INDO EM FRENTE.

Jogando com firmeza e desenvoltura, a equipe de Franca se classificou para as finais da Liga Sul-americana. Foram duas convincentes vitórias, demonstrando o quanto mudou em sua forma de jogar, atuando na contramão das demais equipes brasileiras. Ao abandonar as figuras dos pivôs trombadores, substituíndo-os por outros possuidores de velocidade e destreza, e ao adotarem uma formação com dois autênticos armadores, que mesmo atuando como alas, moviam-se habilidosamente graças ao grande domínio dos fundamentos de drible e passe, assim como na precisão dos arremessos de três pontos. Franca pode se orgulhar de possuir três armadores especialistas nesse tipo de arremesso, assim como um ala, que apesar de veterano conseguiu acompanhá-los naquelas funções, acredito que por força de muito treinamento e dedicação. Também possui reservas, que apesar de muito jovens se encaixam muito bem aos mais veteranos, formando um todo respeitável e altamente competitivo. Sua melhora defensiva foi marcante, principalmente quando contava com os três armadores em quadra, sufocando os atacantes argentinos, principalmente fora do perímetro, prejudicando muito seus longos arremessos e os passes para seus pivôs. Dominou os rebotes nos dois lados da quadra, principalmente o ofensivo, provando quão vantajosa foi sua opção em pivôs velozes e menos pesados. Somente um pormenor preocupa, a manutenção dos vícios enraizados pela utilização do passing game, que inclusive fez parte indissolúvel na formação de seus jogadores desde as categorias de base, fazendo com que ajam de uma forma quase sempre padronizada, principalmente na armação de jogadas comandadas por sinais, mais do que nunca conhecidos. Esse pormenor predispõe a equipe adversária a uma prontidão ante o que irá se desenrolar, facilitando a defesa, basicamente quando joga na antecipação. A chegada dos armadores na zona de ataque deveria desencadear ações sem qualquer tipo de interrupção, principalmente quanto a sinais e esperas nos posicionamentos dos demais jogadores. Fluir um ataque sem qualquer pista do que pretende realizar é a arma mais poderosa e letal que uma equipe bem treinada pode empregar em qualquer momento de um jogo, dando à mesma a vantagem da surpresa e do inusitado.

Enfim, se for dada continuidade a esse tipo de trabalho, e se seu técnico se mantiver na postura comedida e reflexiva que vem mantendo nos últimos jogos, pelo menos quanto à forma de dirigir e se relacionar com os jogadores, provando o acerto desse comportamento, a sua outra faceta de pressionar as arbitragens em suas decisões mais difíceis, anula em parte o comportamento anterior, numa dualidade que o todo da equipe só tem a perder, em qualidade e equilíbrio. A postura de um líder não pode e não deve ser contestada por um oscilante comportamento, pois o reflexo do mesmo altera o da equipe dentro da quadra.

Apesar da maratona de jogos que a equipe vem enfrentando nas três competições em que participa, podemos dizer que a mesma alcançou um patamar qualitativo muito acima das demais, e nem mesmo algumas poucas derrotas, normais em longas competições, desmerecerão sua elogiável tentativa, agora sedimentada, de um avanço técnico que muito precisamos em nosso basquetebol, mestre na mesmice e na medíocre repetição de erros passados. Espero que continuem e evoluam para alcançarem sistemas de jogo que façam justiça à nossa maneira de ser e de jogar o grande jogo. Amém.



2 comentários

  1. Idevan G. 06.04.2007

    É inegável as vantagens que Franca adquiriu ao fugir do “padrão nacional”, mas acho que uma andorinha só não é suficiente. Precisamos de pelo menos mais 2 times pro “padrão” ser quebrado.

  2. Basquete Brasil 07.04.2007

    Sem dúvida Idevan,mas não sairão,com certeza dos times dirigidos pelos quatro técnicos de nossa seleção.Nos demais,talvez um ou dois,o que já seria de bom tamanho ante a pobreza franciscana em que vivemos taticamente. Um abraço, Paulo Murilo.

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