FUNGANDO NO CANGOTE…

P1110050-001DSC0043-640x427

Paulo, Paulo, as finais começam amanhã na Arena, e o que você tem a dizer, nada, nadinha?…

Ora muito bem, vamos lá, mas sem invencionices e chutações, simplesmente projetando situações possíveis e previstas, afinal o sistema único estará presente em grande estilo, garantindo previsibilidade permanente, apresentando e assinando embaixo a mesmice endêmica de sempre…

Num aspecto do sistema único, as duas equipes terão algo em comum, a extrema importância da armação das manjadas jogadas, validadas na medida da liberdade de ação dos armadores, que é o que quase sempre acontece. Logo, numa óbvia dedução, se bem marcados, pressionados por todo o tempo possível, muito da efetividade do sistema fica comprometida, originando a quebra do mesmo, e abrindo campo para as ações individuais, mais facilmente controladas…

Então minha gente, aquela equipe que fungar no pescoço da armação com mais insistência tenderá a levar grande vantagem, e se na continuidade da pressão ela se voltar para o passe interior (o que quase nunca acontece) para um pivô marcado pela frente, terá de optar pela possibilidade restante, o passe lateral ou retroativo nas alas, que se estiverem sendo marcadas na linha da bola, anulará de vez qualquer possibilidade de jogo coletivo, restando as individualidades e suas consequências…

A questão se torna limite no caso de ambas as equipes agirem da mesma forma, tirando o máximo de segundos dos 24 possíveis a cada investida de ataque, quebrando o sistema, o principio coletivista, obrigando a improvisação, quase nunca bem sucedida pela imprecisão nos fundamentos do jogo…

Restarão então as famigeradas bolinhas, que se efetiva e teimosamente contestadas, levará fatalmente, e por ambas as equipes, ao jogo interior, obtendo considerável vantagem aquela que o fizer através o constante deslocamento transversal dos pivôs ali infiltrados, anulando em alguns momentos, uma marcação frontal (se existente). e reforçando consideravelmente o rebote ofensivo, até mesmo os resultantes daquelas falhadas bolinhas…

Mas se a armação se mantiver pressionada firmemente, como acontecerão os passes precisos interiores, estando, ou não, os pivôs marcados pela frente, como?…Talvez a saída dos mesmos para o perímetro externo se apresente como uma possibilidade, aliás bem conhecida pelos “pivôs de três”…

Como resultante dessas possibilidades, teremos uma fratura no sistema comum às duas equipes, originando daí um tipo de jogo bem conhecido, o rachão desenfreado que culmina no aventureiro “chega e chuta” ,vencendo o jogo quem acertar a última bola, depois das muitas e muitas lançadas…

Bem, este é o retrato, um tanto fiel, do que temos assistido neste NBB, e no caso dessas finais, o aperto constante e enérgico dos armadores se apresenta como a fórmula ideal para um razoável possível sucesso. Agora, com uma dupla armação de qualidade, como seria?…

Neste caso, minha gente, a fungação teria de ser dobrada, para ai sim, termos a oportunidade de assistir um jogo diferenciado, onde dois armadores ao evoluírem em constante ligação, alimentando pivôs sempre em movimento, superariam as pressões defensivas, mas o detalhamento dessas novas situações deixo à analise dos estrategistas envolvidos, infelizmente agregados a pranchetas midiáticas e constrangedoramente inúteis, além, é claro, pela reza forte ao lado da quadra… pelas bolinhas…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

RESPONDENDO AO VICTOR…

P1040087-002P1010305

O assíduo leitor Victor Dames, postou um ótimo comentário no último artigo aqui publicado, que foi o de número 1300 desta longa saga no basquete tupiniquim, com mais de 10 anos de presença ininterrupta. Alguns excelentes comentários de outros leitores serviram de mote para artigos instigantes aqui amplamente discutidos, e este do Victor será um deles, sem dúvida, pois levanta uma tese técnico tática a muito defendida nesse humilde espaço, e que aos poucos vem se impondo no seio de algumas equipes da LNB, porém ainda profundamente influenciada pelo sistema único, solidificado e cristalizado no âmago dos técnicos e jogadores do país, desde a base formativa de onde se originaram…

Do comentário em questão, foquei o parágrafo abaixo, para comentá-lo sob os critérios aqui, e de longuíssima data, defendidos, estudados e aplicados na prática competitiva, da base a elite, e que, de certa forma,  encontra razoável receptividade, ainda insipiente, adaptada aos conceitos inerentes à realidade técnica e tática das equipes a seguir mencionadas…

 

(…) Aproveito ainda para colocar algumas questões sobre meu Flamengo: apesar daquele último jogo em que o rubro negro ganhou volume ofensivo e virou o placar no fim com as bolas longas do Marcelinho, o time não tem evoluído para sair do sistema único (embora ainda o execute em boa parte do jogo), explorando conceitos que o senhor sempre defendeu, como a dupla armação e os pivôs móveis? Me corrija se estiver errado, mas se o Hermann (ou o Olivinha, que voltou a titularidade nos últimos jogos) jogassem mais perto da cesta, em vez de se posicionarem para tiros de três tantas vezes, essa dupla armação que aparece com Laprovitola e Benite (e as vezes o Gegê no lugar de um deles), e até o Marquinhos quando faz as vezes de um armador, não seria uma clara forma de jogar fora do sistema único?(…)

 

Sem dúvida alguma Victor, as equipes do Flamengo, Limeira e Franca foram aquelas que mais se aproximaram da possibilidade de jogarem fora do sistema único, pois apostaram na dupla armação e nos pivôs de alta mobilidade, mantendo um ala, também veloz, ágil, e de boa estatura na composição de um trio atuante dentro do perímetro em velocidade e constante movimentação, exatamente como defendo a décadas, fora e dentro das quadras…

Porém, quando acima menciono que aquelas equipes se “aproximaram da possibilidade de jogarem fora do sistema único”, deixo bem claro o fator “possibilidade”, pois nenhuma delas o abandonou, e sim adequou, na medida do possível, seu arraigado sistema de jogo a algo realmente promissor, mais ainda muito distante de suas convicções, longamente agregadas ao seu modo de atuar no grande jogo…

No sistema por mim propugnado, inexistem “jogadas” marcadas e codificadas, substituídas por “situações de jogo” que não o são, e sim desenvolvidas de acordo com posicionamentos e comportamentos defensivos, que devem ser confrontados dentro dos princípios dos fundamentos básicos individuais e coletivos do grande jogo, que são situações mutáveis, irrepetíveis, dinâmicas e fugazes, exigindo um árduo e seletivo preparo para reconhecê-las no menor espaço de tempo possível (diagnose/retificação), a fim de que possam ser superadas individual ou coletivamente, com conhecimento, controle, humildade (humildade, sim…) e bom senso, que são as qualidades intrínsecas da improvisação, a arte maior daqueles que dominam seu instrumento de trabalho, mental e fisicamente, pois só improvisa quem sabe,,,

Todo este cenário de bem jogar, só será factível com o abandono da tutela pranchetada, com seus chifres, punhos, cabeças, hangs e picks encordoando os jogadores, que mesmo sob dupla armação e pivôs móveis, ficam submetidos às amarras de técnicos personalistas e centralizadores, esquecendo que em nenhum momento encestam e marcam lá dentro. onde as verdades acontecem, reais e palpáveis, como também, e em muitos casos omitindo, que seu verdadeiro papel é no treino, profundo e esmiuçado treino, jamais rachões, e sim uma busca pela perfeição dos movimentos fundamentais e ações técnicas de seus jogadores, fazendo-os pensar individual e coletivamente, quando, ai sim, influenciará decisivamente na sistematização da equipe que ensina, orienta e comanda…

Então Victor, ainda nos encontramos um pouco afastados do sistema que sempre adotei, livre, emancipado, porém responsável e coerente com uma realidade forjada no treino de fundamentos e profunda prática de leitura de jogo, consciente e criativa, sem medos, principalmente o de errar, sabendo avaliar e corrigir o mesmo, sem culpabilidades e afrontas, simplesmente jogando o grande, grandíssimo jogo…

Ah, Victor, mais um detalhe, para chegarmos a esse estágio que expús, que os técnicos se convençam de que não são o centro da equipe no jogo, quando no máximo a auxiliará pontualmente, mas sim o seu norte, ao prepará-la com todo seu conhecimento e experiência na arte do treino, que é o ambiente daqueles que realmente dominam o… você sabe…

Um abraço e obrigado pela sua sempre bem vinda audiência.

Amém.

Fotos – Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 

 

ARTIGO 1300 – UMA LONGA E ÁRDUA JORNADA…

P1110032-001P1110033-001P1110043-001P1110046-001P1110048-001P1110049-001P1110050-001P1110055-001

 

Este é o artigo 1300 publicado neste humilde blog. Tem sido uma dura caminhada de mais de 10 anos de presença ininterrupta junto aos que amam o grande jogo, abrindo aos mesmos um espaço democrático e responsável de discussões, onde o anonimato jamais teve ou terá vez, daí ter uma audiência mais seletiva do que numérica, mas que espelha, divulga e divide o conhecimento sedimentado no estudo, na pesquisa, e acima de tudo no trabalho e respeito a todos aqueles que aqui lêem e postam livremente…

Gostaria de oferecer um blog mais amplo, na verdade um site, onde a informação fosse mais a fundo, mais não possuo os meios para exequibilizar este anseio, mas aos poucos, pensada e tecnicamente, irei desenvolvendo situações que envolvam mais colaboradores, como o Gil e o Walter, que desde sempre prestigiam esse espaço com seus conhecimentos e larga experiência internacional…

Prometo, que muito em breve estarei oferecendo novas vertentes editoriais, principalmente voltadas aos jovens técnicos que se iniciam, mas nunca esquecendo os experientes e calejados profissionais que labutam por este enorme e injusto país a fora, valentes que são ante a penúria de que são vítimas permanentes, pela ausência de uma política educacional e desportiva que os ampare e incentive em suas sacrificadas vidas…

Então, vamos em frente, como por exemplo, o jogo de ontem decidindo o segundo finalista do NBB7…

O que vimos já não assusta mais a este veterano professor e técnico, não mesmo, pois, se tornou numa mesmice endêmica vitimizando jogadores, iniciantes e adultos, técnicos, dirigentes, agentes, empresários e jornalistas, todos embarcados na náu dos “monstros”, enterradas, endeusadas bolinhas de três, e o mais apavorante, os chifres (de diversos teores), os punhos (de vários quadrantes), camisas, hanguetens, especiais, cabeças, picks de varias gramaturas, tudo isso “treinado exaustivamente” em rachões transcendentais, porém revisados em jogo através herméticos rabiscos em midiáticas pranchetas, como que representando estratégias, mas que somente se definem como um documento validador  de discutíveis competências perante um neófito público, e dirigentes mais neófitos ainda, captadas por ávidas câmeras, hipnotizadas com tanta sapiência do nada, absolutamente nada, pois refletem a unanimidade de todos, técnicos e jogadores, em torno do sistema único, aquele que premia os 1 a 5 melhores que os 1 a 5 de todas as equipes participantes…

Agora mesmo, se inicia uma corrida para a substituição dos 1 a 5 falhados, por outros 1 a 5 mais azeitados, como se fossem peças de uso imediato pela igualdade tática, economizando tempo de treinamento formativo e reeducativo de jogadores que deveriam estar “prontos”, mas que ao não estarem devem ser substituídos, numa perversa ciranda de mistificações e interesses mais comerciais que técnicos, como acontece de fato…

E este jogo mostrou, escancarou essa realidade em toda a sua dimensão, começando pelo duelo aberto nas bolinhas, entre um desde sempre convergente Bauru (14/26 de dois e 9/34 de três), e um reticente Mogi (18/32 e 5/23, respectivamente), perfazendo um constrangedor 14/57 de arremessos de três, convergindo com um 32/58 de dois pontos, numa gigantesca perda de tempo efetivo de jogo e de esforço físico, o tão badalado cult dos tempos atuais, que tenta impor a superioridade física acima da técnica, do domínio dos fundamentos básicos do grande jogo…

Então, com ambas as equipes agindo em uníssono tático, bastava uma esperta adaptação defensiva para alterar dominâncias, e as duas equipes assim tentaram, variando do individual para a zona, até para uma pequena pressão, mas em tempo alguma fugindo da mesmice ofensiva, arraigada solidamente em suas ações previsíveis e até certo ponto, infantís, ou seja, sistema único contra individual, e quatro abertos contra zona, ambos voltados definitivamente para o jogo exterior, para as bolinhas, deixando o interior abandonado, até que, num clarão ou desespero, uma delas optasse pelos bons pivôs em quadra, e vencesse o jogo e a classificação à final contra o Flamengo…

Foi um jogo com 30 erros de fundamentos (14/16), numero altíssimo para equipes adultas, mas que reflete muito bem o estágio técnico individual de muitos jogadores, inclusive armadores, perdendo bolas no drible, que é algo inadmissível para a posição, e que é um reflexo elucidativo de como são preparados para a competição, infelizmente…

Finalmente, um lembrete, mais um, pequeno, simples, porém fundamental a essa altura em que a LNB se alia a NBA, que seja implementada uma mudança em sistemas de jogo, que não precisa ser geral, pois bastaria que uma ou duas equipes se reestruturassem neste sentido, apresentando algo diferenciado, não necessariamente novo, mas algo que nos propiciasse fugir desta mesmice endêmica asfixiante, bitolada e medíocre, para darmos um salto qualitativo, pela imediata comparação entre sistemas, vencendo ou perdendo, mas abrindo um fresta de progresso individual e coletivo neste cenário tão pobre em que estamos. E já que os técnico que ai estão, alguns em todas as edições do NBB, se negam a mudanças radiacais, dois são os técnicos que podem desenvolver tão importante mudança. Um já está presente numa equipe de ponta da liga, teve um ano difícil, mas deve ser mantido para um trabalho longo e detalhado, depois de mais longa ainda ausência, outro, marginalizado por apresentar e discutir algo instigante e corajoso, aguarda uma merecida oportunidade de tornar a demonstrar ser possível mudanças estruturais de equipes com jogadores pouco valorizados e nada midiáticos, porém cheios de qualidades e experiências de sobra, também à margem das grandes equipes, injusta e covardemente, pois não é para qualquer um ensinar, treinar e os fazerem jogar com um sistema proprietário, corajoso e inovador…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

O NORTE…

P1100889-001P1100895-001P1100897-001P1100901-001P1100903-001P1100904-001

 

 

Terminado o jogo, fico me perguntando como ser possível  vencer uma partida de playoff, jogando em casa, com um plantel tido pela mídia como o melhor da competição, com investimento alto, jogando da forma que jogou Bauru, convergindo acintosamente (9/35 de três e 11/19 de dois), como que impondo ao adversário uma contundente verdade, a de que sob tão “potente” artilharia resistência nenhuma seria possível, sequer tentada…

Mas, eis que a equipe de Mogi, simplesmente “pôs a bola embaixo do braço”, cadenciou o jogo, renunciando apostar corrida com os notórios velocistas adversários, ao ponto de seus dois especialistas de três, Filipin e Shamell tentassem um ínfimo 0/3 lá de fora, deixando para o Tyrone (4/5) e Gustavo (2/3) as honras nas bolinhas, e resolvessem “se meter” lá dentro, para de 2 em 2 consolidar uma vitória inquestionável, em paralelo a uma defesa contestadora nos dois perímetros, ocasionando alguns desastres, como o lamentável 1/8 do Hettsheimeir, que a cada dia reprisa um exemplo de antanho, quando um promissor pivô de 2,11m, o Olivia, irmão do Olivinha, se dividiu entre o jogo interno e as bolinhas de fora, não se firmando em nenhuma das duas opções, numa perda muito sentida, e que ameaça ser repetida, num momento da evolução tática do jogo, onde o domínio dos rebotes, principalmente o ofensivo, se apresenta tão estratégico…

Como uma equipe que ousa perder em tempo e esforço 26 bolas de três ante um rival que somente perdeu 8 bolinhas, num jogo onde 30 erros de fundamentos foram cometidos (17/13), numa demonstração de mútuo nervosismo, mantêm seu comportamento por toda a partida, sem refrear tanta certeza de que “a qualquer momento” as bolinhas iriam cair (com certeza no próximo…), e que por conta dessa convicção o tiroteio deveria ser mantido, como?…

Salta a vista uma incoerente dúvida, ou seu técnico comunga com essa certeza, ou vai se tornando refém dos especialistas que povoam seu plantel, ou mesmo, no impasse, se veja perante a realidade de que equipes bem treinadas podem contestar seu premiado elenco dentro e fora do perímetro ( o que ocorreu…), ocasionando uma pane nos gatilhos, sem uma contra proposta de idêntico teor, ou simplesmente pondo a bola embaixo do braço, também…

Foi um jogo escola, para ser bem revisto e analisado, quando a utilização prática dos homens grandes tiveram duas bem definidas versões, uma, vencedora, situando-os bem próximos as taboas, reboteando e concluindo, outra, dispersa e tentando bolas de três, o que definitivamente não se coaduna com as suas reais e críticas funções…

Duas equipes atuando no sistema único, com os punhos e chifres de sempre, porém com uma determinante vantagem para uma delas, saber rigorosamente o que estava fazendo, com calma e surpreendente objetividade, principalmente por parte de seu norte, o Shamell…

Amém.

Fotos – Reproduções da Tv. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

OS CONCEITOS…

DSCN3492-001DSCN3500-001DSCN3501-001DSCN3511-001

 

 

Bem melhor da crise ciática, tomei coragem e fui ao Tijuca para a quinta partida entre o Flamengo e São José, onde pude reencontrar os técnicos Antonio Carlos,o Marcio, récem empossado presidente da Associação de Técnicos do Rio de Janeiro, e o Miguel Palmier, amigo de longa data, que me viram saindo a seis minutos do final de uma partida decisiva, onde o placar àquela altura separava as equipes em 40 pontos, isso mesmo, 40 pontos!…

Inadmissível numa decisão, mesmo na casa do adversário, uma equipe se apresentar com uma única proposta de jogo em duas opções, o Caio ou as famigeradas bolinhas (2/14), ao se deparar com uma barreira interior, onde o bom tecnicamente, porém paquidérmico cincão jogava mais na meia quadra do que nas taboas, pois quando voltava ou avançava se situava metros atrás dos rápidos e ágeis jogadores cariocas, inclusive os pivôs, proporcionando contra ataques em profusão, até a diferença alcançar os inimagináveis e constrangedores 40 pontos numa decisão às semifinais, numa lastimável demonstração de incapacidade e planejamento técnico e tático, numa partida para “colocar a bola embaixo do braço”, reduzindo o rítmo ao máximo, otimizando a posse de bola, dando tempo para que o Caio se posicionasse, e não ficasse apostando corrida sem poder sequer elevar os pés do solo nos deslocamentos (se não perder pelo menos uns 15kg de gordura, sofrerá cada vez mais restrições táticas, apesar de ser tecnicamente um bom jogador), e o mais escancarado, a impossibilidade que a equipe encontrou ao se deparar com uma astuta dupla armação, formada pelo Laprovittola e o Benite, sem sequer esboçar uma contrapartida, por exemplo, escalando o Betinho ao lado de um mais bem cansado e curtido Valter, auxiliando-o nas levadas de bola e nas armações visando cadenciar o jogo interior com o Caio e o Renan, que bem poderiam ter atuado juntos nos momentos cruciais da partida…

Enfim, foram apostar corrida com a bem disposta turma rubro negra e se deram mal, e tão mal que nem a desculpa tradicional de ter sido um “jogo atípico” cola mais…

Em Bauru, o time da casa enfim dobrou a bem mesclada equipe de Franca, que defendendo com competência quase derrubou o “favorito” da mídia especializada tupiniquim, graças ao vício alimentado pela mesma, o endeusamento das bolinhas (7/28) por parte dos francanos, e ai poderíamos voltar às continhas, pois bastaria que a metade das bolas de três perdidas (no caso, 14 tentativas), fossem trocadas por penetrações visando os dois pontos, para vencerem um jogo perdido por seis (78 x 72), numa partida em que ambas perpetraram 15/54 bolinhas, num desperdício monumental de esforço físico e possível ganho de inteligente ação estratégica. Mas nada disso importa para o sucesso midiático propugnado por aqueles que nem de longe, muito longe, conhecem e entendem o grande jogo, que é extremamente exigente e seletivo…

Chegam às finais as mesmas quatro equipes que se classificaram na primeira fase, as mesmas compostas de pivôs rápidos, ágeis e flexíveis, que atuam de fora para dentro do perímetro interno, que defendem na linha do passe, e alguns deles pela frente de pivôs com as mesmas características, e que, sem exceção, atuam em dupla, e as vezes em tripla armação, e que já ensaiam fortes defesas fora do perímetro, todos fatores muito bem vindos ao nosso basquetebol, e importante, abrindo mão das convergências, demonstrando maturidade na seleção dos arremessos, faltando somente, e como passo definitivo à nossa evolução, a fuga definitiva do sistema único com seus chifres, punhos, polegares e correlatos, estrelas fulgurantes permanentemente desenhadas em  folclóricas pranchetas, lastimáveis e castradoras pranchetas, mas importantíssimas como passaporte midiático da atuação dos estrategistas que as empunham, sôfregos e extasiados com suas habilidades gráficas, ininteligíveis na maioria, ou, em todas as participações perante perplexos jogadores, quando poderiam, num passo fundamental e definitivo, optarem por novos rumos, caminhos, percorrendo-os com a coragem de inovar, de retirar do âmago de cada jogador o que melhor possa produzir, criar e dividir as responsabilidades de jogar o grande jogo como deve ser jogado, recriando-o a cada intervenção, e não copiando ad perpetuam jogadas que todos conhecem desde sempre…

Coragem, preparo, estudo, determinação e comprometimento é o que nos falta para o passo à frente em nossa forma de atuar, de jogar o grande jogo…

Amém.

Fotos – Reprodução da Web e fotos próprias. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

“O ESTILO BRASILEIRO”…

P1100698-001P1100723-001DSCN3453-001DSCN3473-001DSCN3479-001DSCN3480-001Outra semana de muito basquete, aqui e lá fora, em playoffs muito disputados aqui, e não muito lá fora, vide as estilosas varridas na metrópole, onde um veteraníssimo plantel texano ainda dá as cartas, provando que juventude não é tudo na primazia do grande jogo, e que o equilíbrio entre as gerações deva ser o caminho a ser seguido, principalmente para o nosso ainda insipiente basquetebol…

Técnica e taticamente somos insipientes, vide uma formação de base altamente precária, uma compulsão doentia pelo sistema único, que não funciona e jamais funcionará sem o domínio dos fundamentos do jogo, mas que é copiado e exigido à exaustão por estrategistas que se projetam monocordicamente através suas midiáticas pranchetas, uma imprensa especializada que comete lamentáveis deslizes em suas preferências de conteúdo equivocado, e incentivador de graves erros técnicos, principalmente em jovens ouvintes, facilmente influenciáveis pelo apelo imediatista de “jogadas e ações consagradoras”, e o pior, incitando a burla a regras do jogo, como em dois recentes comentários, quando um jogador foi punido por conduzir a bola, ao imobilizá-la situando a mão impulsionadora por baixo da mesma no ato do drible, recebendo o seguinte comentário dos dois ex-jogadores que analisavam o jogo – “Poxa, se os juizes marcarem todas essas conduções não tem jogo, e era o que eu fazia todo tempo quando jogava (risos), não é fulano?” “Sem dúvida, beltrano, eu também (mais risos)”… Simplesmente lamentável…

Também ex juiz que comenta tática e tecnicamente os jogos insistindo na liberação da vantagem quando um jogador sofre falta em seu caminho para a cesta, indo de encontro às regras do jogo que coíbe esta ação, argumentando ser uma recomendação da FIBA, no intuito de não beneficiar o infrator, mas que ainda não se caracteriza como regra deliberada oficialmente (recomendação não é regra), e portanto deve ser obedecida…

Como também, no jogo entre Bauru e Franca, enaltecendo a enxurrada de arremessos de três – “Me desculpem os puristas, mas esse é o “verdadeiro estilo do basquete brasileiro” onde até um jogador argentino, o Mata, vindo de um basquete contido e cadenciado “se soltou” adotando essa forma de jogar”- Esqueceu, ou omitiu, entretanto, o fato de que a maioria dos estrangeiros que aqui aportam, de saida “compreendem” que se não o adotarem, frente a inexistentes contestações, poucas chances midiáticas terão…

Mas foi exatamente nesse jogo, que a tal equipe chutadora (com inacreditáveis 13/34 de três e 10/20 de dois) e repleta de “nomes”, convergente de longa data, perdeu um jogo em seus domínios para uma outra muito jovem e que se enfiou “lá dentro”, arremessando 19/41 de dois e 9/22 de três, vencendo exatamente pelos 2 em 2 (não esquecer que contabilizaram 27 pontos nos três contra 39 dos donos da casa…), e ainda perderam 7 lances livres…

Logo, trata-se de um “estilo” enganoso e perigoso, pois é perfeitamente anulado frente a defesas bem postadas fora do perímetro (um dia as teremos por aqui…), alem de frontalmente exposto a perdas importantes de rebotes ofensivos, pelo péssimo hábito que vem se estabelecendo por pivôs abrindo para as tentativas de fora, numa opção que equipes estrangeiras que enfrentaremos mais adiante nas grandes competições, não permitirão,contestando-os sem tréguas…

No jogo aqui no Rio, a recalcitrante equipe carioca nas bolinhas (21/33 de dois e 5/29 de três) perde para a paulista que equilibrou suas opções de cesta (25/42 de dois e 7/21 de três), jogando um pouco mais internamente (foram 16 pontos no garrafão contra 8), contestando mais efetivamente as bolas de fora, travando com mais eficiência as penetrações, provando que a preferência por bolas de três nem sempre ganham jogos, mas quase sempre propiciam bons e eficientes contra ataques se contestadas com competência e decisão. A equipe do Flamengo ainda se debate com indefinições do quem é quem dentro de quadra, que é um preocupante quadro num plantel cheio de nomes, nem sempre aptos a aceitar a reserva, pois não compreendem, ou passaram a não compreender, e consequentemente aceitar, um papel estratégico a qualquer equipe de alto nível, onde o poder de rotação define seu destino em uma longa e exigente competição de elite, mesmo que atuem por poucos minutos…

Finalmente, uma equipe, Mogi, que se apresenta bem equilibrada taticamente, arremessando 27/51 bolas de dois pontos, 6/20 de três e 12/16 de lances livres, perdendo para Macaé, também razoavelmente equilibrada com seus 21/34 de dois, 10/23 de três e 17/21 de lances livres, porém pegando mais rebotes (36/28) e convertendo 46 pontos no garrafão contra 40 de seu adversário, e que vê seu técnico conotar a derrota às atitudes “estupidas“ de seus armadores (que na realidade se viram batidos pelo americano Jamal em noite inspirada, ao contrario de seus habituais e centralizadores recitais),numa retórica de sempre culpar a equipe e os jogadores pelas derrotas, quando, ele próprio  comete erros táticos como o deste jogo, ao não preparar a equipe para o enfrentamento de um americano imprevisível tecnicamente , mas controlável taticamente. Em Macaé, veremos a quem vai culpar, ou não…

Porém, algo alvissareiro, a volta, ou melhor, a redescoberta de que temos bons pivôs, e que se não estão melhores deva-se ao “estilo brasileiro de jogar”, que os remeteu por duas décadas ao papel de recolhedores de bolas das artilharias de fora, sem o direito sequer de adquirir algumas técnicas individuais, como o drible, as fintas, os deslocamentos com posse de bola, enfim, a participação no jogo coletivo de suas equipes, travando-os servilmente dentro de um sistema obtuso e retrogrado, mantido pelo corporativismo vigente, mas que aos poucos vem se abrindo na marra, na marra do inadiável, na substituicão da estupidez pelo mérito. Acredito que evoluiremos, apesar de tudo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

OS INOMINADOS…

P1030919-002

Paulo, os playoffs do NBB se encerraram e você mocó, por que, resolveu ignorar?…Não, claro que não, mas, agora quem questiona sou eu, comentar uma mesmice perene e inamovível, mesmo cercada de emoções a mil, e recheada de erros de fundamentos que assustam para valer?…

             E mais, assistir incrédulo americanos meia boca “encerarem” a quadra, monopolizando a bola a seu bel prazer, sob a passividade defensiva fora e dentro do perímetro, numa permissividade inadmissível sob qualquer critério técnico que se escolha, mas que aufere vitórias e classificações improváveis, dignas de um basquetebol tatibitate, e que ainda engatinha à sombra de uma forma de jogar, que celeremente vem sendo substituída por algo ainda negado por aqui, arraigados que estamos ao sistema único, ao 1 x1, às bolas de três, à frouxidão  consensual defensiva, na contra mão da busca pela velocidade, habilidade e criatividade, que são a resultante de um enorme domínio dos fundamentos individuais e coletivos do jogo por todos os jogadores, e não um ou outro diferenciado, como os meia bocas mencionados, numa carreata liderada por estrategistas que se repetem ad nauseum em pranchetas midiáticas e absolutamente inexpressivas técnica e taticamente, num carrossel de repetições e lugares comuns, de coisíssimas nenhumas…

E o pior, assistirmos a dissolução de equipes derrotadas pela má gestão técnica, pela escolha de “nomes” valorizados por espertos agentes, esquecendo no limbo da história jogadores realmente importantes, veteranos ou não, para uma equipe, para um sistema de jogo coletivista, diferenciado, ao largo da mesmice implantada de forma absurda e profundamente burra por um corporativismo que visa a manutenção do que ai está, imexível e garantidor de um  mercado de trabalho tão, ou mais medíocre que suas anacrônicas capitanias hereditárias…

É duro saber de antemão o destino de bons e úteis jogadores que se matam numa Liga Ouro para classificar suas equipes, sabedores que sucedendo a classificação serão trocados por outros mais “ranqueados” para o NBB, segundo a “altamente qualificada” opinião de agentes, dirigentes e estrategistas de plantão, claro, todos afinados com a mesmice endêmica que defendem com o denodo de “donos do pedaço” que julgam ser…

Pena que nossa educação e conhecimento desportivo, do grande jogo em particular, seja tão canhestra, tão ignorante, fatores estes que poderiam ser decisivamente confrontados se ao menos uma equipe, bastaria uma somente, mesmo sem muita verba, sem muito apoio midiático, porém formada por jogadores de verdade, repito, veteranos ou não, competentes em seu labor, valentes e corajosos o suficiente para adotarem novas formas de jogar, de se comportar, de acreditar em algo inteligente e desafiador, reunidos em torno de um técnico que exigisse comprometimento nivelando a todos em torno dos movimentos básicos, como um barco onde remam numa mesma direção, com humildade de aprender, e o mais importante, reaprender e apreender ações e movimentos individuais e coletivos, para um pouco mais além, abraçarem um sistema de jogo proprietário, e não um decalque estúpido e retrogrado do que ai está implantado desde sempre…

Mais duro ainda é o fato de testemunharmos os comportamentos da grande maioria dos técnicos ao lado da quadra, nos pedidos de tempo, numa mistura de proposital teatralidade, ferocidade no trato com jogadores, ingerência desproporcional junto as arbitragens, ao não reconhecimento dos erros, sempre direcionados a equipe, aos juízes, nunca ao sistema que usam e abusam com seus chifres, polegares e canetas hidrográficas, todos pertencentes a elite do lugar comum em que nos encontramos, inclusive os brand news…

Mas como não há mal que sempre dure, quem sabe emergirá dessa densa penumbra, uma agremiação corajosa, sem medos de inovações, propensa a um passo além da mesmice vigente, que adote os fundamentos como base física e técnica no seu preparo, que resolva jogar muito além de um sistema único retrógrado e acomodado, que converse e discuta seus passos no dia a dia, onde os jogadores se respeitem ao trabalharem igualmente, numa permanente troca de valores e conhecimentos, quando descobrirão o portal de entrada na constituição de uma verdadeira equipe, que acerta e erra junto, paciente e madura, humilde e brilhante…

Paulo, você realmente acredita na possível existência de uma equipe assim? Claro que sim pois já dirigi por 49 dias uma desse naipe no NBB2, e que ainda poderia ser reunida, pelo menos alguns de seus componentes, afinal de contas as equipes midiáticas não querem, ou se interessam pelos jogadores que a compuseram, espalhados que estão pelo país, mas que se reunidos dariam um trabalho imenso para serem derrotados, e disso tenho a mais absoluta certeza, e sabe porque? Porque são muito bons, apesar de opiniões contrárias dos estrategistas de plantão…

Amém.

Foto – Do autor. Clique na mesma para ampliá-la.

 

EQUÍVOCOS PONTUAIS…

20150402_173042_0104_nene_e_magnano_gde-001img_5100P1100530-001P1100540-001

Difícil convivência com gelo e calor, mais antinflamatórios, indefinido tempo de repouso, dor, numa ciranda prostrante por conta de um ciático teimoso e persistente. Nos intervalos de trégua, um tempinho para o blog e o preparo para a palestra de quarta feira próxima no Seminário de Didática e Prática de Ensino de Educação Física na Universo em Niterói. à partir das 9:30 da manhã.

Voltando ao blog, mais uma já tradicional coletânea de equívocos por onde transita o nosso mal tratado basquetebol, que apesar de tudo ainda se estabelece como a terceira escolha nos ingressos para a Rio 20016, perdendo somente para o volei e o futebol, provando que se fosse um pouco mais organizado e dirigido colocaria as escolhas em seus devidos lugares, fato que a turma do COB, oriunda da primeira colocada, tudo fará (como tem feito) para que nada seja revertido no comando da CBB, garantindo sua “supremacia”, por conta da enxurrada de mal feitos técnicos e administrativos lá cometidos…

Seguindo, é duro de acompanhar o que está sendo feito com alguns jovens valores como o Caboclo, Bebê, George e Lucas, entre outros mais, anunciados como prospectos para a NBA, e que honestamente falando e analisando, ainda estão muitos anos luz daquela realidade, a não ser no ideário de alguns vivaldinos de olho no “ervanário” que aquela mega liga poderá representar de lucros, não importando muito se  resultados negativos advirão, afinal de contas, num país dessa dimensão, muitos outros prospectos não faltarão, e quem sabe, compensando com sobras os “investimentos” realizados, bastando que vingue ao menos um…

Em seu último discurso, o Bebê já investe no ganho de peso e massa muscular, para enfim abandonar seu sonho de ala pivô, para se transformar em mais um massudo pivô, como desejam seus conselheiros/investidores, na contra mão de grandes e já estabelecidos pivôs da grande liga, que “afinam” suas silhuetas a fim de se situarem tecnicamente aos novos parâmetros de velocidade e agilidade junto as tabelas…

Fico pensando em qual das quatro equipes finalistas da NCAA poderiam ser encaixados o Caboclo, o George e o Lucas, ou mesmo uma das 64 participantes do March Madness, com a técnica que ostentam nos fundamentos do jogo, e o como pode ser possível que se aventurassem na liga maior, para onde são canalizados os melhores universitários, treinando uma semana na maior academia de basquete da Florida, como? Creio que, a não ser por um por um muito bem planejado projeto de estabelecimento da NBA em nosso país, promovendo midiaticamente, promissores talentos tupiniquins na mesma, não consigo vislumbrar real capacitação técnica provendo-os para a elite do basquete mundial, pelo menos até agora…

E o que dizer de mais um périplo de nosso comandante da seleção, indo de encontro dos craques da NBA, e das ligas européias, como um mascate em busca de compradores de um projeto de jogo, quando o correto seria o caminho inverso, numa relação de comando absolutamente equivocada?…

Finalmente o NBB, sim, tenho visto todas as transmissões, que aliás ontem, no jogo entre Paulistano e São José pela web, com o atraso do narrador pelo trânsito paulista, tive a grata surpresa de ouvir uma verdadeira narração de um jogo de basquetebol, sem arroubos, “monstros” e que tais, mas uma exposição pausada, pensada e esclarecedora do comentarista Cadun que o substituiu, mostrando a parte tática com precisão e concisão, o desenrolar e desenvolvimento das jogadas, das defesas e das ações individuais, de forma brilhante, e não expondo os telespectadores a narrativas de futebol, como se os mesmos fossem cegos e absolutamente ignorantes do grande jogo, e mais, sem os dispensáveis louvores, titulações e o rasga seda caipira de sempre. Pena que foi somente um quarto de bem narrado e explicado basquetebol…

Quanto aos jogos, elogiar as bem sucedidas tentativas do jogo interior, mesmo no sistema único (que é o único que conhecem…), oportunizando melhores e bem vindas intervenções de nossos razoáveis  pivôs (que se mais acionados, sem dúvida melhorariam…), assim como a flagrante atenuação da hemorragia dos três pontos em praticamente todos os jogos desse playoff, mostrando a exequibilidade de vencer jogos de 2 em 2 e de 1 em 1, faltando somente a melhoria defensiva e leitura de jogo, a fim de diminuirem os muitos erros de fundamentos ainda cometidos, fator altamente negativo em uma divisão de elite…

O que faltou, e que vem faltando desde muito tempo? Sistemas diferenciados de jogo, para sairmos dessa mesmice endêmica que nos limita ao plano da mediocridade tática em que nos encontramos…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e Divulgação LNB, Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

A LIBERDADE CRIATIVA…

P1100502-001P1100507-001Ficou engraçado ouvir os diversos comentáristas televisivos discorrerem sobre as equipes no March Madness da NCAA, pois de uma forma geral contrariavam seus notórios posicionamentos técnicos e táticos, rigorosamente sedimentados no sistema único (o tal das posições de 1 a 5 e suas jogadas padronizadas…), frente a uma realidade que contrastava seriamente os mesmos dentro do campo de jogo, onde suas arraigadas convicções ruiam uma a uma, a tal ponto que, num determinado momento do jogo Kentucky e Winsconsin, um deles afirmou constrangido que esta equipe fazia um jogo com cinco abertos, quem sabe para a chutação de três (fixação do mesmo…), quando o entra e sai de jogadores e bola no perímetro interno era o que se via com uma clareza ímpar, numa forma de jogar jamais aceita, não só por ele, mas pelos demais especializados, adeptos desde sempre dos cincões, das bolinhas do 1 x 1, e das esterradas “monstro”…

Por mais que neguem, uma revolução está em andamento como jamais imaginaram, centrada em jogadores acima dos 2,12m capazes de conduzir, fintar e progredir com a bola em perfeito domínio, assim como se deslocarem em todos os sentidos, dentro e fora dos perímetros, ágeis, lépidos e combativos, mais pelo posicionamento do que pelo físico, e tudo e por tudo semelhantes aos armadores, cada vez mais criativos e autônomos (poderiam ser mais, não fosse a resistência controladora de ainda muitos técnicos presos a dogmas, e como aqui, a pranchetas midiáticas), que inexoravelmente irão de encontro a liberdade criativa, queiram ou não os “estrategistas”, daqui e de lá tembém, afinal, a proposta evolutiva do Coach K também encontra resistências, pois vultosos investimentos estão em jogo…

Por aqui teimamos na cópia canhestra de uma mesmice endêmica e cada vez mais hermética, fruto do corporativismo de um grupo que se apoderou do controle do grande jogo, blindado que se encontra a qualquer manifestação contraditória a seus princípios. marginalizando a qualquer um que tente estabelecer algo do novo, de “diferente”…

No entanto, podem tentar enterrar a verdade, matá-la nunca, e as provas ai estão escancaradas, ironicamente vindas da matriz  que incensam e idolatram colonizadamente, e tanto, que não se apercebem das profundas e radicais mudanças que lá eclodem com firmeza e sem volta…

Desde muito tempo preconizo esses novos tempos, pelo estudo, pesquisa, aplicação e desenvolvimento dessa “nova” forma de ver, sentir e jogar o grande jogo, e esse blog é a prova definitiva desse posicionamento, queiram, ou não reconhecer, todos aqueles que sempre negaram aceitá-lo, mas que já se preparam para recepcionar e patrociná-lo como de suas verves, afinal, está vindo do oráculo, única origem que aceitam e copiam desde sempre…

Bem, logo mais teremos a grande final entre Duke e Winsconsin, divisora, agora no âmbito colegial, entre a antiga e nova visão da modalidade que mais evolui dentre os desportos coletivos, e que por essa razão exige a máxima dedicação à formação de base, e permanente desenvolvimento de sistemas diferenciados de jogo na elite, onde a liberdade criativa seja desenvolvida e preservada desde sempre.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

A ENDEUSADA E MIDIÁTICA MESMICE…

P1000629-001

Um dia Nelson Rodrigues afirmou que “toda unanimidade é burra”, no que parece ser hoje a mais autêntica das verdades quando o tema é basquete brasileiro. Loas e unanimes ovações pipocam na mídia especializada situando o grande jogo como um produto em plena ascensão junto ao público, com competições cada ano mais acirradas e equilibradas, crescente vinda de estrangeiros dentro e fora das quadras, patrocínios mais fidelizados, retomando aos poucos o domínio continental, mesmo ainda muito carente naquele fator divisor de águas junto a realidade competitiva internacional, o fator técnico…

Sim o fator técnico é o nosso sempre exposto tendão, doloroso e incapacitante, na medida de nossa já estabelecida mesmice endêmica, implantada à sombra do sistema único calcado na NBA, e “enriquecida” com a aceitação de um reinado, o das “bolinhas”, que estabelece a convergência como padrão a ser copiado e seguido, inclusive, e de forma lastimável, pela formação de base em todo o país…

Hoje, lideres de nossa liga maior, vencem jogos atrás de jogos convergindo copiosamente, como ontem, quando Bauru derrotou Mogi (97 x 75) perpetrando 19/38 bolas de três e 14/24 de dois, com um dos seus pivôs, Hettsheimeir arremessando 6/14 lá de fora, e o ala armador Alex 7/10 da mesma distância, ante um sistema defensivo anacrônico e profundamente equivocado por parte de Mogi, pois mesmo enfrentando um sistema de jogo usado por todas as equipes da liga, inclusive ela mesma, com seus idênticos chifres, punhos, camisas, e correlatos, bastaria ter utilizado uma engenharia reversa do mesmo, na formulação antecipativa de um bom e eficiente modelo defensivo, no qual tentativas de bolas de três ao serem contestadas, opcionariam  defensáveis penetrações e bolas de dois pontos, equilibradas que seriam se a recíproca se baseasse também no princípio de que de 2 em 2 se vencem partidas, com mais segurança, eficiência e precisão, e não através de insanos duelos de bolinhas e mais bolinhas…

Mas o que se pode atestar com grande margem de segurança, é a generalizada aceitação, utilização e monocórdia presença de uma realidade, triste realidade, aceita por todos, jogadores, agentes, dirigentes analistas, jornalistas e, principalmente, os técnicos, todos estrategistas do caos existente e de muito difícil solução, a não ser que se adapte, pela incapacidade criativa de todos, algo diferenciado, ousado, corajoso, revolucionário, à imagem do proposto pelo Coach K após os sucessivos fracassos de seu país em mundiais e olimpíadas, hoje uma realidade que todos reconhecem pelos resultados alcançados em seus campeonatos nacionais e competições internacionais, onde um novo paradigma se faz presente, com uma proposta antagônica às rígidas posições de 1 a 5, marca indelével do sistema único, onde uma sempre presente dupla armação coordena as ações de três alas pivôs transitando permanentemente no perímetro interno em grande velocidade, agilidade e destreza nos fundamentos básicos, não esquecendo, inclusive, de algumas outras soluções encontradas, estudadas e aplicadas em outros países, inclusive o nosso, infelizmente aqui sufocada e varrida para baixo do tapete da história, pela descomunal força de um corporativismo insano e discriminatório, implantado desde algum tempo entre nós…

Enfim, ao patinarmos descontroladamente no bojo de uma sistematização anacrônica e tristemente limitadora, acrescida de uma “filosofia convergente”, onde bolinhas e enterradas se constituem no “ápice do basquete”, conforme a midiática opinião dos “entendidos de plantão”, em seu proposital, senão ignorante, desconhecimento do grande jogo, omitindo do mesmo os básicos fundamentos, como a estrutural condição de sua existência, coisificando-o ao nível de suas “convicções técnicas e táticas”, ausentes fatores estratégicos que explicam e justificam sua letal e estupida omissão…

Temo pelo futuro do basquetebol entre nós, que apesar de sua falseada grandeza midiática, não consegue, por mais que tente, esconder a falsidade maior, a de que aos poucos, porém irremediavelmente, involui naquele básico fator, o técnico, o fundamental, que o eternizou como o grande, grandíssimo jogo…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique na mesma para ampliá-la.