AS PELADAS MONUMENTAIS…

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P1150102P1150108Foram dois jogos praticamente iguais, o terceiro e o quarto disputados do playoff, quando a equipe de Bauru empatou a série com o Pinheiros, mesmo tendo iniciado com duas derrotas, adiando o resultado final para o quinto jogo, de uma forma previsível, menos para seu oponente, que simplesmente se deixou abater ao aceitar duelar nas bolas de três, naqueles momentos em que o jogo interno deveria se impor, como a solução mais primária naquelas circunstâncias em que ambas as equipes tentaram subir suas defesas a fim de contestarem mais efetivamente os longos arremessos…

Bauru empatou a série convergindo com 18/33 nas bolas de 2,  e 15/32 nas de 3 no terceiro jogo, quando o Pinheiros atingiu as marcas de 20/35 e 6/23 respectivamente, com a defesa externa da turma do  interior se mostrando bem mais eficiente que a da capital, quando pudemos observar que as efetivas 9 bolas de 3 a mais pesaram bastante no resultado de um jogo em que perderam 10 lances livres contra 3 de seus oponentes, e onde ambas as equipes cometeram 32 erros de fundamentos (16/16), retratando um jogo de baixo índice técnico sob quaisquer argumentos que possamos evocar. Pois bem, veio o quarto jogo e o que vimos foi a repetição do que ocorreu no anterior, onde a teimosa insistência pelo jogo externo pautou a partida, porém com algo bem específico, comum em toda a série, a mais completa ausência de um jogo coletivo interno coerente e bem planejado para espaços menores, e claro, treinado por ambas as equipes, o qual se restringia a abertura de quatro, e muitas vezes dos cinco jogadores, a fim de terem espaço para as penetrações do mais alto caráter individual, visando as bandejas, e raramente os arremessos de média e curta distâncias, os tão esquecidos DPJ´s, e onde se faziam sentir os drásticos efeitos da ausência técnica nos fundamentos do drible, das fintas e das conclusões sob forte anteposição (haja vista os 31 erros nos fundamentos 14/17), e em situações básicas, como a de finalizarem uma bandeja ou um curto arremesso, com a mão mais próxima do aro, quando deveria ser a mais afastada, como definem as boas execuções dos fundamentos de arremessos, principalmente para os mais altos, numa falha primária, produto de uma formação deficiente de base, nunca corrigida, ou minimizada nas categorias adultas, como se fosse proibitivo aprender os fundamentos do jogo…

O vencedor da série enfrentará no torneio final o Paulistano, cuja equipe também se destaca pelo apetite voraz nos 3 pontos, sendo estas equipes, junto com a eliminada do Flamengo foram as líderes convergentes deste NBB9, e desde já podemos antever um “tiro aos pombos” desenfreado, a não ser que, num rompante corajoso e evolutivo (o que duvido que ocorra), uma delas opte por jogar organizada e preferencialmente dentro do perímetro interno, reservando os arremessos externos para aqueles momentos e situações em que o equilíbrio e razoável liberdade, torne a execução passível de alto controle por aqueles jogadores que realmente são especializados no mesmo ( não os que o adversário “paga para ver”), e que a contar nestas equipes, são muito, muito poucos…

Defesa externa contestatória, interna bem situada à frente dos pivôs, e melhor ainda nos rebotes, e ataque primando pelo sentido coletivista com passes de fora para dentro, visando pivôs em constante movimento, assim como todos os demais componentes da equipe, ocupando e mantendo junto os defensores com seus deslocamentos, origem de espaços necessários às penetrações, e consequentes passes de dentro para fora do garrafão, são os pontos básicos a toda equipe que realmente se candidate a ser campeã,  e não estabelecendo o caos ofensivo e defensivo que nos tem brindado a maioria das equipes, em peladas monumentais eivadas pelos 26,7 erros de média nos fundamentos por partida, e a hemorragia crônica de bolinhas, originando convergências absurdas, emoldurando um cenário que em hipótese alguma deveria representar um basquetebol de tanta tradição de qualidade quanto o que foi praticado por tantas gerações que engrandeceram o grande, grandíssimo jogo entre nós.

Amém.

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Nota esclarecedora – Por falha de edição, o texto ontem publicado tornou incompreensível alguns parágrafos, fato para o qual peço desculpas aos leitores. PM.

FUTURO DE 3, SERÁ?…

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P1150093Que me desculpem os leitores deste humilde blog, mas antes, bem antes de ser torcedor ufanista e festeiro do grande jogo, sou um técnico e professor profundamente ligado ao mesmo, e por isso, e por obrigação profissional, analista frio e objetivo do que realmente se passa de prático dentro de uma quadra de jogo, não só no presente momento, mas projetando num incerto e desconcertante amanhã, principalmente quanto aos fatores técnicos e táticos, hoje extremamente deficientes, e com certeza mais adiante, muito mais desconcertante ainda, face a fragilidade inconteste e indiscutível da fundamentação básica de todos aqueles envolvidos na modalidade, dos técnicos aos jogadores, incluindo também dirigentes e muito da mídia especializada, unidos em torno de uma farsa, que de forma alguma representa os reais fatores responsáveis por seu desenvolvimento harmônico no seio da juventude deste enorme e injusto país…

Acabamos de assistir a classificação do Paulistano para as finais do NBB9, vencedor por 3 x 0 na disputa contra o Vitória, com números finais estarrecedores, pois desnuda com grande precisão as brutais carências que se abateram sobre o nosso indigitado basquetebol, preso e manietado por um corporativismo atróz, escudado numa mesmice endêmica técnico tática, que nos afastou do concerto internacional, culminando com a suspensão pela FIBA das competições internacionais, num rude e sofrido golpe às nossas pretensões de soerguimento e progresso na modalidade…

E quais números foram esses Paulo?

Numa decisão de semifinal em 3 jogos, foram lançadas por ambas as equipes, 103/201 bolas de 2 pontos (51.2%) e 60/211 de 3 (28.4%), sendo que na terceira e definitiva partida foram perpetrados 34/65 lançamentos de 2 e 16/66 de 3, onde podemos observar que 50 ataques de 3 foram desperdiçados ( na soma dos três foram 151), pela absolutamente falsa premissa de que praticamos o basquete da atualidade, quando na verdade, o ferimos de morte, frente a inexistência de qualquer interesse em defender o perímetro por parte da grande maioria das equipes da liga, inclusive programando algumas para “pagar para ver” as aventuras de fora, agora celeremente disputada por pivôs, ávidos em participar na pontuação de suas equipes (?), já que lá embaixo somente terão a bola na briga dos rebotes que sobram das falhas da artilharia de fora, se sobrarem, e um ou outro passe para batalharem sozinhos no 1 x 1 de praxe e de ré…

A equipe vencedora convergiu violentamente, 50/91 (54.9%) nos 2 pontos e 38/107 (35.5%) nas famigeradas bolinhas, e 45/57 (78.9%) nos lances livres, demonstrando tacitamente o quanto de desperdício de técnica e esforço físico obtiveram praticando o “basquete moderno”, “like warriors”, esquecendo, no entanto, sua pobre média de 15.6 erros de fundamentos somente nessa semifinal, fatores que, inclusive, possivelmente pouco poderão incidir em sua busca pelo título, face a outra realidade com que se confrontará nas finais, a de que muito pouco esforço contestatório lhe será oferecido, pela absoluta deficiência defensiva de seus possíveis adversários, também comprometidos com a volúpia de fora e a pouca insistência pelo jogo interior, como se deparou frente a seu oponente nessa semifinal, que mesmo não convergindo nos arremessos, teve nos seus três americanos uma equipe dentro da equipe, onde aberta e declaradamente  atuavam juntos nos momentos cruciais dos jogos disputados, numa aposta às avessas de seu estrategista, quando num determinado momento do jogo final os conclamou a comparecerem com seu jogo, pois precisava dele, fato enriquecido pelo comentarista televisivo, quando cobrou resultados dos investimentos da equipe na tríade ianque, valorizando por demais a vitória da jovem equipe paulista, com somente um hermano em sua formação…

Enfim, creio ser um equívoco monumental essa tendência suicida pelo jogo de fora, originando ausências fundamentais de atacantes dentro do perímetro ofensivo interno, incentivando o jogo dos 3, com seus arremessos especializados e de elevado risco, que deveriam somente ser concretizados em condições do mais absoluta equilíbrio físico e mental, ocupando espaço precioso no jogo de 2 em 2, e de 1 em 1, pela elevação do número de faltas conseguidas, que se bem jogado atingiria pontuações acima dos 85 pontos, com menores desgastes pela otimização de cada ataque, sobrando energia para ser empregue em defesas mais sólidas e velozes, incentivando o aprimoramento dos fundamentos necessários ao desenvolvimento do jogo próximo e físico, esquecidos pela prevalência do jogo exterior, que dispensa certas e cansativas exigências técnicas no embate progressivo rumo a cesta, com ou sem a posse da bola, instrumento de trabalho tão mal manipulado e dominado pelos adeptos dos longos arremessos, mal sabedores  do como e dos porquês  de seu volúvel e instável comportamento, pelo simples fato de ser uma esfera, o corpo sólido de mais difícil manipulação e domínio…

Teremos daqui a um pouco o terceiro jogo da outra semifinal, entre Bauru e Pinheiros, com equipes que pouco convergiram nos dois jogos, mas que erram demais nos fundamentos (foram 60 erros nos dois jogos), e que no caso do Pinheiros, apresenta uma particularidade aproximada a do Vitória, a dos americanos que jogam entre si em determinados momentos do jogo, individualizando em demasia, fator esse que se dirimido, muito poderá reforçar o poderio ofensivo interno da equipe, por se tratar de dois excelentes condutores e passadores de bola, além de fortíssimos nas finalizações, que se bem entrosados com o todo da equipe, pressionará bastante seu oponente, cuja força maior se fundamenta na larga experiência de alguns de seus nominados jogadores, que sendo adeptos das bolinhas, não estão alcançando o êxito esperado nas mesmas, quem sabe, por estarem sendo bem contestados pela turma da capital, ou, não se situarem bem sintonizados com as estratégias vindas do banco, o que se pôde notar na quadra após pedidos de tempo, quando situações táticas não são levadas em conta nas execuções projetadas e pretendidas…

Preocupa-me sobremaneira essa tendência convergente cada vez mais presente em nossas equipes, mesmo as de formação de base, sem um mínimo embasamento adquirido no ensino e prática dos fundamentos do grande jogo, numa trágica opção que ameaça nos afundar cada vez mais, principalmente quando, num momento de transição e renovação por que começamos a passar, fiquemos inferiorizados técnica e taticamente frente àqueles países que conotam a máxima importância na formação quantitativa e, acima de tudo, qualitativa de seus jovens jogadores. Espero que tenhamos tempo suficiente para reestudarmos  nosso, até aqui, fragilíssimo posicionamento.

Amém.

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REESTRUTURANDO?…

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P1150035Num dos primeiros tempos pedidos pelo técnico do Vitória, no primeiro jogo do playoff semifinal contra o Paulistano, ele admite ter errado ao orientar a equipe para que fechasse o garrafão ao forte jogo interno do oponente, pagando para ver nos arremessos de três do mesmo, fator que beneficiaria sua equipe nos rebotes e consequentes contra ataques, um ponto forte de seus jogadores. Ironicamente, foram três arremessos longos de um dos pivôs do Paulistano, que decretaram os nove pontos de diferença, 93 a 84 na sua vitória na casa do adversário, uma boa vantagem técnica, podendo fechar a série em sua casa nos dois jogos a seguir como mandante…

Claro que outros fatores também incidiram no resultado do jogo, onde foram cometidos 30 erros de fundamentos (17/13, um absurdo), com o vencedor convergindo brutalmente nos arremessos (15/29 nos 2 pontos, e 13/34 nos 3), pois não encontrava contestação pelos adversários, com seus três americanos muito mais interessados no ataque, jogado claramente entre eles, do que defender sua cesta, apostando no poderio ofensivo que pensavam ostentar, até o momento em que abandonaram o jogo interior, para duelar nas bolas de três, onde  se perderam, principalmente nos rebotes ofensivos…

Honestamente, perder um jogo semifinal disputado ponto a ponto, em seu ginásio, permitindo que seu adversário perpetrasse 34 bolinhas é uma aberração defensiva imperdoável, pois se contestassem a metade das mesmas, venceria a partida com folga, bastando fazer as continhas, ou não?…

No outro jogo semifinal, os brasileiros do Bauru perderam para o Pinheiros com seus dois americanos, com nossos brazucas fazendo coro de fundo de palco, mas que apresentou, pelo menos, algo de positivo, não convergiram (23/38 de 2 pontos e 12/29 de 3 para o Pinheiros, contra 22/40 e 9/22 respectivamente para o Bauru), fator que vem se tornando raro nos jogos da liga, mas mantendo a terrível regularidade nos erros de fundamentos, inaceitáveis nesse nível, 26 (11/15), 1,7 abaixo da média nesse campeonato, números constrangedores e reveladores, principalmente se focarmos as futuras seleções nacionais…

Os quatro estrategistas lançaram na mesa, digo,quadra, o compêndio de jogadas que formam o sistema único de jogo, utilizado por todas as equipes da liga, composto das formações chifres (de diversos tamanhos, direções e formas), idem para os punhos, polegares, picks, hangs, camisas, especiais, flex, e sei lá mais quantas, todas “exaustivamente” treinadas (uma ova que são…), como apregoam os narradores e comentaristas de plantão, mas ocultando o fator crucial para a exequibilização de todas elas, o fato inconteste e indesmentível, de que a grande maioria de nossos jogadores não possuem fundamentos básicos necessários para colocar em prática tanta sapiência tática, sobrando para a turma ianque, que mesmo sendo do terceiro nível de seu país, os tem muito mais sob controle do que os nossos, inclusive aqueles que muito jovens  são instados a concorrer no draft da NBA, quando deveriam ser orientados ao circuito universitário, que inclusive garantiriam um diploma superior mais adiante, como o fazem a Austrália e o Canadá desde muito, e com claros reflexos em suas seleções nacionais, ou mesmo, se a ganância de seus agentes o permitissem tentar o solo europeu, menos rentável, talvez mais rico culturalmente, porém dentro da nossa realidade latina…

Mas algo se impõe com um realismo tocante, as tentativas de reestruturação das equipes que se viram afastadas das finais da liga, na busca de reforços para a temporada vindoura, onde posições que não corresponderam, de 1 a 5, deverão ser substituídas de 1 a 5, num rito que se repete ano a ano, temporada a temporada, onde cada vez mais se insinuam os estrangeiros “qualificados”, pagos em dólar, para atuarem no sistema que professam ano após ano, temporada após temporada, como simples peças de reposição, automáticas, como automáticas deverão ser suas atuações, todos e em conjunção a estrategistas e suas midiáticas pranchetas, demonstrando serem incapazes de aprimorar seus atuais elencos, dotando-os de melhores fundamentos, e acima de tudo, sistemas proprietários, inéditos e inovadores de jogo, a fim de dotar seus jogadores dos valores mais relevantes em qualquer planejamento que se preze, a contínua evolução do trabalho coletivo, agregador e confiável, motores do sucesso e da fluidez tão ansiada, tão perseguida, mas somente alcançada com competência, conhecimento e superior dedicação, e não simplesmente trocando-os como peças descartáveis de um injusto tabuleiro…

Agora mesmo, na segunda partida, o Paulistano venceu o Vitória (82 x 72) arremessando 14/24 bolas de 2 pontos e 15/36 de três, repetindo o primeiro jogo, naquele aspecto mais instigante do mesmo, a incapacidade defensiva no perímetro externo ante essa hemorragia inestancável que tanto aflige o grande jogo neste país, sinalizando equivocadamente aos nossos jovens ser esse o caminho a ser trilhado, num erro estratégico gigantesco, que nos cobrará pesados juros quando se depararem com defesas de verdade, sem a habilitação mínima exigida para superá-las.

Amém.

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O VÍCIO AUTOFÁGICO…

 

P1140820Muito bem, chegamos às semifinais do NBB mais disputado e eletrizante de sua curta história, segundo opinam e escrevem os especialistas da matéria, com a decantada supremacia dos jovens técnicos, e dos mais jovens ainda talentos que se destacaram dentro da quadra, alguns já se considerando aptos para o draft/NBA, sucedendo a falência dos quase inexpugnáveis favoritos, com seus veteranos e experientes jogadores e técnicos, mantidos por investimentos muito mais vultosos dos que a partir de hoje disputam os playoffs decisivos antes do playoff final…

No entanto, não são mencionados e convenientemente analisados, como teriam de ser, alguns dados expressivos e bem particulares referentes ao campeonato, comuns a todas as equipes, como o fato relevante de todas elas jogarem de forma idêntica, ao utilizarem o sistema único ofensivo, e ausentes, de uma forma quase unânime, do sentido defensivo fora do perímetro, o que ocasionou, pela nona vez consecutiva, a implantação genérica da convergência entre os arremessos de 2 e 3 pontos, culminando na orgia desenfreada dos longos arremessos, como se todos os jogadores, agora incluídos os pivôs, fossem especialistas neste complexo e  exclusivo lançamento, campo restrito a uns poucos e ungidos jogadores, e porque não, incentivados pela jovem turma das pranchetas…

Mesmo com a elevada quantidade de tentativas falhadas, todas as equipes se utilizaram das famigeradas “bolinhas”, equilibrando de certa forma, a perda do grande esforço físico despendido a cada ação ofensiva de todas, fator que poderia ter sido largamente compensado se culminassem em arremessos médios e curtos, que pela lógica, alcançam maior eficiência do que os longos, onde os erros se situam diretamente proporcionais às maiores ou menores distâncias em que são  efetuados, mas a maioria preferiu duelar, ao preço que fosse…

Então, de certa forma, ou mesmo submetidos ao sensato princípio de que se todos caminham por uma mesma estrada, num mesmo e compassado rítmo, chegarão todos ao mesmo destino, porém atingindo a meta primeiro, aquela equipe que, das duas hipóteses possíveis, opte em correr com mais intensidade dentro do padrão comum, mantendo o comportamento tático das demais, ou busca uma outra forma de jogar, atalhar, ou mesmo inovar, a fim de situar suas oponentes em situação de difícil defesa, face a uma mudança tática que quebre a mesmice em que todas se encontram desde sempre, sem dúvida vencerá a contenda…

E que mudança, ou mudanças, poderiam ser essas, que mesmo tendo sido timidamente utilizadas por algumas delas, não encontraram a firmeza necessária para serem realmente assumidas, como um novo e relevante padrão de jogo a ser desenvolvido por nosso claudicante basquetebol? O relegado e quase sempre esquecido jogo interior, suprido e mantido pela movimentação contínua e fluida de todos os jogadores, alimentados por uma verdadeira e sólida dupla armação, e presença permanente nos rebotes ofensivos e defensivos, num jogo de posições tão importante quanto a contestação fora do perímetro, dois dos mais importantes fatores que definiriam vitórias nessa reta semifinal de campeonato…

Jogar e agir diferenciadamente a essa altura da competição seria uma atitude corajosa e surpreendente, pois incomum ao nosso formatado e padronizado basquetebol, cuja maior contradição é aquela que a mídia especializada omite em seus comentários, a de que mesmo os mais jovens técnicos, que pela idade deveriam ser aqueles que mais inovassem, são os que mais se apegam a mesmice endêmica estabelecida de muito entre nós, quando deveriam ser os que investissem mais por novos caminhos, mas não o fazem, já que produtos de uma formação pouco compromissada com o histórico técnico, tático e acima de tudo, estratégico do grande jogo, onde sistemas do seu enorme e rico passado deveriam ser incluídos nas postulações do presente, face a sua transcendental importância e conteúdo, bastando estudá-lo, pesquisá-lo e aplicá-lo como método e conceito, e jamais como estilo, como comumente o fazem …

Quem focar e concentrar seu jogo no interior defensivo de seu adversário, segurar a ganância estelar e midiática das tentativas nas bolinhas de três, inclusive nos contra ataques, diminuindo o número de ataques falhos, se posicionar fortemente nos rebotes, onde coletivamente se ajudem nos bloqueios, se esmerar nas contestações verticais fora do perímetro e, tiver a sabedoria (nada juvenil…) de ir de 2 em 2 e 1 em 1, estabelecendo vantagem no marcador, já que economizando esforços físicos e mentais ofensivos, pontuando com mais precisão pelas médias e curtas distâncias escolhidas, sem dúvida alguma levará imensa vantagem no cômputo final, a não ser que, habituada ao vício autofágico que aí está escancarado a todos, se desgaste e se arrebente numa competição de tiro aos pombos, onde o último a acertar, apaga a luz, levando, ou não, o caneco para casa…

Amém.

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REMINISCÊNCIAS I…


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Tenho me ocupado revendo antigos documentos, fotos, filmes em 8 e super 8mm, vídeos VHS, digitais HD e UHD mais recentes, tentando resgatar fatos e imagens importantes para minha formação, e que de certa forma continuam atuais como nunca, pois são a base de tudo que se denomina de “novidade” que pulula no cenário do basquetebol atual, seja por aqui, como lá fora, principalmente na matriz, porém com uma única diferença, recursos ilimitados de dinheiro por lá, e indigência quase absoluta por aqui, a tal ponto que, um trambique, e um sistema eleitoral viciado da CBB, nos tirou, até segunda ordem, do cenário competitivo internacional, por intervenção e suspensão determinadas pela FIBA…

E nesse delicado e político ponto, sugiro  ao novo comando de nossa confederação, que considere seguir o magistral exemplo da Confederação Brasileira de Vela, que tenho quase certeza se inspirou no posicionamento do excelente dirigente Lars Grael, quando optaram pela mudança radical no processo eletivo de sua presidência, abrindo um vasto leque de votantes, onde além dos presidentes federativos e representante dos atletas velejadores, passaram a compor o colégio eleitoral os demais atletas, os medalhados internacionais, os árbitros e os técnicos, transformando as eleições num verdadeiro pleito democrático e justo no seio da modalidade, exemplo este que poderia ser implementado pela atual direção da CBB, ajudando a quebrar bastante a resistência da FIBA, e paralelamente compor com a mesma a melhor forma de pagamento da dívida que a antiga administração assumiu e não pagou, pela participação do país no último mundial…

Tenho certeza de que a suspensão seria avaliada com mais atenção, pois um país com a nossa tradição no grande jogo não deveria estar afastado das grandes competições por longo tempo, o que ocasionará um retrocesso de difícil recuperação mais adiante. Se obstáculos federativos se opuserem a essa solução, que apresentem uma melhor, mas que não seja a da manutenção dos favorecimentos, escambos e trocas de interesses, profundamente enraizados em nossas administrações esportivas desde sempre, fator primal de nossa derrocada progressiva e inexorável na continuação do que estabeleceram nas últimas três décadas de desmandos praticamente institucionalizados…

Voltando às reminiscências, vasto material didático, pedagógico e histórico aguardam uma competente revisão, limpeza e montagem, a fim de ser veiculado pelo blog, dando continuidade a sua maior e mais significativa função, a de facilitar seu conhecimento por todos aqueles que amam, estudam, pesquisam e divulgam o grande jogo junto aos mais jovens, destinatários naturais do que representam para auxiliá-los em seu desenvolvimento técnico, tático e cidadão…

Pena, muita pena que a ENTB, atualmente fora do ar, fruto falido de uma organização inicial altamente equivocada (já abordei esse assunto em muitos artigos aqui no blog), esteja ausente nesse momento de soerguimento do basquetebol brasileiro, sendo, inclusive, um dos pontos abordados pela FIBA em suas restrições, e que necessita ser reestruturada profundamente, praticamente refeita, a fim de se colocar como um dos balizadores técnicos da modalidade, sendo de fundamental importância no seu desenvolvimento massivo nas escolas, clubes e pequenas ligas a serem implementadas por todo o território nacional, pela formação complementar de técnicos e professores que se iniciam no ensino, cuja formação básica é adquirida nos cursos superiores de educação física e desportos, e o aperfeiçoamento dos mais veteranos, oportunizando-os a melhores insumos e conteúdos de treinamento, sistemas de jogo, avaliando sistematicamente seu progresso meritório, fatores qualificantes para assumir níveis profissionais pelo trabalho realizado, e não por cursinhos de 4 dias, ouvindo inócuas palestras sentados em bancadas…

Quanto ao material acima explicitado, estou dando partida em sua recuperação, que será longa e trabalhosa, mas creio exitosa mais adiante, pois representa toda uma gama de experiências que precisam ser revividas e reativadas, para que não vicejem amiúde, falsos e oportunistas “profetas” do que sempre existiu, quando, é claro, jamais se darão ao trabalho de irem às origens de suas “proféticas certezas”, todas elas cognominadas de chifres, punhos, hangs, picks, camisas, quatro abertos, e muitos, muitos chutes de três, tudo emoldurado por midiáticas pranchetas, sem as quais ficariam pendurados na broxa, sem ter como se expressar em português, e inglês também…

Sou de um tempo, não tão distante assim, quando íamos para a quadra treinar a não mais poder os fundamentos individuais e coletivos, horas de meia quadra, horas ensinando e ajustando arremessos, corrigindo grandes e pequenos detalhes, até os ínfimos, aqueles que vencem jogos, teimosamente, repetindo, modificando, delimitando, abrindo, discutindo posicionamentos e novas idéias, dando preferência aos movimentos defensivos, inclusive incentivando-os a combaterem o próprio e proprietário sistema ofensivo adotado pela equipe, exigindo que o anulassem, pois seria essa a missão dos adversários, obrigando a todos a encontrar caminhos diferentes dentro do sistema, sem o abandonar, exigindo atenção ao rítmo e andamento das jogadas, dos posicionamentos e coberturas defensivas, onde a prancheta maior estava sob seus pés, a grande e sagrada quadra de jogo, onde as verdades verdadeiras são encontradas ou esquecidas, pois movimento nenhum, por mais automátizado que pareça nunca se repete, indicando a mais verossímil das verdades no formidável e extenso terreno dos sistemas de jogo – o bom sistema não é aquele que sistematicamente dá certo (sintoma de ineficácia defensiva do oponente), e sim aquele que desencadeia no adversário comportamentos defensivos que, quanto mais previsíveis forem, melhores serão seus resultados – Logo, sendo o treino o verdadeiro objetivo funcional de um técnico, de um professor, pouco será necessário ser acrescentado durante o jogo para valer, a não ser pontuais ajustes, de cunho mais comportamental que técnico, fator este que dispensa penduricalhos midiáticos, como pranchetas e canetas hidrográficas. O técnico tem seu momento primordial no treino, o jogador no jogo, onde se realizará com inteligência, liberdade e responsabilidade, e não ser encordoado como marionete, sendo manobrado de fora para dentro da quadra por um …estrategista, que desconfio seriamente aceite abandonar seus momentos de maior afirmação nas coreografias na lateral da quadra, estudada coerção na arbitragem, palavrões e gritaria nos pedidos de tempo, e o climax mais emblemático, sua atuação performática consagradora, a demonstração de conhecimentos e domínio das mais complexas situações do jogo, grafadas em sua prancheta mágica, para deleite de uma mídia ufanista e festeira, para a gloria do basquetebol nacional. Pena que nada daquela encenação dá minimamente certo, mas que impressiona, impressiona… 

Amém.

Foto- Divulgação CBB.

UM POUCO(OU MUITO) MAIS DO BASQUETE BRASILEIRO…

Nas muitas décadas que adotei o basquetebol como um dos motores propulsores da minha vida profissional (sem dúvida o mais amado), em paralelo com a carreira acadêmica, onde as disciplinas que lecionava tinham tudo a ver com o desporto, naquele seu ponto mais fulcral, que era o ensinar a ensinar, onde as conceituações pedagógicas se inserem nas didáticas específicas, nas práticas de ensino, e mais adiante nas tecnologias educacionais, conquistas advindas desde a introdução da computação na realidade do mundo moderno, quando adotei um princípio que me foi passado pelo inesquecível professor Armando Peregrino na UFRJ – “Paulo, tudo que você aprender e adquirir de conhecimento teórico e prático, transmita a seus alunos, absolutamente tudo, pois estará dando o passo decisivo em sua evolução, abrindo caminho para novos conceitos, novos e instigantes rumos, pois só os medíocres guardam e se blindam em torno do pouco que sabem”, ou pensam saber…

Foi o que fiz e pratiquei por toda uma vida dedicada a ensinar a ensinar, num investimento sem garantia de volta, nem reconhecimento, aquele imediatismo tão valorizado nestes tempos corridos e pouco pensados, mas sabedor que, bem lá na frente, possivelmente frutos brotariam, mesmo não sendo testemunha presente e agraciada…

Por que tal preâmbulo Paulo, o que afinal você está querendo dizer? Simples, bem simples, estou lembrando que, apesar do passar do tempo, jamais esqueço de quem e como aprendi o pouco dos saberes que enriqueceram minha vida, aqueles mesmos saberes que passei aos meus alunos, jogadores, colegas,amigos e filhos, aqueles saberes que hoje ainda teimo em adquirir, transmitir, e tornar a adquirir…

O Basquete Brasil é a prova mais recente desse posicionamento professoral, no qual jovens e veteranos professores e técnicos encontram pontos a serem permanentemente discutidos, estudados, e por que não, pesquisados também, pois dizem respeito a fatos teóricos e praticamente aplicados, no ontem, no hoje, e certamente no amanhã, pois evoluir com a experiência vivida do passado, sua confirmação prática no presente, e sua projeção estudada, aplicada, adaptada ou modificada no futuro, certifica sua fundamental qualidade…

Desde sempre propugnei pela “intensidade defensiva”, como um dos fundamentos básicos do grande jogo, onde as técnicas individuais de defesa se equiparam às de ataque,  em sua complexidade e especificidade, quando ações físicas e mentais se combinam na execução de movimentos de fina sintonia, somente adquiridos através um longo, penoso, sacrificado e muito bem orientado treinamento, onde o “fazer falta tática” se torna sinônimo de incompetência de quem a pratica, e maior ainda de quem a ordena acontecer, abrindo mão do ato de ensinar técnicas específicas para que não ocorra, pois infelizmente, o que mais vem acontecendo  nos jogos seniores, e na formação de base, é a orientação “estratégica” da “falta tática”, como ação corriqueira e natural do jogo, num erro monumental e de sérias consequências, pois destrói de saída toda a condição de formalizar uma defesa unida, coletiva e realmente combativa, alicerçada na técnica de cada um de seus componentes, e não violentada pela somatória das faltas que devem ser utilizadas para parar a ofensiva oponente, recurso que evolui a cada temporada da liga maior, incapaz de desenvolver defesas individuais realmente eficientes, como essa que publiquei anos atrás, e que pretensamente beneficia elencos mais robustos de valores, inflacionando-os, aumentando o estoque de faltas a disposição da desvirtuada função defensiva, ora em voga no  arsenal tático dos estrategistas de ocasião…

Assim como nos sistemas defensivos, tais falhas de formação e informação estão presentes também nas ofensivas, quando são reivindicadas as ações sequenciadas, as que geram “fluidez dos sistemas” e suas jogadas, onde todos os jogadores se encontram em permanente movimentação, bem ao contrário do que vemos comumente acontecer, onde um ou dois jogadores interagem, frente aos demais estáticos, situados em posições fora do perímetro, aguardando um passe para efetuar os tenebrosos arremessos de três, erro colossal, por não se tratarem a maioria deles, especialistas naquele tipo de arremesso, aliviando a carga defensiva de se movimentar continuamente, fator que abriria espaços internos importantes, gerando a anulação de qualquer tentativa de fluidez ofensiva da equipe como um todo, emulando compartimentos estanques, e não comunicantes, como deveria ser feito…

Em decorrência, falar ou tentar estabelecer o que venha a ser “ataque controlado”, se perde no óbvio, pela ausência consciente de movimentações que levam a fluidez, pois quase sempre esse arremedo tático nasce e morre nas mãos de armadores pouco competentes na arte do drible ambidestro, das técnicas do DPJ, e do arremesso longo confiável sob contestação, além de se encontrarem amarrados à pobreza franciscana do sistema único, levando-os a individualização exacerbada e descerebrada, que nem a “rotatividade incessante de jogadores” oferece um paliativo minimamente aceitável, frente a enxurrada progressiva de erros nos fundamentos mais básicos do jogo, como demonstram as estatísticas deste playoff, com a média de 27,7 erros por jogo, sendo que em um deles, Franca e Paulistano, vencido pelo segundo por 69 x 66, perpetraram o absurdo número de 40 erros (19/21), constrangedores e inconcebíveis em uma divisão de elite (?)…

Mas não faltam fartas e fortes emoções para o público torcedor presente ou ligado na mídia televisiva e na web, mote agarrado com unhas e dentes por esguelhados e ufanistas narradores, complementados por comentaristas que em sua maioria se omitem de sua verdadeira função, a de relatar e explicar o que realmente acontece, técnica e taticamente, e não o que fantasiam no intuito de “valorizar” um pífio espetáculo de erros e brutais equívocos, em nome de uma inexistente “técnica superior” no campo de jogo, e bem pior fora dele, onde encenações, coerções, palavrões e jogo midiático, abundam triste e impunemente, e que encontram neles a simplória explicação de que se tratam de situações “normais” de jogo, logo desculpáveis e aceitas…

É um quadro desestimulante Paulo?  Sim, infelizmente esse é o padrão vigente, fruto de décadas de subserviência a sistemas de jogo que não nos dizem respeito, mas adotados pela extrema facilidade da cópia deslavada de um outro jogo praticado e sustentado por uma realidade técnico econômica diametralmente oposta a nossa, em todos os aspectos que se possa analisar, e que, infelizmente, se tornou comportamento corriqueiro pela maior parte daqueles que deveriam ensinar o grande jogo, de acordo com as nossas particularidades econômicas, materiais e sociais, estudando e aplicando técnicas didático pedagógicas específicas a nossa realidade de país carente nesses campos, tornando necessário o estudo sério e objetivo para enfrentar tais e importantes limitações, sem, no entanto, perder a busca pelo preparo de qualidade mais correto possível, cujos objetivos serão difíceis, porém não impossíveis de serem alcançados. Para tanto, urge o estudo e o preparo de estratégias factíveis a nossa realidade, a fim de prepararmos melhores professores e técnicos, dando um basta a “geração espontânea” de estrategistas sobraçando pranchetas tão  midiáticas, como suas estéreis e vazias mensagens do nada, do absolutamente nada…

Amém.

Vídeo – Reprodução da Tv de um pequeno exemplo de impropriedade diretiva.

ESSE É O BASQUETE BRASILEIRO MINHA GENTE!!…

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“Fantástico, espetacular, esse é o basquete brasileiro minha gente!!!” bradava o narrador a poucas horas atrás, num jogo entre Mogi e Vitória, onde seis jogadores americanos, três de cada lado, botavam a bola embaixo do braço, desligados dos estrategistas e suas pranchetas indecifráveis, vazias e ridículas, numa orgia desenfreada de bolas de três e algumas penetrações eficientes, garantidas pelos bons fundamentos que possuem, assessorados de longe pelos quatro brasileiros que lá estavam compondo os quintetos, como mandam as regras, auferindo muito pouco da insânia peladeira estabelecida pelos gringos, esfregando na cara de muitos uma verdade irrefutável, a de que pouco importa falar inglês, macarrônico ou não com eles, pois quando resolvem se apossar do jogo, o fazem na maior, sem meias medidas, vão lá, decidem o que e como fazer, e estamos conversados, para gáudio do estrategista vencedor posando de tático magistral, e o muxoxo do outro, carpindo ter perdido um deles para as cinco faltas, no momento crucial que estabeleceram para fechar o duelo na frente do marcador…

Foi um 3 x 3 no melhor estilo da nova modalidade de basquetebol, que até a FIBA reconhece e patrocina, e que aos poucos vai se chegando a outras equipes do NBB, preenchendo o ideário lapidar da turma estrategista em sua maioria, cujo sonho acalentado é se reconhecer “capaz e preparada” para o salto maior, a de liderar americanos, submetendo-os aos seus fantásticos conhecimentos técnicos e táticos, falando ou não seu idioma (quem sabe com um intérprete ao lado…), porém esquecendo um simplório detalhe, o de que eles não ligam a mínima, no máximo disfarçando interesse e atenção, claro, não arriscando seu dolarizado salário…

Basta ver e ouvir as instruções, e com enorme esforço tentar decifrar os garranchos tabulares, para de pronto, observando feições, caras e bocas dos caras, para definir com grande precisão os comportamentos que se sucederão dali para diante na quadra de jogo, ações e atitudes diametralmente opostas ao que viram e ouviram, se é que entenderam alguma coisa, para partirem para o que sabem e adoram fazer, jogar o jogo da maneira deles, descompromissados com sistemas que não lhe dizem respeito, pois tolhem sua criatividade e ousadia, algumas vezes até irresponsáveis, em ações e atitudes equivocadas, vencendo ou perdendo partidas, ao seu jeito, e não em função de pretensiosas pranchetadas de ocasião…

Confrontando toda essa brincadeira com coisa séria, alguns bons jogadores nacionais ainda tentam atuar da melhor forma que compreendem e sabem do grande jogo, mal treinados e pouco ou nada ensinados nos pormenorizados meandros dos fundamentos, porém corajosos e sequiosos de aprendizagem para valer, e não tomando carona nas mesmas pranchetas esnobadas pelos irmãos do norte, que nem mesmo seu idioma natal é capaz de traduzir o que são obrigados a testemunhar, ali, dois passos à frente das mesmas, mas a quilômetros de distância de sua mais razoável compreensão…

A continuar toda essa encenação de saltimbancos de arrabalde, muito em breve teremos narradores e comentaristas aos berros, enfeitiçados pela emoção gritarem – “This is the true basketball NBA in our country, fantástico, espetacular minha gente, great!!!”

Será que é o que queremos e merecemos, será? Já temos as fraquinhas e descoordenadas dançarinas, mascotes que nada agregam, cantores que desafinam, narradores ufanistas e comentaristas pouco ligados ao jogo, mais preocupados com o aspecto comercial e festivo junto a telespectadores mais festivos ainda, americanos que fazem o que bem entendem, juízes e estrategistas microfonados, mas não temos o mais importante, o jogo nas escolas e clubes do país, bons e bem formados professores e técnicos ensinando correta e seriamente nossos jovens, dirigentes que queiram realmente administrar com competência a modalidade,  e o mais importante, a vontade e disposição política de agregar o pouco que ainda dispomos, e não dividir por força de animosidades e divergências pessoais ou não, iniciativas razoavelmente implementadas neste inóspito deserto de idéias que tem se mantido no âmago do nosso infeliz basquetebol por mais de trinta anos. Unir forças, discutir planos e projetos, convergir e divergir democrática e civilizadamente o que de bom subsiste entre nós, creio ser o caminho menos pedregoso que, afinal, teremos de trilhar para o soerguimento do grande jogo.

Em tempo, um fator técnico que não pode ser esquecido, mais um, o de que “nunca na história (ainda bem que do basquetebol…) desse país”, convergimos tanto nos arremessos de 2 e 3 pontos e em erros de fundamentos, como nos jogos desse playoff, provando mais uma vez que, infelizmente, o fundo do poço ainda está bem distante para ser atingido, e sempre na companhia das infames pranchetas em seu eterno e inamovível plantão. Haja paciência, deuses meus…

Amém.

Foto – Divulgação LNB. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 

O IMPASSE TÉCNICO, TEM SOLUÇÃO?…

Tenho publicado insistentemente artigos sobre a extrema pobreza técnico tática que impera altaneira e irremovível em todas as equipes da elite nacional, espelhando e modelando as divisões de base, e desaguando nas seleções nacionais que nos têm representado por três décadas sem nenhuma perspectiva racional que projete qualquer alteração, por menor que seja, num cenário de mesmice endêmica, onde as minguadas tentativas de mudança, pouco ou nada puderam fazer para conter essa avalanche de mediocridade e absoluta tendência a uma autofagia terminal que aí está, escancarada e cruel para com o grande jogo, onde nem as coberturas midiáticas festivas conseguem mascarar espetáculos com média de 27 erros de fundamentos, e onde 2/3  dos jogos se enquadram numa alucinante convergência entre os arremessos de 2 e 3 pontos, com estes se impondo gradativa e irresponsavelmente cada vez mais, desnudando a mais absoluta aversão defensiva no perímetro externo, num confesso desconhecimento técnico de princípios defensivos individuais e coletivos, por parte de téc…digo, estrategistas, e jogadores que não são ensinados e preparados na primária e básica ação do jogo centenário, defender sua cesta, para depois atacar, e não aplicarem diligente e sistematicamente a cultura da “falta tática”, aval de sua incompetência defensiva…

Sim, a grande maioria desconhece os mais rudimentares princípios defensivos, e isso fica bem claro durante as apresentações festivas, coloridas e absurdas nos rabiscos desconexos apostos em pranchetas midiáticas, nas quais somente garranchos ilustrando ofensivas são designados, num delírio de via única, onde fatores e ações defensivas dos adversários são solenemente descartadas, como se na quadra existisse somente cinco atacantes, que deverão se deslocar para frente, para trás, para os lados, em curva, em retas, em ziguezagues, bloqueando, cortando, mudando de direção, sem que nada e ninguém os impeçam, senhores absolutos que emergem de uma mente embevecida pelo vasto cabedal de conhecimentos que imagina possuir, ali demonstrados e elaborados por estrategistas que sequer opõem um pontinho, um x, um zerinho que seja, ilustrando defensores, que na opinião de todos eles, seriam impotentes para  conter tanta genialidade tática ali desenhada, sabedores de antemão que nada daquela encenação dará certo, pois ações de jogo são irrepetíveis, fugidias, pelo motivo mais primário inerente aos jogos coletivos de contato, a de que movimentos agônicos e antagônicos se contrapõem inversamente, fluindo em direções somente reveladas no momento da ação, daí sua imprevisibilidade, conotando a beleza das ações advindas, tanto das iniciativas ofensivas, como também das defensivas, se antecipativas ao ataque efetuado. Logo, e por definição, ações ofensivas somente serão estabelecidas com razoável precisão se, ao contrário de serem planejadas para utopicamente darem certo, como sonham os estrategistas, devessem ser desenvolvidas para desencadear no adversário comportamentos defensivos que, quanto mais previsíveis forem, maiores serão os benefícios advindos da escolha ofensiva, e isso em hipótese nenhuma emanará de uma prancheta ensandecida, e sim do treino, duro, extensivo, detalhado, esmiuçado e acima de tudo, discutido, aceito e compreendido, tanto por quem ensina,orienta e dirige, como pelos que aprendem, treinam e executam o que consideram ser o correto a realizar, com precisão, dedicação, e total entrega…

No entanto, conceituou-se que a prancheta define a estratégia do jogo, claramente aplicada em jogadas inventadas nos momentos críticos, e não “exaustivamente” treinadas, como afiançam comentaristas, onde o detalhe (os célebres detalhes…) definirão vencedores e perdedores, quando a sapiência do estrategista de plantão se fará presente, brilhante e salvadora, que na realidade dos fatos, somente serve como vitrine de pseudos e parcos conhecimentos, e eficiente biombo separando sutilmente comandante de comandados, ambos cônscios de que nada daquilo funcionará, mas que apregoa e exibe ao mundo midiático e ignorante das realidades do grande jogo, os mais recônditos detalhes  ali inseridos com a arte de um Dali, como passaporte de uma omitida grandeza, na mais crua realidade, que somente se manifesta integralmente no treino, e somente lá, árduo terreno que não perdoa os medíocres, os incompetentes, os arrivistas e aventureiros, mas que premia os professores e técnicos de verdade, que conhecem, estudam, pesquisam para ensinar o que aprenderam, orientar o que experimentaram e dirigir os que, como ele, penaram a dureza do treino, e não o vislumbre colorido do nada, absolutamente nada, exposto nas reluzentes testemunhas do vazio, do absoluto e triste vazio, de uma infame e descerebrada prancheta…

Uma dura realidade se materializou nestes terríveis anos de obscurantismo técnico e tático, a de que hoje praticamos um basquetebol padronizado, formatado, individualizado e engessado por um sistema único de aprender, treinar e jogar campeonatos municipais, estaduais, nacionais e internacionais, desde a formação até a elite, totalmente copiado (e muito mal…) das equipes profissionais americanas, que mesmo apresentando hoje algumas poucas divergências, consumou e cristalizou uma forma de jogar, onde os embates 1 x 1 são priorizados, contando com regras que os potencializam à margem das utilizadas universalmente pela FIBA (e aqui ressalto uma tremenda incoerência da mesma, que se sente competente em intervir na CBB, suspendendo-a das competições por problemas econômicos, administrativos e dívidas com ela, mas jamais teve força e coragem, mesmo sendo absoluta no mundo do basquetebol, de intervir nos Estados Unidos que se mantêm ao largo de todas as diretrizes competitivas e de regras em seu território, permitindo, no entanto, que participem de mundiais e olimpíadas, quando concordam como exceção, jogar com as regras que regem o basquete internacional), numa atitude de subserviência lamentável e altamente comprometedora…

Este é o tremendo impasse com que nos deparamos no caminho do soerguimento do grande jogo entre nós, o equívoco brutal que defronta o que fomos, o que fazíamos, e como atuávamos, chegando no século passado a ser considerado o quarto país mais desenvolvido na modalidade, somente atrás dos Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia, com a atual situação de penúria no preparo técnico e tático de suas equipes e divisões competitivas, pelo fato suicida de tentarmos emular um modo de jogar para o qual não temos estrutura formativa e econômica para mantê-lo minimamente competitivo para os padrões internacionais…

Como ultrapassar tantos obstáculos, que numa época não tão distante assim, vencíamos pela força de uma formação de base altamente competente, gerando jogadores de alta qualidade, que enriqueciam tecnicamente os campeonatos de todas as categorias, e que por força de uma geração equivocada de dirigentes, técnicos e analistas, deslumbrados por uma forma de jogar baseada no espetáculo e na força descomunal de seu poder econômico,  levou-nos pelos caminhos da imitação e divulgação de valores incompatíveis com nossa realidade antítese da deles, corrompendo nossos valores e liquidando nosso posicionamento, arduamente conquistado, no cenário altamente competitivo internacional. Como reverter tal situação, como? Somente vislumbro uma tênue brecha de luz nessa realidade, voltar nossas vistas e parcos recursos para a base formativa, com todas as armas que ainda possuímos, nas figuras de nossos melhores professores e técnicos, que ainda batalham heroicamente por este país à fora, convocando-os para a elaboração de princípios e estruturas didático pedagógicas que nos liberte de tanta mediocridade institucionalizada, de uma mesmice endêmica sufocante, e que liderem as divisões de base e seleções nacionais, apontando para os verdadeiros valores da liderança consciente e competente, fundamentada na larga experiência adquirida ao trilharem o longo e penoso caminho das pedras, onde o mérito supera largamente todo o processo absurdo do QI, do protecionismo, do escambo politiqueiro, e acima de tudo, do engodo midiático, como o que ilustro neste artigo, que de forma alguma pode definir o grande jogo, principalmente o que jogávamos, nos brindando com três campeonatos mundiais, um vice e três terceiras colocações olímpicas, quando pranchetas eram somente utilizadas para relacionar presença de jogadores nos treinos, e nada mais…

Sei que poderemos nos reencontrar com nosso destino vencedor, bastando nos abstermos de incorrer nos erros a que nos impuseram de trinta anos para cá, dispensando aqueles que tiveram todas as oportunidades e as traíram, reconvocando aqueles afastados pela intolerância corporativista e verdadeiramente retrógrada, daqueles que abominam e temem o novo, o ousado, e tudo mais que os obriguem a sair da zona de conforto injustamente contemplados…

Amém.

Vídeo – Reprodução da TV.

ARTIGO 1400 – “BASQUETE BRASIL”…

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Em setembro vindouro esse humilde blog completará 14 anos de ininterrupta presença no cenário um tanto desgastado do grande jogo, e entre todos aqueles que amam incondicionalmente essa incomparável modalidade, rainha de todos os desportos coletivos neste mundo, com seus deuses divididos entre suas preferências esportivas terrenas, ou não…

No início quis denominá-lo “BASQUETEBOL BRASIL”, mas me conscientizei de que não deveria ousar me apossar do teor administrativo e gerencial de uma modalidade organizada e referendada por entidades estaduais e a nacional, a quem cabe organizá-la e difundi-la pelo território deste imenso país, e sim optar por uma terminologia popular como é também conhecida, basquete, que dissociado do sufixo bol, em nada e por nada confrontaria a denominação oficial da modalidade, basquetebol…

Nasceu então o “BASQUETE BRASIL”, o blog da modalidade mais antigo e de continuidade ininterrupta no país, onde conquistou o respeito de muitos  dos adeptos e entusiastas do grande jogo, ´principalmente os jovens técnicos e professores, e que a partir de sua denominação,  jamais feriu o bom senso e o livre pensar por parte de seu autor/editor, e de todos aqueles que privaram e privam do espaço livre e democrático aqui existente desde sempre, respeitando desde seu início o aspecto etimológico de sua denominação, inclusive o perene e inalienável direito de jamais admitir comentários e inserções apócrifas, no mais absoluto respeito ao contraditório, desde que responsavelmente assumido e assinado, pois o Basquete Brasil não é e jamais será solo para anônimos…

Com o tempo, descobri através a incisiva penetração do blog no amplo mundo das discussões e debates aqui travados, que a denominação do mesmo se tornara uma marca de forte apelo, mesmo que não denominasse a modalidade em sua essência etimológica, e a fim de evitar emulações e distorções futuras tentei registrá-la no INPI, no que fui mal sucedido, com a explicação de seus analistas de que não se tratava de uma marca merecedora de patente, corroborando minha decisão de utilizá-la da maneira mais aberta e acessível possível, como sempre planejei, e assim foi feito e continuado, dando forma a uma tradição no mundo blogueiro da modalidade de basquetebol, numa coerência atestada nos 1400 artigos até aqui publicados, onde nos mesmos jamais grafei a terminologia basquete, e sim basquetebol…

Recentemente um dos candidatos a presidência da CBB apôs contíguo a seu nome a denominação Basquete Brasil (Amarildo Rosas Basquete Brasil), talvez querendo sugerir o apoio deste blog autoral à sua candidatura, no que fui incisivo, negando-o veementemente, e agora, numa entrevista ao blog Bala na Cesta do jornalista Fabio Balassiano, o eleito candidato Guy Peixoto, assim se manifestou em um dos parágrafos da mesma:  

– (…) “Esta nova logomarca remete ao período das nossas maiores gerações e enaltece as principais conquistas do basquete brasileiro, os dois mundiais masculinos e um feminino, simbolizadas pelas três estrelas. Além disso, traz o nome ‘Basquete Brasil’, que adotaremos a partir de agora, por sermos o órgão representativo da modalidade no País”, explicou.(…)

Perfeito em sua parte inicial, quando privilegia nossas conquistas e sua grande tradição junto ao povo brasileiro, mas pecando na definição etimológica da modalidade, cuja denominação correta, basquetebol, é substituída pela terminologia basquete, que não a define como modalidade, haja vista todas as denominações internacionais, como pallacanestro, baloncesto, basketball, basquetebol, que a definem através suas denominações confederativas e de ligas por todo o mundo, nas quais o termo basquete sequer é mencionado para fins representativos, fator que também foi determinante na escolha do nome deste blog, por não ferir de forma alguma a identidade oficial da modalidade, basquetebol…

 

– (…) Vale dizer também que em uma primeira análise o ”Basquete Brasil” também é um recado bem claro e que Guy Peixoto faz questão de colocar no centro da discussão. Acuada por uma série de problemas recentes, a CBB perdeu espaço no cenário nacional e passou a representar o que há de pior em termos de gestão graças a anos sombrios de Grego e Carlos Nunes, os dois últimos (terríveis) presidentes. O novo mote tenta resgatar o fato de que, na concepção da Confederação Brasileira, é ela que no final das contas dita as regras sobre a modalidade no país.(…), relata o autor da entrevista.

Se o novo presidente realmente quis dar um recado direto a pretensa divisão de comando na modalidade basquetebol no país, não pode desconhecer o fato de que a própria LNB, grafa em sua denominação o termo basquete, e não basquetebol (Liga Nacional de Basquete), numa atitude complementar muito próxima a minha,  na escolha anterior da denominação do blog, afastando corretamente a ideia de se colocar como o “órgão representativo da modalidade no País” na divisão de elite, lembrada pelo presidente da CBB em seu comentário, e sim uma liga de clubes etimologicamente bem situada em sua inteligente apresentação, que proposital ou não, marcou bem sua posição complementar, e não hegemônica…

Longe de mim lastimar ou não concordar com a menção do “BASQUETE BRASIL” no novo logotipo da CBB, de muito bom gosto aliás, e sim vê-lo preenchido por uma citação etimologicamente equivocada, pois sendo considerada o órgão máximo da modalidade no país, deveria grafá-lo em sua denominação plena, “BASQUETEBOL BRASIL”, sendo ou não uma marca menos impactante, midiática como a que lá está, porém correta e definidora da modalidade que representa oficialmente, a do BASQUETEBOL…

Se for mantida a versão atual, tudo bem, pois assim como afirmou o atual presidente adotá-la “por sermos o órgão representativo da modalidade no País”, continuarei também a mantê-la na designação do blog, não pelo motivo lembrado pelo presidente, e sim em respeito pela primazia autoral coerente à modalidade nos 14 anos de permanente publicação, e que hoje ao atingir seus 1400 artigos, deveria ter abordado um tema especial que havia preparado, porém substituído por este oportuno esclarecimento, se lança rumo aos 1500, quiçá 2000 artigos, na continuidade deste humilde, porém combativo e sempre presente BASQUETE BRASIL, até quando minha mente, meu corpo e os deuses o permitirem…

Amém.

NÃO CAIU? BATE PRA DENTRO, PÔ…

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P1000629-001Ambiente agitado no mundinho do basquete nacional, principalmente no âmbito do corporativismo técnico, onde as estrelas das pranchetas vão sutil, ou na malandragem, se insinuando para cima da conquista suprema, aquela que, inclusive, pode gerar um salário de Magnano, que ao ser multiplicado por seis anos determinou a independência econômica do hermano, a ex gloriosa seleção brasileira, meta dos apaniguados, protegidos e amiguinhos de três das maiores aberrações administrativas que levou o grande jogo a situação falimentar em que se encontra, e o pior, muito mais pelo fator técnico, do que econômico e gerencial, pois equipes representativas foram padronizadas e formatadas desde a base formativa, num sistema perverso, lacrado e fechado a inovações, a fim de garantir o escasso mercado profissional(?), avidamente defendido pela turma osmótica e xipófaga em torno de uma única e padronizada forma de jogar, garantidora da mesmice endêmica, técnica, tática, e por que não, estratégica também, que nos tem esmagado e humilhado por toda a duração das administrações nesses últimos vinte e cinco anos de incúria e pusilanimidade institucionalizada, onde as raríssimas exceções pouco puderam fazer, ante a massiva maioria de falsos e pseudos estrategistas que continuam a imperar absolutos, assim como jogadores em sua esmagadora maioria também, todos marqueteados, endeusados e largamente promovidos por dirigentes, empresários, agentes e uma mídia, em grande parte desprovida dos mais primários conhecimentos do que venha a ser o grande jogo, totalmente voltada a um outro, que nem as regras da FIBA segue, no qual a mola propulsora é a grana, muita grana, a que nos falta oficial e privadamente, logo, implausível para nosso desenvolvimento neste modelo, pela mais absoluta ausência de uma sólida e competente política sócio educativa nacional, onde a educação através as atividades desportivas fossem levadas a sério dentro das escolas e dos clubes neste imenso e injusto país,  com sua negligenciada juventude, futuro de qualquer nação que se considera séria e responsável…

Mas Paulo, você não está exagerando um pouco? Como exagerando, cara, ontem mesmo assisti um “clássico e empolgante” Bauru e Mogi, quando foram arremessadas 12/64 bolinhas de três (foram 43/70 de dois…), aplaudidas desde os bancos, que quando atestam que “punhos, chifres, camisas, picks fajutos e bloqueios primários” falham sistematicamente pela pobreza nos fundamentos da maioria dos jogadores patrícios, incapacitando-os de realizá-los, originando a hemorragia dos três, na óbvia escapatória de quem não os dominam, vide os 34 erros de ações básicas do jogo cometidas, fator este menos presente na enxurrada de americanos nas equipes deste NBB, dando aos estrategistas, após rabiscos desconexos e constrangedores em suas midiáticas pranchetas, a saída gloriosa para as terríveis falhas – Não caiu? Bate pra dentro pô….

É duro você assistir jogos no NBB onde cinco, seis dos jogadores em quadra são americanos, e um ou outro latino, vendo os brasileiros servindo de garçons, de escadas para eles, passando ou recobrando rebotes para recomeçarem tudo de novo, batendo para dentro, espelhados por um Westbrook, que lá em cima, na matriz, corre para quebrar recordes de triplo-duplos, mesmo que sua equipe saia derrotada, como ontem, ao fazer mais um, e ser bloqueado na bola decisiva, permitindo que seu adversário, os Spurs, vencessem uma partida praticamente perdida. A moda a ser seguida então, é quebrar recordes pessoais, como se o grande jogo fosse um desporto individual, o que não é por essência, histórica e técnica, guardada por um punhado de técnicos de verdade, nas escolas primárias e secundárias, universidades e pouquíssimas franquias da grande e poderosa liga, como no mesmo Spurs, com seu quase septuagenário técnico, agora nomeado para a seleção nacional de seu país, e junto ao qual a mídia pena horrores para tentar extrair dele “comentários” a questionamentos óbvios e imbecis, contrastando aqueles que priorizam mais a imagem, do que seu mister básico de ensinar e orientar, e não fazer média com ninguém, ninguém mesmo…

Mas por aqui, em gloriosas terras tupiniquins, preza-se contumazmente a “ nova geração”, que quanto mais teatral for melhor para ser endeusada, promovida e bajulada, não importando quantos palavrões e agressividade expelem pelos microfones televisivos, quanto de coerção exerçam contra as arbitragens, quanto de teatralização desenvolvam ao lado das quadras, afinal, segundo os doutos analistas, agir dessa forma faz parte de suas personalidades, como se fosse normal e corriqueiro tratar jogadores, alunos que são e sempre serão, com tanto despreparo didático e pedagógico, que pensam compensar rabiscando freneticamente suas infelizes pranchetas ( quando aprenderão, meus deuses, que a percepção visual é o mais lento dos sentidos humanos, quando?…), que as utilizam como testemunho e vitrine de seus “monumentais” conhecimentos táticos, que segundo a mídia, são “exaustivamente treinados” entre uma pelada e outra para adquirir “ritmo de jogo”, o que duvido fervorosamente, pois se assim fosse, prancheta nenhuma os substituiriam, pois sua maior serventia é servir de biombo entre eles, estrategistas e jogadores, numa divisão não compreendida e aceita, e que aos poucos, porém inexoravelmente, vem sendo violada cada vez mais por alguns jogadores mais esclarecidos, ou potencialmente interessados em ocupar espaços técnicos ao término de suas carreiras, quem sabe, ocupando o espaço do atual interlocutor, sendo que já tivemos por aqui, exemplos bem práticos dessa anomalia…

Em breve saberemos através a nova administração o quem é quem nas seleções nacionais, da base a elite, e que os deuses a inspire no sentido de quebrar de uma vez por todas essa maldita mesmice endêmica (que vai lutar com tudo para se manter…) e que só nos jogou poço abaixo, o tal que ainda não encontrou seu fundo, mas que somente poderá ser transposto por algo realmente inovador, audacioso, que negue o que aí está com veemência e todas as forças do poder criativo, algo que é tão natural ao  nosso sofrido povo, porém convenientemente esquecido, e que rechace de uma vez por todas a teimosia suicida de querer emular o que vem, e de como vem lá de cima, fator que somente aprendendo, ou reaprendendo a administrar nossos parcos limites materiais, porém repleto de conhecimento e sofisticada técnica, que nos fez campeões mundiais e medalhistas olímpicos, abrindo campo estratégico a novas concepções de jogo, algo que nos dê condições de enfrentar o sistema único implantado em quase todo mundo do grande jogo, e que mesmo na meca já se avolumam mudanças de vulto, principalmente em suas seleções (que jogam sob as regras da FIBA), através visionários como o coach K e agora o Gregg Popovich dos Spurs, a fim de dar continuidade ao seu poder hegemônico, principalmente sob o novo governo que ora se inicia…

Que nossos noviços candidatos se conscientizem de que conhecer e pensar dominar um punhado de jogadas chifres, punhos, polegar, hangs, picks, especiais, etc, gesticular agressivamente, proferir coercitivos palavrões, empunhar soberbamente pranchetas guardadas e dispostas por serviçais assistentes, transmitir instruções em inteligível inglês a americanos que não estão nem aí para o que dizem, afinal são “americanos”, para no fim das contas determinar o famigerado “bate pra dentro”, é muito pouco, muito pouco mesmo, para postular cargos fundamentais, ainda mais quando sequer dominam as defesas adiantadas na linha da bola lateralizada, condição mínima para enfrentar o jogo externo dos três, assim como jogadores anunciarem que não mais servirão as seleções, bem antes de qualquer movimentação convocatória, acostumados que sempre estiveram como proprietários de capitanias hereditárias históricas e de triste memória. Finalmente, que os deuses também nos livrem de estrangeiros nos dirigindo, pois ainda temos aqui entre nós pessoas competentes, estudiosas e prontas para ensinar, ensinar de verdade, orientar e dirigir nossos jogadores (as|) nos grandes campeonatos, e não os tutelarem como marionetes descerebrados, situando-se bem à margem da mesmice que aí está, alguns septuagenários, outros na meia idade, produtivos, atuantes e capazes de voos mais altos e consistentes do que querer demonstrar sapiência e conhecimento através suspeitos e constrangedores hieróglifos, mais parecendo um polígrafo repetidor de interjeições, interrogações e perplexidade perante um vazio brutal que se estende no exíguo espaço entre comandantes(?) e comandados. Não à toa, de uns tempos para cá a maioria deles se levanta bem antes do penúltimo rabisco ser aposto na prancheta medieval, que a essa altura muito explica e desnuda uma situação que precisa, com a máxima urgência ser definitivamente defenestrada para o bem do grande jogo entre nós.

Se assim for, podemos ansiar ter chances nos próximos dois ciclos olímpicos, pois em caso contrário, ao ser mantido o status quo vigente, nem todos os deuses reunidos poderão nos ajudar, quiçá salvar, mesmo sob a égide das melhores intenções gestoras e diretivas, para a gloria do corporativismo vicioso que aí está, escancarado, alerta e profundamente ligado…

Amém.

Fotos – Divulgação CBB e reprodução da TV. Clique nas mesmas duplamente para ampliá-las.

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