A FLUIDEZ CONCEITUAL…

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(…)- Ele é um dos técnicos que mais me ajudaram na carreira. Ele me deu liberdade, que era o que eu precisava. Temos uma ótima relação, uma ótima conexão, e fico muito feliz por ter a chance de anatrabalhar com ele. Ele tem esse sucesso porque é louco. Ele acredita em coisas que ninguém mais vai acreditar. Ele é um motivador incrível. Em seus olhos, você pode ver essa força que o incentiva a cada segundo. Ele dá uma energia incrível. Ele não falou nada (sobre a importância de se chegar a uma final olímpica). Talvez não quisesse colocar muita pressão em nós. Mas você pôde ver em quadra que ele planejou o jogo de forma perfeita. O jeito que jogamos é responsabilidade dele. E ele preparou o time de forma ótima.(…)

( Trecho de uma entrevista dada ao Globoesporte em 20/8/16)

Lendo o depoimento do Teodosic acima, sobre o seu técnico Sacha Djordjevic na seleção da Servia, podemos entender com clareza os porquês da esplêndida fluidez que marca uma equipe que se destaca junto a da Croácia pela ininterrupta movimentação ofensiva, acompanhada de uma forte e combativa defesa, dotando as duas de sistemas de jogo sem similares na competição, exceto pela equipe americana, com seu jogo extremamente atlético e dominadora dos fundamentos básicos do grande jogo…

Os balcânicos também dominam com maestria os fundamentos individuais, e mais ainda os coletivos, dotando-os do instrumental necessário a implantação de sistemas de jogo, onde a movimentação contínua de todos os jogadores se torna fluente, exatamente pela naturalidade e firmeza com que manuseiam a bola, em qualquer situação tática que se apresente no transcorrer de uma partida, seja qual for o adversário, pois sempre terá sob controle uma movimentação consciente e espontânea de todos os jogadores em quadra, numa fluidez técnica admirável, fruto de uma coerente preparação de base…

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Enquanto essas mudanças ocorrem em muitos países, ainda teimamos nos “espaçamentos” ofensivos, estratagema utilizado exatamente por aqueles que falham nos fundamentos, quando precisam de muito espaço para tentarem efetuar dribles e fintas em movimento, incapazes que são de os conseguirem em espaços diminutos, onde a técnica se impõe, e nos quais os arremessos mais seguros, pela proximidade com a cesta, são alcançados, dai a preferência pelas longas tentativas, altamente imprecisas quando efetuadas por não especialistas ,e mais ainda quando contestadas fora do perímetro…

No entanto, a fluidez contínua exige uma alta interação tempo/espaço, onde deslocamentos com e sem a bola atingem limites críticos de coordenação e precisão, que são fatores diretamente proporcionais ao maior ou menor domínio que tenham sobre os fundamentos do jogo, e de como são ensinados e treinados a executá-los, e sem os quais a fluidez inexistirá por conceito implícito, gerando um outro de maior e decisiva amplitude, o da fundamentação básica, introduzida nas divisões formativas, nos mais jovens, como o instrumental de seu trabalho e evolução no grande jogo…

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Agora mesmo a equipe sérvia acaba de ser severamente derrotada pelos americanos na final olímpica, exatamente por ter abdicado de seu jogo controlado, paciente e fluido após um primeiro quarto onde o utilizou, equilibrando a partida. Tentando duelar nos longos arremessos (foram 4/24 contra 10/31 dos americanos), estranhamente deu a seu adversário o acesso direto a duas de suas maiores armas, o domínio dos rebotes ante os falhados longos arremessos, e os contra ataques mortais, convertidos impiedosamente dali para frente. Mesmo assim, não devemos e nem podemos conceituar mal sua forma de atuar, que para o mundo Fiba tem sido exemplar, haja vista sua colocação no âmbito das grandes competições internacionais em que tem participado. Croácia, Espanha e Austrália seguem seu exemplo de uma forma de atuar, onde a permanente dupla armação, e a utilização de três homens altos, atléticos, ágeis e velozes, muito tem feito pela evolução técnico tática do grande jogo, fator que se fez presente em nosso basquete no NBB2, prontamente banido em favor da mesmice endêmica que nos sufoca desde sempre Os americanos, num outro e superior patamar, se beneficiam de uma estrutura exemplar de formação de base em suas escolas, colégios e universidades, alimentando continuamente suas equipes de alto nível no âmbito profissional, de uma maneira única e exclusiva…

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Num outro extremo, nossa  seleção travou exatamente na fluidez, com seu basquete tatibitate, praticado em arranques pontuais, jamais no coletivismo que vem sendo apregoado a cinco anos por uma comissão técnica que, de forma alguma, pode dar continuidade a um projeto falho em todos seus aspectos, do convocatório eivado de equívocos, ao técnico tático, ausente nas correções dos funamentos (sim,selecionáveis também devem se exercitar profundamente neles, principalmente na elite…), fator básico para a consecução de qualquer sistema de jogo planejado para ela, e que no caso de dissolução, deve atingir a sua totalidade (mesmo!!!), pois em caso de uma passagem de bastão do hermano para um de seus assistentes (ou todos), ficará caracterizada a continuidade do que ai está, escancarada a todos, e mais, se acontecerem “mudanças” no percurso técnico tático por parte do(s) escolhido(s), ficará provada que a comissão não era tão uníssona como se autodefinia, aguardando somente o momento propício para efetuarem o notório tapetebol.*  Num projeto sério e comprometido, iniciam todos, vencem todos ou caem todos, pois irmanados pelo projeto comum, fator indissociável na vitoria e na derrota.

Precisamos realmente mudar esse cenário de uma mesmice aterradora, obtusa, doentiamente repetida, suicida…

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E como tudo tem um começo, que tal voltarmos a envergar a gloriosa e histórica camiseta listrada de verde e amarelo, nossa marca vitoriosa, pois se os argentinos podem numa olimpíada usar a sua listrada azul e branca, por que não podemos, por que? Pelo menos ela jamais foi desrespeitada, abjurada, negada, e sim glorificada pelos verdadeiros campeões, mantendo a mística do mérito e do merecimento para vestí-la, como deveria ocorrer desde sempre…

Mas só a camisa, Paulo?

Bem, tudo do que é errado no basquetebol brasileiro já comentei à exaustão aqui nesse humilde blog, principalmente nas abordagens na formação de base, quando os formandos das escolas de educação física cursam hoje um semestre de cada modalidade esportiva, quando até os anos setenta cursavam quatro, agora substituídas pelas disciplinas biomédicas, influenciados pela ascendência dos centros de ciências da saúde nesses cursos, em vez dos centros de preparação de professores, que foi uma política naquela década implantada visando a fortíssima e bilionária industria do corpo de hoje…

Com professores e técnicos assim preparados, fica comprometida a formação de base desportiva, inclusive na escola, e que muitas vezes são substituídos por ex atletas e jogadores sem o preparo didático pedagógico mínimo exigido, na tarefa especializada de ensinar jovens desportistas. Sem especialistas bem treinados, nada é possível fazer nas divisões de base, e que no caso do basquetebol, muito se esperava da ENTB, que infelizmente se fundamentou nos conceitos técnicos vigentes, negando o novo, o contraditório, no que seria uma verdadeira escola onde a criatividade e o desafio forjaria técnicos e técnicas realmente inovadoras, corajosas, ousadas, proprietárias…

Comando central da modalidade? Não creio que possa ocorrer com brevidade, a não ser que 14 federações resolvam aderir a algo que possa , realmente, mudar um cenário a que todas(ou quase) se acostumaram, nas benfeitorias e escambos, não arriscando uma posição política corporativamente conquistada, logo…

Com a mesmice cronica estabelecida, e fortemente defendida por um corporativismo retrogrado e imune a “novidades”, pouco, ou quase nada podemos esperar acontecer no âmago de uma modalidade que, para alguns, tem de se manter onde está, não oferecendo perigo de voltar a ser a segunda opção desportiva do brasileiro, cujo amor pelo grande jogo vem sendo orientado, canalizado comercial e economicamente para a liga maior, aquela que joga outro jogo, um tanto parecido com o que se pratica no resto do mundo, ao qual estamos sendo tragados, sugados, tendo como ponto central o ganho financeiro, num universo promissor de mais de 200 milhões de habitantes, com as maiores reservas mundiais de petróleo e água, as duas riquezas que pautarão as disputas sócio políticas deste século, amalgamadas pela força incontrolável da informação, onde o domínio, a influência cultural e desportiva tentarão amaciar seus projetos de conquistas no seio de nossa  juventude, órfã de políticas educacionais absolutamente necessárias a manutenção de sua independência como nação…

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É duro constatar em entrevistas televisivas, que a turma do volei de quadra que comanda o esporte de alto nível no país, teima a não mais poder pela segunda preferência junto a população tupiniquim, mesmo sendo desmentida por matérias na imprensa, como no O Globo de hoje (vide reprodução anexa), onde sequer ocupa uma das cinco primeiras colocações na pesquisa, coerente na liderança do futebol, do handebol, desporto colegial por excelência teimosamente existente, até mesmo na forma da “queimada”, da tradição do lazer praieiro das redes de volei, do histórico basquete, o concorrente a ser afastado a qualquer custo, que foi surrupiado politicamente do patrocínio do Banco do Brasil, sem o qual não teria atingido o nível atual que ostenta, mesmo sem investimentos na formação massiva de base, e da ginástica, o patinho feio e abandonado da escola pública, em benefício da industria do corpo milionariamente inserida nas holdings de academias espalhadas pelo país, para as quais não interessa a perda da clientela jovem, se atendidas pela ed.física escolar, tendo o suporte “regulador” dos confef’s e cref’s da vida…

Enfim, abre-se, por mais um ciclo, os tortuosos caminhos para uma modalidade impar em sua complexidade, profunda e das mais inteligentes, e por isso mesmo criativa e libertadora de mentes e personalidades, quase única na formulação consciente de lideres, que por conta desses atributos sempre sofrerá o combate direto, e nem sempre pautado pela lisura e a ética, para seu controle, e se possível submissão, mas que em pequenas ilhas de excelência sempre se manterá vivo o derradeiro sentimento da indignação, grito primal dos quem tem algo a dizer e somar, e não somente tomar e postergar, e mesmo evitar a constitucional obrigação de educar competentemente a nossa juventude.

Que os piedosos deuses nos ajudem…

Amém

(*) Tapetebol, a arte de puxar o tapete dos pés dos inimigos, e dos amigos também…

Fotos – Autorais e reproduções da TV e da mídia impressa. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

EU (NÃO) ACREDITO…

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(…)- Eu acho que nesta partida foram duas equipes, dois rivais e duas gerações que deram o sangue e deram o seu melhor ali, mas teve só um ganhador. Planejamos o sistema tático, mas não contávamos com a performance e o grande que o Nocioni e o Campazzo tiveram. Conhecendo essa equipe e esses jogadores (da Argentina), nós deveríamos ter nos preparado da forma devida – comentou o veterano de 33 anos, citando o ala, cestinha do jogo, com 37 pontos, e o armador, que assinalou 33.(…)

(Declaração do jogador Nenê ao Globoesporte)

Quer dizer que o mais eficiente jogador da seleção afirma não ter a equipe se preparado de forma devida para esse embate, foi isso mesmo? Se foi, qual deveria ter sido a preparação devida, qual? Seria interessante que ele explicasse, ou não?…

Do meu humilde canto, nada de diferente do que relatei no artigo de ontem, acrescentando algumas minúcias contundentes, começando pelo fato do nosso eterno rival ter arremessado 17/42 de três pontos, e 19/37 de dois, numa inimaginável convergência às avessas histórica, em cima de uma defesa exterior absolutamente ausente e omissa, permitindo vergonhosamente que os hermanos detonassem 42 bolas de três, repito incrédulo, 42!!! sem a mais remota contestação, e claro, sob tal bombardeio 17 caíram, e fim…

Do nosso lado, concluímos 29/57 de dois pontos, ou seja, fomos razoavelmente eficientes dentro da cozinha portenha (de onde não deveríamos ter saído), somados aos 9/26 de três pontos, que deveriam ter sido substituídos, pelo menos na metade pelo jogo interno, mais seguro e impactante, auferindo pontos suficientes para vencer a partida, provavelmente no tempo regulamentar, mesmo com os 12 lances livres perdidos…

Mas como refrear um Marcos (0/6), Raul (0/4), para mencionar dois que perpetraram 0/10 de três num jogo desse calibre, em confronto a um Nocioni e um Campazzo, atuando livres e faturando 38 e 33 pontos respectivamente, como?…

Que tal defendendo com alguma competência, no que teria sido uma obrigatória ação tática, ou não?…

Num jogo com 34 erros de fundamentos (15/19), erramos menos, mas que comparados a ausência de contestação sobre as terríveis 42 bolinhas platinas, soam em um tom menor, apesar do teor negativo dos mesmos…

Enfim, defensivamente erramos quase tudo, demonstrando nossa falência nesse básico fundamento, fator que anulou, e sempre anulará todo e qualquer esforço ofensivo que façamos, ainda se somados aos erros individuais de fundamentos de ataque…

Enfim, precisamos entender de uma vez por todas que, propugnar por sistemas de jogo, coletivismo, fluidez, jogadas milagrosas, pranchetas mágicas, e outros penduricalhos midiáticos, jamais substituirão os fundamentos do grande jogo, que delimitam sua estrutura básica, e cujo conhecimento e domínio exequibilizam sistemas e estratégias que se pretenda empregar, e por não termos solidamente estabelecidos tais conhecimentos, é que perdemos para os que os tem, profundamente desenvolvidos.

No mais, decididamente já não acredito que mudanças possam vir a ocorrer, pois nem mesmo os deuses olímpicos acreditam e compactuam com tanta enganação…

Amém.

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SOMOS MERECEDORES?…

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Êita grande jogo, maximizado por uns, minimizado por outros, entre os quais podemos nos incluir sem margem a enganos, erros, estes incidindo decisivamente em nossa indigitada, mal convocada, e equivocadamente treinada e escalada seleção…

Por que afirmo tudo isso, por que? Bem, vencem jogos aqueles que erram menos, é um conceito universal, seja a modalidade esportiva que for. No entanto, nada justifica o erro, os erros anunciados, por conhecidos, enraizados, escancarados à vista de todos, principalmente àqueles que privam na intimidade sutil, ou não, dos fundamentos do jogo…

Fundamentos, principio que rege as estruturas do grande jogo, sejam as individuais como as coletivas, sem os quais nenhum sistema de jogo se torna exequível, mesmo que os mesmos sejam comuns a maioria das equipes, definindo os melhores, os vencedores, exatamente pela similitude dos mesmos…

É onde falhamos, erramos teimosamente, ao instituirmos a falácia de que jogadores adultos, selecionáveis, medalhados, não necessitam se exercitar, ai sim, prezados analistas, “exaustivamente” na prática diária e sistematicamente dos mesmos, mergulhando fundo para o domínio do instrumental “básico e fundamental” para exercer sua profissão, pois antes de serem jogadores, são profissionais, onde o pleno domínio da bola e de seu corpo define os melhores…

Falhamos tática e repetidamente por isso, ano após ano, sem que nada seja feito para dirimir os nefastos defeitos que nos derrotam no alto nível, o que reflete estruturalmente na formação de base, que deveria se espelhar em exemplos mais concretos e educativos da turma de cima, condição exigida para sua evolução, para a evolução do grande jogo entre nós…

Foi o diferencial que influiu, e vem influenciando nessa magna competição, na qual temos visto e testemunhado a definitiva igualdade na habilidade e domínio dos fundamentos entre todos os jogadores, altos, médios e baixos, armadores, alas e pivôs, sendo esses os que mais evoluíram, conquistando sua alforria das amarras impostas por décadas aos “cincões, pivozões”, incluindo-os definitivamente no almejado e duramente perseguido coletivismo, onde a fluidez somente se faz presente com sua efetiva participação e inclusão tática…

Nesse ponto faz-se presente a formidável indagação que tanto nos prejudica – Onde, quando e como perdemos jogos decisivos?…

Convocando politicamente quem não merece, treinando sistemas que dependem do domínio técnico individual de cada jogador da equipe, e não de uns poucos, e o mais enfático, escalando aqueles que, sabidamente, erram repetidamente, ao enfrentarem adversários que independem dessas decisivas limitações…

E sob este cenário é que fracassamos, onde a teimosa autofágia dos arremessos arrivistas de três impõe uma estética suicida, onde pivosões abdicam de seu poder reboteador e intimidador para vir duelar fora do perímetro nas bolinhas que, competentemente contestadas, não podem cair, e até mesmo não o sendo, não caem também, por não serem os especialistas que pensam contritamente ser, e o pior, incentivados por aqueles que deveriam prezar o bom senso em sua orientação técnica…

Nossos adversários, altos, ágeis, rápidos e flexíveis, independendo de seu posicionamento e função dentro da quadra, nos vencem por tudo ai em cima explanado, pois são senhores dos fundamentos do jogo, dotando-os do pleno domínio de seu instrumental básico de trabalho, os fundamentos individuais e coletivos, teimosa e criminosamente esquecidos, omitidos por aqueles que consideram a prancheta e suas midiáticas derivações como o objetivo final de suas intervenções, e por tudo isso é que perdemos, e continuaremos a perder, até o momento que mudem suas colonizadas percepções do grande jogo, pequenino para eles, lastimavelmente…

Mudarão para daqui a alguns minutos (são 13:42hs agora desse sábado decisivo), ou continuarão sua saga de submeterem essa mal treinada, convocada e escalada equipe a mais um vexame? Espero e torço para que não, e que os deuses iluminados pelo glorioso sol desse sábado, nos ofereça uma derradeira chance, imerecida, ou não…

Amém.

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A REALÍSTICA IMPORTÂNCIA DO JOGO INTERNO…

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(…) Todo jogador, quando sonha, pensa se vai decidir uma partida num lance livre ou numa bola de três. Hoje (ontem), foi meu grande momento, e que não faz parte do meu jogo. Eu não sou um cara com muitos pontos de rebote, tanto defensiva quanto ofensivamente, mas aproveitei – disse (…)

Relato do jogador Marquinhos ao jornal O Globo de hoje (10/8/16) sobre sua cesta de tapinha na vitoria sobre a Espanha no torneio olímpico.

Mas deveria fazer obrigatoriamente parte, por sua velocidade, estatura e envergadura, quando jogar próximo a cesta com maior frequência o tornaria um jogador muito mais eficiente do que é, bastando aprimorar seu drible de esquerda e fintas sem a bola, como no jogo em questão, onde ao se colocar em velocidade embaixo da cesta, conseguiu num sutil golpe de direita encestar a bola decisiva, pela qual será sempre lembrado, e não pela torrente de arremessos de três sem a mesma precisa eficiência alcançada, quando próximo ao objetivo final do grande jogo…

Foi o oposto desfecho do jogo anterior, de uma equipe que, sedimentada numa defesa mais agressiva, contestadora e intimidante, se jogou de cabeça no jogo interior com 19/45 conclusões de dois pontos, contra 14/33 de uma Espanha claudicante nas bolas de três (5/19), uma de suas armas, e mais ainda, na falência nos lances livres (22/33), oportunizando um bem vindo equilíbrio a uma equipe que, teimosamente ainda insiste nas imprecisas bolinhas (4/15), vicio que quando superado, acrescentará muita qualidade ao seu jogo, bastando se convencer de um tipo de “continha” que repito seguidamente nesse humilde espaço, quando bastaria substituir a metade das bolas perdidas de três pelas tentativas mais precisas e eficientes de dois, para vencer jogos pegados como esse, com folga considerável. Quem sabe um dia se convencerão desse vencedor expediente, quem sabe…

Corretíssima a limitação ( se é que aconteceu…) imposta aos impulsos peladeiros do Leandro, cedendo espaço a uma válida tentativa de armar seus companheiros enfiados na cozinha espanhola, ação esta muito bem realizada pelos armadores Huertas e Raul, e até mesmo pelo Alex, quando solicitado, porém todos eles comprometidos com uma defesa mais sólida e confiável, nada impossível de ser realizada com competência e empenho, focada como prioritária por todos, em vez do apelo midiático das enterradas e bolinhas de três…

Se tivermos a coragem de enfiar três alas pivôs em constantes deslocamentos, cruzamentos e corta luzes no âmago das defesas que nos aguardam, alimentados sequencialmente por dois armadores que possuímos com boas qualificações (poderiam ser melhores se esse sistema 2-3 fosse desenvolvido prioritariamente), teríamos grandes chances na continuidade deste e dos futuros torneios internacionais que participaremos, e quem sabe, evoluindo tática e tecnicamente a um patamar proprietário e tremendamente eficiente, principalmente pela simplicidade de sua proposta coletivista, ao ser agregadora por princípio…

Temos jogadores para implantá-la? Sim, os temos agora mesmo, e que seriam fundamentais como espelho às novas gerações, saindo dessa mesmice endêmica que nos sufoca, abrindo novos horizontes, novas e confiáveis conquistas, e quem sabe, a nossa recolocação de volta ao primeiro nível internacional. Porém, uma incógnita a ser equacionada, na carente figura de professores e técnicos decididos pelas mudanças, pela busca do novo, do ousado, enfim, pela busca do tempo perdido. Conseguiremos?…

Que a seleção consiga alcançar essas correções,a tempo de disputar o restante dessa magna competição com chances reais de sucesso, e torço ardentemente por isso, se atenderem as correções acima apontadas, mesmo que divergentes do que sugiro, mas diferentes do que ai está escancarado a todos aqueles que amam e desejam o melhor para o grande jogo em nosso imenso e injusto país…

Amém.

Fotos – Autorais e divulgação LNB. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

LAMPEJOBOL…

 

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Tenho agora somente uma hora para redigir esse comentário, pois terei de atender minha filha para um exame pré operatório que tem de realizar daqui a um pouco. Cheguei muito tarde e extremamente cansado da odisseia que enfrentei ontem junto a meu outro filho, frente a uma arena cheia de armadilhas para um homem de 77 anos com um joelho comprometido, que me levou ao solo por duas vezes pela escuridão de uma pirambeira pintada de negro, escondendo mínimos degraus invisíveis a olho nu. Mas sobrevivi e aqui estou  para comentar a absurda atuação de uma equipe nacional absolutamente ingovernável por um simples e irrecorrível fato, o de não possuir o mais recôndito indício de sistema de jogo, mesmo tentando atuar no sistema único, que vigora a solta nesse grande torneio, pelo menos através das equipes que vi atuar, sedimentando, ou não, essa observação logo mais, quando assistirei as equipes da outra chave classificatória, já tendo em mente a grande exceção, a equipe americana dirigida pelo coach K…

Então, o que vi nessa tarde de um basquete tão ambíguo e surpreendentemente negativo, para nós?  Vi o produto direto do que não se deve fazer numa seleção nacional, preterindo jovens em função de veteranos decadentes, com poucas honrosas exceções, Nenê, por exemplo, e um inclassificável Leandro, com sua forma peladeira de atuar, quando um sistema, ou arremedo de sistema, teima em barrar sua vocação internacionalmente reconhecida de “tocar fogo” em sistemas de jogo, aqui e lá nas terras do norte, transformando-o em uma alternativa do caos, que de tão abstrata confunde técnicos, jogadores, comentaristas e público, fazendo-o entoar um “eu acredito” por sobre um leite incompetentemente derramado, através uma comissão técnica composta de quatro (!!!!) luminares do basquete tupiniquim, confrontados com uma realidade que não enchergaram ao substituir o Beep Beep, justamente quando fez nove pontos seguidos da mais pura pelada do aterro, por um jovem grandão que ainda terá de aprender muito, antes de envergar com merecimento a pálida camisa nacional, negada um mês atras, e cada vez mais distante da outrora  vencedora listrada de verde e amarelo…

Quando no placar acima dos mais de 12 mil assistentes clamava uma diferença vergonhosa de 32 pontos de diferença para os consistentes lituanos, deu-se a partida de uma das mais incríveis reviravoltas de que fui testemunha, onde o Leandro chutou para o alto o proclamado jogo coletivista que vem (?) sendo implantado a seis anos nas mãos do hermano, teimoso e cegamente tentado, mas que, frente a uma realidade calcada no domínio de certas capitanias hereditárias presentes nas convocações, ano após ano, onde a mesmice é imperativa, tanto por parte dos donos das posições (e nesse ponto destaco a mídia apoiadora desde sempre…), como pela obtusa limitação imposta pelo sistema único, padronizado e formatado para todos os níveis, como um dogma absoluto e imutável, fatores estes que nos tem levado a situações constrangedoras, como a que assistimos ontem entristecidos empoleirados numa arena inimiga de morte dos mais idosos…

Perdemos para uma equipe que joga junta, acertando e errando jogadas, porém dentro de um sistema comum a praticamente todas que aqui atuarão, mais forte e decisivamente lastreadas num domínio quase perfeito dos fundamentos, ao contrário dos nossos consagrados astros, que pecam no domínio básico dos mesmos, principalmente nos passes, dribles, fintas, rebotes arremessos e posicionamento aceitável nos rebotes, ou seja, todos os princípios que regem o grande jogo, o que anula a predisposição nata à luta, e ao ímpeto do “vamo que vamo” visceral daqueles que, propositalmente ou não, tiveram negados os ensinamentos sobre suas ferramentas básicas de trabalho, os tão esquecidos e abjurados fundamentos…

Desculpem, nada mais falarei sobre o atentado que assisti, a ver o confronto entre jogadores que representam seu país pelo mérito e domínio dos elementos do jogo por um lado, e jogadores “embalados e empurrados” por uma frenética torcida, porém órfãos de um sistema ordenado de jogo, por outro, muito, muito pouco para enfrentarem uma competição dessa envergadura, ainda mais em solo pátrio…

Saberemos o desfecho na continuidade da competição, onde, em hipótese alguma mereceremos assistir a entrada de um jogador para efetuar um arremesso de três, e somente aquele, e sair ato contínuo por ter errado, ficando no ar a pergunta- e se tivesse acertado? Lamentável, constrangedor, e pensar que atitudes como essa vieram das cabeças de quatro técnicos (?) regiamente pagos e sentados num banco olímpico…

Já nem torço mais para que os deuses de plantão nos ajudem e protejam, a não ser que o espírito contestador e peladeiro dê as cartas de vez nessa absurda pantomima…

Amém.

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O PRECIOSO TEMPO PERDIDO…

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Desculpem o atraso na publicação desse artigo, mas tive que enfrentar alguns problemas pessoais e de família, já resolvidos e devidamente remetidos ao passado. Então, vamos aos fatos que observei no jogo preparatório da seleção contra a equipe da Lituânia, nossa primeira barreira no torneio olímpico que se inicia domingo agora…

De cara, podemos anotar sem margem a erro, o quanto de omissão técnico tática ficou presente no encontro, onde quintetos eram feitos e desfeitos, como num comum acordo entre equipes que, de forma alguma queriam estabelecer seus limites antes do encontro decisivo, aquele que dará partida a corrida pela classificação às quartas eliminatórias, numa competição de tiro curto e mortal…

O que salta aos olhos em jogos desse calibre, que honestamente não vejo vantagens maiores (nem como técnico, nem como analista) do que treinamentos intramuros duros, metódicos, específicos e exigentes ao máximo possível, contrapondo e confrontando jogadores da mesma equipe, conhecedores dos sistemas ofensivos e defensivos propostos e treinados pelo técnico, tentando todos os anularem pelo pleno conhecimento que possuem dos mesmos, em meia quadra, por um longo tempo, com empenho máximo, e em alguns casos infringindo regras no aspecto defensivo, utilizando todas as armas e condições possíveis para tal, supervisionados nos detalhes, os mais ínfimos possíveis para a consecução do objetivo maior, recriar todas aquelas possibilidades que os adversários se utilizarão para, frente a propostas que não lhes são comuns (claro, quando sistemas inovadores e ousados forem apresentados) adaptarão comportamentos, que quanto mais previsíveis forem, mais bem estabelecidos estarão os sistemas propostos, logo, prontos para serem bem sucedidos. Em outras palavras, quando uma equipe se propõe a apresentar sistemas evoluídos, a melhor proposta de treinamento tático, é aquela que envolve os próprios componentes da mesma, compromissados na tarefa de desmontá-los, item por item, que no fundo será a proposta mater de todas as equipes que os enfrentarão…

Resumindo, bons e eficientes sistemas de jogo, sejam ofensivos ou defensivos, não são aqueles que dão certo, e sim aqueles que deflagram situações, que quanto mais previsíveis forem, mais eficientes se tornarão. É o princípio básico e estrutural que fundamenta a improvisação, pois só a exercem aqueles que dominam e conhecem profundamente os sistemas que usam lastreados pelos fundamentos integrais do jogo, ou seja, só improvisa quem sabe…

Treinar  escondendo situações de jogo, escamoteando detalhes é pura perda de tempo, mesmo que os contendores aceitem a sutil farsa. Quem sabe a força descomunal do marketing e da mídia exijam tanta e inútil exposição, mas a que preço?…

Acredito que tenhamos ainda muito que a evoluir, aprender, e o mais importante, apreender princípios de estratégia técnica, tática, comportamental, e acima de tudo, profissional.

Será que apresentaremos sistemas inovadores e corajosos, ou continuaremos a manter o sistema único padronizado, formatado a imagem do que ai está implantado, numa mesmice endêmica que nos pune a tanto tempo?…

Bem, não é treinando com a China que aprenderemos a inovar, ou não?

Torço para que sim, mas lá no fundo do meu parco conhecimento do grande jogo pátrio, desconfio que, infelizmente , não…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

ALTRUÍSMO, ENTREGA, E UMA CAMISA…

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Que bela perda de tempo, ainda mais empacotados numa camisa absolutamente ridícula, “marca texto”, segundo o narrador da TV, bem posto aliás, quebrando de vez a mística perdida de uma camisa gloriosa, fato ausente no vôlei, no futebol, no andebol, todos envergando o amarelo ouro, e não essa aberração patrocinada por quem, absolutamente, odeia o grande jogo…

Mas por que falar em camisa, em mística, tradição e respeito, se na feminina a atual capitã a enchovalhou em plena quadra olímpica, se negando a defendê-la, e agora mesmo um jovem é reconvocado um mês depois de negá-la? Afirmam muitos que camisa não é importante, mas será essa a opinião dos All Blacks, da USA shirt?

Temos como uniforme básico o branco desbotado, o verde como segundo, e esse absurdo como terceiro, e pensar que bem antes do vôlei e do andebol dividíamos a gloriosa amarelo ouro com o futebol, mas tendo como padrão de excelência a listrada verde e amarela. Foram bons tempos, que muitos teimam em esquecer, mas não conseguem, então apelam…

Neste cenário desbotado e inerme, jogamos para o alto, por mais uma vez, a oportunidade de treinarmos nossos homens altos “lá dentro”, quando duelariam com jogadores de 2,14m em diante, numa rara oportunidade de aprimorar nosso claudicante jogo interno, desde sempre preterido pelas bolinhas midiáticas e valorizados pelo mercado dos que nada, ou muito pouco, entendem do grande jogo, do verdadeiro grande jogo…

Exatamente o que fez a Lituânia contra a Austrália na preliminar, quando arremessaram somente 14 bolas de três, e olha que são muito bons nas mesmas. Com homens grandes muito bons dos dois lados, aproveitaram para testar soluções de curta distância, com todas as suas implicações de faltas pessoais, contra ou a favor, passes e deslocamentos curtos e precisos, treinando efetivamente para a competição para valer daqui a uma semana…

E nós, chutando vinte (4/20) contra uma equipe frágil, que para tentar algum equilíbrio se fechava no garrafão, permitindo a enxurrada de nossos especialistas, que pensam que são, mas não são, mesmo, deixando de lado a oportunidade dadivosa de acionar os grandões pelo maior tempo que fosse possível, treinando e habilitando-os em situações reais de jogo…

Vamos ver logo mais contra a Lituânia se conseguiremos dobrá-la “lá de fora”, e vamos ver se retribuímos quando ela se lançar bem “lá dentro” de nossa defesa, num duelo que proclamará vencedora aquela equipe que ganhar as tabelas e concluir com a máxima precisão possível, ou seja, dentro da cozinha adversária, de 2 em 2 e de 1 em 1.

Mas em se tratando de um jogo preparatório, que dali a quatro dias se tornará para valer, desconfio que a nossa turma de especialistas vai se esbaldar, pois afinal de contas as bolinhas põem, segundo os midiáticos, a torcida em êxtase, ainda mais se caírem, o que não vem acontecendo ultimamente. Também desconfio que os bálticos continuarão a treinar seus gigantes, pois para eles, bolinhas, somente em equilíbrio e absoluta estabilidade…

Torço para estar enganado, e que a seleção se encontre no coletivismo e no bom senso de jogar o grande jogo como deve ser jogado, apesar de, bem lá no fundo, duvidar bastante que nossos vícios cedam lugar ao altruísmo e à entrega de todos, única maneira de alcançá-lo de verdade…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

UM MORNO PREPARO…

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Em uma entrevista cedida ao Globoesporte de hoje, o jogador Filipin afirmou em um dos trechos da mesma:

(…)– Em termos táticos, técnicos, não muda nada para o Brasil. É praticamente o mesmo sistema. O basquete tem algumas coisas universais. Mas você vê a parte de intensidade, por exemplo. Todo jogador que era substituído ia correndo para o banco, tocava na mão de todo mundo. Você vê uma dinâmica um pouco diferente da que estamos acostumados aqui – comentou.(…)

 

Como vemos, a mesmice endêmica que tanto condeno, ai está explicitada em toda sua mais explicita ainda, realidade, não por jornalistas, técnicos e afins, e sim por um jogador atuante na LNB, com toda a carga de conhecimento que tem da mesma dentro de uma quadra…

E foi o que se viu nesse morno jogo de treinamento olímpico, contra uma Austrália claramente a meio vapor, pois temerosa de embates mais fortes, evitando mais uma companhia a seu pivô Bogut em recuperação de uma lesão, num ponto em que estão em desvantagem ante a turma de grandões brasileira, mesmo sem o Varejão, o Faverani e o Spliter, numa posição que realmente estamos bem servidos, principalmente se atuarem nas “n” duplas possíveis de serem escaladas, claro, se o sistema adotado acomodar essa bem vinda possibilidade…

E o que fica faltando para essa bem vinda possibilidade? Bem, um sistema que dinamize o jogo interior com movimentação e deslocamentos, cruzamentos, entre a turma alta, ai incluindo o ala, dentro do perímetro, em movimentação aparentemente aleatória, próxima a cesta, dentro da cozinha adversária, concluindo de curta e media distância, de 2 em 2, 1 em 1, pacientemente, garantindo a segunda bola pelo posicionamento dos três “lá dentro”, se entreajudando sempre, quando o passe de dentro para fora poderá propiciar bons arremessos longos, mais estáveis e equilibrados, sendo toda essa estratégia (e não táticas…) orquestrada pelos dois armadores, por todo o perímetro externo, coordenando e entrelaçando os perímetros, num contínuo entre e sai longitudinal e não lateralmente a cesta nos passes e nas penetrações, ocupando não somente o defensor da bola, mas todos os defensores, preocupados com os espaços criados pela fluidez continua dos atacantes, muito ao contrário das defesas de setores estanques, provocados pela imobilidade de alguns, assistindo as desesperadas tentativas de penetração de um ou outro pivô contra uma defesa inteira, que é o que comumente assistimos nos NBB’s da vida…

No entanto, todas essas ideias se perdem ante a realidade aflorada de uma apresentação como a de ontem, onde a previsibilidade sistêmica e tática mencionada acima pelo jogador de Rio Claro, deu as costumeiras cartas, ainda acrescidas da já bem estabelecida hemorragia dos três, em ambas as equipes, que perpetraram 10/27 cada uma, provando quão ausentes estiveram as defesas externas…

A equipe nacional, se utilizando da dupla armação permanente, rodando todos os jogadores, não encontrou muitas dificuldades na pontuação interna (23/35 contra 14/35 dos australianos) e nos rebotes (44/26), vencendo por 29 pontos, num jogo de 28 erros de fundamentos (13/15) sob flácida marcação, deixando no ar uma questão – Como se comportarão sob forte marcação, e mais forte ainda contestação nos longos arremessos?..

Se mantiver a dupla armação, superará boas defesas, e se jogarem seus pivôs mais enfiados e velozes…Bem, paro por aqui, pois é um assunto que na pratica e realidade da equipe, não me diz respeito, e sim ao gloriosa hermano, que torço para ser feliz em sua difícil tarefa, principalmente no convencimento tático do Leandro, e na contenção  das famigeradas bolinhas…

Espero que consiga, senão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

A BUSCA PELO NOVO…

 

Pura curiosidade de quem. apesar de tudo, ama o grande jogo, ainda mais às vésperas de uma caseira olimpíada, daí o impulso de assistir o jogo inaugural do Paulista, entre Mogi e Franca, para mais uma vez atestar, ou não, o quanto a seleção espelha com veracidade a nossa realidade basquetebolística…

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E não deu outra, frente a crua constatação de que, mais do que nunca, a hemorragia dos três dificilmente será estancada, ou atenuada a um nível aceitável, perante o jugo implacável do sistema único a que se aferram ferozmente os estrategistas de plantão, experientes ou noviços, não importando o que sabem ou dominem, num patamar mínimo no exigente (deveria ser…) universo do desporto de alto nível, condição básica para desenvolvê-lo…

O comentarista da TV clamava pelos novos valores no comando, afirmando virem deles as novas ideias e perspectivas para o futuro do grande jogo, ele mesmo participante deste anseio, numa formulação que bate de frente com a explícita realidade das grandes ligas mundiais, onde a experiência forjada em décadas define o quem é quem no comando das grandes equipes, fora as exceções de praxe, poucas e pontuais, mas quase sempre passageiras…

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Então, o que vimos foi a monocórdia repetição de um ciclo que rapidamente nos tem levado a um nível de pobreza técnico tática considerável, e com pouquíssimas possibilidades de reabilitação, a continuar esse continuísmo atroz de noveis estrategistas, suas pranchetas customizadas e agora patrocinadas (afinal o veículo televisivo tem de ser explorado…), e o pior, seus padronizados, formatados e globalizados sistemas de dupla via, pois contando com a anuência maciça dos jogadores, ávidos em se manterem num exíguo mercado de trabalho, onde a discordância se torna fatal …

Mesmo tendo sido uma partida com duas prorrogações, nada justifica uma artilharia de arremessos de três,com 10/30 para Mogi e 11/36 para Franca, sendo que essa equipe arremessou 14/35 de dois, numa convergência que a levou a derrota, pois tentou 10 bolas a menos (36/26) de media e curta distância que Mogi, optando pelas bolinhas, menos eficientes e precisas, esquecendo um principio elementar, o de que jogos podem e devem ser vencidos de 2 em 2 e 1 em 1, destinando os arremessos de 3 aos especialistas, e mesmo assim em condições  de estabilidade e equilíbrio sobre o terreno, condições que não deveriam existir em quantidade ante defesas bem postadas e fortemente contestadoras, algo pouco comum entre nós, lastimavelmente…

No entanto, em alguns momentos do jogo, que era disputado por ambas as equipes em permanente dupla armação (realmente algo positivo), grandes movimentações e deslocamentos foram realizados nos perímetros internos pelos homens altos, dinamizando-o, pena que não por todo o tempo, cedendo lugar aos chifres, punhos e polegares, numa cansativa mesmice que dói só de pensar, quanto mais assistir enfadado…

Some-se a tudo isso o considerável e constrangedor número de 39 erros de fundamentos (19/20}, o que nos faz pensar algo elementar, em uma pergunta – O que fazem todos no preparo antecedente ao campeonato?  Treinam os fundamentos para valer, ou se deixam levar pelos rachas para adquirirem “ritmo de jogo”? Pelo elevado número de erros, creio que a resposta se torna óbvia…

Concluindo, nossa seleção é o espelho de como jogamos, com seus muitos erros de fundamentos, sua frouxa defesa exterior, e sua volúpia nos longos arremessos produto da mesma, e claro, tendo como resultante dessa simplória equação, a incrustada ideia de que “estando livre”, chuta-se, independendo das distâncias, mesmo sem a treinada e dominada precisão do especialista, e ai daquele que não o fizer, para ser tachado de medroso, amarelão, frente a uma flutuação, ou mesmo, ausência defensiva, muitas vezes proposital, incentivando-o ao possível erro, fator que dificilmente encontrará ao confrontar equipes de alta categoria técnica, principalmente quando se trata de seleções…

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Na seleção tem jogadores que atuam na LNB, são cinco, quatro deles arremessadores de longa distância, acostumados a anos de frouxidão defensiva exterior, e que não encontrarão as facilidades aqui existentes, logo,induzidos e até forçados ao corte, a finta, às penetrações, e ai, alguns deles se verão frente a realidade dos fundamentos, rígidos, exigentes, os difíceis, porém básicos  fundamentos. Estarão preparados. treinados e senhores absolutos dos mesmos? Lembro que somente aquelas equipes que contenham em seus quadros jogadores exímios nos fundamentos irão adiante, pois com tais destrezas poderão acionar seus sistemas ofensivos e defensivos com maestria e total domínio dos mesmos, e sem as quais nada que tentem, individual e coletivamente produzirá homogeneidade, fluidez e unidade, chaves constituintes das grandes equipes, onde os rasgos de genialidade pessoal se fundem ao interesse comum, e não o contrário, como muitos aqui em terra tupiniquim clamam em glorioso interesse próprio…

Espero, contritamente, que nossa equipe tente não refletir (será possível?) sobre os 39 erros do jogo em questão, nem a média de 25 por partida do último NBB e 30 da LDB, resgatando o outrora e magnífico basquetebol que praticávamos, fruto de uma excelente formação de base, esquecida já de um longo tempo, substituída em grande parte pela preparação física “científica”, onde correr mais rápido, saltar mais alto e trombar mais forte ousa substituir a singela arte de jogar o grande jogo como deve ser aprendido, apreendido, treinado e jogado, ensinado por quem realmente entende e o domina, simples assim…

Aliás, americanos e alguns europeus o fazem a um século, nos mesmos já o fizemos, mas, esquecemos, perdemos o fio da meada, mergulhamos na cultura dos três, das enterradas e das midiáticas pranchetas miraculosas, do sistema único, da mesmice endêmica, depositando nosso destino nas mãos de agentes, empresários que exportam prematuramente nossos jovens, maus dirigentes e muitos técnicos omissos e oportunistas. Precisamos resgatar os bons, independendo da idade, pois são os únicos capazes de inovar, exatamente por terem sempre estado na linha de frente do estudo, da pesquisa, do árduo trabalho, enfim, do novo, como conclamava o comentarista da TV…

Amém.

Em tempo – Como já afirmo a tempos, a mais de 40 anos, e para a incredulidade de muitos, ai está, por mais uma vez a prova do que sempre defendi, a seleção do Eurobasket sub 20 deste ano, com dois armadores (Garcia-Espanha, Zemalti-Lituania) e três homens altos (Alonso/Ala-Espanha, Markkamem/Pivô-Finlandia e Yurtsevem/Pivô-Turquia), autenticando uma tendência cada vez mais difundida. E nós?…_X6vkzVDmUyyT97R_kHi8Q

 Fotos – Reproduções da TV e divulgação FIBA. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

O QUE NOS ESPERA…

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Dias atrás pesquei na internet um comentário num blog especializado em basquete, anônimo (o comentário), é claro, mas que bem reflete o entendimento que muita gente tem sobre sistemas e funções no grande jogo, da armação aos pivôs, numa salada mista digna de um Guiness, tamanho os equívocos que cometem, tanto no aspecto técnico, como no tático, sem falar no jogo em si, já tão pasteurizado entre nós:

(…)Eu creio que se todos tiverem bem, o Rafa Luz será cortado. Pois ele não precisa de 3 jogadores na posição 1. Duvido que ele coloque em quadra ao mesmo tempo: Huertas e Raul ou Huertas e Luz ou Raul e Luz. Agora com Larry, Alex, Benitte e Leandrinho, que jogam na 2, não há problema. E também esses jogadores podem também jogar na 1.(…)

Mas o Larry foi o cortado, logo, segundo o comentarista, seriam seis aqueles jogadores que poderiam atuar na 1 e na 2 indistintamente, com um porém, não haveria vagas para todos numa simplória partida de  bola ao cesto, ademais, existiriam outros seis grandões ansiosos em participar também…

Entretanto, temos um grande problema pele frente, que já dura seis anos sob o comando do hermano, um indefinido sistema de jogo ofensivo nunca efetivamente implantado, e um defensivo que oscila quando exercido por determinados jogadores imunes a arte de defender, bem conhecidos aliás, e que ai estão, olímpicos…

Resultado? Nunca, de verdade, tivemos uma equipe consistente, coerente com as propostas de seu comandante, que mesmo aferrado ferozmente ao sistema único tem se deixado levar pela artilharia desenfreada em algumas competições, numa indefinição produto de algo que não tem sabido enfrentar, o vicioso carrossel de nossa formação de base, espelhada nos arremessos de três e as enterradas midiáticas, antítese de sua origem platina, escorada numa plêiade de excelentes formadores e técnicos de algumas gerações que o levaram ao ouro olímpico, e que por aqui o deixam quase sempre pendurado numa prosaica broxa…

Se olharmos com atenção o atual perfil da seleção masculina, vemos que é composta por quatro armadores de formação, Huertas, Raul, Luz e Benite, dois ocasionais, Alex e Leandro, um ala, Marcos, e cinco pivôs, Varejão, Nenê, Augusto, Hettsheimeir e Giovanoni, sendo que os dois últimos adoram os arremessos de fora, os denominados pivôs de três. Alas pivôs como o Alexandre e o Meindl, bons reboteiros em ambas as táboas, e eficientes defensores sobraram, e sem dúvida alguma farão falta, preteridos por um Giovanoni que não marca e nem salta com eficiência, e que sem dúvida alguma será contestado severamente em seus arremessos externos, e um entre os seis armadores, função onde o acumulo de experiências e anos de lide qualificam os melhores…

Com tal elenco, a manutenção básica da armação única se torna um equivoco inexplicável, originando um impasse mais inexplicável ainda, a não ser que o bom hermano promova o óbvio (frente à constituição final da equipe), a dupla armação efetiva, e não a substituição de um dos alas por um armador, mantendo o sistema único tradicional, melhorado nos fundamentos básicos e estratégicos, o drible e os passes, otimizados, que tem sido o mote geral de todas as equipes do NBB e das seleções nacionais, sob sua inspiração, vide as equipes lideradas por seus mais diretos assistentes na seleção…

Uma dupla armação efetiva, executada por jogadores altos (somente o Raul se situa um pouco abaixo dos 1,90m), atenderia a três óbices do nosso basquete, a levada de bola (que muitos chamam de transição) mais segura frente a defesas pressionadas, o apoio aos homens altos em todos os quadrantes do perímetro externo, e o mais do que bem vindo reforço defensivo, principalmente o pressionado fora do perímetro, que nos tornam fragilizados nos longos arremessos…

Por outro lado, poderíamos lançar dentro do perímetro interno ofensivo, homens altos e móveis, sempre em movimento, e não petrificados de costas para a cesta a espera de difíceis passes, pois marcados ao lado ou pela frente por suas imobilidades, além de manterem seus marcadores também em permanente movimentação, abrindo dessa forma espaços às penetrações de fora do perímetro. Espaçamento não se consegue somente abrindo os cinco em torno do perímetro externo, podendo também ser alcançado pelos deslocamentos internos, na cozinha adversária, onde os arremessos curtos, mais eficientes alcançam altas porcentagens (jogos podem ser vencidos de 2 em 2 e 1 em 1), além de situar o posicionamento nos rebotes muito mais eficiente e decisivo. Coach K vem tentando tal solução junto a seleção americana de algum tempo para cá, e com enorme e efetivo sucesso. Mas teria o nosso basquetebol de se munir de grande coragem, pois tal modelo sistêmico revolucionaria o grande jogo entre nós, e a atual composição da seleção teria a real possibilidade de dar tão ousado passo, por que não?

Anos atras o Fabio Balassiano me entrevistou quando dirigia o Saldanha da Gama, inclusive perguntando se o Splitter, Varejão e Nenê poderiam atuar juntos com mais dois armadores (leia aqui), quando respondi afirmando que sim, mas dependeria de uma atitude reformista e corajosa do então novo técnico da seleção, nosso atual hermano, o que não foi e nunca sequer foi cogitado realizar, apesar dele mesmo reconhecer que já havia jogado em dupla armação um dia. Hoje essa realidade é utilizada pelo mundo do basquete, menos por aqui, onde o envio de jovens técnicos e assistentes ao Summer Camp da NBA garante a continuidade do sistema único, marca registrada de uma liga que prioriza o 1 x 1 de forma determinante, mas que se choca com a realidade do basquete FIBA nas grandes competições, mas ai, do fundo de um alforge mágico surge um Coach K, referência do basquete universitário, para reestruturar jogadores à realidade internacional, fazendo-os jogar muito fora do sistema único, aquele que nos impõe a mesmice endêmica que ai está, e que num passado NBB2 tive a ousadia e coragem de confrontar, não indo mais adiante por força de uma marginalização criminosa e profundamente covarde, me privando de um trabalho para o qual sou qualificado, e de uma justa renda por indiscutível mérito.

Torço para que nossa seleção reencontre o caminho a longo tempo perdido, e essa oportunidade olímpica seria muito bem vinda agora com a seleção da forma como está constituída, com seis jogadores altos e hábeis no perímetro externo, e outros seis bem mais altos, flexíveis e velozes jogando no âmago dos adversários, que numa composição 2-3 dariam um trabalho colossal a qualquer oponente. Mas isso é outra história, que não cabe a mim contar, afinal, estar de fora é a realidade, mas jamais uma opção…

Que os deuses olímpicos, ou não, nos inspirem e quem sabe, nos ajudem…

Amém.

Foto – Divulgação CBB.

Em Tempo – Com sacrifício e empenho consegui adquirir a maioria dos jogos do basquetebol masculino olímpico, ficando ausente somente do jogo contra a Argentina e a grande final. Prometo cobrir a competição da melhor forma que me for possível, já que se tornará impossível portar meu pequeno netbook nas dependências dos jogos, publicando os comentários ao fim da noite direto da minha residência, próxima ao centro olímpico. Infelizmente tive meu credenciamento negado pelo COB, o que não impossibilitará meu trabalho como jornalista que sou, e técnico e professor qualificado do grande jogo. Até lá. PM.