A VERDADE (MAIS DO QUE) VERDADEIRA…

Tirei alguns dias para ler, somente ler, de tudo um pouco, até bulas de remédio…

Visitei a grande rede, daqui e lá de fora, escrevi mais um capítulo do meu interminável livro, agora com a promessa do meu filho André em publicá-lo, inclusive condicionando o término da página do CBEB (da qual e mesmo desse blog, é seu o projeto gráfico) após entregar a ele, pelo menos meio livro pronto (uma boa chantagem técnico/emocional é isso aí…).

No entanto, e para não perder o tino jornalístico, vi-me diante de duas matérias relevantes, fundamentais mesmo, em sua importância para o grande jogo, a matéria do Guilherme Tadeu do Basketeria (É hora de mudar dentro de quadra), e a entrevista do Magnano publicada no O Globo de 19/9/2012 (vide foto), com alguns trechos veiculados no Lance Livre do Byra Bello.

A matéria do Guilherme confirma e afirma definitivamente o processo de nivelamento técnico tático em que se encontra o basquete nacional, nivelamento este que a longo tempo descrevo como a “mesmice endêmica” que nos confina a uma formatação e padronização imposta e coerciva de cima para baixo, e mais recentemente reforçada através os cursos de nivelamento da ENTB/CBB, numa exposição precisa e conclusiva, onde os por quês de sua manutenção junto aos técnicos de elite se mantêm intocada, tanto no aspecto tático, como no econômico, equalizado pela aceitação corporativa da classe. Trata-se de leitura obrigatória para o correto entendimento da estagnação por que estamos passando a mais de duas décadas, e cuja conseqüência maior desaguou na contratação de técnicos estrangeiros em nossa seleção, começando pelo espanhol Moncho Monsalve  , e agora o excelente argentino Ruben Magnano.

Mas algo me deixou profundamente preocupado com a entrevista do argentino, sua já não mais velada tendência gerencial voltada a projetos visando ciclos olímpicos, quando sua função, por si só, reconhecidamente difícil, é de orientar tecnicamente a seleção masculina principal, e participar, como consultor das seleções de base da CBB.

(…)“Qual o lugar em que o menino vai, se quer fazer esporte? É clube ou a escola? Como nós da CBB podemos fazer um trabalho para que mais crianças joguem basquete sistematicamente?”(…)

(…)“O esporte é um braço direto da educação. Pode-se transmitir valores por ele. Falo da formação do garoto. Outra coisa poderia ser a música, a cultura, mas o esporte agrada a todo menino. O que melhor para formar uma pessoa?”(…)

Desculpe coach, mas isso é problema a nível ministerial, pela elaboração de uma política, voltada, não só aos esportes e artes na escola, e sim para educação em geral, condição inadiável para a manutenção e evolução das metas progressistas do povo brasileiro, e sem a qual nada alcançaremos num breve futuro que se avizinha inexoravelmente, e o ciclo olímpico escancarará tal e estratégica situação político educacional, e numa brevidade que pode se revelar irreversível.

(…) “A estrutura interna do basquete argentino é uma das cinco melhores do mundo, fácil, pela quantidade de instituições, pela escola de técnicos, com mais de 30 anos, que capacita profissionais anualmente, pela liga nacional muito forte. Em Córdoba, há mais de 300 clubes jogando mini-basquete, cada qual com 50 crianças. Dali, podem sair jogadores, árbitros até dirigentes, os pais que acompanham seus filhos(…)”

Perfeito coach, mas é uma realidade em seu país, realidade esta que nos mesmos 20/30 anos atrás era de pleno domínio nosso quanto ao grande jogo, do qual nos afastamos, mas nada impede que o retomemos, se quisermos, se nos predispusermos ao soerguimento por que tanto lutamos. Agradecemos a honesta e sincera lembrança, mais sua função nesse país é outra, muito bem paga e até agora melhor executada.

No próximo ano acontecerá a eleição na CBB, e seja qual o vencedor, qual a função a ser delegada ao Magnano, a de técnico ou a de gestor?…

Acredito que tenhamos excelentes nomes para gerir nosso basquete, esquecidos e marginalizados pelas últimas e equivocadas gestões na CBB, mas que poderão, enfim, ser resgatados de um limbo criminoso e irresponsável a que foram relegados nesses mesmos e tenebrosos 20/30 anos de mediocridade, tanto fora, como, e principalmente, dentro das quadras.

Quebrar de vez os grilhões impostos pela mesmice endêmica, não só é obrigação nossa, e sim um verdadeiro ato de sobrevivência no grande jogo, e o bom argentino sabe disso em seu importante papel de técnico da equipe principal masculina do país. É o suficiente…

Amém.

Foto – Reprodução fotográfica. Clique por duas vezes na mesma para ampliá-la.

JOGANDO A TOALHA…

Foi uma semana pródiga em jogos, bem ou mal jogados, na maioria das vezes bem menos analisados do que deveriam sê-los, frente ao que têm sido apresentado desde muito tempo.

Alguns de nossos analistas, perdidos entre as realidades de uma feérica e milionária NBA, e uma ainda trôpega e inconstante LNB, teimam em comparações sobre algo completamente antagônico, não só pelo aspecto técnico, como, e principalmente, pelo imenso abismo que as separam, o econômico financeiro, que nem uma mediação européia atenua tal distanciamento.

A realidade técnica da LNB é o legitimo retrato do grande jogo no país, perdido entre uma copia ingênua das grandes ligas internacionais, e o descompasso limitativo advindo das mesmas, onde riqueza em investimentos contrasta brutalmente com nossas carências em todos os sentidos, principalmente na formação de base que a alimenta, e em seu conseqüente produto direto, a ausência de uma identidade técnico tática de sua propriedade, e não emulada, e mal, da liga maior, no que designam de “conceito de basquete internacional”.

Nossa maior deficiência, a ineficaz formação de base, dá continuidade a um sistema técnico tático engessado e divulgado maciçamente pelas formatações e padronizações impostas por um grupo de técnicos afinados e alinhados com o sistema único que adotaram e impuseram a mais de duas décadas, calcado na forma de atuar das equipes da NBA, e cujos resultados teimam em nos desfavorecer continuadamente, mesmo sabedores da evolução técnico tática por que passa a grande liga.

E os resultados ai estão escancarados, mas pouco analisados, e com um mínimo de conhecimento realmente técnico, e não guiados por palpites e achismos na maioria das vezes ingênuos, desconexos, e até primários.

Um exemplo bem claro, foi a ausência de uma colocação objetiva sobre a equipe brasiliense na Liga das Américas em seu quadrangular final, quando em seu único jogo vencedor os candangos impuseram uma convergência absoluta (12/28 nos arremessos de 2 pontos, e 9/28 nos de 3, quase o mesmo resultado alcançado pelos mexicanos, 12/50 e 7/24 respectivamente) que os tornaram vencedores por apenas um ponto, quando, se atuassem mais dentro do perímetro, acionando seus pivôs, teriam vencido por uma margem mais tranquila. Mas a avalanche de bolinhas de três, compactuada pelas duas equipes, até mesmo na frouxidão defensiva fora do perímetro, definiu o jogo como numa loteria, onde venceria aquela que fizesse a última cesta. Lamentável.

Claro, que nos outros dois jogos contra as equipes argentinas, tal privilégio das arrivistas bolinhas foi restrito ao máximo, obrigando os candangos a um difícil e bem marcado jogo interior, definindo ai a superioridade defensiva dos hermanos, assim como sua maior eficiência ao atacar a frágil e desconectada defesa brasiliense (ironicamente com uma generosa quantidade de bolinhas…), numa irrefutável prova do quanto a “melhor equipe brasileira” é carente de um plantel, e não seis jogadores que atacam com sofreguidão e defendem com frouxidão, rimas à parte…

Outro exemplo, a drástica (e atá elogiável) diminuição dos arremessos de três na rodada de ontem no NBB4, como que de uma forma combinada, as seis equipes resolvessem defender o perimetro externo com mais vigor, e acertar suas contas under basket, na tradição esquecida dos grandes jogos entre as grandes equipes de um passado não tão distante assim, quando uma equipe mestra nas bolinhas, o Flamengo, vence pela segunda vez o Uberlândia (70 x 63), arremessando somente 6/15 bolas de três pontos (Uberlândia 7/20), e 20/46 (13/36) de dois respectivamente, assim como São José  ( 24/35 de dois e 6/21 de três) vencendo, também pela segunda vez seguida no playoff a Franca ( 29/49 e 2/5) por 96 x 85, provando que de dois em dois podem duas equipes atingir contagens acima dos oitenta pontos.

A mesma coisa podemos afirmar no jogo entre Pinheiros (22/41 e 4/16) perdendo para Joinville (23/41 e 5/21), também pela segunda vez por 74 x 68, mas com algo de inusitado e constrangedor, quando nos dois últimos tempos pedidos pelo técnico do Pinheiros o mesmo praticamente jogou a toalha, primeiro ao ver o jogador argentino de sua equipe se apossar da prancheta para elaborar uma forma de atacar, ante o mutismo do mesmo e sua enorme comissão técnica, e no tempo final, o assistente traçar uma ação rebuscada na prancheta, que na pratica, ambas, não deram em absolutamente nada, para a perplexidade de todos que assistiram e testemunharam o avesso do que venha a ser o comando de uma equipe de alta e complexa competição. Não a toa, corre o sério risco de levar um 3 x 0 de uma equipe muitas vezes menos  valorizada, tanto técnica, como economicamente, provando que em “taba que tem mais pagé do que índio”pouco ou nada pode funcionar, pelo menos em terras tupiniquins…

Enfim, como disse ao inicio, foi uma semana pródiga em jogos, bem ou mal jogados, mas em alguns e pontuais casos, pior dirigidos e liderados, e algumas fotos ilustram com propriedade essas histórias:

1 – Um técnico frente ao alheamento de seus jogadores…

2 – Aos 9.8 seg do final, assumindo (delegada?) a tática…

3 – …que é elaborada no solo…

4 – …perdendo para uma outra clara e transparentemente exposta na imponderável prancheta…

5 – A ira bilíngue (?)…

6 – …e o bode expiatório, again…

Amém.

FOTOS – Reprodução da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

ARTIGO 900 – O RETRATO DE UMA TRISTE REALIDADE…

Quero dedicar esse artigo, o de número 900, a todos aqueles que trabalham pelo grande jogo neste imenso e injusto país, mas que apesar de toda sorte de obstáculos e incompreensões, continuam a lutar e perseverar dentro, e muitas vezes além de suas possibilidades profissionais e econômicas, pelo soerguimento da grande paixão de suas vidas, o basquetebol.

O email que recebi do Prof. Jalber Rodrigues da cidade de Cataguases em Minas Gerais, ilustra com propriedade a verdadeira situação do basquete feminino no país, servindo de parâmetro a uma profunda reflexão sobre o esporte de base no limiar de uma Olimpíada que será aqui realizada em 2016.

 

Jalber Rodrigues
basquetebol-kta.blogspot.com/
jalber.rodrigues@gmail.com
189.83.17.232

Enviado em 06/01/2012 (2 days ago) as 10:51 pm (2 days ago)

Professor,estou um pouco afastado dos comentários, mas não da leitura. Por anos acompanho a luta incansável pelo soerguimento do basquete no Brasil através de excelentes artigos publicados aqui no blog. No masculino as coisas são difíceis… imagine como é no feminino…fazer base no feminino ainda nem se fale… trabalhamos muito duro, muito mesmo para fazer o mínimo… as meninas não tem expectativa nenhuma… porque e para que se dedicar ao basquete? como fazer com que as meninas trabalhem forte? Como competir com as baladas, com a internet e com a desconfiança dos pais de que “jogar bola não leva a nada”? Não conseguimos nem vincular a educação ao esporte? As críticas são sempre duras e mais pesadas… mas corretas… porém ferem a quem se doa ao máximo e não consegue respaldo, apoio, credibilidade… se o basquete feminino de São Paulo está nessas condições imagine o resto do Brasil? imagine no interior de Minas? Precisamos de ajuda professor!! Precisamos de ajuda! Queremos ter excelentes meninas praticando o fino do basquete… mas precisamos de ajuda professor! Sugestões?!
Desculpe o desabafo e abraço professor!

O que mais podemos acrescentar, meus deuses. Como e de que forma poderemos ajudar perante um quadro tão cruel como esse? Como?

Amém.

OBS-Clique na foto para ampliá-la.

ASSOCIAÇÃO DE TÉCNICOS, QUANDO?…

PAULO MURILO,

Todo o conteúdo das decisões retiradas desta exitosa reunião de treinadores, realizada em Genebra “estão sendo colocadas em prática aqui no Brasil”.

(Até quando o Catilina abusarás de nossa paciência)

Pedro Rodrigues

Exitosa reunión de asociación mundial de entrenadores FIBA

jueves, 15 de diciembre 2011

Ginebra, Suiza – El 28 y 29 de noviembre se celebró en  Ginebra una reunión de la Asociación Mundial de Entrenadores FIBA donde se discutió el plan para mejorar las normas de los entrenadores a través del mundo en conjunto con las iniciativas y proyectos futuros.

El comité ejecutivo de la Asociación Mundial de Entrenadores de Baloncesto FIBA está presidido por el Sr. Patrick Hunt de Australia, el Sr. Claude Constantino, Coordinador de entrenadores de FIBA Africa, el Sr. Victor Ojeda, Director de la Academia de FIBA Américas, el Sr. Jaemin Lee, Secretario General de la Asociación Koreana de Baloncesto, el Sr. Khamis Al sheraim, Previo entrenador nacional de Qatar, el Sr. Juan Gavalda, Presidente de la Asociación de Entrenadores de Europa, el Sr. Michal Schwarz, Coordinador de Entrenadores de FIBA Europa y el Sr. Michael Haynes, Oficial de Entenadores de FIBA Europa.

La Asociación Mundial de Entrenadores de Baloncesto FIBA tiene tres objetivos a largo plazo:

• Desarrollar y conectar una fraternidad de entrenadores internacionales, a través de fuertes asociaciones de entrenadores en cada zona y en cada federación nacional.

• Mejorar la “norma” de entrenar en la fraternidad entera de entrenadores, reconociendo que ya existe un nivel alto de excelencia pero que el desarrollo en general del juego será, mejorado por mejores entrenadores que haya en todo los niveles del deporte.

• Utilizar métodos de educación innovadores y modernos.

En la reunión se discutió una amplia gama de temas entre los que estuvo la formación de asociaciones de entrenadores efectivas en cada federación, una implementación de clínicas globales de entrenadores junto con un sistema global de reconocimiento de entrenadores. A esto se suma el interés en explorar modelos de educación de entrenadores y programas de desarrollo efectivos, además de asignar recursos indicados para fortalecer la comunicación entre los entrenadores del mundo.

Para esto, siempre se tiene en consciencia la importancia de fortalecer la base, en este caso las federaciones nacionales y su apoyo a la educación de entrenadores. En la reunión se recomendó señalar a un miembro en cada federación nacional para ser responsable de los entrenadores de su país.

Otro asunto de importancia fue la creación de un comité de consejos al comité ejecutivo para asistir en proveer información requerida en dilemas relevantes a los problemas que enfrenten los entrenadores.

Este comité aconsejador sería compuesto de los entrenadores, la Sra. Jan Sterling de Australia, el Sr. Geno Auriemma de Estados Unidos,  el Sr. Dick Bauermann de Alemania, el Sr. David Blar de Rusia, el Sr. Lindsay Gaze de Australia, el Sr. Sergio Hernandez de Argentina, el Sr Mike Krzyzewski de Estados Unidos, el Sr. Rubén Magnano de Brasil / Argentina, el Sr. Mario Palma de Portugal / Jordania / Angola, el Sr. Svetisla Pesic de Serbia / Alemania, el Sr. Aito García Reneses de España, el Sr. Sergio Scariolo de España.
FIBA Américas

Recebi essa matéria do Prof. Pedro Rodrigues de Souza, de Brasilia, apontando com muita propriedade o formidavel hiáto existente em nosso basquetebol, que praticamente coloca ao largo das grandes decisões técnicas, didáticas e administrativas, toda a comunidade de técnicos e professores brasileiros voltados ao grande jogo, numa lamentável e catastrófica realidade, que nos tem cobrado altos e pesados juros pela omissão da maioria que a compõe. Não equacionar e viabilizar esse hiáto, se constituirá no ato confesso de falência profissional.

Amém.

Fotos – Abertura do Congresso Mundial de Treinadores da Lingua Portuguêsa, Lisboa, junho de 2010, onde proferi a conferência inaugural. (Clique nas fotos para ampliá-las).

A EQUIVOCADA BASE II…

Quando da publicação do artigo A Equivocada Base, em 14/10/2011, delineou-se uma discussão que abrange uma realidade, uma triste realidade, que demonstra com exatidão a quantas anda a nossa formação de base com a inexistência de associações de técnicos regionais, e mesmo uma de caráter nacional, nas quais fossem estabelecidas as pedagogias para o ensino dos fundamentos e do jogo em si, da promoção e divulgação de clinicas, estágios e bibliografias ligadas ao grande jogo, além de um código de ética a ser respeitado por todos aqueles envolvidos com a arte de educar jovens e dirigir equipes, sob o sagrado manto do mérito, e somente ele.

Dessa forma, a continuidade do debate através do Prof.Cleverson mantêm a pauta discursiva, vista a seguir com seu depoimento:

 

  1. Cleverson Yesterday ·

Pois é Professor, mas penso que o pior é quando um profissional, muitas vezes amigo seu, te engana para se sobressair ou apenas fazer “moral” com o chefe. Isso aconteceu comigo duas vezes. Na primeira fui convidado para um jogo entre centros esportivos e me pediram para levar meninas entre 10 e 12 anos, quando chegamos lá jogamos contra meninas de 14, 15 anos. Conseguimos manter o jogo equilibrado até certa altura, as meninas do outro time eram de uma turma recém formada, mas no final a relação altura-força acabou prevalecendo.
Na segunda vez um Professor amigo meu de uma cidade vizinha me ligou desesperado por que precisava de um time para jogar e não estava encontrando nenhum time com idades entre 10 e 12 anos, que o secretário de esportes da cidade iria assistir o jogo e blá blá blá.Acertamos algumas questões sobre as regras (tipo de marcação, tempo, etc.)e quando chegamos lá para jogar o que aconteceu???? Nada foi cumprido. Ele colocou a sua equipe para marcar pressão quadra toda do começo ao final do jogo. Meus alunos mau conseguiram passar do meio da quadra. Resultado, fomos massacrados.
O interessante é que no final do jogo eles vem te cumprimentar como se nada tivesse acontecido, como se não tivéssemos combinado nada…..tudo normal!!
Onde está o respeito, o companheirismo que deve haver enquanto profissionais da mesma classe?
Mas o principal, e o nosso compromisso como PROFESSORES, EDUCADORES, que é o que acredito que devemos ser na fase de formação, onde fica esse compromisso?
Concordo com o Professor Paulo Murilo, acho muito difícil uma mudança nesse cenário, por motivos que todos nós conhecemos.
Trabalho há algum tempo respeitando os princípios que o Professor Paulo expôs e a do Mauricio, quanto à questão da alternância na condução de bola para que todos participem, vivenciem o máximo de experiências variadas possíveis e não haja especialização em posições.Estou gostando muito dos resultados.
Um conceito interessante que estou começando a utilizar e gostaria da opinião do Professor Paulo Murilo é o de marcação “semi-passiva” do Professor Hermínio Barreto, que acredito que o Professor deva saber de quem se trata, já que fez o seu doutorado em Portugal.
Gostei muito da pedagogia utilizada por ele, pena que encontrei pouco material na internet. Vou procurar adquirir algum livro dele.
Um grande abraço!!!
Cleverson.

Pois bem, ai está uma nua e crua realidade do dia a dia de nossa modalidade, perdida num mar de inconseqüências e ausência de diretrizes que a conduzam a um rumo seguro e duradouro, por culpa de nossa inabilidade e até mesmo omissão, frente a tão prementes atitudes. Precisamos tomá-las, já.

Amém.

Foto-Formação de base em Vitoria-ES

O XINGADO JOGO…

Como é Paulo, o Paulista na fase final, o Flamengo na Argentina, e você não dá o ar da graça? Cansou?…

Cansar não, o basquete jamais me cansou, agora enjoar de mesmice e violentos ataques ao vernáculo, isso sim, enjoa, e muito.

Quer uma simples prova? Recorde, ou reveja se possível, as duas últimas rodadas do playoff paulista. Numa mesma tarde dois jogos televisionados pela ESPN Brasil, e até ai tudo bem e elogiável, dois jogos seguidos, com transmissão e comentários de luxo, microfones e entrevistas pelos ginásios, e… agora o lamentável, nos pedidos de tempo das quatro equipes intervenientes: -”Será que não tem um FDP aqui para parar aquele cara?”- cobrava um dos técnicos de seus jogadores. -”Car…, veja a m… que estão fazendo, seus m…”- bradava um outro, inconformado com a nulidade de seu sistema exaustivamente treinado. –“Por…car…, o que pensam que estão fazendo? Car…”- gritava um terceiro revoltado com a passividade defensiva de seu super treinado grupo, finalmente um quarto-“Put…mer…, o que pensam que estão fazendo, PQP…!- E tudo isso ao vivo, a cores e em horário vespertino, sendo absolvidos pelo comentarista que via naqueles pedidos de tempo ações tecnicamente corretas, fora os xingamentos, mas que pelo ardor da disputa…

Lamentável ter de escrever sobre o que todos assistiram, e ouviram, principalmente os jovens, mas teimosamente o faço, pois foi o que se viu, e se repete na maioria dos jogos, inclusive agora no vôlei, quando as derrotas começam a freqüentar o dia a dia do segundo (?) esporte do país.

E pensar que são todos professores e técnicos experientes e consagrados, cujas mensagens, mesmo sob intensa pressão deveriam ser pautadas pelo que representam como professores e técnicos (principalmente na presença de microfones), e não da forma como foram emitidas.

Como condenar, e veladamente criticar o Magnano que proíbe microfones junto a si quando trabalha? Ah, fazem falta os comentários dele na orientação da equipe, afinal o publico precisa saber o que ele pede do grupo, cobram os narradores e comentaristas, que na verdade, e isso precisa ser dito, adoram contrastar seus conhecimentos com o que é dito pelos técnicos, num confronto de razões técnico táticas, quando sua função é a de relatar o que presencia e testemunha, e não o que faria se estivesse na direção da equipe.

Quanto ao Flamengo, o que dizer quando o Leandro é alçado a armador sem a companhia de um outro de ofício? Sabemos todos que pelo que ganha tem de jogar até por contrato, assim como as demais estrelas da companhia, e deu no que deu. Nem sempre rechear uma equipe de luminares garante títulos, e o Miami cansou de provar essa questão. Logo, sem maiores comentários.

E agora mesmo na serie final, com menos xingamentos é verdade, já que, como num acordo tácito, ninguém marca ninguém fora do perímetro, temos jogo com 53 arremessos de três e 27 erros de posse de bola, numa prova cabal de que nenhum palavrório de baixo nivel corrigirá tal hecatombe, e sim uma urgente e definitiva mudança nos padrões técnico táticos das equipes, como fruto de uma competente e profissional reformulação na formação de base, sem a qual nada alcançaremos de pratico na evolução do grande jogo entre nós. E tudo isso somente será possível se a classe onde alguns, emotiva e impensadamente, proferem xingamentos públicos e midiáticos, se unir em torno de associações de técnicos, cujos padrões éticos e objetivos fundamentados na pesquisa, no estudo e no comportamento publico e social, produzam conhecimentos voltados ao desenvolvimento dos jovens técnicos e jogadores, os maiores beneficiários dessa inadiável mudança, e ao basquetebol como um todo.

Precisamos acreditar que isso seja possível, precisamos muito.

Amém.

Foto-Divulgação LNB

DISCUTINDO UMA ESCOLA…

  • ·  Rafael  Ontem

Prezado Dr.Murilo,
Sou um fã do Basquete, e quero vê-lo crescer e melhorar no Brasil. Com esse objetivo, me pergunto se o ENTB contribui ou não para que isso se torne realidade ? Pelo que vi até agora, ajuda, pois visa elevar o nível de jogo dos jogadores pela capacitação dos técnicos.

Não vejo sentido em ter uma variedade de sistemas que comprovadamente não tem a capacidade de produzir jogadores excelentes. No momento que o sistema em questão se mostrar ultrapassado, ou falhar em produzir jogadores de qualidade, pode se repensar o sistema, mas ser contrário a uma padronização que visa educar os treinadores a formar excelência em basquete(mesmo que nos moldes atuais não alcance isso) me parece não ter sentido. Qual o sentido de defender a “nossa vocação histórica pela prática diversificada e generalista, respeitando as regionalidades e a constituição multifacetada de nosso gentio” se isso não tem demonstrado bons resultados ?(Visto o tempo que faz que o Brasil não participa de uma olimpíada)! Por outro lado, os hermanos, com suas padronizações e sistemas, tem se tornado a potencia latino americana no Basquete. Não seria a questão de reconhecermos isso e, humildemente, aprendermos a lição ?

Esse comentário foi postado ontem na matéria Enfim discuti-se a ENTB/CBB…, postada em 24/01/2011, com uma colocação bastante interessante à discussão estabelecida pelo teor do artigo, e que deve refletir, sem dúvida alguma, o pensamento e posicionamento de muitos técnicos, professores e mesmo entusiastas do grande jogo.

Gostaria então de estabelecer algumas considerações a respeito, torcendo para que esse debate possa ter a continuidade que merece tão importante assunto para o estabelecimento de uma verdadeira Escola de Treinadores em nosso país, se é que ainda é possível.

Inicialmente, insisto na definição do enfoque generalista que deve ser estabelecido pelo professor em sua função de instruir e educar jovens, através das atividades físicas e do desporto, pois, antes de ser um técnico ele é um professor, que não pode e nem deve, se limitar a um modo, ou técnica unitária de ensino frente a um alunado cuja diversidade e experiências de vida transcende em muito tal limitação.

Situação econômica, família, limites sociais, excessos ou carências afetivas, saúde, alimentação, religiosidade, desvios físicos e morais, descaminhos, sonhos, são fatores que obrigam o professor a se aprofundar em diversificados estudos, que conotarão seu comportamento e conhecimento generalista de educação, tornando-o apto ao enfrentamento de tão instigantes  e desafiantes situações.

O mesmo ocorre, ou deveria ocorrer, no âmbito do ensino desportivo, face às mesmas situações acima descritas, por que passam todos aqueles jovens que se iniciam na aprendizagem de uma modalidade desportiva, principalmente o basquetebol, certamente a mais complexa dos desportos coletivos.

Se o ensino aprofundado dos fundamentos do jogo dota seus jovens executantes de boa técnica de execução, independendo se altos ou baixos, encorpados ou esguios, lentos ou rápidos, flexíveis ou rígidos, tornando-os detentores dos princípios de bem jogar, e por conseguinte aprender a amar o jogo, muito antes de serem entronizados em como jogá-lo taticamente, definem a qualidade do treinamento proposto, tornando-os aptos, para ai sim, assimilarem sistemas de jogo, que respeitem suas qualidades e individualidades, pela escolha dos mais adequados, e não direcioná-los a um sistema único, que na maioria das vezes beneficiará uns e depreciará outros, e que talvez a médio ou longo prazo, poderiam, por uma questão de ritmo diferenciado nos mecanismos das aprendizagens físicas e psicomotoras, se mostrarem mais habilidosos e talentosos do que aqueles mais beneficiados no inicio do processo.

E nesse ponto do raciocínio, devemos lembrar que a coercitiva padronização e formatação precoce de um sistema, que vem sendo imposta nos últimos vinte anos, em tudo contrasta com as gerações de grandes jogadores, tanto em quantidade e qualidade  que antecederam essas duas décadas, e que nos levaram a ser reconhecidos como a quarta maior força do basquete do século XX, fruto exatamente da diversidade de sistemas ensinados e aplicados às mesmas, numa prova mais do que inconteste do fracasso de tal conceito unicentrado.

Quanto aos hermanos, não podemos omitir a dura verdade de que, ao contrario de nosotros, nestas mesmas duas décadas, eles padronizaram somente a forma de ensinar os fundamentos, nunca os sistemas, e a prova disso é materializada em sua forma diferenciada de atuar na dupla armação, na utilização dinâmica de seus pivôs e da sofisticada técnica de seus alas, que são ações somente possíveis pela diversificação de sistemas que privilegiam o coletivismo, sem no entanto, prescindir da improvisação, e tudo isso na contra mão da adoção do sistema único no preparo de nossos jovens, cujos nefastos resultados colhemos até hoje.

A vinda do Magnano somente expôs com mais clareza essa nossa deficiência nos fundamentos do jogo, obrigando-o a dinamizar o sistema único que adotamos através da utilização do passing game, até o momento em que, talvez por sua própria influência, adotemos um ensino mais sério dos fundamentos, e quem sabe, a substituição do sistema único por algo mais fluido e inteligente.

Finalmente, torna-se inadmissível uma escola de futuros técnicos que professe a via única, que é o caminho dos medíocres e incapazes de criar, sequer improvisar, pois só improvisa quem domina integralmente sua atividade profissional, generalista e universal.

Enfim, só improvisa quem sabe.

Amém.

CONVITE? ESQUEÇA…

 

Assunto Reunião Comitê Técnico
Remetente Lula Ferreira
Para Bial , Carlão Rodrigues , Cesar Guidetti , Chui , Daniel Wattfy , Dedé , Demetrius , Enio Vecchi , Espiga , Fabio Appolinário , Gonçalo Garcia , Guerrinha , Gustavo di Conti , Hélio Rubens , Hudson Previdelo , Jau Paulo , João Batista , João Marcelo , Jose Carlos Vidal , Luiz Felipe Azevedo , Marcio Azevedo , Marcio Kanthach , Nestor Garcia , Paulo Murilo , Pipoka , Raul Togni Filho , Raul Togni Filho , Regis Marrelli , Rodrigo Carlos da Silva
Cópia Alarico Duarte Lima , Alexandre Arantes , Alício Torres Junior , André Guimarães , Angelo Varejão , Cassio Roque , Charles Eide Junior , Claudia Sueli Duarte Lima , Claudio Mortari , Cristina Callou , Edson Ferraciu , Eduardo de Almeida Pinto , Fernando Larralde , Geraldo Campesan , João Rosa da Silva Filho , Joaquim Carvalho Motta Junior , Jorge Bastos , Jorge Bauab , Luis Carlos Teixeira , Luis Fernando Silva , Luis Inácio Messias , Marco Antonio Bajo Castrillo , Margareth Santos , Paulo Nocera Alves , Pedro l. Poli , Rossi , Sandro Steurnagel , Vitor Bornia Jacob
Data 17.05.2011 07:47

Prezados técnicos

Segue anexo o boletim  tempo técnico no 11 que trata da reunião do Comitê Técnico.

Att

 

Prezados Técnicos

O Departamento Técnico da LNB, na tarefa de organizar a II Congresso Técnico do Comitê Técnico da LNB, e seguindo as orientações do Conselho Técnico, composto pelos técnicos Hélio Rubens, Alberto Bial, Flávio Davis, Luiz Felipe e Lula Ferreira, informa que o referido encontro terá a seguinte pauta de assuntos:

  1. Tema Livre: cada um dos técnicos do NBB 3 terá 30 minutos para discorrer sobre um tema de sua livre escolha.
  2. Avaliação do NBB 3: o grupo irá avaliar o desenvolvimento técnico da edição 2010/2011 do NBB.
  3. Sugestões para a edição do NBB 2011 / 2012.
  4. Campeonato Sub – 20
  5. Temas a serem desenvolvidos por profissionais de diversas áreas, que foram convidados, e aguardamos as respectivas confirmações:
  • O técnico de basquete como um gestor / Rede Globo/ Sportv.
  • Aspectos do Código Brasileiro Justiça Desportiva / Comissão Disciplinar LNB.
  • Controle Emocional /Psicologia Esportiva / Dra Regina Brandão
  • Pré Olímpico 2011- Técnico da CBB Ruben Magnano.

Esta programação será distribuída dentro dos seguintes dias:

Dia 01 junho, 4ª feira, das 8:30 h às 20 h.

Dia 02 junho, 5ª feira, das 8:30 h às 20 h.

Dia 03 junho, 6ª feira, das 8:30 h às 13 h.

Assim que os convidados confirmarem suas presenças, enviaremos a programação detalhada do evento.

Solicitamos que cada técnico das equipes do NBB 3 nos envie o tema que irá desenvolver, até o dia 23 de maio, 2ª feira.

Certos de contarmos com a importante colaboração de todos, estamos à disposição para qualquer informação e/ou sugestão

Att.

Lula Ferreira

Gerente Técnico

 

 

O evento se iniciou nesta quarta feira em São Paulo, e ainda aguardo o envio de sua programação detalhada e convite anexo, capacitando-me ao mesmo, o que por certo não ocorrerá. Lamentável omissão, pois no transcurso do I Congresso, do qual participei como técnico do Saldanha da Gama, foi comunicado aos técnicos presentes que todo aquele que porventura dirigisse uma equipe no NBB faria parte permanente de seu  Comitê Técnico, mesmo estando sem equipe na ocasião do mesmo.

Como podemos atestar, não foi o meu caso, que inclusive, como também redator e editor de um dos blogs mais prestigiados da modalidade, sendo além de professor e técnico, jornalista por formação, sequer recebi convite para a Festa de encerramento do NBB3, direito auferido aos demais blogs e mídias voltadas ao basquetebol e ao desporto em geral.

Fico triste e decepcionado, mas nada que me faça desistir de continuar a luta pelo soerguimento do grande jogo em nosso muitas vezes injusto país, pois sou competente, experiente e preparado, não tendo que provar mais nada a quem quer que seja, e essa determinação não há como ser coibida, sequer calada, jamais. Vida que segue.

Amém.

PS-Foto do I Congresso dos Técnicos da LNB (Clique na foto para ampliá-la).

2011…PARA ONDE CAMINHAMOS?

Foi um fim de ano com muito trabalho, e como todo professor que se preza, uma tonelada de papéis, relatórios, recortes de jornais e revistas, emails impressos, tiveram o destino anual do descarte, necessário pela enorme quantidade, mesmo tendo a maioria deles guardados em memórias e HD’s. Terminei a faxina ontem a tarde, no momento em que liguei a TV para o jogo do Pinheiros contra Limeira pela final paulista, e antes não o tivesse feito, pois assisti à cores e em som estéreo  a uma das cenas mais degradantes que testemunhei nesses longos anos em que milito e vivencio o grande jogo.

Lá pelo segundo quarto de um jogo horripilante, onde a artilharia dos três pontos tirou do sério até o pacato comentarista da ESPN, o técnico da casa pede um tempo, e ao se preparar para as instruções é violentamente interrompido pelo jogador americano, que toda a imprensa sonha ver atuar pela seleção brasileira, que aos berros em seu claudicante português espinafra a todos, exigindo raça, atitude, até o momento em que o técnico se intromete e leva pela testa um “deixa eu falar” tonitruante e constrangedor, que o deixa desarmado, até que, também aos berros e não menos inúmeros e reprováveis palavrões televisivos, faz o insurgente jogador se calar até o final do quarto, quando ao ser entrevistado tece comentários de cunho e responsabilidade exclusiva do técnico, e não sua.

Recomeça o jogo com o malcriado jogador no banco ( fosse comigo já teria trocado de roupa à muito…) e a equipe indo mal na quadra, mesmo continuando a apostar na chuvarada de arremessos de três, assim como seu adversário, totalizando 63 tentativas contra 67 de dois pontos de ambas, numa tendência que vem se instalando em nosso basquete de quase se igualarem em números os arremessos de três e os de dois, numa prova inconteste de que o individualismo exacerbado  ameaça de morte o coletivismo, que ainda define a estrutura técnico tática de uma equipe, sem contarmos com o altíssimo número de bolas perdidas por falhas nos fundamentos, que nesse jogo chegou a 25. E para sermos mais claros, das 29 bolas de três arremessadas pelo Pinheiros, somente 5 foram convertidas, contra 14 das 36 arremessadas por Limeira, ou seja um tremendo “chega e chuta”, definição do próprio comentarista da ESPN.

Um pouco mais adiante, um novo tempo pedido pelo técnico da casa, que num tom suplicante pede mais luta, união, ajuda, e de pronto faz voltar o americano, que por três sucessivas vezes arremessa de longe, sem sucesso, e numa dessas tentativas nem o aro alcançou. Daí par o insucesso final foi só uma questão de tempo.

Lamentável episódio, um tanto mais comprometido com a defesa do americano feita pelo pacato comentarista, tentando justificar uma tremenda falha disciplinar como tendo sido uma “balançada na equipe” e nada mais. Fico pensando se sob o comando de um Togo Renan, o grande jogador que foi teria feito o mesmo em plena quadra de jogo. Creio que não, e o próprio Kanela jamais o permitiria.

Numa análise derradeira, que sistemas de jogo podem ser desenvolvidos quando duas equipes finalistas do propalado e incensado campeonato paulista  arremessam 63 bolas de três pontos, ou sejam, 189 possíveis? E como falar em defesas perante tanta permisividade?

Desliguei a TV e dei uma passada pelos blogs, e o que vejo?  Técnico de seleção ser indicação de um diretor de marketing, vindo do vôlei, e que se  acha capacitado na área técnica de uma modalidade que não a sua?  Inacreditável!

Curso de capacitação de técnicos no nível I com a duração presencial de 4 dias promovido por uma ENTB coordenada por um preparador físico? Um absurdo!

Um excelente técnico argentino “descobrindo” para nós que a formação de base é o cerne do grande jogo, e que temos de deixar o estilo NBA de jogar para trás?  E o que temos feito e alertado nos últimos 20 anos de descalabro e 6 de Basquete Brasil?

Que por mais uma vez a LNB distribui uma planilha para a formação das seleções que se enfrentarão no Jogo das Estrelas, seguindo as posições de 1 a 5, que é exatamente o modelo criticado pelo Magnano em suas entrevistas, comprovando a padronização e formatação do nosso basquete àquele modelo? Me divirto imaginando a dificuldade de colocação dos jogadores com as minhas indicações baseadas na formação de 2 armadores e 3 alas pivôs, numa solitária posição de negação à mesmice endêmica que nos domina e constrange.

Finalmente me deparo com escolhas dos melhores de 2010, em todas as áreas e funções do basquetebol, e não vejo uma linha sequer, mesmo que ínfima, sobre a pequena revolução técnico tática estabelecida pela equipe do Saldanha da Gama no NBB2, se antepondo à mesmice acima mencionada, fator fundamental a uma reviravolta em nossa maneira de jogar e atuar, comprovando ser isso possível e exeqüível, bastando para tanto uma boa dose de coragem e ousadia, além é claro, de conhecimento e experiência, elementos que seriam impossíveis de adquirir em cursos de formação e habilitação de 4 dias.

Terminei o dia, neste limiar de um novo ano, mais uma vez descrente de que tenhamos a força necessária  para alavancar o soerguimento do grande jogo entre nós, se contarmos somente com os quadros cebebianos, continuísta e corrompido politicamente, onde a função técnica sempre dará passagem ao apadrinhamento e à troca de favores, a não ser aquela tênue réstia de esperança que poderá ser deflagrada pela classe que conhece e domina o jogo, e por isso mesma afastada das grandes decisões, os técnicos brasileiros, que ainda teimam em se esconder no anonimato de suas manifestações pela mídia virtual, alimentando e perpetuando com esse comportamento as felpudas e profissionais raposas que infestam a modalidade que tanto amamos.

Peço aos deuses que nos protejam nesse 2011, fervorosamente.

Amém.

O HEAD COACH…

– O Head Coach estuda muito, sempre estudou, e continuará estudando até o fim.

– Ele jamais assumiu, assume ou assumirá um cargo aonde irá para aprender com assistentes e dirigentes, e sim para ensiná-los como se lidera e dirige uma equipe, seja iniciante, seja de alto nível.

– Em hipótese alguma admitiu, admite ou admitirá ser tutelado por prazos, por interesses incidentes em suas funções, por acordos tampões, ou por qualquer necessidade de cunho pessoal que possa ser explorado por outrem.

– Sua graduação, experiência, conhecimento profundo do jogo, sua audácia e destemor ao novo fundamentado no antigo e nas tradições, e seu sentido de transmissão de conhecimentos, o tornam consistentemente preparado para ações de ponta, e jamais dependente de interesses que não os cunhados e forjados pelos princípios do mérito e da ética.

– Seu reconhecimento natural e insofismável cala a maioria das críticas, debela oposições injustificáveis, aplaina e suaviza seu caminho a muito trilhado com sacrifícios, muito e doloroso trabalho, mas com coragem e sabedoria.

– O Head Coach não se vende, não se leiloa, não se permite minimizar, pois é produto de uma classe de professores muito especiais, a dos Mestres, aqueles que até os detratores respeitam, por reconhecerem  sua essência, e seu modo de ver, conotar e, acima de tudo, valorizar a vida.

– O Head Coach erra pouco, mas errou muito em seu caminho, e errará cada vez menos com o avançar dos anos, não importam quantos, se vividos com lucidez, honra, dignidade, saúde, ética profissional e ética para consigo mesmo.

– O Head Coach tem obrigatoriamente de ser mobilizado pelo país a que pertença, pois o representará com o que possui de melhor, num longo e custoso investimento, não só econômico, mas fundamentado e lastreado em seus recursos humanos, advindos das carências mais primarias de seu povo.

– São Mestres maduros, prontos a servir, a por seus conhecimentos a serviço dos mais jovens, jogadores, assistentes, dirigentes, torcedores, jornalistas, e não dependerem destes para aprender o que tem a obrigação de dominar, ampla, mas não totalmente, o universo de sua modalidade.

– O Head Coach não pode ser motivo daquele tipo de debate que antepõe mérito com interesse político, pois se situa eticamente acima do mesmo, já que  qualificado e reconhecido com majoritária unanimidade.

Conheci alguns destes grandes Mestres, aqui e lá fora, e sempre admirei a mais considerável de suas qualidades, sua independência cultural, técnica e político econômica, tornando-os únicos e verdadeiros, ao professarem a ética pelo trabalho e pelo incontido respeito ao grande jogo, a grande meta de suas vidas.

Jamais torci e desejei tanto para que tais princípios se instalem definitivamente em nosso país, justificando o primado da justiça e do reconhecimento a quem de direito, e peço aos deuses todos os dias por isso.

Amém.

PS- Paremos para refletir o quanto de falta nos faz uma associação de técnicos, forte, independente, numa hora como esta…