FALANDO DE FLUIDEZ…

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Terminou mais um Mundial (agora Copa Mundial), e com ela o fim definitivo do ciclo dos “cincões”, lentos e massudos, dando lugar aos alas pivôs rápidos, ágeis e elásticos, alimentados por uma dupla, e às vezes, trinca de armadores habilíssimos e, por que não, pontuadores também. Com essa formação de extrema mobilidade e poder de jogo prioritariamente interno, complementado pelo externo, exatamente nessa ordem, puderam as grandes seleções promover um grau de fluidez ofensiva presente nas decisivas partidas do torneio, sepultando de vez o jogo setorizado e profundamente individualizado, e ainda teimosamente praticado por poucas seleções, como a nossa…

 

Do exemplo brasileiro, onde em muitas ocasiões, um ataca e quatro observam estáticos a performance solitária de um indigitado pivô, aos exemplos de mobilidade apresentados in extremis pelas grandes seleções, mais um fator determinante foi acrescido pelos americanos, a compatibilidade letal desse principio conceitual de comportamento ofensivo, aliado ao mais formidável, e indefensável fator que apresentaram, sua dominância absoluta nos fundamentos básicos do grande jogo, com os quais praticamente dispensaram táticas, ou jogadas padrões das demais seleções, onde os pick and rolls se situavam em suas preferências, substituídas pelo simplório, porém eficiente “dá e segue” (give and go…), um dos movimentos básicos do jogo, e responsável pela especial fluidez americana, onde a posse de bola e os passes curtos, eficientes e seguros, por manterem a bola o menor tempo possível no ar, onde a posse da mesma se torna impessoal, contrastando com a fluidez dos demais, com seus largos passes, que muito facilitavam seu sistema defensivo executado na linha da bola, antecipativo e por conseguinte, em coberturas praticamente automáticas, garantidoras de seus rebotes…

 

Sintomaticamente, refletindo a tomada de uma nova tendência técnico tática, foi a seleção da Copa formada por dois armadores e três alas pivôs, sendo o MVP também um armador, demonstrando e selando de uma vez por todas o fim da era dos trombadores paquidérmicos que reinaram por várias décadas…

 

Interessante notar um pequeno, porém esclarecedor detalhe sobre essa tendência, infelizmente não adotada e desenvolvida por nossa douta comissão técnica, e que já vinha de quatro anos para cá sendo apontado pelas escolhas das seleções semanais dos NBB’s, pelo blog da LNB, onde a formação com dois armadores e três alas pivôs eram seguidamente escolhidas, originando, inclusive, um exercício tático publicado pelo mesmo, baseado na curta, porém exitosa experiência da equipe do Saldanha da Gama no NBB2, que se utilizou desse sistema que desenvolvi e apliquei nos últimos vinte anos como professor e técnico profissional…

 

Mas como santo de casa não faz milagres, que só contam quando vindos lá de fora, preferencialmente em inglês ou espanhol, fica aqui a lembrança de algo que, pela enésima vez, interesseiramente, ou não, foi jogado para baixo do tapete da história, numa demonstração tácita de corporativismo burro e, acima de tudo, criminoso…

 

Amém.

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O ENTER – DEZ ANOS DE BASQUETE BRASIL…

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Dez anos atrás, 11 de setembro de 2004, às 4hs da madrugada, hesitei em dar um Enter, iniciando a saga do Basquete Brasil. Não por receio de não ser compreendido, ou mal compreendido, haja vista meus sempre contestados posicionamentos e pontos de vista, mas pelo forçado afastamento das quadras, pelo distanciamento movido pelas decepções e pelas injustiças cometidas com o basquete pátrio, pelo avesso sentimento ao que de pior vinha se apossando do comando do grande jogo nesse imenso e pobre país. Pensei muito, e considerei ser profundamente injusto guardar só para mim o pouco que sei e  amealhei pelas andanças da vida, sempre estudando, pesquisando, e trabalhando muito, dentro e fora das quadras, nas salas de aula, do primário à universidade, nos clubes, nas seleções, aqui e lá fora.

A primeira matéria ali estava, na brilhante tela já a algum tempo, como me enfrentando, mais um dos incontáveis desafios que enfrentei por toda a vida, ganhando e perdendo, mas sempre aprendendo, sempre transferindo o saber, sempre buscando novos rumos, novos desafios.

Fui a cozinha e peguei uma xícara de café, voltei ao escritório, e lá estava a página incólume, brilhando, e uma imagem me desafiando com um sorriso no canto da boca, olhando bem dentro de meus próprios olhos.

Não vacilei, e com firmeza e determinação dei o ENTER, e graças aos deuses nunca me arrependi de tê-lo feito.

Amém.

NOTA IMPORTANTE – Muito em breve algumas sensíveis mudanças no blog, na apresentação e nova página técnica.

O PRODÍGIO…

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Ao final do segundo quarto, o comentarista Wlamir Marques da ESPN mencionou algo inusitado – “…Deveriam arranjar um fórmula para que os três pivôs, Anderson, Spliter e Nenê pudessem jogar juntos…”, numa declaração surpreendente àquela altura do jogo, não muito distante de outras semelhantes feitas e apontadas nas redes globais, inclusive de técnicos veteranos e até de comentaristas, anônimos ou não, em blogs especializados…

E porque menciono estes testemunhos após a hecatombe de que foi vítima a seleção nessa Copa Mundial?

Porque outros importantes, e até mais contundentes foram escamoteados até essa data, como que numa névoa não dissipada, presente por todo o processo de convocação, treinamento e preparação, iniciada pela romaria técnica aos estelares no exterior, como que atendendo audiências onde a aceitação do processo de preparo tivesse de ser rubricado pelos mesmos, numa inversão de valores lapidar e constrangedora, para que o hermano tivesse em mãos o supra sumo do talento pátrio rumo a uma tardia medalha…

E ele o teve, junto a uma comissão que ultrapassava em número o total dos jogadores, apresentando nos jogos um banco gigantesco, onde a maioria, incluso os mascotes, nada tinham ali o que fazer, mesmo…

Teve e manteve sua metodologia saudosa de tempos platinos, ortodoxa e voltada ao sistema único, a uma rígida defesa obsequiada por constantes trocas, mas sem o material humano proprietário de sólidos fundamentos, que solidificasse seus conceitos de jogo, sua estratégia voltada a uma competição duríssima e inflexível ante erros grosseiros, dos muitos que foram cometidos…

A começar pelo posicionamento estratificado dos pivôs, isolados em sua luta, sem o apoio de um seu igual e de uma armação distante e incapaz de mais produzir, por também se situar isolada de um segundo armador nunca disponível em quadra, pois em nenhum momento Huertas e Raul estiveram juntos, quando muito o Alex e o Larry na posição de ala, nunca próximos dele, tornando o sistema adotado numa antítese do coletivismo apregoado aos sete ventos, e o pior, acoitado por uma mídia dita especializada pronta ao endeusamento, do “monstro” ao “prodígio”, numa espiral ao contrário de suas reais qualificações, pois nesse, que é o grande jogo, a verdadeira qualificação é aquela profundamente lastreada nos fundamentos e no conhecimento tático, fruto da mais exigente das técnicas, a competente e decisiva leitura de jogo, alcançada pelo conhecimento cumulativo de conceitos e sistemas existentes no mesmo…

Mas para que todos esses fatores colimem harmonicamente, torna-se necessária a existência de um planejamento que privilegie dois objetivos a serem alcançados, uma convocação coerente, justa e apartidaria, e a  implementação de sistemas inéditos e progressivos, fugindo da mesmice endêmica existente, tornando a equipe proprietária de algo realmente seu, digno de ser estudado, treinado e desenvolvido por todos, indistintamente…

E é nesse ponto que se destacam as palavras do Wlamir reproduzidas no parágrafo inicial, já que ficou bastante claro que, dentro do sistema único, praticado pela maioria das seleções nesta Copa Mundial, com exceção da equipe americana, nossa seleção estaria, como esteve, inferiorizada pela fragilidade de seus fundamentos, se comparada às demais, tornando a aplicabilidade tática altamente previsível pelos adversários, facilitando em muito sua marcação, dentro, e principalmente fora do perímetro, como vimos no jogo de hoje, com uma Sérvia sempre um passo à frente de nossas movimentações, anulando-as quase que automaticamente…

Então, uma formação em dupla armação, de verdade, e não arremedos pontuais, alimentando uma trinca de pivôs móveis, ágeis e  em permanente movimentação dentro do perímetro, pelos deslocamentos de todos os envolvidos, por todo o tempo, sem dúvida alguma levaria as defesas antagônicas a cometerem erros e equívocos, propiciando passes mais curtos, logo, mais seguros, arremessos mais precisos, por serem de curta e média distâncias, garantindo a todos a possibilidade de rebotes em sempre possíveis falhas, pela presença dos grandes pivôs dentro do garrafão.

No entanto, para o técnico hermano, tais novidades jamais o fizeram sensível a mudanças em seu modo de ver e sentir o grande jogo, mesmo tendo em mãos os tão sonhados pivôs, “uma das melhores tabelas do mundo”, mas que faliram pela solidão imposta a cada um deles, órfãos de um sistema que os unissem, tornando-os interdependentes pelo somatório de talento e força, e não réfens solitários, presas fáceis das coligadas defesas que enfrentaram…

Enfim, perdemos uma grande oportunidade de avançarmos no cenário internacional, fruto de uma equivocada formação de equipe, da convocação à escolha de um sistema de jogo realmente inédito e instigante, aquele que poderia, de certa forma, compensar a fragilidade nos fundamentos básicos do jogo, os quais poderiam, se quizesse  a douta comissão técnica, corrigir em boa escala, como, por exemplo, os tenebrosos lances livres, e mesmo as famigeradas bolinhas, os dribles, as fintas, os passes, por que não, ou não sabem?…

Como já temos craques anunciando despedidas em 2016, que tal antecipar tais prerrogativas, dignas de capitanias hereditárias, promovendo novos valores, e mesmo alguns veteranos treináveis e confiáveis, situando-os num projeto evolutivo e realmente inédito, como o sugerido pelo Wlamir, mesmo sob a desconfiança interesseira do mini universo técnico e tático, encastelado no comando absoluto da modalidade no país, para o qual, mudar pode significar perda de prestígio e renda, conjugados ao velado domínio de agentes, muito mais ligados aos seus lucros, do que o desenvolvimento do grande jogo entre nós, para lançá-lo nos envolventes braços de uma insinuante e cada vez mais presente NBA no imaginário de nossos jovens…

Engraçado que, nos últimos 50 anos junto ao grande jogo, e 10 aqui nos artigos desse humilde blog, sempre propugnei e provei na teoria e na pratica as mudanças técnico táticas que agora, depois da derrocada, alguns se instituem como estandartes das mesmas, numa ação que espero seja habilitada, mesmo sob o prêço do impessoal esquecimento…

Amém.

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O IMPROVÁVEL HERÓI…

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O titular foi sacado por não concluir nem assistir com segurança, vindo a campo seu substituto direto,  e que até aquele momento não havia apresentado nada excepcional, porém, com o retraimento da defesa argentina, totalmente focada nos nossos pivôs, e após um primeiro quarto repleto de bolinhas, com acertos mais efetivos dos hermanos (venceram  por 21 x 13), nosso improvável herói deitou as cartas, beneficiado com uma defesa compactada dentro do perímetro, permitindo sua evolução bastante efetiva fora do mesmo, armando, fintando e arremessando com precisão, inclusive dos três…

Com um segundo quarto forte na defesa e por mais uma vez pecando na fluidez ofensiva, mas que mesmo assim, encontrou um defesa argentina bastante faltosa sobre nossos pivôs, pendurando seus melhores rebotes, venceu a seleção esse quarto por 20 x 15, indo para o intervalo inferiorizada no placar por três pontos (36 x 33), mas com bem menos problemas com faltas que os platinos…

Foi no terceiro quarto que a partida se definiu (24 x 13), isso porque três fatores foram determinantes a nosso favor, o pleno domínio do rebote defensivo e consequente saídas para os contra ataques, a falência da ofensiva interior argentina, obrigada aos lançamentos de fora, que, feliz e oportunamente passaram a ser razoavelmente contestados, e o início, que já se tornava tardio, do nosso jogo de pivôs, por sobre uma oposição desgastada pelo embate e pelas faltas pessoais, originando daí para frente um domínio que se estendeu ao quarto final (28 x 16) em vinte pontos de uma diferença justa naquela situação de jogo…

No duelo estabelecido dos três pontos, é importante notar que os hermanos se deram melhor, marcando 30 pontos (10/29- 34%), contra os nossos 15 pontos (5/19- 26%), demonstrando com clareza o quanto de contestação teremos de observar na próxima quarta feira contra uma Sérvia que adora as bolinhas, e possui uma tabela bem mais possante que a argentina…

Não podemos esquecer, de forma alguma, que foram nos dois pontos, nos curtos e médios arremessos, que superamos nossos rivais, (27/41 – 66%, contra 12/27 – 44%) demonstrando, acredito que, de forma concludente, que pontuar no âmago da defesa adversária, bem mais perto, aumentando os percentuais de acerto, otimizando cada posse de bola, teria alcançado uma pontuação bem mais elástica se tivéssemos substituído, pelo menos, a metade de nossos erros nos três (14 tentativas) por arremessos de dentro (um jogo mais intenso de pivôs), para mais 14 pontos bem possíveis,..

Com a substancial melhora nos lances livres (16/21 – 76%), que teremos de manter no próximo jogo, que deverá ser bastante faltoso pelo gigantismo e combatividade dos oponentes, creio que teremos boas chances de vitória se:

- Nos movimentarmos muito e muito mais dentro do sistema adotado, que não é o melhor, mas é o que temos, com todos os jogadores em ação contínua, e não como o que temos visto até hoje, quando um dos pivôs recebe de costas para a cesta, iniciando seu ataque de marcha a ré, e os demais parados assistindo a performance, facilitando as dobras, quando deveriam tentar ao máximo manterem seus marcadores perto e em deslocamentos, fator fundamental para a abertura de caminhos e atalhos à cesta;

- Nos segurarmos ao máximo à tentação dos longos tiros, optando pelos de curta e média distâncias, reservando aqueles quando de passes vindo do interior do perímetro, para obter mais espaço e equilíbrio na execução dos mesmos, não esquecendo o poderio defensivo interno e externo dos sérvios…

- Defendermos com energia, tentando marcar os pivôs pela frente na continuidade do ataque sérvio, quando estabelecem as conexões entre os armadores em passes de contorno, que se marcados em função e anteposição dos mesmos, pouca visão limpa teriam de seus pivôs, dificultando-os e facilitando as dobras, e o fechamento às penetrações. É o princípio da verdadeira defesa linha da bola, que exige defensores rápidos e ágeis, altos ou baixos, que é o nosso caso, bastando ter a coragem de aplicar tais preceitos antecipativos…

Enfim, depois de um longo e tenebroso inverno conseguimos derrotar os hermanos em um mundial, o que é de grande importância, apesar de nossas deficiências e carências nos fundamentos, além de uma discutível e equivocada convocação, que nos propicia manter no banco, como no jogo de hoje, não um, mas dois mascotes…

 

Amém.

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EM TEMPO – O blog esteve fora do ar por 48hs por motivo de problemas técnicos no provedor do mesmo. Peço desculpas aos leitores, torcendo para que não se repitam. No entanto, em respeito a uma tradição de de regular periodicidade, publiquei esse artigo no Facebook.PM.

 

REPETINDO, REPETINDO, REPETINDO…

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Quando da publicação do artigo Os Novos Conceitos, recebi esse comentário do leitor João, que transcrevo a seguir:

  • João Hoje·

  • Paulo, o “novo conceito de jogo” no qual se refere a reportagem é em relação ao que era adotado anteriormente pela seleção, e não que se trata de um estilo de jogo inédito no basquetebol mundial. Acredito que isso esteja bem claro na reportagem. Gosto dos seus textos e das críticas que vc faz, mas essa forçação de barra em querer, em todo post, falar desse “conceito de jogo” (que aliás você não é o inventor) é desnecessária e acaba por deixar seus textos muito repetitivos. Abs!

 

Prezado João, quando falo que um “novo conceito de jogo” está a ser implantado pelo técnico da seleção, inclusive através palavras dele mesmo, fica bem claro que a mudança tem sido tentada por sobre um outro conceito da lavra do mesmo técnico,isso porque está no comando da equipe a bastante tempo, logo é um conceito se sobrepondo a outro, e sob o mesmo comando…

Isso visto, salto para o ponto em que você afirma que não se trata de um estilo (diferente de conceito) de jogo inédito no basquetebol mundial, e a Espanha ai está demonstrando isso com seus dois armadores, dois pivôs e uma ala pivô com alto nível de pontuação, que acredito ter sido a opção do nosso técnico a ser implantada…

No entanto, a coisa bate de frente quando você critica a minha suposta “forçação de barra” em querer, em todo post, falar desse “conceito de jogo” (que aliás você não é o inventor)…

Bem, em tempo algum, desde a existência dessa humilde blog, e muito, muito tempo antes da existência do mesmo, me coloquei como inventor dele, pois não se inventa estilos, que são definidos por eles mesmos, advindos que são de princípios técnico táticos bem fundamentados, quase uma “escola”, e muito menos conceitos que jamais utilizei, como por exemplo, esse da Espanha, do qual o hermano quis se espelhar, apesar de considerá-lo excelente (o conceito), mas que contraria o que defendo, ou seja, a dupla armação e três alas pivôs, com larga literatura em texto e vídeo aqui publicados, discutidos, exemplificados e colocados em prática no campo de jogo, num ineditismo que ainda não encontrou discordâncias provadas e fundamentadas na literatura nacional (?) e internacional, ou você tem conhecimento de algo semelhante para de uma forma educada, reconheço, descobrir uma veia de charlatanismo de minha parte?

Acredito que não, talvez a crença de que se tratando do grande jogo, nada que se destaque como inédito possa nascer fora do hemisfério norte, como muitos outros princípios evolutivos que nos são negados a primazia, ao sermos reconhecidos como “inferiores”…

Mas algo tenho de considerar e mesmo declarar, o fato de que o técnico espanhol Aíto Garcia publicou um texto para um congresso técnico em 1989, em que explanava um sistema de jogo baseado na dupla armação e três pivôs, porém tabulando e hierarquisando todas as jogadas e deslocamentos possíveis, tornando-o altamente complexo e de dificílima aprendizagem, mesmo na elite, daí não ter sido utilizado em seu país em sua essência.

Então o que tornou inédito o conceito de jogo que desenvolvi ao longo de mais de quarenta anos, desde a base até a elite? Acertou, prezado João, o fato de ninguém, além de mim, o ter utilizado à luz da livre iniciativa, larga criatividade, somente possíveis através o livre arbítrio promovido pela improvisação consciente e lastreada pelo grande conhecimento e domínio dos fundamentos individuais e coletivos do grande jogo, assim como a constante repetição dos mesmos, sempre e sempre, enquanto pertencerem a equipes de competição, numa, ai sim, “forçação de barra” João, que é o sustentáculo de todo princípio técnico desportivo, sem o qual nenhum conceito de jogo se torna minimamente factível, vide nossa seleção com a pobreza fundamental que ostenta, frente a escolas como a americana, espanhola, argentina, etc, etc…Todas respaldadas nos fundamentos.

Por fim, de forma alguma me penitencio ou me penitenciarei acerca de algo que me pertence por direito, estudo, pesquisa, divulgação, ensino e técnica, e do qual sempre fiz questão de tornar público, para que os mais jovens técnicos o desenvolvessem, encontrassem outros caminhos e opções, sob o signo do bem comum e do democrático direito a informação, sem os quais nenhum progresso será auferido ao grande, grandíssimo jogo.

Repetir, divulgar, provar e quem sabe, tornar à competição a mim covardemente negada, para repetir, repetir, repetir…inovar…

Amém.

Foto (repetindo,repetindo…)- Arquivo pessoal. Clique na mesma para ampliá-la.

 

O MASCOTE #2…

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Foi um inicio de jogo bastante eficiente, defendendo e atacando, onde um esboço de coletivismo transparecia no empenho de todos, ocupando espaços e restringindo o dos sérvios, sufocando seus homens altos e contestando com firmeza no perímetro externo…

 

Lá pelo fim do segundo quarto, com uma boa diferença no placar, começaram a pipocar os arremessos de fora, em um início de abandono do jogo interno, tão eficiente até aquele momento, que somado aos oportunos contra ataques originados pelo domínio dos rebotes defensivos, levaram de roldão a alta, porém lenta equipe européia, de forma para lá de convincente, apesar da réstia de desconfiança deixada pela volta ainda contida dos vícios corriqueiros dessa oscilante e estabanada equipe…

 

E deu no que deu no terceiro quarto, onde uma armação pífia e uma volta ao jogo exterior das famigeradas bolinhas, permitiu a retomada do jogo pelos sérvios, com um substancial aumento de velocidade em suas ações, uma boa calibrada em seus arremessos, pouco ou nada contestados pela nossa seleção, saindo de uma diferença de 16 pontos para uma perigosa dianteira, num placar vexaminoso de 12 x 32, fazendo perigar uma partida que deveria estar vencendo com boa margem, se mantido o bom comportamento tático dos quartos anteriores…

 

Veio o quarto final, e com ele um pequeno, porém salvador ajuste no jogo interior, mas que não foi tão eficiente do que algumas bolinhas que caíram dessa vez, principalmente pelas mãos do Marcos, bastante feliz nesse importante jogo, as mesmas bolinhas que no segundo erro originou a sacada do jogo do mais do que eficiente jogador do primeiro e decisivo quarto, o Leandro, que inclusive não retornou no último, deixando no ar uma instigante questão – Bolinha, não importando se forçada ou não, errada=banco, acertada=tempo de jogo, tão contidas nas outras três partidas desse mundial em nome de um jogo interior e coletivista mais encorpado e eficiente, de repente se torna a chave do tamanho da equipe? E se nos próximos ocorrer o mesmo que tem ocorrido com o pivô “especialista “ dos três, que ainda não acertou nenhuma quando foi para valer, e não caírem sob intensa contestação? Num pequeno exercício de números, frente ao equilíbrio, nos acertos da pequena e média distâncias, foram os três arremessos de três a mais, ou 9 pontos, que nos levaram a uma vitória de 8 pontos, ao contrário dos devastadores primeiros quartos, onde o jogo interior, veloz e coletivo não dependeu diretamente das bolinhas, a não ser de forma complementar, que é o correto quando se tem um poderio tão claro dentro do perímetro…

 

Na etapa eliminatória que nos aguarda mais adiante, expurgar tanta oscilação torna-se fundamental, apesar da fragilidade de um banco comprometido com a mesmice técnico tática, na qual construiu seu percurso no grande jogo, fator restritivo a grandes voos, a não ser que no curto prazo de alguns dias mudem sua maneira de atuar, o que, honestamente, não acredito que ocorra. Mas, quem sabe, os pacientes deuses resolvam dar uma ajudinha…

Em Tempo – Tivemos hoje um novo mascote, ficando eu curioso para saber quem ocupará o cargo no próximo importante jogo.Contra o Egito não vale…

 

Amém.

 

 

 

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O MASCOTE…

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Uma das coisas mais detestáveis que pode acontecer na avaliação de uma técnica é a soberba, quando não a dominamos. -”Temos talvez o melhor garrafão do mundo, que o teme e respeita”…

 

Humm, temer certamente (não talvez…)pode não ser o caso, porém respeitar, com certeza, mesmo que, apesar do respeito seja destroçado como foi, tanto defendendo, como atacando, frente a um temente e respeitado garrafão espanhol, nada soberbo, mas acima de tudo, mortal…

 

E qual o seu segredo para tanta eficiência, senão a mobilidade, a fluidez de suas ações de entrada e saídas de bola, medidas e alimentadas por uma armação metódica, cirúrgica, e pontuadora também, principalmente nas longas bolas, em nenhum momento contestadas, como num carrossel multi facetado de habilidades e domínio pleno dos fundamentos do jogo, do drible junto ao corpo, às fintas milimétricas, do passe objetivo, da defesa linha da bola antecipativa, somados a um conceito coletivista que a nossa seleção ainda custará um bom par de anos para alcançar, isto se começar a trabalhar a base nesse sentido, senão jamais…

 

Falar de números bem medidos e avaliados, melhor ir lá no Giancarlo Gianpetro para encontrar uma análise correta e lúcida do que ocorreu em Granada, e do que poderá vir a ocorrer daqui para frente se não mudarmos algo de muito importante na prática do grande jogo entre nós, a cultura do básico, do essencial, do avaliado frente aos fatos, e não a cultura do “monstro”, da enterrada como “o momento maior do jogo”, do toco como o “fator que levanta a torcida”, esquecendo que bons e precisos arremessos, de dois mesmo, ganham jogos, assim como os lances livres que só valem um, e os jovens precisam saber e serem induzidos a isso, e não a rompantes midiáticos…

 

Em hipótese alguma podemos repetir o que foi realizado em termos de defesa exterior como no jogo de hoje, ainda mais quando os servos são muito bons na longa distância, e no jogo interior também, onde terão de ser marcados à frente e em dobras, e mais ainda, quando teremos de atacar em permanente movimentação, dentro e fora do perímetro, evitando ao máximo a saída dos pivôs de sua área de influência direta, e tendo a permanente ajuda próxima do ala da vez, seja o Marcos ou o Alex, e por que não, juntar os três grandes pivôs em trocas sucessivas bem lá dentro, no âmago da defesa servia, servidos por dois armadores rápidos, incisivos, bons passadores e pontuadores, também…

 

Ilusão, alucinação basqueteira, ou uma chamada a uma realidade que não pode, não deve ser adiada em nome do que? Reserva tática? Rotação obrigatória pelo cansaço? Rigidez de princípios táticos? Nào esquecer que se trata de uma Copa de tiro curto, onde o não se arriscar pode levar ao fracasso, onde o cansaço pode e deve ser adiado, onde os objetivos não podem ser limitados pela mesmice, pelo temor ao novo, ao inusitado…

 

Temos uma falha, uma monumental brecha escavada pela convocação política e marqueteira, que apresenta como resultado maior sermos a única seleção do torneio com um mascote no banco, e que é o representante maior de uma associação de jogadores em tudo e por tudo afinada com a cúpula da CBB, e vítima de uma política de capitanias hereditárias que de a muito deveriam ter sido extirpadas de nossas seleções, terreno quase proibido às renovações, aos jovens talentos perdidos ano após ano, em nome de “nomes” midiáticos e protegidos, e muitas vezes dirigidos e liderados por amigos da realeza cebebiana, hoje presente nas tribunas de Granada como lídimos representantes do caos institucionalizado que implantaram na alma do grande jogo, ínfimo para eles, desgraçadamente…

 

Para minha tristeza, sinto não prever melhores caminhos para essa seleção, a não ser que movida por algo bem superior emerja da mesmice crônica em que se encontra, e parta para algo mais superior ainda, a implantação urgente de algo realmente… corajoso e inovador, e sem temer os riscos inerentes ao mesmo…

 

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e ter acesso às legendas.

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PITONISMOS E ACHISMOS…

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Vai começa a briga, e das boas, já que se trata de um Mundial, de um Mundial, e não de um NBB administrativamente em positiva evolução, porém técnica e taticamente estratificado e profundamente equivocado…

Nossa seleção, falando franca e honestamente, é deficiente em muitos aspectos de técnica individual, e equivocada em concepção de equipe, apesar do ufanismo torcedor que posta, anonimamente em sua maioria, comentários na mídia especializada, corroborando, ou não, matérias publicadas por seus editores, muitas vezes raiando o limite de conhecimentos do grande jogo, aspecto este, que mesmo sendo professor e técnico a mais de cinco décadas, não ouso, sequer penso, ultrapassar…

Mas outra é a nossa realidade, ainda mais com a cornucópia ilimitada de informações, pareceres, estudos e análises soltas, até em nuvens, pela galáctica rede, à disposição de todos, cultos ou neófitos, explanarem e divulgarem opiniões e relatos da mais alta complexidade técnica e tática, porém ao largo de uma realidade, a do âmago das quadras, da formação a elite, na travessia de anos e anos dedicados a arte de ensinar, educar e ajudar no desenvolvimento humano no contar das horas, dias, meses anos décadas, necessárias para atingir objetivos, muitas vezes inatingíveis, pela precariedade de uma realidade longe, muito longe, de se dedicar social, política e humanamente pela educação de nossos jovens, e que é o fator primal de todo o processo, onde pitonismos e achismos se tornam anacrônicos em si mesmos…

Nossa seleção tem graves problemas, deficiências crônicas que em tempo algum foram corrigidas, fora ou dentro de seleções, seguindo um principio quase dogmático, de que jogadores adultos nada mais devem acrescentar ao que conhecem de técnicas individuais e coletivas, a não ser levá-las ao grau de excelência dentro da realidade tática que lhes é exigida, que sendo padronizada os formatam, ou mesmo modelam, adequando-os às filosofias dos estrategistas que os dirigirão…

Por tudo isso, poucos são aqueles que dominam o epicentro de seus corpos, defendendo em equilíbrio estável e instável; atacando em desequilíbrio controlável, única forma de aliar velocidade e alternância direcional; correr e parar com controle similar; saltar sem se projetar lateralmente; girar espacialmente após rebotes; pivotear e mudar de direção alternando velocidades; bloquear antecipadamente e não no momento da ação; coordenar saltos e deslocamentos com as visões verticais e periféricas, fundamentais para o domínio temporal e espacial; arremessar sob controle preciso do eixo diametral da bola, base crítica para seu correto direcionamento, e que independe do posicionamento estético ou não de seu corpo; domínio ambidestro da bola no drible e suas vertentes direcionais e rítmicas, fatores inerentes às fintas e mudanças de direção, quanto ao conhecimento e pleno domínio dos fundamentos do jogo…

Portanto, sem esses conhecimentos, sistema tático nenhum, por mais simples e primário que seja, obterá sucesso, já que as exigências necessárias para sua execução não serão atendidas pela fragilidade no domínio e controle dos fundamentos, tornando-o estéril e equivocado…

Nosso pretenso poder defensivo, frente a equipes de maior peso, correrá o risco de rompimentos decisivos, pois o Marcos, Marcelo, Huertas, Raul, Leandro e Guilherme, são inconstantes e frágeis no trabalho de pés e controle posicional defensivo, acarretando uma grande carga de cobertura interna dos grandes pivôs, que correm o sério risco de se pendurarem de faltas por isso, gerando também um acumulo externo por parte do Alex e do Larry, notoriamente melhores defensores do que aqueles…

Ofensivamente, frente a um cenário compensatório, ou não, relacionado às nossas opções defensivas, um outro fator se revela preocupante, a localização posicional dos homens dentro do perímetro interno, nitidamente atuando de costas para a cesta, em posições altas e baixas, e vindo sistematicamente fora do perímetro para bloqueios, sem trocarem de posições entre si, e muito menos tendo  um outro alto ala participando dessas trocas internas, quando muito em pontuais deslocamentos paralelos a linha final, ou mesmo bem fora do mesmo, que é o que parece virá a ser tentado pelo Rafael para os longos arremessos, quando ele seria primordial no diálogo direto com os dois pivôs, todos próximos a cesta, para de 2 em 2 pontuarem com mais segurança e precisão, e inclusive e fundamental, estarem no foco dos rebotes, e em vantagem numérica, fator que desencadearia muito trabalho e preocupação com as faltas para nossos adversários, principalmente os europeus…

Também ofensivamente, a falta de um diálogo eficaz e tático entre armadores e pivôs em movimento (se assim se mantivessem todo o tempo de jogo…) torna nosso ataque, na maioria das ações, altamente previsível e marcado com relativa facilidade, onde as dobras se tornam decorrentes pela obviedade de atitudes destituídas de criação coletiva, voltadas que são, teimosamente, de caráter individualista, principalmente através o Leandro, Larry e Raul, sem contar com o mais do que provável aperto por que passarão na vinda da defesa ao ataque em armação única, prato apetitoso para as fortes defesas europeias e americana com que nos defrontaremos…

Logo, podemos concluir com duas ponderações, a de que neste complexo jogo, pitonismos perdem sua fantasiosa relevância, pelo simples fato de não conterem qualquer embasamento técnico e tático, frente a nossa proverbial fragilidade na formação de base, e ante escolas que privilegiam desde sempre esse fator, propositalmente escamoteado, já que formatado, padronizado e implantado por uma geração de estrategistas de produtos prontos, estejam deficientes ou não na fundamentação do jogo, onde o tempo a ser “perdido” em correções não compensa nem enriquece  currículos forjados pelo corporativismo que os unem em grande maioria…

Outra, a de que a insidiosa e escorregadia indústria do achismo técnico e tático, fruto de uma patética ignorância do que venha a ser o profundo e verdadeiro conhecimento do grande jogo, sequer se interesse pelo longo e sofrido caminho das pedras do estudar, pesquisar, ensinar e desenvolver, com seu acidentado e inóspito cenário de certezas e incertezas, avanços e retrocessos, pequenas vitórias e grandes derrotas, apêgo e desapêgo a idéias e sonhos, mas decisivo em seu percurso para o progresso e sedimentação de um processo de vida, onde o mérito é a chave para um corajoso e alentador trajeto.

Enfim, teremos nossa auto convidada seleção em mais um Mundial, fruto de uma realidade da qual não podemos fugir e omitir suas carências, e bem representar o que atualmente somos, mas que infelizmente não representa o que deveríamos ser, de verdade…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

 

 

PROJETANDO…

 

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Está perto, muito perto de iniciar a Copa na Espanha, com as equipes mais categorizadas em final de preparação para uma competição onde paradigmas deverão ser ultrapassados, principalmente quanto ao indefectível sistema único, sendo vencido pelo jogo livre, intuitivo, lógico, e formalmente definido pelo absoluto domínio dos fundamentos do jogo, que aliados ao poder físico e atlético, à velocidade, e à fluidez permanente e incansável de todos os jogadores envolvidos, decretarão o fim de uma era de um jogo setorizado, voltado aos duelos 1 x 1, dos mastodontes lentos e previsíveis, do imobilismo tático, e quem sabe e pelo qual torço enfaticamente, pelo decisivo decréscimo da ditadura de fora para dentro das quadras, centradas no exibicionismo desenfreado de divas estrategistas com suas midiáticas pranchetas grafando nadas colossais e indecifráveis hieróglifos, em nome de uma auto importância mais imposta do que real, fictícia e equivocada. Aliás, alguém viu prancheta nas mãos do grande técnico americano?

Dentro de nossa rinha, uma equipe com a mais do que anunciada, pois sedimentada, rotação de oito jogadores, já que os quatro restantes jamais deveriam lá estar, frente a fragilidade técnica e física de que são possuidores, mas lobisticamente fortes e poderosos, deixando pela estrada outros jogadores mais qualificados, principalmente quanto aos sistemas adotados pelo hermano, voltados para a defesa forte e intenso jogo interior, que ainda fica a dever, em parte pelo pouco entrosamento entre armador (es) e os homens altos dentro do perímetro, prejudicando em muito a tão desejada fluidez ofensiva.

Mas esse é o carma que teremos de enfrentar, onde os maiores adversários não serão nossos oponentes, e sim nós mesmos, por vícios adquiridos em anos de incúria e falsas lideranças. Mesmo assim, e quem sabe, algum milagre possa vir a ocorrer, apesar de particularmente não acreditar que ocorra, infelizmente…

Mas Paulo, nada sobre o jogo contra o Irã? Mas que jogo cara, ainda mais contra um bando de neófitos em torno de uma montanha carente dos mínimos requisitos técnicos para atuar nesse nível, concedendo a ilusão, ou o ouro dos tolos, pela diferença de 40 pontos no placar, a uma seleção profundamente equivocada? Foi um rachão que amam de montão, só isso…

Por essas razões oremos aos deuses, torcendo para que estejam de bom humor, senão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.Clique nas mesmas para ampliá-la.

 

TRÊS PARÁGRAFOS…

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- Fizemos um primeiro tempo bastante intenso e com muita qualidade, no qual colocamos em prática um basquete bastante coletivo. Como o Brasil é uma equipe mais baixa, não conseguimos manter o mesmo ritmo no segundo tempo e demos uma caída na condição física e na tática do jogo. Mas conseguimos fazer um trabalho de revezamento da equipe e foi uma experiência maravilhosa – analisou Zanon.(Globoesporte.com).

Jogando contra a seleção da Turquia hoje, a equipe feminina brasileira, que se prepara para o Mundial, perdeu por 66 x 48 (19 x 18, 14 x 13, 18 x 6 e 15 x 11, perdendo todos os quartos) convertendo 31 pontos no primeiro tempo e 17 no segundo, ou sejam, 48 pontos em uma partida internacional, e o técnico ainda o classifica como “uma experiência maravilhosa”? Só pode estar brincando, e o pior, com coisa muito séria, uma seleção nacional, onde divide sua genialidade com a equipe masculina do S.José, numa dualidade de competências inimaginável a um trabalho sério e responsável. Como vemos e atestamos, mérito (ou QI) é isso ai…

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No torneio da Eslovênia, a equipe brasileira masculina venceu a equipe da casa na prorrogação, por 88 x 84, num jogo eivado de oscilações, bem ao estilo de uma equipe sem personalidade coletiva, mas que apesar de tudo tenta manter seu forte jogo interno no ataque, e lampejos defensivos de boa qualidade. Rodando seus três pivôs nebebianos, em conjunto com os alas Marcos e Marcelo, e eventualmente o Alex, dentro do perímetro interno, que apesar do frágil apoio de armadores que pouco se entendem fora do mesmo, quando se perdem em infindáveis dribles e sinalizações desconexas, ainda conseguem se impor pela voluntariedade e presença física nos rebotes, hoje presentes (14/28), superando os eslovenos que conseguiram 33 (5/28), num embate que decidiu a partida onde deveria ser decidida, lá dentro, embaixo da cesta apesar de um lastimável 14/31 nos lances livres e 6/16 nos três pontos, em tudo compensados pelos 28/56 dentro do perímetro nas bolas de dois. E nesse ponto é que residem as chances da equipe na Copa Mundial, que seriam reforçadas se uma dinâmica e permanente movimentação dentro do perímetro fosse implementada, assessorada por uma dupla armação de verdade, trabalhando em proximidade, principalmente nas levadas de bola vindas da defesa, ponto em que as equipes mais categorizadas explorarão no caso de usarmos um único armador, com certeza. O fato de baixarmos um pouco a estatura da equipe, seria bastante compensada pelo maior e mais eficiente confronto defensivo, o que ocorreu hoje, principalmente no segundo quarto, mas que não foi levado adiante, pelo simples fato de não termos levado, ou convocado, jogadores melhores e mais aptos para essa função, prejudicando em muito a rotação nesse importante e fundamental setor. Enfim, uma réstia de luz apareceu no fim do túnel, não como uma esperança campeã, mas sim, uma busca de encontro ao bom senso técnico e tático, tão esquecidos ultimamente.

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Finalmente, após o jogo da seleção americana contra o Porto Rico, fica no ar uma pergunta que direciono aos “estrategistas” do grande jogo do país – Qual, ou quais, os sistemas de jogo adotados pelo técnico americano em sua impactante equipe? Sistema Único, Motion Offense, ou simplesmente Fundamentos individuais e coletivos? Acertou quem apontou esse último, base de tudo no grande jogo, e suficiente para vencer e derrubar qualquer sistema que não conte com o pleno conhecimento e domínio dos mesmos, e que nos é vetado por um significativo número de prancheteiros e patéticos performáticos midiáticos de beira de quadra, onde as poucas exceções não contam…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e do Globoesporte.com. Clique nas mesmas para ampliá=las.