O QUALIFICADO E CLASSIFICATÓRIO PRESENTE…

Chegou ao final o sul americano sub 15 masculino, com a vitória brasileira sobre os anfitriões por 65 x 57, com 36 pontos anotados por Felipe Motta (55,3% do total da equipe), que atuou por 38:30 min, arremessou 7/9 de 2 pontos, 6/11 de 3, 4/6 nos lances livres, pegou 6 rebotes (1/5), deu 1 assistência, errou 5 vezes nos fundamentos(alguns deles, como no restante da equipe, motivados pelo piso escorregadio), conseguindo 29 pontos na eficiência, sendo ao final do torneio premiado como o jogador mais valioso, repetindo o feito quando do sul americano sub 14…

Por que a ênfase na atuação do jovem Felipe, italiano de nascimento, filho de brasileiros radicados na Europa, ensinado e treinado por seu pai e atualmente vivendo em Roma onde se aperfeiçoa no Club Stella Azurra, onde vem conquistando inúmeros títulos nos torneios de base europeus, continente em que sempre jogou? Bem, o que salta aos olhos é o inconteste fato de que sem a presença dele, dificilmente venceríamos este sul americano, classificatório ao mundial sub 16, haja vista a superioridade nos fundamentos das equipes platinas sobre a nossa, a tal ponto que o comentarista do jogo final mencionou estar o Filipe jogando num altíssimo nível, muito além dos demais competidores, desequilibrando a disputa de forma absoluta, e mais, atuando numa quadra escorregadia e perigosa pelas incontáveis goteiras por toda a sua área, situação esta que deveria ter forçado um adiamento, e que por sorte não ocasionou sérias lesões nos jovens jogadores. A nata sul americana das jovens promessas merecia algo bem melhor do que aquele chiqueiro…

Continuando o raciocínio do por que da ênfase, agrego mais um determinante fator, o de somente termos utilizado nas duas partidas finais 9 jogadores, pois 3 deles, Vinicius, Warley e Paulo não atuaram, gerando uma questão séria em se tratando de uma seleção nacional – Por acaso deixaram de ir jogadores melhores e utilizáveis, ou foram somente para “vivenciar o clima de uma seleção”? Ainda mais quando foi exigido esforço máximo, inclusive na prorrogação contra a Argentina, de 3 jogadores atuando praticamente o tempo inteiro nos dois jogos finais, explicando em parte o decréscimo dos mesmos nos terceiros quartos das partidas, afinal, são adolescentes em processo de maturação física e emocional, e não craques formados e vacinados, que mesmo assim não atuam o tempo inteiro. Mas o que pareceu importar foi alcançado, a vitória dada de presente por um jovem talento totalmente construído lá fora, ao vedar com presteza e técnica superior o permanente rombo em nossa frágil e inculta formação de base, cujos responsáveis trombetearão, sem dúvida nenhuma, o alto nível que já alcançamos, numa falseada apropriação, enfeitada pelas pranchetas midiáticas de praxe…

Obviamente não podemos negar que esta seleção, base para os ciclos olímpicos que se avizinham, possui jovens talentosos, altos e fortes, armadores promissores, porém alguns furos abaixo de muitos países no contexto do conhecimento pleno e prático dos fundamentos básicos individuais e coletivos do grande jogo, e que de forma alguma podem continuar a se perder agrilhoados a sistemas castradores, de passes intermináveis de contorno, de driblação (melhor termo que encontrei…) inócua e exibicionista entre as pernas, “encerando” o solo em longos trajetos de domínio da bola, perdendo-a ao tentar cortes em mudanças de direção, não dominar os giros, arremessar precipitadamente, errar arremessos fáceis, bandejas inclusive, defender em pé, com os braços, e não com o tronco e as pernas, fixação angular e não periférica permanente na bola, perdendo posicionamentos em rebotes defensivos e ofensivos, desconhecer os primados das flutuações defensivas, base da arte superior de defender um perímetro, se perderem sob pressão quadra inteira, até na reposição de um singelo lateral, desconhecer o “jogar sem a bola”, todos fatores que pouco dominamos, pois não são devida e competentemente ensinados, treinados e exequibilizados através sistemas que os auxiliem em suas valências pessoais, e não como provas de conhecimentos técnico táticos explanados em pranchetas ininteligíveis, por parte de estrategistas, que teimam em negar o fato indiscutível de ser a acuidade e percepção visual o mais lento dos sentidos, principalmente quando sujeito a análises de transposição topográfica por parte de jogadores pressionados e exauridos, abarrotando-os de informações impossíveis de processar em precários segundos…

Fica então bem estabelecido o sintomático alerta, aquele que define limites das nossas reais condições de praticantes eficientes e competentes dos fundamentos do jogo, numa constatação comparativa e decisiva entre jogadores de uma seleção nacional, frente a um  jogador diferenciado em sua formação básica, física e emocional, produto direto de uma escola superiormente desenvolvida, a tal ponto de se constituir no fator responsável e direto da(s) conquista(s) alcançada(s), nas subs 14 e 15 sul americanas…

Parabenizo a equipe, sem a qual o Felipe não poderia oportunizar sua qualidade de futuroso e decisivo jogador, que sem a menor dúvida, e no tempo devido, alcançará o patamar e merecido reconhecimento, fruto de muito trabalho e dedicação, as mesmas qualidades que deveriam premiar seus companheiros se devidamente ensinados e treinados por quem de direito, como ele o é…

Amém.

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MOTTA…

No jogo de véspera contra o Uruguai, tecí sérias críticas ao sistema padronizado e formatado como jogam nossas seleções e a maioria quase absoluta das equipes nacionais, de todas as categorias, desde a formação a elite, num sistema único implantado pela NBA, do qual nos tornamos utentes vitalícios, e que combato de forma persistente aqui neste humilde blog, e dentro das quadras quando me oportunizaram equipes para treinar, sempre com resultados surpreendentes para muitos que somente conhecem o grande jogo pelo viés equivocado do insidioso sistema…

A seleção sub 15 masculina, não fugiu do modelo estruturado e implantado coercivamente desde sempre, que por conta deste enraizado vício vem nossa base perdendo, ano após ano, a liderança sul americana, pois o mesmo prioriza jogadas rigidamente armadas, comandadas de fora para dentro da quadra, e induzidas através pranchetas avidamente rabiscadas pelos estrategistas de plantão, rigidamente preocupados com a consecução do mesmo, do que o preparo vital nos fundamentos básicos do jogo, viabilizador de todo e qualquer sistema ofensivo e defensivo que se pretenda desenvolver, ousando ainda afirmar que uma equipe bem preparada e estruturada nos fundamentos individuais e coletivos, principalmente nas formações de base, sempre levará vantagem sobre qualquer outra que se sinta preparada somente com sistemas de passo marcado, inclusive se tratando mesmo de seleções, municipais, estaduais e nacionais…

Perderam para o Uruguai exatamente por isso, quando os orientais se impuseram pela qualidade nos fundamentos de dois de seus principais jogadores, principalmente nos arremessos médios e longos, enquanto nos perdíamos enredados em esquemas falhos no ataque e na defesa, situando nossos melhores jogadores afastados do perímetro interno fustigados pela intensa defesa uruguaia…

No jogo de ontem, contra uma equipe com preparo fundamental superior a nossa, mais alta inclusive, e com duplas de armadores potentes, iniciamos o jogo ferindo-os no seu âmago defensivo através a “soltura” (pessoal ou autorizada) de três jogadores, Rodolfo, Leoni e Felipe Motta, com seus afiados e ousados fundamentos de drible, fintas, passes e arremessos, somados a acentuada melhoria no sistema defensivo individual da equipe em seu todo, para dominar os portenhos nos dois primeiros quartos, arrefecer no terceiro, e, por conta de um desgaste físico da trinca, exigida ao máximo para a sua idade (Rodolfo atuou por 42:43 min e Motta por 39:47), permitir o empate no tempo normal, provocando uma extenuante prorrogação vencida com méritos e muito sacrifício, qualificando-se para a grande final de hoje contra a única equipe que a venceu na classificação, e donos da casa…

Neste cenário cabe uma reflexão, importante e sensível reflexão, na jovem e impactante figura de um jogador singular, ainda não desenvolvido em seus segmentos físicos e articulares, parecendo desengonçado em alguns movimentos, ao correr, ao se deslocar lateralmente, tropeçando às vezes em seus enormes calçados, com um TOC perceptível na preocupação constante com seu calção, porém magnífico quando de posse da bola, espaçando suas pernas numa vasta superfície impossível de ser coberta por seu marcador, nos seus giros velozes e incisivos, liberando-o para os tão esquecidos DPJ´s, bandejas ambidestras, libertando-se lateralmente para um longo arremesso do alto de seus 1,97 m de adolescente altura, que facilmente chegará acima dos 2,05 m, driblando com desenvoltura mesmo preso às draconianas exigências do sistema em que está inserido, acredito inclusive que em sua equipe italiana também, pois seu comportamento assinala para essa constatação, precisando aprimorar as fintas com e sem bola, a variação de velocidade nos corta luzes e bloqueios, e principalmente a leitura mais incisiva de jogo, somente possível quando for exigido por outros sistemas e forma de atuar, e claro, defender com a clarividência daqueles que se conhecem no terreno de jogo, com seus atalhos e maneios, projetando-os em seus eventuais oponentes…

Na breve conversa que tive com ele no ginásio dos Afonsos onde treinava, disse-me que ainda necessitava melhorar muito na defesa e no preparo físico, ficar mais forte e resistente. Bem, no duro e viril jogo de ontem contra os argentinos, ele jogou por quase 40 minutos, desgastantes, marcou 28 pontos (8/14 de 2 pontos, 2/5 de 3 e 6/10 de lances livres), pegou 11 rebotes (3/8), deu 2 assistências, perdeu 3 bolas e assinalou 25 pontos de eficiência, sendo a arma exponencial de sua equipe, logo, forte e resistente para a sua idade, condição esta que se aprimorará com o passar dos anos, naturalmente até os 17/8 anos, quando suas epífises ósseas se solidificarão, para aí sim, e se desejar, adquirir massa muscular adequada ao seu posicionamento e evolução em quadra, basicamente optar pela armação como parece se destinar pelo talento e desenvoltura. Não faltarão “candidatos fisio não sei lá das quantas” prontos para “transformá-lo” em super e velocíssimo atleta, saltador reboteiro inigualável, trombador massificado, entre outras mais valências “cientificamente comprovadas”, como aos montes que aí estão pululando em equipes com suas equivocadas prestações, que passam a muitas léguas de um verdadeiro e cerebral jogador ( Bird e Bodiroga que o digam…), firme e lógico nos fundamentos, lúcido nos arremessos, e generoso com seus companheiros, vencendo ou perdendo…

Sugiro veementemente que invista no preparo fundamental, com critério e insistência, orientado por bons professores, ou mesmo sozinho enfrentando suas dúvidas, descobrindo-se sempre, aberto ao novo embasado nos antigos, diversificando seu preparo com os estudos, as artes, o rítmo (tão importante nos tempos de fintas e ocupação dos espaços), a uma outra atividade desportiva complementar, que ajude na coordenação motora, no trabalho grupal (o remo é magistral nesse campo), quem sabe um instrumento musical, afinando-se na compreensão do improviso, que é um dos sustentáculos da criatividade, pois “só improvisa quem sabe, quem domina seu instrumento de trabalho”, que no caso do grande jogo é aquele algo volúvel e instável que atrapalha tantos “jogadores”, a bola…

Enfim, Felipe Motta é uma grata surprêsa/realidade que tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente, e assistir jogando pela TV, sabedor de seu singular DNA esportivo, na figura de seu avô, a quem iniciei no basquetebol, e seu pai, excelente jogador, técnico e hoje descobridor de talentos para a NBA na Europa.

Torço para que alcance o sucesso por que tanto luta e persevera, pelo seu inegável talento e qualidade humana de que é possuído, não importando o resultado do jogo de daqui a pouco, pois muito bem sei e prevejo com segurança o promissor futuro que o aguarda, bastando querer de verdade e trabalhar arduamente por ele, incondicionalmente…

Amém.

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UM DIFÍCIL, PORÉM POSSÍVEL CAMINHO…

Enfim, consegui assistir o jogo da seleção brasileira masculina sub 15 no Sul americano no Uruguai, contra os donos da casa, na busca pela classificação às semifinais, com excelente transmissão pela internet, e com a narração e os comentários corretos e contidos, como deveriam ser, sem arroubos e exageros, muito comuns por aqui…

Estava curioso para conhecer na prática esta jovem seleção, muito alta e fisicamente forte para a idade, e que muito pouco pude avaliar no treino tático sem defesa que assisti aqui no Rio, quando de minha visita a Base Aérea dos Afonsos onde treinavam, liderados pela experiente Thelma Tavernari do Clube Pinheiros de São Paulo, conhecida e respeitada formadora de jovens jogadores, mas que nunca tinha tido a oportunidade de vê-la em ação na direção de uma seleção tão importante para o futuro do grande jogo no país…

Bem, o que vi em nada e por nada me entusiasmou, pois trata-se de um filme preto e branco das antigas que tenho assistido ano após ano, sem tirar ou apor absolutamente nada do que apresenta monocordicamente, sem inspiração ou inovação de qualquer monta. Sem dúvida alguma a padronização e formatação que nos foram impostas, em nome de uma pseudo globalização na forma de ensinar, treinar e jogar o grande jogo, cristalizou-se, sedimentando na teoria e na prática a mesmice endêmica que tanto combato, numa inglória luta por todo ciclo olímpico que se inicia, por décadas, e pelo que vejo e testemunho, sem um caminho de volta, ao continuar como está. O sistema único de jogo aí está escancarado e triunfante, agregando mais uma maldade, a idéia equivocada e absurda de que somos os bambas mundiais na artilharia dos três pontos, mesmo antes de acertarmos uma simples e prosaica bandeja, sequer um decente DPJ, ou obtermos um 55,5% nos lances livres (15/27 nesse jogo), mais do que suficientes para vencer se acertassem 4 dos 12 perdidos. E mesmo que observassem as continhas que tanto divulgo, ou seja, optando pelos 2 pontos, onde estavam devastadores, pois obtiveram 18/43 (48,1%) contra 11/30 (36,6%) dos uruguaios, somente com a metade dos erros nos 3 pontos (4/23, ou 17,3%, contra 9/26, ou 34,6% dos orientais) num total de 11 tentativas, para vencer com folga um jogo tão decisivo e importante…

Vencendo logo mais o Equador, irão às semifinais, quando terão mais uma oportunidade de atentar para as evidências que aponto acima, quando não terão mais o direito de errar estrategicamente de forma tão bisonha e óbvia, apesar de ostentar um vício de atuação que a cada dia, mês, ano, décadas, se avolumou de tal ordem, que dificilmente reencontrarão o caminho esquecido, perdidos que estão na quimera de que são os maiorais nos longos arremessos, sem antes aprenderem e aplicarem os mais simples, aqueles que ganham jogos e campeonatos, assim como dominarem a arte maior de se anteporem aos mesmos, dentro e fora do perímetro, no exercício competente de um sistema defensivo aceitável. Fico muito triste e decepcionado em ver jovens armadores correr maratonas cada vez mais velozes, sem pensar e ler o jogo, confundindo pressa com velocidade (como muito bem descreve o Wlamir), e serem cada vez mais induzidos a se tornarem cestinhas, de preferência nos 3 pontos, assim como altos pivôs virem jogar fora do perímetro, e agora também lançando para os 3 pontos, e mais, alas com extrema dificuldade nos dribles e fintas, e o pior nos passes, expostos a quantidade dos mesmos advindos do sistema que utilizam, em estéreis contornos, quando deveriam incidir na direção da cesta, buscando-a naquelas curtas e efetivas distâncias, obcessivamente, pois oferecem um grau de precisão muito maior que os tiros de fora, campo para muito poucos especialistas em condições de liberdade e equilíbrio pleno…

Abrir os quatro no ataque, deixar o solitário pivô num eventual e raro 1 x 1, correria em círculos cada vez maiores, passes em contorno, os 24 seg se exaurindo, concluindo com um arremesso qualquer de fora, ou uma penetração desesperada e quase sempre inócua, é a realidade de como jogamos, com atitudes e movimentos previsíveis, como jogam a maioria das equipes, e que segundo os mágicos preparadores físicos, hoje praticamente os donos do jogo, superável pela velocidade extrema, a capacidade de saltar e duelar fisicamente, onde o pensar e raciocinar se torna dispensável na maioria das ações técnicas, táticas e principalmente, estratégicas de uma modalidade cerebral, e não somente física, como vem ocorrendo, por obra e graça das “academias”, e suas inevitáveis consequências, como a crescente escalada de rompimentos musculares e articulares, nada compatíveis com um preparo consciencioso e responsável, principalmente com os mais jovens…

Dói muito assistir jovens talentosos marcando zona, sem as coberturas somente aprendidas nas técnicas da defesa individual, e por isso mesmo sendo devastados por arremessos de fora absolutamente livres, a exemplo dos dois únicos uruguaios razoavelmente habilitados a executá-los (recordando, foram 9/26, ou 34,6%, contra 4/23, ou 17.3% dos nossos)…

A técnica brasileira é muito experiente, prepara bem os jovens em alguns dos fundamentos básicos, mas peca pela utilização padronizada e formatada do sistema único que nos esmaga e mediocriza a mais de 30 anos, perdendo a oportunidade de quebrar esse estigma na direção de futuros e talentosos jogadores, formulando um novo enfoque de jogar o grande jogo, dando aos mesmos a oportunidade criativa e fundamental de se situar como proprietários de algo realmente novo e desafiador, dando seguimento a já aceita dupla armação, e a existência cada vez mais ampla de jogadores altos, rápidos e flexíveis, todos em busca de um forma realmente inovadora, desafiadora e ousada de pensar e jogar o grande jogo, atuando no âmago da defesa adversária, e não arremessando bolinhas cada vez mais distantes da cesta, por absoluta inacapacidade de aproximação, motivada pela precariedade nos fundamentos do jogo, que é a prioridade absoluta na formação de base, inclusive em seleções…

Espero que mudemos a tempo de enfrentarmos o ciclo olímpico para 2024, e que os deuses nos ajudem.

Amém.

Fotos – Reproduções da internet. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

UM FUTUROSO JOGADOR…

Estive na manhã de ontem no Campo dos Afonsos, onde treina a seleção sub 15 masculina para o sul americano que se inicia nesta próxima segunda feira no Uruguai. Tive um motivo a mais para lá estar, conhecer pessoalmente o Felipe Motta, neto do Paulo Cesar Motta, a quem ensinei o grande jogo, e filho do também Paulo Motta, que aprendeu a jogar com o agora orgulhoso avô, numa escalada familiar exemplar. O Felipe, nascido na Itália onde vive com os pais, optou jogar pela seleção brasileira, estreando no sul americano sub 14, sendo premiado como o MVP da competição, depois de conquistar o título europeu da categoria pela equipe da Stella Azurra de Roma, onde treina e estuda. Felipe estava machucado num dos dedos do pé, não treinando para ser submetido a intenso tratamento, a fim de poder participar da competição, sendo o excelente jogador que já desponta como uma promissora realidade para o nosso basquetebol, na continuidade de seu esmerado preparo na península itálica…

Conversei um pouco com ele, que ficou surpreso pelo fato de saber que seu avô tenha sido preparado e treinado por mim, assim como seu pai também privou de minha orientação na técnica dos arremessos por duas semanas quando em uma das visitas ao Rio de Janeiro. Observei surpreso sua maturidade aos 15 anos, focado no basquetebol e nos estudos, assim como sua opção em jogar pela seleção brasileira, em vez da Italiana para a qual foi convocado, afirmando que foi uma escolha natural pelos fortes vínculos familiares de onde se origina. Infelizmente, não pude observá-lo em ação presencial, pois já o tinha visto através alguns vídeos postados pelo Paulo na Internet, tendo me impressionado sobremaneira por sua elevada estatura, 1,97 jogando como um ala armador, e que previsivelmente atingirá os 2,10, altura impressionante para um jogador que atua na armação, veloz, ágil, elástico e forte. Torcerei muito pelo seu sucesso, e quem sabe um dia, possa instruí-lo em algumas técnicas de arremesso, como fiz com seu pai, do qual sou padrinho e seu avô, compadre de longa data…

Quanto ao treino, que assisti solitário na bancada, pude atestar o muito bom material humano a disposição da excelente técnica e formadora Thelma Tavernari, que sem dúvida alguma liderará a seleção a mais uma conquista no Uruguai. Foi uma excelente manhã, sem dúvida alguma.

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal. Na segunda foto, o orgulhoso avô Paulo Cesar (número 10), jogando pela Escola Carioca de Basquetebol (1962) no Ginasio do Palmeiras em São Paulo, ao lado do Vitor, e agachados, Lourival, Peixotinho e Eddie. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

OS DOLOROSOS ACHISMOS…

– “A falta é importante porque mostra a vontade de defender”…

– “Se o técnico tem direito aos tempos, devem ser usados”…

– “A falta inteligente deve ser usada para parar um contra ataque, ou para esfriar o jogo”…

– “Se é para fazer uma falta, uma trauletada, mas sem intenção de machucar, deve ser feita, evitando os dois pontos e enviando o adversário para a linha do lance livre, onde pode errar”…

Todas são opiniões da nova geração de comentaristas, pinçadas nas transmissões pela TV e pela internet, que inclusive promove alguns gênios do conhecimento técnico e tático do grande jogo, como uma jovem repórter simpática e falante, que após ser apresentada ao grande jogo uns dois ou três anos atrás, discorre hoje um caudal de conhecimentos que, após 50 anos de engajamento no mesmo, não consigo me equiparar, numa situação muito séria a ser pensada, pois todos eles, de posse unilateral de microfones, em redes nacionais, influenciam jovens por todo o país, com informações, e agora falando muito sério, falsas, errôneas e equivocadas premissas sobre uma modalidade desportiva mais do que centenária, complexa e altamente técnica, que exige muito estudo e pesquisa, e não supostos conhecimentos e chutações descabidas, irresponsáveis? Não sei…

Fala-se muito de defesas, como a do Pinheiros contra o Flamengo, mas “como” defenderam, silêncio total, e se quisessem ou pudessem se estender sobre os detalhes e minúcias, aí seria o caos, pois tais pormenores sequer desconfiam quais sejam, muito menos, como funcionam. Fica mais fácil e palatável a “forte vontade de defender”, cometendo aquelas faltas que a definem, dando as trauletadas necessárias, claro, sem más intenções, e o mais importante, agindo faltosamente com inteligência, pois exercer coletivamente a marcação com a movimentação das pernas, e não dos braços, flutuar de forma lateral e não longitudinalmente a cesta, e contestar em projeção verticalizada (trasformando o deslocamento horizontal em vertical) os longos arremessos, complementando com o movimento em extinção dos bloqueios (bem lembrado pelo Wlamir) nos rebotes, e priorizando, lá na frente, as finalizações de 2 em 2, otimizando todo o tempo de posse de bola disponível, de forma alguma é mencionado, por um único e singelo motivo, não sabem nem conhecem bulhufas do grande jogo, mesmo, mas são os que estão dando as cartas, deixando na poeira aqueles muito poucos que também empunham microfones, mas à sombra consentida dos gênios de plantão, por não ostentarem a imagem marqueteada e midiática que vende o produto NBB/NBA. Some-se a tudo isso o nível absolutamente surreal das ufanistas e tonitruantes narrações, e temos um retrato bem fiel das quantas andam a verdadeira situação do grande jogo nesse imenso, desigual e injusto país. Solução paliativa para mim? Desligar o som…

Agora mesmo, num pré-jogo na Arena Carioca, um dos comentaristas informa em primeira mão a estratégia inicial de uma das equipes que pagarão para ver as bolinhas do adversário, a fim de reforçar os rebotes pela flutuação aos longos arremessos, arriscando tomar alguns pontos, em favor do jogo de transição (?), evitando a segunda bola em rebotes ofensivos. Como vemos, o fator defensivo intenso, básico e presente não entra em consideração, mesmo sob o recente exemplo do Pinheiros vencendo o Flamengo “fungando no cangote” rubro negro o jogo inteiro, como deve ser feito de forma regular, e não esporadicamente…

Enfim, vamos vivenciando essa mesmice irritante e endêmica que sufoca o grande jogo entre nós, agora enriquecido com a prolixidade técnico tática de uma geração de comentaristas, irmanados nos equivocados achismos e pontos de vista, todos absolutamente convictos do que pensam saber e influir a realidade do grande jogo, ou seja, dolorosamente nada…

Amém.

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“A LINHA FÓBICA”…

Há muito tempo que não me divertia tanto assistindo um jogo de basquetebol, como o de ontem entre Flamengo e Mogi, principalmente pelos irônicos e bem colocados comentários do Wlamir, que entre jogos do NBB e as novelas, preferia-as sem pensar, ainda mais quando estão em seu final. O institucionalizado “chega e chuta” o assusta demais, assim como a barafunda que os jogadores fazem ao confundir “velocidade com pressa” nas conclusões das mais comezinhas jogadas, das mais primárias finalizações, errando em profusão nos fundamentos básicos do jogo, nos passes paralelos a linha final (provocados quase que automaticamente pelos deslocamentos padrão do sistema único, com seus passes de contorno), nos dribles e fintas, tropeçando naquele elemento que atrapalha muitos jogadores considerados de elite, a bola, e inclusive classificando alguns como “em extinção”, como o posicionamento defensivo e antecipativo nos rebotes, o abandono do simplório, porém eficiente DPJ, o desconhecimento do “giro” pelos pivôs, e o que classifica com propriedade de “linha fóbica”, como aquela que delimita os arremessos para os três pontos, numa genérica ação doentia, que mereceria aprofundados estudos, em que a maioria de nossos jogadores padecem fóbicamente, segundo o grande jogador e professor de primeiríssima linha…

O mais engraçado ainda é a nova tendência de alguns jogadores arremessando “do meio da rua”, anunciados aos berros pelos ufanistas narradores, como se a desenvolvida técnica do Curry se incorporasse na turma da forma mais “natural” possível, bastando para tanto simplesmente chutar, chutar, chutar…

Na véspera, um outro comentarista, ex técnico e conhecido pela vociferação verbal com seus jogadores, elogiando a atitude da LNB não permitindo os microfones nos pedidos de tempo, a não ser no minuto final dos jogos (uma velha e insistente reivindicação aqui desse humilde blog), como uma ação benéfica, pois na maioria das vezes os insultos e palavrório inadequado constrangia mais do que informava os ouvintes, num comentário sutil e revelador…

Todos os comentários, agora mais vastos e obrigatoriamente mais consistentes pela ausência do áudio vindo dos bancos, definirão o quem é quem da crítica e análise do grande jogo, a não ser que desenvolvam aos píncaros o festival de “encheção de linguiça” em que a maioria deles mergulhou na grande rede…

Como disse no princípio, a muito não me divertia tanto num jogo de basquetebol, mas com uma nesga de incredulidade ante os 38 erros cometidos por ambas as equipes (17/21), a chutação “fóbica” sem o mais ínfimo resquício defensivo (foram 19/46 bolinhas…), numa promoção de “tiro aos pombos”, pela maioria das equipes, com o consentimento “evolutivo” dos estrategistas sempre de plantão, na ânsia inconsequente de “modificar o jogo”, a la Curry/Thompson/Durant Company,  como se os possuíssem em suas equipes, numa projeção técnica que raia ao absurdo, e cuja cobrança mais adiante nos mais importantes torneios internacionais, onde as contestações se farão presente, em nada aliviará nossa consentida e equivocada opçao…

No entanto, nem tudo foi “diversão”, pois um debate foi estabelecido pelos comentaristas sobre os reais motivos da não convocação do Marquinhos para a seleção que disputa as eliminatórias para o Campeonato Mundial, e que teve no Wlamir, ao saber pelos colegas que assuntos pessoais indispunham o Petrovic com o jogador, comentou – “O técnico pode perder a confiança na pessoa, não no jogador, que é fundamental para a Seleção” – Discordo caro mestre, o jogador e o homem são a mesma pessoa, indissociavelmente ligados, principalmente a um grupo de trabalho, do qual, ele e o técnico fazem parte, e onde a confiança pessoal, técnica e profissional deve existir incondicionalmente, principalmente numa seleção brasileira, logo…

Amém.  

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O POSSÍVEL AMANHÃ…

Desde algum tempo, e face à progressiva decadência do desporto de base no país, me perguntam insistentemente, que providências encaminharia ao poder público, a fim de serem estudadas e analisadas junto a sociedade civil, na busca de soluções factíveis a nossa realidade de país carente de recursos voltados a educação física e ao desporto, como manifestações de extraordinária importância na formação plena de nossa juventude, em conjunto com as disciplinas tradicionais, as artes, a música, o teatro e a dança, que é um direito constitucional de todo cidadão brasileiro, queiram ou não os dirigentes e os políticos deste imenso, desigual e injusto país…

Sendo na Educação Física e o Desporto a minha formação básica, como professor e técnico em todos os níveis e graus de escolaridade, do primário à universidade, face à licenciatura plena, assim como o profundo envolvimento na área clubística, da formação de base até a elite junto ao basquetebol, por mais de 50 anos de árduo trabalho, estudo, pesquisa e ação direta na formação dos futuros professores de educação física na UFRJ, Universidade Castelo Branco, UERJ e UFF, complementando minha educação com o bacharelato em Jornalismo Audiovisual, e o Doutoramento em Ciências do Desporto na FMH/UTL de Portugal, sinto que posso sugerir algumas providências que auxiliariam substancialmente o desenvolvimento da educação física e os desportos no país…

Para tanto, devo me reportar ao início da hecatombe que se abateu sobre a formação dos futuros professores de educação física e desportos, quando em 1972, sob a direção da Profa. Maria Lenk, foi estabelecida a transferência da EEFD/UFRJ do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, para o Centro de Ciências da Saúde daquela instituição (eramos na ocasião, eu e o Alfredo Gomes de Faria acessores da Maria Lenk, demissionários pela decisão), com a justificativa de que a educação física somaria um mais elevado status profissional se ligada a área médica, dando início ao ciclo da saúde integral, mais tarde transformada em culto ao corpo, originando o bacharelato e o inacreditável CONFEF/CREF, à imagem do Conselho de Medicina, transformando as escolas de educação física em praticamente centros de formação de paramédicos, pois seus currículos prioritários de créditos de disciplinas desportivas, com suas didáticas específicas, foram sendo minimizados em beneficio de disciplinas biomédicas, justificando o aparecimento do bacharelato na área, fortalecendo e abastecendo a indústria do corpo com mão de obra estagiária barata, hoje largamente disseminada pelo país, com suas holdings de suntuosas academias, utilizando-os a granel e preço baixo, num negócio que já movimenta mais de 20 bilhões anuais, não interessando ao mesmo a implementação e desenvolvimento da educação física escolar, arriscando um mercado de tal monta e estratosféricos lucros, daí suas incursões na área das licenciaturas, origem do professorado, e não somente bacharéis e provisionados, definidos como profissionais de educação física…

Com os currículos minimizados nas disciplinas desportivas, como preparar melhores professores para as mesmas, como desenvolvê-los nas disciplinas da licenciatura com tão poucos e parcos conhecimentos, como? O resultado a longo prazo (e já lá se vão 46 anos desde a trágica opção) se faz sentir com a perda e clara decadência do ensino dos desportos junto aos jovens, nas escolas e nos clubes, pois muitos dos responsáveis por essa básica tarefa, foram sendo transformados dai em diante em “professores” após seu tempo como praticantes, além dos muitos que foram, e continuam sendo “provisionados” pelo sistema CONFEF/CREF por todo o país, que não satisfeito ousa, com algum sucesso político, influir na formação universitária, seus currículos, e nos concursos públicos municipais, estaduais e federais, condicionando o ingresso aos mesmos ao registro no cref, numa atuação diretiva a que não deveria ter direitos, pois teima em investir na área educacional quando estruturado como controlador qualitativo dos “profissionais de educação física”, como tentam definir os licenciandos das escolas de educação física, nivelando-os aos provisionados que avaliza, e os bacharéis, abastecedores do bilionário mercado da indústria do corpo, e que teria de ser alijado da pretensão absolutista do controle qualitativo dos licenciados, dos professores, haja vista a não existência de conselhos nas demais disciplinas dos currículos escolares, gerando a pergunta mais enfática – por que somente existe um conselho federal na disciplina de educação física, por que? Creio que o exposto acima responde com folga a este questionamento, ou não?

Hoje mesmo, o Confef publica em página inteira no jornal O Globo uma publicidade oportunista e falaciosa, pois o eleito presidente da república não é formado em curso superior de educação física, e sim qualificado como instrutor em curso de um ano, quando oficial do exército, pela EEFEx, que forma também monitores quando sargentos, para atenderem as exigências físicas das tropas nos quartéis, onde em muitos deles atendem jovens da periferia e organizam colônias de férias em suas bem cuidadas instalações, muito bem administradas, deve ser dito, e que durante os governos militares também recebiam o registro “D”, equivalente aos licenciados, que os qualificavam para o ensino escolar e universitário, hoje não mais existente. Trata-se a publicação da página do Comfef de uma jogada política oportunista, e que tem como razão maior sedimentar e dar impulso a sua conquista prioritária, o domínio total da indústria do culto ao corpo com seus vultosos lucros, onde o desenvolvimento pleno da educação física e do desporto escolar ao desviar um número significativo de utentes de suas majestosas academias, deve ser mantido no estágio falimentar atual…

Então, como primeiro passo para reencontrarmos o caminho para um melhor ensino da educação física e os desportos nas escola e nos clubes, se torna prioritário e obrigatório a volta dos cursos de educação física para os Centros de Ciências Humanas, berço formador de professores, deixando para trás os Centros da Saúde, que já se locupletaram com o rentável naco da fisioterapia, reintroduzindo prioritariamente os créditos das modalidades desportivas e pedagógicas, como de antanho, assim como reforçando a licenciatura e as práticas de ensino junto a escolas, e não academias. Acredito que num prazo médio obteriamos melhorias substanciais no ensino dos desportos, sem dúvida alguma…

Dada a grande dificuldade politico econõmica para a extinção do anacrônico e impositivo sistema Confef/Cref, que o mesmo se situe no “controle qualitativo” dos muitos e muitos provisionados que patrocinou e registrou por anos a fio, e dos bacharéis não credenciados com a licenciatura, até que o bom senso seja resgatado, que é o fator crucial que difere “profissionais” de professores de educação física, com sua formação avalizada e reconhecida por quem de direito, as universidades e o MEC, responsáveis de direito pela formação e graduação dos professores do país, e a quem cabe definir suas qualificações…

Outro fator de grande importância é o aparelhamento e atualização das dependências desportivas já existentes nas escolas, sem luxos. e sim com parcimônia e realismo, assim como a criação de parcerias com os inúmeros clubes sociais, que desenvolveram por muitos anos o desporto jovem, hoje ausentes do processo social desportivo, com escolas vizinhas desprovidas de instalações desportivas, em horários compatíveis, sem a necessidade de investimentos em locais inapropriados, a não ser a manutenção e melhria dos mesmos, beneficiando a ambos, alunos e utentes.

Outra boa perspectiva no âmbito do basquetebol, seria a de investir qualitativamente na ENTB da CBB, com um planejamento voltado a diversificação regional, atendendo a qualificação de futuros técnicos através o acompanhamento gradual na formação de base, atualizando-os localmente e através informações pela internet, classificando-os anualmente, atendendo a seus progressos no ensino, e não por títulos conquistados, critério este destinado eventualmente aos técnicos das divisões adultas, priorizando o mérito na formação de base, que é o princípio de tudo no desporto…

Finalmente, a reestruturação e despolitização da CBDU e da CBDE, encaixando-as numa política nacional de Educação Física e Desportos, visando o universo estudantil, sem dúvida alguma incrementaria o desenvolvimento de nossos jovens em seu ambiente natural, a escola e a universidade, complementada pela revigoração dos clubes.

Enfim, são soluções viáveis e de oneração compatível a realidade do país, bastando ser estabelecida uma autêntica e objetiva política voltada a educação física e os desportos visando a tão negligenciada juventude deste enorme, desigual e injusto país.

Amém.

Fotos – Arquivo pessoal da participação  feita no Congresso Brasileiro de Justiça Desportiva, realizado em Florianópolis em setembro de 2015, onde expus alguns dos pontos aqui abordados nesse artigo, e reprodução do jornal O Globo. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

 

QUE OS DEUSES NOS PROTEJAM…

Nessas duas primeiras rodadas do NBB 11, consegui, com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e como, invariavelmente acontece, me coloco na contramão da mídia dita especializada, pois os comento como professor e técnico de basquetebol em todos os parâmetros exigidos pelas funções, e não como torcedor, consumidor, entusiasta, ou mesmo comentador de uma modalidade complexa e altamente refinada como o grande jogo deve ser encarado e esmiuçado, sem as chutações a que é submetido no processo osmótico daqueles que o foram apresentados outro dia, sem contar as transmissões ufanistas e empoladas em termos “de como dizem os americanos”, como se isto fosse a nossa verdade do grande jogo, num colossal erro de falsa percepção e conhecimento profundo do mesmo…

Impressionante as elucubrações técnico táticas que são lançadas a esmo pela rede, pela TV, pelos blogs, e o que é mais tragicômico, sem um mínimo de autenticidade, pois comentam jogos rigorosamente iguais, praticados por equipes que se emulam freneticamente, onde americanos meia boca ditam suas normas individualistas (pranchetas? Ha, sei…), elevando o sistema único ao patamar supremo da mesmice endêmica a que pertencem, todos, rigorosamente todos, numa incômoda, precária e lastimável repetição do nada a que estão atrelados, dentro, e o pior, fora das quadras, bastando observar estupefatos os desconexos rabiscos nas midiáticas pranchetas desde sempre, a desenfreada hemorragia nas bolinhas consentidas e incentivadas pelos estrategistas, resultantes da ausência defensiva generalizada (logo falseadas), que retomam sua predominância em jogos, como Joinville e Pinheiros, onde 73 arremessos de três foram realizados (30/43), contra 45 de dois pontos (25/20), numa demonstração tácita do descaminho em que enveredamos a cada rodada que passa, realocando na cabeça do Petrovic sua maior preocupação em termos de seleção, de equipe enfim – como encarar de frente essa situação, combatendo-a, ou aderindo, como fizeram  seus colegas estrangeiros que o antecederam? – com os resultados que conhecemos, tristes resultados, e mais tristes ainda, catastróficos, a continuar grassando essa absurda autofagia…

Os erros de fundamentos continuam na faixa dos 27,2 por jogo, com somente uma partida abaixo dos 20 erros, Mogi 97 x 83 Pinheiros com 15 (num jogo de ontem o comentarista mencionou os 20 erros de uma das equipes como uma tragédia, no entanto classificou o jogo como um “partidaço” digno de nossas melhores tradições), sendo que um deles vem se avolumando perigosamente pelas mãos de armadores, categorizados ou não, que “conduzem” a bola abertamente no drible (cometendo a infração de andar com a bola, já que interrompem deliberadamente a trajetória da mesma em direção ao solo) , facilitando e exequibilizando jogadas e fintas mirabolantes, que sem a utilização desse estratagema ilegal, jamais se concretizariam, sem que os juízes os impeçam como deveriam fazê-lo. Aliás, lembremos que num jogo em Mogi do ano passado, a dupla de comentaristas Cadum e Boracin, mencionava aos risos que se as conduções fossem penalizadas, nenhum jogo nosso andaria, relato esse vindo de dois de nossos melhores armadores, inclusive de seleções nacionais…

Mas o mais frustrante, é ter de presenciar o “ritual” em torno do estrategista a cada tempo pedido, quando o mesmo se reúne com seus assistentes confabulando estratégias (que se treinadas dispensaria tais e inócuas reuniões), ter sua cadeira (trono?) colocada por um deles em frente aos jogadores, sua prancheta entregue por outro, para ao fim do discurso e dos rabiscos, devolvê-la, senhorialmente. Simplesmente constrangedor…

Acredito firmemente que, nem tão cedo veremos progressos em nosso infeliz basquetebol, investidor pesado em marketing, imitação (que não deveriqa ser assim) pífia da matriz, penduricalhos disfarçados em lazer, e arenas cada vez mais vazias, esquecendo a mater tarefa para desenvolver de verdade o grande jogo em nosso imenso, desigual e injusto país, o investimento maciço e estratégico na formação de base e de técnicos, entregue a quem tem competência de planejá-lo, orientá-lo e liderá-lo, também na elite, para servir de exemplo balizador aos que se iniciam, priorizando um maior envolvimento com os fundamentos do jogo, e o emprego de sistemas ofensivos e defensivos diferenciados, e não essa mesmice endêmica escancarada, descaracterizada e robotizada da nossa realidade, camuflando-a com um pastiche imitado, servil e colonizado do que, por força de um mercado voltado ao lucro, nos impingem desenfreadamente, e de fora para dentro. Acredito, honestamente, que temos muito mais a mostrar e demonstrar técnica e taticamente no mundo do grande jogo (já fomos grandes, lembram?), que não seja o que aí está, carcomido e absolutamente medíocre, onde nossos melhores prospectos são lançados além fronteiras às feras ainda púberes, com precário preparo estudantil (muitas vezes nem isso…), manipulados por agentes e empresários ávidos por lucros imediatos, a que preço for, tendo o apoio de uma mídia mais ávida ainda do reconhecimento de suas abalizadas, imprecisas e interesseiras projeções, muitas vezes incultas e irresponsáveis, vide o que vem acontecendo com nossos “craques” no mercado selvagem do basquetebol internacional, a começar pela matriz, onde sequer conseguem se manter 5 minutos em quadra, sendo descartados no varejo de um mercado que não perdoa a má formação de base, enquanto por aqui gasta-se muito dinheiro com estrangeiros de terceiro/quarto níveis (uns poucos se salvam, a começar pelos hermanos), participantes de um festim, onde o sistema único nivela jogadores, técnicos, diretores, jornalistas e torcedores, em torno de uma formatação e padronização aceita por todos, pois mantenedora de suas posições, empregos e discutíveis prestígios, se confrontados com a dura realidade internacional…

Sim, consegui com a máxima benevolência possível, assistir jogos da maioria das equipes participantes, e, sinceramente, preferiria não tê-lo feito, a fim de não sentir o triste desprazer de ter postado a matéria acima , mas convenhamos, alguém teria de fazê-lo, principalmente se realmente se interessa e ama o grande jogo bem formado, treinado, discutido e, acima de tudo, bem jogado, pois lá se vão 14 anos de Basquete Brasil, esta humilde e democrática trincheira em defesa de todo um corolário de conhecimentos factíveis e responsáveis, ao largo das chutações e achismos modais, anônimas ou não… 

Que os deuses nos protejam…

Amém.

Fotos – Conferência de abertura do 3o Congresso Mundial de Treinadores de Lingua Portuguesa, Lisboa julho de 2009 (video).

– Divulgação CBB. Clique duas vezes nas mesmas para ampliá-las.

DESDE 2010…

Dando uma boa revisada nos 1482 artigos aqui publicados, me deparo com este de 1/8/2010, um pouco depois de me despedir do NBB, numa curtíssima temporada de 49 dias e 11 jogos, artigo este que preconizava um novo tempo que, passados 8 anos, muito pouco foi modificado em nossa forma de jogar o grande jogo, a não ser por algumas pontuais adaptações, como a agora generalizada dupla armação, e a contratação cada vez mais ampla de alas e pivôs rápidos, ágeis e flexíveis, sem, no entanto, ir fundo na fluidez ofensiva e o emprego de defesas fundamentadas nas flutuações lateralizadas, e acima de tudo, na preocupação estratégica do treinamento integral dos fundamentos individuais e coletivos do jogo, obrigatoriamente, pois se constitui no ferramental  básico para que o mesmo possa ser praticado com firmeza e conhecimento acerca dos sistemas ofensivos e defensivos escolhidos por cada equipe, independente de idade, posição e categoria, inclusive em seleções…

Eis o artigo:

domingo, 1 de agosto de 2010 por Paulo Murilo7 Comentários

A seleção brasileira se sagrou campeã no sul americano, e em cima do tradicional adversário, a Argentina, pena que somente por 10 pontos, quando, se de 2 em 2 pontos poderia ter chegado aos 20-30 de diferença, bastando que para tal tivesse concentrado o jogo no perímetro interno, onde nossos pivôs se impuseram pela velocidade, e não pelo embate físico. A síndrome dos 3 pontos ainda não foi debelada, por puro ciúme dos “shooters” com a dinâmica dos 4 pivôs móveis que se revezaram de 2 em 2, com o Murilo de regente, jogando de frente para a cesta, e não de costas como os pivôs grandalhões e pesados argentinos. E para 3 pivôs móveis faltou pouco, já que o Arthur e o Tavernari também se movimentaram em deslocamentos constantes dentro do perímetro, onde os 2 pivôs ágeis e móveis reinaram absolutos.

E tudo isto fundamentado nas ações de 2 armadores sempre em quadra, nas figuras do Fúlvio, do Nezinho e do Luis Felipe, todos armadores natos, ações estas menos decisivas quando o Duda destoava na função por não dominá-la como os outros 3, daí sua preferência pelos arremessos de 3 sempre que possíveis. E mais, com os armadores sempre próximos, e não como costumavam jogar se escondendo no fundo do ataque.

Tanta mobilidade também acrescentou uma melhora substancial na defesa antecipativa e veloz, falhando só e gravemente nas anteposições dos precisos arremessos longos dos argentinos, quando um posicionamento bem próximo e energico aos mesmos, os instigariam às conclusões de 2 pontos, numa troca de 3 por 2 altamente benéfica para a equipe.

E pensar que quando sempre defendi a utilização permanente da dupla armação no controle do perímetro externo, e da utilização de pivôs de grande mobilidade no interno, fui tachado de teórico e lunático, até o dia em que retornei às quadras e provei com o humilde Saldanha que as possibilidades existiam, e não só com dois pivôs móveis, e sim com três! Mas estamos aprendendo, e depressa. Por isso parabenizo o João Marcelo que conseguiu exequibilizar esse inusitado modo de jogar, com algumas boas adaptações, fruto do que observou também, quando sua antiga equipe do Paulistano enfrentou a minha no NBB2 e perdeu em casa, exatamente pela utilização que fizemos da dupla armação e dos três pivôs móveis que não soube, ou não pode marcar. Agora a Argentina que se cuide daqui para a frente, já que estamos, aleluia, evoluindo técnica e taticamente de verdade.

O engraçado nessa história toda foi a declaração do Magnano em uma entrevista cedida ao jornalista Rodrigo Alves do Rebote em 30/06/2010, sob o título Papo de Mundial – Ruben Magnano, quando declarou –“ No meu estilo não jogo com dois armadores, mas há uma possibilidade tática aberta”.

Acho que a comissão técnica que esteve na Colômbia nesse sul americano optou pela “possibilidade tática” e venceu os conterrâneos do excelente técnico argentino. Mas será ser possível que essa mesma “possibilidade” possa ser empregue no Mundial que se avizinha? E por que não, também, os 3 grandes pivôs?

Não sei se teria a coragem necessária para fazê-lo. Pena, pois seria instigante e revolucionário. Meu humilde Saldanha (hoje acabado…), o provou.

Amém.

 

7 comentários

  • Douglas Stapf Amancio01.08.2010· 
  • Quem assistiu o primeiro jogo contra o Chile, não acompanhou mais nenhum jogo e assitiu o jogo contra a Argentina não acreditou no que viu. Era um outro time vestindo a camisa do Brasil. Os chutes de 3 foram bem menos à esmo e a movimentação que os armadores impuseram deu a certeza que os argentinos iriam correr atrás dos brasileiros o jogo inteiro.
  • Ótimo trabalho da comissão técnica. E é uma pena que apenas o nezinho fora chamado para compor os treinos da seleção principal. O Fúlvio merecia uma chance também. Que venha o mundial.
  • Henrique Lima01.08.2010·
  • Professor Paulo, faz tempo que quero questioná-lo o seguinte.
  • Eu assisti alguns jogos do Boston Celtics, time da temporada 1986.
  • A linha principal era: Danny Ainge, Dennis Johnson, Larry Bird, Kevin McHale e Robert Parish.
  • Quando vi, me lembrei muito do sistema proposto pelo senhor.
  • Muito.
  • Neste vídeo talvez fique mais claro do que meu texto:
  • http://www.youtube.com/watch?v=pnm24AWHeMo&feature=related
  • É apenas um breve vídeo, mas a forma de jogar da equipe é muito interessante.
  • Bird ora no poste alto, ora no poste baixo, raramente recebendo parado a bola. Os outros dois pivôs, em movimentação constante, abrindo para passar se necessário.
  • E dois armadores. Ainge e Johnson, com disposição para os passes e depois sim para a conclusão, praticamente todas dentro do perímetro.
  • O Boston chutava pouquíssimo de três, aliás nesta época, os chutes de três pontos pouco representavam nas partidas, em termos de volume.
  • Isso, se considerarmos que o volume ofensivo de Larry Bird era de:
  • 19 chutes tentados por jogo, apenas 2 da linha dos tres e outros 17 dentro do perímetro.
  • Professor, quando vi, me lembrei e muito do que o senhor propõe.
  • Sei que Bird não é pivô. Não como os pivôs são referenciados hoje, como Shaquille O´Neal ou Dwight Howard. Mas, porque os pivôs não podem ter a qualidade de passe, visão de jogo, drible, arremesso de um Bird ? Porque negligenciá-los ?
  • Porque Kevin McHale e Robert Parish servem neste sistema do Boston como passadores, como definidores de jogadas de todas as formas, mas prioritariamente perto da cesta e recebendo em movimento e alguns outros pivôs de hoje, apenas estacionam e pedem bola parados ?
  • Enfim Professor, era essa minha dúvida.
  • Um grande abraço ! Henrique Lima
  • Henrique Lima01.08.2010· 
  • PS: O link que enviei Professor, não aparece, mas se selecionar o texto, o senhor verá.
  • Basquete Brasil02.08.2010· 
  • Sem dúvida foi uma outra equipe. Só discordo quanto aos arremessos de três, que foram vastamente tentados em detrimento do jogo interior, este sim, devastador. Nossos jogadores que atuam fora do perímetro ainda titubeiam na leitura do jogo, mais preocupados que sempre estão em suas produtividades finalizadoras, já que incentivadas por uma mídia equivocada.
  • Por estes comportamentos, prezado Douglas, torna-se urgente voltarmos aos fundamentos, intensa e dedicadamente.
  • Um abraço, Paulo Murilo.
  • Basquete Brasil02.08.2010· 
  • Sim Henrique, já houve um tempo em que o basquete era jogado magnificamente na NBA. Veja como dois eram os estilos de jogo, com sistemas antagônicos e ambos eficientes.Outras equipes da liga atuavam mais diferentemente ainda, numa profusão criativa e de técnica individual e coletiva refinada.Hoje, a globalização esmagou o bem jogar, substituindo-o pelas Battles under basket, dunks,e muito marketing. Sobrou o que aí está. Mas como sou teimoso, e não saudosista puro e simples, mantenho o sonho dentro de mim, espelhado nas equipes que, teimosamente ainda dirijo.
  • Um abraço, Paulo Murilo.
  • Henrique Lima03.08.2010· 
  • Professor, a parte da tática do passado da NBA é muito mais rica do que a atual.
  • Atualmente, devemos ter umas 20 equipes jogando da mesma forma e várias delas perdendo vários jogos e mesmo assim, ficando na mesmice e algo em torno de 7-10 equipes que jogam um pouco diferente ou com conceitos que não são habituais na NBA.
  • Alias Professor, acho que nunca na liga tivemos tão poucos técnicos excelentes. Tirando Phill Jackson, Popovich, Sloan, Adelman, Don Nelson e talvez mais um ou outro que esqueci agora, o resto não faz parte de uma tradição de grandes técnicos que a NBA tinha ao menos, no começo da década de 90.
  • Isso também contribui para que o jogo seja repetido várias vezes e repensando pouquíssimas.
  • Um abraço, Henrique Lima.
  • Basquete Brasil03.08.2010· 
  • A isto chamam de globalização, artimanha logística que justifica a linearização de uma atividade humana, facilitada e operacionalizada por um poder central. Criar novos caminhos ante tal poder, e que auferem grandes lucros a todos os envolvidos no processo, torna-se um fato raro, e frontalmente combatido pela ameaça de quebra de um monopólio aceito e degustado pela maioria, de técnicos à jogadores, de dirigentes a mídia, como um clube fechado, onde a mediocridade se disfarça de elite, todos em defesa do status quo.
  • O passado de tradições esportivas advindas basicamente do meio escolar e universitário, locais onde o estudo, a pesquisa e as inovações tecnológicos nasciam e se espalhavam, inclusive no âmbito dos desportos, cedeu seu lugar às grandes organizações que visam o lucro, as franquias, onde a pragmatização técnico tática garante o fluxo contínuo da riqueza mantenedora do poder e de seus seguidores.Uns poucos tentam quebrar essa corrente, como os Suns em um passado recente, rapidamente engolfado pelo poder maior.
  • Aqui entre nós, esse exemplo vem se esgueirando sorrateiramente, mas pela insipiência do combustível básico para a sua sobrevivência, o aporte financeiro, ainda existem algumas brechas onde as inovações e atitudes corajosas podem reverter esse provável quadro. Quem sabe aqui em nosso país possamos pelo menos equilibrar tais tendências. A pobreza de recursos pode, quem sabe , retardar a imposição vinda de fora. Talvez…
  • Um abraço. Henrique. 

 

Como vemos, muito pouco mudou de lá para cá, principalmente no aspecto tático do jogo, onde o sistema único prospera a cada dia, adaptando-o a dupla armação e alas pivôs mais velozes, mantendo sua estrutura de comando fora da quadra, através imposições de jogadas “exaustivamente treinadas”, enxurradas de arremessos de três, atenção defensiva pífia, principalmente fora do perímetro, e o pior, fundamentos cada vez mais negligenciados, origem inconteste da ausência crônica da fluidez coletiva, por estrategistas mais ligados às suas midiáticas pranchetas, e pouco, muito pouco interessados em treiná-los, sequer ensiná-los, por um único e decisivo motivo, não saberem, em sua grande maioria, fazê-lo, ficando muito mais fácil trocar “as peças” claudicantes ao final de cada temporada, reiniciando o triste processo ano após ano…

Quem sabe um dia acordemos, quem sabe…

Amém.

Foto – Divulgação CBB. Clique na mesma para ampliá-la.

A INADIMISSÍVEL CEGUEIRA…

Olhando com cuidado e muita atenção a página inteira do O Globo ai do lado, fico imaginando o que estão fazendo com o basquetebol brasileiro, proposital e cirurgicamente, destinado-o ao comezinho papel de “poste”(está na moda…) virtual e presencial de um outro jogo, de uma liga que sequer pratica as regras internacionais, dimensionada à estratosfera de um poder econômico brutal, e um suporte técnico lastreado por uma formação maciça de base em suas escolas e universidades, numa contraposição devastadora frente a nossa realidade educacional, econômica e social, mas possuidora de um emergente mercado a bordo de seus 208 milhões de habitantes, onde um décimo de seus jovens, por si só, viabiliza investimentos em calçados, uniformes e apliques oriundos das franquias da turma lá do norte, e claro, de seus fiéis e colonizados prepostos abaixo do equador…

Honestamente, não vislumbro qualquer vantagem mínima nesse intercâmbio, a não ser para a turma lá de cima, amaciando nossos jovens na inoculação de seus princípios e metas a médio e longo prazos, onde o acesso às riquezas de seu interesse estratégico e político, se tornam factíveis na medida direta da maior ou menor simpatia e admiração de seus valores por parte de uma juventude torcedora da NBA, da NFL, e por que não, do MMA…

O basquetebol, sem dúvida alguma é o desporto mais consumido em todo o mundo, divulgado e estudado de forma científica desde sempre, e aquele que comporta a mais vasta bibliografia acadêmica e popular, o que justifica plenamente o imenso interesse político social dos irmãos do norte, principalmente na inteligente globalização que estabeleceram em sua liga maior, elencando cada vez mais estrangeiros em suas franquias multibilionárias…

Olhando com mais cuidado ainda me pergunto – o que representa o Le Bron, ou o Tom Brady para o nosso país, para nossos jovens, quando nenhum deles jamais poderá ter acesso ao seu status econômico e social jogando basquetebol ou chutando uma bola oval? Quem sabe trocando pancadas numa arena de MMA, como alguns patrícios que, inclusive, sugerem ser a modalidade adotada em nossas escolas…

Triste país, onde nem a direita e nem a esquerda deseja o povo educado. aquela para se manter no poder, esta para usá-lo como massa de manobra para conquistá-lo, como nos últimos desgovernos que nos lideraram, e que ainda teimam em manter o que aí está, vide a ausência dessa estratégica necessidade nos discursos dos que aí estão na reta final das eleições…

E no compêndio educacional e cultural de nosso imenso e injusto país, o grande jogo tem um lugarzinho no coração de nossos jovens, e daqueles que já o foram um dia, nas escolas, nos clubes, nos parques, e nas imorredouras imagens de um recente e brilhante passado, onde venciamos a todos, mesmo aqueles que agora nos impõem regras e comportamentos fora de nossa realidade, mas plenos da certeza de que, pelo poder econômico nos dobraremos a sua cultura e poder hegemônico…

Este é o padrão que está sendo estabelecido por uma liga associada a liga maior, aquela lá de cima, onde os negócios, os patrocínios e os master investidores semeiam a padronização, a formatação de um conceito de basquetebol antítese de nossa realidade de país carente daquele aspecto que tornam seus mentores poderosos, a formação de base, a massificação desportiva nascida na escola e nas políticas governamentais, nos destinando a feéríca ilusão de um espetáculo dentro das quadras que raia ao ridículo atroz, em sua pobreza técnico tática e de formação de base, onde a média de erros de fundamentos, nessa versão 2018 da LDB, alcança os 35.9 por jogo, com partidas, como  UNI 71 x 85 Corinthians, com inacreditáveis 59 erros de fundamentos (29/30) !! E como nos primeiros quatro jogos da primeira rodada do NBB11, quando duas equipes perdem seus jogos arremessando mais de três pontos do que de dois (Paulistano 8/37 e Brasilia 11/38), com um dos técnicos justificando Precisamos defender melhor. Tomamos bolas fáceis. Nós precisamos evoluir muito defensivamente. Isso é o que vai dar força para o time buscar os resultados. Porque com o poder ofensivo que nós temos, vai ser natural o nosso ataque desenvolver bem”- Terrível equívoco este, pois com tal desperdício de tempo e esforço com bolinhas em profusão (11/38), perdendo o jogo por um ponto, bastaria seguir a regra das continhas, trocando metade das bolas de três perdidas pelas de dois, quando venceria com alguma folga. Mas é claro que os jogadores tiveram o beneplácito do técnico na enxurrada de bolinhas, corroborando com a afirmação do mesmo sobre o “poder ofensivo” da equipe, ou não?

Felizmente, parece, ainda de uma forma um tanto tímida, que a hemorragia dos três pontos começa a ser estancada (inclusive na matriz) com contestações mais enérgicas e presentes no perímetro externo, o que será muito bom para o basquetebol tupiniquim, num momento em que as equipes embarcam seriamente na dupla armação, e investem em alas e pivôs atléticos, rápidos e flexíveis, mesmo que ainda falhos nos fundamentos básicos, tornando o jogo mais dinâmico, apesar de ainda muito longe da fluidez necessária para alçar ao patamar competitivo no campo internacional, fator este que exige um didatismo mais elaborado para o ensino e a aprendizagem da mesma, num processo pedagógico exclusivo de uns muito poucos profissionais ainda existentes no país, porém relegados ao ostracismo em prol de uma corporação de estrategistas, pouco ou nada interessada em modificar sua rentável e proprietária zona de conforto no restrito mercado de trabalho ora existente, onde o QI ainda impera absoluto…

E o mais instigante, é a irrefutável constatação, de que a origem de todo este movimento renovador tem sido proposital e politicamente omitido desde o NBB 2, quando iniciei junto ao Saldanha da Gama, com somente 49 dias de trabalho e 11 jogos disputados, tudo o que de forma rudimentar adaptaram no que aí está, demonstrados publicamente através os quatro primeiros vídeos completos de jogos daquela competição (hoje universalizados através redes abertas e fechadas de TV, Facebook e Tweeter), nos quais todos aqueles avanços acima mencionados em conquistas técnico táticas foram divulgadas em 2010, bem antes das mudanças atuais, que estão sendo propagandeadas como as desencadeadoras do “moderno basquetebol”, mas que vem sendo copiadas e empregues sem o mais remoto reconhecimento de como, ou através de quem se iniciaram, numa canhestra apropriação, porém capenga e confusa, pois não conseguem penetrar no âmago de suas concepções, onde o didatismo acima mencionado se torna impenetrável para essa turma que se convenceu que o grande jogo nasceu junto com ela, esquecendo que desde o fim do século dezenove ele já existia, com a complexidade e a grandeza que desconhecem, e sequer se interessam em estudar, dando razão ao Alberto Bial em seu depoimento na matéria do O Globo reproduzida ao lado…

 

Mas duro mesmo é você testemunhar um ala pivô galardoado em seleções nacionais, a cinco segundos do final do jogo entre Corinthians e Franca, partir driblando de frente para a cesta, tentar uma finta com troca de mãos, perder a bola por pura inabilidade fundamental, dando adeus a uma possivel vitoria, numa condensação da dolorosa realidade em que lançaram o grande jogo, numa padronização e formatação absurda, quando inverteram com suas obtusas e midiáticas pranchetas e”filosofias” de jogo a prioridade dos fundamentos, substituídos e minimizados  pelo sistema único, num acordo e conluio inter pares, que nos lançou num poço que parece não ter fim, porém enfeitado e glamourizado com penduricalhos voltados aos poucos frequentadores das enormes e desertas arenas, também transformadas em rinhas de torcidas de camisa, onde o esporte cede vez ao pugilato e gratuitas agressões…

Fico por aqui, mas antes sugiro a leitura a seguir, de um blog de basquetebol de Joinville. elucidativo e revelador, pecando somente em não enfatizar os aplausos espontâneos de sua torcida pelas grandes jogadas da esquecida equipe do Saldanha (que podem ser ouvidos no video), com seu basquetebol fluido e realmente apaixonante, executado por excelentes jogadores, nada valorizados ou mesmo bem remunerados, mas plenos da importância de praticarem um basquetebol proprietário e evoluído, o mesmo que tentam desde então copiar, sem no entanto reconhecer de onde vem o canto do galo. Se quiserem atestar o que aqui exponho, se aboletem na poltrona, curtam, aprendam, e se humildes forem, acompanhem os aplausos da torcida catarinense, num ginásio repleto e pulsante frente a uma forma inovadora de jogar o grande, grandíssimo jogo

Amém.    

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

Video – Arquivo particular.

Outros videos disponiveis no espaço Multimidia deste blog.

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