UNIFORMES E ADERÊÇOS.

Outro dia testemunhei um fato somente visivel quando acionei a câmera lenta do reprodutor de vídeo,por ter achado um tanto estranha a queda de um armador durante uma finta.Para minha surprêsa constatei que o mesmo havia tropeçado no próprio calção!Não acreditei, e a cada volta da fita lá estava a imagem do calcanhar se enroscando com a bainha do calção,que se estendia até os tornozelos.Seguindo a moda lançada por Michael Jordan,que usava largos calções para disfarçar a utilização de um outro calção por baixo do oficial de jogo,atitude supersticiosa por achar que teria sorte ao usar o calção com que se tornara campeão universitário pela North Carolina, implantou-se pelo mundo a moda do saiote,a moda que sugere a seus utilizadores os poderes extraordinários do inigualável Air Jordan. No mesmo compasso em que desportos como a natação,o atletismo e mesmo o voleibol adequam seus uniformes à leveza,à aerodinâmica e ao confôrto,o”basquetebol internacional” impinge por motivação muito mais econômica do que técnica este verdadeiro carnaval de mau gôsto e inadequação técnica em que se transformaram os uniformes de jogo. Engraçado que alguns atletas de ponta,como os míticos John Stockton, Pat Erwing e outros poucos, se mantiveram fieis ao modêlo tradicional e eficiente dos calções até o meio das coxas, que não prendiam seus movimentos e tornavam suas figuras elegantes sem perder a mobilidade. Na Europa já são esboçadas reações contra a imposição dessa moda Made NBA, ao contrário de nosso país em que cada vez mais os atletas se escondem atrás de metros e metros de tecido, como envergonhados de seus corpos, sufocando-os em um clima tropical no qual a economia nos tecidos deveria ser a regra geral. Aderêços nos braços e nas cabeças,com desenhos estaparfúdios fazem supor o quanto de tempo perdem em se auto-produzirem em vez de o utilizarem em treinos e estudos. Atletas de verdade e de qualidade,que irradiam cultura à juventude, não podem gastar seu tempo em videogames e salões de beleza, como vitrines ambulantes de nada, a não ser imitarem seus ídolos da NBA, estes sim com fortunas incalculáveis para gastarem com modismos,que em muitos disfarçam sua pobreza técnica. Não é por nada que a tendência ascendente de lançarem jogadores vindos diretamente das Escolas Secundárias no Draft da NBA já encontra sérias divergências no seio da sociedade e da imprensa esportiva americana, pela queda cultural e comportamental observada desde que a obrigatoriedade da passagem pelas equipes das universidades deixou de ser condição para o acesso à NBA. Mas como
continuamos a ser colonizados pela influência dos profissionais americanos,mesmo sem termos 1/100 avos das condições que eles tem, ainda sofreremos por um longo tempo os efeitos dessa submissão, até um dia em que tropeçaremos não com um dos calcanhares, e
sim com os dois nas bainhas dos calções. Recordo com grande emoção quando em 1969 trouxe a equipe feminina do CPP de Brasilia para disputar os Jogos da Primavera patrocinados pelo Jornal dos Sports com enormes sacrificios e gastos.No dia da estréia uma das melhores jogadoras, Edilma,me confidenciou que não havia trazido seus tenis que haviam se rompido no último treino. Fizemos uma pequena coleta e compramos um par do popular Conga. E com eles jogou e terminou como a cestinha da equipe, que foi a campeã,além de competir e vencer os 200 metros na pista do Célio de Barros no dia seguinte.Uniformes e calçados são complementos importantes em qualquer equipe de competição, mas quando se transformam em elementos prioritários,mercadológicos e de auto-projeções, determinam que o fator qualidade técnica se encontra em segundo plano, que é a nossa posição no panorama atual. Muitos de nossos jovens atletas se preocupam mais com suas aparências perante a mídia do que o treinamento dos fundamentos do jogo, estes sim,que farão deles jogadores prestigiados e respeitados, é claro, por quem entende de basquetebol.



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