UMA PEQUENA RESENHA…

Eis-me de volta, depois de algum tempo envolto na construção de minha mini quadra de basquete (de utilidade básica para as futuras Oficinas Técnicas aqui em casa), do enfrentamento de um vendaval que quase afundou de vez essa bela e abandonada cidade, deixando-me sem energia elétrica, internet, tv, por quase uma semana. Com a volta da normalidade, pinçei na mídia algumas notícias e relatos, que farão parte da pequena resenha a seguir:

– Lá fui eu publicar o artigo “O negócio é puxar ferro“, e rapidinho a turma fisioterapeuta da CBB organiza o evento “Performance e prevenção no basquete”, onde a pessoal antenado com a mesmice endêmica incrustada no grande jogo, aprenderá como criar maiores e melhores atletas para a prática do basquete, noves fora, é claro, a bola e suas dispensáveis e ocultadas técnicas de manuseio, frente ao atleticismo performático imposto coercitivamente aos nossos incautos jogadores, a partir da formação de base, induzidos a correrem mais velozmente, saltar na estratosfera, e trombar com potência e energia, enrijecendo a musculatura, sobrecarregando as articulações, prontidão para maratonas, deixando em segundo ou terceiro planos os fundamentos básicos do jogo, a evolução natural física, mental e psicológica de todo jovem, fatores de prioridade máxima na aprendizagem desportiva, anos luz à frente de precoces e discutíveis cientificismos que não nos tem levado a lugar algum, a não ser a geração enriquecedora de “papers” curriculares, deixando de lado aqueles mestres que realmente conhecem, ensinam e desenvolvem o grande jogo técnico e coletivista em nosso imenso, injusto e desigual país, onde uma ENTB se torna inexequível por conta de um corporativismo retrógrado e cúmplice do que aí está solidamente implantado…

– Do Jogo das Estrelas, vi um pouco do torneio das habilidades, onde pude constatar pela primeira vez desde sua implantação, um vencedor que soube driblar dentro das regras e normas oficiais, o Lucas Dias (seu oponente, o Yago carregou, ou conduziu a bola em todos os obstáculos transpostos) , ao contrário de todos os que o antecederam, vencendo irregularmente, conforme publiquei todos os anos. Quanto ao jogo principal, vencido pela turma brasileira por 144 x 92, apresentou os seguintes números (alguns poderão afirmar ter sido resultado da ïnformalidade”da festa…)-30/50 de 2 pontos, 26/49 de 3, e 6/11 nos LL para os brasileiros, contra 22/36, 13/53 e 9/13 respectivamente para os estrangeiros, para um absurdo total de 52/86 nos 2 pontos, 39/102 nos 3, e 15/24 nos LL, com 25(12/13) erros de fundamentos, ou seja, quem inadvertidamente compareceu ao Pedrocão, assistiu 63 arremessos perdidos nas bolinhas, aspecto que conota muito bem a qualidade da festança. Aliás, cabe aqui uma hilariante referência ao  comentarista da ESPN, quando aos 12 seg do final da partida, mencionou o fato do técnico da equipe brasileira pedir um tempo e desenhar uma jogada na prancheta, assim como o técnico adversário, também usá-la estando 52 pontos atrás no placar. Realmente hilariante e constrangedor…

– E por conta da festança, me vem a recordação de nove anos atrás, quando assumi o Saldanha no NBB2, exatamente nessa fase da competição, dando a mim 10 dias para treinar a equipe, ou 18 bons e puxados treinos, basicamente de fundamentos e introdução ao sistema de 2 armadores e 3 alas pivôs, que se revelou excelente nos resultados finais (hoje mal e equivocadamente copiado por todas as franquias da Liga), apesar das perdas de jogadores importantes afastados administrativamente. Me neguei a comparecer em Uberlândia para a festança, mas não pude evitar que três dos jogadores lá estivessem para cumprir a determinação da Liga. Desde então defendo a tese de que um jogo de estrelas devesse ocorrer ao final da competição, reservando as datas das festas de fim de ano para o ajuste das equipes mal colocadas na tabela classificatória. Porém, duvido que as mesmas mudassem algo, a não ser reforçar as jogadas constantes do sistema padronizado e formatado, únicas do conhecimento de técnicos e jogadores, como até os dias de hoje acontece, dando a mim a plena certeza de que o grande problema do nosso basquetebol foi, é, e será por um longo tempo a parte técnica e tática, inclusive na estratégica formação de base, fatores estes que festanças, publicidade, marketing e torneios chinfrins jamais substituirão tais e fundamentais necessidades, encobertas pelo nefando biombo que as separam da dura realidade, onde a mesmice endêmica impera absoluta…

– Finalmente, proponho uma reflexão – Sabemos todos nós que nos Estados Unidos e em grande parte dos países europeus, divisões de base competem somente em seus bairros (8 aos 10 anos), suas cidades (10 aos 12 anos), estados ( 13 aos 16 anos), para daí em diante competir internacionalmente, mantendo os jovens incluídos ou bem próximos de suas famílias, dando prioridade aos seus estudos básicos, complementados pela atividade desportiva, e afastados ao máximo nas etapas pré e pós adolescência de influências fora de seu círculo familiar, por mais limitado economicamente que seja, propiciando auxílios pontuais que não os afastem de casa, onde o fator educação tem importância maior e vital, reservando a escola e o preparo desportivo o fator instrutivo, e o suplemento educacional. Sempre fui contra a retirada de jovens talentos do seu círculo familiar, sempre, vendo com olhar extremamente crítico as cada vez maiores quantidades de jovens afastados de seu lar e entregues a organizações e agentes particulares, clubes, empresários nacionais e até internacionais, para orientá-los ao desporto, nem sempre amparados por pessoal realmente qualificado e responsável para fazê-lo, originando, muitas vezes, em graves desvios sociais e comportamentais, com lamentáveis desfechos. Acredito, honestamente, que se tivéssemos uma verdadeira e autêntica política nacional voltada à educação (fator estratégico de uma nação), aos desportos e as artes, não estaríamos hoje lamentando e chorando a trágica perda de dez jovens num incêndio que jamais deveria ter acontecido, pois lá não estariam por conta de seu precoce valor no mercado do esporte profissional, antecipado em uma década de suas valiosas, jovens e ceifadas vidas…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV e arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

“O NBB QUE VOCÊ NUNCA VIU”…

Andei analisando e revendo muitos vídeos e fotos sobre os últimos NBB´s, tendo sido alguns daqueles registros parte de muitos artigos aqui publicados, todos fazendo parte de uma rotina imutável, como se houvesse sido baixada uma lei central de que somente um sistema de jogo pudesse ser executado, ano após ano, e já lá se vão dez, de uma mesmice endêmica, onde jogadores, técnicos, dirigentes, analistas , empresários e agentes gravitam em torno do mesmo, num tétrico carrossel em sua monocórdia trajetória, sem princípio, e muito menos fim…

Repetir, insistir, repetir, tornar a insistir, metódica e servilmente, agregando uma novidade/cópia aqui, mais uma imitação alí, uma canhestra apropriação tática acolá, num somatório previsível e na maioria das vezes infantilóide, típico de todos aqueles que se julgam conhecedores de tudo, e certamente de nada, nada mesmo, pois o tatibitati técnico tático faz as honras da mesa de um indigesto banquete, aquele que intoxica e muitas vezes mata…

“É outro o basquetebol agora jogado, e precisam se acostumar”, e tome “chega e chuta”, preparação fisioterápica arrasadora, quase que precisando de uma quadra de 50 metros e uma aro a 3,50m do solo, frente ao poderio atlético descomunal de jogadores que muito tarde descobrem a existência de uma bola no campo de jogo, e a obrigação técnica de controlá-la, dominá-la  direcioná-la com precisão, e não maltratá-la e percuti-la da forma mais primária e imprecisa, isso quando conseguem contatar alguma no meio de tanta insana correria…

Já se ouve comentaristas, uns raros que parecem entender um pouco melhor o grande jogo, dizerem que os jogos pecam demais na técnica, na tática, nos fundamentos, mas sobram em emoções, levando à histeria narradores ufanistas e boquirrotos, empolgando seu público mais para torcedores de futebol do que basquetebol, que raramente enchem os ginásios e arenas, aplaudindo ruindades dentro e fora das quadras, pencas de medíocres americanos para cá canalizados no projeto NBA/NBB, que agora mesmo patrocina escolinhas pagas em estados do país, porém, como num escorregão, prestigiando excelentes armadores argentinos que, honestamente, perdem muito de seu potencial ao se defrontar com um sistema formatado e padronizado, que anula muito de suas qualidades adquiridas no excelente processo de formação de base de seu país…

Mas para não afirmarmos que tudo está perdido, já jogamos, mesmo dentro do inefável SU, com dupla armação, alas pivôs mais atléticos e velozes, um pouco mais de jogo interior, sem, no entanto avançarmos na defesa exterior, e o principal, evoluirmos nos fundamentos básicos do jogo, trocando-os por um atleticismo desvairado, perigoso e descerebrado, principal e estrategicamente na formação de base, onde são poucos os professores e técnicos real e fortemente preparados para exercer tal prioridade para o futuro do grande jogo entre nós…

E como categórico exemplo do que tanto tenho alertado em função dos tortos caminhos em que nos enveredamos, ao término a poucas horas do jogo entre Paulistano e Pinheiros (91x 85 para o Pinheiros), ambas as equipes trucidaram o bom senso técnico tático com os seguintes números: 18/31 nos arremessos de 2 pontos para o Paulistano, contra 17/34 para o Pinheiros, 9/37 nos 3 pontos, contra 12/29 respectivamente, 22/25 nos lances livres, contra 11/32 também respectivamente, totalizando a convergência de 35/65 nos 2 pontos e 21/66 nos 3, numa absurda e perturbadora realidade do que estamos equivocadamente implantando no basquetebol tupiniquim, principalmente como modelo aos jovens iniciantes, ainda mais quando somamos a tal incúria 30 erros de fundamentos (15/15), fechando com chave de m…o que estamos presenciando e testemunhando do que pior possa existir como basquetebol elitizado (?)…

Em breve estaremos disputando as duas últimas partidas na classificatória ao Mundial, que deveremos ultrapassar, restando a incógnita questão do que ocorrerá no Mundial, onde um técnico croata se deparará com uma realidade antítese da sua, a começar com seus assistentes, em tudo e por tudo antagônicos técnica e taticamente a suas convicções e experiência técnica, até jogadores que se acreditam ungidos na seletiva especialidade nos longos arremessos, aí incluídos os pivôs, pouco ou quase nenhum comprometimento com a defesa exterior do perímetro, ausência atávica de movimentação sem a bola, sentido de cobertura longitudinal a linha da bola , e não lateralizada a mesma como deve ser, num caldo incolor, típico de uma elite produto de uma formação de base viciosa, falha e acima de tudo, descompromissada com o duro e permanente trabalho nos fundamentos, ferramenta básica de sua modalidade, sem a qual sistema nenhum de jogo se torna realidade, mesmo o SU a que se dedicam desde sempre, logo, o NBB que você nunca viu, é esse que você sempre viu, o que aí está, agregando a grande revolução da chutação de três. Se acostumar com isso é dose…

Mesmo assim torço para que o Petrovic consiga, de alguma forma mágica, contornar tantos obstáculos, solitário de preferência, pois se depender de sua assistência, certamente estará frito, patinando no escorregadio tapetebol* já estendido a sua frente…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

*Tapetebol – A arte de se puxar o tapete dos pés de um adversário, ou pior, de um colega de profissão.

Mais sobre o tema Tapetebol

ARTIGO 1500 – UM INACREDITÁVEL, PORÉM PREVISÍVEL 2018…

Há uma semana estou parado frente a tela branca do editor de texto, tentando escrever o artigo de número 1500, uma senhora conquista nestes 14 anos de Basquete Brasil, ininterruptos, pensados, repensados, honestos, técnicos, e acima de tudo éticos, mesmo sofrendo na pele o surdo combate travado contra sua importante destinação, a de colaborar com o soerguimento do grande jogo neste imenso, desigual e injusto país…

Este parágrafo inicial é produto de um imenso esforço que faço para dar seguimento a esse humilde blog, numa sacrificada continuidade no mais antigo blog do basquetebol nacional, escrito, administrado e editado por um professor e técnico, que tem sido mantido à margem das quadras desde o NBB2 em 2010, mas que jamais abandonou o barco, deixando à deriva todo um manancial de conhecimentos e vasta experiência aqui colocada, democraticamente colocada, visando os jovens técnicos e professores, os mais jovens ainda jogadores que iniciam suas caminhadas, e todos aqueles que realmente amam o grande jogo, e não os que o utilizam para inflar falsos egos de “pseudos conhecedores” de uma modalidade ímpar nos desportos coletivos, pela sua história, tradições e vastíssima bibliografia para lá de centenária, cuja imensa maioria dos que se apossaram política e coercitivamente do mesmo desconhecem, e não estão nem aí para conhecer, já que o tentam caracterizar a imagem e semelhança de suas canhestras e colonizadas concepções de um anti jogo inverossímil e na contramão de nossa realidade, inclusive praticado com outras regras, que não as internacionais… Leia mais »

ESQUECER? JAMAIS. ATÍPICO? DE JEITO NENHUM…

–  “É jogo para esquecer, o aproveitamento é de dia, acontece”

–  “Está claro que não o QUANTO se chuta, mas sim COMO e POR QUE se chuta”

–  “Foi um jogo atípico”

São comentários de fim de jogo, vindos da mídia especializada e do croata, contemporizando um pequeno desastre anunciado, aqui mesmo, quando afirmamos que bastaria uma defesa presente dentro e fora do perímetro, com coberturas competentes, e contestações permanentes, para conter uma seleção, cujos jogadores apostam todas as suas fichas na artilharia de fora, não alguns, mas todos, quebrando dessa forma toda e qualquer tentativa de seu técnico de promover o tão sonhado e apregoado coletivismo, cada vez mais distante, diante de uma realidade encanecida pelos longos anos de um sistema de jogo promotor da desgraceira em que chafurdamos, afundando cada vez mais num buraco infindo…

Defensivamente então, melhor sequer tentar analisar, pois trata-se de um assunto tabú, desconhecido por todos aqueles que propugnam pelo chavão de que “a melhor defesa é o ataque”, absolutamente cônscios de seu imbatível e imparável ataque, aquele lá de fora, na zona dos que temem se arriscar às penetrações, onde técnicas refinadas de drible, fintas e arremessos precisos e milimétricos exigem progressivo e incansável treinamento, ajustando e reajustando habilidades cada vez mais exigentes de esforço e entrega ao labor de aperfeiçoá-las, por todo o tempo em que se mantiverem a serviço do grande jogo, ou seja, os fundamentos, ferramenta de trabalho para praticá-lo, e sem os quais, pouco ou nada será conseguido em termos de sistemas de jogo fluido e colaborativo…

Logo, de forma alguma é um jogo para ser esquecido porque as bolinhas não caíram, “não era o dia, acontece”, quando o esquecimento está diretamente relacionado ao outro comentário – “Está claro que não o QUANTO se chuta, mas sim COMO e POR QUE se chuta” – argumento em defesa da chutação, correta ou incorreta, pois dependente do quanto, do como e do por que…

Do QUANTO, fator convergente entre os arremessos de 2 e 3 pontos, como se ambos tivessem a mesma precisão, a mesma técnica de execução, facultando a todo jogador o domínio dos longos, em quantidades progressivas, que é algo assustador pela ignorância mais simplória do que vem a ser o domínio pleno de uma esfera de 600/650 gramas e 75/78 cm de circunferência a ser lançada de uma distância aproximada de 6,75 m a um aro suspenso a 3,05 m do solo , com um diâmetro de 45 cm, girando inversamente em torno de um eixo diametral que deverá se situar o mais paralelo possível ao nível do aro e equidistante de seus bordos externos, a fim de reduzir ao máximo desvios de direção na ordem nunca superior de 1,5/2,0 cm no momento da soltura, utilizando pegas de várias formas, estudadas e pesquisadas cientificamente, adaptando-as às particularidades anatômicas das mãos de cada jogador, e não simplesmente, como em voga, jogá-la para o alto para ver no que dá…

Do COMO, se partindo do pressuposto de que as técnicas corretas estejam presentes, e que mesmo assim exigem estabilidade posicional, equilíbrio e firmeza, com tempo suficiente para que tais ajustes colimem numa razoável, boa ou excelente tentativa, sempre pertencente a uma movimentação técnico tática da equipe, e não, como de costume, forçando-a atabalhoada e muitas vezes irresponsavelmente, como vem acontecendo cumulativamente, até mesmo nas categorias da formação de base…

Do POR QUE? , Ora ora, é o que garante notoriedade midiática, poder decisório deificado, rotulando um poder maior diretamente proporcional ao maior ou menor número de “especialistas” que compõe uma equipe, tornando-a poderosa e imbatível aos olhos primários daqueles que realmente pensam conhecer algo do grande jogo, que esquecem sempre da existência de defensores do outro lado da quadra, aqueles que técnica e taticamente simplesmente defendem, defendem e defendem, despindo o santo de sua arrogância de luminares dos longos arremessos. Foi exatamente isso que tornou a acontecer no enfrentamento com os canadenses, desfalcados de seus ótimos jogadores que atuam na NBA, mas plenamente cônscios de suas habilidades nos fundamentos de defesa, e por que não, nos tiros longos também, ante a inexistência defensiva tupiniquim, entregue a seus devaneios de adoradores dos Currys da vida, cuja equipe já começou a descer a ladeira, como aliás, já era de se esperar, pois lá naquelas bandas do norte, defender é algo que aprendem desde muito cedo, quando por aqui… deixa pra lá, pois já já elas voltarão a cair…

Preocupa-me ver a seleção atuar como hoje, desconectada do que realmente seu técnico deseja para ela, arvorada, perdida e descerebrada, mas incensada em nome de um prestígio que teimam em apoiar e promover na forma absurda de jogar em função das bolinhas, previsível, insípida e com ausência de criatividade, buscando corner players para chutação, abdicando de um jogo interno que poderia, se bem treinado, coordenado e aceito por todos, ser de um poder imenso, se estruturada defensivamente, nos rebotes coletivos e excludentes, nas flutuações lateralizadas, possibilitando a marcação frontal dos pivôs, da presença permanente junto aos atacantes fora do perímetro, obrigando-os a penetrar em busca de 2 pontos, e não de três, nas leituras defensivas e ofensivas de jogo, tão ausentes entre nós, preocupados que estamos em imitar, e muito mal, um outro jogo, com regras diferentes, poder aquisitivo inimaginável, poder econômico avassalador, que nos veem como mercado, jamais concorrentes no jogo, onde até seus vizinhos mais acima aqui vem e nos ensinam um sutil lição, a de que jogadores equipados dos fundamentos básicos do jogo, sempre vencerão aqueles que, desde a base, são formatados e padronizados em sistemas e preparação física “científica”, onde aprendem a correr mais rápido, saltar mais alto e trombar com mais eficiência, muito antes de se dedicarem aos fundamentos, quando o fazem. Esse é o material humano que é posto a disposição de um técnico da escola europeia, que muito pouco poderá acrescentar taticamente quando tecnicamente deixam tanto a desejar, a não ser que os ensine, por pouco que seja, a se aprimorar nas técnicas fundamentais, inclusos os arremessos…

Ao término do jogo, me senti profundamente triste, por um único e instigante fato, o de em nenhum momento de minha vida como professor e técnico ter aceito a mesmice, a repetição o monocórdio, como estou testemunhando acontecer, e sim ter sempre me pautado pelo contraditório, pelo ousado, pelo instigante, pelo realmente novo, jamais a novidade, pela capacitação ao improviso consciente, pois só improvisa quem sabe, quem domina seu instrumento de trabalho e de estudo, ajudando efetivamente os jovens a se encontrarem em si mesmos, e por conseguinte, se situar em grupos, em família. O grande, grandíssimo jogo, precisa árdua e urgentemente de jovens assim formados, jamais formatados e padronizados em torno de uma deletéria e absurda prancheta, instrumento dos emperdenidos e teimosos estrategistas, permanentemente (até quando meus deuses) de plantão…

Amém.

Fotos – Reproduções da Tv. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

Segue uma breve resenha gráfica de um jogo nada atípico, e que nunca deverá ser esquecido:

A primeira manifestação ofensiva da seleção foi um chute de três, contestado…

A primeira bolinha do Canadá, desmarcada…

Leandro tenta penetrar, e como de outras vezes é barrado pelo forte esquema defensivo canadense…

A insistência brasileira nas “bolinhas de 10 pontos”…

Pivôs armando. armadores viram pivôs, numa inversão desesperada de valores…

Canadenses sempre livres nos arremessos…

Brasileiros sempre e severamente contestados, como deve ser…

Em síntese, de um lado uma equipe, que nem é a principal, bem treinada, com fundamentos sólidos e confiáveis, embasando um sistema fluido e competente de jogo, do outro, um retrato fiel de como se joga o grande jogo em nosso imenso, desigual e injusto país…

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“É DE TRÊS”!!!!…

“Agora quero ver falarem mal das bolas de três”, menciona sorrindo o comentarista da TV, esquecendo estar comentando um jogo em que a seleção dominicana abria totalmente a guarda para a chutação de fora (13/31), resguardando com todas as suas forças o perímetro interno, permitindo 32 (22/32)finalizações brasileiras de 2 pontos, quando ela mesma conseguia 50 (24/50 e 5/12 de 3), e mesmo assim, das 18 bolas perdidas por nossos “especialistas de três”, forçamos 10 ante uma débil, porém presente contestação às mesmas…

Repetiu-se o velho e manjado vício pátrio, de “soltar a pera” ao menor indício de liberdade, dando valia ao fajuto princípio de que “estando solto,tem de arremessar”… de três, inclusive em contra ataques, sem contemplações, levando de roldão instruções para escolherem melhores situações de chute, ou mesmo darem um pouco mais de valor a posse de bola, agindo grupal e taticamente, na criação dos tão valiosos espaços, que no caso do jogo de ontem, como em qualquer jogo em que o adversário bloqueie o miolo de sua defesa, se apresentava como uma oportunidade mais preciosa ainda de forçar o jogo interno, capacitando, pelo realismo de um jogo entre seleções, os alas pivôs nas jogadas próximas à cesta, em espaços críticos pelas curtas distâncias, ocupados por seis ou mais jogadores, em luta espacial permanente, oportunizando os rápidos deslocamentos e os passes mais precisos, assim como as finalizações estatisticamente mais eficientes, e mais, oferecendo precisos e rápidos passes de dentro para fora do perímetro, e não em passes de contorno ou regressivos, para aí sim, encontrarem os especialistas nos longos tiros, estáveis, equilibrados, e com tempo suficiente para enquadrarem com firmeza o direcionamento correto da bola, e não destinados a uma turma convencida de que é expert nas bolinhas, cerceando e praticamente anulando toda e qualquer oportunidade de ações internas de sua equipe…

O treinamento em situações reais de jogo, é o anseio de  qualquer técnico experiente e de qualidade (e muito mais em se tratando de seleções), para desenvolver seu sistema interior de jogo, difícil (mas não impossível) de ser emulado em treinos normais, daí a fundamental importância de destinar todo o tempo e empenho da equipe no máximo aproveitamento possível dessas oportunidades, que jamais deveriam ser perdidas pela troca midiática e exibicionistas de jogadores que acham, e se consideram “gatilhos” insuperáveis, o que absolutamente não são, ainda mais se marcados e contestados de muito perto, que é o que ocorrerá quando enfrentarem seleções de maior qualidade técnica…

Na equipe brasileira, nove jogadores arriscaram nos três pontos, e somente os pivõs Varejão e Augusto, e o armador Pecos não o fizeram, sendo este último também adepto das bolinhas, que só não foram tentadas por ter jogado muito pouco tempo. Se deduzirmos que nove jogadores se acham competentes nos longos arremessos em uma partida entre seleções nacionais, fica bem claro que das duas uma, ou foram autorizados pelo técnico a fazê-lo, ou agiram por conta própria, afinal estavam “livres”, o que explica a contrariedade do técnico, que vê na equipe que dirige o mesmo comportamento que tanto criticou nos jogos do NBB, o excesso de bolinhas, marcadas ou não, forçadas ou não, todas reflexos da ausência consentida de defesa externa por parte de todas as equipes, que dessa forma se igualam nos erros e nos acertos, vencendo aquelas que as veem cair com mais frequência, pelas mãos dos poucos especialistas de verdade que temos, que é a regra em outros grandes centros, onde somente uns poucos decidem jogos através o domínio que têm na difícil e elitista arte dos longos arremessos…

Agora a pouco pude assistir a final da LDB entre Pinheiros e Paulistano, jogo final de uma tarde com quatro partidas semifinais e final, com a média de 30 erros de fundamentos por jogo, e na final, 13/48 arremessos de três (4/26 para o Paulistano e 9/22 para o Pinheiros), e 32 erros (12/20 respectivamente), dando razão com sobras ao Petrovic, que, incoerentemente na manhã de hoje orientou um treino de arremessos, de três e uns pouco lances livres (vejam o vídeo)…

Estará aderindo o experiente croata? Vejamos contra o Canadá…

Amém.

Foto – Reprodução ds TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

Vídeo – Divulgação CBB.

SE CUIDA PETROVIC, SE CUIDA…

Amanhã a seleção brasileira joga com a dominicana em São Paulo pelas eliminatórias para o Mundial da China, e na segunda feira contra o Canadá, dois jogos difíceis, mesmo jogando em casa, e sob um manto de desconfiança motivada pelas declarações do técnico Petrovic sobre a forma como atuam nossos jogadores, adeptos confessos do “chega e chuta” implantado em nosso país de duas décadas para cá, fator este influenciador poderoso, inclusive na formação de base da modalidade, que levou o croata a uma série de críticas contrárias a essa forma de jogar, atingindo em cheio o ambiente corporativo em que vivem os técnicos tidos como os de ponta do basquetebol nacional…

Ácidas críticas por parte da mídia altamente especializada, dos melindrados técnicos que atuam na elite do basquetebol, foram externadas rapidamente, num movimento mantenedor do status quo vigente, avesso a qualquer mudança, pois afinal de contas, é “dessa forma que o mundo inteiro joga”, e não seremos nós a fugir dessa realidade técnica, aceita, padronizada e formatada aqui e lá fora também, concretizando uma falácia, não só perigosa, mas absolutamente idiota e absurda sobre os verdadeiros princípios técnico táticos que fundamentam  e norteiam o grande jogo, maciçamente desconhecidos e omitidos por toda uma plêiade de “conhecedores” do mesmo, e que até o momento, e de longuíssima data o manipulam a imagem e semelhança de seus interesses continuístas, e acima de tudo exclusivistas…

Fica bem claro que jogamos como todos (ou quase) jogam, dentro do sistema único, porém com uma indiscutível e conclusiva diferença, a qualidade formativa nas técnicas individuais e coletivas, lastreadas nos fundamentos básicos do jogo, fator que nos situa muitos degraus abaixo na qualificação dos jogadores internacionais, onde a maioria quase absoluta se apresenta incapaz para concretizar sistemas simples de jogo, como corta luzes , bloqueios, penetrações dominantes, que são ações inerentes a qualquer sistema primário, quiçá os mais complexos, onde falham por desconhecimento e falibilidade técnica, perdidos que ficam em incontáveis e estéreis passes de contorno ou regressivos, provando na quadra que em momento algum foram ensinados seriamente, desde a formação, e que continuam falhos pelo negligente desinteresse dos estrategistas em fazê-lo, na maioria das vezes por desconhecimento da matéria, e outras, por considerar como algo que não se ensina a jogadores de elite, num erro monumental e de consequências devastadoras, gerando a única restante opção, a do jogo externo, descompromissado com as técnicas exigidas no jogo interno, aumentadas exponencialmente pela ausência defensiva, praticamente endêmica na realidade do basquetebol tupiniquim, sacramentando o autofágico e comprometedor “chega e chuta”, único e restante estratagema que possuem no campo de jogo, incentivados pela conivência da turma de fora, os estrategistas…

Então por que não reponsabilizá-los pela praga dos três, se sequer desenvolvem sistemas e técnicas que privilegiem prioritariamente conclusões equilibradas de 2 em 2, de 1 em 1, mais precisas e determinantes ? Por que permitem suas equipes arremessar mais de três do que de dois, assistindo o desgaste brutal de seus jogadores nas insanas convergências em 50/60 ataques improdutivos e estafantes (acredito defenderem as famigeradas “rotações” exatamente para manter esse comportamento), sabendo de antemão que o mesmo acontece com os adversários, igualando-os, já que se encontram no mesmo barco do sistema único, num perfeito álibi pela consciente opção? Por que agem em um uníssono balê fora das quadras, teatralizando ações midiáticas e pressões inconcebíveis nas arbitragens, num consenso plural e inconsequente, prejudicando muitas vezes suas próprias equipes? Por que anunciam solenes estratégias de jogo e absolutamente nada mudam na forma de jogar? Por que suas equipes erram tantos fundamentos, da simples reposição de laterais, até perdas de bola sob pressão toda a quadra, noves fora os passes interceptados pela obviedade dos mesmos num sistema previsível e vazio de criatividade, a não ser aquela de cunho próprio, pretensiosamente grafada nas pranchetas? Por que mudar o que todos fazem, repetem, copiam, e torcem para as bolinhas caírem, mesmo as arremessadas por iludidos “especialistas”, por isso tudo, por que?…

Tenho certeza de que seriam estas as questões incluídas no posicionamento do Petrovic em suas críticas a decorrente enxurrada de três a que tem assistido, a mesma a que assisto consternado e constrangido nos últimos 20 anos, nos últimos 11 anos de NBB, de LDB, somados e ombreados nos inenarráveis erros nos fundamentos, um dos quais extrapolou acima de todos, as convergências nos arremessos, e para não ficar sem um numerozinho sequer, a média de erros na LDB, porta final de entrada para a elite do NBB, que atingiu na etapa anterior 26,2 erros por jogo, terminou hoje a etapa antecedente às semifinais com o absoluto e desabonador número de 36.3 erros de fundamentos por jogo. Some-se a isto os erros nas bolinhas e teremos um retrato real e fiel das qualificacões dos pretendentes ao grupo de elite…

Volto a bater na mesma tecla que faço soar desde o primeiro artigo postado neste humilde blog, o de que o grande óbice em que nos encontramos é o técnico, da formação a elite, num cenário trágico em que nada de realmente novo e instigante pode ser considerado por um corporativismo que se apossou do grande jogo, expurgando toda e qualquer tentativa que arranhe, mesmo de leve, o torpor e a mesmice endêmica que nos esmaga e humilha, em favor de um nicho econômico restrito a uns poucos, que o defendem ao preço que for. Se desmontado, teremos chances de evoluir, quem sabe recriando um pouco da pujança que nos caracterizou como a quarta força do grande jogo no século passado, quando jogávamos e amávamos o “nosso”  jeito de jogar, de criar, de improvisar conscientemente, e não essa imitação tosca e descerebrada que hoje praticamos, bolas de três a parte, e nisso o croata está com carradas de razão, e eu, particular e solitariamente, também, pois fui um dos expurgados desde o NBB2, e por que, por quais razòes, técnicas? Com certeza, não. Mudanças doem, fraturam, geram medo, que compreendo, mas em hipótese alguma aceito…

Se cuida Petrovic, se cuida, ou como torce a patota, adira, garantindo o excelete emprego, que é o que todos eles, aderindo, fazem…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

O NEGÓCIO É “PUXAR FERRO”…

O que é preferível em uma equipe de basquetebol, treinar duramente os fundamentos do jogo, em circuitos desafiadores, individualizados ou coletivos, como um excelente instrumento prático para adquirir habilidades, fôlego e firmeza muscular, ou alocar os jogadores em meio a uma parafernália tecnológica (?) forçando articulações e músculos de fibras rápidas, na busca apolínea, mais para o estético, do que o eminentemente técnico, onde o instrumento de trabalho, a sutil, volúvel e errônea bola sequer aparece, mesmo como enfeite?…

Porque não preparar jogadores em constante contato com a bola, driblando, passando, fintando, revertendo, recuando, lateralizando, arremessando, reboteando, e até mesmo, agindo sem a posse da mesma, defendendo, fintando, desmarcando, bloqueando, e acima de tudo, pensando cada ação, longitudinal ou sagitalmente, antecipando, projetando, cobrindo espaços e gestos, formulando jogadas em improvisos conscientes, inteligentemente, somando seus intensos esforços colaborativos aos demais companheiros, fórmula maior para a consecução do coletivismo fluido e autêntico ?…

Por que não ir fundo no estudo personalizado dos arremessos, arte para poucos nos de longas distâncias, exigindo sólidos conhecimentos de direcionalidade quase balística, e não simples e cansativamente desgastar-se em mil ou duas  mil tentativas por semana, com a discutível certeza de que somente dessa forma atingirá a excelência? Não, como toda arte que exige habilidades físicas e mentais, o saber como fazer supera em larga margem ao simples fazer quantitativo, acumulando muitas vezes erros crassos e incorrigíveis após repetições descerebradas. Nos fundamentos, no arremesso em particular, cada tentativa tem e deve ser pensada, analisada, corrigida e aprimorada, claro, por professores que saibam, rigorosamente o que estão ensinando, corrigindo, aprimorando, a luz das capacitações individuais de seus alunos, atletas, jogadores…

O que ontem era dominante, o preparo fundamental, hoje é suplementar, ou nada, substituído matreiramente pelo fisiologismo galopante, pelas ferragens deslizantes, contra pesos, esteiras que sobem ou descem, cargas cada vez mais fortes, mesmo aquelas voltadas a explosão muscular, até que começam a explodir articulações e cartilagens, pois o importante passou a ser aqueles que chegam a frente, velozes, saltadores, trombadores, brigadores, ao preço que terão de pagar, mesmo que mal saibam driblar com eficiência (e não trapaceando a regra nas cada vez mais redundantes “conduções de bola” que grassam entre os jogadores, armadores em especial, coniventes com arbitragens condescendentes), passar no tempo correto, olhar e saber interpretar o jogo, pensando e não só correndo, indo além das pernas, saltando e contestando fora do tempo e de ritmo, com membros inferiores travados lateralmente pelo atrofiamento muscular imposto pelas incidentes e cumulativas cargas, tornando todos seus segmentos tensionados qual cordas de um violino afinadas ao seu extremo, no limiar da ruptura, que é o que vemos aumentar a cada temporada que passa…

Tal preparo, formulando atletas poderosos ganha adeptos velozmente, na proporção direta em que se magoam, muitas vezes exigindo graves cirurgias, concomitante ao descaso ascendente no preparo técnico individual e coletivo, chave mestra para a prática do grande jogo, sem o qual, super atleta nenhum vencerá outro conveniente e seriamente preparado no conhecimento de sua ferramenta mestra de trabalho, os fundamentos e a bola de jogo, cujo comportamento é desconhecido pela maioria…

Então Paulo, você é contra e se insurge contra a “musculação”, a “academia”? Não, absolutamente não. Sou contra seu protagonismo modal, prioritário, inclusive nos vultosos valores para obter seus equipamentos de “última geração”, administrados por preparadores físicos que encasquetaram em suas cabeças serem aqueles que definirão aos professores e técnicos quais jogadores podem correr mais, saltar mais alto, trombar com mais eficiência, percorrer maiores distâncias, e pelo visto antever nos mais jovens aqueles que poderão mais adiante jogar o grande jogo com eficiência física e orgânica, restando uma singela questão – saberão eles jogar de verdade o grande jogo, saberão?

Escrevi esse artigo inspirado pela visão das fotos aqui publicadas, de jogadores de nossa seleção nacional, com 7 dias para treinar, ou 14 treinos, dedicar a metade deles “puxando ferro”, quando deveriam estar na quadra, driblando, passando, marcando, etc, etc, etc. claro, se os poderosos preparadores abrirem uma brecha em suas transcendentais pesquisas…

Em equipes minhas eles eram  importantes como complementos para dirimir alguma carência física, jamais para tutelar o quem é quem técnico e tático, função assumida por um head coach de verdade, o que sempre fui…

Amém.

Fotos – Reproduções da divulgação CBB e arquivo próprio. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O FRONTAL DESAFIO II…

Foi o Petrovic expor suas normativas técnico táticas, ao relatar sua convocação para a classificatória ao Mundial, quando discorreu longamente sobre opiniões e critérios que pretende incluir no seu planejamento de início do ciclo olímpico, para o qual foi contratado pela CBB, indo fundo nas grandes falhas apresentadas pelas equipes da LNB que disputam o NBB, em especial quanto aos arremessos de três pontos (importante ler toda sua exposição), para, quase que imediatamente, as duas equipes que lideram o campeonato, Franca e Paulistano, desencadeasse uma tempestade de bolinhas (16/25 de 2 pontos, e 14/33 de 3 para Franca, contra 18/37 e 7/27 para o Paulistano, vencido pelos francanos por 89 x 73), numa inacreditável convergência de 34/62 tentativas de 2 pontos, e 21/60 de 3!!!

Como anunciava rutilante o narrador do jogo, três dos convocados pelo croata estavam em quadra, Lucas Dias, Leo Meindl e Didi, que juntos mataram 7/16 de 3, com o Meidl desperdiçando 0/5, inclusos num universo de mais 44 gloriosas bolinhas, dando medo assistir tanto arrivismo e incompetência defensiva, e por que não, ofensiva também, num arremedo de “clássico” (palavrinha na ordem do dia…) empolgante e eletrizante, numa quadra em que mais se errava do que acertava, noves fora os 26 erros de fundamentos (11/15) perpetrados pelas equipes…

Bem provável que o Petrovic tenha assistido o jogo, e ter ficado com as barbas de molho, pois recado mais direto e incisivo do que o apresentado pelas duas equipes líderes, impossível, como que dissessem clara e diretamente – Viu, cara, é assim que jogamos por aqui, e se depender de nós continuará assim, pois é aceito por todas as equipes e estrategistas de plantão, hoje, como foi ontem, e continuará sendo amanhã, e o mais importante, endossado pela mídia “especializada” em sua esmagadora maioria, dirigentes, empresários e agentes, e mais importante ainda, pelos jogadores envolvidos pelo modelo garantidor de seus empregos, de todos os envolvidos, fator alimentador do corporativismo vigente, que pune quem tente se insurgir, pois, como afirmam todos, “não se mexe em time vencedor”, não se admitem mudanças, que para nossos vassalos “padrões”, assim deve permanecer…

Não tenho a mais remota dúvida de que o competente croata vai ter problemas de sobra para tentar resolver, principalmente se investir firme contra o tsunami de três que se instalou em nosso indigitado basquetebol, e desde as divisões de base, quando vemos meninos e meninas, mal aguentando o peso da bola, se esticarem todos para lançá-la da forma que for para os três, para gáudio de orgulhosos pais e técnicos despreparados. O exemplo da elite se espraia na formação, tal qual um espelho do que deve ser feito prioritariamente, e não perder tempo (time is money…) em aprender e treinar fundamentos, dispensáveis ante nosso “talento midiático” nas enganosas bolinhas…

Sim, terá problemas, sérios problemas, como tiveram os estrangeiros que o antecederam (e aqui sugiro a leitura do artigo O Frontal Desafio, um libelo muito bem comentado por inúmeros leitores, num exercício instigante e objetivo sobre nossa seleção), os quais sucumbiram ante a triste realidade de um basquetebol que se enfeita e adere a um mercantilismo somente factível em uma sociedade economicamente mais estável e poderosa que a nossa, como se a cópia osmótica nos elevasse aos padrões da mesma (nossas arenas semi desertas atetam isso), num equívoco brutal e insensível a nossa realidade carente e deseducada, em vez de procurarmos no âmago de nossas parcas reservas técnicas e culturais, respostas baseadas no que somos, no que fomos, no que poderemos ser, a partir do momento mágico em que valorizemos nossa cultura, nossos mestres, nossos valores, nossa história, que nos agraciou como a quarta força do basquetebol mundial do século passado…

O Petrovic que veremos ao lado das quatro linhas, estará situado numa encruzilhada, onde dois pólos conflitantes se cruzarão, seu determinismo (coercitivo ou não… ) disciplinador na condução inteligente do jogo, com sua concomitante leitura, uma defesa atuante nos dois perímetros em coberturas permanentes e constantes, um jogo interior bem estabelecido e em veloz movimentação sagital e perpendicular dos alas e pivôs, a movimentação orientada permanentemente no foco das ações pelo (s) armador (es), que torço para serem dois, todos trabalhando em constante e ininterrupta movimentação para a efetivação de bem selecionados arremessos, inclusive os de três, se as condições de liberdade, equilíbrio e firmeza forem estabelecidas, confrontando o maior dos perigos, o outro e perigoso polo, o da estabelecida crença de que somos os predestinados nos longos arremessos, após décadas de incensadas e deificadas santidades nos mesmos, projetados à glória por um certo tipo de imprensa ciosa por deuses e heróis, pelos feitos apolíneos nas quadras ou nos contratos básicos e inferiores aos stars da liga maior, afinal, somos parceiros da mesma, ou não? E é sob esse terrível panorama que desencadeou-se em nosso imenso, desigual e injusto país, o misticismo autofágico das bolinhas de três, alter ego de estrategistas que se locupletam da nossa omissão defensiva, da negligência no ensino dos fundamentos básicos do grande jogo, oferecendo aos incautos (?) jogadores a opção divina do “chega e chuta”, exatamente o ponto crítico externado pelo croata em sua palestra…

São poucos os dias de treinamento para as duas importantes partidas contra os dominicanos e canadenses, muito pouco poderá corrigir e ensinar, principalmente quanto a incontida ganância dos três, ainda mais quando, na defrontação com seus críticos, os mesmos baterão na estabelecida e monocórdia tecla – Se caírem, vencemos, se não caírem, perdemos, mas por culpa do sistema, ou seja, dele, o competente croata…

Fico na torcida pela classificação ao Mundial, e posterior reformulação do grande jogo entre nós, forte, fortíssima reformulação, dando oportunidades aos verdadeiros conhecedores do mesmo, expurgados das quadras pelo modelo que aí está implantado, sem contestações e contrapontos que o discutam a luz do conhecimento real e do bom senso, como devem ser as disputas democráticas, assim como as verdades doridas ditas por um croata sem papas na lingua…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O “CHIP”…

Terminada a semifinal da Liga Sul Americana, a pequena equipe do Instituto Cordoba (a grande é o Atenas), vem ao Rio e de uma tacada só encaçapa três das melhores equipes do NBB, com sobras e um basquetebol solidário e fluido, mesmo exagerando na artilharia de três, com uma atenuante, acionada por dois grandes especialistas na difícil arte dos longos arremessos, frente a caóticas defesas fora do perímetro, e dentro também, com um jogo interior potente e muito bem coordenado entre seus armadores e alas pivôs, permanentemente em movimento, todos, e mais, defendendo na linha da bola, marcando os pivôs pela frente, e blindando com maestria o posicionamento nos rebotes…

Flamengo, Bauru e Minas não encontraram em nenhum momento antídotos para frear os hermanos, que como estamos cansados de saber, dominam os fundamentos básicos do jogo em escala muito maior que os nossos esforçados jogadores, provando mais uma vez que, mesmo se utilizando, como nós, do sistema único de jogo, nos supera em cada posição codificada (as tais de 1 a 5) por força de sua técnica individual mais apurada, principalmente no drible, nos passes, nas desmarcações, no posicionamento defensivo, e nos arremessos curtos, médios e de longa distâncias, fruto de uma competente e paciente formação de base…

Em nenhum momento os contestamos com eficiência fora do perímetro, na recuperação frente a uma finta incisiva, na marcação e anulação de corta luzes e bloqueios, fatores estes e todos aqueles mencionados acima, que constituem todo um corolário de conhecimentos técnicos individuais, coletivos também, dos básicos fundamentos do grande jogo, sem os quais perfeitamente ensinados, aprendidos, treinados ao máximo e inteligentemente integrados a sistemas de jogo com seletividade permanentemente aberta, adaptando-os às melhores características de cada jogador, não funcionarão, ainda mais quando encordoando-os como marionetes presos a movimentos desconexos e grotescos advindos de rabiscos mais desconexos ainda de pranchetas absolutamente ridículas. Fez muito bem a LNB proibindo microfones nos pedidos de tempo( o que não ocorreu na LSB), poupando a todos aqueles que amam e entendem o grande jogo, de testemunhar absurdos, inclusive e  pretensamente bilíngues, proferidos por estrategistas, alguns dos quais nem bem sabem por que ali estão posando de técnicos da elite, a não ser por um poderoso, interesseiro e corporativista QI…

Não por acaso um leitor deste humilde blog,  postou o seguinte comentário no artigo anterior :

JoãoYesterday·

Treinador…só não vê quem não quer mesmo…ainda por cima o Instituto vem no rio e faz barba e cabelo em alguns dos nossos principais times…e ninguém falou nada a respeito desse baita fiasco….abraço coach.

 

E tem toda a razão o prezado João, o mutismo foi quase geral, demonstrando o quão inexplicáveis foram para todos os resultados numa arena montada para a consagração tupiniquim (afinal seria uma decisão entre equipes brasileiras), e que nas duas rodadas finais se apresentou deserta de torcedores, que mesmo na estréia sequer preencheu um dos lances de cadeiras do anel inferior da monumental arena, assim como a grande maioria dos jogos do NBB. E não me venham falar das “nações de camisa”, dos “clássicos dos milhões”, da pujança do renascido basquetebol, das estrelas retornadas e dos americanos em pencas abrilhantando uma das mais “importantes ligas do mundo”, toda essa parafernália exaltada aos berros e bordões ufanistas e desconjuntados da realidade em volta, enaltecida por comentaristas que em sua maioria (as exceções, muito poucas não contam) vêem e comentam jogos opostos ao que vemos ao vivo e a cores, alguns apresentados a modalidade um ou dois anos atrás, porém desenvolvendo raciocínios e opiniões que raiam ao grotesco, o que é profundamente lamentável, já que influem negativamente junto a ouvintes sequiosos de aprender mais sobre o grande jogo…

E por conta desse absurdo cenário, chegamos aonde estamos, fora da realidade técnico tática do jogo, promovendo o “chega e chuta” desenfreado dos arremessos de três, a deificação das enterradas e dos tocos “monstros”, do individualismo exacerbado e irresponsável, da ausência defensiva a ser compensada “lá na frente”, afinal a “melhor defesa é o ataque”, relatos cínicamente comprovados com os discursos de meio meio tempo com jogadores afirmando o contrário, que é algo muito sério e que sequer pensam, ou têm condições técnicas de realizar, de estrategista afirmando ao entrevistador que utilizará um sistema exaustivamente treinado para surpreender o adversário, e mais adiante continuar na mesmice endêmica em que vive desde sempre, e de repente um aviso “bomba” de uma nova contratação que retirará uma equipe da situação de falência em que se encontra, ou seja, mais um…americano.

Então minha gente admiradora do grande jogo, não se sinta espantada quando o Petrovic anuncia que temos de trocar o “chip” para sobrevivermos no cenário internacional, o que o corrijo – Não prezado Petrovic, chip amplia ou reduz uma equação, aumenta ou diminui valores, quantidades, impulsos positivos ou negativos, pois o que temos de trocar, trocar não, por inexistência, e sim implantar um software, um programa muito bem pensado, discutido, pesquisado e elaborado com o que temos de melhor em cabeças pensantes, que existem, estão aí, mas fora desse coercitivo e inamovível contexto corporativista que se apossou do grande jogo, impedindo-o de prosperar, evoluir, até mesmo respirar, blindando um nicho onde a mesmice e a mediocridade imperam solenes, ambiente onde um chip nada representa, mas que balançaria ante a realidade de um programa, de um planejamento sério de verdade, exequibilizado por quem realmente entende e conhece o grande jogo, enfim de um baita software…

Agora a pouco, na metade do primeiro quarto do jogo entre Joinville e Brasília, troquei de canal e fui para o Arte 1, pois se tratava de uma partida dantesca em todos os sentidos, e só fui saber do resultado pela internet, quando constatei pelas estatísticas que ambas as equipes convergiram em seus arremessos (17/32 de 2 e 13/35 de 3 para Joinville, e 14/24 e 13/31 para Brasília) e um total de erros de 26 (15/11), na segunda vitória de Brasília na competição (84 x 77), que é a equipe que anunciará uma contratação “bomba”, quem sabe o Carmello Antony…

Amém.

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A INDIGITADA CONVERGÊNCIA…

(…) Nos dois últimos dois jogos da equipe pelo NBB, o aproveitamento foi muito baixo. Contra o Paulistano, na sexta feira, caíram nove de 36 tentativas de três pontos. Já contra o São José, na quarta feira, foi pior: quatro acertos em 30. Ao todo, um aproveitamento de apenas 19,6%. Não melhorar este fundamento pode ser fatal para um time que tem média de 28 tentativas de arremesso de três por jogo. (…)

Este apontamento acima fez parte de uma matéria publicada no O Globo de 20/11/18, assinada pelo jornalista Gabriel Toscano, sobre o jogador Marquinhos, que concluiu seu raciocínio afirmando – (…)Com certeza pode ser decisivo. Precisamos melhorar ofensivamente em relação aos últimos jogos – Mas já viramos a chave. A liga Sul Americana é um torneio de tiro curto, não tem muita margem para erro, e vamos com tudo.(…)

Pelo que vimos ontem na Arena da Barra, a chave não foi corretamente acionada, pois após convergir contumaz e inacreditavelmente nos arremessos (15/34 nos 2 pontos e 12/39 nos de 3), voltou a equipe que foi montada para revolucionar o basquete nacional, vencendo todas as competições possíveis, a perder para os hermanos do Cordoba que, um pouco mais contidos arremessaram 19/31 de 2 pontos e 12/28 de 3, contestando o máximo que puderam a artilharia de fora rubro negra (ação que previsivelmente ocorrerá cada vez mais no universo do grande jogo), não encontrando por parte dos mesmos o denodado empenho defensivo sobre as suas mesmas 12 tentativas exitosas, igual ao dos cariocas, fazendo realçar o seu poderoso jogo interior com 4 arremessos convertidos a mais de 2, decisivos na contagem final, já que nos lances livres praticamente empataram…

Então, por mais uma repetitiva vez, retorno às continhas, pois bastaria investir na metade das tentativas falhadas de 3 (13 arremessos) em tentativas trabalhadas para os 2 pontos, para vencer com folga o jogo, ainda mais contando com poderosos alas pivôs que compõe a equipe, municiados pelos excelentes armadores que possui, os quais, permanentemente envolvidos em ações individuais na ávida procura de companheiros “estacionados estrategicamente” para os longos arremessos, se perdem tática e tecnicamente, quando não os concretizam eles mesmos, numa busca insaciável pela afirmação midiática de suas mágicas e endeusadas habilidades, aplaudidas e incentivadas pelo nervoso e irascível estrategista postado ao lado da quadra, que deveria introspectar com urgência uma radical mudança de como atuar e tornar sua proposta realmente revolucionária para o grande jogo, porém, agindo preliminarmente consigo próprio, embasando solidamente suas certezas e conceitos a luz do conhecimento pleno e estratégico que o norteia historicamente , e acima de tudo, munindo-se do bom senso comportamental e ético, pilares da profissão que abraçou e tenta trilhar…

Amém.

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