DIAS MELHORES…

Eis-me de volta a dois dias do fechamento desse tenebroso 2020, que se os deuses ajudarem, será substituído por um 2021 pleno de esperanças e recuperação da saúde física, mental e econômica de um povo sofrido e maltratado por um governo ignóbil e criminoso, porém democraticamente eleito pelo mesmo, que espero tenha aprendido a diferenciar o joio do trigo de uma vez por todas…

Tenho tentado acompanhar o NBB, mas o sacrifício é enorme pelo descalabro em que tornaram o grande jogo praticamente irreconhecível, pois dói, e muito, assistir um descerebrado corre corre, com arremessos insanos de fora, trombadas por dentro e uma média de erros de fundamentos de 28 por partida, complementados pela mais comezinha ausência defensiva, hoje trocada por “faltas estratégicas e inteligentes”, emoldurando um quadro aterrador, onde três, e até quatro estrangeiros (americanos meia boca em sua maioria), ouvem com ar blasé as perorações “altamente técnicas e estratégicas”, esboçadas em pranchetas de araque, para logo após se reunirem combinando ações próprias deflagradas pelo “extraordinário” sistema de 5 abertos, matreiramente escolhido pelos estrategistas de plantão, por se basear sequencialmente no 1 x 1, fator “mamão com açúcar” para os gringos se esbaldarem, lembrando suas históricas peladas em parques espalhados em suas maiores cidades, e no meio dessa espantosa empulhação, um punhado de bons armadores argentinos, que aos poucos vão aderindo a loucura geral, principalmente pela ausência de uma liderança técnica que estabeleça sistemas e comportamentos coletivistas, que é o mínimo que se espera de uma equipe bem treinada e orientada, e mais, devidamente ensinada no trato com os fundamentos, e exemplarmente, no trato com o instrumental básico do jogo, a até agora massacrada bola…

Toda essa parafernália enaltecida aos berros histéricos de narradores absolutamente ignorantes do que se passa nas quadras, confundindo e enganando espectadores que ainda amam o grande jogo, não esse ai, onde comentaristas falam e falam sem explicar uma linha sequer do que venha a ser um jogo bem jogado, mas pródigos em beijos, abraços e lembranças de ouvintes que não estão nem aí para o que veem, na medida que se sintam reportados e lembrados na telinha…

Por tudo isso rareia em mim a vontade de assistir a uma pelada profissional apresentada como o “NBB como nunca se viu”, e não vi mesmo, pois sou de um tempo em que jogavamos, e venciamos praticando basquetebol, e não esse pastiche de terceira categoria que aí está…

Oito anos atrás publiquei o artigo Um tiro no pé, que reproduzo a seguir, e onde podemos constatar que nada, absolutamente nada mudou de lá para cá, numa antevisão do horror que conseguiram, os estrategistas de plantão, implantar no que há de pior e retrógrado no grande jogo em nosso país, carente e empobrecido de criatividade, espontaneidade e improviso consciente, e não essa coisa pasteurizada, formatada e padronizada, por quem, na triste realidade, odeia o grande, grandíssimo jogo, por não o entender em sua essência e genialidade. Eis o artigo, com o qual desejo aos poucos que aqui ainda se preocupam de verdade, um próximo ano repleto de esperanças em dias melhores, com muita saúde e paz no coração.

Amém. 

O TIRO NO PÉ…

sexta-feira, 22 de junho de 2012 por Paulo Murilo5 Comentários

Meus amigos, do que adianta defender uma tese provada no campo de jogo por anos e anos, de que de dois em dois pontos podemos vencer jogos, atingir contagens elevadas, defender com mais precisão, agilizar tanto o jogo interior, como o exterior, dotar os jogadores do poder decisório em quadra, item tão temido por tantos técnicos, por aprenderem e apreenderem a arte da leitura de jogo, por sedimentarem no dia a dia dos treinos os fundamentos do jogo, ferramenta visceral para a execução dos sistemas ofensivos e defensivos, pela aprendizagem ao diálogo sobre o que treinam e jogam, entre si, e com seus técnicos, numa mútua relação de confiança, respeito e consideração, professando uma autêntica dupla armação, e uma corajosa e diferenciada ação interior através uma tripla utilização de alas pivôs, rápidos, ágeis, flexíveis, e acima de tudo plenamente participantes do jogo, e não coadjuvantes de uma interminável hemorragia de arremessos de três pontos, que tanto empobrece nossa autofágica maneira de jogar o grande jogo.

Foi o que ocorreu, pela milionésima vez no jogo com a Venezuela, quando de dois em dois pontos endurecemos um jogo perfeitamente ao nosso alcance, para numa falha sucessão de bolinhas de três, propiciarmos contra ataques venezuelanos que esticaram o placar além dos 20 pontos.

E o que dizer do jogo da Sub 18 contra os americanos, que jogaram dentro de nós, enquanto treinávamos a pontaria de fora, sem falar na brutal diferença na postura fundamental de seus jogadores, frutos de uma escola que nos negamos a praticar, trocando um tempo precioso de formação por formatações e padronizações de sistemas de jogo, numa opção equivocada e absurda.

Senhores, utilizar uma dupla armação adaptada ao sistema único é praticamente um tiro no pé, pois retira do foco da ação exterior um dos armadores, que ridiculamente vai executar bloqueios dentro do garrafão, e de encontro aos grandes pivôs, enquanto seu companheiro de armação se vira sozinho e sem balanço defensivo presente, além de somente poder contar para uma jogada incisiva com um dos alas, claramente inferiores nos fundamentos básicos de drible e passes, pela ausência do outro armador. O resultado se reporta aos passes de contorno, num crescendo inócuo e destituído de penetração aos pivôs, que por conta de uma movimentação sagital se postam de costas para a cesta, quando deveriam atacá-la de frente e em veloz movimentação, situando-se dessa forma um tempo adiante dos defensores, que é a arma mais letal para superá-los.

O que poderia dizer ou acrescentar a mais, frente a resultados tão medíocres por repetitivos, e tão solidificados por padronizações e formatações?

Nada, se frente a uma realidade imutável, sólida e corporativista.

Tudo, se uma fresta, por tênue que fosse, de repente, se abrisse para algo de novo, iluminando caminhos abertos pelo diálogo, pelo trabalho conjunto daqueles que realmente conhecem e amam o grande jogo, e que comungassem princípios e conhecimentos entre jovens e veteranos técnicos e professores, no reencontro de um destino rompido e violentado pela mesmice endêmica que tem ferido de morte nossa maior riqueza, a criatividade inata de nossos jovens, enclausurada que se encontra nos limites de uma lamentável prancheta.

Mantenho uma contida esperança, de que nossa seleção olímpica possa vir a romper alguns desses grilhões, apresentando um jogo voltado ao perímetro interno, através um pleno domínio no externo, equilibrando ações voltadas ao coletivismo defensivo e ofensivo, onde arremessos de media e curta distância, mais precisos e eficientes, se sobreponham definitivamente às aventureiras bolinhas, lastreado por um sistema defensivo ousado e corajoso, base verdadeira de uma equipe de alta competição. Que assim seja, torço e espero.

Amém.

Foto-Divulgação CBB. Clique na mesma para ampliá-la.

EM TEMPO- Agora,  oficialmente na America do Sul, estamos em quarto…

5 comentários

  • Rodolpho
  • 25.06.2012
  • Professor, apesar de ser um pessimista (ou realista) com relação à Seleção Brasileira, duvido muito que o Magnano repita os erros da seleção no sul americano.
    Mesmo desfalcada, a seleção marcou muito bem e foi contida nas bolinhas durante o pré-olímpico. A tendência é melhorar o que deu certo, principalmente com a chegada dos reforços da NBA, que entram em vagas de jogadores sem condições técnicas ou táticas de disputar uma posição decente em Londres.
    Obviamente o nível dos adversários será muito superior, mas nossa seleção tem bons nomes (quantas seleções tem um garrafão do nível de Nenê/Varejão/Splitter?), o que me leva a crer que podemos chegar nas quartas de final sem sermos taxados de azarões.
    Pra um país com um campeonato nacional novo (4 anos) e de nível tão baixo, com a maior parte dos seus participantes ainda em nível amador, além, é claro, da vergonhosa situação das categorias de base, ficar entre os 8 primeiros do mundo é um prêmio a cada atleta e membro da comissão técnica, que, mesmo sem apoio da CBB (muitas vezes com a confederação atrapalhando) conseguirão chegar a Londres numa condição privilegiada.
    E quando o Brasil chegou entre os 8 melhores de um Mundial ou Olimpíadas?
    E quando o Brasil chegou entre os 8 melhores de um Mundial ou Olimpíadas sem depender de milagres do Oscar (as vezes com Marcel)?
    Faz muito, muito tempo.
    Espero que o sucesso nas Olimpíadas (acredito nisso plenamente) não seja usado como mérito da CBB, pois não será. Será tão e somente mérito de cada jogador (e sua família) que sabe o que é conseguir chegar no nível mais alto do esporte sem apoio algum de sua pátria. E ainda sim criticado quando (realmente) não pode participar de alguma competição.
    Professor, poderemos vê-lo comandando algum clube num campeonato estadual adulto esse ano???
  • Basquete Brasil
  • 25.06.2012
  • Não esquecer as três medalhas olímpicas de bronze (Londres, Melbourne e Toquio), e os dois mundiais no Chile e Rio de Janeiro, todos conquistados pela geração que antecedeu a do Oscar, prezado Rodolpho. Não esquecer também que a FIBA relacionou o Brasil como a quarta potência no Basquetebol do século 20, somente atrás dos Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia.
    Sim, já fomos referência mundial no grande jogo, condição perdida pelas absurdas e criminosas gestões na CBB dos últimos 25 anos.
    Muito será o trabalho para o soerguimento do basquete no país, e quem sabe um bom papel em Londres ajude nesse esforço.
    Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil
  • 25.06.2012
  • EM TEMPO – Rodolpho, não respondi a sua pergunta feita ao final do comentário – “Professor, poderemos vê-lo comandando algum clube num campeonato estadual adulto esse ano???”
    Mas o faço agora.
    Somente me verão dirigindo uma equipe em qualquer campeonato, municipal, estadual ou nacional, se for convidado, o que duvido muito que aconteça. Relatar treinamentos e jogos visando um maior conhecimento por parte dos jovens técnicos brasileiros, como fiz ao dirigir o Saldanha da Gama no NBB2, através relatos diários no blog, mantê-lo atuante e combativo ano após ano; propor na teoria e na prática intensa, novos caminhos técnico táticos para o nosso basquete; lutar com denodo pela urgência de um associativismo por parte dos técnicos de forma ampla e irrestrita; contrariar interesses de Cref’s e entidades que monopolizaram e lotearam o desporto nacional, minimizando e quase extinguindo o esporte como parte integrante do processo educativo nas escolas, canalizando toda uma juventude para os corredores e salas de mega academias; se negar a deixar de escrever e publicar nessa humilde trincheira em troca de possíveis colocações no mercado de trabalho; tudo isso são os reais fatores impeditivos ao meu exercicio profissional de técnico de basquetebol, apesar de muito necessitar economicamente do mesmo, face ao grande dispêndio financeiro que passei a enfrentar quando da quase perda de minha casa num processo espúrio e criminoso, além da conceituação de velho e ultrapassado, que é o estigma por que passam os profissionais acima dos setenta anos, independendo de sua formação e qualificação, neste nosso injusto e cego país.
    Mas sigo em frente, atuante e atento ao mundo que me cerca, pleno de esperanças e fé em dias melhores para todos nós que amamos o grande jogo.
    Não, prezado Rodolpho, me verem em quadra de novo é assunto proibido, pois dependeria de quem, assim como eu, propugnasse por algo antagônico ao que ai está. Logo…
    Um abraço, Paulo Murilo.
  • Rodolpho
  • 27.06.2012
  • Professor, o basquete há de pregar uma peça na gente (como a vida sempre faz) e muitos que querem o bem do jogo não esperam a hora de te ver no seu lugar, que é no comando de alguma equipe com estrutura decente.
  • Basquete Brasil
  • 27.06.2012
  • Amém, prezado Rodolpho, amém.
    Paulo.

A SÍNDROME DOS 40…

E aí fulano, 42% nos 3 é bom? Claro, beltrano, é um número muito bom para bolas de 3 pontos, que aliás, é uma marca registrada dessa grande equipe…

Legal. formidável, encorajador para os mais jovens se iniciarem nesta autofagia desenfreada e tosca de um basquetebol absurdo e capenga. São comentários deste quilate nas transmissões de um “NBB que você nunca viu”, os também responsáveis pela “pelada descomunal” em que estão selando o infausto destino deste infeliz e mal jogado ex grande jogo entre nós, e sem contar os outros números que já ultrapassam os 40 erros em uma só partida, como Minas 105 x 100 Brasília, onde ambos os contendores perpetraram 20 erros cada, ou 40 atentados contra os fundamentos num único jogo. Mais algumas rodadas e outras mais equipes deixarão essas marcas para trás, com certeza, pois a insânia não tem freios, ainda mais com as incendiárias pranchetas os comandando (ou tentando comandar)…

Vamos aos números “ideais” dos comentaristas, 40% para bolas de 3, ou seja, se a equipe acertar 4 em 10 tentativas, estará OK, e aí me pergunto, e as outras 6 tentativas, ficam no vazio? Mas como nunca arremessam menos do que 20 (algumas equipes vão além dos 30), o número de ataques falhos cresce matematicamente, e se for emulada pelo adversário (os famosos duelos), aí a coisa ( ou o simulacro de jogo) fica absurdamente ridículo. Somemos ao despautério os imperdoáveis números de erros de fundamentos, e teremos o que em forma de jogo, o que? Isso mesmo, uma enorme e condenável palhaçada, aplaudida e incensada como obra da mais alta emoção, vibração, e por que não ENGANAÇÃO, o termo correto, sem dúvida…

Dos 40 anos muitos jogadores já se aproximam, ou mesmo superam, fazendo a mesma coisa, ano após ano, sem que ninguém os corrijam, ou pelo menos tentem corrigir, já que prontos e polidos, amestrados posicionalmente de 1 a 5, bitolados, formatados e padronizados pelo figurino corporativista de seus estrategistas, voltados aos títulos e currículos, todos remando um barco de timão rompido, volteando num moto contínuo que não leva a lugar nenhum, numa mesmice endêmica e letal…

Mas que chutam e chutam como ninguém, de longe, muito longe, onde a mecânica não importa se as bolinhas caem (comentário feminino de ontem), pegas corretas então nem falar, são detalhes supérfluos, pois com a profusão crescente de tentativas uns 40% de vez em quando premia vitórias retumbantes, porém com um detalhezinho “esquecido”ou não mencionado por ignorância mesmo, o de não serem contestadas, não em 40%, mas sim em 90/100%, vamos falar a verdade, o óbvio ululante!!!…

Ninguém vem marcando ninguém de a muito tempo, tapeiam, enganam, fazem faltas estratégicas, usam os braços, quando as pernas são a base de qualquer defensor bem treinado, logo escolado na função defensiva, que é o fundamento mais importante do grande jogo. Porém lá na frente metem pra valer, ou pensam que metem, até se defrontarem com equipes argentinas e europeias (já nem menciono as americanas para não parecer covardia), e aí nem os 40% atingem, com as desculpas de que não era o dia ou simplesmente “hoje não caíram”…

E os 60% de bolas perdidas (só as de arremessos de 3, noves fora os erros de fundamentos), por que não trocadas pelas de 2 pontos, muito mais precisas, porém exigentes na aproximação, impossíveis sem o domínio dos fundamentos básicos, nosso criminoso tendão de Aquiles, olvidando gerações passadas que o dominavam, hoje enviados ao limbo das impossibilidades por não ensinados como deveriam sê-los? Tenho publicado e comentado os incríveis números de cada LDB realizada, com as médias de erros de fundamentos na faixa dos 28 por partida realizada, para mais adiante se ufanarem de uma seleção nacional disputar uma America Cup com a maioria dos jogadores egressos e “formados” na mesma, mas omitindo a liderança de um Caio formado na escola argentina, errando um mínimo aceitável pela idade e experiência. Se o técnico croata, substituir muitos %’s de puxação de ferro por uma extensa e dura preparação nos fundamentos do jogo, passarei a acreditar em melhora substancial do grande jogo entre nós, espelhando para os mais jovens como se deve encarar uma modalidade com princípio, meio e fim, e não se escudando e escondendo deles os princípios básicos do jogo. fazendo-os optar pela artilharia de fora, a correria descerebrada, o faz de conta defensivo, e o mais básico de tudo, a leitura inteligente e de custoso e sacrificado aprendizado, seus fundamentos, sem os quais, jamais jogarão o basquetebol de verdade, e sim um assemelhado desprovido de criatividade e improvisação consciente, pois só improvisa quem sabe, quem conhece e domina o grande, grandíssimo  jogo, aquele que marcará indelevelmente suas vidas, claro, claríssimo, se bem ensinado e treinado, como sempre deveria ser, para um percentual mínimo de 70%, pelo fundamento que for, e não os 40% trombeteados e deificados por aqueles que não tem a menor noção do que ele representa na cultura desportiva mundial…

Amém.

Fotos – Reprodução da TV e arquivo particular.

A GRANDEZA DO GRANDE JOGO…

Esperei por 15 anos, desde que edito e publico este humilde blog, ter a oportunidade de assistir uma seleção brasileira atuar com uma dupla armação de verdade por toda uma partida, num rodízio entre quatro armadores, como nesse jogo contra o Panamá, compondo duplas que variassem conforme as necessidades e exigências táticas dentro do campo de jogo, e me vi compensado ao testemunhar quatro jovens armadores exercitarem a quase esquecida arte do improviso, da criatividade, onde o surpreendente Caio encontrou no Yago o companheiro ideal para produzir um basquetebol ágil, ousado e magnificamente autoral. George e Alexey necessitam ainda exercitar essas novas funções, díspares e antagônicas do que produzem desde suas formações de base, o que será possível se corretamente ensinados e dirigidos, não sendo absolutamente surpresa o Caio ter se adaptado mais fielmente ao sistema adotado pelo croata, por sua formação no basquetebol argentino, onde os fundamentos e a boa leitura de jogo são exercitadas desde a formação de base, em clara anteposição ao que é feito, e muito mal feito em terra tupiniquim…

Logo, nenhuma surpresa pela desenfreada busca pelos armadores platinos, com nossas franquias valorizando-os bem acima de média, depreciando bastante nossos jovens aspirantes da função, mesmo que bitolados pelo indefectível sistema único padronizado e formatado desde sempre. Fossem os mesmos ensinados e orientados na criação e improvisação fundamentadas numa correta e objetiva leitura de jogo, e os teríamos tão bons ou melhores que os hermanos, como os tínhamos num passado não tão distante assim, varridos nessas qualidades pela plêiade de estrategistas que resolveram tutelar o grande jogo de fora para dentro da quadra, com suas absurdas jogadas semaforizadas e de passo marcado, registradas nos ininteligíveis hieróglifos postados em suas mais absurdas ainda midiáticas pranchetas…

Porém, um hiato ainda persiste, intocado e de distante compreensão por parte da maioria dos estrategistas nacionais, e porque não, pelo croata também, o fato da não correta e perseguida conexão entre as ações efetuadas pelos armadores no perímetro externo, com os alas pivôs em permanente deslocamento pelo interno, simbiose que quanto mais presente e perfeita, maiores serão os resultados alcançados, fator básico e irrefutável na busca do coletivismo criativo e altamente eficiente, onde a progressão pontual de 2 em 2 e 1 em 1, destinando as conclusões de 3 como detalhe complementar, e não prioritário de um eficiente e vencedor sistema ofensivo de jogo, diminuiria bastante a incidência de erros nos arremessos, pelas menores distâncias em que se concretizariam, otimizando cada ataque realizado, em anteposição aos muitos e muitos perdidos sem pontuação, face a desenfreada artilharia de fora que tantos prejuízos vem causando ao basquetebol nacional…

Quando no artigo anterior propus a visualização de dois jogos lá postados, como uma prova inconteste da utilização do sistema com dois armadores e três alas pivôs, comprovando na quadra e nos resultados ali alcançados, o fiz como uma proposta da exequibilidade do mesmo, ontem ensaiado em Buenos Aires, porém ainda muito distante “do como” conectá-lo à prática, pois o ensino e o treinamento do mesmo exige uma larguíssima experiência detalhista, somente alcançada por uma específica didática fundamentada em muitos anos de estudo, pesquisa, e decidida vontade e competência em torná-lo realidade prática de jogo, na qual a criatividade constante e o improviso responsável e muito bem pensado e elaborado, alcance uma leitura imediata de jogo quando no enfrentamento de situações que jamais se repetem, antítese do que a enorme maioria dos nossos estrategistas buscam alcançar sem a mais absoluta chance de conseguí-lo, sabem porque? Porque atuam num mundo onde tudo se copia, e muito mal, onde contam com a cumplicidade da maioria dos jogadores, concordes com a mesmice técnico tática em que convivem ano após ano, mudando de franquias para exercerem os mesmos papéis, até a chegada de alguns nas seleções, para fazerem e exercerem o mesmo papel de sempre, o de executores contritos do sistema único e da hemorragia dos três, fatores que nos tem lançado ao fundo de um poço, na contramão do vôlei, com sua sempre inovadora forma de ensinar, treinar e preparar jogadores nas técnicas mais evoluídas, sendo referência para outros países, que aqui vem se atualizar, pois não pararam no tempo, fornidos por um vultoso patrocínio de um banco que se iniciou no marketing esportivo no basquetebol, modalidade que o perdeu por injunções políticas, e que não soube buscar outro que pudesse vir alimentar seu progresso técnico tático administrativo, sendo lançado aos braços de um corporativismo interesseiro e retrógrado, porém garantidor do pequeno e seleto nicho empregatício que restou daquela debacle…

Enfim, nos tempos atuais observamos com curiosidade algumas proposições como essa na jovem seleção que nos representa na Cup America, mas ainda destituída de uma verdadeira, autêntica e provada forma diferenciada de jogar o grande jogo, no que vejo de pronto seu ponto fora da curva, o desconhecimento de como exequibilizar tão árduo e necessário projeto de preparo de equipes, da formação a elite, numa mudança radical do que se faz e pratica atualmente, conhecimento de muito poucos neste imenso, desigual e injusto país, e um deles, desculpem a imodéstia, sou eu, Prof. Paulo Murilo, 81 anos e com muita saúde ainda para demonstrar com sobras as proposições acima descritas, provadas teórica e praticamente em mais de 55 anos de quadra, e jamais sobraçando pranchetas, nenhuma, somente referendando e respeitando o mágico mundo do treino, onde as verdades verdadeiras acontecem, longe, bem longe dos midiáticos holofotes, que tanto atraem todos aqueles que julgam conhecer o grande, grandíssimo jogo, mas que sequer o entendem em sua grandeza, tornando-o pequeno por sua mesquinhez e curta, e talvez inexistente visão…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV,

ENFIM, UM POUCO DE LUZ…

(…)Teremos quatro armadores, mas isso não é nenhum tipo de problema. De 15 a 20 minutos, vamos jogar com dois armadores ao mesmo tempo, pois temos armadores diferentes. Essa experiência pode ser muito boa. Além disso, está tudo ‘normal’. Lucas Mariano está muito bem no São Paulo e merece essa convocação. Os demais, já vêm participando de outras janelas. Estou feliz com esses atletas – citou Aleksandar Petrovic(…)

Somente uma declaração dessa do técnico da seleção brasileira ontem publicada, faria com que eu saísse do mutismo em que me encontro a uns bons dois meses, não pelo fato de estar confinado numa quarentena forçada por uma pandemia criminosamente omitida e minimizada por um governo espúrio, tendo como algum contato com o grande jogo um NBB insosso e desprovido do insumo básico para a sua aceitável prática, seus fundamentos básicos, aviltados numa escalada assustadora na maioria quase absoluta dos jogos até agora realizados nessa competição, que são números que não mentem, 969 erros de fundamentos básicos em 36 jogos, alcançando a média de 26,9 por jogo, com partidas como Corinthians x Franca, e Flamengo x Campo Mourão, onde 36 erros foram perpetrados, e um inacreditável Corinthians x Pinheiros, com 38, isso mesmo, 38 assassinatos dos fundamentos. Somente duas partidas, Flamengo x Pato, e Brasília x Corinthians ficaram abaixo dos 20 erros (19/18), números ainda bem acima de marcas aceitáveis para uma divisão de elite, como é considerado(?) o NBB, com o basquete “como você nunca viu”,como tronitroam narradores ensandecidos pelos espetáculos da mais “pura técnica técnico tática” que transmitem e comentam enlevados…

Mas como nada ainda pode ser considerado como perdido neste deserto de idéias e absoluta falta de criatividade, por mais simplória que seja (já teve estrategista rodando com somente um jogo engabelado), vemos com surpresa atenção a maturação da dupla armação pela maioria das equipes da liga, não como uma mudança sistêmica mais profunda, e sim como um artifício para melhorar a qualidade técnica de um sistema único corroído e arcaico, que teimam em perpetuar, por ser o único que conhecem, todos, de técnicos a comentaristas, e porque não, agentes e dirigentes, convencendo patrocinadores a apoiá-los, numa trilha que vem lançando o grande jogo ladeira abaixo, ano após ano, década após década, de encontro a um infindo fundo de poço colossal. e cada vez mais enriquecido com o idioma da matriz, agora mais do que nunca com a permissividade de quatro estrangeiros por equipe. E o artifício tem enganado muita gente, ao substituírem um ala (o 3 deles) por um outro armador, numa simulação de dupla armação, denominando-o como um 2 pontuador, ou seja, tudo como dantes, com um pouco mais de destreza individual…

No entanto, como toda burrice crônica e endêmica, um ou outro estrategista mais esclarecido e inteligente, foge da mesmice, e aos poucos vai descobrindo o real valor de uma dupla armação voltada ao todo da equipe, e não a estúpida setorização, que atinge sua magnitude na falácia dos “cinco abertos”, onde o 1 x 1 encontra seu nicho ideal, porém fracassando pela ausência e desconhecimento dos fundamentos, principalmente no drible e nas fintas com bola em movimento, onde a negaça e as trocas variáveis de direção exigem o mais completo domínio do corpo e da bola, instrumento esférico e altamente volúvel e de controle difícil e especializado, daí a busca frenética por armadores americanos e argentinos, infinitamente mais técnicos e preparados do que nossa escola tupiniquim, gerando por conseguinte o enorme engano de que por si só resolvem os embates 1 x 1, anseio maior dos estrategistas torcedores de beira de quadra, além, muito além, da artilharia de fora, embuste sufragado pela mais completa e ausência defensiva, como num trato de cavalheiros, onde “o faço que defendo e você chuta” persiste até a última bolinha, que convertida, ou não, define o vencedor, até o próximo encontro…de cavalheiros, onde todos fora dos perímetros, armadores, alas e pivôs brincam de basquetebol, sem as agruras estafantes de preparo nos fundamentos, onde todos, remam um barco na única direção que professam, um bem fornido e irrespirável fundo de poço…

Como afirmei antes, uns poucos, muito poucos entenderam a dupla armação com suas imensas possibilidades, mas ainda não entenderam o que venha a ser jogar dentro do perímetro com os três alas pivôs em mobilidade constante e errática, assíncrona, criativa e profundamente improvisada, pois “só improvisa quem sabe e conhece profundamente seu ofício, seu instrumental de trabalho, os fundamentos e o domínio de sua ferramenta, a imponderável e sutil bola”…

Quero e preciso acreditar que o inteligente croata esteja no limiar de conceber esses novos tempos, de descobertas e criação, comuns em seu velho continente e novo mundo americano, porém rarefeito por aqui, onde as raras exceções foram devidamente varridas para baixo do tapete, mesmo provando na teoria e na prática como ensinar, treinar e preparar equipes para atuar com dupla armação e três alas pivôs dentro de perímetro, assim como defesas na linha da bola lateralizada e prática constante e ininterrupta dos fundamentos básicos do grande, grandíssimo jogo…

Sugiro humildemente que se interessados forem sobre o que venha a ser dupla armação e como jogar dentro do perímetro com três alas pivôs, que vejam ou revejam dois jogos da extinta equipe do Saldanha da Gama no NBB2, dirigida por mim, para terem uma idéia de como foi jogada fora pela janela da história, uma sacrificada experiência, que se tivesse tido continuidade estaríamos em outro patamar técnico tático no confronto interno, e mesmo internacional, e não esse pastiche que praticamos referendados em 26,9 erros em média nas partidas do NBB, noves fora a hemorragia jamais estancada nas bolas de três, terrível hábito que se espraia nas divisões de base, fatores que não encontrarão na humilde, competente, bela e esquecida equipe de Vitória…

Amém

Saldanha x Brasília 

Saldanha x Joinville

Fotos – Divulgação CBB e arquivo pessoal.

TRÊS OBJETIVOS TÓPICOS…

Neuci, Didi, Angelina, Rosália, Luci, Marlene, Delcy, Marly, Zezé, Norminha, Átila, Regina

(…) Corria o distante ano de 1966, estava eu com 25 anos, jovem técnico das divisões de base do CR Vasco da Gama, quando fui convidado pela Federação do Rio para dirigir a Seleção Adulta Feminina no Campeonato Brasileiro daquele ano em Recife. Era uma época de grande prestígio no basquete feminino, cujas finais, sempre com São Paulo, arrastavam multidões e tinha ampla divulgação na mídia, inclusive no novíssimo meio televisivo. Numa equipe onde atuavam jogadoras do quilate de uma Norminha, Delci, Marlene, Neuci, Marli, Atila, Regina, Zezé, Rosália, Angelina, Didi, Luci, que enfrentariam em mais uma previsível final jogadoras inesquecíveis como Nilza, Odila, Ritinha, Nadir, Darci, Elzinha, Amelinha, Neusa, Marlene Righetto, Irene, todas elas formando a base da Seleção Brasileira.

Antes de um dos treinos que realizamos no ginásio da Policia do Exercito, conversávamos com a grande jogadora Marlene, que polida e educadamente ponderava que não se sentia segura e confiante com o sistema de jogo que eu desenvolvia nos treinamentos, que diferia bastante dos que ela se acostumara nas equipes de que participou. Fiz ver a ela que tivesse paciência e confiasse na proposta técnica que desenvolvia junto a equipe, e que em breve teria nela um dos suportes básicos para o sucesso da mesma. Tudo isso discutido em particular, e que somente hoje, 41 anos depois torno público. Nem o restante da equipe soube algo a respeito, e como garanti, foi a Marlene a grande estrela da final com São Paulo com seus maravilhosos 38 pontos, na única partida que disputou, pois havia se contundido seriamente ao final dos treinamentos no Rio.(…)

São dois parágrafos do artigo O peso do comando, publicado em 22/6/07 nesse humilde blog, reportando o comportamento ético e responsável da excelente jogadora que nos deixou na semana passada, originando um vácuo comportamental que encontra pouquíssimos exemplos similares no âmbito do basquetebol de nossos dias, repleto de estrelismos mercadológicos, em tudo e por tudo oposto ao comportamento daqueles que engrandeceram de verdade o grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país. Marlene deixará imensas saudades em todos aqueles que a conheceram e a viram jogar magistralmente…

Um outro e chamativo tópico foi a convocação da seleção masculina para a America Cup, com 16 nomes da novíssima geração que vem se destacando no país, e com somente um atuante fora dele, na Argentina, o Caio, armador futuroso e experiente em quadras hermanas…

Tudo bem, ótima tentativa, corajosa até, mas que terá pela frente uma pedreira difícil (porém não impossível) de ser transposta pelo técnico croata, a mesmice técnico tática entranhada profundamente na forma de atuar dessa geração enclausurada no sistema único de jogo, padronizado e formatado desde sua formação de base, acrescentada pela atual e “revolucionária” filosofia de jogo sedimentada nos arremessos de três pontos, e o consequente desleixo nos fundamentos básicos de jogo, defensivos e ofensivos, dispensados que passaram a ser pela “matação orgiástica” bem para fora do perímetro, onde os mesmos perdem a razão de ser na distorcida ótica daqueles que vicejam no cerne do grande jogo, sem as mínimas qualificações e conhecimento para lá estarem, pseudos estrategistas e aspones que são em sua grande maioria, onde as exceções pouco contam…

Seleções de graduados e de novos e promissores valores comungam os mesmos princípios, a mesma formação, a mesma e profunda forma de atuar e pensar(?) o grande jogo, onde o lugar comum da intromissão e gerência absolutista de fora para dentro da quadra, os transformam em marionetes     encordoados a estrategistas convictos de que comandam e definem o jogo, através suas midiáticas e inúteis pranchetas, cada dia mais coloridas e vazias de idéias factíveis, na busca das jogadas mágicas e irrepetíveis, fatores aqui explicados…

Se coragem e discernimento tiver o bom croata, para atuar em dupla e permanente armação ( convocou quatro armadores dos bons), forçando o jogo para dentro do perímetro (alas e pivôs altos e atléticos convocados em profusão), para de 2 em 2, onde os arremessos são mais precisos e confiáveis, suplementares arremessos de três, lançados por quem realmente os dominam, nas condições ideais que exigem, e defesa pressionada por todo o tempo, principalmente nos armadores contrários, marcação frontal dos pivôs e de todos aqueles que adentrarem seu perímetro interno, todos exercendo a linha da bola lateralizada, jamais perpendicular a cesta, e tudo isso englobado num programa férreo e exigente nos fundamentos básicos (a forma mais eficiente de preparação física, onde a bola estará sempre presente), e onde a “puxação de ferro” tem de ser limitada a compensações pontuais de alguma deficiência com ordem médica, comporiam um verdadeiro programa de preparação para uma equipe jovem e promissora, estimulada a um sistema de jogo onde a criatividade e o improviso consciente, advindos de uma constante leitura de jogo, os tornassem proprietários de uma forma única de jogar, definitivamente dissociada de um sistema único castrador e hegemônico de uma geração de estrategistas que tanto mal nos impuseram de três décadas para cá…

Num terceiro tópico, um exemplo lapidar do que discutimos acima, a partida decisiva da Champions League, entre o Flamengo e o Quinsa da Argentina, vencida pelos hermanos por 92 x 86, e aqui contada em algumas imagens coletadas e comentadas:

Comecemos com a estatística final, onde os 13/32 (41%) nos 3 pontos do Flamengo (39), supera em muito os 8/23 (35%) do Quimsa (24), porém a supremacia dos argentinos nos 2 pontos, com 24/39 (62%), faturando 48 pontos contra os 34 do Flamengo, 17/38 (45%), onde os arremessos de curta e média distâncias confirmaram o conceito de precisão, claramente exposto quase ao final da partida nessa foto conclusiva de definições dentro do

garrafão, com 28 pontos dos hermanos e 12 dos brasileiros, uma evidência que prancheta nenhuma corrigiria, a não ser abrindo a porteira para a chutação de fora, o que ocorreu…

Aqui, la dentro…

A lúcida opção argentina de jogar preferencialmente dentro do perímetro, acrescentou uma outra e vantajosa alternativa, os 20/30 lances livres, contra os 13/19 dos rubro negros, e o mais instigante, o domínio dos rebotes com 47 (13/34) portenho, contra 33 (9/24) tupiniquim…

A cada temporada que passa, mais se solidifica o princípio da precisão real e decisiva dos arremessos de média e curta distâncias, sobre os mais imprecisos de longa distância, evidência lógica sob qualquer análise técnica, ou mesmo, no campo da física e da matemática. Outrossim, contratações estelares, por si só não garantem sucesso em competições, onde a primeiríssima equação a ser considerada, estudada, pesquisada, ensinada e treinada, não for estabelecida definitiva e estrategicamente aplicada ao cotidiano do grande jogo, da base a elite, como a norma basilar para o efetivo soerguimento do nosso sofrido e maltratado basquetebol, absolutamente nada alcançaremos. Os hermanos já descobriram isso a longo tempo, nos vencendo corriqueiramente, frente ao pétreo e inamovível corporativismo que se apossou do grande jogo (minúsculo para ele) desde quase sempre…

Ah, a equação – O sucesso técnico tático de uma equipe será diretamente proporcional ao maior ou menor domínio que seus componentes tenham sobre os fundamentos básicos do jogo.

Noves fora a festança irresponsável dos três…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e Arquivo pessoal.

16 ANOS, ATUANDO E LUTANDO…

Hoje completamos 16 anos de existência, e o Basquete Brasil segue em frente, com ou sem quarentena, sem muito a discutir de um NBB que se repete, agora na entressafra das trocas e constituição das equipes, e como sempre, monocordicamente, trocando ¨peças¨ (nova designação dos jogadores), falhos e descartáveis para uns, aproveitáveis para comporem elencos para outros, numa ciranda que se repete a cada temporada, assim como a desesperada busca pelos milagrosos americanos, e um ou outro bom argentino disponível, ainda mais quando serão quatro os estrangeiros permitidos por franquia, tornando realidade o sonho dourado da maioria dos estrategistas de dirigirem (?) e liderarem (??) verdadeiros craques ao encontro de  fantasias emanadas de suas pranchetas mágicas e midiáticas, donos e proprietários das verdades técnico táticas que têm a mais absoluta certeza de possuírem, mesmo que batuquem uma mesma tecla ano após ano, mas que vingarão com novos contratados, bem sucedidos nos adversários, sem preocupações menores de ensinarem e treinarem os que se foram, párias que seguirão a sina dos deserdados das ferramentas básicas do grande jogo, seus fundamentos…

E La nave vá, sem rumo e esquecida, sem perspectivas de vislumbrar algo de novo, ousado, corajoso, presa a mediocridade endêmica que se instalou em nossa forma de ver, sentir e jogar o grande jogo, onde a volúpia autofágica dos três pontos, das enterradas monstros, dos tocos siderais, e dos cinco abertos, brilham nas coberturas e narrações ¨indecentes¨, e nos comentários  mais voltados ao social e político, do que uma simples e objetiva análise do jogo em si, como numa sala de espelhos, onde as figuras e comportamentos são imitados de forma idêntica, sempre e sempre iguais, repetições e plágios de uma padronizada formatação, sustentáculo do corporativismo a que pertencem…

Sobra uma NBA insípida, destituída de veracidade frente a realidade mundial, onde jogadores conquistam 30/40 pontos em partidas que perdem, assim como outros com  doubles e triples perdendo também, numa competição cada vez mais individual, onde embates políticos e raciais se avolumam cada vez mais, dentro de um padrão milionário a que tudo releva, exatamente pelo poder dos valores envolvidos nas disputas, e que se vêem furtivamente emulados, sem as mínimas condições econômico sociais, pelo nosso basquetebol tupiniquim, fazendo-nos esquecer e abandonar nossos reais valores e tradições, que nos fizeram grandes num passado não tão distante assim, hoje cópia canhestra e lastimável da hegemônica matriz…

Mal temos boas escolas funcionando, com o perigo real de se verem transformadas em escolas militarizadas, com oficiais de polícias militares lecionando valores discutíveis e perigosos, com seu didatismo pedagógico antagônico àquele adquirido nas escolas superiores de educação das universidades nacionais, onde a ausência de uma política nacional de educação generalista, com as disciplinas formais se coadunando com as artes, ofícios e desportos se perdem num emaranhado de indecisões e má vontade política, que é o arcabouço  da educação plena nos países desenvolvidos, matéria prima do desporto americano e europeu, fornecendo gerações de jovens educados, bem iniciados e melhor treinados nos fundamentos básicos artísticos e desportivos, na contramão direta do que fazemos com nossos infelizes jovens…

Nossa base inexiste, pois longe das escolas, das universidades, vingando um pouco em alguns clubes, onde a profissionalização precoce leva muitas vezes a graves distorções, inclusive comportamentais. Sem base existente de forma alguma poderemos sequer pensar em rivalizar com países mais desenvolvidos, quiçá uma NBA, ou persistem duvidar dessa realidade? 

A partir do próximo artigo darei início a ECB, Escola Carioca de Basquetebol, com cursos pela internet, através um site aqui agregado, através a Arteducação Empreendimentos Artísticos e Educativos, pequena firma pertencente a minha filha Andrea Raw e a mim, onde abordarei desde os fundamentos até a formação de equipes, numa experiência adquirida em mais de 50 anos de trabalho junto ao grande jogo, tendo os mais de 1600 artigos aqui publicados nesse humilde blog, como textos de consulta e estudo, que já são de conhecimento de um vasto público espalhado nesse imenso, desigual e injusto país…

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal.

ANOS LAMENTAVELMENTE PERDIDOS…

TRISTE, MUITO TRISTE…

Em 2013 escrevi e postei o artigo O Prodígio, que sugiro fortemente que o leiam, antes de prosseguir a leitura do artigo que hoje posto. E o por que da sugestão, senão pelos fatos irrefutáveis de que nada, absolutamente nada mudou no cenário pobre e carente do basquetebol nacional, apesar dos “altos” investimentos em tecnologias midiáticas, televisivas, patrocínios e parceria com uma NBA voltada muito mais aos seus interesses econômicos e comerciais, do que realmente ajudar a mudar a mesmice técnica da parceira tupiniquim, decidida e servilmente submetida às migalhas da matriz, e sabedora incorrigível de que os parâmetros financeiros da mesma são e serão irremediavelmente inalcançáveis por uma modalidade desportiva que mal sobrevive em um país que não desenvolve e apoia sua cultura e educação, quanto mais desportos…

(Pausa para a leitura)

Bem, para os que leram ou não, pergunta-se – O que não mudou? Estamos em 2020 e o artigo é de 2013, depois de um Pan Americano, e três anos antes de uma Olimpíada, que para o basquetebol foi trágica, com a equipe feminina derrotada em todos os jogos, e a masculina eliminada pela rival argentina. De lá para cá, foram mais quatro anos da mesmice endêmica técnico tática de sempre, porém maquiada por feéricos espetáculos, transmissões com narrações apopléticas e ufanistas, comentários fora da realidade, e acima de tudo, uma pobreza técnica pungente, onde nem a presença de muitos estrangeiros aufere benefícios, frente a dura realidade de que vigora no âmbito da maioria esmagadora das equipes do NBB, a “filosofia” dos cinco abertos, da autofágica sanha dos três pontos, e da mais absoluta e absurda ausência defensiva, fator alimentador dessa terrível realidade…

Terrível? Sim, e mais ainda quando brotam desse terreno inóspito um caudal de “filosofias” personalistas, na maioria copiadas sem referências autorais e bibliográficas, “lives” com palestras atulhadas de termos em inglês e conclusões estéreis e vazias de conteúdo, numa embromação que incomoda pela desfaçatez, assim como depoimentos históricos e personalistas, e nas poucas matérias técnicas, o cientificismo rolando solto, como a panacéia de todos os nossos males. Mas o buraco negro que nos engole sequer é cogitado de ser enfrentado, o salto a ser dado em nossa evolução técnico tática, que é decorrente da falência de um consistente preparo de professores e técnicos nos cursos superiores de educação física, cujos currículos das disciplinas desportivas foram esvaziados e minimizados pelas disciplinas da área médica, fator preponderante para a falência nos alicerces da pirâmide da formação de base, nas escolas e nos clubes, sem a qual, absolutamente nada alcançaremos para o soerguimento do desporto, e do grande jogo em particular…

No bojo cruel dessa pandemia, algo voltado a técnica deveria ter sido patrocinado pelas entidades que lideram e organizam o basquetebol nacional, dos princípios aos conceitos, da organização aos projetos formativos, do estudo ao compartilhamento da informação técnica e didático pedagógica, alimentando de conhecimentos e experiência todos aqueles que lutam e perseveram no ensino do basquetebol, situados nos confins deste imenso, injusto e desigual país, que sempre amou e prestigiou o grande jogo, mas que foi encampado por uma corriola oportunista e político interesseira, que se corporativou e se estratificou muito além do bom senso, a ponto de expurgar todo aquele que se opuser a seus dogmas, onde a importância estratégica do contraditório é simplesmente omitida, ou mesmo, defenestrada…

Os problemas e as falhas apontadas no artigo em questão são, após sete anos, os mesmos de hoje, como uma ou outra raridade inovadora rapidamente afogada, expurgada de um meio totalmente voltado a um sistema de ensino, preparo e aplicação prática, solidamente padronizado e formatado, formando e moldando “filosofias” definidoras do basquetebol que nos tem arruinado de vinte cinco anos para os dias de hoje, e o pior, sem indícios minimamente aceitáveis de que irá evoluir para melhor, lamentavelmente…

Que os deuses em sua magnanimidade nos protejam…

Amém.

Foto – Reprodução da TV.

O PULO DO GATO…

O macro detalhamento de um bem direcionado arremesso

Dois meses sem nada publicar. Falta de assunto, ou efeito de uma quarentena claustrofóbica? Quem sabe um excesso de informação, lives (?) mil, Zoom’s (?) de todas as formas e enfoques, algumas boas, a maioria dispensável, mas que ocupam mentes ociosas e ávidas de algo que as inspirem. Tem tido um pouco de cada assunto, do histórico da LNB aos avanços da neurociência voltada ao treinamento e preparo de jogadores, de candidatura política às premiações virtuais do NBB, mas raríssimas sobre técnicas de jogo, nada sobre formação de base, e absoluta ausência sobre formação de professores e técnicos do grande jogo, e o silêncio sepulcral sobre uma ENTB/CBB fundamental, hoje cremada, e associações de técnicos cobrindo esse imenso, desigual e injusto país, duas ou três, ineficazes pela ausência de uma coordenação nacional…

Esse Basquete Brasil, humilde blog que persiste a 15 anos, que nada publicou nestes dois meses, em momento algum deixou de ser consultado, prioritariamente em seus enfoques técnicos, fundamentos básicos do jogo, comentários, críticas técnicas, análises fundamentadas e respaldadas na prática dentro das quadras, alcançando 500 mil comentários assinados, jamais sob o manto do anonimato, responsável por números astronômicos de muitos blogs, a maioria hoje desaparecidos, e mesmo assim sequer é convidado a participar de uma recente live (?) entre promotores do grande jogo no país, promovido pela LNB…

Mas algo sempre aparece, apesar de pandemias e quarentenas, algo que merece ser discutido, como uma matéria veiculada pela televisão no Esporte Espetacular, aqui mencionada, e que vale a pena dar uma olhada, pois tem muito a ver com o tipo, a forma atual de jogar um basquetebol midiático e “científico”, onde a chutação de três se torna endêmica, com a mais discutível desculpa de que “embelezou” o jogo, mas que não resiste ao lúcido argumento de um mítico Dominique Wilkins, quando afirma que o jogo sempre será decidido pelo coração e a inteligência dos jogadores, que são dados imensuráveis pelas estatísticas, e mesmo contestado pelas duas variáveis apontadas pelos especialistas, a trajetória de 45 graus, e a profundidade de entrada de 26cm, como responsáveis pelos altos ganhos em eficiência nos longos arremessos, omitindo o mais importante dos fatores, ou variáveis, como queiram, o controle de direção dado a bola por uma pega específica, responsável pela manutenção do paralelismo ao nível do aro da cesta, e concomitante equidistância do eixo diametral da bola dos bordos externos do mesmo, no exato momento de sua soltura, que são ações críticas e de alto desempenho daqueles poucos jogadores mais habilidosos, e com uma fortíssima aderência na superfície da bola, o que explica em parte, a iniciativa dos grandes e fortes pivôs, vítimas das rarefeitas jogadas a eles dirigidas, de abrirem para fora do perímetro a fim de tentarem a sorte. Por possuírem braços e mãos muito fortes, conseguem arremessar dos três pontos com facilidade, mas nem sempre com precisão, desfalcando seriamente o poderio reboteiro de suas equipes…

Então o que vemos em matérias como essa publicada, senão uma forma bastante inteligente de pontuar tecnicismos científicos e estatísticos, omitindo o pulo do gato, que são aqueles macro detalhes de empunhadura que definem o controle mais perfeito e preciso do direcionamento da bola, que de tão crítico e progressivo a cada centímetro afastado da cesta, com tolerância nos desvios na casa dos 0,5 / 1,5 graus, torna-o proprietário de uma elite de pouquíssimos jogadores…

Ironicamente, coube a mim uma tese de doutorado defendida na FMH/UTL de Lisboa em 1990 (*), até hoje única na abordagem temática do controle direcional do arremesso com uma das mãos, que define os macro detalhes acima mencionados nas cinco empunhaduras possíveis de ser encontradas entre os mais diversos tipos de jogadores, e que explica detalhadamente como as mesmas incidem e definem o direcionamento da bola a cada arremesso efetuado. A série Anatomia de um Arremesso, aqui publicada, e largamente consultada neste humilde blog, e claro, também e intensamente acessada pela turma lá de fora, assim como a tese original, que apesar de doada por mim à CBB, jamais foi divulgada, mas isso é outra história…

Pretendo postar mais alguns artigos sobre essa temática, pois necessitamos urgentemente de honestas e profundas discussões a respeito, por sua transcendental importância para o grande jogo entre nós, principal e estrategicamente na formação de base, tão abandonada e moribunda…

Amém.

( * ) –  

Fotos – Arquivo pessoal.

NÁUFRAGOS DA QUARENTENA…


O PROFESSOR, TÉCNICO E ADMINISTRADOR RENATO BRITO CUNHA…

Renato foi meu professor de basquetebol no curso de Técnica da EEFD/UFRJ, cursado logo após a Licenciatura em Ed. Física na mesma escola em 1962. Sim minha gente, tínhamos cursos de técnicas desportivas em nível de especialização em nossas escolas de educação física, hoje inexistentes, e o Renato, professor titular do Departamento de Metodologia do Ensino da EEFD, também dava seu contributo na área das práticas desportivas com competência e dedicação, ainda mais no seu amado basquetebol.

Ao término do curso, ele me convidou para ocupar o cargo de Auxiliar de Ensino na cadeira de basquetebol da EEFD. convite que declinei por me considerar ainda muito imaturo para o ensino superior, e que preferia cair no mundo do ensino escolar e clubístico a fim de ganhar experiência técnica e didático pedagógica antes de assumir uma carreira universitária. E assim foi feito, Um pouco mais adiante, em 1965, tive de enfrentá-lo em um Fla x Flu da primeira divisão, quando substitui o Togo Renan que havia sido suspenso por três jogos, numa partida eletrizante em Álvaro Chaves, contra uma equipe líder e azeitada dirigida por ele, e que ao final vencemos de forma impactante. Nesse mesmo ano, lá estava o Renato na banca examinadora que selecionaria cinco técnicos para um estágio em universidades americanas, num projeto da CBB com o Departamento de Estado Americano, compondo uma equipe examinadora que ainda contava com os professores Waldemar Areno, Cassio Amaral e, Alfredo Colombo, time da mais alta categoria. Me classifiquei em segundo lugar e fui para os Estados Unidos.

Na volta, fui indicado para dirigir a seleção carioca feminina para o brasileiro em Recife, onde nos sagramos tri campeões. Fui para Brasília, dando continuidade a minha formação prática, onde pude aprofundar conhecimentos no basquetebol, retornando em 1970, quando aí sim, me tornei Auxiliar de Ensino na EEFD, numa indicação assinada pelos professores Waldemar Areno, Armando Peregrino e Renato Brito Cunha, mas não na cadeira de basquetebol, e sim na Didática e a Prática de Ensino.

Com a saída da EEFD do CFCH, transferindo-se para o CCS no Fundão (a EEFD funcionava na Praia Vermelha), um único departamento se negou a anexação e transferência, o de Metodologia do Ensino, mantendo-se na Faculdade de Educação do CFCH, com seus cinco Doutores, inclusive o Renato, e os jovens Auxiliares de Ensino, entre os quais me incluía, assim como o Alfredo Gomes de Faria e o Paulo Matta. No ano seguinte, o Renato foi indicado pela CBB para dirigir a seleção brasileira feminina no Mundial de São Paulo, ele que já havia dirigido e vencido o Pan Americano de Winnipeg, e onde alcançou a terceira e brilhante colocação, e quando tive a oportunidade de produzir filmes e vídeos técnicos de jogos em Brasília, Niterói e São Paulo, que foram utilizados pelo Renato como estudos técnicos e táticos para a seleção, pioneiros que fomos na aplicação dessas tecnologias no esporte, e que mais adiante se materializaram num filme sobre aquele mundial. Em 1976, com o Renato compondo uma banca de concurso, me qualifiquei como professor assistente do Departamento de Didática, sendo o primeiro a ser entronizado por concurso na Faculdade de Educação da UFRJ, vindo da área de Educação Física. Neste mesmo ano, me candidatei ao primeiro mestrado em educação física do país na USP, com 110 candidatos para 10 vagas, num concurso duríssimo, onde uma das etapas era a apresentação de uma carta de indicação formulada e assinada por professores altamente qualificados, e um dos signatários foi o Renato, mais uma vez apoiando meu trabalho.

Em 1986 fui para a Europa desenvolver o doutorado, e na volta já o encontrei presidente da CBB, onde ficou até 1997. Nesse ínterim, trabalhamos juntos naquele que foi o último curso de técnica de basquetebol na UERJ em 1985, além da continuidade do trabalho na UFRJ, tendo-o como Chefe de Departamento. Paralelamente, o Renato dotou a CBB de uma excelente sede própria, e uma administração equilibrada enxuta e acima de tudo honesta e transparente. Porém, em 1992. ao regressar do doutoramento na Europa, fui até aquela magnífica sede entregar um exemplar da tese doutoral, que versava sobre basquetebol, ao professor que tanto me inspirou na carreira, e foi a única vez em que me indispus com ele, num momento de grande tensão, após discutir asperamente pelo telefone com dirigentes paulistas, que presenciei em seu gabinete, resolve confrontá-los entregando a seleção feminina para o Mundial na Austrália a um jovem técnico carioca. Imediatamente saí em defesa dos 20 anos de trabalho duro da turma paulista para formar aquela geração de grandes jogadoras, e que no momento mais decisivo seria privada de auferir o belo trabalho, sendo irredutível aos meus argumentos. Sai da CBB e nunca mais lá regressei. No entanto, com o sucesso da seleção e da opção técnica, sua decisão foi relevada, porém nunca digerida pelos paulistas, pois uma conquista mundial  justificaria um ato intempestivo, uma desavença, menos para eles, e também um pouco por mim, em nome de um ponto de vista de trabalho que sempre defendi, mesmo sendo carioca. Renato prosseguiu seu trabalho inovador, até que foi derrotado na eleição de 1997, inclusive com o voto paulista, se retirando do basquetebol, dando seguimento a sua vida acadêmica.

Me aposentei no ano seguinte e perdi seu contato, quebrado em 2012 quando, por telefone, o convidei para o encontro com a minha turma que faria 50 anos de formada, sendo ele um dos poucos professores ainda em atividade. O encontro, por motivos vários não aconteceu, e ontem tive a notícia do seu falecimento aos 94 anos. Fiquei triste, muito triste, pois sempre o admirei e respeitei, como professor, técnico e administrador de alta capacidade, apesar de algumas contraditórias discussões técnicas e acadêmicas, que muito pouco deslustrou nossa mútua admiração e respeito pessoal e profissional.

Renato Miguel Gaia de Brito Cunha foi uma das pessoas mais importantes para o basquetebol brasileiro, assim como para a educação física e os desportos, e que segundo o relato de seu Diretor Técnico na época, Prof Raimundo Nonato- Talvez tenha sido o único presidente da CBB que gostava de basquete, pensando na evolução do esporte – deixando um grande exemplo de integridade e competência profissional. Obrigado professor, por sua longa, profícua e exemplar vida.

Amém.

Foto – Divulgação CBB.