O NEGÓCIO É “PUXAR FERRO”…

O que é preferível em uma equipe de basquetebol, treinar duramente os fundamentos do jogo, em circuitos desafiadores, individualizados ou coletivos, como um excelente instrumento prático para adquirir habilidades, fôlego e firmeza muscular, ou alocar os jogadores em meio a uma parafernália tecnológica (?) forçando articulações e músculos de fibras rápidas, na busca apolínea, mais para o estético, do que o eminentemente técnico, onde o instrumento de trabalho, a sutil, volúvel e errônea bola sequer aparece, mesmo como enfeite?…

Porque não preparar jogadores em constante contato com a bola, driblando, passando, fintando, revertendo, recuando, lateralizando, arremessando, reboteando, e até mesmo, agindo sem a posse da mesma, defendendo, fintando, desmarcando, bloqueando, e acima de tudo, pensando cada ação, longitudinal ou sagitalmente, antecipando, projetando, cobrindo espaços e gestos, formulando jogadas em improvisos conscientes, inteligentemente, somando seus intensos esforços colaborativos aos demais companheiros, fórmula maior para a consecução do coletivismo fluido e autêntico ?…

Por que não ir fundo no estudo personalizado dos arremessos, arte para poucos nos de longas distâncias, exigindo sólidos conhecimentos de direcionalidade quase balística, e não simples e cansativamente desgastar-se em mil ou duas  mil tentativas por semana, com a discutível certeza de que somente dessa forma atingirá a excelência? Não, como toda arte que exige habilidades físicas e mentais, o saber como fazer supera em larga margem ao simples fazer quantitativo, acumulando muitas vezes erros crassos e incorrigíveis após repetições descerebradas. Nos fundamentos, no arremesso em particular, cada tentativa tem e deve ser pensada, analisada, corrigida e aprimorada, claro, por professores que saibam, rigorosamente o que estão ensinando, corrigindo, aprimorando, a luz das capacitações individuais de seus alunos, atletas, jogadores…

O que ontem era dominante, o preparo fundamental, hoje é suplementar, ou nada, substituído matreiramente pelo fisiologismo galopante, pelas ferragens deslizantes, contra pesos, esteiras que sobem ou descem, cargas cada vez mais fortes, mesmo aquelas voltadas a explosão muscular, até que começam a explodir articulações e cartilagens, pois o importante passou a ser aqueles que chegam a frente, velozes, saltadores, trombadores, brigadores, ao preço que terão de pagar, mesmo que mal saibam driblar com eficiência (e não trapaceando a regra nas cada vez mais redundantes “conduções de bola” que grassam entre os jogadores, armadores em especial, coniventes com arbitragens condescendentes), passar no tempo correto, olhar e saber interpretar o jogo, pensando e não só correndo, indo além das pernas, saltando e contestando fora do tempo e de ritmo, com membros inferiores travados lateralmente pelo atrofiamento muscular imposto pelas incidentes e cumulativas cargas, tornando todos seus segmentos tensionados qual cordas de um violino afinadas ao seu extremo, no limiar da ruptura, que é o que vemos aumentar a cada temporada que passa…

Tal preparo, formulando atletas poderosos ganha adeptos velozmente, na proporção direta em que se magoam, muitas vezes exigindo graves cirurgias, concomitante ao descaso ascendente no preparo técnico individual e coletivo, chave mestra para a prática do grande jogo, sem o qual, super atleta nenhum vencerá outro conveniente e seriamente preparado no conhecimento de sua ferramenta mestra de trabalho, os fundamentos e a bola de jogo, cujo comportamento é desconhecido pela maioria…

Então Paulo, você é contra e se insurge contra a “musculação”, a “academia”? Não, absolutamente não. Sou contra seu protagonismo modal, prioritário, inclusive nos vultosos valores para obter seus equipamentos de “última geração”, administrados por preparadores físicos que encasquetaram em suas cabeças serem aqueles que definirão aos professores e técnicos quais jogadores podem correr mais, saltar mais alto, trombar com mais eficiência, percorrer maiores distâncias, e pelo visto antever nos mais jovens aqueles que poderão mais adiante jogar o grande jogo com eficiência física e orgânica, restando uma singela questão – saberão eles jogar de verdade o grande jogo, saberão?

Escrevi esse artigo inspirado pela visão das fotos aqui publicadas, de jogadores de nossa seleção nacional, com 7 dias para treinar, ou 14 treinos, dedicar a metade deles “puxando ferro”, quando deveriam estar na quadra, driblando, passando, marcando, etc, etc, etc. claro, se os poderosos preparadores abrirem uma brecha em suas transcendentais pesquisas…

Em equipes minhas eles eram  importantes como complementos para dirimir alguma carência física, jamais para tutelar o quem é quem técnico e tático, função assumida por um head coach de verdade, o que sempre fui…

Amém.

Fotos – Reproduções da divulgação CBB e arquivo próprio. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O FRONTAL DESAFIO II…

Foi o Petrovic expor suas normativas técnico táticas, ao relatar sua convocação para a classificatória ao Mundial, quando discorreu longamente sobre opiniões e critérios que pretende incluir no seu planejamento de início do ciclo olímpico, para o qual foi contratado pela CBB, indo fundo nas grandes falhas apresentadas pelas equipes da LNB que disputam o NBB, em especial quanto aos arremessos de três pontos (importante ler toda sua exposição), para, quase que imediatamente, as duas equipes que lideram o campeonato, Franca e Paulistano, desencadeasse uma tempestade de bolinhas (16/25 de 2 pontos, e 14/33 de 3 para Franca, contra 18/37 e 7/27 para o Paulistano, vencido pelos francanos por 89 x 73), numa inacreditável convergência de 34/62 tentativas de 2 pontos, e 21/60 de 3!!!

Como anunciava rutilante o narrador do jogo, três dos convocados pelo croata estavam em quadra, Lucas Dias, Leo Meindl e Didi, que juntos mataram 7/16 de 3, com o Meidl desperdiçando 0/5, inclusos num universo de mais 44 gloriosas bolinhas, dando medo assistir tanto arrivismo e incompetência defensiva, e por que não, ofensiva também, num arremedo de “clássico” (palavrinha na ordem do dia…) empolgante e eletrizante, numa quadra em que mais se errava do que acertava, noves fora os 26 erros de fundamentos (11/15) perpetrados pelas equipes…

Bem provável que o Petrovic tenha assistido o jogo, e ter ficado com as barbas de molho, pois recado mais direto e incisivo do que o apresentado pelas duas equipes líderes, impossível, como que dissessem clara e diretamente – Viu, cara, é assim que jogamos por aqui, e se depender de nós continuará assim, pois é aceito por todas as equipes e estrategistas de plantão, hoje, como foi ontem, e continuará sendo amanhã, e o mais importante, endossado pela mídia “especializada” em sua esmagadora maioria, dirigentes, empresários e agentes, e mais importante ainda, pelos jogadores envolvidos pelo modelo garantidor de seus empregos, de todos os envolvidos, fator alimentador do corporativismo vigente, que pune quem tente se insurgir, pois, como afirmam todos, “não se mexe em time vencedor”, não se admitem mudanças, que para nossos vassalos “padrões”, assim deve permanecer…

Não tenho a mais remota dúvida de que o competente croata vai ter problemas de sobra para tentar resolver, principalmente se investir firme contra o tsunami de três que se instalou em nosso indigitado basquetebol, e desde as divisões de base, quando vemos meninos e meninas, mal aguentando o peso da bola, se esticarem todos para lançá-la da forma que for para os três, para gáudio de orgulhosos pais e técnicos despreparados. O exemplo da elite se espraia na formação, tal qual um espelho do que deve ser feito prioritariamente, e não perder tempo (time is money…) em aprender e treinar fundamentos, dispensáveis ante nosso “talento midiático” nas enganosas bolinhas…

Sim, terá problemas, sérios problemas, como tiveram os estrangeiros que o antecederam (e aqui sugiro a leitura do artigo O Frontal Desafio, um libelo muito bem comentado por inúmeros leitores, num exercício instigante e objetivo sobre nossa seleção), os quais sucumbiram ante a triste realidade de um basquetebol que se enfeita e adere a um mercantilismo somente factível em uma sociedade economicamente mais estável e poderosa que a nossa, como se a cópia osmótica nos elevasse aos padrões da mesma (nossas arenas semi desertas atetam isso), num equívoco brutal e insensível a nossa realidade carente e deseducada, em vez de procurarmos no âmago de nossas parcas reservas técnicas e culturais, respostas baseadas no que somos, no que fomos, no que poderemos ser, a partir do momento mágico em que valorizemos nossa cultura, nossos mestres, nossos valores, nossa história, que nos agraciou como a quarta força do basquetebol mundial do século passado…

O Petrovic que veremos ao lado das quatro linhas, estará situado numa encruzilhada, onde dois pólos conflitantes se cruzarão, seu determinismo (coercitivo ou não… ) disciplinador na condução inteligente do jogo, com sua concomitante leitura, uma defesa atuante nos dois perímetros em coberturas permanentes e constantes, um jogo interior bem estabelecido e em veloz movimentação sagital e perpendicular dos alas e pivôs, a movimentação orientada permanentemente no foco das ações pelo (s) armador (es), que torço para serem dois, todos trabalhando em constante e ininterrupta movimentação para a efetivação de bem selecionados arremessos, inclusive os de três, se as condições de liberdade, equilíbrio e firmeza forem estabelecidas, confrontando o maior dos perigos, o outro e perigoso polo, o da estabelecida crença de que somos os predestinados nos longos arremessos, após décadas de incensadas e deificadas santidades nos mesmos, projetados à glória por um certo tipo de imprensa ciosa por deuses e heróis, pelos feitos apolíneos nas quadras ou nos contratos básicos e inferiores aos stars da liga maior, afinal, somos parceiros da mesma, ou não? E é sob esse terrível panorama que desencadeou-se em nosso imenso, desigual e injusto país, o misticismo autofágico das bolinhas de três, alter ego de estrategistas que se locupletam da nossa omissão defensiva, da negligência no ensino dos fundamentos básicos do grande jogo, oferecendo aos incautos (?) jogadores a opção divina do “chega e chuta”, exatamente o ponto crítico externado pelo croata em sua palestra…

São poucos os dias de treinamento para as duas importantes partidas contra os dominicanos e canadenses, muito pouco poderá corrigir e ensinar, principalmente quanto a incontida ganância dos três, ainda mais quando, na defrontação com seus críticos, os mesmos baterão na estabelecida e monocórdia tecla – Se caírem, vencemos, se não caírem, perdemos, mas por culpa do sistema, ou seja, dele, o competente croata…

Fico na torcida pela classificação ao Mundial, e posterior reformulação do grande jogo entre nós, forte, fortíssima reformulação, dando oportunidades aos verdadeiros conhecedores do mesmo, expurgados das quadras pelo modelo que aí está implantado, sem contestações e contrapontos que o discutam a luz do conhecimento real e do bom senso, como devem ser as disputas democráticas, assim como as verdades doridas ditas por um croata sem papas na lingua…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

O “CHIP”…

Terminada a semifinal da Liga Sul Americana, a pequena equipe do Instituto Cordoba (a grande é o Atenas), vem ao Rio e de uma tacada só encaçapa três das melhores equipes do NBB, com sobras e um basquetebol solidário e fluido, mesmo exagerando na artilharia de três, com uma atenuante, acionada por dois grandes especialistas na difícil arte dos longos arremessos, frente a caóticas defesas fora do perímetro, e dentro também, com um jogo interior potente e muito bem coordenado entre seus armadores e alas pivôs, permanentemente em movimento, todos, e mais, defendendo na linha da bola, marcando os pivôs pela frente, e blindando com maestria o posicionamento nos rebotes…

Flamengo, Bauru e Minas não encontraram em nenhum momento antídotos para frear os hermanos, que como estamos cansados de saber, dominam os fundamentos básicos do jogo em escala muito maior que os nossos esforçados jogadores, provando mais uma vez que, mesmo se utilizando, como nós, do sistema único de jogo, nos supera em cada posição codificada (as tais de 1 a 5) por força de sua técnica individual mais apurada, principalmente no drible, nos passes, nas desmarcações, no posicionamento defensivo, e nos arremessos curtos, médios e de longa distâncias, fruto de uma competente e paciente formação de base…

Em nenhum momento os contestamos com eficiência fora do perímetro, na recuperação frente a uma finta incisiva, na marcação e anulação de corta luzes e bloqueios, fatores estes e todos aqueles mencionados acima, que constituem todo um corolário de conhecimentos técnicos individuais, coletivos também, dos básicos fundamentos do grande jogo, sem os quais perfeitamente ensinados, aprendidos, treinados ao máximo e inteligentemente integrados a sistemas de jogo com seletividade permanentemente aberta, adaptando-os às melhores características de cada jogador, não funcionarão, ainda mais quando encordoando-os como marionetes presos a movimentos desconexos e grotescos advindos de rabiscos mais desconexos ainda de pranchetas absolutamente ridículas. Fez muito bem a LNB proibindo microfones nos pedidos de tempo( o que não ocorreu na LSB), poupando a todos aqueles que amam e entendem o grande jogo, de testemunhar absurdos, inclusive e  pretensamente bilíngues, proferidos por estrategistas, alguns dos quais nem bem sabem por que ali estão posando de técnicos da elite, a não ser por um poderoso, interesseiro e corporativista QI…

Não por acaso um leitor deste humilde blog,  postou o seguinte comentário no artigo anterior :

JoãoYesterday·

Treinador…só não vê quem não quer mesmo…ainda por cima o Instituto vem no rio e faz barba e cabelo em alguns dos nossos principais times…e ninguém falou nada a respeito desse baita fiasco….abraço coach.

 

E tem toda a razão o prezado João, o mutismo foi quase geral, demonstrando o quão inexplicáveis foram para todos os resultados numa arena montada para a consagração tupiniquim (afinal seria uma decisão entre equipes brasileiras), e que nas duas rodadas finais se apresentou deserta de torcedores, que mesmo na estréia sequer preencheu um dos lances de cadeiras do anel inferior da monumental arena, assim como a grande maioria dos jogos do NBB. E não me venham falar das “nações de camisa”, dos “clássicos dos milhões”, da pujança do renascido basquetebol, das estrelas retornadas e dos americanos em pencas abrilhantando uma das mais “importantes ligas do mundo”, toda essa parafernália exaltada aos berros e bordões ufanistas e desconjuntados da realidade em volta, enaltecida por comentaristas que em sua maioria (as exceções, muito poucas não contam) vêem e comentam jogos opostos ao que vemos ao vivo e a cores, alguns apresentados a modalidade um ou dois anos atrás, porém desenvolvendo raciocínios e opiniões que raiam ao grotesco, o que é profundamente lamentável, já que influem negativamente junto a ouvintes sequiosos de aprender mais sobre o grande jogo…

E por conta desse absurdo cenário, chegamos aonde estamos, fora da realidade técnico tática do jogo, promovendo o “chega e chuta” desenfreado dos arremessos de três, a deificação das enterradas e dos tocos “monstros”, do individualismo exacerbado e irresponsável, da ausência defensiva a ser compensada “lá na frente”, afinal a “melhor defesa é o ataque”, relatos cínicamente comprovados com os discursos de meio meio tempo com jogadores afirmando o contrário, que é algo muito sério e que sequer pensam, ou têm condições técnicas de realizar, de estrategista afirmando ao entrevistador que utilizará um sistema exaustivamente treinado para surpreender o adversário, e mais adiante continuar na mesmice endêmica em que vive desde sempre, e de repente um aviso “bomba” de uma nova contratação que retirará uma equipe da situação de falência em que se encontra, ou seja, mais um…americano.

Então minha gente admiradora do grande jogo, não se sinta espantada quando o Petrovic anuncia que temos de trocar o “chip” para sobrevivermos no cenário internacional, o que o corrijo – Não prezado Petrovic, chip amplia ou reduz uma equação, aumenta ou diminui valores, quantidades, impulsos positivos ou negativos, pois o que temos de trocar, trocar não, por inexistência, e sim implantar um software, um programa muito bem pensado, discutido, pesquisado e elaborado com o que temos de melhor em cabeças pensantes, que existem, estão aí, mas fora desse coercitivo e inamovível contexto corporativista que se apossou do grande jogo, impedindo-o de prosperar, evoluir, até mesmo respirar, blindando um nicho onde a mesmice e a mediocridade imperam solenes, ambiente onde um chip nada representa, mas que balançaria ante a realidade de um programa, de um planejamento sério de verdade, exequibilizado por quem realmente entende e conhece o grande jogo, enfim de um baita software…

Agora a pouco, na metade do primeiro quarto do jogo entre Joinville e Brasília, troquei de canal e fui para o Arte 1, pois se tratava de uma partida dantesca em todos os sentidos, e só fui saber do resultado pela internet, quando constatei pelas estatísticas que ambas as equipes convergiram em seus arremessos (17/32 de 2 e 13/35 de 3 para Joinville, e 14/24 e 13/31 para Brasília) e um total de erros de 26 (15/11), na segunda vitória de Brasília na competição (84 x 77), que é a equipe que anunciará uma contratação “bomba”, quem sabe o Carmello Antony…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

VERDADES CONHECIDAS, MAS TRISTEMENTE OMITIDAS…

Este é o terceiro ou quarto, sei lá, técnico estrangeiro que nos brinda com “inovações” para a seleção brasileira que se prepara para os dois jogos decisivos a classificação para  o Mundial na China, porém, com uma instigante diferença, fala, às claras, sobre as mazelas técnico táticas que nos aflige a décadas de pusilânime dependência da matriz do norte, e sem meias palavras, na bucha, escancaradas verdades que temos omitido por todo esse tempo, perdendo gerações de bons talentos, formatados e padronizados por um sistema obtuso de jogo único, sustentado por um corporativismo exacerbado de “estrategistas” disfarçados em técnicos de alto nível, e mais recentemente, propalando aos midiáticos ventos, a supremacia autofágica das bolinhas de três, sufragando com as mesmas uma hegemonia falseada e absolutamente inaceitável (inclusive por ele mesmo)…

Foi esse nevrálgico óbice que o Petrovic abordou na entrevista de hoje cedo, quando anunciou a convocação para os dois jogos contra a República Dominicana e o Canadá, decisivos para a classificação ao Mundial. Vale muita a pena assistir a matéria produzida pela CBB, assim como a participação brilhante do Wlamir, do alto de sua experiência e inegável qualidade de grande campeão, técnico e professor do grande jogo…

Fico deveras feliz com a entrevista, pois, coincidentemente, esbarra num posicionamento que defendo e venho publicando nos últimos 14 anos de Basquete Brasil, confirmando com sobras, o quanto de conhecimentos aqui expostos, emulam os do croata, advindo de um basquetebol mais evoluído que o nosso nos tempos atuais, quando um pouco lá atrás éramos nós que dávamos as cartas, num tempo esquecido, por não devidamente valorizado, vítima do nosso incorrigível defeito de omitir glórias passadas. Mas hoje o Wlamir ali estava, avalizando o croata e fechando certas boquinhas que negam o que ele representou e representa para o nosso basquetebol…

O mais engraçado, se não fosse tragicômico, é o fato inconteste e indiscutível de, por toda minha vida nas quadras (e lá se vão mais de 50 anos), somados aos 14 deste humilde blog, ter estudado, pesquisado, ensinado, dirigido jogadores, equipes de todos os formatos e faixas etárias, e formado muitos e muitos professores, é que “agora”, com a palestra do Petrovic, tais evidências e conceitos serão reconhecidos, e quem sabe defendidos e divulgados, por todos aqueles que sistematicamente voltaram as costas para minhas realizadas ações técnico táticas, e por um único motivo, o de jamais me ter submetido ao abjeto corporativismo, autor e mantenedor da mesmice endêmica que o sustenta e promove, corporativismo este que, sem dúvida alguma gerará muita dor de cabeça a este croata visionário, que para cúmulo da má sorte foi brindado com um par de assistentes, que em nada, e por nada, comungam com suas sólidas e acadêmicas posições técnico táticas do grande jogo, não fossem as equipes por eles dirigidas, das mais e sôfregas utentes da hemorragia do três pontos em todas as competições de que participam. Sem dúvida alguma, muito pouco somarão às suas elaboradas convicções, avessas ao “chega e chuta” que ambos defendem…

Petrovic terá somente 7 dias para treinar a equipe, muito pouco para uma revisão técnica, quem sabe talvez aprimorar um pouco o sistema defensivo, o que já seria muito bom, tentar segurar a enxurrada de bolinhas, melhor ainda, e insistir no jogo interior, que se conseguido, classificará a seleção ao Mundial. Dali para frente será outra história, com mais tempo de treinamento, aperfeiçoamento de novos jogadores, e quem sabe, a implementação de uma forma proprietária de jogar, ousada e corajosa, onde o domínio dos fundamentos individuais e coletivos marcarão o futuro do grande, grandíssimo jogo entre nós. Torço sincera e honestamente para que ocorra tudo aquilo que professa e acredita…

Amém.

Foto – Reprodução da divulgação CBB. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

Entrevista – Página da CBB no Facebook –https://www.facebook.com/BasqueteCBB/videos/1121157921388503/ ou clicando em entrevista acima no texto.

A INDIGITADA CONVERGÊNCIA…

(…) Nos dois últimos dois jogos da equipe pelo NBB, o aproveitamento foi muito baixo. Contra o Paulistano, na sexta feira, caíram nove de 36 tentativas de três pontos. Já contra o São José, na quarta feira, foi pior: quatro acertos em 30. Ao todo, um aproveitamento de apenas 19,6%. Não melhorar este fundamento pode ser fatal para um time que tem média de 28 tentativas de arremesso de três por jogo. (…)

Este apontamento acima fez parte de uma matéria publicada no O Globo de 20/11/18, assinada pelo jornalista Gabriel Toscano, sobre o jogador Marquinhos, que concluiu seu raciocínio afirmando – (…)Com certeza pode ser decisivo. Precisamos melhorar ofensivamente em relação aos últimos jogos – Mas já viramos a chave. A liga Sul Americana é um torneio de tiro curto, não tem muita margem para erro, e vamos com tudo.(…)

Pelo que vimos ontem na Arena da Barra, a chave não foi corretamente acionada, pois após convergir contumaz e inacreditavelmente nos arremessos (15/34 nos 2 pontos e 12/39 nos de 3), voltou a equipe que foi montada para revolucionar o basquete nacional, vencendo todas as competições possíveis, a perder para os hermanos do Cordoba que, um pouco mais contidos arremessaram 19/31 de 2 pontos e 12/28 de 3, contestando o máximo que puderam a artilharia de fora rubro negra (ação que previsivelmente ocorrerá cada vez mais no universo do grande jogo), não encontrando por parte dos mesmos o denodado empenho defensivo sobre as suas mesmas 12 tentativas exitosas, igual ao dos cariocas, fazendo realçar o seu poderoso jogo interior com 4 arremessos convertidos a mais de 2, decisivos na contagem final, já que nos lances livres praticamente empataram…

Então, por mais uma repetitiva vez, retorno às continhas, pois bastaria investir na metade das tentativas falhadas de 3 (13 arremessos) em tentativas trabalhadas para os 2 pontos, para vencer com folga o jogo, ainda mais contando com poderosos alas pivôs que compõe a equipe, municiados pelos excelentes armadores que possui, os quais, permanentemente envolvidos em ações individuais na ávida procura de companheiros “estacionados estrategicamente” para os longos arremessos, se perdem tática e tecnicamente, quando não os concretizam eles mesmos, numa busca insaciável pela afirmação midiática de suas mágicas e endeusadas habilidades, aplaudidas e incentivadas pelo nervoso e irascível estrategista postado ao lado da quadra, que deveria introspectar com urgência uma radical mudança de como atuar e tornar sua proposta realmente revolucionária para o grande jogo, porém, agindo preliminarmente consigo próprio, embasando solidamente suas certezas e conceitos a luz do conhecimento pleno e estratégico que o norteia historicamente , e acima de tudo, munindo-se do bom senso comportamental e ético, pilares da profissão que abraçou e tenta trilhar…

Amém.

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UM DIFÍCIL, PORÉM POSSÍVEL CAMINHO…

Enfim, consegui assistir o jogo da seleção brasileira masculina sub 15 no Sul americano no Uruguai, contra os donos da casa, na busca pela classificação às semifinais, com excelente transmissão pela internet, e com a narração e os comentários corretos e contidos, como deveriam ser, sem arroubos e exageros, muito comuns por aqui…

Estava curioso para conhecer na prática esta jovem seleção, muito alta e fisicamente forte para a idade, e que muito pouco pude avaliar no treino tático sem defesa que assisti aqui no Rio, quando de minha visita a Base Aérea dos Afonsos onde treinavam, liderados pela experiente Thelma Tavernari do Clube Pinheiros de São Paulo, conhecida e respeitada formadora de jovens jogadores, mas que nunca tinha tido a oportunidade de vê-la em ação na direção de uma seleção tão importante para o futuro do grande jogo no país…

Bem, o que vi em nada e por nada me entusiasmou, pois trata-se de um filme preto e branco das antigas que tenho assistido ano após ano, sem tirar ou apor absolutamente nada do que apresenta monocordicamente, sem inspiração ou inovação de qualquer monta. Sem dúvida alguma a padronização e formatação que nos foram impostas, em nome de uma pseudo globalização na forma de ensinar, treinar e jogar o grande jogo, cristalizou-se, sedimentando na teoria e na prática a mesmice endêmica que tanto combato, numa inglória luta por todo ciclo olímpico que se inicia, por décadas, e pelo que vejo e testemunho, sem um caminho de volta, ao continuar como está. O sistema único de jogo aí está escancarado e triunfante, agregando mais uma maldade, a idéia equivocada e absurda de que somos os bambas mundiais na artilharia dos três pontos, mesmo antes de acertarmos uma simples e prosaica bandeja, sequer um decente DPJ, ou obtermos um 55,5% nos lances livres (15/27 nesse jogo), mais do que suficientes para vencer se acertassem 4 dos 12 perdidos. E mesmo que observassem as continhas que tanto divulgo, ou seja, optando pelos 2 pontos, onde estavam devastadores, pois obtiveram 18/43 (48,1%) contra 11/30 (36,6%) dos uruguaios, somente com a metade dos erros nos 3 pontos (4/23, ou 17,3%, contra 9/26, ou 34,6% dos orientais) num total de 11 tentativas, para vencer com folga um jogo tão decisivo e importante…

Vencendo logo mais o Equador, irão às semifinais, quando terão mais uma oportunidade de atentar para as evidências que aponto acima, quando não terão mais o direito de errar estrategicamente de forma tão bisonha e óbvia, apesar de ostentar um vício de atuação que a cada dia, mês, ano, décadas, se avolumou de tal ordem, que dificilmente reencontrarão o caminho esquecido, perdidos que estão na quimera de que são os maiorais nos longos arremessos, sem antes aprenderem e aplicarem os mais simples, aqueles que ganham jogos e campeonatos, assim como dominarem a arte maior de se anteporem aos mesmos, dentro e fora do perímetro, no exercício competente de um sistema defensivo aceitável. Fico muito triste e decepcionado em ver jovens armadores correr maratonas cada vez mais velozes, sem pensar e ler o jogo, confundindo pressa com velocidade (como muito bem descreve o Wlamir), e serem cada vez mais induzidos a se tornarem cestinhas, de preferência nos 3 pontos, assim como altos pivôs virem jogar fora do perímetro, e agora também lançando para os 3 pontos, e mais, alas com extrema dificuldade nos dribles e fintas, e o pior nos passes, expostos a quantidade dos mesmos advindos do sistema que utilizam, em estéreis contornos, quando deveriam incidir na direção da cesta, buscando-a naquelas curtas e efetivas distâncias, obcessivamente, pois oferecem um grau de precisão muito maior que os tiros de fora, campo para muito poucos especialistas em condições de liberdade e equilíbrio pleno…

Abrir os quatro no ataque, deixar o solitário pivô num eventual e raro 1 x 1, correria em círculos cada vez maiores, passes em contorno, os 24 seg se exaurindo, concluindo com um arremesso qualquer de fora, ou uma penetração desesperada e quase sempre inócua, é a realidade de como jogamos, com atitudes e movimentos previsíveis, como jogam a maioria das equipes, e que segundo os mágicos preparadores físicos, hoje praticamente os donos do jogo, superável pela velocidade extrema, a capacidade de saltar e duelar fisicamente, onde o pensar e raciocinar se torna dispensável na maioria das ações técnicas, táticas e principalmente, estratégicas de uma modalidade cerebral, e não somente física, como vem ocorrendo, por obra e graça das “academias”, e suas inevitáveis consequências, como a crescente escalada de rompimentos musculares e articulares, nada compatíveis com um preparo consciencioso e responsável, principalmente com os mais jovens…

Dói muito assistir jovens talentosos marcando zona, sem as coberturas somente aprendidas nas técnicas da defesa individual, e por isso mesmo sendo devastados por arremessos de fora absolutamente livres, a exemplo dos dois únicos uruguaios razoavelmente habilitados a executá-los (recordando, foram 9/26, ou 34,6%, contra 4/23, ou 17.3% dos nossos)…

A técnica brasileira é muito experiente, prepara bem os jovens em alguns dos fundamentos básicos, mas peca pela utilização padronizada e formatada do sistema único que nos esmaga e mediocriza a mais de 30 anos, perdendo a oportunidade de quebrar esse estigma na direção de futuros e talentosos jogadores, formulando um novo enfoque de jogar o grande jogo, dando aos mesmos a oportunidade criativa e fundamental de se situar como proprietários de algo realmente novo e desafiador, dando seguimento a já aceita dupla armação, e a existência cada vez mais ampla de jogadores altos, rápidos e flexíveis, todos em busca de um forma realmente inovadora, desafiadora e ousada de pensar e jogar o grande jogo, atuando no âmago da defesa adversária, e não arremessando bolinhas cada vez mais distantes da cesta, por absoluta inacapacidade de aproximação, motivada pela precariedade nos fundamentos do jogo, que é a prioridade absoluta na formação de base, inclusive em seleções…

Espero que mudemos a tempo de enfrentarmos o ciclo olímpico para 2024, e que os deuses nos ajudem.

Amém.

Fotos – Reproduções da internet. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

OS DOLOROSOS ACHISMOS…

– “A falta é importante porque mostra a vontade de defender”…

– “Se o técnico tem direito aos tempos, devem ser usados”…

– “A falta inteligente deve ser usada para parar um contra ataque, ou para esfriar o jogo”…

– “Se é para fazer uma falta, uma trauletada, mas sem intenção de machucar, deve ser feita, evitando os dois pontos e enviando o adversário para a linha do lance livre, onde pode errar”…

Todas são opiniões da nova geração de comentaristas, pinçadas nas transmissões pela TV e pela internet, que inclusive promove alguns gênios do conhecimento técnico e tático do grande jogo, como uma jovem repórter simpática e falante, que após ser apresentada ao grande jogo uns dois ou três anos atrás, discorre hoje um caudal de conhecimentos que, após 50 anos de engajamento no mesmo, não consigo me equiparar, numa situação muito séria a ser pensada, pois todos eles, de posse unilateral de microfones, em redes nacionais, influenciam jovens por todo o país, com informações, e agora falando muito sério, falsas, errôneas e equivocadas premissas sobre uma modalidade desportiva mais do que centenária, complexa e altamente técnica, que exige muito estudo e pesquisa, e não supostos conhecimentos e chutações descabidas, irresponsáveis? Não sei…

Fala-se muito de defesas, como a do Pinheiros contra o Flamengo, mas “como” defenderam, silêncio total, e se quisessem ou pudessem se estender sobre os detalhes e minúcias, aí seria o caos, pois tais pormenores sequer desconfiam quais sejam, muito menos, como funcionam. Fica mais fácil e palatável a “forte vontade de defender”, cometendo aquelas faltas que a definem, dando as trauletadas necessárias, claro, sem más intenções, e o mais importante, agindo faltosamente com inteligência, pois exercer coletivamente a marcação com a movimentação das pernas, e não dos braços, flutuar de forma lateral e não longitudinalmente a cesta, e contestar em projeção verticalizada (trasformando o deslocamento horizontal em vertical) os longos arremessos, complementando com o movimento em extinção dos bloqueios (bem lembrado pelo Wlamir) nos rebotes, e priorizando, lá na frente, as finalizações de 2 em 2, otimizando todo o tempo de posse de bola disponível, de forma alguma é mencionado, por um único e singelo motivo, não sabem nem conhecem bulhufas do grande jogo, mesmo, mas são os que estão dando as cartas, deixando na poeira aqueles muito poucos que também empunham microfones, mas à sombra consentida dos gênios de plantão, por não ostentarem a imagem marqueteada e midiática que vende o produto NBB/NBA. Some-se a tudo isso o nível absolutamente surreal das ufanistas e tonitruantes narrações, e temos um retrato bem fiel das quantas andam a verdadeira situação do grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país. Solução paliativa para mim? Desligar o som…

Agora mesmo, num pré-jogo na Arena Carioca, um dos comentaristas informa em primeira mão a estratégia inicial de uma das equipes que pagarão para ver as bolinhas do adversário, a fim de reforçar os rebotes pela flutuação aos longos arremessos, arriscando tomar alguns pontos, em favor do jogo de transição (?), evitando a segunda bola em rebotes ofensivos. Como vemos, o fator defensivo intenso, básico e presente não entra em consideração, mesmo sob o recente exemplo do Pinheiros vencendo o Flamengo “fungando no cangote” rubro negro o jogo inteiro, como deve ser feito de forma regular, e não esporadicamente…

Enfim, vamos vivenciando essa mesmice irritante e endêmica que sufoca o grande jogo entre nós, agora enriquecido com a prolixidade técnico tática de uma geração de comentaristas, irmanados nos equivocados achismos e pontos de vista, todos absolutamente convictos do que pensam saber e influir a realidade do grande jogo, ou seja, dolorosamente nada…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

QUE OS DEUSES NOS PROTEJAM…

Nessas duas primeiras rodadas do NBB 11, consegui, com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e como, invariavelmente acontece, me coloco na contramão da mídia dita especializada, pois os comento como professor e técnico de basquetebol em todos os parâmetros exigidos pelas funções, e não como torcedor, consumidor, entusiasta, ou mesmo comentador de uma modalidade complexa e altamente refinada como o grande jogo deve ser encarado e esmiuçado, sem as chutações a que é submetido no processo osmótico daqueles que o foram apresentados outro dia, sem contar as transmissões ufanistas e empoladas em termos “de como dizem os americanos”, como se isto fosse a nossa verdade do grande jogo, num colossal erro de falsa percepção e conhecimento profundo do mesmo…

Impressionante as elucubrações técnico táticas que são lançadas a esmo pela rede, pela TV, pelos blogs, e o que é mais tragicômico, sem um mínimo de autenticidade, pois comentam jogos rigorosamente iguais, praticados por equipes que se emulam freneticamente, onde americanos meia boca ditam suas normas individualistas (pranchetas? Ha, sei…), elevando o sistema único ao patamar supremo da mesmice endêmica a que pertencem, todos, rigorosamente todos, numa incômoda, precária e lastimável repetição do nada a que estão atrelados, dentro, e o pior, fora das quadras, bastando observar estupefatos os desconexos rabiscos nas midiáticas pranchetas desde sempre, a desenfreada hemorragia nas bolinhas consentidas e incentivadas pelos estrategistas, resultantes da ausência defensiva generalizada (logo falseadas), que retomam sua predominância em jogos, como Joinville e Pinheiros, onde 73 arremessos de três foram realizados (30/43), contra 45 de dois pontos (25/20), numa demonstração tácita do descaminho em que enveredamos a cada rodada que passa, realocando na cabeça do Petrovic sua maior preocupação em termos de seleção, de equipe enfim – como encarar de frente essa situação, combatendo-a, ou aderindo, como fizeram  seus colegas estrangeiros que o antecederam? – com os resultados que conhecemos, tristes resultados, e mais tristes ainda, catastróficos, a continuar grassando essa absurda autofagia…

Os erros de fundamentos continuam na faixa dos 27,2 por jogo, com somente uma partida abaixo dos 20 erros, Mogi 97 x 83 Pinheiros com 15 (num jogo de ontem o comentarista mencionou os 20 erros de uma das equipes como uma tragédia, no entanto classificou o jogo como um “partidaço” digno de nossas melhores tradições), sendo que um deles vem se avolumando perigosamente pelas mãos de armadores, categorizados ou não, que “conduzem” a bola abertamente no drible (cometendo a infração de andar com a bola, já que interrompem deliberadamente a trajetória da mesma em direção ao solo) , facilitando e exequibilizando jogadas e fintas mirabolantes, que sem a utilização desse estratagema ilegal, jamais se concretizariam, sem que os juízes os impeçam como deveriam fazê-lo. Aliás, lembremos que num jogo em Mogi do ano passado, a dupla de comentaristas Cadum e Boracin, mencionava aos risos que se as conduções fossem penalizadas, nenhum jogo nosso andaria, relato esse vindo de dois de nossos melhores armadores, inclusive de seleções nacionais…

Mas o mais frustrante, é ter de presenciar o “ritual” em torno do estrategista a cada tempo pedido, quando o mesmo se reúne com seus assistentes confabulando estratégias (que se treinadas dispensaria tais e inócuas reuniões), ter sua cadeira (trono?) colocada por um deles em frente aos jogadores, sua prancheta entregue por outro, para ao fim do discurso e dos rabiscos, devolvê-la, senhorialmente. Simplesmente constrangedor…

Acredito firmemente que, nem tão cedo veremos progressos em nosso infeliz basquetebol, investidor pesado em marketing, imitação (que não deveriqa ser assim) pífia da matriz, penduricalhos disfarçados em lazer, e arenas cada vez mais vazias, esquecendo a mater tarefa para desenvolver de verdade o grande jogo em nosso imenso, desigual e injusto país, o investimento maciço e estratégico na formação de base e de técnicos, entregue a quem tem competência de planejá-lo, orientá-lo e liderá-lo, também na elite, para servir de exemplo balizador aos que se iniciam, priorizando um maior envolvimento com os fundamentos do jogo, e o emprego de sistemas ofensivos e defensivos diferenciados, e não essa mesmice endêmica escancarada, descaracterizada e robotizada da nossa realidade, camuflando-a com um pastiche imitado, servil e colonizado do que, por força de um mercado voltado ao lucro, nos impingem desenfreadamente, e de fora para dentro. Acredito, honestamente, que temos muito mais a mostrar e demonstrar técnica e taticamente no mundo do grande jogo (já fomos grandes, lembram?), que não seja o que aí está, carcomido e absolutamente medíocre, onde nossos melhores prospectos são lançados além fronteiras às feras ainda púberes, com precário preparo estudantil (muitas vezes nem isso…), manipulados por agentes e empresários ávidos por lucros imediatos, a que preço for, tendo o apoio de uma mídia mais ávida ainda do reconhecimento de suas abalizadas, imprecisas e interesseiras projeções, muitas vezes incultas e irresponsáveis, vide o que vem acontecendo com nossos “craques” no mercado selvagem do basquetebol internacional, a começar pela matriz, onde sequer conseguem se manter 5 minutos em quadra, sendo descartados no varejo de um mercado que não perdoa a má formação de base, enquanto por aqui gasta-se muito dinheiro com estrangeiros de terceiro/quarto níveis (uns poucos se salvam, a começar pelos hermanos), participantes de um festim, onde o sistema único nivela jogadores, técnicos, diretores, jornalistas e torcedores, em torno de uma formatação e padronização aceita por todos, pois mantenedora de suas posições, empregos e discutíveis prestígios, se confrontados com a dura realidade internacional…

Sim, consegui com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e, sinceramente, preferiria não tê-lo feito, a fim de não sentir o triste desprazer de ter postado a matéria acima , mas convenhamos, alguém teria de fazê-lo, principalmente se realmente se interessa e ama o grande jogo bem formado, treinado, discutido e, acima de tudo, bem jogado, pois lá se vão 14 anos de Basquete Brasil, esta humilde e democrática trincheira em defesa de todo um corolário de conhecimentos factíveis e responsáveis, ao largo das chutações e achismos modais, anônimas ou não… 

Que os deuses nos protejam…

Amém.

Fotos – Conferência de abertura do 3o Congresso Mundial de Treinadores de Lingua Portuguesa, Lisboa julho de 2009 (video).

– Divulgação CBB. Clique duas vezes nas mesmas para ampliá-las.

DESDE 2010…

Dando uma boa revisada nos 1482 artigos aqui publicados, me deparo com este de 1/8/2010, um pouco depois de me despedir do NBB, numa curtíssima temporada de 49 dias e 11 jogos, artigo este que preconizava um novo tempo que, passados 8 anos, muito pouco foi modificado em nossa forma de jogar o grande jogo, a não ser por algumas pontuais adaptações, como a agora generalizada dupla armação, e a contratação cada vez mais ampla de alas e pivôs rápidos, ágeis e flexíveis, sem, no entanto, ir fundo na fluidez ofensiva e o emprego de defesas fundamentadas nas flutuações lateralizadas, e acima de tudo, na preocupação estratégica do treinamento integral dos fundamentos individuais e coletivos do jogo, obrigatoriamente, pois se constitui no ferramental  básico para que o mesmo possa ser praticado com firmeza e conhecimento acerca dos sistemas ofensivos e defensivos escolhidos por cada equipe, independente de idade, posição e categoria, inclusive em seleções…

Eis o artigo:

domingo, 1 de agosto de 2010 por Paulo Murilo7 Comentários

A seleção brasileira se sagrou campeã no sul americano, e em cima do tradicional adversário, a Argentina, pena que somente por 10 pontos, quando, se de 2 em 2 pontos poderia ter chegado aos 20-30 de diferença, bastando que para tal tivesse concentrado o jogo no perímetro interno, onde nossos pivôs se impuseram pela velocidade, e não pelo embate físico. A síndrome dos 3 pontos ainda não foi debelada, por puro ciúme dos “shooters” com a dinâmica dos 4 pivôs móveis que se revezaram de 2 em 2, com o Murilo de regente, jogando de frente para a cesta, e não de costas como os pivôs grandalhões e pesados argentinos. E para 3 pivôs móveis faltou pouco, já que o Arthur e o Tavernari também se movimentaram em deslocamentos constantes dentro do perímetro, onde os 2 pivôs ágeis e móveis reinaram absolutos.

E tudo isto fundamentado nas ações de 2 armadores sempre em quadra, nas figuras do Fúlvio, do Nezinho e do Luis Felipe, todos armadores natos, ações estas menos decisivas quando o Duda destoava na função por não dominá-la como os outros 3, daí sua preferência pelos arremessos de 3 sempre que possíveis. E mais, com os armadores sempre próximos, e não como costumavam jogar se escondendo no fundo do ataque.

Tanta mobilidade também acrescentou uma melhora substancial na defesa antecipativa e veloz, falhando só e gravemente nas anteposições dos precisos arremessos longos dos argentinos, quando um posicionamento bem próximo e energico aos mesmos, os instigariam às conclusões de 2 pontos, numa troca de 3 por 2 altamente benéfica para a equipe.

E pensar que quando sempre defendi a utilização permanente da dupla armação no controle do perímetro externo, e da utilização de pivôs de grande mobilidade no interno, fui tachado de teórico e lunático, até o dia em que retornei às quadras e provei com o humilde Saldanha que as possibilidades existiam, e não só com dois pivôs móveis, e sim com três! Mas estamos aprendendo, e depressa. Por isso parabenizo o João Marcelo que conseguiu exequibilizar esse inusitado modo de jogar, com algumas boas adaptações, fruto do que observou também, quando sua antiga equipe do Paulistano enfrentou a minha no NBB2 e perdeu em casa, exatamente pela utilização que fizemos da dupla armação e dos três pivôs móveis que não soube, ou não pode marcar. Agora a Argentina que se cuide daqui para a frente, já que estamos, aleluia, evoluindo técnica e taticamente de verdade.

O engraçado nessa história toda foi a declaração do Magnano em uma entrevista cedida ao jornalista Rodrigo Alves do Rebote em 30/06/2010, sob o título Papo de Mundial – Ruben Magnano, quando declarou –“ No meu estilo não jogo com dois armadores, mas há uma possibilidade tática aberta”.

Acho que a comissão técnica que esteve na Colômbia nesse sul americano optou pela “possibilidade tática” e venceu os conterrâneos do excelente técnico argentino. Mas será ser possível que essa mesma “possibilidade” possa ser empregue no Mundial que se avizinha? E por que não, também, os 3 grandes pivôs?

Não sei se teria a coragem necessária para fazê-lo. Pena, pois seria instigante e revolucionário. Meu humilde Saldanha (hoje acabado…), o provou.

Amém.

 

7 comentários

  • Douglas Stapf Amancio01.08.2010· 
  • Quem assistiu o primeiro jogo contra o Chile, não acompanhou mais nenhum jogo e assitiu o jogo contra a Argentina não acreditou no que viu. Era um outro time vestindo a camisa do Brasil. Os chutes de 3 foram bem menos à esmo e a movimentação que os armadores impuseram deu a certeza que os argentinos iriam correr atrás dos brasileiros o jogo inteiro.
  • Ótimo trabalho da comissão técnica. E é uma pena que apenas o nezinho fora chamado para compor os treinos da seleção principal. O Fúlvio merecia uma chance também. Que venha o mundial.
  • Henrique Lima01.08.2010·
  • Professor Paulo, faz tempo que quero questioná-lo o seguinte.
  • Eu assisti alguns jogos do Boston Celtics, time da temporada 1986.
  • A linha principal era: Danny Ainge, Dennis Johnson, Larry Bird, Kevin McHale e Robert Parish.
  • Quando vi, me lembrei muito do sistema proposto pelo senhor.
  • Muito.
  • Neste vídeo talvez fique mais claro do que meu texto:
  • http://www.youtube.com/watch?v=pnm24AWHeMo&feature=related
  • É apenas um breve vídeo, mas a forma de jogar da equipe é muito interessante.
  • Bird ora no poste alto, ora no poste baixo, raramente recebendo parado a bola. Os outros dois pivôs, em movimentação constante, abrindo para passar se necessário.
  • E dois armadores. Ainge e Johnson, com disposição para os passes e depois sim para a conclusão, praticamente todas dentro do perímetro.
  • O Boston chutava pouquíssimo de três, aliás nesta época, os chutes de três pontos pouco representavam nas partidas, em termos de volume.
  • Isso, se considerarmos que o volume ofensivo de Larry Bird era de:
  • 19 chutes tentados por jogo, apenas 2 da linha dos tres e outros 17 dentro do perímetro.
  • Professor, quando vi, me lembrei e muito do que o senhor propõe.
  • Sei que Bird não é pivô. Não como os pivôs são referenciados hoje, como Shaquille O´Neal ou Dwight Howard. Mas, porque os pivôs não podem ter a qualidade de passe, visão de jogo, drible, arremesso de um Bird ? Porque negligenciá-los ?
  • Porque Kevin McHale e Robert Parish servem neste sistema do Boston como passadores, como definidores de jogadas de todas as formas, mas prioritariamente perto da cesta e recebendo em movimento e alguns outros pivôs de hoje, apenas estacionam e pedem bola parados ?
  • Enfim Professor, era essa minha dúvida.
  • Um grande abraço ! Henrique Lima
  • Henrique Lima01.08.2010· 
  • PS: O link que enviei Professor, não aparece, mas se selecionar o texto, o senhor verá.
  • Basquete Brasil02.08.2010· 
  • Sem dúvida foi uma outra equipe. Só discordo quanto aos arremessos de três, que foram vastamente tentados em detrimento do jogo interior, este sim, devastador. Nossos jogadores que atuam fora do perímetro ainda titubeiam na leitura do jogo, mais preocupados que sempre estão em suas produtividades finalizadoras, já que incentivadas por uma mídia equivocada.
  • Por estes comportamentos, prezado Douglas, torna-se urgente voltarmos aos fundamentos, intensa e dedicadamente.
  • Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil02.08.2010· 
  • Sim Henrique, já houve um tempo em que o basquete era jogado magnificamente na NBA. Veja como dois eram os estilos de jogo, com sistemas antagônicos e ambos eficientes.Outras equipes da liga atuavam mais diferentemente ainda, numa profusão criativa e de técnica individual e coletiva refinada.Hoje, a globalização esmagou o bem jogar, substituindo-o pelas Battles under basket, dunks,e muito marketing. Sobrou o que aí está. Mas como sou teimoso, e não saudosista puro e simples, mantenho o sonho dentro de mim, espelhado nas equipes que, teimosamente ainda dirijo.
  • Um abraço, Paulo Murilo.
  • Henrique Lima03.08.2010· 
  • Professor, a parte da tática do passado da NBA é muito mais rica do que a atual.
  • Atualmente, devemos ter umas 20 equipes jogando da mesma forma e várias delas perdendo vários jogos e mesmo assim, ficando na mesmice e algo em torno de 7-10 equipes que jogam um pouco diferente ou com conceitos que não são habituais na NBA.
  • Alias Professor, acho que nunca na liga tivemos tão poucos técnicos excelentes. Tirando Phill Jackson, Popovich, Sloan, Adelman, Don Nelson e talvez mais um ou outro que esqueci agora, o resto não faz parte de uma tradição de grandes técnicos que a NBA tinha ao menos, no começo da década de 90.
  • Isso também contribui para que o jogo seja repetido várias vezes e repensando pouquíssimas.
  • Um abraço, Henrique Lima.
  • Basquete Brasil03.08.2010· 
  • A isto chamam de globalização, artimanha logística que justifica a linearização de uma atividade humana, facilitada e operacionalizada por um poder central. Criar novos caminhos ante tal poder, e que auferem grandes lucros a todos os envolvidos no processo, torna-se um fato raro, e frontalmente combatido pela ameaça de quebra de um monopólio aceito e degustado pela maioria, de técnicos à jogadores, de dirigentes a mídia, como um clube fechado, onde a mediocridade se disfarça de elite, todos em defesa do status quo.
  • O passado de tradições esportivas advindas basicamente do meio escolar e universitário, locais onde o estudo, a pesquisa e as inovações tecnológicos nasciam e se espalhavam, inclusive no âmbito dos desportos, cedeu seu lugar às grandes organizações que visam o lucro, as franquias, onde a pragmatização técnico tática garante o fluxo contínuo da riqueza mantenedora do poder e de seus seguidores.Uns poucos tentam quebrar essa corrente, como os Suns em um passado recente, rapidamente engolfado pelo poder maior.
  • Aqui entre nós, esse exemplo vem se esgueirando sorrateiramente, mas pela insipiência do combustível básico para a sua sobrevivência, o aporte financeiro, ainda existem algumas brechas onde as inovações e atitudes corajosas podem reverter esse provável quadro. Quem sabe aqui em nosso país possamos pelo menos equilibrar tais tendências. A pobreza de recursos pode, quem sabe , retardar a imposição vinda de fora. Talvez…
  • Um abraço. Henrique. 

 

Como vemos, muito pouco mudou de lá para cá, principalmente no aspecto tático do jogo, onde o sistema único prospera a cada dia, adaptando-o a dupla armação e alas pivôs mais velozes, mantendo sua estrutura de comando fora da quadra, através imposições de jogadas “exaustivamente treinadas”, enxurradas de arremessos de três, atenção defensiva pífia, principalmente fora do perímetro, e o pior, fundamentos cada vez mais negligenciados, origem inconteste da ausência crônica da fluidez coletiva, por estrategistas mais ligados às suas midiáticas pranchetas, e pouco, muito pouco interessados em treiná-los, sequer ensiná-los, por um único e decisivo motivo, não saberem, em sua grande maioria, fazê-lo, ficando muito mais fácil trocar “as peças” claudicantes ao final de cada temporada, reiniciando o triste processo ano após ano…

Quem sabe um dia acordemos, quem sabe…

Amém.

Foto – Divulgação CBB. Clique na mesma para ampliá-la.

AMARGA INCOERÊNCIA…

No último artigo aqui publicado, apontei a enorme incoerência que separava a primeira entrevista dada pelo novo técnico da seleção brasileira, Petrovic, da realidade em que se encontra na direção de uma equipe que prioriza os arremessos de três pontos a cada ataque, somente cedendo nas intenções quando contestados fortemente, e mesmo assim, tentam as bolinhas, equilibrados ou não, como num primal impulso impossível de ser refreado. Sem dúvida alguma é o perverso reflexo, adquirido e sedimentado desde uma formação de base mais perversa ainda, pois privilegia o menor esforço e exigências frente à complexa e dificílima aprendizagem dos fundamentos básicos do jogo, substituindo-os pela chutação desenfreada a muitos metros da cesta, aparente e erroneamente protegidos de forte anteposição defensiva, num monumental erro de diagnóstico do que venha a ser o grande jogo e sua perene evolução, e que já começa a encontrar e desenvolver ações que muito mais cedo do que imaginam, inviabilizará a liberdade para empregá-los…

Tal incoerência é perfeitamente visualizada pela foto ao lado, onde a fugaz estatística apresentada na tela, confronta a enorme preocupação de um técnico frente a uma situação real de jogo que, ferindo seus princípios técnico táticos forjados em sua longa experiência européia, se vê refém de uma outra, diametralmente oposta, haja vista seu posicionamento explanado na entrevista mencionada…

Logo, a derrota pode ser perfeitamente explicada, porém não justificada, por contundentes números que conotam injustificadas situações, tais como o fato de ter perdido para uma equipe que convergiu em seus arremessos (19/32 nos 2 pontos, e 14/33 nos 3), pois não foi a sua equipe capaz de contestar a artilharia de fora, aparentemente preocupada com o poderio interior dos canadenses, que espremeram ao máximo a seleção em seu perímetro interno, abrindo totalmente a porteira para seus arremessos externos, e foram 14 bolas de 3, ou seja, 42 pontos dos 85 conquistados, praticamente a metade…

Por outro lado, viu sua equipe arremessar 28/49 de 2 pontos, ação que deveria ter tido continuidade, e amassar o aro num 5/20 de 3 em tentativas, perpetradas por nossos “especialistas”(só o Benite matou 1/7…), num erro de graves consequências, que poderia ter sido contornado se contestássemos os canadenses da mesma e competente forma com que nos contestaram, ocupando os espaços internos e externos com velocidade e estratégicos posicionamentos, técnicas que grande parte de nossos jogadores desconhecem, pois, desde cedo, são direcionados a chutação, e raramente a evitá-la por parte dos adversários, numa autofagia cruel e suicida, e cujos resultados aí estão…

O experiente técnico não pode cometer o erro dos dois estrangeiros que o antecederam, o de adaptar, ou mesmo esquecer seus princípios básicos do jogo, onde somente o conhecimento e a rude prática dos fundamentos poderá instrumentalizar os jogadores na difícil arte de defender, ou mesmo atacar com equilíbrio na busca dos arremessos mais precisos, os esquecidos e minorizados arremessos de curta e média distâncias, reservando os de longa para aqueles especialistas de verdade, e mesmo assim em condições plenas de equilíbrio e liberdade, como uma arma complementar, e não como uma ação prioritária de jogo…

Petrovic tem de se adequar aos seus princípios externados na entrevista inicial, sem exceções, exigindo e aplicando um competente preparo nos fundamentos, para que aqueles sejam exequibilizados nos jogos, e não se tornando refém de uma forma de jogar oposta a seus conceitos, pois em caso contrário não obterá os resultados que tanto persegue, e pelos quais é muito bem pago. Mas para tanto, necessita de competente ajuda, que no caso de seus atuais assistentes, vencedores de um sul americano marcado pela convergência que já se torna endêmica, à imagem e semelhança do sistema único, pouco ou nada frutificará, já que adeptos da chutação nas equipes que dirigem, obrigando-o a uma guinada técnico tática, na busca de algo diferenciado na maneira e forma de jogarmos, começando com a retomada de seus princípios, bem de acordo com o posicionamento inicial em terra tupiniquim. Vai conseguir? Torço para que sim, mas lá no fundo desconfio que não, infelizmente, pois o que vemos na LNB, porta de entrada da nossa elite, onde a incrível quantidade de erros de fundamentos ofensivos e defensivos, e o “chega e chuta” desenfreado, em nada recomendam nossos jovens talentos ao enfrentamento internacional de verdade, órfãos que são dos fundamentos do grande jogo, a começar pela ações mais básicas, como a de defender, passar com presteza, driblar com domínio do espaço, rebotear com firmeza, saber jogar sem a bola, arremessar com pleno conhecimento técnico, e acima de tudo, saber ler o jogo em suas partes e no todo, que são as portas de entrada do coletivismo consciente, todo um vasto arsenal de conhecimentos que têm de ser ensinados, duramente praticados, não importando idade, sexo, estatura, divisões, ou mesmo seleções municipais, estaduais e nacionais, pois se trata do ferramental inerente a prática do grande, grandíssimo jogo, terreno de propriedade daqueles que o conhecem, entendem e o amam…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

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