UM PREOCUPANTE, PORÉM RELEGADO LEMBRETE…

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Desde algum tempo, venho alertando para algo de muito sério que vem ocorrendo nessa LDB, festejada e incensada competição de pré vestibular, ou mesmo ante sala de entrada de jovens jogadores (sub 22 ) na liga maior em seu NBB. Paralelamente , tenho comentado sobre a enorme deficiência nos fundamentos do jogo, por parte da grande maioria dos jogadores da elite, que apresentam números que seriam inadmissíveis nas divisões de base, fator que tenho discorrido sistematicamente nos comentários dos jogos do NBB7…

Pois bem, reiniciou ontem a competição da turma da LDB, onde o aspecto que venho enfocando, os fundamentos, alcançaram números estarrecedores, que variaram de 29 a 63 (isso mesmo, 63!!) erros nas 12 partidas disputadas, apresentando a média de 45.1 por partida, num total absurdo e altamente comprometedor de 542, e isso na primeira rodada, deixando no ar a perspetiva de algo contundente, a nossa incapacidade de formar jogadores, em sua grande maioria, que dominem com firmeza e conhecimento o básico do grande jogo, seus fundamentos, onde as poucas exceções muito poucas, não contam…

E sequer são apontados nesse caudal de falhas primarias, os arremessos, que apresentou num dos jogos de ontem 26/75 de três pontos, realmente impressionante…

Como fiz na serie anterior, reservo aos leitores mais interessados nessa matéria, a função de mapear as rodadas daqui para diante, frente as quais poderão se confrontar com essa trágica e lastimável realidade, que num pequeno trecho redigido pelo Giancarlo Gianpietro no seu Vinte Um, transcreve uma reveladora observação – (…) Durante o Basketball Without Borders, fui questionado por um importante dirigente de um clube da Conferência Oeste sobre a discrepância que se nota entre o nível de potencial atlético das revelações brasileiras e os seus fundamentos básicos (…)

Creio que para bom entendedor, os números, os terríveis números, por si só, se bastam…

Amém.

Foto – Divulgação LNB.

 

VOTANDO…

 

Fui convidado pela LNB a votar para o Jogo das Estrelas, como vinha ocorrendo nos MBB’s anteriores, mas nunca enunciei os escolhidos, e nem bem sei o porque da não divulgação. Neste ano, recebi alguns emails sugerindo que o fizesse, pois afinal de contas, outros blogs também convidados publicaram suas escolhas, e que nada desabonaria esse humilde blog divulgando sua escolha, ainda mais em tempos de votação aberta…

 

Então vamos às escolhas:

 

- Equipe Brasil NBB – Fisher / Neto / Alex / Fiorotto / Cipolini

 

                                               Nezinho / Coelho / Murilo / Olivia / Leo Meindl

 

          - Equipe Mundo NBB- Jackson / Holloway / Shamell / Meyinsse / Mata

 

                                               Dawkins / Ramon / Curnell / Day / Toyloy

 

Técnicos Brasil – Guerra e Lula

 

 Técnicos Mundo- Paco e Romano

Montagens fotográficas – Editoria LDB.

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A IMPOSITIVA CONVERGÊNCIA…

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Os vinte segundos finais dessa partida, em tudo e por tudo define o “novo estilo” que se impõe em nosso basquetebol, a convergência, imposta e aceita como algo inovador, como algo que deva ser seguido e adotado por todos, a base incluída, e já já serão colhidos os exemplos emanados da elite por parte de muitos jogadores da LDB, que iniciam nesse domingo mais uma etapa de seu campeonato, numa retomada saudosista da era Oscar, para nosso deleite ou preocupante destino…

Com dois pontos de vantagem para Limeira, parte a equipe de Bauru para o tudo ou nada, através uma tentativa de três do Alex, falhada, mas ante a passividade defensiva de Limeira perdendo o rebote, mais uma tentativa de três, agora através o Fisher, que mesmo contestado de muito perto, e algo desequilibrado, acerta a bola salvadora, prontamente recebendo a alcunha de “killer” pela tonitroante mídia especializada…

Mas Paulo, foi um jogo espetacular, emocionante, decidido na última bola, o que criticar então, o que?…

Quanto a espetacularidade e emoção, nada, mas quanto a uma perigosa realidade que vem se apossando de nossas equipes mais representativas, tudo, absolutamente tudo…

Com o advento galopante da convergência (nesse jogo Bauru arremessou 15/31 de três e 16/30 de dois pontos, e Limeira 11/25 e 19/34 respectivamente), fruto do declínio defensivo externo, preocupado nas dobras e coberturas internas, e falhando nas duas vertentes, ficaram abertos os caminhos para os longos arremessos, assim como se fecharam as possibilidades de assistências voltadas ao jogo interior, fruto do desconhecimento técnico voltado ao preparo dinâmico dos homens altos nessa estratégica área de jogo, e da não utilização de defesas com flutuações lateralizadas, e sim as verticalizadas de uso constante, que são permissivas aos passes, pois não se situam na linha da bola, já que dirigidas à massificação defensiva próxima a cesta…

Por conta de tais deficiências, viceja a decorrente aventura de fora, onde os embates físicos pouco acontecem, mas em caso contrário, a possibilidade dos três pontos se mantêm nos lances livres, “vantagens” estas que atraem até os pivôs, ansiosos em pontuar, já que minguadas são as oportunidades de fazê-lo em suas posições interiores…

Devemos somar ainda, e por conta do novo estilo, o decréscimo acentuado no domínio dos fundamentos básicos do jogo, já que para disparar bolinhas, dribles e fintas em progressão deixam de importar sobremaneira, assim como passes incisivos pois os de contorno são fundamentais para as conclusões de fora…

Então, e mais do que de repente, nos confrontamos com uma assustadora realidade, a de que, face a esta absurda e modal evidência, estamos alcançando números de erros inaceitáveis em divisões de base, quanto mais na elite, exemplificando – Nos quatro últimos jogos da Liga NBB/NBA, foram perpetrados os seguintes números : Minas/Paulistano -38 (20/18) – Franca/Rio Claro – 43 (27/16) – Uberlândia/Sorocaba – 33 (15/18) e Bauru/Limeira -24 (14/10), apresentando uma média de 34,5 por jogo, que tal?

Sem dúvida alguma ainda assistiremos jogos com tal carga de emotividade, e galopantes enxurradas de fora, onde convergências e bisonhos erros, muitos erros, acontecerão, assim como midiáticas pranchetas se tornando estrelas de primeira grandeza, pois tentam justificar, visual e graficamente, os conhecimentos táticos de quem as rabiscam, os estrategistas, muitos daqueles  mesmos que omitem importância a erros de fundamentos, repetidos à exaustão pelas equipes que dirigem e afirmam orientar, mas que são os primeiros a criticar as falhas individuais e os detalhes das derrotas, exatamente, pela ausência de conhecimento do básico, claro, por parte…dos jogadores.

Mas o assunto que mais me chamou a atenção neste fim de semana carnavalesco, foi a matéria do Giancarlo Gianpetro no seu Vinte Um, realizada em New York às vésperas do All-Star Game da NBA, quando arguiu o grande jogador e pivô da equipe do Spurs, Tim Duncan, sobre jogar com o Spliter num duplo pivô. Vale a pena ler o que respondeu, e sabendo-se que sua equipe normalmente atua em dupla armação, tirem vocês, meus poucos leitores, as devidas conclusões…

Amém.

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ESCOLHAS QUE DECIDEM…

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Quando uma equipe se vê privada de seu mais icônico e bem pago jogador da liga, punido por indisciplina, e dispara seu coletivismo liderado em dupla armação, e de sobra, assiste seus homens altos produzir internamente um sólido jogo, e de quebra, vê seu sistema defensivo atuar com uma energia antes velada e inconsistente, deve estar raciocinando pelo que esperar com a sua volta, provavelmente na próxima partida…

Por enquanto, vai enfrentando e vencendo seus adversários, liderada pelos armadores Laprovittola e Benite, que ao mesmo tempo que assistem a turma de dentro (15 assistências os dois), pontua de dentro e de fora com relativa eficiência (5/10 os dois nos 3 pontos), complementados na artilharia de fora pelo Marcos (4/5) e Hermann (2/4), e pelo enérgico jogo interior de seus pivôs…

Foi contra essa equipe.agora mais equilibrada, que o Palmeiras foi à quadra para desafiá-la, e que só não venceu pelo fato de seus armadores,ao contrário dos cariocas, se voltarem mais para as finalizações, do que assistirem seus bons pivôs mais assiduamente, quando Stanic e Neto arremessaram juntos 5/15 bolas de três, e distribuiram 11 assistências, quatro a menos que seu adversário, que venceram por 4 pontos…

Como vem ocorrendo em muitos jogos do NBB, quando a artilharia de fora é deflagrada pelas duas equipes em confronto, por conta da frouxidão defensiva, ou mesmo o “pagar para ver” tão em moda, as definições, geralmente, ficam para acontecer no quarto final, onde o duelo se definirá, e onde um pouco de bom senso se faz ausente para uma. ou ambos os oponentes, pois bastaria que um deles se bastasse na ofensiva que privilegiasse os curtos e médios arremessos, para  vencer, até mesmo com folga, pois suas tentativas alcançariam menores perdas, de esforço e de pontos…

No entanto, partem para o confro direto, pondo de lado a precisão e a eficiência, somente alcançadas quanto mais próximo da cesta estiverem, principalmente por obra e graça de seus armadores voltados ao coletivismo, e não aos arroubos adolescentes em momentos de decisão…

Aconteceu com a equipe paulista, e tornará a acontecer em outras mais, até o momento em que, vindo do duro e preciso treinamento, jamais de uma midiática prancheta, o sutil hábito de ler, entender e compreender o grande jogo no momento da verdade, quando o suntuoso e midiático gesto cede seu espaço ao fundamento básico, simples, preciso e despido de maquiagem, porém mais do que suficiente para vencer jogos, quiça, campeonatos…

Amém.

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MESA DE DEBATES-CRISE NO ESPORTE BRASILEIRO…

Recebi o convite da organização do II Congresso de Direito Desportivo que foi realizado de 17 a 19 de novembro de 2014, para participar da Mesa de Debates – Crise no Esporte Brasileiro no dia 18, numa iniciativa da Associação Atlética Direito UFSC, em Florianópolis.

O vídeo aqui veiculado, apresenta o teor completo dos debates, no qual as inserções 29:57/55:04/1:07:59 e 2:26:46 são as minhas intervenções no mesmo. No entanto, a visualização completa da Mesa, apresenta um panorama bastante amplo sobre o tema proposto, e que poderá interessar a todos aqueles que propugnam por um desporto mais assistido e prestigiado pelas autoridades brasileiras, a fim de implantá-lo com bases mais sólidas e voltado à educação dos jovens e a conquista de sua estratégica importância cultural para o país.

 

 

 

 

 

O ESNOBADO DPJ…

P1100050-001P1100051-001P1100052-001P1100056-001P1100060-001DPJ – Drible (com ou sem finta), parada e jump (ou arremesso em suspensão), é um tipo de finalização profundamente esnobada em nosso país, impotente na comparação com os “gatilhaços de três”, os “monstros” (enterradas) e as menos atraentes bandejas, todas finalizações importantes, mas não mais estratégicas do que o DPJ, em sua letalidade bem no miolo de uma defesa, onde os gigantes imperam, onde levar pontos é desmoralizante, onde, num terreno mínimo e minado, somente aqueles que o dominam vencem jogos, os decidem, de verdade, numa aparentemente (e só aparente)  fácil execução, onde o appeal se esconde dos olhos mal treinados de torcedores e pseudo conhecedores do grande jogo, pois se trata da síntese mais sofisticada no domínio dos fundamentos básicos, pelo drible ambidestro e colado ao corpo no deslocamento, a finta e o corte progressivo em espaço reduzido, a parada com completo controle do centro de gravidade, onde a transferência da velocidade horizontal para a vertical (alguns mais dotados chegam a saltar para trás nesse movimento, ampliando seu campo de visão) se torna uma arte, e o arremesso curto ou de media distância preciso, equilibrado e letal…

Franca possui dois jogadores que poderiam desequilibrar jogos se aplicassem o DPJ com mais frequência, e com vantagens enormes se comparadas aos bons armadores da equipe, que aliás pouco o usam. Cito o Leo Meindl e o Lucas, enormes, ágeis, rápidos e, se mais exigidos nos fundamentos de drible e fintas, dominariam qualquer defesa se utilizando do mesmo, pois de saida se equilibrariam aos gigantes defensores, sem sequer encostarem neles, simplesmente finalizando em suas cozinhas, no âmago de suas defesas…

Porque menciono esse arremesso e estes jogadores em particular? Bem, se voltarmos aos últimos jogos de Franca, quando perderam no quarto final partidas que poderiam ter ganho, e que segundo seu técnico aconteceram por desequilíbrio emocional, e se recordarmos a chuva de arremessos de três que intentaram no afã de reverter placares, inclusive tentativas seguidas destes mencionados jogadores, poderemos argumentar que uma aproximação nas contagens se utilizando dos arremessos curtos e médios, indo de 2 em 2 (às vezes 3 se houverem faltas), seria a tática mais recomendável, ainda mais com o potencial ofensivo da equipe, dos dois jogadores, e onde o DPJ se constituiria numa possibilidade muito além da média, vide os argumentos acima postados…

Graças aos deuses que ainda gostam do grande jogo, aos poucos vai se desnudando a falácia dos três pontos como decididores de jogos, com sua alta, porém esquecida ou pouco mencionada imprecisão e perdas de esforço vital em quadra, mas beatificados midiaticamente, como a ápice do jogo em conjunto com as enterradas, numa mistificação que o vem prejudicando profundamente, principalmente na formação de base, espelhada numa elite equivocada e orientada para o nada. Espero que evoluamos, no sentido da valorização dos fundamentos, onde o DPJ tem cadeira cativa (ou deveria ter…)

Amém.

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OS CONTÍNUOS E ESTÉREIS DUELOS…

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Fica chato, por repetitivo, comentar jogos iguais, monocórdios taticamente, onde as possíveis variáveis de um bem jogado jogo se restringem a duas, o duelo desenfreado nos chutes de três, e o pagar para vê-los na pratica, sistemática e sofregadamente perpetrados pelos dois  contendores, e talvez uma terceira, quase insignificante, a dura luta dos pivôs pelas sobras do festim vindo lá de fora…

Um dos técnicos pede um tempo, e enfaticamente pede a “mexida” da bola, da jogada, na troca de passes, buscando melhores posicionamentos para arremessos mais equilibrados, livres se possível, para logo na jogada subsequente uma pedrada de fora ser desferida, na maior, como se nada tivesse sido dito e pedido segundos antes, e que caindo ou não, encontra no estrategista a mesma feição de que nada é com ele, e sim de quem está lá dentro, e até esboça um sorriso quando a dita cuja, equilibrada ou não, afunda na rede adversária, e ai sim, por sua conta e graça, vide os aplausos escancarados que executa, na maior, noves fora os air balls e falhas em profusão (18/54 de três, 11/31 para os paulistas e 7/23 para os fluminenses), num jogo, que repito por mais uma vez, contava com bons e fortes pivôs em ambas as equipes, coitados, destinados às sobras e esporádicos duelos 1 x 1, sob a imobilidade presencial dos demais jogadores, numa surda torcida pautada pelo “se vire por ai”…

Claro, que a equipe da casa, mais “acostumada” com as manhas e cantos de seu ginásio, acertava as bolinhas com mais frequência, ainda mais com o pagar para ver de seu adversário, e mesmo agindo na reciprocidade defensiva, viu a turma fluminense se perder em tentativas, não só de fora, como as kamikases infiltrações de um americano mais para presepeiro do que armador de ofício, que deveria ser sua real posição, claro, na existência de um sistema minimamente confiável…

Ao final, o técnico fluminense pede um tempo, muitos pontos atrás no marcador, e ajusta sua equipe para… o jogo seguinte, contra o Pinheiros, numa ação que determina o encerramento dessa analise, pois nada a mais poderia ser dito…

Em tempo – Foram 27 erros de fundamentos entre uma bolinha e outra (11/16).

Amém.

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A CONVERGÊNCIA VITORIOSA…

 

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Bem, caros leitores, tanto insistimos, com afinco e dedicação muito além da média, que, enfim, para gáudio da turma trovejante dos “monstros”, “gatilhaços”, “soberbos tocos”, e da grande, senão maioria, parcela daqueles que se acham doutores no grande jogo, atingimos o topo da evolução técnico tática que tanto defendem e perseguem com sofreguidão, aquela que determina a convergência como o grande padrão a que temos de nos sujeitar daqui para frente, pois nesse emblemático jogo entre Franca e Flamengo, pela primeira vez, de outras vezes que se sucederão, duas equipes da elite do basquetebol tupiniquim conseguem juntas, arremessar mais bolas de três do que de dois pontos, numa façanha digna do “chega e chuta” às mais renhidas peladas do atêrro, claro, sem demerecê-las com tão tosco exemplo perpetrado pelas duas representantes da LNB/NBA…

 

Meus deuses, foram 24/58 arremessos de três (8/26 para Franca e 16/32 para o Flamengo), contra 28/57 de dois pontos (18/33 e 10/24 respectivamente), numa prova irrefutável e indesculpável da falência defensiva externa nesse jogo exemplar às avessas, quando o prenúncio estratégico levava o encontro para baixo das cestas, como deveria ter acontecido, frente aos muitos bons pivôs em confronto, mas que por indesculpável omissão dentro, e por que não, fora da quadra também, optaram pelo desafio ensandecido nas bolinhas, principalmente no quarto final, quando bastaria que uma delas, se bem treinada e dirigida, forçasse o jogo de 2 em 2, ao mesmo tempo que contestasse os longos arremessos do adversário, sem temer as penetrações (que valem 2 pontos, às vezes 3), levando a partida para um impasse, onde a frieza e o equilíbrio emocional determinaria seu final, que ficou mais do que claro através a potencia pontuadora do Benite e do Marcos, pouco ou nada contestados, principalmente neste quarto final, e que na figura do primeiro nada deixou de saudades do afastado, briguento e veteraníssimo capitão, com vantagens acentuadas, por ser um forte e sempre bem posicionado marcador, ser ambidestro na armação e tão bom, ou melhor nas bolinhas, principalmente as mais rápidas…

 

Franca se deixou cair na armadilha de um duelo insano nas bolinhas, quando possuidor de um sólido jogo interior com seus pivôs e alas pivôs habilidosos e cheios da energia dos 21/23 anos, apta a defender fora e dentro do perímetro, porém ainda muito suscetível na aceitação da blindagem interna, que exige dobras sucessivas, quando o forte de seu adversário se estabeleceu externamente, como sempre vem fazendo na liga…

 

Então, como definir este jogo como brilhante frente a 33 erros de fundamentos (19/14) e a dolorosa realidade do abandono defensivo externo, propiciando a “liberdade” ansiada pelos gatilhos em confronto, como?…

 

Quem sabe, aceitando, como os estrategistas parecem aceitar nas bolinhas o seu éden existencial, simbólico fator que justificaria o corporativismo que os une, profissional e tecnicamente, onde a mesmice endêmica se torna garantidora de um status inamovível e refém da nossa conquista de ontem, a convergência mais do que nunca real e vitoriosa, fruto da dolorosa omissão defensiva, que mais lá na frente, nos irá cobrar altos juros quando no enfrentamento internacional, a começar pelo olímpico em nosso quintal, onde esses torneios da Fiba Americas e ABAUSA, com a maioria das equipes formadas em aeroportos, nada somam técnica e taticamente, a começar pela também inexistência defensiva lá fora do perímetro…

 

Porém, o mais impactante nesta semana foi a declaração do técnico do São José sobre a derrota para Limeira no Globoesporte- –(…)” Vejo essa irregularidade muito no estado psicológico. Porque tem que ter um ar de energia no time. Esse ar de energia não está transbordando. Ele está interno ou pouco. Esse fator faz a diferença. Às vezes, você sofre uma falta e cai. Com a gente, sofremos uma falta, a bola bate no aro e sai. Isso é fator psicológico. Não é treinamento a mais. Os caras estão se dedicando, mas essas situações são momentos. Momentos de lado psicológico. É muito difícil apontar para outra coisa. Você vê neles que, às vezes, o cara quer e não consegue. Estamos trabalhando com a psicóloga e tentando fortalecer ao máximo os jogadores que estão presentes” – comentou (…) .

 

No entanto, num dos últimos tempos que pediu na partida comentou com os jogadores – “Eles estão tirando o meu armador e não tenho outro para colocar”, isso dito ao lado do “outro” armador, o Rafinha… Sensibilidade psicológica é isso ai…

 

Amém.

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OS HÍBRIDOS SISTEMAS…

 

 

 

 

 

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O basquetebol é um jogo eminentemente tático, no aspecto coletivo e no individual também,que se bem estruturado estrategicamente, talvez não encontre comportamentos similares dentre os desportos coletivos, pelo dinamismo e complexidade de suas ações…

 

E por ser dinâmico e complexo, suscita estudos, pesquisas e discussões sem fim sobre como praticá-lo com um minimo de lucidez e bom senso, fatores aqueles, que são falseados na medida em que estes dois básicos ítens sejam negligenciados, transformando o grande jogo num pastiche do que deveria ser executado dentro de uma quadra…

 

Neste NBB7, temos 16 equipes que professam ardentemente o sistema único, pois a maioria esmagadora de seus técnicos e jogadores o praticam desde as divisões de base, e mesmo aqueles que vem de fora, brasileiros ou não, também o praticam, por ser o mesmo o grande, gigantesco legado herdado da NBA, com sua profunda penetração midiática global, que nem mesmo uma competente contrafação liderada pelo Coach K na direção das últimas seleções americanas, conseguiu ainda abalar sua monolítica concepção de privilegiar os embates de 1 x 1, a mola mestra do espirito competitivo e comercial da mega liga, onde o estrelismo quase sempre supera o coletivismo, vide aqueles grandes astros que quebram e superam recordes, enquanto suas equipes perdem jogos e campeonatos, mas claro, onde as pouquíssimas exceções não contam, como deveriam contar…

 

Então, perante este pouco discutido quadro, podemos avaliar com bastante precisão, o quanto de dificuldades encontram todos aqueles muito poucos técnicos, aqui e acolá, quando decidem mudar, reformular o grande jogo, quando se deparam e passam a lidar com jogadores, analistas e mídia especializada, onde todos professam (por não conhecer, ou não se interessarem por outros caminhos), o sistema único universalizado pela NBA…

 

Dificuldades estas que entravam, por exemplo, a ação transformadora de um Marcel, na tentativa de inclusão do Sistema de Triângulos, sistema de jogo onde o dinamismo e constante movimentação dos jogadores se torna ação básica e fundamental, mas encontra graves vícios técnicos arraigados nos mesmos, por conta de anos e anos de sistema único, com seus chifres, punhos, camisas,etc, e muito pouco apreço pelos fundamentos, a não ser aqueles que os fascinam pelo reconhecimento midiático, as enterradas, os tocos (ambos que não devem ser considerados fundamentos, e sim recursos), e o nirvana de todos, as bolinhas de três, facilitadas e incentivadas pela ausência contestadora e defensiva, outro óbice respeitável de nossas alienadoras contradições…

 

Neste jogo, Pinheiros e Limeira, somaram-se todos os aspectos acima abordados, onde Limeira, fugindo de sua habitual artilharia de fora (5/13), encontrou em seu adversário a frágil contra partida de 4/23 nos três pontos, deixando de lado um promissor jogo interno (20/41, com 28 pontos no garrafão), pela qualidade de seus pivôs (onde mais se evidenciam os princípios dos triângulos), enquanto seu adversário concluía 27/49, com 32 pontos “lá dentro”, vencendo o jogo, com direito a assistir seu oponente se perder em sucessivas tentativas de três, em vez de aplicar o sistema proposto por seu técnico, para de 2 em 2 se aproximar no placar…

 

Quando nos deparamos com um resultado, como no jogo Ceará e Bauru (109 x 67 para os paulistas), no qual 70 arremessos de 3 foram perpetrados, com somente 28 acertos por ambas as equipes, e onde Bauru superou a convergência com 18/29 arremessos de 2 e 21/38 de 3, sendo incensado pela mídia pelo recorde de 21 bolinhas num jogo, numa prova contundente da nulidade de um dos mais, se não o mais, importante dos fundamentos individuais e coletivos, a defesa, fica no ar um questionamento transcendental – Que basquetebol estamos praticando?…

 

Fundamental se torna que o “nosso” basquetebol evolua para sistemas de jogo realmente inovadores, audaciosos, corajosos, frutos de muito estudo e experiências práticas, em todas as categorias, da base a elite, e profundamente ligados ao ensino profundo e permanente dos fundamentos, que são a amalgama do grande jogo, e domínio dos técnicos de verdade, que são aqueles com a capacidade adquirida na teoria e na pratica de mudarem conceitos, até paradigmas, na busca da verdadeira essência do jogo, e não superficiais adaptações da mesmice endêmica que viemos atravessando desde sempre, as quais, perante a dura realidade de nossa deficiente formação, dentro e fora das quadras, nos fazem reféns da mesma…

 

Porém, jamais nos esqueçamos que nosso basquete de elite reflete a nossa formação de base, muito diferente da verdadeira linha produtiva baseada no desporto colegial e universitário  americano e de muitas outras nações, onde professores e técnicos encontram a matéria prima básica a ser trabalhada, não só para a competição, como para a vida cidadã, que é um direito de todos, direito este inserido, inclusive, em nossa Constituição Federal…

 

Até lá, continuaremos a exercer sistemas híbridos, com um pé cá e outro acolá frente a nossa realidade, na qual maiores voos sempre serão “adaptados”, nunca reformulados e reprogramados de verdade, que deveriam ser os caminhos percorridos, mas claro, pelos que sabem, e não pelos que pensam saber, nunca esquecendo que só improvisa quem sabe, quem domina com presteza e sabedoria os instrumentos do ensino e da consequente aprendizagem, que não sendo assim, se transforma em “chutação”, na mais plena acepção do termo, midiático, ou não…

 

Amém.

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O PIVÔ DE TRÊS…

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Aguardo com curiosidade os próximos embates na Liga das Americas, para ver se, contra as melhores equipes desse torneio (as montadas em saguões de aeroportos não contam…), a hemorragia funcionará como aqui tem funcionado, para ai sim, concluir do acerto dessa escolha por parte de nossos estrategistas, que desde já vem condenando, por mais uma geração, nossos jovens e talentosos pivôs a meros pegadores de rebotes e sobras junto às cestas, para gáudio da turma que apóia a midiática realidade das bolinhas, das enterradas monstros, e dos tocos monumentais, esquecendo que, no basquete sério e vencedor, são as bolas de media e curta distâncias que definem os campeonatos, incluso os lances livres e a menor incidência possível nos erros de fundamentos. Mas ai é exigir demais dessa turma analfabeta do que venha a ser o grande jogo…

Vejamos um lídimo exemplo neste jogo na figura da equipe paulista, que converteu 36 pontos de 2 e 36 de 3, em 35 tentativas para ambas, numa pequena diferença de 6 pontos entre elas, deixando no ar uma questão aritmética, se levarmos em conta serem os arremessos curtos e médios muito mais precisos que os longos, a de que bastariam concluir a metade dos 23 erros nas longas bolas, ou 22/23 pontos possiveis pela proximidade, para vencerem por mais larga margem de pontos, o mesmo valendo para seu adversário com seus 19 arremessos falhos de 3 pontos. Mas como ser isso possível no âmago do raciocínio rasteiro e imediatista dessa turma que se apossou do grande jogo, apequenando-o ao triste papel de uma equivocada competição de tiro aos pombos?…

Fico realmente pesaroso com o destino dessa geração muito alta, ágil e veloz, refém de uma artilharia insana e estúpida, privando a ela e as que se sucederão, o desenvolvimento de suas habilidades, a não ser que, como alguns vem se insurgindo, aderindo ao que todos fazem, incentivados ou por conta própria, abrindo para participar do festim, dando surgimento a uma nova opção de jogador, ou o da posição 6, o pivô de três…

Mas voltando ao jogo, fico me perguntando onde os candangos foram pescar um armador absolutamente anárquico como o La Monte, que posta na internet seu treino de 25 bolas de três, e no jogo para valer erra 6 fundamentos de passes e drible, e que foi o cestinha de sua equipe, ao preço do seu desmonte tático, que já não era dos melhores (vide a dualidade de comando em seu banco…) agora também dividido dentro da quadra pelo mesmo, com os também tradicionais esgares contra a arbitragem, que mais para frente poderão custar muitas técnicas fatais em jogos decisivos. O cara realmente é impressionante, não pelo que fez ou fará, mas pelo que pensa ser, e absolutamente, não é…

Amém.

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