EM BUSCA DO GUINESS…

Falta pouco, muito pouco, e sei que conseguirão, talvez não no próximo jogo, o quinto da série, talvez no NBB5, pois outras equipes não ficarão a revelia da conquista histórica, a suprema conquista do Novo Basquete Brasil, a prova absoluta e indiscutível de que novos conceitos de basquete serão estabelecidos em nosso país, fundamentados numa realidade palpável e indiscutível, a definitiva imposição do reinado das bolinhas, cujo umbral está prestes a ser ultrapassado na incrível marca das 60 tentativas de três pontos por partida, meta que já alcança as 56 tentativas, como no jogo de ontem, e que pode ser superada muito em breve, para gáudio e suprema satisfação da maioria de nossos técnicos, empenhados que estão na perpetuação de seus nomes no Guiness, mas que infelizmente premiará somente uma equipe, o que prevê uma luta intensa pelo galardão histórico.

Cinqüenta e seis tentativas de três pontos, para um aproveitamento de 22 bolinhas (foto 2), reservando as demais 34 ao emocional dos torcedores, espectadores engabolados por uma mentira colossal, a de que daquela distância o alvo é fácil de ser alcançado com precisão, quando na verdade um desvio direcional de 0,2 graus o invibializa, fator omitido aos eternos candidatos a “gatilhaços”, soando de forma irresponsável por parte de quem os comandam.

Quanto ao jogo, uma forte e eficiente prestação do pivô Murilo, pontuando no interior, nos contra ataques e até nos três pontos (foto 1), fraturou o sistema defensivo de Bauru, incapaz de detê-lo, assim como foram incapazes, por mais uma vez, de agir dentro do perímetro de São José, se perdendo num 10/32 de três lamentável.

Enfim, resta uma compensação, de que muito em breve alcançaremos o prana basquetebolistico, quando estabelecermos definitivamente o reinado das bolinhas, para todo o sempre…

Amém.

 

Fotos reproduzidas da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

A DÉCIMA PRIMEIRA JOGADA…

Nada definiu com mais precisão o terceiro jogo do playoff em São José dos Campos, do que uma tirada do comentarista Wlamir Marques da ESPN BRASIL após um pedido de tempo do técnico de Bauru, questionando seus jogadores com o argumento de que a equipe tinha dez jogadas ensaiadas e não conseguia executar nenhuma – “Guerrinha, se a sua equipe tem dez jogadas ensaiadas, eles só estão executando a décima primeira…”

Perfeita tirada, pois até aquele momento a equipe de Bauru simplesmente não conseguia concatenar sequer um ataque organizado, apelando para o individualismo exacerbado e esbarrando na forte e bem postada defesa do São José, ponto determinante para a fácil vitoria, apesar dos corriqueiros desperdícios em bolas de três (6/21) e um acentuado número de 13 erros. Com o ataque inoperante, os jogadores de Bauru também abusaram das bolinhas (7/25) como de praxe neste campeonato, além de cometerem desastrados 17 erros, totalizando 30, numero inadmissível em um jogo de liga maior.

E nesse ponto um questionamento se faz necessário – Porque equipes fundamentadas em americanos se desestruturam em campo, na mesma proporção daquelas sem os estrangeiros tão ambicionados? – Partindo do pressuposto, de que americanos com sua base fundamental nos detalhes técnicos do jogo, praticam a modalidade com maior domínio técnico tático do que nós, advindos que somos de uma formação básica deficiente e equivocada, o que explicaria os descompassos desses jogadores tão mais bem formados do que os nossos?

Que tal observarmos a questão por outro ângulo, que não o daqueles  jogadores, focando a quem os mesmos ficam subordinados? Isso mesmo, os técnicos, que primeiramente pouco dominam o idioma em nível de conversação, fator indispensável a um completo entendimento sobre componentes técnicos, táticos e até comportamentais complementares a sua experiência profissional como um todo, restringindo e omitindo o necessário detalhamento para sua real integração ao sistema proposto, tornando fragmentário, e até ininteligível o diálogo entre ambos, que é o fator mais importante para o estabelecimento da confiança e comprometimento mútuos, base estrutural de uma equipe.

Também o fator qualitativo, pois não podemos desconhecer o fato de que a esmagadora maioria desses profissionais é constituída de jogadores de quarta ou mais linhas no mercado mundial, sendo que os que para aqui são canalizados, o são como décima sétima, ou mais, opções de ligas em países que os remuneram acima da realidade do nosso mercado. Talvez, com a forte recessão econômica na Europa, melhores valores por aqui aportem, inclusive, profissionais para a direção técnica.

Finalmente, o fator referente ao sistema de jogo, que por ser aquele adotado quase que unanimemente por técnicos e jogadores, nacionais e estrangeiros, transformam a todos em “profundos conhecedores” do mesmo, autorizando-os a tomarem iniciativas de cunho próprio sobre algo de domínio público, onde segredos e surpresas inexistem e se repetem sem fim, num carrossel de interesses e pseudo trocas de cunho imediatista e oportunista.

Enfim, mesmices assim são criadas e perenizadas, em nome dos “modernos conceitos de basquetebol”, reino privatizado por uns poucos, corporativados para que nada possa ferir, ou sequer arranhar o domínio que exercem sobre esse impensável e absurdo caos, mesmo sob o holofote das discussões e cobranças midiáticas e picarescas.

Temo, sinceramente, que algo de novo e ousado custe muito, e talvez seja impossibilitado de ocorrer no âmago do grande jogo em nosso país, o que saberemos com certeza e alguma precisão no próximo março, quando seis ou meia dúzia dirigirão por sobre mais um ciclo olímpico, a não ser que uma terceira e redentora via venha a iluminar o descaminho que se descortina no horizonte.

Até lá, continuemos a assistir jogadores aplicarem décimas primeiras jogadas, já que as dez “exaustivamente treinadas” sucumbem a uma defesa razoavelmente postada, e se zonal, ai sim, com o caos declarado, e isso para todas as equipes da LNB, no breve a ser iniciado NBB5

Amém.

Fotos – 1- Ataque paralisado e de cunho individual

2- A cobrança das dez jogadas…

3- A prova da mesmice endêmica.

 

Fotos reproduzidas da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

PIMBA PRA LÁ, PIMBA PRA CÁ (OU MAIS DO MESMO – FINAL)…

Na primeira sequência de três fotos, as duas primeiras foram repetidas 52 vezes (7/26 e 8/26) no segundo jogo da serie entre Bauru e São José, todas em arremessos de 3 pontos. A terceira mostra o célebre quadradinho da FPB que confirma a enxurrada.

A segunda, referente ao primeiro jogo mostra que 50 bolinhas foram arremessadas (8/20 e 10/30), e mais uma vez o quadradinho emblemático e preciso

Agora, façamos um pequeno exercício aritmético com tais números, e o que temos? Em dois jogos, somente dois de uma séria decisão, 102 arremessos de três foram tentados, num total de 306 pontos possíveis, isso mesmo 306 pontos possíveis, e somente 99 (em 33 acertos) foram conseguidos. Se 306 pontos possíveis foram tentados e somente 99 concretizados, deduz-se que equivaleram a 33 ataques bem sucedidos e espantosos 69 perdidos (ou 207 pontos), uma drenagem de tempo e esforço consideravelmente absurda, equivalendo a 34,5 ataques perdidos em media por jogo, somente quanto aos arremessos de três. Indo um pouquinho mais além, e considerando um ataque médio em 20segundos, teríamos 11,5 minutos perdidos por jogo provocados pela hemorragia dos três (34,5 x 20 = 690seg ou 11,5 minutos).

Somemos a essa hecatombe os 45 erros cometidos, e poderemos atestar o quanto de mediocridade tem nos assaltado desde muito tempo.

Peguem os dois quadradinhos, e se possível revejam os dois jogos (gravá-los é um excelente exercício de estudos..), e atestarão a quantas andam o nosso investimento técnico tático na divisão maior do nosso apequenado grande jogo.

O mais impressionante disso tudo é constatarmos que alguma das equipes que mais empregam os longos e temerários arremessos, e que se destacam pela quase completa ausência de contestação defensiva a esta mesma concepção de jogo, são aquelas orientadas pelos assistentes do Magnano na seleção nacional, numa flagrante prova de que seu sistema de jogo não conta com unanimidade entre os mesmos, e sua consequente negação de implantação e aceitação  pelas equipes nacionais, o que explicaria a presença ao lado do argentino nas grandes competições de um assistente patrício, junto ao qual discute e dialoga durante as partidas.

A quem perguntar o que poderemos esperar de novidade, de ousadia, de criatividade para o próximo NBB5, respondam sem dúvidas e sem pestanejar, pela continuidade da mesmice endêmica agora mais presente e solidificada como nunca, e que os deuses, todos eles, nos ajudem.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

MAIS DO MESMO III…

Está ficando cada vez mais difícil escrever sobre basquete de qualidade nesse país, ainda mais quando o assunto é direcionado aos embates internacionais, contra argentinos em particular. Houve um tempo em que tais enfrentamentos não ofereciam maiores preocupações, dada a nossa superioridade desde a formação de base até as superiores, quando, lentamente essa superioridade foi sendo dirimida pelos hermanos, através um trabalho orientado a excelência, principalmente nos segmentos de formação de base e de técnicos especializados. Uma sólida associação de técnicos serviu de respaldo à escola de treinadores, espelhada principalmente nas experiências espanhola e americana, enquanto em nosso país, e à mesma época, duas associações de técnicos, ANATEBA e BRASTEBA foram liquefeitas pelo poder central e coercitivo da CBB, temerosa de que tal associativismo influísse em suas decisões técnicas.

O resultado ai está exposto em toda sua dimensão trágica, originando uma inversão de valores e influências técnicas, destinando ao basquete platino a atual superioridade sul americana, com poucas e bem difíceis chances de reversibilidade em médio prazo.

Logo, bem ao contrario do que muitos pensam, falam ou mesmo escrevem, considero nossa decadência originada na omissão da grande maioria de nossos técnicos, principalmente aqueles que detiveram o comando de seleções nos últimos 35 (ou mais…) anos, desde que a ANATEBA foi liquidada pela CBB em 1974, sem que os mesmos movessem uma palha sequer em defesa da manutenção associativa, já que devidamente contemplados com os cargos maiores de comando, em troca da subserviência e tutela da avessa mentora a tais movimentos.

Somemos a esta evidência, a fusão coercitiva e política do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro, quando a cidade estado deixou de ser o segundo estado mais rico e poderoso do país, para ser transformado num município enfraquecido e favelado, dando fim ao poderio esportivo que a mantinha como concorrente direta ao poderoso estado de São Paulo, e onde o basquetebol atingia o interesse maciço de sua população jovem e entusiasta.

Sem tão poderosa competição, o esvaziamento da modalidade se tornou patente, dando origem à situação em que hoje se encontra no cenário desportivo nacional.

Com a ausência de lideranças atuantes, começou o nosso basquetebol a sofrer influência direta da NBA, quando a mesma começou a ser diretamente veiculada em canal aberto nos anos noventa, dando inicio a implantação do sistema único de jogo, hoje largamente utilizado pelas equipes nacionais, mesmo as de formação, sem que sistemas alternativos sequer consigam oportunidades de contrafação ante ao monopólio estabelecido.

Então, quando assistimos a um jogo como o de ontem, entre a equipe do Flamengo e a do Peñarol, em tudo e por tudo ficamos presos à terrível evidência de uma mesmice tática que nos empobrece e minimiza, ante uma outra realidade fundamentada numa bem encaminhada formação de base, e cultura técnico tática platina, mesmo abusando, também, das bolinhas de três.

Como todo comando emana de um bem estruturado projeto, seguido pelos líderes e seus comandados, fica bem claro que o mesmo tende a ruir na medida em que seja contestado pelos que o deveriam seguir, como o fato do Marcelo exercer uma armação sem ser armador (fotos 2 e 3), mesmo na presença em campo de um ou dois especialistas na função, assim como pela insistência no jogo exterior, quando o perímetro interno clamava pela presença dos bons pivôs rubro negros, trocados que foram por bolinhas de três midiáticas e irresponsáveis, como a última do jogo, efetuada ironicamente pelo pivosão da equipe (foto 4), além da mais absoluta passividade frente aos longos arremessos argentinos (foto 1).

Enfim, pouco podemos acrescentar à mesmice endêmica e a hemorragia dos três que, rapidamente vem desmontando, item por item, os ensinamentos do  técnico argentino da seleção nacional,  como uma velada resposta à sua contestada liderança, a começar pelos seus assistentes (?) na mesma.

Perdemos mais uma decisão de chave para os argentinos, como também, e por mais uma vez, perdemos o rumo e os bons ventos na direção do soerguimento do grande jogo entre nós.

Amém.

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MAIS DO MESMO II…

Tive de optar, ou um jogo entre uma equipe vip brasileira contra um arranjo chileno, ou outro entre duas equipes candidatas a vips tupiniquins. Optei pelo jogo paulista, afinal era o quinto embate decisivo do playoff classificatório às finais.

Ao final da tremenda pelada, o tal quadradinho estatístico da FPB fixou-se em minha retina, custando muito a desaparecer, como uma punição à perda de tempo e paciência consumida naquela hora e meia de provação, não só técnica, como estética também.

Estética, caro Paulo, estética? E por que não? Enterradas magistrais e bolinhas de três, não foram, e continuam a ser mantidas pela “critica abalizada” como o máximo na estética do grande jogo, onde erros grotescos de fundamentos, de defesa, de rebotes, ausência de jogo interior competente, sistemas de jogo alternativos, se mantêm ao nível mais rasteiro possível, em contrapartida à grandiosidade autofágica do restrito jogo dos gatilhaços?

Perguntas pairam no ar, sendo que a mais emblemática se refere a herança sobre os princípios coletivistas propostos, treinados e executados sob a liderança do olímpico argentino, que parecem estar sendo solenemente esnobados  pelos técnicos nacionais, ao se cumpliciarem com jogadores nessa hemorragia dos três, fato concreto pela passividade com que assistem a torrencial enxurrada dos mesmos, ora cruzando os braços, ou pavoneando ao lado da quadra, tanto no gestual, como no discurso inflamado como uma cortina ao que realmente ocorre lá dentro.

Tornou-se corriqueiro os mais de 50 arremessos de três por partida, numa contundente prova de que o agora estabelecido continuará a ser praticado, não importando muito os erros, que estão crescendo em proporção direta às tentativas de três, o que é algo preocupante, pois nas oportunidades que restam para jogadas criativas a incidência dos mesmos está atingindo níveis inadmissíveis numa divisão superior.

E em homenagem a novel estética que parece irá também se firmar no NBB (equipes vêm contratando jogadores enfocando essa pretensa “habilidade”…), publico fotos com essa incompreensível (para mim) escolha técnico tática, chamando a atenção para o deserto de atacantes no perímetro interno quando das tentativas, numa prova inconteste de que, assim como tem os que arremessam, estão presentes os que não marcam, e como ambas as equipes assim professam e praticam o jogo, vence que encaçapar a última…

Ah, também o quadradinho emblemático, e revelador…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 

MAIS DO MESMO…

Ligo a TV e aguardo o inicio do jogo, curioso em presenciar algo de novo, afinal, os investimentos foram altos, o técnico faz parte da comissão da seleção, o treinamento obedeceu a um razoável prazo de trabalho, jogos internacionais e regionais foram travados, enfim, a equipe estaria perto de adquirir um bom conjunto, e melhor ainda, um consistente padrão de jogo.

O ginásio platense estava às moscas, com espaços sobrando para as brincadeiras infantis em suas bancadas, mas o clima de algo inovador pairava na mente aqui do velho observador, esperançoso de testemunhar novos e arejados ventos a favor do nosso combalido basquetebol.

Mas foi começar o embate, para rapidamente se esfumaçar esperanças e anseios, pois o que se viu dali em diante foi a milionésima versão do mesmo, do mais do mesmo…

Marcelo de armador (e o americano ou congolês, sei lá, o Gegê, não armam mais?), Benite de 2 (?), Marcos de 3, Alexandre de 4, e o Caio de 5, todos vivenciando os personagens usuais, monocórdios, e usando uma terminologia bem mais concreta, manjados…

Antigamente conhecíamos a ação do “arma que eu chuto”, utilizada por alguns dos gatilhos da época, mas o “armo para chutar” é inédito, e o Marcelo, criativo como poucos, adotou a novidade com ardor, criando para si toda uma movimentação para um específico e prioritário fim, sua tradicional bolinha, infelizmente atingindo um 3/8 nada eficiente, somente sobrepujado por um 0/7 de seu irmão, num cenário de 7/25 bolas de três.

Mesmo assim, e frente a uma medíocre equipe uruguaia, onde os pivôs brasileiros, Átila e Ricardo davam mostras de como correr ineficientemente de um lado a outro e saltar atrás das bolas falhadas de seus companheiros, sem participarem do jogo em si, a equipe carioca conseguiu se impor com alguma folga ao final dos quartos iniciais.

Os dois quartos finais foram trágicos, pois os rubros negros se perdiam dentro de um sistema que conhecem de sobra, mas pouco empenhados em exequibilizá-lo, cedendo terreno para a reação, mesmo desordenada, dos uruguaios, que concentrando seu jogo no perímetro interno, levou todos seus jogadores altos a ficarem pendurados em faltas, mas que não beneficiaram seus oponentes, que num jogo de tal importância contabilizaram um 19/34 nos lances livres, numa derrota por 8 pontos.

Concluindo, foi um jogo muito ruim, com a equipe do Flamengo cultuando o mesmo sistema único desde sempre, e que nem a tentativa de terminar o jogo com três armadores em quadra conseguiu desfazer a imagem de déjà vu pairando no ar rarefeito de criatividade e ousadia técnico tática, pois o mais do mesmo ainda dita as cartas, e continuará ditando por um longo, longuíssimo tempo…

Amém.

 

Fotos – Prancheta rubro negra em ação, mas sem respostas convincentes, e uma tentativa de três do Duda contestada muito de perto por um gigantesco pivô, quando bastaria uma…deixa para lá.

Prancheta uruguaia, que infelizmente não cobra lances livres…

 

Fotos reproduzidas da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

NÚMEROS PARA NÃO SEREM ESQUECIDOS…

Publico hoje, na íntegra e observando o design original da FPB, as estatísticas do jogo final de playoff classificatório às semifinais do campeonato paulista, entre as equipes de São José e Franca, vencida pela primeira por 82 x 81.

E o faço para comprovar com a maior fidedignidade possível um jogo que não vi, pois não foi transmitido (lastimável omissão…), e que não deveria opinar em qualquer aspecto, pois a realidade de um jogo difere profundamente dos números do mesmo, onde causalidades ditam normas comportamentais e técnicas, fatores que confrontam na maioria dos casos a frieza objetiva deles, os números…

Mas algo de fundamental pode e deve ser mencionado, algo tão inusitado e aterrador que não pode ser omitido, mesmo perante a ausência das imagens do jogo, pois transcende o admissível, ferindo o bom senso de um jogo oriundo e sedimentado no coletivismo, e acima de tudo, na inteligência.

Leiam com atenção as tabelas, linha por linha, número por número, e se perguntem ao final se algo do que leram os elevam a um razoável grau de entendimento frente a valores tão anacrônicos em uma liga maior do nosso basquetebol?

Como uma equipe pode arremessar 12/38 bolas de três (saldo positivo de 36 pontos), mesmo número de tentativas de dois de seu adversário (22/38, com saldo positivo de 44 pontos), tendo arremessado 14/28 de dois pontos, ultrapassando uma convergência em 10 tentativas? Como, senão pelo fato de uma opção defensiva de seu adversário negando contestações às mesmas? Mas com que objetivo final, ainda mais atuando ofensivamente dentro do perímetro onde seus homens altos, Teichmman, Lucas e Léo converteram 54 pontos dos 81 conquistados? Inacreditável que uma equipe com tal poder ofensivo dentro, no âmago defensivo de São José, permita concomitantemente 38 arremessos de três de seu oponente, e o mais trágico, perder o jogo e a classificação?

Creio que hoje atingimos o ápice da negação do grande jogo, apequenando-o da forma mais absurda e primária possível, e não venham conclamando emoções transcendentais, luta e heroísmo, pois quando num jogo de liga maior, decisivo num playoff classificatório, disputado no pretenso campeonato mais forte e representativo do país, 54 arremessos de três são perpetrados, onde só uma das equipes dispara 38 bolinhas, que se contestadas fossem não ultrapassariam das 15-20 tentativas, numa projeção razoável, contabilizando dez a mais do que suas próprias tentativas de dois pontos, algo de profundamente errado e abominável está sendo estabelecido como norma a ser seguida por nossos jovens, que perante tais exemplos paulatinamente se desligarão de maiores preocupações com dribles, fintas, passes e defesa, frente a fria realidade de uma não estancada hemorragia de longos arremessos, que nos levará a uma fatal anemia técnico tática, a um já fragilizado basquete desde à sua formação de base.

Seria de fundamental importância que esse jogo fosse veiculado pela emissora, ou por um link da liga, para que servisse de exemplo, de caminho a não ser percorrido da forma mais absoluta possível, pois em caso contrario estaremos estabelecendo a antítese do jogo como deve ser jogado, que é muito, mas muito distante mesmo desses “conceitos modernos de basquete” que tanto apregoam, sem sequer saber do que se tratam, levando para dentro das quadras espetáculos “vencedores” como este, que deve ser dissociado da emotividade das torcidas, e visto perante a frieza de sua mórbida realidade técnica, e porque não, tática também. Lamentável e constrangedor.

Amém.

 

Gráficos – Federação Paulista de Basquetebol.

 

Equipe: A.E. SÃO JOSÉ/UNIMED/VINAC
PONTOS
3 PONTOS
2 PONTOS
L. LIVRE
REB.
JOGADOR
TEMPO
PT
PP
C/T
%
C/T
%
C/T
%
RA
RD
TRB
AS
BR
TO
BP
FA
EF
04
Laws 39:27 14 30 1 / 4 25 4 / 7 57 3 / 4 75 2 1 3 4 0 0 1 2 13
05
Gabriel 00:04 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
06
Chandler 00:04 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
07
Chico 11:02 1 8 0 / 2 0 0 / 0 0 1 / 2 50 0 1 1 0 0 0 0 2 -1
09
Luis Felipe 19:03 0 17 0 / 3 0 0 / 4 0 0 / 0 0 0 3 3 0 1 1 0 0 -2
10
Jefferson 23:26 5 17 1 / 5 20 1 / 1 100 0 / 0 0 0 4 4 3 1 1 1 3 9
11
Fúlvio 28:45 11 32 2 / 8 25 1 / 2 50 3 / 4 75 1 1 2 10 2 0 1 4 16
12
Érick 09:25 1 5 0 / 1 0 0 / 0 0 1 / 2 50 0 0 0 0 0 0 0 1 -1
15
Deivisson 05:49 0 2 0 / 0 0 0 / 1 0 0 / 0 0 0 1 1 0 0 0 0 1 0
19
Álvaro 32:18 27 55 7 / 14 50 1 / 4 25 4 / 5 80 2 5 7 0 0 0 3 4 20
20
Ícaro 00:23 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0
21
Murilo 30:14 23 28 1 / 1 100 7 / 9 78 6 / 7 86 3 4 7 1 0 0 2 3 26
TOTAL
82 194 12/38 32 14/28 50 18/24 75 8 20 28 18 4 2 8 21 81
Técnico: Régis Marreli Reservas: 2 pt (2%) Desqualificados:
VIVO/FRANCA BASQUETE
PONTOS
3 PONTOS
2 PONTOS
L. LIVRE
REB.
JOGADOR
TEMPO
PT
PP
C/T
%
C/T
%
C/T
%
RA
RD
TRB
AS
BR
TO
BP
FA
EF
04
Cauê 12:12 0 2 0 / 0 0 0 / 1 0 0 / 0 0 0 0 0 1 0 0 0 2 0
05
Zezão 00:00 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
07
Jhonatan 40:00 6 19 0 / 3 0 2 / 4 50 2 / 2 100 1 4 5 7 0 0 2 4 11
08
Figueroa 29:46 12 15 2 / 3 67 2 / 2 100 2 / 2 100 0 3 3 3 0 2 1 3 18
09
Socas 26:26 9 16 1 / 2 50 3 / 5 60 0 / 0 0 0 7 7 3 1 0 2 2 15
13
Teichmann 36:30 22 30 2 / 3 67 7 / 9 78 2 / 3 67 0 5 5 4 0 1 6 3 22
14
Dudu 00:00 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
17
Lucas 27:02 18 32 0 / 0 0 6 / 12 50 6 / 8 75 0 2 2 3 0 0 2 4 13
23
Léo 18:42 14 27 2 / 4 50 2 / 5 40 4 / 5 80 1 3 4 1 0 1 1 2 13
28
Ivanovic 05:52 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 2 2 0 0 0 0 0 2
32
Zanini 00:00 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
55
Antonio 03:30 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 / 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0
TOTAL
81 141 7/15 47 22/38 58 16/20 80 2 26 28 22 1 4 14 21 96
Técnico: Aluísio Ferreira – Lula
Reservas: 23 pt (28%)
Desqualificados:

OS MILAGROSOS AMERICANOS…

Até aquele momento vinha sendo um festival de arremessos de três inenarrável (18/49), onde ambas as equipes disputavam o direito de errar mais, mesmo quando o placar esteve igual em 72 pontos, e que bastariam um ou dois arremessos de dois para decidirem a partida, mas não, ela tinha de ser decidida numa “bolinha”, não importando de que lado caísse.

Os sufocantes 26 erros de fundamentos pesavam demais, mas não tanto quanto o do decisivo erro, aquele que sacramentou o jogo, numa “jogada” pranchetada que o experiente comentarista da ESPN definiu com indiscutível argumento – “Se é uma jogada treinada, faltando 7 segundos já é de difícil concretização, mas se está sendo desenhada agora certamente não dará certo”.

E não deu outra, a começar pela discussão entre técnico e assistente, tendo um jogador participante, de “como” montar uma saída lateral de bola visando um jogador para decidir num único lance (vejam a sequência fotográfica publicada), e que teve no americano, talvez o maior investimento da equipe, a tarefa decisiva, não fosse o mesmo, como todos os seus conterrâneos que aqui aportam, os depositários da arte dos dribles, das fintas e dos arremessos fatais, argumentos agenciados por vivos empresários por sobre jogadores de vigésima opção no mercado das ligas em todo o mundo, quais sobras com salários “ajustados” à nossa triste realidade de passivos e deslumbrados colonizados.

E aconteceu o erro, grotesco e definitivo, pois o irmão do norte tentou o drible com mudança de mão, lançou a bola no próprio pé, teve de voltar para recuperá-la, e dali mesmo disparou um “tijolo” que nem aro pegou, e que seria de? Isso,,,de três!

Bastaria um deslocamento simples ou duplo de pivôs dentro do garrafão para ser tentado um singelo arremesso de dois, e quem sabe um ou dois lances livres, de pertinho, pois se de dois ou três pontos possíveis somente um fosse concretizado, pelo menos uma prorrogação estaria garantida, e através uma jogada treinada muitas vezes, e não elaborada numa prancheta qualquer rodeada de estrategistas, que aqui para nós, têm muita estrada ainda para aprender, muita mesmo, com ou sem americanos…

E eles estão vindo aos magotes, se constituindo, inclusive e pretensamente pelas equipes, como os bastiões de um basquete superior, decisivo, final, mas que falam outra língua e que estão acostumados a rodear pranchetas sem se importarem muito com quem as empunham, afinal, são americanos, mas não os de primeira qualidade,  longe, bem longe disso…

Enquanto nossas equipes forem formadas por dirigentes, para depois escolherem seus técnicos, distorções como essas se repetirão, para gáudio e festa de agentes que não estão nem ai para o basquete brasileiro.

No final, mais um quadradinho estatístico (?) constrangedor e primário.

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

DO AMIGO PEDRO…

PAULO MURILO,

O MUNDO DO BASQUETEBOL ATUAL APRESENTA UMA HISTÓRIA DE UM CONTEXTO MORAL, E SE ALÉM DESTE CONTEXTO MORAL, AINDA INCLUIRMOS UMA CONCLUSÃO, CORREMOS O RISCO DE SER REPETITIVOS OU ATÉ MESMO, – O QUE CONSIDERO MAIS GRAVE- DE INDUZIR O LEITOR A SOMENTE UM TIPO DE LIÇÃO, VISTO QUE AS PARÁBOLAS PODEM APRESENTAR CONTEXTOS DIFERENTES BASEADOS EM NOSSO ESPÍRITO, MEIO OU MOMENTO.

COM ESTA SUGESTÃO ACREDITO QUE SERÁ UMA CONTRIBUIÇÃO NA DIREÇÃO DE UMA VIDA COM MAIS REFLEXÃO,CONCILIANDO RAZÃO E SENTIMENTO.

PEDRO RODRIGUES

AS PARÁBOLAS E O NOSSO  MUNDO ATUAL DO BASQUETEBOL BRASILEIRO.

PARÁBOLAS,

São breves narrativas, às vezes dramáticas, às vezes cômicas, que possuem contexto moral explícito ou implícito e que além de apresentar um pouco da cultura de um povo, nos ajudam a decidir sobre questões morais do nosso dia a dia.

O MEDO CAUSAD0 PELA INTELIGÊNCIA E PORQUE O TALENTO ASSUSTA

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas.

O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal:

“Meu jovem, você cometeu um grande erro”.

Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável!

Devia ter começado um pouco mais na sombra.

Devia ter gaguejado um pouco.

Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos.

O TALENTO ASSUSTA.

Ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pôde dar ao pupilo que se iniciava numa carreira difícil.

Isso, na Inglaterra.

Imaginem aqui, no Brasil!…

Não é demais lembrar a famosa trova de António Aleixo, poeta português:

“Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma Ciência”.

A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência.

Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder.

Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas, com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.

Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos.

É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social.

Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota, automaticamente, a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras, à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar.

Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas…

Enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender.

É um paradoxo angustiante

Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues: “Finge-te de idiota, e terás o céu e a terra”.

O problema é que os inteligentes costumam brilhar!

Que Deus os proteja, então, dos medíocres!…

Amém Pedro, amém.

Foto – Pedro e Paulo. Clique na mesma para ampliá-la.

 

MEIO SÉCULO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS…

Em novembro próximo fará 50 anos que me licenciei em Educação Física na ENEFD/UB, hoje EEFD/UFRJ, numa turma que marcou, e ainda marca época por sua qualidade e criatividade, quebrando paradigmas e influenciando decisivamente no progresso da educação física, até o momento que foi decretada a proposital desaceleração da mesma, principalmente na escola.

Foram anos de enormes sacrifícios, luta desigual, mas plenos de entusiasmo e efetivas realizações por parte dos formandos, em todos os setores da educação, do desporto e da administração pública e também na esfera particular.

Com o Prof. Dr. Alfredo Gomes de Faria Jr. a introdução pioneira da didática específica de educação física, divulgada na publicação do premiado livro Introdução à Didática de Educação Física, que definiu os princípios pedagógicos da disciplina, adotado que foi em todos os cursos universitários do país, como o modelo a ser seguido, assim como a implantação do Laboratório de Tecnologia do Ensino da EEFD, da qual participei ativamente, focando as novas técnicas áudio visuais orientadas ao estudo e pesquisa das modalidades desportivas, e que mais adiante implantei na Faculdade de Educação da UFRJ, onde ingressei por concurso, sendo o primeiro professor de educação física a pertencer ao Departamento de Didática daquela prestigiosa instituição, assim como o Prof. Alfredo Gomes de Faria Jr. o fez na Faculdade de Educação da UFF.

Com o Prof. Luis dos Santos, que num espaço de dois anos se formou em medicina, educação física, técnica desportiva e medicina esportiva, e que foi um dos responsáveis pela implantação de métodos avançados de treinamento físico fundamentados na biomecânica e fisiologia do esforço, na UFRJ e UnB.

E o Prof. Ary Ventura Vidal, um dos expoentes do basquetebol nacional, assim como o Prof. Silvio Resende no campo do Xadrez, o Prof. Willian Kepler Santa Rosa, o Esquerdinha, no futebol, que também contou com o Prof. Moisés Abrahão, os professores José Rocha, Belmiro Alves, na administração escolar, e outros mais de igual importância no desenvolvimento da educação física como um todo.

Nessa última quarta feira nos reunimos no gabinete do Diretor da EEFD/UFRJ no Fundão, Prof. Leandro Nogueira, para efetuarmos as datas e os temas que constarão da pauta do Seminário de 50 anos da turma de 62, a ser realizado no auditório do Decanato do CFCH/UFRJ no campus da Praia Vermelha, local originário da EEFD onde nos formamos, e logo que as datas e a programação estiverem determinadas serão veiculadas aqui no blog, a fim de que os interessados possam comparecer.

Na foto, da esquerda para a direita, os professores, Luis dos Santos, Silvio Resende, Leandro Nogueira, Alfredo Gomes e Paulo Murilo.

Espero contar com todos no Seminário, onde abordarei a temática de basquetebol nesses 50 anos de intensa atividade. Até lá então.

Amém.

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