UMA OBJETIVA REFLEXÃO SOBRE O GRANDE JOGO (ARTIGO 1600)…

Sobre a matéria publicada neste humilde blog, A Crônica de uma Vida, em 10/7/18, dois comentários traçam com fidedignidade e precisão o atual momento do basquetebol brasileiro, valendo a pena uma reflexão argumentativa sobre os mesmos, podendo originar um bom e esclarecedor debate sobre nossas pretensões no plano internacional do grande jogo…

2 comentários

  • João
  • 12.07.2018
  • Treinador..Desculpe ser importuno, mas para sua análise:
    Verificando um levantamento dos nossos atuais atletas “selecionáveis” e suas atuações , certifiquei-me que é pouco provável que o Brasil consiga realmente algum resultado expressivo no cenário mundial daqui para frente…vejamos:
    Na faixa dos 35 anos,.. os que estão queimando o último cartucho temos o Larry,Huertas,Marquinhos, Leandrinho, Varejão, Nenê, Alex, JP Batista, Olivinha, Murilo,Guilherme…um grupo considerado forte, mas que não conseguiu passar da fase de grupos na olimpíada do Rio.
    Mas é na faixa dos 25 a 31 anos que estão a maioria dos jogadores que fazem parte do futuro do nosso basquete, Raulzinho,Benite,Felício,Léo Mendell, L.Bebé, Caboclo,Scott Machado, R.Mineiro, Cauê Borges,Elinho,Gui Deodato,Rosetto, Derek,Renan…e podemos colocar neste grupo o Yago com 19 e o Lucas Dias com 23 anos.. destes jogadores quem tem realmente um destaque.?..jogadores com grande potencial e talento a nível internacional ,a ponto de impactarem dentro de uma seleção ?
    Comparando com as principais equipes, não temos um time em reais condições de brigar pelas primeiras colocações contra as melhores seleções do mundo, atualmente estamos fora do Top 10 da FIBA…
    Urge um trabalho muito sério de desenvolvimento total das categorias de base do basquete nacional..abraço Treinador.
  • Basquete Brasil
  • 12.07.2018
  • Prezado João, nada a desculpar, somente agradecer pela sua colocação “chave” porque passa o grande jogo neste imenso e injusto país. O levantamento feito por você, mostra uma realidade técnico tática comum a todos os jogadores apontados, independendo se acima ou abaixo dos 30 anos, se em fim ou início de suas trajetórias pelas quadras daqui e lá de fora, já que todos, absolutamente todos, professam e praticam o sistema único desde a formação de base, orientados por técnicos, daqui e lá de fora, utentes do mesmo sistema, formatado e padronizado pelo mundo, com poucas exceções, fator este que projeta uma indiscutível evidência que reporto desde sempre nesta humilde trincheira, a de que num universo em que todos jogam de uma forma semelhante, vence aqueles que, em cada posição estabelecida de 1 a 5, que é uma marca indelével do sistema em questão, tiverem os jogadores mais preparados nos fundamentos(que não é a nossa realidade formativa), constituindo as melhores equipes, que somente poderão ser vencidas por adversários que se utilizem de sistemas divergentes, tornando-os proprietários de algo antagônico ao que pratica a esmagadora maioria dos jogadores e das equipes daqui, e lá de fora também. Sempre defendi essa colocação, inclusive colocando-a em prática quando na direção do Saldanha da Gama no NBB2, em continuidade ao que ensinei e treinei jogadores e equipes por 50 anos, com mais do que evidentes sucessos ante adversários pseudamente mais fortes pelos plantéis que possuíam. Já postei inúmeros artigos sobre este assunto, e só posso concluir afirmando convictamente que, independendo dos jogadores e suas idades, apontados por você( veja a realidade do futebol neste mundial com seus veteranos ditando o ritmo de jogo), a equipe nacional que defenderão, obteria bons resultados se radicalizasse seu preparo, desde os fundamentos, até a constituição de sistemas proprietários, absolutamente antagônicos a mesmice endêmica que praticam, assim como, seus últimos técnicos estrangeiros, todos adeptos do sistema único, ou não?
    Exceto os americanos, que inovaram(?) com o Coach K, não vejo mais ninguém jogando de forma diferenciada, e sabe porque João, pelo fato da mais absoluta ausência de coragem e preparo para ousar outros caminhos na busca do inusitado, do realmente novo, pois é bem mais cômodo professar uma globalização pétrea e profundamente burra, mas garantidora do emprego de todos.
    Enfim João, mudar não é para qualquer um, é para os melhores.
    Um abraço, e obrigado pela “chave”…
  • Amém.

Com esse artigo alcançamos a marca de 1600 publicados nesses 16 anos de Basquete Brasil. Que os deuses nos ajude a prosseguir,,,

DIAS MELHORES…

Eis-me de volta a dois dias do fechamento desse tenebroso 2020, que se os deuses ajudarem, será substituído por um 2021 pleno de esperanças e recuperação da saúde física, mental e econômica de um povo sofrido e maltratado por um governo ignóbil e criminoso, porém democraticamente eleito pelo mesmo, que espero tenha aprendido a diferenciar o joio do trigo de uma vez por todas…

Tenho tentado acompanhar o NBB, mas o sacrifício é enorme pelo descalabro em que tornaram o grande jogo praticamente irreconhecível, pois dói, e muito, assistir um descerebrado corre corre, com arremessos insanos de fora, trombadas por dentro e uma média de erros de fundamentos de 28 por partida, complementados pela mais comezinha ausência defensiva, hoje trocada por “faltas estratégicas e inteligentes”, emoldurando um quadro aterrador, onde três, e até quatro estrangeiros (americanos meia boca em sua maioria), ouvem com ar blasé as perorações “altamente técnicas e estratégicas”, esboçadas em pranchetas de araque, para logo após se reunirem combinando ações próprias deflagradas pelo “extraordinário” sistema de 5 abertos, matreiramente escolhido pelos estrategistas de plantão, por se basear sequencialmente no 1 x 1, fator “mamão com açúcar” para os gringos se esbaldarem, lembrando suas históricas peladas em parques espalhados em suas maiores cidades, e no meio dessa espantosa empulhação, um punhado de bons armadores argentinos, que aos poucos vão aderindo a loucura geral, principalmente pela ausência de uma liderança técnica que estabeleça sistemas e comportamentos coletivistas, que é o mínimo que se espera de uma equipe bem treinada e orientada, e mais, devidamente ensinada no trato com os fundamentos, e exemplarmente, no trato com o instrumental básico do jogo, a até agora massacrada bola…

Toda essa parafernália enaltecida aos berros histéricos de narradores absolutamente ignorantes do que se passa nas quadras, confundindo e enganando espectadores que ainda amam o grande jogo, não esse ai, onde comentaristas falam e falam sem explicar uma linha sequer do que venha a ser um jogo bem jogado, mas pródigos em beijos, abraços e lembranças de ouvintes que não estão nem aí para o que veem, na medida que se sintam reportados e lembrados na telinha…

Por tudo isso rareia em mim a vontade de assistir a uma pelada profissional apresentada como o “NBB como nunca se viu”, e não vi mesmo, pois sou de um tempo em que jogavamos, e venciamos praticando basquetebol, e não esse pastiche de terceira categoria que aí está…

Oito anos atrás publiquei o artigo Um tiro no pé, que reproduzo a seguir, e onde podemos constatar que nada, absolutamente nada mudou de lá para cá, numa antevisão do horror que conseguiram, os estrategistas de plantão, implantar no que há de pior e retrógrado no grande jogo em nosso país, carente e empobrecido de criatividade, espontaneidade e improviso consciente, e não essa coisa pasteurizada, formatada e padronizada, por quem, na triste realidade, odeia o grande, grandíssimo jogo, por não o entender em sua essência e genialidade. Eis o artigo, com o qual desejo aos poucos que aqui ainda se preocupam de verdade, um próximo ano repleto de esperanças em dias melhores, com muita saúde e paz no coração.

Amém. 

O TIRO NO PÉ…

sexta-feira, 22 de junho de 2012 por Paulo Murilo5 Comentários

Meus amigos, do que adianta defender uma tese provada no campo de jogo por anos e anos, de que de dois em dois pontos podemos vencer jogos, atingir contagens elevadas, defender com mais precisão, agilizar tanto o jogo interior, como o exterior, dotar os jogadores do poder decisório em quadra, item tão temido por tantos técnicos, por aprenderem e apreenderem a arte da leitura de jogo, por sedimentarem no dia a dia dos treinos os fundamentos do jogo, ferramenta visceral para a execução dos sistemas ofensivos e defensivos, pela aprendizagem ao diálogo sobre o que treinam e jogam, entre si, e com seus técnicos, numa mútua relação de confiança, respeito e consideração, professando uma autêntica dupla armação, e uma corajosa e diferenciada ação interior através uma tripla utilização de alas pivôs, rápidos, ágeis, flexíveis, e acima de tudo plenamente participantes do jogo, e não coadjuvantes de uma interminável hemorragia de arremessos de três pontos, que tanto empobrece nossa autofágica maneira de jogar o grande jogo.

Foi o que ocorreu, pela milionésima vez no jogo com a Venezuela, quando de dois em dois pontos endurecemos um jogo perfeitamente ao nosso alcance, para numa falha sucessão de bolinhas de três, propiciarmos contra ataques venezuelanos que esticaram o placar além dos 20 pontos.

E o que dizer do jogo da Sub 18 contra os americanos, que jogaram dentro de nós, enquanto treinávamos a pontaria de fora, sem falar na brutal diferença na postura fundamental de seus jogadores, frutos de uma escola que nos negamos a praticar, trocando um tempo precioso de formação por formatações e padronizações de sistemas de jogo, numa opção equivocada e absurda.

Senhores, utilizar uma dupla armação adaptada ao sistema único é praticamente um tiro no pé, pois retira do foco da ação exterior um dos armadores, que ridiculamente vai executar bloqueios dentro do garrafão, e de encontro aos grandes pivôs, enquanto seu companheiro de armação se vira sozinho e sem balanço defensivo presente, além de somente poder contar para uma jogada incisiva com um dos alas, claramente inferiores nos fundamentos básicos de drible e passes, pela ausência do outro armador. O resultado se reporta aos passes de contorno, num crescendo inócuo e destituído de penetração aos pivôs, que por conta de uma movimentação sagital se postam de costas para a cesta, quando deveriam atacá-la de frente e em veloz movimentação, situando-se dessa forma um tempo adiante dos defensores, que é a arma mais letal para superá-los.

O que poderia dizer ou acrescentar a mais, frente a resultados tão medíocres por repetitivos, e tão solidificados por padronizações e formatações?

Nada, se frente a uma realidade imutável, sólida e corporativista.

Tudo, se uma fresta, por tênue que fosse, de repente, se abrisse para algo de novo, iluminando caminhos abertos pelo diálogo, pelo trabalho conjunto daqueles que realmente conhecem e amam o grande jogo, e que comungassem princípios e conhecimentos entre jovens e veteranos técnicos e professores, no reencontro de um destino rompido e violentado pela mesmice endêmica que tem ferido de morte nossa maior riqueza, a criatividade inata de nossos jovens, enclausurada que se encontra nos limites de uma lamentável prancheta.

Mantenho uma contida esperança, de que nossa seleção olímpica possa vir a romper alguns desses grilhões, apresentando um jogo voltado ao perímetro interno, através um pleno domínio no externo, equilibrando ações voltadas ao coletivismo defensivo e ofensivo, onde arremessos de media e curta distância, mais precisos e eficientes, se sobreponham definitivamente às aventureiras bolinhas, lastreado por um sistema defensivo ousado e corajoso, base verdadeira de uma equipe de alta competição. Que assim seja, torço e espero.

Amém.

Foto-Divulgação CBB. Clique na mesma para ampliá-la.

EM TEMPO- Agora,  oficialmente na America do Sul, estamos em quarto…

5 comentários

  • Rodolpho
  • 25.06.2012
  • Professor, apesar de ser um pessimista (ou realista) com relação à Seleção Brasileira, duvido muito que o Magnano repita os erros da seleção no sul americano.
    Mesmo desfalcada, a seleção marcou muito bem e foi contida nas bolinhas durante o pré-olímpico. A tendência é melhorar o que deu certo, principalmente com a chegada dos reforços da NBA, que entram em vagas de jogadores sem condições técnicas ou táticas de disputar uma posição decente em Londres.
    Obviamente o nível dos adversários será muito superior, mas nossa seleção tem bons nomes (quantas seleções tem um garrafão do nível de Nenê/Varejão/Splitter?), o que me leva a crer que podemos chegar nas quartas de final sem sermos taxados de azarões.
    Pra um país com um campeonato nacional novo (4 anos) e de nível tão baixo, com a maior parte dos seus participantes ainda em nível amador, além, é claro, da vergonhosa situação das categorias de base, ficar entre os 8 primeiros do mundo é um prêmio a cada atleta e membro da comissão técnica, que, mesmo sem apoio da CBB (muitas vezes com a confederação atrapalhando) conseguirão chegar a Londres numa condição privilegiada.
    E quando o Brasil chegou entre os 8 melhores de um Mundial ou Olimpíadas?
    E quando o Brasil chegou entre os 8 melhores de um Mundial ou Olimpíadas sem depender de milagres do Oscar (as vezes com Marcel)?
    Faz muito, muito tempo.
    Espero que o sucesso nas Olimpíadas (acredito nisso plenamente) não seja usado como mérito da CBB, pois não será. Será tão e somente mérito de cada jogador (e sua família) que sabe o que é conseguir chegar no nível mais alto do esporte sem apoio algum de sua pátria. E ainda sim criticado quando (realmente) não pode participar de alguma competição.
    Professor, poderemos vê-lo comandando algum clube num campeonato estadual adulto esse ano???
  • Basquete Brasil
  • 25.06.2012
  • Não esquecer as três medalhas olímpicas de bronze (Londres, Melbourne e Toquio), e os dois mundiais no Chile e Rio de Janeiro, todos conquistados pela geração que antecedeu a do Oscar, prezado Rodolpho. Não esquecer também que a FIBA relacionou o Brasil como a quarta potência no Basquetebol do século 20, somente atrás dos Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia.
    Sim, já fomos referência mundial no grande jogo, condição perdida pelas absurdas e criminosas gestões na CBB dos últimos 25 anos.
    Muito será o trabalho para o soerguimento do basquete no país, e quem sabe um bom papel em Londres ajude nesse esforço.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil
  • 25.06.2012
  • EM TEMPO – Rodolpho, não respondi a sua pergunta feita ao final do comentário – “Professor, poderemos vê-lo comandando algum clube num campeonato estadual adulto esse ano???”
    Mas o faço agora.
    Somente me verão dirigindo uma equipe em qualquer campeonato, municipal, estadual ou nacional, se for convidado, o que duvido muito que aconteça. Relatar treinamentos e jogos visando um maior conhecimento por parte dos jovens técnicos brasileiros, como fiz ao dirigir o Saldanha da Gama no NBB2, através relatos diários no blog, mantê-lo atuante e combativo ano após ano; propor na teoria e na prática intensa, novos caminhos técnico táticos para o nosso basquete; lutar com denodo pela urgência de um associativismo por parte dos técnicos de forma ampla e irrestrita; contrariar interesses de Cref’s e entidades que monopolizaram e lotearam o desporto nacional, minimizando e quase extinguindo o esporte como parte integrante do processo educativo nas escolas, canalizando toda uma juventude para os corredores e salas de mega academias; se negar a deixar de escrever e publicar nessa humilde trincheira em troca de possíveis colocações no mercado de trabalho; tudo isso são os reais fatores impeditivos ao meu exercicio profissional de técnico de basquetebol, apesar de muito necessitar economicamente do mesmo, face ao grande dispêndio financeiro que passei a enfrentar quando da quase perda de minha casa num processo espúrio e criminoso, além da conceituação de velho e ultrapassado, que é o estigma por que passam os profissionais acima dos setenta anos, independendo de sua formação e qualificação, neste nosso injusto e cego país.
    Mas sigo em frente, atuante e atento ao mundo que me cerca, pleno de esperanças e fé em dias melhores para todos nós que amamos o grande jogo.
    Não, prezado Rodolpho, me verem em quadra de novo é assunto proibido, pois dependeria de quem, assim como eu, propugnasse por algo antagônico ao que ai está. Logo…
    Um abraço, Paulo Murilo.
  • Rodolpho
  • 27.06.2012
  • Professor, o basquete há de pregar uma peça na gente (como a vida sempre faz) e muitos que querem o bem do jogo não esperam a hora de te ver no seu lugar, que é no comando de alguma equipe com estrutura decente.
  • Basquete Brasil
  • 27.06.2012
  • Amém, prezado Rodolpho, amém.
    Paulo.

A SÍNDROME DOS 40…

E aí fulano, 42% nos 3 é bom? Claro, beltrano, é um número muito bom para bolas de 3 pontos, que aliás, é uma marca registrada dessa grande equipe…

Legal. formidável, encorajador para os mais jovens se iniciarem nesta autofagia desenfreada e tosca de um basquetebol absurdo e capenga. São comentários deste quilate nas transmissões de um “NBB que você nunca viu”, os também responsáveis pela “pelada descomunal” em que estão selando o infausto destino deste infeliz e mal jogado ex grande jogo entre nós, e sem contar os outros números que já ultrapassam os 40 erros em uma só partida, como Minas 105 x 100 Brasília, onde ambos os contendores perpetraram 20 erros cada, ou 40 atentados contra os fundamentos num único jogo. Mais algumas rodadas e outras mais equipes deixarão essas marcas para trás, com certeza, pois a insânia não tem freios, ainda mais com as incendiárias pranchetas os comandando (ou tentando comandar)…

Vamos aos números “ideais” dos comentaristas, 40% para bolas de 3, ou seja, se a equipe acertar 4 em 10 tentativas, estará OK, e aí me pergunto, e as outras 6 tentativas, ficam no vazio? Mas como nunca arremessam menos do que 20 (algumas equipes vão além dos 30), o número de ataques falhos cresce matematicamente, e se for emulada pelo adversário (os famosos duelos), aí a coisa ( ou o simulacro de jogo) fica absurdamente ridículo. Somemos ao despautério os imperdoáveis números de erros de fundamentos, e teremos o que em forma de jogo, o que? Isso mesmo, uma enorme e condenável palhaçada, aplaudida e incensada como obra da mais alta emoção, vibração, e por que não ENGANAÇÃO, o termo correto, sem dúvida…

Dos 40 anos muitos jogadores já se aproximam, ou mesmo superam, fazendo a mesma coisa, ano após ano, sem que ninguém os corrijam, ou pelo menos tentem corrigir, já que prontos e polidos, amestrados posicionalmente de 1 a 5, bitolados, formatados e padronizados pelo figurino corporativista de seus estrategistas, voltados aos títulos e currículos, todos remando um barco de timão rompido, volteando num moto contínuo que não leva a lugar nenhum, numa mesmice endêmica e letal…

Mas que chutam e chutam como ninguém, de longe, muito longe, onde a mecânica não importa se as bolinhas caem (comentário feminino de ontem), pegas corretas então nem falar, são detalhes supérfluos, pois com a profusão crescente de tentativas uns 40% de vez em quando premia vitórias retumbantes, porém com um detalhezinho “esquecido”ou não mencionado por ignorância mesmo, o de não serem contestadas, não em 40%, mas sim em 90/100%, vamos falar a verdade, o óbvio ululante!!!…

Ninguém vem marcando ninguém de a muito tempo, tapeiam, enganam, fazem faltas estratégicas, usam os braços, quando as pernas são a base de qualquer defensor bem treinado, logo escolado na função defensiva, que é o fundamento mais importante do grande jogo. Porém lá na frente metem pra valer, ou pensam que metem, até se defrontarem com equipes argentinas e europeias (já nem menciono as americanas para não parecer covardia), e aí nem os 40% atingem, com as desculpas de que não era o dia ou simplesmente “hoje não caíram”…

E os 60% de bolas perdidas (só as de arremessos de 3, noves fora os erros de fundamentos), por que não trocadas pelas de 2 pontos, muito mais precisas, porém exigentes na aproximação, impossíveis sem o domínio dos fundamentos básicos, nosso criminoso tendão de Aquiles, olvidando gerações passadas que o dominavam, hoje enviados ao limbo das impossibilidades por não ensinados como deveriam sê-los? Tenho publicado e comentado os incríveis números de cada LDB realizada, com as médias de erros de fundamentos na faixa dos 28 por partida realizada, para mais adiante se ufanarem de uma seleção nacional disputar uma America Cup com a maioria dos jogadores egressos e “formados” na mesma, mas omitindo a liderança de um Caio formado na escola argentina, errando um mínimo aceitável pela idade e experiência. Se o técnico croata, substituir muitos %’s de puxação de ferro por uma extensa e dura preparação nos fundamentos do jogo, passarei a acreditar em melhora substancial do grande jogo entre nós, espelhando para os mais jovens como se deve encarar uma modalidade com princípio, meio e fim, e não se escudando e escondendo deles os princípios básicos do jogo. fazendo-os optar pela artilharia de fora, a correria descerebrada, o faz de conta defensivo, e o mais básico de tudo, a leitura inteligente e de custoso e sacrificado aprendizado, seus fundamentos, sem os quais, jamais jogarão o basquetebol de verdade, e sim um assemelhado desprovido de criatividade e improvisação consciente, pois só improvisa quem sabe, quem conhece e domina o grande, grandíssimo  jogo, aquele que marcará indelevelmente suas vidas, claro, claríssimo, se bem ensinado e treinado, como sempre deveria ser, para um percentual mínimo de 70%, pelo fundamento que for, e não os 40% trombeteados e deificados por aqueles que não tem a menor noção do que ele representa na cultura desportiva mundial…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV e arquivo particular.

A GRANDEZA DO GRANDE JOGO…

Esperei por 15 anos, desde que edito e publico este humilde blog, ter a oportunidade de assistir uma seleção brasileira atuar com uma dupla armação de verdade por toda uma partida, num rodízio entre quatro armadores, como nesse jogo contra o Panamá, compondo duplas que variassem conforme as necessidades e exigências táticas dentro do campo de jogo, e me vi compensado ao testemunhar quatro jovens armadores exercitarem a quase esquecida arte do improviso, da criatividade, onde o surpreendente Caio encontrou no Yago o companheiro ideal para produzir um basquetebol ágil, ousado e magnificamente autoral. George e Alexey necessitam ainda exercitar essas novas funções, díspares e antagônicas do que produzem desde suas formações de base, o que será possível se corretamente ensinados e dirigidos, não sendo absolutamente surpresa o Caio ter se adaptado mais fielmente ao sistema adotado pelo croata, por sua formação no basquetebol argentino, onde os fundamentos e a boa leitura de jogo são exercitadas desde a formação de base, em clara anteposição ao que é feito, e muito mal feito em terra tupiniquim…

Logo, nenhuma surpresa pela desenfreada busca pelos armadores platinos, com nossas franquias valorizando-os bem acima da média, depreciando bastante nossos jovens aspirantes da função, mesmo que bitolados pelo indefectível sistema único padronizado e formatado desde sempre. Fossem os mesmos ensinados e orientados na criação e improvisação fundamentadas numa correta e objetiva leitura de jogo, e os teríamos tão bons ou melhores que os hermanos, como os tínhamos num passado não tão distante assim, varridos nessas qualidades pela plêiade de estrategistas que resolveram tutelar o grande jogo de fora para dentro da quadra, com suas absurdas jogadas semaforizadas e de passo marcado, registradas nos ininteligíveis hieróglifos postados em suas mais absurdas ainda midiáticas pranchetas…

Porém, um hiato ainda persiste, intocado e de distante compreensão por parte da maioria dos estrategistas nacionais, e porque não, pelo croata também, o fato da não correta e perseguida conexão entre as ações efetuadas pelos armadores no perímetro externo, com os alas pivôs em permanente deslocamento pelo interno, simbiose que quanto mais presente e perfeita, maiores serão os resultados alcançados, fator básico e irrefutável na busca do coletivismo criativo e altamente eficiente, onde a progressão pontual de 2 em 2 e 1 em 1, destinando as conclusões de 3 como detalhe complementar, e não prioritário de um eficiente e vencedor sistema ofensivo de jogo, diminuiria bastante a incidência de erros nos arremessos, pelas menores distâncias em que se concretizariam, otimizando cada ataque realizado, em anteposição aos muitos e muitos perdidos sem pontuação, face a desenfreada artilharia de fora que tantos prejuízos vem causando ao basquetebol nacional…

Quando no artigo anterior propus a visualização de dois jogos lá postados, como uma prova inconteste da utilização do sistema com dois armadores e três alas pivôs, comprovando na quadra e nos resultados ali alcançados, o fiz como uma proposta da exequibilidade do mesmo, ontem ensaiado em Buenos Aires, porém ainda muito distante “do como” conectá-lo à prática, pois o ensino e o treinamento do mesmo exige uma larguíssima experiência detalhista, somente alcançada por uma específica didática fundamentada em muitos anos de estudo, pesquisa, e decidida vontade e competência em torná-lo realidade prática de jogo, na qual a criatividade constante e o improviso responsável e muito bem pensado e elaborado, alcance uma leitura imediata de jogo quando no enfrentamento de situações que jamais se repetem, antítese do que a enorme maioria dos nossos estrategistas buscam alcançar sem a mais absoluta chance de conseguí-lo, sabem porque? Porque atuam num mundo onde tudo se copia, e muito mal, onde contam com a cumplicidade da maioria dos jogadores, concordes com a mesmice técnico tática em que convivem ano após ano, mudando de franquias para exercerem os mesmos papéis, até a chegada de alguns nas seleções, para fazerem e exercerem o mesmo desde sempre, o de executores contritos do sistema único e da hemorragia dos três, fatores que nos tem lançado ao fundo de um poço, na contramão do vôlei, com sua sempre inovadora forma de ensinar, treinar e preparar jogadores nas técnicas mais evoluídas, sendo referência para outros países, que aqui vem se atualizar, pois não pararam no tempo, fornidos por um vultoso patrocínio de um banco que se iniciou no marketing esportivo no basquetebol, modalidade que o perdeu por injunções políticas, e que não soube buscar outro que pudesse vir alimentar seu progresso técnico tático administrativo, sendo lançado aos braços de um corporativismo interesseiro e retrógrado, porém garantidor do pequeno e seleto nicho empregatício que restou daquela debacle…

Enfim, nos tempos atuais observamos com curiosidade algumas proposições como essa na jovem seleção que nos representa na Cup America, mas ainda destituída de uma verdadeira, autêntica e provada forma diferenciada de jogar o grande jogo, no que vejo de pronto seu ponto fora da curva, o desconhecimento de como exequibilizar tão árduo e necessário projeto de preparo de equipes, da formação a elite, numa mudança radical do que se faz e pratica atualmente, conhecimento de muito poucos neste imenso, desigual e injusto país, e um deles, desculpem a imodéstia, sou eu, Prof. Paulo Murilo, 81 anos e com muita saúde ainda para demonstrar com sobras as proposições acima descritas, provadas teórica e praticamente em mais de 55 anos de quadra, e jamais sobraçando pranchetas, nenhuma, somente referendando e respeitando o mágico mundo do treino, onde as verdades verdadeiras acontecem, longe, bem longe dos midiáticos holofotes, que tanto atraem todos aqueles que julgam conhecer o grande, grandíssimo jogo, mas que sequer o entendem em sua grandeza, tornando-o pequeno por sua mesquinhez e curta, e talvez inexistente visão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV,

ENFIM, UM POUCO DE LUZ…

(…)Teremos quatro armadores, mas isso não é nenhum tipo de problema. De 15 a 20 minutos, vamos jogar com dois armadores ao mesmo tempo, pois temos armadores diferentes. Essa experiência pode ser muito boa. Além disso, está tudo ‘normal’. Lucas Mariano está muito bem no São Paulo e merece essa convocação. Os demais, já vêm participando de outras janelas. Estou feliz com esses atletas – citou Aleksandar Petrovic(…)

Somente uma declaração dessa do técnico da seleção brasileira ontem publicada, faria com que eu saísse do mutismo em que me encontro a uns bons dois meses, não pelo fato de estar confinado numa quarentena forçada por uma pandemia criminosamente omitida e minimizada por um governo espúrio, tendo como algum contato com o grande jogo um NBB insosso e desprovido do insumo básico para a sua aceitável prática, seus fundamentos básicos, aviltados numa escalada assustadora na maioria quase absoluta dos jogos até agora realizados nessa competição, que são números que não mentem, 969 erros de fundamentos básicos em 36 jogos, alcançando a média de 26,9 por jogo, com partidas como Corinthians x Franca, e Flamengo x Campo Mourão, onde 36 erros foram perpetrados, e um inacreditável Corinthians x Pinheiros, com 38, isso mesmo, 38 assassinatos dos fundamentos. Somente duas partidas, Flamengo x Pato, e Brasília x Corinthians ficaram abaixo dos 20 erros (19/18), números ainda bem acima de marcas aceitáveis para uma divisão de elite, como é considerado(?) o NBB, com o basquete “como você nunca viu”,como tronitroam narradores ensandecidos pelos espetáculos da mais “pura técnica técnico tática” que transmitem e comentam enlevados…

Mas como nada ainda pode ser considerado como perdido neste deserto de idéias e absoluta falta de criatividade, por mais simplória que seja (já teve estrategista rodando com somente um jogo engabelado), vemos com surpresa atenção a maturação da dupla armação pela maioria das equipes da liga, não como uma mudança sistêmica mais profunda, e sim como um artifício para melhorar a qualidade técnica de um sistema único corroído e arcaico, que teimam em perpetuar, por ser o único que conhecem, todos, de técnicos a comentaristas, e porque não, agentes e dirigentes, convencendo patrocinadores a apoiá-los, numa trilha que vem lançando o grande jogo ladeira abaixo, ano após ano, década após década, de encontro a um infindo fundo de poço colossal. e cada vez mais enriquecido com o idioma da matriz, agora mais do que nunca com a permissividade de quatro estrangeiros por equipe. E o artifício tem enganado muita gente, ao substituírem um ala (o 3 deles) por um outro armador, numa simulação de dupla armação, denominando-o como um 2 pontuador, ou seja, tudo como dantes, com um pouco mais de destreza individual…

No entanto, como toda burrice crônica e endêmica, um ou outro estrategista mais esclarecido e inteligente, foge da mesmice, e aos poucos vai descobrindo o real valor de uma dupla armação voltada ao todo da equipe, e não a estúpida setorização, que atinge sua magnitude na falácia dos “cinco abertos”, onde o 1 x 1 encontra seu nicho ideal, porém fracassando pela ausência e desconhecimento dos fundamentos, principalmente no drible e nas fintas com bola em movimento, onde a negaça e as trocas variáveis de direção exigem o mais completo domínio do corpo e da bola, instrumento esférico e altamente volúvel e de controle difícil e especializado, daí a busca frenética por armadores americanos e argentinos, infinitamente mais técnicos e preparados do que nossa escola tupiniquim, gerando por conseguinte o enorme engano de que por si só resolvem os embates 1 x 1, anseio maior dos estrategistas torcedores de beira de quadra, além, muito além, da artilharia de fora, embuste sufragado pela mais completa e ausência defensiva, como num trato de cavalheiros, onde “o faço que defendo e você chuta” persiste até a última bolinha, que convertida, ou não, define o vencedor, até o próximo encontro…de cavalheiros, onde todos fora dos perímetros, armadores, alas e pivôs brincam de basquetebol, sem as agruras estafantes de preparo nos fundamentos, onde todos, remam um barco na única direção que professam, um bem fornido e irrespirável fundo de poço…

Como afirmei antes, uns poucos, muito poucos entenderam a dupla armação com suas imensas possibilidades, mas ainda não entenderam o que venha a ser jogar dentro do perímetro com os três alas pivôs em mobilidade constante e errática, assíncrona, criativa e profundamente improvisada, pois “só improvisa quem sabe e conhece profundamente seu ofício, seu instrumental de trabalho, os fundamentos e o domínio de sua ferramenta, a imponderável e sutil bola”…

Quero e preciso acreditar que o inteligente croata esteja no limiar de conceber esses novos tempos, de descobertas e criação, comuns em seu velho continente e novo mundo americano, porém rarefeito por aqui, onde as raras exceções foram devidamente varridas para baixo do tapete, mesmo provando na teoria e na prática como ensinar, treinar e preparar equipes para atuar com dupla armação e três alas pivôs dentro de perímetro, assim como defesas na linha da bola lateralizada e prática constante e ininterrupta dos fundamentos básicos do grande, grandíssimo jogo…

Sugiro humildemente que se interessados forem sobre o que venha a ser dupla armação e como jogar dentro do perímetro com três alas pivôs, que vejam ou revejam dois jogos da extinta equipe do Saldanha da Gama no NBB2, dirigida por mim, para terem uma idéia de como foi jogada fora pela janela da história, uma sacrificada experiência, que se tivesse tido continuidade estaríamos em outro patamar técnico tático no confronto interno, e mesmo internacional, e não esse pastiche que praticamos referendados em 26,9 erros em média nas partidas do NBB, noves fora a hemorragia jamais estancada nas bolas de três, terrível hábito que se espraia nas divisões de base, fatores que não encontrarão na humilde, competente, bela e esquecida equipe de Vitória…

Amém

Saldanha x Brasília 

Saldanha x Joinville

Fotos – Divulgação CBB e arquivo pessoal.

ANOS LAMENTAVELMENTE PERDIDOS…

TRISTE, MUITO TRISTE…

Em 2013 escrevi e postei o artigo O Prodígio, que sugiro fortemente que o leiam, antes de prosseguir a leitura do artigo que hoje posto. E o por que da sugestão, senão pelos fatos irrefutáveis de que nada, absolutamente nada mudou no cenário pobre e carente do basquetebol nacional, apesar dos “altos” investimentos em tecnologias midiáticas, televisivas, patrocínios e parceria com uma NBA voltada muito mais aos seus interesses econômicos e comerciais, do que realmente ajudar a mudar a mesmice técnica da parceira tupiniquim, decidida e servilmente submetida às migalhas da matriz, e sabedora incorrigível de que os parâmetros financeiros da mesma são e serão irremediavelmente inalcançáveis por uma modalidade desportiva que mal sobrevive em um país que não desenvolve e apoia sua cultura e educação, quanto mais desportos…

(Pausa para a leitura)

Bem, para os que leram ou não, pergunta-se – O que não mudou? Estamos em 2020 e o artigo é de 2013, depois de um Pan Americano, e três anos antes de uma Olimpíada, que para o basquetebol foi trágica, com a equipe feminina derrotada em todos os jogos, e a masculina eliminada pela rival argentina. De lá para cá, foram mais quatro anos da mesmice endêmica técnico tática de sempre, porém maquiada por feéricos espetáculos, transmissões com narrações apopléticas e ufanistas, comentários fora da realidade, e acima de tudo, uma pobreza técnica pungente, onde nem a presença de muitos estrangeiros aufere benefícios, frente a dura realidade de que vigora no âmbito da maioria esmagadora das equipes do NBB, a “filosofia” dos cinco abertos, da autofágica sanha dos três pontos, e da mais absoluta e absurda ausência defensiva, fator alimentador dessa terrível realidade…

Terrível? Sim, e mais ainda quando brotam desse terreno inóspito um caudal de “filosofias” personalistas, na maioria copiadas sem referências autorais e bibliográficas, “lives” com palestras atulhadas de termos em inglês e conclusões estéreis e vazias de conteúdo, numa embromação que incomoda pela desfaçatez, assim como depoimentos históricos e personalistas, e nas poucas matérias técnicas, o cientificismo rolando solto, como a panacéia de todos os nossos males. Mas o buraco negro que nos engole sequer é cogitado de ser enfrentado, o salto a ser dado em nossa evolução técnico tática, que é decorrente da falência de um consistente preparo de professores e técnicos nos cursos superiores de educação física, cujos currículos das disciplinas desportivas foram esvaziados e minimizados pelas disciplinas da área médica, fator preponderante para a falência nos alicerces da pirâmide da formação de base, nas escolas e nos clubes, sem a qual, absolutamente nada alcançaremos para o soerguimento do desporto, e do grande jogo em particular…

No bojo cruel dessa pandemia, algo voltado a técnica deveria ter sido patrocinado pelas entidades que lideram e organizam o basquetebol nacional, dos princípios aos conceitos, da organização aos projetos formativos, do estudo ao compartilhamento da informação técnica e didático pedagógica, alimentando de conhecimentos e experiência todos aqueles que lutam e perseveram no ensino do basquetebol, situados nos confins deste imenso, injusto e desigual país, que sempre amou e prestigiou o grande jogo, mas que foi encampado por uma corriola oportunista e político interesseira, que se corporativou e se estratificou muito além do bom senso, a ponto de expurgar todo aquele que se opuser a seus dogmas, onde a importância estratégica do contraditório é simplesmente omitida, ou mesmo, defenestrada…

Os problemas e as falhas apontadas no artigo em questão são, após sete anos, os mesmos de hoje, como uma ou outra raridade inovadora rapidamente afogada, expurgada de um meio totalmente voltado a um sistema de ensino, preparo e aplicação prática, solidamente padronizado e formatado, formando e moldando “filosofias” definidoras do basquetebol que nos tem arruinado de vinte cinco anos para os dias de hoje, e o pior, sem indícios minimamente aceitáveis de que irá evoluir para melhor, lamentavelmente…

Que os deuses em sua magnanimidade nos protejam…

Amém.

Foto – Reprodução da TV.

A ENDÊMICA CEGUEIRA…

Quarentena a todo vapor, saída para vacina contra a gripe cercada de todo um aparato de guerra, máscara, assepsia ao sair e voltar, e sem sair do carro, mas ao final do dia, caramba, um momento simples de curtição gastronômica, frente a uma pizza e um cálice de um bom tinto português, compensando um pouco o afastamento social a que todos estamos submetidos, apesar de reféns dos descompassos governamentais a que assistimos incrédulos, ante tanta insensibilidade com a saúde de um povo sofrido e abandonado em sua grande maioria…

Porém, mesmo paralisado pela grave crise que nos assola, o grande jogo ainda nos reserva insuspeitadas surpresas, como as saídas das equipes de Bauru e Pinheiros do NBB, fato inadmissível num incompleto campeonato, principalmente frente aos critérios econômicos e logísticos exigidos às franquias para o ingresso na LNB, aspectos que não justificam seu abandono sob qualquer ponto de vista, como o de Bauru, mais focado na próxima temporada, como se a atual, que mesmo adiada sem prazo determinado, poderá, ou não, ser concluída, oferecesse um confronto desigual com Mogi no playoff, resultado nada desejado pela franquia em questão, cujo plantel não conta com as “peças” desejadas, mas possíveis para a próxima temporada. No caso do Pinheiros, clube referência na formação de jogadores de ponta, é uma saída mais drástica, pois já vinha dando indícios de que sairia do NBB, mesmo contando com uma equipe competitiva dentro dos padrões técnico táticos das demais franquias, alinhadas ao sistema único de jogo, agora oficialmente referendado pela LNB na escolha através votação do quinteto ideal dos NBB’s, onde as posições foram definidas como armador, dois alas e dois pivôs, modelo básico do sistema único, em contraposição a dupla armação e três alas pivôs que, aos poucos, vem sendo desenvolvido e aplicado por umas poucas franquias, com inconteste sucesso. Como vemos, a liderança técnica encastelada na liga, determina ser esta a direção a ser continuada no basquetebol nacional, onde a inclusão da ” filosofia” do chega e chuta deverá ser mantida agora, e nos futuros NBB’s, afinal de contas, trata-se do “basquete moderno”, aquele que nos levará de volta ao concerto internacional, fato que, particular e conscientemente, duvido que consigam, sob quaisquer critérios que se possa analisar, infelizmente…

Trata-se de uma endêmica cegueira, gosmenta e pegajosa cegueira, que me fizeram postar alguns artigos neste humilde blog, um dos quais relembro agora, colocando-o no painel daqueles que nunca foram comentados, apesar da importância de seu teor contestatório e desafiador. Leiam-no se assim o desejarem…

Amém.

A INADIMISSÍVEL CEGUEIRA…

quarta-feira, 17 de outubro de 2018 por Paulo MuriloSem comentários

Olhando com cuidado e muita atenção a página inteira do O Globo ai do lado, fico imaginando o que estão fazendo com o basquetebol brasileiro, proposital e cirurgicamente, destinado-o ao comezinho papel de “poste”(está na moda…) virtual e presencial de um outro jogo, de uma liga que sequer prática as regras internacionais, dimensionada à estratosfera de um poder econômico brutal, e um suporte técnico lastreado por uma formação maciça de base em suas escolas e universidades, numa contraposição devastadora frente a nossa realidade educacional, econômica e social, mas possuidora de um emergente mercado a bordo de seus 208 milhões de habitantes, onde um décimo de seus jovens, por si só, viabiliza investimentos em calçados, uniformes e apliques oriundos das franquias da turma lá do norte, e claro, de seus fiéis e colonizados prepostos abaixo do equador…

Honestamente, não vislumbro qualquer vantagem mínima nesse intercâmbio, a não ser para a turma lá de cima, amaciando nossos jovens na inoculação de seus princípios e metas a médio e longo prazos, onde o acesso às riquezas de seu interesse estratégico e político, se tornam factíveis na medida direta da maior ou menor simpatia e admiração de seus valores por parte de uma juventude torcedora da NBA, da NFL, e por que não, do MMA…

O basquetebol, sem dúvida alguma é o desporto mais consumido em todo o mundo, divulgado e estudado de forma científica desde sempre, e aquele que comporta a mais vasta bibliografia acadêmica e popular, o que justifica plenamente o imenso interesse político social dos irmãos do norte, principalmente na inteligente globalização que estabeleceram em sua liga maior, elencando cada vez mais estrangeiros em suas franquias multibilionárias…

Olhando com mais cuidado ainda me pergunto – o que representa o Le Bron, ou o Tom Brady para o nosso país, para nossos jovens, quando nenhum deles jamais poderá ter acesso ao seu status econômico e social jogando basquetebol ou chutando uma bola oval? Quem sabe trocando pancadas numa arena de MMA, como alguns patrícios que, inclusive, sugerem ser a modalidade adotada em nossas escolas…

Triste país, onde nem a direita e nem a esquerda deseja o povo educado. aquela para se manter no poder, esta para usá-lo como massa de manobra para conquistá-lo, como nos últimos desgovernos que nos lideraram, e que ainda teimam em manter o que aí está, vide a ausência dessa estratégica necessidade nos discursos dos que aí estão na reta final das eleições…

E no compêndio educacional e cultural de nosso imenso e injusto país, o grande jogo tem um lugarzinho no coração de nossos jovens, e daqueles que já o foram um dia, nas escolas, nos clubes, nos parques, e nas imorredouras imagens de um recente e brilhante passado, onde venciamos a todos, mesmo aqueles que agora nos impõem regras e comportamentos fora de nossa realidade, mas plenos da certeza de que, pelo poder econômico nos dobraremos a sua cultura e poder hegemônico…

Este é o padrão que está sendo estabelecido por uma liga associada a liga maior, aquela lá de cima, onde os negócios, os patrocínios e os master investidores semeiam a padronização, a formatação de um conceito de basquetebol antítese de nossa realidade de país carente daquele aspecto que tornam seus mentores poderosos, a formação de base, a massificação desportiva nascida na escola e nas políticas governamentais, nos destinando a feérica ilusão de um espetáculo dentro das quadras que raia ao ridículo atroz, em sua pobreza técnico tática e de formação de base, onde a média de erros de fundamentos, nessa versão 2018 da LDB, alcança os 35.9 por jogo, com partidas, como  UNI 71 x 85 Corinthians, com inacreditáveis 59 erros de fundamentos (29/30) !! E como nos primeiros quatro jogos da primeira rodada do NBB11, quando duas equipes perdem seus jogos arremessando mais de três pontos do que de dois (Paulistano 8/37 e Brasília 11/38), com um dos técnicos justificando –  Precisamos defender melhor. Tomamos bolas fáceis. Nós precisamos evoluir muito defensivamente. Isso é o que vai dar força para o time buscar os resultados. Porque com o poder ofensivo que nós temos, vai ser natural o nosso ataque desenvolver bem”- Terrível equívoco este, pois com tal desperdício de tempo e esforço com bolinhas em profusão (11/38), perdendo o jogo por um ponto, bastaria seguir a regra das continhas, trocando metade das bolas de três perdidas pelas de dois, quando venceria com alguma folga. Mas é claro que os jogadores tiveram o beneplácito do técnico na enxurrada de bolinhas, corroborando com a afirmação do mesmo sobre o “poder ofensivo” da equipe, ou não?

Felizmente, parece, ainda de uma forma um tanto tímida, que a hemorragia dos três pontos começa a ser estancada (inclusive na matriz) com contestações mais enérgicas e presentes no perímetro externo, o que será muito bom para o basquetebol tupiniquim, num momento em que as equipes embarcam seriamente na dupla armação, e investem em alas e pivôs atléticos, rápidos e flexíveis, mesmo que ainda falhos nos fundamentos básicos, tornando o jogo mais dinâmico, apesar de ainda muito longe da fluidez necessária para alçar ao patamar competitivo no campo internacional, fator este que exige um didatismo mais elaborado para o ensino e a aprendizagem da mesma, num processo pedagógico exclusivo de uns muito poucos profissionais ainda existentes no país, porém relegados ao ostracismo em prol de uma corporação de estrategistas, pouco ou nada interessada em modificar sua rentável e proprietária zona de conforto no restrito mercado de trabalho ora existente, onde o QI ainda impera absoluto…

E o mais instigante, é a irrefutável constatação, de que a origem de todo este movimento renovador tem sido proposital e politicamente omitido desde o NBB 2, quando iniciei junto ao Saldanha da Gama, com somente 49 dias de trabalho e 11 jogos disputados, tudo o que de forma rudimentar adaptaram no que aí está, demonstrados publicamente através os quatro primeiros vídeos completos de jogos daquela competição (hoje universalizados através redes abertas e fechadas de TV, Facebook e Twitter), nos quais todos aqueles avanços acima mencionados em conquistas técnico táticas foram divulgadas em 2010, bem antes das mudanças atuais, que estão sendo propagandeadas como as desencadeadoras do “moderno basquetebol”, mas que vem sendo copiadas e empregues sem o mais remoto reconhecimento de como, ou através de quem se iniciaram, numa canhestra apropriação, porém capenga e confusa, pois não conseguem penetrar no âmago de suas concepções, onde o didatismo acima mencionado se torna impenetrável para essa turma que se convenceu que o grande jogo nasceu junto com ela, esquecendo que desde o fim do século dezenove ele já existia, com a complexidade e a grandeza que desconhecem, e sequer se interessam em estudar, dando razão ao Alberto Bial em seu depoimento na matéria do O Globo reproduzida acima…

Mas duro mesmo é você testemunhar um ala pivô galardoado em seleções nacionais, a cinco segundos do final do jogo entre Corinthians e Franca, partir driblando de frente para a cesta, tentar uma finta com troca de mãos, perder a bola por pura inabilidade fundamental, dando adeus a uma possível vitória, numa condensação da dolorosa realidade em que lançaram o grande jogo, numa padronização e formatação absurda, quando inverteram com suas obtusas e midiáticas pranchetas e”filosofias” de jogo a prioridade dos fundamentos, substituídos e minimizados  pelo sistema único, num acordo e conluio inter pares, que nos lançou num poço que parece não ter fim, porém enfeitado e glamourizado com penduricalhos voltados aos poucos frequentadores das enormes e desertas arenas, também transformadas em rinhas de torcidas de camisa, onde o esporte cede vez ao pugilato e gratuitas agressões…

Fico por aqui, mas antes sugiro a leitura a seguir, de um blog de basquetebol de Joinville. elucidativo e revelador, pecando somente em não enfatizar os aplausos espontâneos de sua torcida pelas grandes jogadas da esquecida equipe do Saldanha (que podem ser ouvidos no vídeo), com seu basquetebol fluido e realmente apaixonante, executado por excelentes jogadores, nada valorizados ou mesmo bem remunerados, mas plenos da importância de praticarem um basquetebol proprietário e evoluído, o mesmo que tentam desde então copiar, sem no entanto reconhecer de onde vem o canto do galo. Se quiserem atestar o que aqui exponho, se aboletem na poltrona, curtam, aprendam, e se humildes forem, acompanhem os aplausos da torcida catarinense, num ginásio repleto e pulsante frente a uma forma inovadora de jogar o grande, grandíssimo jogo

Amém.    

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

Vídeo – Arquivo particular.

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O CORONABASQUETE…

Em tempos bicudos de coronavirus, eis que o NBB dá uma pausa sem data para voltar, que para muitos prejudicará as franquias, todas super aquecidas na competição, na hora próxima dos playoffs, onde apregoam estarem as mesmas no ápice técnico e tático, quando os jogos apresentam o máximo de emoções, de alta e refinada técnica, com jogos que nada devem às maiores ligas, afinal, “é um NBB como você nunca viu”, onde os craques nativos e os importados elevam o jogo a seu patamar superior, colocando-o ao lado do internacional, ao qual nada devemos, segundo a mídia auto proclamada especializada…

Ledo e comprometedor engodo, pois em tempo algum de nossa história basquetebolistica estivemos tão mal técnica e taticamente, estrategicamente então, sem comentários. Jogamos um pastiche de jogo onde o individualismo esmaga toda e qualquer tentativa coletiva, imperando o 1 x 1 mal jogado, pois peca pela ausência dos fundamentos básicos definidores dessa forma de atuar, modelada e divulgada por uma NBA, para a qual toda e qualquer burla aos mesmos deve ser consentida , para dinamizar e acelerar jogadores cada vez mais descompromissados com a correta utilização das regras, como as cada vez mais difundidas conduções de bola nos dribles, passadas a mais nos arremessos, bloqueios faltosos e carregadas violentas, sem falar nos cada vez mais distantes arremessos, em confrontos individuais por toda a quadra, onde o sentido grupal vem sendo celeramente mandado às calendas gregas…

Tudo aceito, deificado e divulgado por jogadores, muitos técnicos e uma mídia cada vez mais empolgada pelo novo modelo de basquetebol, estratosférico para muitos, autofágico para uns poucos, que teimam em retorná-lo ao coletivismo de origem, que o tornou no grande jogo…

Tal cenário se tornou o campo fértil para a formulação de equipes clones uma das outras, com jogadores andarilhos e repetitivos, seja  a equipe que se destinam, fruto de agenciamentos padronizados, dirigentes cumpliciados com o esquema, e técnicos ansiosos e saltitantes por americanos, que mesmo meia boca, ainda são melhores nos fundamentos individuais do que os nossos tupiniquins, até os mais deificados e  endeusados, por uma mídia mais voltada ao “grandioso espetáculo”, do que o jogo em si, que aliás, nada entendem…

Assistir um jogo da liga, é assistir a todos eles, clones técnicos e táticos uns dos outros, com as mesmas jogados, uma ou outra débil tentativa defensiva, haja vista a exponencial escalada dos placares, fruto da desvairada artilharia de três pontos, na qual ninguém marca ninguém, numa competição bestificada de quem chega e chuta mais, e mais, e mais, descortinando a arena adorada do batalhão ianque, e de alguns platinos, onde a “meteção de bola” paira muito acima de qualquer hieróglifo rabiscado em pranchetas tidas e havidas como mágicas, geniais, estratégicas, quando, representam na realidade, nada mais do que uma vitrine voltada a plebe ignara, como testemunhas vitais de um trabalho magistral…

No entanto, magistral deveria ser o trabalho criativo, evolutivo e ousado do treino, que se bem feito e realizado, dispensaria a teatralidade de beira de quadra e o enfoque enganoso de uma prancheta, substituídos pela postura centrada na ajuda naqueles sutis e furtivos detalhes de um jogo para ser pensado, jamais coreografado. Porém, como todo trabalho realizado ao largo da visão popular, já que restrito ao grupo a que se destina, torna-se necessário visualizá-lo publicamente, gerando os espetáculos circenses em que estão transformando o nosso indigitado basquetebol…

Mesmice endêmica técnico tática, engessamento estratégico, e autofagia proposital nos arremessos, fazem parte hoje do absurdo cardápio do basquetebol nacional, tornando-o fértil campo para empregar jogadores de últimas opções para ligas americanas, européias e asiáticas, mas que encontram na LNB uma boa saída para suas aventuras globais, e com um precioso bônus, a cumplicidade de estrategistas, torcedores fervorosos de seus “gatilhos mortais”, “tocos monstruosos” e “enterradas indecentes”, levando a reboque nossos calejados veteranos e deslumbrados prospectos, todos num barco a deriva pelo abandono do esforço coletivo, onde o individualismo exacerbado atinge as raias do inconcebível…

Precisamos reencontrar o coletivismo perdido nesse tsunami imoral e suicida, que em tempo algum nos guiará a novos rumos vitoriosos, pois sempre estaremos alguns passos atrás tática e tecnicamente dos países que professam e veem um basquetebol habilidoso individual e coletivamente, e que destinam as defesas como prioridades no desenvolvimento binário do grande jogo, ou seja, a cada evolução tático ofensiva, é gerada outra de caráter defensivo, alternada e ciclicamente, elevando tecnicamente o grande jogo, e não mudando-o, como alguns deslumbrados contritos profetizam…

Enfim, a parada forçada pela ameaçadora virose, poderia vir a ser, com os devidos cuidados com a saúde, uma excelente oportunidade de introspecção e recriação de um basquetebol perdido para o culto estelar, voltando-o ao treino dos fundamentos individuais e os coletivos, tão ausentes nas franquias da liga, ao reaprendizado defensivo, isso mesmo, reaprender a defender, que é uma técnica elaborada e difícil, desencadeando com sua aplicação enérgica e sempre presente dentro e fora do perímetro, o sentido coletivista para vencê-la, nosso maior e mais poderoso óbice na prática do grande jogo, servindo de exemplo aos iniciantes, aos jovens de todas as faixas etárias. Será um tempo estendido, porém suficiente para mudanças que se fazem necessárias, como sistemas ambivalentes de ataque, que funcionem contra defesas individuais e zonais, indiferentemente, assim como ações equânimes dentro e fora do perímetro, e não essa hemorragia de arremessos irresponsáveis a que assistimos monocordicamente temporada após temporada, sem ser estancada deliberadamente, um crime hediondo contra o grande jogo, ou que foi grande um dia neste imenso, desigual e injusto país…

Amém.

Fotos – Reproduções da WEB.

O SUTIL GRANDE JOGO…

Ontem recebi um email com a seguinte mensagem – Paulo, boa noite. Você viu as estatísticas do jogo Facisa x Paulistano, com 28 de 80 bolas de três e 41 de 72 bolas de dois? Os times jogaram para 213 e 205 pontos. Ninguém marca ninguém.-

Confesso que daria um tempo as críticas que venho fazendo sistematicamente aqui nesse humilde blog sobre o carnaval ( é pouco, sim palhaçada…) em que estão transformando o grande jogo, mas a simples mensagem acima, a primeira recebida após tantos artigos publicados a respeito, me encorajou a dar continuidade na divulgação e decorrente luta contra a insana autofagia que o vem esmagando e humilhando seguidamente…

Isso mesmo, caro leitor, sob a batuta (não a prancheta) de uma horda de americanos inteligentes e razoavelmente habilidosos, que rapidamente se inteiraram da realidade de nossos geniais estrategistas, todos em busca dos famigerados “resultados”, não importando os meios para alcançá-los, desencadearam, seguidos de um ou outro “especialista” nacional e alguns bons jogadores platinos, a era do “chega e chuta”, institucionalizando-o pragmaticamente, onde o termo defesa fica de lado, aceito por todos, numa refrega descerebrada, mas repleta de “grandes emoções” sacudindo entranhas de torcedores, dirigentes, estrategistas ensandecidos de beira de quadra, e principalmente, uma mídia absolutamente ignorante do que venha a ser o grande jogo, onde as pouquíssimas exceções se perdem nas vãs tentativas de comentar e analisar um jogo totalmente diferente daquele que é transmitido aos berros, com menções e palavreado de duplo sentido, ufanismo descabido, palavrões, mascarando o que não enxergam, por não entender, a representatividade de um genial desporto, meca de decisões inteligentes e criativas desde sempre (fatores que passam muito ao largo das prosaicas, ridículas e midiáticas pranchetas), onde a improvisação consciente atinge o incompreensível para todos eles, ou quase todos, vamos ser justos…

O resultado de tanto obscurantismo temos visto e testemunhado na grande maioria de nossos resultados internacionais, em todos os segmentos, masculinos e femininos, quando nos deparamos de frente com equipes nacionais que professam um outro tipo de grande jogo, aquele fundamentado numa base sólida e responsável, nutrindo equipes em permanente evolução, a luz dos verdadeiros preceitos do esporte, da educação, da cultura enfim, e não esse pastiche bolorento que nos impingem ano após ano, décadas de liderança de um corporativismo sem vergonha e criminoso…

No jogo em questão atingimos a marca de 28/80 bolas de 3, e 41/72 de 2 pontos, e mais cedo do que pensamos atingiremos as 100 bolinhas mágicas e salvadoras de 3 pontos, aquelas incensadas e suplicadas por comentaristas e narradores a serviço de uma hecatombe que nos lançará no Guinness da incúria e da estupidez, é só aguardar mais um pouco, um pouco, um pouco…

Um dia antes pensei em assistir um jogo do Bauru, pois me aguça a idéia de ver uma equipe sair um pouco da mesmice endêmica que nos assola, mas qual nada, tive de retroceder, pois dividindo a tela com os jogadores, um cara de boné bradava aos céus uma narração escalafobética, ininteligível, e o pior, sem um botão ou comando em que eu pudesse me desfazer da insigne intromissão televisiva, me obrigando a seguir a sugestão de um twitter na coluna do lado que dizia – Se não está gostando, mude de canal”-, que foi o que fiz contristado por não poder assistir um pouco das novas idéias sistêmicas da equipe paulista…

Finalmente, consegui assistir o jogo do Flamengo na Argentina contra o Córdoba, quando a equipe carioca começa a ensaiar um modo de atuar, contando com a já costumeira dupla armação, agregando uma movimentação interna mais atuante de seus alas pivôs nas curtas distâncias, onde o pivô Vargas destôa por sua baixa velocidade ofensiva, porém com boa presença defensiva, principalmente nos rebotes, travando bastante, quando em quadra,  a proposta de livre trânsito no perímetro interno platino por parte de uma equipe que aos poucos, descobre que o jogo de proximidade de seus bons e ágeis homens altos bem dentro das defesas adversárias, em muito evoluirá, na medida em que muitas de suas longas bolas de três deem preferência ao jogo interno, mais preciso e eficiente, pois de 2 em 2 também se vence jogos com placares dilatados, pela otimização lógica das muitas bolas falhadas na festança de uma artilharia estatísticamente inferior, em todos os sentidos (foram perdidas 21 tentativas de 2 pontos e 23 de 3, de um total de 13/34 e 9/32 respectivamente, assim como os argentinos obtiveram 18/39 e 3/26), bastando que seguissem as continhas primárias de substituírem metade das bolas de 3 falhadas, no caso 11, por tentativas de 2, onde estavam absolutos, para vencerem com muita folga aquele, e quem sabe, futuros jogos, numa evolução técnico tática de relevante bom senso, exemplificando para as futuras gerações de jovens uma atitude diametralmente oposta a que se instalou em nossa forma de atuar, tornando-a medíocre e  previsível, logo facilmente contestada e defensável, para gáudio de nossos adversários na esfera internacional, muito mais evoluídos nos fundamentos básicos individuais e coletivos, onde a defesa é aspecto prioritário em sua forma de jogar…

Equipe juvenil do CR Flamengo – 1965

Quem sabe me anime continuar a assistir o “NBB que você nunca viu”, com todos os jogos veiculados pela TV e Internet, morto de saudades de um tempo em que percorria quadras e ginásios para, ao vivo, sem narradores e comentaristas como a maioria que aí está, testemunhar jogos de alta qualidade, aquela que nos brindou com três títulos mundiais e quatro medalhas olímpicas, também colaborando humildemente no preparo de grandes jogadores, de maravilhosos cidadãos, ensinando, preparando e treinando-os nas duras competições, nos jogos e na vida, através o grande, grandíssimo jogo, com seriedade e sacrifício, jamais com palhaçadas, de quem, no fundo, bem lá no fundo, o odeia por não ter acesso a sua sutil e magnífica grandeza…

Amém. 

Fotos – Reproduções da TV. Desculpem a qualidade, meu editor de imagens apresentou falhas, que serão corrigidas.

MITIFICAR, MISTIFICANDO II…

E não deu outra de novo, cópia xerox da primeira partida, na repetição monocórdia de erros contabilizados de fundamentos (29/30), e outros relevados pela arbitragem, vide as constantes “carregadas” de bola do Yago nas mudanças de direção ao driblar excessivamente, no estilo “enceradeira”, seguido pelo George, e o Parodi do lado de lá, infração que é punida lá fora regularmente, mas não aqui, em prol da extrema habilidade de nossos armadores, não tão hábeis assim, pelo menos frente às regras do grande jogo…

Na artilharia insana promovida por ambas as equipes (25/70 na primeira partida, 26/71 na segunda nos 3 pontos, assim como 27/48 e 28/57 respectivamente nos 2 pontos), convergindo escandalosamente, sem freios ou limites, e claro, sem contestações de nenhuma ordem, onde a 48 segundos do final do último quarto, vencendo o jogo por 1 ponto (68 x 67), com ainda 8 segundos de posse, uma bolinha errada de 3 foi perpetrada por um dos nossos qualificados especialistas, para um pouco à frente, faltando 8 segundos estando empatados (68 x 68), outro dispara mais uma, errando também, com 3 segundos ainda por jogar, levando o jogo para a prorrogação, quando em ambas as situações, o correto, o obrigatório, seria a tentativa pelos 2 pontos, penetrando fundo, quando a possibilidade factível de uma falta pessoal teria de ser considerada, possibilitando a vitória no tempo normal (vide as duas fotos acima). Mas não, nossos abençoados reis do gatilho, acobertados pela direção técnico tática que permite, incentiva e corrobora com tais escolhas, como se o grande jogo fosse, ou estivesse sob o signo imutável da precisão cósmica de suas perfeitas (?) empunhaduras, lançam a pera, como definem a insânia (foram 26/77 nos dois jogos), que, a cada dia se desnuda, como uma absurda e irresponsável maneira de coisificar e arruinar a mais bela e coerente modalidade dos desportos coletivos, individualizando-o egoísta, e egolatricamente…

Neste jogo, a equipe brasileira tornou a arremessar mais bolas de 3 do que 2 pontos (13/36 e 16/29, mais 12/15 nos lances livres), e a uruguaia idem (13/35 e 12/28, mais 13/22), sendo que dessa vez pegou um rebote a mais que a brasileira (38/37) quando na primeira partida levou um capote de 45/25, não vencendo a partida pelas falhas seguidas de seu bom, porém cansado e desgastado pivô Batista que cometeu 8 erros de fundamentos dos 16 de sua equipe…

Nossos armadores, aqueles que deveriam alimentar com suas habilidades intrínsecas os alas pivôs atuando dentro do perímetro interno, vem forçando a especialização na chutação de fora (1/13 e 6/21 nos dois jogos), por dois motivos. um pela formação aberta (o “espaçamento” milagroso, artimanha daqueles que não dominam os fundamentos de drible ambidestro e as fintas) da equipe a cada ataque, outra, decorrente, pois os homens altos vem para fora do perímetro, ou para ensaiarem frágeis bloqueios (simplesmente não diferem os interiores dos exteriores, vide as duas fotos acima, provocando faltas de ataque ao se movimentarem equivocadamente pelo desconhecimento em si), ou mesmo para eles mesmos tentarem as tão sacrossantas bolinhas, fruto de ausência contestatória, mitificadas e endeusadas pela mídia tonitruante e cúmplice do festim, mas claro, em nome das emoções desencadeadoras do “você nunca viu nada igual”…

Então resta a tremenda dúvida, um doloroso impasse caindo no colo croata para selecionar a equipe para o importante pré olímpico que se avizinha, frente a duas realidades, uma, a dos mais experientes que atuam lá fora, com os da NBA lustrando os bancos (quando mudam de roupa) de suas equipes, jogando o mínimo de tempo possível, ou cedidos a equipes conveniadas de qualidade técnica inferior, e os que atuam em outras ligas europeias, com uma ou outra exceção, jogando por mais minutos, e outra, a dos veteranos que aqui atuam duelando no desenfreado “chega e chuta” com americanos e argentinos, que inteligente e rapidamente assimilaram a proposta midiática que clama por bolas “indecentes” de três, tocos e enterradas de “sacanagem”, colimadas com narrações e comentários f*…s, e daí para pior, se não acordarem do extremo ridículo a que também estão lançando nossos jovens talentosos, porém ainda muito aquém da genialidade interesseira que imputam aos mesmos…

Porém, temos de lembrar que todos os convocáveis, daqui e lá de fora, experientes e convenientemente rodados, ou não, atuam dentro do sistema único, fator altamente limitador quando enfrentamos equipes utentes do mesmo, porém com fundamentação técnica mais evoluída, tornando-os superiores nos confrontos individuais e coletivos, pela mais acurada leitura de jogo, que sob a ótica de uma engenharia reversa, os dotam da capacidade antecipativa sobre jogadas que dominam com perfeição, principalmente por desenvolverem defesas engajadas anos a fio no âmago daquele sistema…

Resta, no entanto, uma única porta de saída, de evolução, a busca de um sistema diferenciado de jogar, ofensiva e defensivamente, que se incutido nesses promissores jovens, realçando seus fundamentos básicos, acompanhados de alguns jogadores mais experientes e receptivos a novos caminhos, fazendo-os atuar de forma proprietária de algo somente seu, fator que poderia inverter leituras de jogo por parte de seus adversários, confundindo-os pela inversão de algo que dominam mais do que nós. Por isso, se torna urgente, sensato, inadiável, a começar pela base, o início de uma nova perspectiva de aprender, treinar, sentir e atuar no grande, grandíssimo jogo, e não nesse doentio marasmo em que se encontram, tentando demonstrar em quadra os devaneios advindos de pranchetas descerebradas e toscas, onde a criatividade e a improvisação consciente, cede espaço a mediocridade, ao arrivismo e a aventura irresponsável, principalmente quando punhos são cerrados pela conversão de uma improvável bola de três, depois de muitas tentadas, originando vitórias no áspero, porém condescendente  terreno de casa, bem diferente dos bem defendidos e contestados lá de fora…

Jamais perderei a esperança de ver nossos jovens jogarem o bom basquetebol, na defesa, no ataque, nos fundamentos individuais embasando os coletivos, lendo e pensando o grande jogo, sendo muito mais jogadores do que atletas puxadores de ferro, originando “pesquisas” que nunca vem ao público que pensam ignaro, que dominem, por conhecer profundamente, sua ferramenta de jogo, a bola, o seu comportamento técnico e tático, assim como de seus companheiros, pedindo e ajudando nas falhas comuns, e aplaudindo quando todos, uníssona e coletivamente cumprem um bom projeto de equipe, ao lado e sob a responsabilidade de professores e técnicos de verdade, e não… Ora, deixemos de lado, pois quem sabe, um dia lá chegaremos, pelo mérito, e não pelo Q.I. politico e corporativo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.