ESQUECER? JAMAIS. ATÍPICO? DE JEITO NENHUM…

–  “É jogo para esquecer, o aproveitamento é de dia, acontece”

–  “Está claro que não o QUANTO se chuta, mas sim COMO e POR QUE se chuta”

–  “Foi um jogo atípico”

São comentários de fim de jogo, vindos da mídia especializada e do croata, contemporizando um pequeno desastre anunciado, aqui mesmo, quando afirmamos que bastaria uma defesa presente dentro e fora do perímetro, com coberturas competentes, e contestações permanentes, para conter uma seleção, cujos jogadores apostam todas as suas fichas na artilharia de fora, não alguns, mas todos, quebrando dessa forma toda e qualquer tentativa de seu técnico de promover o tão sonhado e apregoado coletivismo, cada vez mais distante, diante de uma realidade encanecida pelos longos anos de um sistema de jogo promotor da desgraceira em que chafurdamos, afundando cada vez mais num buraco infindo…

Defensivamente então, melhor sequer tentar analisar, pois trata-se de um assunto tabú, desconhecido por todos aqueles que propugnam pelo chavão de que “a melhor defesa é o ataque”, absolutamente cônscios de seu imbatível e imparável ataque, aquele lá de fora, na zona dos que temem se arriscar às penetrações, onde técnicas refinadas de drible, fintas e arremessos precisos e milimétricos exigem progressivo e incansável treinamento, ajustando e reajustando habilidades cada vez mais exigentes de esforço e entrega ao labor de aperfeiçoá-las, por todo o tempo em que se mantiverem a serviço do grande jogo, ou seja, os fundamentos, ferramenta de trabalho para praticá-lo, e sem os quais, pouco ou nada será conseguido em termos de sistemas de jogo fluido e colaborativo…

Logo, de forma alguma é um jogo para ser esquecido porque as bolinhas não caíram, “não era o dia, acontece”, quando o esquecimento está diretamente relacionado ao outro comentário – “Está claro que não o QUANTO se chuta, mas sim COMO e POR QUE se chuta” – argumento em defesa da chutação, correta ou incorreta, pois dependente do quanto, do como e do por que…

Do QUANTO, fator convergente entre os arremessos de 2 e 3 pontos, como se ambos tivessem a mesma precisão, a mesma técnica de execução, facultando a todo jogador o domínio dos longos, em quantidades progressivas, que é algo assustador pela ignorância mais simplória do que vem a ser o domínio pleno de uma esfera de 600/650 gramas e 75/78 cm de circunferência a ser lançada de uma distância aproximada de 6,75 m a um aro suspenso a 3,05 m do solo , com um diâmetro de 45 cm, girando inversamente em torno de um eixo diametral que deverá se situar o mais paralelo possível ao nível do aro e equidistante de seus bordos externos, a fim de reduzir ao máximo desvios de direção na ordem nunca superior de 1,5/2,0 cm no momento da soltura, utilizando pegas de várias formas, estudadas e pesquisadas cientificamente, adaptando-as às particularidades anatômicas das mãos de cada jogador, e não simplesmente, como em voga, jogá-la para o alto para ver no que dá…

Do COMO, se partindo do pressuposto de que as técnicas corretas estejam presentes, e que mesmo assim exigem estabilidade posicional, equilíbrio e firmeza, com tempo suficiente para que tais ajustes colimem numa razoável, boa ou excelente tentativa, sempre pertencente a uma movimentação técnico tática da equipe, e não, como de costume, forçando-a atabalhoada e muitas vezes irresponsavelmente, como vem acontecendo cumulativamente, até mesmo nas categorias da formação de base…

Do POR QUE? , Ora ora, é o que garante notoriedade midiática, poder decisório deificado, rotulando um poder maior diretamente proporcional ao maior ou menor número de “especialistas” que compõe uma equipe, tornando-a poderosa e imbatível aos olhos primários daqueles que realmente pensam conhecer algo do grande jogo, que esquecem sempre da existência de defensores do outro lado da quadra, aqueles que técnica e taticamente simplesmente defendem, defendem e defendem, despindo o santo de sua arrogância de luminares dos longos arremessos. Foi exatamente isso que tornou a acontecer no enfrentamento com os canadenses, desfalcados de seus ótimos jogadores que atuam na NBA, mas plenamente cônscios de suas habilidades nos fundamentos de defesa, e por que não, nos tiros longos também, ante a inexistência defensiva tupiniquim, entregue a seus devaneios de adoradores dos Currys da vida, cuja equipe já começou a descer a ladeira, como aliás, já era de se esperar, pois lá naquelas bandas do norte, defender é algo que aprendem desde muito cedo, quando por aqui… deixa pra lá, pois já já elas voltarão a cair…

Preocupa-me ver a seleção atuar como hoje, desconectada do que realmente seu técnico deseja para ela, arvorada, perdida e descerebrada, mas incensada em nome de um prestígio que teimam em apoiar e promover na forma absurda de jogar em função das bolinhas, previsível, insípida e com ausência de criatividade, buscando corner players para chutação, abdicando de um jogo interno que poderia, se bem treinado, coordenado e aceito por todos, ser de um poder imenso, se estruturada defensivamente, nos rebotes coletivos e excludentes, nas flutuações lateralizadas, possibilitando a marcação frontal dos pivôs, da presença permanente junto aos atacantes fora do perímetro, obrigando-os a penetrar em busca de 2 pontos, e não de três, nas leituras defensivas e ofensivas de jogo, tão ausentes entre nós, preocupados que estamos em imitar, e muito mal, um outro jogo, com regras diferentes, poder aquisitivo inimaginável, poder econômico avassalador, que nos veem como mercado, jamais concorrentes no jogo, onde até seus vizinhos mais acima aqui vem e nos ensinam um sutil lição, a de que jogadores equipados dos fundamentos básicos do jogo, sempre vencerão aqueles que, desde a base, são formatados e padronizados em sistemas e preparação física “científica”, onde aprendem a correr mais rápido, saltar mais alto e trombar com mais eficiência, muito antes de se dedicarem aos fundamentos, quando o fazem. Esse é o material humano que é posto a disposição de um técnico da escola europeia, que muito pouco poderá acrescentar taticamente quando tecnicamente deixam tanto a desejar, a não ser que os ensine, por pouco que seja, a se aprimorar nas técnicas fundamentais, inclusos os arremessos…

Ao término do jogo, me senti profundamente triste, por um único e instigante fato, o de em nenhum momento de minha vida como professor e técnico ter aceito a mesmice, a repetição o monocórdio, como estou testemunhando acontecer, e sim ter sempre me pautado pelo contraditório, pelo ousado, pelo instigante, pelo realmente novo, jamais a novidade, pela capacitação ao improviso consciente, pois só improvisa quem sabe, quem domina seu instrumento de trabalho e de estudo, ajudando efetivamente os jovens a se encontrarem em si mesmos, e por conseguinte, se situar em grupos, em família. O grande, grandíssimo jogo, precisa árdua e urgentemente de jovens assim formados, jamais formatados e padronizados em torno de uma deletéria e absurda prancheta, instrumento dos emperdenidos e teimosos estrategistas, permanentemente (até quando meus deuses) de plantão…

Amém.

Fotos – Reproduções da Tv. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

Segue uma breve resenha gráfica de um jogo nada atípico, e que nunca deverá ser esquecido:

A primeira manifestação ofensiva da seleção foi um chute de três, contestado…

A primeira bolinha do Canadá, desmarcada…

Leandro tenta penetrar, e como de outras vezes é barrado pelo forte esquema defensivo canadense…

A insistência brasileira nas “bolinhas de 10 pontos”…

Pivôs armando. armadores viram pivôs, numa inversão desesperada de valores…

Canadenses sempre livres nos arremessos…

Brasileiros sempre e severamente contestados, como deve ser…

Em síntese, de um lado uma equipe, que nem é a principal, bem treinada, com fundamentos sólidos e confiáveis, embasando um sistema fluido e competente de jogo, do outro, um retrato fiel de como se joga o grande jogo em nosso imenso, desigual e injusto país…

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“É DE TRÊS”!!!!…

“Agora quero ver falarem mal das bolas de três”, menciona sorrindo o comentarista da TV, esquecendo estar comentando um jogo em que a seleção dominicana abria totalmente a guarda para a chutação de fora (13/31), resguardando com todas as suas forças o perímetro interno, permitindo 32 (22/32)finalizações brasileiras de 2 pontos, quando ela mesma conseguia 50 (24/50 e 5/12 de 3), e mesmo assim, das 18 bolas perdidas por nossos “especialistas de três”, forçamos 10 ante uma débil, porém presente contestação às mesmas…

Repetiu-se o velho e manjado vício pátrio, de “soltar a pera” ao menor indício de liberdade, dando valia ao fajuto princípio de que “estando solto,tem de arremessar”… de três, inclusive em contra ataques, sem contemplações, levando de roldão instruções para escolherem melhores situações de chute, ou mesmo darem um pouco mais de valor a posse de bola, agindo grupal e taticamente, na criação dos tão valiosos espaços, que no caso do jogo de ontem, como em qualquer jogo em que o adversário bloqueie o miolo de sua defesa, se apresentava como uma oportunidade mais preciosa ainda de forçar o jogo interno, capacitando, pelo realismo de um jogo entre seleções, os alas pivôs nas jogadas próximas à cesta, em espaços críticos pelas curtas distâncias, ocupados por seis ou mais jogadores, em luta espacial permanente, oportunizando os rápidos deslocamentos e os passes mais precisos, assim como as finalizações estatisticamente mais eficientes, e mais, oferecendo precisos e rápidos passes de dentro para fora do perímetro, e não em passes de contorno ou regressivos, para aí sim, encontrarem os especialistas nos longos tiros, estáveis, equilibrados, e com tempo suficiente para enquadrarem com firmeza o direcionamento correto da bola, e não destinados a uma turma convencida de que é expert nas bolinhas, cerceando e praticamente anulando toda e qualquer oportunidade de ações internas de sua equipe…

O treinamento em situações reais de jogo, é o anseio de  qualquer técnico experiente e de qualidade (e muito mais em se tratando de seleções), para desenvolver seu sistema interior de jogo, difícil (mas não impossível) de ser emulado em treinos normais, daí a fundamental importância de destinar todo o tempo e empenho da equipe no máximo aproveitamento possível dessas oportunidades, que jamais deveriam ser perdidas pela troca midiática e exibicionistas de jogadores que acham, e se consideram “gatilhos” insuperáveis, o que absolutamente não são, ainda mais se marcados e contestados de muito perto, que é o que ocorrerá quando enfrentarem seleções de maior qualidade técnica…

Na equipe brasileira, nove jogadores arriscaram nos três pontos, e somente os pivõs Varejão e Augusto, e o armador Pecos não o fizeram, sendo este último também adepto das bolinhas, que só não foram tentadas por ter jogado muito pouco tempo. Se deduzirmos que nove jogadores se acham competentes nos longos arremessos em uma partida entre seleções nacionais, fica bem claro que das duas uma, ou foram autorizados pelo técnico a fazê-lo, ou agiram por conta própria, afinal estavam “livres”, o que explica a contrariedade do técnico, que vê na equipe que dirige o mesmo comportamento que tanto criticou nos jogos do NBB, o excesso de bolinhas, marcadas ou não, forçadas ou não, todas reflexos da ausência consentida de defesa externa por parte de todas as equipes, que dessa forma se igualam nos erros e nos acertos, vencendo aquelas que as veem cair com mais frequência, pelas mãos dos poucos especialistas de verdade que temos, que é a regra em outros grandes centros, onde somente uns poucos decidem jogos através o domínio que têm na difícil e elitista arte dos longos arremessos…

Agora a pouco pude assistir a final da LDB entre Pinheiros e Paulistano, jogo final de uma tarde com quatro partidas semifinais e final, com a média de 30 erros de fundamentos por jogo, e na final, 13/48 arremessos de três (4/26 para o Paulistano e 9/22 para o Pinheiros), e 32 erros (12/20 respectivamente), dando razão com sobras ao Petrovic, que, incoerentemente na manhã de hoje orientou um treino de arremessos, de três e uns pouco lances livres (vejam o vídeo)…

Estará aderindo o experiente croata? Vejamos contra o Canadá…

Amém.

Foto – Reprodução ds TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

Vídeo – Divulgação CBB.

SE CUIDA PETROVIC, SE CUIDA…

Amanhã a seleção brasileira joga com a dominicana em São Paulo pelas eliminatórias para o Mundial da China, e na segunda feira contra o Canadá, dois jogos difíceis, mesmo jogando em casa, e sob um manto de desconfiança motivada pelas declarações do técnico Petrovic sobre a forma como atuam nossos jogadores, adeptos confessos do “chega e chuta” implantado em nosso país de duas décadas para cá, fator este influenciador poderoso, inclusive na formação de base da modalidade, que levou o croata a uma série de críticas contrárias a essa forma de jogar, atingindo em cheio o ambiente corporativo em que vivem os técnicos tidos como os de ponta do basquetebol nacional…

Ácidas críticas por parte da mídia altamente especializada, dos melindrados técnicos que atuam na elite do basquetebol, foram externadas rapidamente, num movimento mantenedor do status quo vigente, avesso a qualquer mudança, pois afinal de contas, é “dessa forma que o mundo inteiro joga”, e não seremos nós a fugir dessa realidade técnica, aceita, padronizada e formatada aqui e lá fora também, concretizando uma falácia, não só perigosa, mas absolutamente idiota e absurda sobre os verdadeiros princípios técnico táticos que fundamentam  e norteiam o grande jogo, maciçamente desconhecidos e omitidos por toda uma plêiade de “conhecedores” do mesmo, e que até o momento, e de longuíssima data o manipulam a imagem e semelhança de seus interesses continuístas, e acima de tudo exclusivistas…

Fica bem claro que jogamos como todos (ou quase) jogam, dentro do sistema único, porém com uma indiscutível e conclusiva diferença, a qualidade formativa nas técnicas individuais e coletivas, lastreadas nos fundamentos básicos do jogo, fator que nos situa muitos degraus abaixo na qualificação dos jogadores internacionais, onde a maioria quase absoluta se apresenta incapaz para concretizar sistemas simples de jogo, como corta luzes , bloqueios, penetrações dominantes, que são ações inerentes a qualquer sistema primário, quiçá os mais complexos, onde falham por desconhecimento e falibilidade técnica, perdidos que ficam em incontáveis e estéreis passes de contorno ou regressivos, provando na quadra que em momento algum foram ensinados seriamente, desde a formação, e que continuam falhos pelo negligente desinteresse dos estrategistas em fazê-lo, na maioria das vezes por desconhecimento da matéria, e outras, por considerar como algo que não se ensina a jogadores de elite, num erro monumental e de consequências devastadoras, gerando a única restante opção, a do jogo externo, descompromissado com as técnicas exigidas no jogo interno, aumentadas exponencialmente pela ausência defensiva, praticamente endêmica na realidade do basquetebol tupiniquim, sacramentando o autofágico e comprometedor “chega e chuta”, único e restante estratagema que possuem no campo de jogo, incentivados pela conivência da turma de fora, os estrategistas…

Então por que não reponsabilizá-los pela praga dos três, se sequer desenvolvem sistemas e técnicas que privilegiem prioritariamente conclusões equilibradas de 2 em 2, de 1 em 1, mais precisas e determinantes ? Por que permitem suas equipes arremessar mais de três do que de dois, assistindo o desgaste brutal de seus jogadores nas insanas convergências em 50/60 ataques improdutivos e estafantes (acredito defenderem as famigeradas “rotações” exatamente para manter esse comportamento), sabendo de antemão que o mesmo acontece com os adversários, igualando-os, já que se encontram no mesmo barco do sistema único, num perfeito álibi pela consciente opção? Por que agem em um uníssono balê fora das quadras, teatralizando ações midiáticas e pressões inconcebíveis nas arbitragens, num consenso plural e inconsequente, prejudicando muitas vezes suas próprias equipes? Por que anunciam solenes estratégias de jogo e absolutamente nada mudam na forma de jogar? Por que suas equipes erram tantos fundamentos, da simples reposição de laterais, até perdas de bola sob pressão toda a quadra, noves fora os passes interceptados pela obviedade dos mesmos num sistema previsível e vazio de criatividade, a não ser aquela de cunho próprio, pretensiosamente grafada nas pranchetas? Por que mudar o que todos fazem, repetem, copiam, e torcem para as bolinhas caírem, mesmo as arremessadas por iludidos “especialistas”, por isso tudo, por que?…

Tenho certeza de que seriam estas as questões incluídas no posicionamento do Petrovic em suas críticas a decorrente enxurrada de três a que tem assistido, a mesma a que assisto consternado e constrangido nos últimos 20 anos, nos últimos 11 anos de NBB, de LDB, somados e ombreados nos inenarráveis erros nos fundamentos, um dos quais extrapolou acima de todos, as convergências nos arremessos, e para não ficar sem um numerozinho sequer, a média de erros na LDB, porta final de entrada para a elite do NBB, que atingiu na etapa anterior 26,2 erros por jogo, terminou hoje a etapa antecedente às semifinais com o absoluto e desabonador número de 36.3 erros de fundamentos por jogo. Some-se a isto os erros nas bolinhas e teremos um retrato real e fiel das qualificacões dos pretendentes ao grupo de elite…

Volto a bater na mesma tecla que faço soar desde o primeiro artigo postado neste humilde blog, o de que o grande óbice em que nos encontramos é o técnico, da formação a elite, num cenário trágico em que nada de realmente novo e instigante pode ser considerado por um corporativismo que se apossou do grande jogo, expurgando toda e qualquer tentativa que arranhe, mesmo de leve, o torpor e a mesmice endêmica que nos esmaga e humilha, em favor de um nicho econômico restrito a uns poucos, que o defendem ao preço que for. Se desmontado, teremos chances de evoluir, quem sabe recriando um pouco da pujança que nos caracterizou como a quarta força do grande jogo no século passado, quando jogávamos e amávamos o “nosso”  jeito de jogar, de criar, de improvisar conscientemente, e não essa imitação tosca e descerebrada que hoje praticamos, bolas de três a parte, e nisso o croata está com carradas de razão, e eu, particular e solitariamente, também, pois fui um dos expurgados desde o NBB2, e por que, por quais razòes, técnicas? Com certeza, não. Mudanças doem, fraturam, geram medo, que compreendo, mas em hipótese alguma aceito…

Se cuida Petrovic, se cuida, ou como torce a patota, adira, garantindo o excelete emprego, que é o que todos eles, aderindo, fazem…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

O NEGÓCIO É “PUXAR FERRO”…

O que é preferível em uma equipe de basquetebol, treinar duramente os fundamentos do jogo, em circuitos desafiadores, individualizados ou coletivos, como um excelente instrumento prático para adquirir habilidades, fôlego e firmeza muscular, ou alocar os jogadores em meio a uma parafernália tecnológica (?) forçando articulações e músculos de fibras rápidas, na busca apolínea, mais para o estético, do que o eminentemente técnico, onde o instrumento de trabalho, a sutil, volúvel e errônea bola sequer aparece, mesmo como enfeite?…

Porque não preparar jogadores em constante contato com a bola, driblando, passando, fintando, revertendo, recuando, lateralizando, arremessando, reboteando, e até mesmo, agindo sem a posse da mesma, defendendo, fintando, desmarcando, bloqueando, e acima de tudo, pensando cada ação, longitudinal ou sagitalmente, antecipando, projetando, cobrindo espaços e gestos, formulando jogadas em improvisos conscientes, inteligentemente, somando seus intensos esforços colaborativos aos demais companheiros, fórmula maior para a consecução do coletivismo fluido e autêntico ?…

Por que não ir fundo no estudo personalizado dos arremessos, arte para poucos nos de longas distâncias, exigindo sólidos conhecimentos de direcionalidade quase balística, e não simples e cansativamente desgastar-se em mil ou duas  mil tentativas por semana, com a discutível certeza de que somente dessa forma atingirá a excelência? Não, como toda arte que exige habilidades físicas e mentais, o saber como fazer supera em larga margem ao simples fazer quantitativo, acumulando muitas vezes erros crassos e incorrigíveis após repetições descerebradas. Nos fundamentos, no arremesso em particular, cada tentativa tem e deve ser pensada, analisada, corrigida e aprimorada, claro, por professores que saibam, rigorosamente o que estão ensinando, corrigindo, aprimorando, a luz das capacitações individuais de seus alunos, atletas, jogadores…

O que ontem era dominante, o preparo fundamental, hoje é suplementar, ou nada, substituído matreiramente pelo fisiologismo galopante, pelas ferragens deslizantes, contra pesos, esteiras que sobem ou descem, cargas cada vez mais fortes, mesmo aquelas voltadas a explosão muscular, até que começam a explodir articulações e cartilagens, pois o importante passou a ser aqueles que chegam a frente, velozes, saltadores, trombadores, brigadores, ao preço que terão de pagar, mesmo que mal saibam driblar com eficiência (e não trapaceando a regra nas cada vez mais redundantes “conduções de bola” que grassam entre os jogadores, armadores em especial, coniventes com arbitragens condescendentes), passar no tempo correto, olhar e saber interpretar o jogo, pensando e não só correndo, indo além das pernas, saltando e contestando fora do tempo e de ritmo, com membros inferiores travados lateralmente pelo atrofiamento muscular imposto pelas incidentes e cumulativas cargas, tornando todos seus segmentos tensionados qual cordas de um violino afinadas ao seu extremo, no limiar da ruptura, que é o que vemos aumentar a cada temporada que passa…

Tal preparo, formulando atletas poderosos ganha adeptos velozmente, na proporção direta em que se magoam, muitas vezes exigindo graves cirurgias, concomitante ao descaso ascendente no preparo técnico individual e coletivo, chave mestra para a prática do grande jogo, sem o qual, super atleta nenhum vencerá outro conveniente e seriamente preparado no conhecimento de sua ferramenta mestra de trabalho, os fundamentos e a bola de jogo, cujo comportamento é desconhecido pela maioria…

Então Paulo, você é contra e se insurge contra a “musculação”, a “academia”? Não, absolutamente não. Sou contra seu protagonismo modal, prioritário, inclusive nos vultosos valores para obter seus equipamentos de “última geração”, administrados por preparadores físicos que encasquetaram em suas cabeças serem aqueles que definirão aos professores e técnicos quais jogadores podem correr mais, saltar mais alto, trombar com mais eficiência, percorrer maiores distâncias, e pelo visto antever nos mais jovens aqueles que poderão mais adiante jogar o grande jogo com eficiência física e orgânica, restando uma singela questão – saberão eles jogar de verdade o grande jogo, saberão?

Escrevi esse artigo inspirado pela visão das fotos aqui publicadas, de jogadores de nossa seleção nacional, com 7 dias para treinar, ou 14 treinos, dedicar a metade deles “puxando ferro”, quando deveriam estar na quadra, driblando, passando, marcando, etc, etc, etc. claro, se os poderosos preparadores abrirem uma brecha em suas transcendentais pesquisas…

Em equipes minhas eles eram  importantes como complementos para dirimir alguma carência física, jamais para tutelar o quem é quem técnico e tático, função assumida por um head coach de verdade, o que sempre fui…

Amém.

Fotos – Reproduções da divulgação CBB e arquivo próprio. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O FRONTAL DESAFIO II…

Foi o Petrovic expor suas normativas técnico táticas, ao relatar sua convocação para a classificatória ao Mundial, quando discorreu longamente sobre opiniões e critérios que pretende incluir no seu planejamento de início do ciclo olímpico, para o qual foi contratado pela CBB, indo fundo nas grandes falhas apresentadas pelas equipes da LNB que disputam o NBB, em especial quanto aos arremessos de três pontos (importante ler toda sua exposição), para, quase que imediatamente, as duas equipes que lideram o campeonato, Franca e Paulistano, desencadeasse uma tempestade de bolinhas (16/25 de 2 pontos, e 14/33 de 3 para Franca, contra 18/37 e 7/27 para o Paulistano, vencido pelos francanos por 89 x 73), numa inacreditável convergência de 34/62 tentativas de 2 pontos, e 21/60 de 3!!!

Como anunciava rutilante o narrador do jogo, três dos convocados pelo croata estavam em quadra, Lucas Dias, Leo Meindl e Didi, que juntos mataram 7/16 de 3, com o Meidl desperdiçando 0/5, inclusos num universo de mais 44 gloriosas bolinhas, dando medo assistir tanto arrivismo e incompetência defensiva, e por que não, ofensiva também, num arremedo de “clássico” (palavrinha na ordem do dia…) empolgante e eletrizante, numa quadra em que mais se errava do que acertava, noves fora os 26 erros de fundamentos (11/15) perpetrados pelas equipes…

Bem provável que o Petrovic tenha assistido o jogo, e ter ficado com as barbas de molho, pois recado mais direto e incisivo do que o apresentado pelas duas equipes líderes, impossível, como que dissessem clara e diretamente – Viu, cara, é assim que jogamos por aqui, e se depender de nós continuará assim, pois é aceito por todas as equipes e estrategistas de plantão, hoje, como foi ontem, e continuará sendo amanhã, e o mais importante, endossado pela mídia “especializada” em sua esmagadora maioria, dirigentes, empresários e agentes, e mais importante ainda, pelos jogadores envolvidos pelo modelo garantidor de seus empregos, de todos os envolvidos, fator alimentador do corporativismo vigente, que pune quem tente se insurgir, pois, como afirmam todos, “não se mexe em time vencedor”, não se admitem mudanças, que para nossos vassalos “padrões”, assim deve permanecer…

Não tenho a mais remota dúvida de que o competente croata vai ter problemas de sobra para tentar resolver, principalmente se investir firme contra o tsunami de três que se instalou em nosso indigitado basquetebol, e desde as divisões de base, quando vemos meninos e meninas, mal aguentando o peso da bola, se esticarem todos para lançá-la da forma que for para os três, para gáudio de orgulhosos pais e técnicos despreparados. O exemplo da elite se espraia na formação, tal qual um espelho do que deve ser feito prioritariamente, e não perder tempo (time is money…) em aprender e treinar fundamentos, dispensáveis ante nosso “talento midiático” nas enganosas bolinhas…

Sim, terá problemas, sérios problemas, como tiveram os estrangeiros que o antecederam (e aqui sugiro a leitura do artigo O Frontal Desafio, um libelo muito bem comentado por inúmeros leitores, num exercício instigante e objetivo sobre nossa seleção), os quais sucumbiram ante a triste realidade de um basquetebol que se enfeita e adere a um mercantilismo somente factível em uma sociedade economicamente mais estável e poderosa que a nossa, como se a cópia osmótica nos elevasse aos padrões da mesma (nossas arenas semi desertas atetam isso), num equívoco brutal e insensível a nossa realidade carente e deseducada, em vez de procurarmos no âmago de nossas parcas reservas técnicas e culturais, respostas baseadas no que somos, no que fomos, no que poderemos ser, a partir do momento mágico em que valorizemos nossa cultura, nossos mestres, nossos valores, nossa história, que nos agraciou como a quarta força do basquetebol mundial do século passado…

O Petrovic que veremos ao lado das quatro linhas, estará situado numa encruzilhada, onde dois pólos conflitantes se cruzarão, seu determinismo (coercitivo ou não… ) disciplinador na condução inteligente do jogo, com sua concomitante leitura, uma defesa atuante nos dois perímetros em coberturas permanentes e constantes, um jogo interior bem estabelecido e em veloz movimentação sagital e perpendicular dos alas e pivôs, a movimentação orientada permanentemente no foco das ações pelo (s) armador (es), que torço para serem dois, todos trabalhando em constante e ininterrupta movimentação para a efetivação de bem selecionados arremessos, inclusive os de três, se as condições de liberdade, equilíbrio e firmeza forem estabelecidas, confrontando o maior dos perigos, o outro e perigoso polo, o da estabelecida crença de que somos os predestinados nos longos arremessos, após décadas de incensadas e deificadas santidades nos mesmos, projetados à glória por um certo tipo de imprensa ciosa por deuses e heróis, pelos feitos apolíneos nas quadras ou nos contratos básicos e inferiores aos stars da liga maior, afinal, somos parceiros da mesma, ou não? E é sob esse terrível panorama que desencadeou-se em nosso imenso, desigual e injusto país, o misticismo autofágico das bolinhas de três, alter ego de estrategistas que se locupletam da nossa omissão defensiva, da negligência no ensino dos fundamentos básicos do grande jogo, oferecendo aos incautos (?) jogadores a opção divina do “chega e chuta”, exatamente o ponto crítico externado pelo croata em sua palestra…

São poucos os dias de treinamento para as duas importantes partidas contra os dominicanos e canadenses, muito pouco poderá corrigir e ensinar, principalmente quanto a incontida ganância dos três, ainda mais quando, na defrontação com seus críticos, os mesmos baterão na estabelecida e monocórdia tecla – Se caírem, vencemos, se não caírem, perdemos, mas por culpa do sistema, ou seja, dele, o competente croata…

Fico na torcida pela classificação ao Mundial, e posterior reformulação do grande jogo entre nós, forte, fortíssima reformulação, dando oportunidades aos verdadeiros conhecedores do mesmo, expurgados das quadras pelo modelo que aí está implantado, sem contestações e contrapontos que o discutam a luz do conhecimento real e do bom senso, como devem ser as disputas democráticas, assim como as verdades doridas ditas por um croata sem papas na lingua…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O “CHIP”…

Terminada a semifinal da Liga Sul Americana, a pequena equipe do Instituto Cordoba (a grande é o Atenas), vem ao Rio e de uma tacada só encaçapa três das melhores equipes do NBB, com sobras e um basquetebol solidário e fluido, mesmo exagerando na artilharia de três, com uma atenuante, acionada por dois grandes especialistas na difícil arte dos longos arremessos, frente a caóticas defesas fora do perímetro, e dentro também, com um jogo interior potente e muito bem coordenado entre seus armadores e alas pivôs, permanentemente em movimento, todos, e mais, defendendo na linha da bola, marcando os pivôs pela frente, e blindando com maestria o posicionamento nos rebotes…

Flamengo, Bauru e Minas não encontraram em nenhum momento antídotos para frear os hermanos, que como estamos cansados de saber, dominam os fundamentos básicos do jogo em escala muito maior que os nossos esforçados jogadores, provando mais uma vez que, mesmo se utilizando, como nós, do sistema único de jogo, nos supera em cada posição codificada (as tais de 1 a 5) por força de sua técnica individual mais apurada, principalmente no drible, nos passes, nas desmarcações, no posicionamento defensivo, e nos arremessos curtos, médios e de longa distâncias, fruto de uma competente e paciente formação de base…

Em nenhum momento os contestamos com eficiência fora do perímetro, na recuperação frente a uma finta incisiva, na marcação e anulação de corta luzes e bloqueios, fatores estes e todos aqueles mencionados acima, que constituem todo um corolário de conhecimentos técnicos individuais, coletivos também, dos básicos fundamentos do grande jogo, sem os quais perfeitamente ensinados, aprendidos, treinados ao máximo e inteligentemente integrados a sistemas de jogo com seletividade permanentemente aberta, adaptando-os às melhores características de cada jogador, não funcionarão, ainda mais quando encordoando-os como marionetes presos a movimentos desconexos e grotescos advindos de rabiscos mais desconexos ainda de pranchetas absolutamente ridículas. Fez muito bem a LNB proibindo microfones nos pedidos de tempo( o que não ocorreu na LSB), poupando a todos aqueles que amam e entendem o grande jogo, de testemunhar absurdos, inclusive e  pretensamente bilíngues, proferidos por estrategistas, alguns dos quais nem bem sabem por que ali estão posando de técnicos da elite, a não ser por um poderoso, interesseiro e corporativista QI…

Não por acaso um leitor deste humilde blog,  postou o seguinte comentário no artigo anterior :

JoãoYesterday·

Treinador…só não vê quem não quer mesmo…ainda por cima o Instituto vem no rio e faz barba e cabelo em alguns dos nossos principais times…e ninguém falou nada a respeito desse baita fiasco….abraço coach.

 

E tem toda a razão o prezado João, o mutismo foi quase geral, demonstrando o quão inexplicáveis foram para todos os resultados numa arena montada para a consagração tupiniquim (afinal seria uma decisão entre equipes brasileiras), e que nas duas rodadas finais se apresentou deserta de torcedores, que mesmo na estréia sequer preencheu um dos lances de cadeiras do anel inferior da monumental arena, assim como a grande maioria dos jogos do NBB. E não me venham falar das “nações de camisa”, dos “clássicos dos milhões”, da pujança do renascido basquetebol, das estrelas retornadas e dos americanos em pencas abrilhantando uma das mais “importantes ligas do mundo”, toda essa parafernália exaltada aos berros e bordões ufanistas e desconjuntados da realidade em volta, enaltecida por comentaristas que em sua maioria (as exceções, muito poucas não contam) vêem e comentam jogos opostos ao que vemos ao vivo e a cores, alguns apresentados a modalidade um ou dois anos atrás, porém desenvolvendo raciocínios e opiniões que raiam ao grotesco, o que é profundamente lamentável, já que influem negativamente junto a ouvintes sequiosos de aprender mais sobre o grande jogo…

E por conta desse absurdo cenário, chegamos aonde estamos, fora da realidade técnico tática do jogo, promovendo o “chega e chuta” desenfreado dos arremessos de três, a deificação das enterradas e dos tocos “monstros”, do individualismo exacerbado e irresponsável, da ausência defensiva a ser compensada “lá na frente”, afinal a “melhor defesa é o ataque”, relatos cínicamente comprovados com os discursos de meio meio tempo com jogadores afirmando o contrário, que é algo muito sério e que sequer pensam, ou têm condições técnicas de realizar, de estrategista afirmando ao entrevistador que utilizará um sistema exaustivamente treinado para surpreender o adversário, e mais adiante continuar na mesmice endêmica em que vive desde sempre, e de repente um aviso “bomba” de uma nova contratação que retirará uma equipe da situação de falência em que se encontra, ou seja, mais um…americano.

Então minha gente admiradora do grande jogo, não se sinta espantada quando o Petrovic anuncia que temos de trocar o “chip” para sobrevivermos no cenário internacional, o que o corrijo – Não prezado Petrovic, chip amplia ou reduz uma equação, aumenta ou diminui valores, quantidades, impulsos positivos ou negativos, pois o que temos de trocar, trocar não, por inexistência, e sim implantar um software, um programa muito bem pensado, discutido, pesquisado e elaborado com o que temos de melhor em cabeças pensantes, que existem, estão aí, mas fora desse coercitivo e inamovível contexto corporativista que se apossou do grande jogo, impedindo-o de prosperar, evoluir, até mesmo respirar, blindando um nicho onde a mesmice e a mediocridade imperam solenes, ambiente onde um chip nada representa, mas que balançaria ante a realidade de um programa, de um planejamento sério de verdade, exequibilizado por quem realmente entende e conhece o grande jogo, enfim de um baita software…

Agora a pouco, na metade do primeiro quarto do jogo entre Joinville e Brasília, troquei de canal e fui para o Arte 1, pois se tratava de uma partida dantesca em todos os sentidos, e só fui saber do resultado pela internet, quando constatei pelas estatísticas que ambas as equipes convergiram em seus arremessos (17/32 de 2 e 13/35 de 3 para Joinville, e 14/24 e 13/31 para Brasília) e um total de erros de 26 (15/11), na segunda vitória de Brasília na competição (84 x 77), que é a equipe que anunciará uma contratação “bomba”, quem sabe o Carmello Antony…

Amém.

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VERDADES CONHECIDAS, MAS TRISTEMENTE OMITIDAS…

Este é o terceiro ou quarto, sei lá, técnico estrangeiro que nos brinda com “inovações” para a seleção brasileira que se prepara para os dois jogos decisivos a classificação para  o Mundial na China, porém, com uma instigante diferença, fala, às claras, sobre as mazelas técnico táticas que nos aflige a décadas de pusilânime dependência da matriz do norte, e sem meias palavras, na bucha, escancaradas verdades que temos omitido por todo esse tempo, perdendo gerações de bons talentos, formatados e padronizados por um sistema obtuso de jogo único, sustentado por um corporativismo exacerbado de “estrategistas” disfarçados em técnicos de alto nível, e mais recentemente, propalando aos midiáticos ventos, a supremacia autofágica das bolinhas de três, sufragando com as mesmas uma hegemonia falseada e absolutamente inaceitável (inclusive por ele mesmo)…

Foi esse nevrálgico óbice que o Petrovic abordou na entrevista de hoje cedo, quando anunciou a convocação para os dois jogos contra a República Dominicana e o Canadá, decisivos para a classificação ao Mundial. Vale muita a pena assistir a matéria produzida pela CBB, assim como a participação brilhante do Wlamir, do alto de sua experiência e inegável qualidade de grande campeão, técnico e professor do grande jogo…

Fico deveras feliz com a entrevista, pois, coincidentemente, esbarra num posicionamento que defendo e venho publicando nos últimos 14 anos de Basquete Brasil, confirmando com sobras, o quanto de conhecimentos aqui expostos, emulam os do croata, advindo de um basquetebol mais evoluído que o nosso nos tempos atuais, quando um pouco lá atrás éramos nós que dávamos as cartas, num tempo esquecido, por não devidamente valorizado, vítima do nosso incorrigível defeito de omitir glórias passadas. Mas hoje o Wlamir ali estava, avalizando o croata e fechando certas boquinhas que negam o que ele representou e representa para o nosso basquetebol…

O mais engraçado, se não fosse tragicômico, é o fato inconteste e indiscutível de, por toda minha vida nas quadras (e lá se vão mais de 50 anos), somados aos 14 deste humilde blog, ter estudado, pesquisado, ensinado, dirigido jogadores, equipes de todos os formatos e faixas etárias, e formado muitos e muitos professores, é que “agora”, com a palestra do Petrovic, tais evidências e conceitos serão reconhecidos, e quem sabe defendidos e divulgados, por todos aqueles que sistematicamente voltaram as costas para minhas realizadas ações técnico táticas, e por um único motivo, o de jamais me ter submetido ao abjeto corporativismo, autor e mantenedor da mesmice endêmica que o sustenta e promove, corporativismo este que, sem dúvida alguma gerará muita dor de cabeça a este croata visionário, que para cúmulo da má sorte foi brindado com um par de assistentes, que em nada, e por nada, comungam com suas sólidas e acadêmicas posições técnico táticas do grande jogo, não fossem as equipes por eles dirigidas, das mais e sôfregas utentes da hemorragia do três pontos em todas as competições de que participam. Sem dúvida alguma, muito pouco somarão às suas elaboradas convicções, avessas ao “chega e chuta” que ambos defendem…

Petrovic terá somente 7 dias para treinar a equipe, muito pouco para uma revisão técnica, quem sabe talvez aprimorar um pouco o sistema defensivo, o que já seria muito bom, tentar segurar a enxurrada de bolinhas, melhor ainda, e insistir no jogo interior, que se conseguido, classificará a seleção ao Mundial. Dali para frente será outra história, com mais tempo de treinamento, aperfeiçoamento de novos jogadores, e quem sabe, a implementação de uma forma proprietária de jogar, ousada e corajosa, onde o domínio dos fundamentos individuais e coletivos marcarão o futuro do grande, grandíssimo jogo entre nós. Torço sincera e honestamente para que ocorra tudo aquilo que professa e acredita…

Amém.

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Entrevista – Página da CBB no Facebook –https://www.facebook.com/BasqueteCBB/videos/1121157921388503/ ou clicando em entrevista acima no texto.

A INDIGITADA CONVERGÊNCIA…

(…) Nos dois últimos dois jogos da equipe pelo NBB, o aproveitamento foi muito baixo. Contra o Paulistano, na sexta feira, caíram nove de 36 tentativas de três pontos. Já contra o São José, na quarta feira, foi pior: quatro acertos em 30. Ao todo, um aproveitamento de apenas 19,6%. Não melhorar este fundamento pode ser fatal para um time que tem média de 28 tentativas de arremesso de três por jogo. (…)

Este apontamento acima fez parte de uma matéria publicada no O Globo de 20/11/18, assinada pelo jornalista Gabriel Toscano, sobre o jogador Marquinhos, que concluiu seu raciocínio afirmando – (…)Com certeza pode ser decisivo. Precisamos melhorar ofensivamente em relação aos últimos jogos – Mas já viramos a chave. A liga Sul Americana é um torneio de tiro curto, não tem muita margem para erro, e vamos com tudo.(…)

Pelo que vimos ontem na Arena da Barra, a chave não foi corretamente acionada, pois após convergir contumaz e inacreditavelmente nos arremessos (15/34 nos 2 pontos e 12/39 nos de 3), voltou a equipe que foi montada para revolucionar o basquete nacional, vencendo todas as competições possíveis, a perder para os hermanos do Cordoba que, um pouco mais contidos arremessaram 19/31 de 2 pontos e 12/28 de 3, contestando o máximo que puderam a artilharia de fora rubro negra (ação que previsivelmente ocorrerá cada vez mais no universo do grande jogo), não encontrando por parte dos mesmos o denodado empenho defensivo sobre as suas mesmas 12 tentativas exitosas, igual ao dos cariocas, fazendo realçar o seu poderoso jogo interior com 4 arremessos convertidos a mais de 2, decisivos na contagem final, já que nos lances livres praticamente empataram…

Então, por mais uma repetitiva vez, retorno às continhas, pois bastaria investir na metade das tentativas falhadas de 3 (13 arremessos) em tentativas trabalhadas para os 2 pontos, para vencer com folga o jogo, ainda mais contando com poderosos alas pivôs que compõe a equipe, municiados pelos excelentes armadores que possui, os quais, permanentemente envolvidos em ações individuais na ávida procura de companheiros “estacionados estrategicamente” para os longos arremessos, se perdem tática e tecnicamente, quando não os concretizam eles mesmos, numa busca insaciável pela afirmação midiática de suas mágicas e endeusadas habilidades, aplaudidas e incentivadas pelo nervoso e irascível estrategista postado ao lado da quadra, que deveria introspectar com urgência uma radical mudança de como atuar e tornar sua proposta realmente revolucionária para o grande jogo, porém, agindo preliminarmente consigo próprio, embasando solidamente suas certezas e conceitos a luz do conhecimento pleno e estratégico que o norteia historicamente , e acima de tudo, munindo-se do bom senso comportamental e ético, pilares da profissão que abraçou e tenta trilhar…

Amém.

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UM DIFÍCIL, PORÉM POSSÍVEL CAMINHO…

Enfim, consegui assistir o jogo da seleção brasileira masculina sub 15 no Sul americano no Uruguai, contra os donos da casa, na busca pela classificação às semifinais, com excelente transmissão pela internet, e com a narração e os comentários corretos e contidos, como deveriam ser, sem arroubos e exageros, muito comuns por aqui…

Estava curioso para conhecer na prática esta jovem seleção, muito alta e fisicamente forte para a idade, e que muito pouco pude avaliar no treino tático sem defesa que assisti aqui no Rio, quando de minha visita a Base Aérea dos Afonsos onde treinavam, liderados pela experiente Thelma Tavernari do Clube Pinheiros de São Paulo, conhecida e respeitada formadora de jovens jogadores, mas que nunca tinha tido a oportunidade de vê-la em ação na direção de uma seleção tão importante para o futuro do grande jogo no país…

Bem, o que vi em nada e por nada me entusiasmou, pois trata-se de um filme preto e branco das antigas que tenho assistido ano após ano, sem tirar ou apor absolutamente nada do que apresenta monocordicamente, sem inspiração ou inovação de qualquer monta. Sem dúvida alguma a padronização e formatação que nos foram impostas, em nome de uma pseudo globalização na forma de ensinar, treinar e jogar o grande jogo, cristalizou-se, sedimentando na teoria e na prática a mesmice endêmica que tanto combato, numa inglória luta por todo ciclo olímpico que se inicia, por décadas, e pelo que vejo e testemunho, sem um caminho de volta, ao continuar como está. O sistema único de jogo aí está escancarado e triunfante, agregando mais uma maldade, a idéia equivocada e absurda de que somos os bambas mundiais na artilharia dos três pontos, mesmo antes de acertarmos uma simples e prosaica bandeja, sequer um decente DPJ, ou obtermos um 55,5% nos lances livres (15/27 nesse jogo), mais do que suficientes para vencer se acertassem 4 dos 12 perdidos. E mesmo que observassem as continhas que tanto divulgo, ou seja, optando pelos 2 pontos, onde estavam devastadores, pois obtiveram 18/43 (48,1%) contra 11/30 (36,6%) dos uruguaios, somente com a metade dos erros nos 3 pontos (4/23, ou 17,3%, contra 9/26, ou 34,6% dos orientais) num total de 11 tentativas, para vencer com folga um jogo tão decisivo e importante…

Vencendo logo mais o Equador, irão às semifinais, quando terão mais uma oportunidade de atentar para as evidências que aponto acima, quando não terão mais o direito de errar estrategicamente de forma tão bisonha e óbvia, apesar de ostentar um vício de atuação que a cada dia, mês, ano, décadas, se avolumou de tal ordem, que dificilmente reencontrarão o caminho esquecido, perdidos que estão na quimera de que são os maiorais nos longos arremessos, sem antes aprenderem e aplicarem os mais simples, aqueles que ganham jogos e campeonatos, assim como dominarem a arte maior de se anteporem aos mesmos, dentro e fora do perímetro, no exercício competente de um sistema defensivo aceitável. Fico muito triste e decepcionado em ver jovens armadores correr maratonas cada vez mais velozes, sem pensar e ler o jogo, confundindo pressa com velocidade (como muito bem descreve o Wlamir), e serem cada vez mais induzidos a se tornarem cestinhas, de preferência nos 3 pontos, assim como altos pivôs virem jogar fora do perímetro, e agora também lançando para os 3 pontos, e mais, alas com extrema dificuldade nos dribles e fintas, e o pior nos passes, expostos a quantidade dos mesmos advindos do sistema que utilizam, em estéreis contornos, quando deveriam incidir na direção da cesta, buscando-a naquelas curtas e efetivas distâncias, obcessivamente, pois oferecem um grau de precisão muito maior que os tiros de fora, campo para muito poucos especialistas em condições de liberdade e equilíbrio pleno…

Abrir os quatro no ataque, deixar o solitário pivô num eventual e raro 1 x 1, correria em círculos cada vez maiores, passes em contorno, os 24 seg se exaurindo, concluindo com um arremesso qualquer de fora, ou uma penetração desesperada e quase sempre inócua, é a realidade de como jogamos, com atitudes e movimentos previsíveis, como jogam a maioria das equipes, e que segundo os mágicos preparadores físicos, hoje praticamente os donos do jogo, superável pela velocidade extrema, a capacidade de saltar e duelar fisicamente, onde o pensar e raciocinar se torna dispensável na maioria das ações técnicas, táticas e principalmente, estratégicas de uma modalidade cerebral, e não somente física, como vem ocorrendo, por obra e graça das “academias”, e suas inevitáveis consequências, como a crescente escalada de rompimentos musculares e articulares, nada compatíveis com um preparo consciencioso e responsável, principalmente com os mais jovens…

Dói muito assistir jovens talentosos marcando zona, sem as coberturas somente aprendidas nas técnicas da defesa individual, e por isso mesmo sendo devastados por arremessos de fora absolutamente livres, a exemplo dos dois únicos uruguaios razoavelmente habilitados a executá-los (recordando, foram 9/26, ou 34,6%, contra 4/23, ou 17.3% dos nossos)…

A técnica brasileira é muito experiente, prepara bem os jovens em alguns dos fundamentos básicos, mas peca pela utilização padronizada e formatada do sistema único que nos esmaga e mediocriza a mais de 30 anos, perdendo a oportunidade de quebrar esse estigma na direção de futuros e talentosos jogadores, formulando um novo enfoque de jogar o grande jogo, dando aos mesmos a oportunidade criativa e fundamental de se situar como proprietários de algo realmente novo e desafiador, dando seguimento a já aceita dupla armação, e a existência cada vez mais ampla de jogadores altos, rápidos e flexíveis, todos em busca de um forma realmente inovadora, desafiadora e ousada de pensar e jogar o grande jogo, atuando no âmago da defesa adversária, e não arremessando bolinhas cada vez mais distantes da cesta, por absoluta inacapacidade de aproximação, motivada pela precariedade nos fundamentos do jogo, que é a prioridade absoluta na formação de base, inclusive em seleções…

Espero que mudemos a tempo de enfrentarmos o ciclo olímpico para 2024, e que os deuses nos ajudem.

Amém.

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OS DOLOROSOS ACHISMOS…

– “A falta é importante porque mostra a vontade de defender”…

– “Se o técnico tem direito aos tempos, devem ser usados”…

– “A falta inteligente deve ser usada para parar um contra ataque, ou para esfriar o jogo”…

– “Se é para fazer uma falta, uma trauletada, mas sem intenção de machucar, deve ser feita, evitando os dois pontos e enviando o adversário para a linha do lance livre, onde pode errar”…

Todas são opiniões da nova geração de comentaristas, pinçadas nas transmissões pela TV e pela internet, que inclusive promove alguns gênios do conhecimento técnico e tático do grande jogo, como uma jovem repórter simpática e falante, que após ser apresentada ao grande jogo uns dois ou três anos atrás, discorre hoje um caudal de conhecimentos que, após 50 anos de engajamento no mesmo, não consigo me equiparar, numa situação muito séria a ser pensada, pois todos eles, de posse unilateral de microfones, em redes nacionais, influenciam jovens por todo o país, com informações, e agora falando muito sério, falsas, errôneas e equivocadas premissas sobre uma modalidade desportiva mais do que centenária, complexa e altamente técnica, que exige muito estudo e pesquisa, e não supostos conhecimentos e chutações descabidas, irresponsáveis? Não sei…

Fala-se muito de defesas, como a do Pinheiros contra o Flamengo, mas “como” defenderam, silêncio total, e se quisessem ou pudessem se estender sobre os detalhes e minúcias, aí seria o caos, pois tais pormenores sequer desconfiam quais sejam, muito menos, como funcionam. Fica mais fácil e palatável a “forte vontade de defender”, cometendo aquelas faltas que a definem, dando as trauletadas necessárias, claro, sem más intenções, e o mais importante, agindo faltosamente com inteligência, pois exercer coletivamente a marcação com a movimentação das pernas, e não dos braços, flutuar de forma lateral e não longitudinalmente a cesta, e contestar em projeção verticalizada (trasformando o deslocamento horizontal em vertical) os longos arremessos, complementando com o movimento em extinção dos bloqueios (bem lembrado pelo Wlamir) nos rebotes, e priorizando, lá na frente, as finalizações de 2 em 2, otimizando todo o tempo de posse de bola disponível, de forma alguma é mencionado, por um único e singelo motivo, não sabem nem conhecem bulhufas do grande jogo, mesmo, mas são os que estão dando as cartas, deixando na poeira aqueles muito poucos que também empunham microfones, mas à sombra consentida dos gênios de plantão, por não ostentarem a imagem marqueteada e midiática que vende o produto NBB/NBA. Some-se a tudo isso o nível absolutamente surreal das ufanistas e tonitruantes narrações, e temos um retrato bem fiel das quantas andam a verdadeira situação do grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país. Solução paliativa para mim? Desligar o som…

Agora mesmo, num pré-jogo na Arena Carioca, um dos comentaristas informa em primeira mão a estratégia inicial de uma das equipes que pagarão para ver as bolinhas do adversário, a fim de reforçar os rebotes pela flutuação aos longos arremessos, arriscando tomar alguns pontos, em favor do jogo de transição (?), evitando a segunda bola em rebotes ofensivos. Como vemos, o fator defensivo intenso, básico e presente não entra em consideração, mesmo sob o recente exemplo do Pinheiros vencendo o Flamengo “fungando no cangote” rubro negro o jogo inteiro, como deve ser feito de forma regular, e não esporadicamente…

Enfim, vamos vivenciando essa mesmice irritante e endêmica que sufoca o grande jogo entre nós, agora enriquecido com a prolixidade técnico tática de uma geração de comentaristas, irmanados nos equivocados achismos e pontos de vista, todos absolutamente convictos do que pensam saber e influir a realidade do grande jogo, ou seja, dolorosamente nada…

Amém.

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