OCTAGON, UM PROGRAMA PARA TODA FAMILIA 2…

Em sua coluna no O Globo de 24/8/2011, Zuenir Ventura, no seu Papo de Velho escreveu:

Por falar nisso, a gente sabe que está ficando velho quando se choca vendo a foto de um rosto deformado por pancada—olhos e nariz inchados, hematomas, corte profundo—e a notícia em tom comemorativo: “ Lutador brasileiro desfigura rosto de adversário americano no UFC.” Custo a entender que o estrago fora feito praticando um esporte que é o que mais cresce no mundo e no Brasil, onde quase a metade do público é feminino. Procuro me informar mais e descubro no Google outras reportagens e vídeos. Em um, que é saudado como “combate épico”, um lutador desfere um pontapé na cara do outro. São dois brasileiros famosos e a cena mostra como um deles, Anderson Silva, acertou “um chute frontal no queixo do compatriota Vitor Belfort”. O texto fala com empolgação em “chute espetacular”, “cinematográfico”, e eu, por fora, fico sem entender, já que para mim “chute espetacular e cinematográfico” é o que alguém dá na bola, não no queixo do outro (um detalhe: o lutador estirado no chão, inerte, parece desacordado, mas continua recebendo socos na cabeça. Pelo menos mais dois).

O velhinho aqui, desatualizado, gostaria de saber se as jovens aficionadas, que são muitas, sonham com seus filhos fazendo carreira nesse esporte.

E assim como o velho colunista, velho que também sou, professor voltado a educação de jovens através o esporte por mais de 50 anos, não consigo aceitar tal degeneração de um conceito educacional e formativo em nome do mesmo.

(…) Queremos fazer negócio no Brasil. Mas, agora, estou pensando apenas no UFC Rio—disse Dana.—Mas sei que outros talentos vão explodir depois de sábado. Falei com governantes brasileiros. Queremos ajudar a desenvolver isto.(…) Dana White, presidente do UFC ao O Globo de 26/8/2011.

 

(…) Ainda não somos superestrelas. Mas o evento no Brasil é um caminho para alcançarmos espaço—disse Anderson Silva.

–É uma oportunidade excelente para o povo brasileiro ver de perto o MMA, o segundo esporte do país—emendou Minotauro (…) O Globo de 26/8/2011.

 

E sob o co-patrocínio do município do Rio, amanhã, sábado, na Arena da Barra, teremos a suprema oportunidade de apreciar a preços módicos, o futuro do esporte brasileiro, aconselhado inclusive pelo Anderson Silva a fazer parte do currículo escolar de nossos jovens, num autêntico e inspirador programa para toda a família. Imperdível!

Melhor, impossível.

 

PS- Clicando nas imagens, e ampliando-as através ctrl-shift-++, poderemos apreciar em toda a sua dimensão a grandeza educacional desse formidável esporte(?).



6 comentários

  1. Flávio 27.08.2011

    Paulo, boa noite!

    Desculpa, mas como assinante da sua newsletter tenho que discordar da sua opinião, e do outro senhor que escreveu o artigo citado.

    O MMA hoje, virou um esporte consolidado no mundo inteiro, com diversas associações e federações sérias; na qual o UFC é o evento mais famoso no mundo.

    Como educador você sabe que grande parte das atividades desportivas contém determinados tipos de risco (Ex: traumáticos) e com o MMA isso não é diferente.

    No MMA são aplicadas diversas disciplinas das artes marciais (Do qual o termo MARCIAL vem originalmente do latim martialis, ou relativo à GUERRA), bem como os seus ensinamentos como a a disciplina, o respeito ao próximo, a auto-confiança, a determinação entre outros;.

    Desde já, vejo que o senhor não é conhecedor do assunto, e fica aqui o convite para realizar uma visita na academia de MMA a qual faço parte para conhecer um pouco mais do esporte.

    Obrigado !

    Flávio – Esporte Social

  2. Basquete Brasil 27.08.2011

    Me perdoe prezado Flavio, os riscos que você menciona em outras modalidades esportivas são resultantes de impericias, acidentes ou inesperados acasos, jamais como produto e resultante de ações propositais, determinantes e intencionais. O MMA propugna pela submissão através da aplicação de técnicas violentas, propositalmente traumáticas e golpes que visam a perda de sentidos do oponente, numa agressão deliberada orientada ao centro nervoso responsável pela manutenção da vida como a conhecemos e compreendemos, a qual, em hipótese alguma pode ser vitima de uma agressão que a pode magoar, ferir, ou mesmo extinguir. MMA não pode ser considerado um esporte, e sim uma luta, que visa, por definição, derrotar fisicamente um oponente, ao prêço que for. Educação e cultura não se coadunam com violência, deformações e sangue. Creio que o genero humano já tenha superado a realidade das arenas e dos circos romanos, a não ser aqueles que se locupletam e realizam com a triste e repugnante existência dos mesmos.
    Um abraço, Paulo Murilo.
    PS-Quando aluno da Escola de Educação Fisica e Desportos da UFRJ, fui um bom e técnico praticante de boxe, abandonando-o exatamente pela compreensão do que acima expús. PM.

  3. Flavio 28.08.2011

    Paulo, bom dia!

    A cerca da sua definição do MMA se observar do aspecto mais puro e etmológico verá que as artes MARCIAIS mistas tem como objetivo em reunir um conjunto de habilidades na qual dois adversários dentro de regras pré-determinadas lutam pela vitória; e curiosamente essa é também a concepção do esporte em muitos dicionários etmológicos.

    Sinceramente, acho curioso uma observação nesse sentido vindo de um professor de educação física que acompanha o esporte ao longo de tantos anos, em classificar o MMA de uma maneira tão nociva. Em meados de 2006 fiz uma pequena pesquisa, na qual classifiquei o Futebol como o esporte popular mais violento do mundo; no qual em um período de 13 anos (na mesma idade do MMA na época) havia tido 13 mortes em campo, enquanto no MMA até então não tinha nenhum registro.

    Um jogador de futebol que faz uma falta intencional, não é diferente de um lutador de MMA; muda só a forma que as pessoas encaram, porém o lutador de MMA ele nunca se vale da covardia, ao contrário do primeiro caso.

    Se o senhor está considerando o MMA pelo aspecto da ‘deformação’ e ‘violência’ eu proponho um desafio muito simples: Vamos escolher 10 hospitais (tanto de São Paulo quanto do Rio) e registrar a inciência de ocorrências médicas entre o Futebol e o MMA; aquele que tiver o maior número de ocorrências pode ser considerado o esporte mais violênto.

    E por fim, aqui no Brasil para ser mais específico, aqueles que criticam o MMA no final das contas são aqueles que são a favor do estabilishment academico-esportivo que está em andamento no Brasil: Um pífio desempenho olímpico, uma educação de péssima qualidade (só observar os testes do PISA), bem como uma educação física que falhou em sua missão (o Brasil conta atualmente com mais de 40% da população em sobrepeso, e somos os campeões em automedicação). Talvez para esses os males do mundo são causados pelo MMA… O que é uma pena.

    Fique com Deus e obrigado peela resposta;

    Flávio – Esporte Social

  4. André Astolfi 29.08.2011

    É, Paulo Murilo, os caras atacam e se defendem com a mesma ferocidade, não é?! Pelo menos foi “engraçado” ver o Flávio “torturar” os fatos assim como o fazem entre si. Só que no “octágono” não tem graça. O Flávio que me desculpe, mas ver alguém “martelando” a cabeça de outro que se encontra desacordado não é lá coisa muito agradável ou corajosa de se fazer. Infelizmente, no Brasil, o que vale é o popularesco, o baixo nível. Violência e sexo são o carro chefe do popular. Política incluída? Talvez seja assim no mundo todo hoje. O povo ainda quer ver sangue. E verá.

    PS: ahh é, o futebol é violento mesmo, tem dois torcedores internados por ferimento à bala que ocorreu antes do jogo de Palmeiras e “curintia”. Por sinal, já estava na hora do meu “parmera” “bater” em alguém.

  5. Basquete Brasil 29.08.2011

    Prezado, Flavio, mais um pequeno comentário. Como você mesmo escreve, que o ser curioso em criticas “nocivas” ao MMA partam de um professor de Educação Fisica, posso afirmar com a mais absoluta convicção, ser o meu juramento de formatura de preservar a saúde e a vida dos educandos a mim confiados, o maior legado a que me propús desenvolver. Como atualmente está em voga, não sou, e me nego a ser, um profissional de Educação Física, e sim, um Professor, licenciado,especializado,pós graduado e doutorado.
    Como pesquisador acadêmico, por escolha e profissão, custo a crer que você venha afirmar que fez uma pequena pesquisa, classificando o futebol dos últimos 13 anos como o que mais vitimou praticantes, com 13 registros fatais, e o MMA, nenhum. Creio que você esteja cometendo um sério erro ao classificar uma apanhado de ocorrências como uma pesquisa, que é algo muito sério e trabalhoso. A começar pelo fator númerico, quando se torna discutível comparar a massa praticante do futebol no mundo, com a minoria do MMA, ou não? e talvez você tenha omitido outros “esportes”, como o automobilismo em todas as suas formas e categorias, o boxe, os “esportes radicais”, e outros menos lembrados. Logo, sua pequena pesquisa carece de confiabilidade.
    Quanto ao seu desafio, mortandade no futebol no mundo, está mais associada a lutas de torcidas do que entre os jogadores, torcidas essas profundamente ligadas às…artes marciais,grupais e, desculpe lembrá-lo, covardes.
    Por fim, agora sim, convido-o a percorrer os artigos desse humilde blog, para descobrir o verdadeiro sentido do que venha a se constituir ser verdadeiramente contrario ao establishment desportivo, social, educativo e cultural vigente em nosso país, e de um outro voltado à cultura da truculência que se insinua em nossa frágil sociedade, exatamente o seu tão querido MMA.
    Mas algo me diz que a sociedade, em toda sua sabedoria, saberá dar a resposta merecida.
    Um abraço, Paulo Murilo.

  6. Basquete Brasil 29.08.2011

    Como vemos, prezado André, a inversão de valores está cada vez mais em alta por aqui.A continuar, segundo desejo do Anderson Silva,agora eleito como ícone nacional, o MMA ao ser implantado como disciplina educativa e formativa na escola, deixaria o bulling comendo poeira, além, é claro, de contabilizar enormes lucros às industrias médicas e farmaceuticas. Educação e cultura? Ora, o que isso importa para essa turma da truculência?
    Um abraço, Paulo Murilo.

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