O “CHIFRE DE LADO”…

 

csc-979Obra em casa é sempre um sufoco, muita poeira, muito entulho e muito pouca paciência com os prazos cada vez mais elásticos para o término, que parece não ter fim. Mesmo assim, dei-me um intervalo para assistir a estréia da nova seleção brasileira, plena de jovens e nova direção…

O que vi, e o que achei? Tecnicamente, um naipe de jovens e promissores jogadores, desde que sejam devidamente corrigidos nos fundamentos do jogo (e não lapidados…), a fim de que se gabaritem a sistemas ofensivos e defensivos bem mais exigentes do que o feijão com arroz que apresentam e apresentaram desde sempre, onde nem um mísero bloqueio é efetuado corretamente, quiçá um decente trabalho defensivo de pernas…

Taticamente, a mesmice de sempre, endêmica e limitadora a toda e qualquer iniciativa criativa, que não seja aquela imposta de fora para dentro da quadra, com inclusive uma novidade que, ao ser pedida num dos tempos técnicos, aguçou minha curiosidade, afinal se tratava de uma jogada inédita, pelo menos para mim, o “chifre de lado”, completando a tríade chifruda “para cima”, “para baixo” e “invertido”, mas que na execução ( se é que houve…), fiquei somente com a curiosidade, nada mais…

Poderia encerrar os comentários por aqui, no entanto, como escrevo no dia seguinte ao jogo, pude ler numa matéria do globoesporte o seguinte relato do estreante técnico –

(…)Segundo o comandante, na parte técnica, a ideia foi colocar em prática apenas uma parte do repertório treinado para que os atletas executassem com menor probabilidade de erros. Até a estreia na Copa América, a tendência é que o número de jogadas colocada em prática vá aumentando.

– A ideia é de passar um grande volume nos treinamentos, mas nos amistosos diminuir bem para eles não se confundirem. Nos amistosos, e agora que vamos para a Argentina, não será feito de forma integral. Estamos escolhendo alguns movimentos que eles estão se saindo melhor. Acredito que o que a gente selecionou, a gente fez bem. Agora, o restante  conforme forem acontecendo de forma mais automática, a gente vai soltando nos jogos – disse(…)

Pelo exposto, creio que não preciso me alongar em comentários que nada acrescentariam ao cenário do grande jogo entre nós, pelo menos aquele que entendo por grande jogo, em contraponto ao que praticamos centrados  no sistema único, com seu repertório encordoando os jogadores como marionetes guiados de fora para dentro da quadra, representado em pseudos grafismos nas descerebradas, porém, midiáticas pranchetas, e aí sim, confundindo os jogadores pelo irrealismo que ostenta, frente a dura realidade do campo de jogo, onde, inclusive, atuam defensores nunca mencionados nas ditas cujas, como “os russos” da sabedoria popular futebolística, reminiscência magistral do criativo, técnico, tático e estratégico Garrincha…

Nestes momentos fico imerso em pensamentos e lembranças da face mais cerebral e criativa do grande jogo, o improviso consciente, fruto direto da arte do domínio pleno dos fundamentos individuais e coletivos, fatores que habilitam os jogadores a consecução de todo e qualquer sistema, ofensivo e defensivo que se lhes apresentarem, onde as jogadas fluem com naturalidade e plena consciência de execução, e não impostas coercitivamente a cada movimento realizado, repetitivo, monocórdio, amorfo, automático, na vã tentativa de repetí-las, impossibilidade inerentes a elas mesmas

Estas observações nos orientam a letalidade dos repertórios de passo marcado, das exigências do “eu quero”, do “eu determino”, do “eu exijo”, todas antíteses do “joguem com  inteligência”, com”o que sabem e dominam”, com “companheirismo”, “lendo e compreendendo as minúcias e facetas do jogo”, “com bom senso”, enfim, “agindo, fluindo e atuando como um todo, como uma equipe de verdade”…

Por tudo isto, temo os repertórios que avolumam e enriquecem manifestos currículos, e apoio o culturalismo e o profundo conhecimento de uma disciplina, sabendo que o mesmo sempre  se manifestará  pequeno frente às exigências básicas e necessárias ao comando, o seguro, responsável e solitário comando, jamais participante dos novos petit comitês com assistentes, que agora acontecem a cada tempo pedido e antes das instruções, numa cópia canhestra dos exércitos de técnicos e assistentes das ricas equipes americanas.

Enfim, aguardarei mais alguns jogos, amistosos e oficiais, para também, repetitivo e monocórdio, reportar o que fatalmente ocorrerá pela manutenção doentia do sistema único, a não ser que. oxalá, sejamos surpreendidos por algo de novo, corajoso, instigante, evolutivo em uma seleção  tão nova e promissora, merecedora de novos ares, mas que não seja, meus deuses, um “chifre de outro lado”…

Amém.

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DE 40? NÃO, DEFINITIVAMENTE, NÃO…

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Não foi de 40, foi de 39, mas a contagem chegou aos 42 antes do fim, e que inglório fim…

Inadmissível, absurdo , ofensivo, acachapante, e de tal forma que nem as de 3 acertaram uma sequer (0/9), noves fora o tanto de bandejas perdidas e os já tradicionais 20 erros do básico do básico, os fundamentos do grande jogo, aqui diminuto, ridículo, atroz…

E lá pelas tantas, numa bola duvidosa para a arbitragem (a diferença já ia além dos 20 pontos) fortes e inócuas reclamações, com as caras e bocas de praxe, como se a pretensa falha ameaçasse a liderança numa partida liquidada e contabilizada…

Discursos antecipados de medalha, vaga no papo, renovação da equipe, tornando imperdoável a convocação de jogadoras ultra veteranas e completamente fora dos padrões mínimos físicos para uma competição classificatória para um mundial, numa salada indigesta e comprometedora, sob qualquer critério que tente explicar tanta irresponsabilidade, onde o discurso de ineficiência administrativa não pode ser levado em consideração, em se tratando de uma nova gerência central, tornando cristalina de onde se origina a falha, sempre omitida pela mídia, num descabido protecionismo a estrategistas quase sempre indicados por serem jovens, promissores e independentes tática e tecnicamente, argumentos corporativistas e mantenedores da ordem vigente, onde impera absoluto e intocável o sistema único, o preparo da equipe privilegiando os sistemas táticos, jamais os fundamentos, com as desculpas de que o fator estreito de tempo direciona o treinamento para os mesmos e para os amistosos fajutos, deixando de lado, como sempre deixaram, os fundamentos, e que aos poucos vem revelando e aflorando algo que sempre destaquei aqui neste humilde blog, que tal artimanha simplesmente desnuda uma triste verdade, a de que nada entendem ou sabem sobre os fundamentos, sequer como ensiná-los, já que “altamente qualificados” para orientar e dirigir estrategicamente jogadores prontos, qualificados e proprietários da arte de jogar o grande jogo em sua forma mais elevada, e que aos poucos, agora, revela-se mentirosa e aviltante, afinal, como afirmam dirigentes, técnicos, jogadores, aficionados e jornalistas também – “onde já se viu jogador adulto ou de seleção treinar e praticar fundamentos? Isso é lá para a formação de base”…

Mas, e se a base também não os treinam e praticam, trocando-os pelos arremessos de 3, as enterradas e as monumentais peladas, como agirão lá na frente, inclusive nas seleções, como? Inclusive como muitos destes se transformam em técnicos, provisionados ou não, o que esperar de tal formação, ou melhor, transformação, o que?…

Exatamente o que aí está, escancarado e transparente à vista de todos, me parecendo um pouco mais esclarecidos por força de cada vez mais resultados lastimáveis e equivocados, a começar com pauladas como a de hoje, meus deuses, de 40? Não, definitivamente, não, e não só um não, mas um basta se impõe, antes da derrocada definitiva…

Ah, a solução, técnicos estrangeiros, já que falta a coragem para quebrar, liquefazer, pulverizar tanta tapeação em nome de QI´s politiqueiros e de escambo, onde o mérito é escanteado propositalmente, afinal, quantos votos ele representa? No meu humilde, porém experiente ponto de vista, ele ainda é a forma mais justa, responsável e inteligente para se galgar a excelência, seja no campo que for, e por isso mesmo um terreno para poucos, muito poucos, nominando etimologicamente as expressões “seleção” e “competência”, ambas frutos de tomadas corajosas, incisivas, inovadoras e instigantes, e como disse, terreno para muito poucos que, acreditem, habitam esse enorme e injusto país, minimizados e marginalizados, como reza a boa cartilha corporativista…

Amém.

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TEM DE PONTUAR!!!!…

P1150487P1150488No artigo de ontem abordei as duas temáticas que, no meu ponto de vista, explicam com sobras o abismo em que nos enfiamos tecnicamente, muito mais amplo e profundo do que o aspecto administrativo gerencial que a mídia designa como o fator da hecatombe, responsabilizando-o pelo cenário que aí está escancarado a todos. Mas, e desde sempre, responsabilizo prioritariamente o fator técnico tático como o causador direto pela implantação da mesmice endêmica, contínua e teimosa que nos catapultou para baixo, e que somente a custo de enormes esforços, poderemos emergir a médio/longo prazo desse incomensurável limbo. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, agora técnicos e professores, não mais, e as pouquíssimas exceções pouco pesam nesta dolorosa realidade…

Esse jogo contra a Argentina desnudou as duas temáticas acima referidas, a do despreparo acintoso das jogadoras nos fundamentos do jogo, e a ausência proposital no ensino dos mesmos por parte da esmagadora maioria dos téc…digo, estrategistas que inundam a modalidade sobraçando suas infames e midiáticas pranchetas, espelhando através das mesmas seus mais estigmatizados equívocos, frutos do imediatismo e consentida cópia uns dos outros, emoldurados em um sistema único de jogar, onde até as posições dos jogadores são codificadas de 1 a 5, forçando-os a atuar encordoados, como fantoches manipulados de fora para dentro da quadra, descerebrados e sujeitos coercivamente aos rompantes circenses da grande maioria deles, numa busca incessante das lentes e microfones televisivos que os lançam na ilusória ribalta da fama passageira, esquecendo ou omitindo suas mais importantes e decisivas funções, a de educador e a de técnico de uma modalidade complexa, apaixonante e extremamente rica em saberes, aprendizagem e lições de vida…

Fico profundamente preocupado quando assisto um técnico exigir de suas jogadoras que “façam pontos”, “que pontuem”, que “precisam pontuar”, mas não indica os caminhos para satisfazê-lo, eis o ponto, pois ao não admitir afastar-se de seus “conceitos sistêmicos de via única”, perde o direito de exigir tal comportamento, ainda mais quando antecedendo aos exigidos pedidos esclarece “que não adianta somente defender se não pontuar lá na frente”, e tudo isso no comando de uma seleção nacional…

Que me perdoe o galardoado técnico, mas todo um trabalho minucioso de treinamento sugere conceitos de dupla via, onde toda e qualquer orientação e ensino técnico em uma equipe, terá de estabelecer respostas advindas da mesma, em ações e, principalmente, em diálogos esclarecedores e conclusivos, pois a ausência de qualquer um destes fatores geram dúvidas e em alguns casos, cisões muitas vezes incontornáveis, sendo que a mais grave e decisiva é a da negativa (explícita ou velada) ao comando, traduzida pela indiferença disfarçada pela falsa aceitação da liderança autocrática, o que muito explica certas “aventuras” de jogadores(as) mais experientes e vividos nas quadras…

Pelo exposto, é que sempre propugnei pelo preparo inicial dentro e através a prática intensa, geral e não diferenciada por posições para todos os jogadores nos fundamentos do jogo, inclusive como eficiente forma de preparação física comungada com a técnica, colocando-os num mesmo barco que precisa ser direcionado para um mesmo e uniforme destino, abrindo caminho para o conhecimento conjunto das habilidades e inabilidades de cada um, aspecto fundamental na adequação de sistemas de jogo ao nível médio do grupo e factível a todos, dando margem a individualidades e criatividade (que é a chave do improviso consciente) dentro da competição, e não ficando refém de um comando que simplesmente cobra eficiência de quem não possui as competências para atendê-lo em suas elucubrações táticas de via única. Por isso a importância do pleno conhecimento do domínio dos fundamentos de cada integrante de uma seleção, para aí sim, adequá-las a sistemas de jogo, corrigindo e ensinando os fundamentos, pois, ao contrário do que muito especialista no grande jogo afirma, não é pelo fato de uma seleção ser adulta ou de base, que não se possa ensinar ou aprender as técnicas corretas para a execução dos movimentos básicos individuais e coletivos do grande jogo, sendo  a negativa acintosa dessa evidência a responsável pelo mais baixo nível que alcançamos nas últimas três décadas nas competições nacionais, e por extensão nas internacionais também, sedimentadas na vergonhosa média de mais de 25 erros por partida, inviabilizando sistemas ofensivos e defensivos, sejam de que escola e tendências forem, avalizando o panorama cinzento que aí está, estabelecido, formatado e padronizado pelo corporativismo fechado e lacrado ao novo, ao instigante e a corajosas e solitárias tentativas práticas de se antepor a tanta cega e estupida mesmice…

Sairemos desta fossa? Com a palavra os estrategistas em permanente plantão, sobraçando seus impolutos alter egos, suas pranchetas…

Amém.

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DEUSES, QUANDO A FICHA CAIRÁ, QUANDO?…

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Mesmo atarefado até a medula na reconstrução da casa após o incêndio que por pouco não a levou de vez, anteveio o comichão basqueteiro, e lá fui me postar na frente da televisão para assistir aterrorizado e mais ainda, revoltado, a uma exibição pífia, ridícula e altamente comprometedora de uma seleção brasileira feminina tentando uma das três vagas ao mundial, que, honestamente, não concebo imaginar que tenha condições minimamente plausíveis para lá estar tão cedo…

Tinha visto o quarto final do jogo anterior contra a Colômbia, mas perante a dura realidade de uma equipe que em duas apresentações cometera 59 erros de fundamentos (33/26), mal pude acreditar que contra uma equipe frágil como a das Ilhas Virgens, ainda teria fôlego para mais 23 erros, fora as inúmeras bandejas perdidas (19/49 nos 2 pontos), muitas através uma pivô que mal se deslocava pelo excesso de peso, dentro de uma equipe que sequer apresentava uma nesguinha de sistema de jogo ofensivo, e que marcava o nada, o nada mesmo, com um técnico teimando em apresentar jogadas numa prancheta, que jamais dariam certo frente a dura realidade de que assim seria, como até hoje vem sendo implausíveis por um simples, simplório fator que, em sua mais absoluta ausência inviabilizava qualquer tentativa tática, sistêmica, e até mesmo defensiva, o fato inconteste de que não sabem jogar o grande jogo, a começar pelos fundamentos básicos, aqueles mínimos conhecimentos para praticá-los com eficiência…

Do outro lado uma equipe para lá de modesta, mas com um pequeno, porém decisivo detalhe (ah, os tão mencionados detalhes…), algumas delas possuíam razoáveis conhecimentos de fundamentos individuais, principalmente no drible e nas fintas, propiciando boas oportunidades nos curtos arremessos, que as levaram a uma vitória justa, ainda mais quando sutilmente orientadas por um idoso técnico, experiente e cirúrgico na orientação ao 1 x 1 sobre as lentas e fora de forma pivôs brasileiras, conseguindo vencê-las bem lá dentro da defesa tupiniquim, somados a uns arremessos de 3 absolutamente desprovidos de contestação (foram 4/13), e mais decisivos que os 3/18 da inditosa equipe nacional…

De pronto saltam questionamentos de uma simplicidade franciscana, ou sejam – Por que treinar “exaustivamente” sistemas de jogo, jogadas marcadas, previsíveis e estéreis, frente a incapacidade de torná-las factíveis se os fundamentos inexistem? – Por que não treinarem, até mesmo serem ensinados os fundamentos, mesmo sendo uma seleção, já que nos clubes não são corretamente ensinados, trocando-os por amistosos fuleiros para dar “experiência e rodagem internacional a jogadoras carentes ”, que na realidade são direcionados ao enriquecimento curricular dos que as dirigem ? – Que explicação plausível pode ser dada ao fato da coordenação técnica ser exercida, e publicamente reconhecida, como influenciadora na forma de jogar da equipe, por um técnico que se mantém décadas fiel ao sistema único? – Por que essa teimosia em entregar seleções nacionais a aspirantes a técnico, sem um mínimo de disposição e conhecimento em inovar sistemas de jogo,  ferrenhamente atados ao… sistema único? – Por que cargas d´água evitamos estoica e ignorantemente que a ficha caia de forma definitiva, por que meus deuses? – Até quando apostaremos em resultantes óbvias e destrutivas de relevantes oportunidades, ao promovermos os que se consideram “prontos a provarem suas competências”, quando uma seleção é lugar dos que notoriamente já a provaram de forma coerente e de há muito, muito tempo? Quando?…

Olhando o banco da inexpressiva equipe que nos venceu hoje, e da maioria esmagadora das equipes internacionais que fatalmente nos venceram, vencem e vencerão, vemos consternados que são dirigidas por veteranos curtidos e sabedores profundos das minúcias do grande jogo, não necessitados em provar competências como muitos dos nossos, frutos de um inexplicável e vigente QI, e portanto, plenamente coerentes aos resultados apresentados, toscos e desprovidos da humildade dos que realmente sabem das coisas, daqueles que não precisam provar nada aos que os indicam, e sim a jogadores que orientam e ensinam, transformando-os numa equipe de alto nível, e não num triste arremedo que vimos numa quadra portenha…

Meus deuses, quando a ficha cairá, quando?

 

Amém.

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O EXIGIDO E FUNDAMENTAL COMANDO…

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Pronto, explodiu a refrega, pipocam de todos os lados apoios e críticas sobre as escolhas da CBB na direção da seleção nacional, quando reivindicam direitos meritórios, continuidade de um trabalho montado para sucessões automáticas, críticas contundentes de dirigente clubístico em nome de um técnico injustiçado, claro, sua opinião, voltando à ribalta os poderosos argumentos sobre direitos adquiridos por títulos conquistados, e o mais impactante, salta aos olhos a velada influência marqueteada no endeusamento advindo de uma classe de torcedores nem sempre do grande jogo, em torno de nomes deificados por uma mídia fabricante de mitos e de falsos magos, na maioria das vezes auto promovidos, numa ciranda de interesses muito mais individuais do que coletivos, como deveria ser em se tratando de uma modalidade…coletiva…

Mas, fluindo de toda essa discussão, esquecem daquela entidade que conta com a unanimidade de todos, e que deveria face a essa primazia ser eleita sem ressalvas a responsável pela direção da seleção, isso mesmo, sua majestade sereníssima, a prancheta, sendo de somenos importância aquele que a portasse, a partir da evidência tácita de que fosse quem fosse, as diretivas, estratégias, jogadas e macêtes técnicos lá estariam armazenados, prontos para o consumo comum a todos eles, pois afinal de contas “as pranchetas falam”, ou não?…

Noves fora tais verídicos ou não fatores, esquecem mais do que nunca alguns importantes, vitais e sutis pormenores, a saber:

1 – Campeonatos nacionais, amadores ou profissionais, em cada um dos países que lideram o grande jogo no mundo, pela sua equilibrada competitividade e permanente renovação de bem formados jogadores, escolhem técnicos nacionais nem sempre os mais galardoados, e sim aqueles que representam melhor a essência técnico tática evolutiva de suas escolas, sendo na esmagadora maioria deles apontados os mais experientes, vividos, e por isso mesmo menos sujeitos aos erros comuns aos mais jovens, fator decisivo na produtividade de uma seleção nacional;

2 – Em contraponto a esta constatação, desenvolvemos de trinta anos para cá, o hábito de premiar (não indicar ou escolher) aqueles mais titulados, em campeonatos de uma pobreza franciscana em termos de preparação individual dos jogadores nos fundamentos básicos do jogo (e isso de maneira geral), logo incapacitados de conceber e desenvolver um sistema de jogo minimamente aceitável nos planos coletivos ofensivo e defensivo, fatores que os colocam de saída inferiorizados ao confronto internacional de alto nível, aí incluídos os verdadeiros responsáveis que adotaram desde sempre um limitado e manietado sistema único de jogo, os técnicos, em sua quase absoluta maioria, e o pior, desde as categorias de base, adotando, padronizando e formatando-o coercitivamente, liderados por uma comunidade corporativada, e por isso mesmo, comungando da mesmice endêmica que lá se encontra  arraigada, e até essa indicação do novo técnico, interino ou não, inamovível. Logo, fosse quem fosse, de saída, repito, já entra em inferioridade técnica e tática no concerto mundial, e que por uma questão de menor importância dessa Copa América, pode se dar ao luxo de manter o que faz a muito tempo, sem maiores riscos, mas mesmo assim contestado clara ou disfarçadamente, afinal, poderia ser um bem mais laureado…

3 – E neste curioso contexto, somente vejo uma saída para contornar este libelo, que o novato, interino ou não, rompa com o sistema único, de uma vez por todas, quebrando essa lamentável dependência escravizante, e como será uma seleção bastante jovem, que dê a todos eles a oportunidade de fazerem algo que os promovam a um outro patamar, pois a continuar atuando na mesma  sintonia ao que fazem e como atuam seus futuros adversários, certamente encontrarão sérias e até intransponíveis dificuldades, motivadas por sua inferioridade nos fundamentos do jogo, confrontando a máxima aceita pela comunidade séria dos técnicos das maiores escolas, ao propugnarem o fato indiscutível de que entre duas equipes que atuam num mesmo sistema, vence aquela que domina mais eficientemente os fundamentos, e não através um sistema fragilizado pela ineficiência dos mesmos;

4 – Neste raciocínio, o mérito jamais dependerá somente de títulos conquistados, e sim de sua qualificação técnica superior, tanto na formação e orientação técnica de jogadores, como na condução tática dos mesmos, onde a diagnose de falhas estivesse ao alcance imediato das devidas retificações, distância esta que quanto menor for, maior sua qualificação profissional;

5 – E mais um determinante e primordial fator, hoje praticamente extirpado em nome da divisão de responsabilidades pela delegação fracionada de comando, com a entronização de cada vez mais auxiliares técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, gerentes disso e daquilo, supervisores, psicólogos, médicos em profusão, nutricionistas, e até um inédito analista de desempenho, compondo um exército que ultrapassa em número o de jogadores, num esquema organizacional que minimiza o ponto fulcral na consecução de uma verdadeira equipe de basquetebol, o comando indivisível, responsável, altamente competente e  solitariamente decisório de um autêntico head coach, o técnico principal, aquele que por suas qualidades de liderança adquirida pelos anos de estudo, pesquisa e árduo trabalho, caberá o indivisível e muitas vezes solitário comando, incluindo ou não a cedência de delegação de poderes, e a constituição da equipe assessora e diretiva com quem trabalhará, sem divisões políticas e interesseiras de responsabilidade, desculpas ou mesmo de caráter ético…

Por todos estes fatores acima apontados, permanece no ar uma decisiva e básica questão – Temos no país homens com tal perfil de comando no âmago do grande jogo? Sim, temos, são poucos, mas os temos, bastando que sejam mobilizados para a tarefa maior e de inadiável urgência, e não indicar os seis por meia dúzia usuais, ou mesmo um estrangeiro, que aqui desembarcará com as mesmas convicções pelo sistema único, agravado pelo distanciamento sócio cultural com seus países de origem, nem um pouco interessados em nossa evolução, mas claro, em busca dos nossos sacrificados e contidos dólares ou euros, muito mais importantes se aplicados aqui, ajudando a alavancar o soerguimento do grande, grandíssimo jogo entre nós…

Finalmente, um repto ao novo técnico nacional, o mesmo que fiz a antiga comissão, assim como aos demais técnicos do país através o insistente desafio, esnobado e sequer tentado, a não ser por uma ou outra tentativa de adaptar a dupla armação ao sistema único, e jamais levar em consideração a utilização de três alas pivôs atuando dentro do perímetro em constante e permanente movimentação, quebrando de vez a mesmice endêmica de nossa atual maneira de jogar, padronizada, formatada e pretensamente globalizada, aproveitando a oportunidade única de disputar uma Copa América sem injunções classificatórias a competições importantes, oportunizando sem desmedidas cobranças que um jovem grupo e alguns experientes jogadores se preparem dentro de um sistema proprietário, inovador, corajoso e acima de tudo inédito para as fortes equipes que enfrentarão. Que treinem fortemente os fundamentos mais básicos, inclusive como forma de preparação física e orgânica, não perdendo tempo precioso com testes de saltos, impulsões, força, dobrinhas cutâneas, motricidades várias, que só são aplicadas e lembradas quando da vitrine de seleções nacionais, ocupando tempo no crítico calendário das competições internacionais, para a “pesquisa” de uns poucos, quando seriam de grande importância se existentes permanentemente nos clubes e equipes formadoras desde as divisões mais básicas, e aferidas em seu ápice, e de forma laboral na fase adulta. E antes da revolta científica, pergunto no que resultam dados coletados na véspera de uma competição? Resposta de quem como eu pesquiso desde sempre? Nada, absolutamente nada de prático e utilizável, logo, “sentem brasa” nos fundamentos, colocando todos os selecionados num mesmo barco, remando na mesma direção, sejam armadores, alas ou pivôs, pois é a melhor maneira de se conhecerem profundamente, nos acertos, e principalmente nos erros, qualificando a todos no reconhecimento do que cada um tem de melhor e de precario, e como aproveitar suas qualificações,  e em algum sistema que nossos adversários desconheçam mesmo, era o que eu faria, aliás, tenho feito em todas as oportunidades que tive para preparar, treinar e fazer jogar uma equipe de alta competição, por isso, e mais uma vez o desafio, que se aceito, sem a menor dúvida, estabelecerá um salto decisivo em nossa evolução a patamares mais elevados, mas que exigirá muita coragem e convicção para alçá-lo, terá? Torço sinceramente que sim…

Amém.

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CREIO QUE AGORA “CHEGA”…

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No último artigo aqui publicado neste humilde blog, finalizei-o questionando sobre a escolha dos futuros técnicos para as seleções nacionais:

(…)Mas, será que temos um, ou nomes que encarem tão necessárias e estratégicas mudanças?  Para começar um “chega” seria de bom tamanho, ou não?(…)

Que necessárias e estratégicas mudanças seriam essas, caro Paulo, pergunta-me o amigo que não descola do meu calcanhar, e pede para que eu o mantenha somente dialogando comigo, pois não tem mais paciência para “debates”, principalmente na grande rede, o que aceito sem maiores discussões…Há, em tempo, que “chega” é esse?…

Bem, vamos lá, começando pelo “chega”, cujo título acima expõe tudo, ou quase, já que se faz urgente, inadiável e em definitivo, expurgar de uma vez por todas a continuidade do que aí está, década após década, de uma mesmice que se perpetua ad infinitum, patrocinada ad nauseam pelo protecionismo, pelo escambo, pelos amiguinhos, pelas falsas promessas de líderes, pelos pretensos e mais falsos ainda “gênios das pranchetas”, pelos exibicionistas, contorcionistas, pelos herdeiros osmóticos, pelos estrategistas incapazes de corrigir um simples vício de arremesso, de drible conduzido, de passes impróprios, de um deslize lateral defensivo, de um giro após rebote, de um bloqueio em amplitude não faltoso, de uma cobertura antecipativa lateralizada, de uma finta em drible concomitante à troca de lado, de um corta luz arrítmico, de um correto direcionamento nos arremessos, de uma ação diversiva sem a bola, de um salto antecipativo ao passe, da necessidade da recepção do passe em constante movimento, mantendo em tudo e por tudo a infame média de 27,2 erros de fundamentos no recém terminado playoff do NBB9, enfim, ensinando, corrigindo e desenvolvendo os fundamentos como básica e estratégica preparação para os sistemas de jogo, somente factíveis perante o domínio completo e consciente dos mesmos, e não invertendo conceitos, e princípios para a aprendizagem técnica e tática sistêmica, como vemos acontecer desde sempre em nossas competições, em todas as divisões, da base a elite, incluídas as seleções, decorrentes naturais da realidade do nosso basquetebol, onde do treino a competição nada muda, nada transpõe o sistema único, com seus imutáveis chifres, punhos, polegares et alli…

Somos os líderes mundiais da maquiagem técnica e tática, onde estrategistas estabelecem comportamentos midiáticos planejados para sua evolução de pirâmide invertida, onde a experiência, fruto da longa vivência na formação, no estudo e na pesquisa constante, cede vez ao imediatismo, genial para para aqueles que definem a estrutura e o futuro do grande jogo sob uma visão distorcida e política, avessos que são à técnica e a tática de alto nível, e que não tem o mínimo preparo e sensibilidade para situá-lo como deveria sê-lo, sob a ótica evolutiva do desejável e do possível…

Nossas competições em todas as categorias estão impregnadas pela mesmice endêmica que tanto combato e critico, e que me cansei de confrontar pelo teimoso e incansável contraditório técnico, e principalmente tático, em todas as equipes que dirigi, desde os anos 60, quando sempre tive na platéia das competições que participava, do infantil a primeira divisão, fosse masculina ou feminina, colegial ou clubística, inclusive seleções, uma plêiade de técnicos famosos, alguns míticos, que lá iam, senão para aprender, mas muito mais para discutir e trocar opiniões pelo que viam e assistiam seguidamente, e cuja reciprocidade foi sempre mantida por mim, quando alguns sistemas que se firmaram e ainda hoje são empregados eram dissecados a exaustão em longas reuniões de quinto tempo, aberta e democraticamente, para a seguir serem aperfeiçoados, ou não, nas competições em sequência. Foi neste tempo que nos tornamos imbatíveis nas competições nacionais, fator congregador este que me fez idealizar e concretizar a primeira associação de técnicos do país durante o Mundial Feminino de 1971 em São Paulo, com a adesão inicial de 180 técnicos nacionais e estrangeiros, não fosse a ANATEBA a segunda associação fundada no mundo, perdendo para a americana (NABC) existente desde 1926, e antecedendo em anos a espanhola e a argentina, que hoje tentamos copiar…

Técnicos e professores como Togo Renan, Tude Sobrinho, Waldir Bocardo, Ary Vidal, José Carlos Ferraz, Renato Brito Cunha, Emanuel Bomfim, Geraldo Conceição, Heleno Lima, Raimundo Nonato, Telúrio Aguiar, Olímpio das Neves, Luiz Carlos “Chocolate”, Valtinho e Helinho Blaso, Guilherme Borges, Epaminondas Leal, Orlando Gleck, Antenor Horta, Falão, Carlos Jorge, José Afro, Marcelo Cocada, Zeny Azevedo, José Pereira, Honorato, e muitos outros, que sempre e sempre trocavam idéias, fossem quais fossem as rivalidades dentro das quadras, numa interação diversificada, hoje trocada pela padronização e formatação que engessou a todos em torno do sistema único e das pranchetas, inexistentes naquela época criativa e voltada para o treino, para o ensino dos fundamentos do jogo, e depois, bem depois, para as sistematizações personalizadas e muitas vezes inéditas…

Sou talvez um dos últimos daqueles moicanos teimosos e brilhantes que ainda subsiste insistentemente na defesa do basquete clássico que nos tornou vencedores um dia, junto a outros poucos espalhados por esse enorme e injusto país, batalhando por dias melhores, criativos, ousados e corajosos pelo grande jogo, que precisa se soerguer do limbo a que foi lançado pela intolerância, pelo egocentrismo e a mais absoluta colonização de sua história, através o corporativismo doentio e covarde, e que para tanto urge um basta, definitivo e categórico, um “chega” salvador…

Respondido o chega, restam as necessárias e estratégicas mudanças, correto? Quase correto, não fosse a dolorosa existência do marketing institucionalizado que situa e mantêm a corriola pasteurizada no comando de um mercado restrito e defendido ao preço que for, ao preço da imutabilidade do que aí está implantado e enraizado em todos os segmentos que o definem, da gestão ao comprometimento massivo e ideológico das equipes, da imprensa especializada mais dedicada ao basquetebol da matriz, ao qual tenta atrelar o impossível sonho a nossa pobre realidade, do gerenciamento escravocrata de jogadores, manietados e agrilhoados a um sistema equivocado e limitador de suas mais autênticas capacidades criativas e de improvisação técnica e tática dentro de uma quadra de jogo, já que  propositalmente delimitados dentro da quadra de treino, onde a personalidade a ser exaltada é a do estrategista e seu alter e insuflado ego, sua prancheta, com a qual diz e exala tão pouco, que fico imaginando o que restaria sem a mesma, talvez a definitiva e realística mudez…

Logo, o que restaria a não ser o ressurgimento daqueles que realmente têm algo a dizer, a somar, a treinar, a ensinar, a dirigir e orientar com plenos conhecimentos de causa, que é e sempre foi o caminho percorrido pelas nações que lideram o grande jogo internacionalmente desde sempre, incapazes de privar seus jogadores do conhecimento e experiência adquiridos em anos e anos percorridos nas estradas de pedra da vida, aquelas que definem os verdadeiros e solitários líderes, que não delegam seu comando em nome de pseudas comissões, que não se omite das responsabilidades inerentes nas vitórias, e principalmente nas derrotas, onde a verdade verdadeira traça os rumos a serem seguidos, com autenticidade, independência e autoridade, que são os fatores primordiais para a formulação e exequibilização de uma verdadeira equipe desportiva, da modalidade que for, e mais ainda no grande jogo, onde o coletivismo somente fluirá através o extremo conhecimento do que isto representa. e que vai muito, muito além do que os que aí estão defendem, praticam e pensam conhecer…

Necessárias e estratégicas mudanças significam de saída um “basta”, um “chega” ao que aí está, e um recomeço pelo que nos falta, porém existente, bastando a coragem para ser resgatado, originando a pergunta final – tal coragem existe? Respondam se forem capazes…

Amém.

Foto – Divulgação CBB. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

 

A TEORIA NA PRÁTICA…

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Estamos à véspera de termos de volta a seleção masculina nos torneios internacionais, e logo uma importante Copa América, com técnico novo, com comissão tão nova quanto, promessa da nova direção da CBB, visando um novo tempo em nosso combalido basquetebol…

Veteranos e novas caras abundam para uma convocação de certa qualidade, onde sobram pivôs, como Nenê, Splitter, Varejão, Felício, Augusto, Lucas, Bebê, Faverani, Hettsheimeir, Alexandre, Guilherme, Jefferson, e mais alguns que podem ser lembrados, assim como armadores, Huertas, Fulvio, Raul, George, Derick, Benite, e alas a vontade, como o Alex, Marcos, Meindl, Lucas, Caboclo, Jimmy, Renato, Leandro e tantos outros, novos e mais experientes, cenário este que favorece plenamente uma convocação prêt a porter, ou seja, toda essa turma perfeitamente afinada com o sistema único, com seus manjados chavões desde sempre, nas movimentações punho, polegar, chifre, picks, camisa, e sei lá mais quantas denominações seis por meia dúzia, já que absolutamente iguais, a começar com um indefectível e solitário armador, dois alas e dois pivôs jogando mais fora do que dentro do perímetro, num carrocel repetitivo de uma mesmice endêmica aterradora, que compõem o eterno e limitado repertório “via prancheta” da esmagadora maioria dos técnicos nacionais, da base a elite, que teimosamente ousam duelar uns com os outros utilizando as mesmas armas ofensivas e até defensivas (quando existentes), estendendo-as até nos confrontos internacionais, onde o sistema único se constitui, com pontuais e importantes exceções, o lugar comum técnico tático existente, porém algo diferenciado pela maior qualidade de jogadores bem formados nos fundamentos básicos, fator nevrálgico na realidade de nossos jogadores, e que os situam sempre a beira de resultados nada positivos quando os enfrentam…

Então, desde já, e bem antes da escolha que deverá ser anunciada por estes dias, podemos com alguma precisão prever que, fora uma ou outra convocação discutível, o fator técnico tático em nada mudará, talvez a cor da hidrográfica a ser largamente utilizada, e a presença do novo logo da CBB impresso na onipresente e midiática prancheta, ora essa…

Como postei no artigo anterior, onde recordei o Desafio proposto em 2010 logo após o NBB2, relembro agora uma entrevista que dei ao Fabio Balassiano em seu blog Bala na Cesta pré UOL, logo após os dois primeiros jogos em que dirigi o Saldanha da Gama naquele NBB, quando o jornalista me perguntou algo instigante e desafiador, que passo a reproduzir:

(…)– Você tem adotado uma postura tática que muita gente conhece através de seus posts: dois armadores, três pivôs móveis. Como é isso em quadra? Fale, também, da sua “ordem” pelos não-chutes de três pontos e poucos erros. Essa pergunta, aliás, gera outra: será que é possível, sim, vermos uma seleção nacional com Nenê, Anderson Varejão e Splitter ao mesmo tempo, ou é devaneio?

— -Tenho aplicado esse, vamos conceituar, sistema, há muitos anos, e agora aqui no Saldanha, claro cumprindo o pré-requisito dos fundamentos, para que o mesmo se torne plausível. Os 22 erros do jogo passado ainda sinalizam a premente necessidade de praticarmos alguns fundamentos pendentes, passes e fintas. Se aceitarmos o lugar comum que setoriza um perímetro externo e outro interno, limitados pela linha dos três pontos, podemos determinar o externo como de ação direta dos dois armadores, em toda a sua extensão, e o interno como região prioritária dos três homens altos, que se rápidos, flexíveis e habilidosos com o manejo da bola, os tornarão em verdadeiros “arrietes” por sobre a defesa adversária, tanto no sentido incisivo à cesta (prioridade dos dois pontos), como no sentido contrário, de dentro para fora do mesmo, onde os arremessos de dois ainda serão os de maior eficiência, e mesmo os de três, executados por aqueles jogadores que realmente os dominam, de uma forma mais equilibrada e protegida. A integração destes dois setores aparentemente estanques é que conotarão a qualidade do sistema proposto, que como todo sistema aberto prioriza a técnica, a improvisação e a perfeita leitura de jogo, todas ações aleatórias, que são variáveis constantes nos desportos de contato físico. Quanto ao três jogadores mencionados, o Splitter, o Varejão e o Nenê, imagine-os jogando dentro do sistema que defini a seu pedido. Encaixe mais do que perfeito, mas não nos iludamos, é ousado demais para o gosto estratificado de nossos experts. O Magnano? Talvez…(…)

Como vemos, desde aquela época (na realidade dos fatos, bem antes, cerca de 40 anos desde que comecei a desenvolver o sistema), já propugnava uma radical mudança na forma de como todos atuavam, propondo uma maneira diferenciada e democrática de jogar o grande jogo, bem sei extremamente trabalhosa, pois partia do princípio de que todos os jogadores teriam de voltar a exercitar fortemente a prática dos fundamentos, a fim de se adequarem o melhor possível frente a uma proposta a que não estavam acostumados, sequer conheciam, o de jogarem em dupla armação e tripla presença dentro, muito dentro do perímetro interno, todos em constante e permanente movimentação com e sem a bola, fluindo de fora para dentro e de dentro para fora do mesmo, onde os passes de contorno praticamente inexistiriam, tornando as ações ofensivas incisivas e permanentemente em direção a cesta, de 2 em 2 e 1 em 1 pontos, assim como, se utilizando do princípio defensivo da linha da bola com flutuação lateralizada, sistema este que passado todos estes 12 anos nenhuma das equipes da nossa elite sequer tentou utilizar, ou por negligenciá-la, ou mesmo por não entendê-la, e na dúvida, com a aceitação de todas, partirem para o duelo dos arremessos de três deixando de lado contestações e desgastes defendendo cansativamente com as pernas, adotando os braços e a posição erecta, mais a vontade, vencendo aquela que acertasse a última bolinha, desencadeando a catástrofe em que se tornou o grande jogo entre nós, onde a convergência entre os arremessos de 2 e os de 3 praticamente atingiram o mesmo número de tentativas, numa escalada inversa e de uma mediocridade e falta de inteligência atroz…

Com a quantidade de jogadores altos, entre pivôs e alas, que ora atuam dentro e fora do país, e os bons armadores que agora temos, creio que nada impediria que atuássemos ofensiva e defensivamente diferentes dos demais, equilibrando a nossa inferioridade nos fundamentos, forçando a quebra de alguns dogmas que tornaram o sistema único num padrão universal, onde as duas ou três exceções (aí incluída a corajosa opção do coach K) plenamente justifica a regra geral, da qual teríamos de nos livrar para reacender ao lugar do qual nunca deveríamos ter saído, obra e arte do corporativismo técnico e tático que nos foi impingido de 30 anos para cá, e que ainda insiste em se manter absoluto e imperial, colonizado e hipnotizado por um jogo que não é, e jamais foi o nosso, e sim de um país que nos é radicalmente oposto, econômica, educacional, política e culturalmente em todos os sentidos…

Nomes serão anunciados em breve, e peço contrito aos deuses que permitam que uma nesga de coragem em inovar seja, ao menos, considerada, o que já seria uma enorme evolução ante ao cenário de mesmice endêmica que nos esmaga e humilha a tempo demais. Mas, será que temos um, ou nomes que encarem tão necessárias e estratégicas mudanças?  Para começar um “chega” seria de bom tamanho, ou não?

Amém.

Foto – autoria própria na Rio 2016. Clique na mesma para ampliá-la e acessar a legenda.

 

AS ENTRANHAS DO GRANDE JOGO…

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Grandes e pequenas notícias, entrevistas mil, abalizadas análises, pontos de vista a perder de…vista, novidades para o feminino, mais ainda para o masculino, prospectos de enterradas femininas no abaixamento das cestas, conceitos e projetos para as seleções, sonhos realizados, reuniões diretivas, promessas de marketing aprimorado, festivo, consumista, lucrativo, num turbilhão de achismos e certezas de sucesso…

Muito bem, mas, e a técnica de jogo, do jogo, como fica, como? Nenhuma lauda, uma linhazinha sequer, como se os fatos picarescos e circenses acima descritos fossem mais do que o suficiente para o reencontro do grande jogo tupiniquim com as glórias de um passado já um pouco mais distante, desde de quando caiu nas mãos dos estrategistas pranchetados, padronizados e formatados que aí estão, protegidos, irmanados,impolutos e inatingíveis, fincados pelas profundas raízes de um sistema anacrônico e equivocado, sombreado pela matriz de um outro jogo, de uma outra realidade econômica e cultural, de uma realidade antítese da nossa, pobre e carente de educação, de insumos, de investimentos, e de coragem para assumi-la, e por isso escravos da cópia canhestra, osmótica, de incapaz fuga para algo realmente proprietário, que já o fomos um dia, quando o mérito na maioria das vezes se fazia vencedor, escolhido e reverenciado, ao invés do deslavado protecionismo corporativista que tanto nos empobrece e humilha…

Fala-se às tantas nas “filosofias de jogo”, nos conceitos (?), no domínio e conquistas de sistemas modernos, quando de moderno mesmo fulgura a preparação física, quando jogadores ficam mais rápidos, saltam às estrelas, enterram com inaudíta violência, e arremessam cada vez mais distante, num pastiche comprometedor para o grande jogo, que cada vez mais prima pela monocórdia previsibilidade, vítima e refém da tenebrosa mesmice endêmica que insidiosamente se abateu sobre ele, tornando-o incapaz e engessado de criar, de improvisar, de se fazer e tornar brilhante como outrora, sendo esta a verdadeira razão do afastamento dos torcedores e admiradores desta outrora e inigualável modalidade de jogo coletivo, transformada numa vitrine de inflados egos dentro, e principalmente fora das quadras, que se transforma aos poucos em guerras miniaturizadas dos confrontos futebolísticos, insufladas por estrategistas emplumados e exibicionistas, que sabem muito bem como transformá-las em explosivos e perigosos sextos jogadores a apoiá-los irresponsavelmente…

E a pergunta que se nega a calar retorna – E a técnica de jogo, como fica, como?

Publiquei um desafio sete anos atrás, e nada mudou, sequer foi tentado mudar, pois não é do interesse mudar algo garantidor do “nicho profissional” graníticamente instalado, onde ao término de cada temporada trocas são feitas, de jogadores, de estrategistas, de americanos, e um ou outro latino, num seis por meia dúzia exatamente para continuar a mesmice endemicamente instaurada, com reflexos terríveis nas seleções, atuando e jogando como os mais fortes adversários, que com uma ou duas exceções praticam a mesma “filosofia”, o mesmo sistema único de jogo, porém com uma básica e estratégica diferença, a de manterem em alto nível suas formações de base, orientadas e dirigidas por professores e técnicos comprometidos com os fundamentos do jogo, e não voltados, como nós, ao sistema, a coreografia padronizada e formatada em todas as divisões, que nada ou pouco produzem, exatamente pela impossibilidade técnica dos jogadores em exequibilizá-lo pela fraqueza de seus fundamentos, ferramenta básica que não dominam, mesmo nas divisões de elite, e que não encontram ninguém que os ensinem, corrijam, por não saberem como fazê-lo…

John Wooden dizia que “uma equipe bem preparada nos fundamentos e somente neles, sempre se imporá a outra que pretensamente utilize sistemas de jogo sem um razoável domínio dos mesmos”, numa constatação cada vez mais negada, e até desconhecida pela maioria de nossos especializados estrategistas, e pela grande maioria da mídia, para os quais o entorno midiático que envolve o grande jogo se torna mais importante que sua verdadeira essência, campo limitado aos que o estudam, pesquisam e ensinam de verdade, e por isso marginalizados…

Numa recente matéria, a jogadora Hortência assim se manifestou – (…)A Rainha acha que falta também metodologia de trabalho na base. Para ela, as equipes devem ter o mesmo padrão de jogo do sub-11 ao adulto. Sem podar a criatividade, mas criando um sistema de jogo mínimo para que na mudança de categoria as garotas não sejam completamente reorientadas: “A menina do sub-15, quando chega no sub-17, precisa ter o mesmo método. Quando a jogadora chega no adulto, não tem mais o que corrigir. Já está adulta” (…).

Meus deuses, não é exatamente o que vem acontecendo nos últimos 30 anos de imposição do sistema único, quase sempre antecedendo, e mesmo substituindo o correto e básico ensino dos fundamentos individuais e coletivos do grande jogo, e que coerentemente se torna inaplicável exatamente pela ausência dos mesmos? Ela mesma assume e exemplifica seu arremesso com uma das mãos afirmando ser produto de sua enorme eficiência no mesmo o fato de ser o dedo indicador o último a tocar na bola em seus lançamentos, quando na realidade são dois, o indicador e o médio, os últimos a fazê-lo, e que por projeção final á frente da mão impulsionadora parece ser o indicador o último? Creio que nem ela própria tenha se apercebido deste detalhe, num dos fundamentos básicos do jogo, posicionamento idêntico ao de outro grande arremessador, o Oscar…

São princípios essenciais ao ensino dos fundamentos, dentre uma infinidade de outros mais, que não podem jamais serem substituídos por “jogadas e esquemas táticos” que fazem parte do corolário sistêmico, como polegares, chifres, punhos,etc,etc e tais, que extrapolam de insensatas pranchetas, verdadeiros biombos separando jogadores de técnic..digo, estrategistas que as abraçam enlevados, pois, segundo muitos, “elas falam”, e de tanto falarem é que nos encontramos mergulhados neste interminável, absurdo e grudento limbo…

Gostaria imenso que pudéssemos alçar voos maiores, corajosos e desbravadores voos, inusitados e criativos voos, embalados todos eles num pujante domínio dos fundamentos, para aí sim, termos segurança e conhecimentos básicos dos movimentos que alavancariam sistemas, ofensivos e defensivos, abertos e democráticos, onde um princípio proprietário pudesse florescer, o do improviso em torno e no bojo de quem sabe jogar, sempre respeitando o coletivo, campo somente acessível àqueles que amam, compreendem e dominam o grande, grandíssimo jogo, dentro e fora das quadras, e que infeliz e lastimavelmente não ser o nosso caso, mas até quando, até quando?

Amém.

Fotos – Série de detalhamentos sobre sintonia fina no controle de direcionamento do arremesso com uma das mãos, arte maior deste fundamento do grande jogo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

Artigos correlatos – Anatomia do arremesso I, II, III, IV, V e VI  (Clique em cada um para acessar os artigos)

 

O MVP…

P1010328-1A Liga Ouro chegou ao seu final, e o Botafogo ascendeu a liga maior, dependendo de uma avaliação financeira para disputá-la a partir de outubro próximo, com boas chances de atender as exigências necessárias, pois possui um bom ginásio para a temporada regular, e uma equipe nada inflacionada, cuja verba mínima de 1,5 milhão de reais seria o bastante para viabilizar sua participação, a não ser que ceda as investidas de agentes e complacência administrativa e técnica, prontos para promover seus midiáticos craques numa agremiação de tanta tradição e camisa, como sempre o fazem, começando em dispensar jogadores de segunda, na “opinião abalizada” de todos eles, substituindo-os pelos de primeira e nominados jogadores, como sempre acontece nas equipes que sobem para a liga maior…

E é nesse ponto que me insurjo com veemência, pois a maior parte dos jogadores que lutam e se desgastam ao máximo para vencer uma liga classificatória a elite, pouco ou quase nada devem em técnica a turma de cima, a não ser por um fator omitido pela maioria dos técnicos e jornalistas especializados, o de que ao jogarem todos num mesmo sistema de jogo, padronizado e formatado até o estado de pasteurização em que se encontra, vence e sobressai a equipe que consegue congregar um maior número de bons jogadores, permitindo uma rotação mais constante, para que a mesma se mantenha equilibrada pelo máximo de tempo possível, ao contrário de outras com rotações mínimas e carentes de maior experiência, além do fato de todas pecarem defensivamente, acionando pela extrema facilidade, a orgia desenfreada das bolas de três, a que todas aderem com vontade, tendo o beneplácito de seus técnicos e para o regozijo da mídia e dos torcedores menos entendidos do grande jogo. Agora mesmo nessa final, foram arremessadas 15/55 bolas de três, ou seja, 40 ataques perdidos, que numa final se torna imperdoável, não só na liga ouro, como também na liga maior…

Me parece que é do conhecimento de todos o que irá suceder na equipe vencedora, como em todas as que até agora ascenderam ao patamar maior, a substituição de muitos que lutaram a exaustão até a vitória final, por jogadores considerados e nominados que já participam da liga maior, numa manobra que fatalmente elevará significativamente valores contratuais, que na ótica dos agentes justifica um ganho maior pela substituição pura e simples de jogadores, no que acertam em cheio, pois num cenário em que existe uma única forma de jogar institucionalizada, somente terão lugar no mercado aqueles que fazem parte do sistema, do escambo, do unificado conceito de mercado existente, quando na realidade de quem realmente conhece e avalia coerentemente jogadores, todos se equivalem no que aí está implantado, mas se mostrariam bastante diferenciados se sujeitos a outras formas de jogar o grande jogo, principalmente se atuassem  num sistema proprietário, ousado e inovador, onde insuspeitadas qualidades aflorariam, e a criatividade e o improviso consciente encontrariam espaço para se impor…

Esta dura realidade, expõe bons e valiosos jogadores a injustas situações de subavaliações e equivocados julgamentos técnico táticos, cujas performances seriam bem mais evidentes se submetidos a sistemas diferenciados de jogo, onde insuspeitadas qualidades seriam evidenciadas, exatamente por fugirem da mesmice endêmica que tanto empobrece e limita o grande jogo aqui praticado, sintonizando todos a uma melancólica e monocórdia repetição de um sistema único de jogo, com suas jogadas de passo marcado, descerebradas e monitoradas de fora para dentro das quadras através ininteligíveis e absurdas pranchetas…

P1150302 - CopySintetizo melhor essa realidade com a escolha do jogador mais valioso (MVP) nessa final, premiando o americano Jamal com seus malabarismos e força muscular, realmente elogiáveis, porém bastante longe da estratégica importância de um jogador frequentemente subavaliado, como mencionei acima existirem muitos em nosso país, o Roberto, que arrumou, bloqueou e comandou a defesa interna, ajudando com sua experiência no perímetro defensivo externo também, atacando e reboteando com rara eficiência no ataque, e não poucas vezes partindo para o contra ataque com a bola dominada, em ações de alta qualidade e exemplar sobriedade, mesmo nas pontuais enterradas e oportunos bloqueios, e que aprendi a admirar quando o treinei no Saldanha no NBB2, e que dentro do sistema lá desenvolvido de dupla armação e uma trinca de alas pivôs, protagonizou magníficas atuações, como logo em seu segundo jogo em São Paulo contra o Paulistano nessa nova forma de jogar, sendo escolhido o dono da bola pelo site da LNB naquela rodada. O Roberto é um jogador que, assim como muitos, é sempre minimizado pela incompatibilidade de suas habilidades frente ao sistema limitado e robotizado que é utilizado massiva e padronizadamente por todas as equipes, da base a elite no país, e que, infelizmente,  ainda se fecha rigidamente a soluções que o contradigam, já que tem de manter o status vigente, base do corporativismo técnico que o sustenta, para a infelicidade do grande jogo entre nós. Logo, na opinião desse humilde blog, o jogador mais valioso da final foi, sem dúvida alguma, o Roberto.

Amém.  

Fotos – Fotomontagem da LNB quando nomeou o Roberto como o Dono da Bola da terceira rodada do returno do NBB2 no jogo contra o Paulistano, atuando pelo Saldanha da Gama.

Flagrante do jogo final contra Joinville numa reprodução da TV, atuando pelo Botafogo.

Clique duplamente em ambas para ampliá-las.

 

COMO EU GOSTARIA…

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De ver descrito num artigo publicado por qualquer um dos blogueiros de basquetebol, qual sistema de jogo foi trocado por uma equipe, por exemplo, depois de uma partida perdida de semifinal, visando a seguinte, detalhando a escolha, suas partes, seu escopo, ou mesmo o que foi adaptado ou substituído por seu estrategista, a fim de não se limitarem ao chavão – “ao mudar seu sistema de jogo, conseguiu a vitória”…-   claro, se realmente conhecer o sistema em questão, ou outro qualquer, o que duvido…

Quem sabe, esclarecer ao ignaro público as movimentações “chifre”, “punho”, “polegar” etc, etc, que compõem o genérico e ultra limitado repertório do único sistema utilizado em nosso país, a fim de que o mesmo, esclarecido, possa avaliar o que ocorre de verdade numa quadra, e não fazer menções mais genéricas ainda de que – “o jogo de 5 x 5 não está funcionando”, ou, “o 1 x 1 está sendo a opção de um ou outro jogador, individualizando o jogo”, ou mesmo, -”por que não abrir o ataque em leque para expandir espaços, facilitando as penetrações” – opiniões estas fundamentadas em que princípios táticos inerentes a uma equipe dirigida e orientada por outrem? Quantos treinos preparatórios foram presenciados para que chegassem a palpites dessa ordem, quantos? Estes são os fatores que tornam o áudio dos pedidos de tempo tão ansiados por todos eles,,,

Creio que estes questionamentos se tornam óbvios frente a uma evidência simples e objetiva, a de que assim agem, comentam e publicam, pelo singelo fato, que aponto, discuto e publíco desde sempre, de que frente a uma estabelecida padronização e formatação tática existente desde as categorias de base a elite, pouco ou nada têm de ser acrescentado de novo em quaisquer mudanças efetuadas, seja por qual equipe for, frente a mesmice endêmica de que são fielmente servidoras, onde qualquer resquício de mudança real é prontamente debelada em nome e proteção ao status quo vigente, sacramentado e aceito por todos, todos mesmo, onde exceções, ou uma única que seja, justificam a impositiva regra…

Um exemplo recente e prático? O terceiro jogo de ontem da Liga Ouro, entre Joinville e Botafogo, onde a equipe carioca ao abrir mão do corriqueiro duelo dos três pontos, centrando seu jogo dentro do garrafão, e sem mudar uma única movimentação tática, a mesma usada por Joinville, com todos seus apetrechos de chifres, punhos, polegares, venceu um jogo importante simplesmente reduzindo drasticamente as bolinhas (3/12 de 3 e 22/50 de 2 com Joinville arremessando 11/29 e 12/38 respectivamente) em nome de uma primária eficiência, mesmo sob o domínio do sistema único. Mas nada dessa oportuna eficiência pode mascarar o baixíssimo índice técnico de uma partida onde foram cometidos incríveis e absurdos 39 erros de fundamentos (21/18), numa lamentável constatação de como se encontra o grande jogo neste imenso, desigual e injusto país…

Este é o dantesco panorama do basquetebol tupiniquim, que agora, sustada a suspensão da CBB pela FIBA, face ao planejamento de radicais mudanças na esfera administrativa, financeira e  de gestão,  se defronta com a verdadeira e inadiável mudança, aquela que a qualifica como responsável pela divulgação, organização e popularização da modalidade no país, a profunda e básica mudança na sua área técnica, exigindo a implantação de novos parâmetros técnicos e de formação de base, de uma reestruturada ENTB, com novas lideranças substituindo de vez a mesmice endêmica lá instalada nas últimas três décadas de triste e constrangedora memória, com seu corporativismo unilateral, ditatorial e continuísta, no exato momento em que se faz necessária a escolha dos novos técnicos nacionais, das equipes adultas às de base, desencadeando, ou não, a tão e estratégica mudança que definirá o futuro do grande jogo no âmbito internacional, ao refletir decisiva e coerentemente as verdadeiras mudanças no plano nacional…

Ao olharmos detidamente os nomes lembrados pela mídia dita especializada, vemos que representam, com mínimas exceções, a realidade espelhada nas acima mencionadas três décadas de derrocada e retrocesso técnico tático do basquete brasileiro, algo disfarçado por algumas conquistas ditas de ponta, na preparação física, e em pretensos e oportunistas estudos de cunho psicológico, ambos fragilizados pelos pífios e dolorosos resultados alcançados, principalmente na formação de base, relegada e despida do mais importante fator para sua consecução técnica, o ensino e consistente aprendizado dos fundamentos básicos do jogo, substituídos pela precoce e falseada introdução dos sistemas táticos coercitivamente padronizados e formatados, que antecedendo  a aprendizagem massiva dos fundamentos, pouco ou nada representaram  para a nossa evolução técnica frente a países bem mais desenvolvidos pedagógica e didaticamente que o nosso, retratando com precisão o estágio em que nos encontramos. Se estes nomes modificarão seu posicionamento pedagógico, técnico e tático? De forma alguma, pois em caso contrário se chocariam frontalmente com o corporativismo que ajudaram a implantar desde sempre, restando então uma única e corajosa definição de rumo, a reforma radical, dando voz aos professores e técnicos que se mantiveram abertos a inovações e metodologias diametralmente contrárias ao estabelecido cenário que aí está, trilhando novos e instigantes caminhos, na recriação de um pouco, por esquecimento proposital, do que era praticado, estudado, ensinado anteriormente a custa de muito trabalho, exemplos e ética profissional, estabelecida pelo mérito e pela competência reconhecida, jamais pelo QI hoje institucionalizado e profundamente antiético…

A caminhada para o soerguimento será árdua, porém repleta de esperanças, na medida em que envolva mentes e idéias novas, mesmo em corpos maduros, daqueles que nunca renegaram o estudo, a curiosa inteligência, sempre pronta ao inovador, ao instigante, incentivando os jovens neste caminho, difícil e pedregoso, porém oposto ao fácil, ao indesculpável e  preguiçosamente copiado, despido de criatividade, de improvisação consciente, sob a orientação de seguros e competentes professores e técnicos, cônscios de sua importância no treino e sua exemplar conduta no jogo e na comunidade do grande jogo, sem esgares, teatrais representações, pressões e discursos pretensamente enérgicos, eivados de desrespeitosos palavrões, colimados em desconexos rabiscos em midiáticas, retrógradas e mentirosas pranchetas. Chegaremos lá? Não tenho a resposta, mas sim uma certeza, a de que nada alcançaremos a continuar o engodo e a falsidade do que aí está, sacrificando seguidas gerações de jogadores, porém alimentando e engordurando currículos á custa dos muitos deles que ficam covardemente pelo caminho, abandonados e desestimulados pelo péssimo ensino a que fizeram jus…

Como sempre, fico na torcida pelo futuro, inveterado otimista que sou, apesar da realidade nem sempre se fazer presente a este honesto, porém cada vez mais desgastado sentimento.

Que os deuses nos dêem uma mãozinha, por menor que seja, o que talvez ajude, de verdade.

Amém.

Em tempo – Uma leitura sugerida postada em 2010 com relevantes comentários – Um email do Felipe

Foto – Arquivo pessoal. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.