MAIS DO MESMO II…

Tive de optar, ou um jogo entre uma equipe vip brasileira contra um arranjo chileno, ou outro entre duas equipes candidatas a vips tupiniquins. Optei pelo jogo paulista, afinal era o quinto embate decisivo do playoff classificatório às finais.

Ao final da tremenda pelada, o tal quadradinho estatístico da FPB fixou-se em minha retina, custando muito a desaparecer, como uma punição à perda de tempo e paciência consumida naquela hora e meia de provação, não só técnica, como estética também.

Estética, caro Paulo, estética? E por que não? Enterradas magistrais e bolinhas de três, não foram, e continuam a ser mantidas pela “critica abalizada” como o máximo na estética do grande jogo, onde erros grotescos de fundamentos, de defesa, de rebotes, ausência de jogo interior competente, sistemas de jogo alternativos, se mantêm ao nível mais rasteiro possível, em contrapartida à grandiosidade autofágica do restrito jogo dos gatilhaços?

Perguntas pairam no ar, sendo que a mais emblemática se refere a herança sobre os princípios coletivistas propostos, treinados e executados sob a liderança do olímpico argentino, que parecem estar sendo solenemente esnobados  pelos técnicos nacionais, ao se cumpliciarem com jogadores nessa hemorragia dos três, fato concreto pela passividade com que assistem a torrencial enxurrada dos mesmos, ora cruzando os braços, ou pavoneando ao lado da quadra, tanto no gestual, como no discurso inflamado como uma cortina ao que realmente ocorre lá dentro.

Tornou-se corriqueiro os mais de 50 arremessos de três por partida, numa contundente prova de que o agora estabelecido continuará a ser praticado, não importando muito os erros, que estão crescendo em proporção direta às tentativas de três, o que é algo preocupante, pois nas oportunidades que restam para jogadas criativas a incidência dos mesmos está atingindo níveis inadmissíveis numa divisão superior.

E em homenagem a novel estética que parece irá também se firmar no NBB (equipes vêm contratando jogadores enfocando essa pretensa “habilidade”…), publico fotos com essa incompreensível (para mim) escolha técnico tática, chamando a atenção para o deserto de atacantes no perímetro interno quando das tentativas, numa prova inconteste de que, assim como tem os que arremessam, estão presentes os que não marcam, e como ambas as equipes assim professam e praticam o jogo, vence que encaçapar a última…

Ah, também o quadradinho emblemático, e revelador…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 



4 comentários

  1. Rodolpho 26.10.2012

    Professor, permita-me culpá-lo desta vez. O senhor sabia que era só isso que poderia vir de um time dirigido pelo Mortari, o incentivador-mor das bolinhas e mesmice.

    Vai ver que esse tipo de jogo tem público pra satisfazer audiência, torcida e dirigentes. Eu já me recuso a tal programação.

    Ou será que é esse o nível mais alto do basketball tupiniquim?

    Um grande abraço!

  2. Josue Filho 26.10.2012

    Caro e admirado Profº Paulo

    Boa tarde!

    Estive presente no referido jogo e o que vi, foi um show de equivocos onde em alguns momentos os técnicos ficavam atonitos assistindo seus comandados jogarem da maneira em que entendessem numa clara demonstração de um jogo desordenado e sem objetivo resultando em um jogo chato de assistir. A ausência de fundamentos (principalmente dos armadores que se livram da bola) e também o grande jogo baseado no atleticismo exagerado (jogadores utilizando força o tempo todo), fez com que o jogo ficasse complicado de assistir, porém o que mais me deixou frustrado mais uma vez foi a tão dita falta de jogo interior. Dos pivôs que la estavam (Toyloy, Araujo, Wagner, Morro, Mineiro, Bambu e cia) não vi nenhum deles fazerem ou se impor para jogarem de costa pra cesta 1×1, tramando movimentaçoes internas entre si nada disso. A função desses grandes jogadores (em altura claro) foi a todo tempo pegar rebotes (quando pegavam) fazer bloqueios em Pick and Roll e Pick and Pop e tambem fazer faltas desnecessárias. AH! Bambu e um outro pivo do Paulistano que não me recordo nome diferenciados (?) chutavam de três a vontade, Bambu foi aplaudido por meter uma bolinha…

    E eu ainda terei que ser obrigado a aprender tudo isso na ENTB atraves de seus cursos caros, injustos por serem obrigatórios sendo chancelado por uma CBB cada vez mais distante de seus atletas é isso que aprenderei?

  3. Basquete Brasil 27.10.2012

    Se eu sabia? Talvez, e por conta disso é que travo a batalha diária pela aceitação de sistemas alternativos, pelo menos como opção à mesmice que tanto nos magoa.
    Se esse tipo de jogo tem audiência? Como fruto de desinformação proposital, claro que tem, e muita, definindo, infelizmente, o baixo nível que praticamos o grande jogo.
    Um abraço Rodolpho. Paulo.

  4. Basquete Brasil 27.10.2012

    Muito bem fundamentada sua analise, prezado Josue, muito boa mesmo.Quanto à ENTB, ou se reestrutura em bases realmente didáticas e pedagógicas adequadas à nossa realidade de país continental e multifacetado, ou cairá no descredito.
    Um abraço, Paulo Murilo.

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