VAMOS FALAR SÉRIO, MINHA GENTE (From Bolonha)…


    De carro percorremos, eu e os dois filhos, estradas vicinais daqui de Veneza ate Bolonha, melhor caminho para conhecer o interior rural e vinícola desta zona nortista italiana, com sua exuberância, mesmo em inicio invernal, porém de uma riqueza histórica e tradicional que choca aos olhos de tão bela e profunda. Parreirais a perder de vista contrastam com indústrias modernas numa coexistência dividindo um solo antigo porém renovado pela tecnologia de ponta. Sem dúvida alguma um belo passeio e melhor ainda, um aprendizado inesquecível…

    Chegando em Bolonha, uma rápida estada no hotel e partimos para conhecer um pouco desta bonita cidade, menos elétrica como as anteriores, porém suntuosa em suas igrejas, parques e ruínas pré históricas. Na volta, acesso a internet para saciar a curiosidade sobre o basquetebol brasileiro, me deparando com os resultados e números de duas partidas : Unifacisa 99 x 83 Mogi, e Franca 87 x 88 São Paulo. Checo os números, que mantendo a mesmice crônica que tem dominado o NBB, somente capitalizou minha curiosidade para quatro itens: – 33/68 nos arremessos de 2 e 29/66 para os 3, no primeiro jogo consultado, e 32/61 e 26/54, respectivamente, no segundo, números estes que bem explicam e expõem a dura realidade do grande jogo, retratada fielmente num numero final: – 65/129 de 2, 55/130 de 3 nos dois duelos, ou seja, uma convergência absoluta entre arremessos de 2 e 3 pontos, tendência essa que vai se avolumando a cada rodada, antevendo um futuro para lá de sombrio para esse triste e violentado basquetebol brasileiro…

    Tinha algumas e esperançosas dúvidas de que algo poderia melhorar, ser reconsiderado, ajustado, corrigido, mas não, piora a cada etapa, como uma virose letal de insensibilidade que se alastra como num rastilho de pólvora, num ““deixa pra lá, para ver como fica” atroz e descerebrado, até certo ponto, doentio. ‘É um absurdo cruel que técnicos (?), não, estrategistas, se permitam admitir convergências sem uma contrapartida a altura, como por exemplo, ensinar, treinar e aplicar defesas mais fortes e presentes nas contestações ao tiroteio descabido de equipes que enfrentam, até mesmo no comportamento da sua, pois tanto descalabro ofensivo somente se torna possível pela mais ausente presença defensiva, quando jogadores sequer desconfiam da existência de técnicas posicionais e blocantes contra dribles e, principalmente, arremessos, e uma das técnicas mais primárias ‘é a de se antepor frontalmente aos homens posicionados próximos à cesta, adiando passes incisivos com consequente volta para o perímetro externo, mantendo o homem da bola pressionado por todo tempo que a tenha sob domínio, assim como a técnica primária da flutuação lateralizada (detalhes ilustrados aquhttp://blog.paulomurilo.com/2007/05/09/sistemas-i-defesa-linha-da-bola/i), que difere da longitudinal em tudo e por tudo do que empregam solenemente como conquista definitiva de defesa. Que ponham em suas cabecinhas pranchetarias, que passes provocados em elipse são contestados automaticamente, pois um defensor se deslocando linearmente consegue chegar antes ou simultaneamente ao destino de qualquer passe dado daquela forma, mantendo-o no foco posicional e equilibrado ante o atacante destinatário do mesmo. Simples não? Mas exige treinamento, duro, persistente e detalhista, onde o “ deixa que resolvo” não pode ser admitido, e sim “ o sei como fazer”, antítese do que temos visto nas quadras, onde o arrivismo e o descompromisso vagueiam solene e regiamente, ocasionando o que aí está, uma permissividade consentida e adotada por ambos os contendores, os de dentro e, principalmente os de fora da arena de circo que criaram, gerando as tão sentidas convergências…

    Preocupam-me sobremaneira os duros enfrentamentos que teremos pela frente a nível mundial, onde defesas contestatórias ganham terreno a cada temporada, enquanto as nossas regridem numa progressão aritmética assustadora, para gáudio de narradores ensandecidos pelas bolinhas, pelas enterradas e pelos tocos monumentais, ignorando o verdadeiro sentido do jogo, que é defensivo/ofensivo na mesma medida, sem atalhos e perdas de tempo, acompanhados por alguns comentaristas a serviço de uma popularização do grande jogo (muito pequeno para eles…), baseada no “ espetáculo”, nos números de likes e assistência, enquanto os ginásios e arenas se mantém desérticos, ecoando seus berros e esgares ridículos, e não como deveria sê-lo, pela alta técnica individual e coletiva, e por sistemas de jogo que revelassem habilidades e não histrionismos oportunistas e interesseiros…

    Creio que é chegada a hora, quase tardia hora, de trabalharmos os fundamentos como devem ser trabalhados, os ofensivos e os defensivos, ferramenta básica de todo jogador que se preza, e de toda equipe que se propõe a ser grande na acepção do termo, e não essa mixórdia que estão apresentando como o “ NBB como vocês nunca viram”…

    Pelo menos eu e alguns verdadeiros desportistas já vimos basquetebol carradas de vezes muito melhor, o verdadeiro grande, grandíssimo jogo, aqui mesmo, em terra tupiniquim, com somente transmissão radiofônica, ginásios abarrotados em todas as categorias etárias, onde apreciávamos jogadores de verdade, técnicos da mais alta qualidade, e resultados internacionais irretocáveis. Porque perdemos o trem da historia? Respondam vocês, PHD’s do nada…

    Amém.

Fotos – Arquivo pessoal.

A ABSURDA AUSÊNCIA DOS FUNDAMENTOS BÁSICOS (From Veneza)…


    Veneza é uma cidade diferente, enigmática em sua clausura histórica, repleta de signos, piazzas, pontes e canais, alguns mal cheirosos, outros cortando-a como veias e artérias pulsantes de vida e tradições, cercada por um mar encapelado e varrido por um vento frio e cortante, num todo que atrai visitantes de todo o mundo em busca de algo inusitado e místico, de uma persona refletida em suas máscaras carnavalescas, primorosamente elaboradas,  senhoras de segredos e mistérios. Sem dúvida, uma cidade única em sua diversidade clássica…

    Foi no impacto deste cenário que pude, pela primeira vez nessa viagem, acessar um jogo do NBB pelo facebook, Ceará 67 x 71 MOGI, cujo impacto foi o reverso do sentido pela descoberta de Veneza, sem mistérios, enigmas, tradições, inovações, somente gerando uma única questão, numa simples e objetiva pergunta – Como pode uma equipe auferir qualquer possibilidade de vitória arremessando 9/43 bolas de 3 pontos e 14/28 de 2 (Mogi venceu com 16/65 e 31/72 respectivamente), numa atitude inverossímil e comprometedora para sua direção técnica, que permitiu  tal comportamento arrivista e destituído de qualquer princípio taticamente lógico, demonstrando uma brutal ausência do mais primário sentido de coletivismo, primando pelo individualismo radical e anárquico?…

    Somemos a tudo isso o expressivo e lamentável numero de 29 (11/18) erros de fundamentos, para termos uma nítida imagem de um jogo que gerou alguns comentários de um ex jogador, tais como: – “Se você ficar preocupado com os erros, você não joga”. – “ Você precisa tirar da cabeça a possibilidade de errar. No basquete se erra mais do que acerta”. Vindo de um ex jogador cuja especialidade era o arremesso de fora, numa frequência elevada de erros e acertos, e que em mais um de seus comentários, ao ver um dos americanos do Ceará concluir uma cesta chargeado fortemente, definiu ser aquela uma das grandes qualidades daqueles  jogadores, concluir pontos mesmo sob forte pressão, mantendo o nível de direcionamento da bola sob total controle, mesmo desequilibrado, aspecto esse que não mencionou, por desconhecimento de tal tecnicismo, ausente em toda sua carreira por jamais ter sido direcionado às técnicas para tal comportamento, pelos técnicos que o formaram e treinaram através os muitos anos de quadra, fator maior que explica a fragilidade dos nossos arremessadores quando contestados de verdade, forte e proximamente. No momento em que se tornar íntimo conhecedor dessas técnicas de empunhadura, para o controle do eixo diametral da bola, fator originário de sua rotação inversa em torno do mesmo, mantendo-o paralelo e equidistante dos bordos externos do aro após seu lançamento,  sejam quais forem os impactos corporais sofridos pelo arremessador em suas tentativas, na curta ou longas distâncias, poderá formular e emitir comentários que muito ajudarão na compreensão de certos erros técnicos, e quem sabe reconsiderar a sua assertiva de que “ Se você ficar preocupado com os erros, você não joga”, pois não se tratará de não errar, e sim saber com precisão porque errou, conhecimento este que diminuirá em muito a frequência dos mesmos…

Erros de fundamentos tem explicações óbvias quando considerarmos  seriamente o que venha a ser o controle exercido sobre o instrumento básico de trabalho de um jogador de basquetebol, a bola, com seu comportamento instável e errático, sujeita a desvios e rotações insuspeitadas, exigindo um treinamento direcionado a perfeição em seu domínio, no drible, no passe, na finta, nos arremessos, movimentos esses em perfeita harmonia com os deslocamentos do corpo imbuído de velocidades variáveis, equilíbrios e desequilíbrios controlados e controláveis, coordenação e absoluto domínio de dois centros de gravidade, do corpo e da bola, unidos e indivisíveis em seu todo, numa simbiose que quanto mais perto da perfeição estiverem, maior a definicao da habilidade real de qualquer jogador treinado e senhor de sua movimentação em quadra, a serviços pleno de sua equipe, através o conhecimento também pleno de suas potencialidades…

Quem sabe um dia treinaremos nossos jovens, e porque não, nossos adultos nessas técnicas, para enfim retornarmos ao cenário internacional do grande jogo, ao qual já pertencemos, exatamente porque os treinávamos nessas técnicas, hoje  esquecidas, minimizadas, trocadas por “sistemas avançados e modernos de jogo”, para gáudio e auto promoção de uma geração de estrategistas mais preocupados com suas pranchetas midiáticas e titulos, do que ensinar o grande jogo no que ele tem de real importância, mas que dá um trabalho danado de chato e demorados “ resultados”…

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal.

A TRANSIÇÃO DE CARTAS MARCADAS (From Firenze)…

(…) Entretanto tem um fator que chama a atenção nas seleções sub-21 e sub-17 masculina: a busca por treinadores que trabalham com o adulto. Essa mudança parece pequena, mas está sendo de uma importância para que esses garotos peguem o ritmo de treino e de trabalho tático da seleção adulta, facilitando assim a transição desses atletas no futuro.

Para o treinador Léo Figueiró, “são essas iniciativas e o esforço também que a CBB vem fazendo para cada vez mais melhorar as estruturas das seleções, que são importantes para que o Brasil volte a revelar jogadores”. (…)

Daqui dessa distante e bela Firenze, pesco esse trecho de uma matéria publicada no site da CBB em 9/12/19, que muito explica e pouco esclarece a verdadeira situação em que se encontra o basquetebol brasileiro no seu ponto mais nevrálgico, a formação de base, que, ao dar caninamente seguimento aos exemplos emanados pela elite da modalidade, usuária do sistema único de jogo, implantado a mais de duas décadas por um grupo de técnicos atrelados e comprometidos sistemicamente ao basketball americano praticado na NBA, com seu jogo altamente individualizado e duelista, onde o 1×1 prevalece por sobre o coletivismo somente aceito quando concluído de fora do perímetro, e onde os fundamentos do grande jogo se tornam a pedra angular de todas as ações ofensivas recorrentes do preparo superior de seus jogadores pela formação colegial e universitária, mil furos acima da nossa praticamente inexistente escola básica ( já a tivemos muitos anos atrás em grande quantidade, hoje restrita a poucos remanescentes daquela era de grandes formadores), tornando-nos altamente fragilizados pelo quase total desconhecimento dos fundamentos necessários para a consecução do sistema adotado, originando a preferência pelos longos arremessos, incentivado também pela quase completa ausência defensiva fora do perímetro, outra herança da péssima e quase inexistente formação de base no basquetebol tupiniquim…

Chegar e chutar, defender flácidamente, atacar atabalhoadamente e sem estratégia de jogo, num “vamo que vamo” institucionalizado e lastreado por jogadas de ocasião, geralmente desenhadas numa prancheta oportunista e midiática, compõem nossa realidade na elite, e que se espraia na formação como exemplo a ser seguido, e que agora se instalara nas seleções de base com o argumento de que “ esses garotos peguem o ritmo de treino e de trabalho tático da seleção adulta, facilitando assim a transição desses atletas no futuro”, daí a preferência de técnicos de equipes adultas para “prepará-los”, quando a etapa fulcral para todos eles seria a de “formá-los” para algo novo e criativo, a fim de que pudessem adquirir técnicas individuais e coletivas realmente inovadoras, proprietárias, incentivando os demais jovens a os seguirem, mudando de vez a mesmice crônica que nos esmaga e humilha, pois somente evoluiremos no momento em que implantarmos uma nova e totalmente diferenciada forma de jogar o grande jogo, pois se seguirmos na corrente do que “ todos fazem”, continuaremos inferiorizados ad perpetuam…

Técnicos de equipes adultas brasileiras estão, todos, comprometidos com o sistema único de jogo, que consideram o mais vantajoso e vencedor, esquecendo que os países que o adotam estão muito a frente na preparação de base, e que muitos deles já adotam outras soluções técnico táticas, principalmente os europeus, e ironicamente agora, os americanos também. Ao teimarmos na preparação vigente de base, espelhada pela realidade de nossa “elite” de estrategistas, estaremos contribuindo cada vez mais para um retrocesso que, certamente não terá volta, pelo menos a médio longo prazo, e facilmente testemunharemos os resultados nas futuras competições internacionais de peso real, de que participaremos em breve…

Seleções de base exigem professores e técnicos com longa experiência, na formação e na elite também, e que se sobressai pela real qualidade de seu trabalho, principalmente no trato e orientação de jovens, respeitando pelo conhecimento, seus ritmos evolutivos técnicos, mentais e sociais, fatores que geralmente divergem de jovem para jovem, diferenciando evolutivamente seus ritmos de amadurecimento e técnicas individuais…

Enfim, dificilmente técnicos de adultos, principalmente em nossa realidade técnico tática, estão aptos para a formação de base, pois, com muito poucas exceções, possuem longa experiência na função, principalmente se considerarmos a premente e urgente necessidade de mudarmos de verdade, radical e profundamnte a nossa forma de jogar o grande jogo, a nao ser que aceitemos de forma definitiva a posição de coadjuvantes permanentes no cenário do basquetebol mundial, numa posição antagônica a que exercemos no século 20, quando ocupamos a terceira posição no concerto mundial…

Mudar não e somente preciso, e fundamental, e somente mudaremos quando efetiva e decisivamente mudarmos nossa forma de jogar o grande jogo, o resto e conversa fiada de quem não quer nem deseja largar o osso num mercado restrito e corporativista como o nosso, infelizmente…

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal e reprodução da TV.

SURPRESA!!!(From Rome)…

`    Eis-me em Roma, conhecendo um pouco de seus encantos e cantos históricos, e são tantos, em suas ruínas imperiais, em sua modernidade contrastante, no povo apressado pilotando um mundaréu de motonetas e Smart’s minúsculos, em sua mesa farta, aromática e deliciosa, apreciada após longas caminhadas de encontro a museus inesquecíveis. Enfim, uma magnífica prévia do que apreciaremos em Florença, Veneza e Bolonha, num périplo continuado em Dublin, Lisboa e Madri, voltando ao Rio, com sua magnificência, pobreza, injustiça, minha adorada terra natal…

    Foi o presente que meus filhos me deram pelos 80 anos de trabalho duro, de intensa luta pela educação justa e de qualidade, pelos muitos anos de quadra junto ao grande jogo, num projeto de vida que me orgulha e jamais trai, no magistério, na técnica desportiva na paternidade integral e democrática…

    E dessa lonjura não abro mão de saber tudo que possível sobre o basquetebol nacional, pelos blogs, emails, e um ou outro jogo veiculado na grande rede, até agora impossível mesmo assinando o DAZN, ausente fora do Brasil. Talvez um próximo pelo facebook ou twitter, quem sabe. Tento as estatísticas na LNB, e logo no primeiro relatório de um jogo, Mogi 91 x 84 Minas, tenho a mais grata surpresa, e que surpresa, um jogo definidor de nosso adiantado estágio técnico tático, pois não é todo dia que uma partida tão importante apresenta números tão determinantes da era inovadora que se avizinha, ou mesmo, se estabelece como apanágio de um novo tempo, a da chutação oficializada, institucionalizada, para gáudio e realização do corporativismo enraizado no grande jogo desde muito tempo. Sim, surpresa das surpresas, vê-lo definitivamente esmagado pela mediocridade insana e absolutamente estúpida, descerebrada, criminosa, fatores que serão cobrados pesadamente quando enfrentarmos seleções de verdade nos grandes torneios mundiais e olímpicos, se la chegarmos…

    Ah, os números, desculpem o esquecimento (seria uma dádiva esquecê-los), constrangido os replico, desejando ardente e do fundo do coração não repetí-los alhures, claro, sabedor de que la estarão, dia após dia, por meses e, infelizmente, mais alguns anos, enquanto durarem os estoques de gente que definitivamente odeia o grande jogo, jamais o entenderá, nunca aprenderá sua significativa importância técnica, estratégica e cultural, pois são ignorantes funcionais forjados pelo apadrinhamento continuísta, pelo QI político, pela permanente negação do novo, do instigante e desafiador improviso produzido pelo pleno conhecimento da fundamentação do jogo, contraponto definitivo da mesmice crônica em que o lançaram da forma mais absurda e abjeta possível. Ah, os números minha gente, os números: 41/70 bolas de 2 pontos (20/36 para Mogi, 21/34 para Minas), 20/73 de 3 pontos (9/31 e 11/42 respectivamente, 33/38 lances livres (24/28 e 9/10), tudo somado a 19 erros de fundamentos (10 e 9)…

    O que temos? Isso ai bem esfregado na cara dos quem defendem, adoram e dizem amar o grande jogo, principalmente aqueles profissionais (?) que margeiam as quadras, com seus esgares, shows midiáticos, coercitivos, cúmplices de jogadores que não os levam a serio, e fazem o que bem entendem (principalmente os estrangeiros), de que estudam, pesquisam e planejam suas equipes, numa deslavada tapeação que tarda merecer um basta definitivo, um basta radical, Equipes que se defrontam, lançando mais de 60 bolas de 3 beiram o desastre indefensável, ofensivo, e principalmente defensivo, num duelo tolo e irresponsável, atentando aos que assistem tanta estupidez, e que aos poucos se afastam ante espetáculos ridículos e muito abaixo do sofrível, desqualificando e minimizando um grande, grandíssimo jogo, caindo nos braços da NBA, quando muito pelo feérico espetáculo…

    Temo seriamente pelos jovens que se iniciam, ate mesmo aqueles que vem ganhando sul americanos de um jogo só, quando muito, dois, a maioria se espelhando na turma de cima, nos Durant, Curry, Thompson, numa cultura de jogo equivocada e colonizada, fora de uma realidade que não é a nossa, em qualquer perspectiva que se tente comparar, numa entrega absurda e caótica. Os números estão a cada jogo, a cada temporada a disposição de todos, frios e objetivos, porém determinantes na busca do que realmente queremos e desejamos para nossas futuras gerações, reféns do desconhecimento técnico do que venha a ser os fundamentos do grande jogo, ferramenta básica para o desenvolvimento e consecução das técnicas e táticas exigidas para a sua correta e eficiente prática, e não essa pelada monstruosa, irresponsável e aventureira em que transformaram o basquetebol nacional, que daqui a muito pouco tempo terá em quadra em sua liga maior oito estrangeiros e dois brasileiros se defrontando para a glória tupiniquim, e bem provável, sendo narrado no mais puro slang do basketball hegemônico do norte, já que caminhamos céleres, sorridentes e agradecidos por essa dádiva concedida, claro, muito bem claro, em troca do comercio de muitos milhares de camisas e tênis personalizados de Lakers, Bulls, e todos os demais, é o que merecemos por nossa omissão e subserviência…

    Que os deuses nos ajudem.

    Amém.

Fotos – Arquivo pessoal (Paulo Murilo, Andre Luis e Joao David). Reprodução da TV.

LEMBRANDO O ÓBVIO…

PARA QUE NÃO ESQUEÇAM JAMAIS…

NOMES”…

terça-feira, 12 de junho de 2012 por Paulo MuriloEditar post6 Comentários

Depois de postar uma notinha de rodapé com a final do NBB, o jornalão publica hoje uma meia página de equivoco completo, pois, seguindo a tendência colonizada e subserviente de grande parte de nossa mídia esportiva (?), teima e força a opinião de que basquete seja um jogo individual, demonstrando sua mais absoluta ignorância sobre o grande jogo, pequeno para ela.

Mas lá para dentro da matéria, o Durant coloca as coisas nos devidos lugares, quando afirma: – “Todos estão falando sobre meu duelo com LeBron, mas é Thunder contra Heart(…) Não é um jogo de um contra o outro para vencer a série. Os times é que vão decidir tudo, e vai ser divertido”.

Como vemos, o jovem jogador tem um bom senso mais evoluído do que a turminha torcedora…e ignorante da realidade do grande jogo…

Sem dúvida alguma assistiremos logo mais o inicio da mais divulgada, incensada e cultuada série de peladas monumentais, protagonizadas por excelentes jogadores, as mesmas que em hipótese alguma serão emuladas pela equipe olímpica americana sob o comando do Coach K, isto porque, se assim  jogasse em Londres, não pegaria o caneco, pois jogar uma competição FIBA, com suas regras diferenciadas da NBA quanto aos embates e violações, complicaria sua participação frente a equipes mais afeitas às mesmas, além de se comportarem como equipes, e não como palco de solistas geniais.

Sei muito bem que esse enfoque levantará imensos e contrariados comentários, e mesmo aversões, mas mantenho esse ponto de vista, bem aproximado do grande professor, comentarista e brilhante jogador Wlamir Marques, quanto a essa inegável constatação, a de que há muito, a NBA desenvolve um jogo basicamente focado no individualismo exacerbado, como ponto de sustentação de apelo popular pela busca do estrelismo, da paixão pelos ídolos e materialização iconográfica.

Por conta dessa triste realidade, aqui pela terra tupiniquim, dirigentes e, às vezes, técnicos, que se reestruturam para o NBB5, correm aberta ou veladamente na busca dos “nomes”, dos melhores e mais ranqueados “1 a 5”, para comporem suas equipes, comparando-os posicionalmente, pareando-os, como personagens de futuros embates 1 x 1, sabedores que são de que a contratação de um bom número deles por sobre as demais equipes, provavelmente os tornarão “imbatíveis”, pelo menos em suas concepções megalomaníacas, condições estas que fazem a festa de agentes inteligentes e oportunistas, principalmente num mercado que tende a crescer junto à relativa estabilidade econômica do país.

Claro, que num país em que um sistema único de jogo prevalece de forma incontestável e esmagadora, o enfoque descrito acima se encaixa com precisão cirúrgica, já que dificilmente contestado por qualquer outro modo de se ver e jogar o grande jogo, e concretizado pelo estabelecimento da mesmice endêmica técnico tática, que se faz presente desde sempre entre nós.

Kevin Durant, singelamente põe os pingos nos is, lá, na terra do basquete, dos contratos milionários, da Xanadú que grande parte de nossa mídia e torcedores sonha em pertencer, o de como deve ser visto, sentido e jogado o basquetebol, e não aquele que professamos subservientes e colonizados da forma mais fantasiosa e irreal possível.

Enquanto isso, muitos, muitos mesmos, jogadores jovens e veteranos são esquecidos por não terem “nomes” midiáticos, mas prontos e aptos para alçarem novos sistemas de jogo que os redimam e projetem do limbo em que se encontram, pela ignorância e submissão a um sistema único, mantido por uma confraria, um corporativismo técnico tático que nos oprime, humilha e fere de morte. Aliás, ontem mesmo nossos hermanos, por mais uma vez, nos lembraram disso.

Que nossa seleção fuja um pouco, ou o suficiente, desses grilhões absurdos e ignorantes, arejando nosso jogo, nossa defesa, nosso espírito empreendedor e corajoso, como se comportou a geração do grande Wlamir, com seu coletivismo e pluralidade. Torço por isso.

Amém.

Foto – Reprodução do O Globo de 12/6/2012. Clique na mesma duas vezes para ampliá-la.

6 comentários

  • Alexandre
  • 14.06.2012
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  • Perfeito o Post Professor !!
  • Basquete Brasil
  • 15.06.2012
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  • Sim, prezado Alexandre, talvez perfeito, tristemente perfeito, mostrando uma realidade que gostaria jamais retratar. Trocaria tão pretensa perfeição por algo que representasse um basquete mais justo, mais ousado, mais equilibrado. Infelizmente, uma triste e idesejável perfeição.Um abraço, Paulo Murilo.
  • Douglas
  • 16.06.2012
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  • Olá, professor.
    Parece-me que esse é um defeito da mídia atual, não só no basquete, como em todos os esportes coletivos. Gosto muito de esportes em geral, principalmente os coletivos (até o Curling, que não há nenhuma tradição nacional, e até é desconhecido da maioria no Brasil, acho interessantíssimo). Sempre que vejo a mídia falar dos grandes confrontos, torna-se um 1×1. Por exemplo, no último jogo entre Argentina e Brasil, tornou-se um Messi x Neymar, e não só aqui no Brasil. As próprias patrocinadoras de ambos fizeram marketing dessa forma, em um Adidas x Nike. No volei, tanto masculino, quanto feminino, ocorreu o mesmo. Apenas não vi tal coisa acontecer nos noticiários da semifinal da Taça Libertadores da América, ficou um discrepante Neymar x Corinthians, já que o Corinthians não possui um destaque único, é muito elogiado, inclusive, pelo seu coletivismo.
    Enfim, não sei se isso ocorre por uma tentativa de resumo, já que é difícil analisar um esporte coletivo, dada as qualidades e defeitos que podem ser gerados pela “mistura” dos indivíduos participantes das equipes, então torna-se mais fácil eleger um de cada lado e analisar por esses tais maiorais. Ou por um apelo “marketeiro”, onde nomes únicos de cada lado são mais importantes que coletivos, e, principalmente, menos custosos, já que fazer um único ídolo e concentrar os esforços e dinheiro nele é mais fácil.
    Abraços!
  • Basquete Brasil
  • 16.06.2012
  • · Editar
  • Creio, prezado Douglas, que a verdadeira explicação desta tendência ao individualismo realçado, deva-se exclusivamente à mais absoluta ignorância do que venha a ser analisar o grande jogo. Simplesmente não o conhecem, e o pior, não se esforçam em estudá-lo. Reconheço que é complexo, mas não perdoo os absurdos que escrevem sobre ele.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  • Eduardo Mezzomo
  • 21.06.2012
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  • http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br/2012/06/19/coluna-extratime-abdul-jabbar-afirma-que-pouco-tempo-de-ncaa-afeta-qualidade-da-nba/
    No ótimo blog Bala na cesta, uma declaração deste extraordinário pivô que faz um correto diagnóstico da situação da NBA atual.
  • Basquete Brasil
  • 22.06.2012
  • · Editar
  • Obrigado pelo link, prezado Eduardo. Realmente, o grande Jabbar não perde a contemporaneidade do grande jogo, estando sempre na primeira linha do mesmo. Magnifico artigo.
    Um abraço, Paulo Murilo.

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80 ANOS…

“NBB, vocês nunca viram nada igual!!”, é o que ouço ao sintonizar o computador depois de longos dias de afastamento proposital (logo logo desliguei, pois era uma pelada descomunal), desde um dantesco jogo ao início da temporada, Paulistano e Pinheiros, quando ambos massacraram o jogo com 25/68 bolas de três pontos e 30/57 de dois, somados a 24 erros de fundamentos básicos, numa demonstração do que deveríamos aguardar dali para frente. Porém, um pouco mais adiante tentei um outro jogo, Paulistano e Mogi, sendo premiado com 30/71 de tirambaços de três e 34/61 de dois, coroados com 32 erros de fundamentos. Então, frente a tanto descalabro, resolvi dar um tempo do “vocês nunca viram nada igual”, para me debruçar sobre os escritos do tão prometido livro, e por alguns vídeos que guardo de jogos de verdade, do bom e excelente grande jogo, na tentativa de tentar compreender os porquês de tanta insanidade, e por que não dizer, burrice institucionalizada…

Tento buscar na mídia especializada alguma explicação ou posicionamento a hecatombe por que passa o grande jogo em terra tupiniquim. Engraçado, para a mídia todos os jogos são “jogaços”, enterradas e chutação de três demonstram nosso avanço técnico, todos ansiando por “prorrogas” sensacionais, fatores que segundo suas opiniões encantam os torcedores (cada vez mais escassos nas quadras, e porque lá irem se “todos”os jogos agora são vinculados pelas TVs e Internet, numa maciça avalanche de lamentável mediocridade ), levando-os a emoções incontidas, mas claro, sem uma palavra sensata e esclarecedora sobre as técnicas do jogo, as fundamentais e as táticas, pois decididamente não as conhecem, a tal ponto que moçoilas apresentadas ontem ao jogo desfilam opiniões abalizadas que levam ao riso, de tão vazias e desmioladas que são. No entanto, lá pelas tantas me deparo com uma entrevista do Fábio Balassiano com o CEO da LNB, o Sergio Dominici, talvez o único dirigente da liga com quem tive alguma proximidade, em duas ocasiões bem marcantes, a primeira durante o Congresso de técnicos após o NBB2 em Campinas, quando num dos intervalos das palestras tentou me aconselhar a me desfazer do blog Basquete Brasil, que naquele ano fazia 6 anos de intensa produção, por considerar que o mesmo era incompatível com a minha posição de técnico de uma das equipes participantes, o Saldanha da Gama, no que o fiz entender de que em hipótese alguma o faria, pois se tratava de uma publicação eminentemente técnica voltada aos jovens que se iniciavam na direção de equipes, principalmente na formação de base, o que ocorre até os dias de hoje, 15 anos após sua criação, e cujo nome ostenta hoje o logotipo da CBB. A segunda, no encerramento da primeira temporada da LDB, quando no ginásio do Tijuca me convidou a entregar o troféu de melhor técnico ao Paulo Chupeta do CR Flamengo, campeão daquele torneio. Duas situações díspares, que explicam um pouco um incoerente posicionamento da liga sobre meu trabalho, posteriormente brecado de forma definitiva e sem maiores pudores, ao qual alcei por mérito, e não Q.Is político esportivos. Quem sabe um entrevero que mantive com um parente bem próximo de um ministro do esporte na época olímpica, através artigos e comentários aqui nesse humilde blog (*), ministro este responsável pela liberação de grande verba para a consecução da LDB, poderia lançar alguma luz a cavernosa escuridão e afastamento a que fui castigado dali em diante na direção de qualquer equipe da liga, e disso tenho a mais absoluta certeza, mesmo sendo apontado por inúmeros blogs como o melhor técnico daquela temporada, dirigindo o Saldanha por apenas 11 jogos, quando inovei de verdade uma forma de jogar o grande jogo diametralmente oposta ao que praticavam de forma padronizada e formatada todas as demais equipes daquele NBB2 (e que continuam hoje a jogar em sua maioria da mesma pasteurizada maneira), forma aquela que tentam copiar a dez anos, sem o brilhantismo, correção e precisão daquela humilde equipe despojada de nomões, verbas e apoio de peso, e os vídeos aqui estão para provar (acessando o título Multimídia na listagem ao lado, sendo o primeiro veículo na grande rede a disponibilizar jogos integrais daquela competição, hoje universalizada)…

Voltando a entrevista, sem dúvida alguma temos de concordar que administrativa e gerencialmente a LNB evoluiu bastante, apesar da discutível associação com a NBA, que nada soma ao nosso basquetebol ( a não ser os largos interesses comerciais das grandes marcas que patrocinam a grande liga), pelas abissais diferenças sócio, político econômicas que nos divergem da potência hegemônica do norte, assim como o enxame de estrangeiros que preenchem as franquias, cada vez mais fracas técnica, tática e estrategicamente frente às nossas reais necessidades de um trabalho de base mais objetivo e abrangente, para a implantação de formas diferenciadas de jogar o grande jogo, o que provei na teoria e na prática 9 anos atrás com sobras, e não repositório de americanos de terceira categoria, e argentinos, alguns bons, que aqui estão pela depreciação de sua moeda frente a nossa (desfalcando as grandes equipes dos hermanos e fortalecendo as nossas com vantajosos resultados quando se defrontam), também enfraquecida frente ao poderoso dólar…

De que adiantam majoretes capengas, lançamentos de brindes, em arenas, como a depenada carioca 2, e outras minúsculas, com mais minúsculas ainda presença de torcedores, mesmo com a frequência gratuita, quando ainda alimentamos jogos com torcida única, ansiamos por equipes de camisa com seus torcedores brutalizados pela realidade futebolística, trazendo-a para os ginásios, para “apreciarem” um basquetebol da mais péssima qualidade técnico tática, porém “repletos de emoção”?…

Faltou na boa entrevista do competente CEO o depoimento que verdadeiramente interessa ao basquetebol nacional, a fundamental e decisiva guinada em sua forma de planejar, estudar, pesquisar, ensinar, preparar e treinar seus jogadores, da base a elite, através professores e técnicos bem formados, e não entregues a fisioterapeutas, fisiologistas, ex jogadores destituídos de qualquer formação didático pedagógica, formando atletas corredores, saltadores e trombadores que pouco ou nada dominam os fundamentos do jogo, ferramenta essencial para a consecução dos sistemas ofensivos e defensivos do jogo, na busca de uma identidade somente sua, proprietária, audaciosa, criativa, e acima de tudo inovadora para, frente a globalização a que está submetido e até certo ponto subjugado por uma padronização e formatação quase que absoluta, sair dessa mesmice crônica, doentia e cansativa, responsável pela ausência das quadras de todos aqueles que realmente amam. conhecem e entendem o grande jogo em sua essência e real importância, e não esse pastiche anacrônico, equivocado e pessimamente copiado do que ele apresenta de pior, principalmente lá de fora, e as futuras competições internacionais de peso mostrarão a dura realidade que nos esmaga. O basquetebol brasileiro necessita com urgência de muita técnica, de técnicos realmente competentes e profundamente preparados, principalmente na formação de base, e não prospectos fabricados e midiáticos…

Na semana passada fiz 80 anos, cercado pela família, grandes amigos de fora e dentro das quadras, numa festa inesquecível, e que lá pelo meio da mesma um ex atleta me perguntou o que mais desejaria ainda nesta vida, depois de tudo que conquistei com muito trabalho e estudo? Respondi sem pestanejar –  Recomeçar de onde covardemente me pararam, não permitindo que trabalhasse uma temporada com princípio, meio e fim, e as demais dali em diante, mas copiando mal e infantilmente o que propus (claro, sem qualquer menção autoral) demonstrei e provei durante 49 dias, após mais de 50 anos de quadra, sem saberem nem como começar, mas repletos de empáfia, arrogância e muito, muito papo furado em midiáticas, risíveis e ridículas pranchetas, que nada dizem, mas que muito importam em auto promoção, no enorme vazio que representam, e onde as poucas exceções comprovam o todo.  Gostaria imenso de me despedir enfrentando a todos, ganhando ou perdendo, mas desafiando-os desportivamente lá dentro onde as verdades verdadeiras acontecem, ganham vida e representam o cerne do grande jogo, que deveria ser jogado com a dignidade dos que inovam para irem além da mesmice abjeta em que se encontra…

Sei e reconheço a impossibilidade, pois não acredito que tenham coragem para fazê-lo, pois morrem de medo do que é novo, instigante, do que dá muito trabalho estudando, pesquisando, quando seguir a onda é mais confortável e seguro dentro do nicho em que se encastelaram desde sempre, e que se dane o basquetebol nacional. Tive de responder a pergunta com a honestidade que caracteriza de forma indelével o meu caráter.

Amém. 

15 ANOS ATRÁS…

Este foi um dos primeiros artigos publicados nesse humilde blog, 15 anos atrás. O que mudou de lá para cá? Pouco, quase nada, infelizmente…

Basquetebol brasileiro-Fracasso ou omissão?

Domingo, 12 de setembro de 2004 por Paulo Murilo–  2 Comentários

Por 44 anos venho lutando pelo basquetebol no Brasil, e gostaria de fazer desta página um fórum de discussão acerca dos diversos motivos que levaram essa modalidade ao retrocesso que constatamos, infelizmente, em nosso país. Para dar partida peço licença para, na forma de um pequeno artigo, expôr algumas constatações que ao longo dos anos testemunhei como técnico e professor de futuros técnicos. Em 1963, no Ginásio Gilberto Cardoso no Rio de Janeiro, a equipe masculina do Brasil sagrou-se bicampeã mundial em uma final com os Estados Unidos, resultado que muitos e atuais jogadores, técnicos, jornalistas e dirigentes teimam em minimizar a qualidade do basquete praticado na época.Na equipe americana seis dos jogadores se profissionalizaram na NBA, onde atuaram por mais de 6 anos, sendo que um deles, Willis Reed, faz parte do Hall da Fama como um dos cinco maiores centros de todos os tempos com suas atuações no New York Knicks. Na equipe brasileira atuavam maravilhosos jogadores com Amauri, Wlamir, Rosa Branca, Ubiratan, Menon, Jatir e muitos outros que fizeram do jogo um espetáculo inesquecível. Quatro deles arremessavam de distâncias equivalentes à linha dos três pontos atuais, Jatir, Vitor, Rosa Branca e Amauri, o fazendo com uma bola de 18 gomos costurados à mão, com uma esfericidade que nem de longe se comparavam às verdadeiras jóias tecnológicas das bolas atuais, corrugadas e com sulcos profundos onde os dedos encontram base e aderência para exercerem total domínio direcional nos arremessos. Tivessem na época tais bolas e uma linha de três pontos todas, afirmo, todas as vitórias da equipe brasileira teria ultrapassado os 100 pontos. Jogávamos com dois armadores, dois alas e um centro, num rodízio permanente de posições, compensando com velocidade e astúcia a inferioridade na altura, principalmente os centros.Jogava-se com a bola nas mãos, em pleno domínio da arte do drible, onde os passes faziam a ligação que antecedia o arremesso, e sempre com um mínimo de três jogadores participando dos rebotes. Por anos dominamos a arte do drible e dos rápidos corta-luzes, onde os armadores dominavam a maior das habilidades, criar espaços onde não existiam, progredir em direção à cesta, estabelecer a superioridade numérica sempre que possível, arremessar como opção, e não como prioridade. Os alas e o centro em permanente rodízio iam sempre de encontro ao passe e não esperando por ele estaticamente. Antecipando o movimento sempre conseguiam o melhor posicionamento ofensivo, obrigando os defensores a se movimentarem e por conseguinte desestabilizarem suas ações. Enfim, jogava-se com a bola sob domínio físico e não, como hoje, sob o domínio do absurdo passing game. No final dos anos setenta e início dos anos oitenta a NBA se encontrava numa fase de afirmação econômica. Era necessário levar público aos ginásios, era fundamental encontrar-se um sistema de jogo que privilegiasse o um contra um, em duelos dentro do jogo, se possivel entre gigantes, e melhor ainda se entre brancos e negros.Nascia o passing game, formula perfeita para gerar duelos individuais, e melhor ainda se respaldado pela proibição da defesa por zona e pela flutuação na defesa individual. Não se ia aos ginásios para ver Lakers versus New York, e sim Jabar versus Willis Reed. O gosto do torcedor americano pelo embate de gigantes no Boxe, no Football teria de ter sucedâneo no Basketball para que despertasse seu altamente lucrativo interesse. O passing game era a solução técnica, como os embates um contra um seria a solução financeira. A divulgação maciça pela mídia, principalmente a televisiva lançou ao mundo o modelo NBA, que com o sucesso alcançado motivou o governo americano a utilizá-lo como sutil propaganda de sua superioridade esportiva, cultural e política perante o mundo. Cometeram um erro porém, ao subestimar a importância das regras internacionais, ao subestimar a FIBA, estando hoje colhendo alguns fracassos pela inabilidade de seus jogadores quando submetidos às mesmas em mundiais e recentemente nas olimpíadas. Mas no caso do Brasil o estrago já tinha sido letal. Nos últimos 20 anos mudamos nossa forma de jogar e adotamos o modelo NBA, o modelo baseado no passing game. Nossos armadores empolgados pelo um contra um passaram de organizadores para finalizadores, esqueceram a arte do drible, assim como os alas simplesmente a aboliram. Da posição básica no ataque, com a bola de encontro ao peito, prontos para o drible, o passe ou o arremesso, retrocederam para a posição da bola acima da cabeça, simplesmente para a execução do passe, dando continuidade a verdadeira coreografia em que se transformou o jogo, ao passing game. O”basquetebol Internacional”, como muitos apregoam, realmente se estabeleceu pela maioria dos países, pois subserviência cultural não é prerrogativa do Brasil, no entanto, alguns deles não descuidaram do ensino dos movimentos básicos, e cito a Argentina, a antiga Iugoslávia, a Lituânia e a Rússia como exemplos. Conseguiram os mesmos manter um excelente nível no domínio dos fundamentos, principalmente o drible, e hoje colhem os resultados desta saudável atitude. Ao esquecermos nossa herança de duas vezes campeões do mundo e três vezes medalhistas olímpicos, mergulhando numa mediocridade técnica na tentativa de imitarmos um sistema planejado, estudado e executado para a manutenção do domínio do modelo NBA, esquecemos também que fundamentando o modelo americano sempre existiu a massificação de jogadores nas escolas e nas universidades, ao contrário da pobreza franciscana de nossa realidade. Transpor modelos estrangeiros fora de nossa realidade é a atitude mais estúpida que se possa tomar, mais é sem dúvida nenhuma a mais fácil de ser utilizada por um grupamento de pseudo técnicos que determinaram omitir nossa passada grandeza em nome de uma realidade absurda e irresponsável. Em 1971 sugeri e ajudei a fundar a primeira associação de técnicos de basquetebol do Brasil, a ANATEBA, onde exerci o cargo de secretário. Mais tarde, em 1976 também ajudei a fundar a BRASTEBA da qual fui o vice-presidente, e no Rio de Janeiro a ATBRJ que como as anteriores logo se desintegraram. Mais recentemente fundou-se em São Paulo a APROBAS, que encontra sérias dificuldades para expandir-se. O fator restritivo é, como foi no passado, o total desinteresse pela discussão dos problemas técnicos, culturais e até sociológicos que submetem nosso desporto aos interesses de um grupo que se apossou do comando do mesmo, um feudo, onde alguns empunham microfones para em transmissões esportivas criticarem e oferecerem soluções táticas e técnicas, visando empregos futuros nas equipes de ponta, numa flagrante falta de ética profissional, já que do outro lado não existem microfones para a defesa. Sofremos de um unilateralismo crônico, ontem no aspecto de sistema de jogo, hoje de divulgação de um modelo em que somente um dos lados exerce o domínio da informação. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, grandes e pequenos técnicos, perene falta de incentivos, pouca divulgação da modalidade, intercâmbio pouco desejável, mas alcançávamos resultados, discutíamos mais, e às vezes até brigávamos , procurando adaptar novas tecnologias e novos sistemas à nossa realidade, enfim, sabíamos administrar nossa pobreza. Hoje reina a omissão e prevalece a mesmice, a cópia a falta de imaginação e a ausência de criatividade. E a classe que no fim das contas é a que dita as normas de conduta técnica, de sistemas de jogo, de estratégias a serem seguidas, dentro e fora das quadras, é a classe que peca pela omissão, por que de todas as envolvidas no processo decisório é a que tem por obrigação deter o domínio e o conhecimento do jogo. Por isso considero serem os técnicos, que por seus conhecimentos, estudos e pesquisas deveriam comandar e estruturar as políticas referentes ao desenvolvimento do jogo, os grandes responsáveis pelo seu declínio, por negarem as tradições, os conceitos e a verdadeira índole de nossos jovens, ao trocarem esses valores por soluções estrangeiras sem as devidas adaptações por ser uma solução fácil e desprovida de responsabilidades. Podemos fugir deste modelo? Difícil, porém possível. daí a sugestão para o debate. Até o fim do ano publicarei meu livro, onde estenderei ao máximo esses pontos de vista, e aí sim poderei expor com todas as letras o que vivi, senti e experimentei nos últimos 40 anos de basquetebol.

Amém.

2 comentários

  • M Ponte
  • Yesterday
  • Excelente, Professor.
    Foi visível, real e tristemente, a incentivação deliberada ao jogo egoísta, por ditame midiático e publicitário, com deletérias consequências ao desporto e à sociedade, sem dizer uma irresponsável e mesmo abominável atropelação em massa prol uma sub-cultura (?) de segregação 
  • Basquete Brasil
  • Yesterday
  • E o pior, prezado Ponte, é que nada aprendemos até a data de hoje. Lamentável e constrangedor. Um abraço. Paulo Murilo.

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O ENTER – QUINZE ANOS DE BASQUETE BRASIL…

Quinze anos atrás, 11 de setembro de 2004, às 4hs da madrugada, hesitei em dar um Enter, iniciando a saga do Basquete Brasil. Não por receio de não ser compreendido, ou mal compreendido, haja vista meus sempre contestados posicionamentos e pontos de vista, mas pelo forçado afastamento das quadras, pelo distanciamento movido pelas decepções e pelas injustiças cometidas com o basquete pátrio, pelo avesso sentimento ao que de pior vinha se apossando do comando do grande jogo nesse imenso e pobre país. Pensei muito, e considerei ser profundamente injusto guardar só para mim o pouco que sei e  amealhei pelas andanças da vida, sempre estudando, pesquisando, e trabalhando muito, dentro e fora das quadras, nas salas de aula, do primário à universidade, nos clubes, nas seleções, aqui e lá fora.

A primeira matéria ali estava, na brilhante tela já a algum tempo, como me enfrentando, mais um dos incontáveis desafios que enfrentei por toda a vida, ganhando e perdendo, mas sempre aprendendo, sempre transferindo o saber, sempre buscando novos rumos, novos desafios.

Fui a cozinha e peguei uma xícara de café, voltei ao escritório, e lá estava a página incólume, brilhando, e uma imagem me desafiando com um sorriso no canto da boca, olhando bem dentro de meus próprios olhos.

Não vacilei, e com firmeza e determinação dei o ENTER, e graças aos deuses nunca me arrependi de tê-lo feito.

Amém.

FECHANDO AS CONTAS E PASSANDO A RÉGUA…

Terminou a AmeriCup em Porto Rico, com a previsível vitória dos Estados Unidos, secundado pelo Canadá, e com o Brasil completando o pódio, após decidir o bronze com Porto Rico…

Tudo dentro do mais do que esperado script, claro, para os que entendem de verdade o grande jogo. Contra Porto Rico, e sem as amarras da necessidade premente de classificação ao pré olímpico, a seleção se soltou praticando o basquete anárquico que vem jogando nos últimos vinte anos, ou seja, correria desenfreada, chutação de três (as bolas caíram desta vez…), briga feroz nas táboas, armação para inglês ver, mas com duas boas novidades, três pivôs, que apesar dos evidentes pélvicos sobrepesos (perdessem de 10 a 15 kg cada, e se sairiam muito melhor, principalmente na velocidade e na amplitude vertical nos rebotes), e um empenho defensivo guerreiro, apesar de muitas das jogadoras marcarem com os braços, quando os manuais mais primários dos fundamentos ensinam fazê-lo com as pernas nos deslocamentos laterais, aspecto perfeitamente contornável se orientadas e ensinadas como deve ser feito…

No aspecto tático, se a tendência for a de otimizar o jogo interno, com duas ou três pivôs, os comentários da Hortência lembram em muito boa hora, quanto a necessidade de melhores armadoras para o implemento de tal tendência, não só para que pontuem mais, e principalmente, para que saibam fazer jogar suas companheiras dentro do perímetro, em ações combinadas e coordenadas, abrindo espaços em áreas restritas, objetivando arremessos de curta e médias distâncias, mais eficientes e seguros, deixando os longos nas voltas de dentro para fora do perímetro, e sempre através as especialistas, e não qualquer uma que se arvore em “matadora” de ocasião…

Priorizando os fundamentos individuais e coletivos (sugiro que contratem quem realmente domine a arte de ensiná-los, pois nesse jogo foram 19 erros), aliviando kilogramas em excesso, buscando mais agilidade e destreza (vide as grandes e esguias alas pivôs americanas, assim como suas enxutas armadoras), obteremos a matéria prima para aí sim, empregarmos sistemas de jogo factíveis e realmente eficientes, que se afastem ao máximo da visão limítrofe imposta por pranchetas rabiscadas e vazias de um conteúdo que deveria ser exclusividade do treino, do intenso, detalhado, exaustivo e compreensível treino…

Equipe treinada, conscientizada do que pode realizar, idealizar, criar e improvisar, é produto único e exclusivo do treino, dispensando oportunistas pranchetas, instrumento discutível e midiático de quem faz a mais absoluta questão de impressionar leigos, dirigentes e comentaristas de ocasião, se projetando num proscênio de Folies Bergére, e que ao lado das escatalógicas pantomimas nas laterais da quadra, preenchem a figura mítica do “técnico atuante e vibrante”, quando deveriam observar de dentro para fora, se sua função se coaduna coerentemente ao treino planejado, estudado e desenvolvido por todos os componentes da equipe formada pelos que adentram o espaço do jogo, e não a turma aspone que fica de fora…

Tomadas tais e pontuais providências, teremos em uma ou duas gerações melhores armadoras e alas pivôs, todas esguias e rápidas, dominando os fundamentos, e todo um trabalho espelho para as jovens que se iniciam na prática do grande, grandíssimo jogo…

E para não esquecer jamais – Só improvisa quem sabe, quem domina seus instrumentos básicos de trabalho, o corpo e a volúvel, inquieta e desconcertante bola…

Em tempo – Ao final da LDB, nos quatro jogos decisivos, foram perpetrados 36,5 erros de fundamentos de média por jogo, fato que compromete um trabalho que é enaltecido aos ventos como o de salvação do basquetebol nacional. Realmente preocupante e comprometedor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A RAINHA…

Êita pessoal, sei que estou em falta nos comentários do jogo com os Estados Unidos, falta absoluta de tempo (as obras aqui em casa estão nos acabamentos), e para ser mais objetivo, ter de cair no lugar comum de um jogo desproporcional e de óbvio resultado. Assisti grande parte dele, e como afirmei, se torna doloroso repetir um discurso de décadas, mas que em hipótese alguma, em tempo nenhum, encontrou eco no seio do corporativismo técnico tático que se perpetua neste imenso, carente e injusto país…

Principalmente na preparação, treinamento e orientação de nossos jovens de encontro aos fundamentos básicos do grande jogo, solenemente ignorados e trocados pelos processos sistêmicos de um pessoal que ouviu um galo cantar, sem sequer desconfiar onde ele se encontra, e que por conta, chutam odes pranchetadas no mais sem vergonha do “se colar, colou”, tendo “colado” até o presente momento, aplaudido pela mídia altamente especializada, agentes e administradores, todos embarcados no sonho nababesco e hegemônico de uma liga bilionária, mas que foi incapaz de vencer o último mundial, para tristeza da colonizada claque, e na qual jamais terá cacife econômico e cultural para pertencer…

Por conta disso, primamos pela priorização do sistema único, sem destinar um cem avos de qualquer prazo de preparação minimamente séria voltada ao exclusivo treinamento dos fundamentos, cujo resultado, por mais uma vez, ficou patente neste jogo na Costa Rica. Se torna muito triste, constrangedor até, termos de ouvir os incessantes e teimosos pedidos de narradores e comentaristas pelas salvadoras bolas de 3 pontos, inclusive da incensada e bajulada rainha, que como jogadora foi de um fulgor acima da normalidade, merecedora com  toda justiça pertencer ao Hall of Fame, mas que muito ainda deve como analista do jogo, pois não se percebe nela o menor intuito de sugerir, quiçá ensinar os fantásticos DPJ’s e fintas magistrais com que se comportava e agia nas quadras, assim como sua intocável espacialidade nas velozes e imarcáveis penetrações contra fortíssimas defesas, pontuando ou assistindo genialmente. Sua peroração pelas bolinhas incomoda, pois simplifica uma atitude técnico tática de quem tem pleno conhecimento da carência fundamental de nossas jogadoras, mas sem ter longinquamente arranhada sua realeza tupiniquim, já que no plano internacional possui concorrentes a altura. Se trocasse os discursos motivacionais pelas minúcias técnicas de que foi exemplar junto as jovens jogadoras, sem dúvida alguma faria mais jús a sua realeza, do que se ver envolta por um séquito de adoradores de confesso e constrangedor puxa saquismo explícito…

O resultado não poderia ser outro, quando de um lado temos um grupo de jogadoras absolutamente donas de técnicas individuais e coletivas de jogo baseadas no conhecimento e total domínio dos fundamentos, e do outro, um grupo valente e corajoso, vagamente escudado num sistema anacrônico e equivocado de jogo, e que mesmo assim se situava muito distante das mínimas exigências técnicas que o exequibilizasse, exatamente por não contar com o conhecimento e domínio dos fundamentos, base fulcral para a prática consciente do grande jogo…

No jogo seguinte, contra o Canadá, repetiram-se os fatos acima mencionados, porém com uma novidade de prancheta, que deixou boquiabertos narrador e comentaristas, o fato do estrategista lançar em quadra um trio de pivôs acessorado por uma dupla armação, estratagema que bem poderia ter dado certo, não fossem dois fatores cruciais, começando pela inabilidade das armadoras que se revezavam na quadra, todas mais voltadas a pontuação de fora (foram 5/21 tentativas de 3, e 18/45 de 2 pontos), enquanto as canadenses lançaram 3/15 e 17/42 respectivamente, com ambas as equipes errando terrivelmente nos Lances Livres ( 7/17 e 23/32) e errando absurdos 37 fundamentos (20/17), e o outro e contumaz fator, o melhor embasamento fundamental canadense, que propiciou bolas decisivas através seu melhor conhecimento e domínio por parte das armadoras no quarto final da partida…

Quanto a tentativa do sistema 2-3 ofensivo que tanto defendo como uma válida opção de sistema ambivalente de jogo, pois funciona perfeitamente contra defesas individuais e zonais, mas que necessita de um trabalho muito detalhado na leitura correta e objetiva do jogo, exigindo treinamento, estudo e preparação de alta complexidade, visando ao final a compreensão do que venha a ser improvisação criativa e espontânea individual e grupal, que é o objetivo voltado a simplificação advinda do trabalho profundo e consciente pelo domínio dos fundamentos e consequente domínio maior de uma sistematização de jogo, numa inseparável dualidade voltada a qualidade e excelência na prática do grande, grandíssimo jogo. Logo, escalar e mandar a campo uma formação 2-3 ofensiva, significa muito pouco frente às exigências acima apontadas, sem quaisquer ponderações que se façam presentes…

Enfim, daqui a um pouco disputaremos o bronze com a equipe de Porto Rico, num jogo em que, por mais uma vez, nos veremos frente a uma equipe melhor nos fundamentos do que a nossa, porém com um diferencial, a superioridade nos rebotes, fator que se bem encaixado, poderá nos brindar com um pódio bastante oportuno. Torçamos pelo melhor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.