O QUADRAGÉSIMO SEXTO DIA – A VIAGEM…(ARTIGO 700)

Dia de aprontos, dia de ajustes e de muita conversa técnica, dia de nos unirmos para a última etapa de nossa saga, de nossa luta, enfim, dia de partida para a despedida de uma temporada que poderia ter sido um pouquinho menos amarga em seu inicio, compensada em termos por um final digno e corajoso.

Sexta feira enfrentaremos o poderoso Joinville, e domingo o ainda pretendente à última vaga nos play offs, o Londrina. Dois jogos, duas pedreiras íngremes e escorregadias, duas excelentes equipes. E nós, desclassificados do torneio final, mas plenos de força e esperança em dias melhores, nos apresentaremos em suas casas, para competir com honra e dignidade, desejando acima de tudo as vitórias sempre buscadas com ardor e muita luta.

Meu relatório para a diretoria está pronto, bastando imprimir os quarenta e tantos artigos aqui postados contando o dia a dia do preparo desta instigante equipe, com seus jogadores desacreditados, mas plenos de energia e insuspeita técnica, particular, surpreendente. Tem sido um enorme prazer dirigir e orientar esse grupo de irmãos, alegres, irreverentes, respeitosos, e acima de tudo, brilhantes. E do jeito particular de cada um deles montei um puzzle exclusivo, mas não intransferível, onde evoluem com maestria e energia, num sistema de jogo realmente eficiente, num sistema de jogo de que são exclusivos proprietários, até que os copiem, o que seria muito bom para o basquete brasileiro.

Pena, muita pena que os vídeos estejam custando a serem veiculados, pois seriam de grande valia para os jovens técnicos do país, ávidos de novos ares, de novas e eficientes técnicas, de algo novo e desafiador. Nosso basquete precisa reaprender a jogar com os homens altos junto às cestas, na contra mão desse cataclismo implantado entre nós, o desvario dos arremessos de três.

Precisamos reinventar os armadores, não estes que aí estão, semáforos ambulantes, corredores de maratonas, e estilingues irresponsáveis. Falta nos faz os armadores leitores de defesas, eficientes no drible, nas fintas, nos passes, e eventualmente eficientes nos arremessos de media distância, nos DPJs.

Nosso basquete necessita evoluir, juntando cérebros e propostas de sistemas de ataque, de defesa, aplicados à formação de base, na formação de futuros técnicos, generalistas, abertos a idéias e não conceitos fechados visando a padronizações, formatações, e reinado de coreografias em pranchetas impessoais e egoístas. Precisamos dos debates, dos olhos nos olhos, meio infalível de conhecimento mútuo, do respeito, da ética.

Enfim, partiremos numa viagem que poderá representar um novo tempo, se não para muitos, mas  com certeza,  para nossa briosa e orgulhosa equipe.

Amém.

O QUADRAGÉSIMO QUARTO E QUINTO DIAS…

Como somente hoje reassumi a equipe, pois havia me deslocado ao Rio logo após nossa vitoria contra o CETAF para assuntos inadiáveis, a equipe treinou ontem sob o comando do assistente Washington, que manteve a rotina de treinos a que nos dedicamos desde que assumi o comando da equipe. Hoje, a rotina dos fundamentos foi mantida pela manhã, com a ausência de alguns jogadores em tratamento de persistentes lesões, que somente serão corrigidas ao final da temporada, onde o fator tempo contribuirá para a cura definitiva.

No treino da tarde algo de muito importante ocorreu, já que só pude contar com nove jogadores, o fato de poder estabelecer uma atividade coletiva adaptada àquela circunstância. Começamos com um exercício de coordenação entre armadores e pivôs móveis, onde o passe é o ponto central das ações estabelecidas de forma aleatória, onde a criatividade é seguidamente posta à prova.

À seguir uma atividade coletiva em meia quadra de 4 x 4 contra defesa individual e zona, em preparação ao exercício principal e de importância decisiva para o sistema adotado pela equipe, um 4 x 5, onde a velocidade nos passes e nos deslocamentos, a entrada e saída da bola do perímetro interno acelera ações e comportamentos, onde a leitura defensiva é essencial, em tudo compensando a pontual inferioridade numérica propositalmente estabelecida.

E a proposta seguiu animada e num empenho elogiável, onde 4 x 5 pouco diferia de um 5 x 5, exatamente pelo alto grau de entendimento e coordenação desenvolvido dentro e fora dos perímetros.

Ao encerrar o treino, conclamando os jogadores à luta para os jogos finais, e vendo nos semblantes de todos eles o comprometimento espontâneo e corajoso, tive a nítida certeza de que faremos belos e grandes jogos, onde as vitórias possíveis serão perseguidas com ardor e determinação, onde o dever deverá ser cumprido à risca.

E ao responder a um jornalista que insistia no fato de que a impossibilidade de classificação aos play offs em tudo alteraria a motivação dos jogadores para os dois jogos finais, respondi que esta situação já era manifesta desde os três últimos jogos disputados, dos quais vencemos dois, contra Brasília e CETAF, e que não seria diferente agora para os dois restantes, pois o que nos resta é a certeza de que formamos uma boa e competitiva equipe, que infelizmente não tem mais chances de classificação, mas está plena de força e de certeza em dias melhores, e por isso irá à luta até o final, com honra e dignidade.

Amém.

O QUADRAGÉSIMO TERCEIRO DIA – A CORAJOSA AFIRMAÇÃO…

Depois de viajar toda a noite, estou em casa, cansado fisicamente, mas ainda preso às emoções do jogo de ontem, do grande jogo da noite de ontem. Não tenho em mãos as estatísticas nem o DVD, pois tive de correr para a rodoviária logo que terminado o jogo, e que jogo, 83 x 57 para minha briosa e competente equipe. O clássico capixaba ainda vai dar muito que falar, não pela vitória em si, mas pelas circunstâncias que cercaram  o encontro desde sempre.

O CETAF/Vila Velha vem disputando acirradamente sua inclusão nos play offs, principalmente contra Londrina e Paulistano, e uma vitória contra o Saldanha o beneficiaria decisivamente. E foi com esse espírito que nos enfrentou, com seus três norte americanos, e seu poder de rebote devastador.

Agora mesmo tento o site da LNB em busca das estatísticas, mas em vão, um erro é apontado e fico privado das mesmas, e uma análise mais precisa fica comprometida por enquanto.

Mas não a análise crua de uma conquista memorável, como afirmei antes, pelas circunstâncias que envolviam a partida, onde o fator determinante era a necessidade crucial de vitoria para Vila Velha, e o aparente tranqüilo posicionamento para nós, que na realidade da equipe em nada correspondia a verdade, pois vencer para nós alcançava uma dimensão maior, a de afirmar-se como uma equipe de alta competição, digna de fazer parte de uma LNB.

Nos preparamos com rigor e determinação, e fomos para o jogo limítrofe entre o antes e o depois de todo o esforço despendido. E como jogamos, e como lutamos, e como, acima de tudo, defendemos.

Faço um ligeiro intervalo na digitação, e vou em busca das estatísticas, que agora, 3 horas da madrugada finalmente entram no ar.

Analiso-as detidamente e um número paira à minha frente, assistências do Vila Velha, zero! É aquele tipo de variável que determina o rigor defensivo, que afirma quão eficiente foi o sistema defensivo de uma equipe. Em outras palavras, não permitimos em nenhum momento da partida que um passe fosse concluído em cesta, atestando que as mesmas aconteceram através iniciativas individuais, comprovando a quebra dos princípios coletivistas do adversário. Ponto para nós, e que ponto.

Vila Velha, mesmo jogando de forma individualista vinha a campo com outra arma formidável, seus arremessos de três pontos, onde um McNeil e um Eric eram donos de marcas consideráveis, em uma equipe com média deste tipo de arremesso bem acima das 25 tentativas por jogo. Arremessaram 18 vezes, sempre sob forte contestação, e somente concluíram com sucesso 4 vezes. Mais um ponto para nós.

Sua capacidade reboteira, com jogadores bem mais altos e fortes que os nossos também foi contestada nos defensivos, 26/21 para nós, e 8 para cada nos ofensivos, determinando uma ligeira superioridade nesse importantíssimo fundamento, logo, outro ponto para nós.

Nos lances livres perdemos 11 e Vila Velha 10, gerando um equilíbrio para menos que não influenciaria o placar em nenhuma circunstância. O mesmo nos roubos de bola, 9/8 para nossa equipe, e num jogo que somente 3 erros foram cometidos em 2/1.

Mas foram os arremessos de curta distância que determinaram o curso da partida, onde nossos pivôs móveis apontaram 46 pontos, um pouco mais da metade da contagem final de 81 pontos, assim como a participação do jogo externo, com os armadores concluindo 37 pontos, numa distribuição perto do ideal entre pontos dentro e fora do perímetro, fator que comprova com sobras a excelência do sistema adotado pela equipe.

Mas um último detalhe tem de ser acrescido, quando pus à prova o equilíbrio emocional dos jogadores ao liberar para alguns os arremessos de três pontos, quando em situação ideal, e somente nessa condição, de uma bola voltar de dentro para fora do perímetro interno, quando a defesa do Vila Velha, totalmente comprimida no seu garrafão não tivesse a mínima chance de contestá-los. Obtivemos 6/13 arremessos, uma tentativa a mais do estipulado para toda a equipe.

Os quartos, 24×21, 15×7, 13×14 e 31×15, demonstram a grande evolução física e técnico tática da equipe, agora senhora de suas possibilidades, já que apta a jogar o sempre temível quarto final, provando sua maturidade e qualidade, e tudo alcançado no quadragésimo terceiro dia de trabalho cansativo, e acima de tudo corajoso. Parabéns a todos.

Amém.

O QUADRAGÉSIMO SEGUNDO DIA – A SUPERAÇÃO…

Chego ao ginásio um pouco antes das 10:00hs, para o treino da manhã, e vejo que em frente da porta da administração uma fila de jogadores estava formada. Pergunto o porquê da mesma e a resposta veio célere – Dia de pagamento professor! – E lá vão eles, um a um, receber seu salário.

A atmosfera interna do ginásio estava abafada pelo calor reinante e com a temperatura subindo rapidamente previ um desgaste a mais na já bastante desgastada equipe, e na véspera de um jogo para lá de importante.

Reuni os jogadores, felizes com o pagamento, e os liberei para efetuarem seus inadiáveis pagamentos e compromissos bancários, deixando para bem mais tarde, às 18;00hs, o importante treino do dia. E lá foram eles darem seguimento às suas vidas e a seus compromissos, acumulando mais uma reserva de energia para o clássico de amanhã.

Passo a tarde revisando um vídeo do jogo entre nosso adversário e Minas, procurando uma maneira mais lógica e eficiente para dosar as forças de uma equipe, como disse anteriormente, desgastada física e emocionalmente pelos vários transtornos por que passou durante a já quase finda temporada, mas que bem e racionalmente preparada chega aos três últimos jogos confiante e proprietária de uma forma de jogar tão sua, tão particular, que sente razoavelmente compensada as anotadas deficiências. Separo três pontos que podem nos beneficiar, e parto para o ginásio.

O treino é intenso, mas não muito longo, dosado nos três pontos que anotei na revisão do vídeo, e mais dois referentes à nossa própria equipe. E dei por encerrada a nossa preparação para o grande confronto. Estamos prontos, vamos jogar, e que vença o melhor.

Amém.

O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO DIA…

O fim de semana promete, pois o jogo de sexta contra a equipe de Vila Velha, o CETAF, mexe com as cidades limítrofes, com suas torcidas apaixonadas, e pelo fator mais instigante, a imperativa necessidade do CETAF vencer para obter a classificação aos play off da Liga. Nossa equipe já afastada da fase semi final, deseja encerrar sua participação apresentando um basquete de qualidade, demonstrado nas últimas partidas duramente disputadas, como fator determinante para a próxima temporada.

No treino matutino muitos desfalques, todos baixados ao fisioterapeuta por força dos duros embates sofridos nas duas últimas partidas, com  Minas e Brasília. Foi um treino que intitulo de Academia do Arremesso, onde corrigimos as falhas mais comuns nos arremessos da maioria dos jogadores, vitimas de um trabalho de base deficiente e pouco detalhista. É uma atividade de sintonia fina daqueles pequenos, e até imperceptíveis detalhes que alteram, e muito, a precisão dos arremessos, gerando insegurança e falhas, com grande prejuízo para toda a equipe.

No treino da tarde, após a exibição do vídeo do jogo com Brasília, o trabalho ganha em empenho e dureza, quando em meia quadra vamos às minúcias do nosso sistema de ataque, contestado todo o tempo por uma defesa linha da bola implacável, onde “o deixar as jogadas darem certo”, cedem espaço às antecipações, retomadas, bloqueios e duras disputas pela bola, que são fatores básicos às melhorias ofensivas, pois originam novas e diferentes ações, somente perceptíveis e factíveis sob intensa ação defensiva.

E as defesas revezando marcações individuais e por zona, com empenho máximo, leva toda a equipe a explorar as possibilidades que o sistema ofensivo possa oferecer, aumentando-as na medida em que a leitura dos comportamentos defensivos se tornem comuns e seletivas.

O treino se encaminha para seu final, quando para alegria geral determino que o mesmo, por 10min seja estendido por toda a quadra, comportamento pouco usual em nosso trabalho, aceito por todos, mas deixando uma pontinha de vontade pelo tradicional “campo inteiro”.

Amanhã, véspera do grande desafio, treinos específicos serão desenvolvidos, sempre voltados à excelência de um sistema que une a equipe em torno de um objetivo comum, jogar da melhor maneira possível o grande jogo.

Amém.

O TRIGÉSIMO NONO E QUADRAGÉSIMO DIAS…

Depois da catarse coletiva que representou a grande vitoria contra Brasília, voltamos à rotina de trabalho, pois o campeonato segue seu rumo, e na sexta feira um encontro tradicional, disputado sob o signo da rivalidade  local contra o CETAF de Vila Velha tem de ser alvo de um preparo minucioso, já que para nosso adversário se trata de um encontro decisivo às suas pretensões de classificação aos play off da liga.

Logo, baseado na apresentação dos jogadores para o treino matutino, onde vários deles se apresentaram lesionados ou extremamente estafados, realizamos somente um treino corretivo de arremessos, deixando para a atividade vespertina a movimentação mais exigente.

E que aconteceu em grande estilo, na qual o empenho e o interesse em manter a forma técnica da equipe se tornou evidente e recompensador. Avançamos muito no entendimento dos sistemas, tanto o defensivo, como o ofensivo, principalmente quanto a jogadas da lavra dos jogadores, sem a minha interferência direta, numa conquista da equipe que me encorajou na manutenção do livre arbítrio em seu todo.

Foi sem dúvida uma segunda feira encorajadora.

Hoje, terça feira, iniciamos o dia com um intenso treinamento de fundamentos de dribles, fintas, passes e arremessos DPJ, procurando a excelência nos arremessos em velocidade, marca pessoal da equipe. Toda uma movimentação através exercícios de fundamentos coletivos foi levada ao maior grau de exigências, físicas e técnicas, preparando a todos com situações de jogo as mais realistas possíveis.

À tarde, um treino fortíssimo contra defesas zonais foi levado à extrema exigência física, com resultados compensadores, principalmente pelo aumento progressivo na leitura do jogo pelos jogadores, quando voltados ao pleno entendimento do sistema que utilizam.

Aos poucos a equipe vai tomando forma, consistente e conscientemente, como deve ser desenvolvido um treinamento em plena temporada, ainda mais quando a proposta técnico tática é inédita e oposta ao que praticavam desde sempre. Mas com o comprometimento maciço dos jogadores, mesmo as dificuldades inerentes ao processo de aprendizagem sendo aceitas e contornadas, viabilizam o novo projeto, a nova feição de uma equipe desprestigiada e minimizada por todos.

Temos um longo caminho ainda por percorrer, mas um inicio compensador ajuda muito a trilhá-lo, mesmo contra todas as dúvidas vindas daqueles que desejam e se esforçam em manter o basquete no limbo em que se encontra. Devemos continuar, e não desistiremos de um sistema que embasa a nova identidade de nossa equipe.

Sexta feira teremos mais uma oportunidade de divulgar um trabalho que tem a nossa cara, que representa a nossa identidade, que executamos como ninguém, perdendo e vencendo.

Amém

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O TRIGÉSIMO OITAVO DIA – A VITÓRIA…

Chego ao ginásio que ainda vazio brilha de tão limpo, refletindo a luz solar no piso uniforme e lindo. Vou até o banco e me sento já visualizando o jogo, bem ali na minha frente. De repente retiro de minha pasta um CD com músicas inéditas de meu filho caçula e peço para que o técnico que revisava o som o toque. E então, no ginásio vazio e brilhante, ao som das belas canções do João David pressinto que algo de muito especial ali ocorreria, que finalmente minha equipe, meu time, se reencontraria com seu destino, com a tão sonhada vitória, contra o líder da competição e seu plantel de grandes jogadores, jamais por um golpe de sorte, mas arrancada pela luta, e acima de tudo pela coragem de um grupo que tenho um imenso orgulho de liderar.

Na preleção que antecede o jogo traço com a equipe as estratégias longamente estudadas, fundamentadas num duro treinamento, na insistência dos que acreditam num sistema diferenciado, num sistema de sua exclusiva propriedade, mas que se escuda e ampara na coragem de desenvolvê-lo contra todas as perspectivas de um basquete engessado, padronizado e formatado como o nosso. Também estabelecemos a estratégia defensiva, optando pela utilização também corajosa da defesa linha da bola, aquela que nos propicia marcar os pivôs pela frente, que na impossibilidade de conter o poderio de atacantes de grande categoria cede aos mesmos e sob grande pressão somente a possibilidade de arremessos de 2 pontos, jamais 3, e que se utiliza da zona como recurso de quebra de ritmo, nunca como base defensiva. Enfim, em uníssono, comprometidos com o que treinamos e aceitamos integralmente fomos para a luta, dura e exaustiva luta, enfrentando a melhor equipe brasileira, a líder do campeonato.

Os dois quartos iniciais foram parelhos, 19×21 e 22×24 terminando em 41×45 para Brasília. Foram quartos de puro duelo, entre defesas e ataques, onde a equipe de Brasília não conseguiu uma cesta sequer de três pontos, qualificando sobremaneira nossa opção defensiva, contrabalançada pela eficiência ofensiva que aproveitou todas as possibilidades nos arremessos de curta distância, pois dos 11 arremessos nossos de 3 pontos, somente efetuamos 2 nesta primeira fase.

O terceiro quarto foi difícil, pois nosso pivô de ofício, André cometeu três faltas, e a equipe de Brasília insistiu o mais que pode no jogo interior com o Mineiro, além de começar a se tornar eficiente nas poucas oportunidades que dávamos para seus arremessos de 3, que foram somente 15 ao final do jogo. Venceram o quarto em 12×20.

Ao inicio do quarto final estabeleceram 13 pontos de vantagem, mas o desgaste de sua equipe já era evidente, fator que chamava uma troca de estratégia, inclusive sugerida pelo meu assistente Washington, a utilização de uma zona forte e agressiva com a finalidade de quebrar o ritmo final da equipe candanga.

Exatamente aos 5 minutos para o fim do jogo determinei a troca defensiva, e descontamos os pontos em quatro ataques desperdiçados pelo nosso adversário. Com 8.5 segundos para o término vencíamos por um ponto e ainda teríamos duas faltas de lateral para serem utilizadas. Por principio não gosto deste tipo de jogo, e uma falta proposital àquela altura poderia ser interpretada como ante desportiva, e o jogo iria para as calendas gregas. Optei pela defesa pura e simples, porém pressionada, mas o Guilherme em 3 segundos concluiu uma cesta que daria a vitoria a sua equipe. Tínhamos 5 segundos e fomos para dentro do garrafão de Brasília, como fizemos o jogo inteiro, jogando de dois em dois pontos, com segurança e minimizando erros pela proximidade dos arremessos. E o Roberto, num rebote, dominou a bola, levou falta clara, mas colocou a bola na cesta. Fim. Vitoria merecida, suada e arrancada do fundo daqueles corações corajosos e sacrificados.

Foi um belo e instigante jogo, que deveria ser veiculado para todos os amantes do grande jogo, principalmente os jovens técnicos. Mesmo os veteranos, e os velhos como eu, que tanto necessitam desenvolver alternativas técnico táticas dirigidas a um basquete caquético e viciado, atado a influências que freiam e  limitam nossos jogadores com táticas e pranchetas mais caquéticas ainda. Precisamos ir de encontro a soluções inovadoras, e minha humilde, corajosa e valente equipe se posta na vanguarda desta inadiável e fundamental mudança de rumos, que se os deuses ajudarem, transformará e reintroduzirá nosso basquete em seu lugar de direito no concerto internacional, não que o que propomos e executamos seja a solução ideal, mas que sirva como sinalizadora de novos e arejados tempos, pois creio firmemente que merecemos dias melhores.

Na preleção final no vestiário, olhei fundo nos olhos de cada um e agradeci a oportunidade que nos deram, a todos, de demonstrar o valor de um trabalho honesto e inovador. Ao deixá-los sozinhos como sempre faço, ainda ouvi pela porta entreaberta a oração que todos faziam, em uníssono, agradecendo de mãos dadas a corrente de esperanças dentro de cada um.

Parabéns rapazes, vocês foram brilhantes, humildes e generosos. Estou feliz.

Amém.

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O TRIGÉSIMO SÉTIMO DIA – PROPONDO UM SISTEMA…

Este foi o placar ao final do terceiro quarto do jogo com a equipe do Minas, e que se manteve até os três minutos finais da partida, quando três arremessos de três definiram a partida para os mineiros. Como havia previsto anteriormente, a nossa equipe seria adversária temível à partir do momento que chegasse ao quarto final em iguais condições físicas e técnicas, mesmo após todos os percalços por que passou, sedimentada num sistema de jogo diferenciado e eficiente.

A diferença final foi de 9 pontos, dois a menos dos 11 lances livres perdidos por nossa equipe, num processo oscilatório por que passa esse fundamento no contexto da mesma, e que vem se tornando de difícil, mas não impossível correção. Mas alguns pormenores devem ser considerados, principalmente quando nenhum de nossos jogos é veiculado pela mídia televisiva, a não ser as imagens captadas obrigatoriamente pela LNB e repassada às equipes em duas cópias e uma outra para a própria liga. O grande público somente tem conhecimento de alguns jogos transmitidos em rede à cabo, jamais em rede aberta, e mesmo assim os disputados pelas equipes ponteiras.

Uma mudança técnico tática de vulto, inédita e audaciosa como a nossa, e que muito representaria para a nossa evolução, mesmo não apresentando resultados imediatos, mas repleta de indagações e que contradiz 20 anos de um posicionamento padronizado, formatado, pasteurizado, de um sistema único de ataque, calcado na NBA, e que é somente veiculado aos técnicos da liga e a uns poucos torcedores presentes aos nossos jogos, mereceria uma análise bem mais ampla, pois afinal de contas é algo realmente diferente, e que muda radicalmente o enfoque exclusivo de um único sistema de jogo para todo o nosso basquetebol, em todas as categorias, em todas as faixas etárias, a começar por todas as nossas seleções, municipais, estaduais, nacionais.

Exatamente por tudo isto, é que me propus veicular um ou dois jogos da equipe do Saldanha da Gama nesse blog, e para tanto requeri via email a permissão da direção da LNB, da qual faço parte como técnico de um de seus filiados, mas não obtive resposta, o que me entristece sobremaneira, já que os maiores beneficiados seriam os muitos jovens técnicos, e mesmo os veteranos, espalhados por esse imenso país, curiosos que estão em tomar conhecimento deste sistema que propus por longo tempo, e que ora emprego no Saldanha, e não tão somente os demais técnicos das demais equipes, concorrentes aliás.

Mas voltando ao jogo, analisemos alguns importantes aspectos:

– Com 29/58 arremessos de 2 pontos, fomos mais eficientes que o Minas com 25/41, numérica, e não percentualmente falando.

– Nos arremessos de 3 pontos, mantivemos o baixo número de tentativas em 2/7, ao mesmo tempo que ao utilizarmos a defesa linha da bola, reduzimos as 12/26 tentativas do Minas contra Brasília no seu jogo anterior, para 6/17 contra nossa equipe.

– Nos lances livres a decisiva diferença, 8/19 nossos em confronto aos 13/17 da equipe mineira.

– 26 rebotes nossos contra 27 do Minas, assim como 10 assistências nossas contra 9.

– 17 e 16 faltas pessoais respectivamente. 6 erros contra 3 de Minas, e 7 roubos de bola contra 1, provando a eficiência defensiva.

– E o mais instigante, 29/54 pontos vindo dos reservas, contra 3/9 dos mineiros.

Num confronto em que o jogo interior vem sendo resgatado em pleno jogo a jogo, os nossos pivôs móveis André, Amiel, Casé , Jesus e Roberto, com seus 48 pontos se rivalizaram com os 44 pontos alcançados pelos pivôs Drudi e Murilo, para um total final de 72 e 81 pontos respectivamente para nós e o Minas, restando somente um ponto em que a desigualdade foi patente, os 11 lances livres perdidos que selaram nossa sorte. Paciência e reconhecimento de que muito mais trabalho teremos de desempenhar daqui para frente.

Mais um jogo perdido, mais uma prova do nosso crescimento, da consolidação de nossa opção técnico tática, tanto ofensiva como defensiva, lastimando tão somente que a mesma fique restrita a um nicho de técnicos de elite, e não à analise e discussão da grande massa composta dos técnicos jovens do país.

Mas quem sabe, a autorização da LNB chegue…

Amém.

Adendo 2 – A pancadaria continua imperando embaixo das cestas, até um dia que um acidente de graves proporções venha a acontecer, Por enquanto alguns rasgões, dentes quebrados e luxações se tornam lugar comum em todos os jogos, onde as regras da FIBA são omitidas por uma arbitragem cada vez mais permissiva e ausente. Torno a repetir, técnicos e juízes tem de se reunir para discutirem pormenores e particularidades do jogo, principalmente aquelas que se desenrolam embaixo das cestas. O bom senso tem de se fazer presente nestas situações, para que as regras do grande jogo sejam plenamente obedecidas.

Paulo Murilo.

O TRIGÉSIMO SEXTO DIA – O AMANHÃ…

Neste dia extremamente abafado, onde a respiração é dificultada no interior de um ginásio mal ventilado, com temperaturas 6 a 7 graus mais elevadas que no seu exterior (33º C às 10hs da manhã), fizemos dois treinos, invertendo seus conteúdos normais distribuídos entre manhã e tarde, com a realização técnico tática da equipe pela manhã, e os fundamentos à tarde.

Temendo um desgaste desnecessário motivado pela antecipação do treino de amanhã, das 10 para às 7 horas, e o da tarde de 18 para às 14hs, cancelei o primeiro, mantendo o vespertino como praticamente o apronto para o jogo de sexta feira contra o Minas.

Sem dúvida alguma, se um bom projeto para a temporada 2011 for agora estabelecido, a recuperação do piso do ginásio próprio do Saldanha teria de ser prioritário, pois de saída a utilização do mesmo seria a garantia de que horários e disponibilidades de apoio, como musculação, fisioterapia, sala de vídeo e direção, e mesmo um pequeno alojamento secundado por uma indispensável cozinha, e mais, um ginásio à beira do mar, elevado, onde a aeração é constante, sem contar seu enorme carisma junto a sua enorme torcida, seriam fatores incontestáveis ao apoio logístico de uma verdadeira equipe de alta competição. Que sua direção pese e analise com carinho esta enorme possibilidade, reforçada pelo mais importante e básico dos fatores que levam ao sucesso, suas categorias de formação, ali, juntas à equipe de elite, vendo-a treinar e jogar, como exemplo vivo de superação e dedicação.

E treinamos forte, motivados pelo interesse e dedicação de todos, dirimindo dúvidas observadas e discutidas quando da projeção do vídeo do último jogo em Assis, projeção esta que somente foi possível pela graciosa cessão do refeitório do hotel onde me instalo, agradecendo ao seu gerente a gentileza de cedê-lo.

Ao final do treino um gentil repórter coloca uma instigante questão baseada no número de vitórias nas 5 rodadas finais, e o que representariam para a equipe – classificação entre as doze, podendo disputar 4 vagas para o play off  com as 4 equipes ponteiras – Não terminar como última colocada na competição – ou, simplesmente voltar a vencer depois de tantas derrotas?

Respondi com uma outra pergunta – Que tal preparar em 18 dias uma equipe traumatizada pela última classificação, ir a São Paulo e fazer duas partidas emocionantes, perder uma e vencer a outra contra o vice campeão paulista, estar cônscio de liderar uma equipe de bons jogadores, com um sistema de jogo inovador, e de repente ser surpreendido por uma greve de alguns deles, importantes e experientes, que foram desligados da equipe, e ter de recomeçar o trabalho, sem um espaço congênere ao que tive, de 18 dias, para situar a equipe perante o novo desafio? O que fazer, senão encarar de frente um problema absolutamente inesperado, e entre treinos, bons jogos e derrotas previsíveis, ir em busca das tão sonhadas vitórias?

Sim, quero, queremos todos, e daí nosso comprometimento profissional e técnico, ir de encontro às vitórias, com todas as nossas forças, com todo o nosso empenho e amor à causa do grande jogo. Conseguiremos? Saberemos daqui a 5 jogos, que tenho a mais absoluta certeza, serão jogados com técnica e coração. Merecemos, pelo menos, o reconhecimento de tanto esforço, e torcemos para que no futuro possamos ser cobrados com justiça e isenção.

Vamos então, jogar o jogo, pois amamos jogá-lo.

Amém.

OS TRIGÉSIMO QUARTO E QUINTO DIAS…

Chegamos muito cansados dos jogos em São Paulo, e por esta razão resolvemos reiniciar os treinamentos na terça feira pela manhã, nos preparando para os jogos com Minas e Brasília no fim de semana.

O treino desta manhã de terça constou de uma extensa sessão de arremessos de media distância e lances livres, e uma aferição das condições físicas da equipe, já que muito exigidos nos jogos em São Paulo.

No treino da tarde, sob temperatura muito alta, recordamos toda a movimentação contra defesa individual, e posteriormente, zona, com um ótimo aproveitamento.

Enfim, consegui na gerência do hotel onde me encontro um local apropriado para vermos o vídeo de nosso último jogo contra Assis, assistido com muita atenção, já que a síntese de todo o nosso trabalho até aqui realizado, cabendo a mim comentários pontuais e uma profunda análise do sistema adotado e praticado por todos.

E o ponto crucial desta análise teve como ponto central os dois últimos quarto quartos dos jogos contra Bauru e Assis, quando nos deixamos vencer com diferenças de até 20 pontos, placares estes que de forma alguma espelhavam a realidade dos jogos até aqueles momentos decisivos. Ou a  queda brusca, responsável pela débâcle representava o clímax de uma sucessão de erros cometidos até aquele momento, ou uma acentuada quebra na condição física da maioria dos integrantes da equipe? Talvez um pouco de cada um dos aspectos descritos e mostrados no vídeo, que ao serem reconhecidos por todos determinariam suas possíveis correções para os embates futuros?

Perguntas com respostas condicionadas a mais treinos, sérios e duros treinos, fator único para o caminho das tão sonhadas vitorias.

Amém.

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