SABE-SE LÁ?…

Confesso ser realmente duro assistir jogos do NBB nesta décima primeira edição, não que destoe das anteriores, mas sim pela agora confirmação de que nada, absolutamente nada, tenha mudado na técnica do jogo, individual e coletivamente, com a média de erros de fundamentos de 29.3 somente neste playoff (até aqui era de 26.2) em 8 jogos, com um deles, o segundo entre Flamengo e Corinthians atingindo o inacreditável número de 40!!…

Na tática sistêmica de jogo então, a mesmice vicejante desde o início da liga, continua inalterada, com uns raros lampejos de novidade (?), como o sistema único adaptado para uma falseada dupla armação, onde um dos alas é substituído por um outro armador, dinamizando as manjadas jogadas com fundamentos um pouco melhores, e alas pivôs “espaçados” para cortes unilaterais à cesta, escancarando de vez a genérica constatação do desconhecimento mais primário do que venha a ser os fundamentos da defesa individual, base estrutural e sedimentada da orgia dos arremessos de três pontos, tornados praticamente “naturais”, e até mesmo “auto obrigatórios”, incentivados e apoiados por seus técnicos, frente a ausência da mesma, cúmplice direta da existência e doentia manutenção de um óbice que vem cobrando, e ainda cobrará altos juros nas competições internacionais de vulto de que participaremos, inclusive nas divisões formativas de base, espelhadas no exemplo de uma elite tupiniquim, também ela espelhada nas exógenas ligas superiores, onde a incidência artilheira se concentra, ao contrário da nossa, naqueles poucos, porém realmente especialistas na difícil arte dos longos arremessos, frutos de um treinamento altamente especializado, naquele, como nos demais fundamentos do grande jogo, enquanto por aqui centramos no “chega e chuta”, minimizando os demais fundamentos, e um bom e didático exemplo aconteceu ao final do jogo Pinheiros x Botafogo, quando uma jovem e já enaltecida promessa paulista, foi lançada em quadra, converteu uma bola de três, foi ovacionado e deificado pela mídia (já já vão indicá-lo ao draft da matriz…), para logo a seguir errar outra, claro, de três, sem ser contestado em nenhuma delas…

Agora mesmo é anunciada a ida de três de nossos craques imberbes ao próximo draft da NBA, num exercício irresponsável sobre qualificações técnicas que ainda estão muito longe de alcançar para aquele nível, mas onde o “sabe-se lá” poderá acontecer, e onde o futuro de vida destes meninos não é levado em responsável consideração (aí incluído os estudos), quando o tilintar da possível grana se torna mais importante do que suas certezas, e não promessas de vida, se tornarem realidade. Um outro, que se negou a voltar a quadra jogando um torneio oficial da seleção, é agora pajeado pelo técnico estrangeiro (egresso de um país onde é um assunto muito sério, mais ainda quando fazia parte da Iugoslávia), pela mídia e por dirigentes que o premiam à sombra de sua discutível fama, dando o exemplo maior para os jovens iniciantes, de que tradição e o sonhar em enverga-la um dia, não passa de “ultrapassada antiguidade”, pois o que está valendo é a glória a qualquer custo, que está situada muito além do amor e luta de todos aqueles que a vestiram com honra, dignidade, e que jamais a negaram e traíram…

Enquanto isso, “vamo que vamo” nesse balanço antropofágico que sem dúvida alguma, e à sombra de tanta falta de bom senso, onde o futuro do basquetebol feminino se arrisca a ser liderado (?) por um estrategista da prancheta que em tempo algum esteve ligado àquele especialíssimo mundo de mulheres jogadoras e atletas, rivaliza com o continuísmo de um corporativismo que nos custou, custa e custará por um longo tempo, tanta e cruel estagnação, onde o novo e a criatividade jamais prosperarão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e Divulgação CBB. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las. 

 

O ONTEM, O HOJE, E O AMANHÃ?…

 

Eis uma matéria  para ser lida e digerida com a máxima atenção, e para tanto façamos uma pausa para que possa ser integralmente lida …

Que tal? Fantástica, e acima de tudo, edificante, pois descerra toda uma realidade que tanto, e a tanto tempo, tento elucidar, a do porque estamos tão miseravelmente por baixo, técnica, tática, estratégica, e moralmente. no âmbito do basquetebol, do grande jogo mundial…

Em nenhuma das declarações dos magníficos e formidáveis técnicos e estrategistas, qualquer profissional brasileiro é mencionado, até mesmo pelo filho de uma das figuras proeminentes do grande jogo nacional, todos amantes de técnicos americanos e europeus, onde a menção de um brasileiro, ou mesmo, de um sul americano sequer é levada em consideração, numa atitude que demonstra, com a mais absoluta clareza, os porquês de estarmos tão abaixo da média no basquetebol internacional para valer, e não nestes torneios de terceira categoria que tem feito o brilhareco de alguns deles…

A turma de “grandes mestres” que ainda viceja pelos microfones da mídia especializada, e mesmo atuam de alguma forma pelo grande jogo, tem agora a resposta direta do quanto são “lembrados e respeitados” por seus sucedâneos nas rédeas do grande jogo, que pelos depoimentos egressos da importante matéria, nada significaram e significam em suas maravilhosas e até geniais atuações nas quadras do país, segundo a mídia tida como especializada, que babam ante suas pranchetas, que não só falam, mas como  traduzem suas mágicas intervenções (agora mesmo temos a “prancheta voadora”, aquela que é lançada violentamente ao solo em acessos de furia…), agora reveladas como frutos e produtos de suas exógenas influências…

Simplesmente lamentável, constrangedor, e acima de tudo, ora, digam vocês…

Sou e fiz parte ativa de uma geração de professores e técnicos inesquecíveis, tanto na formação de base, como na grande competição, na elite, e enumerá-los seria uma tarefa onde, pelo grande número, esquecimentos seriam inevitáveis, assim como na menção daqueles estrangeiros que nos influenciaram decisivamente. Porém, alguns nomes posso, num relance, lembrar e honrar com a citação de suas importâncias vitais na formação, não só minha, mas de todos eles, tais como: Antenor Horta, Togo Renan Soares, Moacyr Daiuto, Renato Brito Cunha, Clair Bee, Nat Holman, John Wooden, John Bunn, Tude Sobrinho, Orlando Gleck, Forrest Allen, Everett Dean, Geraldo Conceição, Coach K, Guilherme Borges, P. Tsetlin, Ary Vidal, Waldir Bocardo, Luis Carlos Chocolate, Bob Knight, Edvar Simões, Marcelo Cocada, Telúrio Aguiar, Rick Pitino, Pedro Rodrigues, Sergio Toledo Machado, Valtinho, Fú Manchú, Helio Rubens, e tantos e tantos outros, daqui e lá de fora, imortais em sua importância…

Gregg Popovich, Zeltko Obradovic, Mike D’Antoni, Ettore Messina, Steve Kerr, Pablo Laso, fazem parte do restrito universo dessa turma antenada no modismo do aqui e agora, onde o antecedente carece de importância pelo mais completo desinteresse em conhecê-lo, estudá-lo, pois afinal de contas, para todos eles, o basquetebol, o grande jogo nasceu quando vieram para esse mundo, o importante e definitivo hoje, onde o antes, o antes? Que se lixe o antes…

E por conta desse xodó nacional avidamente promovido pela mídia importante do país, temos a NBA como destaque principal de primeira página, e matéria de ¾ de página interna num dos maiores jornais do país, de uma competição que não nos diz respeito, de uma outra realidade, de um outro mundo, porém sócio, política, desportiva e economicamente transcendental para o futuro de nossa juventude, facilmente influenciada e impactada por sua fragilidade educacional, e por isso mesmo culturalmente manipulável por modelos que de forma alguma pode contestar…

Mas nem tudo está perdido, pois ao término da primeira semana do playoff do NBB obtivemos alguns pequenos, porém bem vindos avanços, a saber: – Bastou a equipe do Botafogo intensificar seu ataque interior (24/39 nos 2 pontos, contra os 14/33 do Pinheiros) para vencer a primeira partida (91 x 76), já que foram parelhos nos 3 pontos (10/27 contra 10/24), perdendo 2 e 3 lances livres cada, e cometendo absurdos 31 erros de fundamentos (15 e 16), demonstrando a fragilidade contumaz das equipes nos mesmos.

– O Flamengo foi mais lúcido em quadra, com uma permanente e competente dupla armação alimentando seus bons alas pivôs, sendo mais eficiente nos curtos e longos arremessos, realizados sem contestações eficazes, numa liberdade assustadora e pouco combativa da turma do Corinthians, ficando patente que na ausência de convergência nos arremessos, a equipe carioca se torna muito difícil de ser batida (arremessou 19/44 nos 2 pontos e 14/25 nos 3, contra 15/38 e 11/27 respectivamente pelos paulistas), e que deve, a continuar agindo dessa forma, se impor nos jogos restantes.

– O jogo Mogi 77 x 69 Ceará, não foi transmitido, mas observa-se nas estatísticas que a equipe mogiana arremessando 20/42 de 2 pontos e 5/19 de 3, deu um enorme salto ao privilegiar o jogo interior, fazendo com que seus jogadores atingissem 100% nos lances livres (22/22), enquanto seu adversário se perdia num 6/31 arremessos de 3 e 11/16 nos lances livres, cometendo ambas 14 erros de fundamentos (7/7).

Saldo depreciativo dos 3 jogos? Média de 24,3 erros, inconcebível numa liga superior…

Bem, foi uma semana trabalhosa, e quem sabe, melhoras bem que poderiam acontecer, se nossos estrategistas se espelhassem mais no que tivemos e temos de melhor, e muito menos do que enaltecem de um mundo, de uma realidade antítese da nossa…

Amém.

Fotos- Reproduções do O Globo e TVs. Clique nas mesmas para ampliá-las.

REFLEXIONANDO II…

Faltando menos de 20 seg, três pontos à frente no placar, com a posse de bola num último ataque, frente a mais de 70 mil espectadores numa arena gigantesca, e mais alguns milhões de telespectadores em seu país e no mundo, sabedor que a única chance de seu adversário seriam as faltas pessoais para terem a chance de uma posse de bola, e que no fato de conseguir converter ao menos um lance livre colocaria o caneco no bolso, todas possibilidades reais e factíveis, mas não, o chamamento para a glória suprema de fechar o jogo, ter seu nome indelével na história da liga colegial mais famosa do mundo, e mais ainda, escancarar as portas do draft com seus sonhados milhões falaram mais alto, e aconteceu o absurdo, um chute de três do meio da rua, falhado por não merecido por sua arrogância juvenil, dando o contra ataque ao adversário que ao tentar, também, a bola de três desesperada sofre a evidente falta, indo para a linha do lance livre, convertendo os três, provocando uma prorrogação, e vitória mais do que merecida por 10 pontos. Contou-se assim a vitória de Virginia sobre Texas Tech, onde a bolinha consagradora da moda, não caiu…

Mas foi um belo torneio mata mata, com fundamentos bem praticados, defesas altamente técnicas, e ataques, que apesar do uso global do sistema único, teve o mérito de priorizar o jogo interno, onde uma geração de excelentes alas pivôs fizeram jús aos mais altos elogios da mídia e dos amantes do grande jogo bem jogado…

Por aqui, jogos finais dos playoffs, onde a profusão das artilharias de três fizeram a farra, mas nenhuma chegando perto do segundo e decisivo jogo entre Ceará e Paulistano, que a exemplo de sua participação na Liga das Américas, propôs um jogo à moda Duel of OK Corral, onde venceria quem desse o último tiranbaço do meio da rua, vencendo a turma do sudeste com a camisa cearense, com números assustadores, tais como: 14/33 nos 2 pontos e 10/34 de três para os cearenses, contra 17/34 e 6/37 respectivamente para os paulistas, num total de 31/67 de 2 e 16/71 de 3 para ambos os duelistas, perfazendo a incrível perda de 36 tentativas de 2, e 55, isso mesmo, 55 de 3 pontos para as duas turmas de pretensos especialistas nos arremessos quando livres e desimpedidos pelas ausências defensivas, mas que quando contestados fortemente (e a quantidade de faltas pessoais, originando 26/30 para o Ceará e 22/27 para o Paulistano atestam essa evidência), perdem drasticamente a ilusória eficiência de seus gênios dos arremessos, que são muitos, pois 8 do Ceará e 9 do Paulistano trituraram os aros, demonstrando definitivamente que não são os especialistas que pensam e são incentivados a acharem que são, e não são MESMO!!!…

A maioria das equipes nessas quarta de finais que se iniciam, cometem os mesmos erros uma das outras, das defesas aos sistemas de ataque, da falta de fundamentos a pretensão de que são e representam a “nova era” do grande jogo com suas ridículas artilharias (em qualquer liga importante mundial, dois ou no máximo quatro são realmente especialistas nos longos arremessos, aqui não, onde a média de 8 jogadores se acham ungidos pelos deuses em suas pretensões divinas, bajulados e incensados por uma mídia ufanista e majoritariamente analfabeta sobre os mais básicos fundamentos do jogo, arremessos em particular…), judiando da paciência daqueles que realmente entendem e amam profundamente uma modalidade ímpar em sua complexidade e profundidade. Basquetebol é coisa muito séria caros deslumbrados, não à toa leva 70 mil pessoas em finais universitárias, média de 15 mil na NBA, 10 mil numa forte Euroliga, e não mais do que mil como aquí, que quando atingem 2 mil assistentes na grande rede é comemorado como recorde mundial…

Sem dúvida nenhuma poderemos alcançar platéias cada vez maiores, porém, não imitando o lazer extra quadra copiado da matriz (temos lazeres mais apaixonantes), e sim com uma longa e paciente  melhoria técnico tática de nossas equipes, formadas por jogadores bem iniciados e treinados desde a base, e não contando com o individualismo exacerbado e independente da estrangeirada que aqui aporta como penúltima opção entre as ligas profissionais, e que com raras exceções realmente somam algo que beneficie nossa forma de ver e sentir o jogo, mas que em sua maioria trava um duelo de influências com os estrategistas tupiniquins, nos meios e na forma de jogá-lo, ante a mesmice institucionalizada, padronizada e formatada em que se inserem no sistema único que bem conhecem e professam, e do qual se sentem à vontade para contorná-lo quando bem lhe aprouver, mais ainda se somados e irmanados a seus muitos conterrâneos existentes nas franquias…

No entanto, como se torna cada vez mais importante para a mídia o que ocorre na matriz, com seus craques milionários desfilando técnicas e comportamentos fartamente compilados e divulgados em nossas TVs, Jornais, Portais, Blogs e redes de informação, como competir contra tanta grana envolvida, interesses midiáticos, influências político esportivas, estratégicas até, ante um quadro catastrófico em que se encontra a educação de um povo abandonado em sua ignorância proposital e planejada, facilitando sua manipulação política, vide o momento atual em que o MEC é dilacerado por interesses puramente ideológicos voltados a manutenção do que aí está, esteve, e estará por um longo tempo, talvez definitivamente, aí inclusas as manifestações culturais, artísticas e desportivas também, exceto o futebol, com sua destinação entorpecedora, anestesiante da realidade crua em que vivemos. Carnaval e futebol são fundamentais para esse controle, educação e cultura, não, desporto então…

Amém.

Fotos – Reproduções da Tv e divulgação CAP. Clique nas mesmas para ampliá-las.

IGNORÂNCIA E COVARDIA SEM FIM…

Com a enxurrada de basquetebol acontecendo nas TVs, Internet e mesmo em nossos ginásios, deixa a mídia especializada mais seletiva em seus comentários, claro, enaltecendo preferencialmente a NBA, a NCAA e de quebra o NBB, fora uma ou outra matéria sobre nossas seleções, com a feminina ameaçada de ter como seu técnico, um que jamais lidou com o mesmo, nem como assíduo assistente, o que honestamente elas não merecem…

Então, como assunto de rodapé de página interna, faço questão de focar na surra memorável que o Paulistano levou do San Lorenzo na Liga das Américas, por 70x 58, numa partida em que chegou a estar perdendo por quase 30 pontos! Motivo principal? (um dulce de leche a quem acertar…) Na mosca, as bolinhas não caíram, foram 10/40 e 10/36 (como pretender vencer uma Liga América convergindo dessa absurda forma?) de 2 pontos, contra 8/27 e 21/43, respectivamente, dos platinos. Nos lances livres se equivaleram com 8/11 para nosostros e 7/9 para eles, que por conta da mais absoluta fragilidade defensiva dos paulistas, que nem faltas pessoais tiveram a oportunidade de cometer (até mesmo as “famosas e inteligentes” faltas de cunho técnico )…

Explicações? Para que, se os números desnudam tudo e mais alguma coisa, para que? A não ser que, ainda teimem que jogos e campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais como esse, se vence com velozes transições (êta definição esdrúxula), tocos, enterradas e chutação desenfreada de três, em que todos envolvidos na equipe (desconfio até dos mordomos e aspones que enxameiam os bancos) se consideram especialistas no mais complexo dos arremessos, fatores pontuais estabelecidos como os definidores de sucesso nas competições…

O grande problema é que realmente se consideram os donos da cocada preta, imunes a críticas que o afastem da verdade suprema que doentiamente veneram, se entregam, a cada treino, a cada jogo, desde sempre, onde a propalada “eficiência”  nos longos arremessos o imbuíssem na busca da verdade suprema do grande jogo, cada vez mais incensada e incentivada por estrategistas/torcedores de beira de quadra, mídia exultante e ufanista, dirigentes e agentes fazendo e desfazendo equipes, levados ao êxtase supremo a cada bolinha que caia, testemunha solitária da mediocridade de suas lideranças…

E não caíram, assim como no jogo mais importante da seleção em sua busca, agora satisfeita, pela classificação ao Mundial, contra o Canadá, quando as ditas cujas também não caíram, e sabem por que? (outro dulce de leche a quem acertar) Isso, foram contestadas, eficientemente contestadas ( nos jogos do march madness da NCAA, aulas contestatórias têm sido dadas em quase todos os jogos, com defesas verticalizadas, onde o objetivo é a alteração das trajetórias, e não o bloqueio puro e simples, e na maioria das vezes faltoso), por uma equipe veloz e determinada na defesa interna e externa de seu campo de luta…

Mas não aprendemos, nem pensar o contrário, afinal de contas somos o poder supremo do “open game”, dos “espaçamentos”, das penetrações de cabeça baixa driblando com a mão preferencial, aliás, a única que dominam, e mesmo assim com sérias ressalvas, onde as reversões naturais são taxadas de geniais, porém dissociadas, na maioria das vezes, do interesse coletivo, oposto aos pontuais estrelismos personalistas…

Ainda temos muito o que aprender, estudar, pesquisar, e acima de tudo, empregar todo esse conhecimento na base da pirâmide, nos seus alicerces, ajudando e preparando nossos infelizes e abandonados jovens em sua penosa caminhada, num país que sempre pautou por um estranho e absurdo dilema, que nos muitos anos por mim exercidos no magistério universitário de formação de futuros professores definia – Conheço muitos países, no entanto esse é o único no qual, nem a direita e nem a esquerda quer o povo educado, a direita para se manter no poder, a esquerda para usá-lo como massa de manobra para alcançar o poder, e ao assumí-lo se bandear para a direita mantendo-o ignorante, frágil, passivo e manipulável, exatamente o que faz a direita agora vencedora, indefinindo e postergando a educação com os mesmos propósitos. Pobre país, pobre juventude, criminosa covardia sem fim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O CHIFRE ETERNO…

Bem pessoal, publiquei o artigo a seguir em 2011, se puderem e quiserem lê-lo, inclusive os esclarecedores comentários, o façam, para logo após responderem a uma pergunta que faço – De lá para cá, o que mudou técnica e taticamente no grande jogo tupiniquim, o que?

A ONIPRESENTE CHIFRE…

quinta-feira, 10 de novembro de 2011 por Paulo Murilo

É chifre para cima, chifre para baixo, para o lado, invertido, falso, forte, dissimulado, chifre para tudo e para toda situação de jogo. Sem dúvida o chifre está valorizado, e como.

Tempo pedido, discute-se, às vezes xinga-se, outras silenciam, mas ao final o lembrete: -“vamos de chifre, ah, pra baixo”…

E lá vão os jogadores chifrar o oponente, mas com uma importante ressalva, o fazem sem mudar, acrescentar absolutamente nada ao que vinham, vem e virão a fazer enquanto jogarem, pois simplesmente… chifram.

Observo atento, não, concentrado, concentradíssimo na jogada chifre em questão, e nada, absolutamente nada vejo de diferente, inovador, criador, ou mesmo contestador, nada.

-“Os caras não podem continuar a ganhar os rebotes no ataque, não podem arremessar livre de fora, bandeja então, nem pensar. Marquem forte, e usem a chifre (alto, baixo, pro lado, ora, o que importa desde que seja a chifre…)”.

Mas como todo jogador criativo, exemplo, o Shamell, atuando dentro de uma chifre genérica, sai de sua zona preferida para os chutes estratosféricos de três (às vezes depreendo ser essa a verdadeira função das chifres, colocar jogadores para arremessos de três, será?), e mata o jogo com seis pontos seguidos de DPJ, um deles acrescido de reversão, todos de dois pontos, próximos, seguros, eficientes, fechando a série para a sua equipe.

Do outro lado, uma equipe ensandecida nos arremessos de três e um furor de inócuos dribles por parte de armadores que simplesmente resolveram riscar o jogo interior de suas preferências, e claro, atuando numa chifre polivalente.

Nos três jogos finais as duas equipes finalistas do paulista, perpetraram um 58/145 nos arremessos de três, contra 111/205 de dois pontos, e cometeram juntas 78 erros em perdas de bola, e tudo sob a égide de jogadas nunca obedecidas e defesas permissivas, mas ambas, perfeitamente alinhadas pela mais emblemática das jogadas exigidas, quem sabe até um sistema, a onipresente chifre.

O que me preocupa de verdade, é que o argentino também tem uma queda por ela, o que justifica a sempre presente hemorragia dos três, que nos tem causado tantos contratempos.

E foi sob esse cenário que um talentoso Shamell resolveu e definiu um jogo de 2 em 2, simples e nada glamoroso, sem enterradas e tocos cinematográficos, apesar de ter levado um decisivo na terceira partida da série.

Mas com ou sem chifre, parabenizo a equipe do Pinheiros por sua conquista, e ao Shamell em particular, por sua inteligente opção.

Amém.

OBS-Antes que me questionem – DPJ- Drible, parada e jump, classica jogada dos que sabem jogar o grande jogo.

 

6 comentários

  • Henrique Lima11.11.2011·
  • Jogadas e mais jogadas.
  • Até quando os caras vão entender que o necessário é saber jogar basquetebol e não decorar um livro de coreografias ?
  • Triste de nós, Professor, que andamos numa estrada e com uma luta que parecem não ter fim.
  • Abraços
  • Basquete Brasil11.11.2011·
  • E ainda tem técnicos que vêm a publico afiançar que estão mais preparados para encarar o batente, como se a liga maior fosse algum Jardim da Infância. Mas como são produtos desvairados do conceito Q.I. de escolha, o que podemos esperar? Corporativismo é isso ai.
  • Um abraço Henrique, Paulo.
  • Henrique Lima12.11.2011·
  • Professor,o pior que não tende a acabar.
  • Eu imagino um Pinheiros jogando num sistema diferente, com os atletas sabendo movimentar fora da bola, utilizando os bons pivôs que tem, os excelentes infiltradores e chutadores. Enfim, um time com tanta qualidade e tanto potencial, fica preso à chifres e polegares. Aos individualismos que só dão certo num jogo de NBA e olhe lá … nem mais lá tem dado certo.
  • Agora, ao invés de chifres e polegares para baixo, para o alto, para o lado, se estes caras treinassem 50% do tempo que gastam decorando estas porcarias, em fundamentos, estaríamos em outro nível.
  • Não sei se o senhor notou, o Jack Martinez, pivô dominicano. O cara simplesmente domina todos os fundamentos. É um jogador de basquetebol. Sabe jogar basquete. Fez o que quis no Pré Olímpico, carregou nas costas o time por boa parte do jogo contra nossa seleção e no PAN deitou e rolou sobre o Murilo, que é um atleta competente no nosso nível interno, dos melhores pivôs que temos por aqui, se bobear o melhor do torneio nacional. A diferença na qualidade dos fundamentos dos dois, é monstruosa. É um pequeno exemplo, mas estamos falando de caras de elite né ? Deveriam ser mais parelhos.
  • Dá até pena do quanto este pessoal desperdiça de talento e tempo por aí.
  • Mas, a maioria parece acreditar que este é o caminho, os chifres, os polegares ou o fazem mesmo porque é mais simples para se manterem nos cargos. Aí, a minoria que pensa diferente é vista como louca … embora os resultados dos últimos não sei quantos anos falam por si …
  • Abração
  • PS: Professor, o senhor não teve nenhum convite para o NBB 4 não ?
  • A falta de visão dos dirigentes de basquetebol no país, é algo crítico.
  • É muita gente cega ….
  • Basquete Brasil12.11.2011·
  • Henrique, treinar fundamentos com jogadores de altas folhas salariais, se foram contratados exatamente pela pretensa proficiência nos mesmos? Perder tempo em corrigir adultos calejados naqueles detalhes de ação individual, quando, apesar das falhas, conseguem estar melhores dentro do padrão brasileiro? Nem pensar! Ainda mais quando perfeitamente familiarizados com o sistema único que praticam, independentemente da equipe onde estejam,o que os deixam ” treinados” a priori, sem cansativas inovações.Musculação, alongamentos, aeróbicos, arremessos de preparação, cinco para cada lado, bola ao alto, e vamos todos para os rachas de profunda preparação. Mais adiante, nada que uma bem azeitada prancheta não possa resolver, ou pelo menos, aparentar que resolve. Faz parte do roteiro, como toda e bem entendida coreografia.
  • O Jack Martinez realmente é um excelente jogador, e dono de uma técnica individual indiscutível. Pena que muito marrento e um tanto individualista. Bem orientado e cuidado faria enormes estragos em seus adversários. Realmente, o Murilo não foi páreo para ele, apesar de ser um jogador de boa qualidade, mas pouco exigido nos fundamentos do jogo.
  • Não podemos esquecer Henrique, que a manutenção de um sólido corporativismo é conseguido pela homogeneidade funcional de seus participantes, daí a adoção do sistema único e suas jogadas de passo marcado por todos os seus integrantes, onde algum insurgente tem de ser banido, ainda mais se não socio e participante do mesmo.
  • Se fui convidado? Sequer para o Sub 21,que vai se tornar o continuismo do que ai está implantado. Honestamente, não acredito que melhoraremos agindo dessa forma unilateral e sumamente covarde.
  • Um abraço, Paulo.
  • wilson16.11.2011·
  • o problema não é com a chifre e sim a maneira que se usa, pois ela nada mais é que o pick and roll, no qual é o sistemo que o mundo inteiro joga, o problema do brasil é a demasiada ânsia d pontuar, os arremessos de três, são com chifre, sem chifre, não importa aqui se joga com pressa e não com velocidade…culpar a chifre é culpar todo o sistema ofensivo q nada mais é q uma tentativa de facilitar a ação, portanto deixem a chifre, a punho ou qualquer outra movimentação ofensiva em paz…o erro está na formação oscariana que os técnicos da base enfiam na cabeça dos seus pupilos.
  • Basquete Brasil17.11.2011·
  • Exato prezado Wilson, chifre, punho, cabeça, etc, compõem o repertório do sistema único, que como você mesmo confirma é o “sistema que o mundo inteiro joga”, e que infeliz e convenientemente também é jogado por aqui, numa mesmice endêmica e consentida por todos aqueles que se negam a estudar e pesquisar outras formas de jogar o grande jogo. E exatamente por isso é que estamos na situação em que nos encontramos, de ineficiência técnico tática desde as divisões de base, o que é lamentável.
  • Desculpe, mas não deixei, deixo e jamais deixarei em paz tanta mediocridade e preguiça em buscar novos e ousados caminhos, porta de entrada da criatividade e desenvolvimento. Acredito firmemente que nossos jovens merecem algo de melhor, de instigante. Aliás, todos nos merecemos.
  • Um abraço, Paulo Murilo.

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AS TEMÍVEIS E ANUNCIADAS MINI HECATOMBES…

A mídia especializada tupiniquim estipulou que ajudaria no crescimento do grande jogo colocando-o num altar de excelência, onde tudo está em ordem técnica e tática (onde o reinado das pranchetas é absoluto), com arenas e ginásios bem frequentados (inclusive com torcida única presente no caso do RJ), espetáculos e shows atraentes, entrevistas formidáveis, bordões bradados aos gritos, divulgação sistemática de #tags e twitters a não mais poder, abraços enternecidos e beijos a granel para os fãs, enfim, todo uma encenação em parte copiada da grande matriz do norte, onde até a beijação caipira televisiva ameaça adentrar nossas semi desertas bancadas. Mas fazemos por merecer, pela terrível omissão que caracteriza a grande parte daqueles que dizem e apregoam amar o grande jogo, mas que o permitiram ter se tornado refém do granítico corporativismo que se apossou dele com passagem de ida, onde a vinda se torna cada vez mais improvável. Numa matéria de hoje no O Globo sobre nossas chances em Toquio, o basquetebol sequer é mencionado…

Esqueceram, porém, o fator mais importante, determinante para o ressurgimento do grande jogo, e como deveria ser aprendido, treinado, praticado e jogado entre nós, o domínio técnico de seus fundamentos desde a formação de base, ensinado e orientado por bem formados professores e técnicos, treinados e supervisionados por especialistas de verdade, num acompanhamento progressivo, avaliado e medido visando a excelência do ensino, e não os títulos conquistados à revelia do mesmo, beneficiando unilateralmente aqueles interessados em seus currículos profissionais. Carece a maioria da mídia de conhecimentos sobre o largo campo do ensino do grande jogo, suas exigências e implicações, principalmente quanto aos mais jovens, cumulando-os de falsas e perigosas expectativas, mais voltadas ao elitista caminho do sucesso sócio econômico (principalmente além fronteiras), do que uma sólida base em seu processo de crescimento educacional  e cultural…

Sem dúvida um cenário triste e constrangedor, mas, de repente, como um sopro de bem vinda novidade, se apresentou aos internautas da grande rede, uma experiência de transmissão totalmente comandada por mulheres, no jogo Botafogo x Brasília, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, no que se constituiu num bom e instigante trabalho jornalístico, ainda mais numa modalidade complexa e exigente para todos que a tentam transmitir e comentar. As jornalistas se saíram muito bem, inclusive a comentarista, mais comedida e objetiva em suas opiniões técnicas, não extrapolando seu ainda restrito conhecimento da modalidade, fazendo boa companhia a narradora, contida e simpática, assim como as duas repórteres de campo, formulando perguntas a serem livremente respondidas pelos jogadores e técnicos, e não concordes com suas opiniões pessoais. A transmissão foi, sem dúvida alguma muito superior ao que fazem seus colegas masculinos, sem a menor dúvida…

Voltando um pouco às análises acima, podemos afiançar com bastante certeza, serem a maioria das transmissões e comentários de jogos do NBB, responsáveis por uma falsa e manipulável realidade, tanto técnica, onde os erros cumulativos de fundamentos são minimizados e desculpáveis frente a defesas fortes (onde até faltas pessoais de retardo técnico são elogiadas), não tão fortes assim, pois se permitem ultrapassar com facilidade (crasso erro de fundamentos defensivos), assim como erros de manuseio de bola no drible, na finta, no passe  e no arremesso são relevados e sequer apontados, como taticamente, onde o sistema único de jogo jamais é detalhado, a não ser pelas jogadas chifre, punho, camisa, especiais que são mencionadas sem explicitar suas configurações e aplicabilidade dentro do sistema utilizado, exceto as enterradas monstros, tocos monumentais, e bolinhas mágicas de três, carros chefes de seus rompantes ufanistas e altamente influenciáveis junto aos jovens que se iniciam e as torcidas advindas do futebol, e claro agregando singularidades e personalismos a seus ululantes personagens…

Se outra fosse a realidade, em hipótese alguma poderia deixar de ser larga e profundamente comentada a hecatombe basquetebolista ( ao contrário, foi um jogo elogiadíssimo) que aconteceu ontem em Franca pela Liga das Americas, quando o Paulistano derrotou o dono da casa e da festa (?) por 87 x 82, deflagrando por mais uma vez o que vem sendo definido pelos corporativados estrategistas donos do basquetebol nacional, como o “basquete do futuro”, aquele que inventamos antes do Warriors da vez, (segundo o laureado Oscar), mas que como todo movimento modernoso e oportunista, já vem sofrendo perdas e derrotas lá mesmo, na matriz, onde a retomada defensiva se manifesta, como uma volta ao equilíbrio técnico tático que se reveza perenemente no âmago do grande jogo, desde sua invenção no século 19…

A hecatombe? Vejamos os números – Foram 34/59 de cestas de 2 pontos e 21/72 de 3 (16/26 de 2 para Franca e 18/33 para o Paulistano. assim como 10/33 de 2 e 11/39 respectivamente de 3 pontos), com 20/25 e 18/21 de lances livres para ambos, porém bem menos erros de fundamentos, 17 (9/8), numa prova cabal da inexistência defensiva propiciando a chutação desenfreada e insana nas tentativas de 3 pontos. Num jogo com diferença final de 5 pontos (número de erros de Franca nos lances livres), onde foram perpetradas 51 perdas nos 3 pontos e 25 nos 2, num inqualificável absurdo de equipes que se colocam como do mais alto nível em nosso indigitado e pretensioso basquetebol e seus estrategistas de prancheta, que precisam estudar muito e muito, se quiserem se ombrear com a turma lá de fora. Numa continha final, bastaria que uma das equipes investisse um pouco que fosse no jogo interno para vencer o jogo com folga, que não foi o que fizeram Franca e Paulistano, com este arriscando somente duas bolas a mais nos 2 pontos e uma a mais na roleta dos 3, vencendo um escatológico jogo, num triste prenúncio do que nos aguarda nos jogos internacionais do Mundial mais a frente, como o visto nessa Liga Américas, onde equipes já ensaiam defesas mais presentes fora do perímetro,  onde a equipe do Paulistano se viu forçada ao jogo interior para vencer seus três jogos, se classificando ao turno semifinal. Imaginem o que nos aguarda no Mundial da China, quando encontrarmos fortes e bem plantadas defesas dentro, e principalmente fora do perímetro, onde nos consideramos o warriors dos trópicos, inclusive os pivôs?…

Avaliem aqueles que realmente conhecem o grande jogo, o impacto junto aos jovens que se iniciam, testemunhar um jogo desse nível tão primário e absurdo, em equipes compostas dos nossos melhores prospectos, com altíssimos investimentos e patrocinadores, dirigidas pelos mais conceituados estrategistas, perante um “templo” lotado de torcedores, narrado e comentado pela mídia mais respeitada e incensada, para, numa análise bem simples e objetiva se preocupar com um Petrovic avesso a esse modelo tupiniquim de jogar, conforme já expôs em entrevistas largamente divulgadas, com a responsabilidade de liderar a seleção num campeonato de tal envergadura, sabendo de antemão o quanto lhe custará mudar algo, ou alguma coisa no modo de atuar dessa turma que se considera à frente de seu tempo. Conseguirá mudá-los, ou aderirá ao “chega e chuta”agora institucionalizado?…Honestamente, já estou preocupado desde já, prevendo outras mini hecatombes similares a Franca x Paulistano, com efeitos devastadores, a não ser que, bem, o futuro dirá…

Em tempo – Acabo de testemunhar mais uma mini – Flamengo derrota Bauru (80 x 72), onde ambas as equipes arremessaram 20/69 bolas de 3 e 30/54 de 2 (Flamengo 17/26 e 10/33 contra 13/28 e 10/36 do Bauru, cometendo as duas 35 (19/16) erros de fundamentos. Definitivamente entramos na era oficializada e padronizada da chutação de três, tornando as convergências no mote principal da nossa forma de sentir e jogar o que já foi um grande, grandíssimo jogo, cada vez menor para essa turma que nega os conceitos e sistemas defensivos básicos e necessarios para exequibilizá-lo. Palmas para os omissos e oportunistas estrategistas disfarçados em técnicos de basquetebol. Vamos ver suas falseadas convicções postas a prova quando enfrentarem adversários de verdade, que jamais respeitarão equipes com mais de 20 erros de fundamentos por partida, e que arremessam mais de 3 do que 2, anulando toda e qualquer possibilidade de soerguimento deste massacrado e arruinado basquetebol brasileiro ao espelhar seus péssimos exemplos para os mais jovens. Lamentável…

Amém.

Fotos – Reproduções do O Globo, TV e divulgação da Fiba Americas. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

SEGUINDO EM FRENTE…

Paulo, com tantos jogos emocionantes no NBB, finais de tirar o fôlego, cestas decisivas de três, enterradas animais, duplos duplos em profusão, jogadas mirabolantes, narradores empolgados e criativos, comentaristas caudais e prolixos, onde conhecer o jogo não é tão importante quanto as postagens no twitter dos telespectadores, os infindáveis abraços e beijos retribuídos dos mesmos, além é claro, das piadas de péssimo gosto destiladas a granel pelos microfones, tudo isso em stereo e a cores, pergunto, como você se ausenta deste magnífico proscênio do mais alto nível desportivo, como, e porque?…

Primeiro, porque amo o grande jogo, dediquei muitos anos de minha vida a ele, e por conseguinte, lastimo e odeio vê-lo tão achincalhado, travestido de “produto de primeira linha”, com “peças” do mais alto nível (?) desfilando um jogo medíocre e primário, no caso da esmagadora maioria dos nacionais, além da enganação e empáfia da maioria dos estrangeiros que só tem um ponto a ser valorizado, o de mandar às favas todas as incursões de seus estrategistas na formulação enganosa de jogadas “exaustivamente treinadas” em suas “pranchetas de ofício”, liberando-os para fazer e jogar como bem entenderem, na contramão dos nacionais, cúmplices e coniventes com a mesmice endêmica em que se encontram ad eternum, com raríssimas exceções…

Segundo, porque ainda não perdi de vez a esperança de vê-lo se soerguer da mixórdia em que se encontra, dosando ao máximo pareceres a respeito como professor e técnico que sou, e não um neófito torcedor vítima de tanta empulhação técnico tática, canhestramente mal copiada da matriz, sem ter 1/1000 avos do poder econômico, social e administrativo da mesma, mas que mesmo perante tanta discrepância, é vendido como algo especial por uma mídia mais deslumbrada pela NBA e sua luxuosa embalagem, sonhando um sonho impossível para a nossa dura realidade, do que expor com clareza e honestidade (às vezes, uns poucos, escorregam e mostram a realidade…) o que deveria ser dito e comentado para o bem do nosso combalido basquetebol, através o objetivo e embasado esclarecimento do que realmente ocorre nas quadras, dentro e fora; da formação de base a decantada elite, e não o dourando com apelos ufanistas, como o “esse é o NBB que vocês nunca viram”, sem especificar um mínimo de conhecimento do que realmente ocorre no campo de jogo, com média de 26,6 erros de fundamentos; de 40 a 50 erros nos lançamentos de três num “chega e chuta” descomunal; troca do real sentido defensivo por “faltas técnicas inteligentes” (aquelas cometidas para travar os contra ataques do adversário); ataque “aberto” com a única finalidade dos arremessos de três, ou uma esporádica penetração em velocidade, que é um recurso muito utilizado por jogadores com pouco domínio ambidestro no drible e na troca de mãos; a quase absoluta ausência de contestação defensiva aos longos arremessos fora do perímetro (fator primordial na disseminação da chutação de três), assim como o pleno desconhecimento do que seja defender no 1 x 1 dentro do mesmo; o primarismo tanto ofensivo, como defensivo nos bloqueios, corta luzes e cruzamentos, fundamentos coletivos que são; a cansativa e inócua coreografia dos estrategistas ao lado das quadras, acompanhada pela explícita coerção sobre as arbitragens, que de forma alguma fazem parte do trabalho “natural” daqueles profissionais, num corolário do que não se deve fazer no âmbito do grande jogo, cuja grandeza é minimizada in extremis perante tanta ignorância e absoluta falta de bom senso, porém pródiga em exposição marqueteira e autopromoção, ao pleno gosto e aprovação da mídia especializada e da direção administrativa das franquias…

Por todo este cenário, fica bem clara a influência negativa sobre os jovens que se iniciam no grande jogo, num espelhamento completamente equivocado para seu desenvolvimento técnico, físico e psicológico, ao emular os péssimos exemplos que lhes são apresentados na teoria e na prática, e o pior, com a aprovação e incentivo de técnicos despreparados e coniventes com as “filosofias” emanadas da elite…

Vários ciclos olímpicos já foram perdidos, inclusive aquele jogado aqui em 2016, todos fartamente alertados por aqueles que realmente conhecem basquetebol, o desporto em seu todo, resultante da mais completa ausência de uma política nacional voltada à educação formal, artística, desportiva e cultural neste imenso, desigual e injusto país, oportunizando desvios monumentais de verbas, ainda não investigadas a fundo, como deveria sê-lo, por aventureiros desonestos travestidos de cultores de um progresso, que só a eles beneficiou com fortunas colossais, deixando para trás a imensidão de elefantes brancos inoperáveis e terrivelmente vazios, numa tétrica repetição que parece não ter fim…

Agora mesmo discute-se na mídia as mais avançadas técnicas de ensino, formuladas através processos cibernéticos, computacionais e até robóticos, claro, tendo como fundo balizador o interesse das indústrias globalizadas que as patrocinam, num país que sequer promove, auxilia e remunera decentemente seus professores, que tentam trabalhar em escolas decadentes e destruídas, sem um mínimo de segurança estrutural, física e econômica, onde em 80% delas inexistem quadras esportivas, piscinas e espaços artísticos, culturais, e pasmem, bibliotecas! Recentemente quis doar uma bem formada biblioteca que serviu de base para meus filhos para uma escola primária perto daqui de casa, que não a aceitou por não possuir espaço para alojá-la, assim como numa recente ida a EEFD/UFRJ, perguntei onde era a biblioteca, sendo informado que não existia, mas que livros do assunto poderiam ser encontrados na biblioteca do CCS a um quilômetro dali! Simplesmente não acreditei, mas sobrava espaço no ginásio de desportos coletivos para armar barracas de campismo para um evento de estudantes, aniquilando o piso especial daquele recinto desportivo…

Enquanto isso, o NBB11 vai de vento em popa com seus emocionantes jogos, que servirão de base para as convocações do Petrovic para o Mundial da China em outubro, mas sem antes fazer uma visita protocolar aos Estados Unidos para conversar com o Felício do Bulls, o Raul do Jazz e o Caboclo do Toronto, perá lá, o Caboclo que recentemente se negou a entrar em quadra num jogo de seleção brasileira, um jogador de NBA, adulto, vacinado e que vota, numa negativa em que se tratando de uma seleção nacional não tem volta? Conversar o que? Quanto aos outros dois, que sequer jogam mais do que 5 min, quando jogam, por suas equipes, transacionar o que? Façam chegar a eles a convocação (a internet hoje é de ação imediata) e o resto é com eles, ou não?…

Por fim, fico imaginando como ser ainda possível que uma equipe perca para uma outra arremessando 20/42 de 2 pontos e 7/18 de 3, com o adversário lançando 22/30 e 11/28 respectivamente, com ambas perdendo 4 lances livres cada, e cometendo 17/14 erros de fundamentos, ou seja, a equipe perdedora arremessou 12 bolas a mais dentro do perímetro, e permitiu que a vencedora arremessasse 10 a mais de fora sem as fundamentais contestações? Ainda se “paga para ver” na nossa “elite”. O jogo? Franca 93 x 78 Pinheiros…

O mesmo poderíamos dizer do jogo Botafogo 67 x 73 Flamengo, quando os botafoguenses arremessaram 19/40 de 2 pontos e 7/29 de 3, enquanto os rubro negros lançaram 13/25 e 10/28 respectivamente, com ambos perdendo 3 e 4 lances livres, e com 5/21 erros de fundamentos, ou seja, o Flamengo errou muitos mais fundamentos, convergiu nos arremessos, chutando mais de 3 do que 2 pontos, e mesmo assim venceu o jogo por 6 pontos. Com uma continha básica, primária mesmo, bastaria os jogadores do Botafogo serem instruídos a substituir 3 ou 4 tentativas das 22 de 3 perdidas por arremessos de 2 e possíveis lances livres, para vencer o jogo, ficando faltando somente, o que? Creio que a resposta é mais do que óbvia, ou não?

Sigo trabalhando meu livro (será que sai até novembro, nos meus 80 anos?), e se paciência tiver (minha ranzinzice a tenho desde muito jovem…) ligarei a TV para a dolorosa penitência de assistir jogos mal jogados tecnicamente (todas as equipes ainda não sabem como atacar uma defesa zonal, o que é lamentável e constrangedor), terrivelmente transmitidos, onde até moçoilas destilam inescrutáveis conhecimentos técnicos sobre algo que nem sabem em que se baseiam (porém simpáticas e falantes, o que “valoriza” as transmissões). Pobre grande jogo tupiniquim, com narradores que teimam e lutam para trazer para as quadras o ambiente futebolístico com seus urros ufanistas, ecoando ginásios afora pela ausência de público, comentaristas em sua maioria mais preocupados com gossips do que um mínimo de técnica e tática de jogo, tornando ínfima a participação daqueles poucos que realmente o entendem, sem o caudal e a prolixidade característica de muitos outros, toda uma realidade que em nada auxilia os esforços, que acredito existentes, de um estrangeiro que tenta incutir mais seriedade a uma seleção, cujos jogadores refletem com precisão todo esse processo descrito, e que não será nada fácil mudar suas concepções de jogo, formatado e padronizado por anos e anos de estrada, desde suas formações numa base profundamente equivocada…

Mesmo assim, torço para que ele acerte e consiga razoavelmente mudá-los, sem concessões, a começar pelo respeito a tradição, a camisa nacional, prêmio maior e objetivo sonhado por todo jovem iniciante no desporto, que em hipótese alguma pode ser maculada, negada e esquecida, no que deveria, obrigatoriamente, ser um caminho sem volta, para todos aqueles que esquecerem e negarem seu indelével primado…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV, arquivo pessoal, e divulgação CBB. Clique nas mesmas duplamente para ampliá-las.

O PACTO DA MEDIOCRIDADE…

Caminho com meu filho André da estação Rio 2 até a distante entrada do Centro Olímpico, recordando as inúmeras caminhadas durante as olimpíadas, roteiro agora praticamente deserto, imenso, inóspito. Transpomos o portão com dois funcionários, e nos deparamos com aquele infindável deserto rodeado pelas imensas construções desportivas, como que adormecidas, estéreis, megalonômas, inabitadas, abandonadas. Peço ao André que faça uma foto, essa aí acima, onde aquele pontinho distante, sou eu. Chegamos ao portal da Arena 1, e oito funcionários nos esperavam para, pasmem, nos revistar, e perguntar se a câmera que trazia era profissional, brincadeira…

Entramos na arena reduzida pela metade (as arquibancadas do meio  para cima foram retiradas), procuramos a entrada da arquibancada superior (assim definida no ingresso comprado pela internet), mas fomos direcionados para a inferior, motivados pela ausência de público que a preenchesse, ou seja, o público presente lotaria o ginásio do Tijuca, sem a necessidade de uma longa viagem a Barra da Tijuca, que castigou a todos na saída com uma chuva torrencial, a ser enfrentada na longa caminhada de volta até os transportes, ou seja, aventura digna de uma final de Mundial (?), com a presença fajuta de um bando americano que perdeu o primeiro jogo por mais de 30 pontos de diferença para o Flamengo…

Chegamos a tempo de assistir o quarto final da turma da matriz contra os argentinos, quando também perderam, de bem menos que na estréia, em sua vexaminosa participação, mas era a NBA, logo…

Uma hora e meia de intervalo (ainda bem que levei um jornal), quando começou o espetáculo NBA/FIBA da ocasião, com trôpegas e descoordenadas dançarinas funqueiras, canhões lançadores de camisas, mais funk e batidão em inglês nos níveis sonoros mais altos e agressivos, feéricas luzes, histérico apresentador bilíngue, para enfim, o jogo, com as comissões técnicas das equipes ridiculamente engravatadas para um evento desportivo, onde os trajes arejados e confortáveis se fazem necessário aqui nos trópicos, dentro e fora da quadra, num espetáculo caipira de “liturgia do cargo”…

E veio o jogo decisivo, entre o grego AEK e o Flamengo, equipe planejada e montada para conquistar todos os títulos disputados, num dos dois maiores investimentos da Liga, o outro é o de Franca. A liga sul americana já tinha ido para o espaço, jogada em casa, e agora a vez do Intercontinental secundário, dourado de mundial, que também sucumbiu. Não sou torcedor, nem tiéte de ocasião, e sim professor, técnico de basquetebol, e jornalista editor deste humilde blog, logo analiso técnica, preparo de equipes, táticas e estratégias voltadas ao grande jogo, sem enfeites e penduricalhos disfarçando “incentivo e apoio” a modalidade, cada vez mais frágil exatamente pela falta de análises objetivas, diretas e apolíticas, no momento difícil em que ela se encontra perante os cenários intra e extramuros em que atua…

Conceituou-se de uns tempos para cá, que nosso futuro basquetebolístico se basearia no jogo de transição e nas bolinhas de três, onde a extrema velocidade, a força física nos rebotes e nos embates corpo a corpo teriam de ser levados aos extremos em sua preparação, mote principal e absoluto no protagonismo das ações que propicia a aquisição de tais valores na consecução do conceito proposto, secundarizando o preparo técnico individual, os fundamentos básicos do jogo, se é que o treinavam, sequer o ensinavam, dando início as vastíssimas comissões técnicas, nas quais o técnico principal cede “democraticamente” seu comando master em prol do tal conceito, equivocado, inócuo, e acima de tudo pouco ou nada inteligente, porém importantíssimo para agentes, empresários e dirigentes na formação e formulação de equipes, nas quais até um processo de “minutagem” das “peças” (alcunha modernosa dos jogadores) foi estabelecida, complicando em muito a produtividade real e autêntica das equipes no campo de jogo…

Com essa concepção padronizada e formatada, implantou-se a mesmice endêmica que, adotada por todas as franquias, desfila impávida a pactuada mediocridade que aí está, tendo como prêmios maiores jogos “equilibrados e emocionantes”, onde até os histéricos narradores clamam por prorrogações, a fim de que o prana seja alcançado infinitamente, e onde os tocos, as enterradas majestosas, e claro, as fantásticas e fabulosas bolas de três ascende ao olimpo tupiniquim, pois ao olimpo grego, ascendeu o AEK, com seu “ultrapassado” jogo cadenciado, forte defesa lateralizada e antecipativa, inclusive e basicamente sobre os pivôs, sua anteposição sempre presente às saídas de contra ataque rubro negras, seu paciente e programado até a finitude, de cada 24 segundos a que tinha direito em seus ataques, do jogo de passes curtos e precisos dentro do perímetro interno, na cozinha adversária, dobrando-o mais com finalizações de  2 pontos do que de 3 (20/35 e 10/24, contra 18/30 e 10/32 do Flamengo), forçando o jogo interno que a fez cobrar 16/18 lances livres, contra 4/4 de um adversário que foi incapaz, mesmo dominando os rebotes (foram 39 contra 24 dos gregos) de atuar no ataque interno, onde os marcadores do Marcos, claramente abriam o caminho de suas penetrações pela esquerda, sabendo da extrema deficiência do mesmo no controle e projeção da bola com a mão daquele lado, principalmente na finta, perdendo-a três vezes seguidas, a ponto de no restante da partida, ao iniciar o drible pela esquerda, rapidamente trocava de mão, facilitando demais sua marcação pela previsibilidade gestual. Some-se a essas evidências, a brutal diferença no domínio dos fundamentos por parte de uma equipe européia (tiveram 6 erros contra 20 do Flamengo), mesclada de americanos de terceira opção técnica e contratual( e não de décima quinta em diante como os que para aqui convergem) e são sofregamente disputados por estrategistas pretensamente bilíngues (?), sabedores e cúmplices omissos que são para que os mesmos joguem seu jogo particular, e até coletivo, se dois ou três deles estiverem em quadra, tornando os nacionais em apanhadores complementares de sobras, sob sua torcida incontida por bolas e bolinhas salvadoras de jogos, e de seus empregos…

Porém algo de muito mais sério tem de ser enfocado, discutido, às claras, olho no olho, o enorme desperdício que vem se acumulando nas duas ou mais décadas no preparo de nossos jovens, incentivados e orientados ao “chega e chuta” agora institucionalizado (a equipe grega não arriscou nenhum arremesso dessa forma, nenhum…), as enterradas mirabolantes ( se não me engano foi somente uma dos nossos e duas deles…), ao descaso defensivo, dentro e fora do perímetro, em flagrante contraste com a turma grega que fechou, blindou seu garrafão, onde somente o Varejão com sua grande experiência se sobressaiu, nunca tendo o apoio do Olivinha, do Mineiro, do Marcos e do Nesbitt, todos  atuando fora do perímetro e sendo contestados em suas bolinhas, pois driblar para dentro, nem pensar.  Aliás, contestados foram a maioria dos arremessos longos dos rubros negros, tendo alteradas suas trajetórias e direcionamentos pelas contestações sempre presentes (que é o correto, e não tentar o bloqueio dos mesmos), atitude inversa pela ausência defensiva, quanto aos arremessos gregos, erráticos, mesmo livres, nos dois primeiros quartos, certeiros a partir do terceiro, como que adaptados aos espaços e referências da enorme arena a que não estavam habituados, mas compensados por sua postura superior defensiva, domínio irrepreensível dos dribles, das fintas e dos passes, do bloqueio intencional e programado sobre o passe inicial dos contra ataques brasileiros (sistema de jogar aqui tido como ultrapassado e antiquado pelos estrategistas e mídia “altamente especializada”…), anulando sua maior arma, o chega e chuta mais intencional ainda, liderados por uma dupla armação que jamais funcionaria da forma fragmentada como atuou (ela precisa ser una, participativa e solidária), onde o senso coletivista do excelente Balbi, não encontrou apoio dos outros três armadores, todos compromissados com as finalizações, ante a impossibilidade do jogo interior, mais pela inexistência de um sistema de jogo que o privilegiasse competentemente, do que a efetiva presença blocante grega, ao defender flutuando lateralmente, todos, em bloco, forçando passes em elipse ou retroativos, e não longitudinalmente como os estrategistas estão acostumados, afinal por aqui, na grande Liga, todos atacam igualmente, exatamente por defenderem (?), ou não, igualmente também, selando com sobras e galhardia o pacto da mediocridade em que lançaram o grande jogo, e desnudando uma triste realidade, não sabem e sequer desconfiam como preparar, treinar, ou mesmo ensinar uma equipe para o jogo interior, porque simplesmente não sabem fazê-lo…

Fosse qual fosse o adversário brasileiro do AEK nessa final, venceriam, por um simples e singelo princípio (conceito?…) – Seja qual for o  sistema, princípio ou estratégia de jogo, entre equipes tidas de alto nível, sempre terá como vencedora aquela que ostentar o maior domínio e conhecimento dos fundamentos básicos, instrumental decisivo na consecução de seu sistema, por mais simples que for, ou mesmo inexistente…

Quanto ao fato do “desrespeito” do técnico italiano do AEK ao pedir um tempo a 4seg do final, e convidar o diretor de sua agremiação para ir até o banco vencedor, trata-se de um direito dele, falar com sua equipe ou um diretor, não é da conta de seu adversário, parecendo muito mais uma “revolta oportuna” ante uma derrota inesperada e maiúscula (86 x 70), esquecendo o engravatado estrategista que no recente jogo das estrelas pediu um tempo a 14 seg do final da partida estando vencendo por mais de 30 pontos, para elaborar uma jogada em sua prancheta, fora as inúmeras expulsões de quadra nos NBB’s, campeonatos regionais que tem participado, palavreado indevido e agressivo nos tempos pedidos (felizmente agora vetadas as transmissões pela Liga), num autêntico e lamentável desrespeito ao público, adversários e sua própria equipe. Apelações e comportamentos indevidos não são boas políticas para um aspirante a líder e mestre desportivo…

Ainda temos um longo caminho a percorrer.

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal e reprodução da divulgação CBB. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

UMA PEQUENA RESENHA…

Eis-me de volta, depois de algum tempo envolto na construção de minha mini quadra de basquete (de utilidade básica para as futuras Oficinas Técnicas aqui em casa), do enfrentamento de um vendaval que quase afundou de vez essa bela e abandonada cidade, deixando-me sem energia elétrica, internet, tv, por quase uma semana. Com a volta da normalidade, pinçei na mídia algumas notícias e relatos, que farão parte da pequena resenha a seguir:

– Lá fui eu publicar o artigo “O negócio é puxar ferro“, e rapidinho a turma fisioterapeuta da CBB organiza o evento “Performance e prevenção no basquete”, onde a pessoal antenado com a mesmice endêmica incrustada no grande jogo, aprenderá como criar maiores e melhores atletas para a prática do basquete, noves fora, é claro, a bola e suas dispensáveis e ocultadas técnicas de manuseio, frente ao atleticismo performático imposto coercitivamente aos nossos incautos jogadores, a partir da formação de base, induzidos a correrem mais velozmente, saltar na estratosfera, e trombar com potência e energia, enrijecendo a musculatura, sobrecarregando as articulações, prontidão para maratonas, deixando em segundo ou terceiro planos os fundamentos básicos do jogo, a evolução natural física, mental e psicológica de todo jovem, fatores de prioridade máxima na aprendizagem desportiva, anos luz à frente de precoces e discutíveis cientificismos que não nos tem levado a lugar algum, a não ser a geração enriquecedora de “papers” curriculares, deixando de lado aqueles mestres que realmente conhecem, ensinam e desenvolvem o grande jogo técnico e coletivista em nosso imenso, injusto e desigual país, onde uma ENTB se torna inexequível por conta de um corporativismo retrógrado e cúmplice do que aí está solidamente implantado…

– Do Jogo das Estrelas, vi um pouco do torneio das habilidades, onde pude constatar pela primeira vez desde sua implantação, um vencedor que soube driblar dentro das regras e normas oficiais, o Lucas Dias (seu oponente, o Yago carregou, ou conduziu a bola em todos os obstáculos transpostos) , ao contrário de todos os que o antecederam, vencendo irregularmente, conforme publiquei todos os anos. Quanto ao jogo principal, vencido pela turma brasileira por 144 x 92, apresentou os seguintes números (alguns poderão afirmar ter sido resultado da ïnformalidade”da festa…)-30/50 de 2 pontos, 26/49 de 3, e 6/11 nos LL para os brasileiros, contra 22/36, 13/53 e 9/13 respectivamente para os estrangeiros, para um absurdo total de 52/86 nos 2 pontos, 39/102 nos 3, e 15/24 nos LL, com 25(12/13) erros de fundamentos, ou seja, quem inadvertidamente compareceu ao Pedrocão, assistiu 63 arremessos perdidos nas bolinhas, aspecto que conota muito bem a qualidade da festança. Aliás, cabe aqui uma hilariante referência ao  comentarista da ESPN, quando aos 12 seg do final da partida, mencionou o fato do técnico da equipe brasileira pedir um tempo e desenhar uma jogada na prancheta, assim como o técnico adversário, também usá-la estando 52 pontos atrás no placar. Realmente hilariante e constrangedor…

– E por conta da festança, me vem a recordação de nove anos atrás, quando assumi o Saldanha no NBB2, exatamente nessa fase da competição, dando a mim 10 dias para treinar a equipe, ou 18 bons e puxados treinos, basicamente de fundamentos e introdução ao sistema de 2 armadores e 3 alas pivôs, que se revelou excelente nos resultados finais (hoje mal e equivocadamente copiado por todas as franquias da Liga), apesar das perdas de jogadores importantes afastados administrativamente. Me neguei a comparecer em Uberlândia para a festança, mas não pude evitar que três dos jogadores lá estivessem para cumprir a determinação da Liga. Desde então defendo a tese de que um jogo de estrelas devesse ocorrer ao final da competição, reservando as datas das festas de fim de ano para o ajuste das equipes mal colocadas na tabela classificatória. Porém, duvido que as mesmas mudassem algo, a não ser reforçar as jogadas constantes do sistema padronizado e formatado, únicas do conhecimento de técnicos e jogadores, como até os dias de hoje acontece, dando a mim a plena certeza de que o grande problema do nosso basquetebol foi, é, e será por um longo tempo a parte técnica e tática, inclusive na estratégica formação de base, fatores estes que festanças, publicidade, marketing e torneios chinfrins jamais substituirão tais e fundamentais necessidades, encobertas pelo nefando biombo que as separam da dura realidade, onde a mesmice endêmica impera absoluta…

– Finalmente, proponho uma reflexão – Sabemos todos nós que nos Estados Unidos e em grande parte dos países europeus, divisões de base competem somente em seus bairros (8 aos 10 anos), suas cidades (10 aos 12 anos), estados ( 13 aos 16 anos), para daí em diante competir internacionalmente, mantendo os jovens incluídos ou bem próximos de suas famílias, dando prioridade aos seus estudos básicos, complementados pela atividade desportiva, e afastados ao máximo nas etapas pré e pós adolescência de influências fora de seu círculo familiar, por mais limitado economicamente que seja, propiciando auxílios pontuais que não os afastem de casa, onde o fator educação tem importância maior e vital, reservando a escola e o preparo desportivo o fator instrutivo, e o suplemento educacional. Sempre fui contra a retirada de jovens talentos do seu círculo familiar, sempre, vendo com olhar extremamente crítico as cada vez maiores quantidades de jovens afastados de seu lar e entregues a organizações e agentes particulares, clubes, empresários nacionais e até internacionais, para orientá-los ao desporto, nem sempre amparados por pessoal realmente qualificado e responsável para fazê-lo, originando, muitas vezes, em graves desvios sociais e comportamentais, com lamentáveis desfechos. Acredito, honestamente, que se tivéssemos uma verdadeira e autêntica política nacional voltada à educação (fator estratégico de uma nação), aos desportos e as artes, não estaríamos hoje lamentando e chorando a trágica perda de dez jovens num incêndio que jamais deveria ter acontecido, pois lá não estariam por conta de seu precoce valor no mercado do esporte profissional, antecipado em uma década de suas valiosas, jovens e ceifadas vidas…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV e arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

“O NBB QUE VOCÊ NUNCA VIU”…

Andei analisando e revendo muitos vídeos e fotos sobre os últimos NBB´s, tendo sido alguns daqueles registros parte de muitos artigos aqui publicados, todos fazendo parte de uma rotina imutável, como se houvesse sido baixada uma lei central de que somente um sistema de jogo pudesse ser executado, ano após ano, e já lá se vão dez, de uma mesmice endêmica, onde jogadores, técnicos, dirigentes, analistas , empresários e agentes gravitam em torno do mesmo, num tétrico carrossel em sua monocórdia trajetória, sem princípio, e muito menos fim…

Repetir, insistir, repetir, tornar a insistir, metódica e servilmente, agregando uma novidade/cópia aqui, mais uma imitação alí, uma canhestra apropriação tática acolá, num somatório previsível e na maioria das vezes infantilóide, típico de todos aqueles que se julgam conhecedores de tudo, e certamente de nada, nada mesmo, pois o tatibitati técnico tático faz as honras da mesa de um indigesto banquete, aquele que intoxica e muitas vezes mata…

“É outro o basquetebol agora jogado, e precisam se acostumar”, e tome “chega e chuta”, preparação fisioterápica arrasadora, quase que precisando de uma quadra de 50 metros e uma aro a 3,50m do solo, frente ao poderio atlético descomunal de jogadores que muito tarde descobrem a existência de uma bola no campo de jogo, e a obrigação técnica de controlá-la, dominá-la  direcioná-la com precisão, e não maltratá-la e percuti-la da forma mais primária e imprecisa, isso quando conseguem contatar alguma no meio de tanta insana correria…

Já se ouve comentaristas, uns raros que parecem entender um pouco melhor o grande jogo, dizerem que os jogos pecam demais na técnica, na tática, nos fundamentos, mas sobram em emoções, levando à histeria narradores ufanistas e boquirrotos, empolgando seu público mais para torcedores de futebol do que basquetebol, que raramente enchem os ginásios e arenas, aplaudindo ruindades dentro e fora das quadras, pencas de medíocres americanos para cá canalizados no projeto NBA/NBB, que agora mesmo patrocina escolinhas pagas em estados do país, porém, como num escorregão, prestigiando excelentes armadores argentinos que, honestamente, perdem muito de seu potencial ao se defrontar com um sistema formatado e padronizado, que anula muito de suas qualidades adquiridas no excelente processo de formação de base de seu país…

Mas para não afirmarmos que tudo está perdido, já jogamos, mesmo dentro do inefável SU, com dupla armação, alas pivôs mais atléticos e velozes, um pouco mais de jogo interior, sem, no entanto avançarmos na defesa exterior, e o principal, evoluirmos nos fundamentos básicos do jogo, trocando-os por um atleticismo desvairado, perigoso e descerebrado, principal e estrategicamente na formação de base, onde são poucos os professores e técnicos real e fortemente preparados para exercer tal prioridade para o futuro do grande jogo entre nós…

E como categórico exemplo do que tanto tenho alertado em função dos tortos caminhos em que nos enveredamos, ao término a poucas horas do jogo entre Paulistano e Pinheiros (91x 85 para o Pinheiros), ambas as equipes trucidaram o bom senso técnico tático com os seguintes números: 18/31 nos arremessos de 2 pontos para o Paulistano, contra 17/34 para o Pinheiros, 9/37 nos 3 pontos, contra 12/29 respectivamente, 22/25 nos lances livres, contra 11/32 também respectivamente, totalizando a convergência de 35/65 nos 2 pontos e 21/66 nos 3, numa absurda e perturbadora realidade do que estamos equivocadamente implantando no basquetebol tupiniquim, principalmente como modelo aos jovens iniciantes, ainda mais quando somamos a tal incúria 30 erros de fundamentos (15/15), fechando com chave de m…o que estamos presenciando e testemunhando do que pior possa existir como basquetebol elitizado (?)…

Em breve estaremos disputando as duas últimas partidas na classificatória ao Mundial, que deveremos ultrapassar, restando a incógnita questão do que ocorrerá no Mundial, onde um técnico croata se deparará com uma realidade antítese da sua, a começar com seus assistentes, em tudo e por tudo antagônicos técnica e taticamente a suas convicções e experiência técnica, até jogadores que se acreditam ungidos na seletiva especialidade nos longos arremessos, aí incluídos os pivôs, pouco ou quase nenhum comprometimento com a defesa exterior do perímetro, ausência atávica de movimentação sem a bola, sentido de cobertura longitudinal a linha da bola , e não lateralizada a mesma como deve ser, num caldo incolor, típico de uma elite produto de uma formação de base viciosa, falha e acima de tudo, descompromissada com o duro e permanente trabalho nos fundamentos, ferramenta básica de sua modalidade, sem a qual sistema nenhum de jogo se torna realidade, mesmo o SU a que se dedicam desde sempre, logo, o NBB que você nunca viu, é esse que você sempre viu, o que aí está, agregando a grande revolução da chutação de três. Se acostumar com isso é dose…

Mesmo assim torço para que o Petrovic consiga, de alguma forma mágica, contornar tantos obstáculos, solitário de preferência, pois se depender de sua assistência, certamente estará frito, patinando no escorregadio tapetebol* já estendido a sua frente…

Amém.

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*Tapetebol – A arte de se puxar o tapete dos pés de um adversário, ou pior, de um colega de profissão.

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