OLHANDO DE CIMA E DE LONGE A HECATOMBE QUE NOS AFLIGE (FROM MADRID)…

 

32336969_10204727951996453_3230861501711515648_nNos 10 minutinhos que restaram do tempo de internet a bordo (estou viajando para a Europa, num presente de meus filhos), pude acessar a LNB e saber do jogo Bauru e Paulistano atestando pelas estatísticas (odeio falar de um jogo me espelhando somente nelas…) o quanto de razão sempre tive contra ao modismo vigente do desenfreado “chega e chuta” que tomou conta do indigitado basquetebol tupiniquim, e do quanto ainda teremos de caminhar para alcançar um padrão técnico e tático razoavelmente aceitável para o mesmo…

Nossas quadras, se veem dependentes da influência dos notórios estrategistas que arrogantemente instalaram a ditadura das bolinhas, incapazes que demonstram ser de inovar com coerência, e não a reboque de modismos, canhestramente copiados de uma matriz, que investe comercialmente, num mercado sem qualquer contrapartida técnico tática que realmente nos faça progredir. Olhando bem os números aqui de cima do Atlântico, talvez com alguma precisão, face a nossa larguíssima experiencia de “orangotango velho e encardido” o que vemos? Com a presença massiva da convergência no nosso vulnerável basquetebol, Paulistano, líder inconteste nessa “descoberta do novo”, insistiu vencer com um contundente e falseado 11/41 nos 3 pontos, contra 7/28 de Bauru, também convergindo, porem em menor escala, preferindo investir um pouco mais nos 2 pontos, mais precisos pela menor distancia, onde com seus 18/30 frente aos 12/28 da “turma inovadora” da capital, conseguiu levar a melhor numa partida duramente disputada (presumo isso pela grande incidência de lances livres, 25/34 e 18/28 respectivamente) dentro do perímetro, e o elevado numero de rebotes (51 e 39) e um relativo numero de erros de fundamentos (11/6), num placar final de 82 x 75 para os interioranos, levando a disputa para o quinto jogo. Como desde sempre, conclamo aos estrategistas atentarem para a aritmética mais simples e básica nessas horas, pois 30/58 nos 2, 18/69 nos 3 e 43/62 nos lances livres, nos remete ao confronto do irreal quanto a melhor maneira de se disputar um campeonato, onde convergir esta sendo definido como o brand new técnico tático dos nossos mais irreais ainda, sonhos da retomada do grande jogo entre nos o que se constitui na mais contundente e falsa das falácias,…

 

32293673_10156543872307474_2498468959544672256_nOntem, de um cafe aqui em Madrid, na companhia do meu querido filho caçula, ausente do Rio de Janeiro em seu refugio profissional e musical em Dublin,  por longos e saudosos oito anos, e que também foi basqueteiro, acompanhei curioso em tempo real, a saga inversa do Flamengo em seu derradeiro confronto com o Mogi pela classificação a final, perdendo para os donos da casa por contundentes e irrefutáveis 89 x 72 pontos, num jogo, como de praxe nos últimos tempos desse triste basquetebol tupiniquim, onde ambos convergiram assustadoramente (18/36 para Mogi e 17/32 para o Flamengo nos 2 pontos, e 13/27 e 8/31 respectivamente nos 3, as famigeradas e autofagicas bolinhas…), demonstrando tacitamente o quanto de muito bem pago primarismo, esses notórios, incensados e marqueteados estrategistas, produzem uma copia equivocada e fajuta que fazem do basquetebol da matriz,  apresentando um ex grande jogo (para todos eles) onde a presença do passo marcado do “pranchetismo midiático”, mais fajuto ainda, que tem nos levado cada vez mais para o fundo de um poço que parece infindável, da forma mais lastimável e trágica, para o que deveria ser o grande, grandíssimo jogo, neste imenso e dolorosamente injusto pais, onde o mérito sempre e, e continuara sendo ainda por muito tempo, substituído pela mediocridade e pusilanimidade de um corporativismo selvagem e deletério, ate um dia, quem sabe…

Prevejo com a maior tristeza que, a continuar essa farra irresponsável como esta sendo mal tratado o basquetebol brasileiro, desde a formação básica, ate a elite, e ai inclusas nossa seleções (na elite o Petrovic tem e terá pela frente essa praga hemorrágica), difícil ou impossivelmente emergiremos deste poço pavoroso, que continuará a ser escavado até os limites do impensável, por uma geração de estrategistas simplesmente…ora, deixemos para lá, e que se anulem entre si e seus pares…

Amem.

Fotos – Arquivo pessoal. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

NO VAZIO DEFENSIVO É SÓ CORRER E CHUTAR, OU NÃO?…

P1160407P116040917/39 bolas de 3, conseguiu o Paulistano, e 8/25 o Bauru, totalizando 25/64 em 40 minutos de jogo, sem contar as de 2 (15/29 e 15/30 respectivamente), mais 14/14 e 10/13 nos lances livres, números que comprovam o “alto nível” defensivo da partida, inexistente do lado do Bauru, um pouco melhor pelo Paulistano, mas nada que explique convincentemente a chutação desenfreada cometida por ambas, onde um dos contendores acertou bem mais que o outro, 17 contra 8, para um inacreditável total de 64 bolinhas, ou seja, por 39 vezes as equipes foram ao ataque, livres de contestação primária, e erraram, e continuarão a errar até o fim do campeonato, recomeçando no NBB 11 tudo de novo, pois no vazio defensivo é só correr e chutar, ou não?…

Brada o estrategista vencedor que essa é a maneira vencedora de jogar, queiram ou não as críticas em contrário, e que está mais do que comprovado que dá certo, como deu e dará daqui para frente. Tem razão o jovem estrategista, pois em “terra de cego quem tem um olho é rei”, e haja cego nesse NBB, ele inclusive…

Cita o Warriors como modelo, e de quem é fã, salientando que além de correr e chutar, apresentam o grande diferencial, defendem com precisão, no que concordo nesse aspecto, ainda mais contra adversários que dominam os fundamentos do jogo, onde a arte defensiva é fundamento básico também, antítese de nossas equipes, com jogadores em sua maioria ineficazes e incapazes de defender com alguma técnica, propiciando a plena liberdade para a existência da hemorragia dos 3 pontos, num equívoco que continuará abastecendo nossas seleções, desde a base, de encontro aos constrangimentos por que temos passado nas últimas décadas no concerto internacional…

Impossível traçar paralelos entre a chutação da turma lá de cima com os daqui, onde o enorme fosso que nos separam pelo pleno domínio dos fundamentos, caracterizam as grandes diferenças técnicas, e mais ainda as táticas, pois como estratégia básica, histórica e tradicionalmente são dotados das técnicas fundamentais desde a formação, o que pouco ensinamos aqui em terra tupiniquim, fator gerador das distorções que nos afligem, principalmente agora através o “inovador” sistema que está sendo  implantado, o “chega e chuta”, aceito, consentido e agora incentivado pela maioria dos estrategistas, oportunos utentes do modismo “que dá certo”, que deu certo, e que continuará a dar certo, esquecendo que modismos passam, não a tradição, o conhecimento sistêmico, e acima de tudo, o bom e eterno bom senso…

Mas voltando ao jogo, se deixar vencer por 31 pontos, levando 17 bolas de 3, numa semifinal, realmente não é para qualquer um, ainda mais para uma equipe que defende seu título da edição passada do NBB, mas como as demais, adepta da chutação e do limite zero em defesa, individual e coletiva, principalmente fora do perímetro, o que é lastimável…

Aguardemos o próximo capítulo, emocionante, espetacular, monstruoso, que não seja na acepção da palavra, assim espero…

Amém.

 

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AS CONTINHAS QUE GANHAM JOGOS…

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P1160401Creio que a aritmética mais básica foi agora considerada, com a equipe do Flamengo arremessando 9/25 (ainda exagerado…) de 3 pontos contra 9/32 do Mogi, investindo bem mais na média e curta distâncias (15/40 contra 14/28) alcançando maior produtividade em cestas mais precisas, otimizando seus ataques, e contestando com eficiência a artilharia convergente paulista, que na somatória final rendeu a tão necessária vitória para continuar na disputa com boas chances de reverter a classificação…

E mais, voltou o mais rápido possível (as duas faltas iniciais do Varejão ajudaram na decisão) a formação azeitada que vinha se impondo na fase de classificação, onde o JP Batista, o Alexandre, o Marcos e o Rhett, velozes, fisicamente enxutos, e se deslocando bastante, propiciavam constantes assistências internas por parte de uma eficiente e confiável dupla armação, numa fatorial combinação entre Cubillan, Pecos, Ramon, e em algumas situações com o Marcelo, formações estas que fluidificavam os ataques, como deveriam jogar desde sempre…

P1160403No entanto, a teimosa imposição do passo marcado via prancheta de seu estrategista, por pouco quase travou a fluidez apresentada, a tal ponto que, no último pedido de tempo, frente a insistente determinação por jogadas marcadas naquele delicado momento do jogo, onde deveria (como foi realizado pelos jogadores) ser mantido o princípio da improvisação consciente de seu experiente e calejado plantel, aconteceu uma interferência do Marcos sobre a explanação técnica apresentada,  contrapondo-a com veemência, e afirmando – Entendeu o que eu disse, entendeu?…

Acredito que o entendimento ficou bem claro, pois partiram para decidir um jogo capital, e que põe de volta a boa equipe carioca na trilha que poderá reverter o mando de campo para a decisão, a não ser que o estrategista paulista também refaça suas continhas, simples, desprovidas de pranchetas, porém repletas de bom senso e inteligência…aritmética.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

AQUILO?…

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P1160384Assisti o jogo pela TV, atento como sempre, atônito e me beliscando para ter a certeza de que não errei o canal, trocando-o pelo Cience Sify, pelo inacreditável que emanava da tela, pelo inconcebível que testemunhava. Agora mesmo, tenho os números dispostos a minha frente, encostados no monitor, e olhando fixamente para os mesmos, continuo na dúvida se realmente assisti tudo aquilo, isso mesmo, aquilo, e não um jogo de basquetebol sério e coerente, do tipo que se bem ensinado e aprendido pelos jovens que se iniciam e adoram o grande jogo, os marcarão para o resto de suas vidas…

Mas aquilo? Me perdoem mais uma vez, aquilo não é decididamente basquetebol, e tanto é verdade que o estrategista guru da nova era que diz ter implantado, não aguentou e se retirou antes do fim, claro, premiado com duas faltas técnicas que provocou, criando um excelente álibi ao se ver derrotado, exatamente pela mesma cicuta que o fez guru na fase classificatória, em que convergiu em todas as partidas, estabelecendo o reinado das bolinhas em caráter definitivo para sua autofágica equipe, iludida pelo autodeterminismo de uma forma absolutamente absurda de jogar…

P1160388P1160394E os números Paulo, os números, e o que falam, como as pranchetas, explicam algo? Explicam, e muito, senão vejamos – Inacreditáveis 23/73 (11/40 para o Paulistano e 12/33 para Bauru) arremessos de 3 foram disparados, livres, raramente contestados, equilibrados, desequilibrados, em contra ataque, e até com os dois pés fixos no solo, numa quantidade que suplantou os de 2 pontos que ficaram num xoxo 22/56, sendo 10/28 para para o Paulistano e 12/28 para Bauru, complementados com os respectivos 6/9 e 10/14 Lances livres, tudo emoldurado pelos 26 erros de fundamentos (10/16), num digno fecho de sucata que mereceram…

O que se viu então, e o que nos aguarda se essa turma de estrategistas assumir nossas seleções daqui para frente (o que já está ocorrendo, infelizmente), senão o enterro definitivo do que ainda resta de digno e respeitável no grande, grandíssimo jogo entre nós, que teimam, insistem em destruir, escravos que são da falácia de que somos o ultra sumo dos arremessadores, neste mundinho chinfrim de falsos especialistas da longa distância, que tentam escamotear suas terríveis deficiências nos fundamentos mais básicos afastando-se da cesta, das zonas onde se dão os combates que determinam as vitórias, daí a lógica explicação do sucesso de americanos de baixa qualificação que aqui aportam, que mesmo assim são infinitamente superiores nos fundamentos, fruto de uma forte e tradicional formação de base em suas escolas e universidades…

Jogos deste teor nos preocupam, pois remetem as habilidades do drible, das fintas, dos passes, das seguras conclusões, da ação defensiva, chaves do coletivismo, para o limbo da aventura pura e simples, ou algum deles saberia discorrer na teoria e na prática da importância do controle do eixo diametral da bola no momento da soltura da mesma em direção a cesta, e a correta empunhadura a ser utilizada, saberia? Creio absolutamente que não, pois grassa no meio em que vivem, treinam e jogam o princípio do treino extra, aquele dos 500 ou mil arremessos, inúteis e dispersivos, na medida em que não sabem como e os porquês do fino e seletivo ato de arremessar uma esfera a mais de 6 metros e meio com pleno conhecimento tátil e mental no correto e controlado direcionamento a cesta, antítese dos costumeiros air balls, que foram muitos no jogo de hoje…

Convergências extremas como a do “espetacular” jogo de hoje deixam no ar uma definitiva questão – O que farão perante defesas fortes e contestadoras de verdade nas grandes competições internacionais, o que? Adianto um pouco, nada, nada mesmo, pois as grandes equipes senhoras dos fundamentos não permitirão, ainda mais quando pivosões vão lá para fora rivalizar com alas e armadores, numa demonstração tácita das imensas deficiências de suas equipes no jogo coletivo, aqui minoradas pela presença de americanos, que se fartam a granel ante tanta ausência defensiva, para gáudio de estrategistas que estabeleceram e estabelecerão mais ainda os famigerados duelos, quando o último a lançar a bola, se retira e apaga a luz, a luz do tão ausente bom senso. Uma lástima…

Amém.

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NEM TUDO É INVESTIMENTO…

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P1160377Na primeira partida a diferença foi de 17 pontos, nessa agora foi de 14, quem sabe na próxima baixe para um dígito, dando adeus ao NBB 10, que é o que acontecerá se a primeira colocada na fase classificatória não dirimir os erros repetidos em ambos os confrontos, contra Mogi, que nas palavras do seu melhor jogador, o Shamell, venceu como uma equipe coesa, sem protagonistas, etc,etc…inclusive elogiando a comissão técnica pela excelente estratégia escolhida e aplicada por todos (testemunho este discutível, por se tratar de um jogador sempre em litígio com seus técnicos), indistintamente, testemunho que discordo de pronto, pois o que se viu, repetindo o primeiro confronto, foi a disposição enérgica e decisiva e bem particular do trio americano, secundado por um Jimmy efetivo na defesa e presente no ataque, quase sempre complementando as jogadas e competentes bloqueios da trinca afinadíssima nos fundamentos, não fossem eles egressos da melhor escola de formação de base dentre todos os países que jogam e amam o grande jogo, e também por um Caio ainda muito limitado fisicamente, porém razoavelmente efetivo no combate direto a um Varejão mais limitado ainda…

P1160371P1160368A equipe do Flamengo decisivamente se perdeu pela indefinição tática de que é utente, a começar pela perda, na fase mais decisiva, da prestação técnico tática de seus dois pivôs em plena forma, o J.Batista e o Rhett, vitimizados por uma rotação secundária pela vinda do Varejão, bastante longe da condição técnica e física que ostentou na NBA, sobrando mais ainda para o Alexandre, claramente deslocado no sistema adaptado para atender os minutos obrigatórios (?) destinados ao renomado jogador, culminando com a maior de todas as perdas, por equívocos estratégicos (sim, estratégicos, e não táticos) na figura de seu melhor jogador, o Marcos, restando o trunfo derradeiro pela força anotadora, o Marcelo, que fortemente contestado pouco pode fazer. A equipe, com tantos talentos, possuidora, segundo o técnico Guerra, de um ferramental muito superior à da sua equipe, que tem menos, porém boas ferramentas também, viu-se, de repente, utilizando três armadores em quadra, propondo maior velocidade ofensiva, se perdendo mais ainda pela volúpia da trinca, tentando resolver a grave situação com arremessos irreais de “10 pontos” (foram 10/31 contra 9/25 de Mogi), como que abdicando do projeto sistêmico de sua equipe…

Para o terceiro jogo, decisivo na continuidade da competição, ou volta ao seu modo particular de jogar, mesmo sendo o sistema único, com a dupla armação mais do que testada, e a trinca alta composta de jogadores em plena forma física e técnica, afastando compadrios contratuais, ou não, com uma rotação definida pelas exigências do jogo, e não pela exposição de um poderio não tão determinante que julga ter, a equipe flamenguista poderá alcançar um respiro, uma chance de vencer a partida, ou levar um 3 x 0 nada recomendável a um investimento tido como vencedor. Os paulistas, com sua equipe dentro da equipe, tem todos os ases de manga sobre a mesa, clara e decisivamente pronta para a final. Façam as apostas, e os blefes também…

 

Amém.

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OS DOIS PRIMEIROS…

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P1160345E não deu outra, no primeiro jogo do playoff semifinal, a equipe do Flamengo abriu mão do seu enorme potencial ofensivo interno, para duelar com Mogi nas bolas de três, e se deu mal, ainda mais quando se viu contestado em suas 8/28 tentativas (Mogi arremessou 10/31), e assistiu seu adversário, mesmo abusando dos longos arremessos, investir mais vezes no jogo interno (19/33), em anteposição as suas 14/37 tentativas, e aqui vai mais um lembrete que estou cansado de fazer – bastariam optar pelos dois pontos em metade das bolas perdidas de três, no caso seriam 10 tentativas, para engrossar o caldo para a equipe paulista, mas com seu estrategista torcendo ardorosamente ao lado da quadra para que as bolinhas por ele consentidas caíssem, nada poderia ser feito, ou mudado, com ou sem discurso da prancheta. Às vezes, um pequeno exercício aritmético vence jogos, algo simples demais para gênios profundos e eruditos da estratégia…

P1160358P1160362No outro jogo, quase o mesmo panorama, pois o Paulistano, artífice da “nova realidade” do basquetebol tupiniquim, convergiu como de costume (16/31 de 2 pontos e 13/36 de 3), indo a linha do lance livre somente nove vezes (7/9), numa clara demonstração da quase total ausência defensiva do Bauru, permitindo 36 bolinhas absolutamente livres, sofrendo por conseguinte 13 acertos de 3 pontos, contra seus 7/23 de 3, e 15/35 nos 2 pontos, diferença capital para sua derrota por somente 6 pontos (78 x 72). Também, e a exemplo do outro jogo, bastaria ter trocado a metade dos erros nos 3 (11 tentativas) por bolas de 2 pontos, para vencer uma partida em que atuava seriamente desfalcado, originando uma rotação limite, contra um adversário completo…

Infelizmente, e por mais uma vez, testemunhamos o quanto ainda falta de discernimento e estudo verdadeiro do grande jogo por parte de nossos jovens estrategistas, no que concerne a estratégia verdadeira de jogo, que pouco tem a ver com sistema de jogo, pois como é padronizado e formatado por todas as equipes, torna-as altamente previsíveis em seus movimentos básicos, origem da mesmice endêmica em que vivem e produzem um tipo de jogo medíocre, monocórdio, desprovido de criatividade e improviso responsável, onde o padrão coletivista cede terreno ao individualismo desvairado nas penetrações, e principalmente na chutação de três…

Até o momento, com duas partidas realizadas, foram arremessadas 64/136 bolas de 2, e 38/118 de 3, e não duvido nada que com mais algumas, chutarão mais de 3 do que de 2, afinal está em marcha a redenção do basquetebol nacional nas gloriosas asas dos pombos…sem asas, sob a égide de “geniais” estrategistas com suas mágicas pranchetas…

Amém.

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CAMINHOS E DESCAMINHOS DO GRANDE JOGO…

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Voltando ao batente depois de um tempo reflexivo, se deveria, ou não, tecer comentários sobre o peladobol vigente, emoldurado pelas grandiosas emoções de jogos disputados quase no tapa, com médias de 26,2 erros de fundamentos a cada jogo, e com, cada vez mais predominância dos arremessos de três sobre os de dois, e claro, com uma ou duas exceções de equipes que arriscam algo de novo taticamente, muito pouco num cenário devastador de mesmice endêmica, que remete o grande jogo à vala comum da mediocridade, comprovada com a retomada hermana na última competição internacional, e claras evidências de que dificilmente sairemos deste limbo imposto coercivamente desde as categorias de base, em torno de um sistema de jogo anacrônico e absolutamente burro de jogar, exceto para a turma do arromba que o defende ao preço que for, afinal, trata-se de um mercado de trabalho restrito, movido e imposto por um corporativismo, que se não demolido, nos enterrará definitivamente perante o concerto internacional, porém plenamente satisfeito com com o brilhareco tupiniquim, a que se apegam com o desespero dos náufragos em seus estertores…

Desculpem os poucos leitores, mesmo aqueles que ainda se dão ao trabalho de assistir jogos falhos e destituídos de técnicas individuais e coletivas nos fundamentos, e absolutamente pífios taticamente, apesar dos rompantes escatológicos de estrategistas que confiam mais nos rabiscos desconexos em suas hilariantes pranchetas, que para alguns falam e expõem soluções, do que dotar seus jogadores de ensinamentos técnicos, treinamentos plenos de criatividade e improviso, base do espírito coletivista, numa modalidade coletiva, e não portal de egolatrias e pseudo lideranças…

Desculpem mais uma vez, mas acima de tudo, de torcidas distorcidas sou um técnico, um professor de basquetebol, e como tal devo me reportar aos fatos, às reais situações de jogo, e não a rasgos ufanistas desprovidos de lógica, do bem jogar e compreender o grande jogo, realidades cada vez mais ausentes em nossas quadras, agora palco de vedetismos ao lado delas, institucionalização do palavrório mais chulo e ofensivo aos que assistem as transmissões, principalmente os mais jovens, aceito e perdoado pelos que transmitem e comentam, quando não cometem os mais primários erros de informação técnica, e o mais icônico, quando jovens entrevistadoras se dirigem aos jogadores e técnicos opinando sobre sistemas e estratégias de jogo de suas concepções, solicitando dos mesmos opiniões sobre o exposto, quando deveriam obter como respostas uma simples meia volta, envolta no mutismo definidor da fronteira que deveria separar com a mais absoluta clareza uma entrevista, de uma colocação técnico tática equivocada e desprovida de conhecimentos básicos…

E o que vimos de relevante nos jogos classificatórios às quartas do NBB 10, senão a incontida ânsia da mídia pelas prorrogações, claro, em nome das ansiadas emoções, porém um tormento pelo acréscimo exponencial dos endêmicos erros que afligem o grande jogo, onde jogos são perdidos absurdamente pela hemorragia dos três pontos, quando prorrogações bem jogadas deveriam primar pela contagem de 2 em 2, de 1 e1 pontos, otimizando cada sacrificado ataque com maiores percentagens, e não jogando ralo abaixo reservas físicas com bolinhas absurdas e irresponsáveis, de jogadores e estrategistas acima de tudo, pois cúmplices na aventura.que ainda nos custará enormes retrocessos por longos anos, pois não vislumbro qualquer tentativa de enfáticas mudanças a médio prazo, que a cada temporada que passa mais se afastam, exceto por uma ou duas tênues tentativas em franquias da LNB, que sem dúvida alguma evoluíram quanto à utilização da dupla armação, e da movimentação um pouco melhor dos homens altos, agora mais atléticos, flexíveis e velozes dentro do perímetro interno, porém de uma forma ainda muito frágil, já que todos ainda se mantêm presos e manietados pelo sistema único, artifício que garante as jogadas pretensamente marcadas pelos estrategistas, desnudadas em suas midiáticas pranchetas, que seguramente não são levadas em consideração pela maioria dos jogadores, mas que certamente garantem a exposição de vastos conhecimentos táticos pelos mesmos, mas que aos poucos não enganarão mais ninguém, pelo menos aqueles que entendem de fato os meandros e sutilezas do grande jogo…

E aqui cabe um importante ponto, pois de umas semanas para cá, não sei se por um posicionamento da liga, não se vêem mais microfones em grande parte dos  pedidos de tempo, fator altamente positivo, pelo menos evitando espetáculos grotescos e ofensivos entre jogadores e estrategistas, e obrigando os analistas a comentar o que veem a luz do que sabem e dominam, e não o que testemunhavam naqueles intervalos técnicos, na concordância ou discordância do que ouviam, numa situação dúbia e oportunista…

Então, o que pude observar nesta última semana, para efetuar comentários pertinentes? Bem, na refrega das três prorrogações entre Vitória e Minas, noves fora as toneladas de emoções, tivemos 44/81 de bolas de 2 e 29/80 de 3, ou seja, 51 tentativas (em 153 pontos possíveis) falhas no mais difícil dos arremessos, num desperdício de esforço físico brutal, talvez o responsável direto pelas três prorrogações, vide os 35 erros nos fundamentos básicos do jogo, cometidos por exauridos e pouco técnicos jogadores, assim como os 27/52 arremessos de 2 e 16/59 de três perpetrados por Caxias e Mogi para um placar de 63 x 60 para os paulistas, quando a poucos segundos do fim da partida com um ponto de vantagem para Mogi, o atacante Alex do Caxias teve a possibilidade de um arremesso de curtíssima distância preterido por um passe para a lateral visando um arremesso de três do Caferatta, que errou, quando bastaria uma simplória cesta de dois pontos para vencer a partida. Mas não, estão as equipes do “moderno basquete brasileiro” tão aferradas ao autofágico chute de três, que uma vitória só se valoriza se produto do mesmo, com a complacência de seus estrategistas, contorcendo-se nas laterais das quadras para que eles entrem, o que é sinal de alerta para o fosso em que estão lançando o grande jogo, em nome de um modismo irreal e perverso, ao agirem sistematicamente mais como torcedores do que técnicos…

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Mas algo de alentador se descortina nessa dolorosa paisagem, a equipe do Flamengo, que deve vencer este campeonato na medida em que mantenha seu atual sistema de jogo com dois excelentes armadores e três alas pivôs ágeis e velozes trafegando em velocidade pelo perímetro interno, complementado por uma bem postada defesa garantidora dos importantes e estratégicos rebotes, faltando, no entanto, que se utilize bem mais do improviso e criatividade no jogo interno, liberando espaço para arremessos mais precisos e equilibrados, inclusive os de três, quando executados pelos seus dois especialistas, o Marcos e o Marcelo, e não ficando presa a  esquemas e coreografias em nada condizentes com a qualidade individual de alguns bons jogadores que possui. Aliás, ao faltarem 3.8 seg para o final do segundo quarto, foi esquematizada em rabiscados detalhes uma jogada para uma importante cesta, o que realmente aconteceu, e de três pontos. Perguntado pelo repórter sobre o esquema ter dado tão certo, o jogador JP Batista esclareceu que o que ocorreu foi puro improviso dos jogadores, efetivado com sucesso, derrubando a tese da “prancheta que fala”, e mais uma vez desnudando a falibilidade do que vem sendo cansativa e permanentemente apregoado de que “elas realmente falam”, será?…

Sérias dúvidas existem, persistem, e as tenho em profusão, entre as quais uma se sobressai, a de que será esse o verdadeiro caminho a ser trilhado pelo grande jogo entre nós, onde as tentativas de um rígido controle tático por parte da maioria dos estrategistas, se sobrepõe a libertária e criativa improvisação, adquirida na suprema arte do treino, definindo a máxima de que “só improvisa quem sabe e domina os fundamentos individuais e coletivos do grande jogo”? Honestamente tenho uma certeza, a de que não seja esse o caminho a ser seguido, e já provei isso a algum tempo atrás, inclusive propondo um desafio aos técnicos nacionais, que continua de pé, (e lá se vão 8 anos…) pouco ou nada técnico tático mudou, apesar da boa organização, dos apoios e patrocínios, e do emergente interesse redescoberto pelos aficionados pelo grande jogo, que seria muito maior se evoluíssemos técnica e taticamente, que foi a grande arma do voleibol para se impor internacionalmente. Chegaremos lá? Torço para que sim, mas não com a turma que aí está coreografando gestualmente o grande, grandíssimo jogo.

Amém.

Em tempo, infelizmente – Testemunhei ontem um verdadeiro assassinato praticado contra o nosso indigitado basquetebol, um pastiche de jogo entre o Ceará e o Paulistano (72 x 67 para o Ceará), onde ambos perpetraram os seguintes números – 15/40 arremessos de 2 pontos e 11/30 de 3 para o Ceará, e 16/25 e 8/44 respectivamente para o Paulistano (inadmissível arremessar 19 bolas de 3 a mais do que as de 2 pontos), ou seja, somaram ambos 31/65 nos 2 pontos  19/74 nos 3, errando nestes últimos 55 bolinhas (ou 165 pontos pulverizados na mais absoluta mediocridade…), além dos 25 erros de fundamentos (14/11), tudo isso em nome do “moderno basquetebol”, tendência modal absurda e suicida que nossos estrategistas sonham manter e até ampliar no âmbito de nossas seleções de base e da elite, quando na realidade se trata da mais absoluta ignorância e aberração do que venha a ser um basquetebol jogado com correção, lucidez, equilíbrio, bom senso, e sólidos conhecimentos sobre o grande jogo, minimizado até o rés do chão por essa mistificação institucionalizada, gestada, produzida e administrada por uma mídia mais ignorante e ufanista ainda, salvas raríssimas e honrosas exceções, porém insuficientes para estancar essa gigantesca e quase irreversível hemorragia técnico tática, e de preparo convincente e profissional de jogadores, de equipes enfim, e que em tudo e por tudo continuará a facilitar o planejamento de nossos adversários nas competições internacionais, que agradecem penhorados a tanta e imperdoável ignorância desportiva. O fundo do poço ainda está muito longe de ser atingido, essa é a mais triste e lamentável realidade, que convenios com a NBA e os mil penduricalhos mediáticos e comerciais adicionados não evitarão seu desfecho, pois o real e verdadeiro óbice do nosso sofrido basquetebol é técnico, em sua acepção do termo, nada mais do que simplesmente técnico. PM.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O PURISTA AINDA SE COÇANDO…

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E a crise Paulo, como você vê a crise, passa ou ainda permanece por quanto tempo? Pergunta marota essa do amigo cutucador profissional, gerando somente uma dúvida, qual crise?…

A do nosso imenso e injusto país, vai demorar bastante, pelo menos umas duas gerações, que se bem e convenientemente educadas, terão alguma chance de contornar a fera, claro, se o forem, numa única e derradeira chance para vislumbrar um futuro menos brutal e humilhante que vivenciamos agora…

A internacional, que teve manipulada a crise combustível  com invasões e guerras, jogando os preços dos carburantes para baixo, até o propício momento em que crises e empobrecimento dos países produtores os tornassem suscetíveis a venda ou apropriação de suas reservas a preço de liquidação (para subirem depois, como já acontece), como nosso pré sal, agora fazendo companhia ao manganês, ao nióbio, ao urânio e em breve ao controle de nossas águas, todo um pacote monitorado por uma reativada quarta frota atlântica (desativada desde 1954), e amaciado com penduricalhos, missangas e balangandãs, enformados em  maciças doses de filmes, música, cultura e desportos, NFL e NBA inclusas, em uma mídia de braços euforicamente abertos e muito bem paga, divulgando e sedimentando um colonialismo disfarçado e bem maquiado em pomposa globalização…

E por conta de uma realidade que não desgruda do nosso pedregoso cotidiano, vemos um NBB coalhado de americanos de  quarta ou quinta linha (lembrando sempre ser a nossa liga uma opção de décima sexta, ou mais, escolhas no mercado internacional), fazendo jogos onde muitas vezes tem seis deles em quadra ao mesmo tempo, numa grave e preocupante distorção no âmago de uma modalidade que pretende se soerguer no cenário desportivo tupiniquim…

Fala-se em crises, aqui e acolá, mais acolá do que aqui, como se o basquetebol válido é o refletido pela matriz, sobrando cavacos de crises caseiras, pouco ou nada relevantes em comparação com as de lá, onde a lonjura pouco ou nada representa pela “importância transcendental” do “melhor basquetebol do mundo”…

E a crise do momento, por lá, responde por dois nomes, Warriors e Cavs, que segundo os mais abalizados experts, os daqui simplesmente transcrevendo os de lá, não poderia acontecer, já que revolucionaram o jogo, o mudaram a tal ponto que todos os países praticantes o adotarão, mais cedo ou mais tarde, inexoravelmente, numa grotesca falácia originada pela doentia necessidade de impor conceitos, dogmas até, numa atividade que se mantém intocada a mais de um século, exatamente por privilegiar o princípio do contraditório, fator básico a toda e qualquer tentativa de evolução. Desde sempre e coerentemente sempre afirmei que – “sucedendo a um avanço técnico tático ofensivo, eclodirá um defensivo, originando o equilíbrio tão necessário a evolução do jogo”, numa frequência sucessiva, sendo esta a chave de sua permanente renovação. Esgares dramáticos de que uma revolução tática deu início a um novo tempo do grande jogo, soa vazio, fútil, e ignorante, pois reflete tão somente a necessidade vital de que algo de realmente novo aconteça, de preferência sob o manto de quem o anuncia, como um arauto salvador de exclusiva genialidade…

E nada acontece, a não ser o ajustamento defensivo fora do perímetro, contestando (não bloqueando ou travando) os longos arremessos, alterando suas trajetórias, tornando-os imprecisos e fugazes, obrigando a consecução dos de dois pontos, equilibrando os jogos…

Mas, na realidade o que acontece é o surgimento ocasional de uns poucos e realmente talentosos jogadores, empírica, científica ou aleatoriamente treinados na arte dos longos arremessos, uma técnica muito difícil e exclusiva de muito poucos, originando decisões fora dos perímetros pouco contestados, e cujos exemplos foram se espraiando rapidamente, principalmente através jogadores medíocres nos fundamentos do drible e das fintas, dentro e fora do garrafão, tornando alguns deles estrelas (?) de um primeiro plano discutível e equivocado, até o momento em que serão forçados a jogar de verdade por força de defesas eficientes e lúcidas o suficiente para provocarem as trocas das tentativas ofensivas de três por dois pontos, atitude esta que já vem se fazendo presente até mesmo na matriz, a NBA, definindo com veracidade o quem é quem na arte de jogar o grande jogo, e não o “corre e chuta” absurdo em que o pretendem transformar, tanto jogadores como técnicos adeptos das modas e das facilidades, pois afinal de contas, “pra que queimar pestanas, tempo e esforço” para vencer campeonatos onde todos aceitam as regras formatadas e padronizados que os regem desde sempre?…

Daí o perigo que algo diferenciado, ousado e corajoso aconteça e deva ser defenestrado, em qualquer nível, em qualquer situação, mesmo em se tratando de seleções nacionais, e os pormenores ai estão se escancarando aos poucos num NBB que vem fornecendo a matéria prima da seleção para as classificatórias ao Mundial, com as equipes que ponteiam a competição convergindo acintosamente nos arremessos de dois e três pontos, numa contraposição pouco ou nada sutil as declarações do técnico croata que, numa bem divulgada entrevista, se mostrava surpreso e temeroso com a hemorragia desvairada dos arremessos de três pontos, em nada conferindo com seus princípios técnico táticos, onde a chutação irresponsável não encontraria aprovação de sua parte, a não ser como uma alternativa complementar de jogo, e não sua maior prerrogativa, como vem acontecendo no NBB…

Ontem mesmo Paulistano e Mogi deram um recado mais do que direto, numa partida com 34/65 arremessos de dois e 18/68 de três pontos, onde vencedor e perdedor arremessaram mais de três do que de dois (18/35 de 2 e 11/37 de 3 para o Paulistano, e 16/30 e 7/31 respectivamente para o Mogi), com ambas as equipes convergindo, num claro posicionamento em defesa desta maneira de jogar, endossada ferozmente pela maioria da mídia dita especializada, e claro, incentivada por seus estrategistas, ambos pretendentes diretos ao cargo maior na seleção. Interessante que o Flamengo, que voltou a jogar com mais eficiência desde o momento em que adotou definitivamente a dupla armação, e a utilização inteligente dos três alas pivôs em movimentação dentro do perímetro, atitude essa que deverá sofrer alguma adaptação com a entrada do pivozão Varejão, vem progressivamente diminuindo os arremessos de três, optando mais pelo jogo interno e pelo sólido contra ataque, numa figuração mais próxima do croata, afinando com seu discurso tático, mesmo tendo sido seu estrategista preterido na direção da seleção que tinha a certeza que herdaria do hermano argentino…

Como vemos, chutação desenfreada passa pelo crivo da moda (“se o Warriors e seus especialistas podem, mesmo com contestações mais presentes, por que não nós que não temos nenhuma?”), por interesses pontuais, deixando de lado exigências trabalhosas demais, como os fundamentos, porém esquecem que a cada temporada sem o apuro dos mesmos, mais acintosa se torna nossa queda na qualidade dos jogadores, e o mais crítico, na formação, onde as bolinhas ganham cada vez mais adeptos, incentivados pela turma que odeia o grande jogo, e só tem olhos às enterradas “monstro”, aos torpedos de três, e aos “tocos fenomenais”…

Este é o quadro com que se deparou o croata Petrovic, que o assustou, e que dará um enorme, senão quase impossível trabalho para reverter, a não ser que fisgue o recado que vem sendo dado por nossos gênios pranchetados, e adira ao processo hemorrágico que nos desgasta e humilha, como fez o Magnano, ou…

…Ou mude de verdade nossa forma de jogar, de ver e sentir o jogo, mas para tanto precisará de pessoas que o auxiliem de verdade na reformulação do basquetebol tupiniquim, basicamente na formação, nas seleções de base, onde se forjam os verdadeiros e sólidos jogadores, e não aprendizes de chutadores de fora, e onde deveriam aprender a defender, a saltar com reversão nos rebotes,  aprimorando o drible, os passes, os bloqueios, readquirindo o gosto pelo arremesso curto e médio, o DPJ, e a eficiente e inteligente leitura de jogo, solidário, comprometido e coletivo. Mas para tanto deverá contar com professores e técnicos experientes e muito bem preparados, e não candidatos a estrategistas ancorados em midiáticas pranchetas que nada dizem ou transmitem, a não ser exercícios da mais pura enganação demagógica, disfarçada em eficiência e conhecimentos táticos para uma embevecida platéia, noves fora o palavreado chulo, grosseiro e ofensivo que as cercam nos dolorosos e constrangedores pedidos de tempo…

Enfim, não sei mais por quanto tempo nos manteremos reféns dessa mesmice endêmica, asfixiante e deletéria, fantasiada de “basquete de alto nível”, mas que na realidade se encontra a algumas décadas deste patamar, pela continuidade da imitação chinfrim dos irmãos do norte no que eles tem de pior, e não partindo para o salto qualitativo que tanto necessitamos, em oposição ao que aí está, formatado e padronizado desde muito, muito tempo.

Que os deuses com sua imensa paciência se apiede de nós, de nossos jovens, do grande, grandíssimo jogo…

Amém.

F0to – Divulgação LNB. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 



O PURISTA COÇADOR…

Caros leitores, sei estar em falta com vocês, mas aos poucos está se tornando muito difícil escrever e comentar sobre o atual basquetebol brasileiro, pelos motivos que todos vocês já sabem de muito, principalmente pelo marasmo, torpor, imobilidade do mesmo a toda e qualquer iniciativa que priorize a criatividade, o novo, o ousado, o proprietário a uma forma diferenciada de jogar o grande jogo, optando pela mesmice endêmica que o asfixia no aspecto técnico tático e de formação de base, repetidamente a cada temporada, e sem perspectivas de mudanças pelo prazo que for, lamentavelmente…

Mesmo assim, teimam alguns em projetar “revoluções sistêmicas” que prenunciam “novos tempos”, invencionices, ou mesmo pura cópia do que se faz lá fora, na maior, sem discutiveis implicações, seguindo a máxima dos despreocupados em estudar, pois – “se dá certo para eles, por que não para nós? “- E tome de chutação de três, afinal o Curry e os Warriors se dão bem, por que não nos daremos também? E outros mais que já preconizam enfáticos que na real, este é o basquete atual, e não há muito como negar, pois mais dia , menos dia, isso vai se impor no mundo. Será mesmo, em que se baseiam para afirmar tamanho equívoco, suas largas e profundas experiências, ou o clamor de uma mídia daqui, e de lá também, ávida em descobrir a pólvora, again?…

E por conta disso promovem a gênios, estrategistas tupiniquins, comandando jogadores que pecam seguidamente nos fundamentos, que não marcam ninguém, nem a própria sombra (aliás, um eficiente exercício de defesa muito utilizado pelos grandes lutadores de box, mas claro, esnobado por todos eles), porém exigindo aos berros e ameaças que chutem, chutem, quando livres ( que é um lugar comum pela ausência de qualquer impulso opositor contestatório), e que se não o fizessem seriam “pegos lá dentro por ele”, numa ameaça absolutamente condenável e constrangedora frente a uma função educadora e social, que obviamente não interessa, quando um novo umbral do grande jogo se descortina a um novo tempo que o mudará definitivamente, fazendo os puristas se coçarem todos com tanta modernidade. Todos? Mesmo?…

Morro de rir, assistindo essa farsa teatral, ainda mais quando me recordo da equipe do Praia Clube de Uberlândia dos anos sessenta que arremessava logo que transpunha o meio da quadra, se celebrizando com tal modernidade, assim como os mestres dos longos arremessos, da mesma época, como os inesquecíveis Angelin, Dutrinha, Luizinho, Paulo Cesar, Valtinho, Boccardo, Montenegro, Zezé, Zequinha, Conde, e muitos outros realmente especialistas nos longos arremessos, além dos lá de fora, como o Bird, o Roberson, o Riva, o Brabender, todos inseridos em suas equipes, compondo-as, e não fazendo das mesmas suprimentos para as tentativas de  transformar uma modalidade eminentemente coletiva em individual, que celebrizaram alguns midiáticos nominados, ainda mais sob o manto dos três pontos, mas que em hipótese alguma conseguiram mudar o jogo, não mesmo, a não ser o mítico Hank Luizetti (em 1937)  com seu jump shot revolucionário…

Agora mesmo as grandes equipes americanas e européias já se dedicam e se ajustam à defesa fora do perímetro com mais intensidade, perdendo o medo de serem penetradas por alas e armadores contestados lá fora, afinal tentam dois e não três pontos por vez, sendo que algumas delas oferecem a porta de entrada confiando nos bloqueios de homens cada vez mais altos, atléticos, flexíveis e velozes, equilibrando em muito as tentativas de fora, como aconteceu com o Mogi no Sul Americano em jogo contra o Paulistano, quando provocou vários “air balls” e algumas interceptações de passes (o sistema único é pródigo nos passes de contorno, onde uma defesa linha da bola se torna eficiente), virando um jogo contra uma equipe que optou definitivamente pela convergência nos arremessos de dois e três pontos, mantendo estes últimos como prioritários em seu “sistema moderno e revolucionário de jogo”, perdendo-o e a classificação na competição, porém nos brindando com uma obra prima de modernidade no vídeo acima veiculado. Claro, que dentro do medíocre, repetitivo, padronizado, e formatado padrão a que está submetido o grande jogo em nosso país, equipes como esta levam inquestionável vantagem, já que inserida na mesmice endêmica que nos devasta e humilha, pela mais absoluta ausência de criatividade, de ousadia, de coragem para investir em algo realmente novo, e optar pela desenfreada chutação de três, que em absoluto representa evolução, frente a inexistente e competente contestação defensiva, colocando a todos num mesmo barco, onde chutam a valer, ganhando quem mete a última e apaga luz, incapazes que são de efetuarem decentes e eficientes bloqueios , corta luzes, jogo sem a bola, movimentação constante e dinâmica de todos na quadra de ataque, defesa participativa e de constantes coberturas, num exemplo tácito do mais autêntico coletivismo, inescrutável tabu entre nós…

O trágico, é constatar que frente a um mínimo de contestação, como a transferência da velocidade horizontal em vertical (os cortadores e bloqueadores do vôlei o fazem costumeiramente) no intuito de alterar a trajetória de um arremesso, e não travá-lo (daí as sucessivas faltas para três arremessos livres), jamais é treinado, sendo mesmo desconhecido, assim como os próprios arremessos com as devidas técnicas de empunhadura e direcionamento (o purista aqui estudou, pesquisou, e escreveu uma tese de doutoramento exatamente sobre este assunto, não precisando se coçar para fazê-lo…), pouco ou nada são decupados e estudados indivíduo a indivíduo, como deveria sê-lo, abandonando o modelo estético que a maioria absoluta dos analistas conotam como a “mecânica perfeita”, e não só os analistas, mas muitos e muitos técnicos da base e estrategistas da elite, que simplesmente ordenam -”chutem, chutem, assumam a responsabilidade, a confiança, não importando se errarem, pois se não o fizerem pego a todos lá dentro”…

Aliás, basta recordar a atitude defensiva da equipe argentina do Almagro, que simplesmente conjugou o verbo contestar, jogou lá dentro de 2 em 2, e despachou a revolucionária equipe paulista de volta ao campeonato que poderá até vencer, o NBB, com sua constelação de “monstros”, “enterradas magistrais” e chutação despreocupada e irresponsável de bolinhas, emolduradas por midiáticas e ridículas pranchetas, autenticados por estrategistas revolucionários, e analistas que babam nas sobras de um basquetebol, cujos componentes sequer sabem qual a capital deste enorme, injusto e desigual país, que povoam as páginas dos nossos jornais, TVs e redes da web, num servil e colonial exemplo do que não devemos simplesmente copiar e divulgar, e já vejo o dia em que todas estas manifestações serão veiculadas em inglês, macarrônico ou não, para a glória e êxtase dessa “especializada, corporativa e revolucionária turma”…

Amém.

Video – Reprodução da Tv.

A MASSACRANTE FORMAÇÃO…

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Lá pelo início do quarto final do jogo Flamengo e Liga Sorocabana, o comentarista da transmissão do facebook discorre solene – “Volta o Flamengo com a formação que massacrou o Mogi no último jogo, com três armadores, Ramon, Pecos e Cubillan, e o Marcos de 3 e o JP Batista de 5, uma formação  arrasadora”… – Ouvi o testemunho hiper abalizado, porém não pude conter a surpresa pela precariedade de um comentário hermético para o público que o sintonizava, falho do princípio ao fim, e destituído de um mínimo de validade frente ao histórico do jogo, a começar pelas declarações pré jogo da direção técnica dos paulistas ao afirmar que levaria o jogo ao máximo de exigência física e atlética, condições básicas para poder derrotar o Flamengo, principalmente no quarto e derradeiro tempo de jogo. Logo, teriam os cariocas de agilizar suas ações como contrapartida da disposição de seu adversário ( uma equipe bem mais jovem…), a começar pela opção da dupla armação, utilizada por todo o tempo por Sorocaba, e utilizar mais um armador, para superá-la em velocidade também, ou seja, e segundo a setorização do analista, armar o jogo com três “uns”, as vezes quatro, pois o Marcos  atuou fora do perímetro por quase todo aquele quarto, e de onde partia célere em suas constantes penetrações, sobrando o JP um pouco mais atuante dentro do mesmo, e com o qual dialogou com passes e finalizações de curta distância. Então, como caracterizar o 4 e o 5 dentro daquela formação, a não ser pelo vício arraigado pela especialização obrigatória de jogadores de basquetebol, de 1 a 5, que no atual panorama mundial vêm perdendo velozmente essa rubrica tutelada de fora para dentro das quadras pelos estrategistas, incapazes de aceitar a necessária e inadiável polivalência libertadora dos jogadores, os quais deveriam preparar nos fundamentos, orientar e dirigir neste sentido, e não encordoa-los como marionetes, prendendo-os aos seus esquemas ilusórios e irreais, que projetam em suas pranchetas mais ilusórias e irreais ainda, numa midiática tentativa de se fazer o centro decisório das ações dentro da quadra, anulando com sua infernal e constante  ingerência a plena criatividade dos verdadeiros protagonistas do grande jogo, os jogadores…

Naquela formação, todo e qualquer padrão teórico se torna pífio, pois três arquitetos de jogadas, para si ou para o grupo, se bastam, pela inata criatividade e adquirida habilidade técnica, frente a qualquer exógena indução comandada, onde os homens altos (3, 4 ou 5, segundo a classificação obtusa existente) complementam uma movimentação praticamente aleatória, dirigida e administrada pelo trio (ou dupla) de armadores, deixando os estrategistas pendurados na broxa, pois veem liquefeitos seus devaneios de passo marcado nos chifres e punhos, fator fundamental para todos eles, pela necessidade pública de comprovação de seus deificados e midiáticos conhecimentos de pretensos gênios do basquetebol, fator que seria bastante atenuado pela ausência televisiva transmitindo seus vazios e auto promocionais discursos…

Que absolutamente não são, muito pelo contrário, pois se apropriam de conhecimentos e experiências passadas, sem sequer referenciá-las (atitude impensada para a grande maioria), lançando-os ao arbítrio dos mais experientes e rodados jogadores (basicamente os americanos), que na maioria das vezes improvisam ao largo do sistema único de jogo, aquele que definem como o “basquete internacional”, o único que conhecem, ou pensam conhecer…

Então, porque a menção de inexistentes 4 e 5 numa situação de jogo em que suas denominações se perdem no vazio tático, e  não a analise técnico individual e coletiva dentro do campo de jogo? Por que não definir o que via como uma autêntica e inapelável pelada recheada de midiáticas enterradas e bolinhas de três, facilitadas pela inexistência defensiva e sequer esboçada, por que não? Ah, claro, poderia denegrir o “alto nível” da maior competição nacional da modalidade, que por conta de sua comprovada mediocridade técnica nos fundamentos básicos do jogo, e a mesmice tática endêmica, desde sempre implantada, formatada e padronizada, conta com minguado publico perdido nas imensas arenas, que nem os candentes pedidos de narradores e comentaristas o sensibiliza, a não ser aquele ligado a torcidas futebolísticas, que torcem em pé nas cadeiras, destruindo-as, brigando e vociferando contra arbitragens, seguindo o exemplo dos estrategistas postados ao lado das quadras, incentivando-os na barbárie…

Que me perdoem os profissionais de mídia que se encontram em volta do NBB 10 Anos, mas não será da forma ufanista e irreal como cobrem, narram, comentam e divulgam o grande jogo, que o levarão de volta ao proscênio ora ocupado pelo voleibol, pois este se destaca pelo poderio técnico e tático, pelos excelentes técnicos e professores, proprietários e desenvolvedores da forma, do sistema brasileiro de jogar sua modalidade, que outros países tentam copiar, alguns com grande sucesso, quando o espetáculo de seus jogos se concentra exclusivamente dentro da quadra e não cercados de penduricalhos comuns aos nossos irmãos basqueteiros do hemisfério norte (e aqui agora copiados), onde a disputa inter racial e política serve de arriete a suas manifestações desportivas, como batalhas a serem vencidas, degustadas e guardadas na memória desportiva do país, que são fatores que não se coadunam com a nossa realidade, onde todos se encontram embarcados num mesmo barco, carcomido e furado, resultante da nossa absoluta falta de uma política educacional na formação de base de nossa juventude, que são verdades que não se alinham com o circo que está sendo montado, em vez de concentrarmos todos os esforços e os parcos recursos na procura estratégica de novos caminhos e concepções técnico táticas, de uma formação conscienciosa e responsável de novos técnicos e professores, e de uma formação de base integra e completa, a fim de nos soerguermos do enorme e profundo buraco em que nos encontramos, fatores estes que jamais deveriam ter como espelho referencial o que vem sendo apresentado como exemplo de bom basquetebol, onde enterradas, hemorragias de três pontos, tempos técnicos absurdos e movidos a palavrões, pressões descabidas as arbitragens, ufanismos narrativos, inverdades e poucos conhecimentos comentados, jogadores robotizados de um lado e outros mais maduros reacionários de outro, téc…digo, estrategistas irreais, grosseiros e impositivos rabiscando incontrolavelmente suas risíveis pranchetas, num cenário em que uns poucos se salvam, dirigentes megalômanos contratando nominados jogadores e não os pagando, deixando de fora outros bons e menos dispendiosos, assim como muitos jovens, e uma liga que fecha os olhos para o maior de todos os óbices que nos estrangula e humilha, a ponto da CBB ir buscar lá fora o técnico da seleção nacional, o fator eminentemente técnico tático, onde jogadores da elite cometem erros terríveis de fundamentos (imaginem a base então…), e praticam um sistema ofensivo de jogo absolutamente ultrapassado, mas conveniente até bem pouco tempo a uma NBA voltada aos confrontos de 1 x 1, chave  de seu sucesso (inclusive com a permissividade de regras específicas), mas que hoje já encontra sucedâneo  com formas diferenciadas de jogar o grande jogo, a começar pela já notória busca pela polivalência de seus jogadores , onde a figura do pivozão já se encontra em processo de  extinção, assim como a enxurrada dos arremessos de três também e aos poucos já começa a ser contestada com vigor, fazendo valer sua mais importante e histórica  valência desde a formação, o ato de defender, defender, defender, que absolutamente não é a nossa matriz preferencial de comportamento…

A opção pelo modelo feérico, e a não adoção  do desenvolvimento de formas diferenciadas de jogar, desenvolvidas desde a formação de base, assim como a procura de professores capazes de desenvolver projetos factíveis e realistas a nossa realidade econômica e cultural, existentes no país, porém afastados coercivamente pelo corporativismo implantado a pelo menos 30 anos, nos trava e nos joga cada vez mais para trás, e não será simplesmente lançando dois e até três armadores (majoritariamente estrangeiros) agindo aleatoriamente dentro da quadra, que nos remeterá de volta ao caminho perdido daquelas três décadas para cá, e sim girando 360 graus no que vem sendo feito até agora, que foi exatamente a feliz atitude tomada pelo voleibol brasileiro, com a ajuda inquestionável das vultosas verbas do Banco do Brasil, sem as quais jamais teria atingido o grau de eficiência que alcançou, nacional e internacionalmente, transferidas politicamente da modalidade que planejou, criou e iniciou aquele poderoso patrocínio (idealizado pelo grande professor e técnico Heleno Fonseca Lima) , o basquetebol, o grande, grandíssimo jogo, neste enorme, desigual e injusto país.

Amém.

Foto – Divulgação LNB.

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