CONVERGINDO E PERDENDO…

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No artigo passado comentei ser muito difícil uma equipe vencer uma competição convergindo sistematicamente seus arremessos, onde as bolinhas de três superam as de dois pontos, numa perda substancial de esforços e objetividade, que numa liga de elite não costuma perdoar tal exagero, ainda mais quando somada a uma permissividade defensiva que raia ao inacreditável para esse nível.

Num jogo em que 18/39 arremessos de três se sobrepuseram a 18/32 de dois (seu adversário arremessou 21/37 de dois e 9/23 de três), algo está bastante errado no sistema de jogo dessa equipe, onde seu mais emblemático jogador vem sendo o cestinha absoluto nas últimas partidas, vencendo ou perdendo-as, porém mantendo um discurso de que a equipe vem atuando mal, e que não entende os porquês de tal evidência…

Bem, para quem está de fora da quadra, e entende um pouco do grande jogo, e nem precisa ser muito, não pode aceitar que uma equipe com tão bons jogadores altos, raramente os utilizam, priorizando a chutação desenfreada de fora do perímetro, onde até estabeleceu um novo parâmetro especializado, o corner player, e transformou alas e pivôs em “especialistas de três”, duelando com as atiradeiras da equipe, como que buscando oportunidades de participação de um jogo em que normal e permanentemente são esquecidos, situando-os afastados da cesta, num prejuízo incalculável para o seu poder de rebotes.

Somando a essa realidade, uma oscilação defensiva permanente, acomodada e segura de que a vitória se constitui numa questão de tempo, frente a um tão seleto e qualitativo grupo, temos desenhado um cenário nada favorável à mesma, pois de algum tempo para cá, seus adversários vem optando pelo jogo interior, onde mais pesa a autossuficiência da maioria de seus integrantes, focados que se encontram em seu poderio ofensivo, bem para cá do perímetro externo.

E como a cereja de um bolo passado e a caminho do mofo, uma indefinição patente na trilha de comando, onde naquelas horas mais decisivas, ou um palavrório agressivo e desconexo que se choca com a descrença e ausência de interesse de comandados, ou a intromissão tática subalterna de algo exposto e criado naqueles momentos (fica muito clara a tendenciosa improvisação…) se choca com a realidade ali negada, a de quão frágil se manifesta a todos, dentro e fora do campo de jogo, a relação entre comando e comandados, naquelas mais prementes situações onde deveria ser forte e unida, e não deformada pelos inflados egos de ambas as partes, mas que mesmo assim, face a qualidade de muitos de seus integrantes, ainda se mantêm em uma luta desigual ante suas próprias e consentidas fraquezas.

Mesmo assim, torno a repetir, como tudo de mais atípico acontece no NBB, pode ser até que venham a ser campeões, apesar de tudo, e do discurso de seu mais festejado jogador, que sabe muito bem o que, de verdade, está acontecendo, já que profundamente inserido naquele contexto…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

CONTRASTES…

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Meus deuses, como é difícil escrever algo em meio a um turbilhão de emoções e embates

 familiares, ainda mais quando envolve pais e filhos. Mas a experiência e o bom senso sempre encaminham soluções razoáveis e equânimes em qualquer situação, mesmo a mais complexa.

 

Mesmo assim, vamos em frente, prometendo não atrasar mais artigos aqui nesse humilde blog.

 

Começando, que beleza as semifinais da NCAA, quando se classificaram para a final as duas equipes que menos arremessaram de três nessa fase da competição (Kentucky 2/5 e Wisconsin 8/20, assim como UConn 5/12 e Florida 1/10), concentrando seu jogo no perímetro interno e numa intensidade defensiva avassaladora, provando que de 2 em 2 e 1 em 1 podem alcançar patamares que as qualificam numa competição assistida por 79 mil espectadores, num espetáculo formidável e inesquecível, que será coroado nessa segunda feira com o embate Kentucky e UConn.

 

 

Mas o que fica patente e indiscutível é a constatação do fim dos pivozões lentos e avantajados, substituídos por jogadores velozes, ágeis, com fundamentos bem desenvolvidos, atuando como alas pivôs na maioria das vezes de frente para a cesta, interagindo com a dupla armação de forma coordenada e flúida, numa continuidade de movimentos admirável.

 

 

Ao mesmo tempo que pudemos assistir a esses belos exemplos de basquetebol dinâmico, eramos obrigados a conviver com narradores mais interessados em se autopromoverem de forma puéril e ridícula, mas nada que um toque no remoto nos remetesse aos americanos que realmente falam e discutem o jogo sem presepadas insípidas e inúteis…

 

E como desde sempre defendemos aquela forma de atuar centrada numa dupla armação e três alas pivôs em constante motilidade interior e exterior, incomoda sobremaneira a continuidade da hemorragia dos três pontos que a cada rodada do NBB mais se avoluma por parte de nossas mais nominadas equipes, contando com a cumplicidade de seus técnicos, que ainda teimam em ferir nossa inteligência em entrevistas como essa dada ao Fabio Balassiano em seu Bala na Cesta pelo endeusado hermano em nossa midia especializada.

 

Mas o que realmente preocupa é o futuro do grande jogo entre nós, pois cada vez mais se solidifica o sistema único, continuado e divulgado à exaustão pela ENTB em seus cursos de fim de semana, perpetuando o jogo de posições determinadas e especializadas (?), algemando e limitando jovens promessas a papéis tutelados por comandos extra quadra e hieróglifos pranchetados, numa orgia de arrogância e pretensos conhecimentos, tão ou mais falsos do que as auto elegidas lideranças que os oprimem e limitam.

 

Muitos que me sensibilizam com a leitura desse blog podem interpretar ser o mesmo uma vitrine de lamúrias, quando na realidade é uma honesta tentativa de demonstrar com fatos teóricos e práticos ser possível, como já demonstrei na pena e na quadra, que temos e podemos jogar o grande jogo de uma forma diferenciada e eficiente, bem mais eficiente da mesmice impregnada de mediocridade que aí está solidamente implantada, aspecto que foi muito bem interpretado pelo jornalista Giancarlo Gianpetro do blog Vinte UM, em um artigo que sugiro que leiam aqui, para depois, se interessados forem, percorrer no espaço Multimídia na coluna lateral desse blog, videos de jogos que veiculo de equipes que dirigi, inclusive no NBB, e constatarem que pouco diferem do que melhor se joga nesse apaixonante mundo do grande jogo. Leiam e assistam, para depois concordarem ou não da possibilidade de fazermos algo de novo, fator mais do que transcendental direcionado à nossa participação olímpica em 2016, ou mesmo, 2020…

 

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

SEMANA QUENTE…

Me fartei de tanto basquete nesses últimos cinco dias, principalmente com a torrente de jogos no March Madness da NCAA, com jogos muito bons, apesar de muitas das equipes intervenientes adotarem o nosso mais do que implantado modelo do reinado das bolinhas. A garotada está queimando de qualquer lugar com uma volúpia que impressiona. No entanto, vão se classificando aquelas equipes que tradicionalmente atuam no perímetro interno, e muito mais agora, quando seus homens altos , numa significativa e impressionante transformação, abandonaram o modelo “cincão monstro” por jogadores velozes, flexíveis e incrivelmente mais habilidosos, dotando as partidas de uma velocidade impensada a bem pouco tempo atrás, exatamente como vem pregando o Coach K desde que assumiu as seleções americanas nos últimos mundiais e na olimpíada. Ironicamente, sua Duke foi eliminada por Mercer na primeira rodada, exatamente por sua equipe abusar dos longos arremessos em detrimento do jogo interior, que foi a arma letal de seu adversário para derrotá-la merecidamente, além de se utilizarem de um sistema defensivo impressionante e efetivo.

Sei que veremos nas rodadas finais jogos que definitivamente determinarão o fim dos jogadores setorizados, que estão sendo substituídos pelos polivalentes, plenos de fundamentos, velocidade e destrezas, atuando indistintamente dentro e fora dos perímetros, a ponto de já despontarem armadores de mais de dois metros em grande parte das equipes, reforçando seus sistemas defensivos, inclusive no poder reboteiro.

Por aqui, duas boas novas, as transmissões de jogos pela internet, patrocinadas pela LNB, e a grande vitória do Flamengo na Liga das Américas, num bom jogo no Maracanazinho como não se via a muito tempo, repleto de torcedores plenos de felicidade com o merecido título, conquistado frente a um adversário que face às fraturas de comando vem se perdendo nos momentos decisivos de importantes jogos. Torna-se inadmissível o que vem ocorrendo celeremente no comando da equipe paulista, quando nos momentos mais críticos e decisivos seu técnico abre mão de sua liderança permitindo uma ingerência cada vez mais atuante de seu assistente, e até dos jogadores estrangeiros, que duvido convicto que o fariam em seu país de origem, sem que sofressem forte restrição de seus técnicos. Aliás, como manda a tradição de seu país, sequer tentariam…

Quanto à equipe carioca, seu técnico conseguiu convencer o elenco a jogar dentro do perímetro na hora decisiva do jogo, convertendo arremessos mais seguros e eficientes, confirmando uma vitória desenhada desde o inicio do jogo, e que contou com a fratura de comando de seu adversário, acima comentada. Porém, com vistas ao Mundial mais para o fim do ano, preocupa uma declaração de seu técnico quanto ao reforço do elenco, quando mais objetivo seria uma boa reestruturada, ou mesmo mudança, de sistemas de jogo para fazer uma condigna oposição a um basquete mais determinante como o europeu, que certamente se desconcertaria frente a algo inesperado, uma forma diferenciada de jogar, fora de seus padrões. Mas isso é outra história…

Quanto às transmissões de jogos pela LNB pela internet, somente aplausos pela iniciativa, longamente defendida nessa humilde trincheira, onde nasceram as primeiras tentativas de veiculação de jogos completos quando do NBB2, que sempre podem ser acessados em seu espaço Multimídia. Somente um porém a ser acrescentado, os dispensáveis comentários de técnicos que deveriam se encontrar na direção de equipes, e não atrás de um microfone, onde sem duvida alguma procurarão influenciar os tele ouvintes, e não seus jogadores, com suas convicções técnico táticas. Se supostamente competentes para esse trabalho, mais o seriam na direção de equipes, substituindo muita gente que ai está posando de Head Coach…

Mas como desgraça pouca é brincadeira, cometi o supremo erro de assistir o jogo entre Paulistano e LSB, quando foi perpetrado um espetáculo grotesco que somou má direção e administração de equipe, com comportamentos ante desportivos, frutos de um monumental equivoco travestido de equipe de elite, que nem discursos de “mea culpa” podem ser omitidos e muito menos relevados, prova são os resultados alcançados (?) pela franquia de uma das mais tradicionais cidades voltadas ao basquetebol paulista. Que fique a lição bem aprendida, se humildade existir em aprender…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e Globoesporte.com. Clique nas mesmas para ampliá-las.

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MAIS PREOCUPANTES MOMENTOS…

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Não estou negligenciando o blog, de forma alguma, simplesmente estou atravessando um período delicado em família, mas que caminha para um bom desfecho, e que tem reduzido, em muito, o tempo que necessito para postar artigos com a segurança que sempre procuro manter desde sempre.

 

A grande e perversa ironia, é que o nosso querido basquetebol, assim como o desporto em geral, vem atravessando tempos e situações piores, o que restringe bastante o horizonte para assuntos alviçareiros e progressistas.

 

Agora mesmo nos deparamos com a solidificação, praticamente unânime, do reinado das bolinhas em nossas equipes e craques de ponta, vide a equipe de Brasília que, em seus últimos jogos inverteu a lógica ofensiva, quando já supera em muito a convergência entre as conclusões de dois e três pontos, como             que balizando às demais equipes, o caminho a ser traçado daqui para diante na forma de atacar, se locupletando da falácia defensiva que vem caracterizando a imensa maioria das franquias, com o apoio dos técnicos estrangeiros aqui aportados para “atualizar” o grande jogo, e que nos brindam com o continuísmo da mesmice travestida de “cornos abajos, acima e laterales”, “cabezas, camisas”, e demais denominações do restrito mundo do sistema único, mas “valorizando e incrementando-o” com a torrente caudalosa, consentida e oportunisticamente apoiada das bolinhas, garantidoras de seus vultosos ganhos dolarizados, face a mixórdia defensiva instalada entre todos, e permitidas pelos mesmos e por nosotros tambien, e que mais do que nunca robustece a realidade de que o Desafio que fiz aos técnicos da liga e do país continua intocado, marginalizado, esnobado, combstanciando a certeza maior de que se presente estivesse em uma equipe, muito poderia ter agregado ao grande jogo, oportunizando uma forma diferenciada de jogá-lo, e que bem sabem aqueles que o conhecem de verdade, fazê-la, por que não, vencedora.

 

 

Com este quadro desalentador, preocupa nossa participação internacional, onde “facilidades e facilitações defensivas” se mostrarão quase inexistentes em nossos adversários, ensinados, treinados e solidificados em princípios defensivos por aqui negados, trocados que são pela falácia de que defesa é representada e praticada com 90% de vontade e 10% de técnica, demonstrando tacitamente nossa ignorância sobre um fundamento basal do jogo. Ontem mesmo, num jogo universitário entre Florida e Kentucky, onde as equipes têm 35seg de posse de bola, contestavam-se arremessos defendendo individualmente ou por zona, sem esmorecimento, fosse o tempo que fosse, utilizando técnicas antecipativas e de pleno domínio do equilíbrio corporal, dentro e, principalmente, fora do perímetro, numa impressionante antítese do que praticamos(?) por aqui…

 

Outro enfoque preocupante, não fosse hilário em seu conteúdo, é o outro “reinado” que ensaia se estabelecer entre nós, o das “pranchetas comunitárias”, aquelas que inicialmente pertenciam, e eram cerimoniosamente passadas aos coachs por seus assistentes, mas que de uns tempos para cá se transformaram em pontes para que estes assumam um lugar que não é o seu, e agora se veem divididas com aqueles jogadores mais engajados taticamente, quando puxam para si as grandes decisões, transformando-as em bazares de trocas, discussões e inenarráveis equívocos, que bem sei onde desaguarão, o que bem sabemos todos nós. Quanto aos coachs, acredito que nem mesmos sabem e avaliam o colossal erro que cometem ao abdicar de seu comando, aquele verdadeiro e solitário comando dos que realmente dominam situações grupais forjadas nos treinos, e não em “soluções” midiáticas grafadas com canetas hidrográficas, “exaustivamente treinadas”, segundo comentaristas que sequer os frequentam para avalizar suas procedências…

 

Terminando, mais um fator que se apresenta promissor em nosso combalido basquetebol, cuja síndrome já comentei por aqui, a do “corner player”, sintomaticamente ilustrada na foto abaixo, onde ávidos  sinais de presença em suas áreas de ação se tornam determinantes, como se fossem capitanias de uma única habilidade que pensam dominar, a inefável bolinha, que com uma simples, técnica e estratégica presença defensiva se tornariam nulas por absurdas que são. Porém, se os técnicos concordam e as incentivam…

 

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

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PREOCUPANTES MOMENTOS…

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Tenho estado muito atarefado com a visita do filho João David, com suas gravações e intermináveis sessões de vídeos e fotos, às quais acompanho com prazer, apesar do cansaço. Mas, eventualmente, como num arraigado exercício profissional, assisto os poucos jogos tupiniquins pela TV, além do parco noticiário na mídia, praticamente voltada aos interesses da NBA, como se todos aqueles que realmente se importam pelo grande jogo comungasse da mesma neurótica e colonizada fixação. Particularmente ainda nutro profundo interesse pelo nosso basquetebol, apesar da terrível provação a que tem sido submetido por um bando de aventureiros arrivistas, acreditando que com a ajuda dos deuses basqueteiros saiamos desse absurdo limbo em que se encontra.

De saída, uma matéria do Fabio Balassiano publicada em seu blog (25/2/14) pincela fortemente no âmago da grave situação na CBB, principalmente nas falhas gritantes de planejamento, organização e gestão dos incentivos públicos de grande monta a que vem fazendo jus.

Mas, ficando de fora um fator decisivo nessa pandega de mau gosto, a verba de 14 milhões injetada na semana antecedente à última eleição na CBB, que garantiu a continuidade da deficitária (em todos os sentidos…) direção que lá se encontrava, e que sucedeu a era do grego melhor que um presente, verba essa liberada pelo mesmo personagem governamental que agora, “exige” prestações de contas a projetos negligentemente gerenciados, numa clara demonstração de se eximir da responsabilidade (ou tirando da reta, se preferirem…) de ter mantido a corriola no poder, aspecto aplaudido (e por certo apoiado) por um COB, sempre interessado em manter distante o soerguimento do grande jogo, única modalidade, que se bem e seriamente gerida, reconquistaria seu lugar de direito na preferência dos jovens brasileiros desde sempre. Ainda mais, quando a pretensa massificação do vôlei se revela pífia, e muito do império de sua elite ameaça ruir também, assim como ocorreu com o basquetebol.

Mas o pior veio numa matéria publicada pelo O Globo de ontem (anexa), onde um certo cientista político, Daniel Cara, Coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, cometeu o seguinte absurdo: (…) Esse avanço é sem dúvida positivo, mas está mais do que provado que, no Brasil, a expansão do acesso é feita em detrimento da qualidade. Muitas escolas com período integral oferecem oficinas dissociadas do projeto pedagógico, como atividades esportivas, apenas para manter a criança na escola.(…)

            Depois de um bestialógico como esse, em que define disciplinas sérias (Ed. Física, Música, Teatro, Dança, Artes Manuais e Industriais…) como oficinas, negando suas importâncias na educação integral e cidadã dos jovens, direito inalienável garantido pela constituição do país, o que podemos dizer, avaliar, projetar para o futuro desse imenso e injusto país, o QUE?

Mas, e o basquetebol, o jogado, como fica Paulo?

Ah, está em plena reforma platina, vide os recentes jogos do Brasília, onde o império das bolinhas se expande aritmeticamente, com os arremessos de dois pontos, ou jogo interior, definamos, se reduzindo drasticamente (creio ser o estudo da NBA propondo uma linha dos quatro pontos ser adotado no planalto bem antes dos ianques…), e que no último jogo contra o Pinheiros alcançou a marca de 17/37 tentativas (no anterior contra o Goiânia foram 16/44!!) e 21/32 nos dois pontos, num jogo em que os paulistas perpetraram 9/26 bolinhas de três, num total de 63 para ambas (26/63)!!

Como vemos, a tecnologia hermana plantou raízes no planalto, acenando o sistema de jogo que utilizaremos e arrasaremos no Mundial em Agosto, onde nossos pivôs já se acomodam ao novo padrão, cada vez mais “queimando” de fora, resultado de uma infectada e purulenta maneira de enxergar defesa, onde, segundo um técnico de nossa elite, 90% dessa difícil arte é física, e somente 10%, técnica, numa inversão absoluta de conceitos e valores (pois só defende quem detém as técnicas para fazê-lo, os tais 90%…) geradores da inestancável hemorragia dos três, agora sedimentada e avalizada pelos sábios técnicos, inclusos os estrangeiros…

Juro pelos deuses, que se quiséssemos desmontar o que ainda resta de útil e bom em nosso basquetebol, não faríamos melhor do que essa corporação está conseguindo, permitindo e incentivando essa “chutação” desenfreada, e incrementando o “vamo lá” ao instruir defesa…

Amém.

Fotos- Bala na Cesta, Globoesporte,Reprodução do jornal O Globo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

MENTIRAS E POUCAS (PORÉM BEMVINDAS) VERDADES…

 

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Desculpem-me pela relativa longa ausência, mas tive de dar um tempo. Primeiro, pela chegada de meu filho caçula que mora na Irlanda, e que não via a mais de um ano. Segundo, por me sentir cansado de relatar monocordicamente uma irritante e desgastante mesmice que, agora mais do que nunca, raia ao incompreensível.

Mesmice que transcende as quadras, e embarca na mentira institucional, cínica, obtusa, irracional, ferindo de morte as ainda poucas chances de nos soerguermos desse limbo criminoso que impuseram ao grande jogo.

Poucos dias atrás numa entrevista com o presidente da CBB, num relato dos bastidores do honorífico convite da FIBA para o Mundial, ficamos sabendo que a modalidade 3 x 3 foi um dos relevantes argumentos para sermos “escolhidos”a uma das quatro vagas disponíveis, pelos grandiosos esforços de nossa mentora para que tal modalidade se firmasse em nosso país, e internacionalmente, conforme interesse da entidade máxima, e não o indesmentível fato de que a grande realidade foi que compramos a vaga, pagando valores que Rússia, Itália, Alemanha e China se recusaram a pagar, e o pior, vendendo uma ideia de que o futuro do basquetebol passa por uma forma de jogá-lo que deveria ter somente como praticantes os muito jovens, nas escolas e praças do país, como foi desenvolvida, por exemplo, na Espanha, fundamentando e popularizando o jogo de uma forma economicamente viável e voltada ao lazer, e não como modalidade adulta, como querem determinar. Trata-se de uma mentira vulgar e política, na tentativa de justificar um “convite” cujos interesses transcendem a realidade dos fatos apresentados.

A seguir, uma outra entrevista, agora do diretor técnico da mesma entidade, corroborando a fala do presidente, mas acrescentando um outro e mentiroso fator, o de que em momento algum “pagamos” pelo convite, e sim “doamos” uma módica quantia para os projetos da FIBA voltados aos jovens, como se todos nós fôssemos uns imbecís, assim como aqueles países que se negaram a doar uma fortuna para serem agaloardos pelos valiosos convites.

Não bastasse tanta hipocrisia e mentira institucionalizada, tive ainda a paciência de ligar a TV para assistir, e quem sabe comentar, um jogo da Liga Sorocabana, dirigida, empresariada e comandada por uma mesma pessoa, que se assume como técnico de basquete, mas que no primeiro pedido de tempo ameaça seus jogadores com a inacreditável fala – São dois jogos por semana, se continuarem jogando assim só pago um…-

Não a toa se coloca nos últimos lugares da tabela, não merecendo minha audiência por um minuto a mais, pois não tenho tempo a perder com sandices desse nível. Mas antes de desligar ainda pude ouvir o comentarista Renato dos Santos tentar justificar tal absurdo afirmando ser o tal técnico um cara engraçado, folclórico, e ainda acrescentou um pequeno e elucidativo relato de um jogo no interior paulista a que o mesmo não compareceu por ter sido jurado pela torcida adversária pelas confusões que sempre armava. Bem, após tal relato, desliguei ao TV e fui tratar de assuntos mais importantes…

No entanto, retornei ao jogo três dias atrás, desconfiado de que me arrependeria de alguma forma, e não deu outra, como atestar uma vitória do Flamengo na Liga das Américas por 32 pontos, contra uma equipe porto-riquenha de aeroporto que simplesmente não sabia defender, atacar, ou mesmo jogar, e que foi dominada por um surpreendente jogo interior dos rubro-negros como a muito não via, não arremessando mais do que vinte bolas de três, e mesmo assim atingindo os 120 pontos, ao contrário de seu maior oponente no país, o Brasília, que não satisfeito com a desclassificação na mesma Liga, venceu o penúltimo colocado no NBB arremessando 17/21 bolas de dois, e inacreditáveis 16/44 de três, isso mesmo, 44 bolinhas, e o pior, vencendo por somente nove pontos (91×82), numa performance simplesmente lamentável. Frente a esse descalabro fiquei me perguntando – E o gênio argentino, por onde anda com sua pretensão de mudar a forma de jogar de nosostros? Creio firmemente que simplesmente “aderiu”…

Talvez assista logo mais a ultima rodada da Liga das Americas, e sequer chegando perto do circo armado em New Orleans por uma NBA prestes a se ver às voltas com a Comissão do Congresso que investiga estimulantes nas ligas profissionais (Já arrasaram o futebol deles, o atletismo, o ciclismo e o beisebol…), o que de certa forma explicaria a cada vez maior ausência das jamantas em suas equipes, e que, aliás, depois de décadas de existência não formarão nas equipes que se defrontam logo mais.

Ironicamente, essa tendência está se realizando a reboque do que foi implantado na Europa, e nas tentativas do Coach K para que seus homens altos aprimorem a velocidade, a elasticidade e a flexibilidade, em vez da massificação muscular, fatores que desde sempre fiz valer em meu trabalho de mais de meio século, mas que já já encontrará nos nossos “estrategistas” a devida paternidade herdada da matriz lá de cima, e que foi tão bem comentada pelo grande Hakeen Olajuwon na entrevista publicada pelo Bala na Cesta de ontem.

Por aqui fico, pois o João David, músico dos bons, pede minha presença nas gravações de seu segundo CD, para fotos e vídeos, o que farei com o máximo prazer de orgulhoso pai.

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV, Globoesporte, Bala na Cesta. Clique nas mesmas para ampliá-las.

O “CORNER PLAYER”…

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Chego cedo ao Tijuca, afinal o jogo com o Pinheiros apontava para casa cheia (o que não ocorreu), encontro o José Geraldo com quem trabalhei três anos na base do  Barra da Tijuca, e fomos nos sentar no ginásio, exatamente quando começava o aquecimento dos jogadores cariocas. Observo a movimentação, quando algo me chamou a atenção, um rotundo americano que simplesmente não conseguia flexibilizar qualquer articulação de seu corpo, “embromando” os movimentos em super câmera lenta, atitude que nem a temperatura elevada no local poderia justificar. Fiquei atento ao cara, imaginando como seria e agiria na tocada de um jogo que se anunciava frenético, apesar de considerar para comigo mesmo, ser um jogo para se colocar a bola embaixo do braço, cadenciá-lo e valorizar ao extremo a posse de bola, dada as circunstâncias de desgaste das duas equipes mergulhadas numa infernal temperatura ambiente.

Mas qual nada, o jogo transcorreu numa velocidade absurda frente à realidade de um calor insuportável para quem assistia, imagino para quem jogava, num duelo suicida para ver quem abriria o bico primeiro, os cariocas amantes do sol, ou os paulistas irmãos da garoa, que por conta disso tudo fizeram somar a elevada cifra de 29 erros de fundamentos, entremeados pela contumaz chuva de bolinhas (18/45), e uma correria simplesmente infantil, jamais adulta, profissional, e mais, assistindo a sacralização de mais uma posição nesse sistema absurdo de jogo que praticamos, o “corner player”, aquele que passa todo o seu tempo em quadra na esquina da mesma para efetuar sua única habilidade(?) e função, a bolinha de três…

E o americano rotundo? Não deu outra, simplesmente não conseguia acompanhar o ritmo do duelo, a barriga não deixava…

No universo de tanta fragilidade técnica, correria desenfreada, erros fundamentais indesculpáveis (o discurso de que as equipes estavam desgastadas pelos compromissos fora do NBB perdiam sua razão frente à tão evidente realidade…) vimos o jogo caminhar para o quarto final, quando… O Pinheiros resolveu colocar a bola embaixo do braço, jogar dentro do garrafão, utilizar seus pivôs e as penetrações, e ganhou o jogo, numa ação tática premeditada, ou fruto do cansaço, antecipando um diminuição de ritmo que os cariocas negligenciaram?

Sei não, prefiro me eximir de comentar algo tão óbvio naquelas circunstâncias de jogo, quando a minutos de seu final um dos duelantes abre mão (por cansaço?…) da velocidade burra, pausa para pensar, joga onde deveria ter jogado desde o inicio (ambas deveriam assim ter pensado e agido), ou seja, “lá dentro”, no âmago do adversário, demonstrando quem realmente teria capacidade técnica e tática somadas a uma estratégia de jogo condizente às condições existentes, e não somente uma, a minutos do final, carimbando o resultado.

Mas, a dura realidade é a de que nossos jogadores aos poucos vão transcendendo a liderança de seus técnicos, insistindo e perpetuando o “dribla e chuta”, a correria utópica, o abandono do jogo interno, a ausência defensiva, onde praticamente todos sedimentam o reinado das bolinhas, podemos projetar o que nos espera nas competições internacionais mais adiante, não essas que participamos contra muitas equipes formadas nos aeroportos (e fazendo jogos duríssimos), mas aquelas que agora, trágica e infelizmente, participaremos por convites, a continuar a insânia firmemente imposta e instalada em nosso basquetebol.

Saindo do ginásio, segui pensando o que nos espera num futuro breve, 2016, principalmente ao constatar o quanto de prejuízo incidirá sobre o futuro de jovens talentos, como o Bruno Caboclo, jogando da forma desvairada como atuou, com muitos fundamentos ainda por adquirir, dentro de um carrossel desgovernado pela velocidade sem sentido, sendo lançado ao rachão tradicional de nossas equipes de elite, na marra, correndo os mesmos perigos que já fizeram sucumbir outros jovens estigmatizados pela quimera de uma NBA, fazendo com que suas carreiras passem ao largo de uma possível NCAA, com seus diplomas importantes para aqueles que ao encerrarem suas curtas carreiras possam dar continuidade digna as suas vidas, mesmo aqui, em nossas universidades, ou simplesmente concluindo o ensino médio, ou técnico, fatores estes abjurados e negados por falsos agentes, empresários, dirigentes, alguns jornalistas, e por que não, técnicos também, que somente os veem como mercadoria a render valores no menor espaço de tempo que for possível.

Mas qual nada, estamos no Mundial, gloriosamente classificados, não no suado piso de uma quadra, dentro de uma penosa competição, mas no tapetão internacional do escambo, da troca política, através indivíduos que odeiam o grande jogo, porque jamais o entenderão, jamais serão aceitos por ele, mas que o dirigem à sombra de sua mesquinhez e pusilanimidade, e o horror, pela nossa omissão em permitir tal descalabro.

Amém.

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A ESCOLA ESPANHOLA…

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Meus deuses, como está ficando complicado escrever sobre basquetebol em nosso país, envolto que está numa espessa bruma de mediocridade, que assusta de verdade.

Fui a dois jogos do Flamengo no sábado e ontem no Tijuca, quando testemunhei duas mentiras travestidas de equipes, enfrentando o agora líder da liga, que com a volta do Marcelo alterou bastante a maneira como vinha atuando, privilegiando o jogo interior, e tornando a atuar preferencialmente no perímetro externo, e convergindo a cada jogo (17/29 de dois  e 14/27 de três contra Mogi, e 20/31 e 6/29 respectivamente contra o Ceará).

Contra Mogi, o Marcelo repetiu pela enésima vez seu repertório de dribles à esquerda e arremesso de três, assim como suas fugas nos corta luzes com a mesma finalidade, o longo arremesso de três, fora aquelas oportunidades em que nenhuma marcação lhe era oferecida, como um bônus a ser aproveitado. E foram 8/13 bolinhas que decidiram a partida, ante uma equipe de mentira, pois não defendia, não atacava, não agia coletivamente, e sequer esboçava luta, por menor que fosse. Será que a escola espanhola avalizaria tanto descalabro, que nem o calor sufocante (para as duas equipes) e a presença de uma pequena, porém furiosa torcida poderia explicar tanta fragilidade?

E o Ceará, que perdeu um jogo que poderia ter vencido, pois jogou “dentro” da defesa carioca (21/43 de dois pontos e 5/17 de três), endurecendo o jogo ante uma equipe convergente (acima mencionado), mas que na hora decisiva optou pelo jogo exterior e se deu mal.

Mas, por que tal opção nos momentos decisivos, quando mais do que nunca o jogo interior, de dois em dois, um e um pontos a levaria a vitória, senão o quase abandono de seu técnico, centrado que esteve durante toda a partida com a arbitragem, discutindo e reclamando em tudo e por tudo, comprometendo decisivamente sutis observações para detalhes vitais, principalmente nos minutos finais, quando a opção externa tomada pelos jogadores deu aos cariocas a oportunidade de contra atacarem após tentativas frustradas de indesculpáveis bolinhas, em vez de forçarem o jogo interno que os trouxeram até aquele momento de decisão.

Mas por onde andava o comandante para definir a decisiva opção, senão envolvido em um absurdo confronto com a arbitragem, naquele momento em que sua equipe mais precisava de sua postura tranqüila e segura.

Preferiu, ou não se conteve ao embate e ruiu junto com a equipe, uma equipe de mentira naquelas circunstâncias, uma triste mentira…

Amém.

 

COMEÇO DE ANO…

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Inicio de ano, rodada do NBB6 depois das festas, com perspectivas de grandes melhoras, técnica individual e coletiva mais aprimorada, sistemas e táticas depuradas após rodadas intensas e disputadas, expectativas por algo realmente novo, instigante, desafiador…

Mas, o que tivemos na crua realidade dos fatos, o que?

Para começar, um recorde, lídimo e legitimo recorde, com pedigree indiscutível, porém trágico, num jogo em que a equipe do Pinheiros poderia, e deveria, ante a fraqueza do adversário, a Liga Sorocabana, exercer ataques interiores como preparo para embates futuros, que sem dúvida alguma irá enfrentar. Mas optaram por algo inédito, até certo ponto absurdo, pois arremessaram 17/39 bolas de três (as duas equipes perpetraram 62 bolinhas…) e 12/21 de dois pontos, num jogo (?) recheado por 28 erros de fundamentos…

Fico pensando como ser possível uma equipe disputar uma partida arremessando 39 bolas de três e somente 21 de dois, chega até a doer…

Num outro jogo, Uberlândia perde para São José (ambas arremessaram 63 bolas de três…) convergindo inacreditáveis 21/38 de dois e 14/35 de três, frente a um adversário que usou um pouquinho melhor o jogo interno (24/40 nos dois e 12/28 nos três) suficiente para levar o jogo marcado por uma enxurrada indesculpável de 63 tiros aos pombos…

Teve mais, Ceará e Limeira chutaram juntas 54 bolas de três, sendo que os paulistas perderam o jogo convergindo com 16/29 de dois e 9/30 de três, num desperdício de arremessos e esforços arrepiante, e que somente por isso mereceu perder ante uma equipe mais equilibrada (20/43 e 6/24 respectivamente)…

Mogi e Bauru chutaram 52 de longe e Brasília e Vila Velha outras 53 bolinhas, mantendo a média da rodada…

Mas a pérola da coroa ficou com o inovador Tiagão do Palmeiras (ai em cima na foto com seu novo e arrebatador sinal… de três) com sua marca de 3/8 nos longos arremessos, e menciono pérola porque alcançados contra uma equipe que se gaba de sua forte defesa, mas que permite ser metralhada oito vezes por um cincão, levando nove pontos num jogo em que perdeu de sete!! Vá defender bem assim no Anhangabaú…

Mas o impactante foi a somatória dos erros de fundamentos nos jogos em questão, 169 (media de 28.1), rivalizando, ou confirmando os números da liga que fornecerá novos valores mais adiante, a LDB…

Ufa, foi um inicio de ano devastador, preocupante, principalmente quando vemos técnicos estrangeiros que aqui aportaram e muito bem pagos, com formulas para disciplinar nossos craques, e que se renderam ao reinado das bolinhas, pacifica e inquestionavelmente. Muito vivos os caras…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

FIM DE ANO…

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Termina o ano, que de certa forma não foi um bom ano para o basquetebol de nossa terra, ainda perseguido e enclausurado na camisa de força de um pesadelo difícil de ser removido, a mesmice técnico tática endêmica e por isso mesmo, asfixiante.

Com a universalidade do sistema único, cada vez mais visceralmente aceito, muito pouca coisa de diferente, inusitada e corajosa pode prosperar perante a rigidez ciclópica e corporativa que o impõe coercitivamente, sem um mínimo de concessões a algo que o conteste.

Talvez, a incorporação de um fator complicador a tentativas de fuga ao onipresente sistema, com a inclusão generalizada da alta velocidade em sua consecução tática, o que evidenciou e escancarou de vez o verdadeiro grande vilão que coisifica a sua mais básica carência, o desconhecimento das mínimas técnicas na execução dos fundamentos do jogo, vide a ontem terminada LDB, quando nos seus dois jogos finais foram cometidos 78 erros de fundamentos (40/38 respectivamente), e onde o Flamengo se sagrou seu lídimo e incontestável campeão, que parabenizo pelo título, nunca pelo basquete jogado, mas que mesmo assim foi o melhor dentre todos.

Não repetirei números gerais da rodada final, iguais ou piores das que a antecederam no desenrolar de toda a competição, mas sim uma básica amostragem do que ocorreu em números nos dois jogos finais, ou sejam:

- Nos dois pontos    -  72/190 – 37.8%

- Nos três pontos     -  23/72   -  31.9%

-  Lances livres        -  30/49   -  61.2%

-  Rebotes                -   151     -   75.5 na média

-  Erros de fundam. -    78      -    39.0 na média

Frente a estes números de duas finais onde a maioria dos jogadores já participam do NBB, podemos, infelizmente, projetar a catástrofe do que ocorreu nos 300 jogos da competição, onde fundamentos foram violentados, arremessos de três atingiram cifras inacreditáveis, e sistemas defensivos simplesmente inexistiram, dentro, e principalmente fora dos perímetros, numa proporção tão preocupante, que ouso conscientemente relatar que, fora a pretensa importância pratica que movimentou esses jovens nos seis meses de competição (espero que as necessidades escolares tenham sido levadas em consideração pela Liga), tática e fundamentalmente nada acrescentou aos mesmos, pois praticaram um jogo anacrônico e muito além dos mínimos parâmetros de qualidade a essa altura de suas caminhadas, fruto de uma sistemática formatada e padronizada por uma geração de técnicos compromissada com a mesmice endêmica gestora do corporativismo a que estão ligados, garantidora de seu trabalho “homogêneo”, espelhado numa ENTB/CBB, veiculo autenticador do que ai está coercitivamente implantado.

Enquanto não evoluirmos e fugirmos dessa horrenda influência prisional, não iremos a lugar nenhum nos planos regional, nacional e conclusamente, no internacional, com ou sem hermanos acima e abaixo do equador nos prestigiando…

Porém, otimista renitente que fui e sempre serei, aspiro que novos ares rondem o grande jogo em nosso imenso e injusto país, e que se faça presente à meritocracia na educação e desporto pátrio, única forma democrática para que consigamos sair desse limbo cultural em que nos encontramos desde sempre.

Um feliz e prospero ano de 2014 para todos, leitores ou não, críticos ou não, com muita paz, progresso e saúde.

Amém.

 

Foto – Reprodução da TV. Clique na mesma para ampliá-la.