2-3 OFENSIVO, UM SISTEMA A SER CONSIDERADO SERIAMENTE…

Peguei o jogo com quase 6 min corridos, o despertador me pregou uma peça, e a primeira informação captada foi do comentarista Marcelo dizendo que até aquele momento a equipe brasileira havia arremessado 0/6 bolas de três, estando atrás 5 pontos, e que havia necessidade de incrementar o jogo interno que manteve a equipe invicta até aquele momento, depoimento esse inusitado vindo de um convicto arremessador nos muitos anos de seleção por ele vivido, e que agora fora das quadras começa a perceber o jogo de outra maneira, o que é muito bom e promissor…

E foi o que permaneceu acontecendo no transcorrer da partida, com a volta da chutação de fora com 8/27, enquanto os checos arriscaram 8/20, com 12 ataques improdutivos contra 19, somente em bolinhas de 3, ou seja, conseguiram contestar os arremessos com mais consistência do que nós, otimizando física e tecnicamente 7 posses de bola, além de nos ferir lá dentro da cozinha com uma elevada 28/44 conclusões, contra 19/40, vencendo a partida mesmo perdendo 5 lances livres contra 2 dos nossos, e até errando 13 fundamentos contra 11, porém dominando os rebotes com 39 captados, contra 28…

No entanto, as diferenças entre erros e acertos nos arremessos, mesmo expondo a crueza dos números, não explica o outro e determinante fator, o técnico tático, senão vejamos – Nos jogos anteriores, nossa dupla armação funcionou no muito bem realizado rodízio entre o Huertas, o Luz e o Benite, com presenças pontuais do Alex e do Leandro, sem que o Yago participasse do mesmo por sua jovem inexperiência, o que radicalmente mudou pela presença de armadores muito altos e técnicos dos checos, não só na contestação dos longos arremessos, como no duro enfrentamento nas fases dribladoras e fintadoras dos mesmos, deixando-os sem muitas opções ao jogo interno com os alas pivôs, o que aparentemente obrigou o técnico tentar algo inusitado, arriscado, porém diferenciado, lançando o Yago, que frente a uma barreira monstruosa de armadores e pivôs descomunais, rápidos e combativos, de saída cometeu um 0/4 nas bolas de 3, no momento em que os checos alargavam o placar, e inclusive se utilizando da arma tática brasileira da marcação zonal, da qual não soubemos sair, sendo inoculada com o mesmo veneno utilizado contra os gregos. E nesse ponto acontecia a maior das diferenças técnicas e táticas dentro da quadra, pois ambas as equipes se utilizavam da dupla armação, e de três homens altos transitando dentro do perímetro interno, a começar pela qualificação biotipológica dos checos, muito mais altos que nossos armadores, e tão rápidos e lépidos quanto os mesmos, porém com uma diferença determinante, possuidores de uma base sólida nos fundamentos e na leitura de jogo, assim como seus altíssimos e velozes alas pivôs, transitando numa média acima dos 2,10m, superando em alguns palmos nossos homens mais altos…

Interessante mesmo foi a constatação de que ambas as equipes, ao contrário das demais nesse Mundial (ainda não tive a oportunidade de ver os americanos), utentes do sistema único e universalizado de jogo, propunham o especialíssimo sistema de dupla armação e uma trinca de alas armadores interiorizados no perímetro, a brasileira através uma recentíssima guinada de seu técnico, a checa através uma longa convivência com a mesma (em breve conto uma boa e instigante história sobre essa opção checa aqui no blog), fator determinante na longa experiência somada a qualificação desde muito jovens nos fundamentos do grande jogo (fui testemunha dessa qualificação quando em 1997 disputei com a equipe infanto juvenil do Barra da Tijuca o torneio da Amadora em Portugal, onde a pré seleção checa da categoria jogou conosco vencendo de 8 pontos, num jogo memorável para a gurizada tupiniquim…). No ano seguinte essa seleção, cuja geração antecedeu a esta que disputa o Mundial, foi vice campeã cadete europeia perdendo para a Itália dirigida pelo Piero Gamba. que por conta desse título dirigiu a seleção do mundo de jovens no Torneio Goodwill contra os americanos no palco das finais da NCAA em San Antonio, e em cuja equipe despontaram o Scola e o Dirk Novinsky, e sabe com que sistema o Gamba venceu os americanos? Isso mesmo, com a dupla armação e três alas pivôs rápidos, atléticos e flexíveis ( penso em veicular ambos os vídeos, o da Amadora e o do Goodwill, aqui no blog, e claro, de co mo o sistema foi parar nas mãos inteligentes do Gamba)…

E nesse ponto sobressai uma questão – Como e porque o sistema ofensivo 2-3 foi desenvolvido prioritariamente na República Checa, tornando-a hoje adversária temível na Europa e agora no Mundial, fugindo radicalmente do sistema único adotado pela maioria esmagadora das demais equipes? Ouso afiançar, que a adoção de tal sistema, (do qual fui o introdutor aqui no país 40 anos atrás), como desencadeador de uma visão mais ampla e criativa do grande jogo, foi adotado pelo inconteste fato de que iguala o ensino e a aprendizagem dos fundamentos individuais e coletivos por todas as faixas etárias, por todas as posições em quadra, onde baixos e altos, franzinos e corpulentos tem a oportunidade de se exercitar por igual, nivelando habilidades, lendo melhor as situações de jogo, cooperando coletivamente e acima de tudo, raciocinando em função do outro, e não em causa própria, que é o que vemos e constatamos no mundo do basquetebol moderno, visto hoje, e mais do que nunca, como um business a ser alcançado ao preço que for…

Perdemos um jogo decisivo exatamente por termos, corretamente concordo, executado um sistema de jogo promissor em toda sua extensão pedagógica visando um futuro de amplas oportunidades, frente a uma equipe que o adotou duas décadas atrás, e que hoje colhe os bons frutos de sua ousada e corajosa escolha. ìnsisto ser de enorme importância mantermos o mesmo frente aos americanos logo mais decidindo a classificação às quartas de finais, isto porque, desde o advento do Coach K que eles mesmos, donos absolutos do sistema único, subverteram a ordem estabelecida e se bandearam para o atleticismo e velocidade de seus alas pivôs, abandonando as massas estratosféricas de seus pivosões, assim como, adotaram a artilharia de três a partir das universidades, mas que hoje, frente a retomada defensiva, contestando cada vez mais aquela tendência, retornam ao jogo interior, porém todos afeitos e acostumados às regras da NBA, encontrando sérias dificuldades sob às da FIBA, principalmente na defesa interior do garrafão, aspecto que podemos explorar com algum sucesso pelos bons pivôs e alas pivôs que temos, e pena, muita pena mesmo que outros mais bem dotados para essa briga não tenham sido convocados, ainda mais quando um Augusto sequer entra em quadra…

Temos que atuar com nossos melhores armadores no maior tempo de quadra possível, revezando-os ao mínimo, pois com a possibilidade de classificação, cansaço nenhum será justificativa em se tratando de profissionais tarimbados e experientes, o mesmo para os alas pivôs, todos juntos para o “bola ou búrica” de suas vidas…

No caso de uma vitória da Grécia sobre a República Checa, mais ainda terá de ser o esforço para o enfrentamento com os americanos, quando a vitória simples nos classificará. Vencendo os checos, difícil mas não impossível chegarmos lá. Torçamos então e quem sabe…

Amém. 

Fotos – Reproduções da TV.

A CORAJOSA OPÇÃO SISTÊMICA DO PETROVIC, MANTERÁ?…

No primeiro jogo da fase classificatória contra a Nova Zelândia arremessamos 17/44 bolas de 2 e 14/38 de 3, contra 18/37 e 12/26, numa competição artilheira de dar arrepios, haja vista o placar final de 102 x 98, ao final da partida

No segundo, contra a Grécia foram 25/52 de 2 e 5/12 de 3, contra 18/37 e 12/26 helênicos. Vencemos por 79 x 78 um jogo chave para a classificação…

No de hoje, o terceiro, contra Montenegro, arremessamos 26/46 de 2 e 7/18 de 3, contra 17/30 e 11/32, garantindo o primeiro lugar na chave por 84 x 73…

Assistindo os jogos e analisando os números, algo de absolutamente inédito em seleções brasileiras salta aos olhos, e tão somente quanto aos arremessos de quadra, números que estão aí acima, realmente inovadores, senão vejamos – Ao contrário da histeria dos 3 do primeiro jogo, o tal que por pouco nos livramos de um resultado nada alentador, quando arremessamos 38 bolinhas, fruto de um vício de formação arraigado de longa data em nossos jogadores, do segundo em diante não ultrapassamos as 20 tentativas (foram 12 e 18), quando priorizamos o fortíssimo jogo interior que possuímos, mudando radicalmente a forma de jogar, concluindo de fora quando realmente as condições de equilíbrio, desmarcação e velocidade, propiciou pontos importantes, otimizando o esforço físico a cada ataque com conclusões mais seguras e com alto grau de precisão, principalmente dentro do garrafão …

 Enfatizo esta providencial mudança, pelo inconteste fato do Petrovic parecer ter conseguido convencer a equipe de ser esta a melhor maneira de vencer jogos sérios e decisivos, de 2 em 2 e 1 em 1, com muita paciência, firmeza e alta percepção de leitura de jogo, principalmente jogando em espaços menores e bem defendidos, visando o desmonte defensivo, fator estratégico que ganha dimensões gigantescas daqui para o final da competição, e por um inusitado e não calculado comportamento de uma seleção que vem forçando essa forma de jogar do “chega e chuta”, de três décadas para cá, com inclusive a falsa afirmativa de que fomos nós a inaugurar a falácia tendenciosa de que  “mudamos o jogo”, mas que não nos fez vencer competições realmente importantes desde então…

Se essa mudança se concretizar com seriedade, compromisso e envolvimento por parte da equipe em seu todo, sem dúvida alguma seus mais ferrenhos adversários se preocuparão seriamente, pois terão de medir forças seguida, e não esporadicamente pelos 40 min da cada partida dentro de sua área defensiva, com desgastes em faltas e enfrentando arremessos mais precisos pela proximidade da cesta, através alas pivôs rápidos, ágeis e atléticos, alimentados por armadores agindo como tal, e não pontuadores de longa distância, assim como, com formações dinâmicas em constante movimentação, dinamizando sistemas defensivos combativos, antecipativos e inteligentes nas leituras conjunturais do jogo…

Os primeiros passos foram dados com a adoção permanente da dupla armação, e a escalação de uma trinca de alas pivôs de grande mobilidade ofensiva e defensiva, sem os exagerados arroubos das bolinhas salvadoras e midiáticas. E nesse ponto fica bem clara a falha convocatória, onde alguns nomões ocupam vagas de jogadores mais bem equipados tecnicamente que aqui ficaram, para exercer essas novas perspectivas com muito mais talento do que alguns que lá estão, inclusive visivelmente imaturos para uma competição desse calibre, pois renovação é algo muito sério, e que deve ficar ao largo de influências midiáticas e ufanistas…

Na continuidade somente um problema preocupa de verdade, a diminuição na rotatividade da equipe, onde fica bem patente o grande fosso que divide experiência e imaturidade, tornando um pouco mais difícil a transição do como jogávamos, para o que ensaiamos mudar, num salto desafiador que custamos tanto tempo para enfrentar…

Muito bem Paulo, o que fica faltando então? Alguns pontos importantes, como defender os monstruosos pivosões pela frente, radicalmente pela frente, cortando os passes diretos aos mesmos, obrigando a lateralização, com substancial perda de preciosos segundos de ataque. Mais trocas e cruzamentos (até aleatórios) dos alas pivôs dentro do perímetro interno, deslocando permanentemente os altos defensores, que é o fator mais importante na construção de espaços naquela zona chave para as defesas. Hierarquizar os posicionamentos nos rebotes defensivos, onde uns bloqueiam os atacantes e outros capturam a bola, e nos de ataque, tendo sempre um mínimo de dois na disputa aérea, sempre. Como vemos, pouco falta para realmente mudarmos, para bem melhor, nossa forma de jogar o grande jogo, como deve ser jogado na busca da maior precisão possível, antítese da chutação anárquica e desenfreada, onde o fator contraditório é exatamente a imprecisão…

Torço pela afirmação das mudanças, que se aceitas por todos (inclusive os assistentes técnicos que lá estão, adeptos ferrenhos da farra dos 3…) constituirá o grande passo que teimamos a décadas, em não dar, e talvez calarei meus rogos pela adoção, ou adaptação do mesmo, defendido, estudado e aplicado por mim em todas as equipes que orientei, da base a elite por mais de 50 anos, porém afastado pelo corporativismo defensor da mesmice endêmica que aí está, mas jamais calado nos técnicos e indignados artigos publicados nesse humilde blog, atuando ininterruptamente a 15 anos, o Basquete Brasil…

Quem sabe um croata consiga romper essa muralha, espero que sim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

DE 2 EM 2 E DE 1 EM 1, PORQUE NÃO?…

Fico na torcida para que o bom senso prevaleça, numa atitude enérgica defensiva, e numa ofensiva paciente, interior, com seletividade mais aprimorada nos chutes de fora, e acima de tudo, na luta sem tréguas pelos rebotes lá e aqui, indistintamente, e que de 2 em 2 e 1 em 1, torne o jogo mais inteligente e produtivo”…

Foi esse o último parágrafo do artigo publicado ontem neste humilde blog, e pelo que pude testemunhar ao vivo, a cores, e ululante transmissão (bons comentários do Marcelo e do Rodrigo, justiça seja feita), o bom senso imperou pelo lado tupiniquim, liderado por um técnico que, enfim, fez valer sua experiência e poder de persuasão quanto a inestancada hemorragia que nos esvai a décadas, de uma cultura autofágica retratada em toda sua extensão nos inenarráveis e muitas vezes irresponsáveis festins de 3 pontos, midiáticos, deificados e registrados como nossa marca pessoal de jogar o grande jogo, num anti coletivismo visando transformá-lo numa modalidade individual, como bem representam alguns de nossos líderes de antanho, glorificados e bajulados com a representação de uma forma personalista de atuar, que gerou levas e levas de “especialistas” que nos fizeram despencar ladeira abaixo no cenário internacional…

O jogo foi ganho de 2 em 2 e 1 em 1 pontos, trabalhados pacientemente, por uma dupla, às vezes tripla armação gerindo e servindo alas e pivôs com maestria, ferindo o adversário lá dentro de sua pretensamente inexpugnável cozinha, desmontando sua supremacia nos rebotes, onde um certeiro Varejão liderou sua equipe num jogo interno poderoso e acima de tudo, lúcido, pois jamais os gregos poderiam imaginar uma seleção adepta fervorosa das bolinhas, enfrentá-los onde se consideram fortes, lá, bem lá dentro. Some-se a isso o fato de ser este campeonato jogado pelas regras da FIBA, fator talvez esquecido pela turma grega (e muito torcedor também…), quando atestou o fato de que o MVP da liga maior simplesmente não pode desfilar sua coleção de talentos ao se deter ante uma defesa que pode exercer tantas e quantas coberturas quiser, tornando o 1 x 1 bem mais complicado de enfrentar. E foi uma defesa briguenta e antecipativa a que não só ele, mas toda sua equipe teve de enfrentar, perdendo a partida…

A turma brasileira arremessou 5/12 de 3 (palmas uníssonas para ela), e 25/52 de 2 pontos, concluindo dentro do garrafão 46 pontos dos 79 alcançados, enquanto a turma grega lançou 9/26 e 15/34 respectivamente, totalizando 28 pontos no garrafão, sendo que nos Lances livres as duas equipes converteram 14/19 e 21/23, números que permitiram a seleção nacional vencer por 1 ponto (79 x 78), mas venceram uma partida chave para a classificação numa posição vantajosa quanto aos enfrentamentos futuros, e mais ainda se vencer Montenegro na quinta que vem. Tiveram 10 erros de fundamentos (foram 8 na primeira partida), contra 16 dos gregos, outro número bem favorável, e que ao ser diminuído aumentará em muito a eficiência da equipe…

No entanto, alguns fatores importantes foram bem difíceis de enfrentar, como na rotação da dupla armação, onde seria arriscado lançar o Yago de encontro aos mais do que experientes tanques gregos, assim como um Benite que sem dúvida alguma teria seus longos arremessos severamente contestados, fator um tanto amainado no caso do Marcos, com sua elevada posição de arremesso muito além de seus 2,07m de estatura, situação que seria enfrentada pelo Leandro e o Alex se optassem pelos longos arremessos, inteligentemente trocados pelas furiosas penetrações que realizaram enquanto estiveram em quadra…

Como a briga nos rebotes, em muitas fases do jogo, teria relevância capital, Varejão, Bruno e Felício se saíram muito bem, sendo que a equipe teria produzido melhor se  constasse em seu elenco de alguns jogadores não selecionados, assunto que também mencionei no artigo anterior, numa perda de qualidade a ser bem pensada para as futuras competições, pois uma seleção nacional representa a forma de jogar seus campeonatos, e não só servir de vitrine da liga maior, com sua forma diferenciada de jogar o grande jogo…

Aguardemos o prosseguimento da competição, onde as exigências técnico táticas crescerão exponencialmente a cada etapa a ser cumprida, tendo a seleção a grande responsabilidade, daqui para diante, de manter esse novo posicionamento tão diligentemente alcançado no dia de hoje, e que seja, definitivamente, um marco divisório entre o ontem, o hoje, e quiçá o futuro de jogar o grande, grandíssimo jogo, da forma lúcida e competente apresentada nesse 3/9/2019…

Torço para que continue atuando com dois armadores criativos, improvisadores, corajosos, e três alas pivôs rápidos, ágeis, flexíveis e acima de tudo, inteligentes, pois bem sei de longa, longuíssima data,  como é jogar dessa forma, acreditando que venha a ser aceita e compreendida daqui em diante, afinal de contas é um croata que aposta nela, ou não?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A MENSAGEM DA HAKA…

Quando a Haka ecoou no ginásio, de estalo pressenti que uma imparável tempestade de arremessos de fora estava prestes a marcar indelevelmente a partida, no momento em que a seleção brasileira aceitasse o repto maori, onde velocidade extremada, acompanhada de uma desenfreada chutação de fora, marca registrada das equipes “all black”, chamava a turma tupiniquim para um temeroso festim, que poderia nos ser desfavorável, e quase o foi, não fosse a providencial entrada no terceiro quarto de um jogador, o Alex, que, com sua experiência defensiva e liderança inconteste, arrumou e orientou a contestação fora do perímetro, assim como organizou um rebote defensivo disperso nos dois quartos iniciais, fatores que “premiaram” a seleção com 50 pontos da turma do Pacífico, número comprometedor para qualquer defesa que se preze, apesar de também auferir outros 50 com seu ataque mais interior do que as bolinhas de praxe, ou seja, até aquele momento havia aceito o repto…

No terceiro, corrigida  e estabelecida a contestação mais rígida das bolas de fora, assim como compactando o rebote defensivo, pode a seleção abrir um pouco no placar, já que a recíproca não era a mesma por parte dos valentes maoris. Mas nada que recomendasse bem a nossa produção frente a números preocupantes, tais como – 35/81 arremessos de 2 (17/44 e 18/37), 26/74 de 3 (14/38 e 12/36), e 48/59 de LL (26/30 e 22/29), num equilíbrio acentuado, somente quebrado de leve nas duas bolas de 3 a mais, para uma contagem final de 102 x 98, num jogo em que a NZ teve 18 erros nos fundamentos contra 8 nossos, um bom número que deverá ser melhorado se quisermos avançar na competição, assim como um substancial abrandamento na volúpia das bolinhas (chutar 38 numa competição deste nível raia ao grotesco), energizando muito mais o jogo interior, veloz e de movimentação constante, já que enfrentaremos defesas poderosas que marcam técnica e fisicamente, sem hakas desafiadoras…

No mais, ficou bem clara a inadequação num nível mais elevado, de um jovem armador, o Yago, assim como um errático Didi, bom, porém inexperiente jogador (bem clara a atitude de sua franquia da NBA, mandando-o para a Austrália para ganhar experiência e mais adequados fundamentos), assim como o Caboclo, jogador mais glorificado estética do que tecnicamente, fazendo valer a opinião do técnico que o treinou no Toronto junto ao Bêbe, de que não entendia jovens tão atléticos não serem ensinados, preparados e treinados nos fundamentos básicos do jogo, que para o primeiro, empunhar a bola com uma das mãos ao pivotear pode parecer domínio superior, não fosse mais do que um dispensável exibicionismo. Na armação internacional anos de cancha é fator transcendental, aspecto que deve ser prioritário numa convocação para um mundial, assim como a escolha de alas experientes, jovens também, onde a rotulação quase que obrigatória da liga maior, se constitua em passaporte , um selo de qualidade discutível, se visto e analisado de forma mais objetiva e isenta de fatores econômicos e políticos…

Sob tais aspectos, não se entende a não convocação e aproveitamento de jogadores como o Meidl, o Lucas Dias, o JP Batista, os armadores Derik e  Cauê Borges, fortes e com boa estatura, em idade próxima a ideal para a posição, e como muitos adoram, pontuadores também, além de bons e sólidos defensores…

Amanhã nos defrontaremos com a Grécia, muitos pontos acima da Nova Zelândia, principalmente no aspecto defensivo, quando poderemos avaliar com mais precisão os acertos ofensivos e defensivos tão propalados na seleção, quando gostaria muito de não presenciar um jogador tomar ( ou sendo mais condescendente, pedir emprestado…) a prancheta do técnico, para didaticamente expor uma ação tática, que claro, não foi sequer esboçada, num jogo, onde o tão decantado e deificado piquenrol não foi executado uma vez sequer, e não precisava ante a barragem de chutes de três deflagrada a não mais poder…

Fico na torcida para que o bom senso prevaleça, numa atitude enérgica defensiva, e numa ofensiva paciente, interior, com seletividade mais aprimorada nos chutes de fora, e acima de tudo, na luta sem tréguas pelos rebotes lá e aqui, indistintamente, e que de 2 em 2 e 1 em 1, torne o jogo mais inteligente e produtivo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

O MUNDIAL…

O Prof. Israel Washington de Freitas, técnico e basqueteiro dos bons, divulgou em seu face em 29/8/2014, esse artigo em que abordo o Mundial daquele ano, e que aqui reproduzo deixando no ar uma inquietante questão – O que mudou de lá para cá no nosso basquetebol?  Substituindo alguns jogadores mencionados no artigo por outros mais jovens, além de um novo treinador, reitero a questão – O que mudou de verdade? Leiam e tirem suas conclusões.

Israel Washington de Freitas

29 de agosto de 2014 · 

Prof. Dr. Paulo Murilo 

Vai começa a briga, e das boas, já que se trata de um Mundial, de um Mundial, e não de um NBB administrativamente em positiva evolução, porém técnica e taticamente estratificado e profundamente equivocado…

Nossa seleção, falando franca e honestamente, é deficiente em muitos aspectos de técnica individual, e equivocada em concepção de equipe, apesar do ufanismo torcedor que posta, anonimamente em sua maioria, comentários na mídia especializada, corroborando, ou não, matérias publicadas por seus editores, muitas vezes raiando o limite de conhecimentos do grande jogo, aspecto este, que mesmo sendo professor e técnico a mais de cinco décadas, não ouso, sequer penso, ultrapassar…

Mas outra é a nossa realidade, ainda mais com a cornucópia ilimitada de informações, pareceres, estudos e análises soltas, até em nuvens, pela galáctica rede, à disposição de todos, cultos ou neófitos, esplanarem e divulgarem opiniões e relatos da mais alta complexidade técnica e tática, porém ao largo de uma realidade, a do âmago das quadras, da formação a elite, na travessia de anos e anos dedicados a arte de ensinar, educar e ajudar no desenvolvimento humano no contar das horas, dias, meses anos décadas necessárias para atingir objetivos, muitas vezes inatingíveis, pela precariedade de uma realidade longe, muito longe, de se dedicar social, política e humanamente pela educação de nossos jovens, e que é o fator primal de todo o processo, onde pitonismos e achismos se tornam anacrônicos em si mesmos…

Nossa seleção tem graves problemas, deficiências crônicas que em tempo algum foram corrigidas, fora ou dentro de seleções, seguindo um princípio quase dogmático, de que jogadores adultos nada mais devem acrescentar ao que conhecem de técnicas individuais e coletivas, a não ser levá-las ao grau de excelência dentro da realidade tática que lhes é exigida, que sendo padronizada os formatam, ou mesmo modelam, adequando-os às filosofias dos estrategistas que os dirigirão…

Por tudo isso, poucos são aqueles que dominam o epicentro de seus corpos, defendendo em equilíbrio estável e instável; atacando em desequilíbrio controlável, única forma de aliar velocidade e alternância direcional; correr e parar com controle similar; saltar sem se projetar lateralmente; girar espacialmente após rebotes; pivotear e mudar de direção alternando velocidades; bloquear antecipadamente e não no momento da ação; coordenar saltos e deslocamentos com as visões verticais e periféricas, fundamentais para o domínio temporal e espacial; arremessar sob controle preciso do eixo diametral da bola, base crítica para seu correto direcionamento, e que independe do posicionamento estético ou não de seu corpo; domínio ambidestro da bola no drible e suas vertentes direcionais e rítmicas, fatores inerentes às fintas e mudanças de direção, quanto ao conhecimento e pleno domínio dos fundamentos do jogo…

Portanto, sem esses conhecimentos, sistema tático nenhum, por mais simples e primário que seja, obterá sucesso, já que as exigências necessárias para sua execução não serão atendidas pela fragilidade no domínio e controle dos fundamentos, tornando-o estéril e equivocado…

Nosso pretenso poder defensivo, frente a equipes de maior peso, correrá o risco de rompimentos decisivos, pois o Marcos, Marcelo, Huertas, Raul, Leandro e Guilherme, são inconstantes e frágeis no trabalho de pés e controle posicional defensivo, acarretando uma grande carga de cobertura interna dos grandes pivôs, que correm o sério risco de se pendurarem de faltas por isso, gerando também um acúmulo externo por parte do Alex e do Larry, notoriamente melhores defensores do que aqueles…

Ofensivamente, frente a um cenário compensatório, ou não, relacionado às nossas opções defensivas, um outro fator se revela preocupante, a localização posicional dos homens dentro do perímetro interno, nitidamente atuando de costas para a cesta, em posições altas e baixas, e vindo sistematicamente fora do perímetro para bloqueios, sem trocarem de posições entre si, e muito menos tendo um outro alto ala participando dessas trocas internas, quando muito em pontuais deslocamentos paralelos a linha final, ou mesmo bem fora do mesmo, que é o que parece virá a ser tentado pelo Rafael para os longos arremessos, quando ele seria primordial no diálogo direto com os dois pivôs, todos próximos a cesta, para de 2 em 2 pontuarem com mais segurança e precisão, e inclusive e fundamental, estarem no foco dos rebotes, e em vantagem numérica, fator que desencadearia muito trabalho e preocupação com as faltas para nossos adversários, principalmente os europeus…

Também ofensivamente, a falta de um diálogo eficaz e tático entre armadores e pivôs em movimento (se assim se mantivessem todo o tempo de jogo…) torna nosso ataque, na maioria das ações, altamente previsível e marcado com relativa facilidade, onde as dobras se tornam decorrentes pela obviedade de atitudes destituídas de criação coletiva, voltadas que são, teimosamente, de caráter individualista, principalmente através o Leandro, Larry e Raul, sem contar com o mais do que provável aperto por que passarão na vinda da defesa ao ataque em armação única, prato apetitoso para as fortes defesas europeias e americana com que nos defrontaremos…

Logo, podemos concluir com duas ponderações, a de que neste complexo jogo, pitonismos perdem sua fantasiosa relevância, pelo simples fato de não conterem qualquer embasamento técnico e tático, frente a nossa proverbial fragilidade na formação de base, e ante escolas que privilegiam desde sempre esse fator, propositalmente escamoteado, já que formatado, padronizado e implantado por uma geração de estrategistas de produtos prontos, estejam deficientes ou não na fundamentação do jogo, onde o tempo a ser “perdido” em correções não compensa nem enriquece currículos forjados pelo corporativismo que os unem em grande maioria…

Outra, a de que a insidiosa e escorregadia indústria do achismo técnico e tático, fruto de uma patética ignorância do que venha a ser o profundo e verdadeiro conhecimento do grande jogo, sequer se interesse pelo longo e sofrido caminho das pedras do estudar, pesquisar, ensinar e desenvolver, com seu acidentado e inóspito cenário de certezas e incertezas, avanços e retrocessos, pequenas vitórias e grandes derrotas, apêgo e desapêgo a idéias e sonhos, mas decisivo em seu percurso para o progresso e sedimentação de um processo de vida, onde o mérito é a chave para um corajoso e alentador trajeto.

Enfim, teremos nossa auto convidada seleção em mais um Mundial, fruto de uma realidade da qual não podemos fugir e omitir suas carências, e bem representar o que atualmente somos, mas que infelizmente não representa o que deveríamos ser, de verdade…

Amém.

Foto – Divulgação CBB.

A VITÓRIA DA MEDIOCRIDADE…

Teimoso que sou, testemunhei os 107 a 32 da seleção americana sobre a brasileira na sub 16 feminina da Copa América, surra conclusiva depois de duas derrotas seguidas, contra o Canadá ( 78 a 39), e o Equador (71 a 55), despedindo-se das semi finais da competição da forma mais humilhante possível. Nestes três jogos foram números terríveis apresentados pelas meninas patrícias, como os 23.1% (38/164) nos 2 pontos, contra 58.2% (74/127) das adversárias, 16.2% (7/43) nos 3 pontos, contra 23.7% (23/97), 53.7% (29/54) nos lances livres, contra 51.3% (39/76), e uma média de 23 erros por partida, contra 21 das turmas do lado de lá, deixando uma certeza absoluta, no fato de nossas jovens jogadoras simplesmente não saberem arremessar com um mínimo de precisão (nos 3 pontos a quantidade de air balls foi assustadora, e até simplórias bandejas perdidas ), além do fato constrangedor de que pouco, ou quase nada, sabem sobre os fundamentos do jogo, onde a ambidestralidade no drible é praticamente nula, a precisão nos passes passa a léguas de uma razoável execução, e o posicionamento defensivo e nos rebotes é algo inacreditável. Sobram espírito de luta e combatividade, em seus rompantes juvenis, porém órfãs de um preparo minimamente aceitável para uma disputa parelha com jovens da mesma idade, de países que levam a sério o grande jogo, na dimensão em que deve ser correta e competentemente ensinado em suas escolas e clubes comunitários por professores capacitados de verdade, na contramão do que priorizamos em sistemas e táticas “avançadas” de jogo, antes de serem preparadas nos fundamentos básicos, cuja ausência inviabiliza toda e qualquer pretensão técnico tática de seus luminares estrategistas, aferrados e enamorados de suas ridículas pranchetas…

E foi o que vimos, que continuamos vendo, no masculino, no feminino, ano após ano, e que continuaremos a ver, se algo de inovador e ousado não acontecer em nosso combalido basquetebol, que não merece ser surrado continuamente desde as categorias de base, onde tudo começa, campo onde pululam os falsos e mal formados técnicos de ocasião, patrocinados por oportunistas e profissionais do escambo, do favorecimento, do corporativismo deslavado, ocupando um nicho que deveria ser de excelência, do mérito, do saber, da experiência comprovada e incontestável, formuladora e avalizadora dos melhores, à parte dos Q.Is interesseiros e pusilânimes que nos esmaga pela mediocridade, enquadrada pelas midiáticas e absurdas “pranchetas que falam”, expositoras dos grafismos ininteligíveis e definitivamente analfabetos do que vem a ser o grande, grandíssimo jogo…

Mais uma geração está indo para os ares, sufocada e paralisada pela mesmice endêmica que pune atrozmente tantos jovens promissores e talentosos, travados e anulados por um batalhão de incompetentes adoradores do próprio umbigo, sabichões arrogantes, apaniguados e protegidos daqueles que no fundo, odeiam o grande jogo, ontem, hoje, e infelizmente num prolongado futuro, até um dia em que o bom senso, a justiça e o mérito se façam presentes, enfim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para aumentá-las.

 

O LEGADO A SER SEMPRE LEMBRADO…

 

“Se quisermos vencer lá em Franca, temos de fazer o jogo perfeito”, afirmava o jogador Marcos do Flamengo dias antes da grande final. E não deu outra, sua equipe, senão atingiu a perfeição, chegou bem perto, com uma atuação segura, lúcida no jogo interior (18/36, mesma contagem de Franca), arremessando de fora com mais parcimônia (9/25 contra 5/23), 18/21 contra 21/26 nos lances livres, parelhos nos rebotes (38 e 34), e com poucos erros (11 e 8), atingindo o placar de 81 a 72, vencendo com justiça e brilhantismo a maior competição do basquetebol brasileiro pela sexta vez em onze edições…

No entanto, o fator que mais sobressaiu na grande vitória da final, foi o sentido coletivista dos rubro negros no ataque, sempre atuando com dupla armação em combinações fatorais entre os quatro jogadores da posição da equipe, não permitindo quedas substanciais de aproveitamento ofensivo, a não ser em algumas situações quando não contavam com a presença do Balbi em quadra, e a grande noite dos homens altos em constante movimentação dentro do perímetro, envolvendo seguidamente a defesa francana, com pivôs mais fortes, porém mais lentos do que os lépidos rubro negros…

Do outro lado, um Franca reticente e mais falho nos teimosos longos arremessos do que a turma carioca, defendendo mal em momentos chaves da partida, como no primeiro quarto, cuja diferença no placar não soube recuperar nos demais, tentando nos 3 pontos ações que se tivessem sido aplicadas no interior do perímetro, onde alcançaram a mesma produtividade que seus adversários (18/36), sem dúvida poderiam obter um resultado mais favorável do que seus 5/23 de fora, numa continha que não me canso de lembrar daqui desse humilde blog, ou seja, se trocasse a metade dos falhados arremessos de 3 (no caso 11 tentativas) por outras de curta distância, insistindo mais no jogo interior, poderia ter vencido uma partida perdida por 9 pontos, ou não? Façam as continhas…

Disciplina tática, mesmo em situações críticas, se constitui em estratégia básica de jogo, onde a mais correta possível leitura de jogo define o desfecho favorável, ou não, de uma partida decisiva, onde jamais caberá o arrivismo ou as tentativas aventureiras baseadas no “se caírem as bolinhas” vencemos o jogo, só que não caíram, logo…

Não fosse o incorrigível fato das trocas frequentes desnecessárias no transcorrer da partida por parte dos rubro negros, quebrando sequências ofensivas bem concatenadas de um quinteto em quadra, ainda mais se o mesmo estava se saindo melhor ainda defensivamente, a equipe carioca poderia se alongar na contagem ainda no segundo quarto, mas o troca troca parece ser algo previsto pela necessidade da minutagem de seus galardoados jogadores, fator que terá de ser revisado para a próxima temporada, se desejar emplacar um sétimo título nacional…

No mais, parabenizo o Flamengo atual, que ainda precisa comer muito feijão para se aproximar do histórico legado construído e deixado pelo mítico Togo Renan Soares na Gávea, entupindo o maracanãzinho (com seus originais 25000 lugares) em jogos e campeonatos memoráveis…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e divulgação LNB. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

O PAÍS DO FUTURO…

 

Você que é macaco velho, ou melhor, orangotango idoso, lúcido, experiente, observador, e para lá de precavido, ao olhar a foto acima, de saída conclui de que se trata de um grupo de jogadores com a insegurança estampada em suas feições, importando, e muito, um resultado que afastará a equipe de um Mundial ansiado e sonhado por todos eles, tão jovens, e tão desamparados do ferramental básico para a consecução do acalentado sonho, um preparo criterioso, justo, baseado num planejamento bem estruturado face a sua inexperiente juventude, que mesmo sendo muito talentosa, necessitaria de um preparo contundente nos fundamentos do jogo, muitos fundamentos, a fim de se posicionarem positivamente ante sistemas de jogo ofensivos e defensivos a que teriam acesso (o que certamente não ocorreu, ficando bitolados ao sistema único), e que sem o domínio pleno dos mesmos, poucas chances teriam para executá-los com sucesso, em oposição ao que, infelizmente aconteceu, quando ao término do quarto jogo na competição, alcançaram 20.2 erros em média (22/18/18/23), enquanto seus oponentes cometeram 15.7 (17/20/15/11), numa diferença significativa nessa idade (sub 16), assim como as baixíssimas porcentagens nos arremessos, a saber, 43.6 nos de 2 pontos, 16.4 nos de 3, e 57.1 nos lances livres, números muito aquém do mínimo exigido numa competição internacional, mesmo nessa categoria de 16 anos, etapa ideal para ensiná-los e corrigi-los na busca das técnicas mais adequadas para realizá-los, principalmente numa seleção nacional…

No entanto, mesmo com números um pouco melhores, ficaram esses jovens a mercê de um inexistente e planificado plano de jogo, onde o individualismo exacerbado dos armadores, encontraram incentivo permanente da direção técnica da equipe, como que desviando o protagonismo de um jogador que nos torneios continentais de sub 14 e 15, obteve números superlativos a sua idade, contribuindo em mais de 50% na pontuação daquelas equipes, conquistando os MVP’s nas duas competições. Sem dúvida alguma Motta não se saiu bem nessa importante competição, que culminaria na classificação ao Mundial, por um simples e objetivo detalhe, não lhe foi permitido jogar como deveria fazê-lo, obrigado a ceder espaço tático, e até estratégico aos armadores pontuadores (ou que deveriam sê-los), retirando, e até anulando (diria, auto anulando) uma grande e importante arma da equipe, por motivos que não ouso sustentar, considerando sua seriedade e proposital (?) objetivo…

Foi um desastre previsto desde o primeiro jogo, culminando com a derrota para uma equipe representativa de um país, a República Dominicana, com uma população de 10.7 milhões, e tendo perdido antes para o Uruguai com seus 3.4 milhões, Canadá com 37 milhões, e vencendo Porto Rico com seus 3.1 milhões de habitantes, todos fortes adversários de uma nação continente de 200 milhões, ou mais, provando de forma inconteste sua fragilidade sócio cultural esportiva nas formações de base de seus futuros desportistas/cidadãos. Mais trágico do que isso, impossível, realçado por escolhas equivocadas de inexperientes, ou mesmo, pseudos líderes, para comandar e liderar esse processo educacional de uma juventude órfã de amparo e incentivo em sua candente busca por uma educação de qualidade, direito presente e garantido (?) pela Constituição deste imenso, desigual e injusto país…

Foi-se a classificação ao Mundial, que seria um passo importante no processo de soerguimento do grande jogo tupiniquim, alijado por uma tomada de decisão que, em nome de uma política qualquer, premia currículos formados por trabalhos não autorais, signatários de ações e iniciativas de outrem na formação de base, mesmo precária, mas ainda existente em algumas escolas e clubes espalhados por este imenso país, premiando os oportunismos regados com verbas oficiais de incentivo concentradas em dois ou três “centros de excelência”, deixando de lado profissionais calejados e experientes, porém nulos em políticas e votos de ocasião, professores e técnicos de raiz que são, insubstituíveis em qualquer nação educacionalmente séria, que nos tem vencido sistemática e continuamente, até um dia em que tomarmos vergonha na cara, pusilânimes que temos sido até agora na defesa e socorro de nossos sempre esquecidos jovens…

Oportunidades como a que jogamos pela janela da história, deveriam servir de exemplo para não serem repetidas, claro, na medida em que se faça presente o peso do mérito, do conhecimento, da experiência, e principalmente, o do saber adquirido em muitas décadas de trabalho, e não através o falso conhecimento adquirido de forma osmótica em cursinhos e estágios de ocasião, muito mais regados a turismo e selfies auto promocionais  do que uma aprendizagem realmente atuante, repleta de experimentos e buscas por algo realmente inovador e autoral, e não cópia do que que “dá certo”, logo, aplicáveis sem maiores “complicações”…

Um ciclo importante para o nosso basquetebol foi interrompido, mas não encerrado, dependendo do que pretendemos realizar de proveitoso daqui para diante, e sugiro fortemente desde já, que a CBB reúna em torno de uma mesa as cabeças realmente pensantes do grande jogo do nosso país, para estabelecerem um processo didático pedagógico de ensino adequado a imensidão geográfica e demográfica que nos define como o eterno país do futuro, definição esta que devemos urgentemente mudar, para não afundarmos de vez, não só no basquetebol, nos desportos em geral, mas, no sentido mais amplo de nação, deseducada e culturalmente mal educada, princípio, meio e fim do bom combate, do valer a pena viver, trabalhar e produzir aqui…

Amém

Fotos – Reproduções da TV e Arquivo próprio. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

A TRISTE E LAMENTÁVEL FORÇA DE UM “VÃO SE F….!!”…

 

Nossos futuros jogadores a nível de seleção nacional estão em quadra, disputam em Belém a Copa América sub 16, classificatória ao Mundial sub 17, com quatro vagas disponíveis para as Américas, numa ótima oportunidade para participar daquele importante torneio, fundamental para a retomada do grande jogo em nosso país…

No entanto, algo preocupa bastante, a preparação da equipe para este salto qualitativo tão importante, teimosamente entregue a técnicos iniciantes, inseguros e despreparados, numa faixa etária que deveria ser liderada pelos profissionais mais bem preparados e experientes que temos, capazes de minimizar os possíveis erros, que se tornam irreparáveis quando nas mãos daqueles que mantêm distanciados os princípios  da diagnose e da retificação em seu trabalho técnico individual e coletivo, que quanto mais próximos, maiores serão os resultados positivos de um trabalho meticuloso e de alta e refinada técnica…

Antes de analisar a produtividade da equipe em plena disputa (já realizaram três jogos, contra Porto Rico, Canadá e Uruguai), fui buscar na internet informações mais detalhadas sobre o técnico nomeado pela CBB para a competição, encontrando duas entrevistas veiculadas pelo blog Área Restritiva, aqui e aqui destacadas, e que muito auxiliam nos comentários que exporei a seguir: – Lendo-as atentamente, sugerindo que o leitor o faça também, encontramos nitidamente as explicações sobre a forma de atuar da jovem seleção, referendadas pelo próprio entrevistado, com respostas que refletem com precisão o que está sendo visto e testemunhado em quadra, por todo aquele que se interesse minimamente pelo grande jogo, principalmente como são preparadas e treinadas as jovens equipes em nosso país, sendo, inclusive, comparadas pelo entrevistado com a de outros países, numa análise que o coloca de frente com suas próprias pretensões de se tornar o melhor técnico nacional, tendo a si próprio como o ente mais crítico, tornando-o imune às críticas além das suas previamente estabelecidas, num exercício unilateral nada recomendável num trabalho de interesse público no âmbito desportivo e educacional, do qual faz parte como professor e treinador…

Também intrigante a entrevista dada pelo técnico da seleção principal, Alexander Petrovich, no intervalo do primeiro jogo contra Porto Rico, dada ao comentarista televisivo da emissora paraense, quando mencionou as grandes diferenças que separam a preparação de base brasileira com a europeia e a argentina, enfatizando, entre outros fatores, o comportamento individualista de nossos jogadores em face ao coletivista dos europeus, colocando esse fator como o maior defeito da nossa formação de base, assim como a deficiência no ensino dos fundamentos básicos do jogo, resultando em jogadores inferiorizados frente aos americanos e europeus, coincidindo com o testemunho do atual técnico dessa seleção sub 16…

Que, no entanto, não tem apresentado explicações razoáveis sobre o comportamento técnico tático da equipe que dirige nessa importante Copa América, que vem apresentando a média de 19.3 erros de fundamentos por jogo, 42% (63/150) nos arremessos de 2 pontos; 16,6% (11/66) nos de 3 pontos, e 55,5% (35/63) nos lances livres, mostrando sérias deficiências nos diversos arremessos tentados e aproveitados, tendo imensas dificuldades contra defesas zonais, e grave ausência de um sistema ofensivo consistente, restando aos jogadores as sucessivas investidas de caráter individual, arrivistas e aventureiras, atitudes mais para um bando do que uma equipe treinada e ajustada, mesmo com uma preparação em tempo hábil, porém equivocada e inadequada para uma competição desse porte, numa prova inconteste da inadequação de uma comissão técnica inexperiente e despreparada para o comando. Com a derrota de hoje para o Uruguai (68 x 55), depois de perder para o Canadá (90 x 67), e vencer Porto Rico (72 x 58), a jovem equipe tem de vencer a República Dominicana na próxima sexta feira, se quiser a classificação ao Mundial sub 17 na Bulgária…

No entanto, se porventura esse comentário for taxado de injusto, parcial, ou outra conotação menos nobre, incluo um pequeno vídeo realizado num dos pedidos de tempo no terceiro quarto desse jogo com o Uruguai, como prova indiscutível da precariedade emocional e técnica de um treinador e professor (?), que se dirige a um grupo de jovens da forma mais abjeta e indesculpável possível, e que em hipótese alguma pode ser admitida perante o importante cargo que ocupa, como o líder educacional e desportivo de uma equipe representativa do futuro da modalidade nesse imenso, injusto e desigual país, que precisa ser resgatada através um trabalho bem planejado, executado com competência e conhecimentos comprovados, e não por ações e atitudes de tal monta, como a que recordaremos a seguir, lamentavelmente…https://www.youtube.com/watch?v=RMjxwBBSNYI

Agora temos uma robusta e irretocável resposta…

Amém.

Vídeo – Reprodução da transmissão da TV Cultura do Pará. Clique no link para acessa-lo.

 

OS IANQUES ESTÃO CHEGANDO…

Ginásio Gilberto Cardoso a meia boca (5760 espectadores para 12000 assentos), com torcida minúscula do Franca protegida por dois PMs portando escopetas num recinto fechado, numa precaução exagerada; setor de imprensa ao nível do solo atrás de uma das tabelas, privando-os de uma visão ampla da quadra (mas pelo que comentam e analisam estava de bom tamanho), e jamais imaginei tantos jornalistas especializados reunidos num jogo nacional, na medida em que a mídia se volta totalmente para a NBA, com seus jogos e campeonatos fartamente comentados e analisados, pinçados dos seus congêneres americanos; batidão ensurdecedor, e uma novidade, locutor/torcedor inflamando a torcida, aspecto que não deveria ser permitido numa quadra efervescente e passional…

Quanto ao jogo, bem, apresentou um Flamengo comedido na correria, atento aos arremessos fora do perímetro da turma francana, e o mais importante, cedendo espaços às suas penetrações para exercer um fortíssimo bloqueio interior, antecipativo e físico, controlando o rebote defensivo com vigor, e lá na frente, priorizando os médios e curtos arremessos através seus alas pivôs muito bem municiados por uma competente e dinâmica dupla armação, por todo o tempo da partida. Se arremessassem um pouco menos de três pontos (foram 5/21 contra 6/26 de Franca), insistindo mais nos dois pontos (22/42 contra 16/26), venceria por uma margem ainda maior, pois o domínio de seus homens altos em muito superou os de Franca, inclusive nos rebotes (43 a 30), que em várias ocasiões preferiram tentar arremessos de fora, esvaziando ainda mais o perímetro interno rubro negro…

Foi um jogo de muitos erros de fundamentos ( 33 – 14/19), e muito lance livre desperdiçado igualmente (17/25 e 12/20), logo, não alterando o placar final (76 x 62), num jogo bem pensado e executado pelos cariocas, principalmente na defesa, e mal planejado e pior ainda executado por parte dos paulistas, que precisarão mudar bastante sua concepção de jogo baseado na permanente convergência que praticou durante todo o campeonato, arremessando mais de três do que dois pontos (neste 16/26 e 6/26), e tentar um jogo interior mais presente e enérgico, assim como, reduzir bastante a chutação de fora, que aos poucos vai encontrando contestações mais presentes e competentes, vide o ocorrido lá na matriz, onde a equipe líder nessa concepção de jogo, já encontra respostas defensivas eficientes, como foi visto na primeira partida do playoff final da liga…

Enfim, se o bom senso prevalecer na grande final de sábado vindouro em Franca, poderemos assistir uma volta ao jogo bem jogado, com duplas armações atuantes e inteligentes, alas pivôs em constante movimentação nos perímetros internos, lutando por posicionamento técnico visando rebotes eficientes, conclusões mais seguras pela proximidade da cesta, posicionamento defensivo intenso e eficaz, e por que não, arremessos de três conscientes, equilibrados, com espaço suficiente para sua precisão, executados após passes de dentro para fora do perímetro, exclusivamente pelos reais especialistas dos mesmos, e não a farra autofágica que temos presenciado nos últimos anos, lastimável e inclusivamente desde a formação de base, espelhada por uma elite mais voltada ao espetáculo, ao aceno da  mídia, do que aos reais interesses de um grande jogo eficiente e presente por justiça no cenário internacional…

Assistiremos tal jogo? espero, honesta e sinceramente, que sim…

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

Em tempo – Não assisti, por não ter sido transmitido, a final da Liga Ouro, com a vitória da equipe da Unifacisa de Campina Grande, Paraíba. No entanto, compilei para registro próprio os tempos de permanência em quadra dos três jogadores americanos da equipe nordestina, e os três da equipe paulista, nos cinco jogos do playoff, que apresentaram números consistentes e indiscutíveis das suas importâncias capitais nos jogos, com participação média de 36 min em quadra, com os restantes e ínfimos minutos divididos pelos nacionais, em jogos com os seis em quadra por quase todo o tempo de jogo, agindo grupalmente, tática e tecnicamente, exceto pela intromissão pontual do Pezão e do Drudi nas formações básicas…

Imaginem agora, o que ocorrerá com a decisão tomada pela LNB, permitindo quatro estrangeiros nas franquias do próximo NBB, quando poderemos ver em quadra oito americanos e somente dois brasileiros, num campeonato nacional? Se tal absurdo for confirmado, deveriam completar o pacote, sugerindo a contratação oficial de um  intérprete para cada equipe (afinal, precisamos aumentar o número de empregos nesse imenso e injusto país), e pedindo uma tecla SAP para as emissoras de TV e da Internet que transmitem os jogos…

Num momento importante e transcendental para o ressurgimento sustentável do grande jogo entre nós, adotamos tão canhestro, submisso e colonizado estratagema, cujos interesses sócio econômicos transcendem um entendimento razoavelmente inteligente, substituindo o caminho, sabidamente pedregoso, porém inadiável de uma formação de base planejada e estudada pelas boas e abertas cabeças que ainda existem e subsistem no país, por um projeto de interesse de uns poucos inseridos no corporativismo vigente, que tanto empobrece o basquetebol no país… PM.