CONSIDERAÇÕES…

Num grande jogo, Franca venceu o Campeonato Paulista, ante uma equipe aguerrida, composta de alguns muito bons jogadores, abrindo uma ótima perspectiva no que concerne às nossas futuras seleções. Digo isso, porque assistimos um duelo de equipes iguais na forma de jogar, porém, seguindo o exemplo francano, escalando jogadores possuidores de bons fundamentos, na dupla armação, e até nas alas. E isso só foi possível com a presença em quadra de todos os armadores que dispunham, já que somente dois alas autênticos participaram na maior parte do jogo, Jefferson por Assis, e Rogério por Franca. Os pivôs se equivaliam, e procuravam manter um comportamento dinâmico no interior dos garrafões

acompanhando o jogo veloz dos armadores, principalmente quando penetravam driblando e fintando. O numero de assistências foi muito grande, exatamente por estes motivos. Defensivamente, pela total similitude tática adotada por ambas, a equipe de Franca levou alguma vantagem ao agir em antecipações, propiciando importantes retomadas de bolas e conseqüentes contra-ataques, ao passo que Assis primava mais pelo cadenciamento ofensivo, liderado por seu eficiente e muitas vezes brilhante armador Fúlvio. Mas um fator foi determinante na vitória de Franca, as cinco penetrações ao final do jogo executadas pelo veterano e renovado ala Rogério, que agiu como um ala de verdade, dominando bem o fundamento da finta em velocidade, preferindo a penetração para dentro do garrafão em vez da linha final, recebendo faltas seguidas, e convertendo eficazmente os lance-livres. Aos 36 anos, Rogério evoluiu nos fundamentos básicos, que aliados à sua grande experiência fez dele o elemento crucial na vitória francana.

O que salta aos olhos é a rápida aceitação do modo francano de escalar sua equipe por alguns de seus adversários, mormente Assis nas partidas do torneio final. Ficou provado que a qualificação na execução dos fundamentos fez com que os técnicos escalassem suas equipes com dois, e até três armadores, dinamizando as ações ofensivas, e incrementando substancialmente seus poderes defensivos. E ficou mais provado ainda a grande e urgente necessidade de incutirmos nos alas o gosto pelo treinamento massivo dos fundamentos de drible, fintas e marcação, tão zelosamente desenvolvidos pelos armadores, assim como implementarmos velocidade e agilidade a nossos pivôs, na positiva busca de uma performance perdida nos últimos vinte anos de vícios técnicos e colonialismo tático.

Ficará faltando encontrar, através estudos, tentativas, pesquisas sérias e de caráter evolutivo, de novas soluções ofensivas e defensivas, dotando nossos jogadores de sistemas dinâmicos que explorem ao máximo as potencialidades dos mesmos, e não o emprego de sistemas exógenos, mas que prontos para o consumo tanto cativaram, e ainda cativam a maioria de nossos técnicos, não muito preocupados e ciosos pela busca do novo e do inusitado. Essa preguiça funcional tem de ter um fim, e a prova de que esse fim é possível tem sido dada por Franca, Assis e Brasília em seus mais recentes jogos, mesmo que somente pelo fato de escalarem mais armadores do que vinham fazendo de longa e obscura data. É um começo, que representa um passo decisivo no reconhecimento da urgente e premente necessidade que temos de dotarmos alas e pivôs dos melhores e possíveis treinamentos de fundamentos. Somente assim reencontraremos o nosso verdadeiro lugar no concerto internacional.

Brevemente teremos de disputar torneios internacionais de capital importância para o futuro de nosso basquetebol, e desde já teremos de optar por dois caminhos, por dois comportamentos. Um, de sonharmos de olhos abertos com a participação daqueles que militam na NBA, que com a exceção do Varejão, não demonstram muito interesse em fazê-lo. Da Europa, o Spliter e o Huertas seriam, pela juventude e qualidade muito bem vindos à seleção. Os demais, bem poderiam sair de nossas equipes, se devidamente treinados e preparados nos fundamentos e em sistemas dinâmicos de jogo. Outro, o de mantermos o atual “projeto da múltipla comissão técnica”, amparado por uma mídia embevecida pelo sucesso técnico e econômico de jogadores que muito em breve falarão nossa língua com sotaque, e distanciados da necessidade de um tempo razoável de treinamento, obstados que são pelas cláusulas contratuais de suas milionárias equipes, pouco ou nada preocupadas com nossas necessidades de preparo adequado. Enfrentar essa realidade, baseada na constante ameaça da não participação estelar de alguns, e do medo incontido de preparar eficientemente os bons jogadores que possuímos em nossas equipes, medo esse respaldado pelo desconhecimento e pela incompetência técnica, nos faz, no momento, escravos de uma situação, que em tudo, e por tudo, aplaina os caminhos das desculpas e esfarrapadas explicações de um fracasso mais do que anunciado.

Precisamos com urgência renovar nossas esperanças, fundamentando-as em novas idéias e concepções, fatores advindos de cabeças pensantes e experientes, que são os ingredientes básicos daqueles que possuem o dom da liderança, e a coragem de exercê-la. Comando não se divide. Ele é assumido ante a vitória e a derrota. Por isso é solitário, é indivisível.

Quando num setor de capital ou menor importância nasce um problema, e que o responsável pelo mesmo não deseje que seja resolvido, o melhor que tem a fazer é nomear uma comissão. Mas se desejar equacioná-lo, nomeia um profissional competente, mesmo que não comungue com alguns de seus princípios . É o suficiente.

Se existe no país alguém desse porte? Eu mesmo conheço alguns, poucos bem sei, mas existem, e são muito, muito bons. A turma da CBB também os conhecem, mas…

DIA DA EDUCAÇÃO…DE QUEM?

Dia da Educação, lançamento do PDE para o setor pelo Presidente do país, entrevistas dadas por ministros e especialistas sobre o avançado e mirabolante plano de ação para os próximos dez anos, artigos, colunas e muitas paginas de jornais e preciosos minutos na TV, e muita, muita discussão. Mas, o que de importância realmente representa tanta exposição a um tema de tal relevância para qualquer nação que se pretenda importante no cenário internacional? Para nós, muito pouco, ou quase nada. Quando uma das vozes relevantes é a de um antigo ministro que desfez de seus pares como velhos retrógrados, e que deveriam ser excluídos das universidades federais, não fosse ele próprio um velho politiqueiro e profundamente ligado a interesses contrários às mesmas, assim como de outros próceres do atual governo, que sugerem aumento de verbas para aquelas universidades que admitirem decisivas e contundentes intromissões em suas auto-gestões, numa manobra de cunho chantagista inadmissível, devemos por as barbas de molho pelo que advirá de tal projeto, não só pelo terceiro grau, mas principalmente pela base do sistema educacional como um todo.
O fator primordial e prioritário para o sucesso de tal projeto, fatalmente teria de passar pelo ponto crucial, a remuneração condigna do grupamento que é responsável pelo mesmo, os professores. Nos quatro últimos anos que lecionei na FE da UFRJ, quando tive turmas da Pedagogia, além das que sempre tive da complementação pedagógica dos alunos da Educação Física, pude atestar que a grande maioria do alunado era formada de jovens que não conseguiram ingresso nos cursos tradicionais, como medicina, direito, ciências exatas e da natureza, economia, comunicação, entre muitas outras, ou seja, a pedagogia era o último bastião no cenário universitário para a maioria deles. Obviamente, o fator vocacional passava bem longe dessa realidade, o que de saída comprometia a necessária e estratégica qualificação para o magistério. Muitos cursos de complementação pedagógica, principalmente nas universidades particulares se viram repletos de profissionais liberais mal sucedidos, que com tal qualificação se propunham complementar salários como professores de segundo grau, numa manifesta tendência do quanto decaiu o ensino no país. E mesmo assim, milhares de alunos se vêem sem aulas por falta até mesmo desse maléfico tipo de profissional, principalmente nas ciências exatas.
Três décadas atrás, fui ao Palácio Capanema para falar com um amigo, que na ocasião fazia parte da equipe do Ministro da Educação. Fui convidado para na condição de ouvinte participar de uma reunião de trabalho, com a presença do Ministro. Ao termino da mesma, vendo-me calado e distante o assessor meu amigo pediu-me uma sugestão sobre o assunto debatido-a formação e a qualificação do professor-. Disse somente que só haveria desenvolvimento e qualificação do professor no país, no dia que houvesse um piso salarial comum a todos, da escola primaria até a universidade, e que a melhoria salarial estivesse ligada aos cursos pós-graduados que os mesmos fizessem em suas carreiras, qualificando-os academicamente. No atual PDE falam em piso salarial de 850 reais, quantia absurda em se tratando de remunerar a reserva intelectual da nação, aquela que pretende se lançar na vanguarda da ciência mundial. É de morrer de rir, para não chorar. Continuaremos a ter as salas de complementação pedagógica entulhada de profissionais liberais… Bem, já falei sobre isso.
E ao término dessa semana monumental, recebo um e-mail do amigo Luis dos Santos, professor e médico dos melhores, mas, que me perdoe ele, tenho de transcrevê-lo pela importância do assunto, a formação do professor de Educação Física, ao qual dediquei 40 anos de minha vida, defendendo sempre a sua reinclusão na área de ciências da educação, e não da área da saúde, onde alguns a introduziram com a desculpa de que a mesma se beneficiaria de maior status e conseqüente progresso profissional, quando no fundo, o projeto, bem sucedido aliás, era o de canalizar tal força de trabalho para a grande industria do culto ao corpo, magistralmente estabelecida em nosso país, e nas mãos de uma casta de poderosos empresários, garantidos por um CREF que respalda toda a iniciativa.
No Globo de 25/04/07, na reportagem sobre o PED, uma tirinha lateral da pagina enumera o que prevê o plano. Na penúltima inferência- Mais Educação- descreve: “Ações conjuntas dos Ministérios da Educação, Esporte, Cultura e Desenvolvimento Social para estimular a oferta de atividades escolares no contra turno das aulas. O governo vai financiar a construção de quadras esportivas nas escolas”. Ou seja, a integra do processo não pertence ao ministério de direito, e sim a um “pool” de interesses políticos, onde as verbas podem, e sabemos que serão, pulverizadas entre os diversos interesses partidários. Em um só ministério seria praticamente impossível, com verbas repassadas às escolas. Não foi atoa que o novo Secretário de Esportes é um estudante de medicina e ex-líder da UNE, e claro, do PCdoB. Este deveria ser, num país sério, um cargo técnico.
Eis o e-mail do amigo Luis:

Pseudo-Medicina ou Medicalização da Educação Física.

Na década de 60, dois Educadores, formados em Licenciatura de Educação Física, foram terminantemente contra a Educação Física ser incluída na área de Saúde: Paulo Murilo Alves Iracema e Mário Ribeiro Cantarino Filho.
Tendo formação dupla, como Licenciado em Educação Física e Bacharel em Medicina achei que ambos estavam errados, pois a Ed.Física cresceria como profissão ligada à Saúde, podendo se converter em uma das alavancas para a melhoria da Saúde, como se dizia à época e hoje se denomina como Promoção de Saúde, ou como aventavam Herodicus e seu influenciado, Hipócrates, em Prevenção de Doenças e Melhoria da Saúde.
Errado eu estava, o que reconheço com décadas de atraso.
Ambos previram que os LEF deixariam de ser Educadores e se tornariam auxiliares dos Médicos.
Mas tal fato também não ocorreu.
Ocorre pior.
Os Licenciados em Ed.Física embarafustaram no caminho evanescente e enganador do Metabolismo Energético baseado no enfoque restringente do VO2 e se autodenominam Fisiologistas sem terem experiência laboratorial em Bioquímica e Biofísica e tampouco em Fisiologia ou Metabolismo.
O que são, portanto?
Não dominando ou sequer conhecendo a alternância biológica da Fisiologia, a Patologia e a Etiopatogenicidade, não podem ser diagnósticadores, pois tampouco conhecem a Semiótica, realizam”AVALIAÇÕES FUNCIONAIS”, mas sem o caráter pragmático de avaliação de desempenho e com estas avaliações funcionais, baseadas em mensurações indiretas mediante parâmetros indiretos se propõem a avaliar o VO2 Máximo(ou o sub-máximo, vá lá)através da Freqüência Cardíaca-FC- apenas um referencial indireto- conseqüência de variações indiossincrásicas, sujeita a FC a fatores e influências biopsíquicas e sociais
e deste dado isolado e solto, se lançam em fazer diagnósticos clínicos, principalmente nas áreas das dislipidemias e patologias relacionadas a distúrbios metabólicos, tais como HipertensãoArterial e o Diabetes, cujos portadores não rotulam como doentes, mas sim portadores de condições específicas ou especiais…
Os LEF viraram pois praticantes de uma pseudo-medicina, pois não possuem formação médica, obviamente só conferida nas Escolas de Medicina e só faltam- talvez a maioria, deixo o benefício da dúvida, prescrever medicação aos indivíduos especiais. Alguns mais afoitos(ambiciosos, superficiais?)prescrevem medicação, sem nunca terem estudado Farmacologia.
Eis, pois que alguns se DOUTORAM, e aí usam indiscriminadamente o título de DOUTOR, na Sociedade, um título apenas ACADÊMICO E UNIVERSITÁRIO, esquecendo que quem chama os Médicos de Doutores. É a Sociedade, há algumas centenas de anos, em todas as Sociedades, talvez desde que o primeiro XAMÃ cuidou de um paciente, doente, alguém com alguma manifestação patológica.
Em frente. Pseudo-médicos,
MEDICALIZEM A EDUCAÇÃO FÍSICA, COMO NUNCA O FIZERAM OS MÉDICOS QUE CRIARAM A METODOLOGIA E A FILOSOFIA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, mormente entre nós, nascido da Missão Militar de Joinvilleole-Point.

PS- Esse é o enfoque pelo lado médico da questão. O lado da educação física tenho manifestado em um sem número de artigos aqui publicados. A concordância de ambos os lados, de que a setorização da educação física na área da saúde prejudicou o aspecto educacional é inequívoco, ainda mais quando assistimos constrangidos o esvaziamento escolar, e o conseqüente aumento da juventude ociosa no país, e o pior, desprovida de saúde e de educação. Afirmo e reafirmo, o professor não pode ser formado como um paramédico. Educação é coisa bem mais séria. As grandes nações sabem muito bem disso.

DESCAMINHOS…

Quarto jogo da serie, ginásio repleto, e duas equipes jogando rigorosamente iguais. E de tal forma, que o pesado pivô de Assis foi substituído por um mais ágil e veloz. E tem mais, no quarto final as duas equipes atuaram com três armadores, mantendo somente um ala de fato e um pivô. Resultado? Um jogo extremamente rápido, com os armadores mais habilidosos se impondo pelos dribles, fintas e arremessos precisos, tanto na distancia, como nas penetrações. Obviamente, o numero de assistências foi bastante significativo, assim como as fortes marcações, principalmente nos dois últimos quartos. Com reservas mais experientes, a equipe de Assis chegou mais inteira no final da partida, conseguindo uma vitória que leva a decisão para um quinto e ultimo jogo.

Mas algumas particularidades do excelente jogo evidenciaram aspectos que o comprometeram como espetáculo esportivo, principalmente pela atuação de seus técnicos e da arbitragem.

Comecemos pelos técnicos. É inadmissível que dois professores se permitam instalar microfones em suas lapelas, para, em alcance nacional exibirem e destilarem um sem numero de intervenções altamente comprometedoras às suas importâncias como lideres, incentivadores e exemplos a serem seguidos por uma juventude ligada e interessada na apaixonante mensagem do esporte, com seus princípios éticos e de altíssimo cunho educacional. Palavrões eram emitidos sem cerimônia, aos borbotões, e até chamamentos de “cunho psicológico”, no entender de alguns, mas profundamente chocantes quando dirigidos a comandados em publico e em cadeia nacional- “Vai jogar c……! Vai te catar rapaz, até um moleque de juvenil é mais macho! Bando de frouxos…”. Os mesmos alguns podem argumentar que foi um chamamento, uma “chacoalhada na moçada”, etc,etc. Se em particular, no momento de um tempo pedido, e longe de ouvidos que não os da equipe, já seria um absurdo tal intervenção radical e violenta, imagine em rede nacional de TV, como um exemplo do que ocorre numa relação técnicos-jogadores! E desde quando um técnico sério se permite dirigir e orientar uma equipe composta de frouxos? E estes, não se considerando como tais, se permitem ser dirigidos com tanta violência verbal, e o pior, publicamente manifestada? Se a vitória ao final justifica tais atitudes, de ambos, jogadores e técnicos, algo está profundamente errado em nosso já tão errado basquete.

E de tal forma a importância da TV incide em certos comportamentos, que vimos e ouvimos uma admoestação de um dos juizes a um dos técnicos reclamantes- “Vai na televisão, veja o tape, veja que você está errado…”, e mais adiante-“ Não reclame, apitei a seu favor antes”. E o pior ainda estava por vir. Final do jogo, diferença de poucos pontos para Assis, e um copo é lançado na quadra. A falta técnica é marcada, como recomenda o regulamento da competição. De imediato um técnico acusa o outro de ter lançado o copo na quadra, mas o juiz não contra-argumenta, dando seguimento à cobrança da falta marcada. Jogo que segue com chances de vitória para qualquer um dos competidores. Então, numa decisão clássica de compensação,é marcada numa falta comum, uma ação anti-desportiva, sacramentando o resultado do jogo. Caberia agora a todos nos dizermos ao salomônico juiz, “vá ver sua infeliz decisão na TV”. Faria todo o sentido, ou não?

Quanto a acusação publica de quem lançou ou não o copo na quadra, aquela se perde nos afagos declaratórios de admiração e orgulho que ambos nutrem um pelo outro, manifestos ao termino da terceira partida, também transmitidos em rede nacional de TV, sempre ela, imutável e testemunha de tantos descaminhos. Salve ela! Talvez não…

EVOLUINDO, APESAR DE TUDO.

Assis e Franca seguem empatados para o terceiro jogo no sábado, agora na casa do primeiro. Duas equipes que se apresentaram rigorosamente iguais em suas propostas ofensivas, ambas se utilizando de dois armadores, e até três em momentos do jogo, trabalhando mais no drible e na finta, do que nos passes. A única diferença estava nos pivôs, já que Assis se utilizava de um centro pesado e bem mais lento do que os pivôs de Franca. No momento que a equipe de Assis substituía o pesado pivô por outro mais ágil, nitidamente equilibrava as disputas de rebotes nas duas tabelas, e graças à boa técnica de seus dois armadores, Di e Fulvio, conseguia se manter na dianteira do placar, pois ambos são excelentes arremessadores. Pelo lado de Franca, com seu agora costumeiro jogo de seguidas e bem executadas penetrações, somente se ressentiu de um evidente desgaste pela maratona de jogos que vem enfrentando, contando com poucas peças de reposição para o necessário rodízio. Defensivamente, ambas as equipes, graças às escalações de jogadores rápidos e habilidosos, desenvolviam forte anteposição ante jogadas que conhecem de cor, o que facilita em muito o jogo de antecipações. O grande fator positivo é o de vermos equipes fugirem aos poucos do rame-rame de passes em torno do perímetro, em nome de uma coreografia retrógrada e restritiva. O exemplo de Franca priorizando os fundamentos básicos do jogo encontrou na equipe de Assis um bem articulado seguidor, a ponto de vencê-la na primeira partida. Acredito que pequenos, porem decisivos passos, podem iniciar uma retomada do nosso verdadeiro basquetebol, criativo, audacioso e principalmente, veloz. De tal forma Franca evoluiu, que segundo o relato de um dos repórteres que transmitiam o jogo, seu técnico, no treino da manhã reclamava que a equipe estava chegando na zona de arremessos com 12 segundos em media, o que acarretava maior tempo de posse de bola para o adversário. Creio que deveria o técnico francano agradecer aos deuses tal disposição e técnica ofensiva, pois passaria a dispor de duas opções valiosas, a de concluir seus ataques em 12-16 segundos, ou estendê-lo até os 22-24 segundos. Feliz da equipe que possa sempre atuar com a possibilidade de tais escolhas.

Se houver continuidade nas propostas que apresentaram até agora, com suas corajosas e bem vindas mudanças, a tendência é que as demais equipes do país revejam seus conceitos mais do que estratificados, e evoluam para algo bem mais desejável, o reencontro do nosso verdadeiro basquetebol.

Mas, como nada é perfeito, os mesmos técnicos que nos brindavam apresentando equipes muito bem treinadas e personalizadas, também nos brindaram com atitudes que quase comprometeram seus bons trabalhos. O de Franca, como numa recaída, abandonou sua postura reflexiva dos últimos jogos, e acredito, pela pressão em torno da equipe e de sua necessidade de vitória (será?), voltou a levantar a imensa torcida contra a arbitragem, sendo seguido pelo de Assis, nos comportamentos agressivos e desrespeitosos, que mereciam exclusão, e não admoestações e bate bocas com os juizes. Palavrões lamentavelmente voltaram a ser vertidos, lançados ao ar por um mar de microfones, que estes sim, deveriam ser sumariamente proibidos, pois prejudicam em muito o trabalho dos técnicos quando enfiados goelas abaixo na ânsia de exclusividade. Infelizmente, são aceitos pelos próprios técnicos, como um mal menor, se comparados ao ridículo balé que executam nas laterais da quadra. Não fica bem a um sexagenário tais exibições coreográficas, e nem precisa disto para exercer seu bom trabalho. O outro técnico deveria saber que uma equipe joga com cinco, e não seis na quadra, pois em varias ocasiões o mesmo gesticulando desbragadamente invadia o recinto onde somente os jogadores deveriam estar. E assistindo todo esse circo, três juizes, isso mesmo, três ilustres juizes em sua discretas camisas abóbora fingiam nada ver, como os três macaquinhos que não vêem, não ouvem e não falam. Para tais nulidades, dois bons juizes seriam suficientes, como deveria ser em um país pobre como o nosso. Que outro estado poderá manter arbitragens em trinca como São Paulo? A bem da verdade, nem o próprio deveria adotar tal disparidade. A FIBA exige? Que ela pague o terceiro, e estamos conversados. O resto é pura imitação do primeiro mundo. Ser, e o pior, gostar de ser colono é lamentável.

PERTINENTES PERGUNTAS.

Num jogo de grande carga emotiva, Franca venceu o Paulistano avançando para as finais com a equipe de Assis. No inicio do quarto final, a equipe francana colocou em quadra seus três armadores, deslanchou no ataque e reforçou sua defesa no perímetro externo, cortando a ação do melhor jogador do Paulistano, o americano Shamell. Um leitor desse blog, Henrique Lima, perguntou-me se o técnico de Franca havia copiado o sistema de jogo da equipe grega no último mundial, que se utilizava de dois armadores puros na liderança da equipe, tornando-a uma das atrações daquela competição. Respondi que absolutamente não, pois em momento algum ele modificou o sistema único implantado em nosso país, que se baseia em um armador, dois alas e dois pivôs, nas famigeradas posições 1, 2, 3, 4 e 5, alma e cerne do sistema do passing game. O que fez, foi escalar em uma das posições de ala, um outro armador, e em diversas circunstâncias outro armador na posição do ala restante. Com dois pivôs ágeis e velozes, agilizou o sistema padrão, dotando-o de qualidade, baseada na maior técnica individual dos armadores, em dupla ou trinca. O sistema de jogo continuou o mesmo, porém com uma incidência maior de dribles sobre os passes, retendo o domínio da bola, em vez de expô-la às interceptações com a drástica diminuição dos passes. Outrossim, contando com dois armadores especializados nos arremessos de três pontos atuando juntos, e às vezes na companhia de um terceiro, puderam, com velocidade nos deslocamentos, corta-luzes incisivos, poder de finta ilimitado, e permanentes mudanças de direção, contar com arremessos livres e equilibrados, já que os passes, via de regra, vinham de dentro para fora do perímetro, inexeqüibilizando as tentativas de interceptação por parte da defesa. Enfim, a equipe de Franca não mudou seu sistema de jogo, o mesmo das demais equipes participantes do campeonato, e sim adaptou-o às qualidades intrínsecas de seus três habilidosos armadores, mantendo somente um ala veterano e de boa qualidade, atuando na posição ou no pivô. Seus jogadores são tão bem equilibrados, que mesmo na impossibilidade de contar com alguns contundidos, e outros inabilitados na competição, chega às finais atuando com praticamente seis jogadores, numa performance digna de elogios, que se tornam maiores ao agregarmos suas performances no Campeonato Nacional, e no Sul-Americano de Clubes.

No entanto, tal performance nos deixa algumas indagações: Estarão os poucos e bons armadores que temos ocupando a posição dos alas? E porque os mesmos estão relegados pela ausência de maior qualificação nos fundamentos? E os pivôs, promovidos a participantes em corta-luzes bem fora do perímetro, assim como a arremessadores da linha dos três pontos?

E tudo isso em nome da manutenção do indefectível e absurdo sistema único que nos impuseram, calcado no exemplo do que pior existe na NBA.

Se analisarmos com isenção tal monstrengo, rapidamente poderemos entender os porquês de tais indagações. No papel solitário de armador único, a maioria dos jovens da posição, mesmo possuidora de uma técnica mais apurada, pautou-se na distribuição desvairada de passes, pela quase proibição do drible e das fintas, numa atuação presa a esquemas e coreografias emanadas por técnicos ávidos pelo controle absoluto das ações dentro da quadra de jogo, onde qualquer tentativa de quebra tática punha em perigo sua discutível liderança. Vem daí o reinado e pretensa importância das pranchetas, local de devaneios e vôos ilusórios, pois posicionais, em antítese à realidade prática e aleatória dentro do campo de jogo. Tais limitações desencorajaram muitos talentosos armadores, possuidores, em sua maioria, de uma forte personalidade e espírito de liderança, que frequentemente entravam em choque com as personalidades absolutistas de muitos técnicos.

Como o passing game privilegia os deslocamentos sem a bola e os longos arremessos, os alas foram abrindo mão dos dribles e das fintas com bola, em nome das coreografias propostas, numa perda criminosa do domínio dos fundamentos, não só os específicos da posição, como os de caráter geral, que todos os jogadores, independentes de peso e estatura teriam a obrigação de dominar. Por isso, o sucesso da adaptação do técnico de Franca, ao deslocar para essas posições as habilidades de seus armadores. As demais equipes, em sua maioria mantiveram os alas, tendo sucesso aquelas que contavam com americanos para as posições, já que possuidores de bons fundamentos, marca registrada da formação que têm em seu país, em se tratando de fundamentos, numa contradição técnica, já que utilizadores em massa do sistema PG. Trata-se de uma escola, tradicional e séria, implantada muitas décadas antes da existência do PG.

Quanto aos pivôs, pouco ou nada evoluíram, pois continuam atuando de costas para a cesta, duelando no 1 x 1, enquanto os demais companheiros, como hipnotizados, presenciam, sem interferirem, a contenda debaixo da cesta. Mas aos poucos, principalmente na Europa, já se vêem tentativas de substituírem a massa bruta pela agilidade e velocidade, fatores que dinamizam o jogo em seu todo. Até nesse ponto Franca inovou, ou aceitou novas concepções, mesmo sem mudar o sistema de jogo, dotando sua equipe de pivôs ágeis e velozes, complementando sua bem sucedida atuação nos campeonatos de que participa.

Em uma outra indagação o Henrique que saber minha opinião sobre como desenvolver e encorajar novos armadores nas divisões de base, assim como implantar novos princípios e conceitos nas seleções nacionais, principalmente as adultas. Inicialmente ampliando os tempos de posse de bola para 40 segundos nas categorias mini e infantil, 35 segundos nos infantos-juvenis e 30 para os juvenis. À partir da sub-19 passariam para os 24 segundos. Também nas categorias mini e infantil, o empate deveria ser adotado, assim como a obrigatoriedade de participação de todos os jogadores em pelo menos um quarto de jogo, e nunca mais de dois quartos seguidos. Tais adaptações das regras propiciariam de saída alguns fatores altamente positivos em se tratando de formação de base, à saber: 1- Menor interferência dos pais, nem sempre positivas, pela inexistência do fator “vitória a qualquer custo”, pela possibilidade do empate. 2- Progressão técnica no aprendizado dos fundamentos e dos princípios elementares das táticas de jogo, pelo acréscimo do tempo de posse de bola, em respeito ao desenvolvimento psicomotor dos jovens em seu processo de crescimento.

3- Esse acréscimo de tempo, permitirá um maior contato com a bola, seu domínio e manuseio, assim como pausará os movimentos necessários a uma maior compreensão dos movimentos táticos e comportamentais de todos os integrantes da equipe. 4- Permitirá que os técnicos possam priorizar o ensino dos fundamentos sobre os princípios táticos, que deveriam ter sua importância adiada na medida que os jovens subissem de categoria. Divisões de base deveriam visar única e exclusivamente a formação de bons jogadores futuros, e não talentos precoces tão ao gosto de alguns pais e técnicos ansiosos por títulos e currículos.

Quanto às seleções nacionais, bem, creio que venho através os mais de 250 artigos discutindo o quanto estamos atrasados e profundamente equivocados com suas maneiras de atuarem , como porta-vozes do inefável sistema único que tanto combato e critico. A única solução é a dissolução desta comissão técnica e todas as influências emanadas pela mesma, inclusive através das clinicas e cursos que vêm dando pelo país, na tentativa de sacramentar e cristalizar o sistema em vigor. Dei muitos e muitos cursos pelo país afora e jamais, em tempo algum, tive a pretensão de incutir nos jovens técnicos com quem dialoguei, verdades absolutas e sistema único de jogo. Muito ao contrario, sempre propugnei pela abertura às novas concepções, e o permanente respeito às regionalidades e tradições, existentes aos magotes por esta imensa nação. Respeito é bom, e creio que todos nós o merecemos.

Mas uma pergunta não foi feita: O que têm a dizer os técnicos do nosso país? Porque calados e ausentes? Meu velho pai me dizia que era capaz de perdoar assassinos, proxenetas, ladrões, jamais um omisso.

Tenho pensado muito nele ultimamente, pois a omissão é o que nos tem levado para o fundo do poço em que nos encontramos. Estamos perdendo a capacidade da indignação, estamos criminosamente nos omitindo, criando e adubando o vicejante campo onde pululam as raposas felpudas que tanto nos tem prejudicado. Nossos jovens, nossas equipes, nossas seleções se soerguerão no dia que sairmos do estado omisso em que vivemos atualmente. Amém.

DIFÍCIL ANÁLISE.

No atual estagio do basquete brasileiro, torna-se muito difícil qualquer comentário sobre jogos, tanto do campeonato nacional, como do paulista, dada a similitude das equipes em seus sistemas de jogo. Por isso, quando uma equipe emerge do marasmo total, torna-se logo o motivo de varias discussões e conjecturas. A equipe de Franca, talvez tenha sido a única a apresentar algo de novo, algo que representasse uma ruptura ao lugar comum. Publiquei alguns artigos divulgando e elogiando as boas novas, os bons ares e as esperanças que a equipe francana nos trazia, não só pelas vitórias, mas principalmente pela ousadia da proposta. Jogando com dois armadores, e até três, superou a decorrente perda de estatura da equipe, dotando-a de muita velocidade, presteza nos dribles, nos passes e nos arremessos equilibrados, assim como obteve um acréscimo substancial na capacidade defensiva, baseando-a também na velocidade, propiciando uma eficiente defesa linha da bola,freqüentes retomadas,com conseqüentes contra-ataques. Mas o preço de estar disputando três competições simultâneas tem sido muito alto, onde o cansaço se faz presente com intensidade, como foi observado no terceiro jogo da decisão, onde praticamente a equipe se afundou vitima do mesmo. Quando os reflexos se embotam pela falência mental, pouco ou quase nada pode ser feito, ainda mais sem contar com um banco fornido e a altura dos titulares.

Mas no jogo dessa noite a equipe de Franca renasceu das cinzas, e mesmo se utilizando de 6-7 jogadores soube administrar uma equipe com muito bons jogadores, porém presos aos princípios pétreos do sistema único de jogo implantado de norte a sul do país. Bastou a equipe de Franca atuar no quarto final num posicionamento defensivo antecipativo, para manter a pequena, porém lúcida diferença de pontos que a levou a vitória, mantendo sua oportunidade de decidir a classificação às finais em seu ginásio, e com três armadores e dois ágeis pivôs em quadra. Acredito que chegarão às finais com Assis, numa serie de jogos que definirão se suas mudanças técnico-táticas se constituirão, daqui para frente, em algo que devam ser seguidas por outras equipes brasileiras, que não pelos conteúdos apresentados, mas pela coragem de romper com conceitos estratificados e corroídos pela inexistência da busca pelo novo, pelo inusitado, pela esquecida e corajosa arte de criar. E torno a repetir, mudanças estas patrocinadas por um dos técnicos que mais contribuíram para a implantação entre nós dos famigerados”conceitos modernos do basquete internacional”, o terrível passing game. Suas mudanças conceituais merecem reconhecimento e respeito, pois prova que tais “conceitos” podem ser suplantados pelo bom senso e pela busca da síntese do jogo, o grande jogo. Honestamente torço para que possa levar a bom termo seu bom trabalho, mesmo que não premiado com títulos.

LIÇÕES DE ALCATÉIA.

Lição 1- Leio no site Rebote um comunicado da assessoria de imprensa da CBB: “O presidente da Confederação Brasileira de Basketball(CBB), Gerasime Grego Bozikis, e os diretores da entidade Roberto Beck e Toni Chakmati já estão em Santo Domingo, na República Dominicana, para participarem, a partir desta quarta-feira, do Seminário para Presidentes de Federações, da Reunião do Conselho Diretivo da FIBA Américas e do Congresso Ordinário da Confederação Sul-Americana de Basketball(CONSUBASKET). Na pauta, o calendário e as competições internacionais da temporada 2007 e 2008”.

Lendo o trecho (…) e os diretores da entidade Roberto Beck e Toni Chekmati(…), vemos que durou muito pouco o rompimento do Sr.Chekmati com o grego melhor que um presente, o que aliás já prevíamos em um artigo escrito em 2/12/2006. Vale a pena lê-lo em ( Cavalo de Tróia). Alcatéia bem treinada é isso aí.

Lição 2- Outra obra de arte. Em nosso evoluído país no plano internacional do basquetebol, quem escolhe e nomeia técnicos para as seleções nacionais é um diretor técnico, que em tempo algum exerceu o cargo que nomeia. Mas, o faz sempre afinado com os maiores interesses políticos da entidade a que pertence, o que jamais ocorreria se na mesma existisse um conselho técnico composto por técnicos, preferencialmente ligados a uma associação que congregasse os mesmos em todo o país. Cargos de técnicos de seleções são muito importantes no atual jogo político, principalmente quando aquinhoam técnicos ligados a federações dissidentes. Com a derrota oposicionista no pleito da federação carioca, ainda restavam oito votos dissidentes para a próxima eleição da CBB, e nada mais “natural”, segundo a ótica da alcatéia, que duas outras federações fossem beneficiadas. Seis votos podem ser administrados com maior desenvoltura do que nove. E aí, acontece um inexplicado contra-senso, ou seja, escolhem um técnico de excelente trajetória nas divisões de base de São Paulo, estando o mesmo na direção de uma equipe da categoria principal do Espírito Santo. Por que não foi escolhido durante seu vitorioso trabalho de 14 anos, vários campeonatos de categorias de base, e vários prêmios de melhor técnico da temporada, conquistados em seu estado natal? Acredito que ele deveria ter sido lembrado algum tempo atrás, quando em SP, e não agora, quando se coloca como um fiel na nem sempre bem sucedida balança política. Juntou-se na escolha ao anterior indicado técnico da equipe de Londrina, Paraná. Mas o jovem técnico terá ainda de percorrer uma sinuosa trilha, pois “os detalhes sobre o trabalho e a forma de trabalho ainda não foram passados. Somente na reunião que haverá em Rio Claro é que João Marcelo saberá como deverá ser a condução da seleção, quando começarão a treinar e outras informações” (Publicado no site Sportmania). Se quiserem manter suas independências e formas de direção, que os fizeram vitoriosos, poderão ter sérios problemas com a inefável comissão. Do mesmo site: “A única coisa da qual João Marcelo tem certeza é do beneficio que isto significa para o Estado. ‘Este convite, certamente, dará maior visibilidade ao Saldanha, atrairá mais interesses ligados ao basquete. Quem sabe uma Seleção Brasileira possa vir a treinar por aqui? Acredito que será muito importante para o desenvolvimento do basquete capixaba(…)”. Claro que voto mais garantido do que esse, impossível. Pena que usem o talento e a boa fé desses jovens e vitoriosos técnicos para suas felpudas, porém, geniais tacadas.

Fico pensando quão injusta e absurda liderança esta que emana da entidade responsável pela administração do basquete brasileiro. Chega a ser criminosa, não poupando sequer jovens e talentosos técnicos, que ávidos por demonstrarem seu valor se deixam conduzir por um grupelho que visa unicamente a perpetuação, não só do poder, como a manutenção de um sistema de jogo espúrio e perdedor. Será que aceitarão tal liderança e ingerência em suas formas de treinar e dirigir equipes? Ou, em nome de um brilhareco nacional abdicarão de suas mais profundas convicções? Não ouso responder. Cada cabeça, cada sentença.

DETALHES…

Data-Frase- “Fomos campeões sul-americanos, de Copa América, Pré-Olímpico, Pan-Americano e acho que só não ganhamos Olimpíada e Mundial por detalhe”.

Oscar Schmidt

No ótimo site Databasket a frase acima foi inserida no inicio da página de Noticias, e que, apesar de ter sido dita por um dos nossos mais representativos jogadores até os dias de hoje, deixa no ar uma questão não esclarecida: Qual detalhe, e por que não, detalhes?

Sem entrar no mérito da questão lembro-me de alguns poucos, humildes e já de muito esquecidos “detalhes”, que nos fizeram três vezes medalhistas olímpicos e duas vezes campeões mundiais, São meros “detalhes”, desculpem:

-Medalha de Bronze nas Olimpíadas de Londres (1948) : Técnico-Moacyr Brondi Daiuto; DETALHES- Adilio Soares de Oliveira ; Alfredo Rodrigues da Motta ; Alexandre Gemignani ; Affonsode Azevedo Évora ; João Francisco Braz ; Marcus Vinicius Dias ; Massinet Sorcinelli ; Nilton Pacheco de Oliveira ; Ruy de Freitas ; Zenny de Azevedo,”Algodão”.

-Campeão Mundial- Chile (1959) : Técnico-Togo Renan Soares; DETALHES- Amaury Antonio Pasos; Carmo de Souza,”Rosa Branca”; Edson Bispo dos Santos; Fernando Pereira de Freitas; Jathyr Eduardo Schall; José Maciel Senra,”Zezinho”; Otto Carlos Phol da Nóbrega; Pedro Vicente da Fonseca,”Pecente”; Waldemar Blatkauskas; Waldyr Geraldo Boccardo; Wlamir Marques; Zenny de Azevedo,”Algodão”.

-Medalha de Bronze nas Olimpíadas de Roma (1960) : Técnico-Togo Renan Soares,”Kanela”; DETALHES- Amaury Antonio Pasos; Antonio Salvador Succar; Carlos Domingos Massoni,”Mosquito”; Carmo de Souza,”Rosa Branca”; Edson Bispo dos Santos; Fernando Pereira de Freitas; Jathyr Eduardo Schall; Moysés Blas; Waldemar Blatkauskas; Waldyr Geraldo Boccardo; Wlamir Marques; Zenny de Azevedo,”Algodão”.

-Campeão Mundial- Rio de Janeiro (1963) : Técnico- Togo Renan Soares,”Kanela”; DETALHES- Amaury Antonio Pasos; Antonio Salvador Succar; Benedito Cícero Tortelli,”Paulista”; Carlos Domingos Massoni,”Mosquito”; Carmo de Souza,”Rosa Branca”; Friedrich Wilheim Braun,”Fritz”; Jathyr Eduardo Schall; Luiz Carlos Menon; Ubiratan Pereira Maciel; Victor Mirshawka, Waldemar Blatkauskas; Wlamir Marques.

Medalha de Bronze nas Olimpíadas de Tóquio (1964) : Técnico- Renato Miguel Gaia Brito Cunha; DETALHES- Amaury Antonio Pasos; Antonio Salvador Succar; Carlos Domingos Massini,”Mosquito”; Carmo de Souza,”Rosa Branca”; Edson Bispo dos Santos; Friedrich Wilheim Braun,”Fritz”; Jathyr Eduardo Schall; José Edward Simões; Sergio Toledo Machado; Ubiratan Pereira Maciel; Victor Mirshawka; Wlamir Marques.

Não creio que tenha sido uma questão de detalhes, mas sim ausência dos mesmos, e que sobravam nas equipes acima mencionadas, lembradas e imorredouras. Foram os detalhes qualitativos, ausentes na geração do grande jogador que a limitou nas competições maiores. Somente isto, detalhes, os verdadeiros.

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VERGONHA …

Em recente declaração o ex-Ministro dos Esportes Agnelo Queiroz afirmou- “ que pela primeira vez esporte é negocio de Estado”. E deve ser mesmo, pois o recente escândalo de convênios com ONGs ligadas a projetos desportivos preencheu as paginas dos principais jornais do país nesta semana, com aplicações não comprovadas de verbas, e até endereços fantasmas, que só no Rio de Janeiro alcançou a cifra de 16 milhões de reais em 2006. Uma só Federação, a de Capoeira Desportiva(?) embolsou 2,5 milhões! Em 2007 as cifras já alcançam os 4,6 milhões, em projetos que pretendem atender jovens carentes fora das salas de aula, preenchendo seus tempos livres com orientação esportiva, supervisionadas por instrutores capacitados. Um prato cheio para promoções de cunho político-eleitoreiro, tão a gosto de um negocio de Estado. Mas a realidade tem demonstrado que tais programas não tem condições de planejamento e administração para passarem por um crivo elementar de auditoria. São na realidade um sorvedouro de verbas publicas avidamente disputadas por aventureiros disfarçados de protetores e salvadores de nossa juventude da periferia. E quem são essas pessoas? Serão professores bem formados e treinados para liderarem tão árduo trabalho? Ou serão aqueles “abnegados” sempre dispostos ao lucro mais do que bem-vindo via cofres públicos? Perguntas não tão difíceis de responder neste infeliz país, onde esporte é negocio de Estado. E uma outra pergunta vem logo à tona- Onde se encaixam os CONFEFs e CREFs sempre tão dispostos a prender professores que se negam a pagar seus dízimos anuais, e cinicamente ausentes das bocas de túneis onde gabaritados técnicos de futebol riem de suas prosaicas autoridades, e não só no futebol…

A afirmação do ex-Ministro dói ainda mais quando vemos a decadência progressiva de nossas escolas, onde, como nos paises mais desenvolvidos do mundo, o esporte deveria se constituir em conjunto com as artes e as disciplinas básicas no maior negocio de Estado, a educação de um povo. Mas não entre nós, onde um Ministério do Esporte, com suporte de um COB politizado se apossa de uma das vertentes mais poderosas no processo educativo dos jovens, atraídos pelo seu potencial de agrado e aceitação popular, para “administrar” verbas jeitosamente distribuídas a apaniguados e seguidores de suas políticas de Estado. Os resultados ai estão numa versão preliminar, e que se avultarão na medida em que a sociedade aprofunde as sindicâncias necessárias. O prejuízo será de grande monta, mas nunca para àqueles que se beneficiaram ao som dos berimbaus da vida.

E por que esse grande negócio de Estado não foi desenvolvido e entregue à gestão escolar, sob a égide do MEC? Claro, que as dificuldades de desvio de verbas seriam tremendamente mais difíceis, e até certo ponto impossíveis dentro da esfera escolar, assim como não beneficiariam a politicalha eleitoreira que só o esporte pode prover num curto espaço de tempo. Pois escola denota tempo, muito tempo, muito trabalho, na maioria esmagadora de suas funções sem qualquer reconhecimento e projeção publica. Educar um povo, gerações e gerações, nunca deu votos a nenhum político, mas silenciou a ignorância, afastou o analfabetismo e projetou, silenciosa e inexoravelmente as grandes nações ao encontro de um futuro rico e seguro de suas potencialidades, numa verdadeira égide democrática, constituindo-se no mais puro e verdadeiro negocio de Estado, ao som de suas canções, seus hinos e suas esperanças, e não ao som rústico e monocórdio de um berimbau.

INDO EM FRENTE.

Jogando com firmeza e desenvoltura, a equipe de Franca se classificou para as finais da Liga Sul-americana. Foram duas convincentes vitórias, demonstrando o quanto mudou em sua forma de jogar, atuando na contramão das demais equipes brasileiras. Ao abandonar as figuras dos pivôs trombadores, substituíndo-os por outros possuidores de velocidade e destreza, e ao adotarem uma formação com dois autênticos armadores, que mesmo atuando como alas, moviam-se habilidosamente graças ao grande domínio dos fundamentos de drible e passe, assim como na precisão dos arremessos de três pontos. Franca pode se orgulhar de possuir três armadores especialistas nesse tipo de arremesso, assim como um ala, que apesar de veterano conseguiu acompanhá-los naquelas funções, acredito que por força de muito treinamento e dedicação. Também possui reservas, que apesar de muito jovens se encaixam muito bem aos mais veteranos, formando um todo respeitável e altamente competitivo. Sua melhora defensiva foi marcante, principalmente quando contava com os três armadores em quadra, sufocando os atacantes argentinos, principalmente fora do perímetro, prejudicando muito seus longos arremessos e os passes para seus pivôs. Dominou os rebotes nos dois lados da quadra, principalmente o ofensivo, provando quão vantajosa foi sua opção em pivôs velozes e menos pesados. Somente um pormenor preocupa, a manutenção dos vícios enraizados pela utilização do passing game, que inclusive fez parte indissolúvel na formação de seus jogadores desde as categorias de base, fazendo com que ajam de uma forma quase sempre padronizada, principalmente na armação de jogadas comandadas por sinais, mais do que nunca conhecidos. Esse pormenor predispõe a equipe adversária a uma prontidão ante o que irá se desenrolar, facilitando a defesa, basicamente quando joga na antecipação. A chegada dos armadores na zona de ataque deveria desencadear ações sem qualquer tipo de interrupção, principalmente quanto a sinais e esperas nos posicionamentos dos demais jogadores. Fluir um ataque sem qualquer pista do que pretende realizar é a arma mais poderosa e letal que uma equipe bem treinada pode empregar em qualquer momento de um jogo, dando à mesma a vantagem da surpresa e do inusitado.

Enfim, se for dada continuidade a esse tipo de trabalho, e se seu técnico se mantiver na postura comedida e reflexiva que vem mantendo nos últimos jogos, pelo menos quanto à forma de dirigir e se relacionar com os jogadores, provando o acerto desse comportamento, a sua outra faceta de pressionar as arbitragens em suas decisões mais difíceis, anula em parte o comportamento anterior, numa dualidade que o todo da equipe só tem a perder, em qualidade e equilíbrio. A postura de um líder não pode e não deve ser contestada por um oscilante comportamento, pois o reflexo do mesmo altera o da equipe dentro da quadra.

Apesar da maratona de jogos que a equipe vem enfrentando nas três competições em que participa, podemos dizer que a mesma alcançou um patamar qualitativo muito acima das demais, e nem mesmo algumas poucas derrotas, normais em longas competições, desmerecerão sua elogiável tentativa, agora sedimentada, de um avanço técnico que muito precisamos em nosso basquetebol, mestre na mesmice e na medíocre repetição de erros passados. Espero que continuem e evoluam para alcançarem sistemas de jogo que façam justiça à nossa maneira de ser e de jogar o grande jogo. Amém.

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