou, apesar de ter sido tentado o jogo interior através o Paulão e o Cipriano em varias fases do jogo, quase sempre contestado pela veloz defesa do São José, onde o Jefferson, o Murilo e o Chico com sua grande mobilidade anularam os lentos pivôs candangos, e até mesmo o eficiente Alirio. Com a tabela dominada, ficou bem mais fácil o jogo veloz e insinuante do Fúlvio, Laws e Dedé, que dosaram melhor seus arremessos, fugindo da usual convergência (24/43 de dois pontos e 8/23 de três) o que forçou a equipe brasiliense a tentar um equilíbrio utilizando dois armadores em quadra, juntando o Nezinho e o Eric, ação muito rara nessa equipe que fundamenta todo o seu trabalho ofensivo no sistema único e numa convergência permanente (19/32 de dois pontos e 10/30 de três nesse jogo), que pela longa convivência de seus jogadores funciona melhor que todos seus oponentes utentes do mesmo.

 

Tentar uma dupla armação, como veremos mais adiante, não se trata de simplesmente escalar dois armadores juntos, como tem sido tentado por algumas equipes, com melhoras evidentes na melhor condução de bola, dos passes e do sistema defensivo fora do perímetro, e sem alterar um milímetro a estrutura do sistema único e suas jogadas marcadas.

 

Num outro jogo dessa rodada infernal, findo o primeiro tempo onde a equipe do Pinheiros não conseguia parar o eficiente e objetivo time do Uberlândia, Shamell deitou suas criticas pela TV, cobrando defesa, inexistente para ele, e a começar por ele mesmo, visivelmente deslocado na equipe, onde seu extremo individualismo a fez vencedora no playoff anterior, mas sem contornar o mais do que evidente descompasso com o técnico da equipe, numa quebra de hierarquia que poderá vir a cobrar juros muito altos no restante do playoff atual.

 

E lá no final do terceiro quarto, num pedido de tempo o técnico nada fala, mas de cenho fechado transparece todo o seu descontentamento, numa hora em que algo deveria ser implementado, claro, se treinado e compreendido. Foi nesse momento que o comentarista sugeria a dupla armação, como numa tentativa de melhorar uma situação irreversível àquela altura de uma equipe quebrada em sua estrutura técnica, tática e emocional, e fisicamente cansada.

 

Dupla armação, uma tendência mundial, me desculpe o prezado comentarista, mas desde o inicio do século passado os americanos assim escalavam suas equipes- Two guards, two fowards, one center…

 

Jogar em dupla armação, e tirar dela todo o potencial ofensivo que pode desencadear se complementada por três homens altos, rápidos, ágeis e com bons fundamentos atuando no perímetro interno, significa uma quebra de paradigmas, basicamente um que nos tem coisificado a duas décadas, o sistema único.

 

Jogar em dupla armação exige sérias mudanças de preparo na base, no estudo de um sistema diferenciado, onde a criatividade e leitura plena de jogo se destaca acima de qualquer situação que delineie jogadas armadas, coreografadas, permitindo aos jogadores o desenvolvimento de suas capacidades e potencialidades, por mais humildes que sejam.

 

Jogar em dupla armação exige treinamento exaustivo dos fundamentos, seja em que nível se encontrar o jogador, na base ou na elite, se baixo ou alto, se armador, ala ou pivô, pois se trata de estar sempre em contato com seu ferramental de trabalho, onde enterradas e tocos se constituem em bônus de jogo, jamais fundamentos do mesmo, e arremessos de três são reservados àqueles especialistas do mesmo, que são poucos, muito poucos.

 

Enfim, pouco temos em literatura e mídia sobre dupla armação de verdade, e muito menos sobre jogo interior de pivôs móveis, e por isso sugiro que revejam quando possível, e se interessar possam , acessarem nesse blog o item Multimídia (no espaço Categorias), onde jogos com a utilização plena desse sistema de jogo estão disponíveis para que possam ser pesquisados, estudados e analisados, aceitos ou não, mas pelo menos plena e razoavelmente conhecido.

 

Em tempo – São vídeos completos da equipe do Saldanha da Gama no NBB2.

 

Amém.

 

Fotos – Reprodução da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 

ALEGRIA E TRISTEZA…

Foi um bom jogo, bom mesmo, apesar dos 33 erros de fundamentos, 10 para Franca, 23 para Bauru, cometidos pela enorme pressão defensiva, por ambas as equipes, desnudando uma de nossas maiores deficiências, os sistemáticos erros no drible e nos passes quando submetidos a fortes e muito próximas defesas, e nesse pormenor a ausência do Ricardo Fischer foi decisiva para o Bauru, que viu sua dupla armação que vinha se impondo nos últimos jogos desmontada, sobrecarregando o Larry em demasia.

Mas algo de muito positivo ocorreu no transcurso do jogo, a clara opção pelo jogo interior por parte de ambas as equipes, num duelo realmente impactante, somente quebrado por alguns arremessos de três forçados e desequilibrados, mostrando que o hábito das bolinhas ainda resistirá por um longo tempo, até que uma conscientização de nossos jogadores, inclusive os mais jovens, no sentido de valorizarem os arremessos mais precisos e eficientes, substitua com vantagens os imprecisos longos arremessos, deixando-os para os verdadeiros especialistas nos mesmos, que são muito poucos.

Um jogo do NBB, num playoff, que apresenta valores como 22/45 arremessos de dois pontos e 6/18 de três para Franca e 19/32 e 5/17 para Bauru respectivamente, nos deixa esperançoso de que aos poucos estaremos superando e estancando a hemorragia dos três, pois 35 bolinhas comparadas à media de mais de 50 arremessadas por nossas melhores equipes durante toda a competição, sinalize no sentido de que podemos, e muito bem, otimizar cada ataque realizado nesse nível, nos aproximando das melhores medias internacionais, e até mesmo as superando se investirmos num preparo mais aprimorado dos fundamentos, principalmente na base, pois talento e material humano de ótima qualidade possuímos desde sempre.

Um outro fator chama a atenção, quando a retomada do jogo interior recebe um novo e forte investimento por parte de algumas equipes, a presença de valores altamente aptos ao mesmo, em altura, velocidade, flexibilidade, e um bem razoável controle dos fundamentos, basicamente os do drible, da finta, do passe e da defesa, rápida e antecipativa.

No jogo de hoje, Teichmann, Lucas, Leo, Jhonatan, Pilar, André, provaram o quanto de talento pode desabrochar quando inseridos num sistema de jogo que os incentivem às penetrações com e sem a bola, às fintas, às levadas de bola nas transições, à defesa antecipada e até mesmo pressionada por toda a quadra, e em alguns casos ajudando na armação, como o Teichmann e o Pilar.

Enfim, pivôs moveis, ou se quiserem, alas pivôs, podem se tornar uma efetiva e evolutiva opção de jogo, apoiados por uma dupla armação interagindo com os mesmos desde o perímetro externo, assim como constituindo esses dois segmentos num forte e confiável conceito defensivo, fundamentado na velocidade e no posicionamento antecipativo e pressionado.

Fico alegre e otimista frente a esta nova tendência, corajosa e inteligentemente utilizada por algumas equipes, como as do bom jogo de hoje, assim como fico imensamente triste por não me ser permitido participar dessa evolução que, temerária, porém visionariamente iniciei no Saldanha no NBB2.

Vida que segue, porque o mais importante, graças aos deuses, está acontecendo, ainda a tempo para enfrentarmos 2016 com algum sucesso.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

Foto 1 – Pressão na armação adversária, excelente medida de retardo.

Foto 2 – Defesa antecipativa e pressionada, pena que sem flutuação lateralizada  relacionada à linha da bola.

Foto 3 – Excelente ataque dos pivôs de alta mobilidade de Franca.

Foto 4 – Pressão continua de Franca.

Foto 5 – Jogo interior de Bauru.

Foto 6 – Inadequado arremesso de três num momento critico do jogo.

Foto 7 – Idem por parte de Bauru.

Foto 8 – E 1 ponto vence o jogo…

 

A ARTE DE PERDER…

Como mais do que previsto, o Pinheiros abocanhou a classificação convergindo (aliás, poderíamos a essa altura reformar o termo para divergindo, não sei, talvez mais apropriado…) de forma contundente e seqüencial (vide artigo anterior), com um 15/29 nas bolinhas de três, contra 17/24 nas de dois, sofrendo 6/26 e 21/35 respectivamente por parte de Limeira, que mais uma vez se viu impotente ante a consentida avalanche vinda lá de fora de seu oponente, provando sua mais absoluta incompetência defensiva fora do perímetro.

Com o público testemunhando 55 arremessos de três e 59 de dois, fica bastante compreensível o nível técnico que progressivamente vai se instalando no nosso modo de jogar, e lá já vão cinco NBB’s, fazendo com que nos preocupemos com o que virá no próximo…

No entanto, lá em cima, na ensolarada Fortaleza, pudemos assistir mais um capítulo da novela A Arte de Perder, que não é para qualquer um, mesmo sendo global…

O representante do nordeste,  que protagonizou uma inenarrável convergência (8/36 nas bolinhas e 20/34 nas de dois), e estando a segundos do final com dois pontos à frente, viu o jogador André desferir um petardo, convenientemente contestado pelo defensor paulista (aliás, ambos paulistas, ou quase todos, pois de cearenses…ora deixa pra lá…), errando e dando chance a um ataque interior do Paulistano que culminou num outro petardo, agora do Elinho, que de tabela empatou o jogo.

O que se viu daí para diante foi constrangedor, com uma reposição de bola no ataque por parte dos cearenses (?), que sequer entrou em jogo, saindo direto pela linha final, dando segundos de chance para uma longa, aérea e dividida reposição, que encontrou um Eddy embaixo da cesta, onde sofreu falta na tentativa de uma bandeja. Lance livre convertido e acaba um jogo emblemático e balizador.

E porque balizador?

A equipe do Paulistano utilizou o sistema único por todo o tempo, mas agilizou-o empregando dois e até três armadores em quadra (vide a primeira foto) e mesmo assim priorizando o jogo interior, onde pendurou em faltas o Felipe, arremessou 10/20 lances livres, quando seu oponente somente o fez em 4/7 oportunidades, caracterizando as duas claras opções ofensivas, onde a equipe paulista priorizou o jogo interior, as conclusões de media e curta distância (22/41 de dois e 6/24 de três), e um combate defensivo mais efetivo através as contestações às longas bolinhas de seu adversário, que em sua avassaladora opção pela convergência claudicou inclusive num de seus pontos mais fortes, os rebotes, conseguindo 28, enquanto seu oponente conquistou 41.

Tal confronto demonstrou a crescente tendência pelo jogo exterior, por grande parte de nossas equipes de elite, e a outra partida de ontem em São Paulo a confirma com sobras, preocupando a todos que propugnam por um basquete mais técnico, estudado e objetivo, onde cada ataque deveria ser otimizado através arremessos equilibrados e eficientes, e não essa hemorragia que vem paulatinamente anulando e deixando de lado a criatividade clássica inerente ao grande jogo.

Felizmente, uns poucos técnicos começam a reagir ante tal ameaça, e o do Paulistano é um deles, mas que ainda permite que sua boa e aguerrida equipe arremesse, como ontem, 5/24 bolinhas de três, quando se optasse pela metade das que falharam por arremessos interiores, sem dúvida alguma venceria por boa margem, e não ficaria dependendo do “milagre” do Elinho com seu petardo de fora, e de tabela. Mais uma vez, e ironicamente, venceu o jogo através um singelo lance livre do Eddy, aquele arremesso que só vale 1 ponto.

Amém.

Em Tempo – Que bela contratação a do Muñoz, um jogador que realmente põe a casa em ordem, no ataque e na defesa, e executa o DPJ como ninguém.

 

Fotos – Reproduções da TV.

 

Foto 1 – Paulistano em tripla armação.

Foto 2 – A defesa zonal que “incentivou” o jogo externo nordestino…

Fotos 3, 4, 5, 6 e 7 – Sequência que definiu o jogo.

O REINO DAS “BOLINHAS” X…

Pela terceira vez consecutiva a equipe do Pinheiros converge em seus arremessos, com 14/28 de três e 14/23 de dois, sempre para mais nas bolinhas de três, e vence os jogos, empata a série, e provavelmente a vencerá, claro, convergindo cada vez mais, ante a incrível incapacidade defensiva fora do perímetro da equipe de Limeira. Mais incrível ainda a sequência de três arremessos do jovem Lucas no quarto final, recolocando sua equipe num jogo quase definido, tendo entrado exatamente para isso, arremessar de três, e sem contestações…

Acompanhei o jogo pela internet, no jogada a jogada, mas creio que o técnico Magnano o tenha assistido ao vivo, afinal a Copa América está às portas de sua realização, e um jogo onde possíveis convocados estavam presentes se torna obrigação para quem os vai julgar, menos quanto aos fundamentos de defesa, desconhecidos e ausentes para a maioria deles.

Pensando melhor, que bananosa está metido o diligente e competente argentino, frente à realidade de uma endêmica hemorragia que se estabelece a cada ano que passa, imune a qualquer tentativa de estancá-la por parte dos técnicos que ai estão, corporativados com tal situação, deixando para ele o terrível impasse, que se por um lado o empurra para a aceitação pura e simples, por outro o desafia a controlá-la na direção de um basquete mais próximo da forma como deve ser jogado, e …defendido.

Agora, se você vai a um ginásio assistir uma saraivada de 56 bolas de três (11/28 e 14/28), sabendo que na próxima provavelmente o número poderá ser bem maior, aprova e aplaude o que vê, corroborado pela mídia exultante, concordes na “grande qualidade” do que testemunharam, temo pelo grande jogo, e temo mais ainda com a possibilidade de que o nosso selecionador aprove também, pela irredutível institucionalização do reinado das bolinhas.

Mas como tenho afirmado constantemente, há os que gostam, e como…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

O REINADO DAS “BOLINHAS” IX…

De repente o técnico de Limeira se enfurece, esbraveja, cai em si, amansa e cobra de sua defesa as seguidas penetrações dos atacantes adversários, exigindo mais atenção e combate. Até ai tudo bem, a não ser por um pequeno detalhe (ah, os detalhes…), a equipe do Pinheiros esmagava a sua com arremessos de três (foram 17/36 de três, e 17/19 de dois, numa absurda convergência, talvez recorde na Liga…) nunca contestados (vide foto em que o defensor dá as costas ao arremessador), talvez pela má performance do jogo anterior, quando seu adversário arremessou 12/33 de três e 15/33 de dois, dando sérias pistas de como agiria dali para frente. Tivesse trocado dez daquelas bolinhas de três por dez de dois pontos, cedendo algumas penetrações e teria vencido o jogo, numa continha aritmética básica.

Como na partida anterior conseguiu fechar o miolo de seu garrafão, ofereceu uma única alternativa a seu oponente, o bombardeio de fora, já que sua inoperância tática no jogo interno é um fato constrangedor. Ora, essa prevista possibilidade em tudo e por tudo culminaria em outra possibilidade, a de que os acertos evoluíssem, ainda mais quando absolutamente não contestados.

E não deu outra, perdendo, ai sim, a grande possibilidade de fechar a série em 3 x 0, numa conquista marcante, mas dificultada daqui para diante.

Agora, é de pasmar que uma equipe que nos dois últimos jogos comete um 28/69 em bolas de três e 32/52 de dois consiga levar de vencida uma outra pelo absurdo fato de não contestar seus longos arremessos, sequer tentar, permitindo um verdadeiro “tiro aos pombos”, na acepção do termo…

Como vemos, aos poucos evoluímos para uma dupla armação, um jogo interior mais eficiente e dinâmico, mas por outro lado ainda nos mantemos escravos dessa incúria suicida e autofágica dos três, cuja permissividade defensiva raia ao mais completo absurdo.

E ao final desse grotesco espetáculo ainda teríamos mais um capítulo da série “Contestando hierarquias”, com discussões públicas e indisciplinas contundentes, num espetáculo para lá de…

Mas há quem goste…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

O CAOS…

Quando num tempo pedido naquele momento decisivo de um jogo fundamental, já que disputado em casa, uma coletividade  rompe todo e qualquer principio hierárquico que define o básico conceito de equipe, o resultado se torna catastrófico, e pode ser definido pelas seis imagens aqui postadas. Elas contam e definem tudo aquilo que transcende comando e comandados, elas definem, simples e inquestionavelmente, o caos…

         Amém.

 

Em tempo – Limeira fez um irrepreensível jogo, defendendo e atacando numa dupla armação magistral.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las (mas não se assustem…)

ERROS (CAPITAIS) DE A/C…

 

Não tenho como norma comportamental pressionar ou mesmo interferir em arbitragens durante os jogos em que participo como técnico, em respeito ao jogo, a seus participantes, ao público presente ou conectado à mídia, e a mim em particular, já que tal atitude gera a tranqüilidade fundamental ao bom exercício profissional, necessária para diagnosticar e retificar com presteza, possíveis falhas técnicas e táticas que ocorrem em uma partida importante.

Mas tal posicionamento pode gerar comentários após jogos muito difíceis, onde alguns fatores negativos podem e devem ser discutidos à imagem das leis do jogo, a fim de que as mesmas possam ser aplicadas com a máxima isenção e justiça que as qualificam.

Algumas vezes postei nesse blog comentários sobre arbitragens, principalmente focando alguns pormenores que maculam a boa aplicabilidade dos fundamentos do jogo, como os artigos referentes ao Duelo de Habilidades nos Encontros das Estrelas do NBB, principalmente nas sequências de dribles e fintas, onde erros de execução falseiam os vencedores finais dos mesmos, e que muitas vezes não são coibidos nos jogos da Liga, e que mais recentemente foram motivos de pequenos e elucidativos vídeos, postados pelo Sportv nos intervalos de suas transmissões, e comentados pelo ex arbitro internacional Renato dos Santos.

Então, num jogo decisivo de playoff, entre São José e Minas, faltando 2.7seg para o encerramento do mesmo, um jogador comete duas infrações simultâneas, ao conduzir e andar com a bola por mais de duas passadas, observado frontalmente por três juízes, que nada marcam, propiciando um passe ao armador Fúlvio, que sofre falta e define o jogo com seus dois lances livres convertidos. Em outras palavras, a arbitragem influiu decisivamente no resultado de um jogo disputado ponto a ponto, e que daria certamente a vitoria ao Minas, pois com um lateral a seu favor e faltando 2.7seg somente restaria a seu adversário o recurso da falta, e praticamente quase nulas chances de reverter o placar.

Se muito tem se falado, às claras, ou não, o conceito de arbitragem caseira (A/C) se mantém como um estigma que deve ser expurgado de nossa tão decantada arbitragem, ainda mais no âmago de uma Liga que se predispôs a soerguer o grande jogo no país, e que ontem foi minimizado por um erro colossal, castigando a equipe que não o cometeu.

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique n a mesma para ampliá-la.

 

O LABIRINTO…

É como se de repente você se encontrasse num labirinto, se perdendo por um longo tempo em busca de uma saída, sabedor que somente existe uma, e que em muitos casos nem mesmo essa única possibilidade de fuga é encontrada. Nesse ponto, dois são os comportamentos possíveis, o de abdicar da incessante e angustiante procura, conformando-se com a desdita, aderindo aos que lá também se encontram, entregues e amorfos, ou continuar na busca corajosa e ousada, que mesmo ante uma impossibilidade, acena com a esperança dos que crêem e perseveram até o fim, sem entregas, sem concessões.

Desde sempre o sistema único nos tem limitado outros e grandes vôos na direção de um basquete mais técnico, ousado, inovador, corajoso, criativo, mantendo-o manietado a pequenos e insidiosos dogmas, a “filosofias” de um mesmo e monocórdio conceito de basquetebol, com suas jogadas hiper padronizadas, sinalizadas, formatadas num padrão aceito por técnicos e jogadores, todos em volta de uma estrela midiática, a prancheta, na qual são apostos rabiscos, borrões, hieróglifos ininteligíveis, mas que congrega à sua volta todo um padrão de impessoalidade e ausência do contato do olhar, impedido pelo biombo retangular estendido à frente de uma equipe carente de um olho no olho, de um recado ao ouvido, de um roçar amistoso e decisivo de mãos numa hora de nervosismos e inseguranças, onde gritos, rosnados e coerções deveriam dar transito absolutamente livre à calma gestual, ao diálogo justo e pertinente, simples e objetivo, congregando humores e carências, na busca do equilíbrio e do bom senso, pois na hora do vamos ver, vencem aqueles que dominam  seus nervos com a frieza dos que sabem para e como ir de encontro à vitoria.

Por tudo isso é que propugno pelo diferente, pela propriedade de algo oposto aos que todos fazem e praticam, caracterizando dessa forma o sentido grupal do novo, do instigante, do imensurável.

Ser proprietário de algo só seu é o caminho mais seguro para a evolução de um segmento social e desportivo, que se espraiado pelas demais equipes, com suas variáveis e soluções, conotam o progresso de uma modalidade mestra nas estratégias, sistemas e conceitos de jogo, impar frente às demais modalidades do desporto coletivo.

Somente depois de três temporadas após a pequena revolução causada pela personalíssima forma de atuar da humilde equipe do Saldanha da Gama no NBB2, é que já vemos sendo implantadas umas poucas opções técnico táticas defendidas e praticadas por aquela equipe desde sua experiência em Vitoria, como a dupla armação, que mesmo sendo inicialmente utilizada no âmago do sistema único, dotou o mesmo de uma substancial melhora técnica, através armadores mais capacitados nos fundamentos, de uma sintomática diminuição dos arremessos de três por parte de algumas equipes, assim como uma lenta, porém progressiva adoção de pivôs mais ágeis e rápidos, em vez dos massivos cincões que ainda habitam o imaginário colonizado de muitos de nossos técnicos, dirigentes, agentes e jornalistas especializados (?) do grande jogo,  ainda imersos no labirinto em que se entronizaram na busca absurda e inócua de pertencerem ( e alguns “acham”que pertencem, de verdade…)a uma filial sucedânea de uma NBA que de forma alguma está interessada em nós pelo desporto e a educação popular, e sim pelos lucros que podem reverter à matriz, onde os maiores compradores de seus produtos da grande loja  na quinta avenida em NY são os…brasileiros.

Enfim, se por uma lufada de sorte e competência, a ENTB se reestruturar em torno de propostas realmente evolutivas, se uma associação de técnicos for estabelecida com seriedade e profunda ética, e se nossos técnicos se dispuserem a enfrentar e procurar uma saída do autofágico labirinto em que se encontram em sua maioria, ai sim teremos alguma chance de evoluirmos na direção de uma já tardia retomada, a da nossa tradição de excelência técnica e acima de tudo criativa, e não subserviente e passiva como atualmente se encontra, numa mesmice endêmica e perigosamente terminal.

Olhando com atenção para as fotos aqui postadas, podemos imaginar o quanto de perda de tempo temos sido assaltados, perante grafismos que nada mais representam do que os sinuosos e enganosos meandros de um labirinto que compõe o mais triste de todos os cenários que emolduram o grande jogo em nosso imenso e injusto país, o nada na direção…do nada.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

QUASE LÁ…

Parece que estamos quase lá, a alguns passos de um novo pensar o grande jogo, jogando-o taticamente melhor, apesar de ainda necessitarmos melhorar, e muito, nos fundamentos do jogo.

Dupla armação se solidificando, auferindo qualidade às equipes, e acreditem ou não, uma bem vinda fuga aos mastodontes de costas para a cesta, dando lugar a pivôs ágeis e rápidos, sem deixarem de ser fortes, porém pouco diferenciados de seus companheiros de equipe, tanto em velocidade, como em habilidades também, e jogando de frente, nas penetrações e finalizações.

Franca, Uberlândia e Pinheiros provaram nesse final de semana que podemos, e devemos transitar para essa nova concepção de jogo (fato revelador serem as mesmas lideradas pelos técnicos mais experientes em atividade…), que ficará melhor ainda ladeada por uma outra conquista se marcarmos melhor, com técnicas defensivas eficientes, pessoais (como a marcação frontal dos pivôs…) e coletivas, ambas treinadas a não mais poder, e não confiadas à “disposição e entrega”, qualidades estas que pouco funcionam na ausência de conhecimentos básicos das técnicas de como exercê-la. Fundamentos de defesa e ataque é o que nos falta incrementar em doses maciças, independendo se na base ou na elite, pois trata-se do insubstituível ferramental  de todo jogador que se preza.

Mas algo de muito especifico ainda tem de ser repensado, profundamente estudado, ferozmente combatido, a hemorragia dos três pontos, que deveria ser estancada e substituída pela compreensão de seu real significado, que deveria ser a de uma opção pontual de jogo, e não uma finalidade do mesmo.Acredito, como sempre acreditei e propugnei na teoria e na extensa prática, que essa maneira de arremessar não se coaduna com a correta e sempre busca pela melhor forma de jogar basquetebol, pois prima pela maior imprecisão se comparada com os arremessos de media e curta distância, que potencializam e se tornam mais eficientes, mesmo que de 2 em 2 e 1 em 1. Os arremessos longos, se bem contestados, alvo das boas e eficientes defesas fora do perímetro, fatalmente anulam tão decantada qualidade dos mesmos, além de limitarem, por conveniência, o acesso às verdadeiras técnicas conseguidas e alcançadas pelo domínio dos fundamentos. Uma equipe bem treinada nos fundamentos, sempre será mais qualificada do que aquela que pretensamente domine uma determinada tática de jogo, sem o conhecimento básico e fundamental necessário para a  fluidez do mesmo, e isso é uma verdade inquestionável.

O Pinheiros, agindo e jogando em dupla e escancarada armação ( e quem ainda ousa contestar que o Shamell não é armador, já que junto ao Smith e o Paulinho armaram e lançaram seus pivôs Mineiro, André, Fiorotto e Araujo para o miolo da defesa argentina), contando ainda com o ala Marcio inspirado, todos atuando livres e em permanente movimentação, contestando os lançamentos argentinos, e só não mais fizeram graças a um 11/26 nos três pontos, e 15 erros de fundamentos.

E o que dizer do jogo entre Franca e Uberlândia, com a s mesmas características de soltura e fluidez ofensiva, ao lado de uma defesa forte e combativa, e aqui nesse jogo em particular, utilizadas por ambas as equipes, mas com os senões dos 14/45 nos arremessos de três e 23 erros nos fundamentos.

Podemos então afirmar com satisfação que algumas equipes da nossa elite já se comprometeram eficientemente com a dupla armação, com o avanço significativo do jogo interior, através pivôs e alas altos, rápidos e ágeis, e com a melhora mais significativa ainda de seus setores defensivos, faltando somente que outras mais adiram a esse novo tempo, agregando um maior cuidado aos fundamentos, aos arremessos de media e curta distância (que são aqueles que vencem os jogos…), ao estancamento da mortal hemorragia dos três, transformando essa refinada especialidade (que é para muito poucos, mesmo…) num válido e pontual recurso, e não uma opção de jogo, e deixando as arbitragens em paz com seu difícil e exclusivo trabalho,  não buscando nas mesmas os álibis que as inocentem(?) das falhas técnicas, derrotas e oportunos “detalhes”, tão usuais e corriqueiros em nosso meio.

Que o grande jogo, enfim, reencontre seu perdido caminho na estrada dos últimos vinte e cinco anos de sua história nesse imenso e injusto país.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

Foto 1 – Uma opção interior seria a mais indicada.

Foto 2 – Cena rara do técnico Helio Rubens acessorando seu assistente.

Foto 3 – A equipe campeã da Liga das Americas. Parabéns.

“NOVOS CONCEITOS”…

Eis alguns trechos da entrevista do técnico do Flamengo ao Globoesporte.com de 8/4/13:

 

(…)Sofremos muito com o calendário por termos disputado quatro competições em seis meses e termos jogado muitas partidas seguidas. Em razão dessa maratona, deixamos de executar parte do nosso planejamento, acabamos não conseguindo treinar como gostaríamos e caímos de produção em alguns fundamentos. Como isso já era prevísivel, nosso objetivo era terminar em primeiro para usar esse período livre para treinar. Esses dois últimos jogos contra Tijuca e Suzano farão parte desse trabalho – afirmou.(…)

(…)A maior preocupação do treinador rubro-negro é com seu setor defensivo. Dono de uma das melhores defesas da competição, o Flamengo sofreu 93 pontos na derrota para o Pinheiros e na vitória sobre o Paulistano.(…)

(…) Vamos aproveitar os jogos contra Tijuca e Suzano para ajustar nosso posicionamento defensivo e testar alguns conceitos e ações que temos em mente nesse setor. Nós tínhamos uma média de 73, 74 pontos sofridos por partida, mas permitimos que Paulistano e Pinheiros fizessem 93 nos dois últimos jogos, muito acima da nossa proposta – alertou Neto.(…)

 

Bem, depois de tão firme posicionamento, inclusive, e erroneamente, classificando os jogos com o Tijuca e o Suzano, últimos classificados no NBB5, e como líder do campeonato, como treinos para ajustamento de conceitos defensivos, pudemos testemunhar que os mesmos falharam redondamente, não por falta de treinamento, mas por serem equivocados em sua mais preliminar origem, o estágio técnico de seus jogadores na arte de defender, que no frigir dos ovos, é nenhuma.

Como exigir defesa eficiente, sob o conceito que for, com jogadores como o Marcos, o Duda, o Benite, o paraguaio, citando os principais, que marcam de pé, sem um mínimo de flexionamento de joelhos necessário ao enfrentamento blocante a um adversário razoável nas penetrações e fintas, com ou sem a bola, a um Caio cuja lentidão lateral impossibilita uma correta defesa frente a pivôs mais ágeis e velozes, a um Shilton que desconhece o posicionamento correto para os rebotes, enfim, com quase toda uma equipe forte e decisivamente focada para o ataque que ao deixar jogar fora e em muitas oportunidades dentro do perímetro, enfrenta situações defensivas algumas vezes irrecuperáveis?

O Tijuca fez mais de cem pontos nos tais conceitos, e que ponham as barbas de molho se não treinarem os fundamentos individuais de defesa, isso mesmo, fundamentos de defesa, para ai sim, num futuro breve ou distante, conotarem conceitos e sistemas eficientes de defesa aplicados com presteza e  boca calada, a tal que se muito aberta entra mosca, conceitos à parte…

Com o velho Togo aprendi uma inesquecível lição, discursos e festas só depois da taça nas mãos, até lá, treino e muito treino de fundamentos, o verdadeiro conceito do grande jogo.

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

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