OPORTUNA FREADA…

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Pisou no breque, arremessou 12 bolas a menos de 3 do que seu oponente (8/23 por Bauru e 12/35 por Paulistano), priorizou o jogo interno (27/33 contra 16/39), deixando a insidiosa convergência a cargo da turma da capital, e por conta desse óbvio e adiado expediente, venceu Bauru o terceiro jogo, reacendendo suas chances de permanecer na disputa com reais chances de levantar o caneco, a não ser que a equipe da capital resolva seguir a mesma fórmula, no que se beneficiaria bem mais, por ter uma formação mais eclética, apesar da juventude, e possuir um poder de rebote bem mais amplo do que seu adversário, principalmente nos de ataque, muitas vezes inaproveitados pela ganância da chutação de fora, que em algumas oportunidades se repetiam duas ou três vezes no mesmo ataque, num desperdício juvenil e inconsequente, imperdoável numa decisão de campeonato…

E sob estes fatores, se sobressai a ainda falseada qualidade de alguns jovens armadores, imaturos no domínio dos fundamentos, substituindo sua segura aplicabilidade por uma voracidade individualizada que os cegam na leitura espacial do jogo, onde a visão angular, que os guiam de encontro as enormes barreiras defensivas que os antepõem, anula a fundamental e estratégica visão periférica, a arma mais poderosa na distribuição correta das assistências críticas em espaços diminutos, habilidade que os qualificam como verdadeiros e eficientes executores dos sistemas ofensivos de uma bem treinada equipe, sem, no entanto, prejudicar suas capacidades pontuadoras, que deveriam ser seletivas e rigorosamente inerentes aos sistemas em si. O que vemos, preocupados, é o nascedouro de uma nova geração de “mosquitos elétricos”, sempre a frente, por sua irrefreável e nem sempre inteligente velocidade dos demais componentes de suas equipes, um pouco menos velozes pela estatura e porte físico, onde a fluida sincronia que os deveriam unir, se rompe pela assincronia motivada pelo descompasso de sua errática armação. São jogadores corajosos e impulsivos, que agradam os torcedores e narradores, mas que, de forma bem ampla, arrastam sistemas de jogo a limites de impraticabilidade se não forem muito bem orientados, principalmente na adequação lógica e coerente de seus velozes deslocamentos às verdadeiras necessidades de suas equipes, e não as de si mesmos, exigindo treinamento intenso, e acima de tudo, absolutamente competente…

Então, rumando para o quarto jogo no sábado vindouro, com a equipe de Bauru já tendo quebrado um pouco a insânia dos três, vencendo por conta disso o jogo que o manteve na disputa, tem agora o Paulistano de seguir algo correlato, fugindo o quanto puder da convergência que tanto o desgasta física e emocionalmente, agindo coerentemente pela valorização de cada ataque, reforçados pela boa defesa que vem empregando, fator também aplicado por Bauru neste jogo em particular que venceu, para quem sabe, possamos assistir um verdadeiro jogo de basquetebol, e não o pastiche ´praticado até agora, por todas as quinze equipes deste NBB9, onde a desenfreada “artilharia de fora” e os “monstros” midiáticos de ocasião, o marcaram seriamente como peladas consentidas por todas, que contrapõem a seriedade exigida por uma liga de tal importância, noves fora as lastimáveis, e mais midiáticas ainda, pranchetas, que “não falam”, mas poluem sobremaneira a dignidade do grande, grandíssimo jogo, nesse enorme e injusto país…

Amém.

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A MESMICE ENDÊMICA EM REPLAY…

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P1150212E foi o que se viu, um repeteco insosso tecnicamente (fato somente importante para técnicos inconformados…), porém fulgurante e emocionante para torcedores catedráticos no grande jogo, com dois deles “encestando” (será que foi de três?) um dos juízes no estacionamento depois do jogo, fato lamentável e reprovável, e para a mídia ufanista televisiva, como sempre…

Como no primeiro jogo da série, ambas as equipes convergiram nas bolas de 2 e de 3 pontos, 15/32 de 2 e 10/29 de 3 para Bauru e 13/29 e 12/31 respectivamente para a equipe vencedora do Paulistano em 78 x 74, totalizando 28/61 nas bolas de 2 e 22/60 nas de 3, ou seja, 38 bolinhas perdidas arremessadas de fora, equilibradas ou não, em contra ataque também, num clone do primeiro jogo, em que, num diminuto momento da partida a equipe da capital conseguiu contestar três ou quatro arremessos, suficiente para manter uma mínima diferença de pontos para vencer o duelo escancarado de três, num replay do primeiro jogo, ambos caracterizados pela mesmice tática que professam conjuntamente, onde um aspecto se impõe de forma cabal, a mais completa incapacidade de atuarem com fluidez dentro do perímetro, onde as jogadas solitárias dos pivôs, quando lembrados, se tornam num recital de 1 x 1, observados por seus companheiros estáticos, como plateia privilegiada dentro da quadra, mas ávidos por um passe de dentro para fora, para que seus dotes de especialistas nas bolinhas sejam apreciados, não importando muito o quanto errem, pois afinal de contas, se ambas as equipes agem da mesma forma, vencerá aquela que meter a última, que é o que tem acontecido na maioria dos jogos deste NBB9…

Preocupa sobremaneira a mais absoluta tendência que se instala celeremente em todas as equipes participantes, como se fosse essa forma de jogar, canhestramente copiada de duas ou três equipes da matriz do norte, o modelo definitivo a ser adotado, inclusive nas categorias de base, onde já se pode atestar jovens infantis arremessando seguidamente de fora do perímetro, sem, obrigatoriamente, terem dominado as técnicas dos arremessos mais próximos à cesta, numa absurda e comprometedora inversão de valores, que pesará  mais a frente no seu processo de desenvolvimento, assim como nos demais fundamentos do jogo, que olvidam na troca pelos petardos…

Mas, para que repetir o que venho apontando seguida e teimosamente, quando nos deparamos com a dura realidade implantada pela crítica, pelos estrategistas, pelos dirigentes, agentes, e até mesmo pela maioria dos jogadores, de que tudo está bem, que o basquetebol evolui técnica e taticamente a cada NBB disputado, que o futuro está se garantindo com a nova geração de jogadores que desponta, mas que no entanto, não consegue baixar a média de mais de 27,2 em erros de fundamentos por jogo, sendo que neste foram cometidos 31 (17/14)!!…

Honestamente não torço pelo pior, não desejo que piore, mas não posso me furtar de expor verdades, cristalinas e dolorosas verdades, as que não mentem sobre a realidade técnica individual e coletiva de baixo nível que tentam escamotear, que tentam varrer para baixo do tapete de uma história que tem de ser contada, às claras, sem subterfúgios, pois em caso contrário, mais cedo do que pensam e agem, estaremos dando continuidade na descida do fosso em que nos encontramos, levando de roldão nossas seleções, exatamente por sermos incapazes de evoluir, fugindo e se despregando da mesmice endêmica e massacrante do que aí está, padronizada e formatada pelo corporativismo estabelecido, o qual deve ser confrontado por um novo tempo, com novas e instigantes idéias, renovados comandos, no processo de soerguimento do grande jogo, se é que ainda se possa salvá-lo…

Acredito que exista essa possibilidade, tênue e frágil possibilidade, porém factível, se coragem houver para fazê-lo.

Amém,

Em tempo – Que uma das equipes deste terceiro jogo daqui a pouco, estanque a volúpia da chutação irrefreável, e a substitua o mais possível que puder, por um sólido, repetitivo e insistente jogo interior, para sair vitoriosa, num 3 x 0 final, ou num 2 x 1 protelatório, numa ação que valorizaria o campeonato. A conferir, ou decididamente, não.

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A SÉRIA PREOCUPAÇÃO II…

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P1150125O primeiro jogo da série final no NBB9 foi no sábado, e pelo que vi não me deu vontade nenhuma de escrever, pois de nada adiantaria analisar uma partida que a mídia classificava de brilhante, vibrante, de alto nível, resgatando o verdadeiro basquetebol brasileiro, com uma garotada abaixo dos 21 anos jogando como veteranos, como estrelas, deixando a certeza de que o futuro que se avizinha será uma grata realidade, e a dura constatação do que assisti constrangido e temeroso pela falsa e ufanista imagem da tal grata realidade…

Pensei então do que tem adiantado minhas análises, perdidas num mundo artificial e enganoso de situações técnico táticas, que de forma alguma referendam tanta e fartamente documentada evolução do grande jogo entre nós, onde a palavra absoluta de ordem é o desvario convergente dos arremessos de dois e três pontos, a mesmice larga e endemicamente implantada pelo sistema único de jogo, com suas padronizadas e universalizadas jogadas, idênticas para todos, equipes, jogadores, téc…digo, estrategistas e mídia especializada, com o aval de dirigentes, agentes, empresários e torcidas em geral, irmanados na crença de que é assim que devemos atuar, da formação de base até a elite, já que, na certeza de todos, é a maneira que se joga no mundo, principalmente pela matriz, que investe pesado nesse modelo hegemônico, deixando sua marca na mente perversamente colonizada de seus iludidos seguidores, principalmente os mais jovens…

No entanto, teimosa e solitariamente, prevejo uma catástrofe de dimensões bastante graves para o soerguimento sustentável e possível do grande jogo no país, pois a base garantidora desse processo se esvai na continuada mediocridade arrivista e aventureira de muitos, quase a maioria, dos responsáveis que ainda se mantém no comando do mesmo, absolutos, e que não encontram, ou não deixam florescer toda e qualquer tentativa de renovação autêntica e independente, face ao forte corporativismo que exercem livremente, quando se situam como começo, meio e fim de todo o processo, eliminando toda e qualquer possível dissidência…

E teimosamente lembro que, nesse “magnífico e fantástico” jogo foram cometidos 29 (15/14) erros dos fundamentos mais básicos, acima da média de 27,2 nesse campeonato, e que assombrosamente as duas equipes convergiram em seus arremessos, quando o Paulistano perpetrou 12/27 nos de 2 pontos e 13/37 nos de três, ficando Bauru com seus 17/36 de 2 e 7/32 de 3, perfazendo as duas juntas 29/63 nos 2 pontos e 20/69 nos 3, ou seja, foram perdidos 34 tentativas de 2 e (isto sim é absurdamente lamentável|) 49 de 3!!! Em outras palavras, foi o mais autêntico “tiro aos pombos” em vez de um jogo de basquetebol, fato que previ com sobras nos dois artigos antecedentes a esse, e em muitos outros nestes 13 anos de Basquete Brasil…

Um outro e emblemático fator deve ser levado em alta conta, o de serem os dois estrategistas dessas equipes finalistas, apontados como o créme de la créme da nova geração nacional, ambos que foram assistentes do hermano na seleção nacional, juntos ao do Flamengo, os responsáveis confessos nesta hemorragia autofágica dos arremessos de três, claro, consentidos pela ausência de defesa exterior organizada, abrindo os duelos, onde vence o que acertar a última bolinha, para depois apagar as luzes e levantar o caneco, maldade esta que desafio ser concretizada quando, segundo seus proclamados desejos, estiverem, juntos ou não, dirigindo a seleção nacional, frente a seleções internacionais de peso, que de forma alguma negarão o direito de intervir fortemente com suas eficientes defesas dentro, e principalmente fora de seus perímetros, forçando nosso deficiente e primário jogo individual, refém dos 27,2 erros em média nos fundamentos na liga principal (imagino a média na formação de base, seja ela masculina ou feminina), a um confronto desigual, como o que vem ocorrendo sistemática e repetidamente nas competições de vulto em que temos participado desde muito, fator que inviabiliza a consecução de qualquer sistema de jogo, por mais simples que seja, pelo singelo fato de que de há muito relegamos ao mínimo o básico e estratégico ensino dos fundamentos, trocando-os por sistemas e jogadas tuteladas de passo marcado, peladas disfarçadas em treinos de “ritmo de jogo”, enterradas e bolinhas de três, ah, não esquecendo jamais as midiáticas pranchetas, alter ego e convenientes álibis da turma de estrategistas jovens e veteranos, que aí está, torcendo, gesticulando e aplaudindo de fora quando as bolinhas caem, coagindo e pressionando arbitragens quando elas se negam a cair, mas muito pouco preocupados com os erros contornáveis (se corrigidos, ou mesmo ensinados) de seus jogadores, mas que serão solucionados trocando-os por outros na próxima temporada, pois onde já se viu ensinar adulto a dominar os fundamentos, onde? Para isso existem e pululam os agentes, os empresários, muitos dirigentes, para os quais o objetivo maior é o campeonato, independentemente de quem se mata lá dentro para conquistá-lo…

E por cima disso tudo, vem um representante da nóvel ATBB, que sucede a APROBAS, ambas associações de técnicos e direção majoritariamente paulistas desde sempre, reivindicando liderança nacional, cobrar da nova administração da CBB um anterior ajuste com a direção que se foi, de que caberia a mesma a organização técnica e formulação de material didático da ENTB, exatamente para manter sob domínio o rígido e unilateral corporativismo que tanto discuto aqui pelo Basquete Brasil, onde a palavra final das técnicas e sistemas de preparo de equipes do país, assim como a formação técnico, tática e pedagógica dos futuros técnicos em níveis de I a III, continue em seu domínio, com seus cursos formadores de 4 dias, responsáveis pela pobreza e mediocridade do que implantaram desde sua criação, que ao ser inaugurada foi presidida por um preparador físico, e não um professor e técnico de basquetebol, como deveria ter sido, para desenvolver um projeto diversificado, plural e democrático…

São situações anacrônicas como estas que colocam e dimensionam o grande jogo, num patamar tão inferiorizado ante o concerto internacional, de onde está afastado pela FIBA, com fortes e sérios argumentos de gestão, entre vários, onde se inclui a baixa qualidade da ENTB, sem atuação desde 2014, quando já era dirigida pela mesma turma que volta a reivindicar sua continuidade diretiva, o que seria um inqualificável erro de percurso, onde ironicamente, até a experiência hermana de trinta anos é mencionada, como algo a ser copiado, esquecendo serem outros e diversificados os parâmetros sócio administrativos e educacionais que nos diferenciam. Já se faz tardia uma mudança radical desta liderança trintona, dando oportunidade a outros e novos posicionamentos, originando o princípio do contraditório, porta de entrada do salutar processo democrático de que tanto precisamos, para o soerguimento técnico sustentável do grande jogo neste enorme, desigual e injusto país.

Amém.

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A SÉRIA PREOCUPAÇÃO…

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P1150119Foi uma série marcada pelo elevadíssimo número de erros de fundamentos (26/34/32/31/29), com média de 30,4 por jogo, numa alarmante sinalização do quanto estamos frágeis e expostos na divisão principal, espelho para as de base, principalmente sobre o domínio da ferramenta de trabalho de todos, a bola, suas extensões no controle de sua instável rotação, nos passes, e principalmente na progressão de posse da mesma, sem contar o fator mais extravagante sobre o objetivo do jogo, encestar, ponto fulcral e decisivo, onde a grande maioria falha bisonhamente, ao acreditar serem especialistas nos lançamentos distantes, sem ao menos dominar os mais próximos, como os DPJ´s, as finalizações com mãos trocadas, e até mesmo as bandejas, onde a maioria desconhece as possibilidades do ricochete por toda a extensão da tabela, arma poderosa contra defensores de elevada estatura com seus bloqueios, que poderiam ser enfrentados pela via indireta de determinados pontos da tabela, e mais, pelo total esquecimento (ou ignorância) da grande arma dos ganchos…

Fundamentos, sim, os estratégicos fundamentos, pois sem o perfeito domínio dos mesmos, podem os “estrategistas” de fora da quadra se esgoelar e irem ao paradoxismo gráfico em suas ridículas pranchetas, que limitam o espaço vital entre eles e seus (?) jogadores, nas formulações do “assim que eu quero”, do “estou mandando”, substituindo momentos básicos e fundamentais nos pedidos de tempo, ou mesmo nos intervalos legais, para a manutenção estrutural da equipe, mostrando e revelando com a frieza e os conhecimentos que deveriam ser possuidores , dos verdadeiros detalhes do comportamento dos seus, e por que não, dos jogadores que estão enfrentando, que são aspectos somente revelados no jogo, na competição, ao contrário do treino, onde somente suas equipes mostram suas identidades, daí a extrema necessidade de emular da melhor maneira possível os comportamentos e obstáculos que enfrentarão mais adiante em situações reais de jogo…

Todos estes básicos e importantes fatores, não cabem em nenhuma hipótese no diminuto e estéril espaço de uma prancheta, hodiernamente elevada a grande estrêla – “Agora, as pranchetas falarão!!”- brada o narrador ensandecido, incapaz de uma simplória visão do pouco, muito pouco conteúdo do que lá estará sendo rabiscado e expelido de encontro a jogadores que, no mínimo, estão ali em busca de coesão para com o grupo, e de si para consigo mesmo, pois estarão incapacitados de ajudarem se não estão podendo ajudar a si mesmos; e é nesse pequeno vácuo que se insere o técnico, dirimindo dúvidas técnicas, táticas e comportamentais, pessoais e coletivas, numa participação quilômetros acima de uma caneta hidrográfica e um midiático pedaço de nada, absolutamente nada…

E foi num destes incisivos e decisivos momentos do jogo de ontem que a equipe do Pinheiros se perdeu, individual e coletivamente, do que se aproveitou muito bem o Bauru, talvez por possuir jogadores mais tarimbados, mas que acima de tudo ficou bem patente a fixação de seu treinador, primeiro em aderir a um modismo vindo da matriz do norte, em reunir a comissão técnica antes de se dirigir aos jogadores, tentando estabelecer as jogadas que deverão ser grafadas na prancheta, quando bastaria determinar de comum acordo com todos em quadra, que naquele momento era imperativo o forte jogo interior, seguida e repetidamente, a fim de exaurir com faltas a defesa adversária, e efetuar arremessos mais precisos pela curta distância, e não o que fizeram, ao aceitarem o duelo dos três, contestados ou não, além de não contestarem as bolinhas de seu adversário perdendo a grande oportunidade de irem para a final…

Modismos, mesmice endêmica na formulação sistemática de jogo, falhas na abordagem dos verdadeiros óbices técnicos e táticos em momentos hesitantes das equipes, divisão inapropriada de comando, quando auxiliares têm menos experiência e vivência que o titular, e mesmo assim compromissados, todos, com o sistema único de jogo que conhecem e praticam, são fatores que limitam nossa evolução rumo ao soerguimento do basquetebol no país, ávido, mesmo sem a oportunidade de comparar, por coercitiva exclusão, outras formas diferenciadas de jogar o grande jogo, com algo inovativo, corajoso e determinante, que o tire, de vez, do imenso limbo em que se encontra, principalmente quando se vê limitado e minimizado pelos péssimos fundamentos que pratica, inviabilizando, inclusive, o sistema dos chifres, punhos, polegares, picks, ombros, camisas, especiais disso e daquilo, e todos aqueles que se aventurar empregar, seja americano, russo, espanhol ou checheno, onde penetrar tropeçando ou chutando a bola, passar paralelamente a linha final, driblar unilateralmente, fintar incisivamente, trocar de mãos e direção sem carregar ou conduzí-la, enfim, conhecer seus segredos, seus direcionamentos, seu centro de gravidade controlável (ou não), e como arremessá-la com técnica e domínio direcional, defender em pé, com as mãos e não as pernas e o tronco, saltar girando após o domínio, a fim de se inserir dentro das três possibilidades quando de posse da bola, driblar, passar ou arremessar, todos indistintamente, sejam altos ou baixos, armadores, alas ou pivôs, para aí sim, estarem habilitados aos sistemas, as jogadas, as táticas, ou simplesmente, de posse desses estratégicos conhecimentos jogarem, improvisarem no mais alto nível, pois “só improvisa quem sabe, quem conhece, quem domina os fundamentos do grande, grandíssimo jogo”.

Amém.

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A COZINHA QUE DEFINE…

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Saldanha_x_VV_1904saldanha-1case-saldanha_da_gama-foto_gilson_borba-f5fotoagenciaSaldanha_x_VV_16Criou-se no mundo do grande jogo no país a premissa de que, fora do sistema único que empregamos sofregamente a três décadas, nada mais viceja, a não ser a confirmação sistemática de tudo que emana da matriz do norte que deve ser conceituada como palavra final, como diretriz de via única, custe o preço que for, da formação de base a elite, nada podendo ser contestado, seja no âmbito técnico das equipes, seja na esfera da crítica, todos mergulhados de cabeça e de espírito no que de melhor convier para o progresso da modalidade, claro, na opinião formatada e padronizada de todos eles, menos e solitariamente, da minha…

Que, dando de frente a um parágrafo do artigo do jornalista Fabio Balassiano publicado em 22/5/17 no blog Bala na Cesta, a seguir mencionado:

(…)Sem a menor cerimônia, Bauru fechou o garrafão para impedir as cestas “de pertinho” e deu o perímetro para o Pinheiros arremessar. Como que dizendo “aqui dentro você não entra, então se quiser pontuar na gente vai ter que chutar de fora”.(…).

Fez com que me reportasse a uma curta, curtíssima, porém bem sucedida experiência que tive no Saldanha da Gama no NBB2, quando no oitavo treino de meia quadra 5 x 5, interrompi o duelo furioso entre defesa e ataque, para enfatizar a todos os que atacavam naquele momento – Guardem bem, e não esqueçam ou se omitam  de que é bem aqui, dentro, no miolo, no coração da defesa que farão os ´pontos decisivos, entendendo agora o porquê de tantos exercícios de dribles, passes e arremessos que realizaram, e muito realizarão dentro desse exíguo espaço, na cozinha do adversário, onde as conclusões são mais seguras, de 2 em 2 e de 1 em 1 pontos, pois nada arrefece e desbasta uma defesa do que se vê liquidada e vencida “ aqui dentro” e “bem de pertinho”, minando sua moral e auto reconhecida solidez…

E assim foi feito e entendido, por todos, sem exceções, ao som dos choques corpóreos, das inevitáveis pancadas, com um dos lados atacando com dois armadores e três homens altos permanentemente enfiados lá, “na cozinha”, numa louca, porém disciplinada movimentação aleatória e ao mesmo tempo consciente dos valores da improvisação, degrau mais alto do conhecimento técnico que exerciam dentro de seu sistema proprietário, enquanto do outro, tudo faziam, a meu pedido, para tornar estéril toda e qualquer movimentação dentro do sistema ofensivo que optamos desenvolver, como que nos adiantando ao comportamento defensivo de nossos futuros adversários, e por se tratar de um sistema híbrido, por ser o mesmo utilizado tanto contra defesas individuais, como as zonais, indistintamente, talvez variando somente quanto ao ritmo de jogo, e que para ser desenvolvido e treinado exige grande conhecimento técnico, tático, e coragem suficiente para aplicá-lo em toda sua essência inovadora, nada mais…

Infelizmente, depois de um belo recomeço em São Paulo, viu-se a equipe alijada de três de seus melhores jogadores, para enfrentar duas semanas de derrotas, algumas delas que não aconteceriam se sua unidade não tivesse sido quebrada daquela forma, mas, que um pouco adiante, reformulada em seus limitados recursos humanos, pode mostrar a muitas das poderosas equipes daquele segundo campeonato da liga, inclusive a campeã, como defender dentro e fora dos perímetros, dentro da mais irrestrita linha da bola, flutuando lateral e jamais longitudinalmente à cesta, e atacar com força e inteligência, jamais ultrapassando o limite seletivo dos 10/15 arremessos de 3, concluindo a maioria de seus pontos de 2 em 2 e de 1 em 1, “lá dentro” e “bem de pertinho”…

Duvidam? Então vejam, e não esqueçam, se realmente se interessam pelo grande jogo, aquele que foi jogado um dia de forma diferenciada em nosso país, de verdade, lamentando somente me ter sido vedada a continuidade do mesmo. Por que? Por quais motivos? Saberão responder?

Vencendo as limitações de um grande jogo.

Pensando o futuro – O grande jogo. toda sua essência inovadora

Uma data para recordar.

O desafio.

Me despedindo.

Amém.

Fotos – Minha homenagem aos grandes jogadores do Saldanha da Gama no NBB2, a quem tive a grande honra de dirigí-los. Clique duplamente para ampliá-las.

 

 

 

AS PELADAS MONUMENTAIS…

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P1150102P1150108Foram dois jogos praticamente iguais, o terceiro e o quarto disputados do playoff, quando a equipe de Bauru empatou a série com o Pinheiros, mesmo tendo iniciado com duas derrotas, adiando o resultado final para o quinto jogo, de uma forma previsível, menos para seu oponente, que simplesmente se deixou abater ao aceitar duelar nas bolas de três, naqueles momentos em que o jogo interno deveria se impor, como a solução mais primária naquelas circunstâncias em que ambas as equipes tentaram subir suas defesas a fim de contestarem mais efetivamente os longos arremessos…

Bauru empatou a série convergindo com 18/33 nas bolas de 2,  e 15/32 nas de 3 no terceiro jogo, quando o Pinheiros atingiu as marcas de 20/35 e 6/23 respectivamente, com a defesa externa da turma do  interior se mostrando bem mais eficiente que a da capital, quando pudemos observar que as efetivas 9 bolas de 3 a mais pesaram bastante no resultado de um jogo em que perderam 10 lances livres contra 3 de seus oponentes, e onde ambas as equipes cometeram 32 erros de fundamentos (16/16), retratando um jogo de baixo índice técnico sob quaisquer argumentos que possamos evocar. Pois bem, veio o quarto jogo e o que vimos foi a repetição do que ocorreu no anterior, onde a teimosa insistência pelo jogo externo pautou a partida, porém com algo bem específico, comum em toda a série, a mais completa ausência de um jogo coletivo interno coerente e bem planejado para espaços menores, e claro, treinado por ambas as equipes, o qual se restringia a abertura de quatro, e muitas vezes dos cinco jogadores, a fim de terem espaço para as penetrações do mais alto caráter individual, visando as bandejas, e raramente os arremessos de média e curta distâncias, os tão esquecidos DPJ´s, e onde se faziam sentir os drásticos efeitos da ausência técnica nos fundamentos do drible, das fintas e das conclusões sob forte anteposição (haja vista os 31 erros nos fundamentos 14/17), e em situações básicas, como a de finalizarem uma bandeja ou um curto arremesso, com a mão mais próxima do aro, quando deveria ser a mais afastada, como definem as boas execuções dos fundamentos de arremessos, principalmente para os mais altos, numa falha primária, produto de uma formação deficiente de base, nunca corrigida, ou minimizada nas categorias adultas, como se fosse proibitivo aprender os fundamentos do jogo…

O vencedor da série enfrentará no torneio final o Paulistano, cuja equipe também se destaca pelo apetite voraz nos 3 pontos, sendo estas equipes, junto com a eliminada do Flamengo foram as líderes convergentes deste NBB9, e desde já podemos antever um “tiro aos pombos” desenfreado, a não ser que, num rompante corajoso e evolutivo (o que duvido que ocorra), uma delas opte por jogar organizada e preferencialmente dentro do perímetro interno, reservando os arremessos externos para aqueles momentos e situações em que o equilíbrio e razoável liberdade, torne a execução passível de alto controle por aqueles jogadores que realmente são especializados no mesmo ( não os que o adversário “paga para ver”), e que a contar nestas equipes, são muito, muito poucos…

Defesa externa contestatória, interna bem situada à frente dos pivôs, e melhor ainda nos rebotes, e ataque primando pelo sentido coletivista com passes de fora para dentro, visando pivôs em constante movimento, assim como todos os demais componentes da equipe, ocupando e mantendo junto os defensores com seus deslocamentos, origem de espaços necessários às penetrações, e consequentes passes de dentro para fora do garrafão, são os pontos básicos a toda equipe que realmente se candidate a ser campeã,  e não estabelecendo o caos ofensivo e defensivo que nos tem brindado a maioria das equipes, em peladas monumentais eivadas pelos 26,7 erros de média nos fundamentos por partida, e a hemorragia crônica de bolinhas, originando convergências absurdas, emoldurando um cenário que em hipótese alguma deveria representar um basquetebol de tanta tradição de qualidade quanto o que foi praticado por tantas gerações que engrandeceram o grande, grandíssimo jogo entre nós.

Amém.

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Nota esclarecedora – Por falha de edição, o texto ontem publicado tornou incompreensível alguns parágrafos, fato para o qual peço desculpas aos leitores. PM.

FUTURO DE 3, SERÁ?…

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P1150093Que me desculpem os leitores deste humilde blog, mas antes, bem antes de ser torcedor ufanista e festeiro do grande jogo, sou um técnico e professor profundamente ligado ao mesmo, e por isso, e por obrigação profissional, analista frio e objetivo do que realmente se passa de prático dentro de uma quadra de jogo, não só no presente momento, mas projetando num incerto e desconcertante amanhã, principalmente quanto aos fatores técnicos e táticos, hoje extremamente deficientes, e com certeza mais adiante, muito mais desconcertante ainda, face a fragilidade inconteste e indiscutível da fundamentação básica de todos aqueles envolvidos na modalidade, dos técnicos aos jogadores, incluindo também dirigentes e muito da mídia especializada, unidos em torno de uma farsa, que de forma alguma representa os reais fatores responsáveis por seu desenvolvimento harmônico no seio da juventude deste enorme e injusto país…

Acabamos de assistir a classificação do Paulistano para as finais do NBB9, vencedor por 3 x 0 na disputa contra o Vitória, com números finais estarrecedores, pois desnuda com grande precisão as brutais carências que se abateram sobre o nosso indigitado basquetebol, preso e manietado por um corporativismo atróz, escudado numa mesmice endêmica técnico tática, que nos afastou do concerto internacional, culminando com a suspensão pela FIBA das competições internacionais, num rude e sofrido golpe às nossas pretensões de soerguimento e progresso na modalidade…

E quais números foram esses Paulo?

Numa decisão de semifinal em 3 jogos, foram lançadas por ambas as equipes, 103/201 bolas de 2 pontos (51.2%) e 60/211 de 3 (28.4%), sendo que na terceira e definitiva partida foram perpetrados 34/65 lançamentos de 2 e 16/66 de 3, onde podemos observar que 50 ataques de 3 foram desperdiçados ( na soma dos três foram 151), pela absolutamente falsa premissa de que praticamos o basquete da atualidade, quando na verdade, o ferimos de morte, frente a inexistência de qualquer interesse em defender o perímetro por parte da grande maioria das equipes da liga, inclusive programando algumas para “pagar para ver” as aventuras de fora, agora celeremente disputada por pivôs, ávidos em participar na pontuação de suas equipes (?), já que lá embaixo somente terão a bola na briga dos rebotes que sobram das falhas da artilharia de fora, se sobrarem, e um ou outro passe para batalharem sozinhos no 1 x 1 de praxe e de ré…

A equipe vencedora convergiu violentamente, 50/91 (54.9%) nos 2 pontos e 38/107 (35.5%) nas famigeradas bolinhas, e 45/57 (78.9%) nos lances livres, demonstrando tacitamente o quanto de desperdício de técnica e esforço físico obtiveram praticando o “basquete moderno”, “like warriors”, esquecendo, no entanto, sua pobre média de 15.6 erros de fundamentos somente nessa semifinal, fatores que, inclusive, possivelmente pouco poderão incidir em sua busca pelo título, face a outra realidade com que se confrontará nas finais, a de que muito pouco esforço contestatório lhe será oferecido, pela absoluta deficiência defensiva de seus possíveis adversários, também comprometidos com a volúpia de fora e a pouca insistência pelo jogo interior, como se deparou frente a seu oponente nessa semifinal, que mesmo não convergindo nos arremessos, teve nos seus três americanos uma equipe dentro da equipe, onde aberta e declaradamente  atuavam juntos nos momentos cruciais dos jogos disputados, numa aposta às avessas de seu estrategista, quando num determinado momento do jogo final os conclamou a comparecerem com seu jogo, pois precisava dele, fato enriquecido pelo comentarista televisivo, quando cobrou resultados dos investimentos da equipe na tríade ianque, valorizando por demais a vitória da jovem equipe paulista, com somente um hermano em sua formação…

Enfim, creio ser um equívoco monumental essa tendência suicida pelo jogo de fora, originando ausências fundamentais de atacantes dentro do perímetro ofensivo interno, incentivando o jogo dos 3, com seus arremessos especializados e de elevado risco, que deveriam somente ser concretizados em condições do mais absoluta equilíbrio físico e mental, ocupando espaço precioso no jogo de 2 em 2, e de 1 em 1, pela elevação do número de faltas conseguidas, que se bem jogado atingiria pontuações acima dos 85 pontos, com menores desgastes pela otimização de cada ataque, sobrando energia para ser empregue em defesas mais sólidas e velozes, incentivando o aprimoramento dos fundamentos necessários ao desenvolvimento do jogo próximo e físico, esquecidos pela prevalência do jogo exterior, que dispensa certas e cansativas exigências técnicas no embate progressivo rumo a cesta, com ou sem a posse da bola, instrumento de trabalho tão mal manipulado e dominado pelos adeptos dos longos arremessos, mal sabedores  do como e dos porquês  de seu volúvel e instável comportamento, pelo simples fato de ser uma esfera, o corpo sólido de mais difícil manipulação e domínio…

Teremos daqui a um pouco o terceiro jogo da outra semifinal, entre Bauru e Pinheiros, com equipes que pouco convergiram nos dois jogos, mas que erram demais nos fundamentos (foram 60 erros nos dois jogos), e que no caso do Pinheiros, apresenta uma particularidade aproximada a do Vitória, a dos americanos que jogam entre si em determinados momentos do jogo, individualizando em demasia, fator esse que se dirimido, muito poderá reforçar o poderio ofensivo interno da equipe, por se tratar de dois excelentes condutores e passadores de bola, além de fortíssimos nas finalizações, que se bem entrosados com o todo da equipe, pressionará bastante seu oponente, cuja força maior se fundamenta na larga experiência de alguns de seus nominados jogadores, que sendo adeptos das bolinhas, não estão alcançando o êxito esperado nas mesmas, quem sabe, por estarem sendo bem contestados pela turma da capital, ou, não se situarem bem sintonizados com as estratégias vindas do banco, o que se pôde notar na quadra após pedidos de tempo, quando situações táticas não são levadas em conta nas execuções projetadas e pretendidas…

Preocupa-me sobremaneira essa tendência convergente cada vez mais presente em nossas equipes, mesmo as de formação de base, sem um mínimo embasamento adquirido no ensino e prática dos fundamentos do grande jogo, numa trágica opção que ameaça nos afundar cada vez mais, principalmente quando, num momento de transição e renovação por que começamos a passar, fiquemos inferiorizados técnica e taticamente frente àqueles países que conotam a máxima importância na formação quantitativa e, acima de tudo, qualitativa de seus jovens jogadores. Espero que tenhamos tempo suficiente para reestudarmos  nosso, até aqui, fragilíssimo posicionamento.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

REESTRUTURANDO?…

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P1150035Num dos primeiros tempos pedidos pelo técnico do Vitória, no primeiro jogo do playoff semifinal contra o Paulistano, ele admite ter errado ao orientar a equipe para que fechasse o garrafão ao forte jogo interno do oponente, pagando para ver nos arremessos de três do mesmo, fator que beneficiaria sua equipe nos rebotes e consequentes contra ataques, um ponto forte de seus jogadores. Ironicamente, foram três arremessos longos de um dos pivôs do Paulistano, que decretaram os nove pontos de diferença, 93 a 84 na sua vitória na casa do adversário, uma boa vantagem técnica, podendo fechar a série em sua casa nos dois jogos a seguir como mandante…

Claro que outros fatores também incidiram no resultado do jogo, onde foram cometidos 30 erros de fundamentos (17/13, um absurdo), com o vencedor convergindo brutalmente nos arremessos (15/29 nos 2 pontos, e 13/34 nos 3), pois não encontrava contestação pelos adversários, com seus três americanos muito mais interessados no ataque, jogado claramente entre eles, do que defender sua cesta, apostando no poderio ofensivo que pensavam ostentar, até o momento em que abandonaram o jogo interior, para duelar nas bolas de três, onde  se perderam, principalmente nos rebotes ofensivos…

Honestamente, perder um jogo semifinal disputado ponto a ponto, em seu ginásio, permitindo que seu adversário perpetrasse 34 bolinhas é uma aberração defensiva imperdoável, pois se contestassem a metade das mesmas, venceria a partida com folga, bastando fazer as continhas, ou não?…

No outro jogo semifinal, os brasileiros do Bauru perderam para o Pinheiros com seus dois americanos, com nossos brazucas fazendo coro de fundo de palco, mas que apresentou, pelo menos, algo de positivo, não convergiram (23/38 de 2 pontos e 12/29 de 3 para o Pinheiros, contra 22/40 e 9/22 respectivamente para o Bauru), fator que vem se tornando raro nos jogos da liga, mas mantendo a terrível regularidade nos erros de fundamentos, inaceitáveis nesse nível, 26 (11/15), 1,7 abaixo da média nesse campeonato, números constrangedores e reveladores, principalmente se focarmos as futuras seleções nacionais…

Os quatro estrategistas lançaram na mesa, digo,quadra, o compêndio de jogadas que formam o sistema único de jogo, utilizado por todas as equipes da liga, composto das formações chifres (de diversos tamanhos, direções e formas), idem para os punhos, polegares, picks, hangs, camisas, especiais, flex, e sei lá mais quantas, todas “exaustivamente” treinadas (uma ova que são…), como apregoam os narradores e comentaristas de plantão, mas ocultando o fator crucial para a exequibilização de todas elas, o fato inconteste e indesmentível, de que a grande maioria de nossos jogadores não possuem fundamentos básicos necessários para colocar em prática tanta sapiência tática, sobrando para a turma ianque, que mesmo sendo do terceiro nível de seu país, os tem muito mais sob controle do que os nossos, inclusive aqueles que muito jovens  são instados a concorrer no draft da NBA, quando deveriam ser orientados ao circuito universitário, que inclusive garantiriam um diploma superior mais adiante, como o fazem a Austrália e o Canadá desde muito, e com claros reflexos em suas seleções nacionais, ou mesmo, se a ganância de seus agentes o permitissem tentar o solo europeu, menos rentável, talvez mais rico culturalmente, porém dentro da nossa realidade latina…

Mas algo se impõe com um realismo tocante, as tentativas de reestruturação das equipes que se viram afastadas das finais da liga, na busca de reforços para a temporada vindoura, onde posições que não corresponderam, de 1 a 5, deverão ser substituídas de 1 a 5, num rito que se repete ano a ano, temporada a temporada, onde cada vez mais se insinuam os estrangeiros “qualificados”, pagos em dólar, para atuarem no sistema que professam ano após ano, temporada após temporada, como simples peças de reposição, automáticas, como automáticas deverão ser suas atuações, todos e em conjunção a estrategistas e suas midiáticas pranchetas, demonstrando serem incapazes de aprimorar seus atuais elencos, dotando-os de melhores fundamentos, e acima de tudo, sistemas proprietários, inéditos e inovadores de jogo, a fim de dotar seus jogadores dos valores mais relevantes em qualquer planejamento que se preze, a contínua evolução do trabalho coletivo, agregador e confiável, motores do sucesso e da fluidez tão ansiada, tão perseguida, mas somente alcançada com competência, conhecimento e superior dedicação, e não simplesmente trocando-os como peças descartáveis de um injusto tabuleiro…

Agora mesmo, na segunda partida, o Paulistano venceu o Vitória (82 x 72) arremessando 14/24 bolas de 2 pontos e 15/36 de três, repetindo o primeiro jogo, naquele aspecto mais instigante do mesmo, a incapacidade defensiva no perímetro externo ante essa hemorragia inestancável que tanto aflige o grande jogo neste país, sinalizando equivocadamente aos nossos jovens ser esse o caminho a ser trilhado, num erro estratégico gigantesco, que nos cobrará pesados juros quando se depararem com defesas de verdade, sem a habilitação mínima exigida para superá-las.

Amém.

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O VÍCIO AUTOFÁGICO…

 

P1140820Muito bem, chegamos às semifinais do NBB mais disputado e eletrizante de sua curta história, segundo opinam e escrevem os especialistas da matéria, com a decantada supremacia dos jovens técnicos, e dos mais jovens ainda talentos que se destacaram dentro da quadra, alguns já se considerando aptos para o draft/NBA, sucedendo a falência dos quase inexpugnáveis favoritos, com seus veteranos e experientes jogadores e técnicos, mantidos por investimentos muito mais vultosos dos que a partir de hoje disputam os playoffs decisivos antes do playoff final…

No entanto, não são mencionados e convenientemente analisados, como teriam de ser, alguns dados expressivos e bem particulares referentes ao campeonato, comuns a todas as equipes, como o fato relevante de todas elas jogarem de forma idêntica, ao utilizarem o sistema único ofensivo, e ausentes, de uma forma quase unânime, do sentido defensivo fora do perímetro, o que ocasionou, pela nona vez consecutiva, a implantação genérica da convergência entre os arremessos de 2 e 3 pontos, culminando na orgia desenfreada dos longos arremessos, como se todos os jogadores, agora incluídos os pivôs, fossem especialistas neste complexo e  exclusivo lançamento, campo restrito a uns poucos e ungidos jogadores, e porque não, incentivados pela jovem turma das pranchetas…

Mesmo com a elevada quantidade de tentativas falhadas, todas as equipes se utilizaram das famigeradas “bolinhas”, equilibrando de certa forma, a perda do grande esforço físico despendido a cada ação ofensiva de todas, fator que poderia ter sido largamente compensado se culminassem em arremessos médios e curtos, que pela lógica, alcançam maior eficiência do que os longos, onde os erros se situam diretamente proporcionais às maiores ou menores distâncias em que são  efetuados, mas a maioria preferiu duelar, ao preço que fosse…

Então, de certa forma, ou mesmo submetidos ao sensato princípio de que se todos caminham por uma mesma estrada, num mesmo e compassado rítmo, chegarão todos ao mesmo destino, porém atingindo a meta primeiro, aquela equipe que, das duas hipóteses possíveis, opte em correr com mais intensidade dentro do padrão comum, mantendo o comportamento tático das demais, ou busca uma outra forma de jogar, atalhar, ou mesmo inovar, a fim de situar suas oponentes em situação de difícil defesa, face a uma mudança tática que quebre a mesmice em que todas se encontram desde sempre, sem dúvida vencerá a contenda…

E que mudança, ou mudanças, poderiam ser essas, que mesmo tendo sido timidamente utilizadas por algumas delas, não encontraram a firmeza necessária para serem realmente assumidas, como um novo e relevante padrão de jogo a ser desenvolvido por nosso claudicante basquetebol? O relegado e quase sempre esquecido jogo interior, suprido e mantido pela movimentação contínua e fluida de todos os jogadores, alimentados por uma verdadeira e sólida dupla armação, e presença permanente nos rebotes ofensivos e defensivos, num jogo de posições tão importante quanto a contestação fora do perímetro, dois dos mais importantes fatores que definiriam vitórias nessa reta semifinal de campeonato…

Jogar e agir diferenciadamente a essa altura da competição seria uma atitude corajosa e surpreendente, pois incomum ao nosso formatado e padronizado basquetebol, cuja maior contradição é aquela que a mídia especializada omite em seus comentários, a de que mesmo os mais jovens técnicos, que pela idade deveriam ser aqueles que mais inovassem, são os que mais se apegam a mesmice endêmica estabelecida de muito entre nós, quando deveriam ser os que investissem mais por novos caminhos, mas não o fazem, já que produtos de uma formação pouco compromissada com o histórico técnico, tático e acima de tudo, estratégico do grande jogo, onde sistemas do seu enorme e rico passado deveriam ser incluídos nas postulações do presente, face a sua transcendental importância e conteúdo, bastando estudá-lo, pesquisá-lo e aplicá-lo como método e conceito, e jamais como estilo, como comumente o fazem …

Quem focar e concentrar seu jogo no interior defensivo de seu adversário, segurar a ganância estelar e midiática das tentativas nas bolinhas de três, inclusive nos contra ataques, diminuindo o número de ataques falhos, se posicionar fortemente nos rebotes, onde coletivamente se ajudem nos bloqueios, se esmerar nas contestações verticais fora do perímetro e, tiver a sabedoria (nada juvenil…) de ir de 2 em 2 e 1 em 1, estabelecendo vantagem no marcador, já que economizando esforços físicos e mentais ofensivos, pontuando com mais precisão pelas médias e curtas distâncias escolhidas, sem dúvida alguma levará imensa vantagem no cômputo final, a não ser que, habituada ao vício autofágico que aí está escancarado a todos, se desgaste e se arrebente numa competição de tiro aos pombos, onde o último a acertar, apaga a luz, levando, ou não, o caneco para casa…

Amém.

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REMINISCÊNCIAS I…


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Tenho me ocupado revendo antigos documentos, fotos, filmes em 8 e super 8mm, vídeos VHS, digitais HD e UHD mais recentes, tentando resgatar fatos e imagens importantes para minha formação, e que de certa forma continuam atuais como nunca, pois são a base de tudo que se denomina de “novidade” que pulula no cenário do basquetebol atual, seja por aqui, como lá fora, principalmente na matriz, porém com uma única diferença, recursos ilimitados de dinheiro por lá, e indigência quase absoluta por aqui, a tal ponto que, um trambique, e um sistema eleitoral viciado da CBB, nos tirou, até segunda ordem, do cenário competitivo internacional, por intervenção e suspensão determinadas pela FIBA…

E nesse delicado e político ponto, sugiro  ao novo comando de nossa confederação, que considere seguir o magistral exemplo da Confederação Brasileira de Vela, que tenho quase certeza se inspirou no posicionamento do excelente dirigente Lars Grael, quando optaram pela mudança radical no processo eletivo de sua presidência, abrindo um vasto leque de votantes, onde além dos presidentes federativos e representante dos atletas velejadores, passaram a compor o colégio eleitoral os demais atletas, os medalhados internacionais, os árbitros e os técnicos, transformando as eleições num verdadeiro pleito democrático e justo no seio da modalidade, exemplo este que poderia ser implementado pela atual direção da CBB, ajudando a quebrar bastante a resistência da FIBA, e paralelamente compor com a mesma a melhor forma de pagamento da dívida que a antiga administração assumiu e não pagou, pela participação do país no último mundial…

Tenho certeza de que a suspensão seria avaliada com mais atenção, pois um país com a nossa tradição no grande jogo não deveria estar afastado das grandes competições por longo tempo, o que ocasionará um retrocesso de difícil recuperação mais adiante. Se obstáculos federativos se opuserem a essa solução, que apresentem uma melhor, mas que não seja a da manutenção dos favorecimentos, escambos e trocas de interesses, profundamente enraizados em nossas administrações esportivas desde sempre, fator primal de nossa derrocada progressiva e inexorável na continuação do que estabeleceram nas últimas três décadas de desmandos praticamente institucionalizados…

Voltando às reminiscências, vasto material didático, pedagógico e histórico aguardam uma competente revisão, limpeza e montagem, a fim de ser veiculado pelo blog, dando continuidade a sua maior e mais significativa função, a de facilitar seu conhecimento por todos aqueles que amam, estudam, pesquisam e divulgam o grande jogo junto aos mais jovens, destinatários naturais do que representam para auxiliá-los em seu desenvolvimento técnico, tático e cidadão…

Pena, muita pena que a ENTB, atualmente fora do ar, fruto falido de uma organização inicial altamente equivocada (já abordei esse assunto em muitos artigos aqui no blog), esteja ausente nesse momento de soerguimento do basquetebol brasileiro, sendo, inclusive, um dos pontos abordados pela FIBA em suas restrições, e que necessita ser reestruturada profundamente, praticamente refeita, a fim de se colocar como um dos balizadores técnicos da modalidade, sendo de fundamental importância no seu desenvolvimento massivo nas escolas, clubes e pequenas ligas a serem implementadas por todo o território nacional, pela formação complementar de técnicos e professores que se iniciam no ensino, cuja formação básica é adquirida nos cursos superiores de educação física e desportos, e o aperfeiçoamento dos mais veteranos, oportunizando-os a melhores insumos e conteúdos de treinamento, sistemas de jogo, avaliando sistematicamente seu progresso meritório, fatores qualificantes para assumir níveis profissionais pelo trabalho realizado, e não por cursinhos de 4 dias, ouvindo inócuas palestras sentados em bancadas…

Quanto ao material acima explicitado, estou dando partida em sua recuperação, que será longa e trabalhosa, mas creio exitosa mais adiante, pois representa toda uma gama de experiências que precisam ser revividas e reativadas, para que não vicejem amiúde, falsos e oportunistas “profetas” do que sempre existiu, quando, é claro, jamais se darão ao trabalho de irem às origens de suas “proféticas certezas”, todas elas cognominadas de chifres, punhos, hangs, picks, camisas, quatro abertos, e muitos, muitos chutes de três, tudo emoldurado por midiáticas pranchetas, sem as quais ficariam pendurados na broxa, sem ter como se expressar em português, e inglês também…

Sou de um tempo, não tão distante assim, quando íamos para a quadra treinar a não mais poder os fundamentos individuais e coletivos, horas de meia quadra, horas ensinando e ajustando arremessos, corrigindo grandes e pequenos detalhes, até os ínfimos, aqueles que vencem jogos, teimosamente, repetindo, modificando, delimitando, abrindo, discutindo posicionamentos e novas idéias, dando preferência aos movimentos defensivos, inclusive incentivando-os a combaterem o próprio e proprietário sistema ofensivo adotado pela equipe, exigindo que o anulassem, pois seria essa a missão dos adversários, obrigando a todos a encontrar caminhos diferentes dentro do sistema, sem o abandonar, exigindo atenção ao rítmo e andamento das jogadas, dos posicionamentos e coberturas defensivas, onde a prancheta maior estava sob seus pés, a grande e sagrada quadra de jogo, onde as verdades verdadeiras são encontradas ou esquecidas, pois movimento nenhum, por mais automátizado que pareça nunca se repete, indicando a mais verossímil das verdades no formidável e extenso terreno dos sistemas de jogo – o bom sistema não é aquele que sistematicamente dá certo (sintoma de ineficácia defensiva do oponente), e sim aquele que desencadeia no adversário comportamentos defensivos que, quanto mais previsíveis forem, melhores serão seus resultados – Logo, sendo o treino o verdadeiro objetivo funcional de um técnico, de um professor, pouco será necessário ser acrescentado durante o jogo para valer, a não ser pontuais ajustes, de cunho mais comportamental que técnico, fator este que dispensa penduricalhos midiáticos, como pranchetas e canetas hidrográficas. O técnico tem seu momento primordial no treino, o jogador no jogo, onde se realizará com inteligência, liberdade e responsabilidade, e não ser encordoado como marionete, sendo manobrado de fora para dentro da quadra por um …estrategista, que desconfio seriamente aceite abandonar seus momentos de maior afirmação nas coreografias na lateral da quadra, estudada coerção na arbitragem, palavrões e gritaria nos pedidos de tempo, e o climax mais emblemático, sua atuação performática consagradora, a demonstração de conhecimentos e domínio das mais complexas situações do jogo, grafadas em sua prancheta mágica, para deleite de uma mídia ufanista e festeira, para a gloria do basquetebol nacional. Pena que nada daquela encenação dá minimamente certo, mas que impressiona, impressiona… 

Amém.

Foto- Divulgação CBB.