A CHAVE DO GRANDE JOGO, A MESMA QUE JOGAMOS PELA JANELA DA HISTÓRIA…

O Mundial chegou ao fim, iniciando um novo tempo, o do basquetebol solidário, bem jogado, melhor esquematizado, num equilíbrio bem distribuído entre ações defensivas e ofensivas, vencendo aquele que melhor o manteve, sem oscilações unilaterais, caso da Espanha na maior parte da partida, em contraponto com a Argentina, que se deixou jogar mais pela emoção, do que com o cérebro, preponderante fator na quase surra que levou da objetiva e aparentemente gelada Espanha…

E porque um novo tempo? Pela solidificação do jogo eminentemente coletivo, onde a maior estrela, o MVP Rúbio, que apesar de seus 20 pontos, atuava e regia uma equipe junto a Lull, numa dupla armação coordenada e presente em todos os pontos do perímetro externo, fazendo jogar seus três alas pivôs, entrando e saindo do interno, de acordo com as situações que se apresentavam a cada momento da partida, numa leitura primorosa de jogo, cerne e âmago de um coletivismo exemplar, e não à toa, a FIBA escalou a seleção deste mundial com três armadores e dois alas pivôs, atestando a importância da dupla/tripla armação, aumentando exponencialmente a qualidade do grande jogo. Com uma defesa alçapão, provocando e veladamente permitindo as penetrações dos excelentes armadores argentinos, para estando lá dentro, serem abafados pelos gigantes e móveis espanhóis, no momento em que os passes seriam severamente prejudicados pelo cerco imposto, obrigando arremessos descalibrados, imprecisos e afobados, fatores facilitadores a contestações, gerando a oportunidade dos infindáveis rebotes conquistados (foram 20 a mais, muita coisa para uma decisão), um dos fatores da derrota portenha…

Os espanhóis arremessaram 25/45 de 2 pontos, 6/20 de 3, e 27/33 nos lances livres, pegando 47 rebotes, enquanto os argentinos lançaram 15/34, 7/27 respectivamente, 24/28 lances livres e 27 rebotes, confirmando nos números o equilíbrio na distribuição dos arremessos de quadra, superior ao da equipe argentina, e o enorme diferencial nos rebotes. No entanto, um outro e quase imperceptível fator estratégico, foi pouco notado e analisado pelos comentaristas, o fato da Espanha ter começado com sua armação máxima, enquanto os argentinos somente se utilizaram da infernal dupla Laprovittola e   Campazzo mais adiante, quando o placar já era bem mais desfavorável. Quem sabe a equalização nas estaturas dos armadores tenha sido o argumento para tal adiamento, que custou caro a turma portenha…

Tudo bem claro Paulo, mas explique melhor a defesa alçapão. Tenho na memória a primeira vez que a vi num campeonato mundial, o daqui no Rio de Janeiro em 1963, num jogo decisivo entre Estados Unidos e União Soviética, quando no último ataque americano, que perdia por um ponto, abriram os soviéticos a lateral rente a linha final de sua defesa para a penetração do armador americano de baixa estatura Vinie Ernest, que vendo a avenida a sua frente avançou com determinação, sendo bloqueado limpamente pelos três gigantes soviéticos, perdendo a bola e a partida. É uma opção defensiva, que deve ser muito bem feita, teatralizada, tornando real algo que na realidade não é, e de aplicação muito seletiva, combinada e para um momento decisivo no jogo, podendo funcionar ou não. No caso soviético funcionou naquele decisivo momento, no caso espanhol, funcionou por todo o tempo, pelo fator que mencionei no início deste artigo,  dos argentinos atuarem regidos muito mais pela emoção (principalmente quando se viram diante da nula pontuação de seu melhor jogador, o Scola), do que com o raciocínio objetivo, equilibrado e frio de seus oponentes, e com um detalhe a mais, suas bolas de três, competentemente contestadas não caiam …

Mas num pormenor fundamental se igualaram, a similitude de suas formações de base, num trabalho sério e responsável junto aos mais jovens, principalmente na larga difusão do Mini-Basquete original em seus países, difundido e administrado por professores e técnicos bem formados, supervisionados por associações de técnicos e suas federações, numa cruzada iniciada a 40 anos, e que vem colhendo excelentes resultados de 15 anos para cá, bem ao contrário de nós, vizinhos que preferiram a colonização da matriz, do que o exemplo mais técnico e educativo, trocando-o pelo midiático apelo de um produto econômico financeiro e político, fora de nossa realidade de país culturalmente pobre, carente de educação, e acima de tudo, injusto e cruel para com seus jovens…

Quando acima menciono o Mini Basquete original, o fiz por constatar que bem no início de sua implantação no país, idealizado pela ABRASTEBA, entidade associativa de técnicos de basquetebol, por mim idealizada, aceita e fundada durante o Campeonato Mundial Feminino em São Paulo em 1971, sendo a segunda associação no mundo, somente abaixo da americana fundada em 1927 (a espanhola somente se organizou nos ano 80), já era plano básico a introdução do MIni Basquete entre nós, idealizado pelo presidente da mesma, Antenor Horta e o professor e técnico Heleno Lima, e que dois anos mais tarde serviu de estopim para que a CBB retirasse o apoio logístico da associação, a fim de assumir o Mini como ação de sua alçada, tendo o Hekel Raposo em sua direção, determinando em mais algum tempo o encerramento das atividades da associação. Daí para diante muitas das regras básicas que geriam a administração do Mini Basquete no mundo (espanhóis e argentinos entraram de cabeça em seu desenvolvimento, assim como a França) foram sendo alteradas por aqui através interesses bem conhecidos de técnicos ávidos por títulos, e não por formação de jogadores, como a regra do empate possível ao término dos jogos, a obrigatoriedade de todo jogador só poder atuar em não mais do que dois quartos consecutivos, e pelo menos num quarto em cada partida, eliminando o estrelismo e a figura do banco sem atuar, que dentre outras regras adaptadas, como altura da cesta e tamanho e peso da bola, davam a atividade mais um caráter recreativo do que competitivo, ensinando os movimentos básicos e estimulando o amor pelo esporte…

Enquanto isso mudávamos as regras, aplicávamos as defesas zonais numa idade inadequada, preteríamos jovens coordenados por outros pelo critério da altura, tentávamos especializar a garotada de 1 a 5, incentivávamos a chutação de três, numa idade onde a força motriz ainda é insuficiente, ampliávamos as peneiras, entregavamos o ensino a pessoal inadequado e pouco formado nos ditames didático pedagógicos exigidos para uma boa e eficiente educação de movimentos e atitudes, e iniciavamos um pré processo profissionalizante, onde mentores e agentes se encarregavam do futuro dos jovens craques, onde o fator estudo era de somenos importância. Enquanto Canadá, Argentina, Espanha, Austrália, Nova Zelândia, França, Alemanha e muitos outros países centravam esforços pelo esporte educação, nossos esforços se voltavam ao fulguroso futuro de nossos infelizes prospectos na NBA, panacéia com princípio, meio e fim de um desastre de proporções esperadas e concretizadas, porém, todo esse cenário de terror, alimentou currículos vencedores e premiados de muitos técnicos, alguns dos quais agraciados com seleções nacionais, para darem continuidade ao desastre em que nos encontramos…

Enfim, vai nos custar muito redescobrir o fio da meada perdido, muito mesmo, pois não vejo no âmbito federativo e confederativo qualquer providência que possa vir a enfrentar e contornar um quadro tão assustador, pois ainda estão indelevelmente atados a política do compadrio e do Q.I. institucionalizado, germes pútridos de tudo de errado que aí está, visceralmente escancarado no seio do grande jogo, empobrecendo e aviltando-o da forma mais injusta possível…

No entanto, gostaria de encerrar este artigo com uma foto (O Globo de hoje, 16/9), que retrata com precisão uma de minhas lutas aqui neste humilde blog, e que espelha em tudo e por tudo o quanto de desconhecimento e ignorância ainda nos assalta quando o ponto em questão são os fundamentos, o de arremesso em particular, como esse do MVP do Mundial Rúbio, que para muitos é a antítese do que consideram o equilíbrio perfeito do corpo na vertical, posicionamento estético e estiloso (muitos definem como “mecânica perfeita de arremesso”), mas que ao contrastar em tudo e por tudo com tal e perfeito modelo, define de uma vez por todas o que venha a ser o arremesso técnica e mecanicamente preciso e confiável. E para tanto, e se houver interesse na matéria em questão, acessem um artigo que bem define o que venha a ser controle do centro de gravidade corporal no ar, e o concomitante correto e confiável direcionamento da bola no sentido da cesta que determina o sucesso do mesmo, complementando com o outro artigo da série Anatomia de um Arremesso (acesso no espaço Procurar Conteúdo no blog), onde o detalhe ínfimo da retração do dedo médio na bola, alinhando-o ao anelar e indicador, otimizando a aplicação tripla de força a bola, é parte de um estudo de minha tese de doutorado sobre o assunto (Um estudo sobre um efetivo controle de direcionamento da bola no arremesso com uma das mãos no basquetebol – FMH/UTL 1992).

Claro que muitos vão contestar esse estudo, pois onde já se viu um brasileiro estudar, pesquisar e provar conceitos científicos sobre arremessos, sem pertencer ao mundo acadêmico americano e o globalizado da NBA, como?…

Pois é minha gente tupiniquim, sejam um pouquinho curiosos e pesquisem nesta infindável internet assuntos a respeito, e garanto que não encontrarão um estudo contestatório sequer, e mesmo análogo ao mesmo, e sabem por que? Isso mesmo, acertaram, ele mata a questão, e por isso é lido e consultado lá fora, e mesmo aqui dentro nos artigos que fracionei na série acima mencionada, e que são seguidos e aplicados a granél, porém com uma negação de autoria. Por mim tudo bem, já me acostumei de muito a situações mais restritoras do que essa, pois quando muito desejo do fundo do coração que simplesmente aprendam a arremessar com mais precisão e menos estilo, o que já seria suficiente para melhorarmos bastante…

No mais, que os deuses nos ajudem, um pouco mais do que já o fazem.

Amém.

TERÁ VALIDO A PENA?…

Daqui a um pouco a Argentina tentará o título mundial contra a Espanha na China, contrariando uma grande parte da mídia especializada internacional, que não previa o sucesso platino com uma equipe renovada e liderada por um senhor jogador de 39 anos, derrubando todos os prognósticos contrários, que ultrapassando equipes tidas como favoritas, viu sobrar apenas a espanhola, que medirá sua grande tradição e experiência contra a força de conjunto de uma equipe modelar, que representa um país absolutamente competente na arte do formar jogadores da mais alta qualidade, tendo um dos grandes campeões olímpicos a liderá-los, o Scola…

Será um jogo duríssimo, com ambas as equipes se utilizando da dupla armação com jogadores extremamente habilidosos, inteligentes e letais nos passes, nas infiltrações, e até mesmo nas conclusões precisas de todas as distâncias, alimentando alas pivôs de grande mobilidade, velocidade e força nos rebotes, revertendo de forma definitiva o reinado do sistema único, com suas formações dogmáticas de 1 a 5, deflagradas pela NBA, e copiadas pelo mundo afora, como um inamovível modelo a ser difundido desde a formação de base, e que a partir da influência técnico tática do coach K quando na direção das equipes americanas olímpicas e nos mundiais, subverteu a ordem vigente, a começar com a substituição dos corpulentos pivôs por jogadores mais velozes, hábeis e flexíveis na refinada arte de jogar o grande jogo…

Sem a menor dúvida o jogo está se tornando mais arejado, criativo e inventivo com essa forma de atuar de armadores e alas pivôs, inclusive na formação defensiva, que aos poucos vai se amoldando a jogadores incisivos, em constante movimentação, e de criatividade contínua, muitos furos acima da mesmice técnico tática que vinha asfixiando os “especializados” jogadores de 1 a 5, incensados e deificados por uma plêiade de osmóticos estrategistas copiando uns aos outros, afogados em suas elucubrações fantasiosas transcritas para pranchetas ininteligíveis e absolutamentes inúteis. Fica mais do que claro que as duas equipes finalistas são produtos de um longo e minucioso treinamento nos fundamentos, através professores didático pedagogicamente muito bem preparados e formados em escolas de técnicos e cursos superiores da mais alta qualidade, supervisionados por anos, e não diplomados em cursos de 5 dias, como até bem pouco tempo formávamos (?) nossos técnicos…

Tenho me divertido muito com a mudança dos comentários televisivos feitos por narradores e comentaristas sobre a dupla armação e os cada vez mais velozes e atléticos alas pivôs internacionais, e até mesmo em nossos campeonatos regionais e nacionais, principalmente sobre a desenfreada chutação dos 3 pontos, vício que nos tem levado a resultados amargos e constrangedores no cenário internacional. E pensar que aqui dessa trincheira neste humilde blog venho a 15 anos tentando convencer esse corporativismo insano de que existem outras formas diferenciadas de jogar o grande jogo, inclusive o demonstrando em quadra, bem sei que por pouco tempo na elite do NBB, porém por mais de 40 anos na formação de base em clubes e colégios, em seleções regionais masculinas e femininas, dando cursos em muitas regiões do país, em palestras e conferências aqui e no exterior, desde sempre sugerindo e demonstrando o poder da dupla armação e da trinca de homens altos velozes e atléticos, repito, por mais de 50 anos, e tendo o privilégio de assistir logo mais às 9hs uma decisão de campeonato mundial, onde as duas equipes praticam um sistema ofensivo 2-3 absolutamente lapidar, como um corolário de uma evolução técnico tática negada por muitos, principal e unanimemente por nossos extraordinários e competentes estrategistas, dentro e fora das quatro linhas da quadra. Dá um amargo gosto ouvi-los discursar sobre dupla, e até tripla armação, jogo interior com alas e pivôs, muito aquém dos uzeiros comentários sobre a “importância fundamental” dos arremessos de 3, das enterradas monumentais, das precisas defesas (no entanto jamais explicam que defesas sejam estas), omitindo a importância do domínio dos fundamentos do jogo em toda sua amplitude individual e coletiva, adquirida no treino, no desgastante e doloroso treino, e o fazem por ainda se encontrar arraigados aos rachões, que para a maioria deles é a base na aquisição de rítmo de jogo, assim como os amistosos pré temporadas, substituindo os nada midiáticos treinos, destituídos de glamour, porém inundados de saberes, conquistas e certezas, aquelas, até mais simples, que levam as vitórias, ao trabalho bem feito e acabado…

Veremos não só um grande jogo, mas uma grande aula de como dois países, coesistindo em uma mesma formação de base, com bons professores e técnicos, chegam com méritos a uma decisão mundial, nos deixando uma inquietante questão – Terá valido a pena a subserviência preguiçosa e interesseira ao modelo do sistema único por quase três décadas, ferindo de morte toda e qualquer tentativa de contestá-lo sadia e eticamente, com um outro diferenciado na forma, no ensino, aprendizagem, e na prova em quadra, para vê-lo pujante e completo pela televisão, praticado por países que não o nosso, terá valido?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.  

OS HERMANOS E SEU SCOLA MAGISTRAL…

E os hermanos chegaram às semifinais, derrotando a favorita ao título e atual campeã, a Sérvia, por 97 x 87, numa partida memorável, onde um Scola, aos 39 anos, liderou a equipe com maestria, competência, talento,  e acima de tudo, amor a camisa de seu país, onde a negação a ela é algo inimaginável, absolutamente impossível de acontecer, sequer pensar, ao contrário de jogadores que a macularam em nosso imenso, tosco e culturalmente fragilizado país, num comportamento aceito e tolerado por quem abomina a tradição, a mística e a representatividade de um símbolo que em hipótese alguma pode ser desrespeitado. abjurado, negado, ao preço que for…

O grande jogo é cultuado e respeitado na Argentina, desde a formação de base, ensinada, preparada e treinada por professores bem formados nessa complexa modalidade, e cujos frutos vem amadurecendo de vinte anos para cá, pujantes e vencedores. Torna-se emocionante e inspirador termos o privilégio de testemunhar o brilhantismo das grandes equipes argentinas, atuando com uma dupla armação magistral, e alas pivôs, jovens e veteranos primando pela velocidade, agilidade, flexibilidade e profunda prontidão aos detalhes do jogo, numa leitura somente atingida com uma excelente e detalhada formação, espelhada pelos magníficos exemplos de consagrados jogadores, como o Scola nessa equipe que disputa o Mundial…

Talvez não cheguem a grande final, mas o que alcançaram os definem, não como um milagre, ou um produto de um chaveamento menos exigente, mas sim como uma prova cabal na arte de formar jogadores técnicos, fortes fisicamente, e melhor ainda, mentalmente. Se arremessarem um pouco menos da linha dos três, reforçando o jogo interior, será muito difícil de serem batidos, sem a menor dúvida…

Amém.

Foto – Reprodução da TV.

AS DOLOROSAS CONTRADIÇÕES…

Assisti os dois jogos desta manhã, e no primeiro constatamos uma equipe fria em seu determinismo de se classificar às quartas de final, ganhando ou perdendo dentro da margem dos 12 pontos necessários a classificação de uma equipe grega alucinada pela busca do resultado salvador, e por isso mesmo suscetível ao erro em maior proporção do que a equipe checa, metódica, paciente, fria, e acima de tudo eminentemente técnica, na quadra e no banco, num equilíbrio exemplar, de um grupo coeso em torno de um objetivo, mesmo que feneça nas próximas etapas, num trabalho bem planejado e melhor ainda executado, numa flagrante anteposição ao que vimos na segunda partida…

Quando se deu a apocalíptica contradição, de uma equipe que lutava por uma classificação, ante um adversário já classificado, por um resultado simples, sem handicaps a descontar. E porque apocalíptica? Pelo fato maior que colocou a seleção brasileira entre a cruz e a calderinha, perante o incompleto discurso de seu líder fora da quadra, o bom  técnico Petrovic, que midiaticamente propalou saber como vencer os americanos, como já havia falado o mesmo sobre os gregos, mas ante o domínio técnico da equipe tida como a C da NBA, porém dirigida pelo seu melhor técnico, Popovich, principalmente na avassaladora prática dos fundamentos básicos defensivos, ofensivos e individuais, constratando com a nossa maior dificuldade nos confrontos contra escolas que priorizam tais pontos, e não somente os táticos e as preparações “atlético científicas”, tão ao gosto de fisiologistas pseudo fabricantes de melhores corredores, melhores saltadores e melhores trombadores, como o ápice de uma equipe competitiva, viu-se o croata perante a crua realidade de uma equipe que sabe perfeitamente bem como manobrar uma bola, e outra, a dele, que briga com ela o tempo todo no drible, nos passes e principalmente nos arremessos, inclusive naqueles de melhores aproveitamentos, os curtos e médios, onde a turma do norte simplesmente não falha. Façamos umas continhas – Os americanos arremessaram 28/44 de dois pontos, contra nossos 23/46, ou seja, 10 efetivos pontos a mais. Nos 3, 8/25 contra 5/19 nossos, mais 9 pontos de sobra, somente aí nos 16 pontos de diferença. Nos Lances livres ambas as equipes erraram 2 arremessos ( 9/11 e 12/14), Pegaram 37 e 34 rebotes respectivamente, porém, foram nos erros de fundamentos que mais se diferenciaram, 10 para a turma do norte e 15 para nós, números fatais num jogo desse porte e importância…

Mesmo perante tantos obstáculos, via-se uma seleção brasileira claudicante no jogo coletivo de ataque, no 5 x 5, exatamente pela dificuldade nos fundamentos, área de pleno domínio americano, dando início a chutação apelativa de fora, com 26,3% de aproveitamento, contra os 32% de um adversário que apostava firmemente no jogo interior, com as 5 bolas a mais mencionadas anteriormente. Muito bem, existem fatores e fatores, detalhes e detalhes, mas um tem importância vital, não só no momento chave de um jogo decisivo, e sim por todo um jogo decisivo, a presença sugestiva e corretiva de um atento e sagaz técnico ao lado da quadra, cônscio de ter dotado a equipe de bons sistemas, na medida da capacitação individual e coletiva do grupo que dirige, basicamente nos treinos, reservando seu saber e experiência para os jogos, onde as verdades verdadeiras acontecem, sendo ele o ponto de equilíbrio das mesmas, intransferível e de solitárias decisões, onde jamais poderá deixar de agir com a moderação e a sabedoria que envolve seu cargo de comando, E exatamente nesta situação de decisão extrema ele falha, se exaspera, perde o controle e o equilíbrio, sendo expulso da contenda, a meio tempo do segundo quarto, ou seja, joga a espada, o capacete e o escudo ao solo, se envolve na capa e abandona o campo da luta, como que afirmando aos bons e perspicazes entendedores do grande jogo – Não dá, simplesmente não dá !!…

Se foi um acidente de percurso, um inconformismo, ou um fato pensado, não importa, importando sim a indesculpável falta que faria e fez para a equipe, muito mais ainda sendo um técnico calejado, experiente e muito bem pago, deixando a equipe nas mãos de assistentes que em tudo e por tudo defendem e praticam um basquete “chega e chuta” em suas equipes no NBB, antítese do que pretendeu desenvolver na equipe, e que, numa contradição indesculpável, esquecem no banco o único jogador pontuador (inclusive nos 3 pontos) no quarto final, o Benite, cestinha da partida, perdida, mas que poderia ter alcançado um resultado um pouco melhor, ou talvez não, ante um adversário, que mesmo sendo considerado de classe C, deu uma senhora aula de competência nos fundamentos do grande jogo, dando seguimento e carradas razões ao seu histórico de formadores de jogadores, dos mais jovens a elite, quando ensiná-los, praticá-los e aplicá-los se tornam ferramentas de trabalho, onde enterradas cinematográficas e arremessos estratosféricos fazem parte natural do jogo, e não a essência do jogo como nos acostumamos a definí-lo…

Comando e comandados, irmanados e sempre presentes nos maus e bons momentos, jamais poderão prescindir da ausência de um deles. Imperdoável momento que vivemos, e que sirva de lição, mais uma das muitas que teremos a obrigação de abraçar daqui para diante, senão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.


2-3 OFENSIVO, UM SISTEMA A SER CONSIDERADO SERIAMENTE…

Peguei o jogo com quase 6 min corridos, o despertador me pregou uma peça, e a primeira informação captada foi do comentarista Marcelo dizendo que até aquele momento a equipe brasileira havia arremessado 0/6 bolas de três, estando atrás 5 pontos, e que havia necessidade de incrementar o jogo interno que manteve a equipe invicta até aquele momento, depoimento esse inusitado vindo de um convicto arremessador nos muitos anos de seleção por ele vivido, e que agora fora das quadras começa a perceber o jogo de outra maneira, o que é muito bom e promissor…

E foi o que permaneceu acontecendo no transcorrer da partida, com a volta da chutação de fora com 8/27, enquanto os checos arriscaram 8/20, com 12 ataques improdutivos contra 19, somente em bolinhas de 3, ou seja, conseguiram contestar os arremessos com mais consistência do que nós, otimizando física e tecnicamente 7 posses de bola, além de nos ferir lá dentro da cozinha com uma elevada 28/44 conclusões, contra 19/40, vencendo a partida mesmo perdendo 5 lances livres contra 2 dos nossos, e até errando 13 fundamentos contra 11, porém dominando os rebotes com 39 captados, contra 28…

No entanto, as diferenças entre erros e acertos nos arremessos, mesmo expondo a crueza dos números, não explica o outro e determinante fator, o técnico tático, senão vejamos – Nos jogos anteriores, nossa dupla armação funcionou no muito bem realizado rodízio entre o Huertas, o Luz e o Benite, com presenças pontuais do Alex e do Leandro, sem que o Yago participasse do mesmo por sua jovem inexperiência, o que radicalmente mudou pela presença de armadores muito altos e técnicos dos checos, não só na contestação dos longos arremessos, como no duro enfrentamento nas fases dribladoras e fintadoras dos mesmos, deixando-os sem muitas opções ao jogo interno com os alas pivôs, o que aparentemente obrigou o técnico tentar algo inusitado, arriscado, porém diferenciado, lançando o Yago, que frente a uma barreira monstruosa de armadores e pivôs descomunais, rápidos e combativos, de saída cometeu um 0/4 nas bolas de 3, no momento em que os checos alargavam o placar, e inclusive se utilizando da arma tática brasileira da marcação zonal, da qual não soubemos sair, sendo inoculada com o mesmo veneno utilizado contra os gregos. E nesse ponto acontecia a maior das diferenças técnicas e táticas dentro da quadra, pois ambas as equipes se utilizavam da dupla armação, e de três homens altos transitando dentro do perímetro interno, a começar pela qualificação biotipológica dos checos, muito mais altos que nossos armadores, e tão rápidos e lépidos quanto os mesmos, porém com uma diferença determinante, possuidores de uma base sólida nos fundamentos e na leitura de jogo, assim como seus altíssimos e velozes alas pivôs, transitando numa média acima dos 2,10m, superando em alguns palmos nossos homens mais altos…

Interessante mesmo foi a constatação de que ambas as equipes, ao contrário das demais nesse Mundial (ainda não tive a oportunidade de ver os americanos), utentes do sistema único e universalizado de jogo, propunham o especialíssimo sistema de dupla armação e uma trinca de alas armadores interiorizados no perímetro, a brasileira através uma recentíssima guinada de seu técnico, a checa através uma longa convivência com a mesma (em breve conto uma boa e instigante história sobre essa opção checa aqui no blog), fator determinante na longa experiência somada a qualificação desde muito jovens nos fundamentos do grande jogo (fui testemunha dessa qualificação quando em 1997 disputei com a equipe infanto juvenil do Barra da Tijuca o torneio da Amadora em Portugal, onde a pré seleção checa da categoria jogou conosco vencendo de 8 pontos, num jogo memorável para a gurizada tupiniquim…). No ano seguinte essa seleção, cuja geração antecedeu a esta que disputa o Mundial, foi vice campeã cadete europeia perdendo para a Itália dirigida pelo Piero Gamba. que por conta desse título dirigiu a seleção do mundo de jovens no Torneio Goodwill contra os americanos no palco das finais da NCAA em San Antonio, e em cuja equipe despontaram o Scola e o Dirk Novinsky, e sabe com que sistema o Gamba venceu os americanos? Isso mesmo, com a dupla armação e três alas pivôs rápidos, atléticos e flexíveis ( penso em veicular ambos os vídeos, o da Amadora e o do Goodwill, aqui no blog, e claro, de co mo o sistema foi parar nas mãos inteligentes do Gamba)…

E nesse ponto sobressai uma questão – Como e porque o sistema ofensivo 2-3 foi desenvolvido prioritariamente na República Checa, tornando-a hoje adversária temível na Europa e agora no Mundial, fugindo radicalmente do sistema único adotado pela maioria esmagadora das demais equipes? Ouso afiançar, que a adoção de tal sistema, (do qual fui o introdutor aqui no país 40 anos atrás), como desencadeador de uma visão mais ampla e criativa do grande jogo, foi adotado pelo inconteste fato de que iguala o ensino e a aprendizagem dos fundamentos individuais e coletivos por todas as faixas etárias, por todas as posições em quadra, onde baixos e altos, franzinos e corpulentos tem a oportunidade de se exercitar por igual, nivelando habilidades, lendo melhor as situações de jogo, cooperando coletivamente e acima de tudo, raciocinando em função do outro, e não em causa própria, que é o que vemos e constatamos no mundo do basquetebol moderno, visto hoje, e mais do que nunca, como um business a ser alcançado ao preço que for…

Perdemos um jogo decisivo exatamente por termos, corretamente concordo, executado um sistema de jogo promissor em toda sua extensão pedagógica visando um futuro de amplas oportunidades, frente a uma equipe que o adotou duas décadas atrás, e que hoje colhe os bons frutos de sua ousada e corajosa escolha. ìnsisto ser de enorme importância mantermos o mesmo frente aos americanos logo mais decidindo a classificação às quartas de finais, isto porque, desde o advento do Coach K que eles mesmos, donos absolutos do sistema único, subverteram a ordem estabelecida e se bandearam para o atleticismo e velocidade de seus alas pivôs, abandonando as massas estratosféricas de seus pivosões, assim como, adotaram a artilharia de três a partir das universidades, mas que hoje, frente a retomada defensiva, contestando cada vez mais aquela tendência, retornam ao jogo interior, porém todos afeitos e acostumados às regras da NBA, encontrando sérias dificuldades sob às da FIBA, principalmente na defesa interior do garrafão, aspecto que podemos explorar com algum sucesso pelos bons pivôs e alas pivôs que temos, e pena, muita pena mesmo que outros mais bem dotados para essa briga não tenham sido convocados, ainda mais quando um Augusto sequer entra em quadra…

Temos que atuar com nossos melhores armadores no maior tempo de quadra possível, revezando-os ao mínimo, pois com a possibilidade de classificação, cansaço nenhum será justificativa em se tratando de profissionais tarimbados e experientes, o mesmo para os alas pivôs, todos juntos para o “bola ou búrica” de suas vidas…

No caso de uma vitória da Grécia sobre a República Checa, mais ainda terá de ser o esforço para o enfrentamento com os americanos, quando a vitória simples nos classificará. Vencendo os checos, difícil mas não impossível chegarmos lá. Torçamos então e quem sabe…

Amém. 

Fotos – Reproduções da TV.

A CORAJOSA OPÇÃO SISTÊMICA DO PETROVIC, MANTERÁ?…

No primeiro jogo da fase classificatória contra a Nova Zelândia arremessamos 17/44 bolas de 2 e 14/38 de 3, contra 18/37 e 12/26, numa competição artilheira de dar arrepios, haja vista o placar final de 102 x 98, ao final da partida

No segundo, contra a Grécia foram 25/52 de 2 e 5/12 de 3, contra 18/37 e 12/26 helênicos. Vencemos por 79 x 78 um jogo chave para a classificação…

No de hoje, o terceiro, contra Montenegro, arremessamos 26/46 de 2 e 7/18 de 3, contra 17/30 e 11/32, garantindo o primeiro lugar na chave por 84 x 73…

Assistindo os jogos e analisando os números, algo de absolutamente inédito em seleções brasileiras salta aos olhos, e tão somente quanto aos arremessos de quadra, números que estão aí acima, realmente inovadores, senão vejamos – Ao contrário da histeria dos 3 do primeiro jogo, o tal que por pouco nos livramos de um resultado nada alentador, quando arremessamos 38 bolinhas, fruto de um vício de formação arraigado de longa data em nossos jogadores, do segundo em diante não ultrapassamos as 20 tentativas (foram 12 e 18), quando priorizamos o fortíssimo jogo interior que possuímos, mudando radicalmente a forma de jogar, concluindo de fora quando realmente as condições de equilíbrio, desmarcação e velocidade, propiciou pontos importantes, otimizando o esforço físico a cada ataque com conclusões mais seguras e com alto grau de precisão, principalmente dentro do garrafão …

 Enfatizo esta providencial mudança, pelo inconteste fato do Petrovic parecer ter conseguido convencer a equipe de ser esta a melhor maneira de vencer jogos sérios e decisivos, de 2 em 2 e 1 em 1, com muita paciência, firmeza e alta percepção de leitura de jogo, principalmente jogando em espaços menores e bem defendidos, visando o desmonte defensivo, fator estratégico que ganha dimensões gigantescas daqui para o final da competição, e por um inusitado e não calculado comportamento de uma seleção que vem forçando essa forma de jogar do “chega e chuta”, de três décadas para cá, com inclusive a falsa afirmativa de que fomos nós a inaugurar a falácia tendenciosa de que  “mudamos o jogo”, mas que não nos fez vencer competições realmente importantes desde então…

Se essa mudança se concretizar com seriedade, compromisso e envolvimento por parte da equipe em seu todo, sem dúvida alguma seus mais ferrenhos adversários se preocuparão seriamente, pois terão de medir forças seguida, e não esporadicamente pelos 40 min da cada partida dentro de sua área defensiva, com desgastes em faltas e enfrentando arremessos mais precisos pela proximidade da cesta, através alas pivôs rápidos, ágeis e atléticos, alimentados por armadores agindo como tal, e não pontuadores de longa distância, assim como, com formações dinâmicas em constante movimentação, dinamizando sistemas defensivos combativos, antecipativos e inteligentes nas leituras conjunturais do jogo…

Os primeiros passos foram dados com a adoção permanente da dupla armação, e a escalação de uma trinca de alas pivôs de grande mobilidade ofensiva e defensiva, sem os exagerados arroubos das bolinhas salvadoras e midiáticas. E nesse ponto fica bem clara a falha convocatória, onde alguns nomões ocupam vagas de jogadores mais bem equipados tecnicamente que aqui ficaram, para exercer essas novas perspectivas com muito mais talento do que alguns que lá estão, inclusive visivelmente imaturos para uma competição desse calibre, pois renovação é algo muito sério, e que deve ficar ao largo de influências midiáticas e ufanistas…

Na continuidade somente um problema preocupa de verdade, a diminuição na rotatividade da equipe, onde fica bem patente o grande fosso que divide experiência e imaturidade, tornando um pouco mais difícil a transição do como jogávamos, para o que ensaiamos mudar, num salto desafiador que custamos tanto tempo para enfrentar…

Muito bem Paulo, o que fica faltando então? Alguns pontos importantes, como defender os monstruosos pivosões pela frente, radicalmente pela frente, cortando os passes diretos aos mesmos, obrigando a lateralização, com substancial perda de preciosos segundos de ataque. Mais trocas e cruzamentos (até aleatórios) dos alas pivôs dentro do perímetro interno, deslocando permanentemente os altos defensores, que é o fator mais importante na construção de espaços naquela zona chave para as defesas. Hierarquizar os posicionamentos nos rebotes defensivos, onde uns bloqueiam os atacantes e outros capturam a bola, e nos de ataque, tendo sempre um mínimo de dois na disputa aérea, sempre. Como vemos, pouco falta para realmente mudarmos, para bem melhor, nossa forma de jogar o grande jogo, como deve ser jogado na busca da maior precisão possível, antítese da chutação anárquica e desenfreada, onde o fator contraditório é exatamente a imprecisão…

Torço pela afirmação das mudanças, que se aceitas por todos (inclusive os assistentes técnicos que lá estão, adeptos ferrenhos da farra dos 3…) constituirá o grande passo que teimamos a décadas, em não dar, e talvez calarei meus rogos pela adoção, ou adaptação do mesmo, defendido, estudado e aplicado por mim em todas as equipes que orientei, da base a elite por mais de 50 anos, porém afastado pelo corporativismo defensor da mesmice endêmica que aí está, mas jamais calado nos técnicos e indignados artigos publicados nesse humilde blog, atuando ininterruptamente a 15 anos, o Basquete Brasil…

Quem sabe um croata consiga romper essa muralha, espero que sim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

DE 2 EM 2 E DE 1 EM 1, PORQUE NÃO?…

Fico na torcida para que o bom senso prevaleça, numa atitude enérgica defensiva, e numa ofensiva paciente, interior, com seletividade mais aprimorada nos chutes de fora, e acima de tudo, na luta sem tréguas pelos rebotes lá e aqui, indistintamente, e que de 2 em 2 e 1 em 1, torne o jogo mais inteligente e produtivo”…

Foi esse o último parágrafo do artigo publicado ontem neste humilde blog, e pelo que pude testemunhar ao vivo, a cores, e ululante transmissão (bons comentários do Marcelo e do Rodrigo, justiça seja feita), o bom senso imperou pelo lado tupiniquim, liderado por um técnico que, enfim, fez valer sua experiência e poder de persuasão quanto a inestancada hemorragia que nos esvai a décadas, de uma cultura autofágica retratada em toda sua extensão nos inenarráveis e muitas vezes irresponsáveis festins de 3 pontos, midiáticos, deificados e registrados como nossa marca pessoal de jogar o grande jogo, num anti coletivismo visando transformá-lo numa modalidade individual, como bem representam alguns de nossos líderes de antanho, glorificados e bajulados com a representação de uma forma personalista de atuar, que gerou levas e levas de “especialistas” que nos fizeram despencar ladeira abaixo no cenário internacional…

O jogo foi ganho de 2 em 2 e 1 em 1 pontos, trabalhados pacientemente, por uma dupla, às vezes tripla armação gerindo e servindo alas e pivôs com maestria, ferindo o adversário lá dentro de sua pretensamente inexpugnável cozinha, desmontando sua supremacia nos rebotes, onde um certeiro Varejão liderou sua equipe num jogo interno poderoso e acima de tudo, lúcido, pois jamais os gregos poderiam imaginar uma seleção adepta fervorosa das bolinhas, enfrentá-los onde se consideram fortes, lá, bem lá dentro. Some-se a isso o fato de ser este campeonato jogado pelas regras da FIBA, fator talvez esquecido pela turma grega (e muito torcedor também…), quando atestou o fato de que o MVP da liga maior simplesmente não pode desfilar sua coleção de talentos ao se deter ante uma defesa que pode exercer tantas e quantas coberturas quiser, tornando o 1 x 1 bem mais complicado de enfrentar. E foi uma defesa briguenta e antecipativa a que não só ele, mas toda sua equipe teve de enfrentar, perdendo a partida…

A turma brasileira arremessou 5/12 de 3 (palmas uníssonas para ela), e 25/52 de 2 pontos, concluindo dentro do garrafão 46 pontos dos 79 alcançados, enquanto a turma grega lançou 9/26 e 15/34 respectivamente, totalizando 28 pontos no garrafão, sendo que nos Lances livres as duas equipes converteram 14/19 e 21/23, números que permitiram a seleção nacional vencer por 1 ponto (79 x 78), mas venceram uma partida chave para a classificação numa posição vantajosa quanto aos enfrentamentos futuros, e mais ainda se vencer Montenegro na quinta que vem. Tiveram 10 erros de fundamentos (foram 8 na primeira partida), contra 16 dos gregos, outro número bem favorável, e que ao ser diminuído aumentará em muito a eficiência da equipe…

No entanto, alguns fatores importantes foram bem difíceis de enfrentar, como na rotação da dupla armação, onde seria arriscado lançar o Yago de encontro aos mais do que experientes tanques gregos, assim como um Benite que sem dúvida alguma teria seus longos arremessos severamente contestados, fator um tanto amainado no caso do Marcos, com sua elevada posição de arremesso muito além de seus 2,07m de estatura, situação que seria enfrentada pelo Leandro e o Alex se optassem pelos longos arremessos, inteligentemente trocados pelas furiosas penetrações que realizaram enquanto estiveram em quadra…

Como a briga nos rebotes, em muitas fases do jogo, teria relevância capital, Varejão, Bruno e Felício se saíram muito bem, sendo que a equipe teria produzido melhor se  constasse em seu elenco de alguns jogadores não selecionados, assunto que também mencionei no artigo anterior, numa perda de qualidade a ser bem pensada para as futuras competições, pois uma seleção nacional representa a forma de jogar seus campeonatos, e não só servir de vitrine da liga maior, com sua forma diferenciada de jogar o grande jogo…

Aguardemos o prosseguimento da competição, onde as exigências técnico táticas crescerão exponencialmente a cada etapa a ser cumprida, tendo a seleção a grande responsabilidade, daqui para diante, de manter esse novo posicionamento tão diligentemente alcançado no dia de hoje, e que seja, definitivamente, um marco divisório entre o ontem, o hoje, e quiçá o futuro de jogar o grande, grandíssimo jogo, da forma lúcida e competente apresentada nesse 3/9/2019…

Torço para que continue atuando com dois armadores criativos, improvisadores, corajosos, e três alas pivôs rápidos, ágeis, flexíveis e acima de tudo, inteligentes, pois bem sei de longa, longuíssima data,  como é jogar dessa forma, acreditando que venha a ser aceita e compreendida daqui em diante, afinal de contas é um croata que aposta nela, ou não?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A MENSAGEM DA HAKA…

Quando a Haka ecoou no ginásio, de estalo pressenti que uma imparável tempestade de arremessos de fora estava prestes a marcar indelevelmente a partida, no momento em que a seleção brasileira aceitasse o repto maori, onde velocidade extremada, acompanhada de uma desenfreada chutação de fora, marca registrada das equipes “all black”, chamava a turma tupiniquim para um temeroso festim, que poderia nos ser desfavorável, e quase o foi, não fosse a providencial entrada no terceiro quarto de um jogador, o Alex, que, com sua experiência defensiva e liderança inconteste, arrumou e orientou a contestação fora do perímetro, assim como organizou um rebote defensivo disperso nos dois quartos iniciais, fatores que “premiaram” a seleção com 50 pontos da turma do Pacífico, número comprometedor para qualquer defesa que se preze, apesar de também auferir outros 50 com seu ataque mais interior do que as bolinhas de praxe, ou seja, até aquele momento havia aceito o repto…

No terceiro, corrigida  e estabelecida a contestação mais rígida das bolas de fora, assim como compactando o rebote defensivo, pode a seleção abrir um pouco no placar, já que a recíproca não era a mesma por parte dos valentes maoris. Mas nada que recomendasse bem a nossa produção frente a números preocupantes, tais como – 35/81 arremessos de 2 (17/44 e 18/37), 26/74 de 3 (14/38 e 12/36), e 48/59 de LL (26/30 e 22/29), num equilíbrio acentuado, somente quebrado de leve nas duas bolas de 3 a mais, para uma contagem final de 102 x 98, num jogo em que a NZ teve 18 erros nos fundamentos contra 8 nossos, um bom número que deverá ser melhorado se quisermos avançar na competição, assim como um substancial abrandamento na volúpia das bolinhas (chutar 38 numa competição deste nível raia ao grotesco), energizando muito mais o jogo interior, veloz e de movimentação constante, já que enfrentaremos defesas poderosas que marcam técnica e fisicamente, sem hakas desafiadoras…

No mais, ficou bem clara a inadequação num nível mais elevado, de um jovem armador, o Yago, assim como um errático Didi, bom, porém inexperiente jogador (bem clara a atitude de sua franquia da NBA, mandando-o para a Austrália para ganhar experiência e mais adequados fundamentos), assim como o Caboclo, jogador mais glorificado estética do que tecnicamente, fazendo valer a opinião do técnico que o treinou no Toronto junto ao Bêbe, de que não entendia jovens tão atléticos não serem ensinados, preparados e treinados nos fundamentos básicos do jogo, que para o primeiro, empunhar a bola com uma das mãos ao pivotear pode parecer domínio superior, não fosse mais do que um dispensável exibicionismo. Na armação internacional anos de cancha é fator transcendental, aspecto que deve ser prioritário numa convocação para um mundial, assim como a escolha de alas experientes, jovens também, onde a rotulação quase que obrigatória da liga maior, se constitua em passaporte , um selo de qualidade discutível, se visto e analisado de forma mais objetiva e isenta de fatores econômicos e políticos…

Sob tais aspectos, não se entende a não convocação e aproveitamento de jogadores como o Meidl, o Lucas Dias, o JP Batista, os armadores Derik e  Cauê Borges, fortes e com boa estatura, em idade próxima a ideal para a posição, e como muitos adoram, pontuadores também, além de bons e sólidos defensores…

Amanhã nos defrontaremos com a Grécia, muitos pontos acima da Nova Zelândia, principalmente no aspecto defensivo, quando poderemos avaliar com mais precisão os acertos ofensivos e defensivos tão propalados na seleção, quando gostaria muito de não presenciar um jogador tomar ( ou sendo mais condescendente, pedir emprestado…) a prancheta do técnico, para didaticamente expor uma ação tática, que claro, não foi sequer esboçada, num jogo, onde o tão decantado e deificado piquenrol não foi executado uma vez sequer, e não precisava ante a barragem de chutes de três deflagrada a não mais poder…

Fico na torcida para que o bom senso prevaleça, numa atitude enérgica defensiva, e numa ofensiva paciente, interior, com seletividade mais aprimorada nos chutes de fora, e acima de tudo, na luta sem tréguas pelos rebotes lá e aqui, indistintamente, e que de 2 em 2 e 1 em 1, torne o jogo mais inteligente e produtivo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.