DO GIL (E QUE ASSINO EMBAIXO)…

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Do último artigo aqui publicado, retiro esse comentário do Gil Guadron para ser o artigo de hoje, e espero que, frente a atualidade e importância do mesmo, sirva de leitura no curso de nível III que a ENTB promove esta semana em São Paulo, pois reflete em toda sua extensão a problemática inserida no comportamento técnico tático de nossos técnicos de alto nível, e mesmo os candidatos a sê-los. Bom proveito…

 

  • Gil Guadron11.07.2014 (6 dias atrás)

  • Coach Geno Auriemma. Entrenador de UCONN campeon NCAA, y entrenador principal de la seleccion femenina USA , campeona mundial y oro Olimpico.

  • Gil Guadron , apuntes personales.

  • — Es usted el tipo de entrenador que enseña jugadas, o es usted el tipo de entrenador que enseña a su equipo a jugar basquetbol ?

  • Son dos cosas bien diferentes. A mi equipo le digo constentemente ” no estoy interesado en enseñarles nuevas jugadas . Estoy interesado en enseñarle a usted como jugar basquetbol “.

  • Piense en dos o tres equipos de sus liga . Cuando juega contra ellos , la extraordinaria defensa que aplican contra de su equipo no permite que sus sistema de ataque funcione .

  • Si se pregunta porque.. es porque su ataque es predecible !

  • Le aconsejo que si eso le sucede, es mejor que vaya pensando como hacer que sus jugadores juegen libremente, ajustandose , adaptandose a las circunsntancias del partido.

  • Algo en que pensar :

  • Cuando usted ve jugar a jovenes jugando en la cancha del barrio , observa la cantidad de puntos que anotan… hasta que ” alguien ” tristemente decide — enseñarles como deben de jugar —.

  • El ego de algunos entrenadores no permiten que los jugadores juegen como seres pensantes.

  • Tenemos en nuestra liga a un entrenador que si sus jugadoras no ejecutan diez pases antes de tirar… le da un ataque al Corazon . Otros que señalizan a sus jugadoras constentemente etc.

  • Me pregunto si verdaderamente se necesitan tal numero pases para ejecutar un buen tiro, o que que las jugadores no funcionan sin — el cerebro a la vera de la cancha para orientarlas .

  • Sera que desean que todos sepan que es un gran entrenador y puede hacer que sus jugadoras ejecutan las jugadas como si el fuera el director de la orquesta sinfonica ?.

  • En lo particular me opongo a ese libreto !!

  • Porque muchos jovenes son temerosos de jugar ? probablemente tiene que ver bastante con quien es el entrenador . pues si los jugadores no tienen temor de jugar, son los que tienen excentes entrenadores , quienes les dan la confianza de que simplemente juegen.

  • Los buenos entrenadores les dejan jugar , interrumpen al minimo para que — sientan el flujo del partido / o juego , que tomen decisions — , y despues les enseñan alguna cosa que los jugadores podrian ejecutar mejor.

  • Es importante que sus jugadores crean que puden intentar algo que su instinto les dice que es lo correcto y que frente a ello usted como entrenador no se enojara .

  • Creamelo si usted hace eso, cuando sus jugadores hayan jugado por usted por un par de años seran jugadores pensantes y muy dificil de jugar contra de ellos.

  • Me encanta jugar contra equipos que cada vez que ven algo diferente, tienen que chequiar primero con su entrenador antes de actuar.

  • En sus entrenos no tema si luce — un desorden organizado –, en donde solo usted sabe lo que esta pasando.

  • Los jugadores que toman la idea del juego libre, de actuar de acuerdo a las cirscunstancias son los jugadores que reaccionaran efectivamente cuando el partido esta complicado.

  • Es importante que usted cree, permita , produzca ese tipo de atmosfera en sus entrenos , pues produce jugadores analiticos, razonadores .

  • Acaso no le gusta jugar contra un equipo en donde el point guard dribla hasta el cabezal del area pintada … pasa la pelota a un ala, va a colocar una pantalla al lado alejado de la pelota… y usted, es decir su equipo no se lo permite !!

  • Le invito a que reflexione sobre lo anterior, y produzca jugadores pensantes…

Em Tempo – Creio que este artigo reflete bastante todo um posicionamento aqui descrito pedagógica e didaticamente desde que esse humilde blog foi criado 10 anos atrás, quando sempre contou com o apoio e magnifica colaboração do professor Gil Guadron desde Chicago, através artigos e comentários de grande valor.

Foto -Na foto, o Gil é o primeiro à esquerda, em Loyola, Chicago, com o técnico Jim Whitesell e um jovem treinador de El Salvador.(clique na foto para ampliá-la)

Amém.

 

A TRISTE REALIDADE…

 

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Conversando com meu filho pelo skype desde Dublin, ele me relata a manchete do Times local – “Alemães constroem escolas, hospitais e ainda fazem goals”-

Igualzinho ao que fazemos aqui, exceto os goals…
Tragédia, tsunami, fim dos tempos? Não, somente incúria, arrogância, impostura, corrupção, omissão, e acima de tudo, covardia e uso de um povo privado de educação, saúde, segurança e cultura, bens que se assegurados e desenvolvidos bloqueariam muito do que o faz sofrer em seu sacrificado dia a dia.
Numa competição esportiva de tal magnitude, não tivemos o básico, os jogadores, competentes técnicos, estratégia, sistemas de jogo, preparação e treinamento compatível ao seu patamar de grande vencedor de outras copas, mas sobraram os desperdícios, os desvios, os megálomanos projetos, a política rasteira, a mentira, a triste e dolorosa mentira…
Daqui a um pouco mais teremos uma Olimpíada, calcada no mesmo cenário, só que multiplicado por tantas modalidades que se defrontarão em nosso solo, financiadas por nossas parcas e suadas riquezas, desviadas de seus cidadãos para os bolsos de oportunistas e ladrões, onde o planejamento desportivo se perde e esvai pelos ralos da incompetência e criminosa apropriação de recursos negados aos seus jovens, em saúde, educação e cultura.
Sem dúvida faremos uma enorme e deslumbrante festa, para os outros, que aqui aportarão em busca das medalhas resultantes de suas políticas voltadas ao desporto como fator e vitrine de seu desenvolvimento, e não uma prova cabal de nossa ignorância e arraigada colonização, mantida por aqueles que nos vendem e aviltam desde sempre.
Também daqui a dois meses, compareceremos a um Mundial onde compramos uma vaga, eliminados que fomos vergonhosamente sem uma vitória sequer, dando continuidade a um projeto técnico que nos arrasou e humilhou de duas décadas para cá, sem vislumbre de que algo pudesse ou teria sido feito na formação de base, muito ao contrário, servindo-a de moeda de troca e compadrio político no preenchimento de currículos tão mais falsos e enganosos como todos aqueles que se locupletam com ela.
Duas classificações a mundiais foram recente e bisonhamente perdidas para os famigerados “detalhes”, figura mítica ligada ao fracasso que nos tem perseguido, fruto do corporativismo vigente entre aqueles que decidem técnica e taticamente o preparo de nossas seleções de base, e somente possível ante a inexistência de uma forte, presente e técnica associação de técnicos, de técnicos, e não provizionados profissionais de não sei o que, pois de basquetebol pouco ou nada sabem que extrapole de suas midiáticas e lamentáveis pranchetas…
Agora mesmo, o técnico para o sul americano menciona numa reportagem do Databasket de 5/7/14: “É muito bom ver que os movimentos das jogadas estão saíndo quase que naturalmente. É importante que os jogadores continuem lendo os diagramas com as jogadas para que elas sejam cada vez mais assimiladas. Gostei muito dos treinos e vamos continuar aprimorando na próxima semana”. Como vemos, “jogadas saindo quase naturalmente” tornam-se sinônimo de eficiência, mas que na realidade são de pleno conhecimento de todos os jogadores, selecionáveis ou não deste país, pertencentes a que divisão for, nos âmbitos municipais, estaduais e nacionais, e mais ainda, em ambos os sexos, já que presentes no sistema único conhecido e praticado por todas, onde chifres, punhos, camisas, ombro, pinquerrols, compõem um monocórdio repertório que se repete ad infinitum, mudando uma ou outra denominação para parecer diferente…
Tal afirmação vem provar o quanto de dependente terá de ficar a equipe aos cadarços manipuladores de fora para dentro da quadra, sistematicamente manobrados através o gestual teatralizado e as incursões pranchetadas, quando a mesma deveria se comportar responsavelmente pelo conhecimento e leitura do jogo, nos momentos em que as jogadas acontecem, e que nunca se repetem, como resultante de ações voltadas a criatividade e tomadas de decisão, tornando factível os sistemas adotados e baseados no pleno dominio dos fundamentos do jogo, sem os quais os mesmos e prancheta nenhuma neste mundo poderá exequibilizar.
Mas pera lá, fundamentos? Ora meu caro Paulo, o negócio é Academia, malhação, ou você está por fora?
Desculpem, mais sempre ‘me situo como técnico, professor, antiquado, bem sei…
Mas o impactante desta semana no mundo do grande jogo foi a declaração do técnico/presidente de uma equipe da LNB: “Nao conseguimos dinheiro para contratar um treinador. Sendo assim, o torcedor terá que aguentar o Rinaldo como técnico por mais uma temporada, no mínimo”…
No entanto sobrou dinheiro para três americanos, e quem sabe lanche e banho no hotel, em caso de uma derrota fora do esperado…
Finalmente, Uberlândia monta um time a imagem de seu supervisor, para depois contratar um técnico espanhol vindo do Paraguai para dirigí-lo, ou administrá-lo?
Amém.

AS PRIORIDADES…

 

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Uma seleção brasileira inicia sua preparação para o Sul Americano masculino, e a primeira imagem que temos da mesma é essa ai de cima, ou seja, puxando ferro, e põe ferro nisso pela quantidade de anilhas em um teste, agora imaginem quando for exercícios para valer…

O engraçado (ou trágico…) é que o jogador retratado foi o líder de rebotes do récem terminado NBB6, saltando mais do que qualquer um para conseguir a façanha, e agora, parece, que querem que o mesmo encoste seu umbigo no aro, algo risível e absolutamente impróprio em uma seleção dos melhores, ou quase isso…

Sou do tempo em que o inicio de um treinamento de seleções se baseava em técnica dos fundamentos individuais e coletivos, aprimorando-se fatores de ordem física em intervenções pontuais visando a manutenção da forma dos convocados, que claro, a obtinham em seus clubes, pois o tempo reduzido de treinamento não permitia perdas de tempo com algo que deveria ser obrigatório, mas que se transformou em uma “etapa” imposta por “métodos avançados” de preparação física através aqueles que aos poucos se situam como os verdadeiros (?) “fazedores” de atletas, quando na realidade precisaríamos de jogadores, simplesmente isso, jogadores…

Mas para tanto, torna-se imperioso que técnicos reassumam sua responsabilidade maior, a de liderar todo o processo formativo, dividido e parcialmente perdido para uma confraria de profissionais que vem impondo a inversão de prioridades técnicas e táticas por condicionamentos físicos, como base de uma equipe de competição, não só da elite, como na formação de base, situando-a como fator primordial da mesma…

Não por acaso o que assistimos nos dias de hoje, onde atletas disfarçam jogar basquete, correndo barbaramente, saltando no teto, impactando como rinocerontes, mas jogando muito pouco, pensando menos ainda, onde a presença da bola para alguns atrapalha mais do que ajuda, onde o conhecimento dos fundamentos é negligenciado, onde a leitura de jogo padece de cegueira coletiva, é que atestamos o quanto de equívocos tem punido o grande jogo entre nós, quando o físico antecede e supera a técnica e o bem jogar, sem falar na brutal carga e seus danosos esforços em articulações e tendões daqueles infelizes, que tem sido responsável pelo encurtamento na carreira de mujitos deles, vide a galopante safra de lesões em nossos  cada vez mais jovens e promissores talentos…

Mas as seleções continuarão a ser balões de ensaio e experimentos na pseudo arte de forjar atletas, roubando um tempo precioso da arte maior da pratica intensa dos fundamentos, em todas as suas nuances individuais  e coletivas, e na introdução de sistemas de jogo objetivos e realmente inovadores, na valida tentativa de fugir da mesmice endêmica que professamos desde sempre, quando da coercitiva implantação do sistema único em nossa forma de jogar.

Por tudo isso é que não conoto seriedade nessa forma de trabalhar, desacreditando sua real validade ante a força, aquela eficiente e desejada força, fruto dos duros exercícios dos fundamentos individuais e coletivos, única forma de validar e fazer acontecer os sistemas de jogo escolhidos para compor o arsenal de uma equipe, e sem os quais tornaremos repetitivos os pequenos desastres que nos tem assaltado, até o momento em que tornemos a priorizar as técnicas do grande jogo e os técnicos de verdade, aqueles que assumem sua liderança, e não se submetem aos caprichos dos “fazedores” de atletas. aliás, muito mal feitos e ao contrario do que afiançam,frágeis e quebradiços…

Amém

Foto – Divulgação CBB.

 

 

COLORADO SPRINGS…

 

 

“Como uma equipe pode sair de dois tempos técnicos seguidos e perder a bola numa reposição de fundo de quadra, não consigo entender”

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Esse o comentário do narrador da Fiba Americas após a perda de bola da seleção brasileira, faltando 6seg e estando dois pontos atrás no marcador, após o acumulo de dois tempos seguidos pedidos pelos técnicos em confronto, selando a terceiro derrota seguida na fase de classificação (72 x 69 para a Republica Dominicana), a perda de uma das quatro vagas ao Mundial sub19 de 2015, e destinando a seleção a disputa das classificações de 5o lugar em diante, como vem sendo de praxe…

A foto acima foi reproduzida do artigo Abandonados, publicado pelo Henrique Lima em seu blog O Jogo Não Para, retratando o primeiro dos dois tempos seguidos ao faltarem 19seg para o fim da partida, cujo relato vale a pena ser lido.

É mais do que certa e esperada a enxurrada de desculpas vindas da comissão técnica, dos supervisores, administradores, diretores, principalmente quanto a falta de tempo para um treinamento mais aprimorado, mais jogos preparatórios (claro que internacionais…), etc, etc. Mas, em absoluto tocarão no aspecto puramente formativo dos jovens jogadores, que mais do que nunca necessitavam aprender, praticar e fixar os fundamentos do jogo, desenvolverem-se através os drills, aprimorando os fundamentos coletivos de ataque e defesa, e serem apresentados a sistemas que ressaltassem suas habilidades, sua criatividade, sua noção coletivista e participativa, numa evolução ascendente a correta leitura do grande jogo, e não acorrentados e manietados a um sistema controlado de fora para dentro da quadra, e presos a delirantes rabiscos em pranchetas que nada dizem ou acrescentam técnica e taticamente, a não ser se prestarem a refletir quimeras e empulhações de seus proprietários, que simplesmente sumiriam na ausência das mesmas, já que destituidos do maior dos dons de um verdadeiro professor, técnico e líder, a credibilidade de suas ações pedagógicas, didáticas e emocionais, mas garantidos pelo apadrinhamento e pelo corporativismo a que pertencem desde sempre.

Creio que é chegada a hora de reconhecermos o fracasso dessa política protecionista e covarde para com o basquete brasileiro, entendendo-se de uma vez por todas que o mais importante não é o tempo estendido

 de treinamento o fator aprimorador de um grupo de jovens, e sim a qualidade do que lhes é passado e ensinado, por pessoal que realmente entenda e domine profundamente a arte do treinamento, lapidada por muitos anos de estudo, pesquisa, trabalho estafante e integral, aspectos que jamais cursos de nivel III com quatro dias de duração conseguirão preencher, sequer arranhar, pois a experiência válida é a vivída, sofrida, abnegada e evolutiva…

Se porventura a entidade máxima do basquete no país, e outras ligadas ao desporto em geral quiserem dar o salto que nos falta para alcançarmos competitividade para 2020 (2016 já é passado…), deveriam começar

reunindo em torno de uma grande mesa, em cada região desse imenso e injusto país, aqueles reais, competentes e lutadores especialistas na formação de base, para num imenso brain storming alcançarem e formularem objetivos factíveis dentro de nossa realidade econômica e social, para que no âmago das escolas, clubes, associações e federações brotasse uma nova realidade fundamentada em atividades abertas a todos os jovens, num processo natural de massificação, envolto em princípios e conceitos realistas, democráticos e liderados por cabeças pensantes e atuantes, com longos e longos anos de estrada, que balizariam os novos professores e técnicos em suas funções, e não o que assistimos nestes tristes tempos, quando estes lideram projetos inconsistentes e equivocados, protegidos pelo Q.I. do favorecimento político e mafioso.

Então, perante a tantos fracassos escorchantes e humilhantes, que não venham culpar os “detalhes”, pois muito mais culpados do que  aqueles que escolhem e indicam, o são os que aceitam inconsequente e intere

sseiramente, dirigir equipes nacionais sem o preparo necessário para fazê-lo, o que os tornam responsáveis pelos resultados, sem desculpas de qualquer espécie.

Mantenho meu posicionamento de muitas décadas, o de que sempre tivemos bons e maus dirigentes, mas que não formam e treinam jovens no grande jogo, mas que também tivemos bons e ótimos formadores e técnicos, hoje esquecidos e afastados por uma geração formada em escolas de educação física, onde o ensino desportivo representa 1/5 de currículo, e 4/5 voltados à formação de paramédicos de terceira categoria, ah, e personal trainings, numa inversão de valores e competências que nos tem levado ladeira abaixo aqui e lá fora, capitaneados por conselhos regionais e federal, braços garantidores da indústria do corpo que manipulam 25 bilhões anuais, e aos quais não interessa a educação física e os desportos na escola, onde uma clientela adolescente encontraria sua educação física e mental, privando-a da mesma, o que se torna impensável para holdings que já investem nas classes C e D da população através academias a 49 reais mensais.

O grande jogo necessita se reestruturar, buscando nos mais capazes as matrizes de seu soerguimento, evitando as aventuras vegonhosas e constrangedoras, como a que assistimos agora em Colorado Springs.

Amém.

 

SAINDO DO RECESSO…

 

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                                                                                                                                                                                                        Fazem 15 dias que nada posto nesse humilde blog, precisei de um tempo para repensar alguns aspectos de minha vida, próximo que me encontro dos 75 anos bem vividos, bem trabalhados, melhor ainda, dedicados ao magistério, à técnica desportiva, ao estudo permanente, à pesquisa, à divulgação democrática do grande jogo, emoldurado por uma amada e presente família, que respalda e sempre respaldou todo esse esforço de que muito me orgulho.

 

Mesmo assim, pensava em estender por mais algum tempo esse recesso, quando ontem cedo atendi um telefonema, que a princípio parecia ser engano, mas que se transformou numa enorme e prazerosa surpresa, pois quem do outro lado da linha tentava justificar um involuntário aperto de botão era o Macarrão, isso mesmo, o grande Sergio Macarrão, que se surpreendeu muito quando me identifiquei, travando daí para diante um diálogo de velhos amigos, conciso e verdadeiro. Foi o sinal de que o recesso terminara, pois a luta deve continuar, caminhar, indo de encontro a uma realidade teimosa em se revelar, sem medos e contradições, simplesmente acontecer, nada mais…

 

Então, vamos lá, começando com uma listagem do que vimos acontecer nesses 15 longos dias, a saber:

 

- Os 20 anos da grande conquista do Mundial Feminino na Australia.

 

- A seleção masculina para o

 Sul Americano.

 

- A seleção masculina sub-18 para a Copa América no Colorado.

 

- A grande conquista dos Spurs na NBA.

 

- O curso nível III da ENTB em São Paulo.

 

- A convocação da seleção masculina para o Mundial na Espanha.

 

- A formação das equipes para o NBB7.

 

Vinte anos se passaram desde a grande conquista da seleção feminina no Mundial da Austrália, história contada e recontada à exaustão, mas que deixou um “legado” (palavra bem em moda , aliás…) traído seguidamente por todos aqueles que se locupletaram com o sucesso de uma geração sacrificada e injustamente liderada por aqueles, que em tempo algum,  a formou ao longo de vinte anos de duro trabalho, mas que no justo momento de colher os frutos de tanta abnegação, os viram degustados por quem, após a grande vitória, não deu continuidade ao trabalho, abandonando-o e trocando-o por outros objetivos, deixando acontecer a realidade que hoje assombra o basquete feminino, inclusive com a saída de cena do clube mais vencedor na última década, Ourinhos. Sem dúvida alguma um legado absurdo e constrangedor…

 

Do lado masculino, uma seleção Ç é convocada para o Sul Americano, falseando, e muito, numa escolha, mais uma vez equivocada de valores, mas perfeitamente alinhada à,mesmice endêmica que nos assola no aspecto tático, quando qualquer outra composição de jogadores em nada a mudaria, pois aceita por todos como verdade imutável dentro de um panorama monocórdio em que nos encontramos desde muito tempo. Se trata de um conceito de atuar, jogar o grande jogo de uma forma formatada e padronizada por uma plêiade  de estrategistas apegados ao seu único cais, garantidor do mercado de trabalho, que deve ser mantido inter pares a todo custo, mesmo que tal atitude mantenha a modalidade perante o atraso em que se encontra, numa atitude imutável e autofágica. Logo, nada mudará ou se apresentará de inovativo, a não ser inéditas cores e logotipos impressos em caprichadas e midiáticas pranchetas, estrelas de um lamentável circo de horrores…

 

Que aliás, por mais uma vez se revelou na tarde de hoje em Colorado Springs, onde a seleção sub18 do Canadá esmagou nossa jovem seleção por implacáveis 42 pontos de diferença (101×59), com 52 pontos conseguidos dentro do garrafão, contra somente 18 de nossos indigitados meninos, que cometeram 23 erros de fundamentos e arremessaram 8/27 bolas de 3 e 10/30 de dois, numa demonstração cabal de má formação de base, em momento algum corrigida por pretenciosas comissões de três técnicos, incapazes de corrigir simples arremessos, quiça fundamentos gerais, mas altamente comprometidos e compromissados com um sistema único que professam arrogante e coercivamente, na trilha imposta por uma geração de técnicos (ou estrategistas…), consubstanciada por uma ENTB que se apressa em cursos nivel III, a fim de credenciar novos candidatos a preencher vagas na LNB e futuros NBB’s, quando deveriam centrar esforços por alguns anos nos niveis I e II, para que pudéssemos estabelecer novos parâmetros didático pedagógicos no ensino progressivo e inovador do grande jogo no país.

 

Tivemos também a grande vitória dos “vovôs” texanos do Spurs, repetindo aqueles outros “vovôs” dos Cavalliers, vencendo um duro torneio da NBA, apresentando um nível de jogo representado por uma intensa movimentação de todos os jogadores no ataque, e uma postura defensiva atuante, principalmente no perímetro externo, equilibrando suas forças ante um oponente mais atlético e duro, e com a presença do incensado LeBron, que nos momentos mais decisivos se viu mais vovô e desgastado que seus oponentes, deixando no ar o questionamento de seu companheiro Wade em uma das práticas da equipe veiculada pelo You Tube, quando provocava o grande jogador- Afinal James, qual a sua verdadeira idade?…

 

Então tivemos a convocação para o Mundial, onde um esperto e calejado técnico indica uma óbvia composição de jogadores, onde alguns deles não ostentam mais aquelas qualidades que os tornaram quase institucionais em nossas seleções, como que capitanias hereditárias, omitindo outros que pelo menos apresentaram melhor produtividade no recente NBB6, principalmente no jogo interno, como o Murilo, Cipolini e os mais afinados em suas silhuetas, como o Caio e o Prestes, nem mesmo presentes na convocação para o Sul Americano, e que submetidos a um bom treinamento poderiam afinar mais um pouco, podendo ser úteis a seleção, provando que a formula aplicada na classificação olímpica poderá ser reposta em contrafação ao desastre da Copa America de triste lembrança. No caso de ser mantida essa tendência, poderemos estar assistindo um inteligente álibi ser insinuado num possível fracasso na Espanha, tendo como personagens praticamente o mesmo grupo classificado no pré olímpico, tanto os presentes, como aqueles que por um motivo ou outro de “somenos importância”, não participarem da competição…

 

Finalmente, assistindo ao entra e sai de jogadores e técnicos nas equipes para o próximo NBB, vemos perplexos que a mesmice endêmica se solidifica a cada ano que passa, onde agentes e certos dirigentes se firmam como os verdadeiros artífices das equipes, comandando e estabelecendo parâmetros a ser seguidos pelos técnicos que continuam, e aqueles que serão contratados para administrar a obra de outrem, pois nada mudará taticamente, de 1 a 5, como sempre, facilitando os encaixes sem maiores problemas, já que “todo jogador de elite” sabe e conhece os caminhos que levam aos chifres, punhos, camisas, e, por que não, aos “pinquerrois” da vida…Quanto aos mais jovens, que tratem de se adaptar a essa cruel realidade, e sem muito, ou qualquer tempo para insignificâncias como acessar a ferramenta de trabalho de todo jogador que se preza, os fundamentos do jogo, e os drills para a formação de uma verdadeira equipe, mas isso é outra conversa…

 

Amém.

 

 

A ARTE DO TUMULTO II…

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O jogo estava ruim para o Paulistano, não jogavam com confiança, muito mal mesmo, conforme reconhecia seu técnico em um dos primeiros tempos pedidos, e que se continuasse daquela forma uma derrota seria inevitável…

Então, comecemos a tumultuar o jogo, reclamando, invadindo quadra, gesticulando até em cobrança de lateral, indo à mesa reinvidicar lá o que fosse, travando diálogos consentidos com uma “arbitragem pedagógica e antenada”, para desprazer e incredulidade de uma audiência que somente desejava assistir a um bom jogo de playoff, e não uma demonstração de desrespeito e imagem circense, vindas de um muito jovem técnico absolutamente crente de que seja esse o caminho a ser seguido em sua trajetória de gênio das quadras, o que não é com certeza…

Paralelamente ao descalabro comportamental de um lado, viu-se uma equipe, que dominava o jogo até o terceiro quarto, ceder um campo inimaginável a um adversário semi batido, mas não morto, embalado que se encontrava pelo alto grau de pressão sobre uma arbitragem permissiva e confusa, permitindo com sua omissão tática e técnica uma reação fulminante, onde até os tempos pedidos demonstravam o enorme fastio e distanciamento entre comandante e comandados, fatal num momento de decisão, onde o entrelaçamento e confiança devem se fazer presentes para um resultado final positivo.

Desfalques e contusões podem ser relacionados como causadores de derrotas, mas não com a dimensão de um quarto final acachapante e constrangedor.

Tem por obrigação, a comissão de arbitragem da LNB, reduzir as interferências de técnicos sobre juízes, sob a real ameaça de desqualificação dos mesmos perante a decisiva confiança que os cercam na condução isenta e técnica de um campeonato nacional, e para tanto basta a aplicação rigorosa das regras do grande jogo, sem papos pedagógicos e transmissões midiáticas.

Amém.

 

Em Tempo – Nesse jogo cometeu-se a barbaridade de 34 (17/17) erros de fundamentos, o que dá seriamente o que pensar em jogo da elite.


Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

A ARTE DO TUMULTO I…

 

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Sejamos breves, suscintos, ao relatarmos uma arte bem antiga, aquela que muda o foco de uma ação de perda iminente, tumultuando-a de tal forma que, possivelmente possa ser revertida, virando a roda da fortuna para uma improvável vitória…

Sou macaco velho nessa história, não como utente, mas presente na maior escola dessa arte, nas duas temporadas que trabalhei no Flamengo da era Togo Renan, mestre inconteste da mesma, e inclusive relatei algumas passagens a respeito aqui no blog. Logo, vejo com preocupação jovens técnicos enveredarem numa atividade “fio de navalha”, pois penderá seu corte a uma aleatória realidade, positiva ou negativa em sua trajetória profissional.

Numa partida duríssima, onde seu maior ícone, mestre nos longos arremessos, vem encontrando nos defensores mogianos uma contestação firme e eficiente, a ponto de ensaiar simulações de faltas em suas tentativas, projetando o corpo para os lados após os lançamentos, mas não encontrando nas arbitragens as respostas pretendidas, que foram três no jogo anterior e duas nesse em particular, viu-se a equipe carioca inferiorizada ofensivamente, disparando no comando a enxurrada de reclamações e acintoso gestual na direção de uma arbitragem insegura e permissiva quanto às mesmas.

Dessa forma, o jogo foi sendo levado sem maiores dilatações na contagem, até que, numa improvável situação, o pivô reserva Felicio, deixado solto fora do perímetro pelo seu defensor que “pagando para ver” permitiu ao mesmo dois arremessos de três que recolocaram a equipe carioca no jogo, para na jogada final, onde nada do que foi estabelecido (e nem poderia naquelas circunstâncias…) na prancheta ocorreu na verdade, e sim, e por mais uma vez, deixado livre por não acreditarem os defensores mogianos da possibilidade definidora do jovem pivô,”pagando para ver” por mais uma e derradeira oportunidade, perdendo um jogo que poderiam ter ganho, com certeza.

Duas coisas me preocupam, uma a da continuidade inputativa de técnicos tentarem reverter situações negativas de jogo, tumultuando-o proposital e conscientemente, numa vertente ascendente que põe em risco decisões em jogos importantes nas classificações finais de um campeonato, a outra, e que não seja uma continuidade do que estamos assistindo corriqueiramente, o posicionamento ambíguo de jovens pivôs em suas tentativas nos longos arremessos, pois das duas uma, ou os tornarão “especialistas” nos mesmos, sem que habilidades nas penetrações, nos dribles e nas fintas, que são fundamentos básicos aos alas pivôs sejam convenientemente ensinados, ou se manterão pivôs de força sem as habilidades  mencionadas, o que seria um enorme desperdício, numa geração de jovens altos, ágeis e velozes,  e que merecem atenções do mais alto nível, para transformá-los nos jogadores polivalentes de que tanto precisamos.

Amém.

Em Tempo – O Flamengo venceu a partida arremessando 13/30 bolas de três, 17/34 de dois e 7/9 lances livres, contra 11/26, 18/40 e 9/13, respectivamente por parte de Mogi, e ambas as equipes cometeram a incrível marca de 29 (16/13) erros de fundamentos.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

“NÃO TEM ESSA”…

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(…)Nesta quinta-feira, o Paulistano tentou 30 bolas de três e converteu apenas sete, em um aproveitamento inferior a 25%. O técnico Gustavo de Conti tem a solução para a próxima partida:

- Precisamos acertar mais cestas, não chutar menos. Nosso time é isso mesmo, estamos livres, precisamos chutar. Se a defesa deles deixar a gente chutar, a gente vai arremessar, não tem essa- justifica o treinador.

Na partida, o São José acertou 12 bolas de três pontos em 21 tentativas, em um aproveitamento muito superior ao do Paulistano.(…)

(Trecho da matéria “Eu assumo a culpa” publicada no Globoesporte.com em 16/5/2014).

Bem, esse é um relato surpreendente, ainda mais partindo de um técnico exigente em suas táticas, quase dogmático quanto à movimentação e deslocamentos de seus jogadores, dentro dos rígidos sistemas que emprega e demonstra, sofregadamente, em sua prancheta a cada tempo que usufrui no transcorrer de uma partida, somados à sua intensa e sufocante atitude ao lado da quadra onde se divide em cobrador agitado e impositivo de jogadores, e pressionador contumaz das arbitragens, comentando inclusive que “apitou contra minha equipe, reclamo mesmo”…

Na verdade, e num ponto pode ter razão, ao afirmar- “Se a defesa deles deixar a gente chutar, a gente vai arremessar, não tem essa”…

Mas “essa” o que? Críticas ao desperdício doentio de só arremessarem de três, inclusive em contra ataques, pois na maioria das vezes equipes apostam na baixa produtividade das bolinhas “pagando para ver” jogadores com técnica medíocre arriscarem um brilhareco midiático, em vez da aproximação mais eficiente, porém exigente nas técnicas fundamentais? Ora, ora jovem técnico, arremessos mais próximos, por apresentarem eficiência relevante, permitem que de 2 em 2 otimizem os esforços de todos a cada ataque realizado, já que as perdas são menores, vencendo partidas, e não os números desse jogo em particular, que apresentaram o seguinte resultado quanto aos longos arremessos: 7/30 (ou 21 pontos) para sua equipe, e 12/21 (ou 36 pontos) para São José, 15 a mais no placar, que se trocada a metade das perdas (10,5) por arremessos de 2 pontos, venceria um jogo que perdeu por 5, mesmo que seu adversário usufruísse da mesma condição, pois somariam somente 9 pontos a mais em seu resultado.

No fundo, no fundo, assumir a culpa taticamente não redime uma outra, a de se permitir morder iscas travestidas de “pagar para ver”, inclusive assumidas por seus próprios jogadores em muitas situações, pois as técnicas de empunhadura, precisão, equilíbrio e força, necessárias ao especialista dos três pontos, não são factíveis a qualquer jogador, que mesmo assim têm de ser contestados (o festejado “fator sorte”…), e sim para uns poucos, disputados a peso de ouro pelas maiores ligas do mundo, em cujas equipes seria inadmissível que, como a que dirige, 7 jogadores se julguem capacitados, assim como 6 de seu oponente, na difícil e seletiva arte dos longos arremessos, sem que sejam refreados em suas equivocadas escolhas, direcionando-os a melhores, tática e tecnicamente falando.

O “hoje elas não caíram” mas no próximo “cairão”, é bem o reflexo do basquetebol que estamos ensinando e divulgando no seio da formação de base, e cujos resultados e reflexos estamos colhendo nos embates internacionais, vide a derrota de nossa seleção masculina sub-18, ontem, para a equipe do clube Joventud Badalona, no International Junior Tournement Euroleague 2014, por 69×43, onde elas por certo, “não cairam”…

Quanto ao jogo em si, mais um festival das midiáticas, confusas e controversas pranchetas, onde a clareza cede espaço ao…Deixa pra lá…

Amém.

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A MEDONHA REALIDADE, MEUS DEUSES…

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Caramba, quis ver e apreciar o jogo, me interessar pelos sistemas, me deleitar com bem estruturadas jogadas, precisos e oportunos arremessos, defesas bem concatenadas e antenadas, mudanças táticas de jogo, enfim, assistir a algo impactante e revelador, porém…

Vi, e todos viram, uma dupla de americanos se constituir em uma equipe à parte, contabilizando 51,1% dos pontos, de fora e de dentro, definindo um jogo desigual perante um aglomerado de jogadores, onde oito deles arremessaram dos três pontos, que somados aos seis do Paulistano que também amassaram o aro de longa distância, perfizeram quatorze em vinte e quatro jogadores “especialistas” nas famigeradas bolinhas.

No jogo de ontem, entre o Flamengo e o Mogi, quinze de vinte e quatro jogadores também perpetraram longos arremessos, onde a somatória dos dois jogos atingiu a incrível marca de 29/48, ou 60,4% da totalidade de jogadores das quatro equipes arremessando dos três pontos, sem dúvida alguma um recorde mundial. Mas o irônico disso tudo foi o absurdo desse monumental desperdício, traduzido em 40/109 arremessos, 36.6% de aproveitamento, ou seja, para cada 10 tentativas somente 3 eram aproveitadas, fazendo com que 69 ataques resultassem em perda de tempo e esforços, bastando que somente a metade das perdas fosse revertida em tentativas de dois, para que o resultado das duas partidas sofresse uma substancial mudança, na contagem e até nos vencedores.

Como vemos, estamos desenvolvendo uma nova maneira de jogar o grande jogo, convergindo, lateralizando e contornando o perímetro externo, procurando espaços para as bolinhas, praticamente ignorando o interno, sendo tal tendência um produto direto da falência do ensino defensivo nas divisões de base, onde cada vez mais se firma a predominância dos longos arremessos, e naquelas poucas projeções internas, as enterradas midiáticas e definidoras qualitativas dos futuros jogadores, numa espiral evolutiva que desagua na divisão de elite, com jogadores defensivamente deficientes, porém pretensamente equipados com habilidades pontuadoras nas bolinhas e nas enterradas que “levantam as torcidas”…

Paralelamente a todo esse horror, vemos técnicos que querem porque querem participar de todos, absolutamente todos os movimentos táticos e técnicos de seus jogadores, através encenações ao lado, e até dentro da quadra,  tutelando a todos, inserindo-se em seus movimentos, sem exceções, como se o espetáculo lhe pertencesse, total e ditatorialmente, mas sem respostas quando alguns deles tomam as rédeas do jogo, e corajosamente o vencem, de uma forma impulsiva e muitas vezes caótica, livrando-se momentaneamente dos grilhões coercitivos e impostos.

E como numa festa, não poderia faltar a última moda da arbitragem pedagógica, que nada mais retrata do que uma exibição gratuita e dispensável  de autoritarismo, transmitida à cores e som estereofônico, em uma atividade que deveria privilegiar tão somente a sensatez e a correta aplicação das leis do jogo, nada mais.

Por tudo isso é que manifesto um sentimento de medo com o nosso futuro nas competições internacionais que se avizinham, principalmente 2016, onde corremos o serio perigo de testemunharmos um fracasso, sem precedentes, ocorrer numa competição do mais elevado nível em nossa própria casa, o que seria um desastre.

Amém.

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É DE DAR MEDO…

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Sim é de dar medo a trilha em que segue aceleradamente o nosso querido grande jogo (mais para ex por aqui…), com uma significativa e apavorante constatação, a de que, em média, mais da metade dos jogadores de qualquer equipe finalista (e por que não, todas as outras?…) se auto credenciam como “especialistas” nos longos, refinados e dificílimos arremessos de três pontos, e de uma forma aventureira e na maioria das vezes, irresponsável, mas que contam com a permissividade explícita de seus técnicos, incapazes que estão demonstrando a cada temporada que passa, em contê-los, ou mesmo direcioná-los ao jogo coletivo, e em última instância, simplesmente (?) treiná-los, ou mesmo ensiná-los a arremessar com técnica e precisão, fatores que talvez os direcionassem aos médios e curtos lançamentos, convencendo-os de que por serem mais precisos em muito otimizariam as custosas e exaustivas tentativas de ataque, apesar de termos de reconhecer que para aproximações às cestas, sistemas de jogo sofisticados e bem pensados, somados a um preparo definitivo nos fundamentos do jogo se fazem necessários, conotando nesse aspecto o fator colimador dessa refinada equação, o de que poucos conhecem, se aplicam, ou mesmo se interessam em conhecer tão dispensáveis detalhes, já que “estrategistas” (categoria agora agregada a supervisores que montam equipes para serem dirigidas(?) por concessivos e omissos técnicos de ocasião) se consideram, estando muito acima de detalhes afeitos e dirigidos à formação, pois somente o interessam o produto pronto e finalizado…

Então, fora a emoção galopante de jogos entre equipes, em sua maioria absoluta, que se equivalem por praticarem os mesmos sistemas de jogo, conotando evidentes e equilibrados confrontos, levando torcidas ao delírio, escamoteia-se uma dura realidade, a de que estamos a desenvolver uma cultura de jogo onde a atividade exterior, pela deficiente formação nos fundamentos de ataque e defesa desde as categorias menores, vem superando em muito o interior, incentivada por aqueles que nada entendem do grande jogo, mas popularizam e endeusam tal realidade, onde as bolinhas reinam absolutas, facilitadas pelo amargo consenso da não existência defensiva, como num acordo mutual entre as partes que se enfrentam, onde aquele que converter a última vence a partida, até o próximo embate, quando, quem sabe, cairão às pencas…

No jogo de ontem, sete jogadores do Flamengo e oito do Mogi arremessaram de três pontos, com algumas pérolas como  Washam (0/5) e Marcos (3/9) num total de 11/33, com 15/38 de dois pontos, contra 9/22 de três e 20/41 de dois de uma equipe paulista que nada conseguirá se não se ocupar em defender o perímetro externo com a mesma gana com que defende e deveria atacar o interno, no que duvido bastante, pois o trocar 3 por 2 se torna uma tarefa penosa para um basquete tão mal fundamentado que praticamos, onde culturas ofensivas e defensivas deveriam se revezar na medida em que forem técnica e taticamente desenvolvidas por professores e técnicos de verdade, e não estrategistas de prancheta…

Honestamente, não posso negar a grande carga emotiva que vem cercando muito dos confrontos do NBB6 e da Liga Ouro, fator que não faz com que me afaste da realidade de suas fraquezas e deficiências, principalmente pela cultura do jogo exterior, que está sendo insidiosamente implantada pelo reinado das bolinhas, que duvido enfaticamente, seja permitido quando de nossos encontros internacionais mais adiante, assim como possa vir a ser a estratégia desenvolvida rumo a 2016, privando nossos jovens de uma realidade, que não é absolutamente aquela que deveria ser ensinada e desenvolvida junto aos mesmos.

Quem sabe acordemos a tempo, no que, infeliz e desde sempre, duvido…

Amém.

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