SURPRESA!!!(From Rome)…

`    Eis-me em Roma, conhecendo um pouco de seus encantos e cantos históricos, e são tantos, em suas ruínas imperiais, em sua modernidade contrastante, no povo apressado pilotando um mundaréu de motonetas e Smart’s minúsculos, em sua mesa farta, aromática e deliciosa, apreciada após longas caminhadas de encontro a museus inesquecíveis. Enfim, uma magnífica prévia do que apreciaremos em Florença, Veneza e Bolonha, num périplo continuado em Dublin, Lisboa e Madri, voltando ao Rio, com sua magnificência, pobreza, injustiça, minha adorada terra natal…

    Foi o presente que meus filhos me deram pelos 80 anos de trabalho duro, de intensa luta pela educação justa e de qualidade, pelos muitos anos de quadra junto ao grande jogo, num projeto de vida que me orgulha e jamais trai, no magistério, na técnica desportiva na paternidade integral e democrática…

    E dessa lonjura não abro mão de saber tudo que possível sobre o basquetebol nacional, pelos blogs, emails, e um ou outro jogo veiculado na grande rede, até agora impossível mesmo assinando o DAZN, ausente fora do Brasil. Talvez um próximo pelo facebook ou twitter, quem sabe. Tento as estatísticas na LNB, e logo no primeiro relatório de um jogo, Mogi 91 x 84 Minas, tenho a mais grata surpresa, e que surpresa, um jogo definidor de nosso adiantado estágio técnico tático, pois não é todo dia que uma partida tão importante apresenta números tão determinantes da era inovadora que se avizinha, ou mesmo, se estabelece como apanágio de um novo tempo, a da chutação oficializada, institucionalizada, para gáudio e realização do corporativismo enraizado no grande jogo desde muito tempo. Sim, surpresa das surpresas, vê-lo definitivamente esmagado pela mediocridade insana e absolutamente estúpida, descerebrada, criminosa, fatores que serão cobrados pesadamente quando enfrentarmos seleções de verdade nos grandes torneios mundiais e olímpicos, se la chegarmos…

    Ah, os números, desculpem o esquecimento (seria uma dádiva esquecê-los), constrangido os replico, desejando ardente e do fundo do coração não repetí-los alhures, claro, sabedor de que la estarão, dia após dia, por meses e, infelizmente, mais alguns anos, enquanto durarem os estoques de gente que definitivamente odeia o grande jogo, jamais o entenderá, nunca aprenderá sua significativa importância técnica, estratégica e cultural, pois são ignorantes funcionais forjados pelo apadrinhamento continuísta, pelo QI político, pela permanente negação do novo, do instigante e desafiador improviso produzido pelo pleno conhecimento da fundamentação do jogo, contraponto definitivo da mesmice crônica em que o lançaram da forma mais absurda e abjeta possível. Ah, os números minha gente, os números: 41/70 bolas de 2 pontos (20/36 para Mogi, 21/34 para Minas), 20/73 de 3 pontos (9/31 e 11/42 respectivamente, 33/38 lances livres (24/28 e 9/10), tudo somado a 19 erros de fundamentos (10 e 9)…

    O que temos? Isso ai bem esfregado na cara dos quem defendem, adoram e dizem amar o grande jogo, principalmente aqueles profissionais (?) que margeiam as quadras, com seus esgares, shows midiáticos, coercitivos, cúmplices de jogadores que não os levam a serio, e fazem o que bem entendem (principalmente os estrangeiros), de que estudam, pesquisam e planejam suas equipes, numa deslavada tapeação que tarda merecer um basta definitivo, um basta radical, Equipes que se defrontam, lançando mais de 60 bolas de 3 beiram o desastre indefensável, ofensivo, e principalmente defensivo, num duelo tolo e irresponsável, atentando aos que assistem tanta estupidez, e que aos poucos se afastam ante espetáculos ridículos e muito abaixo do sofrível, desqualificando e minimizando um grande, grandíssimo jogo, caindo nos braços da NBA, quando muito pelo feérico espetáculo…

    Temo seriamente pelos jovens que se iniciam, ate mesmo aqueles que vem ganhando sul americanos de um jogo só, quando muito, dois, a maioria se espelhando na turma de cima, nos Durant, Curry, Thompson, numa cultura de jogo equivocada e colonizada, fora de uma realidade que não é a nossa, em qualquer perspectiva que se tente comparar, numa entrega absurda e caótica. Os números estão a cada jogo, a cada temporada a disposição de todos, frios e objetivos, porém determinantes na busca do que realmente queremos e desejamos para nossas futuras gerações, reféns do desconhecimento técnico do que venha a ser os fundamentos do grande jogo, ferramenta básica para o desenvolvimento e consecução das técnicas e táticas exigidas para a sua correta e eficiente prática, e não essa pelada monstruosa, irresponsável e aventureira em que transformaram o basquetebol nacional, que daqui a muito pouco tempo terá em quadra em sua liga maior oito estrangeiros e dois brasileiros se defrontando para a glória tupiniquim, e bem provável, sendo narrado no mais puro slang do basketball hegemônico do norte, já que caminhamos céleres, sorridentes e agradecidos por essa dádiva concedida, claro, muito bem claro, em troca do comercio de muitos milhares de camisas e tênis personalizados de Lakers, Bulls, e todos os demais, é o que merecemos por nossa omissão e subserviência…

    Que os deuses nos ajudem.

    Amém.

Fotos – Arquivo pessoal (Paulo Murilo, Andre Luis e Joao David). Reprodução da TV.

15 ANOS ATRÁS…

Este foi um dos primeiros artigos publicados nesse humilde blog, 15 anos atrás. O que mudou de lá para cá? Pouco, quase nada, infelizmente…

Basquetebol brasileiro-Fracasso ou omissão?

Domingo, 12 de setembro de 2004 por Paulo Murilo–  2 Comentários

Por 44 anos venho lutando pelo basquetebol no Brasil, e gostaria de fazer desta página um fórum de discussão acerca dos diversos motivos que levaram essa modalidade ao retrocesso que constatamos, infelizmente, em nosso país. Para dar partida peço licença para, na forma de um pequeno artigo, expôr algumas constatações que ao longo dos anos testemunhei como técnico e professor de futuros técnicos. Em 1963, no Ginásio Gilberto Cardoso no Rio de Janeiro, a equipe masculina do Brasil sagrou-se bicampeã mundial em uma final com os Estados Unidos, resultado que muitos e atuais jogadores, técnicos, jornalistas e dirigentes teimam em minimizar a qualidade do basquete praticado na época.Na equipe americana seis dos jogadores se profissionalizaram na NBA, onde atuaram por mais de 6 anos, sendo que um deles, Willis Reed, faz parte do Hall da Fama como um dos cinco maiores centros de todos os tempos com suas atuações no New York Knicks. Na equipe brasileira atuavam maravilhosos jogadores com Amauri, Wlamir, Rosa Branca, Ubiratan, Menon, Jatir e muitos outros que fizeram do jogo um espetáculo inesquecível. Quatro deles arremessavam de distâncias equivalentes à linha dos três pontos atuais, Jatir, Vitor, Rosa Branca e Amauri, o fazendo com uma bola de 18 gomos costurados à mão, com uma esfericidade que nem de longe se comparavam às verdadeiras jóias tecnológicas das bolas atuais, corrugadas e com sulcos profundos onde os dedos encontram base e aderência para exercerem total domínio direcional nos arremessos. Tivessem na época tais bolas e uma linha de três pontos todas, afirmo, todas as vitórias da equipe brasileira teria ultrapassado os 100 pontos. Jogávamos com dois armadores, dois alas e um centro, num rodízio permanente de posições, compensando com velocidade e astúcia a inferioridade na altura, principalmente os centros.Jogava-se com a bola nas mãos, em pleno domínio da arte do drible, onde os passes faziam a ligação que antecedia o arremesso, e sempre com um mínimo de três jogadores participando dos rebotes. Por anos dominamos a arte do drible e dos rápidos corta-luzes, onde os armadores dominavam a maior das habilidades, criar espaços onde não existiam, progredir em direção à cesta, estabelecer a superioridade numérica sempre que possível, arremessar como opção, e não como prioridade. Os alas e o centro em permanente rodízio iam sempre de encontro ao passe e não esperando por ele estaticamente. Antecipando o movimento sempre conseguiam o melhor posicionamento ofensivo, obrigando os defensores a se movimentarem e por conseguinte desestabilizarem suas ações. Enfim, jogava-se com a bola sob domínio físico e não, como hoje, sob o domínio do absurdo passing game. No final dos anos setenta e início dos anos oitenta a NBA se encontrava numa fase de afirmação econômica. Era necessário levar público aos ginásios, era fundamental encontrar-se um sistema de jogo que privilegiasse o um contra um, em duelos dentro do jogo, se possivel entre gigantes, e melhor ainda se entre brancos e negros.Nascia o passing game, formula perfeita para gerar duelos individuais, e melhor ainda se respaldado pela proibição da defesa por zona e pela flutuação na defesa individual. Não se ia aos ginásios para ver Lakers versus New York, e sim Jabar versus Willis Reed. O gosto do torcedor americano pelo embate de gigantes no Boxe, no Football teria de ter sucedâneo no Basketball para que despertasse seu altamente lucrativo interesse. O passing game era a solução técnica, como os embates um contra um seria a solução financeira. A divulgação maciça pela mídia, principalmente a televisiva lançou ao mundo o modelo NBA, que com o sucesso alcançado motivou o governo americano a utilizá-lo como sutil propaganda de sua superioridade esportiva, cultural e política perante o mundo. Cometeram um erro porém, ao subestimar a importância das regras internacionais, ao subestimar a FIBA, estando hoje colhendo alguns fracassos pela inabilidade de seus jogadores quando submetidos às mesmas em mundiais e recentemente nas olimpíadas. Mas no caso do Brasil o estrago já tinha sido letal. Nos últimos 20 anos mudamos nossa forma de jogar e adotamos o modelo NBA, o modelo baseado no passing game. Nossos armadores empolgados pelo um contra um passaram de organizadores para finalizadores, esqueceram a arte do drible, assim como os alas simplesmente a aboliram. Da posição básica no ataque, com a bola de encontro ao peito, prontos para o drible, o passe ou o arremesso, retrocederam para a posição da bola acima da cabeça, simplesmente para a execução do passe, dando continuidade a verdadeira coreografia em que se transformou o jogo, ao passing game. O”basquetebol Internacional”, como muitos apregoam, realmente se estabeleceu pela maioria dos países, pois subserviência cultural não é prerrogativa do Brasil, no entanto, alguns deles não descuidaram do ensino dos movimentos básicos, e cito a Argentina, a antiga Iugoslávia, a Lituânia e a Rússia como exemplos. Conseguiram os mesmos manter um excelente nível no domínio dos fundamentos, principalmente o drible, e hoje colhem os resultados desta saudável atitude. Ao esquecermos nossa herança de duas vezes campeões do mundo e três vezes medalhistas olímpicos, mergulhando numa mediocridade técnica na tentativa de imitarmos um sistema planejado, estudado e executado para a manutenção do domínio do modelo NBA, esquecemos também que fundamentando o modelo americano sempre existiu a massificação de jogadores nas escolas e nas universidades, ao contrário da pobreza franciscana de nossa realidade. Transpor modelos estrangeiros fora de nossa realidade é a atitude mais estúpida que se possa tomar, mais é sem dúvida nenhuma a mais fácil de ser utilizada por um grupamento de pseudo técnicos que determinaram omitir nossa passada grandeza em nome de uma realidade absurda e irresponsável. Em 1971 sugeri e ajudei a fundar a primeira associação de técnicos de basquetebol do Brasil, a ANATEBA, onde exerci o cargo de secretário. Mais tarde, em 1976 também ajudei a fundar a BRASTEBA da qual fui o vice-presidente, e no Rio de Janeiro a ATBRJ que como as anteriores logo se desintegraram. Mais recentemente fundou-se em São Paulo a APROBAS, que encontra sérias dificuldades para expandir-se. O fator restritivo é, como foi no passado, o total desinteresse pela discussão dos problemas técnicos, culturais e até sociológicos que submetem nosso desporto aos interesses de um grupo que se apossou do comando do mesmo, um feudo, onde alguns empunham microfones para em transmissões esportivas criticarem e oferecerem soluções táticas e técnicas, visando empregos futuros nas equipes de ponta, numa flagrante falta de ética profissional, já que do outro lado não existem microfones para a defesa. Sofremos de um unilateralismo crônico, ontem no aspecto de sistema de jogo, hoje de divulgação de um modelo em que somente um dos lados exerce o domínio da informação. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, grandes e pequenos técnicos, perene falta de incentivos, pouca divulgação da modalidade, intercâmbio pouco desejável, mas alcançávamos resultados, discutíamos mais, e às vezes até brigávamos , procurando adaptar novas tecnologias e novos sistemas à nossa realidade, enfim, sabíamos administrar nossa pobreza. Hoje reina a omissão e prevalece a mesmice, a cópia a falta de imaginação e a ausência de criatividade. E a classe que no fim das contas é a que dita as normas de conduta técnica, de sistemas de jogo, de estratégias a serem seguidas, dentro e fora das quadras, é a classe que peca pela omissão, por que de todas as envolvidas no processo decisório é a que tem por obrigação deter o domínio e o conhecimento do jogo. Por isso considero serem os técnicos, que por seus conhecimentos, estudos e pesquisas deveriam comandar e estruturar as políticas referentes ao desenvolvimento do jogo, os grandes responsáveis pelo seu declínio, por negarem as tradições, os conceitos e a verdadeira índole de nossos jovens, ao trocarem esses valores por soluções estrangeiras sem as devidas adaptações por ser uma solução fácil e desprovida de responsabilidades. Podemos fugir deste modelo? Difícil, porém possível. daí a sugestão para o debate. Até o fim do ano publicarei meu livro, onde estenderei ao máximo esses pontos de vista, e aí sim poderei expor com todas as letras o que vivi, senti e experimentei nos últimos 40 anos de basquetebol.

Amém.

2 comentários

  • M Ponte
  • Yesterday
  • Excelente, Professor.
    Foi visível, real e tristemente, a incentivação deliberada ao jogo egoísta, por ditame midiático e publicitário, com deletérias consequências ao desporto e à sociedade, sem dizer uma irresponsável e mesmo abominável atropelação em massa prol uma sub-cultura (?) de segregação 
  • Basquete Brasil
  • Yesterday
  • E o pior, prezado Ponte, é que nada aprendemos até a data de hoje. Lamentável e constrangedor. Um abraço. Paulo Murilo.

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FECHANDO AS CONTAS E PASSANDO A RÉGUA…

Terminou a AmeriCup em Porto Rico, com a previsível vitória dos Estados Unidos, secundado pelo Canadá, e com o Brasil completando o pódio, após decidir o bronze com Porto Rico…

Tudo dentro do mais do que esperado script, claro, para os que entendem de verdade o grande jogo. Contra Porto Rico, e sem as amarras da necessidade premente de classificação ao pré olímpico, a seleção se soltou praticando o basquete anárquico que vem jogando nos últimos vinte anos, ou seja, correria desenfreada, chutação de três (as bolas caíram desta vez…), briga feroz nas táboas, armação para inglês ver, mas com duas boas novidades, três pivôs, que apesar dos evidentes pélvicos sobrepesos (perdessem de 10 a 15 kg cada, e se sairiam muito melhor, principalmente na velocidade e na amplitude vertical nos rebotes), e um empenho defensivo guerreiro, apesar de muitas das jogadoras marcarem com os braços, quando os manuais mais primários dos fundamentos ensinam fazê-lo com as pernas nos deslocamentos laterais, aspecto perfeitamente contornável se orientadas e ensinadas como deve ser feito…

No aspecto tático, se a tendência for a de otimizar o jogo interno, com duas ou três pivôs, os comentários da Hortência lembram em muito boa hora, quanto a necessidade de melhores armadoras para o implemento de tal tendência, não só para que pontuem mais, e principalmente, para que saibam fazer jogar suas companheiras dentro do perímetro, em ações combinadas e coordenadas, abrindo espaços em áreas restritas, objetivando arremessos de curta e médias distâncias, mais eficientes e seguros, deixando os longos nas voltas de dentro para fora do perímetro, e sempre através as especialistas, e não qualquer uma que se arvore em “matadora” de ocasião…

Priorizando os fundamentos individuais e coletivos (sugiro que contratem quem realmente domine a arte de ensiná-los, pois nesse jogo foram 19 erros), aliviando kilogramas em excesso, buscando mais agilidade e destreza (vide as grandes e esguias alas pivôs americanas, assim como suas enxutas armadoras), obteremos a matéria prima para aí sim, empregarmos sistemas de jogo factíveis e realmente eficientes, que se afastem ao máximo da visão limítrofe imposta por pranchetas rabiscadas e vazias de um conteúdo que deveria ser exclusividade do treino, do intenso, detalhado, exaustivo e compreensível treino…

Equipe treinada, conscientizada do que pode realizar, idealizar, criar e improvisar, é produto único e exclusivo do treino, dispensando oportunistas pranchetas, instrumento discutível e midiático de quem faz a mais absoluta questão de impressionar leigos, dirigentes e comentaristas de ocasião, se projetando num proscênio de Folies Bergére, e que ao lado das escatalógicas pantomimas nas laterais da quadra, preenchem a figura mítica do “técnico atuante e vibrante”, quando deveriam observar de dentro para fora, se sua função se coaduna coerentemente ao treino planejado, estudado e desenvolvido por todos os componentes da equipe formada pelos que adentram o espaço do jogo, e não a turma aspone que fica de fora…

Tomadas tais e pontuais providências, teremos em uma ou duas gerações melhores armadoras e alas pivôs, todas esguias e rápidas, dominando os fundamentos, e todo um trabalho espelho para as jovens que se iniciam na prática do grande, grandíssimo jogo…

E para não esquecer jamais – Só improvisa quem sabe, quem domina seus instrumentos básicos de trabalho, o corpo e a volúvel, inquieta e desconcertante bola…

Em tempo – Ao final da LDB, nos quatro jogos decisivos, foram perpetrados 36,5 erros de fundamentos de média por jogo, fato que compromete um trabalho que é enaltecido aos ventos como o de salvação do basquetebol nacional. Realmente preocupante e comprometedor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A RAINHA…

Êita pessoal, sei que estou em falta nos comentários do jogo com os Estados Unidos, falta absoluta de tempo (as obras aqui em casa estão nos acabamentos), e para ser mais objetivo, ter de cair no lugar comum de um jogo desproporcional e de óbvio resultado. Assisti grande parte dele, e como afirmei, se torna doloroso repetir um discurso de décadas, mas que em hipótese alguma, em tempo nenhum, encontrou eco no seio do corporativismo técnico tático que se perpetua neste imenso, carente e injusto país…

Principalmente na preparação, treinamento e orientação de nossos jovens de encontro aos fundamentos básicos do grande jogo, solenemente ignorados e trocados pelos processos sistêmicos de um pessoal que ouviu um galo cantar, sem sequer desconfiar onde ele se encontra, e que por conta, chutam odes pranchetadas no mais sem vergonha do “se colar, colou”, tendo “colado” até o presente momento, aplaudido pela mídia altamente especializada, agentes e administradores, todos embarcados no sonho nababesco e hegemônico de uma liga bilionária, mas que foi incapaz de vencer o último mundial, para tristeza da colonizada claque, e na qual jamais terá cacife econômico e cultural para pertencer…

Por conta disso, primamos pela priorização do sistema único, sem destinar um cem avos de qualquer prazo de preparação minimamente séria voltada ao exclusivo treinamento dos fundamentos, cujo resultado, por mais uma vez, ficou patente neste jogo na Costa Rica. Se torna muito triste, constrangedor até, termos de ouvir os incessantes e teimosos pedidos de narradores e comentaristas pelas salvadoras bolas de 3 pontos, inclusive da incensada e bajulada rainha, que como jogadora foi de um fulgor acima da normalidade, merecedora com  toda justiça pertencer ao Hall of Fame, mas que muito ainda deve como analista do jogo, pois não se percebe nela o menor intuito de sugerir, quiçá ensinar os fantásticos DPJ’s e fintas magistrais com que se comportava e agia nas quadras, assim como sua intocável espacialidade nas velozes e imarcáveis penetrações contra fortíssimas defesas, pontuando ou assistindo genialmente. Sua peroração pelas bolinhas incomoda, pois simplifica uma atitude técnico tática de quem tem pleno conhecimento da carência fundamental de nossas jogadoras, mas sem ter longinquamente arranhada sua realeza tupiniquim, já que no plano internacional possui concorrentes a altura. Se trocasse os discursos motivacionais pelas minúcias técnicas de que foi exemplar junto as jovens jogadoras, sem dúvida alguma faria mais jús a sua realeza, do que se ver envolta por um séquito de adoradores de confesso e constrangedor puxa saquismo explícito…

O resultado não poderia ser outro, quando de um lado temos um grupo de jogadoras absolutamente donas de técnicas individuais e coletivas de jogo baseadas no conhecimento e total domínio dos fundamentos, e do outro, um grupo valente e corajoso, vagamente escudado num sistema anacrônico e equivocado de jogo, e que mesmo assim se situava muito distante das mínimas exigências técnicas que o exequibilizasse, exatamente por não contar com o conhecimento e domínio dos fundamentos, base fulcral para a prática consciente do grande jogo…

No jogo seguinte, contra o Canadá, repetiram-se os fatos acima mencionados, porém com uma novidade de prancheta, que deixou boquiabertos narrador e comentaristas, o fato do estrategista lançar em quadra um trio de pivôs acessorado por uma dupla armação, estratagema que bem poderia ter dado certo, não fossem dois fatores cruciais, começando pela inabilidade das armadoras que se revezavam na quadra, todas mais voltadas a pontuação de fora (foram 5/21 tentativas de 3, e 18/45 de 2 pontos), enquanto as canadenses lançaram 3/15 e 17/42 respectivamente, com ambas as equipes errando terrivelmente nos Lances Livres ( 7/17 e 23/32) e errando absurdos 37 fundamentos (20/17), e o outro e contumaz fator, o melhor embasamento fundamental canadense, que propiciou bolas decisivas através seu melhor conhecimento e domínio por parte das armadoras no quarto final da partida…

Quanto a tentativa do sistema 2-3 ofensivo que tanto defendo como uma válida opção de sistema ambivalente de jogo, pois funciona perfeitamente contra defesas individuais e zonais, mas que necessita de um trabalho muito detalhado na leitura correta e objetiva do jogo, exigindo treinamento, estudo e preparação de alta complexidade, visando ao final a compreensão do que venha a ser improvisação criativa e espontânea individual e grupal, que é o objetivo voltado a simplificação advinda do trabalho profundo e consciente pelo domínio dos fundamentos e consequente domínio maior de uma sistematização de jogo, numa inseparável dualidade voltada a qualidade e excelência na prática do grande, grandíssimo jogo. Logo, escalar e mandar a campo uma formação 2-3 ofensiva, significa muito pouco frente às exigências acima apontadas, sem quaisquer ponderações que se façam presentes…

Enfim, daqui a um pouco disputaremos o bronze com a equipe de Porto Rico, num jogo em que, por mais uma vez, nos veremos frente a uma equipe melhor nos fundamentos do que a nossa, porém com um diferencial, a superioridade nos rebotes, fator que se bem encaixado, poderá nos brindar com um pódio bastante oportuno. Torçamos pelo melhor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

ERROS NO ATACADO E NO VAREJO…

Foram duas peladas descompromissadas contra a Argentina e o Paraguai, equipes muito fracas e de baixa estatura, fazendo com que as brasileiras atuassem dentro do garrafão com absoluta tranquilidade, apesar de abusarem na tradicional e enraizada chutação de três (5/15 com as platinas e 14/35 contra as paraguaias), num desperdício de energia física, que muito bem poderia ter sido canalizada para acertarem um sistema qualquer de ataque, que por inexistente, descambou para a correria que estas jogadores praticam desde sempre. Defensivamente nem comentar, pela mais completa ausência ofensiva de suas adversárias, e que mesmo assim propiciaram 31 erros de fundamentos em cada uma dessas partidas, que garantiram a passagem da equipe para as semifinais, e a classificação para o Torneio Pré Olímpico. Com a classificação garantida, os jogos finais terão as doses de expectativa e tensão atenuadas, fazendo com os dois jogos se situem na zona de “estudos” para os futuros embates decisivos no Pré, conotando um excelente álibi em caso de derrotas mais severas, o da não assimilação do “processo” inovador por que passa e passará a seleção daqui para diante, o qual aguardarei com ansiedade e curiosidade, pois, pela alta qualificação e profunda experiência na formação, preparação e treinamento alardeadas por seus mentores, será de se pressupor algo de inovador, criativo, e revolucionário para o basquetebol feminino tupiniquim. Logo, seja qual for o resultado de logo mais contra os Estados Unidos, todo um “processo de ponta” estará sendo estabelecido visando o soerguimento da modalidade feminina no país, e que aqui bem para nós, tenho sérias e bem embasadas dúvidas de que dê certo, até mesmo a longo prazo, pelo simples fato de ser uma modalidade especialíssima, e que exige pessoal altamente qualificado em suas especificidades, principalmente na formação de base, onde nenhum destes componentes e patrocinadores do tal processo são possuidores de fundamentação qualificada, a não ser seus monumentais e midiáticos currículos…no masculino.

Em tempo – Ao recomeçar a LDB em sua fase final, até o momento em que escrevo esse artigo, nove jogos foram realizados, com a média de erros de fundamentos no incrível, inadmissível e assustador patamar de 36 por partida, na porta de entrada destes jovens no NBB, fato nada recomendável para suas admissões na liga maior, e muito, muito menos como prospectos a seleção e ao sonho dourado de seus agentes, e boa parte da ufanista mídia dita especializada, a NBA…

No mais, continuamos na ferrenha torcida para que dias melhores arrefeça tanta incompetência…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

OS HERMANOS E SEU SCOLA MAGISTRAL…

E os hermanos chegaram às semifinais, derrotando a favorita ao título e atual campeã, a Sérvia, por 97 x 87, numa partida memorável, onde um Scola, aos 39 anos, liderou a equipe com maestria, competência, talento,  e acima de tudo, amor a camisa de seu país, onde a negação a ela é algo inimaginável, absolutamente impossível de acontecer, sequer pensar, ao contrário de jogadores que a macularam em nosso imenso, tosco e culturalmente fragilizado país, num comportamento aceito e tolerado por quem abomina a tradição, a mística e a representatividade de um símbolo que em hipótese alguma pode ser desrespeitado. abjurado, negado, ao preço que for…

O grande jogo é cultuado e respeitado na Argentina, desde a formação de base, ensinada, preparada e treinada por professores bem formados nessa complexa modalidade, e cujos frutos vem amadurecendo de vinte anos para cá, pujantes e vencedores. Torna-se emocionante e inspirador termos o privilégio de testemunhar o brilhantismo das grandes equipes argentinas, atuando com uma dupla armação magistral, e alas pivôs, jovens e veteranos primando pela velocidade, agilidade, flexibilidade e profunda prontidão aos detalhes do jogo, numa leitura somente atingida com uma excelente e detalhada formação, espelhada pelos magníficos exemplos de consagrados jogadores, como o Scola nessa equipe que disputa o Mundial…

Talvez não cheguem a grande final, mas o que alcançaram os definem, não como um milagre, ou um produto de um chaveamento menos exigente, mas sim como uma prova cabal na arte de formar jogadores técnicos, fortes fisicamente, e melhor ainda, mentalmente. Se arremessarem um pouco menos da linha dos três, reforçando o jogo interior, será muito difícil de serem batidos, sem a menor dúvida…

Amém.

Foto – Reprodução da TV.

AS DOLOROSAS CONTRADIÇÕES…

Assisti os dois jogos desta manhã, e no primeiro constatamos uma equipe fria em seu determinismo de se classificar às quartas de final, ganhando ou perdendo dentro da margem dos 12 pontos necessários a classificação de uma equipe grega alucinada pela busca do resultado salvador, e por isso mesmo suscetível ao erro em maior proporção do que a equipe checa, metódica, paciente, fria, e acima de tudo eminentemente técnica, na quadra e no banco, num equilíbrio exemplar, de um grupo coeso em torno de um objetivo, mesmo que feneça nas próximas etapas, num trabalho bem planejado e melhor ainda executado, numa flagrante anteposição ao que vimos na segunda partida…

Quando se deu a apocalíptica contradição, de uma equipe que lutava por uma classificação, ante um adversário já classificado, por um resultado simples, sem handicaps a descontar. E porque apocalíptica? Pelo fato maior que colocou a seleção brasileira entre a cruz e a calderinha, perante o incompleto discurso de seu líder fora da quadra, o bom  técnico Petrovic, que midiaticamente propalou saber como vencer os americanos, como já havia falado o mesmo sobre os gregos, mas ante o domínio técnico da equipe tida como a C da NBA, porém dirigida pelo seu melhor técnico, Popovich, principalmente na avassaladora prática dos fundamentos básicos defensivos, ofensivos e individuais, constratando com a nossa maior dificuldade nos confrontos contra escolas que priorizam tais pontos, e não somente os táticos e as preparações “atlético científicas”, tão ao gosto de fisiologistas pseudo fabricantes de melhores corredores, melhores saltadores e melhores trombadores, como o ápice de uma equipe competitiva, viu-se o croata perante a crua realidade de uma equipe que sabe perfeitamente bem como manobrar uma bola, e outra, a dele, que briga com ela o tempo todo no drible, nos passes e principalmente nos arremessos, inclusive naqueles de melhores aproveitamentos, os curtos e médios, onde a turma do norte simplesmente não falha. Façamos umas continhas – Os americanos arremessaram 28/44 de dois pontos, contra nossos 23/46, ou seja, 10 efetivos pontos a mais. Nos 3, 8/25 contra 5/19 nossos, mais 9 pontos de sobra, somente aí nos 16 pontos de diferença. Nos Lances livres ambas as equipes erraram 2 arremessos ( 9/11 e 12/14), Pegaram 37 e 34 rebotes respectivamente, porém, foram nos erros de fundamentos que mais se diferenciaram, 10 para a turma do norte e 15 para nós, números fatais num jogo desse porte e importância…

Mesmo perante tantos obstáculos, via-se uma seleção brasileira claudicante no jogo coletivo de ataque, no 5 x 5, exatamente pela dificuldade nos fundamentos, área de pleno domínio americano, dando início a chutação apelativa de fora, com 26,3% de aproveitamento, contra os 32% de um adversário que apostava firmemente no jogo interior, com as 5 bolas a mais mencionadas anteriormente. Muito bem, existem fatores e fatores, detalhes e detalhes, mas um tem importância vital, não só no momento chave de um jogo decisivo, e sim por todo um jogo decisivo, a presença sugestiva e corretiva de um atento e sagaz técnico ao lado da quadra, cônscio de ter dotado a equipe de bons sistemas, na medida da capacitação individual e coletiva do grupo que dirige, basicamente nos treinos, reservando seu saber e experiência para os jogos, onde as verdades verdadeiras acontecem, sendo ele o ponto de equilíbrio das mesmas, intransferível e de solitárias decisões, onde jamais poderá deixar de agir com a moderação e a sabedoria que envolve seu cargo de comando, E exatamente nesta situação de decisão extrema ele falha, se exaspera, perde o controle e o equilíbrio, sendo expulso da contenda, a meio tempo do segundo quarto, ou seja, joga a espada, o capacete e o escudo ao solo, se envolve na capa e abandona o campo da luta, como que afirmando aos bons e perspicazes entendedores do grande jogo – Não dá, simplesmente não dá !!…

Se foi um acidente de percurso, um inconformismo, ou um fato pensado, não importa, importando sim a indesculpável falta que faria e fez para a equipe, muito mais ainda sendo um técnico calejado, experiente e muito bem pago, deixando a equipe nas mãos de assistentes que em tudo e por tudo defendem e praticam um basquete “chega e chuta” em suas equipes no NBB, antítese do que pretendeu desenvolver na equipe, e que, numa contradição indesculpável, esquecem no banco o único jogador pontuador (inclusive nos 3 pontos) no quarto final, o Benite, cestinha da partida, perdida, mas que poderia ter alcançado um resultado um pouco melhor, ou talvez não, ante um adversário, que mesmo sendo considerado de classe C, deu uma senhora aula de competência nos fundamentos do grande jogo, dando seguimento e carradas razões ao seu histórico de formadores de jogadores, dos mais jovens a elite, quando ensiná-los, praticá-los e aplicá-los se tornam ferramentas de trabalho, onde enterradas cinematográficas e arremessos estratosféricos fazem parte natural do jogo, e não a essência do jogo como nos acostumamos a definí-lo…

Comando e comandados, irmanados e sempre presentes nos maus e bons momentos, jamais poderão prescindir da ausência de um deles. Imperdoável momento que vivemos, e que sirva de lição, mais uma das muitas que teremos a obrigação de abraçar daqui para diante, senão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.


2-3 OFENSIVO, UM SISTEMA A SER CONSIDERADO SERIAMENTE…

Peguei o jogo com quase 6 min corridos, o despertador me pregou uma peça, e a primeira informação captada foi do comentarista Marcelo dizendo que até aquele momento a equipe brasileira havia arremessado 0/6 bolas de três, estando atrás 5 pontos, e que havia necessidade de incrementar o jogo interno que manteve a equipe invicta até aquele momento, depoimento esse inusitado vindo de um convicto arremessador nos muitos anos de seleção por ele vivido, e que agora fora das quadras começa a perceber o jogo de outra maneira, o que é muito bom e promissor…

E foi o que permaneceu acontecendo no transcorrer da partida, com a volta da chutação de fora com 8/27, enquanto os checos arriscaram 8/20, com 12 ataques improdutivos contra 19, somente em bolinhas de 3, ou seja, conseguiram contestar os arremessos com mais consistência do que nós, otimizando física e tecnicamente 7 posses de bola, além de nos ferir lá dentro da cozinha com uma elevada 28/44 conclusões, contra 19/40, vencendo a partida mesmo perdendo 5 lances livres contra 2 dos nossos, e até errando 13 fundamentos contra 11, porém dominando os rebotes com 39 captados, contra 28…

No entanto, as diferenças entre erros e acertos nos arremessos, mesmo expondo a crueza dos números, não explica o outro e determinante fator, o técnico tático, senão vejamos – Nos jogos anteriores, nossa dupla armação funcionou no muito bem realizado rodízio entre o Huertas, o Luz e o Benite, com presenças pontuais do Alex e do Leandro, sem que o Yago participasse do mesmo por sua jovem inexperiência, o que radicalmente mudou pela presença de armadores muito altos e técnicos dos checos, não só na contestação dos longos arremessos, como no duro enfrentamento nas fases dribladoras e fintadoras dos mesmos, deixando-os sem muitas opções ao jogo interno com os alas pivôs, o que aparentemente obrigou o técnico tentar algo inusitado, arriscado, porém diferenciado, lançando o Yago, que frente a uma barreira monstruosa de armadores e pivôs descomunais, rápidos e combativos, de saída cometeu um 0/4 nas bolas de 3, no momento em que os checos alargavam o placar, e inclusive se utilizando da arma tática brasileira da marcação zonal, da qual não soubemos sair, sendo inoculada com o mesmo veneno utilizado contra os gregos. E nesse ponto acontecia a maior das diferenças técnicas e táticas dentro da quadra, pois ambas as equipes se utilizavam da dupla armação, e de três homens altos transitando dentro do perímetro interno, a começar pela qualificação biotipológica dos checos, muito mais altos que nossos armadores, e tão rápidos e lépidos quanto os mesmos, porém com uma diferença determinante, possuidores de uma base sólida nos fundamentos e na leitura de jogo, assim como seus altíssimos e velozes alas pivôs, transitando numa média acima dos 2,10m, superando em alguns palmos nossos homens mais altos…

Interessante mesmo foi a constatação de que ambas as equipes, ao contrário das demais nesse Mundial (ainda não tive a oportunidade de ver os americanos), utentes do sistema único e universalizado de jogo, propunham o especialíssimo sistema de dupla armação e uma trinca de alas armadores interiorizados no perímetro, a brasileira através uma recentíssima guinada de seu técnico, a checa através uma longa convivência com a mesma (em breve conto uma boa e instigante história sobre essa opção checa aqui no blog), fator determinante na longa experiência somada a qualificação desde muito jovens nos fundamentos do grande jogo (fui testemunha dessa qualificação quando em 1997 disputei com a equipe infanto juvenil do Barra da Tijuca o torneio da Amadora em Portugal, onde a pré seleção checa da categoria jogou conosco vencendo de 8 pontos, num jogo memorável para a gurizada tupiniquim…). No ano seguinte essa seleção, cuja geração antecedeu a esta que disputa o Mundial, foi vice campeã cadete europeia perdendo para a Itália dirigida pelo Piero Gamba. que por conta desse título dirigiu a seleção do mundo de jovens no Torneio Goodwill contra os americanos no palco das finais da NCAA em San Antonio, e em cuja equipe despontaram o Scola e o Dirk Novinsky, e sabe com que sistema o Gamba venceu os americanos? Isso mesmo, com a dupla armação e três alas pivôs rápidos, atléticos e flexíveis ( penso em veicular ambos os vídeos, o da Amadora e o do Goodwill, aqui no blog, e claro, de co mo o sistema foi parar nas mãos inteligentes do Gamba)…

E nesse ponto sobressai uma questão – Como e porque o sistema ofensivo 2-3 foi desenvolvido prioritariamente na República Checa, tornando-a hoje adversária temível na Europa e agora no Mundial, fugindo radicalmente do sistema único adotado pela maioria esmagadora das demais equipes? Ouso afiançar, que a adoção de tal sistema, (do qual fui o introdutor aqui no país 40 anos atrás), como desencadeador de uma visão mais ampla e criativa do grande jogo, foi adotado pelo inconteste fato de que iguala o ensino e a aprendizagem dos fundamentos individuais e coletivos por todas as faixas etárias, por todas as posições em quadra, onde baixos e altos, franzinos e corpulentos tem a oportunidade de se exercitar por igual, nivelando habilidades, lendo melhor as situações de jogo, cooperando coletivamente e acima de tudo, raciocinando em função do outro, e não em causa própria, que é o que vemos e constatamos no mundo do basquetebol moderno, visto hoje, e mais do que nunca, como um business a ser alcançado ao preço que for…

Perdemos um jogo decisivo exatamente por termos, corretamente concordo, executado um sistema de jogo promissor em toda sua extensão pedagógica visando um futuro de amplas oportunidades, frente a uma equipe que o adotou duas décadas atrás, e que hoje colhe os bons frutos de sua ousada e corajosa escolha. ìnsisto ser de enorme importância mantermos o mesmo frente aos americanos logo mais decidindo a classificação às quartas de finais, isto porque, desde o advento do Coach K que eles mesmos, donos absolutos do sistema único, subverteram a ordem estabelecida e se bandearam para o atleticismo e velocidade de seus alas pivôs, abandonando as massas estratosféricas de seus pivosões, assim como, adotaram a artilharia de três a partir das universidades, mas que hoje, frente a retomada defensiva, contestando cada vez mais aquela tendência, retornam ao jogo interior, porém todos afeitos e acostumados às regras da NBA, encontrando sérias dificuldades sob às da FIBA, principalmente na defesa interior do garrafão, aspecto que podemos explorar com algum sucesso pelos bons pivôs e alas pivôs que temos, e pena, muita pena mesmo que outros mais bem dotados para essa briga não tenham sido convocados, ainda mais quando um Augusto sequer entra em quadra…

Temos que atuar com nossos melhores armadores no maior tempo de quadra possível, revezando-os ao mínimo, pois com a possibilidade de classificação, cansaço nenhum será justificativa em se tratando de profissionais tarimbados e experientes, o mesmo para os alas pivôs, todos juntos para o “bola ou búrica” de suas vidas…

No caso de uma vitória da Grécia sobre a República Checa, mais ainda terá de ser o esforço para o enfrentamento com os americanos, quando a vitória simples nos classificará. Vencendo os checos, difícil mas não impossível chegarmos lá. Torçamos então e quem sabe…

Amém. 

Fotos – Reproduções da TV.

A CORAJOSA OPÇÃO SISTÊMICA DO PETROVIC, MANTERÁ?…

No primeiro jogo da fase classificatória contra a Nova Zelândia arremessamos 17/44 bolas de 2 e 14/38 de 3, contra 18/37 e 12/26, numa competição artilheira de dar arrepios, haja vista o placar final de 102 x 98, ao final da partida

No segundo, contra a Grécia foram 25/52 de 2 e 5/12 de 3, contra 18/37 e 12/26 helênicos. Vencemos por 79 x 78 um jogo chave para a classificação…

No de hoje, o terceiro, contra Montenegro, arremessamos 26/46 de 2 e 7/18 de 3, contra 17/30 e 11/32, garantindo o primeiro lugar na chave por 84 x 73…

Assistindo os jogos e analisando os números, algo de absolutamente inédito em seleções brasileiras salta aos olhos, e tão somente quanto aos arremessos de quadra, números que estão aí acima, realmente inovadores, senão vejamos – Ao contrário da histeria dos 3 do primeiro jogo, o tal que por pouco nos livramos de um resultado nada alentador, quando arremessamos 38 bolinhas, fruto de um vício de formação arraigado de longa data em nossos jogadores, do segundo em diante não ultrapassamos as 20 tentativas (foram 12 e 18), quando priorizamos o fortíssimo jogo interior que possuímos, mudando radicalmente a forma de jogar, concluindo de fora quando realmente as condições de equilíbrio, desmarcação e velocidade, propiciou pontos importantes, otimizando o esforço físico a cada ataque com conclusões mais seguras e com alto grau de precisão, principalmente dentro do garrafão …

 Enfatizo esta providencial mudança, pelo inconteste fato do Petrovic parecer ter conseguido convencer a equipe de ser esta a melhor maneira de vencer jogos sérios e decisivos, de 2 em 2 e 1 em 1, com muita paciência, firmeza e alta percepção de leitura de jogo, principalmente jogando em espaços menores e bem defendidos, visando o desmonte defensivo, fator estratégico que ganha dimensões gigantescas daqui para o final da competição, e por um inusitado e não calculado comportamento de uma seleção que vem forçando essa forma de jogar do “chega e chuta”, de três décadas para cá, com inclusive a falsa afirmativa de que fomos nós a inaugurar a falácia tendenciosa de que  “mudamos o jogo”, mas que não nos fez vencer competições realmente importantes desde então…

Se essa mudança se concretizar com seriedade, compromisso e envolvimento por parte da equipe em seu todo, sem dúvida alguma seus mais ferrenhos adversários se preocuparão seriamente, pois terão de medir forças seguida, e não esporadicamente pelos 40 min da cada partida dentro de sua área defensiva, com desgastes em faltas e enfrentando arremessos mais precisos pela proximidade da cesta, através alas pivôs rápidos, ágeis e atléticos, alimentados por armadores agindo como tal, e não pontuadores de longa distância, assim como, com formações dinâmicas em constante movimentação, dinamizando sistemas defensivos combativos, antecipativos e inteligentes nas leituras conjunturais do jogo…

Os primeiros passos foram dados com a adoção permanente da dupla armação, e a escalação de uma trinca de alas pivôs de grande mobilidade ofensiva e defensiva, sem os exagerados arroubos das bolinhas salvadoras e midiáticas. E nesse ponto fica bem clara a falha convocatória, onde alguns nomões ocupam vagas de jogadores mais bem equipados tecnicamente que aqui ficaram, para exercer essas novas perspectivas com muito mais talento do que alguns que lá estão, inclusive visivelmente imaturos para uma competição desse calibre, pois renovação é algo muito sério, e que deve ficar ao largo de influências midiáticas e ufanistas…

Na continuidade somente um problema preocupa de verdade, a diminuição na rotatividade da equipe, onde fica bem patente o grande fosso que divide experiência e imaturidade, tornando um pouco mais difícil a transição do como jogávamos, para o que ensaiamos mudar, num salto desafiador que custamos tanto tempo para enfrentar…

Muito bem Paulo, o que fica faltando então? Alguns pontos importantes, como defender os monstruosos pivosões pela frente, radicalmente pela frente, cortando os passes diretos aos mesmos, obrigando a lateralização, com substancial perda de preciosos segundos de ataque. Mais trocas e cruzamentos (até aleatórios) dos alas pivôs dentro do perímetro interno, deslocando permanentemente os altos defensores, que é o fator mais importante na construção de espaços naquela zona chave para as defesas. Hierarquizar os posicionamentos nos rebotes defensivos, onde uns bloqueiam os atacantes e outros capturam a bola, e nos de ataque, tendo sempre um mínimo de dois na disputa aérea, sempre. Como vemos, pouco falta para realmente mudarmos, para bem melhor, nossa forma de jogar o grande jogo, como deve ser jogado na busca da maior precisão possível, antítese da chutação anárquica e desenfreada, onde o fator contraditório é exatamente a imprecisão…

Torço pela afirmação das mudanças, que se aceitas por todos (inclusive os assistentes técnicos que lá estão, adeptos ferrenhos da farra dos 3…) constituirá o grande passo que teimamos a décadas, em não dar, e talvez calarei meus rogos pela adoção, ou adaptação do mesmo, defendido, estudado e aplicado por mim em todas as equipes que orientei, da base a elite por mais de 50 anos, porém afastado pelo corporativismo defensor da mesmice endêmica que aí está, mas jamais calado nos técnicos e indignados artigos publicados nesse humilde blog, atuando ininterruptamente a 15 anos, o Basquete Brasil…

Quem sabe um croata consiga romper essa muralha, espero que sim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

DE 2 EM 2 E DE 1 EM 1, PORQUE NÃO?…

Fico na torcida para que o bom senso prevaleça, numa atitude enérgica defensiva, e numa ofensiva paciente, interior, com seletividade mais aprimorada nos chutes de fora, e acima de tudo, na luta sem tréguas pelos rebotes lá e aqui, indistintamente, e que de 2 em 2 e 1 em 1, torne o jogo mais inteligente e produtivo”…

Foi esse o último parágrafo do artigo publicado ontem neste humilde blog, e pelo que pude testemunhar ao vivo, a cores, e ululante transmissão (bons comentários do Marcelo e do Rodrigo, justiça seja feita), o bom senso imperou pelo lado tupiniquim, liderado por um técnico que, enfim, fez valer sua experiência e poder de persuasão quanto a inestancada hemorragia que nos esvai a décadas, de uma cultura autofágica retratada em toda sua extensão nos inenarráveis e muitas vezes irresponsáveis festins de 3 pontos, midiáticos, deificados e registrados como nossa marca pessoal de jogar o grande jogo, num anti coletivismo visando transformá-lo numa modalidade individual, como bem representam alguns de nossos líderes de antanho, glorificados e bajulados com a representação de uma forma personalista de atuar, que gerou levas e levas de “especialistas” que nos fizeram despencar ladeira abaixo no cenário internacional…

O jogo foi ganho de 2 em 2 e 1 em 1 pontos, trabalhados pacientemente, por uma dupla, às vezes tripla armação gerindo e servindo alas e pivôs com maestria, ferindo o adversário lá dentro de sua pretensamente inexpugnável cozinha, desmontando sua supremacia nos rebotes, onde um certeiro Varejão liderou sua equipe num jogo interno poderoso e acima de tudo, lúcido, pois jamais os gregos poderiam imaginar uma seleção adepta fervorosa das bolinhas, enfrentá-los onde se consideram fortes, lá, bem lá dentro. Some-se a isso o fato de ser este campeonato jogado pelas regras da FIBA, fator talvez esquecido pela turma grega (e muito torcedor também…), quando atestou o fato de que o MVP da liga maior simplesmente não pode desfilar sua coleção de talentos ao se deter ante uma defesa que pode exercer tantas e quantas coberturas quiser, tornando o 1 x 1 bem mais complicado de enfrentar. E foi uma defesa briguenta e antecipativa a que não só ele, mas toda sua equipe teve de enfrentar, perdendo a partida…

A turma brasileira arremessou 5/12 de 3 (palmas uníssonas para ela), e 25/52 de 2 pontos, concluindo dentro do garrafão 46 pontos dos 79 alcançados, enquanto a turma grega lançou 9/26 e 15/34 respectivamente, totalizando 28 pontos no garrafão, sendo que nos Lances livres as duas equipes converteram 14/19 e 21/23, números que permitiram a seleção nacional vencer por 1 ponto (79 x 78), mas venceram uma partida chave para a classificação numa posição vantajosa quanto aos enfrentamentos futuros, e mais ainda se vencer Montenegro na quinta que vem. Tiveram 10 erros de fundamentos (foram 8 na primeira partida), contra 16 dos gregos, outro número bem favorável, e que ao ser diminuído aumentará em muito a eficiência da equipe…

No entanto, alguns fatores importantes foram bem difíceis de enfrentar, como na rotação da dupla armação, onde seria arriscado lançar o Yago de encontro aos mais do que experientes tanques gregos, assim como um Benite que sem dúvida alguma teria seus longos arremessos severamente contestados, fator um tanto amainado no caso do Marcos, com sua elevada posição de arremesso muito além de seus 2,07m de estatura, situação que seria enfrentada pelo Leandro e o Alex se optassem pelos longos arremessos, inteligentemente trocados pelas furiosas penetrações que realizaram enquanto estiveram em quadra…

Como a briga nos rebotes, em muitas fases do jogo, teria relevância capital, Varejão, Bruno e Felício se saíram muito bem, sendo que a equipe teria produzido melhor se  constasse em seu elenco de alguns jogadores não selecionados, assunto que também mencionei no artigo anterior, numa perda de qualidade a ser bem pensada para as futuras competições, pois uma seleção nacional representa a forma de jogar seus campeonatos, e não só servir de vitrine da liga maior, com sua forma diferenciada de jogar o grande jogo…

Aguardemos o prosseguimento da competição, onde as exigências técnico táticas crescerão exponencialmente a cada etapa a ser cumprida, tendo a seleção a grande responsabilidade, daqui para diante, de manter esse novo posicionamento tão diligentemente alcançado no dia de hoje, e que seja, definitivamente, um marco divisório entre o ontem, o hoje, e quiçá o futuro de jogar o grande, grandíssimo jogo, da forma lúcida e competente apresentada nesse 3/9/2019…

Torço para que continue atuando com dois armadores criativos, improvisadores, corajosos, e três alas pivôs rápidos, ágeis, flexíveis e acima de tudo, inteligentes, pois bem sei de longa, longuíssima data,  como é jogar dessa forma, acreditando que venha a ser aceita e compreendida daqui em diante, afinal de contas é um croata que aposta nela, ou não?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.