O PRODÍGIO…

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Ao final do segundo quarto, o comentarista Wlamir Marques da ESPN mencionou algo inusitado – “…Deveriam arranjar um fórmula para que os três pivôs, Anderson, Spliter e Nenê pudessem jogar juntos…”, numa declaração surpreendente àquela altura do jogo, não muito distante de outras semelhantes feitas e apontadas nas redes globais, inclusive de técnicos veteranos e até de comentaristas, anônimos ou não, em blogs especializados…

E porque menciono estes testemunhos após a hecatombe de que foi vítima a seleção nessa Copa Mundial?

Porque outros importantes, e até mais contundentes foram escamoteados até essa data, como que numa névoa não dissipada, presente por todo o processo de convocação, treinamento e preparação, iniciada pela romaria técnica aos estelares no exterior, como que atendendo audiências onde a aceitação do processo de preparo tivesse de ser rubricado pelos mesmos, numa inversão de valores lapidar e constrangedora, para que o hermano tivesse em mãos o supra sumo do talento pátrio rumo a uma tardia medalha…

E ele o teve, junto a uma comissão que ultrapassava em número o total dos jogadores, apresentando nos jogos um banco gigantesco, onde a maioria, incluso os mascotes, nada tinham ali o que fazer, mesmo…

Teve e manteve sua metodologia saudosa de tempos platinos, ortodoxa e voltada ao sistema único, a uma rígida defesa obsequiada por constantes trocas, mas sem o material humano proprietário de sólidos fundamentos, que solidificasse seus conceitos de jogo, sua estratégia voltada a uma competição duríssima e inflexível ante erros grosseiros, dos muitos que foram cometidos…

A começar pelo posicionamento estratificado dos pivôs, isolados em sua luta, sem o apoio de um seu igual e de uma armação distante e incapaz de mais produzir, por também se situar isolada de um segundo armador nunca disponível em quadra, pois em nenhum momento Huertas e Raul estiveram juntos, quando muito o Alex e o Larry na posição de ala, nunca próximos dele, tornando o sistema adotado numa antítese do coletivismo apregoado aos sete ventos, e o pior, acoitado por uma mídia dita especializada pronta ao endeusamento, do “monstro” ao “prodígio”, numa espiral ao contrário de suas reais qualificações, pois nesse, que é o grande jogo, a verdadeira qualificação é aquela profundamente lastreada nos fundamentos e no conhecimento tático, fruto da mais exigente das técnicas, a competente e decisiva leitura de jogo, alcançada pelo conhecimento cumulativo de conceitos e sistemas existentes no mesmo…

Mas para que todos esses fatores colimem harmonicamente, torna-se necessária a existência de um planejamento que privilegie dois objetivos a serem alcançados, uma convocação coerente, justa e apartidaria, e a  implementação de sistemas inéditos e progressivos, fugindo da mesmice endêmica existente, tornando a equipe proprietária de algo realmente seu, digno de ser estudado, treinado e desenvolvido por todos, indistintamente…

E é nesse ponto que se destacam as palavras do Wlamir reproduzidas no parágrafo inicial, já que ficou bastante claro que, dentro do sistema único, praticado pela maioria das seleções nesta Copa Mundial, com exceção da equipe americana, nossa seleção estaria, como esteve, inferiorizada pela fragilidade de seus fundamentos, se comparada às demais, tornando a aplicabilidade tática altamente previsível pelos adversários, facilitando em muito sua marcação, dentro, e principalmente fora do perímetro, como vimos no jogo de hoje, com uma Sérvia sempre um passo à frente de nossas movimentações, anulando-as quase que automaticamente…

Então, uma formação em dupla armação, de verdade, e não arremedos pontuais, alimentando uma trinca de pivôs móveis, ágeis e  em permanente movimentação dentro do perímetro, pelos deslocamentos de todos os envolvidos, por todo o tempo, sem dúvida alguma levaria as defesas antagônicas a cometerem erros e equívocos, propiciando passes mais curtos, logo, mais seguros, arremessos mais precisos, por serem de curta e média distâncias, garantindo a todos a possibilidade de rebotes em sempre possíveis falhas, pela presença dos grandes pivôs dentro do garrafão.

No entanto, para o técnico hermano, tais novidades jamais o fizeram sensível a mudanças em seu modo de ver e sentir o grande jogo, mesmo tendo em mãos os tão sonhados pivôs, “uma das melhores tabelas do mundo”, mas que faliram pela solidão imposta a cada um deles, órfãos de um sistema que os unissem, tornando-os interdependentes pelo somatório de talento e força, e não réfens solitários, presas fáceis das coligadas defesas que enfrentaram…

Enfim, perdemos uma grande oportunidade de avançarmos no cenário internacional, fruto de uma equivocada formação de equipe, da convocação à escolha de um sistema de jogo realmente inédito e instigante, aquele que poderia, de certa forma, compensar a fragilidade nos fundamentos básicos do jogo, os quais poderiam, se quizesse  a douta comissão técnica, corrigir em boa escala, como, por exemplo, os tenebrosos lances livres, e mesmo as famigeradas bolinhas, os dribles, as fintas, os passes, por que não, ou não sabem?…

Como já temos craques anunciando despedidas em 2016, que tal antecipar tais prerrogativas, dignas de capitanias hereditárias, promovendo novos valores, e mesmo alguns veteranos treináveis e confiáveis, situando-os num projeto evolutivo e realmente inédito, como o sugerido pelo Wlamir, mesmo sob a desconfiança interesseira do mini universo técnico e tático, encastelado no comando absoluto da modalidade no país, para o qual, mudar pode significar perda de prestígio e renda, conjugados ao velado domínio de agentes, muito mais ligados aos seus lucros, do que o desenvolvimento do grande jogo entre nós, para lançá-lo nos envolventes braços de uma insinuante e cada vez mais presente NBA no imaginário de nossos jovens…

Engraçado que, nos últimos 50 anos junto ao grande jogo, e 10 aqui nos artigos desse humilde blog, sempre propugnei e provei na teoria e na pratica as mudanças técnico táticas que agora, depois da derrocada, alguns se instituem como estandartes das mesmas, numa ação que espero seja habilitada, mesmo sob o prêço do impessoal esquecimento…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e terem acesso às legendas.

 

 

O IMPROVÁVEL HERÓI…

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O titular foi sacado por não concluir nem assistir com segurança, vindo a campo seu substituto direto,  e que até aquele momento não havia apresentado nada excepcional, porém, com o retraimento da defesa argentina, totalmente focada nos nossos pivôs, e após um primeiro quarto repleto de bolinhas, com acertos mais efetivos dos hermanos (venceram  por 21 x 13), nosso improvável herói deitou as cartas, beneficiado com uma defesa compactada dentro do perímetro, permitindo sua evolução bastante efetiva fora do mesmo, armando, fintando e arremessando com precisão, inclusive dos três…

Com um segundo quarto forte na defesa e por mais uma vez pecando na fluidez ofensiva, mas que mesmo assim, encontrou um defesa argentina bastante faltosa sobre nossos pivôs, pendurando seus melhores rebotes, venceu a seleção esse quarto por 20 x 15, indo para o intervalo inferiorizada no placar por três pontos (36 x 33), mas com bem menos problemas com faltas que os platinos…

Foi no terceiro quarto que a partida se definiu (24 x 13), isso porque três fatores foram determinantes a nosso favor, o pleno domínio do rebote defensivo e consequente saídas para os contra ataques, a falência da ofensiva interior argentina, obrigada aos lançamentos de fora, que, feliz e oportunamente passaram a ser razoavelmente contestados, e o início, que já se tornava tardio, do nosso jogo de pivôs, por sobre uma oposição desgastada pelo embate e pelas faltas pessoais, originando daí para frente um domínio que se estendeu ao quarto final (28 x 16) em vinte pontos de uma diferença justa naquela situação de jogo…

No duelo estabelecido dos três pontos, é importante notar que os hermanos se deram melhor, marcando 30 pontos (10/29- 34%), contra os nossos 15 pontos (5/19- 26%), demonstrando com clareza o quanto de contestação teremos de observar na próxima quarta feira contra uma Sérvia que adora as bolinhas, e possui uma tabela bem mais possante que a argentina…

Não podemos esquecer, de forma alguma, que foram nos dois pontos, nos curtos e médios arremessos, que superamos nossos rivais, (27/41 – 66%, contra 12/27 – 44%) demonstrando, acredito que, de forma concludente, que pontuar no âmago da defesa adversária, bem mais perto, aumentando os percentuais de acerto, otimizando cada posse de bola, teria alcançado uma pontuação bem mais elástica se tivéssemos substituído, pelo menos, a metade de nossos erros nos três (14 tentativas) por arremessos de dentro (um jogo mais intenso de pivôs), para mais 14 pontos bem possíveis,..

Com a substancial melhora nos lances livres (16/21 – 76%), que teremos de manter no próximo jogo, que deverá ser bastante faltoso pelo gigantismo e combatividade dos oponentes, creio que teremos boas chances de vitória se:

- Nos movimentarmos muito e muito mais dentro do sistema adotado, que não é o melhor, mas é o que temos, com todos os jogadores em ação contínua, e não como o que temos visto até hoje, quando um dos pivôs recebe de costas para a cesta, iniciando seu ataque de marcha a ré, e os demais parados assistindo a performance, facilitando as dobras, quando deveriam tentar ao máximo manterem seus marcadores perto e em deslocamentos, fator fundamental para a abertura de caminhos e atalhos à cesta;

- Nos segurarmos ao máximo à tentação dos longos tiros, optando pelos de curta e média distâncias, reservando aqueles quando de passes vindo do interior do perímetro, para obter mais espaço e equilíbrio na execução dos mesmos, não esquecendo o poderio defensivo interno e externo dos sérvios…

- Defendermos com energia, tentando marcar os pivôs pela frente na continuidade do ataque sérvio, quando estabelecem as conexões entre os armadores em passes de contorno, que se marcados em função e anteposição dos mesmos, pouca visão limpa teriam de seus pivôs, dificultando-os e facilitando as dobras, e o fechamento às penetrações. É o princípio da verdadeira defesa linha da bola, que exige defensores rápidos e ágeis, altos ou baixos, que é o nosso caso, bastando ter a coragem de aplicar tais preceitos antecipativos…

Enfim, depois de um longo e tenebroso inverno conseguimos derrotar os hermanos em um mundial, o que é de grande importância, apesar de nossas deficiências e carências nos fundamentos, além de uma discutível e equivocada convocação, que nos propicia manter no banco, como no jogo de hoje, não um, mas dois mascotes…

 

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e ter acesso às legendas.

EM TEMPO – O blog esteve fora do ar por 48hs por motivo de problemas técnicos no provedor do mesmo. Peço desculpas aos leitores, torcendo para que não se repitam. No entanto, em respeito a uma tradição de de regular periodicidade, publiquei esse artigo no Facebook.PM.

 

DE NOVO, OS HERMANOS…

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É realmente duro você ter de assistir numa competição do nível de uma Copa Mundial, a jogos como o de hoje contra uma equipe que sequer disputaria uma Copa Ouro da LNB, tal sua fraqueza e ingenuidade, como a equipe egípcia, que deve ter levado o Queops a se retorcer em sua pirâmide…

Mas o pior de tudo é ter de ouvir comentários exultantes e grandiosos sobre uma pretensa qualidade técnica por cima de um mais pretenso ainda cachorro morto, chutado ao não mais poder, mas sobre contra ataques terminados em arremessos de três, e pirotecnias exibicionistas nada foi comentado, ao contrário, exaltadas como se defrontassemos um adversário qualificado. Quero ver, e ai sim aplaudirei de pé, os mesmos arroubos no domingo contra a Argentina…

Ah, tornaremos a encontra os hermanos em mais um Mundial, e no mata-mata definitivo, somente com passagem de volta para quem jogar a toalha, e que, bem poderiam ser eles, se…

Se jogarmos na cozinha deles, no embate direto com seus pivôs, que são muito bons, mas não tão melhores que os nossos, num confronto onde o jogo será decidido, e porque penso que assim o será?

Basta observar o cuidado com que os argentinos tratam a sua sempre presente dupla armação, assessorada de muito perto por um ala pontuador como o Gutierrez ou veloz e penetrador como o  Mata, sempre por perto dos dois pivôs que ora fecham sobre o aro, ora abrem para os médios arremessos, coordenados e praticando um coletivismo de verdade, além de defenderem ferozmente seus perímetros…

Então, o que nos cabe fazer para enfrentá-los no passo a passo de uma partida que determinará quem segue na competição, senão confrontá-los no que têm de melhor, sua unidade, que pode ser abalada frente a uma unidade semelhante ou maior, como, por exemplo, atacá-los também em dupla armação, lançando os pivôs no embate frontal, liberando dessa forma possíveis e bons arremessos de média e curta distâncias, até o ponto em que, forçados pela compressão defensiva abram os espaços necessários a bons e equilibrados arremessos de fora, executados por quem os dominam, e não candidatos iniciantes nessa dificílima arte, principalmente se forem pivôs…

Defensivamente, bloquearmos o poderio reboteiro deles se torna a maior de todas as prioridades, num trabalho conjunto e de mútua ajuda de toda a equipe, altos e baixos, assim como optarmos pelos arremessos deles dos dois pontos, contestando-os a não mais poder fora do perímetro, permitindo, sem trocas e em última instância suas penetrações, basicamente dos armadores, levando-os a uma armadilhamento de bloqueios similar ao executado com precisão pelos gregos no jogo de hoje, quando blocks sobre o Campasso e até o Prigioni foram bem sucedidos, já que o Laprovitola com seu DPJ e fintas com hesitações e trocas de direção bem azeitadas, obtém mais sucesso que seus companheiros de função nas finalizações interiores…

Acredito que aquela equipe que se mantiver mais estável em suas concepções táticas ofensivas, e mais determinada em defender em bloco e na linha da bola, contra atacando sempre que puder, e não permitindo liberdade nas ferozes bolinhas de três pontos, conseguirá uma razoável vantagem para finalizar o jogo, somada a um fator que será determinante, o bom aproveitamento nos lances livres, pois jogos com pivôs tão poderosos, além de velozes, provocam muitas faltas pessoais, que de nada valerão se não forem convertidos aqueles arremessos, que de um em um, ganham jogos desse nível…

Convertendo de dois em dois e de um em um, podemos vencer o jogo, deixando os arremessos de três para aqueles momentos em que se imporão natural e complementarmente, e não como prioridade no jogo, o que seria um desperdício de tempo e esforços, e que não perdoará quem infringir uma das regras fundamentais do grande jogo, a de que precisão e eficiência nos arremessos estarão sempre relacionadas à menor distância possível em que forem executados, e esse determinante fator se constitui na chave mestra das grandes vitórias, sempre…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

 

REPETINDO, REPETINDO, REPETINDO…

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Quando da publicação do artigo Os Novos Conceitos, recebi esse comentário do leitor João, que transcrevo a seguir:

  • João Hoje·

  • Paulo, o “novo conceito de jogo” no qual se refere a reportagem é em relação ao que era adotado anteriormente pela seleção, e não que se trata de um estilo de jogo inédito no basquetebol mundial. Acredito que isso esteja bem claro na reportagem. Gosto dos seus textos e das críticas que vc faz, mas essa forçação de barra em querer, em todo post, falar desse “conceito de jogo” (que aliás você não é o inventor) é desnecessária e acaba por deixar seus textos muito repetitivos. Abs!

 

Prezado João, quando falo que um “novo conceito de jogo” está a ser implantado pelo técnico da seleção, inclusive através palavras dele mesmo, fica bem claro que a mudança tem sido tentada por sobre um outro conceito da lavra do mesmo técnico,isso porque está no comando da equipe a bastante tempo, logo é um conceito se sobrepondo a outro, e sob o mesmo comando…

Isso visto, salto para o ponto em que você afirma que não se trata de um estilo (diferente de conceito) de jogo inédito no basquetebol mundial, e a Espanha ai está demonstrando isso com seus dois armadores, dois pivôs e uma ala pivô com alto nível de pontuação, que acredito ter sido a opção do nosso técnico a ser implantada…

No entanto, a coisa bate de frente quando você critica a minha suposta “forçação de barra” em querer, em todo post, falar desse “conceito de jogo” (que aliás você não é o inventor)…

Bem, em tempo algum, desde a existência dessa humilde blog, e muito, muito tempo antes da existência do mesmo, me coloquei como inventor dele, pois não se inventa estilos, que são definidos por eles mesmos, advindos que são de princípios técnico táticos bem fundamentados, quase uma “escola”, e muito menos conceitos que jamais utilizei, como por exemplo, esse da Espanha, do qual o hermano quis se espelhar, apesar de considerá-lo excelente (o conceito), mas que contraria o que defendo, ou seja, a dupla armação e três alas pivôs, com larga literatura em texto e vídeo aqui publicados, discutidos, exemplificados e colocados em prática no campo de jogo, num ineditismo que ainda não encontrou discordâncias provadas e fundamentadas na literatura nacional (?) e internacional, ou você tem conhecimento de algo semelhante para de uma forma educada, reconheço, descobrir uma veia de charlatanismo de minha parte?

Acredito que não, talvez a crença de que se tratando do grande jogo, nada que se destaque como inédito possa nascer fora do hemisfério norte, como muitos outros princípios evolutivos que nos são negados a primazia, ao sermos reconhecidos como “inferiores”…

Mas algo tenho de considerar e mesmo declarar, o fato de que o técnico espanhol Aíto Garcia publicou um texto para um congresso técnico em 1989, em que explanava um sistema de jogo baseado na dupla armação e três pivôs, porém tabulando e hierarquisando todas as jogadas e deslocamentos possíveis, tornando-o altamente complexo e de dificílima aprendizagem, mesmo na elite, daí não ter sido utilizado em seu país em sua essência.

Então o que tornou inédito o conceito de jogo que desenvolvi ao longo de mais de quarenta anos, desde a base até a elite? Acertou, prezado João, o fato de ninguém, além de mim, o ter utilizado à luz da livre iniciativa, larga criatividade, somente possíveis através o livre arbítrio promovido pela improvisação consciente e lastreada pelo grande conhecimento e domínio dos fundamentos individuais e coletivos do grande jogo, assim como a constante repetição dos mesmos, sempre e sempre, enquanto pertencerem a equipes de competição, numa, ai sim, “forçação de barra” João, que é o sustentáculo de todo princípio técnico desportivo, sem o qual nenhum conceito de jogo se torna minimamente factível, vide nossa seleção com a pobreza fundamental que ostenta, frente a escolas como a americana, espanhola, argentina, etc, etc…Todas respaldadas nos fundamentos.

Por fim, de forma alguma me penitencio ou me penitenciarei acerca de algo que me pertence por direito, estudo, pesquisa, divulgação, ensino e técnica, e do qual sempre fiz questão de tornar público, para que os mais jovens técnicos o desenvolvessem, encontrassem outros caminhos e opções, sob o signo do bem comum e do democrático direito a informação, sem os quais nenhum progresso será auferido ao grande, grandíssimo jogo.

Repetir, divulgar, provar e quem sabe, tornar à competição a mim covardemente negada, para repetir, repetir, repetir…inovar…

Amém.

Foto (repetindo,repetindo…)- Arquivo pessoal. Clique na mesma para ampliá-la.

 

O MASCOTE…

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Uma das coisas mais detestáveis que pode acontecer na avaliação de uma técnica é a soberba, quando não a dominamos. -”Temos talvez o melhor garrafão do mundo, que o teme e respeita”…

 

Humm, temer certamente (não talvez…)pode não ser o caso, porém respeitar, com certeza, mesmo que, apesar do respeito seja destroçado como foi, tanto defendendo, como atacando, frente a um temente e respeitado garrafão espanhol, nada soberbo, mas acima de tudo, mortal…

 

E qual o seu segredo para tanta eficiência, senão a mobilidade, a fluidez de suas ações de entrada e saídas de bola, medidas e alimentadas por uma armação metódica, cirúrgica, e pontuadora também, principalmente nas longas bolas, em nenhum momento contestadas, como num carrossel multi facetado de habilidades e domínio pleno dos fundamentos do jogo, do drible junto ao corpo, às fintas milimétricas, do passe objetivo, da defesa linha da bola antecipativa, somados a um conceito coletivista que a nossa seleção ainda custará um bom par de anos para alcançar, isto se começar a trabalhar a base nesse sentido, senão jamais…

 

Falar de números bem medidos e avaliados, melhor ir lá no Giancarlo Gianpetro para encontrar uma análise correta e lúcida do que ocorreu em Granada, e do que poderá vir a ocorrer daqui para frente se não mudarmos algo de muito importante na prática do grande jogo entre nós, a cultura do básico, do essencial, do avaliado frente aos fatos, e não a cultura do “monstro”, da enterrada como “o momento maior do jogo”, do toco como o “fator que levanta a torcida”, esquecendo que bons e precisos arremessos, de dois mesmo, ganham jogos, assim como os lances livres que só valem um, e os jovens precisam saber e serem induzidos a isso, e não a rompantes midiáticos…

 

Em hipótese alguma podemos repetir o que foi realizado em termos de defesa exterior como no jogo de hoje, ainda mais quando os servos são muito bons na longa distância, e no jogo interior também, onde terão de ser marcados à frente e em dobras, e mais ainda, quando teremos de atacar em permanente movimentação, dentro e fora do perímetro, evitando ao máximo a saída dos pivôs de sua área de influência direta, e tendo a permanente ajuda próxima do ala da vez, seja o Marcos ou o Alex, e por que não, juntar os três grandes pivôs em trocas sucessivas bem lá dentro, no âmago da defesa servia, servidos por dois armadores rápidos, incisivos, bons passadores e pontuadores, também…

 

Ilusão, alucinação basqueteira, ou uma chamada a uma realidade que não pode, não deve ser adiada em nome do que? Reserva tática? Rotação obrigatória pelo cansaço? Rigidez de princípios táticos? Nào esquecer que se trata de uma Copa de tiro curto, onde o não se arriscar pode levar ao fracasso, onde o cansaço pode e deve ser adiado, onde os objetivos não podem ser limitados pela mesmice, pelo temor ao novo, ao inusitado…

 

Temos uma falha, uma monumental brecha escavada pela convocação política e marqueteira, que apresenta como resultado maior sermos a única seleção do torneio com um mascote no banco, e que é o representante maior de uma associação de jogadores em tudo e por tudo afinada com a cúpula da CBB, e vítima de uma política de capitanias hereditárias que de a muito deveriam ter sido extirpadas de nossas seleções, terreno quase proibido às renovações, aos jovens talentos perdidos ano após ano, em nome de “nomes” midiáticos e protegidos, e muitas vezes dirigidos e liderados por amigos da realeza cebebiana, hoje presente nas tribunas de Granada como lídimos representantes do caos institucionalizado que implantaram na alma do grande jogo, ínfimo para eles, desgraçadamente…

 

Para minha tristeza, sinto não prever melhores caminhos para essa seleção, a não ser que movida por algo bem superior emerja da mesmice crônica em que se encontra, e parta para algo mais superior ainda, a implantação urgente de algo realmente… corajoso e inovador, e sem temer os riscos inerentes ao mesmo…

 

Amém.

 

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DANDO O QUE PENSAR…

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Gostaria firmemente que a grande maioria daqueles que postam opiniões, conceitos, críticas e sugestões pela rede, dos articulistas aos leitores, anônimos ou não, que o fizessem criteriosamente, sem o apelo da emoção e das preferências clubísticas e pessoais, mas simplesmente técnicas, ou táticas se mais versados na modalidade, ou mesmo se pautando pelo bom senso, justo e realista…

 

Para tanto, sugiro veementemente que passada a pressão inicial do jogo, o revejam, se mais detalhistas, em câmera lenta, a fim de captar situações que, pela velocidade das ações, passam despercebidas pelos menos experientes, claro, exceto aqueles que dominam a fundamentação do grande jogo, e que posso adiantar, não são os notórios estrategistas de plantão…

 

Então, qual ou quais fatores permitiram à nossa seleção auferir um resultado favorável no início de uma dura competição, enfrentando uma rival dilacerada por ausências de muito peso, ao contrário da nossa, completa, segundo seus responsáveis?…

 

Dois foram os fatores preponderantes à vitória, a saber:

 

- O domínio do garrafão defensivo, em muito beneficiado pela opção francesa pelo jogo interno com excesso de preciosismos nas definições de jogadas, claramente direcionadas à provocação de faltas pessoais dos nossos grandões, e que ocorreram, porém em menor número do que esperavam, e que não encontraram contra partida em seu próprio garrafão, vide os números de lances livres cobrados por ambas (13/16 franceses, 14/24 nossos, com sua proverbial falência executiva, 58%!!), numa claríssima opção pelo jogo de exclusão com vista aos tão importantes e determinantes rebotes, empatados nas defesas, e prioritários, para nós no ataque (4/26 deles, 16/26 do lado de cá), com um pormenor determinante, o dito “jogo sujo” de nossos gigantes, numa ação muito bem concatenada de mútua ajuda nos bloqueios físicos de proteção à bola, fundamento coletivo muito bem executado pela trinca da NBA, afinada com as enormes exigências a que são submetidos naquela poderosa liga, vamos conceituar assim, “varreção” de oponentes no momento dos rebotes, foi o fator primeiro de nossa supremacia pela posse da bola, e que seria mais contundente não fosse nossas conhecidas falhas nas oposições e contestações fora do perímetro, e que graças aos deuses encontrou na determinação francesa pelo jogo de choque interior, a oportunidade que nos foi oferecida para encaminhar a vitoria, justa por sinal.

 

- Em decorrência direta da enorme batalha sob as cestas, um espaço generoso se abriu para os armadores, dos dois lados, que economizaram suas bolinhas (6/19 deles, 5/16 nossas) em prol da alimentação do jogo interno, até o momento em que o mesmo se tornou congestionado, não pela ansiada fluidez, mas pelo imobilismo tático nosso, e o preciosismo nas conclusões deles…

 

Exatamente nesse pormenor é que se fez presente o oportunismo do Huertas, com suas curtas conclusões e lances livres definitivos, demonstrando, por mais uma vez, ser o sistema tático brasileiro ainda muito crú nos deslocamentos interiores de nossos grandes pivôs, deixando poucas opções externas, pela indefinição tática nas ações conjuntas dos armadores, muito afastados entre si, provocando, em muitas oportunidades, o deslocamento de um dos pivôs para fora do perímetro a fim de tentarem corta luzes, que poderiam perfeitamente serem executados pelos armadores, mantendo os homens grandes em suas estratégicas posições, o mais próximo possível da cesta.

 

Enfim, veio a vitória importante para uma classificação às quartas, mas deixando dúvidas quando confrontados com defesas mais fortes e pressionadas, assim como quando se depararem com ofensivas mais bem distribuídas entre ações externas e internas, quando o espírito coletivista tão comemorado, encontrará sua redenção, ou não…

 

Em tempo, fica no ar uma instigante pergunta, ou colocação, ao fato da presença quase clandestina em quadra do Marcelo e do Guilherme, que ocupam um espaço precioso a novos jogadores, realidades concretas esquecidas na convocação, soando e falseando em muito os critérios “técnicos” de uma convocação equivocada, por política, que bem parece ser…

 

Espero que a seleção se encontre, ou encontre o coletivismo apregoado aos ventos, basicamente quando se defrontar com a turma mais pesada mais a frente, de verdade…

 

Amém.


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NOTA IMPORTANTE – Somente posto esse artigo agora (14:15) pela queda da internet em minha região desde a noite de ontem, desculpem.P1060751-001P1060758-001P1060760-001P1060767-001

OS “NOVOS CONCEITOS”…

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Do elenco brasileiro que vai disputar a Copa do Mundo da Espanha, três jogadores chegam à competição com status de estrelas da equipe. E todos da mesma posição. O trio de pivôs da NBA Tiago Splitter (Spurs), Nenê (Wizards) e Anderson Varejão (Cavs) promete dar muito trabalho às defesas adversárias. O moral está tão elevado que o técnico Rubén Magnano conseguiu implementar um novo conceito de jogo ao diminuir o número de arremessos do perímetro, passando a ser mais presente dentro do garrafão.

Como antídoto ao tripé, os oponentes tendem a observar mais esse setor e achar uma forma de não deixá-los jogar dentro da área pintada. Para não se tornar previsível e facilmente marcado, o Brasil vem treinando bastante a rotação de seu quinteto, fazendo a bola passar pelos “grandalhões” e ser devolvida rapidamente aos armadores ou laterais. Na cabeça de Magnano, esse tipo de lance será recorrente nas partidas, o que os tornam verdadeiros armadores.

- Com certeza, as equipes vão entrar em quadra pensando no garrafão do Brasil e, taticamente, vão tratar de fechá-lo. Esse garrafão tem que ter habilidade de fazer o time jogar. Curiosamente, o jogo pode vir de dentro para fora, ele vão fazer o retorno de jogo, falo entre aspas, pois não sei o que vai acontecer. Nem sempre vão pontuar, mas serão armadores. Assim como nossos jogadores têm que passar (a bola) para o garrafão, eles lá de dentro têm que ter a leitura de passar a bola para os que estão desmarcados – declarou Magnano.(…)

(Matéria do Globoesporte.com de 28/8/2014)

 

Como vemos, um “novo conceito” de jogo está sendo implementado pelo galardoado hermano junto à seleção que estréia amanhã na Copa do Mundo da Espanha contra a França, e que como ele mesmo afirma, diminue o número de arremessos do perímetro, passando a ser mais presente dentro do garrafão, conceito esse que de forma alguma me é desconhecido, ainda mais quando o desenvolvi e o utilizei nos últimos, vamos ser frugal, trinta anos, e que apresentei na breve experiência junto ao Saldanha da Gama no NBB2, tendo, na medida de minhas limitadas possibilidades econômicas, veiculado artigos e vídeos aqui publicados nesse humilde blog, onde nesses últimos quatro anos de afastamento compulsório das quadras, “teimei” à exaustão pelo aproveitamento de seus princípios inéditos em confronto com a mesmice endêmica de nossa formatada e padronizada maneira de jogar, sem qualquer resposta, inclusive quanto aodesafio que fiz quando do artigo 1000 aqui publicado.

Mas claro, agora, frente ao ineditismo tático formulado pelo comando de nossa seleção, gostaria de, por mais uma vez, colaborar com a mesma, da forma mais honesta e sincera possível, sugerindo a todos que revejam um dos vídeos daquela incrível equipe que dirigí nos idos de 2010, com sua, ai sim, inédita proposta de jogo, relacionada ao que hoje executa a nossa equipe nacional, para que analisem com isenção as definitivas, porém sutís, diferenças que ocorrem dentro do perímetro, no que concerne à movimentação dos homens altos, no âmago do sistema defensivo que enfrentavam, fator determinante de seu sucesso, e que deveria ser estudado frente às fugidias e pouco convincentes aberturas dos grandes pivôs, não como uma comparação de cunho negativo, e sim, como uma prova inconteste de sua exequibilidade prática e definitivamente estratégica, pois possibilita de forma concreta o jogo ambivalente, ou seja, de fora para dentro e vice versa, propiciando grandes e formidáveis espaços para os tiros de média, e até os de longa distâncias, quando pertinentes…

No conteúdo do recente artigo – Falando de Fluidez –  faço menção a todos esses pormenores, aos quais agrego o video que sugeri ao início, e onde se encontram lá presentes alguns dos componentes dessa equipe que agora nos representa na Copa, torcendo para que se inspirem, por pouco que seja, de algo que foi provado em quadra, na competição, e não no imaginário de uma possibilidade tática, que muito pouco tem de agregada a um novo conceito…

Espero ter ajudado, de longe e do coercitivo exílio…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

PITONISMOS E ACHISMOS…

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Vai começa a briga, e das boas, já que se trata de um Mundial, de um Mundial, e não de um NBB administrativamente em positiva evolução, porém técnica e taticamente estratificado e profundamente equivocado…

Nossa seleção, falando franca e honestamente, é deficiente em muitos aspectos de técnica individual, e equivocada em concepção de equipe, apesar do ufanismo torcedor que posta, anonimamente em sua maioria, comentários na mídia especializada, corroborando, ou não, matérias publicadas por seus editores, muitas vezes raiando o limite de conhecimentos do grande jogo, aspecto este, que mesmo sendo professor e técnico a mais de cinco décadas, não ouso, sequer penso, ultrapassar…

Mas outra é a nossa realidade, ainda mais com a cornucópia ilimitada de informações, pareceres, estudos e análises soltas, até em nuvens, pela galáctica rede, à disposição de todos, cultos ou neófitos, explanarem e divulgarem opiniões e relatos da mais alta complexidade técnica e tática, porém ao largo de uma realidade, a do âmago das quadras, da formação a elite, na travessia de anos e anos dedicados a arte de ensinar, educar e ajudar no desenvolvimento humano no contar das horas, dias, meses anos décadas, necessárias para atingir objetivos, muitas vezes inatingíveis, pela precariedade de uma realidade longe, muito longe, de se dedicar social, política e humanamente pela educação de nossos jovens, e que é o fator primal de todo o processo, onde pitonismos e achismos se tornam anacrônicos em si mesmos…

Nossa seleção tem graves problemas, deficiências crônicas que em tempo algum foram corrigidas, fora ou dentro de seleções, seguindo um principio quase dogmático, de que jogadores adultos nada mais devem acrescentar ao que conhecem de técnicas individuais e coletivas, a não ser levá-las ao grau de excelência dentro da realidade tática que lhes é exigida, que sendo padronizada os formatam, ou mesmo modelam, adequando-os às filosofias dos estrategistas que os dirigirão…

Por tudo isso, poucos são aqueles que dominam o epicentro de seus corpos, defendendo em equilíbrio estável e instável; atacando em desequilíbrio controlável, única forma de aliar velocidade e alternância direcional; correr e parar com controle similar; saltar sem se projetar lateralmente; girar espacialmente após rebotes; pivotear e mudar de direção alternando velocidades; bloquear antecipadamente e não no momento da ação; coordenar saltos e deslocamentos com as visões verticais e periféricas, fundamentais para o domínio temporal e espacial; arremessar sob controle preciso do eixo diametral da bola, base crítica para seu correto direcionamento, e que independe do posicionamento estético ou não de seu corpo; domínio ambidestro da bola no drible e suas vertentes direcionais e rítmicas, fatores inerentes às fintas e mudanças de direção, quanto ao conhecimento e pleno domínio dos fundamentos do jogo…

Portanto, sem esses conhecimentos, sistema tático nenhum, por mais simples e primário que seja, obterá sucesso, já que as exigências necessárias para sua execução não serão atendidas pela fragilidade no domínio e controle dos fundamentos, tornando-o estéril e equivocado…

Nosso pretenso poder defensivo, frente a equipes de maior peso, correrá o risco de rompimentos decisivos, pois o Marcos, Marcelo, Huertas, Raul, Leandro e Guilherme, são inconstantes e frágeis no trabalho de pés e controle posicional defensivo, acarretando uma grande carga de cobertura interna dos grandes pivôs, que correm o sério risco de se pendurarem de faltas por isso, gerando também um acumulo externo por parte do Alex e do Larry, notoriamente melhores defensores do que aqueles…

Ofensivamente, frente a um cenário compensatório, ou não, relacionado às nossas opções defensivas, um outro fator se revela preocupante, a localização posicional dos homens dentro do perímetro interno, nitidamente atuando de costas para a cesta, em posições altas e baixas, e vindo sistematicamente fora do perímetro para bloqueios, sem trocarem de posições entre si, e muito menos tendo  um outro alto ala participando dessas trocas internas, quando muito em pontuais deslocamentos paralelos a linha final, ou mesmo bem fora do mesmo, que é o que parece virá a ser tentado pelo Rafael para os longos arremessos, quando ele seria primordial no diálogo direto com os dois pivôs, todos próximos a cesta, para de 2 em 2 pontuarem com mais segurança e precisão, e inclusive e fundamental, estarem no foco dos rebotes, e em vantagem numérica, fator que desencadearia muito trabalho e preocupação com as faltas para nossos adversários, principalmente os europeus…

Também ofensivamente, a falta de um diálogo eficaz e tático entre armadores e pivôs em movimento (se assim se mantivessem todo o tempo de jogo…) torna nosso ataque, na maioria das ações, altamente previsível e marcado com relativa facilidade, onde as dobras se tornam decorrentes pela obviedade de atitudes destituídas de criação coletiva, voltadas que são, teimosamente, de caráter individualista, principalmente através o Leandro, Larry e Raul, sem contar com o mais do que provável aperto por que passarão na vinda da defesa ao ataque em armação única, prato apetitoso para as fortes defesas europeias e americana com que nos defrontaremos…

Logo, podemos concluir com duas ponderações, a de que neste complexo jogo, pitonismos perdem sua fantasiosa relevância, pelo simples fato de não conterem qualquer embasamento técnico e tático, frente a nossa proverbial fragilidade na formação de base, e ante escolas que privilegiam desde sempre esse fator, propositalmente escamoteado, já que formatado, padronizado e implantado por uma geração de estrategistas de produtos prontos, estejam deficientes ou não na fundamentação do jogo, onde o tempo a ser “perdido” em correções não compensa nem enriquece  currículos forjados pelo corporativismo que os unem em grande maioria…

Outra, a de que a insidiosa e escorregadia indústria do achismo técnico e tático, fruto de uma patética ignorância do que venha a ser o profundo e verdadeiro conhecimento do grande jogo, sequer se interesse pelo longo e sofrido caminho das pedras do estudar, pesquisar, ensinar e desenvolver, com seu acidentado e inóspito cenário de certezas e incertezas, avanços e retrocessos, pequenas vitórias e grandes derrotas, apêgo e desapêgo a idéias e sonhos, mas decisivo em seu percurso para o progresso e sedimentação de um processo de vida, onde o mérito é a chave para um corajoso e alentador trajeto.

Enfim, teremos nossa auto convidada seleção em mais um Mundial, fruto de uma realidade da qual não podemos fugir e omitir suas carências, e bem representar o que atualmente somos, mas que infelizmente não representa o que deveríamos ser, de verdade…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

 

 

TRÊS PARÁGRAFOS…

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- Fizemos um primeiro tempo bastante intenso e com muita qualidade, no qual colocamos em prática um basquete bastante coletivo. Como o Brasil é uma equipe mais baixa, não conseguimos manter o mesmo ritmo no segundo tempo e demos uma caída na condição física e na tática do jogo. Mas conseguimos fazer um trabalho de revezamento da equipe e foi uma experiência maravilhosa – analisou Zanon.(Globoesporte.com).

Jogando contra a seleção da Turquia hoje, a equipe feminina brasileira, que se prepara para o Mundial, perdeu por 66 x 48 (19 x 18, 14 x 13, 18 x 6 e 15 x 11, perdendo todos os quartos) convertendo 31 pontos no primeiro tempo e 17 no segundo, ou sejam, 48 pontos em uma partida internacional, e o técnico ainda o classifica como “uma experiência maravilhosa”? Só pode estar brincando, e o pior, com coisa muito séria, uma seleção nacional, onde divide sua genialidade com a equipe masculina do S.José, numa dualidade de competências inimaginável a um trabalho sério e responsável. Como vemos e atestamos, mérito (ou QI) é isso ai…

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No torneio da Eslovênia, a equipe brasileira masculina venceu a equipe da casa na prorrogação, por 88 x 84, num jogo eivado de oscilações, bem ao estilo de uma equipe sem personalidade coletiva, mas que apesar de tudo tenta manter seu forte jogo interno no ataque, e lampejos defensivos de boa qualidade. Rodando seus três pivôs nebebianos, em conjunto com os alas Marcos e Marcelo, e eventualmente o Alex, dentro do perímetro interno, que apesar do frágil apoio de armadores que pouco se entendem fora do mesmo, quando se perdem em infindáveis dribles e sinalizações desconexas, ainda conseguem se impor pela voluntariedade e presença física nos rebotes, hoje presentes (14/28), superando os eslovenos que conseguiram 33 (5/28), num embate que decidiu a partida onde deveria ser decidida, lá dentro, embaixo da cesta apesar de um lastimável 14/31 nos lances livres e 6/16 nos três pontos, em tudo compensados pelos 28/56 dentro do perímetro nas bolas de dois. E nesse ponto é que residem as chances da equipe na Copa Mundial, que seriam reforçadas se uma dinâmica e permanente movimentação dentro do perímetro fosse implementada, assessorada por uma dupla armação de verdade, trabalhando em proximidade, principalmente nas levadas de bola vindas da defesa, ponto em que as equipes mais categorizadas explorarão no caso de usarmos um único armador, com certeza. O fato de baixarmos um pouco a estatura da equipe, seria bastante compensada pelo maior e mais eficiente confronto defensivo, o que ocorreu hoje, principalmente no segundo quarto, mas que não foi levado adiante, pelo simples fato de não termos levado, ou convocado, jogadores melhores e mais aptos para essa função, prejudicando em muito a rotação nesse importante e fundamental setor. Enfim, uma réstia de luz apareceu no fim do túnel, não como uma esperança campeã, mas sim, uma busca de encontro ao bom senso técnico e tático, tão esquecidos ultimamente.

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Finalmente, após o jogo da seleção americana contra o Porto Rico, fica no ar uma pergunta que direciono aos “estrategistas” do grande jogo do país – Qual, ou quais, os sistemas de jogo adotados pelo técnico americano em sua impactante equipe? Sistema Único, Motion Offense, ou simplesmente Fundamentos individuais e coletivos? Acertou quem apontou esse último, base de tudo no grande jogo, e suficiente para vencer e derrubar qualquer sistema que não conte com o pleno conhecimento e domínio dos mesmos, e que nos é vetado por um significativo número de prancheteiros e patéticos performáticos midiáticos de beira de quadra, onde as poucas exceções não contam…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e do Globoesporte.com. Clique nas mesmas para ampliá=las.

 

 

 

 

 

A CLÁUSULA PÉTREA…

Não percamos mais tempo analisando o óbvio, que aliás, foi muito bem exposto pelo Giancarlo Gianpetro em seu Vinte Um, num artigo penetrante e lúcido, ao qual poderia somente agregar a cláusula pétrea que dá nome a esse complementar artigo.

E qual seria, prezado Paulo?

Observem detidamente as fotos aqui postadas, e confiram, ou mesmo contestem a dita cláusula, mas não omitam ou esqueçam que, a dias do inicio da Copa Mundial, a terra de ninguém em que foi transformada a perene distância que separa, oblitera e divide armação e movimentação interna, somadas a um exasperante imobilismo, criador de uma desabitada zona ofensiva (?), se petrifica, imutável em sua existência a cada dia mais presente, como numa realidade sem volta, pois carece de um mínimo de correção, aquela que poderia exequibilizar a tão almejada fluidez entre jogadores permanentemente conectados e calibrados em seus deslocamentos, bloqueios, cruzamentos, trocas de direção, paradas e partidas, dribles, fintas e arremessos bem escolhidos, equilibrados e amparados por um posicionamento estratégico nos possíveis rebotes, preenchendo com suas presenças aquela grotesca terra em que vem sendo transformada e dicotomizada as ações externas das internas, como que um enorme abismo sendo aberto entre esses dois espaços, que deveriam ser, na realidade, um só, indivisível, correlato e interdependente.

O preenchimento do mesmo, através a dinâmica e permanente movimentação técnica e tática, é o óbice, talvez o maior em que nos deparamos, pois situa em dois polos distintos e afastados o elemento mais crucial relacionado à fluidez de uma equipe, a ocupação permanente do espaço, trazendo para o mesmo, e também em constante movimentação, a defesa adversária, que somente poderá ser batida e contestada se deslocada, e não tê-la permanentemente como assistente privilegiada de nossa fraca e estéril realidade ofensiva.

Creio que defensivamente a seleção compromete bem menos do que seu tatibitati ataque, distante, desintegrado e comprometido pela cláusula pétrea de sua formação, o imobilismo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e ter acesso às legendas.

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