O ÁPICE DA CONVERGÊNCIA…

“Pôxa Paulo, o sul americano comendo solto e você nada, nadinha?

Olha amigo, com tanta “fera” comentando até minúcias que honestamente desconheço, que falta faço? E mesmo que tentasse me ombrear com a “especializada”, que mais poderia acrescentar, senão, talvez, uma ou outra colocação escrita, ou gráfica, com a minha proverbial ranzinzice de veterano que não aceita (e jamais aceitou) tanta mediocridade que afoga o grande jogo, injusta e renitentemente?

Mas velho, pelo menos uma pincelada, monocrômica até, de leve…

Tá bem, vamos lá, mas só uma pincelada…

Não vi os jogos contra a Argentina e a Venezuela (estava ajudando minha filha Andrea em seu IV Congresso Brasileiro de Dança Moderna, algo bem mais técnico e belo que as peladas institucionalizadas que imperam por aí…) , mas analisei os números, manjados, os de sempre, principalmente quanto a eterna hemorragia, jamais estancada das bolas de três, como numa afronta deliberada e profundamente estúpida, burra até…

Consegui assistir(?) o do Uruguai, que foi uma lástima, pois em absoluto percebi algo que se comparasse a uma equipe treinada, organizada, minimamente preparada para uma competição internacional, e com uma retumbante novidade, um sistema com dois pivôs e três armadores, numa clara, direta e incisiva, pois deliberada, opção pela convergência, pela priorização das bolinhas de três, que nessa partida consumou 18/25 de dois pontos e inacreditáveis 6/28 de três, e que irônicamente conseguiu vencer em duas esporádicas finalizações embaixo da cesta no minuto final da partida, numa tácita confirmação de ser esta a concepção tática de seu trei…,digo, estrategista…

Também foi tentado o sistema de dois armadores e três pivôs, assim como em toda a partida sempre estavam em quadra dois armadores, numa claríssima demonstração de “inovações” pretendidas, porém profundamente equivocadas, pois desenhar, ou pranchetar tais formações que exigem um profundíssimo conhecimento do “como” fazer uma equipe se comportar coletiva e harmonicamente dentro dessas concepções avançadas de jogo, e que são, com a mais absoluta certeza, desconhecidas por essa geração de estrategistas ligada xipófogamente ao sistema único. E quando afirmo não conhecerem o “como” fazer jogar, basta o simples fato de vermos o resultado dos especializados testes, treinos físicos e de força, além dos rachões de praxe, resultarem na bagunça, triste e lamentável, que temos visto acontecer em nossas seleções, para avaliarmos com isenção e muita certeza que, com tal liderança estaremos roubados para 2016, com ou sem os “detalhes” previamente inseridos nos espertos álibis premonitórios que já se desenham no horizonte…

Somemos a este sombrio cenário ao pavoroso ensaio que se desenrola nos mais sombrios ainda, bastidores do nosso tecnicamente indigitado basquetebol, sobre a efetivação de uma associação de técnicos, que segundo o técnico Lula Ferreira “existe, mas não funciona”, e que logo para mim, se não funciona, inexiste, e sendo que a mesma jamais foi prioridade para nenhum dos luminares que se apossaram do controle técnico do grande jogo, mas que se afigura como um politico instrumento, mais um, na busca do domínio completo da modalidade, na forma de um clubinho entre amigos comprometidos com o que aí está, sacramentado e cristalizado, quando deveria ser amplamente discutida em caráter nacional, ocupasse o tempo que fosse necessário para sua consecução, já que estrategicamente básica e fundamental. No entanto, vejo o velho e acalentado sonho, que tentei por duas vezes tornar realidade, começar a se transformar em mais um instrumento da mesmice endêmica em que foi transformado o basquetebol, em sua organização de base e em sua formulação técnico tática desde sempre.

Voltando ao jogo em si, e suas anárquicas e equivocadas “soluções” táticas, acompanhem as fotos que ora posto, como prova inconteste do muito que ainda temos de aprender sobre a grande arte de formar, treinar e fazer jogar uma verdadeira equipe, em toda a sua dimensão de coletivismo e produção individual, totalmente voltada ao bem comum, no qual estará inserida se orientada e comandada por quem realmente entende o que está fazendo, de verdade, de verdade mesmo, e não apoiado sob o manto do corporativismo vigente…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e ter acesso às legendas.

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OS CONSELHOS…

 

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Na semana passada a LNB organizou mais um encontro técnico com a turma que dirige o basquete brasileiro desde o banco, sempre os mesmos, com um ou outro candidato referendado por todos, e outros que, mesmo sem equipes continuam a dar as cartas, inclusive sendo eleitos para compor o conselho técnico da entidade, provando que o corporativismo segue impoluto e férreo, sem deixar qualquer brecha para opiniões, votos discordantes e dissidentes.

Mas Paulo, essa sua critica não se fundamenta no fato de, por mais uma vez, não ser convidado a participar, apesar de ter dirigido uma das equipes da liga? Não, pois em caso de lá estar participando criaria um contraponto isolado, órfão em apoio e consideração por parte da turma, afinal, fora o Marcel que, por obra e graça de um daqueles pequenos milagres que hora e meia acontecem, estará daqui para diante compondo o plantel de técnicos da mesma (espero que mantenha suas convicções técnico táticas ante a mesmice endêmica que enfrentará…), minha presença soaria à esquerda de tudo que preconizam para o grande jogo no nosso imenso e injusto país, numa resolução que prima pela mais absoluta vontade majoritária, aquela que não se permite enfrentar contraditórios (os milagres não contam…), por mais profícuos que possam ser, já que agregam sugestões e opiniões de fora de seu hermético sistema.

No entanto, algo me preocupou sobre maneira, o fato de ter sido colocado em evidência para discussões, a criação de uma associação de técnicos, velha aspiração presente nesse humilde blog, que sempre a defendeu desde que iniciou sua publicação dez anos atrás.

Me preocupou pelo fato de que uma associação deste porte e importância vital venha a ser constituída no seio da LNB, organizada pelos conselhos que a dominam, com as mesmas e carimbadas figuras desde sempre, quando deveria ser constituída de forma autônoma e independente, desligada técnica e administrativamente de federações, confederação e ligas, a fim de que pudesse se legitimar ao galgar etapas fundamentadas na confiabilidade e credibilidade de suas ações, créditos e políticas voltadas ao desenvolvimento do grande jogo, dissociada de grupos e instituições compromissadas com políticas próprias e muitas vezes inidentificáveis.

Num tempo atrás intuí, sugeri, planejei e participei da criação das duas primeiras associações nacionais de técnicos, a ANATEBA e a ABRASTEBA, assim como a primeira estadual, a ATBRJ, todas finitas, exatamente por estarem próximas a órgãos federativos e confederativos, numa ligação que as levou a extinção, por não concordarem com suas politicas vigentes.

Uma ação de caráter nacional tem de ser implementada no intuito de ser criada uma associação de técnicos. amplamente discutida, se possível em cada estado ou região do país, a fim de que a mesma represente a realidade do grande jogo entre nós, e não a fundação de um outro clubinho onde vigorará o que vemos acontecer e se repetir em nosso dia a dia, uma irretocável e exclusiva “ação entre amigos”, similar às rifas que povoam nosso destino esportivo.

Espero que prevaleça o bom senso, se é que ele ainda vigora ou ainda teime em existir…

Amém.

 Foto – Divulgação LNB. Clique na mesma para ampliá-la.

DO GIL (E QUE ASSINO EMBAIXO)…

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Do último artigo aqui publicado, retiro esse comentário do Gil Guadron para ser o artigo de hoje, e espero que, frente a atualidade e importância do mesmo, sirva de leitura no curso de nível III que a ENTB promove esta semana em São Paulo, pois reflete em toda sua extensão a problemática inserida no comportamento técnico tático de nossos técnicos de alto nível, e mesmo os candidatos a sê-los. Bom proveito…

 

  • Gil Guadron11.07.2014 (6 dias atrás)

  • Coach Geno Auriemma. Entrenador de UCONN campeon NCAA, y entrenador principal de la seleccion femenina USA , campeona mundial y oro Olimpico.

  • Gil Guadron , apuntes personales.

  • — Es usted el tipo de entrenador que enseña jugadas, o es usted el tipo de entrenador que enseña a su equipo a jugar basquetbol ?

  • Son dos cosas bien diferentes. A mi equipo le digo constentemente ” no estoy interesado en enseñarles nuevas jugadas . Estoy interesado en enseñarle a usted como jugar basquetbol “.

  • Piense en dos o tres equipos de sus liga . Cuando juega contra ellos , la extraordinaria defensa que aplican contra de su equipo no permite que sus sistema de ataque funcione .

  • Si se pregunta porque.. es porque su ataque es predecible !

  • Le aconsejo que si eso le sucede, es mejor que vaya pensando como hacer que sus jugadores juegen libremente, ajustandose , adaptandose a las circunsntancias del partido.

  • Algo en que pensar :

  • Cuando usted ve jugar a jovenes jugando en la cancha del barrio , observa la cantidad de puntos que anotan… hasta que ” alguien ” tristemente decide — enseñarles como deben de jugar —.

  • El ego de algunos entrenadores no permiten que los jugadores juegen como seres pensantes.

  • Tenemos en nuestra liga a un entrenador que si sus jugadoras no ejecutan diez pases antes de tirar… le da un ataque al Corazon . Otros que señalizan a sus jugadoras constentemente etc.

  • Me pregunto si verdaderamente se necesitan tal numero pases para ejecutar un buen tiro, o que que las jugadores no funcionan sin — el cerebro a la vera de la cancha para orientarlas .

  • Sera que desean que todos sepan que es un gran entrenador y puede hacer que sus jugadoras ejecutan las jugadas como si el fuera el director de la orquesta sinfonica ?.

  • En lo particular me opongo a ese libreto !!

  • Porque muchos jovenes son temerosos de jugar ? probablemente tiene que ver bastante con quien es el entrenador . pues si los jugadores no tienen temor de jugar, son los que tienen excentes entrenadores , quienes les dan la confianza de que simplemente juegen.

  • Los buenos entrenadores les dejan jugar , interrumpen al minimo para que — sientan el flujo del partido / o juego , que tomen decisions — , y despues les enseñan alguna cosa que los jugadores podrian ejecutar mejor.

  • Es importante que sus jugadores crean que puden intentar algo que su instinto les dice que es lo correcto y que frente a ello usted como entrenador no se enojara .

  • Creamelo si usted hace eso, cuando sus jugadores hayan jugado por usted por un par de años seran jugadores pensantes y muy dificil de jugar contra de ellos.

  • Me encanta jugar contra equipos que cada vez que ven algo diferente, tienen que chequiar primero con su entrenador antes de actuar.

  • En sus entrenos no tema si luce — un desorden organizado –, en donde solo usted sabe lo que esta pasando.

  • Los jugadores que toman la idea del juego libre, de actuar de acuerdo a las cirscunstancias son los jugadores que reaccionaran efectivamente cuando el partido esta complicado.

  • Es importante que usted cree, permita , produzca ese tipo de atmosfera en sus entrenos , pues produce jugadores analiticos, razonadores .

  • Acaso no le gusta jugar contra un equipo en donde el point guard dribla hasta el cabezal del area pintada … pasa la pelota a un ala, va a colocar una pantalla al lado alejado de la pelota… y usted, es decir su equipo no se lo permite !!

  • Le invito a que reflexione sobre lo anterior, y produzca jugadores pensantes…

Em Tempo – Creio que este artigo reflete bastante todo um posicionamento aqui descrito pedagógica e didaticamente desde que esse humilde blog foi criado 10 anos atrás, quando sempre contou com o apoio e magnifica colaboração do professor Gil Guadron desde Chicago, através artigos e comentários de grande valor.

Foto -Na foto, o Gil é o primeiro à esquerda, em Loyola, Chicago, com o técnico Jim Whitesell e um jovem treinador de El Salvador.(clique na foto para ampliá-la)

Amém.

 

A TRISTE REALIDADE…

 

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Conversando com meu filho pelo skype desde Dublin, ele me relata a manchete do Times local – “Alemães constroem escolas, hospitais e ainda fazem goals”-

Igualzinho ao que fazemos aqui, exceto os goals…
Tragédia, tsunami, fim dos tempos? Não, somente incúria, arrogância, impostura, corrupção, omissão, e acima de tudo, covardia e uso de um povo privado de educação, saúde, segurança e cultura, bens que se assegurados e desenvolvidos bloqueariam muito do que o faz sofrer em seu sacrificado dia a dia.
Numa competição esportiva de tal magnitude, não tivemos o básico, os jogadores, competentes técnicos, estratégia, sistemas de jogo, preparação e treinamento compatível ao seu patamar de grande vencedor de outras copas, mas sobraram os desperdícios, os desvios, os megálomanos projetos, a política rasteira, a mentira, a triste e dolorosa mentira…
Daqui a um pouco mais teremos uma Olimpíada, calcada no mesmo cenário, só que multiplicado por tantas modalidades que se defrontarão em nosso solo, financiadas por nossas parcas e suadas riquezas, desviadas de seus cidadãos para os bolsos de oportunistas e ladrões, onde o planejamento desportivo se perde e esvai pelos ralos da incompetência e criminosa apropriação de recursos negados aos seus jovens, em saúde, educação e cultura.
Sem dúvida faremos uma enorme e deslumbrante festa, para os outros, que aqui aportarão em busca das medalhas resultantes de suas políticas voltadas ao desporto como fator e vitrine de seu desenvolvimento, e não uma prova cabal de nossa ignorância e arraigada colonização, mantida por aqueles que nos vendem e aviltam desde sempre.
Também daqui a dois meses, compareceremos a um Mundial onde compramos uma vaga, eliminados que fomos vergonhosamente sem uma vitória sequer, dando continuidade a um projeto técnico que nos arrasou e humilhou de duas décadas para cá, sem vislumbre de que algo pudesse ou teria sido feito na formação de base, muito ao contrário, servindo-a de moeda de troca e compadrio político no preenchimento de currículos tão mais falsos e enganosos como todos aqueles que se locupletam com ela.
Duas classificações a mundiais foram recente e bisonhamente perdidas para os famigerados “detalhes”, figura mítica ligada ao fracasso que nos tem perseguido, fruto do corporativismo vigente entre aqueles que decidem técnica e taticamente o preparo de nossas seleções de base, e somente possível ante a inexistência de uma forte, presente e técnica associação de técnicos, de técnicos, e não provizionados profissionais de não sei o que, pois de basquetebol pouco ou nada sabem que extrapole de suas midiáticas e lamentáveis pranchetas…
Agora mesmo, o técnico para o sul americano menciona numa reportagem do Databasket de 5/7/14: “É muito bom ver que os movimentos das jogadas estão saíndo quase que naturalmente. É importante que os jogadores continuem lendo os diagramas com as jogadas para que elas sejam cada vez mais assimiladas. Gostei muito dos treinos e vamos continuar aprimorando na próxima semana”. Como vemos, “jogadas saindo quase naturalmente” tornam-se sinônimo de eficiência, mas que na realidade são de pleno conhecimento de todos os jogadores, selecionáveis ou não deste país, pertencentes a que divisão for, nos âmbitos municipais, estaduais e nacionais, e mais ainda, em ambos os sexos, já que presentes no sistema único conhecido e praticado por todas, onde chifres, punhos, camisas, ombro, pinquerrols, compõem um monocórdio repertório que se repete ad infinitum, mudando uma ou outra denominação para parecer diferente…
Tal afirmação vem provar o quanto de dependente terá de ficar a equipe aos cadarços manipuladores de fora para dentro da quadra, sistematicamente manobrados através o gestual teatralizado e as incursões pranchetadas, quando a mesma deveria se comportar responsavelmente pelo conhecimento e leitura do jogo, nos momentos em que as jogadas acontecem, e que nunca se repetem, como resultante de ações voltadas a criatividade e tomadas de decisão, tornando factível os sistemas adotados e baseados no pleno dominio dos fundamentos do jogo, sem os quais os mesmos e prancheta nenhuma neste mundo poderá exequibilizar.
Mas pera lá, fundamentos? Ora meu caro Paulo, o negócio é Academia, malhação, ou você está por fora?
Desculpem, mais sempre ‘me situo como técnico, professor, antiquado, bem sei…
Mas o impactante desta semana no mundo do grande jogo foi a declaração do técnico/presidente de uma equipe da LNB: “Nao conseguimos dinheiro para contratar um treinador. Sendo assim, o torcedor terá que aguentar o Rinaldo como técnico por mais uma temporada, no mínimo”…
No entanto sobrou dinheiro para três americanos, e quem sabe lanche e banho no hotel, em caso de uma derrota fora do esperado…
Finalmente, Uberlândia monta um time a imagem de seu supervisor, para depois contratar um técnico espanhol vindo do Paraguai para dirigí-lo, ou administrá-lo?
Amém.

AS PRIORIDADES…

 

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Uma seleção brasileira inicia sua preparação para o Sul Americano masculino, e a primeira imagem que temos da mesma é essa ai de cima, ou seja, puxando ferro, e põe ferro nisso pela quantidade de anilhas em um teste, agora imaginem quando for exercícios para valer…

O engraçado (ou trágico…) é que o jogador retratado foi o líder de rebotes do récem terminado NBB6, saltando mais do que qualquer um para conseguir a façanha, e agora, parece, que querem que o mesmo encoste seu umbigo no aro, algo risível e absolutamente impróprio em uma seleção dos melhores, ou quase isso…

Sou do tempo em que o inicio de um treinamento de seleções se baseava em técnica dos fundamentos individuais e coletivos, aprimorando-se fatores de ordem física em intervenções pontuais visando a manutenção da forma dos convocados, que claro, a obtinham em seus clubes, pois o tempo reduzido de treinamento não permitia perdas de tempo com algo que deveria ser obrigatório, mas que se transformou em uma “etapa” imposta por “métodos avançados” de preparação física através aqueles que aos poucos se situam como os verdadeiros (?) “fazedores” de atletas, quando na realidade precisaríamos de jogadores, simplesmente isso, jogadores…

Mas para tanto, torna-se imperioso que técnicos reassumam sua responsabilidade maior, a de liderar todo o processo formativo, dividido e parcialmente perdido para uma confraria de profissionais que vem impondo a inversão de prioridades técnicas e táticas por condicionamentos físicos, como base de uma equipe de competição, não só da elite, como na formação de base, situando-a como fator primordial da mesma…

Não por acaso o que assistimos nos dias de hoje, onde atletas disfarçam jogar basquete, correndo barbaramente, saltando no teto, impactando como rinocerontes, mas jogando muito pouco, pensando menos ainda, onde a presença da bola para alguns atrapalha mais do que ajuda, onde o conhecimento dos fundamentos é negligenciado, onde a leitura de jogo padece de cegueira coletiva, é que atestamos o quanto de equívocos tem punido o grande jogo entre nós, quando o físico antecede e supera a técnica e o bem jogar, sem falar na brutal carga e seus danosos esforços em articulações e tendões daqueles infelizes, que tem sido responsável pelo encurtamento na carreira de mujitos deles, vide a galopante safra de lesões em nossos  cada vez mais jovens e promissores talentos…

Mas as seleções continuarão a ser balões de ensaio e experimentos na pseudo arte de forjar atletas, roubando um tempo precioso da arte maior da pratica intensa dos fundamentos, em todas as suas nuances individuais  e coletivas, e na introdução de sistemas de jogo objetivos e realmente inovadores, na valida tentativa de fugir da mesmice endêmica que professamos desde sempre, quando da coercitiva implantação do sistema único em nossa forma de jogar.

Por tudo isso é que não conoto seriedade nessa forma de trabalhar, desacreditando sua real validade ante a força, aquela eficiente e desejada força, fruto dos duros exercícios dos fundamentos individuais e coletivos, única forma de validar e fazer acontecer os sistemas de jogo escolhidos para compor o arsenal de uma equipe, e sem os quais tornaremos repetitivos os pequenos desastres que nos tem assaltado, até o momento em que tornemos a priorizar as técnicas do grande jogo e os técnicos de verdade, aqueles que assumem sua liderança, e não se submetem aos caprichos dos “fazedores” de atletas. aliás, muito mal feitos e ao contrario do que afiançam,frágeis e quebradiços…

Amém

Foto – Divulgação CBB.

 

 

COLORADO SPRINGS…

 

 

“Como uma equipe pode sair de dois tempos técnicos seguidos e perder a bola numa reposição de fundo de quadra, não consigo entender”

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Esse o comentário do narrador da Fiba Americas após a perda de bola da seleção brasileira, faltando 6seg e estando dois pontos atrás no marcador, após o acumulo de dois tempos seguidos pedidos pelos técnicos em confronto, selando a terceiro derrota seguida na fase de classificação (72 x 69 para a Republica Dominicana), a perda de uma das quatro vagas ao Mundial sub19 de 2015, e destinando a seleção a disputa das classificações de 5o lugar em diante, como vem sendo de praxe…

A foto acima foi reproduzida do artigo Abandonados, publicado pelo Henrique Lima em seu blog O Jogo Não Para, retratando o primeiro dos dois tempos seguidos ao faltarem 19seg para o fim da partida, cujo relato vale a pena ser lido.

É mais do que certa e esperada a enxurrada de desculpas vindas da comissão técnica, dos supervisores, administradores, diretores, principalmente quanto a falta de tempo para um treinamento mais aprimorado, mais jogos preparatórios (claro que internacionais…), etc, etc. Mas, em absoluto tocarão no aspecto puramente formativo dos jovens jogadores, que mais do que nunca necessitavam aprender, praticar e fixar os fundamentos do jogo, desenvolverem-se através os drills, aprimorando os fundamentos coletivos de ataque e defesa, e serem apresentados a sistemas que ressaltassem suas habilidades, sua criatividade, sua noção coletivista e participativa, numa evolução ascendente a correta leitura do grande jogo, e não acorrentados e manietados a um sistema controlado de fora para dentro da quadra, e presos a delirantes rabiscos em pranchetas que nada dizem ou acrescentam técnica e taticamente, a não ser se prestarem a refletir quimeras e empulhações de seus proprietários, que simplesmente sumiriam na ausência das mesmas, já que destituidos do maior dos dons de um verdadeiro professor, técnico e líder, a credibilidade de suas ações pedagógicas, didáticas e emocionais, mas garantidos pelo apadrinhamento e pelo corporativismo a que pertencem desde sempre.

Creio que é chegada a hora de reconhecermos o fracasso dessa política protecionista e covarde para com o basquete brasileiro, entendendo-se de uma vez por todas que o mais importante não é o tempo estendido

 de treinamento o fator aprimorador de um grupo de jovens, e sim a qualidade do que lhes é passado e ensinado, por pessoal que realmente entenda e domine profundamente a arte do treinamento, lapidada por muitos anos de estudo, pesquisa, trabalho estafante e integral, aspectos que jamais cursos de nivel III com quatro dias de duração conseguirão preencher, sequer arranhar, pois a experiência válida é a vivída, sofrida, abnegada e evolutiva…

Se porventura a entidade máxima do basquete no país, e outras ligadas ao desporto em geral quiserem dar o salto que nos falta para alcançarmos competitividade para 2020 (2016 já é passado…), deveriam começar

reunindo em torno de uma grande mesa, em cada região desse imenso e injusto país, aqueles reais, competentes e lutadores especialistas na formação de base, para num imenso brain storming alcançarem e formularem objetivos factíveis dentro de nossa realidade econômica e social, para que no âmago das escolas, clubes, associações e federações brotasse uma nova realidade fundamentada em atividades abertas a todos os jovens, num processo natural de massificação, envolto em princípios e conceitos realistas, democráticos e liderados por cabeças pensantes e atuantes, com longos e longos anos de estrada, que balizariam os novos professores e técnicos em suas funções, e não o que assistimos nestes tristes tempos, quando estes lideram projetos inconsistentes e equivocados, protegidos pelo Q.I. do favorecimento político e mafioso.

Então, perante a tantos fracassos escorchantes e humilhantes, que não venham culpar os “detalhes”, pois muito mais culpados do que  aqueles que escolhem e indicam, o são os que aceitam inconsequente e intere

sseiramente, dirigir equipes nacionais sem o preparo necessário para fazê-lo, o que os tornam responsáveis pelos resultados, sem desculpas de qualquer espécie.

Mantenho meu posicionamento de muitas décadas, o de que sempre tivemos bons e maus dirigentes, mas que não formam e treinam jovens no grande jogo, mas que também tivemos bons e ótimos formadores e técnicos, hoje esquecidos e afastados por uma geração formada em escolas de educação física, onde o ensino desportivo representa 1/5 de currículo, e 4/5 voltados à formação de paramédicos de terceira categoria, ah, e personal trainings, numa inversão de valores e competências que nos tem levado ladeira abaixo aqui e lá fora, capitaneados por conselhos regionais e federal, braços garantidores da indústria do corpo que manipulam 25 bilhões anuais, e aos quais não interessa a educação física e os desportos na escola, onde uma clientela adolescente encontraria sua educação física e mental, privando-a da mesma, o que se torna impensável para holdings que já investem nas classes C e D da população através academias a 49 reais mensais.

O grande jogo necessita se reestruturar, buscando nos mais capazes as matrizes de seu soerguimento, evitando as aventuras vegonhosas e constrangedoras, como a que assistimos agora em Colorado Springs.

Amém.

 

SAINDO DO RECESSO…

 

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                                                                                                                                                                                                        Fazem 15 dias que nada posto nesse humilde blog, precisei de um tempo para repensar alguns aspectos de minha vida, próximo que me encontro dos 75 anos bem vividos, bem trabalhados, melhor ainda, dedicados ao magistério, à técnica desportiva, ao estudo permanente, à pesquisa, à divulgação democrática do grande jogo, emoldurado por uma amada e presente família, que respalda e sempre respaldou todo esse esforço de que muito me orgulho.

 

Mesmo assim, pensava em estender por mais algum tempo esse recesso, quando ontem cedo atendi um telefonema, que a princípio parecia ser engano, mas que se transformou numa enorme e prazerosa surpresa, pois quem do outro lado da linha tentava justificar um involuntário aperto de botão era o Macarrão, isso mesmo, o grande Sergio Macarrão, que se surpreendeu muito quando me identifiquei, travando daí para diante um diálogo de velhos amigos, conciso e verdadeiro. Foi o sinal de que o recesso terminara, pois a luta deve continuar, caminhar, indo de encontro a uma realidade teimosa em se revelar, sem medos e contradições, simplesmente acontecer, nada mais…

 

Então, vamos lá, começando com uma listagem do que vimos acontecer nesses 15 longos dias, a saber:

 

- Os 20 anos da grande conquista do Mundial Feminino na Australia.

 

- A seleção masculina para o

 Sul Americano.

 

- A seleção masculina sub-18 para a Copa América no Colorado.

 

- A grande conquista dos Spurs na NBA.

 

- O curso nível III da ENTB em São Paulo.

 

- A convocação da seleção masculina para o Mundial na Espanha.

 

- A formação das equipes para o NBB7.

 

Vinte anos se passaram desde a grande conquista da seleção feminina no Mundial da Austrália, história contada e recontada à exaustão, mas que deixou um “legado” (palavra bem em moda , aliás…) traído seguidamente por todos aqueles que se locupletaram com o sucesso de uma geração sacrificada e injustamente liderada por aqueles, que em tempo algum,  a formou ao longo de vinte anos de duro trabalho, mas que no justo momento de colher os frutos de tanta abnegação, os viram degustados por quem, após a grande vitória, não deu continuidade ao trabalho, abandonando-o e trocando-o por outros objetivos, deixando acontecer a realidade que hoje assombra o basquete feminino, inclusive com a saída de cena do clube mais vencedor na última década, Ourinhos. Sem dúvida alguma um legado absurdo e constrangedor…

 

Do lado masculino, uma seleção Ç é convocada para o Sul Americano, falseando, e muito, numa escolha, mais uma vez equivocada de valores, mas perfeitamente alinhada à,mesmice endêmica que nos assola no aspecto tático, quando qualquer outra composição de jogadores em nada a mudaria, pois aceita por todos como verdade imutável dentro de um panorama monocórdio em que nos encontramos desde muito tempo. Se trata de um conceito de atuar, jogar o grande jogo de uma forma formatada e padronizada por uma plêiade  de estrategistas apegados ao seu único cais, garantidor do mercado de trabalho, que deve ser mantido inter pares a todo custo, mesmo que tal atitude mantenha a modalidade perante o atraso em que se encontra, numa atitude imutável e autofágica. Logo, nada mudará ou se apresentará de inovativo, a não ser inéditas cores e logotipos impressos em caprichadas e midiáticas pranchetas, estrelas de um lamentável circo de horrores…

 

Que aliás, por mais uma vez se revelou na tarde de hoje em Colorado Springs, onde a seleção sub18 do Canadá esmagou nossa jovem seleção por implacáveis 42 pontos de diferença (101×59), com 52 pontos conseguidos dentro do garrafão, contra somente 18 de nossos indigitados meninos, que cometeram 23 erros de fundamentos e arremessaram 8/27 bolas de 3 e 10/30 de dois, numa demonstração cabal de má formação de base, em momento algum corrigida por pretenciosas comissões de três técnicos, incapazes de corrigir simples arremessos, quiça fundamentos gerais, mas altamente comprometidos e compromissados com um sistema único que professam arrogante e coercivamente, na trilha imposta por uma geração de técnicos (ou estrategistas…), consubstanciada por uma ENTB que se apressa em cursos nivel III, a fim de credenciar novos candidatos a preencher vagas na LNB e futuros NBB’s, quando deveriam centrar esforços por alguns anos nos niveis I e II, para que pudéssemos estabelecer novos parâmetros didático pedagógicos no ensino progressivo e inovador do grande jogo no país.

 

Tivemos também a grande vitória dos “vovôs” texanos do Spurs, repetindo aqueles outros “vovôs” dos Cavalliers, vencendo um duro torneio da NBA, apresentando um nível de jogo representado por uma intensa movimentação de todos os jogadores no ataque, e uma postura defensiva atuante, principalmente no perímetro externo, equilibrando suas forças ante um oponente mais atlético e duro, e com a presença do incensado LeBron, que nos momentos mais decisivos se viu mais vovô e desgastado que seus oponentes, deixando no ar o questionamento de seu companheiro Wade em uma das práticas da equipe veiculada pelo You Tube, quando provocava o grande jogador- Afinal James, qual a sua verdadeira idade?…

 

Então tivemos a convocação para o Mundial, onde um esperto e calejado técnico indica uma óbvia composição de jogadores, onde alguns deles não ostentam mais aquelas qualidades que os tornaram quase institucionais em nossas seleções, como que capitanias hereditárias, omitindo outros que pelo menos apresentaram melhor produtividade no recente NBB6, principalmente no jogo interno, como o Murilo, Cipolini e os mais afinados em suas silhuetas, como o Caio e o Prestes, nem mesmo presentes na convocação para o Sul Americano, e que submetidos a um bom treinamento poderiam afinar mais um pouco, podendo ser úteis a seleção, provando que a formula aplicada na classificação olímpica poderá ser reposta em contrafação ao desastre da Copa America de triste lembrança. No caso de ser mantida essa tendência, poderemos estar assistindo um inteligente álibi ser insinuado num possível fracasso na Espanha, tendo como personagens praticamente o mesmo grupo classificado no pré olímpico, tanto os presentes, como aqueles que por um motivo ou outro de “somenos importância”, não participarem da competição…

 

Finalmente, assistindo ao entra e sai de jogadores e técnicos nas equipes para o próximo NBB, vemos perplexos que a mesmice endêmica se solidifica a cada ano que passa, onde agentes e certos dirigentes se firmam como os verdadeiros artífices das equipes, comandando e estabelecendo parâmetros a ser seguidos pelos técnicos que continuam, e aqueles que serão contratados para administrar a obra de outrem, pois nada mudará taticamente, de 1 a 5, como sempre, facilitando os encaixes sem maiores problemas, já que “todo jogador de elite” sabe e conhece os caminhos que levam aos chifres, punhos, camisas, e, por que não, aos “pinquerrois” da vida…Quanto aos mais jovens, que tratem de se adaptar a essa cruel realidade, e sem muito, ou qualquer tempo para insignificâncias como acessar a ferramenta de trabalho de todo jogador que se preza, os fundamentos do jogo, e os drills para a formação de uma verdadeira equipe, mas isso é outra conversa…

 

Amém.

 

 

MEUS MENINOS…

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(…)“Para mim realmente é um motivo de grande orgulho. Fico muito feliz pelo trabalho que os dois fizeram em toda a temporada. Chegaram na final pelo trabalho, com características diferentes, mas com o mesmo objetivo muito claro que era buscar o título da Liga Nacional. Seguindo plano que realmente fico orgulhoso de dois jovens treinadores, com muito futuro e que estão envolvidos com a Seleção Brasileira”(…)
( Trecho da matéria “Meus Meninos”, publicada no site da LNB em 30/5/14)

 

Bem, o campeonato se encerrou e o menino mais velho venceu, e inclusive vai dirigir a seleção para o sul americano proximamente, e se mantêm, junto ao outro menino como auxiliares técnicos da seleção master, originando uma instigante dúvida: Será que um deles já se encontra qualificado para o lugar do Duró ao lado do Magnano nas decisões mais sérias, ou a confiança dele se encerra perante uma realidade exposta na bendita entrevista?
Sei não, mas desconfio que a ascendência ao segundo posto hierárquico fica para lá de 2016, se lá chegarem…
Amém.

Fotos – Divulgação LNB e reprodução da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

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SE AGITOU, DECRESCEU E PERDEU…

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O NBB6 chegou ao final, e a equipe do Flamengo foi sua lídima vencedora, a qual parabenizo pela conquista, mas no entanto, continuo a discordar da forma como joga, idêntica a de suas adversárias em sua maioria, vencendo-as por ter nas posições de 1 a 5 melhores jogadores que as mesmas, fruto de maiores investimentos, principalmente em jogadores estrangeiros de qualidade.
Laprovittola e Meyinsse fizeram a grande diferença, principalmente o grande pivô, que quando acionado (infelizmente muitas vezes trocado por bolinhas pretensamente eficientes, que foram nesse jogo 8/26, com 16/28 de dois pontos, num clara convergência propiciada por seu oponente…) decidiu alguns importantes jogos com seu impressionante domínio das fintas, do drible e dos arremessos firmes e seguros perto da cesta, sem falar de seu potencial defensivo e reboteiro. Sem esses dois jogadores, a equipe carioca dificilmente levaria o campeonato, pois seus jogadores patrícios se equivalem aos das outras equipes nas qualidades, e principalmente nos defeitos, basicamente os defensivos, já que taticamente atuam no sistema único presente na realidade de todos, em português e espanhol…

Mas algo saltou aos olhos atentos desse curtido professor, e que no afã torcedor da mídia dita especializada, deixou de ser comentado, sequer apontado, a primariedade opcional da equipe paulista nesse jogo em particular, o decisivo, que, apesar do equivoco, quase o levou de vencida.
E no que falhou? Na teimosa e pouco inteligente permissividade pelos longos arremessos, quando vinha eficientemente se comportando muito bem nas ações de 2 em 2, utilizando seus bons pivôs, inclusive pendurando o Meyinsse no terceiro quarto, e cuja continuidade ofereceria a grande chance de vencer uma partida possível, porque não?
Sabedor de que a equipe carioca, pelos jogadores que possuí, que não abrem mão de suas “convicções” pontuadoras, principalmente de fora (vide o Marcos, o Marcelo e o Alexandre), e por isso pouco utilizando seus pivôs, optou o Paulistano pelos arremessos também de fora (5/21) e pelo tico-tico de seus americanos, também abandonando o jogo interno, que comparecia em alta (21/40). Numa simples continha aritmética, em um jogo que perdeu por cinco pontos nos dois minutos finais da partida, se tivesse trocado a metade dos erros nos três pontos (16 tentativas) por tentativas de dois, teria a sua disposição 16 pontos possíveis e mais precisos, logo…
Mas seu técnico, o melhor da temporada (?), assim como seu oponente, ambos da seleção brasileira, preferiram, desde sempre, fazer presenças coercitivas sobre a arbitragem, do momento que a bola subiu para o início do jogo, até seu final, sem serem coibidos como determina a lei do jogo, por juízes mais voltados ao estrelismo, falseando sua única e básica função, aplicá-la com rigor e isenção.
E ao preferirem tal situação, perderam, como a maioria dos técnicos perdem ( e nesse ponto, um comentário do analista da TV de que TODOS os técnicos reclamam da arbitragem, conotando uma inverdade midiática, mas que parece ser bem vinda como “parte do espetáculo”, o que é lamentável…) a fantástica oportunidade de entrarem no âmago do grande jogo, através a minuciosa comparação de seu projeto de preparação com a realidade da competição, nos detalhes, aqueles ínfimos, porém determinantes detalhes técnicos, táticos, e acima de tudo estratégicos de seu trabalho, pois serão melhores profissionais na medida em que diminuam a distância entre diagnose e retificação de suas ações e intervenções técnicas, táticas, comportamentais, afetivas e interpessoais numa equipe de alta competição, aprendizagem essa iniciada na formação de base, e na percepção do quanto representa essa diminuição na real, pois adquirida, compreensão do que ela representa em sua árdua profissão de educador e técnico.
Enfim, mais uma etapa pelo soerguimento do nosso querido basquetebol completou seu ciclo, no entanto, ainda muito aquém de nossas necessidades, principalmente tão próxima de 2016, numa constatação bastante evidenciada, a de que nosso grande óbice no grande jogo percorre o caminho das carências técnicas, onde uma escola como a ENTB de forma alguma prefacia mudanças, mais sim endossa o que aí está, e onde o primado da meritocracia cede seu estratégico lugar ao compadrio e a mesmice endêmica que asfixia o grande jogo entre nós.
Gostaria imenso que investíssemos em novos sistemas de preparo de base e do jogo em si, e que fosse dado mais espaço de mídia às nossas realidades regionais nesse imenso e injusto país, em vez de vermos a cada dia que passa a solerte e maliciosa imposição de uma cultura absolutamente impraticável em nosso país, pois alimentada por quantitativos astronômicos, muito longe de nossa realidade econômica e social, porém muito próxima de uma turma que ama o que não consegue, e que segue teimando por migalhas advindas de sua consentida colonização.
Amém.

Fotos – Paulo Murilo e André Raw. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

SE ACALMOU, CRESCEU E VENCEU…

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Ficou quieto, deixou os juízes fazerem seu trabalho em paz, continuou, mais comedidamente, a incentivar seus jogadores, e fez valer na prática um comentário feito numa entrevista anterior, quando afirmava – “ Precisamos acertar mais cestas, não chutar menos. Nosso time é isso mesmo, estamos livres, precisamos chutar. Se a defesa deles deixar a gente chutar, a gente vai arremessar, não tem essa”-

E não deu outra, sua equipe venceu arremessando 16/36 de dois pontos, 12/35 de três, numa convergência atroz, e mais 15/17 de lances livres, enquanto a equipe de São José convertia 16/32, 8/24 e 12/17 respectivamente, numa partida mais perto de um duelo de lançamento de bolinhas ante defesas inoperantes fora do perímetro, do que um verdadeiro jogo entre equipes  e, o principal, defensivamente bem treinadas.

Aliás, é algo de intrigante ambos os técnicos pedirem seus tempos e empunharem suas pranchetas, para elaborarem jogadas punhos, chifres e correlatas, para, no seguimento do jogo seus jogadores tornarem a se entregar com volúpia ao duelo exterior, arremessando de todas as formas, equilibradas ou não, quase sempre sem uma simples contestação defensiva, onde um americano toma o jogo em suas mãos convertendo 30 pontos em meio ao um desmando defensivo imperdoável.

Vencido o jogo e a indicação de melhor técnico da temporada, o jovem paulista precisa provar no próximo sábado que o “não tem essa” que professa publicamente mereça vencer a competição, ante um adversário que ostenta uma azeitada artilharia similar a sua, com um técnico que professa a mesma “filosofia”, um mais bem postado jogo interior, e uma defesa que às vezes funciona, que é o aspecto que definirá a finalíssima, vencendo aquela equipe que contestar fora do perímetro com maior qualidade, e priorizar o jogo interno somente factível com a participação efetiva e abnegada dos armadores, ações estas conflitantes com artilharias externas e americanos centralizadores e individualistas.

Vamos ver o quanto de “proficiência” assistiremos numa arena repleta e pulsante, ávida pelas bolinhas e enterradas fenomenais, mas que premiará aquela equipe que otimizar cada ataque que realizar, cada defesa que impuser, ou em outras palavras, esquecer por um jogo apenas, e final, que bolinhas nem sempre ganham jogos, quiçá, campeonatos…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.