O IMORAL STEP BACK (From Dublin)…

Pegamos um trem e fomos até Howth, uma cidade pesqueira não muito distante de Dublin, e que apesar do frio intenso se revelou surpreendente, por seus estaleiros, marinas, pesqueiros e veleiros abarrotando o cais, numa visão do quanto representa o oceano para esse povo, e claro, provando a culinária local, um bacalhau defumado com fritas. Tocante a homenagem da cidade a seus marinheiros perdidos no mar, num monumento exemplar. Foi um belo e instrutivo  passeio apesar do vento cortante do Atlântico Norte…

A noite, a ceia de Natal na casa da Jolanta, noiva do meu filho João David, na companhia de seus familiares, num convívio alegre para ser guardado nas boas lembranças dessa inesquecível viagem…

Mas como nada é perfeito, cai na tentação de assistir pela ESPN (o João conseguiu antenar a emissora em português} o Natal NBA, para até a metade do terceiro jogo sofrer um massacre de recados e lembranças de  metade da população tupiniquim, através narradores e comentaristas mais ligados ao social do que ao jogo em si, que aliás , e aí o segundo massacre, serem de uma mediocridade assustadora, exceto um ou outro bom jogador, mais voltado a seus recordes pessoais, do que contribuir com o coletivo de suas equipes, com jogos coalhados de andadas (o tal de step back é uma afronta as regras e ao jogo em si), passes errados e conduções de bola raiando ao absurdo, e todos eles rodeados de milhares de torcedores mais interessados em exibir roupas e chapéus berrantes e coloridos, comendo, bebendo e dançando a valer, entremeando beijos televisivos e outros rapapés que tentamos importar para nossas quadras, no momento ocupadas com algumas torcidas de camisa mais preocupadas em” homenagear”  árbitros, e manterem exclusividade no mando de campo, excluindo os indesejáveis rivais. Alias, cabe ressaltar enfaticamente a nova moda do “vai tomar caju” aceita por comentadores e narradores avalizando o palavreado de alguns estrategistas em seus pedidos de tempo, e até justificando que depois de terem sido instados a “tomarem caju”, jogadores de uma equipe retornaram com outra atitude, virando o jogo, numa afronta direta aos telespectadores, merecedores de uma transmissão em nível um pouco mais elevado que o usual. Mudei de canal, e fui assistir um bom filme, salvando o fim de noite de um quase perdido ótimo dia…

Paulo, isso é um sacrilégio, trata-se da NBA, a maior liga, com os mais formidáveis jogadores do mundo, inclusive brasileiros (bem, sabemos que não jogam, mesmo que suas equipes estejam a cinco minutos do final 20 pontos a frente, perdendo então…mas estarão lampeiros a serviço da seleção brasileira com suas constrangedoras minutagens ), considerado seu maior espetáculo , e você malha? Não só malho como abjuro, por não se constituir em assunto que nos diz respeito, pois jogam um outro jogo, nada somam para a melhoria e desenvolvimento técnico e tático do mesmo entre nós , vendendo uma mercadoria lucrativa em via única, rateando as sobras entre países e torcedores deslumbrados que as disputam como alimento divino, sem em momento algum se darem conta do engodo mercadológico a que se submetem agrilhoados e colonizadamente. No dia em que, como no resto do mundo, atuarem sob as regras da FIBA,  talvez torne a assisti-los, mas até lá, sigo na trilha de um grande jogo, aquele que nos diz respeito, por inserido universalmente no concerto das nações, e não enclausurado sob a égide de um world championship basketball de mão única …

Quando uma equipe com dois dos maiores ególatras de uma liga hegemônica, Harden e Westbrook, perde para uma outra sem três de seus titulares absolutos, o Warriors, alguma coisa está errada, no universo de uma modalidade coletiva, sendo levada de roldão para o mais absurdo individualismo, com steps backs absolutamente imorais. James Naismith e os grandes técnicos que o sucedeu e já se foram, devem estar se revirando em seus túmulos frente ao desmonte de seus geniais legados sobre os fundamentos básicos do grande jogo, no caso, o drible em particular. Por mais um pouco estaremos jogando handebol, e não mais basquetebol. Lamentável …

Amém.

Fotos – Acervo particular.

Video – Youtube.

JUSTO E OBJETIVO (From Dublin)…

No artigo de ontem, veiculei um video de um jogo de dez anos atrás, no NBB2, Joinville x Saldanha da Gama, tendo como resposta imediata um email do amigo fiel e inquisidor perguntando – Qual é Paulo, saudosista de algo que ninguém se lembra mais? Que tal virar o disco?…

Uau, essa foi na veia cara, mas, se você não percebeu bem, tinha endereço direto, justo e objetivo, num lembrete que, refutando sua pergunta, faço a mais absoluta questão de responder aos porques da vetusta partida de um jogo singular. Vamos a eles:

– Porque daquela data aos dias de hoje, repleta de “jogos emocionantes”, como nunca se viu, com transmissões em 100% das partidas, narradores ensandecidos pelos maravilhosos espetáculos que tronitruam em seus microfones, comentados por experts tão ou mais empolgados com a “redenção do basquetebol nacional”, através confrontos da mais alta qualidade, onde enterradas, tocos e  bolas de três reinam absolutas, emocionando plateias (um tanto ausentes das quadras, mero detalhe…), bem vindas e ansiadas prorrogações prolongando o prana generalizado, num NBB apoteótico…

– Porque durante todos estes anos nada de inovador e criativo foi visto por quem entende, por pouco que seja, do grande jogo, inclusive em seleções de todas as categorias, a não ser enxertos copiados daquela esquecida equipe capixaba, como a dupla armação e os alas pivôs em constante movimentação dentro do perímetro (pelo menos cinco anos antes da era Warriors e Curry), cópias canhestras adaptadas ao monocórdio e estratificado sistema único de jogo, promovendo suas estrelas doble triple a cada rodada, não importando se vencedoras ou não suas equipes, afinal seguem o modelo NBA, onde a cada temporada o coletivo cede espaco vital ao individualismo rapinador, na querência máxima de transformar um jogo coletivo em individual, ao preço que for, desde que as cifras cheguem a estratosfera…

– Porque a reboque dessa tragédia, flui a esmagadora maioria das franquias a partir de interesses mercadológicos, em contra ponto as nossas reais e emergentes necessidades, a fim de nos reentroduzirmos no cenário internacional de verdade…

– Porque, se realmente quizermos avaliar o peso dos porques anteriores, e dispendermos um tempinho revendo este vetusto video, poderemos ter uma grata, apesar de perdida no tempo, surpresa ao vermos e constatarmos o quão  injustos fomos com aquela surpreendente equipe, atuando sem os rompantes vocais de narradores que veem e imaginam um outro jogo, avalizados por comentaristas que o imaginam surreais, porém atuando como equipe, una e indivisível, atacando em bloco, lá dentro, bem dentro da cozinha adversária, e defendendo numa irrepreensível linha da bola, flutuando lateralmente, jamais longitudinalmente, a ponto de raramente ter um jogador excluido pelo limite de faltas, dominando os rebotes com maestria e se antepondo aos longos arremessou com decisão e competência. Uma equipe que não deveria ter sido aniquilada como foi, em duas etapas, uma logo ao início do trabalho no segundo turno, quando teve afastados três de seus melhores jogadores, depois ao não ser mantida para o NBB3, trocada pela mediocridade, séria e perigosamente  ameaçada pela mesma se continuada, voltando a ser o saco de pancadas de quando a encontrei, treinei e competi no mais alto nível, Realmente lamentável e inglório o seu fim…

Revendo-a jogar, última classificada na competição, mas vinda de duas vitórias exuberantes, contra a líder do campeonato, Brasilia, e Vila Velha, enfrentando a quinta colocada, Joinville, num grande e repleto ginásio, que a aplaudiu no final, com uma comissão técnica aquietada e tranquila em seu banco, em oposição a uma frenética e agressiva do outro lado, pedindo somente um tempo num jogo difícil, delegando iniciativas previamente treinadas com seus experientes jogadores, sérios e dedicados uns para com os outros, ajudando-se permanentemente, errando minimamente nos fundamentos, e principalmente, jogando em harmonia, como deve ser jogado o grande jogo, coletivamente…

Atuar coletivamente, objetivo inalcançável por nossas equipes, da base a elite, por uma única razão, não são ensinadas, treinadas e orientadas para alcança-lo, porque primeiro não existe interesse, segundo porque não sabem, os estrategistas, como faze-lo, sendo mais fácil e palatável trocar “peças” a cada temporada, dá menos trabalho, e como todos os corporativados seguem a mesma cartilha, que vença o mais equipado com pecas importadas e uma ou outra nacional, chutando de três, dando tocos monumentais, e monstruosas enterradas, para o encantamento de todos…

Que bom teria sido ver aquela humilde equipe jogar uma temporada completa, mas vale a pena assistir seu basquete enxuto, técnico, correto, equilibrado, e acima de tudo, proprietária, por pouco tempo, bem sei, do coletivismo até hoje inalcançável pelas demais franquias e mesmo seleções, passados dez anos de estrada…

Assistam, deleitem-se com o grande jogo bem jogado, sem histerias vocais e comentários ufanistas, claro, se houver interesse no que venha a ser basquetebol coletivo. Um abração a todos, feliz Natal e um 2020 repletos de esperanças, principalmente para o grande, grandíssimo jogo.

Amém.

Foto – Arquivo pessoal.
Um oportuno adendo clicando aquihttp://www.coracaoemquadra.blog.br/2010/04/02/joinville-63-x-71-saldanha-da-gama/.

A TRANSIÇÃO DE CARTAS MARCADAS (From Firenze)…

(…) Entretanto tem um fator que chama a atenção nas seleções sub-21 e sub-17 masculina: a busca por treinadores que trabalham com o adulto. Essa mudança parece pequena, mas está sendo de uma importância para que esses garotos peguem o ritmo de treino e de trabalho tático da seleção adulta, facilitando assim a transição desses atletas no futuro.

Para o treinador Léo Figueiró, “são essas iniciativas e o esforço também que a CBB vem fazendo para cada vez mais melhorar as estruturas das seleções, que são importantes para que o Brasil volte a revelar jogadores”. (…)

Daqui dessa distante e bela Firenze, pesco esse trecho de uma matéria publicada no site da CBB em 9/12/19, que muito explica e pouco esclarece a verdadeira situação em que se encontra o basquetebol brasileiro no seu ponto mais nevrálgico, a formação de base, que, ao dar caninamente seguimento aos exemplos emanados pela elite da modalidade, usuária do sistema único de jogo, implantado a mais de duas décadas por um grupo de técnicos atrelados e comprometidos sistemicamente ao basketball americano praticado na NBA, com seu jogo altamente individualizado e duelista, onde o 1×1 prevalece por sobre o coletivismo somente aceito quando concluído de fora do perímetro, e onde os fundamentos do grande jogo se tornam a pedra angular de todas as ações ofensivas recorrentes do preparo superior de seus jogadores pela formação colegial e universitária, mil furos acima da nossa praticamente inexistente escola básica ( já a tivemos muitos anos atrás em grande quantidade, hoje restrita a poucos remanescentes daquela era de grandes formadores), tornando-nos altamente fragilizados pelo quase total desconhecimento dos fundamentos necessários para a consecução do sistema adotado, originando a preferência pelos longos arremessos, incentivado também pela quase completa ausência defensiva fora do perímetro, outra herança da péssima e quase inexistente formação de base no basquetebol tupiniquim…

Chegar e chutar, defender flácidamente, atacar atabalhoadamente e sem estratégia de jogo, num “vamo que vamo” institucionalizado e lastreado por jogadas de ocasião, geralmente desenhadas numa prancheta oportunista e midiática, compõem nossa realidade na elite, e que se espraia na formação como exemplo a ser seguido, e que agora se instalara nas seleções de base com o argumento de que “ esses garotos peguem o ritmo de treino e de trabalho tático da seleção adulta, facilitando assim a transição desses atletas no futuro”, daí a preferência de técnicos de equipes adultas para “prepará-los”, quando a etapa fulcral para todos eles seria a de “formá-los” para algo novo e criativo, a fim de que pudessem adquirir técnicas individuais e coletivas realmente inovadoras, proprietárias, incentivando os demais jovens a os seguirem, mudando de vez a mesmice crônica que nos esmaga e humilha, pois somente evoluiremos no momento em que implantarmos uma nova e totalmente diferenciada forma de jogar o grande jogo, pois se seguirmos na corrente do que “ todos fazem”, continuaremos inferiorizados ad perpetuam…

Técnicos de equipes adultas brasileiras estão, todos, comprometidos com o sistema único de jogo, que consideram o mais vantajoso e vencedor, esquecendo que os países que o adotam estão muito a frente na preparação de base, e que muitos deles já adotam outras soluções técnico táticas, principalmente os europeus, e ironicamente agora, os americanos também. Ao teimarmos na preparação vigente de base, espelhada pela realidade de nossa “elite” de estrategistas, estaremos contribuindo cada vez mais para um retrocesso que, certamente não terá volta, pelo menos a médio longo prazo, e facilmente testemunharemos os resultados nas futuras competições internacionais de peso real, de que participaremos em breve…

Seleções de base exigem professores e técnicos com longa experiência, na formação e na elite também, e que se sobressai pela real qualidade de seu trabalho, principalmente no trato e orientação de jovens, respeitando pelo conhecimento, seus ritmos evolutivos técnicos, mentais e sociais, fatores que geralmente divergem de jovem para jovem, diferenciando evolutivamente seus ritmos de amadurecimento e técnicas individuais…

Enfim, dificilmente técnicos de adultos, principalmente em nossa realidade técnico tática, estão aptos para a formação de base, pois, com muito poucas exceções, possuem longa experiência na função, principalmente se considerarmos a premente e urgente necessidade de mudarmos de verdade, radical e profundamnte a nossa forma de jogar o grande jogo, a nao ser que aceitemos de forma definitiva a posição de coadjuvantes permanentes no cenário do basquetebol mundial, numa posição antagônica a que exercemos no século 20, quando ocupamos a terceira posição no concerto mundial…

Mudar não é somente preciso, é fundamental, e somente mudaremos quando efetiva e decisivamente mudarmos nossa forma de jogar o grande jogo, o resto é conversa fiada de quem não quer nem deseja largar o osso num mercado restrito e corporativista como o nosso, infelizmente…

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal e reprodução da TV.

SURPRESA!!!(From Rome)…

`    Eis-me em Roma, conhecendo um pouco de seus encantos e cantos históricos, e são tantos, em suas ruínas imperiais, em sua modernidade contrastante, no povo apressado pilotando um mundaréu de motonetas e Smart’s minúsculos, em sua mesa farta, aromática e deliciosa, apreciada após longas caminhadas de encontro a museus inesquecíveis. Enfim, uma magnífica prévia do que apreciaremos em Florença, Veneza e Bolonha, num périplo continuado em Dublin, Lisboa e Madri, voltando ao Rio, com sua magnificência, pobreza, injustiça, minha adorada terra natal…

    Foi o presente que meus filhos me deram pelos 80 anos de trabalho duro, de intensa luta pela educação justa e de qualidade, pelos muitos anos de quadra junto ao grande jogo, num projeto de vida que me orgulha e jamais trai, no magistério, na técnica desportiva na paternidade integral e democrática…

    E dessa lonjura não abro mão de saber tudo que possível sobre o basquetebol nacional, pelos blogs, emails, e um ou outro jogo veiculado na grande rede, até agora impossível mesmo assinando o DAZN, ausente fora do Brasil. Talvez um próximo pelo facebook ou twitter, quem sabe. Tento as estatísticas na LNB, e logo no primeiro relatório de um jogo, Mogi 91 x 84 Minas, tenho a mais grata surpresa, e que surpresa, um jogo definidor de nosso adiantado estágio técnico tático, pois não é todo dia que uma partida tão importante apresenta números tão determinantes da era inovadora que se avizinha, ou mesmo, se estabelece como apanágio de um novo tempo, a da chutação oficializada, institucionalizada, para gáudio e realização do corporativismo enraizado no grande jogo desde muito tempo. Sim, surpresa das surpresas, vê-lo definitivamente esmagado pela mediocridade insana e absolutamente estúpida, descerebrada, criminosa, fatores que serão cobrados pesadamente quando enfrentarmos seleções de verdade nos grandes torneios mundiais e olímpicos, se la chegarmos…

    Ah, os números, desculpem o esquecimento (seria uma dádiva esquecê-los), constrangido os replico, desejando ardente e do fundo do coração não repetí-los alhures, claro, sabedor de que la estarão, dia após dia, por meses e, infelizmente, mais alguns anos, enquanto durarem os estoques de gente que definitivamente odeia o grande jogo, jamais o entenderá, nunca aprenderá sua significativa importância técnica, estratégica e cultural, pois são ignorantes funcionais forjados pelo apadrinhamento continuísta, pelo QI político, pela permanente negação do novo, do instigante e desafiador improviso produzido pelo pleno conhecimento da fundamentação do jogo, contraponto definitivo da mesmice crônica em que o lançaram da forma mais absurda e abjeta possível. Ah, os números minha gente, os números: 41/70 bolas de 2 pontos (20/36 para Mogi, 21/34 para Minas), 20/73 de 3 pontos (9/31 e 11/42 respectivamente, 33/38 lances livres (24/28 e 9/10), tudo somado a 19 erros de fundamentos (10 e 9)…

    O que temos? Isso ai bem esfregado na cara dos quem defendem, adoram e dizem amar o grande jogo, principalmente aqueles profissionais (?) que margeiam as quadras, com seus esgares, shows midiáticos, coercitivos, cúmplices de jogadores que não os levam a serio, e fazem o que bem entendem (principalmente os estrangeiros), de que estudam, pesquisam e planejam suas equipes, numa deslavada tapeação que tarda merecer um basta definitivo, um basta radical, Equipes que se defrontam, lançando mais de 60 bolas de 3 beiram o desastre indefensável, ofensivo, e principalmente defensivo, num duelo tolo e irresponsável, atentando aos que assistem tanta estupidez, e que aos poucos se afastam ante espetáculos ridículos e muito abaixo do sofrível, desqualificando e minimizando um grande, grandíssimo jogo, caindo nos braços da NBA, quando muito pelo feérico espetáculo…

    Temo seriamente pelos jovens que se iniciam, ate mesmo aqueles que vem ganhando sul americanos de um jogo só, quando muito, dois, a maioria se espelhando na turma de cima, nos Durant, Curry, Thompson, numa cultura de jogo equivocada e colonizada, fora de uma realidade que não é a nossa, em qualquer perspectiva que se tente comparar, numa entrega absurda e caótica. Os números estão a cada jogo, a cada temporada a disposição de todos, frios e objetivos, porém determinantes na busca do que realmente queremos e desejamos para nossas futuras gerações, reféns do desconhecimento técnico do que venha a ser os fundamentos do grande jogo, ferramenta básica para o desenvolvimento e consecução das técnicas e táticas exigidas para a sua correta e eficiente prática, e não essa pelada monstruosa, irresponsável e aventureira em que transformaram o basquetebol nacional, que daqui a muito pouco tempo terá em quadra em sua liga maior oito estrangeiros e dois brasileiros se defrontando para a glória tupiniquim, e bem provável, sendo narrado no mais puro slang do basketball hegemônico do norte, já que caminhamos céleres, sorridentes e agradecidos por essa dádiva concedida, claro, muito bem claro, em troca do comercio de muitos milhares de camisas e tênis personalizados de Lakers, Bulls, e todos os demais, é o que merecemos por nossa omissão e subserviência…

    Que os deuses nos ajudem.

    Amém.

Fotos – Arquivo pessoal (Paulo Murilo, Andre Luis e Joao David). Reprodução da TV.

15 ANOS ATRÁS…

Este foi um dos primeiros artigos publicados nesse humilde blog, 15 anos atrás. O que mudou de lá para cá? Pouco, quase nada, infelizmente…

Basquetebol brasileiro-Fracasso ou omissão?

Domingo, 12 de setembro de 2004 por Paulo Murilo–  2 Comentários

Por 44 anos venho lutando pelo basquetebol no Brasil, e gostaria de fazer desta página um fórum de discussão acerca dos diversos motivos que levaram essa modalidade ao retrocesso que constatamos, infelizmente, em nosso país. Para dar partida peço licença para, na forma de um pequeno artigo, expôr algumas constatações que ao longo dos anos testemunhei como técnico e professor de futuros técnicos. Em 1963, no Ginásio Gilberto Cardoso no Rio de Janeiro, a equipe masculina do Brasil sagrou-se bicampeã mundial em uma final com os Estados Unidos, resultado que muitos e atuais jogadores, técnicos, jornalistas e dirigentes teimam em minimizar a qualidade do basquete praticado na época.Na equipe americana seis dos jogadores se profissionalizaram na NBA, onde atuaram por mais de 6 anos, sendo que um deles, Willis Reed, faz parte do Hall da Fama como um dos cinco maiores centros de todos os tempos com suas atuações no New York Knicks. Na equipe brasileira atuavam maravilhosos jogadores com Amauri, Wlamir, Rosa Branca, Ubiratan, Menon, Jatir e muitos outros que fizeram do jogo um espetáculo inesquecível. Quatro deles arremessavam de distâncias equivalentes à linha dos três pontos atuais, Jatir, Vitor, Rosa Branca e Amauri, o fazendo com uma bola de 18 gomos costurados à mão, com uma esfericidade que nem de longe se comparavam às verdadeiras jóias tecnológicas das bolas atuais, corrugadas e com sulcos profundos onde os dedos encontram base e aderência para exercerem total domínio direcional nos arremessos. Tivessem na época tais bolas e uma linha de três pontos todas, afirmo, todas as vitórias da equipe brasileira teria ultrapassado os 100 pontos. Jogávamos com dois armadores, dois alas e um centro, num rodízio permanente de posições, compensando com velocidade e astúcia a inferioridade na altura, principalmente os centros.Jogava-se com a bola nas mãos, em pleno domínio da arte do drible, onde os passes faziam a ligação que antecedia o arremesso, e sempre com um mínimo de três jogadores participando dos rebotes. Por anos dominamos a arte do drible e dos rápidos corta-luzes, onde os armadores dominavam a maior das habilidades, criar espaços onde não existiam, progredir em direção à cesta, estabelecer a superioridade numérica sempre que possível, arremessar como opção, e não como prioridade. Os alas e o centro em permanente rodízio iam sempre de encontro ao passe e não esperando por ele estaticamente. Antecipando o movimento sempre conseguiam o melhor posicionamento ofensivo, obrigando os defensores a se movimentarem e por conseguinte desestabilizarem suas ações. Enfim, jogava-se com a bola sob domínio físico e não, como hoje, sob o domínio do absurdo passing game. No final dos anos setenta e início dos anos oitenta a NBA se encontrava numa fase de afirmação econômica. Era necessário levar público aos ginásios, era fundamental encontrar-se um sistema de jogo que privilegiasse o um contra um, em duelos dentro do jogo, se possivel entre gigantes, e melhor ainda se entre brancos e negros.Nascia o passing game, formula perfeita para gerar duelos individuais, e melhor ainda se respaldado pela proibição da defesa por zona e pela flutuação na defesa individual. Não se ia aos ginásios para ver Lakers versus New York, e sim Jabar versus Willis Reed. O gosto do torcedor americano pelo embate de gigantes no Boxe, no Football teria de ter sucedâneo no Basketball para que despertasse seu altamente lucrativo interesse. O passing game era a solução técnica, como os embates um contra um seria a solução financeira. A divulgação maciça pela mídia, principalmente a televisiva lançou ao mundo o modelo NBA, que com o sucesso alcançado motivou o governo americano a utilizá-lo como sutil propaganda de sua superioridade esportiva, cultural e política perante o mundo. Cometeram um erro porém, ao subestimar a importância das regras internacionais, ao subestimar a FIBA, estando hoje colhendo alguns fracassos pela inabilidade de seus jogadores quando submetidos às mesmas em mundiais e recentemente nas olimpíadas. Mas no caso do Brasil o estrago já tinha sido letal. Nos últimos 20 anos mudamos nossa forma de jogar e adotamos o modelo NBA, o modelo baseado no passing game. Nossos armadores empolgados pelo um contra um passaram de organizadores para finalizadores, esqueceram a arte do drible, assim como os alas simplesmente a aboliram. Da posição básica no ataque, com a bola de encontro ao peito, prontos para o drible, o passe ou o arremesso, retrocederam para a posição da bola acima da cabeça, simplesmente para a execução do passe, dando continuidade a verdadeira coreografia em que se transformou o jogo, ao passing game. O”basquetebol Internacional”, como muitos apregoam, realmente se estabeleceu pela maioria dos países, pois subserviência cultural não é prerrogativa do Brasil, no entanto, alguns deles não descuidaram do ensino dos movimentos básicos, e cito a Argentina, a antiga Iugoslávia, a Lituânia e a Rússia como exemplos. Conseguiram os mesmos manter um excelente nível no domínio dos fundamentos, principalmente o drible, e hoje colhem os resultados desta saudável atitude. Ao esquecermos nossa herança de duas vezes campeões do mundo e três vezes medalhistas olímpicos, mergulhando numa mediocridade técnica na tentativa de imitarmos um sistema planejado, estudado e executado para a manutenção do domínio do modelo NBA, esquecemos também que fundamentando o modelo americano sempre existiu a massificação de jogadores nas escolas e nas universidades, ao contrário da pobreza franciscana de nossa realidade. Transpor modelos estrangeiros fora de nossa realidade é a atitude mais estúpida que se possa tomar, mais é sem dúvida nenhuma a mais fácil de ser utilizada por um grupamento de pseudo técnicos que determinaram omitir nossa passada grandeza em nome de uma realidade absurda e irresponsável. Em 1971 sugeri e ajudei a fundar a primeira associação de técnicos de basquetebol do Brasil, a ANATEBA, onde exerci o cargo de secretário. Mais tarde, em 1976 também ajudei a fundar a BRASTEBA da qual fui o vice-presidente, e no Rio de Janeiro a ATBRJ que como as anteriores logo se desintegraram. Mais recentemente fundou-se em São Paulo a APROBAS, que encontra sérias dificuldades para expandir-se. O fator restritivo é, como foi no passado, o total desinteresse pela discussão dos problemas técnicos, culturais e até sociológicos que submetem nosso desporto aos interesses de um grupo que se apossou do comando do mesmo, um feudo, onde alguns empunham microfones para em transmissões esportivas criticarem e oferecerem soluções táticas e técnicas, visando empregos futuros nas equipes de ponta, numa flagrante falta de ética profissional, já que do outro lado não existem microfones para a defesa. Sofremos de um unilateralismo crônico, ontem no aspecto de sistema de jogo, hoje de divulgação de um modelo em que somente um dos lados exerce o domínio da informação. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, grandes e pequenos técnicos, perene falta de incentivos, pouca divulgação da modalidade, intercâmbio pouco desejável, mas alcançávamos resultados, discutíamos mais, e às vezes até brigávamos , procurando adaptar novas tecnologias e novos sistemas à nossa realidade, enfim, sabíamos administrar nossa pobreza. Hoje reina a omissão e prevalece a mesmice, a cópia a falta de imaginação e a ausência de criatividade. E a classe que no fim das contas é a que dita as normas de conduta técnica, de sistemas de jogo, de estratégias a serem seguidas, dentro e fora das quadras, é a classe que peca pela omissão, por que de todas as envolvidas no processo decisório é a que tem por obrigação deter o domínio e o conhecimento do jogo. Por isso considero serem os técnicos, que por seus conhecimentos, estudos e pesquisas deveriam comandar e estruturar as políticas referentes ao desenvolvimento do jogo, os grandes responsáveis pelo seu declínio, por negarem as tradições, os conceitos e a verdadeira índole de nossos jovens, ao trocarem esses valores por soluções estrangeiras sem as devidas adaptações por ser uma solução fácil e desprovida de responsabilidades. Podemos fugir deste modelo? Difícil, porém possível. daí a sugestão para o debate. Até o fim do ano publicarei meu livro, onde estenderei ao máximo esses pontos de vista, e aí sim poderei expor com todas as letras o que vivi, senti e experimentei nos últimos 40 anos de basquetebol.

Amém.

2 comentários

  • M Ponte
  • Yesterday
  • Excelente, Professor.
    Foi visível, real e tristemente, a incentivação deliberada ao jogo egoísta, por ditame midiático e publicitário, com deletérias consequências ao desporto e à sociedade, sem dizer uma irresponsável e mesmo abominável atropelação em massa prol uma sub-cultura (?) de segregação 
  • Basquete Brasil
  • Yesterday
  • E o pior, prezado Ponte, é que nada aprendemos até a data de hoje. Lamentável e constrangedor. Um abraço. Paulo Murilo.

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FECHANDO AS CONTAS E PASSANDO A RÉGUA…

Terminou a AmeriCup em Porto Rico, com a previsível vitória dos Estados Unidos, secundado pelo Canadá, e com o Brasil completando o pódio, após decidir o bronze com Porto Rico…

Tudo dentro do mais do que esperado script, claro, para os que entendem de verdade o grande jogo. Contra Porto Rico, e sem as amarras da necessidade premente de classificação ao pré olímpico, a seleção se soltou praticando o basquete anárquico que vem jogando nos últimos vinte anos, ou seja, correria desenfreada, chutação de três (as bolas caíram desta vez…), briga feroz nas táboas, armação para inglês ver, mas com duas boas novidades, três pivôs, que apesar dos evidentes pélvicos sobrepesos (perdessem de 10 a 15 kg cada, e se sairiam muito melhor, principalmente na velocidade e na amplitude vertical nos rebotes), e um empenho defensivo guerreiro, apesar de muitas das jogadoras marcarem com os braços, quando os manuais mais primários dos fundamentos ensinam fazê-lo com as pernas nos deslocamentos laterais, aspecto perfeitamente contornável se orientadas e ensinadas como deve ser feito…

No aspecto tático, se a tendência for a de otimizar o jogo interno, com duas ou três pivôs, os comentários da Hortência lembram em muito boa hora, quanto a necessidade de melhores armadoras para o implemento de tal tendência, não só para que pontuem mais, e principalmente, para que saibam fazer jogar suas companheiras dentro do perímetro, em ações combinadas e coordenadas, abrindo espaços em áreas restritas, objetivando arremessos de curta e médias distâncias, mais eficientes e seguros, deixando os longos nas voltas de dentro para fora do perímetro, e sempre através as especialistas, e não qualquer uma que se arvore em “matadora” de ocasião…

Priorizando os fundamentos individuais e coletivos (sugiro que contratem quem realmente domine a arte de ensiná-los, pois nesse jogo foram 19 erros), aliviando kilogramas em excesso, buscando mais agilidade e destreza (vide as grandes e esguias alas pivôs americanas, assim como suas enxutas armadoras), obteremos a matéria prima para aí sim, empregarmos sistemas de jogo factíveis e realmente eficientes, que se afastem ao máximo da visão limítrofe imposta por pranchetas rabiscadas e vazias de um conteúdo que deveria ser exclusividade do treino, do intenso, detalhado, exaustivo e compreensível treino…

Equipe treinada, conscientizada do que pode realizar, idealizar, criar e improvisar, é produto único e exclusivo do treino, dispensando oportunistas pranchetas, instrumento discutível e midiático de quem faz a mais absoluta questão de impressionar leigos, dirigentes e comentaristas de ocasião, se projetando num proscênio de Folies Bergére, e que ao lado das escatalógicas pantomimas nas laterais da quadra, preenchem a figura mítica do “técnico atuante e vibrante”, quando deveriam observar de dentro para fora, se sua função se coaduna coerentemente ao treino planejado, estudado e desenvolvido por todos os componentes da equipe formada pelos que adentram o espaço do jogo, e não a turma aspone que fica de fora…

Tomadas tais e pontuais providências, teremos em uma ou duas gerações melhores armadoras e alas pivôs, todas esguias e rápidas, dominando os fundamentos, e todo um trabalho espelho para as jovens que se iniciam na prática do grande, grandíssimo jogo…

E para não esquecer jamais – Só improvisa quem sabe, quem domina seus instrumentos básicos de trabalho, o corpo e a volúvel, inquieta e desconcertante bola…

Em tempo – Ao final da LDB, nos quatro jogos decisivos, foram perpetrados 36,5 erros de fundamentos de média por jogo, fato que compromete um trabalho que é enaltecido aos ventos como o de salvação do basquetebol nacional. Realmente preocupante e comprometedor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A RAINHA…

Êita pessoal, sei que estou em falta nos comentários do jogo com os Estados Unidos, falta absoluta de tempo (as obras aqui em casa estão nos acabamentos), e para ser mais objetivo, ter de cair no lugar comum de um jogo desproporcional e de óbvio resultado. Assisti grande parte dele, e como afirmei, se torna doloroso repetir um discurso de décadas, mas que em hipótese alguma, em tempo nenhum, encontrou eco no seio do corporativismo técnico tático que se perpetua neste imenso, carente e injusto país…

Principalmente na preparação, treinamento e orientação de nossos jovens de encontro aos fundamentos básicos do grande jogo, solenemente ignorados e trocados pelos processos sistêmicos de um pessoal que ouviu um galo cantar, sem sequer desconfiar onde ele se encontra, e que por conta, chutam odes pranchetadas no mais sem vergonha do “se colar, colou”, tendo “colado” até o presente momento, aplaudido pela mídia altamente especializada, agentes e administradores, todos embarcados no sonho nababesco e hegemônico de uma liga bilionária, mas que foi incapaz de vencer o último mundial, para tristeza da colonizada claque, e na qual jamais terá cacife econômico e cultural para pertencer…

Por conta disso, primamos pela priorização do sistema único, sem destinar um cem avos de qualquer prazo de preparação minimamente séria voltada ao exclusivo treinamento dos fundamentos, cujo resultado, por mais uma vez, ficou patente neste jogo na Costa Rica. Se torna muito triste, constrangedor até, termos de ouvir os incessantes e teimosos pedidos de narradores e comentaristas pelas salvadoras bolas de 3 pontos, inclusive da incensada e bajulada rainha, que como jogadora foi de um fulgor acima da normalidade, merecedora com  toda justiça pertencer ao Hall of Fame, mas que muito ainda deve como analista do jogo, pois não se percebe nela o menor intuito de sugerir, quiçá ensinar os fantásticos DPJ’s e fintas magistrais com que se comportava e agia nas quadras, assim como sua intocável espacialidade nas velozes e imarcáveis penetrações contra fortíssimas defesas, pontuando ou assistindo genialmente. Sua peroração pelas bolinhas incomoda, pois simplifica uma atitude técnico tática de quem tem pleno conhecimento da carência fundamental de nossas jogadoras, mas sem ter longinquamente arranhada sua realeza tupiniquim, já que no plano internacional possui concorrentes a altura. Se trocasse os discursos motivacionais pelas minúcias técnicas de que foi exemplar junto as jovens jogadoras, sem dúvida alguma faria mais jús a sua realeza, do que se ver envolta por um séquito de adoradores de confesso e constrangedor puxa saquismo explícito…

O resultado não poderia ser outro, quando de um lado temos um grupo de jogadoras absolutamente donas de técnicas individuais e coletivas de jogo baseadas no conhecimento e total domínio dos fundamentos, e do outro, um grupo valente e corajoso, vagamente escudado num sistema anacrônico e equivocado de jogo, e que mesmo assim se situava muito distante das mínimas exigências técnicas que o exequibilizasse, exatamente por não contar com o conhecimento e domínio dos fundamentos, base fulcral para a prática consciente do grande jogo…

No jogo seguinte, contra o Canadá, repetiram-se os fatos acima mencionados, porém com uma novidade de prancheta, que deixou boquiabertos narrador e comentaristas, o fato do estrategista lançar em quadra um trio de pivôs acessorado por uma dupla armação, estratagema que bem poderia ter dado certo, não fossem dois fatores cruciais, começando pela inabilidade das armadoras que se revezavam na quadra, todas mais voltadas a pontuação de fora (foram 5/21 tentativas de 3, e 18/45 de 2 pontos), enquanto as canadenses lançaram 3/15 e 17/42 respectivamente, com ambas as equipes errando terrivelmente nos Lances Livres ( 7/17 e 23/32) e errando absurdos 37 fundamentos (20/17), e o outro e contumaz fator, o melhor embasamento fundamental canadense, que propiciou bolas decisivas através seu melhor conhecimento e domínio por parte das armadoras no quarto final da partida…

Quanto a tentativa do sistema 2-3 ofensivo que tanto defendo como uma válida opção de sistema ambivalente de jogo, pois funciona perfeitamente contra defesas individuais e zonais, mas que necessita de um trabalho muito detalhado na leitura correta e objetiva do jogo, exigindo treinamento, estudo e preparação de alta complexidade, visando ao final a compreensão do que venha a ser improvisação criativa e espontânea individual e grupal, que é o objetivo voltado a simplificação advinda do trabalho profundo e consciente pelo domínio dos fundamentos e consequente domínio maior de uma sistematização de jogo, numa inseparável dualidade voltada a qualidade e excelência na prática do grande, grandíssimo jogo. Logo, escalar e mandar a campo uma formação 2-3 ofensiva, significa muito pouco frente às exigências acima apontadas, sem quaisquer ponderações que se façam presentes…

Enfim, daqui a um pouco disputaremos o bronze com a equipe de Porto Rico, num jogo em que, por mais uma vez, nos veremos frente a uma equipe melhor nos fundamentos do que a nossa, porém com um diferencial, a superioridade nos rebotes, fator que se bem encaixado, poderá nos brindar com um pódio bastante oportuno. Torçamos pelo melhor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

ERROS NO ATACADO E NO VAREJO…

Foram duas peladas descompromissadas contra a Argentina e o Paraguai, equipes muito fracas e de baixa estatura, fazendo com que as brasileiras atuassem dentro do garrafão com absoluta tranquilidade, apesar de abusarem na tradicional e enraizada chutação de três (5/15 com as platinas e 14/35 contra as paraguaias), num desperdício de energia física, que muito bem poderia ter sido canalizada para acertarem um sistema qualquer de ataque, que por inexistente, descambou para a correria que estas jogadores praticam desde sempre. Defensivamente nem comentar, pela mais completa ausência ofensiva de suas adversárias, e que mesmo assim propiciaram 31 erros de fundamentos em cada uma dessas partidas, que garantiram a passagem da equipe para as semifinais, e a classificação para o Torneio Pré Olímpico. Com a classificação garantida, os jogos finais terão as doses de expectativa e tensão atenuadas, fazendo com os dois jogos se situem na zona de “estudos” para os futuros embates decisivos no Pré, conotando um excelente álibi em caso de derrotas mais severas, o da não assimilação do “processo” inovador por que passa e passará a seleção daqui para diante, o qual aguardarei com ansiedade e curiosidade, pois, pela alta qualificação e profunda experiência na formação, preparação e treinamento alardeadas por seus mentores, será de se pressupor algo de inovador, criativo, e revolucionário para o basquetebol feminino tupiniquim. Logo, seja qual for o resultado de logo mais contra os Estados Unidos, todo um “processo de ponta” estará sendo estabelecido visando o soerguimento da modalidade feminina no país, e que aqui bem para nós, tenho sérias e bem embasadas dúvidas de que dê certo, até mesmo a longo prazo, pelo simples fato de ser uma modalidade especialíssima, e que exige pessoal altamente qualificado em suas especificidades, principalmente na formação de base, onde nenhum destes componentes e patrocinadores do tal processo são possuidores de fundamentação qualificada, a não ser seus monumentais e midiáticos currículos…no masculino.

Em tempo – Ao recomeçar a LDB em sua fase final, até o momento em que escrevo esse artigo, nove jogos foram realizados, com a média de erros de fundamentos no incrível, inadmissível e assustador patamar de 36 por partida, na porta de entrada destes jovens no NBB, fato nada recomendável para suas admissões na liga maior, e muito, muito menos como prospectos a seleção e ao sonho dourado de seus agentes, e boa parte da ufanista mídia dita especializada, a NBA…

No mais, continuamos na ferrenha torcida para que dias melhores arrefeça tanta incompetência…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

OS HERMANOS E SEU SCOLA MAGISTRAL…

E os hermanos chegaram às semifinais, derrotando a favorita ao título e atual campeã, a Sérvia, por 97 x 87, numa partida memorável, onde um Scola, aos 39 anos, liderou a equipe com maestria, competência, talento,  e acima de tudo, amor a camisa de seu país, onde a negação a ela é algo inimaginável, absolutamente impossível de acontecer, sequer pensar, ao contrário de jogadores que a macularam em nosso imenso, tosco e culturalmente fragilizado país, num comportamento aceito e tolerado por quem abomina a tradição, a mística e a representatividade de um símbolo que em hipótese alguma pode ser desrespeitado. abjurado, negado, ao preço que for…

O grande jogo é cultuado e respeitado na Argentina, desde a formação de base, ensinada, preparada e treinada por professores bem formados nessa complexa modalidade, e cujos frutos vem amadurecendo de vinte anos para cá, pujantes e vencedores. Torna-se emocionante e inspirador termos o privilégio de testemunhar o brilhantismo das grandes equipes argentinas, atuando com uma dupla armação magistral, e alas pivôs, jovens e veteranos primando pela velocidade, agilidade, flexibilidade e profunda prontidão aos detalhes do jogo, numa leitura somente atingida com uma excelente e detalhada formação, espelhada pelos magníficos exemplos de consagrados jogadores, como o Scola nessa equipe que disputa o Mundial…

Talvez não cheguem a grande final, mas o que alcançaram os definem, não como um milagre, ou um produto de um chaveamento menos exigente, mas sim como uma prova cabal na arte de formar jogadores técnicos, fortes fisicamente, e melhor ainda, mentalmente. Se arremessarem um pouco menos da linha dos três, reforçando o jogo interior, será muito difícil de serem batidos, sem a menor dúvida…

Amém.

Foto – Reprodução da TV.

AS DOLOROSAS CONTRADIÇÕES…

Assisti os dois jogos desta manhã, e no primeiro constatamos uma equipe fria em seu determinismo de se classificar às quartas de final, ganhando ou perdendo dentro da margem dos 12 pontos necessários a classificação de uma equipe grega alucinada pela busca do resultado salvador, e por isso mesmo suscetível ao erro em maior proporção do que a equipe checa, metódica, paciente, fria, e acima de tudo eminentemente técnica, na quadra e no banco, num equilíbrio exemplar, de um grupo coeso em torno de um objetivo, mesmo que feneça nas próximas etapas, num trabalho bem planejado e melhor ainda executado, numa flagrante anteposição ao que vimos na segunda partida…

Quando se deu a apocalíptica contradição, de uma equipe que lutava por uma classificação, ante um adversário já classificado, por um resultado simples, sem handicaps a descontar. E porque apocalíptica? Pelo fato maior que colocou a seleção brasileira entre a cruz e a calderinha, perante o incompleto discurso de seu líder fora da quadra, o bom  técnico Petrovic, que midiaticamente propalou saber como vencer os americanos, como já havia falado o mesmo sobre os gregos, mas ante o domínio técnico da equipe tida como a C da NBA, porém dirigida pelo seu melhor técnico, Popovich, principalmente na avassaladora prática dos fundamentos básicos defensivos, ofensivos e individuais, constratando com a nossa maior dificuldade nos confrontos contra escolas que priorizam tais pontos, e não somente os táticos e as preparações “atlético científicas”, tão ao gosto de fisiologistas pseudo fabricantes de melhores corredores, melhores saltadores e melhores trombadores, como o ápice de uma equipe competitiva, viu-se o croata perante a crua realidade de uma equipe que sabe perfeitamente bem como manobrar uma bola, e outra, a dele, que briga com ela o tempo todo no drible, nos passes e principalmente nos arremessos, inclusive naqueles de melhores aproveitamentos, os curtos e médios, onde a turma do norte simplesmente não falha. Façamos umas continhas – Os americanos arremessaram 28/44 de dois pontos, contra nossos 23/46, ou seja, 10 efetivos pontos a mais. Nos 3, 8/25 contra 5/19 nossos, mais 9 pontos de sobra, somente aí nos 16 pontos de diferença. Nos Lances livres ambas as equipes erraram 2 arremessos ( 9/11 e 12/14), Pegaram 37 e 34 rebotes respectivamente, porém, foram nos erros de fundamentos que mais se diferenciaram, 10 para a turma do norte e 15 para nós, números fatais num jogo desse porte e importância…

Mesmo perante tantos obstáculos, via-se uma seleção brasileira claudicante no jogo coletivo de ataque, no 5 x 5, exatamente pela dificuldade nos fundamentos, área de pleno domínio americano, dando início a chutação apelativa de fora, com 26,3% de aproveitamento, contra os 32% de um adversário que apostava firmemente no jogo interior, com as 5 bolas a mais mencionadas anteriormente. Muito bem, existem fatores e fatores, detalhes e detalhes, mas um tem importância vital, não só no momento chave de um jogo decisivo, e sim por todo um jogo decisivo, a presença sugestiva e corretiva de um atento e sagaz técnico ao lado da quadra, cônscio de ter dotado a equipe de bons sistemas, na medida da capacitação individual e coletiva do grupo que dirige, basicamente nos treinos, reservando seu saber e experiência para os jogos, onde as verdades verdadeiras acontecem, sendo ele o ponto de equilíbrio das mesmas, intransferível e de solitárias decisões, onde jamais poderá deixar de agir com a moderação e a sabedoria que envolve seu cargo de comando, E exatamente nesta situação de decisão extrema ele falha, se exaspera, perde o controle e o equilíbrio, sendo expulso da contenda, a meio tempo do segundo quarto, ou seja, joga a espada, o capacete e o escudo ao solo, se envolve na capa e abandona o campo da luta, como que afirmando aos bons e perspicazes entendedores do grande jogo – Não dá, simplesmente não dá !!…

Se foi um acidente de percurso, um inconformismo, ou um fato pensado, não importa, importando sim a indesculpável falta que faria e fez para a equipe, muito mais ainda sendo um técnico calejado, experiente e muito bem pago, deixando a equipe nas mãos de assistentes que em tudo e por tudo defendem e praticam um basquete “chega e chuta” em suas equipes no NBB, antítese do que pretendeu desenvolver na equipe, e que, numa contradição indesculpável, esquecem no banco o único jogador pontuador (inclusive nos 3 pontos) no quarto final, o Benite, cestinha da partida, perdida, mas que poderia ter alcançado um resultado um pouco melhor, ou talvez não, ante um adversário, que mesmo sendo considerado de classe C, deu uma senhora aula de competência nos fundamentos do grande jogo, dando seguimento e carradas razões ao seu histórico de formadores de jogadores, dos mais jovens a elite, quando ensiná-los, praticá-los e aplicá-los se tornam ferramentas de trabalho, onde enterradas cinematográficas e arremessos estratosféricos fazem parte natural do jogo, e não a essência do jogo como nos acostumamos a definí-lo…

Comando e comandados, irmanados e sempre presentes nos maus e bons momentos, jamais poderão prescindir da ausência de um deles. Imperdoável momento que vivemos, e que sirva de lição, mais uma das muitas que teremos a obrigação de abraçar daqui para diante, senão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.