VAMOS FALAR SÉRIO?…

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Passaram alguns dias após o encerramento da Copa America sub 16 feminina, onde a seleção do país conquistou o vice campeonato, mas somente agora me dispus a escrever algo sobre o feito, brilhante, por sinal, com algumas jovens bastante talentosas, porém anárquicas tecnicamente…

Bem, não devemos esquecer que antes de tudo sou um técnico do grande jogo, com larga experiência desde a formação de base, até as divisões superiores, que sempre defendi a fundamentação básica, não importando idades, níveis e posições de jogadores (as), e que considero táticas e sistemas de jogo somente factíveis ancorados em fortíssima preparação dos fundamentos do jogo, sem os quais nada, absolutamente nada acontece, principalmente na elite…

Por sorte consegui sintonizar dois jogos da equipe brasileira na internet, contra os Estados Unidos e o Canadá na final. No entanto, até o jogo com as americanas, coletei alguns dados inacreditáveis acontecidos nos jogos contra a Venezuela, Cuba e Canada, ou sejam:

-  Arremessos de 2 – 69/186 – 37 %

-  Arremessos de 3 – 13/62   - 20.9%

-  Lances Livres      -  39/80  - 48.7%

-  Rebotes              -   59.3 pj

-  Erros                   -  21.3  pj

 

Ou seja, uma equipe que falha bastante nos fundamentos, sendo que no principal deles, os arremessos, simplesmente não o sabem executar com um mínimo confiável de precisão…

Veio o jogo com os Estados Unidos, que claro, de posse destes dados subestimou claramente as meninas patrícias, que valentemente partiram para a mais escancarada pelada, marcou em cima as posudas americanas, que quando acordaram no terceiro quarto para reagir, não o conseguiram, amargando um inesperada e nada prevista derrota…

Porém, algo esclarecedor, a soma do que produziu a jovem equipe nacional neste jogo, com os três anteriores, assim resultando:

- Arremessos de 2 – 95/244 – 38.9%

- Arremessos de 3 – 17/88   - 19.3%

- Lances livres       -  47/93  -  50.5%

- Rebotes              -  220     -  55    pj

- Erros                   -  75       -  18.7 pj

Comparando com a primeira compilação, poucas diferenças aconteceram, onde os dados nos arremessos se mantiveram muito abaixo das médias usuais, assim como o elevado número de rebotes, frutos da volúpia de arremessos pelas equipes, onde defesas inexistiam, exceto nesse jogo por parte das brasileiras, muito mais pelo duro embate, muitas vezes faltoso (as americanas cobraram 16/25 lances livres, contra 8/13 das nossas), que as atordoou de forma decisiva, e uma minima diminuição nos erros de fundamentos, que mesmo assim, para uma seleção nacional (mesmo sendo sub 16), é muito elevado…

Taticamente, um sopro do sistema único foi esboçado continuamente pela prancheta da jovem técnica, mas o passivo comportamento defensivo americano encorajou a jovem seleção a partir para dentro do perímetro interno de uma equipe nitidamente cônscia de que venceria quando quisesse, sendo seriamente punida por isso, apesar dos nossos desnecessários 4/26  nas bolinhas…

No jogo final contra o Canada, as brasileiras perderam por 1 ponto (72 x 71), tentando um absurdo 9/30 nos três pontos, quando poderiam, se bem treinadas nos fundamentos, dar seguimento às 59 tentativas de 2 pontos (foram 16/59, contra 20/58 das canadenses que tentaram 5/19 nos três), que fatalmente traria a vitoria e título, trocado pela insânia juvenil das bolinhas, muito cedo para dar continuidade ao “moderno basquetebol” que pensam praticar, num colossal erro de avaliação para um futuro idêntico ao que aí está implantado, correria e chega e chuta a não mais poder, incentivado pela campanha ignorante de uma certa mídia que preconiza o abaixamento da cesta, a fim de que a essência (para ela…) do jogo, as enterradas e os tocos, e por que não, as bolinhas, definam o nosso modo de praticar o grande jogo, minúsculo para essa turma que não o entende e conhece, mas que teima em fazer a cabeça dos jovens que iniciam em sua prática, além, é claro, claríssimo, do apoio irrestrito de uma geração de técnicos, digo, estrategistas, que não abrem mão dos cordéis com que tentam manipular marionetes em quadra, e não prepará-los (as) para, com o embasamento dos fundamentos individuais e coletivos, irem de encontro ao verdadeiro jogo, aquele do livre pensar responsável, criativo e técnico, que são os elementos fundamentais para a perfeita leitura de jogo, cerne do princípio da ação coletiva e abnegada, caminho para o mais profundo conhecimento do grande, grandíssimo jogo…

Amém.

Foto – Divulgação Fiba America.

 

 

 

O NOVO E O POR QUE?…

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Três anos atrás, publiquei o artigo 1000, O DESAFIO, que foi uma forma sintética de englobar todo um pensamento, todo um conceito de como sempre vi, exercitei e pratiquei o grande jogo na função técnica, em paralelo ao grande número de artigos dedicados aos mesmos, com coerência e teimosia em mais de meio século de batente, no afã de sensibilizar a todos aqueles que o amam de verdade, e que anseiam vê-lo soerguido do limbo em que se encontra a duas décadas de desgoverno, protecionismo e brutal corporativismo…

E o que tem acontecido de lá para cá, senão a confirmação do repto, suavizado e adaptado por aqui, porém levado ao extremo na matriz, ou não?…

Pera lá Paulo, você quer dizer que antecedeu os gringos nessa NOVA forma de jogar? E porque não, se o faço na pratica desde sempre?…

Claro, que outros professores e técnicos também o fizeram, semelhantes que são todos aqueles poucos, muito poucos que teimam em não seguir o corriqueiro, adotando a fácil tarefa de simplesmente copiar o que julgam aprovado e comprovado na pratica,  mesmo que destituído de inventividade criativa, aspecto este de somenos importância no mundo da mesmice endêmica que frequentam com ardor e dedicação, afinal de contas não se mexe em time que está ganhando (?)…

No último artigo aqui publicado, um leitor assim comentou:

Andre – Olá, Paulo Murilo, vc já declarou que não se entusiasma com a NBA, mas parece que o novo campeão, Warriors, é um exemplo daquilo que vc repete aqui nesta coluna o tempo todo! Hoje li Balassiano e ele comentou nesta mesma linha. Poderia fazer uma análise mais específica sobre o time do Warriors?

 

Muito bem,  responderei a sua pergunta, afirmando de saída que o farei como professor e técnico e não como comentarista, que até poderia fazer, já que jornalista qualificado, mas prefiro a área eminentemente técnica, aquela que se fundamenta no conhecimento profundo do jogo, adquirido na pratica sistemática do mesmo dentro e fora da quadra, estudando, desenvolvendo, pesquisando e ensinando-o décadas a fio, humildemente aprendendo mais do que ensinando…

Então, o que vimos na recente e brilhante conquista do Warriors na encerrada temporada da NBA, senão a continuidade da ação iniciada pelo Coach K, logo que assumiu as seleções americanas nos últimos mundiais e olimpíadas, com as quebras radicais de paradigmas clássicos do basquetebol de seu pais?…

Pivôs de força, pouca mobilidade e agilidade, foram substituídos por alas pivôs velozes. atléticos e ágeis, com fundamentação próxima aos armadores, arremessando com precisão das mais diversas distâncias, defendendo dentro e fora do perímetro com igual eficiência, colocando em cheque adversários pesados e pouco móveis (o pivozão russo que o diga…), abrindo espaços formidáveis mesmo próximos à cesta, assim como desenvolvendo armadores, sempre em duplas, somando às suas habituais e históricas habilidades um poderio de arremesso em ambos os perímetros, casando tais qualidades aos alas pivôs, num entra e sai da bola no perímetro interno por todo o tempo de jogo, tornando bastante complicada a concepção eficiente de sistemas defensivos, sujeitos às incontáveis soluções ofensivas a serem confrontadas…

Engraçado, sempre usei essa forma de jogar, porta de entrada (e saída…) da improvisação, da arte de ler e interpretar situações sempre mutáveis (e jamais repetidas) de jogo, onde ter um arsenal de 100 jogadas se torna risível perante às “n” e incontáveis possibilidades do jogo pensado, ousado, corajoso, num sistema aberto e profundamente responsável, âmbito daqueles que realmente o sabem jogar, de verdade…

Os Warriors pertencem a NBA, a liga que congrega a fina flor do basquetebol americano, sempre reforçada por jogadores internacionais, que, com honrosas exceções se equivalem aos locais, porém nunca os superando, onde uma renovação constante, advinda de sua fortíssima estrutura colegial e universitária, mantém sua hegemonia técnica mundial, apesar de claudicar bastante no aspecto tático, estruturado e fundamentado no sistema único, largamente comentado aqui no blog, originando esporádicas surpresas como as apresentadas pelos Warriors, seguidores fieis da proposta do coach K, adotadas pelas seleções nacionais por ele dirigida nos últimos anos…

“Sem os arremessos de três nenhuma equipe vence hoje em dia”, afirma categórico um comentarista de TV, deixando no ar o aspecto saudosista que o incentiva para tal afirmativa, que contesto veementemente, pois jogando em permanente deslocamento de todos os jogadores, abrindo espaços sucessivos dentro e fora do perímetro, optar prioritariamente pelos médios e curtos arremessos (com percentuais mais vantajosos), para de 2 em 2 alcançar mais de 90 pontos, mantém os altamente imprecisos arremessos de três (inclusive para os especialistas) para serem utilizados naqueles momentos em que sua execução seja antecedida pelo mais absoluto equilíbrio e razoável distanciamento de possíveis contestações, onde um raríssimo talento como o Curry, quebra um pouco essas regras, mesmo quando erra…

Do lado dos Cavaliers, um daqueles raros jogadores que insistem em transformar um jogo coletivo em individual (temos um belo representante desta escola aqui mesmo, em terra tupiniquim), contestando seu técnico, um reconhecido tático do basquetebol internacional, esquecendo algo essencial para uma verdadeira equipe, alocar sua refinada técnica a serviço de seus companheiros menos afortunados, colocando-os nas definições de jogadas em busca das possíveis vitórias, e não encerrando sua participação no playoff final como o cestinha absoluto, o maior reboteador e…o grande (por mais uma vez) perdedor…

Finalmente, contesto, também, com veemência, afirmativas conclusivas de que jogadores, técnicos, jornalistas e torcedores admitam que o basquete de hoje difere frontalmente daquele jogado 40 ou 50 anos atrás, quando um Boston Celtics de Bill Russel (cujo trofeu com seu nome premia o MVP), o Cibona, as seleções iugoslavas, brasileiras jogavam de forma parecida, em velocidade, agilidade e arremessadores formidáveis, em tudo antecedendo o que hoje alcunham de NOVO jogo, quando na realidade, recria princípios imutáveis do grande jogo, onde o pleno e absoluto domínio dos fundamentos o embasam, e que mais recentemente, no NBB2, um humilde e agora esquecido Saldanha o ousou recriar, tendo como castigo a marginalização, tanto da maioria dos jogadores, como de seu técnico, o mesmo que lançou o desafio acima descrito, e que jamais contou com o mais remoto apoio do mundo fechado do nosso basquetebol, dos técnicos e suas associações à imprensa dita especializada,  na formulação de  uma singela pergunta – Por que o degredo, o que o explica e justifica, por que?…

Amém.

Fotos – Divulgação LNB. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

UMA JUSTA E PREVISTA VITÓRIA…

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Enfim, o NBB7 terminou, e da forma mais previsível se comparado aos campeonatos anteriores, pois os dois finalistas se apresentaram de forma absolutamente desigual, técnica e taticamente, onde um Flamengo ajustado na defesa e exercendo grande mobilidade ofensiva, enfrentou nestas duas partidas finais um Bauru acéfalo na defesa, e anárquico no ataque, não oferecendo grande resistência à inquestionável vitória rubro negra, a quarta na curta história do NBB…

Como na primeira partida desta final, os três primeiros quartos pertenceram a uma equipe fortíssima na defesa, pressionando a armação adversária de forma bastante efetiva, a tal ponto, que retirou da mesma toda a possibilidade de coordenar ações coletivas, restando esporádicas penetrações e as tentativas, bastante contestadas, das famigeradas bolinhas de três…

Do outro lado, frente a uma caótica e omissa defesa, a equipe carioca se fartava no jogo interior e também, nas bolinhas de praxe, perfazendo dispensáveis 8/27 contra 9/29 de Bauru, num 17/56 realmente lamentável, ainda mais pela festa desencadeada no âmago da defesa paulista, que se continuada, e de 2 em 2 pontos, liquidaria a fatura sem ter de enfrentar a reação no quarto final liderada pela dupla americana, Larry e Day com seus chutes afiados de três…

Um fato , entretanto, saltou aos olhos nestas duas partidas, a completa ausência de um sistema ofensivo consistente de jogo por parte de Bauru, que parecia estar absolutamente confiante em sua artilharia exterior, que ao ser contestada por todo o tempo, baixou seus índices de acerto a tal insignificância que a levou a uma derrota previsível, como na primeira partida. Some-se a essa evidência uma passividade defensiva lastimável, e teremos o retrato fiel do que apresentou em quadra nas finais de um campeonato nacional, pouco, muito pouco para vencê-lo…

Mas algo ficou bem patente nessa final, a enorme diferença entre dois conceitos, o de equipe, e o de plantel, fator definidor num campeonato onde ambos determinaram os resultados alcançados pelas franquias em confronto, a maioria delas apostando em planteis repletos de “nomes” para cada posição de 1 a 5 dentro do sistema único padronizado e formatado entre nós, e umas poucas investindo no sentido de equipe, harmonizando na medida do possível, habilidades e comportamentos técnico táticos de seus componentes, tornando e orientando-os a um sentido coletivista mais produtivo e vencedor…

A equipe do Flamengo foi uma dessas poucas, premiada, que mesmo após sérias divergências internas de relacionamento, soube amenizá-las a tempo de enfrentar um final de competição bastante exigente e seletivo, culminando com uma vitoria inconteste…

No mais, dois fatores que se apresentam bastante promissores, a definitiva adoção da dupla armação pela maioria das equipes da liga, assim como a cada vez maior utilização de pivôs rápidos e ágeis interagindo no perímetro interno, mesmo dentro do sistema único vigente, mas que aos poucos preconizam uma busca por sistemas mais dinâmicos, ousados e diferenciados, que é o que nos falta para um salto evolutivo de qualidade. Quem sabe na seleção para o Pan, o técnico hermano inicie este novo estágio técnico tático, pois afinal de contas, em sua convocação quatro foram os armadores selecionados, tendo ainda o Benite, um armador natural, ter sido escolhido como ala. Espero que tal evolução seja estabelecida, no que seria algo de extrema importância para o grande jogo tupiniquim. Torço por isso…

Amém.

 Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

FUNGOU, DESARMOU E…VENCEU…

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Bauru produziu 16/38 de dois pontos, 6/23 de três, e 19/26 de lances livres, ou seja, uma equipe que vinha convergindo assíduamente, não conseguiu ultrapassar os 70 pontos, brecada competentemente por uma situação defensiva que, coincidentemente, ou não, propús no último artigo, quando sugeria “fungar no cangote” na armação de ambas, e como a turma rubro negra partiu na frente, tomando a iniciativa de fazê-lo desde o bola ao alto, quebrou a armação paulista, obrigando-a a improvisações e finalizações (Fisher foi o cestinha de sua derrotada equipe…), e não encontrando semelhante resposta da mesma, que demonstrou mais uma vez sua falibilidade defensiva fora do perímetro, onde as armações são concatenadas, além, óbviamente, de ser a plataforma de lançamento dos petardos de três (produziram 9/30 nos três e 27/40 nos dois pontos, e mais 10/11 nos lances livres…)…

Sem uma armação minimamente coordenada, o jogo interno paulista se esfacelou, pois, pressionada energicamente, perdia muitos preciosos segundos para se desvencilhar do nó górdio que asfixiava seu jovem armador, que frente a dobras se perde com frequência nos dribles com trocas (ainda não aprendeu o passo atrás concomitante à troca de mãos, necessário a obtenção do espaço necessário para a ultrapassagem, e por conseguinte, dando as costas para seu marcador, ficando vulnerável às dobras…), se tornando inoperante frente ao jogo coletivo (sempre sozinho sem o apoio constante e próximo de outro armador quando em quadra), partindo para a individualização bloqueada na maioria das vezes pela forte defesa interna carioca, que se viu beneficiada pela constante fuga dos pivôs adversários da zona interior, ao serem marcados por antecipação e força, e pela ausência forçada de passes mais precisos da armação submetida a uma pressão permanente e combativa fora do perímetro…

Some-se a estes fatores, um outro poderoso, a completa ausência de um sistema de jogo alternativo (o ideal seria que apresentasse outro mais eficiente, ousado, autoral, justificando o vasto e qualificado plantel que possui…), pelo menos para se equalizar a tão ajustado oponente, coletiva e emocionalmente falando (que seria mais eficiente se fora do sistema único…), mesmo quando exacerbou nas bolinhas, num 9/30, que se orientada a metade das tentativas falhadas para os dois pontos, venceria com contagem perto dos 40 pontos de diferença, que seria um fator psicológico poderoso para a próxima e decisiva partida em São Paulo…

Bauru peca pela premissa, agora sobejamente contestada, de que poderia conquistar tudo pela força de sua artilharia exterior, mesmo com um jogo interior medíocre e as vezes praticamente inexistente, onde um especialista de três o Robert Day (0/4), se vê pretensamente ofuscado pelo pivosão Hettsheimeir (2/5), em sua obstinada, porém falsa, aventura de fora, aspecto a ser bem pensado pelo técnico hermano da seleção…

Quanto ao Flamengo, se mentiver a fungação dentro e fora do perímetro, e se abster de aventurazinhas midiáticas nas bolinhas, terá todas as condições de resolver a questão já neste segundo jogo, pois tem mais equipe, time, algo que seu adversário não conseguiu conceber apesar de seu mais nutrido plantel…

Pronto, foi o que pude observar e analisar lá de cima na Arena, quando junto ao meu filho, pudemos dar boas risadas com as iniciativas de bemfeitorias técnicas ao nosso combalido basquetebol, através dançarinas (?) e mascotes americanos de qualidade duvidosa, mas com selo de qualidade da parceria NBA/LNB, e ser testemunha da enorme quantidade de jornalistas especializados em basquetebol presentes, deixando no ar uma questão – para quem escrevem e comentam (a meia duzia que o fazem não conta…), no quase deserto editorial que afoga o grande jogo neste imenso e injusto país, me deixando curioso quanto a quantidade dos mesmos em 2016, noves fora os estrangeiros (e a meia duzia que realmente produz…), claro…

Amém.

Fotos – Paulo Murilo. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

FUNGANDO NO CANGOTE…

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Paulo, Paulo, as finais começam amanhã na Arena, e o que você tem a dizer, nada, nadinha?…

Ora muito bem, vamos lá, mas sem invencionices e chutações, simplesmente projetando situações possíveis e previstas, afinal o sistema único estará presente em grande estilo, garantindo previsibilidade permanente, apresentando e assinando embaixo a mesmice endêmica de sempre…

Num aspecto do sistema único, as duas equipes terão algo em comum, a extrema importância da armação das manjadas jogadas, validadas na medida da liberdade de ação dos armadores, que é o que quase sempre acontece. Logo, numa óbvia dedução, se bem marcados, pressionados por todo o tempo possível, muito da efetividade do sistema fica comprometida, originando a quebra do mesmo, e abrindo campo para as ações individuais, mais facilmente controladas…

Então minha gente, aquela equipe que fungar no pescoço da armação com mais insistência tenderá a levar grande vantagem, e se na continuidade da pressão ela se voltar para o passe interior (o que quase nunca acontece) para um pivô marcado pela frente, terá de optar pela possibilidade restante, o passe lateral ou retroativo nas alas, que se estiverem sendo marcadas na linha da bola, anulará de vez qualquer possibilidade de jogo coletivo, restando as individualidades e suas consequências…

A questão se torna limite no caso de ambas as equipes agirem da mesma forma, tirando o máximo de segundos dos 24 possíveis a cada investida de ataque, quebrando o sistema, o principio coletivista, obrigando a improvisação, quase nunca bem sucedida pela imprecisão nos fundamentos do jogo…

Restarão então as famigeradas bolinhas, que se efetiva e teimosamente contestadas, levará fatalmente, e por ambas as equipes, ao jogo interior, obtendo considerável vantagem aquela que o fizer através o constante deslocamento transversal dos pivôs ali infiltrados, anulando em alguns momentos, uma marcação frontal (se existente). e reforçando consideravelmente o rebote ofensivo, até mesmo os resultantes daquelas falhadas bolinhas…

Mas se a armação se mantiver pressionada firmemente, como acontecerão os passes precisos interiores, estando, ou não, os pivôs marcados pela frente, como?…Talvez a saída dos mesmos para o perímetro externo se apresente como uma possibilidade, aliás bem conhecida pelos “pivôs de três”…

Como resultante dessas possibilidades, teremos uma fratura no sistema comum às duas equipes, originando daí um tipo de jogo bem conhecido, o rachão desenfreado que culmina no aventureiro “chega e chuta” ,vencendo o jogo quem acertar a última bola, depois das muitas e muitas lançadas…

Bem, este é o retrato, um tanto fiel, do que temos assistido neste NBB, e no caso dessas finais, o aperto constante e enérgico dos armadores se apresenta como a fórmula ideal para um razoável possível sucesso. Agora, com uma dupla armação de qualidade, como seria?…

Neste caso, minha gente, a fungação teria de ser dobrada, para ai sim, termos a oportunidade de assistir um jogo diferenciado, onde dois armadores ao evoluírem em constante ligação, alimentando pivôs sempre em movimento, superariam as pressões defensivas, mas o detalhamento dessas novas situações deixo à analise dos estrategistas envolvidos, infelizmente agregados a pranchetas midiáticas e constrangedoramente inúteis, além, é claro, pela reza forte ao lado da quadra… pelas bolinhas…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

RESPONDENDO AO VICTOR…

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O assíduo leitor Victor Dames, postou um ótimo comentário no último artigo aqui publicado, que foi o de número 1300 desta longa saga no basquete tupiniquim, com mais de 10 anos de presença ininterrupta. Alguns excelentes comentários de outros leitores serviram de mote para artigos instigantes aqui amplamente discutidos, e este do Victor será um deles, sem dúvida, pois levanta uma tese técnico tática a muito defendida nesse humilde espaço, e que aos poucos vem se impondo no seio de algumas equipes da LNB, porém ainda profundamente influenciada pelo sistema único, solidificado e cristalizado no âmago dos técnicos e jogadores do país, desde a base formativa de onde se originaram…

Do comentário em questão, foquei o parágrafo abaixo, para comentá-lo sob os critérios aqui, e de longuíssima data, defendidos, estudados e aplicados na prática competitiva, da base a elite, e que, de certa forma,  encontra razoável receptividade, ainda insipiente, adaptada aos conceitos inerentes à realidade técnica e tática das equipes a seguir mencionadas…

 

(…) Aproveito ainda para colocar algumas questões sobre meu Flamengo: apesar daquele último jogo em que o rubro negro ganhou volume ofensivo e virou o placar no fim com as bolas longas do Marcelinho, o time não tem evoluído para sair do sistema único (embora ainda o execute em boa parte do jogo), explorando conceitos que o senhor sempre defendeu, como a dupla armação e os pivôs móveis? Me corrija se estiver errado, mas se o Hermann (ou o Olivinha, que voltou a titularidade nos últimos jogos) jogassem mais perto da cesta, em vez de se posicionarem para tiros de três tantas vezes, essa dupla armação que aparece com Laprovitola e Benite (e as vezes o Gegê no lugar de um deles), e até o Marquinhos quando faz as vezes de um armador, não seria uma clara forma de jogar fora do sistema único?(…)

 

Sem dúvida alguma Victor, as equipes do Flamengo, Limeira e Franca foram aquelas que mais se aproximaram da possibilidade de jogarem fora do sistema único, pois apostaram na dupla armação e nos pivôs de alta mobilidade, mantendo um ala, também veloz, ágil, e de boa estatura na composição de um trio atuante dentro do perímetro em velocidade e constante movimentação, exatamente como defendo a décadas, fora e dentro das quadras…

Porém, quando acima menciono que aquelas equipes se “aproximaram da possibilidade de jogarem fora do sistema único”, deixo bem claro o fator “possibilidade”, pois nenhuma delas o abandonou, e sim adequou, na medida do possível, seu arraigado sistema de jogo a algo realmente promissor, mais ainda muito distante de suas convicções, longamente agregadas ao seu modo de atuar no grande jogo…

No sistema por mim propugnado, inexistem “jogadas” marcadas e codificadas, substituídas por “situações de jogo” que não o são, e sim desenvolvidas de acordo com posicionamentos e comportamentos defensivos, que devem ser confrontados dentro dos princípios dos fundamentos básicos individuais e coletivos do grande jogo, que são situações mutáveis, irrepetíveis, dinâmicas e fugazes, exigindo um árduo e seletivo preparo para reconhecê-las no menor espaço de tempo possível (diagnose/retificação), a fim de que possam ser superadas individual ou coletivamente, com conhecimento, controle, humildade (humildade, sim…) e bom senso, que são as qualidades intrínsecas da improvisação, a arte maior daqueles que dominam seu instrumento de trabalho, mental e fisicamente, pois só improvisa quem sabe,,,

Todo este cenário de bem jogar, só será factível com o abandono da tutela pranchetada, com seus chifres, punhos, cabeças, hangs e picks encordoando os jogadores, que mesmo sob dupla armação e pivôs móveis, ficam submetidos às amarras de técnicos personalistas e centralizadores, esquecendo que em nenhum momento encestam e marcam lá dentro. onde as verdades acontecem, reais e palpáveis, como também, e em muitos casos omitindo, que seu verdadeiro papel é no treino, profundo e esmiuçado treino, jamais rachões, e sim uma busca pela perfeição dos movimentos fundamentais e ações técnicas de seus jogadores, fazendo-os pensar individual e coletivamente, quando, ai sim, influenciará decisivamente na sistematização da equipe que ensina, orienta e comanda…

Então Victor, ainda nos encontramos um pouco afastados do sistema que sempre adotei, livre, emancipado, porém responsável e coerente com uma realidade forjada no treino de fundamentos e profunda prática de leitura de jogo, consciente e criativa, sem medos, principalmente o de errar, sabendo avaliar e corrigir o mesmo, sem culpabilidades e afrontas, simplesmente jogando o grande, grandíssimo jogo…

Ah, Victor, mais um detalhe, para chegarmos a esse estágio que expús, que os técnicos se convençam de que não são o centro da equipe no jogo, quando no máximo a auxiliará pontualmente, mas sim o seu norte, ao prepará-la com todo seu conhecimento e experiência na arte do treino, que é o ambiente daqueles que realmente dominam o… você sabe…

Um abraço e obrigado pela sua sempre bem vinda audiência.

Amém.

Fotos – Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 

 

ARTIGO 1300 – UMA LONGA E ÁRDUA JORNADA…

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Este é o artigo 1300 publicado neste humilde blog. Tem sido uma dura caminhada de mais de 10 anos de presença ininterrupta junto aos que amam o grande jogo, abrindo aos mesmos um espaço democrático e responsável de discussões, onde o anonimato jamais teve ou terá vez, daí ter uma audiência mais seletiva do que numérica, mas que espelha, divulga e divide o conhecimento sedimentado no estudo, na pesquisa, e acima de tudo no trabalho e respeito a todos aqueles que aqui lêem e postam livremente…

Gostaria de oferecer um blog mais amplo, na verdade um site, onde a informação fosse mais a fundo, mais não possuo os meios para exequibilizar este anseio, mas aos poucos, pensada e tecnicamente, irei desenvolvendo situações que envolvam mais colaboradores, como o Gil e o Walter, que desde sempre prestigiam esse espaço com seus conhecimentos e larga experiência internacional…

Prometo, que muito em breve estarei oferecendo novas vertentes editoriais, principalmente voltadas aos jovens técnicos que se iniciam, mas nunca esquecendo os experientes e calejados profissionais que labutam por este enorme e injusto país a fora, valentes que são ante a penúria de que são vítimas permanentes, pela ausência de uma política educacional e desportiva que os ampare e incentive em suas sacrificadas vidas…

Então, vamos em frente, como por exemplo, o jogo de ontem decidindo o segundo finalista do NBB7…

O que vimos já não assusta mais a este veterano professor e técnico, não mesmo, pois, se tornou numa mesmice endêmica vitimizando jogadores, iniciantes e adultos, técnicos, dirigentes, agentes, empresários e jornalistas, todos embarcados na náu dos “monstros”, enterradas, endeusadas bolinhas de três, e o mais apavorante, os chifres (de diversos teores), os punhos (de vários quadrantes), camisas, hanguetens, especiais, cabeças, picks de varias gramaturas, tudo isso “treinado exaustivamente” em rachões transcendentais, porém revisados em jogo através herméticos rabiscos em midiáticas pranchetas, como que representando estratégias, mas que somente se definem como um documento validador  de discutíveis competências perante um neófito público, e dirigentes mais neófitos ainda, captadas por ávidas câmeras, hipnotizadas com tanta sapiência do nada, absolutamente nada, pois refletem a unanimidade de todos, técnicos e jogadores, em torno do sistema único, aquele que premia os 1 a 5 melhores que os 1 a 5 de todas as equipes participantes…

Agora mesmo, se inicia uma corrida para a substituição dos 1 a 5 falhados, por outros 1 a 5 mais azeitados, como se fossem peças de uso imediato pela igualdade tática, economizando tempo de treinamento formativo e reeducativo de jogadores que deveriam estar “prontos”, mas que ao não estarem devem ser substituídos, numa perversa ciranda de mistificações e interesses mais comerciais que técnicos, como acontece de fato…

E este jogo mostrou, escancarou essa realidade em toda a sua dimensão, começando pelo duelo aberto nas bolinhas, entre um desde sempre convergente Bauru (14/26 de dois e 9/34 de três), e um reticente Mogi (18/32 e 5/23, respectivamente), perfazendo um constrangedor 14/57 de arremessos de três, convergindo com um 32/58 de dois pontos, numa gigantesca perda de tempo efetivo de jogo e de esforço físico, o tão badalado cult dos tempos atuais, que tenta impor a superioridade física acima da técnica, do domínio dos fundamentos básicos do grande jogo…

Então, com ambas as equipes agindo em uníssono tático, bastava uma esperta adaptação defensiva para alterar dominâncias, e as duas equipes assim tentaram, variando do individual para a zona, até para uma pequena pressão, mas em tempo alguma fugindo da mesmice ofensiva, arraigada solidamente em suas ações previsíveis e até certo ponto, infantís, ou seja, sistema único contra individual, e quatro abertos contra zona, ambos voltados definitivamente para o jogo exterior, para as bolinhas, deixando o interior abandonado, até que, num clarão ou desespero, uma delas optasse pelos bons pivôs em quadra, e vencesse o jogo e a classificação à final contra o Flamengo…

Foi um jogo com 30 erros de fundamentos (14/16), numero altíssimo para equipes adultas, mas que reflete muito bem o estágio técnico individual de muitos jogadores, inclusive armadores, perdendo bolas no drible, que é algo inadmissível para a posição, e que é um reflexo elucidativo de como são preparados para a competição, infelizmente…

Finalmente, um lembrete, mais um, pequeno, simples, porém fundamental a essa altura em que a LNB se alia a NBA, que seja implementada uma mudança em sistemas de jogo, que não precisa ser geral, pois bastaria que uma ou duas equipes se reestruturassem neste sentido, apresentando algo diferenciado, não necessariamente novo, mas algo que nos propiciasse fugir desta mesmice endêmica asfixiante, bitolada e medíocre, para darmos um salto qualitativo, pela imediata comparação entre sistemas, vencendo ou perdendo, mas abrindo um fresta de progresso individual e coletivo neste cenário tão pobre em que estamos. E já que os técnico que ai estão, alguns em todas as edições do NBB, se negam a mudanças radiacais, dois são os técnicos que podem desenvolver tão importante mudança. Um já está presente numa equipe de ponta da liga, teve um ano difícil, mas deve ser mantido para um trabalho longo e detalhado, depois de mais longa ainda ausência, outro, marginalizado por apresentar e discutir algo instigante e corajoso, aguarda uma merecida oportunidade de tornar a demonstrar ser possível mudanças estruturais de equipes com jogadores pouco valorizados e nada midiáticos, porém cheios de qualidades e experiências de sobra, também à margem das grandes equipes, injusta e covardemente, pois não é para qualquer um ensinar, treinar e os fazerem jogar com um sistema proprietário, corajoso e inovador…

Amém.

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COMO PERDER UM JOGO PRATICAMENTE GANHO?…

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Fácil, mantendo um maluco em quadra, simples assim…

O cara chuta 3/12 de três e 3/9 de dois, não importando o placar, arremete em velocidade até perder o domínio da bola e das…bandejas, defende, melhor, não defende no perímetro externo, não obedece táticas, mas, ora mas, pega rebotes, que foram 15 do total de 50 da equipe, porém algo que o Paulão e o Gerson poderiam igualar, fora o Wagner em alguns momentos. Sem dúvida alguma, o Tyrone atirou (ou arremessou, seria mais uma…) o jogo pela janela, sob o beneplácito de um técnico oscilando do enérgico ao raivoso, ou do  contemplativo ao ausente, e sempre de braços cruzados (mas aguardemos a quem vai responsabilizar pela incrível derrota…)…

Perdeu Mogi a enorme oportunidade de fechar a série e ir para a final, e agora, invertendo os papéis, Bauru, acredito, não deverá perder a grande chance, claro, se repetir durante todo o jogo os três minutos finais da segunda prorrogação, quando, por falta de chances e opções nas bolinhas, redescobriram que possuiam bons pivôs, principalmente o Murilo, que no frigir dos ovos, ganhou o jogo, enquanto seu companheiro de taboa (?) se consagrava com sua artilharia mambembe de três (4/11), para gáudio do técnico argentino, ou não, na futura convocação pré olímpica…

Por mais uma vez, ou milésima vez, perdeu o basquete nacional a barca do jogo coletivo, afogado pela hemorragia dos três, que alcançou neste jogo a absurda e indescritível marca de 27/71 tentativas, para 29/74 de dois pontos, numa convergência praticamente igual, mas que ironicamente apresentou um desfecho em duas bolas interiores na última prorrogação, e pela enxurrada de lances livres advindos da mesma situação, numa prova cabal do lamentável estágio que atravessa o grande jogo, insistentemente coisificado entre nós, teimosa e estupidamente…

Mas como a esperança é a última que morre, quem sabe em Bauru vejamos o renascimento do DPJ, do jogo inteligente dos pivôs, e dos longos  arremessos realmente executados pelos especialistas de verdade, e não os de ocasião, assim como defesas individuais e coletivas efetivas e técnicas, numa otimista previsão de jogos finais emocionantes, mas acima de tudo, técnicos e taticamente evoluídos. Torço por isso, enfaticamente…

Amém.

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Em Tempo – Foram cometidos 29 erros de fundamentos nesta partida de “alto índice técnico”, segundo os especializados, e logo após a partida culpados pela derrota foram identificados, segundo o espanhol, os árbitros. Legal, não?…

 

O FATÍDICO 2/13…

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Daqui a um pouquinho Mogi e Bauru se enfrentarão num quarto jogo decisivo, e que pode guindar a equipe do espanhol que xinga a própria madre ao vivo e a cores pela TV, aderindo de vez ao palavrório de muitos técnicos tupiniquins, sob o aplauso e condescendência da mídia, que vê no fato o “ardor” da disputa (êpa…), e não uma tremenda falta de compostura e educação ao público tele ouvinte, provando não ser uma falha somente nossa, terceiro mundistas…

Mas, indo além do baixo calão, sua equipe obteve uma bela vitória, contestando na periferia a insânia chutadora de seu adversário (16/25 nas bolas de dois pontos e 9/31 nas de três), e também exercendo um jogo fortíssimo no interior do perímetro (25/49 nos dois e 7/22 nos três), convertendo 44 pontos contra 30 do lado de lá, onde seu mais emblemático contratado, o pivosão Hettsheimeir errou mais de fora do que lá dentro (1/5  de três e 2/5  de dois), num desperdício lapidar, e que pode, se continuado, decretar a saída da equipe mais festejada pelos especializados para tomar do Flamengo a hegemonia dos últimos anos, afinal, foi formada para ganhar todos os títulos, o que até não duvido, mas que terá de modificar estruturalmente sua forma autofágica de atuar, egocêntrica e dispersa, e repito, tornando refém de sua egolatria, seu experiente e escolado técnico…

Aqui no Rio, o Flamengo encontrou uma dureza neste terceiro jogo da série, só vencido graças a dois e decisivos fatores, o absurdo dos 2/13 em bolas de três do homem que deveria liderar a distribuição e coordenação de jogo, o Nezinho, que numa tripla armação (ele e mais o Jackson e o Ramon), deu a ele a pretensa liberdade de queimar, através seu incrível e altamente desequilibrado estilo, quantas bolas fossem possíveis, encontrando porém, forte contestação externa, retirando a precisão pretendida, e o fato mais emblemático, a presença do Marcelo num quarto final devastador, ainda mais quando foi marcado por um Jackson palmo e meio mais baixo (Mogi atuava com os três citados armadores), fator facilitador ante seus dois metros de altura, e mais de 25 anos de prática nos longos arremessos. Errou Mogi ao manter os três armadores juntos, pois um deles deveria ter cedido lugar a um jogador alto, a fim de estabelecer dualidade junto a o Marcelo, o que dificultaria bastante suas conclusões…

Mas o fato é de que o ainda iniciante técnico, totalmente imerso em suas táticas pranchetadas, ainda terá um bom tempo pela frente para diagnosticar na prática, e com a presteza necessária, onde realmente se encontram os sutís detalhes de uma dura partida do grande jogo, a fim de corrigí-los de imediato, e de preferência sem a tutela de uma prancheta, artefato letal quando utilizado para substituir as dimensões reais de uma quadra, minimizando distâncias, reações e comportamentos, e o mais importante, coisificando o grande jogo, caracterizando um erro colossal, e perdedor…

Amém.

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AS BURRAS AMARRAS…

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Ironicamente, foi numa falha contestatória do Alexandre (que defendia com valentia e agilidade) sobre o Fisher, que mais uma bolinha aconteceu, na ação vencedora da partida, mas não antes do fechamento, quando num lateral cobrado por aquele que deveria ser o concluinte à cesta, o Shamell, viu a tentativa do Filipin se esvair, inclusive, se bem concluida, valeria 2 pontos por ter pisado na linha de três…

Enfim, foram dois jogos em Bauru que deixa bem claro o difícil papel reservado a equipe que teima em provar que “bolinha é progresso”, e até pode vir a ser campeã, numa demonstração cabal do atual nível do basquetebol nacional, onde, inclusive e lamentável, um técnico de seleção brasileira vem a público anunciar que pódio em 2016 nem pensar, deixando no ar uma instigante pergunta – o que está fazendo lá, de verdade? – (detalhes aqui), fatos concretos que a equipe mogiana pode reverter, se mantiver seu inteligente e competente plano tático de jogo, estrategicamente bem concebido e, melhor ainda, que vem sendo bem concretizado até aqui…

No outro jogo, o segundo entre Limeira e Flamengo, assistimos uma aula de como não defender por parte de Limeira, e de como fazê-lo por parte do Flamengo, simples assim…

Limeira, que junto a Bauru, e próxima ao Flamengo, se constitui com as mesmas, as equipes mais chutadoras de fora na Liga, até o momento que uma delas, a carioca, resolveu defender o perímetro, principalmente ao contar com o Benite e o Alexandre fixos na titularidade, onde ambos estabeleceram o seu equilíbrio defensivo, além de comporem com o Laprovitolla, o Marcos e o Meyinse uma equipe forte e coesa no ataque, principalmente o interior, pode sofrer um 0 x 3 amanhã no Tijuca, a não ser que mude radicalmente sua forma de jogar, principalmente na defesa exterior, nosso notório tendão de Aquiles, inclusive nas seleções…

Mas de seleções muito em breve teremos de falar, pois 2016 está logo ali na esquina da história, sem protelações e apriorísticas declarações derrotistas, por quem ao fazê-las deveria ceder o cargo, para ser preenchido por alguém que acredite no trabalho competente, técnico, e comprometido com a evolução revisionista do nosso tão mal tratado basquetebol, claro, se isso fosse possível dentro de uma estrutura que privilegia o compadrio, jamais o mérito, jamais…

Portanto, torçamos para que prevaleça o bom jogo, com defesas bem postadas e combativas, ataques interiores e eventualmente e bem equilibrados exteriores também, que jamais deveriam se constituir como a base de uma equipe, sua marca, frente a sua reconhecida imprecisão, tão omitida nos dias de hoje, em nome de exigências midiáticas oportunistas e arrivistas. Quem sabe evoluamos, emancipando o grande jogo de amarras tão excludentes e absolutamente burras, quem sabe?…

Amém.

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