O QUALIFICADO E CLASSIFICATÓRIO PRESENTE…

Chegou ao final o sul americano sub 15 masculino, com a vitória brasileira sobre os anfitriões por 65 x 57, com 36 pontos anotados por Felipe Motta (55,3% do total da equipe), que atuou por 38:30 min, arremessou 7/9 de 2 pontos, 6/11 de 3, 4/6 nos lances livres, pegou 6 rebotes (1/5), deu 1 assistência, errou 5 vezes nos fundamentos(alguns deles, como no restante da equipe, motivados pelo piso escorregadio), conseguindo 29 pontos na eficiência, sendo ao final do torneio premiado como o jogador mais valioso, repetindo o feito quando do sul americano sub 14…

Por que a ênfase na atuação do jovem Felipe, italiano de nascimento, filho de brasileiros radicados na Europa, ensinado e treinado por seu pai e atualmente vivendo em Roma onde se aperfeiçoa no Club Stella Azurra, onde vem conquistando inúmeros títulos nos torneios de base europeus, continente em que sempre jogou? Bem, o que salta aos olhos é o inconteste fato de que sem a presença dele, dificilmente venceríamos este sul americano, classificatório ao mundial sub 16, haja vista a superioridade nos fundamentos das equipes platinas sobre a nossa, a tal ponto que o comentarista do jogo final mencionou estar o Filipe jogando num altíssimo nível, muito além dos demais competidores, desequilibrando a disputa de forma absoluta, e mais, atuando numa quadra escorregadia e perigosa pelas incontáveis goteiras por toda a sua área, situação esta que deveria ter forçado um adiamento, e que por sorte não ocasionou sérias lesões nos jovens jogadores. A nata sul americana das jovens promessas merecia algo bem melhor do que aquele chiqueiro…

Continuando o raciocínio do por que da ênfase, agrego mais um determinante fator, o de somente termos utilizado nas duas partidas finais 9 jogadores, pois 3 deles, Vinicius, Warley e Paulo não atuaram, gerando uma questão séria em se tratando de uma seleção nacional – Por acaso deixaram de ir jogadores melhores e utilizáveis, ou foram somente para “vivenciar o clima de uma seleção”? Ainda mais quando foi exigido esforço máximo, inclusive na prorrogação contra a Argentina, de 3 jogadores atuando praticamente o tempo inteiro nos dois jogos finais, explicando em parte o decréscimo dos mesmos nos terceiros quartos das partidas, afinal, são adolescentes em processo de maturação física e emocional, e não craques formados e vacinados, que mesmo assim não atuam o tempo inteiro. Mas o que pareceu importar foi alcançado, a vitória dada de presente por um jovem talento totalmente construído lá fora, ao vedar com presteza e técnica superior o permanente rombo em nossa frágil e inculta formação de base, cujos responsáveis trombetearão, sem dúvida nenhuma, o alto nível que já alcançamos, numa falseada apropriação, enfeitada pelas pranchetas midiáticas de praxe…

Obviamente não podemos negar que esta seleção, base para os ciclos olímpicos que se avizinham, possui jovens talentosos, altos e fortes, armadores promissores, porém alguns furos abaixo de muitos países no contexto do conhecimento pleno e prático dos fundamentos básicos individuais e coletivos do grande jogo, e que de forma alguma podem continuar a se perder agrilhoados a sistemas castradores, de passes intermináveis de contorno, de driblação (melhor termo que encontrei…) inócua e exibicionista entre as pernas, “encerando” o solo em longos trajetos de domínio da bola, perdendo-a ao tentar cortes em mudanças de direção, não dominar os giros, arremessar precipitadamente, errar arremessos fáceis, bandejas inclusive, defender em pé, com os braços, e não com o tronco e as pernas, fixação angular e não periférica permanente na bola, perdendo posicionamentos em rebotes defensivos e ofensivos, desconhecer os primados das flutuações defensivas, base da arte superior de defender um perímetro, se perderem sob pressão quadra inteira, até na reposição de um singelo lateral, desconhecer o “jogar sem a bola”, todos fatores que pouco dominamos, pois não são devida e competentemente ensinados, treinados e exequibilizados através sistemas que os auxiliem em suas valências pessoais, e não como provas de conhecimentos técnico táticos explanados em pranchetas ininteligíveis, por parte de estrategistas, que teimam em negar o fato indiscutível de ser a acuidade e percepção visual o mais lento dos sentidos, principalmente quando sujeito a análises de transposição topográfica por parte de jogadores pressionados e exauridos, abarrotando-os de informações impossíveis de processar em precários segundos…

Fica então bem estabelecido o sintomático alerta, aquele que define limites das nossas reais condições de praticantes eficientes e competentes dos fundamentos do jogo, numa constatação comparativa e decisiva entre jogadores de uma seleção nacional, frente a um  jogador diferenciado em sua formação básica, física e emocional, produto direto de uma escola superiormente desenvolvida, a tal ponto de se constituir no fator responsável e direto da(s) conquista(s) alcançada(s), nas subs 14 e 15 sul americanas…

Parabenizo a equipe, sem a qual o Felipe não poderia oportunizar sua qualidade de futuroso e decisivo jogador, que sem a menor dúvida, e no tempo devido, alcançará o patamar e merecido reconhecimento, fruto de muito trabalho e dedicação, as mesmas qualidades que deveriam premiar seus companheiros se devidamente ensinados e treinados por quem de direito, como ele o é…

Amém.

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MOTTA…

No jogo de véspera contra o Uruguai, tecí sérias críticas ao sistema padronizado e formatado como jogam nossas seleções e a maioria quase absoluta das equipes nacionais, de todas as categorias, desde a formação a elite, num sistema único implantado pela NBA, do qual nos tornamos utentes vitalícios, e que combato de forma persistente aqui neste humilde blog, e dentro das quadras quando me oportunizaram equipes para treinar, sempre com resultados surpreendentes para muitos que somente conhecem o grande jogo pelo viés equivocado do insidioso sistema…

A seleção sub 15 masculina, não fugiu do modelo estruturado e implantado coercivamente desde sempre, que por conta deste enraizado vício vem nossa base perdendo, ano após ano, a liderança sul americana, pois o mesmo prioriza jogadas rigidamente armadas, comandadas de fora para dentro da quadra, e induzidas através pranchetas avidamente rabiscadas pelos estrategistas de plantão, rigidamente preocupados com a consecução do mesmo, do que o preparo vital nos fundamentos básicos do jogo, viabilizador de todo e qualquer sistema ofensivo e defensivo que se pretenda desenvolver, ousando ainda afirmar que uma equipe bem preparada e estruturada nos fundamentos individuais e coletivos, principalmente nas formações de base, sempre levará vantagem sobre qualquer outra que se sinta preparada somente com sistemas de passo marcado, inclusive se tratando mesmo de seleções, municipais, estaduais e nacionais…

Perderam para o Uruguai exatamente por isso, quando os orientais se impuseram pela qualidade nos fundamentos de dois de seus principais jogadores, principalmente nos arremessos médios e longos, enquanto nos perdíamos enredados em esquemas falhos no ataque e na defesa, situando nossos melhores jogadores afastados do perímetro interno fustigados pela intensa defesa uruguaia…

No jogo de ontem, contra uma equipe com preparo fundamental superior a nossa, mais alta inclusive, e com duplas de armadores potentes, iniciamos o jogo ferindo-os no seu âmago defensivo através a “soltura” (pessoal ou autorizada) de três jogadores, Rodolfo, Leoni e Felipe Motta, com seus afiados e ousados fundamentos de drible, fintas, passes e arremessos, somados a acentuada melhoria no sistema defensivo individual da equipe em seu todo, para dominar os portenhos nos dois primeiros quartos, arrefecer no terceiro, e, por conta de um desgaste físico da trinca, exigida ao máximo para a sua idade (Rodolfo atuou por 42:43 min e Motta por 39:47), permitir o empate no tempo normal, provocando uma extenuante prorrogação vencida com méritos e muito sacrifício, qualificando-se para a grande final de hoje contra a única equipe que a venceu na classificação, e donos da casa…

Neste cenário cabe uma reflexão, importante e sensível reflexão, na jovem e impactante figura de um jogador singular, ainda não desenvolvido em seus segmentos físicos e articulares, parecendo desengonçado em alguns movimentos, ao correr, ao se deslocar lateralmente, tropeçando às vezes em seus enormes calçados, com um TOC perceptível na preocupação constante com seu calção, porém magnífico quando de posse da bola, espaçando suas pernas numa vasta superfície impossível de ser coberta por seu marcador, nos seus giros velozes e incisivos, liberando-o para os tão esquecidos DPJ´s, bandejas ambidestras, libertando-se lateralmente para um longo arremesso do alto de seus 1,97 m de adolescente altura, que facilmente chegará acima dos 2,05 m, driblando com desenvoltura mesmo preso às draconianas exigências do sistema em que está inserido, acredito inclusive que em sua equipe italiana também, pois seu comportamento assinala para essa constatação, precisando aprimorar as fintas com e sem bola, a variação de velocidade nos corta luzes e bloqueios, e principalmente a leitura mais incisiva de jogo, somente possível quando for exigido por outros sistemas e forma de atuar, e claro, defender com a clarividência daqueles que se conhecem no terreno de jogo, com seus atalhos e maneios, projetando-os em seus eventuais oponentes…

Na breve conversa que tive com ele no ginásio dos Afonsos onde treinava, disse-me que ainda necessitava melhorar muito na defesa e no preparo físico, ficar mais forte e resistente. Bem, no duro e viril jogo de ontem contra os argentinos, ele jogou por quase 40 minutos, desgastantes, marcou 28 pontos (8/14 de 2 pontos, 2/5 de 3 e 6/10 de lances livres), pegou 11 rebotes (3/8), deu 2 assistências, perdeu 3 bolas e assinalou 25 pontos de eficiência, sendo a arma exponencial de sua equipe, logo, forte e resistente para a sua idade, condição esta que se aprimorará com o passar dos anos, naturalmente até os 17/8 anos, quando suas epífises ósseas se solidificarão, para aí sim, e se desejar, adquirir massa muscular adequada ao seu posicionamento e evolução em quadra, basicamente optar pela armação como parece se destinar pelo talento e desenvoltura. Não faltarão “candidatos fisio não sei lá das quantas” prontos para “transformá-lo” em super e velocíssimo atleta, saltador reboteiro inigualável, trombador massificado, entre outras mais valências “cientificamente comprovadas”, como aos montes que aí estão pululando em equipes com suas equivocadas prestações, que passam a muitas léguas de um verdadeiro e cerebral jogador ( Bird e Bodiroga que o digam…), firme e lógico nos fundamentos, lúcido nos arremessos, e generoso com seus companheiros, vencendo ou perdendo…

Sugiro veementemente que invista no preparo fundamental, com critério e insistência, orientado por bons professores, ou mesmo sozinho enfrentando suas dúvidas, descobrindo-se sempre, aberto ao novo embasado nos antigos, diversificando seu preparo com os estudos, as artes, o rítmo (tão importante nos tempos de fintas e ocupação dos espaços), a uma outra atividade desportiva complementar, que ajude na coordenação motora, no trabalho grupal (o remo é magistral nesse campo), quem sabe um instrumento musical, afinando-se na compreensão do improviso, que é um dos sustentáculos da criatividade, pois “só improvisa quem sabe, quem domina seu instrumento de trabalho”, que no caso do grande jogo é aquele algo volúvel e instável que atrapalha tantos “jogadores”, a bola…

Enfim, Felipe Motta é uma grata surprêsa/realidade que tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente, e assistir jogando pela TV, sabedor de seu singular DNA esportivo, na figura de seu avô, a quem iniciei no basquetebol, e seu pai, excelente jogador, técnico e hoje descobridor de talentos para a NBA na Europa.

Torço para que alcance o sucesso por que tanto luta e persevera, pelo seu inegável talento e qualidade humana de que é possuído, não importando o resultado do jogo de daqui a pouco, pois muito bem sei e prevejo com segurança o promissor futuro que o aguarda, bastando querer de verdade e trabalhar arduamente por ele, incondicionalmente…

Amém.

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UM DIFÍCIL, PORÉM POSSÍVEL CAMINHO…

Enfim, consegui assistir o jogo da seleção brasileira masculina sub 15 no Sul americano no Uruguai, contra os donos da casa, na busca pela classificação às semifinais, com excelente transmissão pela internet, e com a narração e os comentários corretos e contidos, como deveriam ser, sem arroubos e exageros, muito comuns por aqui…

Estava curioso para conhecer na prática esta jovem seleção, muito alta e fisicamente forte para a idade, e que muito pouco pude avaliar no treino tático sem defesa que assisti aqui no Rio, quando de minha visita a Base Aérea dos Afonsos onde treinavam, liderados pela experiente Thelma Tavernari do Clube Pinheiros de São Paulo, conhecida e respeitada formadora de jovens jogadores, mas que nunca tinha tido a oportunidade de vê-la em ação na direção de uma seleção tão importante para o futuro do grande jogo no país…

Bem, o que vi em nada e por nada me entusiasmou, pois trata-se de um filme preto e branco das antigas que tenho assistido ano após ano, sem tirar ou apor absolutamente nada do que apresenta monocordicamente, sem inspiração ou inovação de qualquer monta. Sem dúvida alguma a padronização e formatação que nos foram impostas, em nome de uma pseudo globalização na forma de ensinar, treinar e jogar o grande jogo, cristalizou-se, sedimentando na teoria e na prática a mesmice endêmica que tanto combato, numa inglória luta por todo ciclo olímpico que se inicia, por décadas, e pelo que vejo e testemunho, sem um caminho de volta, ao continuar como está. O sistema único de jogo aí está escancarado e triunfante, agregando mais uma maldade, a idéia equivocada e absurda de que somos os bambas mundiais na artilharia dos três pontos, mesmo antes de acertarmos uma simples e prosaica bandeja, sequer um decente DPJ, ou obtermos um 55,5% nos lances livres (15/27 nesse jogo), mais do que suficientes para vencer se acertassem 4 dos 12 perdidos. E mesmo que observassem as continhas que tanto divulgo, ou seja, optando pelos 2 pontos, onde estavam devastadores, pois obtiveram 18/43 (48,1%) contra 11/30 (36,6%) dos uruguaios, somente com a metade dos erros nos 3 pontos (4/23, ou 17,3%, contra 9/26, ou 34,6% dos orientais) num total de 11 tentativas, para vencer com folga um jogo tão decisivo e importante…

Vencendo logo mais o Equador, irão às semifinais, quando terão mais uma oportunidade de atentar para as evidências que aponto acima, quando não terão mais o direito de errar estrategicamente de forma tão bisonha e óbvia, apesar de ostentar um vício de atuação que a cada dia, mês, ano, décadas, se avolumou de tal ordem, que dificilmente reencontrarão o caminho esquecido, perdidos que estão na quimera de que são os maiorais nos longos arremessos, sem antes aprenderem e aplicarem os mais simples, aqueles que ganham jogos e campeonatos, assim como dominarem a arte maior de se anteporem aos mesmos, dentro e fora do perímetro, no exercício competente de um sistema defensivo aceitável. Fico muito triste e decepcionado em ver jovens armadores correr maratonas cada vez mais velozes, sem pensar e ler o jogo, confundindo pressa com velocidade (como muito bem descreve o Wlamir), e serem cada vez mais induzidos a se tornarem cestinhas, de preferência nos 3 pontos, assim como altos pivôs virem jogar fora do perímetro, e agora também lançando para os 3 pontos, e mais, alas com extrema dificuldade nos dribles e fintas, e o pior nos passes, expostos a quantidade dos mesmos advindos do sistema que utilizam, em estéreis contornos, quando deveriam incidir na direção da cesta, buscando-a naquelas curtas e efetivas distâncias, obcessivamente, pois oferecem um grau de precisão muito maior que os tiros de fora, campo para muito poucos especialistas em condições de liberdade e equilíbrio pleno…

Abrir os quatro no ataque, deixar o solitário pivô num eventual e raro 1 x 1, correria em círculos cada vez maiores, passes em contorno, os 24 seg se exaurindo, concluindo com um arremesso qualquer de fora, ou uma penetração desesperada e quase sempre inócua, é a realidade de como jogamos, com atitudes e movimentos previsíveis, como jogam a maioria das equipes, e que segundo os mágicos preparadores físicos, hoje praticamente os donos do jogo, superável pela velocidade extrema, a capacidade de saltar e duelar fisicamente, onde o pensar e raciocinar se torna dispensável na maioria das ações técnicas, táticas e principalmente, estratégicas de uma modalidade cerebral, e não somente física, como vem ocorrendo, por obra e graça das “academias”, e suas inevitáveis consequências, como a crescente escalada de rompimentos musculares e articulares, nada compatíveis com um preparo consciencioso e responsável, principalmente com os mais jovens…

Dói muito assistir jovens talentosos marcando zona, sem as coberturas somente aprendidas nas técnicas da defesa individual, e por isso mesmo sendo devastados por arremessos de fora absolutamente livres, a exemplo dos dois únicos uruguaios razoavelmente habilitados a executá-los (recordando, foram 9/26, ou 34,6%, contra 4/23, ou 17.3% dos nossos)…

A técnica brasileira é muito experiente, prepara bem os jovens em alguns dos fundamentos básicos, mas peca pela utilização padronizada e formatada do sistema único que nos esmaga e mediocriza a mais de 30 anos, perdendo a oportunidade de quebrar esse estigma na direção de futuros e talentosos jogadores, formulando um novo enfoque de jogar o grande jogo, dando aos mesmos a oportunidade criativa e fundamental de se situar como proprietários de algo realmente novo e desafiador, dando seguimento a já aceita dupla armação, e a existência cada vez mais ampla de jogadores altos, rápidos e flexíveis, todos em busca de um forma realmente inovadora, desafiadora e ousada de pensar e jogar o grande jogo, atuando no âmago da defesa adversária, e não arremessando bolinhas cada vez mais distantes da cesta, por absoluta inacapacidade de aproximação, motivada pela precariedade nos fundamentos do jogo, que é a prioridade absoluta na formação de base, inclusive em seleções…

Espero que mudemos a tempo de enfrentarmos o ciclo olímpico para 2024, e que os deuses nos ajudem.

Amém.

Fotos – Reproduções da internet. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

UM FUTUROSO JOGADOR…

Estive na manhã de ontem no Campo dos Afonsos, onde treina a seleção sub 15 masculina para o sul americano que se inicia nesta próxima segunda feira no Uruguai. Tive um motivo a mais para lá estar, conhecer pessoalmente o Felipe Motta, neto do Paulo Cesar Motta, a quem ensinei o grande jogo, e filho do também Paulo Motta, que aprendeu a jogar com o agora orgulhoso avô, numa escalada familiar exemplar. O Felipe, nascido na Itália onde vive com os pais, optou jogar pela seleção brasileira, estreando no sul americano sub 14, sendo premiado como o MVP da competição, depois de conquistar o título europeu da categoria pela equipe da Stella Azurra de Roma, onde treina e estuda. Felipe estava machucado num dos dedos do pé, não treinando para ser submetido a intenso tratamento, a fim de poder participar da competição, sendo o excelente jogador que já desponta como uma promissora realidade para o nosso basquetebol, na continuidade de seu esmerado preparo na península itálica…

Conversei um pouco com ele, que ficou surpreso pelo fato de saber que seu avô tenha sido preparado e treinado por mim, assim como seu pai também privou de minha orientação na técnica dos arremessos por duas semanas quando em uma das visitas ao Rio de Janeiro. Observei surpreso sua maturidade aos 15 anos, focado no basquetebol e nos estudos, assim como sua opção em jogar pela seleção brasileira, em vez da Italiana para a qual foi convocado, afirmando que foi uma escolha natural pelos fortes vínculos familiares de onde se origina. Infelizmente, não pude observá-lo em ação presencial, pois já o tinha visto através alguns vídeos postados pelo Paulo na Internet, tendo me impressionado sobremaneira por sua elevada estatura, 1,97 jogando como um ala armador, e que previsivelmente atingirá os 2,10, altura impressionante para um jogador que atua na armação, veloz, ágil, elástico e forte. Torcerei muito pelo seu sucesso, e quem sabe um dia, possa instruí-lo em algumas técnicas de arremesso, como fiz com seu pai, do qual sou padrinho e seu avô, compadre de longa data…

Quanto ao treino, que assisti solitário na bancada, pude atestar o muito bom material humano a disposição da excelente técnica e formadora Thelma Tavernari, que sem dúvida alguma liderará a seleção a mais uma conquista no Uruguai. Foi uma excelente manhã, sem dúvida alguma.

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal. Na segunda foto, o orgulhoso avô Paulo Cesar (número 10), jogando pela Escola Carioca de Basquetebol (1962) no Ginasio do Palmeiras em São Paulo, ao lado do Vitor, e agachados, Lourival, Peixotinho e Eddie. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

OS DOLOROSOS ACHISMOS…

– “A falta é importante porque mostra a vontade de defender”…

– “Se o técnico tem direito aos tempos, devem ser usados”…

– “A falta inteligente deve ser usada para parar um contra ataque, ou para esfriar o jogo”…

– “Se é para fazer uma falta, uma trauletada, mas sem intenção de machucar, deve ser feita, evitando os dois pontos e enviando o adversário para a linha do lance livre, onde pode errar”…

Todas são opiniões da nova geração de comentaristas, pinçadas nas transmissões pela TV e pela internet, que inclusive promove alguns gênios do conhecimento técnico e tático do grande jogo, como uma jovem repórter simpática e falante, que após ser apresentada ao grande jogo uns dois ou três anos atrás, discorre hoje um caudal de conhecimentos que, após 50 anos de engajamento no mesmo, não consigo me equiparar, numa situação muito séria a ser pensada, pois todos eles, de posse unilateral de microfones, em redes nacionais, influenciam jovens por todo o país, com informações, e agora falando muito sério, falsas, errôneas e equivocadas premissas sobre uma modalidade desportiva mais do que centenária, complexa e altamente técnica, que exige muito estudo e pesquisa, e não supostos conhecimentos e chutações descabidas, irresponsáveis? Não sei…

Fala-se muito de defesas, como a do Pinheiros contra o Flamengo, mas “como” defenderam, silêncio total, e se quisessem ou pudessem se estender sobre os detalhes e minúcias, aí seria o caos, pois tais pormenores sequer desconfiam quais sejam, muito menos, como funcionam. Fica mais fácil e palatável a “forte vontade de defender”, cometendo aquelas faltas que a definem, dando as trauletadas necessárias, claro, sem más intenções, e o mais importante, agindo faltosamente com inteligência, pois exercer coletivamente a marcação com a movimentação das pernas, e não dos braços, flutuar de forma lateral e não longitudinalmente a cesta, e contestar em projeção verticalizada (trasformando o deslocamento horizontal em vertical) os longos arremessos, complementando com o movimento em extinção dos bloqueios (bem lembrado pelo Wlamir) nos rebotes, e priorizando, lá na frente, as finalizações de 2 em 2, otimizando todo o tempo de posse de bola disponível, de forma alguma é mencionado, por um único e singelo motivo, não sabem nem conhecem bulhufas do grande jogo, mesmo, mas são os que estão dando as cartas, deixando na poeira aqueles muito poucos que também empunham microfones, mas à sombra consentida dos gênios de plantão, por não ostentarem a imagem marqueteada e midiática que vende o produto NBB/NBA. Some-se a tudo isso o nível absolutamente surreal das ufanistas e tonitruantes narrações, e temos um retrato bem fiel das quantas andam a verdadeira situação do grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país. Solução paliativa para mim? Desligar o som…

Agora mesmo, num pré-jogo na Arena Carioca, um dos comentaristas informa em primeira mão a estratégia inicial de uma das equipes que pagarão para ver as bolinhas do adversário, a fim de reforçar os rebotes pela flutuação aos longos arremessos, arriscando tomar alguns pontos, em favor do jogo de transição (?), evitando a segunda bola em rebotes ofensivos. Como vemos, o fator defensivo intenso, básico e presente não entra em consideração, mesmo sob o recente exemplo do Pinheiros vencendo o Flamengo “fungando no cangote” rubro negro o jogo inteiro, como deve ser feito de forma regular, e não esporadicamente…

Enfim, vamos vivenciando essa mesmice irritante e endêmica que sufoca o grande jogo entre nós, agora enriquecido com a prolixidade técnico tática de uma geração de comentaristas, irmanados nos equivocados achismos e pontos de vista, todos absolutamente convictos do que pensam saber e influir a realidade do grande jogo, ou seja, dolorosamente nada…

Amém.

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“A LINHA FÓBICA”…

Há muito tempo que não me divertia tanto assistindo um jogo de basquetebol, como o de ontem entre Flamengo e Mogi, principalmente pelos irônicos e bem colocados comentários do Wlamir, que entre jogos do NBB e as novelas, preferia-as sem pensar, ainda mais quando estão em seu final. O institucionalizado “chega e chuta” o assusta demais, assim como a barafunda que os jogadores fazem ao confundir “velocidade com pressa” nas conclusões das mais comezinhas jogadas, das mais primárias finalizações, errando em profusão nos fundamentos básicos do jogo, nos passes paralelos a linha final (provocados quase que automaticamente pelos deslocamentos padrão do sistema único, com seus passes de contorno), nos dribles e fintas, tropeçando naquele elemento que atrapalha muitos jogadores considerados de elite, a bola, e inclusive classificando alguns como “em extinção”, como o posicionamento defensivo e antecipativo nos rebotes, o abandono do simplório, porém eficiente DPJ, o desconhecimento do “giro” pelos pivôs, e o que classifica com propriedade de “linha fóbica”, como aquela que delimita os arremessos para os três pontos, numa genérica ação doentia, que mereceria aprofundados estudos, em que a maioria de nossos jogadores padecem fóbicamente, segundo o grande jogador e professor de primeiríssima linha…

O mais engraçado ainda é a nova tendência de alguns jogadores arremessando “do meio da rua”, anunciados aos berros pelos ufanistas narradores, como se a desenvolvida técnica do Curry se incorporasse na turma da forma mais “natural” possível, bastando para tanto simplesmente chutar, chutar, chutar…

Na véspera, um outro comentarista, ex técnico e conhecido pela vociferação verbal com seus jogadores, elogiando a atitude da LNB não permitindo os microfones nos pedidos de tempo, a não ser no minuto final dos jogos (uma velha e insistente reivindicação aqui desse humilde blog), como uma ação benéfica, pois na maioria das vezes os insultos e palavrório inadequado constrangia mais do que informava os ouvintes, num comentário sutil e revelador…

Todos os comentários, agora mais vastos e obrigatoriamente mais consistentes pela ausência do áudio vindo dos bancos, definirão o quem é quem da crítica e análise do grande jogo, a não ser que desenvolvam aos píncaros o festival de “encheção de linguiça” em que a maioria deles mergulhou na grande rede…

Como disse no princípio, a muito não me divertia tanto num jogo de basquetebol, mas com uma nesga de incredulidade ante os 38 erros cometidos por ambas as equipes (17/21), a chutação “fóbica” sem o mais ínfimo resquício defensivo (foram 19/46 bolinhas…), numa promoção de “tiro aos pombos”, pela maioria das equipes, com o consentimento “evolutivo” dos estrategistas sempre de plantão, na ânsia inconsequente de “modificar o jogo”, a la Curry/Thompson/Durant Company,  como se os possuíssem em suas equipes, numa projeção técnica que raia ao absurdo, e cuja cobrança mais adiante nos mais importantes torneios internacionais, onde as contestações se farão presente, em nada aliviará nossa consentida e equivocada opçao…

No entanto, nem tudo foi “diversão”, pois um debate foi estabelecido pelos comentaristas sobre os reais motivos da não convocação do Marquinhos para a seleção que disputa as eliminatórias para o Campeonato Mundial, e que teve no Wlamir, ao saber pelos colegas que assuntos pessoais indispunham o Petrovic com o jogador, comentou – “O técnico pode perder a confiança na pessoa, não no jogador, que é fundamental para a Seleção” – Discordo caro mestre, o jogador e o homem são a mesma pessoa, indissociavelmente ligados, principalmente a um grupo de trabalho, do qual, ele e o técnico fazem parte, e onde a confiança pessoal, técnica e profissional deve existir incondicionalmente, principalmente numa seleção brasileira, logo…

Amém.  

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Comentários Recentes


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