O CORONABASQUETE…

Em tempos bicudos de coronavirus, eis que o NBB dá uma pausa sem data para voltar, que para muitos prejudicará as franquias, todas super aquecidas na competição, na hora próxima dos playoffs, onde apregoam estarem as mesmas no ápice técnico e tático, quando os jogos apresentam o máximo de emoções, de alta e refinada técnica, com jogos que nada devem às maiores ligas, afinal, “é um NBB como você nunca viu”, onde os craques nativos e os importados elevam o jogo a seu patamar superior, colocando-o ao lado do internacional, ao qual nada devemos, segundo a mídia auto proclamada especializada…

Ledo e comprometedor engodo, pois em tempo algum de nossa história basquetebolistica estivemos tão mal técnica e taticamente, estrategicamente então, sem comentários. Jogamos um pastiche de jogo onde o individualismo esmaga toda e qualquer tentativa coletiva, imperando o 1 x 1 mal jogado, pois peca pela ausência dos fundamentos básicos definidores dessa forma de atuar, modelada e divulgada por uma NBA, para a qual toda e qualquer burla aos mesmos deve ser consentida , para dinamizar e acelerar jogadores cada vez mais descompromissados com a correta utilização das regras, como as cada vez mais difundidas conduções de bola nos dribles, passadas a mais nos arremessos, bloqueios faltosos e carregadas violentas, sem falar nos cada vez mais distantes arremessos, em confrontos individuais por toda a quadra, onde o sentido grupal vem sendo celeramente mandado às calendas gregas…

Tudo aceito, deificado e divulgado por jogadores, muitos técnicos e uma mídia cada vez mais empolgada pelo novo modelo de basquetebol, estratosférico para muitos, autofágico para uns poucos, que teimam em retorná-lo ao coletivismo de origem, que o tornou no grande jogo…

Tal cenário se tornou o campo fértil para a formulação de equipes clones uma das outras, com jogadores andarilhos e repetitivos, seja  a equipe que se destinam, fruto de agenciamentos padronizados, dirigentes cumpliciados com o esquema, e técnicos ansiosos e saltitantes por americanos, que mesmo meia boca, ainda são melhores nos fundamentos individuais do que os nossos tupiniquins, até os mais deificados e  endeusados, por uma mídia mais voltada ao “grandioso espetáculo”, do que o jogo em si, que aliás, nada entendem…

Assistir um jogo da liga, é assistir a todos eles, clones técnicos e táticos uns dos outros, com as mesmas jogados, uma ou outra débil tentativa defensiva, haja vista a exponencial escalada dos placares, fruto da desvairada artilharia de três pontos, na qual ninguém marca ninguém, numa competição bestificada de quem chega e chuta mais, e mais, e mais, descortinando a arena adorada do batalhão ianque, e de alguns platinos, onde a “meteção de bola” paira muito acima de qualquer hieróglifo rabiscado em pranchetas tidas e havidas como mágicas, geniais, estratégicas, quando, representam na realidade, nada mais do que uma vitrine voltada a plebe ignara, como testemunhas vitais de um trabalho magistral…

No entanto, magistral deveria ser o trabalho criativo, evolutivo e ousado do treino, que se bem feito e realizado, dispensaria a teatralidade de beira de quadra e o enfoque enganoso de uma prancheta, substituídos pela postura centrada na ajuda naqueles sutis e furtivos detalhes de um jogo para ser pensado, jamais coreografado. Porém, como todo trabalho realizado ao largo da visão popular, já que restrito ao grupo a que se destina, torna-se necessário visualizá-lo publicamente, gerando os espetáculos circenses em que estão transformando o nosso indigitado basquetebol…

Mesmice endêmica técnico tática, engessamento estratégico, e autofagia proposital nos arremessos, fazem parte hoje do absurdo cardápio do basquetebol nacional, tornando-o fértil campo para empregar jogadores de últimas opções para ligas americanas, européias e asiáticas, mas que encontram na LNB uma boa saída para suas aventuras globais, e com um precioso bônus, a cumplicidade de estrategistas, torcedores fervorosos de seus “gatilhos mortais”, “tocos monstruosos” e “enterradas indecentes”, levando a reboque nossos calejados veteranos e deslumbrados prospectos, todos num barco a deriva pelo abandono do esforço coletivo, onde o individualismo exacerbado atinge as raias do inconcebível…

Precisamos reencontrar o coletivismo perdido nesse tsunami imoral e suicida, que em tempo algum nos guiará a novos rumos vitoriosos, pois sempre estaremos alguns passos atrás tática e tecnicamente dos países que professam e veem um basquetebol habilidoso individual e coletivamente, e que destinam as defesas como prioridades no desenvolvimento binário do grande jogo, ou seja, a cada evolução tático ofensiva, é gerada outra de caráter defensivo, alternada e ciclicamente, elevando tecnicamente o grande jogo, e não mudando-o, como alguns deslumbrados contritos profetizam…

Enfim, a parada forçada pela ameaçadora virose, poderia vir a ser, com os devidos cuidados com a saúde, uma excelente oportunidade de introspecção e recriação de um basquetebol perdido para o culto estelar, voltando-o ao treino dos fundamentos individuais e os coletivos, tão ausentes nas franquias da liga, ao reaprendizado defensivo, isso mesmo, reaprender a defender, que é uma técnica elaborada e difícil, desencadeando com sua aplicação enérgica e sempre presente dentro e fora do perímetro, o sentido coletivista para vencê-la, nosso maior e mais poderoso óbice na prática do grande jogo, servindo de exemplo aos iniciantes, aos jovens de todas as faixas etárias. Será um tempo estendido, porém suficiente para mudanças que se fazem necessárias, como sistemas ambivalentes de ataque, que funcionem contra defesas individuais e zonais, indiferentemente, assim como ações equânimes dentro e fora do perímetro, e não essa hemorragia de arremessos irresponsáveis a que assistimos monocordicamente temporada após temporada, sem ser estancada deliberadamente, um crime hediondo contra o grande jogo, ou que foi grande um dia neste imenso, desigual e injusto país…

Amém.

Fotos – Reproduções da WEB.

O SUTIL GRANDE JOGO…

Ontem recebi um email com a seguinte mensagem – Paulo, boa noite. Você viu as estatísticas do jogo Facisa x Paulistano, com 28 de 80 bolas de três e 41 de 72 bolas de dois? Os times jogaram para 213 e 205 pontos. Ninguém marca ninguém.-

Confesso que daria um tempo as críticas que venho fazendo sistematicamente aqui nesse humilde blog sobre o carnaval ( é pouco, sim palhaçada…) em que estão transformando o grande jogo, mas a simples mensagem acima, a primeira recebida após tantos artigos publicados a respeito, me encorajou a dar continuidade na divulgação e decorrente luta contra a insana autofagia que o vem esmagando e humilhando seguidamente…

Isso mesmo, caro leitor, sob a batuta (não a prancheta) de uma horda de americanos inteligentes e razoavelmente habilidosos, que rapidamente se inteiraram da realidade de nossos geniais estrategistas, todos em busca dos famigerados “resultados”, não importando os meios para alcançá-los, desencadearam, seguidos de um ou outro “especialista” nacional e alguns bons jogadores platinos, a era do “chega e chuta”, institucionalizando-o pragmaticamente, onde o termo defesa fica de lado, aceito por todos, numa refrega descerebrada, mas repleta de “grandes emoções” sacudindo entranhas de torcedores, dirigentes, estrategistas ensandecidos de beira de quadra, e principalmente, uma mídia absolutamente ignorante do que venha a ser o grande jogo, onde as pouquíssimas exceções se perdem nas vãs tentativas de comentar e analisar um jogo totalmente diferente daquele que é transmitido aos berros, com menções e palavreado de duplo sentido, ufanismo descabido, palavrões, mascarando o que não enxergam, por não entender, a representatividade de um genial desporto, meca de decisões inteligentes e criativas desde sempre (fatores que passam muito ao largo das prosaicas, ridículas e midiáticas pranchetas), onde a improvisação consciente atinge o incompreensível para todos eles, ou quase todos, vamos ser justos…

O resultado de tanto obscurantismo temos visto e testemunhado na grande maioria de nossos resultados internacionais, em todos os segmentos, masculinos e femininos, quando nos deparamos de frente com equipes nacionais que professam um outro tipo de grande jogo, aquele fundamentado numa base sólida e responsável, nutrindo equipes em permanente evolução, a luz dos verdadeiros preceitos do esporte, da educação, da cultura enfim, e não esse pastiche bolorento que nos impingem ano após ano, décadas de liderança de um corporativismo sem vergonha e criminoso…

No jogo em questão atingimos a marca de 28/80 bolas de 3, e 41/72 de 2 pontos, e mais cedo do que pensamos atingiremos as 100 bolinhas mágicas e salvadoras de 3 pontos, aquelas incensadas e suplicadas por comentaristas e narradores a serviço de uma hecatombe que nos lançará no Guinness da incúria e da estupidez, é só aguardar mais um pouco, um pouco, um pouco…

Um dia antes pensei em assistir um jogo do Bauru, pois me aguça a idéia de ver uma equipe sair um pouco da mesmice endêmica que nos assola, mas qual nada, tive de retroceder, pois dividindo a tela com os jogadores, um cara de boné bradava aos céus uma narração escalafobética, ininteligível, e o pior, sem um botão ou comando em que eu pudesse me desfazer da insigne intromissão televisiva, me obrigando a seguir a sugestão de um twitter na coluna do lado que dizia – Se não está gostando, mude de canal”-, que foi o que fiz contristado por não poder assistir um pouco das novas idéias sistêmicas da equipe paulista…

Finalmente, consegui assistir o jogo do Flamengo na Argentina contra o Córdoba, quando a equipe carioca começa a ensaiar um modo de atuar, contando com a já costumeira dupla armação, agregando uma movimentação interna mais atuante de seus alas pivôs nas curtas distâncias, onde o pivô Vargas destôa por sua baixa velocidade ofensiva, porém com boa presença defensiva, principalmente nos rebotes, travando bastante, quando em quadra,  a proposta de livre trânsito no perímetro interno platino por parte de uma equipe que aos poucos, descobre que o jogo de proximidade de seus bons e ágeis homens altos bem dentro das defesas adversárias, em muito evoluirá, na medida em que muitas de suas longas bolas de três deem preferência ao jogo interno, mais preciso e eficiente, pois de 2 em 2 também se vence jogos com placares dilatados, pela otimização lógica das muitas bolas falhadas na festança de uma artilharia estatísticamente inferior, em todos os sentidos (foram perdidas 21 tentativas de 2 pontos e 23 de 3, de um total de 13/34 e 9/32 respectivamente, assim como os argentinos obtiveram 18/39 e 3/26), bastando que seguissem as continhas primárias de substituírem metade das bolas de 3 falhadas, no caso 11, por tentativas de 2, onde estavam absolutos, para vencerem com muita folga aquele, e quem sabe, futuros jogos, numa evolução técnico tática de relevante bom senso, exemplificando para as futuras gerações de jovens uma atitude diametralmente oposta a que se instalou em nossa forma de atuar, tornando-a medíocre e  previsível, logo facilmente contestada e defensável, para gáudio de nossos adversários na esfera internacional, muito mais evoluídos nos fundamentos básicos individuais e coletivos, onde a defesa é aspecto prioritário em sua forma de jogar…

Equipe juvenil do CR Flamengo – 1965

Quem sabe me anime continuar a assistir o “NBB que você nunca viu”, com todos os jogos veiculados pela TV e Internet, morto de saudades de um tempo em que percorria quadras e ginásios para, ao vivo, sem narradores e comentaristas como a maioria que aí está, testemunhar jogos de alta qualidade, aquela que nos brindou com três títulos mundiais e quatro medalhas olímpicas, também colaborando humildemente no preparo de grandes jogadores, de maravilhosos cidadãos, ensinando, preparando e treinando-os nas duras competições, nos jogos e na vida, através o grande, grandíssimo jogo, com seriedade e sacrifício, jamais com palhaçadas, de quem, no fundo, bem lá no fundo, o odeia por não ter acesso a sua sutil e magnífica grandeza…

Amém. 

Fotos – Reproduções da TV. Desculpem a qualidade, meu editor de imagens apresentou falhas, que serão corrigidas.

MITIFICAR, MISTIFICANDO II…

E não deu outra de novo, cópia xerox da primeira partida, na repetição monocórdia de erros contabilizados de fundamentos (29/30), e outros relevados pela arbitragem, vide as constantes “carregadas” de bola do Yago nas mudanças de direção ao driblar excessivamente, no estilo “enceradeira”, seguido pelo George, e o Parodi do lado de lá, infração que é punida lá fora regularmente, mas não aqui, em prol da extrema habilidade de nossos armadores, não tão hábeis assim, pelo menos frente às regras do grande jogo…

Na artilharia insana promovida por ambas as equipes (25/70 na primeira partida, 26/71 na segunda nos 3 pontos, assim como 27/48 e 28/57 respectivamente nos 2 pontos), convergindo escandalosamente, sem freios ou limites, e claro, sem contestações de nenhuma ordem, onde a 48 segundos do final do último quarto, vencendo o jogo por 1 ponto (68 x 67), com ainda 8 segundos de posse, uma bolinha errada de 3 foi perpetrada por um dos nossos qualificados especialistas, para um pouco à frente, faltando 8 segundos estando empatados (68 x 68), outro dispara mais uma, errando também, com 3 segundos ainda por jogar, levando o jogo para a prorrogação, quando em ambas as situações, o correto, o obrigatório, seria a tentativa pelos 2 pontos, penetrando fundo, quando a possibilidade factível de uma falta pessoal teria de ser considerada, possibilitando a vitória no tempo normal (vide as duas fotos acima). Mas não, nossos abençoados reis do gatilho, acobertados pela direção técnico tática que permite, incentiva e corrobora com tais escolhas, como se o grande jogo fosse, ou estivesse sob o signo imutável da precisão cósmica de suas perfeitas (?) empunhaduras, lançam a pera, como definem a insânia (foram 26/77 nos dois jogos), que, a cada dia se desnuda, como uma absurda e irresponsável maneira de coisificar e arruinar a mais bela e coerente modalidade dos desportos coletivos, individualizando-o egoísta, e egolatricamente…

Neste jogo, a equipe brasileira tornou a arremessar mais bolas de 3 do que 2 pontos (13/36 e 16/29, mais 12/15 nos lances livres), e a uruguaia idem (13/35 e 12/28, mais 13/22), sendo que dessa vez pegou um rebote a mais que a brasileira (38/37) quando na primeira partida levou um capote de 45/25, não vencendo a partida pelas falhas seguidas de seu bom, porém cansado e desgastado pivô Batista que cometeu 8 erros de fundamentos dos 16 de sua equipe…

Nossos armadores, aqueles que deveriam alimentar com suas habilidades intrínsecas os alas pivôs atuando dentro do perímetro interno, vem forçando a especialização na chutação de fora (1/13 e 6/21 nos dois jogos), por dois motivos. um pela formação aberta (o “espaçamento” milagroso, artimanha daqueles que não dominam os fundamentos de drible ambidestro e as fintas) da equipe a cada ataque, outra, decorrente, pois os homens altos vem para fora do perímetro, ou para ensaiarem frágeis bloqueios (simplesmente não diferem os interiores dos exteriores, vide as duas fotos acima, provocando faltas de ataque ao se movimentarem equivocadamente pelo desconhecimento em si), ou mesmo para eles mesmos tentarem as tão sacrossantas bolinhas, fruto de ausência contestatória, mitificadas e endeusadas pela mídia tonitruante e cúmplice do festim, mas claro, em nome das emoções desencadeadoras do “você nunca viu nada igual”…

Então resta a tremenda dúvida, um doloroso impasse caindo no colo croata para selecionar a equipe para o importante pré olímpico que se avizinha, frente a duas realidades, uma, a dos mais experientes que atuam lá fora, com os da NBA lustrando os bancos (quando mudam de roupa) de suas equipes, jogando o mínimo de tempo possível, ou cedidos a equipes conveniadas de qualidade técnica inferior, e os que atuam em outras ligas europeias, com uma ou outra exceção, jogando por mais minutos, e outra, a dos veteranos que aqui atuam duelando no desenfreado “chega e chuta” com americanos e argentinos, que inteligente e rapidamente assimilaram a proposta midiática que clama por bolas “indecentes” de três, tocos e enterradas de “sacanagem”, colimadas com narrações e comentários f*…s, e daí para pior, se não acordarem do extremo ridículo a que também estão lançando nossos jovens talentosos, porém ainda muito aquém da genialidade interesseira que imputam aos mesmos…

Porém, temos de lembrar que todos os convocáveis, daqui e lá de fora, experientes e convenientemente rodados, ou não, atuam dentro do sistema único, fator altamente limitador quando enfrentamos equipes utentes do mesmo, porém com fundamentação técnica mais evoluída, tornando-os superiores nos confrontos individuais e coletivos, pela mais acurada leitura de jogo, que sob a ótica de uma engenharia reversa, os dotam da capacidade antecipativa sobre jogadas que dominam com perfeição, principalmente por desenvolverem defesas engajadas anos a fio no âmago daquele sistema…

Resta, no entanto, uma única porta de saída, de evolução, a busca de um sistema diferenciado de jogar, ofensiva e defensivamente, que se incutido nesses promissores jovens, realçando seus fundamentos básicos, acompanhados de alguns jogadores mais experientes e receptivos a novos caminhos, fazendo-os atuar de forma proprietária de algo somente seu, fator que poderia inverter leituras de jogo por parte de seus adversários, confundindo-os pela inversão de algo que dominam mais do que nós. Por isso, se torna urgente, sensato, inadiável, a começar pela base, o início de uma nova perspectiva de aprender, treinar, sentir e atuar no grande, grandíssimo jogo, e não nesse doentio marasmo em que se encontram, tentando demonstrar em quadra os devaneios advindos de pranchetas descerebradas e toscas, onde a criatividade e a improvisação consciente, cede espaço a mediocridade, ao arrivismo e a aventura irresponsável, principalmente quando punhos são cerrados pela conversão de uma improvável bola de três, depois de muitas tentadas, originando vitórias no áspero, porém condescendente  terreno de casa, bem diferente dos bem defendidos e contestados lá de fora…

Jamais perderei a esperança de ver nossos jovens jogarem o bom basquetebol, na defesa, no ataque, nos fundamentos individuais embasando os coletivos, lendo e pensando o grande jogo, sendo muito mais jogadores do que atletas puxadores de ferro, originando “pesquisas” que nunca vem ao público que pensam ignaro, que dominem, por conhecer profundamente, sua ferramenta de jogo, a bola, o seu comportamento técnico e tático, assim como de seus companheiros, pedindo e ajudando nas falhas comuns, e aplaudindo quando todos, uníssona e coletivamente cumprem um bom projeto de equipe, ao lado e sob a responsabilidade de professores e técnicos de verdade, e não… Ora, deixemos de lado, pois quem sabe, um dia lá chegaremos, pelo mérito, e não pelo Q.I. politico e corporativo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

MITIFICAR, MISTIFICANDO…

E não deu outra, o croata teve de assistir sua equipe cometer a façanha de arremessar 16/21 bolas de 2 pontos, e inenarráveis 13/41 de 3, vencendo uma fraca equipe uruguaia por 83 x 72, que pelo seu lado concretizou 11/27 e 12/29 respectivamente, numa agressão ao grande jogo, quando ambas perpetraram uma convergência de 26/48 nos 2 pontos, e 25/70 de 3, fruto da mais absurda ausência defensiva de ambas, como num convescote de compadres, onde o último a chutar lá de fora apagasse a luz e fechasse a porta de uma arena paranaense vítima de um engodo em nenhum momento disfarçado…

Mesmo assim, a turma cisplatina apertou a seleção, mesmo apanhando 20 rebotes a menos (45/25), cedendo a vitória no quarto final, quando visualizei  constrangido os punhos croatas se cerrarem na comemoração de uma bolinha lá de fora do ala Demétrio, folgando o placar nos 7 pontos. Realmente preocupante o que essa jovem turma promete desenvolver daqui para diante, se não for orientada ao jogo coletivo, pensado, lido com perspicácia e atenção, melhorando substancialmente seus fundamentos (foram 16 erros contra 13 dos uruguaios), principalmente aqueles que conotam tecnicamente os arremessos, numa equipe onde os três armadores chutaram 1/13 nas bolas longas (Yago 0/4; Luz 1/6 e George 0/3), os alas 10/24 e os pivôs 2/4, numa equipe em que nove jogadores dos doze, se consideram especialistas nos 3 pontos, e logo onde, numa seleção nacional, claro, autorizados por seus técnicos nos clubes de origem, três dos quais compõem a comissão assessora do croata, que a cada etapa do seu trabalho mais se aproxima do que ocorreu com seus antecedentes estrangeiros, ou seja, aderindo e aceitando um status contrário ao seu discurso inicial ao assumir a seleção…

Sem dúvida alguma, e de forma positiva, vem adotando a dupla armação, e convocando alas pivôs de grande mobilidade, porém, incoerentemente, frente ao seu vasto currículo de bom estrategista nas competições europeias, se mantém fiel ao viés da mesmice técnico tática que nos tem escravizado a décadas, com seu sistema único de caráter estanque, onde pontifica o extremo individualismo dos jogadores americanos que aqui aportam, sublevando todo e qualquer orientação de seus técnicos nacionais, atuando de forma independente, face ao seu preparo superior nos fundamentos, originando o norte da grande maioria de nossos jovens prospectos, cada vez mais afastados do coletivismo e o altruísmo colimador das boas equipes, e cada vez mais próximos do pseudo e fugaz estrelismo, patrocinado por uma mídia ufanista e imediatista, onde a mitificação precoce vem gerando de forma ascendente, falsos craques, de um mistificado “NBB como você nunca viu”…

Algumas fotos aqui publicadas nos últimos dez anos, praticamente são idênticas em sua aparência formal. mudando somente os participantes das mesmas, como as duas acima, onde a figura solitária de um pivô, combate, à sombra inerte de seus companheiros, uma defesa inteira, assim como a disposição inicial do famigerado sistema único, com seus cinco jogadores fora do perímetro interno, como se a proximidade da cesta adversária fosse uma zona proibida de ser ocupada, naquele que se constitui no erro mais trágico que uma equipe de alta competição possa cometer, a fuga dos pontos estatisticamente mais produtivos e coerentes, aqueles em que as técnicas individuais, a serviço do coletivo, vencem partidas, competições nacionais, e principalmente internacionais, onde a aventura irresponsável e comodista dos longos arremessos, fatalmente será contestada, estrategicamente contestada, e o nosso croata sabe muito bem disso, ou não?

Enfim, ou por fim, chegamos a uma encruzilhada, onde o bom senso tem a obrigação de se manifestar com força, determinação, e acima de tudo competência, conhecimento e humildade. Ou mudamos definitiva e estrategicamente nossa forma de jogar, de preparar a base, ensinando-a correta e tecnicamente o grande jogo, ou nos afundaremos comemorando de punhos cerrados por mais uma bolinha convertida, das cem (a continuar logo logo lá chegamos) absurdamente tentadas…

Que os já cansados e enfastiados deuses, nos orientem por mais uma vez…

Amém.

Fotos – Reproduções do You Tube/CBB

EU SOU F*…!

Dois dias atrás ousei me aventurar numa transmissão pelo twitter do jogo entre Brasília e Paulistano, vencido pelo primeiro por 90 x 78, e se arrependimento valesse, sequer teria sintonizado o aplicativo que, em conjunto com a LNB, afirma sua firme disposição na divulgação do basquetebol nacional. No meio tempo que aguentei assistir, vi desenrolar incrédulo, uma das maiores peladas perpetradas nesse “NBB como você nunca viu”, confirmada quando bem mais tarde retornei às estatísticas, inacreditáveis em seus 34/63 arremessos de 2 pontos (16/33 para Brasília e 18/30 para o Paulistano), contra os 23/68 de 3 (12/30 e 11/38 respectivamente), agregados a 32 erros de fundamentos (14/18), números estes comprometedores e constrangedores a véspera do início do treinamento da seleção brasileira para os jogos com o Uruguai, visando a preparação para o pré olímpico em julho, como um recado direto ao croata, de que é assim que jogamos por aqui, queira ou critique ele a respeito, e estamos conversados…

Porém, algo mais impactante me fez desligar o tal twitter, uma figura ao lado da imagem do jogo, que de início pensei ser uma chamada comercial que logo se desvaneceria, mas que para minha surpresa se mantinha direto no ar, e mais, transmitindo (?) o jogo, num linguajar funkeiro, sei lá, para de vez em quando se autoproclamar como sendo um cara f*…, entre outros termos tidos por ele como adequados e normais aos tele ouvintes, talvez aqueles admiradores de seu “peculiar”estilo, muito distantes em tudo e por tudo daqueles que amam, entendem e respeitam o grande jogo, entre famílias e jovens que não merecem ser alvos de tanta insânia e grotesca visão desportivo educacional…

Se a LNB admite e faz prosperar um “produto” dessa qualidade, deuses meus, estamos realmente não mais no fundo do poço, mas muito além dele, no quase limiar da impossível volta, faltando somente mais uma meia pá de terra, não, de lama mesmo…

Amém (?).

Fotos – Reproduções do Twitter.

GESTÃO? UMA OVA…

Assisti os últimos oito jogos do NBB, fiz estatísticas, selecionei comentários, ouvi gritos lancinantes e histéricos de narradores ensandecidos, pesquisei blogs e sites sobre o grande jogo, para finalmente, ao receber um email do crítico amigo cobrando artigos atualizados, assim como comentários sobre a seleção feminina no pré olímpico, preferi, antes de atender o dileto amigo, conferir a opinião da mídia especializada sobre as razões que emitiram sobre o futuro do basquetebol tupiniquim, frente a dolorosa possibilidade de não o termos em Tóquio, numa regressão impiedosa para com o grande jogo…

Rasguei as notas colhidas, pois nada mais do que descreviam a mesmice endêmica de sempre, aqui incansavelmente criticada e combatida, assim como a campanha feminina no pré, representando e repetindo o mesmo mote, o qual a turma masculina corre o sério risco de seguir no mesmo caminho, se não mudar drástica e radicalmente sua forma de jogar, o que não acredito, honestamente, que o faça.,,

Conferi então o discurso midiático dos porquês de tanto retrocesso, até o ponto de sintetizá-los em duas palavras modais, gestão e processo…

Sendo curto e objetivo, defende-se abertamente que o grande problema do basquete brasileiro se reduz a falta de gestão administrativa para alavancá-lo da vala em que se encontra, numa dualidade que por um lado admite enormes progressos sócio administrativos da LNB, com seu produto maior, o NBB/NBA, assim como o LDB, seguidos pelo início da recuperação econômico administrativa da CBB, e por outro, os inexplicáveis fracassos de público nas competições internas, e a pouca expressividade nas grandes competições internacionais, apesar das gestões “profissionais e competentes” que foram implementadas, numa contundente prova de que a gestão enfocada pouco representa por sobre a verdadeira negligenciada, a gestão técnico/tática e seu fundamental e ausente lastro, a formação de base…

A outra palavra subsequente, processo, definida pelo atual técnico da seleção feminina como o arcabouço chave para a recuperação da modalidade, e que nada mais representa do que mais uma tentativa de cristalizar uma forma de trabalho continuista sobre conceitos (?) de preparação física, onde o cientificismo atlético se sobrepõe aos fundamentos, e a encordoada tutela de fora para dentro da quadra de um sistema único de jogo, muito acima da premente e revisionista necessidade do ensino e aprimoramento dos fundamentos básicos do jogo, sem os quais sistemas de quaisquer espécie serão exitosos, seja em seleções ou na base. Processos assim implantados soam falsos, pois destituídos de criatividade, inventividade e capacitação no improviso e leitura expontânea de jogo por parte dos (as) jogadores (as), agrilhoados (as) que são pelo centrismo personalista emanado de fora para dentro, por parte de técnicos que jamais admitirão ser parte de uma equipe, e sim a estrela da mesma, sobraçando sua midiática prancheta…

Publiquei em 2015 o artigo que replico a seguir, que muito bem retrata essa dolorosa realidade, que após 6 anos em nada foi modificada:

A DURA (E MAIS QUE PREVISÍVEL) REALIDADE…

terça-feira, 1 de setembro de 2015 por Paulo Murilo–                    2 Comentários

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Uma seleção brasileira que debuta numa séria Copa América, comete 21 erros de fundamentos, arremessa 2/21 bolas de três pontos, perde 10 lances livres (15/25), escala dois jogadores notoriamente péssimos defensores, confrontando a proposta de defesa acima de tudo (Guilherme e Marcos não se coadunam com a mesma…), tem como opção desesperada de jogo o pedido de “jugar limpio y no uno contra uno”, ou seja, abrindo os quatro deixando o indigitado pivô duelar, não contra seu marcador, e sim com a defesa inteira uruguaia, com os demais assistindo e parecendo torcer para seu improvável sucesso, e por conta de tanta incompetência (o que esperar de assistentes que nem por osmose aprendem…) apelando para as “salvadoras bolinhas” e o jogo periférico indo de encontro às mesmas, e veem atônitos que o minúsculo país platino se lançou perímetro afora contestando todas a iniciativas artilheiras, assim como fechou seu garrafão, brilhantemente, às parcas penetrações de alguma qualidade tupiniquim…

Frente a tão desalentador quadro, o que esperar dessa seleção, que tem bons jogadores, mas que patinam equivocados dentro de um sistema híbrido de jogo, que abraça a dupla armação, promove hipotéticas movimentações de alas pivôs no âmbito do perímetro interno, porém sem abandonar os dogmas do sistema único, onde um dos armadores se transforma em ala, e um cincão joga solitariamente de costas para a cêsta, numa fórmula caduca e que se caracteriza como antítese do tão propalado coletivismo, ausente por força da indecisão de optar entre o padrão estabelecido, e a nova proposta patrocinada por um mais ainda indeciso técnico, que a vê ruir exatamente por saber ser impossível mudanças por parte de jogadores vacinados pelo sistema único, assim como seus super estimados assistentes doidos para pranchetarem em seu lugar…

Aliás, não consta que nenhum deles tenha se empenhado em sugerir uma efetiva desconstrução técnica baseada nos fundamentos individuais e coletivos dos jogadores, voltados à nova realidade pretendida, ou mesmo por parte do hermano, no que seria a única maneira de fazer frente ao novo, inusitado e corajoso ato de jogar o grande jogo, de uma forma como fazem nossos rivais, mais ou menos na trilha do que vêem realizando os americanos desde o início da era Coach K, a qual divulgo incansavelmente anos a fio por esse humilde blog, e por que não, dentro da quadra também…

Isso porque, não basta, mesmo, incutir uma nova forma de jogar, frontalmente diversa ao que os jogadores praticam desde sempre, sem mexer com suas bases de aprendizado e fixação de novos princípios e preceitos de jogo (sim, os adultos podem aprender também, por que não?), sem, e isso é definitivo, mexer com sua estrutura pessoal, técnica, tática e emocional. Mas para isso se torna necessário alguns imprescindíveis valores, a começar pela plena decisão de mudança, profunda e decisiva, onde adaptações híbridas não sejam toleradas, principalmente na fase desconstrutiva, e a busca responsável e absolutamente precisa de objetivos propostos e estudados com afinco e dedicação, por todos, técnicos e jogadores, e claro, o mais importante de todos, a competência e o profundo conhecimento para torná-los factíveis…

Honestamente, não acredito que a vinda dos luminares ligados à NBA tornarão esse quadro reversível, se adotarem, todos, o sistema que pensam dominar, o sistema único, ou mesmo o sistema híbrido que ora ensaiam, isso porque, em se tratando de 1 x 1, que é a tônica do SU, e para o qual foi criado e desenvolvido pela matriz, nossos adversários mais diretos são superiores pelo maior domínio dos fundamentos individuais, e tanto isso é verdade, que os maiores praticantes do grande jogo, o subverteram nos últimos mundiais e olimpíadas, restando para os demais competidores a brecha de algo diferenciado, claro, se quiserem vencê-lo, e que é exatamente a proposta por que luto, repito, aqui dessa humilde trincheira, e na quadra quando me deram oportunidade, pois vejo ser a única maneira de nos impormos novamente no cenário do basquetebol mundial. Foi exatamente o que fez o volei com a sua escola brasileira, misto da europeia e asiática, e que teve no saudoso Paulo Matta o seu precursor, hoje tão esquecido por quem usufruiu (e são muitos…) de sua pródiga ação visionária…

Logo mais vamos ver como nos saímos na preparação para 2016 contra os dominicanos, esperando que repitam um pouquinho do Pan, senão…

Amém.

 Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

2 comentários

  • Walter Carvalho
  • 02.09.2015
  • A inclusão de jogadores novos afeta a performance de uma equipe de basquetebol. Especialmente se as características individuais destes jogadores não se encaixam com a filosofia de jogo do técnico/equipe. O avanço tático mostrado no PAN, apesar de ter sido uma competição de baixíssimo nível técnico, volta a estaca zero. Estamos cometendo os mesmos erros de outrora – ou seja: ataque estático e defesa que apresenta falta de intensidade e falhas em praticamente todos os setores: a começar pela falta de agressividade e coberturas dentro e fora do garrafão do homem com e sem a posse de bola. Sem marcação, fica difícil fazer com que o ataque se torne mais eficiente – com melhor fluência de bola e homem e melhor seleção de arremessos.
    Acredito também e concordo com a sua opinião de que a vinda dos jogadores da NBA em nada irá contribuir para que o Brasil se torne mais eficiente na defesa e no ataque. Continuaremos a observar a falta de: 1) Agressividade e intensidade na defesa 2) Fluência de bola e homem no ataque e 3) Melhor seleção de arremessos.
  • Basquete Brasil
  • 02.09.2015
  • É Walter, a coisa está ficando mais feia do que o estimado para a seleção, ainda mais pressionada pela participação dentro de casa, que na minha humilde opinião vai ser decepcionante, a não ser que mudem a forma de jogar radicalmente, torcendo para que os estelares aceitem as mudanças, se as mesmas vierem, o que duvido muito, pois jogando como a maioria dos concorrentes não terão chance nenhuma. O mais engraçado é que o maior dos participantes jogará diferenciado, dentro do padrão Coach K, fator sequer pretendido por nossos doutores…
    Um abraço, Paulo.

Podemos fechar esse raciocínio, e se o leitor ainda tiver um pouco mais de paciência, relendo um outro artigo publicado em 9/8/14, Falando de Fluidez, quando o apregoado conceito de processo, acredito fortemente, é devida e definitivamente contestado…

Amém.

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A BOLINHA CONCEITUAL…

O artigo da semana passada, O Especialista, recebeu do leitor Alexandre Miranda um instigante comentário, fazendo do mesmo meu artigo de hoje:

Alexandre Miranda

28.01.2020 (2 days ago)

Satisfação em poder me comunicar com o senhor novamente, Professor.

Mas, mesmo sem me comunicar, ainda sigo as discussões por aqui. Pois tenho este espaço como um EAD classe “A” de Basquetebol.

Professor, dentro desta discussão, acredito que a perspectiva seja a de aumentar a linha de três (em face da adaptabilidade humana e desenvolvimento físico visível) ou extinguir a linha de três (tal qual fazemos com categorias de base) para assim podermos nos deter no ponto basilar do Grande Jogo… O domínio de todos os fundamentos!

A primeira opção configura-se como errática, pois a bizarrice próxima seria chutar do meio da quadra para três pontos.

A segunda opção é viável e formativa, mas não sei se teria apelo junto ao show business.

Claro que este é um exercício de futurologia, mas não chega a ser esdrúxulo frente às demandas midiáticas do esporte.

Bom seria termos bom senso, temperança.

Mas está difícil…

Fortes abraços… Professor Alexandre Miranda.

Até.

Muito bem colocado prezado Alexandre, mas de saída sua segunda opção já derrubaria toda e qualquer tentativa de mudança, mesmo que fosse objetivada ao preparo dos mais jovens, pois arremessar de três pontos passou a ser “prioridade midiática”, sem a qual, a maioria das transmissões se inviabilizaria pela ausência do tempero verborrágico que a caracteriza, juntamente aos “tocos e enterradas sinistras”…

O reinado das bolinhas está tão enraizado na concepção de basquetebol dessa turma, tornando-a de tal forma entorpecida, que números que apresento a seguir de alguns dos  últimos jogos do NBB, pouco ou nada representam de importante no desenvolvimento do grande jogo entre nós, claro, na concepção da esmagadora maioria deles, senão vejamos: 

– Paulistano 72 x 85 Franca – 30/56 bolas de 2 pontos, e 24/70 de 3, com 35 erros de fundamentos;

– São Paulo 79 x 86 Franca – 42/74 de 2 pontos, e 22/71 de 3, com 22 erros de fundamentos;

– Flamengo 83 x 77 Unifacisa – 32/59 de 2 pontos, e 21/57 de 3, com 28 erros;

– Mogi 78 x 73 Ceará – 35/65 de 2 pontos, e 20/54 de 3, com 34 erros;

Com a praticamente ausência de qualquer equipe arremessando menos de 20 bolinhas de 3 por partida, fator que denotaria uma forte escolha pelo jogo interior, mais preciso e menos perdulário no esforço físico, porém muito mais exigente no domínio dos fundamentos, principalmente no drible, nos passes, nas fintas e arremessos, além de potencializar os rebotes, e, principalmente, desenvolver naturalmente um sentido coletivista, talvez o fator técnico tático mais ansiado pelo basquetebol nacional. Até o momento em que essa necessidade de progresso seja atingida, continuaremos a patinar neste solo escorregadio e perigoso das “indecentes bolinhas”, dos “selvagens tocos”, e das “enterradas monstruosas”, incentivadas e cultuadas por estrategistas de beira de quadra, com seu gestual saltimbanco e coercitivo palavrório sobre as arbitragens, e jogadas geniais (?) rabiscadas em pranchetas midiáticas, que muitos especializados garantem “que falam”, “discursam”, não se sabe bem o que, como, e para que, mas com certeza, refletem a pobreza para lá de franciscana do que venha  a ser o grande jogo, liliputiano para a grande maioria deles, exceto uma minoria que pouco soma, justificando a regra. Quem sabe um dia despertaremos deste torpor conceitual, político e retrógrado em que nos encontramos, quem sabe, um dia…

Amém.

Fotos – Divulgação LNB.

A LEMBRANÇA DO FÁBIO…

O jovem professor e técnico Fabio Aguglia de São Paulo, leitor e comentarista de longa data desse humilde blog, me enviou um vídeo que ele coletou na internet, onde duas jogadas de uma equipe da NBA, são analisadas como ações ofensivas esporádicas a realidade do basquetebol que é lá jogado, principalmente agora, quando a maioria esmagadora das ações de ataque se articulam e complementam fora do perímetro, fator este que desencadeou mundo afora o modismo dos arremessos de três pontos, aceito por muitos, e contestado por uns poucos. Eis o vídeo:

Como vemos, uma dupla armação propicia um abastecimento de bons corta-luzes e passes para os homens altos transitando dentro do perímetro, numa ação que deveria ser estendida no transcorrer de toda uma partida, e não esporadicamente, como menciona o analista, oportunizando a todos os jogadores a participar coletivamente, e não priorizando um ou outro especializado nos longos arremessos, fator hoje presente em praticamente todas as equipes da liga, nivelando muito por baixo a qualidade do grande jogo, salvo “esporádicas” jogadas de cunho e criatividade individual de alguns jogadores habilidosos no trato com seus dois instrumentos de trabalho, a bola e o corpo…

Essa tendência, amplamente adotada aqui em terra tupiniquim, começa a ser revista por uma ou duas equipes, porém pecando no aspecto do coletivismo, pois não conseguem amalgamar ações fora e dentro do perímetro, tornando as jogadas estanques e não comunicantes, como deveriam interagir, e onde a participação de todos em constante e ininterrupta movimentação, se torna obrigatória, forçando a defesa a se deslocar em resposta, criando os espaços, que mesmo exíguos, propiciam arremessos curtos e precisos, assim como, garante estratégicas colocações de no mínimo três jogadores na zona dos preciosos rebotes ofensivos…

Em contraponto ao vídeo de ações esporádicas visto acima, e também com a precisa participação do Fábio, que através os últimos anos vem coletando trechos de vídeos aqui publicados de jogos do Saldanha da Gama no NBB2, ofereço ao conhecimento do leitor interessado, esse belo trabalho, utilizado no treinamento de suas equipes de base, inclusive com legendas, de ações que eram “permanentes”  em todas as 11 partidas oficiais por mim dirigidas, daquela humilde equipe, fosse contra defesas individuais, zonais ou pressionadas, numa demonstração da possibilidade de jogar de forma diferenciada e efetiva, muito aquém da mesmice endêmica das demais, mesmice essa que se mantém 10 anos depois daquele NBB2, salvo as exceções acima mencionadas, sendo uma delas o vídeo com as duas jogadas da equipe da NBA. Irônico, não?…

Eis os vídeos:

Devo mencionar, que nenhuma dessas jogadas foram ensaiadas, roteirizadas, rabiscadas em pranchetas, ou afins. Foram produto de leituras de ataque, do comportamento defensivo encontrado no momento da ação, longamente treinadas e analisadas por todos em exercícios de meia quadra por longos períodos, contra defesas rudes física e emocionalmente, sem concessões, num todo em que a participação de todos se tornava, como se tornou, unânime…

Porém, um aspecto uno e indivisível costurou rigidamente todo o processo, o preparo de todos nos fundamentos do jogo, de todos, igualmente, tornando-os proprietários de uma forma única de jogar o grande jogo, uma forma pertencente a todos eles, e que infelizmente não lhes foi permitido continuar. Pena para o basquetebol brasileiro…

Amém.   

Fotos – Trechos de jogos da equipe do Saldanha da Gama no NBB2, compiladas pelo Professor Fabio Aguglia.

O ESPECIALISTA (From Dublin)…

         Neste último dia de Europa, aqui do aeroporto de Dublin, aguardando o voo de volta para casa, me veio a ideia de tornar a discutir o que venha a ser um especialista nos longos arremessos de basquetebol, assunto este que suscita tantos debates, num momento em que estamos jogando fora do perímetro praticamente em mais da metade do tempo de jogo, numa temerária aventura que nos tem levado ladeira abaixo no concerto mundial, e que na continuidade, nos manterá fora de um futuro vencedor, como a turma adepta do “chega e chuta” nos ilude em alcançar…

No artigo passado, algumas colocações foram comentadas por pessoas ligadas profundamente ao basquetebol, mas uma em particular, um real especialista nos longos arremessos (em sua época ainda não existiam os arremessos de três pontos), o grande Sérgio Macarrão, medalhista olímpico, tio de outro especialista, o Marcelo, grande campeão do NBB, jogando pelo Flamengo…

Vale a pena ler seu comentário no artigo em questão, pois define com precisão a real importância dos arremessos de três pontos, sob a ótica precisa do bom senso, pela priorização que obrigatoriamente deve ser dada ao especialista, e somente a ele…

Bem, sou agora chamado ao embarque, e se possível continuarei durante o voo, até já…

Estando de volta, a 11km de altura, continuemos o raciocínio, definindo uns poucos conceitos, começando pela precisão nos lançamentos, ou como define o Sérgio, “só arremessa de três quem mete bola”, sugerindo de saída uma questão – “o que torna um jogador num metedor de bola?” Será o mesmo espontâneo ou treinado? Em meus mais de 50 anos de quadra, conheci poucos reais e autênticos “metedores de bolas”, e o Sérgio foi um deles, outros mais como o Dutrinha, o Pecente, Waldir Bocardo, Wlamir, Rosa Branca, Vitor, Chuí, Oscar, Marcel, e mais uns poucos que me falham na lembrança, fizeram com que me orientassem à pesquisa dos porquês eram tão eficientes, originando minha tese doutoral, da qual pincei detalhes publicados nesse humilde blog, na série Anatomia de um Arremesso de I a VI, facilmente encontrada digitando no espaço Buscar Conteúdo…

Claro que não testei nenhum dos acima mencionados, mas outros pertencentes às equipes nacionais de Portugal, quando desenvolvi a pesquisa na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, onde pude relacionar a precisão na direcionalidade dos arremessos com os diversos tipos de pegas sobre a bola, num trabalho que, com a mais absoluta fidedignidade, define quem realmente domina a arte dos longos arremessos, garantindo serem muito poucos, derrubando fragorosamente a tese modal de que qualquer jogador pode ser eficiente nas grandes distâncias, bastando se sentir livre e autorizado a fazê-lo…

Vale a pena ler os artigos, para entender de forma definitiva o quanto de desperdício e eficiência temos alcançado, nessa estúpida e selvagem hemorragia em que estamos transformando o grande jogo, onde técnica e tática se prostituem substituídas por arrivismos, aventuras e irresponsabilidade proposital, em nome de um pretenso e falacioso “conceito moderno de basquetebol”, que nada mais é e representa do que uma mesmice endêmica institucionalizada, aceita por técnicos, jogadores, dirigentes e muito da dita mídia especializada, alheios a verdadeira essência do grande jogo, onde em nome do espetáculo (e que rapidamente vem se transformando em autêntica palhaçada), tudo deve ser permitido, inclusive quanto às regras (que é uma realidade bem conhecida na NBA), e que vem sendo adotado por aqui também…

Longos arremessos à parte, outros fatores merecem atenção de todos aqueles que amam o basquetebol de verdade, como a falibilidade nos fundamentos básicos, a forma semelhante e pasteurizada de jogar das equipes da liga, espelhando negativamente na formação de base, em exemplos que nunca e em hipótese alguma deveriam ser continuados, assim como descontinuado deveria ser esse caudal autofágico em que vem sendo transformado o grande jogo, através a artilharia absurda e descerebrada dos três pontos, das narrações e comentários que não refletem a realidade da competição, sem que, em nenhum momento algo de inovador possa ser admitido por um corporativismo inamovível e terminal…

O Sérgio tem razão, pois só mete bola quem sabe fazê-lo, assim como só planeja, pesquisa, estuda, ensina, treina e compete, quem conhece o grande jogo no seu cerne, sem esgares e dancinhas, sem coerções e agressividade gratuita, despidos de marketing e poderosos Q.I.s, sem midiáticas pranchetas, e sem rezas para que as bolinhas caiam, nacionais ou estrangeiras…

Daqui a pouco chego ao Rio, com muitas saudades de casa, porém temeroso do que se avizinha do nosso tão amado e judiado basquetebol…

Amém.

Foto – Arquivo pessoal.

O CHEGA E CHUTA NÃO PODE CONTINUAR (From Lisboa)…

Joao, eu e o ex-técnico da seleção portuguesa José Curado, na bela Lisboa.

    Tive problemas na conexão com as emissoras de Tv que transmitiram o jogo final entre Flamengo e Franca, aqui em Lisboa. Falhou o programa que as disponibilizariam pela internet, ficando somente com as estatísticas para tentar compreender um jogo tão importante como esse…

Sei que nada substitui a observação direta, mas pelo que conheço do grande jogo praticado no país, com sua mesmice enraizada desde sempre, ouso tecer alguns comentários tornados muito claros, a luz de alguns números que se repetem teimosamente a cada jornada, sejam quais forem os campeonatos disputados, e este, certamente não seria diferente, a começar, pela marcante evidência de ter sido mais uma pelada onde o chega e chuta se revelou assustador, pois ambas as equipes perpetraram um 25/58 arremessos de 2 pontos, e 21/64 de 3 (13/41 para o Flamengo e 8/23 para Franca), diferença para menos que deu a vitória a Franca, sem margens para qualquer tipo de discussão, pois se torna absolutamente inadmissível que uma equipe da elite do basquete tupiniquim, se submeta a números escrachantes, como arremessar 25 bolas de 2 e absurdos e comprometedores 41 arremessos de 3, mesmo convertendo 13 deles, com seus dois armadores, aqueles que deveriam abastecer ao extremo seus bons alas pivôs no jogo interno, ação inteligente de Franca com seus 18/33 nos 2 pontos, contra 11/25 do Flamengo (sim, estrategistas de plantão, se vencem jogos de 2 em 2 e 1 em 1), para cometerem um 3/16 devastador (2/7 para o Balbi, e 1/9 para o Derek), e ai vai mais uma continha sempre e sempre esquecida pelos mesmos, pois bastaria os dois substituírem a metade de suas tentativas perdidas de 3 pontos (8 tentativas), optando pelas de 2 pontos, em DPJ’s ou penetrações visando faltas ou assistências curtas para seus alas pivôs, que venceriam o jogo, pois ao contrário do analista do jogo semifinal, apontando o Derek como um especialista nos longos arremessos, mencionando o fato de que estando livre sua eficiência era absoluta, fica mais do que evidente que uma performance de 1/9 não o gradua como especialista, que na realidade nunca foi, e sim um bom armador…

Concluindo, Franca investiu corretamente no jogo interior (arremessando 18 bolas de 3 a menos do que seu oponente), provocando mais possibilidades de sofrer faltas pessoais, convertendo 17 lances livres contra 12 do Flamengo, vencendo por 4 pontos a partida e o torneio, ao contrário de seu oponente que optou pela artilharia desenfreada e descerebrada de fora, indo para as calendas gregas, carpir erros inadmissíveis a uma equipe montada para “vencer todas as competições em que participaria”, segundo declarações de seu estrategista quando a assumiu, e que a cada competição mais aposta e libera o chega e chuta cada vez mais institucionalizado neste imenso, desigual e injusto país. O croata deve estar com as barbas de molho ante tal e brutal evidência, e com a companhia de dois dos maiores adeptos de tanta insânia, como seus auxiliares técnicos, mais ainda…

Que os deuses nos socorram para as importantes competições que nos aguardam, pois de minha parte, se nada for radicalmente mudado, teremos sérios problemas…

Amém.

Almoço com o José Curado e o filho Joao