A CORAJOSA OPÇÃO SISTÊMICA DO PETROVIC, MANTERÁ?…

No primeiro jogo da fase classificatória contra a Nova Zelândia arremessamos 17/44 bolas de 2 e 14/38 de 3, contra 18/37 e 12/26, numa competição artilheira de dar arrepios, haja vista o placar final de 102 x 98, ao final da partida

No segundo, contra a Grécia foram 25/52 de 2 e 5/12 de 3, contra 18/37 e 12/26 helênicos. Vencemos por 79 x 78 um jogo chave para a classificação…

No de hoje, o terceiro, contra Montenegro, arremessamos 26/46 de 2 e 7/18 de 3, contra 17/30 e 11/32, garantindo o primeiro lugar na chave por 84 x 73…

Assistindo os jogos e analisando os números, algo de absolutamente inédito em seleções brasileiras salta aos olhos, e tão somente quanto aos arremessos de quadra, números que estão aí acima, realmente inovadores, senão vejamos – Ao contrário da histeria dos 3 do primeiro jogo, o tal que por pouco nos livramos de um resultado nada alentador, quando arremessamos 38 bolinhas, fruto de um vício de formação arraigado de longa data em nossos jogadores, do segundo em diante não ultrapassamos as 20 tentativas (foram 12 e 18), quando priorizamos o fortíssimo jogo interior que possuímos, mudando radicalmente a forma de jogar, concluindo de fora quando realmente as condições de equilíbrio, desmarcação e velocidade, propiciou pontos importantes, otimizando o esforço físico a cada ataque com conclusões mais seguras e com alto grau de precisão, principalmente dentro do garrafão …

 Enfatizo esta providencial mudança, pelo inconteste fato do Petrovic parecer ter conseguido convencer a equipe de ser esta a melhor maneira de vencer jogos sérios e decisivos, de 2 em 2 e 1 em 1, com muita paciência, firmeza e alta percepção de leitura de jogo, principalmente jogando em espaços menores e bem defendidos, visando o desmonte defensivo, fator estratégico que ganha dimensões gigantescas daqui para o final da competição, e por um inusitado e não calculado comportamento de uma seleção que vem forçando essa forma de jogar do “chega e chuta”, de três décadas para cá, com inclusive a falsa afirmativa de que fomos nós a inaugurar a falácia tendenciosa de que  “mudamos o jogo”, mas que não nos fez vencer competições realmente importantes desde então…

Se essa mudança se concretizar com seriedade, compromisso e envolvimento por parte da equipe em seu todo, sem dúvida alguma seus mais ferrenhos adversários se preocuparão seriamente, pois terão de medir forças seguida, e não esporadicamente pelos 40 min da cada partida dentro de sua área defensiva, com desgastes em faltas e enfrentando arremessos mais precisos pela proximidade da cesta, através alas pivôs rápidos, ágeis e atléticos, alimentados por armadores agindo como tal, e não pontuadores de longa distância, assim como, com formações dinâmicas em constante movimentação, dinamizando sistemas defensivos combativos, antecipativos e inteligentes nas leituras conjunturais do jogo…

Os primeiros passos foram dados com a adoção permanente da dupla armação, e a escalação de uma trinca de alas pivôs de grande mobilidade ofensiva e defensiva, sem os exagerados arroubos das bolinhas salvadoras e midiáticas. E nesse ponto fica bem clara a falha convocatória, onde alguns nomões ocupam vagas de jogadores mais bem equipados tecnicamente que aqui ficaram, para exercer essas novas perspectivas com muito mais talento do que alguns que lá estão, inclusive visivelmente imaturos para uma competição desse calibre, pois renovação é algo muito sério, e que deve ficar ao largo de influências midiáticas e ufanistas…

Na continuidade somente um problema preocupa de verdade, a diminuição na rotatividade da equipe, onde fica bem patente o grande fosso que divide experiência e imaturidade, tornando um pouco mais difícil a transição do como jogávamos, para o que ensaiamos mudar, num salto desafiador que custamos tanto tempo para enfrentar…

Muito bem Paulo, o que fica faltando então? Alguns pontos importantes, como defender os monstruosos pivosões pela frente, radicalmente pela frente, cortando os passes diretos aos mesmos, obrigando a lateralização, com substancial perda de preciosos segundos de ataque. Mais trocas e cruzamentos (até aleatórios) dos alas pivôs dentro do perímetro interno, deslocando permanentemente os altos defensores, que é o fator mais importante na construção de espaços naquela zona chave para as defesas. Hierarquizar os posicionamentos nos rebotes defensivos, onde uns bloqueiam os atacantes e outros capturam a bola, e nos de ataque, tendo sempre um mínimo de dois na disputa aérea, sempre. Como vemos, pouco falta para realmente mudarmos, para bem melhor, nossa forma de jogar o grande jogo, como deve ser jogado na busca da maior precisão possível, antítese da chutação anárquica e desenfreada, onde o fator contraditório é exatamente a imprecisão…

Torço pela afirmação das mudanças, que se aceitas por todos (inclusive os assistentes técnicos que lá estão, adeptos ferrenhos da farra dos 3…) constituirá o grande passo que teimamos a décadas, em não dar, e talvez calarei meus rogos pela adoção, ou adaptação do mesmo, defendido, estudado e aplicado por mim em todas as equipes que orientei, da base a elite por mais de 50 anos, porém afastado pelo corporativismo defensor da mesmice endêmica que aí está, mas jamais calado nos técnicos e indignados artigos publicados nesse humilde blog, atuando ininterruptamente a 15 anos, o Basquete Brasil…

Quem sabe um croata consiga romper essa muralha, espero que sim…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

DE 2 EM 2 E DE 1 EM 1, PORQUE NÃO?…

Fico na torcida para que o bom senso prevaleça, numa atitude enérgica defensiva, e numa ofensiva paciente, interior, com seletividade mais aprimorada nos chutes de fora, e acima de tudo, na luta sem tréguas pelos rebotes lá e aqui, indistintamente, e que de 2 em 2 e 1 em 1, torne o jogo mais inteligente e produtivo”…

Foi esse o último parágrafo do artigo publicado ontem neste humilde blog, e pelo que pude testemunhar ao vivo, a cores, e ululante transmissão (bons comentários do Marcelo e do Rodrigo, justiça seja feita), o bom senso imperou pelo lado tupiniquim, liderado por um técnico que, enfim, fez valer sua experiência e poder de persuasão quanto a inestancada hemorragia que nos esvai a décadas, de uma cultura autofágica retratada em toda sua extensão nos inenarráveis e muitas vezes irresponsáveis festins de 3 pontos, midiáticos, deificados e registrados como nossa marca pessoal de jogar o grande jogo, num anti coletivismo visando transformá-lo numa modalidade individual, como bem representam alguns de nossos líderes de antanho, glorificados e bajulados com a representação de uma forma personalista de atuar, que gerou levas e levas de “especialistas” que nos fizeram despencar ladeira abaixo no cenário internacional…

O jogo foi ganho de 2 em 2 e 1 em 1 pontos, trabalhados pacientemente, por uma dupla, às vezes tripla armação gerindo e servindo alas e pivôs com maestria, ferindo o adversário lá dentro de sua pretensamente inexpugnável cozinha, desmontando sua supremacia nos rebotes, onde um certeiro Varejão liderou sua equipe num jogo interno poderoso e acima de tudo, lúcido, pois jamais os gregos poderiam imaginar uma seleção adepta fervorosa das bolinhas, enfrentá-los onde se consideram fortes, lá, bem lá dentro. Some-se a isso o fato de ser este campeonato jogado pelas regras da FIBA, fator talvez esquecido pela turma grega (e muito torcedor também…), quando atestou o fato de que o MVP da liga maior simplesmente não pode desfilar sua coleção de talentos ao se deter ante uma defesa que pode exercer tantas e quantas coberturas quiser, tornando o 1 x 1 bem mais complicado de enfrentar. E foi uma defesa briguenta e antecipativa a que não só ele, mas toda sua equipe teve de enfrentar, perdendo a partida…

A turma brasileira arremessou 5/12 de 3 (palmas uníssonas para ela), e 25/52 de 2 pontos, concluindo dentro do garrafão 46 pontos dos 79 alcançados, enquanto a turma grega lançou 9/26 e 15/34 respectivamente, totalizando 28 pontos no garrafão, sendo que nos Lances livres as duas equipes converteram 14/19 e 21/23, números que permitiram a seleção nacional vencer por 1 ponto (79 x 78), mas venceram uma partida chave para a classificação numa posição vantajosa quanto aos enfrentamentos futuros, e mais ainda se vencer Montenegro na quinta que vem. Tiveram 10 erros de fundamentos (foram 8 na primeira partida), contra 16 dos gregos, outro número bem favorável, e que ao ser diminuído aumentará em muito a eficiência da equipe…

No entanto, alguns fatores importantes foram bem difíceis de enfrentar, como na rotação da dupla armação, onde seria arriscado lançar o Yago de encontro aos mais do que experientes tanques gregos, assim como um Benite que sem dúvida alguma teria seus longos arremessos severamente contestados, fator um tanto amainado no caso do Marcos, com sua elevada posição de arremesso muito além de seus 2,07m de estatura, situação que seria enfrentada pelo Leandro e o Alex se optassem pelos longos arremessos, inteligentemente trocados pelas furiosas penetrações que realizaram enquanto estiveram em quadra…

Como a briga nos rebotes, em muitas fases do jogo, teria relevância capital, Varejão, Bruno e Felício se saíram muito bem, sendo que a equipe teria produzido melhor se  constasse em seu elenco de alguns jogadores não selecionados, assunto que também mencionei no artigo anterior, numa perda de qualidade a ser bem pensada para as futuras competições, pois uma seleção nacional representa a forma de jogar seus campeonatos, e não só servir de vitrine da liga maior, com sua forma diferenciada de jogar o grande jogo…

Aguardemos o prosseguimento da competição, onde as exigências técnico táticas crescerão exponencialmente a cada etapa a ser cumprida, tendo a seleção a grande responsabilidade, daqui para diante, de manter esse novo posicionamento tão diligentemente alcançado no dia de hoje, e que seja, definitivamente, um marco divisório entre o ontem, o hoje, e quiçá o futuro de jogar o grande, grandíssimo jogo, da forma lúcida e competente apresentada nesse 3/9/2019…

Torço para que continue atuando com dois armadores criativos, improvisadores, corajosos, e três alas pivôs rápidos, ágeis, flexíveis e acima de tudo, inteligentes, pois bem sei de longa, longuíssima data,  como é jogar dessa forma, acreditando que venha a ser aceita e compreendida daqui em diante, afinal de contas é um croata que aposta nela, ou não?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A MENSAGEM DA HAKA…

Quando a Haka ecoou no ginásio, de estalo pressenti que uma imparável tempestade de arremessos de fora estava prestes a marcar indelevelmente a partida, no momento em que a seleção brasileira aceitasse o repto maori, onde velocidade extremada, acompanhada de uma desenfreada chutação de fora, marca registrada das equipes “all black”, chamava a turma tupiniquim para um temeroso festim, que poderia nos ser desfavorável, e quase o foi, não fosse a providencial entrada no terceiro quarto de um jogador, o Alex, que, com sua experiência defensiva e liderança inconteste, arrumou e orientou a contestação fora do perímetro, assim como organizou um rebote defensivo disperso nos dois quartos iniciais, fatores que “premiaram” a seleção com 50 pontos da turma do Pacífico, número comprometedor para qualquer defesa que se preze, apesar de também auferir outros 50 com seu ataque mais interior do que as bolinhas de praxe, ou seja, até aquele momento havia aceito o repto…

No terceiro, corrigida  e estabelecida a contestação mais rígida das bolas de fora, assim como compactando o rebote defensivo, pode a seleção abrir um pouco no placar, já que a recíproca não era a mesma por parte dos valentes maoris. Mas nada que recomendasse bem a nossa produção frente a números preocupantes, tais como – 35/81 arremessos de 2 (17/44 e 18/37), 26/74 de 3 (14/38 e 12/36), e 48/59 de LL (26/30 e 22/29), num equilíbrio acentuado, somente quebrado de leve nas duas bolas de 3 a mais, para uma contagem final de 102 x 98, num jogo em que a NZ teve 18 erros nos fundamentos contra 8 nossos, um bom número que deverá ser melhorado se quisermos avançar na competição, assim como um substancial abrandamento na volúpia das bolinhas (chutar 38 numa competição deste nível raia ao grotesco), energizando muito mais o jogo interior, veloz e de movimentação constante, já que enfrentaremos defesas poderosas que marcam técnica e fisicamente, sem hakas desafiadoras…

No mais, ficou bem clara a inadequação num nível mais elevado, de um jovem armador, o Yago, assim como um errático Didi, bom, porém inexperiente jogador (bem clara a atitude de sua franquia da NBA, mandando-o para a Austrália para ganhar experiência e mais adequados fundamentos), assim como o Caboclo, jogador mais glorificado estética do que tecnicamente, fazendo valer a opinião do técnico que o treinou no Toronto junto ao Bêbe, de que não entendia jovens tão atléticos não serem ensinados, preparados e treinados nos fundamentos básicos do jogo, que para o primeiro, empunhar a bola com uma das mãos ao pivotear pode parecer domínio superior, não fosse mais do que um dispensável exibicionismo. Na armação internacional anos de cancha é fator transcendental, aspecto que deve ser prioritário numa convocação para um mundial, assim como a escolha de alas experientes, jovens também, onde a rotulação quase que obrigatória da liga maior, se constitua em passaporte , um selo de qualidade discutível, se visto e analisado de forma mais objetiva e isenta de fatores econômicos e políticos…

Sob tais aspectos, não se entende a não convocação e aproveitamento de jogadores como o Meidl, o Lucas Dias, o JP Batista, os armadores Derik e  Cauê Borges, fortes e com boa estatura, em idade próxima a ideal para a posição, e como muitos adoram, pontuadores também, além de bons e sólidos defensores…

Amanhã nos defrontaremos com a Grécia, muitos pontos acima da Nova Zelândia, principalmente no aspecto defensivo, quando poderemos avaliar com mais precisão os acertos ofensivos e defensivos tão propalados na seleção, quando gostaria muito de não presenciar um jogador tomar ( ou sendo mais condescendente, pedir emprestado…) a prancheta do técnico, para didaticamente expor uma ação tática, que claro, não foi sequer esboçada, num jogo, onde o tão decantado e deificado piquenrol não foi executado uma vez sequer, e não precisava ante a barragem de chutes de três deflagrada a não mais poder…

Fico na torcida para que o bom senso prevaleça, numa atitude enérgica defensiva, e numa ofensiva paciente, interior, com seletividade mais aprimorada nos chutes de fora, e acima de tudo, na luta sem tréguas pelos rebotes lá e aqui, indistintamente, e que de 2 em 2 e 1 em 1, torne o jogo mais inteligente e produtivo…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

O MUNDIAL…

O Prof. Israel Washington de Freitas, técnico e basqueteiro dos bons, divulgou em seu face em 29/8/2014, esse artigo em que abordo o Mundial daquele ano, e que aqui reproduzo deixando no ar uma inquietante questão – O que mudou de lá para cá no nosso basquetebol?  Substituindo alguns jogadores mencionados no artigo por outros mais jovens, além de um novo treinador, reitero a questão – O que mudou de verdade? Leiam e tirem suas conclusões.

Israel Washington de Freitas

29 de agosto de 2014 · 

Prof. Dr. Paulo Murilo 

Vai começa a briga, e das boas, já que se trata de um Mundial, de um Mundial, e não de um NBB administrativamente em positiva evolução, porém técnica e taticamente estratificado e profundamente equivocado…

Nossa seleção, falando franca e honestamente, é deficiente em muitos aspectos de técnica individual, e equivocada em concepção de equipe, apesar do ufanismo torcedor que posta, anonimamente em sua maioria, comentários na mídia especializada, corroborando, ou não, matérias publicadas por seus editores, muitas vezes raiando o limite de conhecimentos do grande jogo, aspecto este, que mesmo sendo professor e técnico a mais de cinco décadas, não ouso, sequer penso, ultrapassar…

Mas outra é a nossa realidade, ainda mais com a cornucópia ilimitada de informações, pareceres, estudos e análises soltas, até em nuvens, pela galáctica rede, à disposição de todos, cultos ou neófitos, esplanarem e divulgarem opiniões e relatos da mais alta complexidade técnica e tática, porém ao largo de uma realidade, a do âmago das quadras, da formação a elite, na travessia de anos e anos dedicados a arte de ensinar, educar e ajudar no desenvolvimento humano no contar das horas, dias, meses anos décadas necessárias para atingir objetivos, muitas vezes inatingíveis, pela precariedade de uma realidade longe, muito longe, de se dedicar social, política e humanamente pela educação de nossos jovens, e que é o fator primal de todo o processo, onde pitonismos e achismos se tornam anacrônicos em si mesmos…

Nossa seleção tem graves problemas, deficiências crônicas que em tempo algum foram corrigidas, fora ou dentro de seleções, seguindo um princípio quase dogmático, de que jogadores adultos nada mais devem acrescentar ao que conhecem de técnicas individuais e coletivas, a não ser levá-las ao grau de excelência dentro da realidade tática que lhes é exigida, que sendo padronizada os formatam, ou mesmo modelam, adequando-os às filosofias dos estrategistas que os dirigirão…

Por tudo isso, poucos são aqueles que dominam o epicentro de seus corpos, defendendo em equilíbrio estável e instável; atacando em desequilíbrio controlável, única forma de aliar velocidade e alternância direcional; correr e parar com controle similar; saltar sem se projetar lateralmente; girar espacialmente após rebotes; pivotear e mudar de direção alternando velocidades; bloquear antecipadamente e não no momento da ação; coordenar saltos e deslocamentos com as visões verticais e periféricas, fundamentais para o domínio temporal e espacial; arremessar sob controle preciso do eixo diametral da bola, base crítica para seu correto direcionamento, e que independe do posicionamento estético ou não de seu corpo; domínio ambidestro da bola no drible e suas vertentes direcionais e rítmicas, fatores inerentes às fintas e mudanças de direção, quanto ao conhecimento e pleno domínio dos fundamentos do jogo…

Portanto, sem esses conhecimentos, sistema tático nenhum, por mais simples e primário que seja, obterá sucesso, já que as exigências necessárias para sua execução não serão atendidas pela fragilidade no domínio e controle dos fundamentos, tornando-o estéril e equivocado…

Nosso pretenso poder defensivo, frente a equipes de maior peso, correrá o risco de rompimentos decisivos, pois o Marcos, Marcelo, Huertas, Raul, Leandro e Guilherme, são inconstantes e frágeis no trabalho de pés e controle posicional defensivo, acarretando uma grande carga de cobertura interna dos grandes pivôs, que correm o sério risco de se pendurarem de faltas por isso, gerando também um acúmulo externo por parte do Alex e do Larry, notoriamente melhores defensores do que aqueles…

Ofensivamente, frente a um cenário compensatório, ou não, relacionado às nossas opções defensivas, um outro fator se revela preocupante, a localização posicional dos homens dentro do perímetro interno, nitidamente atuando de costas para a cesta, em posições altas e baixas, e vindo sistematicamente fora do perímetro para bloqueios, sem trocarem de posições entre si, e muito menos tendo um outro alto ala participando dessas trocas internas, quando muito em pontuais deslocamentos paralelos a linha final, ou mesmo bem fora do mesmo, que é o que parece virá a ser tentado pelo Rafael para os longos arremessos, quando ele seria primordial no diálogo direto com os dois pivôs, todos próximos a cesta, para de 2 em 2 pontuarem com mais segurança e precisão, e inclusive e fundamental, estarem no foco dos rebotes, e em vantagem numérica, fator que desencadearia muito trabalho e preocupação com as faltas para nossos adversários, principalmente os europeus…

Também ofensivamente, a falta de um diálogo eficaz e tático entre armadores e pivôs em movimento (se assim se mantivessem todo o tempo de jogo…) torna nosso ataque, na maioria das ações, altamente previsível e marcado com relativa facilidade, onde as dobras se tornam decorrentes pela obviedade de atitudes destituídas de criação coletiva, voltadas que são, teimosamente, de caráter individualista, principalmente através o Leandro, Larry e Raul, sem contar com o mais do que provável aperto por que passarão na vinda da defesa ao ataque em armação única, prato apetitoso para as fortes defesas europeias e americana com que nos defrontaremos…

Logo, podemos concluir com duas ponderações, a de que neste complexo jogo, pitonismos perdem sua fantasiosa relevância, pelo simples fato de não conterem qualquer embasamento técnico e tático, frente a nossa proverbial fragilidade na formação de base, e ante escolas que privilegiam desde sempre esse fator, propositalmente escamoteado, já que formatado, padronizado e implantado por uma geração de estrategistas de produtos prontos, estejam deficientes ou não na fundamentação do jogo, onde o tempo a ser “perdido” em correções não compensa nem enriquece currículos forjados pelo corporativismo que os unem em grande maioria…

Outra, a de que a insidiosa e escorregadia indústria do achismo técnico e tático, fruto de uma patética ignorância do que venha a ser o profundo e verdadeiro conhecimento do grande jogo, sequer se interesse pelo longo e sofrido caminho das pedras do estudar, pesquisar, ensinar e desenvolver, com seu acidentado e inóspito cenário de certezas e incertezas, avanços e retrocessos, pequenas vitórias e grandes derrotas, apêgo e desapêgo a idéias e sonhos, mas decisivo em seu percurso para o progresso e sedimentação de um processo de vida, onde o mérito é a chave para um corajoso e alentador trajeto.

Enfim, teremos nossa auto convidada seleção em mais um Mundial, fruto de uma realidade da qual não podemos fugir e omitir suas carências, e bem representar o que atualmente somos, mas que infelizmente não representa o que deveríamos ser, de verdade…

Amém.

Foto – Divulgação CBB.

RESPONDENDO AO PEDRO…

Me reporto hoje aos comentários feitos pelo Prof. Pedro Rodrigues de Souza e minha consequente resposta no artigo OPORTUNAS QUESTÕES de 12/8/19 sobre o basquetebol feminino brasileiro, que valeria uma boa e oportuna reflexão a respeito.

  • PEDRO RODRIGUES DE SOUZA
  • 14.08.2019 (2 semanas atrás))
  • Paulo Murilo, Passados as alegrias e as comemorações da fantástica vitória do PAN com certeza a equipe seguirá a sua preparação para novos embates.
    Deverá existir um planejamento já esboçado a espera do início do trabalho.
    Tomo a liberdade de anexar ao comentário um roteiro útil a ser seguido.
    Abaixo um arrazoado de caminhos a seguir.
    O nosso saudoso e amigo Camilo Calazans dizia faz tempo: ” no Brasil existem bons planejadores, o problema não é só planejar, é preciso de bons fazedores”.
    Para se fazer alguma coisa, jamais esquecer das inovações.
    DE ONDE VEM AS GRANDES IDÉIAS
    INOVAÇÃO
    Ser criativo é pensar sobre o seu modo de pensar.
    Ser inovador é agir com base em suas idéias.
    São necessários SETE níveis que exigem ação:
    Nível 01: EFICÁCIA fazer as coisas certas

    Nível 02: EFICIÊNCIA fazer as coisas de maneira certa.

    Nível 03: MELHORAR:fazer melhor as coisas certas.

    Nível 04: ENXUGAR: livrar-se das coisas supérfluas.

    Nível 05: COPIAR:.fazer as coisas boas que outras pessoas estão fazendo.

    Nível 06: SER DIFERENTE: fazer coisas que mais ninguém está fazendo.

    Nível 07: BUSCAR O IMPOSSÍVEL: fazer coisas que não podem ser feitas.
    Frequentemente a formulação de um problema é mais essencial do que a sua solução.
    Pedro Rodrigues de Souza
  •  
  • Basquete Brasil
  • 20.08.2019 (5 dias atrás))
  • Prezado Pedro, começo pelo Camilo Calazans, tio do excelente professor e técnico de basquetebol Heleno Lima, que o inspirou, sendo o presidente do BB na época, a promover o primeiro patrocínio de um banco oficial nacional a uma modalidade desportiva, no caso do basquetebol, com sucesso imediato em nossas seleções, patrocínio esse que um pouco mais adiante foi nos bastidores, politicamente surrupiado pela turma do vôlei, junto ao regime militar vigente, e sem o qual jamais atingiria os resultados internacionais que conquistaram, já que de posse e domínio da maior verba pública existente, e inclusive, responsável por um centro exclusivo de treinamento, mantido até hoje. No caso, o “fazemento” foi magistral, por parte da turma liderada pelo Nuzman, o grande planejador e executor das maiores verbas públicas voltadas ao desporto, com os resultados que ainda aguardam sindicâncias sobre suas corretas e honestas aplicações no Pan, no Mundial e na Olimpíada. Dia virá em que tudo será clarificado e julgado, tenho a mais absoluta certeza…
    Quanto ao planejamento no basquetebol feminino, tenho lá sérias dúvidas sobre a Eficiência, Eficácia, Melhoria, Enxugamento, Busca pelo Impossível, sequer o Copiar que fazem tão mal da matriz. Restaria o Ser Diferente, mas como Pedro, se professam em massa a coerência da mesmice endêmica em que vivem, trabalham e afirmam fazer acontecer o grande jogo entre nós, como Pedro, como?
    Inovar, antes de tudo é agir, estudar, pesquisar e difundir aspectos diferenciados de uma ação social, política, vivencial, desportiva, constituindo todo um processo democrático, onde a existência do contraditório tem obrigatoriamente de ser preservado, estudado, incentivado, e posto a prova, gerando resultados e discussões comparativas e fundamentadas no bom senso, objetivando o bem comum. Por tudo isso é que não acredito na existência de um planejamento minimamente plausível dentro do cenário corporativista de uma única via existente, infeliz e lamentavelmente…
    Um abraço, Pedro. Paulo Murilo.

Fotos – Reproduções da TV.

UM ALENTADOR (E INTELIGENTE) CAMINHO…

Em um dos comentários feitos durante o jogo da seleção contra a França, o ex jogador Marcelo mencionou o fato do Benite está se reencontrando com a armação, atuando na posição 2, complementando seu poder pontuador de fora, além da habilidade com a bola, como sempre se caracterizou antes de ser considerado um ala, posição que nunca ocupou de fato, como sempre me manifestei desde sua presença no NBB e no exterior, quando tal indefinição postural o prejudicou bastante em sua carreira profissional, deixando-o a meio caminho de uma definição entre ser um armador competente e criativo, ou um ala vinculado a um arremesso poderoso de três.  Com a correta opção do Petrovic em atuar com dupla armação, convocando três especialistas de ofício, o Huertas, o Yago e o Rafael, viu na ligeira contusão deste último, a oportunidade de relançar o Benite em sua posição de origem, com bons resultados, dinamizando a armação brasileira através a grande oportunidade rotativa e de variadas composições propiciadas por duas duplas de armadores, em n combinações de possibilidades rítmicas infinitas, num campeonato de tiro curto como esse Mundial. Também definiu, como vimos neste torneio de jogos amistosos, um sistema de jogo alguns degraus acima do inefável sistema único, optando pelo intenso jogo interior com alas e pivôs de grande mobilidade como o Varejão, o Augusto e o Felicio, (quando somente o Hettsheimeir destoava pela teimosa, midiática e incensada fuga do garrafão para seus tiros de três) em conjunção a alas tão ou mais velozes nas penetrações e nas conclusões curtas (aquelas que vencem jogos de 2 em 2 e 1 em 1), com o Alex, o Leandro, o Caboclo, o Didi e o Marcos, tornando a equipe mais fluida e brigadora nos rebotes ofensivos, tão ou mais intensos como nos defensivos, chave maior para os contra ataques, além de dotar o grupo de uma atitude defensiva mais dinâmica e presente nos dois perímetros, mesmo sem as técnicas básicas da mesma pouco ou nada valorizadas em suas formações de base…

Acredito que o corte do Hettsheimeir tenha sido pelas causas acima mencionadas, com a prioridade voltada ao jogo envolvente, veloz, e contundente através ações interiores, onde os altos jogadores visem sistematicamente a posse dos rebotes, postergando a chutação de fora àquelas oportunidades de passes de dentro para fora do perímetro, na direção dos verdadeiros especialistas, como mandam as corretas ações de uma equipe bem liderada por armadores com boa leitura de jogo, e alas e pivôs atuando na cozinha adversária, obrigando defensores a se deslocarem permanentemente, originando os espaços necessários a passes mais precisos, forçando-os a cometer mais faltas do que as usuais. Além do mais, uma equipe mais dinâmica melhora em muito seu sistema defensivo, onde a velocidade de anteposição e antecipação aos passes adversários se tornam mais viáveis e resolutos, exigindo discernimento nas interceptações, ocasionadas quando todos defendem a linha da bola sobre um sistema universal de jogo largamente conhecido por todos (afinal o praticam desde a formação de base), no que sempre considerei como o “sistema único” adotado por quase todos os países a imagem e semelhança da NBA…

Espero estar prestes a assistir uma mudança radical em nossa forma de atuar, de jogar o grande jogo, onde uma competente e criativa dupla armação abasteça em grande os três homens altos ” dentro”, no “âmago” das defesas adversárias, individuais ou mesmo zonais, pois o excesso de passes em torno e ao longo do perímetro externo somente atrasa e expõe os mesmos ao corte defensivo, assim como adiciona preciosos segundos aos muitos perdidos em jogadas pré estabelecidas, pranchetadas, repletas de retóricos bloqueios, demasiados dribles, fintas desnecessárias,  e atalhos emanados de fora para dentro da quadra por cabeças muitas vezes equivocadas de seus estrategistas, quando a realidade do jogo transcorre dentro da mesma, onde as verdades verdadeiras acontecem, jamais repetidas igualmente, e deverão ser equacionadas em frações de segundos através uma leitura posicional de jogo, onde a improvisação e a criatividade se impõe decisivamente, como fruto de um preciso e minucioso treinamento dentro da equipe, com duros embates em meia quadra, onde a defesa tenta anular o próprio e proprietário sistema de jogo da equipe, da forma que for preciso, inclusive faltosa, a fim de dotar a todos seus componentes do fator mais importante a ser alcançado, ou seja – um bom sistema de jogo não é aquele que dá certo a cada ofensiva, e sim aquele que desencadeia comportamentos técnicos e táticos nos adversários, que quanto mais previsíveis forem, maior será a eficiência do sistema adotado -…

Este fator é que sempre me levou a não conotar importância aos tão amados e cobrados jogos e torneios amistosos que precedem as grandes competições, e também as ansiadas pré temporadas, principalmente pelos analistas, jornalistas e comentaristas abalizados da modalidade, completamente neófitos sobre as etapas e fatores realmente importantes na montagem de uma equipe, de seleções, onde seus componentes compõe a elite da modalidade, logo municiados dos fundamentos mais exigidos pelo grande jogo, capacitando-os ao embate inter pares, cujo conhecimento dos sistemas e táticas os tornam ideais para o confronto onde o fator mais importante é a anulação dos mesmos, pois essa sempre será a mais temida prioridade dos adversários que enfrentarão…

Sempre em minha vida profissional de técnico de basquetebol, foi dessa maneira que preparei as equipes que ensinei, treinei e dirigi, da base ao adulto, a elite, estimulando a prática sistemática dos fundamentos individuais e coletivos (ferramentas que exequibilizarão os sistemas propostos), os embates permanentes meia quadra entre atacantes e defensores, a permanente leitura de jogo, e acima de tudo, a seletividade consciente e responsável nos arremessos curtos, médios e distantes, dentro e fora dos perímetros, onde técnicas avançadas de pesquisa individualizada, direcionamento e precisão, em muito ultrapassa a corriqueira e usual idéia de que os mesmos atingem sua eficiência máxima através “milhares” de repetições, contestada por mim desde sempre, como comprovada cientificamente em minha tese de doutorado – Estudo sobre um efetivo controle de direção do arremesso com uma das mãos no basquetebol – defendida na FMH/UTL em Lisboa em 1992…

Se alguma dúvida ainda pairar na conceituação de como ensinar, treinar e dirigir uma equipe com dupla armação e três alas pivôs, interagindo coletiva e solidariamente, sugiro que revisem um jogo ímpar em sua importância técnico tática, aquele em que equipe do Saldanha da Gama, treinada e dirigida por mim, venceu a equipe do Brasília que se sagrou campeã naquele NBB2, estando na ocasião na última colocação daquela competição, e com somente 49 dias de preparo ( descrevi todos os 49 dias em artigos diários nesse humilde blog, sendo o primeiro publicado em      6/2/2010), e também o primeiro blog da internet brasileira a veicular jogos integrais, hoje corriqueiros na grande rede…

Nove anos depois este vídeo mantém algo que nenhuma equipe da LNB, e mesmo das seleções nacionais conseguiu emular, sequer copiar, a não ser fatores pontuais, como a dupla armação e pivôs mais ágeis e velozes, nunca porém a maneira de jogar que somente de quatro anos para cá algumas franquias da NBA começaram a inovar. Quem sabe agora o Petrovic consiga romper essa mesmice endêmica técnico tática, e da autofágica enxurrada de arremessos de três,  que nos fez perder muitos anos e gerações de bons e talentosos jogadores, órfãos e reféns do terrível corporativismo que nos tem esmagado e humilhado no cenário internacional de peso, e não aquele de competições menores onde os realmente grandes não põe seus pés, e suas mãos também…

Assistam o JOGO e tirem suas conclusões.

Amém.

Foto – Divulgação CBB.

Vídeo – Arquivo pessoal.

OPORTUNAS QUESTÕES…

Fim de jogo em Lima, Brasil campeão feminino, e ato contínuo toca o telefone já passando da meia noite, com o Pedro lá de Brasília dizendo – ” Paulo, você tanto insistiu que acabaram de vencer com duas armadoras permanentemente em quadra, o que acha?” – Duas não Pedro, três!!! Com o jogo interno comprometido com as faltas da Clarisse, a pouca experiência da Stephanie (a única jogadora da mesma idade das americanas, que inclusive atua no basquete universitário de lá), e a clara lentidão da Erika , compondo uma seleção mais do que veterana, enfrentando colegiais universitárias com idade máxima de 23 anos, ficou a seleção capenga e nada competitiva no jogo interior e nos rebotes nas duas tabelas, optando o treinador pelo jogo veloz e de profundas penetrações das armadoras, e eventuais arremessos de fora, nem sempre eficientes, atitude esta que coincidentemente beneficiou a defesa pressionada através as três rápidas jogadoras atuando juntas, tendo ainda a Lays na rotação…

Ora Pedro, não é de hoje que defendo a dupla armação, inclusive a utilizei em todas as equipes que dirigi em 50 anos de quadra, desenvolvendo- a a níveis bastante elevados, quando a associei a três alas pivôs transitando aleatoriamente pelo perímetro interno, como um carrocel aparentemente errático, porém lúcido e coerente em sua movimentação permanente e pluridirecional, longa e profundamente treinada, analisada e discutida nos mínimos detalhes, gerando e aflorando a criatividade e a improvisação responsável. Foi mais ou menos o que realizou a seleção ao vencer a bem fundamentada, porém inexperiente seleção universitária americana, só que por uma necessidade pontual motivada pela situação fragilizada das pivôs, nunca como um sistema previamente elaborado e treinado (haja vista as incontáveis e longas intervenções na prancheta para algo inusitado, e não treinado a priori), numa improvisação inteligente, que claro, mais do que claro, jamais se reportará a absolutamente nada que porventura se origine a uma longa experiência minha, divulgada a exaustão neste humilde blog, certamente lido e digerido pela comunidade corporativada, por mais que neguem, e sim pelo “poder inventivo, criativo e midiaticamente revolucionário” do treinador em função…

Sem dúvida alguma as armadoras Tainá, Patty, Débora e Lays, que mesmo sem os fundamentos das jovens americanas, se impuseram pela experiência conquistadas em longos anos de quadra, ajudando decisivamente a seleção em seu todo a vencer a competição, fazendo merecedoras do título tão desejado e importante no momento crítico por que passa o basquete feminino no país. No entanto, faz-se de suma importância levarmos em conta o depoimento da Paula, quando com a máxima clareza e lucidez situa o basquetebol feminino num patamar que merece ser estudado com seu importante e básico depoimento

O qual apoio totalmente, acrescentando o fator, não mencionado pela grande jogadora, mas que para mim é o de maior importância, não só para a modalidade feminina, como a masculina também, pois envolve a formação de base de ambas, necessitada de um profundo projeto (não um processo…) de âmbito nacional, regionalizando prioridades, formando, coordenando e avaliando professores e treinadores, cuja maior finalidade é a de ensinar o grande jogo, aprimorar os talentos, e não só visar e ganhar títulos, engordar currículos, “peneirando” o trabalho alheio, galgando os níveis profissionais pela formação de melhores jogadores e cidadãos, e não pelas taças, títulos e medalhas conquistadas, não que não sejam importantes, porém não prioritárias…

Temos de dar atenção e premiar o mérito do trabalho bem feito, pois algo de muito grave, e que nunca foi devidamente exposto a uma análise profunda e esclarecedora, é o fato inconteste de que nunca em nosso país, técnicos de seleções adultas tenham se dedicado ao desenvolvimento da formação de base, utilizando seu prestígio de selecionador nacional, apoiando e até dirigindo projetos voltadas a mesma, profundamente focados que sempre estiveram na manutenção do status sócio, político e econômico, que alcançaram, fossem quais fossem os meios para conseguí-los, logo vulneráveis ao ímpeto de concorrentes ao seu lugar. considerado de direito. Se não superarmos esse óbice constrangedor, porém existente, nada acontecerá de novo, a não ser que um ” novo processo” seja estabelecido a sombra de títulos conquistados, onde posar entre troféus não seja o objetivo a ser alcançado…

Enfim amigo Pedro, que me considera um ser coerente (vide seu comentário no artigo anterior), Mesmo parabenizando a equipe pelo sucesso pan americano, ouso colocar para você a seguinte questão – Face ao exposto ao ocorrido, a vitória, como se comportará a seleção perante adversárias tão ou mais experientes do que ela no cenário internacional, sem que sejam preparadas forte e decisivamente nos fundamentos do jogo, fator primordial para a consecução de um simples sistema de jogo ofensivo e principalmente defensivo, como?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

INTENSIDADE, E SÓ…

Ora bem, aconteceram dois jogos, com duas vitórias, suadas e apertadas, mas vitórias, que para o momento por que passa o basquete feminino vieram em boa hora. Não discutiremos o valor das adversárias, se completas ou não, se adeptas da correria e da chutação de três ou não, mas tão somente o lado de cá, que é que nos interessa de momento. E deste lado, um dado, um único dado prevaleceu além dos enormes e costumeiros erros de fundamentos (contra o Canadá foram 19, contra Porto Rico alguns mais , porém não calculados pela ausência das estatísticas não veiculadas), arremessos falhos de todas as distâncias, com os de três insistentemente reivindicados pela comentarista Hortência como a salvação da equipe no segundo jogo, ante a fechada defesa caribenha, quando o decantado 5 x 5 nacional não conseguia penetrá-la, equilibrando o confronto, sobrando o dado antes mencionado, tido e havido como o fator decisivo para as vitórias, inclusive pelo seu treinador, a intensidade de jogo por quase todo o tempo das partidas, fruto da excelente forma física apresentadas pela maioria da equipe, excetuando-se aquelas poucas nitidamente fora do peso atenuando sua mobilidade. Sem dúvida alguma correram e pressionaram muito, e por bastante tempo, revezando-se seguidamente na busca da cereja do bolo, a intensidade, mencionada como marca registrada das equipes dirigidas pelo novel treinador nacional. Ponto para a comissão liderada por ele, adepta de carteirinha da preparação física científica, aquela que nos tem privado em um terço do tempo do treinamento estratégico dos fundamentos, exatamente o nosso tendão secular de Aquiles, trocado por testes e musculação de alta tecnologia, quando um trabalho forte e realmente sério na preparação, ensino e intensa prática com bola nos fundamentos, em muito, e com mais vantagens técnicas, emularia condicionamentos físicos, trocando aparelhos mecânicos por bolas, aquele básico instrumento que atrapalha muita gente convocada como estrelas de primeira grandeza, a mesma bola que a comentarista Hortência manipulava com muito mais firmeza e comprovado conhecimento do que um microfone. Claro que aqueles tecnológicos e caríssimos equipamentos poderiam complementar algumas carências físicas das jogadores, mas jamais torná-los primordiais no treinamento e aprendizagem do gesto desportivo, aspecto que contraria muito pseudo cientista do desporto (creio que agora reconhecidos como profissão), porém endeusados como os responsáveis pelo dado modal do momento, a intensidade…

Muito bem, correram como nunca, atacando e defendendo, cansaram as adversárias, roubaram bolas, lutaram tenazmente, se sacrificaram, venceram, fizeram seu trabalho, porém continuaram a errar, e muito, nos fundamentos, nos arremessos, longos, curtos e curtíssimos, pecaram na ambidestralidade nos dribles, nos passes paralelos a linha final, nas andadas e conduções, e principalmente na defesa e nos estratégicos rebotes, ações treináveis, de aprendizagem e prática diária, pois é a ferramenta de trabalho de todas elas, armadoras, alas e pivôs, jovens ou veteranas, prioritariamente acima de horas incontáveis em academias, e tão ou mais eficientes na preparação anaeróbica e aeróbica do que as mesmas, com uma inegável e indiscutível vantagem, a perene companhia de uma bola…

No breve amanhã de competições mais sérias, importantes e desafiadoras, serão os fundamentos embasando os sistemas de jogo, que sem os mesmos jamais funcionarão, a célula mater do grande jogo a ser buscada com a maior intensidade possível, replicando na prática sua estratégica importância, muito, muito além daquela intensidade vista nesses dois jogos, oportuna pelas vitórias alcançadas (inclusive emocionando despretensiosamente seu treinador…), porém insuficiente pela intensidade aqui exposta e defendida, unicamente com fatos e fatores técnicos, tão somente isso…

Que tal mudar de intensidade, hein?…

Foto e Vídeo – Reproduções da TV.

Amém.

TRÊS BREVES TÓPICOS…

1 – Depois de longuíssimos aqui e aqui, absolutamente vazios de conteúdo técnico, tático, e estratégico, numa enrolação explícita, não caibo em curiosidade mais explícita ainda, para assistir logo mais às 15:30 pelo Sportv, o “novo processo” por que passa a seleção adulta feminina no Pan de Lima. Pela divulgação ufanista em torno da midiática “revolução” regiamente divulgada, estarei a postos para me surpreender com as alvissareiras novidades, ou não…

2 – Terminada a primeira fase da LDB, pavoneada aos mil ventos como a redenção do grande jogo tupiniquim, tenho o desprazer (Ufa, mais um…) de comunicar que o recorde de 26,8 erros em média, de fundamentos por partida do torneio passado, acaba, e em sua primeira fase, de ser batido, pois somou 41.6 erros, com partidas, como Maringá e Pinheiros que alcançou a absurda marca de 68 (42/26), numa divisão, porta de entrada para o NBB, em que tais e inacreditáveis números são inadmissíveis. A menor marca foi a do jogo Ceará e Flamengo com 30 (22/8), sendo a equipe rubro negra a que menos cometeu erros, com a média de 13 por partida (que por si só não é nada recomendável). Dezesseis equipe ficaram entre os 30/40 erros, dezessete entre os 40/50, e três acima dos 60, numa demonstração da acefalia em que se encontra a maioria dos jogadores, na função básica para a prática sustentável do basquetebol, numa faixa em que deveriam estar prontos e “lapidados” para a elite. As pouquíssimas exceções justificam a regra geral, onde a chutação de três, o individualismo exacerbado e defesas inoperantes, fazem coro com a declaração de um dos estrategistas envolvidos, e em cuja equipe joga o “artilheiro” do certame – ” tem de chutar mesmo, equilibrado ou não, pois é mortal, e não abro mão dessa arma…” Se tiverem curiosidade e paciência, busquem os inacreditáveis números, pois são de arrepiar, constranger, e nos deixar profundamente preocupados com o futuro do grande jogo, nesse imenso, desigual e injusto país…

3 – Enfim, aleluia, conseguimos entrar no grupo das equipes que se encontram no aeroporto, com 5 dias de treinos e amistosos na sede do sul americano masculino sub-21 na Colômbia, e há quem aceite tal incumbência…

Amém.

FORMANDO E FORMULANDO UMA BASE SUSTENTÁVEL…

Tentei pacientemente assistir a decisão do sul americano feminino sub 14, cuja transmissão pela internet anulou, pela péssima qualidade, uma análise mais detalhada, culminando com a minha desistência ante uma imagem congelada persistentemente na tela do computador…

Nenhuma estatística foi veiculada, porém, dentre imagens ativas e paradas, pude pescar no intervalo entre o segundo e terceiro quartos, um muito bom comentário, que salvo engano, foi do técnico da seleção uruguaia, convidado pela produção televisiva a fazê-lo, e do qual enumero algumas de suas observações – ” Sem dúvida alguma, pelo que vimos nesse torneio, a seleção brasileira jogou somente pelo resultado, vide sua permanente defesa por zona, e contando com altíssimas jogadoras, como uma pivô de 1,98m, fisicamente forte e coordenada para seus 14 anos, além de mais duas perto de sua estatura, vencendo os jogos junto às tabelas ofensiva e nos rebotes, defendendo mal no 1 x 1, contra equipes muito mais baixas, porém mais fundamentadas, num processo de formação visando o futuro de jogadoras mais técnicas para as seleções de mais idade, sem o imediatismo enganoso de resultados fora do processo evolutivo de uma formação de base voltada às técnicas fundamentais. Pensamos nós, técnicos participantes, que devemos nos orientar seriamente na formação de jogadoras bem fundamentadas para o futuro do basquetebol sul americano, e não só irmos em busca de resultados imediatos, como vimos na seleção brasileira, com um material humano fora do comum, porém carente de uma base sólida nos fundamentos do jogo”…

Tal comentário se encaixa e explica com perfeição uma realidade do nosso basquetebol que venho expondo a muitos anos, bem antes da existência desse humilde blog, quando fiz parte ativa de uma geração de excelentes técnicos e professores formadores de bem fundamentados jogadores, desde a formação de base, muitos dos quais alcançaram seleções estaduais e nacionais, sem no entanto, a maioria daqueles profissionais conquistarem um quinto dos títulos da geração que os sucederam, principalmente em São Paulo, nas divisões iniciais, exatamente se utilizando de defesas zonais e pivôs desproporcionais à realidade de seus concorrentes, escolhidas nas famosas “peneiras”, e cuja maioria se perdeu pelo caminho, exatamente pela pobreza de sua formação nos fundamentos do jogo, alimentando  currículos abarrotados e “vencedores”, porém sendo mal formados e lamentavelmente perdedores nas divisões superiores, e o pior, inferiorizando aqueles poucos que alcançaram as seleções nacionais, apesar de galardoados prematuramente, frente a seleções de países que buscaram uma formação de base sólida, em vez de vencedoras fora do tempo de aprendizagem e maturação gradual…

Sem a menor dúvida é este o grande problema do nosso basquetebol, masculino e feminino, a falta de uma boa e competente formação na base da pirâmide, sem a qual nenhum conceito técnico de jogo, por mais simples que seja, alcança um patamar razoável frente a países voltados a excelência nos fundamentos, vide a atual e incessante busca de armadores(as) argentinos (as) para nossas equipes das ligas maiores, como vimos nesse sul americano, mesmo perdedoras para nossas torres e defesa por zona, mas antevendo-as como futuros talentos na posição, assim como todas aquelas que, na árdua prática da defesa individual, são preparadas para o superior desenvolvimento de sistemas confiáveis de defesa, muitos pontos acima de uma permanente defesa zonal obrigando suas adversárias aos longos arremessos, muitos dos quais sequer alcançavam o aro, em se tratando de jovens com 13/14 anos, ainda não dispondo de potência muscular  para tentá-los com algum sucesso..

Venceram a competição, alcançaram o resultado pretendido, porém, foi tão sonhada conquista resultado de uma formação realista de base?  Obviamente que não, mas o que parece importar nesse triste momento por que passa o basquetebol brasileiro são resultados, ao preço que for, não importando os meios, os erros, as falhas, o imediatismo, desde que vença, e ponto final. Por essa ótica, aplausos as campeãs, porém pelo critério formativo de qualidade, visando o futuro de nossas seleções adultas, onde o saber atacar e defender é arduamente forjado desde a base, ficam as dúvidas, sérias dúvidas sobre o futuro dessas jovens, formatadas e padronizadas numa “filosofia” de jogo defensivo zonal, apostando na elevada estatura de algumas de suas jogadoras (mesmo sem a mínima fundamentação básica), e ofensivo lançando-as como postes fixos próximas à cesta, sem qualquer oposição defensiva, porém errando passes, dribles, arremessos em demasia, contra equipes com melhores fundamentos, porém não tão altas, fator que estará presente mais adiante quando enfrentarem equipes europeias e americanas do mesmo porte físico e melhores fundamentos, que é o que fatalmente ocorrerá, como vem ocorrendo de muitos anos para cá, pela negligência no ensino competente dos mesmos nas equipes municipais e regionais, e nas seleções de base, porém agregando títulos aos currículos de técnicos, exatamente por aplicarem defesas zonais e postes gigantescos próximos a cesta nas divisões iniciais, buscando-os avidamente e pouco ou nada ensinando os fundamentos básicos do jogo, importando tão somente sua projeção profissional na escalada para as divisões adultas, pulando as fundamentais etapas do amadurecimento técnico, escorados em seus currículos vencedores e multi campeões, sendo, inclusive e injustamente, premiados com a direção de seleções nacionais de base.  É o que vem acontecendo desde sempre, com os óbvios resultados alcançados, quando um ou outro brilhareco, com o aporte de um ou outro talentoso jogador não aqui formado, justifica a regra geral, hedionda e profundamente injusta com os jovens iniciantes, assim como para com aqueles professores e técnicos realmente formadores, experientes, e muito bem estruturados, porém sem o midiático appeal do pétreo corporativismo vigente, que conta e se estabelece com o mais deslavado QI, fundamentado no escambo e troca de interesses político esportivos, fator inamovível neste imenso, desigual e injusto país…

Parabenizo as jovens e vencedoras jogadoras pelo título alcançado, e quanto ao comando técnico, comungo com a opinião do técnico uruguaio, acima mencionado, questionando quantas das integrantes de todas as equipes irmanadas na foto, ascenderão técnica e taticamente no cenário do basquetebol sul americano, estando seriamente preocupado com as nossas jogadoras, que jamais atingirão um patamar razoável defendendo zona como padrão defensivo, e sendo a elas negada uma sólida, competente e razoável formação de base, onde os fundamentos do grande jogo sejam e componham o alicerce de todas elas, principalmente nas seleções nacionais…

Gostaria que algo de inovador, imaginativo e criativo acontecesse na nossa formação de base, com professores e técnicos melhor formados, estudiosos, pesquisadores, e acima de tudo conscientes de sua real importância na plena formação de nossos jovens, onde o amor pelo esporte, pelo basquetebol seja a eles transmitido, assim como o ferramental necessário a sua prática, os fundamentos, transcendendo a titulação forçada, priorizando o ensino responsável e competente, fatores decisivos na correta aprendizagem do grande jogo. Sincera e honestamente anseio por isso…

Amém.

Foto – Divulgação CBB.