FALAR O QUE?…

 

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– O basquete chegou ao fundo do poço Paulo, afundou de vez, e até intervenção da FIBA vem por ai, que vergonha, que fracasso, que…

Calma amigo, calma. Para começar, a FIBA não tem poder intervencionista em nosso país, nossas leis comuns e desportivas não o permitem, quando muito vêm se informar “quando” a grana devida deverá ser paga, se o for, e se a nossa gloriosa CBB ainda ostenta um resquício de seriedade para organizar e se responsabilizar por campeonatos internacionais, ou mesmo, simples torneios. E aí é que se espantarão, pois de há muito a irresponsabilidade e incompetência se instalaram solidamente por aquelas bandas, terreno fértil para arranjos, escambos e protecionismos descarados, tudo avalizado por federações que mantêm o grupelho diretivo com seus votos “desinteressados”, pois estão todos auferindo “cargos de sacrifício”, masoquistas que aparentam ser, mas não o são, mesmo!…

Nada, caro amigo, que eu não tenha publicado à exaustão nesse humilde espaço, nesse Basquete Brasil, que um já proclamado candidato à próxima eleição na falida confederação, anexou a seu nome de campanha, numa clara e indevida apropriação de uma marca que a treze anos se dedica ao grande jogo. a fim de ajudá-lo em seu soerguimento no país, através artigos e discussões técnicas, táticas, pedagógicas, didáticas e comentários democráticos desde sempre, e jamais se associando a candidaturas e pretensões políticas…

Mas no fundo, há males que vêm para bem, e quem sabe, essa vergonheira que uns poucos nos impõem venha nos redimir de tanta incúria e omissões, inclusive a de todos aqueles que poluem os blogs da modalidade com suas “abalizadas opiniões”, lastreadas sordidamente pelo anonimato, covardes que são ao não exporem suas “honradas e impolutas” identidades, protegidas e encobertas por trás dos diáfanos véus da pior e mais danosa política de bastidores…

Por isso, muito pouco podemos almejar no campo diretivo, que se repete e perpetua através das últimas décadas, até o dia em que leis forem estudadas, deliberadas e discutidas no intuito de aprimorarmos a legislação desportiva no país, ensejando políticas eficientes e factíveis para seu desenvolvimento harmônico e democrático junto a juventude brasileira nas escolas, clubes…

No entanto, mesmo frente a essa dolorosa realidade, um aspecto de formidável relevância ainda pode ser discutido, estudado, desenvolvido e aplicado com boas perspectivas de sucesso, a discussão técnico tática, que tanto nos empenhamos nos últimos anos nesse humilde espaço, e que de alguma forma balizou alguns comportamentos, algumas modificações, algum e bem vindo progresso, pois depende de todos nós, professores e técnicos, que em todas as passadas épocas, sob bons e maus comandos administrativos, sempre propugnaram pela troca de saberes e informações, propiciando belos trabalhos, excelentes equipes, mais excelente ainda trabalho de base, preparando jogadores bem treinados nos fundamentos, num processo interrompido a vinte e poucos anos atrás, quando foi instalado em nosso infausto grande jogo o domínio do sistema único, emanado de uma NBA, emergindo na mente acomodada de uma geração de técnicos voltados ao “alto nível”, abandonando a formação de base, abdicando dos fundamentos, e aderindo em massa às pranchetas, com sua jogadas de passo marcado, marca registrada dessa geração de “estrategistas”, dessa geração de marqueteiros e oportunistas em sua grande maioria, claro que as exceções, que são muito, muito poucas, não contam, mas também, pouco somam no frigir dos ovos…

E uma cabal prova do que exponho está publicado no site da LNB, onde as estatísticas finais de uma LDB jogada para bancadas desertas oferece uma trágica realidade sobre a última etapa de acesso de nossos jovens jogadores ao desporto de alto nível, e que posso exemplificar de maneira simples e objetiva, a seguir:

– Em 40 jogos de suas etapas, foram cometidos 1510 erros de fundamentos ( sem contar os arremessos), numa média de 37,75 erros por partida, o que demonstra o abissal fosso no preparo dos fundamentos de uma faixa etária que os deveria ter sob controle, como os grandes países que lideram o basquetebol internacional;

– Aconteceram 7 jogos com mais de 50 erros de fundamentos (uma catástrofe), 9 jogos com 40/49 erros (uma aberração), 18 com 30/39 (constrangedor), 6 com 20/29 (nível infanto juvenil), e absolutamente nenhum, zero, entre 10/19 erros, que seria a razoável meta a ser atingida, numa tácita demonstração de incúria e irresponsabilidade no preparo fundamental dos jovens jogadores, alguns já apontados como grandes craques que garantirão o futuro do nosso basquetebol, o que duvido muito. Mas não faltaram rabiscos ininteligíveis nas midiáticas e ridículas pranchetas, onde “sistemas e filosofias” de jogo eram demonstradas aos olhares atônitos de uma jovem geração incapaz de exequibilizá-las, por desconhecimento prático e fundamental de como fazê-lo, pois o que importava era a sapiência tática de uma turma que necessita urgentemente voltar ao estudo, a pesquisa, ao preparo didático pedagógico, ao estágio supervisionado, e não ao princípio de aprendizagem osmótica a que se acostumaram, como todo papagaio de pirata que se preza. Se as escolas de educação física substituíram a maioria dos créditos das disciplinas desportivas pelas da área biomédica, despreparando-os ao ensino das mesmas, transformando-os em paramédicos de terceira categoria, ases de manga da indústria do corpo, torna-se estratégica e urgente a reformulação curricular, claro, sem os entraves e ingerências de um comprometido sistema confef/cref com a mesma…

Mas uma sobrinha restou, a ENTB, que mesmo implantada da forma mais precária possível, ainda poderia reverter sua obscura origem, e se transformar em um veículo realmente eficiente, desde que entregue a uma direção e coordenação voltada a diversidade técnica presente neste país continente, mas profundamente ancorada no ensino dos fundamentos, fruto de uma ampla discussão entre os verdadeiros formadores existentes no país, hoje afastados pelo corporativismo implantado coercitivamente desde muito, muito tempo…

Muitos outros fatores poderiam, e deveriam ser discutidos, mas por quem realmente se dispusesse a discuti-los, de cara lavada, em torno de uma gigantesca mesa, no intuito maior de soerguer o grande jogo entre nós, com lisura, conhecimento, responsabilidade e, acima de tudo, vontade de acertar o que aí está, vilipendiado, carcomido, mal cheiroso, corrompido a não mais poder…

Falar sobre olimpíadas, para que, e por que, se refletiu o que temos e o que somos? Quem sabe para nos penitenciarmos pela ausência de verdadeiros e bem planejados objetivos, omitidos pela pobreza cultural e técnica daqueles que deveriam planejá-los e executá-los, mas que não o fizeram, exatamente, por não saberem como…

Falar mais o que, o que? Fico por aqui.

Amém.

Fotos – Autorais feitas no Congresso Brasileiro de Justiça Desportiva, realizado em Florianópolis em setembro de 2015, onde expus alguns dos pontos aqui abordados nesse artigo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 



11 comentários

  1. Raimundo Nonato de Azevedo 16.09.2016

    Paulo Murilo, infelizmente sou ¨obrigado¨ a assinar o que você comenta. Vou me limitar a enfatizar dois assuntos comentados por você, os quais são de enorme importância e que podem ser aperfeiçoados em curto espaço de tempo, obviamente, dependendo de compreensão dos problemas e de boa vontade política;o mais fácil a ser feito está no âmbito da nossa legislação esportiva que possibilita, e até mesmo incentiva, a manutenção da administração corrompida e corroída, como você afirma (e não somente no basquetebol, mas em todo o sistema desportivo brasileiro). Tem também grande relevância e não deve ser esquecido, o seu comentário sobre a grade curricular dos cursos de Educação Físcaformação das novas gerações de professores de Educação Física.

  2. Cristovam Marques Flores 17.09.2016

    Grande mestre e amigo Paulo Murilo,
    Sábias palavras que ilustram de forma cabal o momento do basquetebol brasileiro. Pessoas capazes ficam alijadas deste processo porque não se encaixam na forma como tudo é conduzido. Com isso, perde-se uma grande oportunidade, por falta de liderança e credibilidade dos responsáveis pela direção deste esporte, de aglutinar pessoas capazes de modificar de forma positiva a realidade atual, através da formação de um grupo de trabalho capaz de traçar um plano de soerguimento deste combalido modelo de gestão tão bem detalhado no seu texto. Planejamento, profissionalismo e seriedade seriam os elementos suficientes, bastaria escolher as pessoas certas para a execução do projeto de reformulação.

  3. Basquete Brasil 17.09.2016

    Prezado amigo Raimundo, que bom vê-lo aqui neste humilde espaço, valorizando-o com suas competentes colocações. Como seria auspicioso e evolutivo para o grande jogo, se todas as personalidades importantes que o dirigiram e lideraram seguissem o seu exemplo, pois é o que nos falta para emergirmos desse limbo em que nos encontramos. Competência, conhecimento, responsabilidade e comprometimento é o que nos falta de verdade, e não essa realidade abjeta que ai está. Um abração. Paulo Murilo.

  4. Basquete Brasil 17.09.2016

    Prezado amigo Cristovam, está o nosso querido basquetebol frente a uma opção decisiva e definitiva, ou muda radicalmente sua forma de administrar econômica e tecnicamente seu destino, ou afunda de vez, para gáudio de muitos que não o conseguem entender, por sua complexa e profunda importância na formação e educação de uma juventude esquecida nesse imenso e desigual país. Mas acredito que possamos reverter esse doloroso quadro, na medida que se somem a essa luta, todos aqueles que ainda militam nas sombras do anonimato, numa atitude que encorajou e encoraja os picaretas de plantão.Um abraço Cristovam. Paulo Murilo.

  5. Raimundo Nonato de Azevedo 18.09.2016

    Valeu Paulo Murilo, você sabe que sou muito relapso com FB e outras mídias, mas não podia deixar em branco suas sábias e corretas preocupações com o nosso basquetebol. Grande abraço, Raimundo.

  6. Heleno Lima 18.09.2016

    Nada será possível ser feito enquanto a direção estiver sendo entregue a uma só pessoal eleita por um colégio eleitoral suscetível a escolher um REI que emanara ás mais absurdas ideias e projetos. A administração centralizada do presidencialismo uno e o mal de tudo e sko pode ser modificado com uma eleicao de uma chapa onde os diversos garbos assumam com a garantia de poderem exerçer um contraditório administrativo. Somente a partir desta opção pode se iniciar uma administração colegiada onde os interesses do basquetebol estejam acima do individual.

  7. Basquete Brasil 18.09.2016

    Na mosca Heleno, seria o bom começo, o que deflagraria o soerguimento do grande jogo. Ate lá…

  8. Heleno Lima 18.09.2016

    Entendemos que a eleição de uma chapa, independente da configuração de cargos, onde estariam nomes como Raimundo Nonato, Torteli, Paulo Murilo, Waldir Bocardo, Wlamir Marques, Oscar, Marcel, Magic Paula e outros, poderia estar a salvação e criação de uma administração saudável e absolutamente direcionada aos interesses de nosso grande esporte e não de interesses particulares.

  9. Basquete Brasil 18.09.2016

    Querido Heleno, companheiro de tantos trabalhos no âmago do grande jogo, da formação de base a elite, num tempo sacrificado, mas de extrema competência, e que de forma alguma merecia ser demolido por essa avalanche de incompetência e irresponsabilidade que corroeu um legado valioso de duas décadas atrás, movido por uma gangue absolutamente espúria que assaltou o desporto nacional, incluso, e muito incluso, nosso querido basquetebol.
    Mas não há mal que dure eternamente, pois devemos acreditar em dias melhores, mesmo que pese sobre nossa geração a inexorável passagem do tempo, que limita articulações, mas libera mentes, idéias e realizações. Em sua relação de profissionais capazes e preparados pelos longos anos de estrada pedregosa, muitos e muitos outros nomes poderiam ser lembrados, e certamente o serão, inclusive e justamente o seu, na medida em que forem sendo chamados e convidados a participar do esforço maior de reintegrar o grande jogo a seu merecido lugar, catapultado para baixo com a perda politica do maior dos patrocínios deste país, assunto que você conhece como ninguém, já que o criador do mesmo.
    No entanto Heleno, fica pairando no ar um questionamento – Quantos dos 27 mandarins federativos apoiariam e votariam numa chapa revolucionária, quantos? Acredito que nenhum, pois perder mandarinatos movidos a escambos e benesses não faz a cabeça de muitos deles, chupins em sua maioria da dolorosa e bolorenta realidade tupiniquim, onde o fator amar o grande jogo não passa na cabeça deles. Desculpe a dureza Heleno, mas tentar a volta ao lugar de segundo desporto no gosto pátrio teria de passar pelo desmonte da turma que morre de medo que isso possa ocorrer, afinal de contas, manter financeiramente o status quo no basquete, como o alimentaram recentemente com verba pública é questão de sobrevivência para muitos, logo…
    Uma única chance, cortar esse cordão que nos esmaga, é a de mudar certas regras eleitorais federativas, ou então torcer que os deuses ainda disponíveis (talvez tenham jogado o grande jogo)ajudem a mudar certas cabeças, pelo menos 14 delas, para ai sim mudarmos o destino do grande jogo, hoje pequenino para a maioria deles.
    Um abração amigo. Paulo Murilo

  10. Heleno Lima 19.09.2016

    Paulo eu sou membro do Conselho de Adminitracao da ABQM – Associacao Brasileira dos Criadores do Cavalo Quarto de Milha. Somos 40 membros eleitos pela Assemleia Geral e analisa discute e aprova ou nao toda e qualquer ação formulada pela Diretoria Executiva,mambembe eleita pela Assembléia Geral. No contexto da participação do Conselho todos bancam suas despesas e teem mandato de quatro anos assim como a Diretoria Executiva. O trabalho diuturno e executado por uma Superitendencia profissional sob as as ordens da diretoria e fiscalização do CÁ, inclusive toda e qualquer movimentação financeira. Para poder participar tanto da Diretoria o candidato deve ter uma completa ficha limpa com presenteávamos de diversas certidões demonstrando isto. Os mandatos de doisanos com direito a um reeleição. Qualquer membro poderá ser reconduzido após dois anos afastado. Da certo e hoje nossa entidade, sem nem um tostão do governo, tem mais de vinte milhões em caixa e promove anualmente Tres competições nacionais, em Avare- SP, com a participação de mais de cinco mil inscrições cada uma. Portanto, e possível se montar um esquema semelhante de administracaone controle, porquanto, basta querer.

  11. Basquete Brasil 20.09.2016

    Heleno, torno a perguntar – Como acionar suas idéias, as minhas, e as de muitos outros que poderiam soerguer o grande jogo entre nós, como, com a atual estrutura e seus vícios eternos, repetitivos e inabaláveis, e por que não, criminosos, como? Talvez, quem sabe, com a rarefação das verbas oficiais que alimentavam capciosamente a malta encastelada a trinta anos, deixando-a meio órfã das costumeiras regalias, seja a fugaz oportunidade de retomar o controle da CBB, acenando ao mandarinato federativo com inovações que realmente tire a todos do fosso comum, mesmo sabendo do imenso desprezo que a maioria tem pelo basquetebol. Mas para tanto, se torna necessário e urgente que aqueles que poderiam realmente se lançar nessa luta, saia do anonimato, juntando-se aos poucos que de cara limpa têm a coragem de expor suas idéias e competências. Fora isto, nada poderá salvar a modalidade do completo caos. Paulo Murilo.

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