COMPLICANDO O SIMPLES E O ÓBVIO…

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Outro jogo do playoff semifinal jogado da forma mais simples e óbvia possível, ou seja, priorizando o jogo interno, comprimindo as defesas (sim, ambas as equipes jogaram “lá dentro”), até o ponto em que passes de dentro para fora do perímetro encontrasse jogadores livres e equilibrados para os arremessos, mas nem sempre direcionados às mãos dos mais competentes na arte dos longos arremessos.

Dígitos como 29/47 de dois pontos, e 10/18 para três por parte do Flamengo, e 20/42 e 6/21 respectivamente, para São José, atestam com precisão a opção pelo jogo interno, mas que encontrou a equipe paulista numa péssima jornada quanto à precisão de todos os arremessos, incluindo os lances livres (28/36) e até prosaicas bandejas, o mesmo não acontecendo com a equipe carioca, apesar de seus 10 erros de fundamentos.

Defendendo um Caio muito forte e técnico, apesar de sua notória e permanente (até quando?) rotunda lentidão, por trás e sem qualquer dobra eficiente, o pivosão fez a festa, abrindo caminho para o jogo interno de seus armadores, principalmente o Kojo, que o assistiu permanentemente, já que o Marcos, bem marcado por sinal, não concluía seus petardos com a constância costumeira.

Defendendo razoavelmente, e trabalhando com firmeza dentro do perímetro, a equipe rubro negra dificilmente perderá a série (poderá até perder, se retornar ao jogo eminentemente externo), para encontrar mais adiante uma equipe que joga melhor ainda no interior do que ela, e se equivalendo  no jogo externo. Aquela que se impuser ofensivamente “lá dentro”, e priorizar a defesa antecipativa, principalmente nas linhas de passes aos pivôs, levará uma enorme vantagem, mais ainda em se tratando de um único jogo.

Mas o que não está sendo simples, e muito menos óbvio, é a tendência galopante em direção ao exibicionismo midiático de técnicos e juízes, antenados e seguidos sofregamente por câmeras e microfones não tão indiscretos assim, com a desculpa de que promove o espetáculo, sendo que inclusive já se insinua uma “facilitação” às regras para não prejudicá-lo, promovendo uma farsa indesculpável e anacrônica.

Com as regras sendo cumpridas e obedecidas por todos os integrantes do “espetáculo”, imagens como a que mostro nesse artigo inexistiriam, pois as regras de um jogo foram elaboradas para serem seguidas, se constituindo numa das bases formativas dos futuros jogadores, que deveriam ser poupados de verem e ouvirem as sandices que, absurda e lamentavelmente, estamos testemunhando a cada rodada do NBB5.

Precisamos encerrar esse capitulo que tanto denigre o grande jogo.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

O EFICIENTE E PRECISO JOGO INTERIOR…

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Talvez tenha sido o jogo mais fluido deste playoff semifinal, com as equipes imprimindo um ritmo veloz e sem descontinuidade, ou seja, muito poucos momentos de indecisão ofensiva, que infelizmente não apresentou nas defesas o mesmo comportamento, e a prova foram os 50 arremessos de três pontos (9/27 para Uberlândia e 10/23 para Bauru) sem as devidas e obrigatórias contestações, que por conta da extrema facilidade para os lançamentos permitiu que as bolinhas contabilizassem 27 e 30 pontos na contagem final de 80 a 77 para Uberlândia.

Acrescentando-se a estes pontos os lances livres convertidos (15/19 para os mineiros e apenas 7/13 para os paulistas), tivemos 38 pontos obtidos no perímetro interno para Uberlândia e 40 para Bauru, onde ambos trabalharam muito bem, principalmente na utilização dos rápidos pivôs que possuem (observem as movimentações internas nas fotos), muito bem lançados pelas competentes duplas armações, que contam em suas escalações, talvez os melhores armadores em ação na Liga.

Se formos um pouquinho mais além nas análises, podemos constatar o quanto de falhas nos lances livres e nos fundamentos (Bauru perdeu 6 e cometeu 8 erros) resultam em derrotas, principalmente em jogos parelhos e muito intensos.

Entretanto, algo de muito instigante se observa na equipe mineira, e que deveria ser explorado crescentemente, o seu poderio interno e externo exercido por uma parelha de alas pivôs única na liga, onde o Cipolini e o Gruber produzem com igual força e intensidade, ações internas e externas, com altos índices de acerto, graças ao seu biótipo atlético, flexível e veloz (Teischmann, Murilo, Lucas, Marcos, Jefferson e Gui se aproximam muito desse formato), e que os tornam também, eficientes na defesa, que atingiria um mais alto grau de eficiência se fossem treinados e utilizados na marcação explicita dos pivôs adversários à frente, e não por trás, numa posição que beneficia os massudos cincões ainda existentes, como o Caio em particular.

Mas acredito que esta será uma etapa a ser galgada, e somente espero que não demore em demasia para ser implantada, afinal, 2016 bate à porta.

Mas nada de eficiente seria atingido por parte destes homens altos trabalhando e se impondo dentro do perímetro, sem o suporte alimentador propiciado por uma competente e técnica dupla armação, fator que aos poucos vem se impondo dentro de nossas melhores equipes, e que deveria ser o espelho técnico tático de nossos jovens na formação, agilizando e interdependendo suas participações sob a égide da criatividade e da mais autêntica leitura de jogo, desacorrentados do impositivo e coercitivo sistema único, com suas jogadas sinalizadas, marcadas, coreografadas, e presos a cordões de controle como marionetes descerebrados e sem vontade própria,  a técnicos que ainda teimam em se auto promoverem como as estrelas centrais do espetáculo (e agora os juízes também…), quando na realidade o deveriam ser nos treinos, aqueles de verdade, realmente estudados à luz da realidade das equipes que dirigem, e não como clones de seus devaneios estéticos e ilusórios, transportados para suas mais ilusórias ainda pranchetas ( Um artigo esclarecedor poderá ser lido aqui).

Enfim, bons, apesar de ainda tênues, ventos ameaçam soprar em beneficio do nosso basquete, e que irônica, mas compreensivelmente (para uns poucos…) lógico, se estabelece através um veterano técnico, o mais idoso da liga, fator que devemos analisar com a devida atenção que merece o grande jogo em nosso país.

Amém.

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AÇÕES E CONTRADIÇÕES…

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Bem acredito que aos poucos as equipes que compõem essa semifinal se conscientizam de que um basquete mais lógico e objetivo deva ser jogado, na ofensiva e principalmente na defensiva, onde a convergência nos arremessos seja amenizada e levada a padrões técnicos aceitáveis, apesar da incidência ainda relevante nos erros de fundamentos, como a desse jogo na Arena, com 31 erros, inadmissíveis nessa categoria.

Assim como no jogo em Uberlândia, onde os arremessos alcançaram as cifras de 16/34 nos arremessos de dois e 15/27 de três para os donos da casa, e 19/41 e 6/21 respectivamente para Bauru, na Arena da Barra a equipe rubro negra atingiu as marcas de 30/50 nos dois e 8/21 nos três, com a equipe de São José conseguindo 12/29 e 11/22 em conclusões bem distantes dos números convergentes até aqui alcançados durante a competição, numa retomada bem razoável e direcionada a um jogo, como mencionei a principio, mais lógico e objetivo, além de muito mais preciso, pelo menos nos arremessos.

Taticamente, algumas e bem vindas mudanças se fazem presentes nas quatro equipes, como a permanente utilização da dupla armação, e nos casos de Uberlândia, Flamengo e Bauru, uma retomada há muito esperada pelo jogo interior, maximizando a atuação de seus bons pivôs, apesar da lentidão bastante evidente do pivô carioca, algo compensada por sua boa técnica individual, e lamentando a teimosa manutenção do jogo externo por parte de São José, que ironicamente conta com o mais capacitado dos pivôs, o Murilo.

Hoje teremos o terceiro jogo em Uberlândia, no qual essas tendências acima apontadas podem se solidificar por parte dos mineiros, e quem sabe, tornar a ser empregada por Bauru, talvez como sua última chance de reverter a serie, muito difícil, mas não impossível.

Amanhã, o Flamengo poderá assumir a liderança da chave, na medida em que se mantenha direcionado a uma defesa forte e eficiente, e um ataque priorizando o jogo interno, frente a uma equipe que oscila demais, pela flagrante indecisão entre o jogo interior e o exterior, que na maioria das vezes  pende para o último, pretensamente seguro de sua superioridade nos longos arremessos, mas que se devidamente contestados a retira do naipe vencedor da competição.

E um último lembrete, ao recordarmos a classificação do Tijuca e de Macaé para a disputa do NBB6, e que, segundo algumas manifestações da mídia especializada, teria a equipe do Fluminense como convidada pela LNB, o que seria algo de lastimável e comprometedor, já que demeritaria a dura conquista dos dois classificados e o enorme e sacrificado trabalho das demais equipes, numa decisão absurda e censurável, pois jogos e classificações dentro das quadras seriam minimizadas por uma decisão eminentemente política, de péssima política aliás.

Amém.

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O AUSENTE E DECISIVO BOM SENSO…

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Fui dormir com a sensação de que deveria ser duro nas criticas, nas chamadas de atenção a falhas imperdoáveis nesse nível de competição, mas antes, selecionei algumas fotos feitas na transmissão da TV, mentalizei e anotei alguns comentários feitos pelo analista da mesma, voltei ao teclado, nada digitei e desliguei o Dell.

Foi boa a decisão de adiar para hoje cedo a elaboração do texto, pois reforcei a necessidade de endurecer ainda mais nas criticas, após um repouso onde qualquer resquício de equivoco pudesse ser dirimido, à luz do bom senso.

Foi logo no principio da transmissão que o narrador da TV comentou o fato de nunca ter visto o técnico do Flamengo tão nervoso e agitado, reclamando ostensivamente da arbitragem (que por sinal se comportou muito bem), e que ao proibir microfones em seus pedidos de tempo (numa ótima opção), privou a todos de suas bruscas e mais nervosas ainda admoestações ao grupo.

Sem duvida alguma o seu comportamento concorreu, e muito, na desestabilização da equipe em quadra (e muita atenção, pois dirigirá a seleção brasileira de novos, com seu assistente mais nervoso ainda, o técnico do Paulistano, numa faixa de idade e experiência, onde se exige acima de tudo, muita moderação e exemplos a serem seguidos…), ainda mais frente a erros técnicos visíveis, prejudicando decisivamente seu projeto tático para um jogo tão decisivo, onde a mais completa desordem no posicionamento dos rebotes foi o causador da débâcle defensiva, e até ofensiva, de sua equipe, vide os 45 rebotes conquistados pela equipe paulista, frente aos minguados 22 da sua (dêem uma olhada nas fotos), que por isso mesmo se viu freada numa de suas qualidades, os contra ataques ( que a turma moderna apelidou de “transições”…).

Outro fator importante, a desqualificação de seus longos arremessos pelo correto posicionamento defensivo de São José, muito mais atento aos movimentos lineares que precedem a ação de lançamento dos mesmos, travando-os, ou alterando suas trajetórias pelas anteposições defensivas exercidas, em contraponto à permissividade concedida aos arremessos de seu adversário, como bem atesta a primeira foto, onde o defensor carioca, antevendo um possível erro no lançamento de fora, se preocupa em iniciar um provável contra ataque, do que obstá-lo, como deveria fazê-lo. Situações como essa foram muitas, e deu no que deu, quando São José errou 26 lançamentos (13 de dois e 13 de três), contra 42 (25 e 17) de sua equipe.

Então contabilizando o prejuízo rubro negro, onde a perda e o domínio dos rebotes (seus pesados e lentos pivôs não foram páreo aos rápidos e ágeis pivôs paulistas) foi o fator decisivo, exigindo um treinamento acima do específico no posicionamento dos mesmos em quadra, assim como a mais tênue tentativa nas contestações aos arremessos paulistas inexistiu na maioria dos casos, além de alguns aspectos pontuais, mas importantes, como os equivocados lances livres cobrados pelo pivô Shilton (de longa data, sem correções eficientes), e a facilidade com que são batidos nas fintas de seus oponentes, e que nem os 17 erros de fundamentos (passes principalmente) dos mesmos foram motivos para um possível equilíbrio nas ações.

Se no segundo jogo da série, agora em terreno carioca, e jogado numa arena colossal (se der bom publico pode funcionar como apoio, senão…) a correção nos rebotes, nas contestações, e no melhor aproveitamento do jogo interior, não forem levados profunda e taticamente a serio, a equipe rubro negra enfrentará sérios problemas, já que seu adversário, incentivado pela primeira vitória e pelo bom momento técnico e tático que atravessa poderá estabelecer uma superioridade inalcançável em caso de uma nova derrota, e principalmente, que seu técnico ponha de lado sua faceta estelar e midiática, levando tranqüilidade à sua equipe, a fim de que a mesma atinja aquele grau de efetividade fundamentado no equilíbrio e na relação com seu líder, lastreado pelo equilíbrio, frieza e o velho e tradicional (tão esquecido nos dias de hoje) bom senso.

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

FECHANDO A CONTA…

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Foi ao mesmo tempo irônico e surpreendente, quando a equipe de Uberlândia, notória utente das bolinhas, vence um jogo arremessando somente um 11/21 de três e 21/36 de dois, numa clara opção pelo jogo interior, atuando em dupla armação por todo o tempo, confrontando um 11/27 de três e 18/31 de dois do Pinheiros, bem perto de suas costumeiras convergências , e perdendo um jogo naquele aspecto dominante em sua campanha, o poderoso rebote, que foi superado num 32/18 decisivo na vitoria mineira, confirmando o acerto pela opção do jogo interior, tanto ofensivo como defensivo.

 

Pelos números é o máximo de analise possível, o que torna lamentável a não transmissão televisiva do encontro, tão importante no momento atravessado pelo grande jogo no país.

 

Em Brasília, no jogo mais importante de sua campanha pelo tetra na Liga, os candangos foram obrigados ao jogo de penetração, pela intransigente contestação de seus notórios arremessos de três, por uma defesa disposta a alterá-los a todo custo, fazendo com que a equipe tri-campeã, depois de incontáveis rodadas não convergisse em seus arremessos, com 19/40 nos dois pontos e inéditos 10/23 nos três, rompendo a sua inquestionável força exterior, obrigando-a ao jogo interior através um lento Paulão, um pouco atlético Guilherme, e dois cansados e pesados de guerra, Atílio e Cipriano, que se viram em maus lençóis frente aos grandões e muito mais velozes, Murilo, Chico e Jefferson, que os dominaram com relativa facilidade em suas conclusões.

 

São José, convergiu (17/35 nos três e 10/30 nos três), mas sem a contestação enérgica que utilizou sobre os longos arremessos dos candangos, que permitiram o tradicional jogo exterior dos paulistas, pagando um alto preço por essa já sua tradicional opção. Não defendendo com precisão aqui, e recebendo forte oposição lá, se constituiu numa formula, bem simples aliás, que determinou a vitoria paulista, ante uma equipe desgastada, veterana e que se renova com jogadores bem aquém da qualidade dos mais antigos, principalmente optando por pivôs pesados e lentos, alas voltados aos longos tiros e armadores antagônicos ao sistema de jogo escolhido por seu técnico, as rápidas transições e o jogo exterior.

 

Enfim, uma era se esvaiu nos próprios erros, e na falsa suposição de que “nomes” sempre resolvem as situações, que se provou falha dessa vez, não pelos nomes em pauta, e sim pela evidência maior, a de que não são eternos…

 

Amém.

 

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O JOGO INTERIOR…

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As duas equipes resolveram priorizar o jogo interno, no que fizeram muito bem, mas diferenciadas na forma como fazê-lo, e utilizando, ambas, dois armadores sempre em quadra. A do Pinheiros com quatro abertos, um pivô lá dentro, e os alas se deslocando para apoiá-lo nas ações de ataque (foto 1), e eventualmente concluindo de três ante a impossibilidade de conclusão do isolado pivô (foto 2). Uberlândia, variava de dois a três homens altos (alas e pivôs) transitando no perímetro interno, sendo alimentados por armadores tão ou mais afiados do que eles nas conclusões externas (Gruber e Cipolini usaram bastante, e com propriedade, os longos arremessos, como alas pivôs que são de formação), criando uma vasta possibilidade de jogadas decorrentes da confusa atitude defensiva dos paulistas, frente à uma movimentação intensa e veloz dos mineiros no âmago de sua defesa (fotos 3 e 4).

Neste cenário tático, a equipe mineira levou nítida vantagem dentro do perímetro (18/32 nos curtos arremessos), que quando contestados, propiciavam equilibrados e livres arremessos de três, pela compressão defensiva em torno dos três atacantes interiores mineiros, que atingiram a boa marca de 13/23 tentativas de fora, e um excelente 14/16 nos lances livres.

Do lado oposto, nem mesmo a boa atuação de ataque interno (19/30), a principio vindo de fora para dentro do perímetro, pode ser complementado pelo externo (9/27), onde mais se fez sentir a atuação contestatória da defesa mineira, além do sofrível desempenho nos lances livres (11/16).

Mais para o final do jogo, e a pedido do técnico paulista, foram ampliadas as tentativas de três, que convenientemente contestadas, geraram o grande acumulo de erros acima apontados.

Por mais uma e cansativa vez, vimos acontecer divergências e cobranças nervosas e até agressivas nos pedidos de tempo dos paulistas, mostrando tacitamente que os relacionamentos nas diversas esferas da boa equipe paulista não são das melhores, fato este que, com certeza, vem provocando as enormes oscilações que ocorrem no seio da mesma na competição.

O próximo jogo, o quinto, em terras mineiras, determinará o semi finalista desta série, vencendo aquela que apresentar a melhor proposta tática, e tão ou mais importante, o equilíbrio mental e psicológico dentro e fora da quadra de jogo, necessário e fundamental ao vitorioso fechamento da mesma, que nesse momento parece pender para os mineiros, mais unidos e determinados. Mas, pode acontecer o inverso, quem sabe…

Amém.

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EVOLUINDO, APESAR DE TUDO…

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Enfim uma rodada de playoff sem o reinado absoluto das bolinhas, enfim uma luzinha ainda muito tênue tremulando no fim do imenso túnel, melhor, poço em que lançaram o basquete brasileiro nas duas últimas décadas, mas qual uma chama de vela, ainda arriscada de ser abafada por uma mortal recaída, afinal de contas, os “especialistas” (onde contam até pivôs) não vão se dar por vencidos…

No jogo em São José dos Campos, entre as duas das mais renitentes utentes das famigeradas bolinhas, num jogo de playoff, foram lançadas 25/41 bolas de dois e 5/18 de três para a equipe da casa, e 22/44 e 6/22 respectivamente para Brasília, numa retração às repetidas e sucessivas convergências que vinham ocorrendo desde sempre, para ambas, e que num passe de mágica reverteram aos números acima, provando (suponho, pois o jogo não foi televisionado) que com um bem direcionado esforço defensivo, principalmente fora do perímetro, a tal hegemonia do nosso jogo externo pode ser reavaliado, com bons e eficientes resultados finais. Fico nesses números, que por si só já auferem uma bem vinda mudança de hábitos, quiçá inovador.

Em Franca, a continuidade de algo realmente estusiasmador, a jovem equipe de Franca, que mesmo sem dois de seus mais importantes veteranos, manteve a força de sua defesa, e o jogo preferencialmente interior (foram 24/47 arremessos de dois e 4/18 de três), apesar de umas poucas bolas forçadas de fora do perímetro, mas que não deslustraram sua inconteste vitoria.

Bauru, desfalcada seriamente em sua armação, também levou o jogo lá para baixo (19/40 de dois e 4/19 de três), onde os que se julgam ótimos são apenas bons, onde os jogos são decididos pelo alto índice de acertos se comparados às temerárias bolinhas de três, onde os bons têm de lutar muito e muito, para um dia serem ótimos…

Nem mesmo os índices nos lances livres definiriam o vencedor (10/14 para Franca e 8/11 para Bauru), provando que de dois em dois e uma forte defesa podem duas equipes apresentar um ótimo jogo, valorizando a técnica e a precisão.

Quando ficarmos entre 10 e 15 arremessos de três, claro, que sob defesas sérias e aplicadas, e realmente lançadas por especialistas de verdade, e em boas condições de equilíbrio e alguma liberdade, creio que chegaremos a um patamar de excelência técnica e tática, muito diferente da sangria hemorrágica e irresponsável, em que se encontra atualmente o grande jogo.

Acredito que chegaremos lá, com muito trabalho na base e novas concepções de jogo na elite, rompendo os asfixiantes grilhões de um sistema que nada tem a ver com o nosso talento e criatividade. Que o mesmo fique lá pelo hemisfério norte, com suas fabulosas e milionárias franquias, que mais cedo ou mais tarde cairão na realidade de uma economia doente e fragmentária, onde o “saber administrar a pobreza” é algo inimaginável e utópico. Nós, que deveriamos saber (muitos teimam ilusoriamente em esquecer…) como administrá-la, não podemos, e nem temos o direito de omiti-la, pois se trata de uma realidade nossa, que mesmo pesada e onerosa, nos guindou ao quarto posto no basquetebol mundial do século passado, apesar de tudo.

Que essa nova tendência, capitaneada pela dupla armação e o jogo rápido e insinuante de nossas altos e inteligentes jovens, nos leve de volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído, apesar das CBB’s da vida…

Amém.

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E HOUVE UM JOGO…

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Era para ter havido um, decisivo, ousado e parcimonioso em suas ações, medido em milímetros suas decisões, cadenciado, frio e objetivo, já que no final das contas era a única chance plausível ante um 0 x 2 no playoff.

Mas o jogo foi outro, dos nervos à flor da pele, a começar pelo comando, agitado, coercitivo sobre a arbitragem, dispersivo em decorrência, espelhando tal postura para dentro da quadra, onde seus jogadores refletiam o exógeno exemplo , todos, dentro e fora cometendo técnicas, desfocando suas finalidades num jogo decisivo, como em uma busca frenética por um álibi que os isentassem da derrota iminente, desenhada desde a primeira partida da série, e mesmo bem antes na classificação, ao jogarem num sistema, o único, onde no confronto posicional (o tal de 1 a 5…) levam evidente vantagem aquelas equipes com os melhores(?) jogadores em cada uma delas, deflagrando uma competição de emparelhamentos voltados aos confrontos de 1 x 1, característica básica de tão malfadado sistema de jogo, e que não atôa já anunciam reforços nas posições claudicantes frente a seus oponentes, numa ciranda de mesmice endêmica realmente lastimável.

Utilizar dois armadores (grande parte das equipes da liga já o fazem) sem dúvida alguma acrescenta melhoria técnica, nos fundamentos, mas ainda não desenvolve um melhor jogo interno, pois no sistema único de jogadas marcadas, os pivôs (quando jogam dois) ou os alas posicionados num falso pivô, recebem os passes em situações estáticas, geralmente de costas para a cesta, a partir daí evoluindo numa marcha a ré em direção a mesma, sob os olhares e impassíveis deslocamentos de seus companheiros, como compartimentos estanques em um mesmo ataque, distanciados e desconectados do sentido envolvente de equipe num processo dinâmico de jogo.

A ausência de uma coordenação passe-tempo-deslocamento entre armadores em torno do perímetro e pivôs (ou mesmo alas em deslocamento) dentro do mesmo é o que descaracteriza o sistema de dupla armação manietado pelo rigorismo tático do sistema único, fator ferozmente defendido pelos técnicos que o adotam, como os cordéis controladores de marionetes à serviço de uma concepção de jogo previsível (todos o adotam…) e por isso mesmo de domínio absoluto dos melhores jogadores de cada uma das estratificadas posições de 1 a 5, garantidor de um mercado restrito e disputado por todos na Liga.

Então, em face de um cenário por demais conhecido e praticado à exaustão (quem sabe um dia se cansem do mesmo…) pela maioria das equipes, Flamengo e Paulistano foram para um terceiro jogo definidor, no qual ambos agiram de forma quase idêntica, priorizando o jogo interno, porém aferrados ao sistema único, onde as duplas armações se concentraram mais em se anularem frente aos longos arremessos do que interagirem dinamicamente com seus companheiros que lá dentro se digladiavam estaticamente com poderosas defesas, num preâmbulo de algo mais do que previsível e conhecido, o de que nessa forma de jogar e atuar vence aquela equipe com os melhores e mais experientes jogadores.

Esquecem nossos jovens técnicos, que somente evoluirão e vencerão as grandes competições a partir do momento que subverterem o existente, o padrão ciclópico que ai está, derramado e explícito, numa forma de jogar formatada e padronizada que tanto nos tem prejudicado a mais de duas décadas.

Paralelamente a esta disposição estratégica, voltada ao jogo criativo e natural, todo um comportamento centralizador e coercitivo, codificado em pranchetas inócuas e equivocadas, dará lugar a um comportamento voltado ao dinamismo, ao olhar atento e preciso dos detalhes inerentes ao jogo, a seus jogadores, às entrelinhas das táticas e conceitos de jogo, fatores estes que não podem ser negligenciados pela dispersão causada pela preocupação relacionada a arbitragens, a erros comuns, inclusive os próprios, numa indesculpável fuga a essas responsabilidades, que geralmente levam ao fracasso de todo um trabalho.

O técnico do Paulistano é jovem, é talentoso, é promissor, mas somente alcançará plenamente tais virtudes se, de vez em quando, se aquietar no banco, observando, abrandando seus ímpetos, correndo para ajudar seus jogadores nos tempos pedidos, em vez de fazê-lo em direção aos juízes, exemplificando a seus comandados o mesmo caminho, e que finalmente rompa de vez com o sistema único, adotando algo de novo, de sua própria lavra, deixando sua equipe jogar por si mesma (como fruto de muito treinamento), e não manipulada de fora, levando-a a tempos melhores e menos belicosos.

Amém.

Fotos – PM. Clique nas mesmas para ampliá-las.

Em tempo – O Flamengo venceu com competência no jogo interno, classificando-se às semi finais, com um convincente 3 x O (84 x 64 neste jogo).

 

O REINO DAS “BOLINHAS” XI…

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Dizer mais o que depois de um jogo onde um jogador contabiliza 36 pontos, sendo 24 em arremessos de três (8/11), sem a mínima contestação de um adversário, que apostando também nas bolinhas naufragou em erros e omissões. Nezinho fez o que quis, arremessou como quis, passou e assistiu como quis, livre e solto, assim como seus companheiros de artilharia. Convergir para sua equipe tornou-se lugar comum (hoje foram 15/30 nos dois e 15/36 nos três), e talvez chegue ao titulo convergindo crescentemente, ante defesas de brincadeira, ante defesas de mentira. Impossível ficar indiferente perante tanta incompetência, proposital ou simplesmente ignorante, pois levar pontos em profusão de um jogador que arremessa da altura do seu plexo, tendo 1,85 ou menos, é de uma indigência defensiva lamentável.

Se para cada inócuo rachão fossem os jogadores treinados nos fundamentos do jogo, de defesa, nos acompanhamentos lineares, nas contestações verticais sem projeção frontal, na anteposição ao passe, ao trajeto preferencial que antecede o arremesso de um oponente, todos itens de pleno conhecimento de jogadores e técnicos que conhecem defesa, seus detalhes, e a forma de treiná-los, sistematicamente, confiando em sua técnica e não na falsa premissa de que para defender basta a vontade e o empenho em fazê-lo.

Fossemos mais diligentes nos fundamentos, de defesa em particular, e jogador nenhum que arremessasse da altura do plexo completaria seu movimento sem ser convenientemente bloqueado, obrigando-o a elevar seus braços, alterando sua trajetória, diminuindo sua eficiência, bem ao contrário de assisti-lo em sua pujante, porém evitável, técnica. Nezinho foi brilhante, sem dúvida, mas o seria se marcado de verdade?

Mas Brasília não é só Nezinho, é um grupo experiente e longevo em sua formação, constituindo-se numa força perfeitamente adaptada à essa forma de jogar convergente e em permanente transição, sinalizando aos oponentes que para vencê-lo precisam atuar de forma divergente à sua, que no panorama de mesmice endêmica em que se encontram é uma tarefa bastante difícil.

São José ainda tem uma chance de reverter o quadro, mas para que isso ocorra terá de defender com afinco, técnica e decisão, e atacar no perímetro interno, pois emulando os candangos no externo não terão como continuar na competição.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

Fotos de 1 a 4 – O grande festival das bolinhas…

DE CONVERGÊNCIAS A ERROS TÁTICOS…

De Uberlândia mais um capítulo convergente do basquete tupiniquim, e desta feita através o vencedor Pinheiros, em duas prorrogações, com a marca inacreditável de 18/33 nos arremessos de dois, e 16/39 nas famigeradas (imarcáveis? Ao menos contestadas?) bolinhas de três. Como vemos, a temporada de caça aos pombos está deflagrada por aqui, num torneio paralelo ao NBB de desafios para atestar quem “chuta mais”, e quem contesta menos. Vencedores? Sim, equipes que “pensam” estar inaugurando e definindo um novo caminho para o grande jogo entre nós. Perdedores? Não só eles próprios (e sequer desconfiam…) como, e ai tragicamente, toda uma geração de talentosos jogadores, que pelos exemplos em quadra, inoculam o vírus de tão primário e tacanho modo de jogar basquetebol.

Mas estão vencendo, não importando os meios, e sim justificando os fins, para gáudio e glória daqueles que no fundo odeiam o grande jogo, simplesmente por não saberem jogá-lo, como atestam frente à realidade dos embates internacionais “de qualidade”…

No Rio, dentro de um verdadeiro e unilateral caldeirão rubro negro (não localizei um torcedor que fosse do Paulistano), os mandantes do jogo fizeram um primeiro tempo ridículo e comprometedor, frente a uma equipe que simplesmente decidiu marcar de verdade, contestar para valer, e lutar pelos rebotes na marra e na disposição. Levou 16 pontos de vantagem para o vestiário, mantendo na volta o ritmo inicial, quando, no quarto final, cometeu um erro capital, que vem prejudicando de forma crescente muitas das equipes na competição, a pressão, coerção e perda de foco, transferido-o para a arbitragem, esquecendo que o fator A/C prevalece nessas circunstâncias, principalmente frente a uma vociferante torcida presente, predominantemente de futebol, cuja equipe também, e fortemente, contestava a arbitragem. Num momento dessa envergadura, o lado que melhor controlasse seus nervos, levaria vantagem ao final, o que não foi o caso do Paulistano, pois se assim fosse, não teria cometido um erro mortal ao manter um jogador altamente experiente e de seleção no banco, o Muñoz, que teria sido importante na contestação linear sobre o Duda (ação de acompanhamento linear que precede ao posicionamento ideal para o arremesso em movimento, freiando-o, que são características dos lançadores de três, como o Duda, o Marcos e o Benite, pois o Alexandre os executa sem o deslocamento) quando o mesmo virou o jogo com suas bolinhas de três, assim como tem mais habilidade que o Andre (nitidamente cansado) nas penetrações para assistir seus pivôs, àquela altura sem a presença intimidadora do Caio, com ação correlata e multiplicadora através o Elinho do lado oposto.

Preferiu o jovem técnico exercer um intenso rodízio ataque-defesa de seus pivôs, quando o problema à descoberto era a contestação dos longos arremessos de seu adversário, uma marca registrada do mesmo, além de lançar mão de faltas no Shilton, emérito perdedor de lances livres (3/11).

Frente a tais erros, a equipe carioca soube manter um mínimo de controle emocional, e apesar de ter jogado muito mal, venceu uma partida que a coloca em situação privilegiada no decisivo jogo de amanhã em casa.

Não foi um jogo de muitos arremessos de fora (9/22 para o Flamengo e 7/16 para o Paulistano), mas que foram decisivos pelas circunstâncias assinaladas acima.

A não mais preocupar, a notória quantidade de erros cometidos por ambas as equipes, 27, já que maltratar os fundamentos básicos do jogo se tornou regra geral, pelo fato de que jogador de elite não treina fundamentos, mas…chuta como ninguém.

Amém.

Em tempo – A/C – Arbitragem (não muito exigente) caseira.

Foto – Divulgação LNB.