ANDREA…

Um pouco da arte da minha filha, como bailarina, professora e coreógrafa Andrea Raw, no Dia Internacional da Mulher:

 

 

HD Videos – Paulo Murilo

TER RAZÃO, O QUE IMPORTA?…

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Publiquei este artigo em 2009, e nenhum comentário foi postado, o que não me surpreendeu nem um pouco, pois se tratava de algo nada relevante para o mundo do basquete que se praticava na época. Passaram sete anos e o republico agora, para quem sabe, ser alvo de algum comentário, ou depoimento sobre aquele algo que hoje se impõe na maioria das equipes do NBB, a dupla armação e a reavaliação e reposicionamento dos homens altos no perímetro interno. Claro que pouco, muito pouco espero, mas quem sabe…

 

DA ARTE DE SER CHATO…

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 por Paulo MuriloSem comentarios

Que semana meus deuses, não bastassem as tristes noticias de falecimentos que nos levaram a Michelle e o Adilson, enchendo de tristeza todos os basqueteiros, ainda temos de suportar as cartas marcadas da próxima eleição da CBB, quando tudo ficará como agora, pois os candidatos são compadres de longuíssima data, e que darão gargalhadas( se é que já não as estão dando…) ao final de um pleito viciado e vicioso, onde a termo “mudanças” causa calafrios aos mesmos só em mencioná-lo.

Some-se a esta realidade a outra, mais evidente, da continuidade da mesmice técnico tática que vigorou, vigora e vigorará por ainda um longo tempo em nossas equipes ditas de elite, e suas influências capitais nas divisões de base, para as quais servem de espelho. E para sustentar um pouco tão preocupante quadro, me reporto a um comentário do leitor que se assina Do Sul sobre o artigo Déjà vue, publicado na semana passada aqui no blog:

·Do sulToday·

“Tu é chato hein Professor. Só sabe falar na tal de dupla armação. Baby fazendo 28 contra o minas e tu metendo o pau e dizendo que o grande negócio é jogar com dois armadores. De que adianta dois armadores se a maioria dos times não conseguem ter um que cumpra seu papel com louvor.Veja os armadores do pinheiros,veja o armador americano do bauro… Em certos momentos parece que o senhor que acabar com a posição número 5.Não é esse o caminho”.

Como vemos nesse comentário , em muitos artigos em blogs e na imprensa, e mesmo nas opiniões de analistas televisivos, sem contar com a opinião maciça da garotada, já que imposta pela maioria dos formadores de jovens praticantes, onde a onipresença do sistema único de jogo com sua nomenclatura posicional de 1 a 5, dão ao mesmo o rotulo de verdade absoluta dentro do contexto empobrecido e canhestro do nosso basquetebol.

No comentário, o fato do Baby ter marcado 28 pontos contra o Minas, caracteriza a vitoria do “cincão” dentro de um quadro técnico onde os mesmos, segundo muitos e muitos “entendidos” do grande jogo, são a base de uma equipe, onde os demais jogadores gravitam em torno do mesmo. Engraçada uma constatação, basicamente no jogo em questão, contra o Minas, onde o Baby, marcado infantilmente pelos dois pivôs adversários, o Murilo e o Alexandre, somente deslanchou na quadra quando os armadores Fred e Helio atuaram juntos, pois antes, o consagrado pivô se viu a frente de duas atiradeiras que se revezavam nas finalizações, os irmãos Machado. Com a dupla armação “de verdade”, as assistências ao mesmo se avolumaram, e se mais pontos não marcou foi pelo fato da enxurrada de arremesso de três pontos disparados por seus colegas, inclusive o outro ala pivô que o assessorava.

Como vemos, a equipe do Flamengo somente desenvolve seu jogo interior quando submetido à dupla armação, inclusive reforçando substancialmente seu sistema defensivo, principalmente nas dobras, o que não ocorre de forma alguma quando o jogo exterior é levado às raias do inimaginável pela  presença dos irmãos juntos. É uma constatação cristalina, e só lamento que os “entendidos” não vislumbrem essa realidade, a qual já se manifesta em outras equipes de primeiro nível, que melhorarão progressivamente no momento que nossos armadores sejam treinados convenientemente por quem realmente entenda de formação de jogadores, e não uma turma que pula de jogador para técnico ( sempre uma solução mais econômica para as equipes que se negam ao pagamento justo dos verdadeiros profissionais), e inclusive acessando seleções brasileiras de base. Por esse quadro devastador é que não prevejo muito sucesso aos nossos jovens selecionáveis, já que afastados das bases fundamentais e clássicas do jogo, aproximados e criminosamente integrados a sistemas técnico táticos que são de única e absurda propriedade de seus mentores e suas pranchetas mágicas, e para os quais sem a base e essência da técnica individual para assimilá-los, transforma-os em meros macacos de imitação, encordoados como marionetes de teatros mambembes.

Na atualidade do basquete mundial, e que antecedemos algumas décadas atrás, onde nosso maior jogador de todos os tempos percorreu todas as posições antes de se firmar como o magistral armador que foi, Amauri, hoje entronizado no Hall da Fama da FIBA, mostrou do alto de seus 1,90 m, o caminho da polivalencia técnica, que foi a grande arma do nosso basquete em suas conquistas históricas. O despertar dos Big Centers , com suas conotações guerreiras e de choque, além da variável étnica e racista, fatores que enchiam os ginásios dos irmãos do norte durante as três décadas de lutas pela igualdade racial, já encontram nos tempos atuais a contrapartida dos novos pivôs, mais altos, mais rápidos, atléticos e flexíveis, elementos físicos que os tornam mais adaptados às exigências dos fundamentos do jogo, praticando-os, que renascidos na Europa, encontram eco no país do basquetebol, que após os fracassos internacionais se renovam através a paciente catequização do grande Coach K., que provou essa evidência ao treinar e fazer jogar uma equipe vencedora olímpica sem a figura do anacrônico 5.

Quando preconizo com veemência a dupla armação, é pelo fato de que atuando desta forma não só o pivozão, mas como os outros integrantes da equipe, os quais denomino alas pivôs, terão a garantia de serem servidos continuamente no perímetro interno, e também servirem com maestria e inteligência àqueles realmente especialistas nos longos arremessos fora do perímetro, eliminando a figura centralizadora, e por isso mais facilmente controlada do pivô, e os arremessos tresloucados de pseudo especialistas dos três pontos, mais ainda facilmente marcados se levados com habilidade e técnica para dentro de uma zona de influencia, onde as trajetórias de seus arremessos ( que geralmente seguem uma norma repetitiva) possam ser alteradas e não bloqueadas. Alterar a trajetória de quaisquer arremessadores os tornam ineficientes e pouco produtivos ( Dica gratuita…). Aliás, os velhos, eficientes e formidáveis formadores de jovens de antanho dominavam estes fundamentos, que são de completo desconhecimento de muitos que se transformam em técnicos da noite para o dia.

Por tudo isto caro Do Sul (gostaria de tratá-lo pelo nome, mas pelo menos não foi um anônimo…), e muitos dos leitores que não aceitam alguns temas que abordo, mas confesso, sempre divergindo com educação e respeito, que não posso ser contra a posição 5, se ela simplesmente jamais existiu para mim e muitos dos técnicos, magníficos técnicos que conheci e convivi, e pela constatação , a cada dia de competições sérias internacionais, do desaparecimento irremediável desta figura criada à partir de uma setorização e especialização absurda, naqueles nichos retrógados e discutíveis dentro do carrossel chamado NBA.

Mas num aspecto você tem a mais absoluta razão, a de eu ser um cara chato, muito chato, ao abraçar sem limites uma luta pelo soerguimento do nosso basquete, principalmente quanto ao ensino massivo, responsável e serio dos fundamentos, sem os quais nossos jovens sequer aprenderiam a contar de 1 a 5, transformando-os em dias, semanas, meses, anos, e às vezes décadas, onde educação e esporte, de mãos juntas esculpiriam um caráter e uma vida produtiva. Obrigado pelo comentário, e desculpe se não o respondi a contento.

Amém.

Foto – O chato desde sempre…

 

 

 

JOGANDO A TOALHA?…

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Como  é Paulo, jogou a toalha? Quase um mês de silêncio numa hora em que muita coisa para lá de importante vem acontecendo? Desembucha cara…

Olha, seriamente pensei, e ainda penso, não de jogar a toalha, jamais o faria, jamais o fiz, mas me dar um tempo para cumprir um trato que fiz com meu filho basqueteiro, o André, designer desse humilde blog, de concluir um livro sobre histórias do grande jogo, com alguns artigos aqui publicados, e muitos outros inéditos, todos vividos e intensamente vivenciados por mim nos últimos cinquenta anos, dentro e fora das quadras…

Sim, você tem razão, muitas coisas importantes estão acontecendo, e outras mais importantes acontecerão nesse ano olímpico em nosso jardim (para os nossos visitantes), triste quintal para nossas irreais, equivocadas e arrogantes douradas aspirações, resultantes de uma mais irreal ainda pátria educadora…

Então, vamos lá – Foi num recente jogo pelo NBB, que o comentarista do SportTv, mencionava ser o novo técnico do CEUB um fan da dupla armação, fator preponderante em sua equipe, fazendo jogar dinamicamente seus três homens altos dentro do perímetro, decrescendo bastante o jogo externo com as temerárias  bolinhas, e exercendo uma fluidez de jogo a “la Warriors”, que é uma “tendência mundial”, claro, agora reconhecida e aceita por vir da matriz, quando por aqui mesmo, e já por um longo tempo o desenvolvi e empreguei na teoria e na prática, mas, sabe como é amigo, santo de casa… ainda mais sendo eu…

Seguindo, jogo das estrelas americano, que não assisto mesmo, exceto o desafio de habilidades, o único momento sério das festividades juntamente com a competição de arremessos, que me interesso em particular (falo sobre ele no próximo artigo) e que em  momento algum, sequer passa pela cabeça de ninguém, cabalar a disputa, por exemplo, nos dribles, bem ao contrario do que vem ocorrendo sistematicamente no desafio tupiniquim, cujo maior vencedor “cabulou” sempre que venceu. Analisem as fotos atentamente, e tirem suas conclusões. Espero que no desafio desse ano as coisas afeitas às regras melhorem, e haja justiça nos resultados…

Também na internet, um vídeo que muitos consideraram ser a “enterrada”mais impressionante do ano, feita por um jogador colegial, que se eleva no ar por duas vezes, passando com o tronco acima do aro e por cima, literalmente, de seu marcador, realmente numa cena que impressiona. Mas, se analisarmos detidamente a sequencia (observem as fotos), vemos que o esperto atacante, ao investir para a enterrada frontal, se depara com um defensor que, para se proteger do inevitável impacto, cruza firmemrnte os braços protegendo o plexo, e o encara. Nesse momento, o atacante situa sua perna no peito do defensor, travando o joelho na interseção da clavícula e do pescoço de seu oponente,fixando seu pé direito nos braços firmemente cruzados do mesmo, catapultando-se em pleno salto para um outro em pleno ar, dando a impressão de uma elevação bem acima dos padrões aceitáveis de impulsão, porém de forma absolutamente irregular e perigosamente faltosa, não punida pelos árbitros, mesmo estando o defensor fora do semicirculo abaixo da cesta, fator que sequer camuflou o expediente utilizado…

Uma última observação, o fato inconteste do teimoso reaparecimento, e em grande, das convergências, principalmente em equipes que ponteiam o campeonato, numa nítida constatação de que o vício dos longos arremessos, incentivados pela ausência consentida das defesas continuam numa dolorosa evidência, e num momento em que nossos mais representativos jogadores na liga maior atuam cada vez menos, se machucam, são trocados, e não se encontrarão bem física e tecnicamente para a seleção olímpica, cujos futuros integrantes daqui mesmo se perdem na autofagia das bolinhas, dos armadores aos pivôs, numa demonstração tácita de incompetência interior, muito mais motivada pela ausência de sistemas de jogo que o desenvolvesse, e facilitada pela aberração defensiva que praticamos, tudo isso emoldurada por pranchetas multicoloridas e midiáticas, manejadas pela quase totalidade de nossos estrategistas, veteranos e brand news, na arte da competição de elite, que como vemos, definitivamente, não é para qualquer um, e logo mais adiante, com a direção de um hermano com as barbas de molho, veremos a consequência de tanta insensibilidade e  equívocos, o que nos espera na arena olímpica. Espero estar mais uma vez errado, mas nestes doze anos de Basquete Brasil, nunca errei, infelizmente…

Se não inovarmos técnica e taticamente, na tentativa de equalizarmos estrategias que enfrentaremos, temo por algo decepcionante e constrangedor, porém, la no fundo, com uma tênue esperança, torço honestamente para o melhor, ou pelo menos, para o aceitável, que vem no contraponto dessa desvairada orgia dos três, cujo expoente maior, o Curry, já começa a ser contestado. No próximo artigo desvendo um pouco os porques…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas. Notar que na sétima foto, no inicio da legenda leia-se Segundo.

 

ALICERCES…

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O Basquete Brasil já se encontra no seu milésimo trigésimo sétimo artigo  nos doze anos de sua sacrificada existência, e assunto é que não falta, apesar de me sentir um tanto cansado de trombar com a mesmice endêmica que se instalou na modalidade de forma devastadora…

E pensar que logo em seu início já vislumbrava o que haveria de acontecer, fundamentado em argumentos publicados no artigo que hoje repriso, os mesmos que explicam um hoje absolutamente inaceitável, frente ao que sempre representou o grande jogo no cenário desportivo e educativo de uma pátria que cada vez mais se apequena à sombra de uma farsa educadora, pátria educadora, mentirosa e corrompida…

Segue o artigo.

O QUE NOS FALTA REALMENTE?

sábado, 13 de novembro de 2004 por Paulo MuriloSem comentários

Este é vigésimo primeiro artigo que publico,e depois de abordar diversos assuntos técnicos e situações politico administrativas creio que apresentei alguns,porém sólidos argumentos para, de uma forma objetiva apresentar conclusões e sugestões visando a melhoria técnica e administrativa de nosso combalido basquetebol.

Falta-nos,prioritariamente união. Quando técnicos aceitam influência,orientação,método, sistemas e técnicas de uma única matriz,tomando-a como verdade absoluta, e impondo-a, inclusive, na formação das divisões de base, estereotipando as ações dos futuros jogadores em modelos voltados à especialização (jogador 1,2,3…etc), limitando-os a papeis manipuláveis de fora da quadra, escravizando-os em coreografias que se tornaram padronizadas pelas equipes brasileiras,repito,quando os técnicos agem dessa forma, prevejo poucas chances de fugirmos a médio prazo da mediocridade em que nos encontramos. Torna-se urgente o desligamento da matriz NBA, do sonho subserviente de lá vencer como jogador, ou de lá se especializar como técnico ou dirigente,e mesmo se espelhar como torcedor de um esporte que somente eles praticam, e que inteligentemente importam estrangeiros para torná-los propagadores de suas ideias absolutistas em seus países de origem. Agora mesmo os brasileiros que lá jogam estão relegados à reserva de suas equipes, de onde dificilmente sairão. No entanto são festejados como aqueles craques que levarão a seleção brasileira ao patamar olímpico.     Da equipe argentina, campeã olímpica, somente um dos jogadores atuava na NBA,e como estrela absoluta, e os outros o faziam na Europa, principalmente na Itália, onde, pela força da dupla cidadania de seus jogadores aperfeiçoavam um método de jogar antagônico ao da NBA,  e totalmente condizente à realidade das regras internacionais negadas pelos norte americanos. Foram campeões por sua extraordinária inteligência ao perceberem que venceriam se explorassem a fragilidade dos americanos perante a crueza das regras internacionais.  Para nos restou a pseudo e estúpida aceitação do que chamam”basquete internacional”,numa prova cabal de quase total ausência de amor e respeito por nossas raízes culturais e passado brilhante na forma de jogar, forma esta que nos fez imbatíveis em nosso continente. Hoje nem em divisões de base vencemos os irmãos argentinos, que fugiram do exclusivismo perante o modelo NBA. Resta-nos a união pela discussão, pelo embate das ideias, pela fundação de associações estaduais de técnicos, que discutam a modalidade em função de suas regionalidades para, ai sim,em torno de uma associação nacional reencontrar o caminho perdido nos últimos 20 anos. Caberia a CBB encorajar esse caminho,e não se situar como principio, meio e fim na busca das soluções para os graves e terminais problemas que nos afligem.Houve uma época em que fundávamos uma ANATEBA, uma BRASTEBA, que nos reuníamos em pequenos, porém encontros técnicos para técnicos, onde discutíamos e discordávamos, mas sempre concluíamos algo de interesse do basquetebol. Divergíamos porque não utilizávamos em nosso trabalho uma única fonte inspiradora. Tinhamos até”escolas”como a paulista,a carioca,a mineira, como outras,que ao se enfrentarem nos campeonatos nacionais definiam os caminhos de evolução técnica a serem percorridos. Hoje o que apresentamos é uma única forma de atuar, calcada no modelo NBA, que nos chega de enxurrada pela TV,pelos jornais e revistas, em matérias regiamente pagas, em contraponto à nossa pobreza. Só sairemos dessa penúria no momento que nos reunirmos em encontros como os que aconteciam aos sábados na USP, onde mais de 100 técnicos assistiam palestras de colegas, e depois as discutiam, ou aqueles que aconteciam no Rio, no RGS e em Minas, dos que tenho conhecimento, e que eram levados a sério pela CBB, que hoje simplesmente omite qualquer manifestação que não compactue com suas orientações exclusivamente de cunho político continuístas, onde inexiste discussão aberta sobre as técnicas da modalidade que representam. Um exemplo? Em 1971,quando exerci a função de coordenador do Laboratório de Tecnologia do Ensino da EEFD/UFRJ  propus a realização de um filme de média metragem semi profissional em 16mm sobre o Campeonato Mundial Feminino realizado aqui no Brasil. Juntos,EEFD e CBB levantamos uma pequena verba para a compra e a revelação dos negativos, e realizei, filmando, roteirizando, editando e gravando o único filme técnico sobre basquetebol feito em nosso país. Cópias foram distribuídas até no exterior, como Austrália e Portugal,e outras que até recentemente faziam parte do acervo de duas escolas de Ed.Fisica quando se deterioraram pelo passar do tempo.Quatro anos atrás descobri os negativos de imagem e de som do mesmo e corri para um laboratório especializado de cinema para tentar salvá-lo.O orçamento foi de seis mil reais aproximadamente. Como não dispunha dessa quantia fui a CBB tentar que me ajudassem a salvar aquele único documento da extinção. Resultado? Até hoje o material mofa em um refrigerador da LABOFILMES,e nem sei se ainda existem.O único filme de basquetebol feito no Brasil e documento de um Mundial aqui realizado, patrocinado pela CBB não teve dela a menor ajuda em sua restauração.Uma entidade esportiva que não preserva sua história não está cumprindo sua função de guardiã das técnicas do passado, quiça as do futuro. O que resta? A reação daqueles que são os verdadeiros artífices do jogo, aqueles que em suas funções de professor e técnico mantêm viva a modalidade.Enfim,  aqueles que compõem o cerne e a alma do basquetebol, os Técnicos. Unamo-nos e levaremos o basquetebol de volta ao cenário mundial.

Em tempo – Consegui salvar o filme, relatado no artigo Enfim Salvo aqui publicado.

Amém.

 

PERDENDO E ANIQUILANDO GERAÇÕES, SUTILMENTE…

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Publiquei aqui nesse humilde blog em 2008 esse artigo que é muito pouco acessado por aqueles que se dizem especializados no grande jogo, no entanto, aqueles poucos que realmente se interessam pelos sutis meandros dos “porquês” da situação técnico/tática em que nos encontramos possivelmente encontrarão algumas respostas, algumas não tão sutis respostas assim, mas suficientes para entenderem que algo aqui descrito e comentado em 2008, se encontra mais atual do que nunca em 2015, e permanecerá atual bem para lá de 2016, pois nestes anos todos nada aprendemos, de verdade, nada aprendemos que valesse a pena, nada, nadinha, a não ser a manutenção do cruel e absurdo corporativismo, mantido a todo e qualquer custo, mesmo que custe o soerguimento do grande jogo, minimizado e apequenado desde sempre. Triste e lamentável…

AS GERAÇÕES…

terça-feira, 9 de setembro de 2008 por Paulo MuriloEditar post2 Comentários

Hoje,depois de lutar contra uma infestação proposital de 61 virus obcenos e coisitas mais, retomo a lide deste humilde blog, ainda um pouco chamuscado, e tendo de adiar por mais alguns dias a publicação de artigos com vídeo, já que perdi quase todo o material digitalizado e montado. Mas não faz mal, sempre tive como professor e técnico a chama do recomeço ardendo dentro de mim, numa recriação constante e teimosa na busca de novos e excitantes desafios.

E para não perder o embalo, lendo uma reportagem no O Globo de domingo sobre a seleção sub-15 masculina que treina para o Sul-Americano da categoria, me deparo com uma jóia do nosso cancioneiro basquetebolistico, nas afirmações de um dos jovens pivôs selecionados, que assim se manifestou – “Depois de ter tido a chance de treinar com a seleção, resolvi me esforçar mais e comecei a fazer musculação para perder peso. Cheguei aqui com 126kg, e hoje estou com 124,3kg, grande parte em massa muscular”. Mais adiante, sobre a possibilidade de jogar na Europa – “Queria jogar lá, onde o basquete é mais forte e tem mais investimento. Aqui não somos muito valorizados “- e concluindo –“ Nesse Sul-Americano, acho que a Argentina e Venezuela são as favoritas”.

Realmente preocupante, pois suas afirmações são todas voltadas ao discurso de uma carreira profissional em uma idade em que deveria estar sendo orientado na aprendizagem do jogo, e não em moldar a parte física com uma atividade antagônica ao seu ainda insipiente, já que em pleno desenvolvimento, controle motor, além de sua prioridade estar sendo centrada no aspecto profissional, bem antes de se qualificar como um bom e seguro praticante dos fundamentos, que em momento algum foram mencionados pelo aspirante a craque.E sua predição final chega a ser tocante, pois desde já se considera inferior ao basquete praticado por argentinos e venezuelanos. E tudo isto na flor de seus 15 anos.E ainda mais, pertencendo à novíssima geração que teremos a nos representar nos próximos anos.

Mas a explicação mais contundente veio através as declarações do supervisor das seleções de base da CBB, quando afirma que o Brasil tem produzido talentos no basquete, mas falta uma continuidade no trabalho feito na base e uma maior sintonia com os clubes. Ou seja, selecionam-se jovens pelo país afora, num treinamento de diversas fases, sendo que a primeira delas incute os sistemas táticos que irão ser empregados pela equipe ( Em todas as equipes de base, que fique bem claro), como forma de seleção daqueles mais encaixados no mesmo, numa inversão total de valores, já que o sistema antecede o preparo fundamental, na desculpa absurda que expõe a seguir – “Os resultados mostram que o coletivo é cada vez mais importante. O time espanhol campeão mundial foi formado ainda no juvenil. Temos um planejamento até 2012 para que essas gerações não se percam e o calendário da FIBA ajuda com competições para todas as equipes de base”.

Como vemos, ousa essa turma influenciar de cima para baixo um principio que privilegia o sistema de jogo implantado coercitivamente aos técnicos do país, por sobre uma vasta e coerente via no correto e decisivo ensino dos fundamentos, que são a base de tudo, inclusive do basquetebol espanhol, mas que aqui entre nós cede lugar aos interesses continuistas de um grupo que tudo fará para manter seus ganhos de coreógrafos disfarçados de técnicos.

E as candentes declarações do jovem aspirante a craque conotam nossa triste e constrangedora realidade, aquela que o faz priorizar a massificação do físico em desenvolvimento púbere, em vez do aprendizado dos fundamentos. De se preocupar seriamente num possível futuro profissional no exterior, antes de se firmar técnica, tática e emocionalmente em seu próprio país. E de se situar dois degraus abaixo de futuros adversários, numa prova cabal de seu total abandono no desenvolvimento de capacitações que o tornem seguro de suas reais possibilidades de sucesso individual e conseqüentemente coletivo.

Pois é isso mesmo meu caro supervisor, até mesmo os espanhóis, os argentinos, os lituanos, e especialmente os americanos, já descobriram de muito, desde os princípios do século passado, e entre os quais um dia nos situamos também, que toda e qualquer equipe somente é possível ser formada para o sucesso, se todos os seus jogadores forem antes orientados por verdadeiros professores e técnicos na arte de jogar basquetebol, de aprenderem a jogar através o pleno conhecimento de seus fundamentos, e não serem pasteurizados por coreografias absurdas advindas de pranchetas doentias e escusas. As declarações do jovem pivô deveriam envergonhá-lo, pois são resultantes da forma em que é orientado por sua supervisão e pelo grupo que assaltou essa infeliz e revoltante confederação.

E se o projeto vai até 2012, que os deuses, já na faixa limítrofe de suas paciências, protejam essas gerações que desde já têm seus destinos selados, sob o jugo de algo indescritível e profundamente lamentável, a irresponsabilidade, aquela que jamais é discutida, e sim, coercitiva e criminosamente imposta.

Amém.

2 comentários

  • Miguel Palmier11.09.2008·

  • Caro Prof.;

  • É lamentável ver o TALENTO ser esquecido em detrimento da força bruta e de alguns centímetros a mais. Estive observando alguns treinamentos desta seleção, e tenho certeza que ao menos dois talentos

  • ficaram no Brasil, com a desculpa que são baixinhos ou fracos demais para jogar internacionacionalmente. Quem pode definir o que estes meninos serão daqui a um ano? Seleção desta idade é momento, detecção e aperfeiçoamento de potenciais jogadores é outra coisa.

  • LAMENTÁVEL, o Sr. Coordenador e treinadores das categorias de base do Brasil, não perceberem ainda este fato.

  • Basquete Brasil15.09.2008·

  • Caro Miguel,acredito que tenhamos de caminhar muito para alcançarmos tal entendimento.É uma longa estrada.Um abraço, Paulo Murilo.

PROFESSOR, JOGADORES, AMIGOS…

Existem belos momentos na vida, inesperados e sinceros, que nos tornam mais humildes e cônscios do dever cumprido, ainda mais se espontâneos, agradecidos, e acima de tudo, amigos. Sou um velho e calejado professor, técnico bissexto, e um amor sem limites pelo grande jogo, ao ensiná-lo, por toda uma vida acadêmica e dentro das quadras desse imenso e profundamente injusto país. No entanto, as vezes acontece um Saldanha em sua vida, mesmo aos setenta anos, injetando uma energia vital, advinda de jogadores humildes, desacreditados e marcados pelas constantes derrotas, porém unidos irmãmente em torno de um sonho voltado às vitórias, as tão ansiadas vitórias, que foram várias no curto período de 49 dias que comungamos o árduo e duro trabalho para o reencontro com seu destino de vencedores, que na continuidade do trabalho, uma temporada completa que fosse os premiaria com algo brilhante e alcançável, sendo essa minha humilde colaboração junto a eles, um grupo de homens que tenho saudades e uma tristeza, a de não ter tido a minima chance de treiná-los como mereciam ser treinados, com a dedicação de quem ama o grande jogo acima da descrença daqueles muitos que o destroem com sua pusilanimidade e pequenez…

Dentre os excelentes jogadores um se destacava pela marca que o perseguia, era o Obina para os que nada enxergavam atras daquele imenso corpanzil e uma alegria contagiante que irradiava, como um jogador de extrema potencialidade, faltando somente fazê-lo acreditar que tudo podia se despertado. Foi esse um dos trabalhos que desenvolvi junto a ele e a todos os demais, fazendo-os embarcar num barco que só se deslocaria se  impulsionado por todos, altos e baixos, armadores, alas ou pivôs, através o compassar ritmado e uniforme dos fundamentos do jogo, igualando, provocando, nivelando, fazendo-os descobrir em cada um e nos demais suas potencialidades, acertos, erros e limites, numa melhora gradativa e sequencial, deixando a todos prontos para enfrentar seu maior desafio, a mudança radical na forma de jogar, de agir e pensar o grande jogo. De Jesus foi um dos que mais evoluíram, conquistando o respeito de todos, e o mais importante, o respeito a si próprio, e como ajudou meus deuses, e como evoluiu…

Num determinado momento seguiram todos seus caminhos, inclusive eu, voltando ao estudo permanente, que divulgo neste blog desde sempre, cinco anos depois do impedimento daquele belo trabalho e de outros que me foram negados…

Mas hoje, dia do Professor, recebi esse messenger do De Jesus, me dando a justa e feliz sensação de que consegui ajudar um jovem a encontrar seu destino, seu sonho, mesmo que à parte do reconhecimento midiático, assim como os demais companheiros daquela equipe inovadora e corajosa,  que me honrou com sua confiança e amizade, cidadãos e chefes de família que fizeram calar a afirmativa inicial de um técnico palestrante no I Congresso de Técnicos do NBB, que iniciou sua apresentação afirmando que “técnico nenhum deveria confiar em jogadores, pois são todos F..da P…”, no que o interrompi indignado por tão absurdo comentário, apoiado, com certeza absoluta, por todos daquela inesquecível equipe…

Eis o Messenger.

Conversa iniciada hoje

  • De Jesus

  • 14:17

  • De Jesus

  • professor

  • Paulo Murilo

  • 14:29

  • Paulo Murilo

  • Ola De Jesus, como você esta, atuando em Lins ainda? Outro dia soube que foi cestinha num jogo do paulista. Parabéns

  • De Jesus

  • 14:31

  • De Jesus

  • Estou sendo de vários professor..!!!

  • Mais venho aqui te desejar um feliz dia do professor..! obrigado por tudo por acreditar em mim quando ate mesmo eu não acreditava..!!

  • com sua sabedoria soube me mostrar um lado do jogo que amo que não tive oportunidade de conhecer e o senhor o fez com paciência e clareza que me faz seguir ate hoje e são fundamentais para meu jogo hoje e ate o final da minha vida..!!!

  • muito obrigado mesmo..!!

  • meu professor

  • Ao  mestre com carinho..!!!

  • forte abraço e obrigado por tudo

  • Paulo Murilo

  • 14:40

  • Paulo Murilo

  • Obrigado De Jesus por sua amabilidade e carinho, e você é muito jovem ainda, podendo melhorar muito, na proporção do seu controle de peso, único senão que aponto. Gostaria imenso de voltar a dirigir aquele magnifico grupo do Saldanha, o que me faria muito feliz neste terço final da minha vida. Faríamos um estrago daqueles. Um abração, e muito obrigado pela lembrança. Paulo.

  • De Jesus

  • 14:44

  • De Jesus

  • ta controlado o peso professor..

  • magro nunca ficarei pois minha genética não permite mais meu peso está bem controlado sim…eu que gostaria de ter a honra de trabalhar com o senhor nesse meu final de carreira seria a coroação do meu trabalho e esforço pra me manter saudável para o jogo e para a vida

  • obrigado pelos ensinamentos são de muita valia para mim

  • pra minha vida

  • forte abraço e muito obrigado meu mestre..!!

  • Obrigado De Jesus, de coração.
  • Amém.

BEM MAIS DE VINTE ANOS ATRÁS…

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OLYMPUS DIGITAL CAMERALeio alguma coisa na rede de alguém que afirma que não podemos nos submeter a técnicos veteranos que atuam sob sistemas de mais de vinte anos atrás, assim como não seria de bom alvitre destinar aos mais jovens a  tarefa de liderar equipes adultas, concluindo que a turma da meia idade é a mais apta e preparada para fazê-lo com possibilidades reais de sucesso…

Ou seja, sistemas de jogo parecem ter prazo de validade para um certo tipo de gente focada somente no aqui e agora, realidade de suas vidas  contidas  e dissociadas da história, dos exemplos de antanho, que originaram tudo que ai poderiam estar, mas que na verdade, não estão, propositalmente esquecidos por aqueles que não admitem ter havido vida antes das suas, mediócres que são…

Sou de uma geração de ontem, onde convivi com os melhores, onde aprendi mais que ensinei, ouvi mais do que discursei, aprendi e trilhei o caminho das pedras, valorizado pelas muitas derrotas, valorizando com humildade as poucas vitorias, a grande escola dos verdadeiros vencedores…

As grandes revoluções apregoadas aos ventos do hoje, já o eram mais de vinte anos atrás, quando a dupla armação, os pivôs mais ágeis e velozes do que os pesados e lentos cincões iniciavam as mudanças que ai estão, fundamentadas no ontem, e não fruto de geração espontânea como querem e divulgam alguns oportunos estrategistas e midiáticos profissionais…

Então, gostaria de recordar algo bem recente, não de vinte anos atrás, e sim de pouco mais de cinco, claro, para aqueles que se interessam de verdade pelas técnicas e táticas do grande jogo, sugerindo a leitura de um artigo aqui publicado quando dirigia o Saldanha da Gama, e logo a seguir um outro na forma de um vídeo, ambos elucidando uma realidade profundamente fundamentada em conceitos de jogo de ontem, elevados a época como algo realmente inovador, e que é considerado hoje como revolucionário…

Seria instigante e revelador, se após a leitura do artigo O quadragésimo sexto dia (artigo 700), pudesse o video Vencendo as limitações de um grande jogo, ser narrado e comentado pelos jornalistas do sportv, quando descobririam um mundo de situações de jogo, em tudo e por tudo, superiores técnica e taticamente aos melhores jogos da atualidade do NBB, e mesmo de nossas seleções, onde o modernismo decantado de hoje, se vê ante concepções mais avançadas de um ontem pleno de ineditismo, criatividade e ousadia…

Então, como explicar seu aniquilamento  puro e simples, estando ali, na figura de uma humilde equipe recheada de belos, porém marginalizados jogadores, atuando de uma forma proprietária, instigante e revolucionária, como, e por que?…

Como estaríamos hoje se aquele excelente projeto tivesse tido continuidade, ao contrário das capengas adaptações do mesmo ao sistema único, como se fosse possível miscigenar conceitos díspares, tanto na concepção, como na efetivação, violentando a ambos, irreconciliáveis que são?…

Lembro como se fosse hoje o último jantar no I Congresso de técnicos do NBB em Campinas, quando o técnico Guerra se levanta e dirigindo-se a todos diz – Se em quarenta e poucos dias esse cara pega uma equipe perdedora e vence equipes de ponta, como será quando tiver toda uma pré temporada pela frente? Se cuidem…

Não precisaram se cuidar, sequer se preocuparem, pois o afastamento foi duro e radical, que nem o excelente trabalho pode contemporizar, pois técnico e muitos daqueles jogadores foram devidamente esquecidos, como deveriam ser, afinal de contas, onde já se viu jogar com dupla armação e três pivôs móveis, Onde? O surreal é o que tentam jogar hoje em dia, mas de forma fragmentária e sem o consequente coletivismo avidamente perseguido…

Então pessoal que abomina o passado e seus veteranos, saibam e aceitem o fato de que dupla armação e três homens altos transitando ininterruptamente dentro do perímetro (a modernidade universal…) é coisa de mais de vinte anos atrás, e aplicado por quem entendia o grande jogo de verdade, e ainda entende desde sempre, pois eram e continuam sendo professores e técnicos, e não estrategistas de ocasião…

Fiquem, se quiserem, com o artigo e o jogo, mesmo sem a narração e comentários dos televisivos, mas, como puro exercício, imagine-os descobrindo, ou redescobrindo o óbvio…

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

ECOS DE UMA VAIA, AGAIN?…

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Dando prosseguimento a lenta, porém eficiente, conquista dos jovens brasileiros através do esporte, a matriz do norte agora vai de football, o deles, com suas armaduras e capacetes medievais, numa apresentação no ex templo do futebol brasileiro, o soccer deles, o maracanã, construido para 200 mil pessoas, e que após a reforma “padrão FIFA”, encolheu para 78 mil, excluindo os “geraldinos” que fizeram história no saudoso estádio…

Num artigo de 2007 conto um pouco do football x soccer no antigo maracanã, que reproduzo a seguir, num pequeno protesto, sei que insignificante, mas um protesto enfim…

 

 ECOS DE UMA VAIA.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007 por Paulo Murilo

No final dos anos 50, fui ao Maracanã para assistir um espetáculo inesquecível.Era um sábado, numa tarde de verão, e lá fui eu para o inesperado. A Miami University, apresentaria para o público brasileiro uma autêntica exibição de Football, o deles é claro, e no maior estádio do mundo.Naquela época, assistências de 180 mil pessoas era lugar comum nos grandes jogos. Entrei para as arquibancadas, e o que vi meu Deus? Pra começar, dois enormes chifres pregados nas balisas sagradas, e um monte de faixas pintadas no gramado dividindo-o em pequenos espaços. E o mais espantoso, 5 pessoas sentadas naquele mundaréu de concreto, eu e mais 4 incautos. Nem cachorro quente Geneal, nem mate Leão, nadinha. De repente, da boca de um dos túneis emerge um batalhão que já prenunciava as vestimentas intergaláticas que fariam furor na década seguinte. Começa o jogo com um chute de bico numa bola(?), ou algo parecido com um quibe gigante. Daí para diante foi um tal de conversas ao pé do ouvido, entremeadas de pancadaria explícita, e uma corrida desenfreada de vez em quando, só que não entravam no gol. E os chifres?Para que serviriam? E de repente ouviu-se uma vaia estrondosa emitida por três dos presentes, como um uivo numa pradaria. Naquele dia descobri que o majestoso Maracanã tinha eco. Termina o primeiro tempo com o humilde placard de 14 a 14 se bem me lembro. Para não morrer de sede descubro uma torneira no grande corredor, e volto para o segundo tempo, que não houve, pois a formidável Miami University se mancou de que aquele não era,decididamente, um local amistoso ao seu football. Aquele insignificante estádio era de soccer, um jogo menor.Na minha concepção, aquela vaia emitida pela trinca infernal, ecoou como uma bomba de indignação ante tal sacrilégio, e só sentia ao sair uma tremenda tristeza em não ter vaiado também.

No final dos anos 60, lá estava eu no país do football, o deles é claro, fazendo um estágio técnico em basquetebol. Como que um castigo, fui convidado a assistir, com acessória técnica e tudo, que me explicaria tintim por tintim todos os aspectos técnicos e táticos, assim como as claras regras do jogo, aquele jogo nacional. Confesso, que apesar de me considerar razoavelmente inteligente, não pesquei absolutamente nada daquela demonstração de violência e catarse coletiva. Chovia,o que tornava o campo um lamaçal só, e o numero de contusões foi muito elevado.Só de fraturas foram duas. Foi um espetáculo edificante.Há , a cidade era Baltimore. À noite, numa pequena recepção, perguntaram-me o que tinha achado do football, que de inicio apelidei de Talkball, pois mais se falava do que jogava, e quando o faziam o pau cantava. E que football era o jogo que se jogava com os pés, como nós e o resto do mundo adotavam, e que no dia que os americanos descobrissem o lado democrático do jogo, do nosso football, as coisas tenderiam a mudar por lá. Nada mais me foi perguntado, e me isolei na minha insignificância.

Ontem, como numa provação bíblica, ou penitência por alguns erros cometidos e por outros que o serão no futuro, assisti, na íntegra.o Super Bowl, o campeonato mundial, a supremacia desportiva, acima de qualquer outra no planeta. Mas, um pouco antes do inicio da contenda(termo adequado, já que não uma partida, ou simples jogo), lembrei-me de um editorial escrito por um dos jornalistas do Sports Illustred na semana do inicio do Campeonato Mundial de Futebol da Alemanha, quando mencionava, com todas as letras, que não entendia como o mundo seria paralisado por 15 dias para que assistisse e torcesse para um jogo que se utilizava dos pés como instrumentos, em vez das mãos, que era o aspecto que diferenciava os homens dos animais na escala evolutiva. E que os Estados Unidos aguardavam o encerramento de tão inditoso evento para retomar a hegemonia política do mundo. Quem duvidar recorra à internet e leia o editorial na Sports Illustred. Pois bem, depois de três horas de terror, consegui chegar ao fim da pancadaria, e a lembrança mais presente que me assaltou foi a voz afetada pelo sotaque de caipira do Alabama,ou congênere, do comentarista brasileiro da ESPN, em suas tiradas lingüísticas absolutamente ininteligíveis, e mais do que nunca tive uma imensa saudade daquele vagido em forma de vaia ecoando pela imensidão do Maracanã, emitido por aquela brava trinca de indignados cariocas.E mais uma vez me assalta um outro pesadelo, o do próximo All Stars da NBA, a vitrine dos votados e coroados reis do basquete, com seus milhões de dólares e empáfia além do imaginável, prontinhos para se verem de frente com o resto do mundo no Torneio Pré-olímpico e até mesmo nas Olimpíadas, e que como eles, também se utilizam das mãos para jogar o grande jogo.Só com uma sutil diferença, jogado dentro de regras internacionais, aceitas democraticamente por todos, com uma exceção, a deles mesmos, os norte americanos, para os quais o mundo não vai além de um Super Bowl.

Foto – Reprodução do O Globo. Clique na mesma duas vezes para acessar sua leitura.

PARECE QUE FOI ONTEM…

 

Dando uma vasculhada nos mais de 1300 artigos aqui publicados, encontro este de agosto de 2013, que tem tudo a ver com o que está ocorrendo com o nosso basquetebol, e que vale muito mais ainda pelo debate, e que debate, com o jornalista Giancarlo Gianpietro, numa participação comentada que desafio ser encontrada em blogs da modalidade, e que determina enfaticamente a correta orientação dada ao mesmo desde sua criação em setembro de 2004, em sua função democrática, responsável, e acima de tudo assinada, como deveria ser para todos…

Vale a pena dar uma olhada, pelo menos por curiosidade…

ENCRUZILHADA E OPÇÕES…

terça-feira, 6 de agosto de 2013 por Paulo Murilo

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Tenho me divertido muito nos últimos dias com a leitura de alguns blogs sobre o futuro técnico e tático do nosso basquetebol, muito mesmo.

Como que num estertor terminal de um conceito que todos professam, profundamente lastreado no sistema único de jogo com suas posições estratificadas de 1 a 5, cujas nomenclaturas bailam de armador puro a finalizador, escoltas de varias matizes, alas de força ou de finalização, pivôs light ou heavy, toda uma setorização que beira ao ridículo, mas que se sustenta através o pragmatismo funcional de uma forma de jogar com domicílio no hemisfério norte e canhestramente copiado por estas colonizadas plagas, vide a quase absoluta migração da mídia especializada para os lados dolarizados da NBA, cujos tentáculos se voltam para o nosso país em busca de um mercado deslumbrado e ávido em consumir tecnologias de ocasião, seja lá as que forem…

Nunca li tanto conhecimento, vasto e aprofundado (?), sobre o grande jogo, mas o de lá, não o daqui, divulgado em todas as mídias, muito bem patrocinadas e financiadas, numa ascendente influência e dominação que deveria preocupar seriamente nossas lideranças desportivas, e mesmo as educacionais.

Então, a tendência analítica do que aqui se pratica técnica e taticamente, presa que está aos cânones mais do que solidificados do tal e absurdo sistema único (e tem gente que jura com os dedos em chifre, que está mudando, evoluindo…), é de simplesmente avaliar e comentar o que vêem sob a ótica do que sabem, ou pensam saber sobre o mesmo, unicamente o mesmo.

Temos então, no caso da seleção masculina adulta, opiniões que se concentram, não na condição do conhecimento e domínio técnico dos jogadores selecionados sobre os fundamentos, os diversos sistemas, a leitura de jogo, e sim do que são capazes de produzir em suas posições de 1 a 5 (acho que bem mais do que 5…), como peças estanques de uma engrenagem a serviço de um esquema formatado e padronizado (ai está a ENTB para confirmar…), e não um corolário de conhecimentos que os tornariam aptos a novos experimentos táticos, e por que não, estratégicos.

Neste ponto sugiro a releitura do artigo aqui publicado e muito bem comentado Papeando com o Walter 2…(Artigo 600), no qual muito do que deveríamos saber e dominar sobre a dupla armação se torna básico pela tendência, mais do que evidente, de que seja essa uma das opções do técnico Magnano em seu profícuo trabalho na seleção, assim como, forçado pela desistência dos grandes pivôs de choque convocados, e que optaram pela NBA, volta seus olhos para aquele outro tipo de pivô, da nossa sempre lembrada e vitoriosa tradição, os de velocidade, flexibilidade, e acima de tudo, multifacetados.

Sem dúvida alguma teremos de ir de encontro a esse novo (?) tipo de pivô, melhor, ala pivô, e para meu gosto, pivô móvel, rápido dentro do perímetro, ágil na recepção dos passes, flexível no drible, nas fintas e nos arremessos de curta e media distancia, assim como na defesa antecipativa, veloz e inteligente, e que ao se deslocar permanentemente ganha em impulso extra para os rebotes, que muito além do impacto físico, prioriza a colocação rápida e espacial nos mesmos, vencendo em muito a lentidão e peso dos tão amados “cincões”, e o mais importante de tudo, jogando de frente para a cesta.

No amalgamento dos armadores com esses novos arrietes, se destina a nossa retomada, o soerguimento de uma tradição vencedora que muitos teimam em omitir, pois pagariam o preço de tornarem a conhecer a nossa história, e não a dos outros, com a finalidade de nos impingi-la goela abaixo, como a verdade a ser seguida, digerida, sacramentada.

Sugiro também a releitura do artigo O que todo pivô deveria saber, que muito elucidaria a correta forma de atuar e jogar de um jogador de tal importância inserido num correto sistema de jogo, aberto e democrático.

Mas Paulo, e as bolinhas de três, nossa “grande arma”, como é que ficam?

Numa equipe jogando da forma acima citada, bolas de três suplementarão o sistema, e não o tornarão escravo das mesmas, numa inversão de prioridades, e sim na busca da precisão, que é o objetivo maior a ser alcançado, além de eliminar de vez aquele tipo de jogador pseudamente “especializado” que é facilmente encontrado em determinadas e repetidas zonas da quadra, parado e acenando em busca de um passe que o torne imprescindível… Importante é saber para quem…

Enfim, acredito estarmos no limiar de uma grande escolha, ou a manutenção da mesmice endêmica que nos tornou escravos de um sistema absurdo e anacrônico, até mesmo para seus inventores lá de cima, ou a busca e encontro de algo não tão novo assim, mas que nos tornariam proprietários de um modo de jogar o grande jogo absolutamente único, e quem sabe, vencedor…

E não perdendo o bonde da história, me pergunto curioso e instigante onde andarão o Cipolini, o Gruber e o Murilo nessa convocação, já que os mais ágeis, rápidos e flexíveis pivôs móveis que possuímos e à disposição? Onde?

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique na mesma para ampliá-la.

2 comentários

Giancarlo Giampietro08.08.2013·

Olha, professor,

como não há identificações de quem seja ridículo, corre-se o risco de vestir uma carapuça que não seja a sua, mas… Já que um dos termos citados no artigo é um que já utilizei recentemente ou costumo utilizar, não tem como não se sentir atingido. Fica bem claro. Então vamos lá, vestindo.

“Armador puro”.

Bem, “puro”, no meu conhecimento limitado da língua, é um adjetivo. Adjetivo que, desta maneira, viria para qualificar o substantivo “armador”, da mesma forma que “ágil”, “alto”, “magro” e até mesmo “pesado”. Não se trata de uma conotação “ala-de-força”, ou algo assim. “Qualificar”, para mim, não quer dizer “petrificar”, “amordaçar”, ou “estratificar”.

A intenção do termo “puro” é indicar que estamos falando de um armador classudo, muito mais preocupado em ajudar seus companheiros, daqueles com vocação natural para a coisa, mesmo, que nascem com essa propensão. Sabemos que existem esses tipos por aí e alguns deles infelizmente nunca pegaram numa bola de basquete na vida – ou na de handebol, vôlei ou futebol, ficando no meio do caminho por mortes ou outras decisões econômicas. É gente que nasce com um dom, com uma qualidade que dificilmente vai ser ensinada em treinos de fundamentos ou estudo de DVDs. Você melhora, mas tem limite.

Esse armador puro pode ser muito mais preparado em fazer o time jogar do que um Larry Taylor, um Nezinho ou um Arnaldinho, mas isso não quer dizer que ele não vá finalizar, rebotear, defender, correr, sorrir ou espirrar. Isso me parece algo bem simples de entender.

Além disso, pensando em gramática, na essência, se somos contra nomenclaturas, o ideal seria abstrair tudo. Não demoraria a chegarmos a uma conclusão de que nem “armador”, nem “pivô”, nem “ala”, nem “ala-pivô móvel” fazem sentido também. Não deixam de ser todas essas nomenclaturas, posições ou funções? Guards e/ou forwards? Etc. etc. etc. O quanto isso é ridículo ou não? Tudo depende do ponto de vista, e não importa se estamos falando de técnicos, jornalistas ou meros curiosos. Não nos esqueçamos que há gente de esquerda e direita que acha realmente ridículo, para não dizer estúpido, o ato de pingar uma bola com a mão e atirá-la ao cesto. Que o esporte é o circo.

Ideia com a qual obviamente não concordamos.

* * *

Quanto a outras colocações um tanto escrachadas no que se referem a NBA, me sinto no direito de preservar minhas questões particulares – adiantando apenas que, não, não ganho dólares da liga, nem tenho conta nas Ilhas Cayman. Uma pena? Vai saber, que o destino nos julgue mais pra frente.

Mas o ponto importante aqui: o senhor não sabe qual a rotina dos outros jornalistas (“blogueiro” seria só uma posição), que ganha o que e de quem para tocar a vida adiante. São pontos essenciais para se considerar antes de fazer qualquer tipo de comentário. Tenho certeza de que a vida de um jornalista do Jornal do Commercio difere da que um rapaz do jornal A Tarde leva, ou do Zero Hora, ou da Folha, ou do correspondente brasileiro de El País. Pelo simples fato de que as realidades são diferentes, envoltas por lutas (não confundir com bandeiras) diferentes no dia-a-dia. Que veículo investe em quê? Quais são os objetivos?

De todo modo, o espaço é sempre público e pode-se questionar ideologias e meros gostos. Porque fulano escreve sobre basquete, não é obrigação nenhuma que outro da mesma espécie vá assinar embaixo de tudo que lê. Abomino o corporativismo. Então há, claro, espaço, sim para críticas, correndo sempre o risco de nos tomarmos pela arrogância. Há quem seja limitado no entendimento, há quem seja limitado para pontuar um texto. Cada um lida com as limitações do jeito que dá, por vezes sem sucesso.

Da minha parte, nunca fui um nacionalista, o que não quer dizer que não goste do meu país, a despeito das sacanagens de sempre que nos atormentam. Não obstante, também não me apego a fronteiras. Não vou deixar de ler Dostoievski ou Raymond Chandler para viver só de Machado de Assis (meu autor preferido) ou me apeagar a um Paulo Coelho. Vale o mesmo para cinema, teatro, música, sociologia, antropologia. E o basquete?

Acredito que paixões, conhecimento, estudo extrapolam qualquer fronteira. NBA, Irã, China, África, Austrália… Pouco importa, se é basquete, tou dentro. Do contrário, levando o raciocínio a sua origem, o Brasil nem mesmo teria de se meter a jogar um esporte inventado, ao menos oficialmente, por alguém de nome Naismith.

* * *

Como o artigo é rico, e a saraivada não para, tenho mais observações a serem feitas.

Sobre a análise de jogos, não vou entrar no mérito de quem é melhor ou faz melhor, porque para isso está muito claro e sempre dei links de artigos seus em textos no blog.

Só me incomoda um pouco, e aqui falo até mesmo como leitor, o fato de que, aparentemente, apenas o seu conceito de jogo seria possível ou factível para o basquete brasileiro – ou mesmo o basquete como um todo. Se as críticas ao “sistema único” são factíveis e, mais que isso, válidas, adotar apenas o sistema que o senhor defende também seria bastante limitado, não? Esta é A Maneira Correta de se jogar?

Claro, diante da pasteurização predominante (o que não significa 100%), o que o senhor propõe seria diferente. Mas esta, imagino eu, não é também a única alternativa possível para Brasil, Japão, Jacareí ou New York Knicks. Não creio que toda cabeça pensante concorde.

Segundo: se um time pratica determinado basquete, é natural que as pessoas vão comentar esse basquete praticado. Ir além e propor outras coisas tornam artigos maiores. Sempre melhor oferecer algo diferente, original – o que não quer dizer autoral também.

Mas isso não invalida o comentário acerca de determinado jogador ou time. No caso de Lucas Bebê, realmente é de se pensar se ele não poderia ser um jogador muito mais completo. Por outro lado, se o técnico pensa que sua função é coletar rebotes e proteger o aro, por que alguém haveria de avaliá-lo de outra maneira? Existe um contexto mais factual, material que precede e/ou acompanha análise.

* * *

Por fim, um blog, uma coluna, um texto, um folhetim, um panfleto, um programa de TV… Todos eles podem ter enfoques diferentes. Há quem faça mais entrevistas. Há quem se dedique a crônicas. Há aqueles que escrevem de modo chato para um, de modo “genial” (palavra da moda) para outros. Não existe o que é certo, nem errado neste caso. Cada um na sua, cada macaco no seu galho. Volta, comenta, lê e, neste caso, responde quem quiser.

Segue a vida.

Abs,

Giancarlo.

Basquete Brasil09.08.2013·

Olha Giancarlo, muito legal seu comentário, e o que mais me alegrou foi o fato de ter sido essa a primeira vez nos nove anos desse humilde blog, a ter um comentário/resposta jornalístico de tal ordem e valor, provando com sobras sua real finalidade, a de discutir aberta e democraticamente o grande jogo em toda a sua dimensão e importância, onde a discordância fundamentada torna sadio o debate, trazendo em seu corpo a busca incessante do conhecimento e do nem sempre provável consenso, encaminhando-o ao encontro do almejado bom senso.

Então, discordando ou não, exercitemos uma tréplica, que de acordo com sua vontade se estenderá ou não para mais adiante.

Carapuças a serem vestidas inexistem no texto, pois a mencionada setorização se prende ao aspecto posicional, onde variadas terminologias visam exclusivamente a formatação e padronização de uma maneira única de ensinar, treinar e jogar o grande jogo, negando ao mesmo a generalidade tática que o tornou complexo e belo de praticar e assistir.

O termo armador puro foi ouvido pela primeira vez por mim através uma definição que o velho Togo Renan fazia a armadores da época, em particular o Fernando Brobró, o Barone e o Peixotinho, a qual não concordava, mesmo vindo do grande e mítico técnico. Logo, os termos que enumero definem a mencionada setorização, e não aqueles que fazem uso deles em seus comentários.

Por outro lado, em nenhum dos mais de mil textos publicados fui contrario às varias funções que são assumidas e desenvolvidas pelos jogadores, e sim que os mesmos se fixem em uma ou duas, como o exigido pelo sistema único, mas que sejam preparados e treinados em todas, mesmo que no transcorrer do processo técnico tático a que estão ligados optem, ou sejam orientados a determinados papéis, mas sempre aptos a exercerem os demais quando solicitados, com um mínimo de eficiência possível.

E na busca dessa pluralidade é que pude desenvolver e estudar sistemas de jogo autorais, por que não se verídico, na luta arduamente travada para que tal busca pelo novo, pelo inusitado, servisse de mote técnico comportamental para todos aqueles envolvidos na função de soerguer o grande jogo entre nós.

Além do mais, nunca, em tempo algum de minha longa vida, impus ações e comportamentos a quem quer que fosse, principalmente os técnicos, mas que procurassem desde sempre um caminho todo seu, único, se possível autoral.

Logo, quando menciono armadores e pivôs móveis estou definindo uma estratégia de ação, e não um corolário de funções, aquelas que você menciona não fazerem sentido como nomenclaturas de funções e posições, inclusive as minhas duas, se levadas ao termo, podendo inclusive, serem taxadas também de ridículas, no que concordo. Para mim a verdadeira posição de um jogador é a 12.345, com as devidas capacitações e oscilações inerentes à mesma.

Continuando, não vejo como escracho, criticas que faço a insinuante penetração da NBA em nosso país, que se mantida e desenvolvida da forma que se apresenta, fatal e historicamente tenderá ao esmagamento das tentativas que façamos para soerguer o basquetebol nacional, cada vez mais esvaziado de bons articulistas, de eficientes e determinantes jornalistas, fazendo com que o peso de sua influência dolarizada e globalizada não encontre barreiras que se imponham a tais desígnios, e nesse ponto também não podemos ignorar que tal estratégia de mercado fatalmente transitará pelos portais midiáticos que apoiam e patrocinam seu projeto de ação, e que de forma alguma o beneficiará com a gratuidade comercial.

Muito bem sei e avalio a função profissional de um jornalista, a qual também pertenço, por formação, mesmo lutando algumas vezes na arte de pontuar um texto (olha a carapuça aí, prezado colega…), mas reconhecendo suas agruras e eternas dificuldades, não só profissionais, como éticas, acima de tudo.

Num ponto somos discordantes de fato, pois sou profundamente nacionalista, atitude a que cheguei após percorrer e conhecer quase todo esse nosso imenso território, sempre trabalhando e estudando, assim como percorrer o de outros muitos países, igualmente estudando e trabalhando, pois se bem me recordo, somente uma única vez o fiz em turismo, e mesmo assim por conta de uma conferência em Portugal, que me destinou passagens para esse único evento. Todo esse conhecimento e descoberta, me fez convicto do inesgotável potencial desse nosso país/continente, rico e poderoso por seu diverso gentio, por sua unidade linguística (única no mundo e sua grande força), e por sua herança de paz e amizade, aonde o grande jogo chegou um dia a ser a segunda paixão esportiva de seu povo, inquestionavelmente.

Mas assim como você, jamais neguei acesso à literatura, música, cinema, dança e teatro internacionais, mas sempre privilegiando o nosso, sempre.

Num ponto, sou intransigente, a forma como a NBA se impõe no mundo, com sua mensagem dominante e política, pois é a única modalidade de desporto coletivo realmente internacional praticada e amada pela população americana, a tal ponto que faz com que seu governo a apoie sem maiores restrições como embaixadora de sua influência dominante, e que inclusive vem sutilmente afastando e protelando da mesma o temível fantasma dos escândalos ligados ao doping, em ações e intervenções desenvolvidas pelo senado americano, mas que inexoravelmente alcançará esse nicho privilegiado muito em breve.

Finalmente, o ponto crucial de sua intervenção, muito especial, aliás:

(…) Só me incomoda um pouco, e aqui falo até mesmo como leitor, o fato de que, aparentemente, apenas o seu conceito de jogo seria possível ou factível para o basquete brasileiro – ou mesmo o basquete como um todo. Se as críticas ao “sistema único” são factíveis e, mais que isso, válidas, adotar apenas o sistema que o senhor defende também seria bastante limitado, não? Esta é A Maneira Correta de se jogar?(…)

Ora, prezado Giancarlo, parece que você ou não leu, ou esqueceu muitos dos artigos aqui publicados sobre esse instigante assunto, a dupla armação e os três pivôs móveis, quando através, textos, vídeos, fotos e estatísticas provei e comprovei na teoria e na pratica o sistema proposto, mas nunca, em tempo algum considerei-o único, absoluto para o nosso basquetebol, e muito menos para a modalidade como um todo, e sim como uma proposta balizadora e experimental que servisse de partida a outras propostas, outros sistemas, outras concepções de jogo, fugindo do conceito único que tolhe o desenvolvimento do grande jogo, aqui, e por que não, lá fora também, vide que a pequena revolução instaurada pelo Coach K nas seleções americanas veio duas décadas após eu mesmo, Prof. Paulo Murilo, ter iniciado os estudos, desenvolvimento, treinamento e execução dessa proposta aqui mesmo, em terras tupiniquins, e jamais reinvidicando patentes, já que produto natural do desenvolvimento harmônico de um jogo diferenciado por sua complexidade e inesgotável criatividade, sendo passível de evoluções paralelas além fronteiras.

Quando bato e insisto em novas concepções técnico táticas para o nosso basquetebol, viso prioritariamente o combate à imitação pura e simples, ao aprendizado osmótico, vicio contraído por muitos de nossos técnicos, jovens ou veteranos, assim como a reverência e aceitação passiva de modelos que não nos dizem respeito como povo, como nação, mesmo em se tratando de uma modalidade esportiva, quer queiram muitos, ou não, que concorre para o aprimoramento acadêmico de nossos jovens, onde a premissa de utilização de um único sistema de jogo, rouba dos mesmos a mais importante parcela de seu desenvolvimento, a capacidade criativa, livre e democrática do livre pensar, amar e jogar o grande jogo, o jogo de suas vidas.

Terminando, concordo plenamente que toda e qualquer mídia deve poder se expressar diferentemente, sendo essa uma das razões que originaram esse nosso muito bem vindo debate, onde a liberdade e a responsabilidade sejam preservadas e defendidas pelo preço que tivermos de pagar desde sempre.

Muito obrigado pelos comentários e criticas Giancarlo, e espero que divergências não nos afastem dessa humilde trincheira, aberta a todos que defendem a plena liberdade de expressão.

Um abraço.

Paulo Murilo.

 

NÃO FOI POR FALTA DE AVISO…

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“Se cada povo tem o governo que merece, porque não o basquete. Todos lá estão pelo caminho do voto (27), ou não? Então, o que está errado nessa equação?”

A CBB está em crise, não paga sequer pela vaga na Olimpíada pelo calote dado a FIBA na compra da vaga no Mundial, e agora, de pires na mão suplica por mais um patrocínio estatal, que não duvido nada, conseguirá com os avais do ME e do COB, pois é de suma importância para esse último, liderado pela turma do vôlei, que o basquete permaneça na mixórdia em que se encontra, garantia maior de que não oferecerá, por um bom tempo, perigo ao patamar  de segundo esporte no gosto do brasileiro, ostentado aos quatro ventos pela turma que, depois de um anunciado escândalo econômico administrativo, recobra o majestoso patrocínio do BB,  sem os arranhões expostos e cobrados à turma menor, a do grande jogo…

Fabio Balassiano vem a público com um excelente trabalho sobre as contas da CBB, suas falhas e dívidas milionárias, liderando uma torrente de comentários pela cobrança de explicações e pedidos de auditorias, que também acredito não dariam em muita coisa, face a blindagem ostentada por esse mundo nebuloso e interesseiro, garantido pelo corporativismo solidadamente implantado no mal fadado esporte brasileiro, refúgio de muita gente oportunista,  inteligente e letal, principalmente no manuseio das verbas oficiais depositadas meneirosamente em suas mãos, onde se lavam mutual e permanentemente, década após decada, num movimento ciclópico, aparentemente, sem fim…

Muitos e muitos reclamam da falta de apoio à luta “quase solitária” do Balassiano, mas esquecem que aqueles que ai estão no comando foram eleitos pelas federações estaduais, muitas delas se locupletando do festim, e que não estão nem um pouco preocupadas em mudanças, garantia do que ai está…

Engraçado que, indo de encontro a solidão do Fabio, muito aqui escrevi sobre o que agora está escancarado, muito mesmo, e para refrescar as cabeças que hoje bradam revoltas e pedidos intervencionistas, sugiro a leitura a seguir, e quem sabe, entenderão alguns “porquês” que assombram o grande jogo em nosso país:

Cronologia do Esquecimento (ou Recordando…)

Amém.

Fotos – Divulgação CBB.