O “APRENDIZADO”DE 40 PONTOS…

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“Não me lembro de quando foi a última derrota do Flamengo por uma diferença tão grande. Mas sabemos que a experiência de ter vindo jogar aqui na NBA faz isso ficar um pouco de lado. Sabíamos do poder físico e defensivo do time do Memphis e vimos isso hoje em quadra. Eles não deixaram a gente jogar”, analisou o técnico flamenguista José Neto.

 

“Não perdemos nada aqui na nossa passagem pelos Estados Unidos, pelo contrário. Nós ganhamos em experiência, em qualidade e temos que ver tudo pelo lado positivo. Mesmo com uma derrota como essa que tivemos tem muita coisa que podemos levar para o bem e para a nossa temporada que está só começando”, completou o comandante rubro-negro.

 

Autor de 17 pontos, com direito a cinco bolas certeiras da linha de três pontos, o experiente ala Marcelinho Machado liderou o ataque flamenguista e deixou a quadra como o cestinha da partida. Com 14 e 13 pontos, respectivamente, o ala Marquinhos e o pivô norte-americano Jerome Meyinsse foram os outros bons pontuadores do time rubro-negro. Quem também merece destaque é o armador Gegê, responsável por nove pontos e seis assistências.

 

“Ninguém gosta de perder, ainda mais pela diferença que foi. O lado físico pesa muito quando você joga contra um time norte-americano e isso complicou muito nosso o trabalho. Eles tiveram o domínio dos rebotes. Mas a experiência foi muito boa, não só para o Flamengo mas como todo o basquete brasileiro”, declarou o cestinha Marcelinho.

 

(Matéria publicada no site da LNB em 18/10/14)

 

Pois muito bem, como vemos acima, são declarações curiosas e imaginativas, quando um técnico afirma não ter o adversário permitido que seu time jogasse, pelo seu poder físico e defensivo mostrado em quadra, como se não soubesse o que iria enfrentar, como se não tivesse tido acesso a históricos e vídeos de seus jogos, tendo pleno conhecimento de seus sistemas de jogo. Simplesmente não deixaram sua equipe jogar porque em momento algum se viram agredidos no âmago de sua defesa, e a partir do momento em que passaram a contestar seus armadores (foram 31 erros de fundamentos, 31!!) e os longos arremessos, ( foram 11/32 de 3 contra 5/14 do Memphis) dispararam na contagem, face a uma defesa amorfa e falha em cada posicionamento individual, assim como no grupal, fatores esbanjados a mil por seu adversário…

 

O vigor físico, por si só, não justifica tanta diferença técnica, tanta discrepância tática, a não ser por um enfoque decisivo, o de estar desprovida sua equipe, exatamente de sistemas de jogo diferenciados, pelo menos ofensivamente (o que compensaria um pouquinho a grande falha nos fundamentos), já que utente fiel do mesmo sistema praticado pelo Memphis, e todos os outros que enfrentou neste “périplo de aprendizado”, como agora defende depois de zerar em vitórias…

 

Afirmar que ganharam em experiência, ainda posso admitir, mas em qualidade, como, se falharam bisonhamente nos fundamentos individuais e coletivos também, como? Concordo quando afirma que algo está sendo levado para o bem da equipe, mas que não sejam mais táticas e jogadas para serem coreografadas na prancheta, mas o senso, melhor, o bom senso de admitir que um sério e forte trabalho de fundamentos tem de ser implementado na equipe, exemplificando para as categorias de base a estratégica importância de sua premente necessidade, vital necessidade, pois se eu, numa humilde e desprestigiada equipe capixaba pude fazê-lo com excelentes resultados, por que não ele na equipe que tudo ganhou, menos quando enfrentou a turma de agora? Creio que seja essa a grande lição lá aprendida , que para ser decisiva terá de ser apreendida também…

 

Os dois últimos parágrafos da matéria acima, demonstram com clareza o “pretígio” das pontuações, da artilharia de fora, sem tocarem no aspecto defensivo, a grande falha do atual basquete brasileiro, fruto de uma idealização midiática dos longos, imprecisos e especializados arremessos, irmanados ao “momento mágico” do jogo, as enterradas, ambas somente antagonizadas por defesas eficientes, por defensores eficientes e talentosos, por técnicos que realmente conotem importância vital no preparo de melhores defensores, de melhores sistemas defensivos, como a linha da bola, magistralmente mostrada neste último jogo pela equipe americana, e que a algumas décadas professo e defendo sua utilização entre nós…

 

Por último, me desculpem os mais assanhados com o “momento histórico” vivenciado pelo Flamengo na terra da NBA, pois vejo como inadmissível derrotas de 40 pontos entre equipes de alto nível, a não ser como produto de uma postura de falsa humildade frente a fatores circunstanciais conhecidos por quem conhece do riscado, e não se deixa enganar por factóides em tudo, e por tudo, na contra mão de nossas reais e possíveis necessidades. Urge que evoluamos na preparação da base, o grande segredo da turma do norte com seus high scholls, colleges, universities, alimentando continuamente seu projeto hegemônico do grande jogo em escala mundial, e que somente poderão ser enfrentados com argumentos tão ou mais fortes dos que professam, através a preparação fundamental dos jovens centrados num projeto nacional de educação integral nas escolas, clubes e comunidades, e da busca técnico tática diferenciada do que praticam…

 

Não à toa, quando se sentiram ameaçados pela perda de Mundiais e Olimpíada, foram buscar na universidade aquele mestre que pudesse reconduzir o barco desgovernado, e o fez contradizendo muitas tradições e dogmas cristalizados na maneira de atuar e jogar de jogadores profissionais de seu país, mas que, ironicamente, vemos acontecer aqui, o processo continuista do modo de jogar que abandonam cada vez mais. Infelizmente, continuamos a errar por omissão, e pela não aceitação e reconhecimento de que algo tem de mudar, mas que não mudará enquanto for mantido o corporativismo cruel, formatado e padronizado que nos fazem tão previsíveis e equivocados…

 

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

 

 

UMA VEZ MAIS AS CONTINHAS…

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Você viu Paulo, o Marcelo meteu 6 de 3 no Orlando com 50% (6/12) de aproveitamento, que tal?

 

Bem, você está esquecendo de mencionar que esses 6/12 vieram de um total de 9/31, que diminuídos das bolas de 2 da equipe (51-31) perfizeram  20 desperdícios, que se fossem aproveitados a metade por tentativas de 2 estariam num jogo que perderam de 18. Enquanto isso, os Magics somente arremessaram 6/11 de 3 e 36/67 de 2, errando muitas das bolas por ainda estarem em pré temporada, fato comprovado pelos 23 erros de fundamentos contra 21 do Flamengo, totalizando 44 erros num jogo de elite, o que é demasiado…

 

Como vimos, faltou ao ao nosso suit coach, por mais uma vez, elaborar aquelas continhas que conotam vitórias, claro, como base fundamental de um sistema de jogo que as leve em consideração, no qual uma contumaz hemorragia de três não teria lugar em hipótese alguma, mesmo que sua estrela maior pensasse o contrário, que é similar àquelas enterradas cinematográficas com times perdendo de 30, como já vimos muitas vezes acontecer por aqui…

 

Vimos também, uma equipe da NBA professando rigidamente o sistema único, porém convergindo decisivamente para dentro do garrafão, face ao grande domínio que possuem nos fundamentos, enquanto optamos pela artilharia externa, mesmo tendo bons e ágeis pivôs como o Meyinsse, o Felicio e o Hermann, que ficou muitas vezes perdido na armação fora do perímetro, face ao pouco prestígio que professam junto aos especialistas dos três,o que é lamentável…

 

Esse fato faz com que me recorde de uma recente declaração do técnico do São José – (…)  Nas duas primeiras semanas que eu estava fora era pra trabalhar apenas com a parte física e agora era pra estarmos no treino com treino tático. Infelizmente com o problema do Caio, do Dedé e dos americanos que poderiam estar aqui, achei inviável manter a parte tática com os meninos sub-17, devido à diferença muito grande. Então resolvi dar fundamentos com o físico e fazer esses jogos-treino com os sete que tenho aqui. Precisamos dar ritmo de jogo e dar a eles a química do jogo. Foi o que me restou fazer – afirmou o comandante.(…)

 

numa prova cabal do prestígio “quebra galho”que a prática sistemática dos fundamentos tem entre nós, e na elite, quando fico imaginando o que ocorre na formação, e o resultado está sendo mostrado na terra de quem os utilizam a não mais poder, exceto pelos dois argentinos e o americano, que ainda os tem em boa conta…

 

Mas o espantoso ficou por conta dos rebotes, 50 (13/37) para eles e 31 (5/26) para os rubro negros, que não poderiam conseguir números melhores face aos sistemas utilizados, iguaizinhos aos deles, mas com a suprema diferença apontadas acima, num derradeiro confronto de técnicas individuais e singelas continhas aritméticas…

 

Mas o que dói mesmo, e com intensidade, é saber que se aproxima mais um NBB/NBA (?), onde tais continhas e sistemas caóticos e manjados não terão confrontação direta, a não ser por uma pálida esperança de que um Pinheiros, agora dirigido por um Marcel, que desde sempre propugna por algo inovador e corajoso, e pelo qual torço ardentemente, faça acontecer algo novo, e que venha resgatar a mediocridade estabelecida desde sempre entre nós…

 

Ontem foi o dia do professor, minha profissão primeira, absoluta e incondicional, onde o reconhecimento é tardio ou inexistente, por se tratar a educação um investimento a longuíssimo prazo, mas que de vez em quando promove um encontro ou uma pequena lembrança, como a do Washington Jovem, que foi meu assistente no Saldanha da Gama no NBB2 :

Professor Paulo Murilo,

Venho aqui parabenizá-lo pelo dia especial que hoje comemoramos, o  seu dia professor, quero aqui agradecer o convívio mesmo que por tão pouco tivemos, mas que  valeu muito a pena. Aprendi muito e vou levar por toda vida. Fica aqui o meu abraço.

Do seu assistente

 Washington Jovem

   demonstrando que nunca é tarde para sermos um pouquinho lembrados. Obrigado Washington, obrigado professor.

 

Amém.

 

 

 

A LITURGIA DO CARGO…

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E ai Paulo, o campeão do mundo joga na NBA, a LNB se liga à mesma, e você não comenta nada?

 

Bem, para começo de conversa foi o campeão da Taça Intercontinental FIBA 2014 que jogou contra o Phoenix Suns, num jogo que assisti curioso com o que pudesse ocorrer de inédito tecnicamente, e que beneficiasse o grande jogo entre nós, mas, para variar, não foi o que ocorreu, noves fora o coro quase que uníssono percorrido pela mídia, na menção do fato histórico que testemunhávam  embevecídos…

 

Mas, não foi bem assim, pois enfrentava o bom time rubro negro uma equipe em pré temporada, em seu primeiro jogo, e que demonstrou em toda a partida ainda estar muito longe de uma razoável forma, vide o decréscimo mais do que evidente de sua forma tradicional de jogar, focada na grande velocidade e permanente movimentação, que neste jogo ficou muito longe de acontecer…

 

Mesmo assim, no quarto final, apertando a marcação e buscando um aumento de velocidade, venceu um jogo com 47 erros de fundamentos (26 do CRF e 21 dos Suns), quantidade impensável em um jogo desse nível, principalmente em andadas e passes interceptados, que aliás, foi o fundamento que liquidou as pretensões da equipe carioca, que ao se utilizar rigidamente do sistema único (aquele que vem sustentando a NBA desde sempre…) frente a uma equipe que já não mais o emprega (assim como muitas equipes da grande liga), mas que ao conhecer todos os seus atalhos, dobrou a marcação na armação, provocando interceptações primarias de passes, concluindo cestas fáceis e sem respostas, já que as bolinhas tradicionais, vicio arraigado entre nós, voltaram a não cair ( 6/25 – 24% contra os 8/21 – 38% deles)…

 

Por conta de tantas limitações físicas e técnicas, a turma do Arizona concentrou seu jogo no garrafão (29/53), cadenciando o jogo, enquanto os cariocas o fizeram em 19/44 situações, que poderiam ser maiores se insistissem nos dois bons pivôs que têm, o Meyinsse e o surpreendente Felicio, preferindo, no entanto, as bolinhas de praxe…

 

Foi um resultado razoável, que nada deslustra a qualidade da equipe brasileira em sua realidade tupiniquim, a não ser um fato surpreendente ocorrido ao lado da quadra, onde um técnico corriqueiramente agitado, teatral e pressionador de arbitragens, vestido com um clássico terno e gravata (assim como toda a comissão técnica e agregados…), postava-se marcial e comportadamente como que entronizado na liturgia de um cargo, que espero, ao menos, tê-lo conscientizado de que o basquete que agora lá tem se desenvolvido, passa a léguas de distância de chifres, cabeças, camisas e congêneres, estando mais voltado a diversidade posicional de jogadores, muita movimentação ofensiva, intensidade defensiva, e acima de tudo, mantenedor da maior de suas tradições, os fundamentos básicos, nesse jogo, infelizmente, um tanto comprometidos pelos 21 erros cometidos…

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Vamos aguardar os próximos dois jogos, para termos uma clara visão dos aspectos que nos diferenciam, ou não, deles.

 

Quanto ao vínculo unindo NBA e LNB, uma boa lida em alguns de seus termos ( Uma joint venture por “somente”  50 anos, creio que seja inédito no mundo…) dará a todos a visão e compreensão do quanto de colonizados ainda teimamos em ser e nos comportar, lamentavelmente, e desde sempre…

 

Amém.

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MORDENDO E ASSOPRANDO…

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“O desequilíbrio psicológico acabou desencadeando um aproveitamento ruim nos arremessos, mas a nossa defesa funcionou e conseguimos jogar de igual para igual com grandes esquipes da Europa. O ataque foi o maior problema. Estou com um gosto amargo e triste por estar indo embora, queria ter ficado mais, mas me sinto muito agradecido por tudo o que essas meninas fizeram. Elas precisam continuar evoluindo e jogando o basquete que o mundo joga, não que é jogado nos seus clubes no Brasil. Falta experiência internacional e intercâmbios para que elas possam crescer ainda mais. São necessários mais tempo com a seleção e mais jogos internacionais” – analisou Zanon.

Esqueceu, no entanto, de mencionar que até bem pouco tempo dirigia uma equipe campeã feminina, onde praticava a forma de atuar que agora critica…

 

“Acredito que elas possam continuar evoluindo até 2016, mas precisa ser a partir de amanhã. Elas não podem voltar para o clube e voltar a praticar um basquete diferente do que o mundo pratica aqui. Não conseguíamos fazer nenhum jogo internacional no Brasil porque ninguém queria sair da Europa. Mas acredito que esse interesse vai aumentar agora que vamos sediar as Olimpíadas. Precisamos ter muito mais tempo de treinamento com a seleção e muito mais jogos internacionais para manter essa visão e esse conhecimento que temos agora. Se houver tudo isso, em dois anos, com outras competições como o Jogos Pan-Americanos, Pré-Mundial e amistosos, podemos levá-las a um lugar que elas nem acreditam. Por que não uma medalha em 2016?” – finalizou.

Mas que lugar seria este, que somente agora descobriu dirigindo e perdendo com uma seleção nacional? O que mudou e se cristalizou em tão pouco tempo de estrada?…

 

“Disputamos o Mundial com nove atletas (entre 12) que nunca tinham jogado essa competição. A gente vai fazer um balanço de tudo, refletir bastante sobre isso que aconteceu. Vamos sentar com ele (Zanon) no mês que vem para fazer o planejamento das Olimpíadas. Esse Mundial não é o fim. A gente vai fazer de tudo para que essas meninas disputem o maior número possível de jogos internacionais, porque no Mundial elas sentiram muitas diferenças, principalmente em relação aos contatos físicos” – disse Mazzuchini.

Que adianta disputar o máximo de jogos internacionais se as jogadoras não detêm um mínimo de conhecimento e utilização dos fundamentos do jogo? Seria essencial começar pelos mesmos, para depois encarar as feras que os aplicam com maestria, não?…

 

“Desde a minha primeira conversa com o Zanon, há um ano e meio, a gente propôs uma primeira situação, que acabava agora no Mundial. Vamos fazer um balanço de tudo, sobre tudo o que aconteceu aqui e devemos sentar com ele já no próximo mês, para alinhar como que vai ser a preparação a partir de 2015, visando as Olimpíadas de 2016. Mas, com certeza, ele faz parte dos planos da CBB” – disse o ex-jogador e diretor técnico da CBB Vanderlei Mazzuchini Júnior.

E realmente acabou, um nono lugar define muito bem o que ocorreu, ou estamos enganados?

 

“Hoje, é muito difícil falar em metas e colocação. A gente vai fazer de tudo para colocar essas meninas em jogos internacionais, porque a gente sente essa diferença física e de intensidade, para que elas se acostumem a esse nível de jogo. E a gente tem certeza que fazendo esse intercâmbio internacional, essas meninas vão melhorar, se desenvolver rapidamente, porque tem idade para isso, e a gente vai chegar com uma equipe mais competitiva. Agora, falar em metas é sempre muito difícil e complicado, já que é uma equipe muito nova” – concluiu Vanderlei.

Média de 25 anos não significa uma geração carente de experiências técnicas, assim como métodos “avançados e científicos” de preparação física não definem perfis específicos de jogadoras, mas sim o conhecimento dos fundamentos básicos, para a consecução de um bem planejado projeto tático e estratégico, que sem os mesmos naufraga a exemplo desse Mundial, e é de responsabilidade de quem as dirige e não o inverso…

 

Como vemos, sutilmente fica colocado que as grandes perdas nesse Mundial deveu-se às jogadoras, pelo nervosismo, com consequente desequilíbrio psicológico, erros nos fundamentos, nos arremessos, pelo fato de serem muito jovens, inexperientes e pouco rodadas em embates internacionais, além do fato de disputarem campeonatos nacionais em seus clubes pouco competitivos, muito diferente da intensidade internacional, etc, etc, etc…

 

Mas nada foi dito ou assumido sobre a parte que  cabia à direção técnica da equipe, a preparação nos fundamentos, e seus sistemas de jogo (“O início do jogo foi inseguro e trouxe a incerteza que as tirou do campeonato. Posso dizer que o ataque foi nosso grande problema, não fluiu como deveria, mas em compensação tivemos boas defesas”, analisou Zanon, que ainda se mostrou satisfeito pela evolução apresentada pelas jogadoras, principal proposta do Brasil no campeonato.), que como sempre, não ofereceu a fluidez desejada originando as derrotas, além de apresentar jogadoras carentes de fundamentos individuais e coletivos, e que podem ser ensinados e treinados independentemente de faixas etárias, como um exercício permanente de aprendizado, assimilação e manutenção das técnicas fundamentais do grande jogo, e que são suas ferramentas básicas de trabalho…

 

No entanto, foram propositalmente omitidos os dois principais fatores do fracasso, a inexistência de um bem formulado planejamento de jogo, onde o trabalho nos fundamentos cedeu prioritariamente  espaço a uma preparação física diferenciada e a  táticas ofensivas de “alto nível”, aliadas a uma defesa que pendurava as melhores reboteiras do time precocemente, onde a agressividade física substituía as técnicas de posicionamento corporal, como também o fato primordial de que, face a tantas deficiências formativas, seu líder ainda se dividia entre duas distintas realidades, na direção de uma equipe da elite masculina e a seleção em questão, ambas desclassificadas para as  fases decisivas…

 

Como vemos, as sutis mordeduras, precedeu assopros como – “Eu queria agradecer a todas essas jogadoras pelo objetivo e o amadurecimento precoce que elas mostraram nesse período do Mundial. Nós sabemos que é difícil jogar uma competição de alto nível como essa”, afirmou o comandante. “Vários aspectos precisam ser corrigidos. Mas de qualquer forma tenho muito que agradecer a toda comissão técnica e nossas atletas que se dedicaram e não desistiram”, finalizou.

 

É um posicionamento claro de estar convicto de que em nada e por nada teve a ver pelo fracasso técnico e tático na competição, quando no comando de uma seleção que descreveu nos depoimentos acima e de própria lavra, e que contou com o tácito apoio diretivo da CBB, dando carradas de razões a uma velha e saudosa amiga e conselheira que tive em boa parte de minha vida, uma mãe afável e crítica, justa e democrática, quando me lembrava – Filho, quem tem padrinho não morre pagão…

 

Creio ser o caso até agora enfocado, e que terá continuidade, infeliz e terrivelmente até 2016. Acredito que nossas gerações mereceriam destino melhor, sem dúvida alguma, porém…

 

Amém.

 

Depoimentos – descritos em matérias publicadas no Globoesporte.com.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

 

 

 

 

A OSMOSE E OS DEUSES…

 

bas-clarissa-fibaFui dormir muito tarde por conta do artigo sobre os 400 mil acessos ao blog, ficando em falta sobre o jogo da seleção feminina contra o Japão, que como todos aqueles que o assistiram se reduziu a um enxame de armadoras orientais em volta das enormes pivôs brasileiras, que se fartaram nos rebotes, nas conclusões dentro do perímetro, e no vasto fornecimento de contra ataques indefensáveis pela desproporção física em quadra…

 

Mas olhando com mais presteza alguns números do jogo, vemos que 41, isso mesmo, 41 erros de fundamentos foram cometidos (18/23), não somente por conta de fortes defesas, mas na maioria dos casos por carência técnica também, fatores que facilmente se repetirão quando em confronto com equipes mais talentosas e melhor dotadas fisicamente…

 

A equipe brasileira continua teimando nas longas bolas (7/20) deixando de privilegiar seu forte jogo interior, onde a discrepância de estatura teria de ser forçosamente prioritária em todos os momentos da partida, otimizando cada ataque através a maior precisão propiciada pelos arremessos de curta e média distâncias…

 

Mas isto não ocorreu, não ocorre e dificilmente ocorrerá, pelos graves problemas de formação de algumas gerações que embaralham velocidade e leitura de jogo, limitadas pelos parcos conhecimentos e domínio dos fundamentos, onde as contumazes andadas se rivalizam em número aos passes mal dados e fora do tempo tático da equipe, se é que têm algo parecido…

 

Daqui a um pouco, enfrentam, este sim, o jogo decisivo nessa campanha, contra uma equipe francesa equipada, como a nossa, de jogadoras altas e fisicamente competitivas, porém com um diferencial, qual? Imaginem algo parecido com domínio dos fundamentos, e terão a resposta…

 

Podemos vencer o jogo? Difícil, mas não impossível, se da noite de ontem para o dia de hoje, adquirirmos, por osmose, as técnicas que nos faltam no drible, nas fintas, nos passes, nos rebotes, no posicionamento defensivo e no domínio de algum sistema, mesmo simplesinho, de jogo, para seguir em frente derrotando sua antítese como equipe, que pode (?) muito bem “esquecer” o que sabe e domina, pois afinal, deuses podem ser brasileiros, ou não?…

 

Amém.

Foto – Divulgação FIBA. Clique na mesma para ampliá-la.

 

 

 

 

SIMPLESMENTE LAMENTÁVEL…

 

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Para que falar em números, percentagens, coeficientes de produção, análises técnicas ou táticas, se o que assisti pesaroso pela TV se constituiu  numa sólida barreira entre o que considero um bem desenvolvido jogo e um pastiche do mesmo? Então, comentar o que, para que, se tudo que for dito cairá no vácuo da mais profunda indiferença daqueles que se apoderaram do grande jogo em nosso país, manipulando e dirigindo-o ao seu bel prazer, de encontro ao nada, o absolutamente nada?…

 

No entanto, se olharmos atentamente aquele grupo de jovens e algumas veteranas, veremos que algum e escamoteado talento ali está depositado, sutilmente velado aos olhos menos experientes, mas lá está, como que na espera de ser resgatado conveniente e competentemente por quem conhece realmente o grande jogo, em suas minúcias e detalhamento, condições essenciais para que provoque o desabrochar encoberto, porém talentoso daquelas desamparadas técnica e taticamente jogadoras, desde as muito jovens, até as veteranas, todas, merecedoras de um planejamento decente e responsável que as resgatem da mixórdia a que estão sujeitadas…

 

Inadmissível a forma técnica e tática que apresentam depois de meses de treinamento, ai inclusos jogos internacionais de preparo, que ante o que estamos vendo, de nada resultaram, pois o grande óbice não é a ausência quantitativa de trabalho, mas sim a qualidade e excelência do mesmo, absoluitamente ausente de conteúdo e conhecimento profundo do que ensinar, e o mais importante e estratégico, como ensinar, que são exigências primárias na consecução do mais simples, ao mais complexo dos planejamentos de trabalho…

 

Ensinar, eis a questão, pois ter conhecimento superficial de alguns objetivos a ser alcançados, de forma alguma qualifica aqueles que não possuem o preparo adequado e o sólido conhecimento, talhado na longa experiência e vivência naquela arte, sim, uma transcendental arte, a de ensinar…

 

Ao vermos essas jogadoras na quadra, constatamos com pesar o quanto de talento desperdiçado, o quanto de ausência de conteúdo técnico, de compreensão tática, enfim, de leitura de jogo, que as tornam incapazes de resistir a adversárias mais preparadas nestes pormenores do jogo, ferindo-as de morte, pela ausência no domínio do instrumental básico, seus fundamentos, seus desconhecidos e negligenciados fundamentos, o que se constitui numa covardia inominável, pela ausência e pela negação ao seu pleno e competente conhecimento…

 

E essa evidência me faz conjecturar ser tal conhecimento também ausente em seus líderes, ou mesmo naqueles que planejam e administram os projetos técnicos, pois salta aos olhos a inabilidade daqueles batalhões de áspones que cercam as seleções de base do país, todos voltados às suas equivocadas ideias de “pesquisa”, tomando como cobaias algumas gerações já perdidas, e outras que fatalmente se perderão ao sabor de quimeras, ou mesmo má fé…

 

Enfim, ou saltamos essa dolorosa e angustiante etapa do “vamo que vamo” implantada em nome de ações entre amigos, leiloando territórios de influências, algumas vitalicias, ou pereceremos nesse poço sem fim da mediocridade e mesmice endêmica em que nos encontramos, não só para 2016, como para mais algumas décadas posteriores. Urge uma vascularização em regra, onde o mérito tem de ser implantado, pois com o que aí está não chegaremos a lugar algum, desculpem, sabemos todos onde chegaremos, se é que já não chegamos…

 

Amém.

Foto – Reprodução da TV.

A VITRINE DO NADA…

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Triste, muito triste assistir uma seleção brasileira tão frágil, tão destituída de qualidade técnica, a mais básica, a mais primal, no conhecimento e domínio dos fundamentos do grande jogo, aqui apequenado, indefeso…

 

Como é possível uma equipe de alta competição apresentar no somatório de todos os arremessos de quadra (13/53 de dois, 5/16 de três) uma produtividade de 26%, como?

 

E mesmo que agregássemos os 14/22 lances livres, não ultrapassariam os 32%!! Enquanto sua adversária somava 49% e 52% respectivamente…

 

Realmente muito triste, e às vésperas de um 2016 olímpico que não perdoará tanta displicência e incompetência no preparo de uma geração, que é apresentada com empáfia e arrogância como regiamente preparada fisicamente, e possuidora de uma forma veloz de atuar ímpar, além de apresentar, como na masculina, um garrafão poderoso e respeitado mundo afora…

 

Mesmo que concordássemos com essa pseudo realidade, de que adianta tal poderio se a bola encontra bloqueios intransponíveis para chegar até ele em condições de jogo, como?…

 

Bem, convenhamos que as respostas são as mais óbvias possíveis, mas que não encontram respaldo no comando decisório de uma seleção que é entregue a um técnico, que por ser considerado genial (?) destina meio expediente à mesma, dividindo-a com o comando de uma equipe masculina da elite nacional, e que apresenta um hábil álibi justificador de derrotas, como sendo um trabalho de renovação a longo prazo sem pressões e sem exigências com inexperientes e muito jovens jogadoras, esquecendo porém, que se trata de uma seleção brasileira em um Campeonato Mundial, e que mesmo assim passou o tempo inteiro da partida pressionando a arbitragem e discursando freneticamente ao lado da quadra, numa demonstração de que o fator pressão ali estava, esteve e sempre estará em uma competição dessa envergadura…

 

O inconcebível é o conhecimento público de sua preparação, onde testes físicos “científicos”, métodos modernosos como Pilates, entre outros menos votados, com o intuito de desenvolver velocidade, força e impacto, tomassem um tempo precioso do preparo que realmente faria com que progredissem na arte de bem jogar, através o conhecimento embasado e sério dos fundamentos, eles mesmos, se bem planejados e competentemente ensinados, como fonte permanente de preparo físico, sempre junto a bola, nos dribles, fintas, passes, marcação, rebotes, bloqueios, corta luzes, e arremessos, todos elementos de formação, fundamentação e manutenção das técnicas individuais e coletivas do jogo, sem as quais, nenhum, por mais simples que seja, nenhum sistema ofensivo ou defensivo vingará em uma competição, como vimos, e viemos vendo desde muito tempo acontecer de verdade. O que vemos é um pastiche rudemente coreografado e pranchetado do nada, nada mesmo, absolutamente nada, nadinha…

 

Mas que mantêm lideranças bem falantes, simpáticas, paternais (?), em postos para o qual não têm sólida formação, a não ser aquela que se estendeu pelo imaginário dos mal informados, e mesmo mal formados, todos frutos de um realismo cruel alimentado pelo compadrio e pelo selvagem corporativismo, pois um mercado restrito dessa valia tem de ser defendido a qualquer preço e custo, mesmo que algumas gerações de jovens e incautos jogadores e jogadoras sejam sacrificadas para sua existência, manutenção e, por que não, perpetuação…

 

Mérito e competência são definições perigosas nesses tempos de penúria cerebral, dai estarmos colhendo o que ai está, na vitrine do grande jogo…

 

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

 

 

 

 

 

VIDA QUE SEGUE…

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Sem dúvida, a vida tem de seguir, retilínea, correta, justa e acima de tudo, ética, comprometida com seus ideais voltados ao estudo, ensino, educação e cultura junto aos que se iniciam, e por que não, ao lado dos contemporâneos, companheiros de lutas e da labuta sacrificada do dia a dia, sem esmorecimento e reconhecimento pontual e político, porém solidamente ancorado no mérito e no profundo conhecimento de sua função social e humana, com a simplicidade e humildade dos que trabalham dissociados dos compadrios e corporativismos…

Então, creio que devemos dar continuidade às propostas desse humilde blog, entre as quais aquelas análises antecipativas de situações óbvias em suas concepções moldadas pelo oportunismo e pelo desrespeito a inteligência alheia, tais como:

- A escalada mais do que prevista e anunciada, desde o momento em que os blogs mais influentes da mídia tupiniquim começaram a cobrir maciçamente a NBA, com a abertura de escritórios daquela tentacular liga em nosso país, incluindo-o em sua pré temporada e agora, solenemente co patrocinando o NBB da LNB, como que se apoderando de um vantajoso mercado, não só esportivo e comercial, mas basicamente político e estratégico para a grande nação do norte, que sabia e inteligentemente, se lança a conquista dos jovens e futuros dirigentes e lideres do país, para comungarem com seu poderio e influência, tocando-os com o condão do esporte, como já vêm fazendo a tempos através sua cultura musical e filmográfica, pacientemente, visando um futuro que os garanta em seu way of life, tendo como aliado dócil e alinhado um país que detém ¼ da água doce mundial e uma reserva pré-sal contundente, entre outras imensas riquezas, e que não à toa fez renascer uma quinta frota naval (baseada em Norfolk) que se encontrava inativa desde os anos cinquenta…

E para quem se tocar de um delírio de minha parte, sugiro relerem os seguintes artigos aqui publicados, para entenderem em toda sua dimensão o como fazem  e agem as cabeças pensantes dos irmãos do norte, e ai sim, tirarem suas conclusões, mas sem antes não esquecerem que o nosso soerguimento no grande jogo depende exclusivamente de nós mesmos, desde a formação de base nas escolas e nos clubes, até a elite, que refletirá esse trabalho, compondo e fazendo parte de uma política nacional de educação, plena e diversificada, assunto longamente debatido aqui mesmo nesse humilde blog, onde o esporte ocuparia um lugar importante na formação do caráter de nossos jovens, fatores que passam ao largo dos planos de uma NBA em nosso país, já que totalmente voltado ao lucro e a influência sócio política do mais alto interesse de seu hegemônico país. Eis os artigos:

-ECOS DE UMA VAIA – 2/6/2007

-NBA RIDES AGAIN – 3/3/2006

-CONTAS DA CHINA – 21/7/2005

-Mc NBA DONALD – 27/42005

-PARA OS DESLUMBRADOS – 26/2/2006

-CUCARACHA’S FANS – 4/1/2007

-A NBA E SUA CLAQUE – 24/3/2007

-UM LEMBRETE ÀS VIUVAS – 17/4/2008

 

Sei que de forma alguma influenciarei a quem quer que somente aprenderam a amar desde sempre a NBA, tampouco aqueles que já coçam as mãos com os prometidos lucros (os daqui e os de lá…), mas tão somente não poderia omitir esses pontos de vista, longamente testemunhados aqui e lá fora também, frutos de uma conscientização lenta e progressiva de nossos valores, teimosamente varridos para baixo do tapete da história, que não nos perdoará se nos calarmos e nos omitirmos ante a continuidade de um colonialismo exasperante e terminal.

- Também neste sábado a seleção feminina inicia sua trajetória no Mundial da Turquia, com uma equipe “renovada”, mas ainda dependente de jogadoras veteranas, no que poderia ter sido uma boa política de constituição de equipe, não fosse o fator mais insólito na sua direção, a ambivalência de seu técnico, dividido entre uma equipe masculina de tradição vencedora, e o treinamento e preparação de uma seleção na encruzilhada de seu futuro, principalmente visando 2016…

Objetivamente, é uma situação não somente insólita, como irresponsável, pois não acredito solenemente, não existir sequer um técnico qualificado no país, que pudesse assumir uma seleção tão dependente de formação básica intensa e vigorosa, sofrendo pela partição de seu técnico uma preparação onde até  Pirates, digo, Pilates, foi utilizado em conjunto com dispensáveis testes e estudos “científicos”, voltados à velocidade e explosão, quando na realidade necessitavam somente de fundamentos, fundamentos e mais fundamentos, a fim de não irem para uma competição master dissociadas de “pressões”, que é um fator inerente a mesma, mas que segundo seu genial líder, irá jogar com velocidade, audácia e sentido de conjunto, o que duvido muito e muito…

 luiz_zanon

- Finalmente, a competição para a qual me foi negado o credenciamento, o Mundial de Clubes, ou Copa Intercontinental, para a qual tenho somente um comentário, o de que, a exemplo de muitos torneios pan e sul americanos, quando muitos dos participantes, principalmente de países com pouca tradição no grande jogo, promovem as equipes de aeroporto, onde alguns de seus mais “qualificados” jogadores” vem a conhecer seus companheiros de equipe, e tendo como resultado a formação de um bando, e não de uma equipe, propiciando fracassos retumbantes, pois o fator coletivismo morre em seu nascedouro, a partir do momento em que alcançar um alto grau de entendimento denota tempo e muito treinamento. No entanto, o terrível equivoco, ou incompetente engano, pela busca quimérica dos “nomes” que pretensamente ganham títulos, e que na maioria das vezes quebram o cerne de uma equipe acostumada a jogar junta, seja com qual sistema se utilizar, mas de conhecimento de todos, e que pode, não, será quebrada em seu pretenso conjunto, com a presença de alguém que não os conhece e sequer fala seu idioma. Às vezes, a volúpia impensada e volúvel põe a perder todo um planejamento, no entanto, torço para estar enganado, apesar de muito pouco me enganar sobre formação, preparação e treinamento de uma equipe de competição, mesmo não sendo permitido constatar in vivo tal preparo técnico. Mas levo uma vantagem estando em casa assistindo pela TV, o fato de ter em mãos um controle remoto, que num zás me dá o poder de trocar de canal, ou simplesmente desligá-la. Também aqui, espero estar enganado, mas…

Amém.

Fotos – Divulgação LNB e reprodução da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

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PROFESSOR, TÉCNICO, JORNALISTA E EDITOR, UM NADA PARA A FIBA AMERICAS E ALGUNS DAQUI MESMO…

 

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Solicitei, como sempre faço nos grandes torneios, minha credencial, como jornalista e editor que sou do Basquete Brasil, tendo como resposta no dia de hoje (25/9/2014), o email transcrito abaixo, expedido às 17:44hs.

 

 

 

Assunto

Accreditation Confirmation [2014 Intercontinental Cup]

De

FIBA Accreditation <prensa@fibaamericas.com>

Para

Paulo Murilo Iracema <paulomurilo@infolink.com.br>, Paulo Murilo Iracema <paulomurilo@infolink.com.br>

Responder para

<accreditation@fiba.com>

Data

2014-09-25 17:44

 

2014 Intercontinental Cup Media Accreditation Confirmation Letter

PLEASE PRINT THIS E-MAIL AND BRING IT TO AN ACCREDITATION DESK ALONG WITH YOUR PASSPORT

Dear Mr. / Ms. Iracema,

We are pleased to inform you that your request for media accreditation for the 2014 Intercontinental Cup has been approved.

You are requested to pick up your personalised media accreditation card at the Accreditation Site in the venue.

Please remember to bring with you a print-out of this e-mail as well as the official ID document (Passport ONLY) you specified in your accreditation application. Without this document you will NOT be able to collect your accreditation pass.

VISA TO ENTER

Please be informed that foreign media attending the 2014 Intercontinental Cup are responsible for their own visas. Should you have any questions about obtaining a visa, please contact the local organising committee.

TELEVISION AND RADIO RIGHTS

Accredited TV non-rights holders shall not be allowed to film any game, pre- or post-game action. They shall only be allowed to make interviews in the Mixed Zone and film the post-game press conference.

Non-EBU Radio members and other non-European radio broadcasters who do not have an agreement in place should contact tv@fibaamericas.com to clear the radio rights for the broadcast of the games. Accredited Radio non-rights holders shall not be permitted to make live commentary or broadcast from anywhere within the arena. They shall only be allowed to make interviews in the Mixed Zone and tape the post-game press conference.

Accredited websites shall not be allowed to use video or audio content other than that recorded in the mixed zone and during press conferences in the specifically designated areas. They shall also not be permitted to place live scoring or live still images. Please note that the video and audio broadcasting rights as well as the live scoring and statistics exclusively belong to FIBA. Any infringement shall result in legal action being taken against the offenders.

INQUIRIES

Should you have any questions, please contact us at the following e-mail address:

 

prensa@fibaamericas.com

Yours faithfully,

 

FIBA Americas

 

 

————————————————————————–

Carta de confirmación de medios para la Liga de Copa Intercontinental 2014

FAVOR DE IMPRIMIR ESTE E-MAIL Y TRAERLO A LA MESA DE ACREDITACIONES JUNTO CON SU PASAPORTE.

Querido Sr. / Sra. Iracema,

Queremos informarle que su pedido de acreditación para la Liga de Copa Intercontinental 2014 ha sido aprobado.

Debe de recoger su acreditación en la carpa de acreditaciones en la sede del evento.

Favor de traer este e-mail impreso junto a su pasaporte y/o identificación que especificaste en esta acreditación. Sin este documento no puede recibir su credencial.

VISA PARA ENTRAR

Todos los medios que van a estar en la Liga de Copa Intercontinental 2014 son responsables por sus visas de entrada. Si tienen alguna pregunta sobre obtener una visa deben de contactar al comité organizador.

 

DERECHOS DE TELEVISION Y RADIO

No se les va a permitir a los medios de TV acreditados que NO TIENEN LOS DERECHOS filmar ninguna parte del juego, sea pre o post-juego. Solamente van a tener la oportunidad de hacer entrevistas en la Zona Mixta y en las conferencias de prensa.

Los miembros de radio deben de contactar a tv@fibaamericas.com para tener los derechos de transmisión de los juegos. Los medios de radio acreditados y que no tienen los derechos no podrán narrar las incidencias de los juegos. Solamente van a tener la oportunidad de hacer entrevistas en la Zona Mixta y en las conferencias de prensa.

Los sitos de Internet acreditados no podrán usar contenido de audio o video. Tampoco van a poder transmitir estadísticas en vivo o imágenes en vivo. Todos los derechos de video y audio y estadísticas en vivo pertenecen a FIBA. Cualquier violación resultaría en acción legal.


PREGUNTAS

 

Si tiene alguna pregunta, nos puede contactar en este e-mail: prensa@fibaamericas.com

Atentamente,

 

FIBA Américas

 

Um pouco mais tarde, às 19:13hs recebi um outro email com a decisão de negar minha credencial, ou seja, num prazo de 2 horas, foi aprovado e negado o pedido de credenciamento de um órgão jornalístico e técnico que recentemente completou 10 anos de trabalho, estudo e divulgação do basquetebol em nosso país, numa demonstração de que para a Fiba Americas ele pouco ou nada representa para o soerguimento e desenvolvimento do grande jogo em nosso país. Fica aí a lição indelével de uma injustiça deliberada e retrógada

Accreditation Denial Letter [2014 Intercontinental Cup]

 

De

FIBA Accreditation

Para

Paulo Murilo Iracema <paulomurilo@infolink.com.br>, Paulo Murilo Iracema <paulomurilo@infolink.com.br>

Responder para

accreditation@fiba.com

Data

Hoje 2014-09-25 19:13

 

Dear Mr./Ms. Alvesw Iracema,

We confirm the receipt of your application for a media accreditation for the 2014 Intercontinental Cup. We would hereby like to thank you for your interest in this championship and world basketball.

Unfortunately, we have to inform you that your request for media accreditation has been denied.

We would like to emphasise that the decision made by FIBA and the Local Organising Committee is final and we sincerely hope that you understand.

Yours faithfully,

 

FIBA Americas

 

 

———————————————————————-

Sr. Sra. Alvesw Iracema

Confirmamos que recibimos la aplicación para de la Liga de Copa Intercontinental 2014 en la sede solicitada. Queremos agradecerle por su interés en este torneo y en el mundo del baloncesto.

Desafortunadamente tenemos que informarle que su pedido para credencial ha sido denegado.

Queremos enfatizar que la decisión hecha por FIBA Américas y el Comité Organizador Local es final y esperamos que entienda.

Atentamente,

FIBA Américas

 

“Queremos enfatizar que la decisión hecha por FIBA Américas y el Comité Organizador Local es final y esperamos que entienda.”

 

Decididamente não entendo e muito menos aceito, mas acatarei a decisão, pesaroso e profundamente indignado.

 

Amém.

Foto – Final do NBB em Mogi das Cruzes. Clique na mesma para ampliá-la.

 

 

 

FALANDO DE FLUIDEZ…

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Terminou mais um Mundial (agora Copa Mundial), e com ela o fim definitivo do ciclo dos “cincões”, lentos e massudos, dando lugar aos alas pivôs rápidos, ágeis e elásticos, alimentados por uma dupla, e às vezes, trinca de armadores habilíssimos e, por que não, pontuadores também. Com essa formação de extrema mobilidade e poder de jogo prioritariamente interno, complementado pelo externo, exatamente nessa ordem, puderam as grandes seleções promover um grau de fluidez ofensiva presente nas decisivas partidas do torneio, sepultando de vez o jogo setorizado e profundamente individualizado, e ainda teimosamente praticado por poucas seleções, como a nossa…

 

Do exemplo brasileiro, onde em muitas ocasiões, um ataca e quatro observam estáticos a performance solitária de um indigitado pivô, aos exemplos de mobilidade apresentados in extremis pelas grandes seleções, mais um fator determinante foi acrescido pelos americanos, a compatibilidade letal desse principio conceitual de comportamento ofensivo, aliado ao mais formidável, e indefensável fator que apresentaram, sua dominância absoluta nos fundamentos básicos do grande jogo, com os quais praticamente dispensaram táticas, ou jogadas padrões das demais seleções, onde os pick and rolls se situavam em suas preferências, substituídas pelo simplório, porém eficiente “dá e segue” (give and go…), um dos movimentos básicos do jogo, e responsável pela especial fluidez americana, onde a posse de bola e os passes curtos, eficientes e seguros, por manterem a bola o menor tempo possível no ar, onde a posse da mesma se torna impessoal, contrastando com a fluidez dos demais, com seus largos passes, que muito facilitavam seu sistema defensivo executado na linha da bola, antecipativo e por conseguinte, em coberturas praticamente automáticas, garantidoras de seus rebotes…

 

Sintomaticamente, refletindo a tomada de uma nova tendência técnico tática, foi a seleção da Copa formada por dois armadores e três alas pivôs, sendo o MVP também um armador, demonstrando e selando de uma vez por todas o fim da era dos trombadores paquidérmicos que reinaram por várias décadas…

 

Interessante notar um pequeno, porém esclarecedor detalhe sobre essa tendência, infelizmente não adotada e desenvolvida por nossa douta comissão técnica, e que já vinha de quatro anos para cá sendo apontado pelas escolhas das seleções semanais dos NBB’s, pelo blog da LNB, onde a formação com dois armadores e três alas pivôs eram seguidamente escolhidas, originando, inclusive, um exercício tático publicado pelo mesmo, baseado na curta, porém exitosa experiência da equipe do Saldanha da Gama no NBB2, que se utilizou desse sistema que desenvolvi e apliquei nos últimos vinte anos como professor e técnico profissional…

 

Mas como santo de casa não faz milagres, que só contam quando vindos lá de fora, preferencialmente em inglês ou espanhol, fica aqui a lembrança de algo que, pela enésima vez, interesseiramente, ou não, foi jogado para baixo do tapete da história, numa demonstração tácita de corporativismo burro e, acima de tudo, criminoso…

 

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

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