OCTAGON, UM PROGRAMA PARA TODA A FAMÍLIA…

…) O esporte que movimenta bilhões mundo afora, desembarca no próximo sábado no Maracanãzinho com o Bitetti Combat, um megaevento que vai transformar o ginásio num verdadeiro coliseu, palco de lutas, prometem eles, históricas.

(…) Com apoio dos governos Estadual e Municipal, o Bitetti Combat levará 20 lutadores para o octagon do ginásio.(…)

– Acabou isso de dizer que é violento. O evento é um verdadeiro show e leva famílias inteiras aos ginásios- disse Pedro Rizzo, um dos lutadores da noite assim como Paulo Filho, Vitor Miranda, Milton Vieira e Ricardo Arona, entre outros.( O Globo, 6/9/2009)

Como podemos ver, um autêntico evento cultural e educacional para toda a família. Um programa de alto nível patrocinado pelo Estado e pela Prefeitura, pródigos no apoio e manutenção de nossas escolas, e ligados ao desenvolvimento desportivo de nossa juventude.

Melhor impossível.



7 comentários

  1. Henrique Lima 09.09.2009

    Lamentavel. Não tem nem mais o que dizer.

    A foto fala por si ….

  2. Emanuel 10.09.2009

    Professor fiquei sabendo q vc esta com um site..vc pode me mandar o endereço por favor?
    Obrigado!!

  3. Basquete Brasil 10.09.2009

    Prezado Emanuel, não entendi seu questionamento, já que esse seu comentário está sendo dirigido a esse site, http://www.paulomurilo.com
    Um abraço, Paulo Murilo

  4. Glauco Nascimento 10.09.2009

    Isso é Brasil né?!
    Infelizmente!

  5. Basquete Brasil 10.09.2009

    Sim Glauco, isso é Brasil, mas que pode ser mudado, ou não? Afinal, o que está faltando para mudar?
    Um abraço, Paulo Murilo.

  6. Elton Silva 12.09.2009

    A evolução do Mixed Martial Arts:

    Segundo conceito do site Brazil MMA, o MMA é definido como uma modalidade de luta onde os praticantes não precisam seguir um estilo específico de arte marcial. O esporte possibilita ao praticante utilizar qualquer golpe ou técnica das mais diferentes artes marciais como o boxe, jiu-jítsu,luta olímpica caratê, judô, muay thai, entre outras.

    O MMA passa por uma serie de processos que visaram uma civilização do esporte, já que, ao contrário do senso comum presente nos indivíduos, não “vale tudo” no MMA. O esporte vem evoluindo e profissionalizando-se e suas regras também acompanham esse desenvolvimento e estão cada vez mais rígidas. O intuito de toda esta evolução é preservar cada vez mais a integridade física do atleta. Mas como veremos mais adiante, não só a preservação da integridade dos lutadores, mas a venda de um produto mais aceitável e civilizado para o publico, contribui para essa evolução.

    Essa evolução das regras é acompanhada em outros segmentos da modalidade, França, mostra que:

    os números do MMA impressionam. Existem sites profissionais jornalísticos e lojas virtuais com vendas específicas de produtos voltados ao mundo das lutas. Dentro destes sites existem fóruns mantidos pelos usuários que trocam informações e difundem o esporte. As taxas de compra do pay-per-view de grandes torneios são imensas, assim como a venda dos ingressos.

    A modalidade acompanha o movimento observado em esportes mais estabelecidos, que busca cada vez mais se popularizar, para aumentar seus ganhos financeiros e conseqüentemente ter uma maior exposição na mídia, que se empenha no aprimoramento da divulgação dos eventos e criação de ídolos, ou seja, o processo de espetacularização do esporte. Nessa exposição, Marchi Jr (p. 21) complementa sobre esse movimento dos esportes afirmando que o:

    (…) fenômeno esportivo passa a ser regido pelas relações próprias da lógica do mercado, nas quais os esportes são conduzidos ao processo de espetacularização e mercantilização

    Adentrando na área especifica do MMA, observa-se que este não possui uma entidade institucional com uma estrutura unificada a nível mundial, como as tradicionais federações de futebol (FIFA), basquetebol (FIBA), voleibol (FIVB) entre outras instituições similares. Sua organização é similar ao do boxe profissional que possui algumas instituições a nível mundial, cada uma apresenta um ranking de lutadores, campeões específicos. E com um padrão no que diz respeito a divisão de categorias por peso mas com a possibiliade de pesos inferiores quererem se inscrever acima.

    No MMA existem organizações, mas que atuam como promotoras de eventos com seus lutadores. Atualmente temos o UFC (Ultimate Fighting Championship), Elite XC, K-1, Dream que estão entre os mais importantes do mundo da modalidade, além de organizações de menor expressão.

    Esse processo pelo qual passou para se tornar referência dentro do mundo do MMA fez o UFC sofrer algumas transformações que se confundem em parte com a história e evolução da modalidade durante da década de 90 até os dias de hoje. Essa organização foi uma das primeiras a começar a estabelecer uma uniformização das regras e das categorias divididas por peso. Segundo relato encontrado sobre a origem do evento no site Wikipédia:

    O UFC começou como o primeiro evento renomado de vale tudo em 1993 no mundo do MMA. Com o intuito de descobrir o melhor lutador do mundo, não importava o estilo de artes marciais que ele praticava. Por possuir praticamente nenhuma regra (por exemplo, no primeiro UFC não era permitido apenas morder ou colocar os dedos nos olhos do oponente), o UFC era conhecido como vale tudo ao pé da letra e as lutas eram ocasionalmente violentas e brutais. Os primeiros eventos eram menos esporte do que espetáculo, o que levou a acusações de brutalidade e briga de galo humana.

    Os primeiros eventos foram bem comercializados pela TV, mas após um período de sucesso o esporte caiu em declínio por ser considerado muito violento recebendo criticas inclusive de políticos. Por essas pressões políticas que levaram à sua decadência, o UFC se reformulou, de forma lenta foram criadas regras mais restritas, começou a ser sancionado por comissões atléticas, e se vendendo como um esporte legítimo. Deixando de lado o slogan de “there are no rules” (não há regras) e pregando o banner de Mixed Martial Arts, o UFC ressurgiu de seu isolamento para se tornar mais socialmente aceitável, recuperando sua posição na televisão a cabo.

    Além disso, Venga aponta que a violência contida nas lutas dos eventos contribuía para o declínio:

    os motivos são vários, sendo o principal, sem dúvidas, o argumento de que o esporte é bárbaro e violento. Não há dúvidas a respeito de certa violência inerente ao esporte, pois qualquer arte marcial tem, em sua essência, a busca pela superação do oponente por meio da técnica aliada à força, o que geralmente resulta em machucados físicos.

    Com o quadro apresentado, percebe-se que o MMA passa por um processo de desportivização, no qual existe a preocupação em institucionalizar uma serie de regras, nas quais a divisão da lutas por assaltos cronometrados, a separação dos lutadores por peso mas com a possibilidade de um menos pesado inscrever-se em categorias mais pesadas, a interrupção da luta quando o árbitro percebe que um dos lutadores não tem mais condições de prosseguir na luta, a declaração de um vencedor por pontos, e a proibição de certos golpes. Freitas corrobora com esse argumento:

    Atualmente as competições de MMA estão adotando alguns critérios para controlar o ímpeto dos lutadores, entre as principais regras destacam-se: a divisão de categorias por peso mas com a abertua de menos pesados poderem se inscrever em categorias de mais pesos, a obrigatoriedade em utilizar as luvas, protetor genital e bucal, a possibilidade do árbitro interromper o combate caso o atleta não consiga responder mais os golpes, não são permitidos golpes baixos, cabeçadas, cotoveladas, nem golpes que tenham intenção de furar os olhos do adversário, é proibido acertar golpes na nuca e nas costas e em alguns eventos proibi-se chutar o adversário quando ele está no chão.

    As regras se aplicam e civilizam o esporte seja ele qual for sua natureza, para Elias, o desporto (1992, p. 230) “realiza-se de acordo com regras conhecidas, que definem os limites da violência que são autorizados, incluídos aqueles que definem se a forca física pode ser totalmente aplicada.

    Portanto vemos a modalidade buscando se adequar a uma lógica contida em outros esportes, que procuram ser altamente organizado e institucionalizado em suas regras, com sua evolução constante para restringir os tipos de violência praticados durante o jogo ou combate.

    É possível buscar na antiguidade a origem desses tipos de lutas, o pancrácio é um desses exemplos, essa lutas era uma espécie de vale-tudo, mas muito mais violenta, Elias (1992, p. 201) relata que um dos lutadores “obteve suas vitorias não por derrubar seus adversários e sim por lhes partir os dedos”. Se analisarmos o MMA comparando com as formas de lutas da antiguidade se tem a noção de que hoje o esporte está mais civilizado.

    Elias (1992, p. 202) ainda exemplifica outros tipos de lutas além do pancrácio, com exemplos mais recentes como do século XIX, com o primórdio do pugilismo atual:

    Tal como o tipo de luta do pancrácio, era muito menos limitado por regras, e por essa razão dependia em grau mais elevado da força física, da forca espontânea, da paixão e da resistência, do que do boxe. Não existiam distinções entre diferente classes de pugilistas (…)

    Em cima dessa afirmação, existiu a preocupação de que o MMA evoluísse em relação aos esportes que foram similares em outras épocas, e em relação aos primeiros eventos comercializados na década de 90. Pode se evidenciar com isso, algumas características civilizadoras na direção da desportivização para que a modalidade tivesse nos seus combates, o máximo de equilíbrio entre os oponentes com a divisão dos atletas por categoria e por ranking.

    Na verdade o MMA esta buscando uma forma amadurecida do seu desenvolvimento como esporte, pois como diz Elias (1992, p. 231),

    o fato de ter atingido a sua forma amadurecida, ou aquilo que se lhe pretenda chamar, não significa que todo seu desenvolvimento social terminou; significa apenas, que esse encetou outro estagio

    Não se pode afirmar que o MMA atingiu a sua forma mais amadurecida, mas com certeza, dentro do seu desenvolvimento social, a incursão das regras admite que ela esteja um estágio mais civilizado, pois como já foi descrito, nas primeiras edições do UFC praticamente não existiam regras e a luta não tinha um tempo estabelecido para o seu final. Então por pressões advindas de políticos, (entre eles o candidato derrotado a presidência dos Estados Unidos, na ultima eleição, John McCain, onde ele criticava e fazia campanha contra o MMA, devido a sua campanha ser financiada por empresários ligados ao Boxe), que baniram o evento de alguns estados, e queda na comercialização do evento pelo publico devido a violência sem limites, iniciou-se processo de institucionalização das regras, que deixaram mais civilizadas o evento. A entrevista do lutador do UFC Brock Lesnar, onde ele afirma que não ser necessária uma volta aos primórdios do MMA, onde “não há regras” pois na sua visão, “as regras existem estão lá por uma razão. Os lutadores precisam viver para lutar outro dia(..) reflete a importância de existir uma regulamentação no MMA como forma de preservar a integridade física do atleta e dar uma maior longevidade na sua carreira dentro do evento.

    Analisar a desportivização do MMA trará algumas indagações sobre o tema “Este é o desporto para uma nova geração”, diz Dana White, 37, presidente da UFC. Essa declaração traz questionamentos, a aposta no sucesso da modalidade com a propaganda de um novo esporte, e que parece ser um atrativo para novos consumidores, e principalmente sobre se MMA é um desporto, Freitas Jr, utilizando a classificação de Allen Gutmann coloca que “exigências presentes para que uma atividade física seja considerada um esporte, é existir um órgão burocrático que padronize suas regras”, realmente não existe um órgão mundial, mas as organizações existentes, e o exemplo utilizado do UFC, demonstram uma preocupação em normatizar suas regras.

    E ainda, será essa o único requisito para se considerar? O nível de exigência do treinamento dos competidores são similares aos de atletas de outras modalidades. Os eventos são organizados dentro da lógica da igualdade, do cumprimento de regras, controle de dopagem, e assim como o processo de compra e venda de imagens seguem a lógica de outras modalidades. Além disso, as comissões atléticas que existem nos diversos estados americanos, tem o poder se suspender os lutadores tanto das competições, como dos treinos, por um determinado tempo, após lutas em que os mesmo saem com contusões.

  7. Basquete Brasil 12.09.2009

    Prezado Elton,que ótimo e sério comentário. Apreciei-o de verdade. Mas discordo quanto à sociabilização da modalidade, onde você mesmo a define como a caminho de um estágio mais civilizado, o que, no meu ponto de vista e de muitos estudiosos do assunto jamais ocorrerá, exatamente por sua finalidade básica, a contundência primária na busca da vitória. Agrego agora um comentário enviado pelo Prof. Laercio Pereira, publicado na coluna do jornalista Juca Kfouri ontem:
    Declaração da Associação Médica Mundial sobre o Boxe

    Temos recebido, através do CEV,? insistentes pedidos sobre informações a respeito do Boxe como modalidade esportiva. ?

    Reiteramos, com esta nota, o posicionamento do Centro Esportivo Virtual, em consonância com a declaração da Associação Médica Mundial, adotada na 35ª Assembléia realizada na França em 2005, que alerta para os riscos da sua prática e inadequação aos própósitos da prática esportiva saudável, especialmente quando somos responsáveis pela prática de esportes de crianças.

    Declaração da Associação Médica Mundial sobre o Boxe

    Adotada pela 35ª Assembléia Médica Mundial (Veneza-Itália, out./1983) e revisada pela 170ª Sessão do Conselho (Divonne-les-Bains-França, maio/2005).

    O Boxe é um esporte perigoso.

    Contrariamente à maioria dos outros esportes, ele tem por principal objetivo causar danos corporais ao adversário.

    O boxe pode provocar a morte e pode causar lesões cerebrais crônicas.

    Esta é a razão pela qual a Associação Médica Mundial recomenda que a prática do boxe seja proibida.

    Até que este objetivo seja atingido, recomenda-se que:

    1. As Associações Médicas Nacionais (AMN) encorajem, em seus países, a implantação de um cadastro nacional de boxeadores amadores e profissionais, inclusive “sparrings”, registrando resultados de todas as lutas entre boxeadores habilitados, incluindo nocautes técnicos (TKO), nocautes e outras lesões devidas à prática do boxe, de modo que, além das vitórias e derrotas de cada boxeador, saiba-se as lesões sofridas por eles.

    2. As AMS estudem a possibilidade de organizar conferências com membros interessados da comunidade médica, representantes das diferentes comissões governamentais de boxe e representantes de organizações de boxe profissional e amador, com o objetivo de estudar os critérios sobre os quais devem se basear os exames físicos e neurológicos dos boxeadores, determinar outras medidas médicas necessárias à prevenção de lesões cerebrais decorrentes da prática deste esporte e definir critérios específicos que permitam a interrupção de um combate por razões médicas.

    3. Todas as jurisdições do boxe assegurem que o médico do ring possa interromper, a qualquer momento, um combate em curso, para examinar um dos adversários e parar uma luta que, segundo ele, poderia provocar lesões graves a um dos combatentes.

    4. As jurisdições do boxe organizem frequentemente cursos de treinamento médico dirigidos a todos os membros do pessoal do ring.

    5. Tais autoridades não autorizem lutas amadoras ou profissionais caso o local não possua:

    a. ?? ?equipamentos de neurocirurgia apropriados e imediatamente disponíveis para dispensar tratamento de urgência a um boxeador ferido;
    b.?? ?equipamento de reanimação com oxigênio e tubos endotraqueais apropriados, ao lado do ring e
    c.?? ?plano completo de evacuação para a remoção de um boxeador gravemente ferido e seu transporte a um hospital.

    6. Tais autoridades divulguem que os combates não supervisionados entre boxeadores não federados são práticas extremamente perigosas que podem resultar em lesões graves ou a morte de um dos combatentes, e que devem ser condenadas.

    7. Tais autoridades ordenem o uso de equipamentos de segurança como tapetes de segurança de plástico e corners forrados e incentivar o aperfeiçoamento constante dos equipamentos de segurança.

    8. Tais autoridades prevejam medidas de segurança também para os sparrings.

    9. Tais autoridades atualizem, padronizem e façam cumprir rigorosamente as avaliações médicas para boxeadores.

    Documento Original: http://www.wma.net/e/policy/b6.htm
    Tradução: Álvaro Ribeiro
    Revisão: Cláudia Bergo

    Por Laércio Elias Pereira

    ?http://blog.cev.org.br/novidades/2009/declaracao-da-associacao-medica-mundial-sobre-o-boxe/

    Por Juca Kfouri às 13h03

    Como o boxe é um dos componentes da MMC, sendo inclusive seu componente majoritário, creio que esse manifesto define com clareza o imenso perigo por que passam seus praticantes, e mais ainda, os jovens que se espelham na sua prática. Não concordo que seja um programam familiar, como expôs um dos lutadores na matéria original, pois não preenche a necessidade básica da busca pela saúde e pelos principios educacionais emanados pela prática desportiva. Subjugar, derrotar e machucar um adversário, em hipótese alguma pode ser visto como educação e fundamentação cultural de um povo, a não ser aqueles que faziam da guerra seu objetivo hegemônico de vida.
    Agradeço o bom debate propiciado pela sua resposta. Um abraço,
    Paulo Murilo.

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