A ETERNA ESPERANÇA (FROM PARIS)…

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Os dias passam rápido quando viajamos, pois muitas são as novidades, atrações, belos passeios, visitas obrigatórias a museus, experimentações culinárias, mil fotos, pequenos vídeos, tudo isso na companhia do filho mais jovem que aqui vive, numa europa antiga e tradicional, mas plena de tecnologias, tradições, dignas de serem conhecidas e visitadas…

A gostosa correria não permitiu que eu pudesse acessar o terceiro jogo do playoff entre Paulistano e Mogi, mas tomei conhecimento dos números do jogo, os quais não me surpreenderam nem um pouco, a não ser por um pequeno pormenor, foi a primeira vez que o Paulistano não convergiu, pois arremessou 10/32 de 2 pontos e 15/29 de 3, contra um Mogi que investiu no jogo interno com 23/43 de 2 e 10/28 de 3, me parecendo ter perdido, por mais uma vez uma partida contra o Paulistano ao permitir cinco bolas a mais de 3, com certeza com muito pouca ou nenhuma contestação eficiente, no que vai se tornando uma rotina de sua equipe e das demais que ainda não aprenderam a jogar contra artilharias de fora, e por conseguinte perdendo, até o dia que aprenderem a defender, com técnica e inteligência…

Honestamente não acredito que aprendam, pelos vícios adquiridos em longos anos de permissividade defensiva, e pelo inconteste fato de que seus estrategistas não estão nem aí para suas deficiências, pois findo o campeonato simplesmente promovem  a troca das peças que julgam carentes nos fundamentos por outras mais nominadas, num mercado de baixo nível ético e profissional, pois partem do princípio de que jogadores adultos nada somam com os fundamentos, pois em sua distorcida ótica, eles nada aprenderão de novo, num erro brutal de julgamento, confirmando cada vez mais que o verdadeiro problema é o de não saber ensiná-los, pois pouco mais sabem do que eles…

Pranchetas é a primordial questão que estará em julgamento agora, na reformulação de algumas das equipes, onde as exibições pirotécnicas de “vasto conhecimento” tático é grafado nas mesmas, para delícia de dirigentes,  mídia e de muito torcedores, avalizando um conhecimento muitos furos abaixo do mínimo exigido de um técnico na acepção do termo…

Esperanças para sábado, num jogo que poderá ser decisivo e finalizar o campeonato? Creio que pouco mudará, a não ser que mudem sua forma de pensar o grande jogo como uma competição de “tiro aos pombos”, e se convençam de uma vez por todas de que defender com denodo, e atacar com a cabeça e não com as pernas, metódica e friamente, é o único caminho que conheço para atingir uma performance aceitável, e quiçá vencedora, que é o mínimo necessário a ser perseguido…

Consegui assistir os últimos jogos dos playoffs semifinais da NBA, e que tal o que sempre publiquei sobre a brutal anomalia dos chutes de 3 na grande liga, e por consequência nas ligas muito menores dos países que a seguem? Desastre total, exceção feita aos grandes e verdadeiros especialistas na arte altamente precisa dos arremessos de 3, que mesmo assim pouco tem levado suas equipes a vitória, onde o vovô LeBron (33 anos mesmo?…) partindo ferozmente para a cesta classifica sua equipe para lá de medíocre ao playoff final. Que tal?…

20180530_134239Hoje, na despedida aqui de Paris, fui ao Louvre, monumental Louvre, depois de bater pernas por essa bela cidade, onde a arte e o conhecimento humano chegou aos píncaros do humanismo que conhecemos, onde o desporto galgou degraus evolutivos dignos do gênero humano, e que na presença de algumas obras imortais de arte, coloquei humildemente o ofício de ensinar, ao qual dediquei toda uma vida, em cheque, concluindo que fiz o melhor que pude, estudei o que me foi permitido, pesquisei na medida dos meus valores e possibilidades, e apliquei o pouco que aprendi da forma mais honesta e dedicada possível, que foi o que fizeram muitos dos mestres que ali estão na forma de suas telas, esculturas e livros. Não sou um deles, mas me sinto perto de seus ideais e amor ao seu ofício, o de passar as novas gerações a esperança em dias melhores…

Logo mais estarei em Florença, e ao final em Roma, na caminhada de um pouco mais de conhecimento e esperança nos homens…

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal. Clique nas mesmas para ampliá-las.

O DEVER DE CASA (FROM DUBLIN)…

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Foi trabalhoso acessar a Sportv ontem a noite, o que ocasionou a perda de todo o primeiro quarto da partida, retomada daí para diante sem maiores percalços. O que vi e observei daí para diante, com o Mogi 10 pontos a frente, foi a constatação óbvia de uma equipe que, afinal, fez o dever básico de casa, marcando forte os armadores, contestando todo e qualquer arremesso,  brigando nas duas tábuas pelos rebotes, cadenciando o jogo, enquanto o Paulistano redundantemente manteve a “convergência revolucionária”(11/29 nos 2 pontos e 12/36 nos 3, contra um Mogi também convergente, com 20/36 e 12/33 respectivamente), se aferrando a bolinhas que não caiam, contestadas ou não, protagonizando um “espetacular” jogo com números que em hipótese alguma atestam qualidade e alto nível a um playoff, com 31/65 bolas de 2 e 15/69 de 3, números que deve ter deixado o grande Wlamir Marques presente ao ginásio que leva o seu nome, mais decepcionado de quando na entrevista no intervalo do jogo comentou que – o basquetebol deve ser jogado com a cabeça e não com as pernas, numa velocidade insana que “deixa o jogo muito feio”-, num depoimento que deveria ser levado a sério, mas que infelizmente cairá no esquecimento dessa turma de estrategistas que sequer sabe copiar o que emana da matriz. Aliás, ontem mesmo, o Huston anulou o “revolucionário” Warriors, empatando o playoff, ficando a uma partida da  final da conferência, provando que o “chega e chuta” começa a ser decisivamente contestado, mesmo que sua equipe professe algo parecido, numa contradição que explica muita coisa que nossos luminares sequer imaginam do que se trata, afinal, o aprendizado osmótico passa a muitas léguas da complexa realidade do grande jogo, do outro jogo que lá, na matriz, é praticado…

Creio que na próxima partida do playoff tupiniquim, desça as cabeças dos litigantes o mais do que tardio bom senso, fazendo com que joguem como deveriam jogar, e não duelar no insano bangue bangue dos 3 pontos, para enfim qualificar uma competição cansada da mesmice endêmica que se apossou do nosso indigitado basquetebol. Gostaria imenso que isso ocorresse, e quem sabe saltaremos a mais cruenta fase por que passamos por algumas décadas da mais profunda e obscura mediocridade técnica e tática…

Como a esperanca é sempre a ultima que morre, torco ardentemente por ela.

Amem.

Foto – Divulgacao LNB. Clique na mesma para amplia-la.

AGENTES (FROM DUBLIN)…

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Sobrou um tempinho, perdido entre as enormes caminhadas desbravando segredos e encantos de Dublin, suficiente para elaborar este artigo, que sucedeu uma rápida leitura sobre as novidades esportivas brasileiras, incluso o basquetebol, em sites, blogs e pelo jornal digital que assino, quando um comentário me chamou a atenção, ao mencionar a “enxurrada de currículos” enviados por agentes, de técnicos se candidatando a direção da equipe do Flamengo, com a saída de seu premiado comandante  na semana passada…

Fiquei curioso e algo assustado, pois não imaginava que técnicos de basquetebol fossem conduzidos e determinados por agentes, campo fértil entre os jogadores, mas não entre os técnicos, pelo menos assim pensava até me deparar com a instigante matéria, que na dura realidade confirma um processo de cartel, que de algum tempo venho questionando quando da formação de equipes da LNB, e a enorme influência de agentes e empresários na formação das mesmas, porem nao voltadas, assim pensava, nas indicações de técnicos, que no meu ferrenho ponto de vista, deveriam ser os responsáveis diretos nas indicações e contratações de jogadores, pois acima de tudo e todos, serão os líderes diretos na formação, orientação e condução das equipes nas competições, secundados por assistentes e auxiliares de sua mais estrita confiança. Mas pelo que começo a compreender (perdoem-me os leitores minha aparente ingenuidade sobre uma evidência, que solidifica agora todo um raciocínio que expunha nos artigos escritos até agora sobre o assunto), diretores, supervisores, agentes, beneméritos, palpiteiros, eminências pardas, constituíam, equipes completas para depois nomearem os técnicos, numa ação com poucas exceções nas mais fortes franquias, culminando agora pelo agenciamento dos técnicos também?…

Meus deuses, seria o fim do mais primário princípio de liderança, aquela garantida e avalizada pelo mérito, pelo reconhecimento profissional, pelo respeito inter pares, pelo sério e inatacável currículo enfim, e não como moeda de troca, o toma lá dá cá abjeto e humilhante, subtraído da competência e do conhecimento basilar do grande jogo…

Dois ou tres anos atras, numa discussão profissional com meu filho André Luis, ele me afirmou convicto – Pai, procure um agente que você retorna ao basquetebol – Simplesmente me neguei a concordar com algo inimaginável para mim, em todos os sentidos, éticos e profissionais, mas agora, perante o trágico realismo da cena nacional, devo admitir que ele estava com a razão, porém não suficiente para abdicar os princípios que sempre orientaram e regularam minha vida de professor, técnico e jornalista, onde o agente maior, mais poderoso e influente, seria agora, como sempre foi antes, o aval qualificatório garantidor do meu trabalho profissional…

Nesses oito anos que me separam da única oportunidade que me foi dada no NBB, abordei alguns aspectos da infame e notória covardia a que fiz jus pela independência de pensar e agir no grande jogo, e muito poucos defenderam essa posição, mas a esmagadora maioria dos técnicos aplicam hoje situações e estratégias de jogo que foram desenvolvidas por mim desde sempre, e sequer mencionam a fonte, preferindo incensar estrangeiros e a matriz, num processo autofágico que muito em breve cobrará, com altos juros tanta vassalagem. Outras e sérias verdades guardo para mim, nunca esquecendo, no entanto que – podem enterrar a verdade o mais fundo que puderem, porém matá-la, nunca, pois um dia ela ressurgirá, como tudo na vida, na natureza…

Amem.

Foto – Visita ao Trinity College. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

Em tempo –  Sonho ou realidade, adoraria estar agora ensinando como jogar contra esse primitivo “chega e chuta” que tanto empobrece e.  vulgariza o grande jogo, inclusive na matriz…

2014/2015……2018 PARA REFLETIR…

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Dois artigos para reflexão, tão necessária na atualidade do grande jogo entre nós.

  1. O PRODIGIO (11/9/2014)
  2. A MAIS DE VINTE ANOS ATRAS (16/9/2015)

 

Amem.

DOBRAS E SOBRAS (FROM DUBLIN)…

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Estou aqui em Dublin, no pequeno apartamento/estudio de musica do meu filho, cercado de tecnologias por todos os lados, com ate realidade virtual, que para mim, da velha guarda, impressiona pelo realismo e emoção. Mas uma surpresa me foi reservada, uma tv de 55 polegadas onde pude acompanhar ontem o primeiro jogo do playoff final do NBB 10, entre Mogi e Paulistano, com som e nitidez assombrosos, quantificando uma realidade que, perdoem-me a franqueza, lastimo muito, e de a muito tempo…

Na véspera, acompanhei pelo site da LNB, a entrevista coletiva dos técnicos e jogadores das duas equipes, onde obviedades foram mencionadas, como a do técnico de Mogi, ao lembrar o poderio de seu adversário nas bolas de fora, nos rebotes e os contra ataques muito rápidos, além de uma defesa pressionada e forte, absolutamente nada que não seja do conhecimento público sobre aquela equipe da capital, pontos que foram confirmados pelo seu oponente, que num tom de voz baixo e pausado (que nao e o seu de costume), confirma a análise e repete que aquela altura do campeonato muito pouca coisa mudaria, ainda mais se as bolinhas caíssem, como espera que aconteça. Rapapés e mesuras são trocadas, e foram para o jogo…

E minha gente, não é que caíram, aos magotes (16/32 de 3 e 19/31 de 2, contra 9/25 e 17/36 respectivamente do lado de lá), com o Paulistano convergindo como de praxe, marcando forte e levando razoável vantagem nos rebotes (35/31), e o mais impactante, iniciando a partida com seis bolas de três em oito tentativas, numa completa ausência defensiva por parte do Mogi, parecendo que estavam “pagando coletivamente para ver”, numa atitude indefensável e perdedora, que se tornou fatal e irrecuperável no transcorrer do jogo…

Cabe a essa altura, analisar os comentários da mídia sobre o coletivismo do Paulistano, com suas velozes trocas de passes, com a finalidade quase absoluta de gerar espaços para os arremessos de três, além das rapidas saídas em  contra ataque após rebotes defensivos (sem que nenhum jogador alto do Mogi se postasse no bloqueio do primeiro passe, retardando o mais possivel a saida), principalmente aqueles originados nas tentativas  falhas de seus oponentes nos arremessos longos, como temos visto em quase todas as partidas deste NBB, que após dez anos tão pouco evoluiu técnica e taticamente, ao contrário de suas reais conquistas nos campos da sustentabilidade administrativa e mercadológica…

Segundo os comentários gerais, o sistema ofensivo do Paulistano, prima pela grande velocidade nos passes, combinados com algumas tentativas de penetração de seus velozes alas pivôs, com volta imediata dos passes, de dentro para fora do perímetro, com a única finalidade de encontrar jogadores livres para os arremessos de três, mais equilibrados e sem contestação presente. Claro que, a enorme maioria de nossos estupendos estrategistas, confia e exige as dobras defensivas a fim de confrontar penetrações, esquecendo porém, que, contra equipes como a do Paulistano, o ensaio para o pick in roll praticamente determina a dobra adversária, originando a sobra de um atacante aberto motivada pela mesma, pois o princípio técnico da confrontação aos picks, é o de jamais exercer a troca, e sim manter a marcação original, evitando as desproporções de peso e altura, bastando simplesmente exercer deslocamentos laterais e longitudinais sem trocas de qualquer espécie, frutos de um treinamento defensivo intenso nas técnicas individuais de defesa, um dos fundamentos básicos do grande jogo, esquecido por desconhecimento ou incompetência, principalmente na formação de base…

Muito bem, se todos os jogadores (como americanos e europeus em sua maioria), primam por esse preparo, tornam-se mais raros os espaços originados pelas trocas, não que elas ocorram, porém em muito menor quantidade como entre nós, incapazes que somos de manter uma prolongada defesa rígida 1 x 1, sem a necessidade de trocas internas permanentes, que é uma saída oportuna a deficiência postural e mental de quem pretenda exercer uma defesa realmente eficiente. Infelizmente, nossa preparação nos fundamentos peca em muitos pontos, e os princípios defensivos individuais é um deles, daí a preferência que é dada as defesas zonais nas divisões de base (onde a unidade grupal pretensamente compensa as deficiencias individuais) uma garantia a curto prazo de vitórias e acúmulo curricular para técnicos, muito mais preocupados na carreira do que no ensino da base basquetebolista…

Por conta dessa deficiência, vemos com enorme frequência as tentativas de evitar penetrações no perímetro interno com trocas longitudinais, gerando as  tão decantadas sobras, por onde equipes como a do Paulistano destilam com liberdade suas bolinhas de 3…

Se por outro lado, os defensores se mantivessem firmes no 1 x 1, primando pelo combate às penetrações, através as bem ensinadas e aprendidas técnicas da defesa individual, certamente ocorreriam menos sobras ofensivas, que conjuntamente as bem executadas contestações, de preferência no plano vertical, visando a alteração das trajetórias nos arremessos de seus adversários, e não a tomada ou bloqueio da bola, certamente menos bolinhas seriam sequer tentadas, equilibrando os jogos…

Creio no entanto, que ainda estamos muito distantes de vermos nossos jovens bem preparados nos fundamentos, como os de defesa, tão ausentes em nossas equipes, da base a elite, propiciando essa terrível hemorragia de bolas de 3, tão a gosto daqueles que desconhecem o grande jogo em sua essência , onde o domínio dos fundamentos passa bem longe dessa grande mentira que presenciamos em nossas quadras, inflacionadas  com uma chutação desenfreada encobrindo nossas maiores deficiências, num pastiche de jogo que em absoluto representa o verdadeiramente grande, grandíssimo jogo…

Amem.

Foto – Arquivo pessoal. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

A NOVA ERA…

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Estou em visita a Dublin, onde vive meu filho caçula que aqui está a  oito anos, e somente hoje tive acesso a internet, que percorri avidamente em busca de notícias sobre o basquetebol brasileiro, sabendo de antemão que as novidades seriam próximas do zero, e nao deu outra, pois o Paulistano bateu o Bauru na quinta partida, classificando-se para o playoff final com o Mogi, mas sem antes tornar a repetir a já tradicional convergência (12/35 nos arremessos de 3 e 14/30 nos de 2, contra 10/26 e 14/31 respectivamente por seu adversário), agora transformada pela mídia a tal ponto especializada, que  promove enfaticamente tal distorção como uma nova e grandiosa filosofia de jogo,que fatalmente será seguida mundo afora, com algum retardo europeu…

Será?  Claro que não, pois as contrapartidas motivadas pela contestação cada vez mais presente nas defesas fora do perímetro, principalmente na NBA, tem exigido prestações altamente precisas daqueles jogadores realmente especializados, que em absoluto é o caso da maioria de nossos jogadores, que se consideram conhecedores e praticantes desta seletiva e exclusiva elite dos realmente mestres, o que absolutamente não o são…

Uma partida com 28/61 nos 2 pontos e 22/61 nos 3, se torna inverossímil sob qualquer análise básica do jogo, quando o desperdício de 39 bolas longas, sabidamente imprecisas em qualquer estudo sério sobre direcionalidade e precisão em longas distâncias (existe uma pesquisa doutoral sobre este assunto – Iracema P.M. (1990)  “Estudo sobre um efetivo controle da  direcao do lancamento com uma das maos no basquetebol”- Tese de Doutorado, FMH/ Universidade Tecnica de Lisboa, Portugal), onde desvios de 0,5 graus na soltura e toque final na bola, tiram-na obrigatoriamente da amplitude do aro (os famosos “air balls”). Mas o que importa estudos e pesquisas sobre precisão e direcionalidade num basquetebol da mais alta qualidade como o nosso, onde “o jogo de risco” suplanta qualquer “princípio acadêmico”, e onde o “chutômetro e a chutação autofágica”, dita as regras da nova era filosófica do grande jogo tupiniquim e até internacional?…

Então caros e raros leitores, aguardemos os novos tempos do basquetebol  revolucionário e visionário pátrio, onde a atual e pageada filosofia do “chega e chuta” deixará de ser sazonal para se transformar numa endêmica e definitiva regra a ser, finalmente, sacramentada na formação de base ate a elite, num mergulho suicida de previsível conclusão, claro, para todos aqueles (muito poucos) que sabem muito bem para onde estara sendo levado o grande jogo no pais, sem que muita coisa possa ser feita para estancar a sangria final que se avizinha, e os resultados internacionais os exporão, como na recém finda Liga das Américas, onde os atuais finalistas foram varridos para baixo do tapete por equipes formadas e reunidas por algumas equipes hermanas que ja iniciam a contra reforma defensiva, ou não?…

Defesas cada vez mais eficientes nos “espaçamentos de quadra” que alguns apregoam como indefensáveis (vão entender do grande jogo assim nos quintos…), estarão operativas muito em breve pois, sucedendo uma “filosofia” ofensiva de jogo, uma outra defensiva ocorrerá, numa troca sucessiva e  clássica característica, que dota os desportos coletivos em sua apaixonante saga, a de nunca ver estabelecidas soluções sistêmicas definitivas, e sim como preâmbulos de fases evolutivas ad infinitum, sem as quais todo e qualquer princípio coletivista jamais sobreviveria, e um marcante exemplo desta evidência e a lamentável tendência de alguns “iluminados” em transformar um jogo grupal em individual, elevando aos píncaros os “duplos e triplos duplos ”, glorificando e endeusando a egolatria narcisista de uns pretensos ungidos, em função de uma coletividade, até mesmo nas constantes derrotas…

Enfim, teremos, por mais e incessante repetição, de enfrentar um ciclo olímpico da mesmice técnico tática que nos tem esmagado por mais de duas décadas, agora acrescida de uma “revolucionária filosofia”, produto direto do inteligente oportunismo na exploração de um hiato corporativista, no qual ninguém marca ninguém, e o último a acertar uma bolinha, vence o jogo e apaga a luz, em emocionantes e espetaculares partidas, numa triste confirmação do que aí está, e ficará por um longo tempo…

Que os pacientes deuses nos protejam…

Amem,

Foto – Arquivo pessoal. Clique duplamente na mesma para amplia-la.

 

OLHANDO DE CIMA E DE LONGE A HECATOMBE QUE NOS AFLIGE (FROM MADRID)…

 

32336969_10204727951996453_3230861501711515648_nNos 10 minutinhos que restaram do tempo de internet a bordo (estou viajando para a Europa, num presente de meus filhos), pude acessar a LNB e saber do jogo Bauru e Paulistano atestando pelas estatísticas (odeio falar de um jogo me espelhando somente nelas…) o quanto de razão sempre tive contra ao modismo vigente do desenfreado “chega e chuta” que tomou conta do indigitado basquetebol tupiniquim, e do quanto ainda teremos de caminhar para alcançar um padrão técnico e tático razoavelmente aceitável para o mesmo…

Nossas quadras, se veem dependentes da influência dos notórios estrategistas que arrogantemente instalaram a ditadura das bolinhas, incapazes que demonstram ser de inovar com coerência, e não a reboque de modismos, canhestramente copiados de uma matriz, que investe comercialmente, num mercado sem qualquer contrapartida técnico tática que realmente nos faça progredir. Olhando bem os números aqui de cima do Atlântico, talvez com alguma precisão, face a nossa larguíssima experiencia de “orangotango velho e encardido” o que vemos? Com a presença massiva da convergência no nosso vulnerável basquetebol, Paulistano, líder inconteste nessa “descoberta do novo”, insistiu vencer com um contundente e falseado 11/41 nos 3 pontos, contra 7/28 de Bauru, também convergindo, porem em menor escala, preferindo investir um pouco mais nos 2 pontos, mais precisos pela menor distancia, onde com seus 18/30 frente aos 12/28 da “turma inovadora” da capital, conseguiu levar a melhor numa partida duramente disputada (presumo isso pela grande incidência de lances livres, 25/34 e 18/28 respectivamente) dentro do perímetro, e o elevado numero de rebotes (51 e 39) e um relativo numero de erros de fundamentos (11/6), num placar final de 82 x 75 para os interioranos, levando a disputa para o quinto jogo. Como desde sempre, conclamo aos estrategistas atentarem para a aritmética mais simples e básica nessas horas, pois 30/58 nos 2, 18/69 nos 3 e 43/62 nos lances livres, nos remete ao confronto do irreal quanto a melhor maneira de se disputar um campeonato, onde convergir esta sendo definido como o brand new técnico tático dos nossos mais irreais ainda, sonhos da retomada do grande jogo entre nos o que se constitui na mais contundente e falsa das falácias,…

 

32293673_10156543872307474_2498468959544672256_nOntem, de um cafe aqui em Madrid, na companhia do meu querido filho caçula, ausente do Rio de Janeiro em seu refugio profissional e musical em Dublin,  por longos e saudosos oito anos, e que também foi basqueteiro, acompanhei curioso em tempo real, a saga inversa do Flamengo em seu derradeiro confronto com o Mogi pela classificação a final, perdendo para os donos da casa por contundentes e irrefutáveis 89 x 72 pontos, num jogo, como de praxe nos últimos tempos desse triste basquetebol tupiniquim, onde ambos convergiram assustadoramente (18/36 para Mogi e 17/32 para o Flamengo nos 2 pontos, e 13/27 e 8/31 respectivamente nos 3, as famigeradas e autofagicas bolinhas…), demonstrando tacitamente o quanto de muito bem pago primarismo, esses notórios, incensados e marqueteados estrategistas, produzem uma copia equivocada e fajuta que fazem do basquetebol da matriz,  apresentando um ex grande jogo (para todos eles) onde a presença do passo marcado do “pranchetismo midiático”, mais fajuto ainda, que tem nos levado cada vez mais para o fundo de um poço que parece infindável, da forma mais lastimável e trágica, para o que deveria ser o grande, grandíssimo jogo, neste imenso e dolorosamente injusto pais, onde o mérito sempre e, e continuara sendo ainda por muito tempo, substituído pela mediocridade e pusilanimidade de um corporativismo selvagem e deletério, ate um dia, quem sabe…

Prevejo com a maior tristeza que, a continuar essa farra irresponsável como esta sendo mal tratado o basquetebol brasileiro, desde a formação básica, ate a elite, e ai inclusas nossa seleções (na elite o Petrovic tem e terá pela frente essa praga hemorrágica), difícil ou impossivelmente emergiremos deste poco pavoroso, que continuara a ser escavado ate os limites do impensável, por uma geração de estrategistas simplesmente…ora, deixemos para la, e que se anulem entre si e seus pares…

Amem.

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NO VAZIO DEFENSIVO É SÓ CORRER E CHUTAR, OU NÃO?…

P1160407P116040917/39 bolas de 3, conseguiu o Paulistano, e 8/25 o Bauru, totalizando 25/64 em 40 minutos de jogo, sem contar as de 2 (15/29 e 15/30 respectivamente), mais 14/14 e 10/13 nos lances livres, números que comprovam o “alto nível” defensivo da partida, inexistente do lado do Bauru, um pouco melhor pelo Paulistano, mas nada que explique convincentemente a chutação desenfreada cometida por ambas, onde um dos contendores acertou bem mais que o outro, 17 contra 8, para um inacreditável total de 64 bolinhas, ou seja, por 39 vezes as equipes foram ao ataque, livres de contestação primária, e erraram, e continuarão a errar até o fim do campeonato, recomeçando no NBB 11 tudo de novo, pois no vazio defensivo é só correr e chutar, ou não?…

Brada o estrategista vencedor que essa é a maneira vencedora de jogar, queiram ou não as críticas em contrário, e que está mais do que comprovado que dá certo, como deu e dará daqui para frente. Tem razão o jovem estrategista, pois em “terra de cego quem tem um olho é rei”, e haja cego nesse NBB, ele inclusive…

Cita o Warriors como modelo, e de quem é fã, salientando que além de correr e chutar, apresentam o grande diferencial, defendem com precisão, no que concordo nesse aspecto, ainda mais contra adversários que dominam os fundamentos do jogo, onde a arte defensiva é fundamento básico também, antítese de nossas equipes, com jogadores em sua maioria ineficazes e incapazes de defender com alguma técnica, propiciando a plena liberdade para a existência da hemorragia dos 3 pontos, num equívoco que continuará abastecendo nossas seleções, desde a base, de encontro aos constrangimentos por que temos passado nas últimas décadas no concerto internacional…

Impossível traçar paralelos entre a chutação da turma lá de cima com os daqui, onde o enorme fosso que nos separam pelo pleno domínio dos fundamentos, caracterizam as grandes diferenças técnicas, e mais ainda as táticas, pois como estratégia básica, histórica e tradicionalmente são dotados das técnicas fundamentais desde a formação, o que pouco ensinamos aqui em terra tupiniquim, fator gerador das distorções que nos afligem, principalmente agora através o “inovador” sistema que está sendo  implantado, o “chega e chuta”, aceito, consentido e agora incentivado pela maioria dos estrategistas, oportunos utentes do modismo “que dá certo”, que deu certo, e que continuará a dar certo, esquecendo que modismos passam, não a tradição, o conhecimento sistêmico, e acima de tudo, o bom e eterno bom senso…

Mas voltando ao jogo, se deixar vencer por 31 pontos, levando 17 bolas de 3, numa semifinal, realmente não é para qualquer um, ainda mais para uma equipe que defende seu título da edição passada do NBB, mas como as demais, adepta da chutação e do limite zero em defesa, individual e coletiva, principalmente fora do perímetro, o que é lastimável…

Aguardemos o próximo capítulo, emocionante, espetacular, monstruoso, que não seja na acepção da palavra, assim espero…

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

AS CONTINHAS QUE GANHAM JOGOS…

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P1160401Creio que a aritmética mais básica foi agora considerada, com a equipe do Flamengo arremessando 9/25 (ainda exagerado…) de 3 pontos contra 9/32 do Mogi, investindo bem mais na média e curta distâncias (15/40 contra 14/28) alcançando maior produtividade em cestas mais precisas, otimizando seus ataques, e contestando com eficiência a artilharia convergente paulista, que na somatória final rendeu a tão necessária vitória para continuar na disputa com boas chances de reverter a classificação…

E mais, voltou o mais rápido possível (as duas faltas iniciais do Varejão ajudaram na decisão) a formação azeitada que vinha se impondo na fase de classificação, onde o JP Batista, o Alexandre, o Marcos e o Rhett, velozes, fisicamente enxutos, e se deslocando bastante, propiciavam constantes assistências internas por parte de uma eficiente e confiável dupla armação, numa fatorial combinação entre Cubillan, Pecos, Ramon, e em algumas situações com o Marcelo, formações estas que fluidificavam os ataques, como deveriam jogar desde sempre…

P1160403No entanto, a teimosa imposição do passo marcado via prancheta de seu estrategista, por pouco quase travou a fluidez apresentada, a tal ponto que, no último pedido de tempo, frente a insistente determinação por jogadas marcadas naquele delicado momento do jogo, onde deveria (como foi realizado pelos jogadores) ser mantido o princípio da improvisação consciente de seu experiente e calejado plantel, aconteceu uma interferência do Marcos sobre a explanação técnica apresentada,  contrapondo-a com veemência, e afirmando – Entendeu o que eu disse, entendeu?…

Acredito que o entendimento ficou bem claro, pois partiram para decidir um jogo capital, e que põe de volta a boa equipe carioca na trilha que poderá reverter o mando de campo para a decisão, a não ser que o estrategista paulista também refaça suas continhas, simples, desprovidas de pranchetas, porém repletas de bom senso e inteligência…aritmética.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

AQUILO?…

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P1160384Assisti o jogo pela TV, atento como sempre, atônito e me beliscando para ter a certeza de que não errei o canal, trocando-o pelo Cience Sify, pelo inacreditável que emanava da tela, pelo inconcebível que testemunhava. Agora mesmo, tenho os números dispostos a minha frente, encostados no monitor, e olhando fixamente para os mesmos, continuo na dúvida se realmente assisti tudo aquilo, isso mesmo, aquilo, e não um jogo de basquetebol sério e coerente, do tipo que se bem ensinado e aprendido pelos jovens que se iniciam e adoram o grande jogo, os marcarão para o resto de suas vidas…

Mas aquilo? Me perdoem mais uma vez, aquilo não é decididamente basquetebol, e tanto é verdade que o estrategista guru da nova era que diz ter implantado, não aguentou e se retirou antes do fim, claro, premiado com duas faltas técnicas que provocou, criando um excelente álibi ao se ver derrotado, exatamente pela mesma cicuta que o fez guru na fase classificatória, em que convergiu em todas as partidas, estabelecendo o reinado das bolinhas em caráter definitivo para sua autofágica equipe, iludida pelo autodeterminismo de uma forma absolutamente absurda de jogar…

P1160388P1160394E os números Paulo, os números, e o que falam, como as pranchetas, explicam algo? Explicam, e muito, senão vejamos – Inacreditáveis 23/73 (11/40 para o Paulistano e 12/33 para Bauru) arremessos de 3 foram disparados, livres, raramente contestados, equilibrados, desequilibrados, em contra ataque, e até com os dois pés fixos no solo, numa quantidade que suplantou os de 2 pontos que ficaram num xoxo 22/56, sendo 10/28 para para o Paulistano e 12/28 para Bauru, complementados com os respectivos 6/9 e 10/14 Lances livres, tudo emoldurado pelos 26 erros de fundamentos (10/16), num digno fecho de sucata que mereceram…

O que se viu então, e o que nos aguarda se essa turma de estrategistas assumir nossas seleções daqui para frente (o que já está ocorrendo, infelizmente), senão o enterro definitivo do que ainda resta de digno e respeitável no grande, grandíssimo jogo entre nós, que teimam, insistem em destruir, escravos que são da falácia de que somos o ultra sumo dos arremessadores, neste mundinho chinfrim de falsos especialistas da longa distância, que tentam escamotear suas terríveis deficiências nos fundamentos mais básicos afastando-se da cesta, das zonas onde se dão os combates que determinam as vitórias, daí a lógica explicação do sucesso de americanos de baixa qualificação que aqui aportam, que mesmo assim são infinitamente superiores nos fundamentos, fruto de uma forte e tradicional formação de base em suas escolas e universidades…

Jogos deste teor nos preocupam, pois remetem as habilidades do drible, das fintas, dos passes, das seguras conclusões, da ação defensiva, chaves do coletivismo, para o limbo da aventura pura e simples, ou algum deles saberia discorrer na teoria e na prática da importância do controle do eixo diametral da bola no momento da soltura da mesma em direção a cesta, e a correta empunhadura a ser utilizada, saberia? Creio absolutamente que não, pois grassa no meio em que vivem, treinam e jogam o princípio do treino extra, aquele dos 500 ou mil arremessos, inúteis e dispersivos, na medida em que não sabem como e os porquês do fino e seletivo ato de arremessar uma esfera a mais de 6 metros e meio com pleno conhecimento tátil e mental no correto e controlado direcionamento a cesta, antítese dos costumeiros air balls, que foram muitos no jogo de hoje…

Convergências extremas como a do “espetacular” jogo de hoje deixam no ar uma definitiva questão – O que farão perante defesas fortes e contestadoras de verdade nas grandes competições internacionais, o que? Adianto um pouco, nada, nada mesmo, pois as grandes equipes senhoras dos fundamentos não permitirão, ainda mais quando pivosões vão lá para fora rivalizar com alas e armadores, numa demonstração tácita das imensas deficiências de suas equipes no jogo coletivo, aqui minoradas pela presença de americanos, que se fartam a granel ante tanta ausência defensiva, para gáudio de estrategistas que estabeleceram e estabelecerão mais ainda os famigerados duelos, quando o último a lançar a bola, se retira e apaga a luz, a luz do tão ausente bom senso. Uma lástima…

Amém.

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