O QUINTETO…

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Foi muito engraçado quando o trovejante narrador iniciou o anúncio dos cinco jogadores que formariam a seleção do Eurobasket, quando apontaria suas posições de 1 a 5, como de praxe, da forma que conhece e divulga desde sempre. Então, vem o primeiro, “da posição 1, também o MVP, Dragic”, e daí para diante se calou, pois o 2 e o 5 não apareceram, e sim mais dois da posição 1, Bogdanovic e Shved, o Doncic da 3, e o Gasol da 4, numa formação de três armadores e dois alas pivôs, que esfumaçou os conceitos posicionais do dito cujo, inclusive sendo acompanhado pelo comentarista que não alinhavou uma linha sequer sobre o quinteto escolhido, claro, numa formação que de forma alguma avalizaria numa equipe dirigida por ele, numa concepção que vem sendo repetida de dois euros para cá, para espanto e incompreensão de muita gente metida a expert no grande jogo…

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E qual foi o recado dado? Nenhum, a não ser a confirmação da radical mudança por que passa o basquetebol europeu para o confronto com o americano mais lá na frente, que de sua parte iniciou a reforma com o coach K liquidando o conceito massudo e desproporcional dos cincões, hoje praticamente extintos, inclusive na NBA, todos trocados por jogadores mais atléticos, rápidos e flexíveis, numa mudança radical e eficiente, assim como desenvolvendo um conceito antigo e esquecido, o de setorizar ações fora e dentro do perímetro, com a utilização de dois armadores e três homens altos transitando internamente, possuidores de confiáveis fundamentos, interagindo sequencialmente e de modo continuado, numa movimentação envolvendo a todos, mesmo que jogadas estejam sendo feitas num dos lados, obrigando a vigilância defensiva e evitando ao máximo as eficientes dobras…

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Ficam então todos maravilhados com tamanha exibição de alta técnica, de sublimes sistemas táticos, esquecendo porém os caminhos que os europeus percorreram, e ainda percorrerão na busca e conquista da máxima eficiência individual e coletiva, aquela através do incessante e contínuo preparo nos fundamentos, da base a elite, garantia de exequibilidade, exatamente por ser lastreada pelo absoluto domínio dos mesmos, sem os quais se torna inalcançável…

Agora,o mais engraçado, se não fosse algo trágico, é o fato repetitivo, monocórdio, aqui longamente exposto e discutido (?), sobre este assunto, o da dupla armação, dos três pivôs móveis (ou alas pivôs se preferirem) que utilizo, desenvolvo a muitos anos em minhas equipes, inclusive no NBB2 com o Saldanha da Gama em apenas 11 jogos incluídos nos 49 dias de um trabalho, que quer queiram ou não, balançou algumas estruturas do padronizado, formatado e globalizado sistema único, que se mantém intocado, incólume e impenetrável, garantindo a segurança e o mercado corporativo de trabalho de uma turma que dificilmente o largará a novos ares e rumos, garantindo a mesmice endêmica asfixiante e autofágica que nos tem lançado permanentemente para trás, numa cegueira coletiva e imperdoável…

Simplesmente (se é que podemos considerar tão simples assim), o que assistimos neste Eurobasket, principalmente em seu jogo final, foi a certificação do poder dominante dos fundamentos do grande jogo por parte de todos os jogadores intervenientes, armadores, alas e pivôs, jovens ou veteranos, independendo onde se situavam na quadra, driblando, passando, bloqueando, reboteando, arremessando, defendendo, todos dominando seus dois instrumentos de trabalho, o corpo e a bola, ambos oscilando para mais ou para menos em torno de seus centros de gravidade, conscientemente bem treinados e adestrados, tornando por conta de tais conhecimentos, factíveis a todos e quaisquer movimentos táticos, dos mais simples aos mais complexos, atendidos em pleno pelo domínio absoluto dos aqui esquecidos e negligenciados fundamentos do grande jogo…

E a tal ponto chegou o pleno conhecimento técnico individual e coletivo daqueles jogadores, de ambas as equipes, que o MVP da competição, Dragic, que até os momentos decisivos da partida já havia convertido 35 pontos, ter sido levado ao banco por seu técnico, após uma sucessão de três erros motivados pela sua mais absoluta exaustão, nos momentos decisivos do quarto final, numa atitude somente possível pelo altíssimo nível da equipe, onde desculpas finais de que uma cólica o teria afastado, seria irrelevante no momento em que uma falência física o tornava refém de falhas técnicas, como a última antes de ser substituído, quando numa longa penetração tropeçou nas próprias pernas caindo de exaustão. Sua equipe, que já havia perdido o Doncic por torção, demonstrou que era realmente coesa e superiormente preparada, vencendo a competição com maestria e brilhantismo…

Por último, um fator que sugere uma análise mais precisa a médio prazo, os arremessos de 3, onde as duas equipes arremessaram 16/51 (8/26 para os eslovenos e 8/25 para os sérvios), demonstrando tacitamente que o jogo foi vencido “lá dentro”, onde os eslovenos conseguiram concluir 27/32 nos lances livres, contra 13/15 dos sérvios, por conta da grande agressividade de seus homens altos, sempre presentes no perímetro interno, provocando um sem número de faltas pessoais, muito bem aproveitadas por seus jogadores…

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Que lições poderíamos compilar deste magnífico Eurobasket, senão a mais enfática de todas, o trabalho de base bem feito e estruturado, conduzido por técnicos e professores da mais alta qualidade, e não escolhidos pelo critério que se estabeleceu política e doentiamente entre nós, o de “premiar” federações próximas, ou não, do centro diretivo, com a formação estratégica de base, campo definitivo para os mais preparados, mais experientes, mais comprovados na tarefa mãe de ensinar correta e didaticamente o grande jogo, que é a chave mestra dos eslovenos, sérvios, russos, espanhóis, argentinos, gregos, alemães, americanos, e todos aqueles que destinam ao ensino seus mais valiosos profissionais, e não amigos e apaniguados pretendentes a currículos recheados…

Quanto às divisões de elite, meus deuses, quais aqueles capazes de transformarem nossos claudicantes craques em bons (bom já seria um consolo) praticantes dos fundamentos, no mínimo que fosse, tornando menos frustrante a exequibilização de um sistema qualquer, um que fosse, ofensivo ou defensivo, que não se situassem reféns de perdas absurdas de bola, de passes, de arremessos, na defesa sempre presente, de bloqueios, simples que fossem, porém suficientes para, no mínimo, incentivar os que se iniciam na prática permanente dos fundamentos, no controle e domínio da bola, de seu corpo, de sua mente, tornando melhores muitos que pensam e se consideram completos, até o dia que enfrentam aqueles que realmente o são, de verdade, e aí, bem,  já conhecemos de sobra os resultados…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

POR QUE FUNDAMENTOS, POR QUE?…

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O basquetebol continua a inspirar cuidados, muitos cuidados, e o que vemos acontecer (?) beira ao improvável, ao impossível de ser resolvido se não houver um mínimo (que deveria ser o máximo) de resoluções realmente inovadoras, arejadas, cristalinas, justas e ponderadas ante situações viciadas e viciosas desde sempre, herdadas de administrações calamitosas e até certo ponto criminosas, escoradas pelo escambo, pelas trocas e favores políticos, pelo protecionismo e pelo domínio centralizado, padronizado e formatado de um conceito técnico tático colonizado e implantado por um corporativismo antítese das verdadeiras raízes do grande jogo em nosso país, que nos último 30 anos nos lançou ladeira abaixo no cenário internacional, e que hoje, frente a mesmice técnico tática endêmica em que nos encontramos ainda teimamos em buscar soluções no âmbito fechado e estagnado do que aí está, perigando seriamente restabelecer os mesmos erros, as mesmas razões dos contumazes fracassos que se repetem ano após ano, década após década, numa monocórdia ação assustadora…

Téc…digo, estrategistas anunciam estarem estudando e assistindo jogos internacionais para se situar na primazia de uma indicação para seleções nacionais, outros ganham viagens para estagiar na matriz com a mesma intenção, mais alguns recebem apoios importantes por serem jovens e promissores, outros por terem agentes influentes, enfim, uma miríade de possibilidades e influências, porém, todos alinhados ao sistema único, rigidamente alinhados, no qual a uniformidade padronizada de jogadas atinge a formatação máxima, mudando uma ou outra denominação, porém uníssonos nos resultados finais, que como temos constatado, beiram ao desastre frente a países que também se utilizam do sistema, com uma radical diferença, compostas suas equipes por jogadores infinitamente superiores a nós nos fundamentos básicos do jogo, fruto de uma bem planejada e concretizada formação de base, e manutenção dos mesmos nas divisões de elite…

O que adianta assistir jogos, tentar adquirir conhecimentos táticos pelo processo osmótico junto a luminares, se debruçar por sobre pranchetas projetando jogadas, tais como coreografias a serem realizadas por encordoados jogadores/marionetes, descerebrados, desconectados com a dura realidade do confronto defensivo direto, que é o fator deles sonegado nas exposições gráficas de seus estrategistas ( que deveria denominar de coreógrafos), numa triste e monótona repetição tempo após tempo pedidos, numa encenação midiática de demonstração de profundos conhecimentos, como uma vitrine de saberes e ostentação, que pode enganar a neófitos, jamais aqueles que conhecem e entendem os meandros do grande jogo…

Treinar sistemas se ampara no pleno conhecimento, por parte dos jogadores, de como exequibilizá-los através suas competências individuais e coletivas, pelo domínio dos fundamentos, sua mais autêntica e segura ferramenta de trabalho, praticada todos os dias, exaustivamente, todos, e não só aqueles que auferem admiração, como os arremessos, omitindo os demais, como o exasperante, difícil e cansativo jogo de pernas defensivo, nada glamouroso, porém fundamental numa equipe de verdade, para estarem preparados às nuances e sutilezas da mecânica exigida para a consecução plena dos sistemas, inclusive o único, cabendo ao técnico de verdade, tornar realidade todas estas exigências, que somente a longa e dura experiência o tornará apto a direção de seleções, melhor ainda se desenvolver e aplicar novas concepções sistêmicas, e não repetir colonizada e osmoticamente o que anota, ou computadoriza, como conhecimento absoluto…

Estudar, pesquisar, ensinar, treinar e dirigir jogadores no grande jogo é uma arte difícil e seletiva, denota muito tempo de preparo, numa caminhada sofrida e pedregosa, não sendo admitido o erro contumaz de exigir o que o jogador se sente incapaz de realizar, como um determinado fundamento, inviabilizando um sistema, forçando-o a um inconsequente improviso, bem diferente daquele outro que, por suas qualidades fundamentais, improvisa no bojo do mesmo, conscientemente, fator este que nos desqualifica frente a países mais bem formados, e que nos cobra seriamente pelos resultados negativos, pois na nossa equivocada concepção, estrategistas, ou coreógrafos, não se detém na direção de jogadores que julgam falhos nos fundamentos, trocando-os por outros e outros, numa ciranda sem fim a cada temporada finda, atestando sua incapacidade de treinar, ou mesmo admitir  ensinar fundamentos, que desconfio seriamente não saberem fazê-lo, o que numa seleção se torna ainda mais letal que numa franquia, ainda mais na teimosa e suicida insistência pelo sistema único, o único que professam, certamente o único que conhecem pela prática e pela ausência da teoria, antigas ou novas, porém indissociáveis da prática, claro, para os que realmente sabem, ou não?…

Busquem esses técnicos/professores, onde estiverem, neste enorme e injusto país, pois em contrário continuaremos a deslizar fundo abaixo, inexoravelmente…

Amém.

Foto – Praticando os fundamentos em divisão de elite, necessidade vital para um embasamento sistêmico. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

GALERIA DO HORROR (FINAL?)…

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Enfim, chegam a toca das felpudas e conhecidíssimas raposas, para a glória olímpica tupiniquim…

Foi esse o comentário que postei na matéria publicada pelo José Cruz no Facebook, que agora gostaria de complementar com uma pequena série de artigos publicados neste humilde blog, dentre os muitos outros que publiquei no intuito de externar minha mais contundente indignação pelos crimes que, enfim, chegam a toca das felpudas e conhecidíssimas raposas, para a glória olímpica tupiniquim…

Galeria do horror – “A educação já está bem encaminhada”

Galeria do horror II – Ministério prepara “Plano de dez anos”

Galeria do horror III…

E fechando esses “horrores”, um primoroso exemplo da mais pura desfaçatez, recordem

Cadeia é pouco para todos os envolvidos nesta Galeria de Horrores…

Amém.

Foto – Reprodução da TV. Clique duplamente na mesma para ampliá-la e acessar a legenda.

TRISTE, MUITO TRISTE…

TRISTE, MUITO TRISTE...

Querido amigo Paulo, o mundo da bola laranja se liquefazendo apanhando feio e vergonhosamente em Medellin, o Brasília se mandando do NBB, o Caboclo cuspindo no prato que comeu, a ENTB sendo entregue a Estácio de Sá, e você mocó? Que houve, desistiu também?…

Depois de um telefonema neste desabusado teor, como me omitir de extravasar ao menos algumas linhas aqui neste humilde blog, como?…

Pois bem, vamos lá, e em primeiro lugar externando meu último sentimento ainda válido, o de não me privar da indignação, da mais pura e primal indignação, pela ignomínia pulsante que grassa no seio do grande jogo, em todas as esferas, da administração ao meio da quadra, da técnica fajuta e enganosa a tática absurda, questionável e equivocada, da crítica primária, ufanista e interesseira a realidade inquestionável dos resultados, escancaradamente jogados para o alto, num barata voa dantesco e autofágico, onde tudo e todos afundam abraçados, num naufrágio coletivo e desalentador…

Linhas e muitas linhas foram escritas ufanisticamente em torno dos jovens craques que emanaram da LDB (com suas equipes apresentando médias de 27,2 erros de fundamentos por jogo e uma cascata interminável de bolas de três), ascendendo equipes do NBB, e agora na Seleção, para gáudio e prazer de espertos agentes, mídia ufanista, oportunos estrategistas, torcedores encobertos pelo anonimato covarde e pusilânime em comentários nas redes da web, narradores e comentaristas se eximindo da crítica direta e objetiva dos reais fatos que destroem a credibilidade do grande jogo, optando pelo falso otimismo, todos, absolutamente todos afirmando contribuir para “o soerguimento do basquetebol no país”, porém omissos aos verdadeiros fatos que o corroem e aviltam desde sempre, num exercício bem conhecido da política e dos políticos que desgraçam este imenso e injusto país…

Caboclo é mais um destes falsos heróis produzido antes do tempo de uma maturação obrigatória e difícil, onde degraus básicos são transpostos aos pares, culminando com a pseuda definição de craque, que de tal modo se impõe, que não admite contestações, ficando a um passo da rebeldia, da não aceitação de comandos, afinal é um profissional(?) da NBA, que tudo pensa saber e agir, para, finalmente, e pela terceira vez em nossa pujante tradição basquetebolista, ser mais um a se negar entrar em quadra, se negar a defender a seleção numa competição oficial, fato que por si só o desqualifica para toda e qualquer convocação futura, sem maiores considerações, e que ele cobre de quem o assessora e orienta a tomar “decisões profissionais” sem o ser na acepção do termo, pois aos 21 anos já é um adulto, e não um jovem em formação, não mesmo…

Brasília se vai do NBB depois de falsa e erroneamente inflacionar o mercado de jogadores, como umas outras poucas franquias o fazem, tornando a médio prazo impraticável a manutenção do modelo sem a contrapartida dos títulos, desnudando de vez a precariedade dos reais valores apostos a jogadores medianos nada próximos aos valores a eles destinados, culminando com o estouro de uma bolha inflacionária incontrolável, num numerário comum ao mundo do futebol, em nada e por nada sequer parecido a realidade do basquetebol nacional. Aqui bem perto o basquete argentino tem um teto salarial definido e sustentável, e somente aqueles que o extrapolam por qualidades realmente de alta técnica emigram para o exterior, para ligas que sejam mais bem dotadas que a dela, simples assim…

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Enfim, e dolorosamente previsível, o basquete tupiniquim chegou ao fundo do poço técnico, já que o administrativo o tenha conseguido bem antes, e pela enésima vez afirmo que o técnico pouco tem a ver com o administrativo, pois na esteira do segundo se instalou no âmago do grande jogo um corporativismo técnico que deflagrou a mesmice endêmica do sistema único, que aí está perdendo de México, Porto Rico e vencendo a Colômbia de um ponto, e no feminino naufragando sem comiseração, tornando inviável e absurda a grita dos “entendidos” do grande jogo pela renovação com jogadores claudicantes e inseguros nos fundamentos, e téc…digo, estrategistas mais claudicantes e inseguros ainda nos conhecimentos mais básicos do jogo, tornando-os inócuos para o comando, agora midiaticamente substituídos por comissões que se reúnem a cada pedido de tempo, ratificando uma lastimável coerência, compromissada ao sistema único, apensa aos tais chifres de diversas matizes e polegares para cima ou para baixo, que seria o correto dentro da lógica romana, que ao direcioná-lo para baixo definiam o destino dos perdedores, lá primários, aqui contumazes…P1150548P1150547

Finalmente a ENTB, que planeja ser entregue a Estácio de Sá, conveniando um sistema de ensino a distância, isso numa atividade cujo aspecto presencial se torna imprescindível ao conhecimento prático e teórico de uma modalidade complexa e detalhista, em tudo e por tudo inadequada a um ensino desta natureza, num autêntico tiro no pé, bem a gosto daqueles que definem massificação pela distribuição pura e simples de informação, que é uma atividade complementar às técnicas de ensino e aprendizagem presenciais, e não a essência das mesmas, conforme pretendem e propalam. Será mais um equívoco, semelhante àquele de sua fundação quando foi comandada por um preparador físico, cujos resultados aí estão…

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Desculpe amigo insistente, mas não inconveniente, são essas as minhas dolorosas colocações, que já vêm de longuíssima data, bem antes da publicação deste humilde blog, propondo, inclusive, que uma saída para esta crise de identidade desportiva fosse debatida em torno de uma grande mesa, por todos aqueles que realmente viveram intensa e profissionalmente o grande jogo em sua mais autêntica essência, anos luz de semelhante proposta como algo inédito e proprietário de pessoas que nasceram ontem, mas julgam que o basquetebol nasceu com eles, pretensão oportunista e infantil, bem ao gosto dos que acham que o grande jogo somente será soerguido exclusivamente pela cabeça arejada dos jovens, esquecendo o princípio que fundamenta a experiência válida, aquela que tem de ser vivida, plena e profundamente vivida, e por isso mesmo menos vulnerável aos erros, os muitos e terríveis erros que tem desgastado e aniquilado o grande jogo, ou não, respondam, debatam, ou se calem frente a tais e contundentes evidências…

Amém, meus deuses, Amém.

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O “CHIFRE DE LADO”…

 

csc-979Obra em casa é sempre um sufoco, muita poeira, muito entulho e muito pouca paciência com os prazos cada vez mais elásticos para o término, que parece não ter fim. Mesmo assim, dei-me um intervalo para assistir a estréia da nova seleção brasileira, plena de jovens e nova direção…

O que vi, e o que achei? Tecnicamente, um naipe de jovens e promissores jogadores, desde que sejam devidamente corrigidos nos fundamentos do jogo (e não lapidados…), a fim de que se gabaritem a sistemas ofensivos e defensivos bem mais exigentes do que o feijão com arroz que apresentam e apresentaram desde sempre, onde nem um mísero bloqueio é efetuado corretamente, quiçá um decente trabalho defensivo de pernas…

Taticamente, a mesmice de sempre, endêmica e limitadora a toda e qualquer iniciativa criativa, que não seja aquela imposta de fora para dentro da quadra, com inclusive uma novidade que, ao ser pedida num dos tempos técnicos, aguçou minha curiosidade, afinal se tratava de uma jogada inédita, pelo menos para mim, o “chifre de lado”, completando a tríade chifruda “para cima”, “para baixo” e “invertido”, mas que na execução ( se é que houve…), fiquei somente com a curiosidade, nada mais…

Poderia encerrar os comentários por aqui, no entanto, como escrevo no dia seguinte ao jogo, pude ler numa matéria do globoesporte o seguinte relato do estreante técnico –

(…)Segundo o comandante, na parte técnica, a ideia foi colocar em prática apenas uma parte do repertório treinado para que os atletas executassem com menor probabilidade de erros. Até a estreia na Copa América, a tendência é que o número de jogadas colocada em prática vá aumentando.

– A ideia é de passar um grande volume nos treinamentos, mas nos amistosos diminuir bem para eles não se confundirem. Nos amistosos, e agora que vamos para a Argentina, não será feito de forma integral. Estamos escolhendo alguns movimentos que eles estão se saindo melhor. Acredito que o que a gente selecionou, a gente fez bem. Agora, o restante  conforme forem acontecendo de forma mais automática, a gente vai soltando nos jogos – disse(…)

Pelo exposto, creio que não preciso me alongar em comentários que nada acrescentariam ao cenário do grande jogo entre nós, pelo menos aquele que entendo por grande jogo, em contraponto ao que praticamos centrados  no sistema único, com seu repertório encordoando os jogadores como marionetes guiados de fora para dentro da quadra, representado em pseudos grafismos nas descerebradas, porém, midiáticas pranchetas, e aí sim, confundindo os jogadores pelo irrealismo que ostenta, frente a dura realidade do campo de jogo, onde, inclusive, atuam defensores nunca mencionados nas ditas cujas, como “os russos” da sabedoria popular futebolística, reminiscência magistral do criativo, técnico, tático e estratégico Garrincha…

Nestes momentos fico imerso em pensamentos e lembranças da face mais cerebral e criativa do grande jogo, o improviso consciente, fruto direto da arte do domínio pleno dos fundamentos individuais e coletivos, fatores que habilitam os jogadores a consecução de todo e qualquer sistema, ofensivo e defensivo que se lhes apresentarem, onde as jogadas fluem com naturalidade e plena consciência de execução, e não impostas coercitivamente a cada movimento realizado, repetitivo, monocórdio, amorfo, automático, na vã tentativa de repetí-las, impossibilidade inerentes a elas mesmas

Estas observações nos orientam a letalidade dos repertórios de passo marcado, das exigências do “eu quero”, do “eu determino”, do “eu exijo”, todas antíteses do “joguem com  inteligência”, com”o que sabem e dominam”, com “companheirismo”, “lendo e compreendendo as minúcias e facetas do jogo”, “com bom senso”, enfim, “agindo, fluindo e atuando como um todo, como uma equipe de verdade”…

Por tudo isto, temo os repertórios que avolumam e enriquecem manifestos currículos, e apoio o culturalismo e o profundo conhecimento de uma disciplina, sabendo que o mesmo sempre  se manifestará  pequeno frente às exigências básicas e necessárias ao comando, o seguro, responsável e solitário comando, jamais participante dos novos petit comitês com assistentes, que agora acontecem a cada tempo pedido e antes das instruções, numa cópia canhestra dos exércitos de técnicos e assistentes das ricas equipes americanas.

Enfim, aguardarei mais alguns jogos, amistosos e oficiais, para também, repetitivo e monocórdio, reportar o que fatalmente ocorrerá pela manutenção doentia do sistema único, a não ser que. oxalá, sejamos surpreendidos por algo de novo, corajoso, instigante, evolutivo em uma seleção  tão nova e promissora, merecedora de novos ares, mas que não seja, meus deuses, um “chifre de outro lado”…

Amém.

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HUM, SEI NÃO, MEUS DEUSES, SEI NÃO…

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Terminou a via crucis da seleção, batida pela quarta vez consecutiva no campeonato por uma equipe que irá pela primeira vez a um mundial, enquanto a nossa pela segunda vez ficará por aqui, aguardando uma reestruturação técnico tática a fim de se candidatar ao próximo, com pelo menos um bom planejamento que brinde inicialmente a formação de base, isso só para começar, seguindo-se o preparo de novos professores e técnicos abertos e receptivos a novos conceitos sistêmicos, e o incremento das competições municipais, estaduais e nacionais, quando a médio prazo poderemos soerguê-lo consistentemente…

Até lá, se disposição político administrativa houver de bom grado, que se estabeleça, enfim, o critério do mérito na reorganização dessa absurda bagunça que foi instalada na CBB, movida pelo apadrinhamento técnico, escambo político, e trocas de favores eleitoreiros, pontos sensíveis estes que levaram a entidade morro abaixo do descrédito e da humilhação…

Pessoal administrativo creio já estar sendo mobilizado pelo presidente eleito, porém, a equipe técnica terá de ser seriamente analisada, discutida e indicada para gerir a essência do grande jogo, tão combalido e destruído por uma geração corporativada em torno de um modelo técnico tático formatado e padronizado da forma mais impositiva possível, anulando e impedindo toda e qualquer manifestação técnica que viesse a se opor ao que sempre denominaram de “moderno basquetebol internacional”, que na realidade não passa de uma unilateral e sem vergonha “reserva de mercado”, onde inovações e criatividade foram banidas para garantir sua existência medíocre e ignorante…

E mais um dos resultados dessa intolerável reserva, pode ser atestado a cores e alta definição em quadras portenhas, por uma seleção feminina perfeitamente enquadrada, formatada e padronizada nesse execrável modelo, com todas as suas mais lamentáveis situações técnico táticas e a mais completa ausência dos fundamentos do jogo, exigência máxima na constituição de uma seleção nacional, ausentes da forma mais primária e contundente, sendo inclusive derrotada por uma equipe que contava em sua formação com quatro jogadoras de voleibol, a das Ilhas Virgens, ou seja, uma deslavada vergonha…

Então, minha gente apreciadora do grande jogo, como comentar o jogo que definia a terceira classificada ao mundial dentro de uma realidade falseada e equivocada, provocada por uma direção alinhada com a mesmice endêmica existente desde sempre, como?

Talvez pudéssemos considerar uma particularidade ocorrida somente nesse jogo decisivo, o fato da seleção ter suas anteriores e rígidas rédeas atadas ao sistema de passo marcado imposto, que fracassou redondamente, soltas para retornarem ao sistema peladeiro (onde a velocidade extremada se posta sempre a frente do raciocínio) a que sempre se dedicaram desde a formação de base, num comportamento similar ao das costarriquenhas, cujo basquetebol sempre primou pela “correria e chute”, principalmente no masculino…

Neste cenário desenfreado de desenho animado, aplicado com fervor por ambas as equipes, venceu aquela que em determinados e pontuais momentos da partida, soube impor seus melhores fundamentos, principalmente aqueles mais presentes nas fintas de penetração e DPJ´s bem executados. Venceram uma equipe que aprendeu a dar pouco valor aos fundamentos, e deu no que deu…

Este trágico desfecho, tem de determinar o definitivo fim da maléfica e até criminosa influência da corriola que se apossou do grande jogo por três seguidas décadas, pois em caso contrário, perderemos definitivamente o rumo da história, um dia brilhante para nós, hoje órfão dos muitos e competentes professores e técnicos que elevaram o basquetebol às culminâncias, e cujos remanescentes de alta qualidade são mantidos à margem das competições, discriminados e proibidos de exercerem seu trabalho profissional, direito adquirido com enormes esforços, muito estudo e trabalho meritório, pelo simples fato de não comungarem com a retumbante enganação que aí está, escancarada, definitiva, covarde e estúpida. Pergunta-se então – Prezados dirigentes, vão encarar de frente essa realidade, vão mudá-la de vez, com coragem e decisão, ou sutil e simplesmente sucumbirão?… 

Hum, sei não, meus deuses, sei não…

Amém.

 

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DE 40? NÃO, DEFINITIVAMENTE, NÃO…

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Não foi de 40, foi de 39, mas a contagem chegou aos 42 antes do fim, e que inglório fim…

Inadmissível, absurdo , ofensivo, acachapante, e de tal forma que nem as de 3 acertaram uma sequer (0/9), noves fora o tanto de bandejas perdidas e os já tradicionais 20 erros do básico do básico, os fundamentos do grande jogo, aqui diminuto, ridículo, atroz…

E lá pelas tantas, numa bola duvidosa para a arbitragem (a diferença já ia além dos 20 pontos) fortes e inócuas reclamações, com as caras e bocas de praxe, como se a pretensa falha ameaçasse a liderança numa partida liquidada e contabilizada…

Discursos antecipados de medalha, vaga no papo, renovação da equipe, tornando imperdoável a convocação de jogadoras ultra veteranas e completamente fora dos padrões mínimos físicos para uma competição classificatória para um mundial, numa salada indigesta e comprometedora, sob qualquer critério que tente explicar tanta irresponsabilidade, onde o discurso de ineficiência administrativa não pode ser levado em consideração, em se tratando de uma nova gerência central, tornando cristalina de onde se origina a falha, sempre omitida pela mídia, num descabido protecionismo a estrategistas quase sempre indicados por serem jovens, promissores e independentes tática e tecnicamente, argumentos corporativistas e mantenedores da ordem vigente, onde impera absoluto e intocável o sistema único, o preparo da equipe privilegiando os sistemas táticos, jamais os fundamentos, com as desculpas de que o fator estreito de tempo direciona o treinamento para os mesmos e para os amistosos fajutos, deixando de lado, como sempre deixaram, os fundamentos, e que aos poucos vem revelando e aflorando algo que sempre destaquei aqui neste humilde blog, que tal artimanha simplesmente desnuda uma triste verdade, a de que nada entendem ou sabem sobre os fundamentos, sequer como ensiná-los, já que “altamente qualificados” para orientar e dirigir estrategicamente jogadores prontos, qualificados e proprietários da arte de jogar o grande jogo em sua forma mais elevada, e que aos poucos, agora, revela-se mentirosa e aviltante, afinal, como afirmam dirigentes, técnicos, jogadores, aficionados e jornalistas também – “onde já se viu jogador adulto ou de seleção treinar e praticar fundamentos? Isso é lá para a formação de base”…

Mas, e se a base também não os treinam e praticam, trocando-os pelos arremessos de 3, as enterradas e as monumentais peladas, como agirão lá na frente, inclusive nas seleções, como? Inclusive como muitos destes se transformam em técnicos, provisionados ou não, o que esperar de tal formação, ou melhor, transformação, o que?…

Exatamente o que aí está, escancarado e transparente à vista de todos, me parecendo um pouco mais esclarecidos por força de cada vez mais resultados lastimáveis e equivocados, a começar com pauladas como a de hoje, meus deuses, de 40? Não, definitivamente, não, e não só um não, mas um basta se impõe, antes da derrocada definitiva…

Ah, a solução, técnicos estrangeiros, já que falta a coragem para quebrar, liquefazer, pulverizar tanta tapeação em nome de QI´s politiqueiros e de escambo, onde o mérito é escanteado propositalmente, afinal, quantos votos ele representa? No meu humilde, porém experiente ponto de vista, ele ainda é a forma mais justa, responsável e inteligente para se galgar a excelência, seja no campo que for, e por isso mesmo um terreno para poucos, muito poucos, nominando etimologicamente as expressões “seleção” e “competência”, ambas frutos de tomadas corajosas, incisivas, inovadoras e instigantes, e como disse, terreno para muito poucos que, acreditem, habitam esse enorme e injusto país, minimizados e marginalizados, como reza a boa cartilha corporativista…

Amém.

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TEM DE PONTUAR!!!!…

P1150487P1150488No artigo de ontem abordei as duas temáticas que, no meu ponto de vista, explicam com sobras o abismo em que nos enfiamos tecnicamente, muito mais amplo e profundo do que o aspecto administrativo gerencial que a mídia designa como o fator da hecatombe, responsabilizando-o pelo cenário que aí está escancarado a todos. Mas, e desde sempre, responsabilizo prioritariamente o fator técnico tático como o causador direto pela implantação da mesmice endêmica, contínua e teimosa que nos catapultou para baixo, e que somente a custo de enormes esforços, poderemos emergir a médio/longo prazo desse incomensurável limbo. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, agora técnicos e professores, não mais, e as pouquíssimas exceções pouco pesam nesta dolorosa realidade…

Esse jogo contra a Argentina desnudou as duas temáticas acima referidas, a do despreparo acintoso das jogadoras nos fundamentos do jogo, e a ausência proposital no ensino dos mesmos por parte da esmagadora maioria dos téc…digo, estrategistas que inundam a modalidade sobraçando suas infames e midiáticas pranchetas, espelhando através das mesmas seus mais estigmatizados equívocos, frutos do imediatismo e consentida cópia uns dos outros, emoldurados em um sistema único de jogar, onde até as posições dos jogadores são codificadas de 1 a 5, forçando-os a atuar encordoados, como fantoches manipulados de fora para dentro da quadra, descerebrados e sujeitos coercivamente aos rompantes circenses da grande maioria deles, numa busca incessante das lentes e microfones televisivos que os lançam na ilusória ribalta da fama passageira, esquecendo ou omitindo suas mais importantes e decisivas funções, a de educador e a de técnico de uma modalidade complexa, apaixonante e extremamente rica em saberes, aprendizagem e lições de vida…

Fico profundamente preocupado quando assisto um técnico exigir de suas jogadoras que “façam pontos”, “que pontuem”, que “precisam pontuar”, mas não indica os caminhos para satisfazê-lo, eis o ponto, pois ao não admitir afastar-se de seus “conceitos sistêmicos de via única”, perde o direito de exigir tal comportamento, ainda mais quando antecedendo aos exigidos pedidos esclarece “que não adianta somente defender se não pontuar lá na frente”, e tudo isso no comando de uma seleção nacional…

Que me perdoe o galardoado técnico, mas todo um trabalho minucioso de treinamento sugere conceitos de dupla via, onde toda e qualquer orientação e ensino técnico em uma equipe, terá de estabelecer respostas advindas da mesma, em ações e, principalmente, em diálogos esclarecedores e conclusivos, pois a ausência de qualquer um destes fatores geram dúvidas e em alguns casos, cisões muitas vezes incontornáveis, sendo que a mais grave e decisiva é a da negativa (explícita ou velada) ao comando, traduzida pela indiferença disfarçada pela falsa aceitação da liderança autocrática, o que muito explica certas “aventuras” de jogadores(as) mais experientes e vividos nas quadras…

Pelo exposto, é que sempre propugnei pelo preparo inicial dentro e através a prática intensa, geral e não diferenciada por posições para todos os jogadores nos fundamentos do jogo, inclusive como eficiente forma de preparação física comungada com a técnica, colocando-os num mesmo barco que precisa ser direcionado para um mesmo e uniforme destino, abrindo caminho para o conhecimento conjunto das habilidades e inabilidades de cada um, aspecto fundamental na adequação de sistemas de jogo ao nível médio do grupo e factível a todos, dando margem a individualidades e criatividade (que é a chave do improviso consciente) dentro da competição, e não ficando refém de um comando que simplesmente cobra eficiência de quem não possui as competências para atendê-lo em suas elucubrações táticas de via única. Por isso a importância do pleno conhecimento do domínio dos fundamentos de cada integrante de uma seleção, para aí sim, adequá-las a sistemas de jogo, corrigindo e ensinando os fundamentos, pois, ao contrário do que muito especialista no grande jogo afirma, não é pelo fato de uma seleção ser adulta ou de base, que não se possa ensinar ou aprender as técnicas corretas para a execução dos movimentos básicos individuais e coletivos do grande jogo, sendo  a negativa acintosa dessa evidência a responsável pelo mais baixo nível que alcançamos nas últimas três décadas nas competições nacionais, e por extensão nas internacionais também, sedimentadas na vergonhosa média de mais de 25 erros por partida, inviabilizando sistemas ofensivos e defensivos, sejam de que escola e tendências forem, avalizando o panorama cinzento que aí está, estabelecido, formatado e padronizado pelo corporativismo fechado e lacrado ao novo, ao instigante e a corajosas e solitárias tentativas práticas de se antepor a tanta cega e estupida mesmice…

Sairemos desta fossa? Com a palavra os estrategistas em permanente plantão, sobraçando seus impolutos alter egos, suas pranchetas…

Amém.

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DEUSES, QUANDO A FICHA CAIRÁ, QUANDO?…

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Mesmo atarefado até a medula na reconstrução da casa após o incêndio que por pouco não a levou de vez, anteveio o comichão basqueteiro, e lá fui me postar na frente da televisão para assistir aterrorizado e mais ainda, revoltado, a uma exibição pífia, ridícula e altamente comprometedora de uma seleção brasileira feminina tentando uma das três vagas ao mundial, que, honestamente, não concebo imaginar que tenha condições minimamente plausíveis para lá estar tão cedo…

Tinha visto o quarto final do jogo anterior contra a Colômbia, mas perante a dura realidade de uma equipe que em duas apresentações cometera 59 erros de fundamentos (33/26), mal pude acreditar que contra uma equipe frágil como a das Ilhas Virgens, ainda teria fôlego para mais 23 erros, fora as inúmeras bandejas perdidas (19/49 nos 2 pontos), muitas através uma pivô que mal se deslocava pelo excesso de peso, dentro de uma equipe que sequer apresentava uma nesguinha de sistema de jogo ofensivo, e que marcava o nada, o nada mesmo, com um técnico teimando em apresentar jogadas numa prancheta, que jamais dariam certo frente a dura realidade de que assim seria, como até hoje vem sendo implausíveis por um simples, simplório fator que, em sua mais absoluta ausência inviabilizava qualquer tentativa tática, sistêmica, e até mesmo defensiva, o fato inconteste de que não sabem jogar o grande jogo, a começar pelos fundamentos básicos, aqueles mínimos conhecimentos para praticá-los com eficiência…

Do outro lado uma equipe para lá de modesta, mas com um pequeno, porém decisivo detalhe (ah, os tão mencionados detalhes…), algumas delas possuíam razoáveis conhecimentos de fundamentos individuais, principalmente no drible e nas fintas, propiciando boas oportunidades nos curtos arremessos, que as levaram a uma vitória justa, ainda mais quando sutilmente orientadas por um idoso técnico, experiente e cirúrgico na orientação ao 1 x 1 sobre as lentas e fora de forma pivôs brasileiras, conseguindo vencê-las bem lá dentro da defesa tupiniquim, somados a uns arremessos de 3 absolutamente desprovidos de contestação (foram 4/13), e mais decisivos que os 3/18 da inditosa equipe nacional…

De pronto saltam questionamentos de uma simplicidade franciscana, ou sejam – Por que treinar “exaustivamente” sistemas de jogo, jogadas marcadas, previsíveis e estéreis, frente a incapacidade de torná-las factíveis se os fundamentos inexistem? – Por que não treinarem, até mesmo serem ensinados os fundamentos, mesmo sendo uma seleção, já que nos clubes não são corretamente ensinados, trocando-os por amistosos fuleiros para dar “experiência e rodagem internacional a jogadoras carentes ”, que na realidade são direcionados ao enriquecimento curricular dos que as dirigem ? – Que explicação plausível pode ser dada ao fato da coordenação técnica ser exercida, e publicamente reconhecida, como influenciadora na forma de jogar da equipe, por um técnico que se mantém décadas fiel ao sistema único? – Por que essa teimosia em entregar seleções nacionais a aspirantes a técnico, sem um mínimo de disposição e conhecimento em inovar sistemas de jogo,  ferrenhamente atados ao… sistema único? – Por que cargas d´água evitamos estoica e ignorantemente que a ficha caia de forma definitiva, por que meus deuses? – Até quando apostaremos em resultantes óbvias e destrutivas de relevantes oportunidades, ao promovermos os que se consideram “prontos a provarem suas competências”, quando uma seleção é lugar dos que notoriamente já a provaram de forma coerente e de há muito, muito tempo? Quando?…

Olhando o banco da inexpressiva equipe que nos venceu hoje, e da maioria esmagadora das equipes internacionais que fatalmente nos venceram, vencem e vencerão, vemos consternados que são dirigidas por veteranos curtidos e sabedores profundos das minúcias do grande jogo, não necessitados em provar competências como muitos dos nossos, frutos de um inexplicável e vigente QI, e portanto, plenamente coerentes aos resultados apresentados, toscos e desprovidos da humildade dos que realmente sabem das coisas, daqueles que não precisam provar nada aos que os indicam, e sim a jogadores que orientam e ensinam, transformando-os numa equipe de alto nível, e não num triste arremedo que vimos numa quadra portenha…

Meus deuses, quando a ficha cairá, quando?

 

Amém.

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O EXIGIDO E FUNDAMENTAL COMANDO…

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Pronto, explodiu a refrega, pipocam de todos os lados apoios e críticas sobre as escolhas da CBB na direção da seleção nacional, quando reivindicam direitos meritórios, continuidade de um trabalho montado para sucessões automáticas, críticas contundentes de dirigente clubístico em nome de um técnico injustiçado, claro, sua opinião, voltando à ribalta os poderosos argumentos sobre direitos adquiridos por títulos conquistados, e o mais impactante, salta aos olhos a velada influência marqueteada no endeusamento advindo de uma classe de torcedores nem sempre do grande jogo, em torno de nomes deificados por uma mídia fabricante de mitos e de falsos magos, na maioria das vezes auto promovidos, numa ciranda de interesses muito mais individuais do que coletivos, como deveria ser em se tratando de uma modalidade…coletiva…

Mas, fluindo de toda essa discussão, esquecem daquela entidade que conta com a unanimidade de todos, e que deveria face a essa primazia ser eleita sem ressalvas a responsável pela direção da seleção, isso mesmo, sua majestade sereníssima, a prancheta, sendo de somenos importância aquele que a portasse, a partir da evidência tácita de que fosse quem fosse, as diretivas, estratégias, jogadas e macêtes técnicos lá estariam armazenados, prontos para o consumo comum a todos eles, pois afinal de contas “as pranchetas falam”, ou não?…

Noves fora tais verídicos ou não fatores, esquecem mais do que nunca alguns importantes, vitais e sutis pormenores, a saber:

1 – Campeonatos nacionais, amadores ou profissionais, em cada um dos países que lideram o grande jogo no mundo, pela sua equilibrada competitividade e permanente renovação de bem formados jogadores, escolhem técnicos nacionais nem sempre os mais galardoados, e sim aqueles que representam melhor a essência técnico tática evolutiva de suas escolas, sendo na esmagadora maioria deles apontados os mais experientes, vividos, e por isso mesmo menos sujeitos aos erros comuns aos mais jovens, fator decisivo na produtividade de uma seleção nacional;

2 – Em contraponto a esta constatação, desenvolvemos de trinta anos para cá, o hábito de premiar (não indicar ou escolher) aqueles mais titulados, em campeonatos de uma pobreza franciscana em termos de preparação individual dos jogadores nos fundamentos básicos do jogo (e isso de maneira geral), logo incapacitados de conceber e desenvolver um sistema de jogo minimamente aceitável nos planos coletivos ofensivo e defensivo, fatores que os colocam de saída inferiorizados ao confronto internacional de alto nível, aí incluídos os verdadeiros responsáveis que adotaram desde sempre um limitado e manietado sistema único de jogo, os técnicos, em sua quase absoluta maioria, e o pior, desde as categorias de base, adotando, padronizando e formatando-o coercitivamente, liderados por uma comunidade corporativada, e por isso mesmo, comungando da mesmice endêmica que lá se encontra  arraigada, e até essa indicação do novo técnico, interino ou não, inamovível. Logo, fosse quem fosse, de saída, repito, já entra em inferioridade técnica e tática no concerto mundial, e que por uma questão de menor importância dessa Copa América, pode se dar ao luxo de manter o que faz a muito tempo, sem maiores riscos, mas mesmo assim contestado clara ou disfarçadamente, afinal, poderia ser um bem mais laureado…

3 – E neste curioso contexto, somente vejo uma saída para contornar este libelo, que o novato, interino ou não, rompa com o sistema único, de uma vez por todas, quebrando essa lamentável dependência escravizante, e como será uma seleção bastante jovem, que dê a todos eles a oportunidade de fazerem algo que os promovam a um outro patamar, pois a continuar atuando na mesma  sintonia ao que fazem e como atuam seus futuros adversários, certamente encontrarão sérias e até intransponíveis dificuldades, motivadas por sua inferioridade nos fundamentos do jogo, confrontando a máxima aceita pela comunidade séria dos técnicos das maiores escolas, ao propugnarem o fato indiscutível de que entre duas equipes que atuam num mesmo sistema, vence aquela que domina mais eficientemente os fundamentos, e não através um sistema fragilizado pela ineficiência dos mesmos;

4 – Neste raciocínio, o mérito jamais dependerá somente de títulos conquistados, e sim de sua qualificação técnica superior, tanto na formação e orientação técnica de jogadores, como na condução tática dos mesmos, onde a diagnose de falhas estivesse ao alcance imediato das devidas retificações, distância esta que quanto menor for, maior sua qualificação profissional;

5 – E mais um determinante e primordial fator, hoje praticamente extirpado em nome da divisão de responsabilidades pela delegação fracionada de comando, com a entronização de cada vez mais auxiliares técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, gerentes disso e daquilo, supervisores, psicólogos, médicos em profusão, nutricionistas, e até um inédito analista de desempenho, compondo um exército que ultrapassa em número o de jogadores, num esquema organizacional que minimiza o ponto fulcral na consecução de uma verdadeira equipe de basquetebol, o comando indivisível, responsável, altamente competente e  solitariamente decisório de um autêntico head coach, o técnico principal, aquele que por suas qualidades de liderança adquirida pelos anos de estudo, pesquisa e árduo trabalho, caberá o indivisível e muitas vezes solitário comando, incluindo ou não a cedência de delegação de poderes, e a constituição da equipe assessora e diretiva com quem trabalhará, sem divisões políticas e interesseiras de responsabilidade, desculpas ou mesmo de caráter ético…

Por todos estes fatores acima apontados, permanece no ar uma decisiva e básica questão – Temos no país homens com tal perfil de comando no âmago do grande jogo? Sim, temos, são poucos, mas os temos, bastando que sejam mobilizados para a tarefa maior e de inadiável urgência, e não indicar os seis por meia dúzia usuais, ou mesmo um estrangeiro, que aqui desembarcará com as mesmas convicções pelo sistema único, agravado pelo distanciamento sócio cultural com seus países de origem, nem um pouco interessados em nossa evolução, mas claro, em busca dos nossos sacrificados e contidos dólares ou euros, muito mais importantes se aplicados aqui, ajudando a alavancar o soerguimento do grande, grandíssimo jogo entre nós…

Finalmente, um repto ao novo técnico nacional, o mesmo que fiz a antiga comissão, assim como aos demais técnicos do país através o insistente desafio, esnobado e sequer tentado, a não ser por uma ou outra tentativa de adaptar a dupla armação ao sistema único, e jamais levar em consideração a utilização de três alas pivôs atuando dentro do perímetro em constante e permanente movimentação, quebrando de vez a mesmice endêmica de nossa atual maneira de jogar, padronizada, formatada e pretensamente globalizada, aproveitando a oportunidade única de disputar uma Copa América sem injunções classificatórias a competições importantes, oportunizando sem desmedidas cobranças que um jovem grupo e alguns experientes jogadores se preparem dentro de um sistema proprietário, inovador, corajoso e acima de tudo inédito para as fortes equipes que enfrentarão. Que treinem fortemente os fundamentos mais básicos, inclusive como forma de preparação física e orgânica, não perdendo tempo precioso com testes de saltos, impulsões, força, dobrinhas cutâneas, motricidades várias, que só são aplicadas e lembradas quando da vitrine de seleções nacionais, ocupando tempo no crítico calendário das competições internacionais, para a “pesquisa” de uns poucos, quando seriam de grande importância se existentes permanentemente nos clubes e equipes formadoras desde as divisões mais básicas, e aferidas em seu ápice, e de forma laboral na fase adulta. E antes da revolta científica, pergunto no que resultam dados coletados na véspera de uma competição? Resposta de quem como eu pesquiso desde sempre? Nada, absolutamente nada de prático e utilizável, logo, “sentem brasa” nos fundamentos, colocando todos os selecionados num mesmo barco, remando na mesma direção, sejam armadores, alas ou pivôs, pois é a melhor maneira de se conhecerem profundamente, nos acertos, e principalmente nos erros, qualificando a todos no reconhecimento do que cada um tem de melhor e de precario, e como aproveitar suas qualificações,  e em algum sistema que nossos adversários desconheçam mesmo, era o que eu faria, aliás, tenho feito em todas as oportunidades que tive para preparar, treinar e fazer jogar uma equipe de alta competição, por isso, e mais uma vez o desafio, que se aceito, sem a menor dúvida, estabelecerá um salto decisivo em nossa evolução a patamares mais elevados, mas que exigirá muita coragem e convicção para alçá-lo, terá? Torço sinceramente que sim…

Amém.

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