CAÇA À SUPERESTRELA…

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Terminaram os playoffs de oitavas, e o que se viu, apesar das enormes “emoções” emanadas dos jogos elevados a condição de grandes e emocionantes espetáculos, apesar da técnica um tanto capenga, por narradores e comentaristas alinhados ao produto que tentam vender como de primeira qualidade, pode-se deduzir serem os mesmos medíocres e preocupantes, principalmente com a proximidade das grandes competições internacionais que teremos de enfrentar com uma seleção advinda destes “emocionantes espetáculos”…

Teremos a partir de agora os playoffs de quartas de final, para adiante, e mais um vez em jogo único, a retumbante final, infeliz produto de uma imposição da verdadeira dona do espetáculo (?), que o minimiza impondo um desfecho ridículo e injusto.

E porque inspira preocupações quanto às competições internacionais, Paulo?

Bem, se partirmos do pressuposto de que seleções representam a realidade de seus campeonatos nacionais, estaremos fritos, pois rapidamente estamos estabelecendo alguns padrões técnico táticos preocupantes, como a imposição e rápida aceitação do império das bolinhas, com sua subsequente e progressiva convergência sobre as finalizações de dois pontos, e muitas vezes superando-as (como no jogo de ontem, quando o São José venceu o Palmeiras estabelecendo a incrível marca de 11/34 arremessos de três e 13/33 de dois), onde pivôs disputam com alas e armadores a condição de “especialistas” nas longas bolas, com técnicos que incentivam tal prática (no discurso, porém, as negam…), onde equipes são montadas por “profundos conhecedores” do grande jogo, exatamente para se comportarem dentro desse absurdo e criminoso padrão, embalado no seio do sistema único de jogo, avalizado e certificado pela sua formatação e padronização divulgada em cursos de formação (?) de futuros técnicos de quatro dias, por uma profundamente equivocada ENTB, em todo o território nacional, deixando no ar uma profunda desconfiança no futuro do grande jogo aqui, em terras tupiniquins, tão afeita a modismos fúteis e perigosos, principalmente junto aos jovens que se iniciam…

No entanto, todo esse “momento” gera inegáveis protagonismos, como a mais completa ausência e o quase total desconhecimento de sistemas defensivos, que se existentes em muito reduziriam os aspectos acima apontados, por parte de “estrategistas”, que muito pouco conhecem os detalhes e meandros do grande jogo, tornando-o refém do que ai está cristalizado em uma mesmice crônica e profundamente burra…

Mas como desgraça pouca é besteira, vemos agora uma penúltima tendência (qual será a última?…), que vem se avolumando velozmente, a “caça à superestrela”, de todo e qualquer jogo, a sempre presente e dominante prancheta…

Triste ver e testemunhar ao vivo, a cores, e em som estereofônico, técnicos rabiscarem freneticamente suas midiáticas pranchetas, vendo-as também empunhadas por assistentes técnicos, ávidos em aparecer como salvadores naquelas horas mais importantes de um jogo, quando se sobrepõem aos titulares, e agora, também, por jogadores que simplesmente determinam jogadas e comportamentos que julgam corretos, frente a técnicos que as aceitam passivamente, numa demonstração tácita de inadequação para o comando e liderança de um plantel, que na maioria das vezes redundam em fracasso coletivo, fruto da permissividade e omissão dos mesmos.

Então, quando ouvimos um comentarista se dirigir aos jovens iniciantes no basquete, aconselhando-os a nunca se levantarem do banco antes que seu técnico determine o término das instruções, prestando atenção e respeitando suas mensagens técnicas, sugerindo tal atitude ante o comportamento oposto que muitos jogadores da elite praticam comumente, porém “justificando-os” como uma atitude de quem deseja voltar para o jogo rapidamente, se revela uma falácia, pois a dura verdade é que pouco, ou quase nada ligam para o que ouvem, comprovando uma triste e comprometedora evidência, a de que “você faz de conta que instrui, e nós  que ouvimos e concordamos”, prostrando por terra a perene afirmação de que tão decisivas jogadas são produtos de “exaustivos treinamentos”, que na realidade não são, pois em caso contrário não necessitariam ser desenhados canhestramente nos momentos decisivos de um mais decisivo ainda, jogo classificatório…

Ao fim de tudo, caminhamos e alcançamos o ápice do sistema único, a hegemonia dos longos arremessos com sua eficiência abaixo da média permissível, a esnobação defensiva, já que pretensamente, por se considerarem “poderosos” ofensivamente, dispensam penduricalhos defensivos. a centralização midiática de um acessório terciário e perfeitamente dispensável na direção de uma equipe, a prancheta milagrosa para muitos, para finalmente, ver ruir os princípios do comando, substituído por ambiciosos e despreparados assistentes, e agora, pasmem, por jogadores, que claro, mais do que supõe nossas mais tênues desconfianças, se colocam à frente de momentos de decisão, como que projetando suas pretensões ao cargo maior ao se aposentarem, o de “estrategistas”, e por que não, se já houve precedentes desde sempre?…

Eis o cenário lapidar que o hermano terá de enfrentar na constituição da seleção com vistas ao Mundial, e mais adiante as Olimpíadas, sem contar, é claro, com os périplos continentais que vem exercendo, na bateção de portas daqueles que muito prometem, e poucos, muito poucos cumprem, fator  determinante e constrangedor para todos que amam o grande jogo, e que não aceitam tal subserviência e inversão de valores.

Mesmo assim, torço para que consigamos emergir dessa mesmice endêmica em que nos encontramos, apesar de tudo conspirar para que não, mas, ter e alimentar esperanças em dias melhores que é o que nos resta, infelizmente…

Amém.

CONVERGINDO E PERDENDO…

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No artigo passado comentei ser muito difícil uma equipe vencer uma competição convergindo sistematicamente seus arremessos, onde as bolinhas de três superam as de dois pontos, numa perda substancial de esforços e objetividade, que numa liga de elite não costuma perdoar tal exagero, ainda mais quando somada a uma permissividade defensiva que raia ao inacreditável para esse nível.

Num jogo em que 18/39 arremessos de três se sobrepuseram a 18/32 de dois (seu adversário arremessou 21/37 de dois e 9/23 de três), algo está bastante errado no sistema de jogo dessa equipe, onde seu mais emblemático jogador vem sendo o cestinha absoluto nas últimas partidas, vencendo ou perdendo-as, porém mantendo um discurso de que a equipe vem atuando mal, e que não entende os porquês de tal evidência…

Bem, para quem está de fora da quadra, e entende um pouco do grande jogo, e nem precisa ser muito, não pode aceitar que uma equipe com tão bons jogadores altos, raramente os utilizem, priorizando a chutação desenfreada de fora do perímetro, onde até estabeleceu um novo parâmetro especializado, o corner player, e transformou alas e pivôs em “especialistas de três”, duelando com as atiradeiras da equipe, como que buscando oportunidades de participação de um jogo em que normal e permanentemente são esquecidos, situando-os afastados da cesta, num prejuízo incalculável para o seu poder de rebotes.

Somando a essa realidade, uma oscilação defensiva permanente, acomodada e segura de que a vitória se constitui numa questão de tempo, frente a um tão seleto e qualitativo grupo, temos desenhado um cenário nada favorável à mesma, pois de algum tempo para cá, seus adversários vem optando pelo jogo interior, onde mais pesa a autossuficiência da maioria de seus integrantes, focados que se encontram em seu poderio ofensivo, bem para cá do perímetro externo.

E como a cereja de um bolo passado e a caminho do mofo, uma indefinição patente na trilha de comando, onde naquelas horas mais decisivas, ou um palavrório agressivo e desconexo que se choca com a descrença e ausência de interesse de comandados, ou a intromissão tática subalterna de algo exposto e criado naqueles momentos (fica muito clara a tendenciosa improvisação…) se choca com a realidade ali negada, a de quão frágil se manifesta a todos, dentro e fora do campo de jogo, a relação entre comando e comandados, naquelas mais prementes situações onde deveria ser forte e unida, e não deformada pelos inflados egos de ambas as partes, mas que mesmo assim, face a qualidade de muitos de seus integrantes, ainda se mantêm em uma luta desigual ante suas próprias e consentidas fraquezas.

Mesmo assim, torno a repetir, como tudo de mais atípico acontece no NBB, pode ser até que venham a ser campeões, apesar de tudo, e do discurso de seu mais festejado jogador, que sabe muito bem o que, de verdade, está acontecendo, já que profundamente inserido naquele contexto…

Amém.

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COMANDO & EQUÍVOCO…

 

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(…)Estou tentando avisar o time que precisamos ligar a chave para o NBB. Eu reforço todo o dia. A gente não teve folga, treinamos todos os dias, mas eu falei para o Mortari (treinador) para treinarmos algo diferente, porque não estava fazendo efeito. Aí, fizemos cinco treinos duros, ligamos um pouco a chave, mas precisamos aumentar a intensidade.(…)

 Shamell (Foto: Ricardo Bufolin/ECP)Shamell (Foto: Ricardo Bufolin/ECP)

- (…) O mais importante foi ter vencido o jogo mas cometemos alguns erros. Normalmente não estamos jogando bem em casa. Perdemos quatro partidas seguidas no fim da primeira fase jogando aqui no Pinheiros. Precisamos aprender a jogar aqui- afirma Shamell.(…)

(Trechos e foto de uma matéria publicada no blog globoesporte.com de 10/4/14)

 

E pelo visto não aprenderam, pois foram dominados  pelo Mogi dentro de casa com direito a um show de palavrões de seu técnico e de uma de suas estrelas, no que foi considerado “um exagêro” pelo comentarista da TV, numa corriqueira repetição do que vem progressivamente acontecendo com a equipe, que não pode pretender vencer uma competição convergindo em seus arremessos (16/31 de dois e 11/34 de três) e permitindo um 14/27 de três de seu oponente, numa tácita demonstração de ausência e empenho defensivo e, o mais importante, sem definir a liderança efetiva da equipe, permanentemente contestada por jogadores, em episódios constrangedores como o desse jogo, onde a falta de respeito e consideração de parte a parte baixaram ao mais rasteiro nível, incompatível com as tradições desse grande clube paulista.

No entanto, vendo a equipe atuar de uma forma mais próxima do aleatório do que participante de um sistema definido de jogo, apesar de adepto  do sistema único, percebe-se com certa clareza que determinados jogadores, na presença de uma liderança equivocada na forma e na essência de como se situar perante um grupo de homens que, acertando ou errando, merecem um tratamento mais respeitoso em público, e não agressivo e intimidador, clara e diretamente se insurgem com o técnico e mesmo entre si, numa demonstração do que muito de errado vem ocorrendo no âmago da equipe, fator crucial que bem reflete as últimas apresentações da mesma.

Mas como tudo de mais atípico acontece no NBB, pode ser até que venham a ser campeões, apesar dos p..que p…, vão tomar no… e c,,,em profusão. Deve fazer parte do script dessa equipe especial…

Amém.

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AMENIDADES…

 

 

 

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Você passa pela Avenida das Américas e ao se deparar com o majestoso palácio do COB, totalmente mantido pelo dinheiro público, custa a entender, e mesmo aceitar, que uma federação histórica, como a FBERJ se utilize por favor de uma salinha, originariamente um almoxarifado, na sede da CBB, para gerir e organizar os campeonatos e seleções cariocas, que claro, oscilam sempre para menos, pela deficiente qualidade originada pela carência maior, recursos para sua sustentabilidade, escassos no âmbito federativo, imensos e aparentemente inesgotáveis para a turma encasquetada lá de cima, produto advindo dos tempos ditatoriais por que passamos, e neste caso, ainda não desfeitos como deveria, se por acaso, tivéssemos uma política voltada ao desporto educativo, a escola, aos jovens, aos professores formadores de carateres, e não esses aproveitadores profissionais. Mas ainda mantenho a esperança de que sairemos desse fétido buraco um dia, um dia…

 

 Contudo, algo de positivo no mundo do grande jogo ocorreu na decisão da NCAA, quando UCON chegou ao titulo num jogo decidido próximo a cesta, onde os poucos arremessos de três foram tentados por aqueles verdadeiros especialistas, e não como nós, que habilitamos toda uma equipe como capacitada nessa difícil arte, o da precisão à distância, campo exclusivo para uns poucos, bem poucos, assim como deixou patente a qualidade nos fundamentos de todos os participantes, independendo de posições, altura, peso e idade, onde jogar dentro ou fora do perímetro igualava a todos em habilidades e leitura de jogo. Com a formação de base que temos, e ainda entregue a neófitos compromissados com o sistema único e um pretenso domínio pranchetado extra quadra, timidamente contestado por alguns corajosos jogadores, ainda teremos longos anos para nos desvencilharmos  deste infeliz cabresto, elitista e corporativista.

E de repente me salta aos olhos uma notícia repetida, uma noticia tão absurda quanto a originária, que simplesmente reportava uma viagem do técnico da seleção brasileira e do diretor técnico da CBB, de encontro aos jogadores patrícios atuando na NBA e equipes europeias, como que batendo de porta em porta em busca da anuência dos mesmos para atenderem a uma convocação de seu pais de origem, como que num enfastiado favor evocado de uma disponibilidade pontual em servi-lo, ou não. Inadmissível  que um técnico, e muito mais um diretor técnico, se prestem a esse papel, quando uma nota convocatória da CBB seria o único caminho a ser adotado de verdade. Indo a eles, traem-se dois princípios básicos de comando, a liderança, e a credibilidade, onde a relevância do comandado se sobrepõe a do comandante, que nesta circunstância passa a  carecer de importância estratégica, ou qualquer outra…

No entanto, uma última notinha tinha de ser agregada a tanto equivoco, e de uma forma tragicômica, quando pudemos ler, e claro, tomar conhecimento, de que no curso nível I da ENTB em Brasília, o técnico da equipe candanga, argentino, dará palestras sobre treinamento na formação de base, de professor que é em sua terra, mas por aqui soa mais como estrategista numa equipe convergente nos arremessos de três que parece tentou domar, mas não conseguiu, pelo menos até o momento…

Mas o que fica no ar é algo que não entendo, de verdade, o fato dele, e os demais estrangeiros atuando no NBB não apresentarem um dos niveis exigidos pelo Confef/Cref para dirigir equipes por aqui, e mesmo dar aulas em cursos da ENTB, como é e será exigido (?) a partir de 2015, a não ser que, meus deuses, será que foram provisionados?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e do Jornal O Globo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

CONTRASTES…

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Meus deuses, como é difícil escrever algo em meio a um turbilhão de emoções e embates

 familiares, ainda mais quando envolve pais e filhos. Mas a experiência e o bom senso sempre encaminham soluções razoáveis e equânimes em qualquer situação, mesmo a mais complexa.

 

Mesmo assim, vamos em frente, prometendo não atrasar mais artigos aqui nesse humilde blog.

 

Começando, que beleza as semifinais da NCAA, quando se classificaram para a final as duas equipes que menos arremessaram de três nessa fase da competição (Kentucky 2/5 e Wisconsin 8/20, assim como UConn 5/12 e Florida 1/10), concentrando seu jogo no perímetro interno e numa intensidade defensiva avassaladora, provando que de 2 em 2 e 1 em 1 podem alcançar patamares que as qualificam numa competição assistida por 79 mil espectadores, num espetáculo formidável e inesquecível, que será coroado nessa segunda feira com o embate Kentucky e UConn.

 

 

Mas o que fica patente e indiscutível é a constatação do fim dos pivozões lentos e avantajados, substituídos por jogadores velozes, ágeis, com fundamentos bem desenvolvidos, atuando como alas pivôs na maioria das vezes de frente para a cesta, interagindo com a dupla armação de forma coordenada e flúida, numa continuidade de movimentos admirável.

 

 

Ao mesmo tempo que pudemos assistir a esses belos exemplos de basquetebol dinâmico, eramos obrigados a conviver com narradores mais interessados em se autopromoverem de forma puéril e ridícula, mas nada que um toque no remoto nos remetesse aos americanos que realmente falam e discutem o jogo sem presepadas insípidas e inúteis…

 

E como desde sempre defendemos aquela forma de atuar centrada numa dupla armação e três alas pivôs em constante motilidade interior e exterior, incomoda sobremaneira a continuidade da hemorragia dos três pontos que a cada rodada do NBB mais se avoluma por parte de nossas mais nominadas equipes, contando com a cumplicidade de seus técnicos, que ainda teimam em ferir nossa inteligência em entrevistas como essa dada ao Fabio Balassiano em seu Bala na Cesta pelo endeusado hermano em nossa midia especializada.

 

Mas o que realmente preocupa é o futuro do grande jogo entre nós, pois cada vez mais se solidifica o sistema único, continuado e divulgado à exaustão pela ENTB em seus cursos de fim de semana, perpetuando o jogo de posições determinadas e especializadas (?), algemando e limitando jovens promessas a papéis tutelados por comandos extra quadra e hieróglifos pranchetados, numa orgia de arrogância e pretensos conhecimentos, tão ou mais falsos do que as auto elegidas lideranças que os oprimem e limitam.

 

Muitos que me sensibilizam com a leitura desse blog podem interpretar ser o mesmo uma vitrine de lamúrias, quando na realidade é uma honesta tentativa de demonstrar com fatos teóricos e práticos ser possível, como já demonstrei na pena e na quadra, que temos e podemos jogar o grande jogo de uma forma diferenciada e eficiente, bem mais eficiente da mesmice impregnada de mediocridade que aí está solidamente implantada, aspecto que foi muito bem interpretado pelo jornalista Giancarlo Gianpetro do blog Vinte UM, em um artigo que sugiro que leiam aqui, para depois, se interessados forem, percorrer no espaço Multimídia na coluna lateral desse blog, videos de jogos que veiculo de equipes que dirigi, inclusive no NBB, e constatarem que pouco diferem do que melhor se joga nesse apaixonante mundo do grande jogo. Leiam e assistam, para depois concordarem ou não da possibilidade de fazermos algo de novo, fator mais do que transcendental direcionado à nossa participação olímpica em 2016, ou mesmo, 2020…

 

Amém.

 

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

PRINCÍPIO E FIM…

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A LNB deu partida a uma empreitada que dará, sem dúvida alguma, um grande empurrão no soerguimento do grande jogo no país, ao veicular daqui para diante, jogos em tempo real pela internet, propiciando um significativo aumento de público para esse apaixonante e complexo jogo.

            No entanto, muito desse bom projeto somente se materializará através uma bem planejada escolha dos jogos a serem transmitidos, evitando “estrelismos”, corriqueiros na emissora patrocinadora, privilegiando bons jogos, sistemas inovadores, cobrindo todas as equipes da Liga, assim como poderia investir em programas de entrevistas com técnicos sobre seus treinamentos e conceitos de jogo, enriquecendo os conhecimentos dos técnicos que se iniciam, com suas experiências e vasta vivência profissional.

            Enfim, uma excelente iniciativa que torço para que produza os efeitos desejados por toda a coletividade apreciadora do grande jogo.

 

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Em oposição a algo tão promissor, um outro mundo que se desmorona, apesar de estar patrocinado pelo governo e duas prefeituras de um estado, num projeto corriqueiramente equivocado, numa repetição que deixa severas dúvidas  sobre sua confiabilidade.

         Porém, o mais emblemático são duas declarações publicadas na imprensa  pelos dois técnicos que se enfrentaram nesta semana, ambos responsáveis pela mesma equipe na temporada, e que se chocam frontalmente sobre a produção de um plantel que sequer foi formado com a supervisão dos mesmos, e sim por um dirigente que sempre agiu, e continuará agindo dessa forma, contando, como sempre contou, com a condescendência de técnicos a serem contratados para dirigirem (?) o pacote, e a anuência de verbas oficiais.

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            Eis as declarações:

 “Temos que enaltecer a luta desses jogadores, que fizeram de tudo para mostrar serviço. Infelizmente aconteceu essa queda, mas não vejo como algo negativo, pois não se pode olhar apenas os resultados em quadra. Existe uma somatória de coisas que nos levou a isso, como, por exemplo, falta de uma pré-temporada, lesões e técnico que saiu durante a competição”, avaliou o comandante da equipe capixaba, Enio Vecchi.

            O treinador do Uberlândia, João Batista, lamentou a queda do Espírito Santo, time que treinou antes de se transferir para Minas. “Vejo com tristeza esse rebaixamento, porque tive um começo bom de trabalho no Espírito Santo. Conquistamos três vitórias e, depois, o rendimento caiu. Espero que consigam se reorganizar melhor e mantenham a equipe em atividade. O basquete não pode acabar”, completou.

            Afinal, se começaram bem, porque caíram de produção, e o pior, não evoluíram sob o comando de dois técnicos renomados e um dirigente fundador da Liga, porque?

            Bem, se respondida essa questão poderemos ter a franquia de volta à divisão de elite num breve futuro? Torço para que sim, mas com o atual modelo, duvido…

            Amém.

Fotos – Divulgação LNB e reprodução da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

 

 

 

 

SEMANA QUENTE…

Me fartei de tanto basquete nesses últimos cinco dias, principalmente com a torrente de jogos no March Madness da NCAA, com jogos muito bons, apesar de muitas das equipes intervenientes adotarem o nosso mais do que implantado modelo do reinado das bolinhas. A garotada está queimando de qualquer lugar com uma volúpia que impressiona. No entanto, vão se classificando aquelas equipes que tradicionalmente atuam no perímetro interno, e muito mais agora, quando seus homens altos , numa significativa e impressionante transformação, abandonaram o modelo “cincão monstro” por jogadores velozes, flexíveis e incrivelmente mais habilidosos, dotando as partidas de uma velocidade impensada a bem pouco tempo atrás, exatamente como vem pregando o Coach K desde que assumiu as seleções americanas nos últimos mundiais e na olimpíada. Ironicamente, sua Duke foi eliminada por Mercer na primeira rodada, exatamente por sua equipe abusar dos longos arremessos em detrimento do jogo interior, que foi a arma letal de seu adversário para derrotá-la merecidamente, além de se utilizarem de um sistema defensivo impressionante e efetivo.

Sei que veremos nas rodadas finais jogos que definitivamente determinarão o fim dos jogadores setorizados, que estão sendo substituídos pelos polivalentes, plenos de fundamentos, velocidade e destrezas, atuando indistintamente dentro e fora dos perímetros, a ponto de já despontarem armadores de mais de dois metros em grande parte das equipes, reforçando seus sistemas defensivos, inclusive no poder reboteiro.

Por aqui, duas boas novas, as transmissões de jogos pela internet, patrocinadas pela LNB, e a grande vitória do Flamengo na Liga das Américas, num bom jogo no Maracanazinho como não se via a muito tempo, repleto de torcedores plenos de felicidade com o merecido título, conquistado frente a um adversário que face às fraturas de comando vem se perdendo nos momentos decisivos de importantes jogos. Torna-se inadmissível o que vem ocorrendo celeremente no comando da equipe paulista, quando nos momentos mais críticos e decisivos seu técnico abre mão de sua liderança permitindo uma ingerência cada vez mais atuante de seu assistente, e até dos jogadores estrangeiros, que duvido convicto que o fariam em seu país de origem, sem que sofressem forte restrição de seus técnicos. Aliás, como manda a tradição de seu país, sequer tentariam…

Quanto à equipe carioca, seu técnico conseguiu convencer o elenco a jogar dentro do perímetro na hora decisiva do jogo, convertendo arremessos mais seguros e eficientes, confirmando uma vitória desenhada desde o inicio do jogo, e que contou com a fratura de comando de seu adversário, acima comentada. Porém, com vistas ao Mundial mais para o fim do ano, preocupa uma declaração de seu técnico quanto ao reforço do elenco, quando mais objetivo seria uma boa reestruturada, ou mesmo mudança, de sistemas de jogo para fazer uma condigna oposição a um basquete mais determinante como o europeu, que certamente se desconcertaria frente a algo inesperado, uma forma diferenciada de jogar, fora de seus padrões. Mas isso é outra história…

Quanto às transmissões de jogos pela LNB pela internet, somente aplausos pela iniciativa, longamente defendida nessa humilde trincheira, onde nasceram as primeiras tentativas de veiculação de jogos completos quando do NBB2, que sempre podem ser acessados em seu espaço Multimídia. Somente um porém a ser acrescentado, os dispensáveis comentários de técnicos que deveriam se encontrar na direção de equipes, e não atrás de um microfone, onde sem duvida alguma procurarão influenciar os tele ouvintes, e não seus jogadores, com suas convicções técnico táticas. Se supostamente competentes para esse trabalho, mais o seriam na direção de equipes, substituindo muita gente que ai está posando de Head Coach…

Mas como desgraça pouca é brincadeira, cometi o supremo erro de assistir o jogo entre Paulistano e LSB, quando foi perpetrado um espetáculo grotesco que somou má direção e administração de equipe, com comportamentos ante desportivos, frutos de um monumental equivoco travestido de equipe de elite, que nem discursos de “mea culpa” podem ser omitidos e muito menos relevados, prova são os resultados alcançados (?) pela franquia de uma das mais tradicionais cidades voltadas ao basquetebol paulista. Que fique a lição bem aprendida, se humildade existir em aprender…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV e Globoesporte.com. Clique nas mesmas para ampliá-las.

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MAIS TORTO AINDA…

 

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Houve uma época em que eu vivia com uma câmera na mão, fosse fotográfica ou cinematográfica, sempre registrando esportes, complementando minha formação acadêmica na educação física. Registrei basquetebol, voleibol com o Paulo Matta, o grande pioneiro do que aí está, não sendo reverenciado, sequer lembrado, e a natação com Roberto Pavel e a Maria Lenk.

Vídeo só fui ter acesso em 1971 no Mundial Feminino de Basquetebol em São Paulo, quando convenci a Fotótica, a grande firma paulista que se rivalizava com a Cinótica, a gravar o jogo contra as coreanas, em um pesadíssimo equipamento Sony, mostrado naquela noite no hotel onde a seleção estava instalada, mas que bem antes do jogo assistiu a um copião em 16mm que montei na Líder Cinematográfica do jogo entre a França e a mesma Coréia realizado na véspera em Brasília, que filmei e peguei carona no avião das delegações vindo sentado no fundo do corredor, e no chão até o Rio, de onde embarquei na mesma noite para SP com o copião na mão.

Tratava-se de um projeto da Assessoria Técnica de Ensino da EEFD/UFRJ, criada e dirigida por mim e pelo Prof. Alfredo de Faria Junior no campus da Praia Vermelha, onde se originou o único filme conhecido de basquetebol feito no país, e que recuperei em vídeo, contado no artigo Enfim, salvo…

            Mas porque tantas reminiscências? Bem, foi uma época em que convivi estreitamente com o voleibol, ajudando o Prof. Paulo Matta em suas incursões cinematográficas pioneiras, das quais um aspirante a técnico, o Bebeto de Freitas, mais tarde grande campeão, inclusive mundial, muito se beneficiou com suas viradas de noite no apartamento do Paulo vendo e revendo filmes em 8mm, super 8mm, 16mm e vídeos em rolo. Hoje, ambos foram devidamente esquecidos e marginalizados pela turma que sempre se encontrava na EEFEx, onde até hoje treina, e conseguindo de forma política não muito bem explicada, reverter o pioneiro patrocínio do Banco do Brasil no basquetebol, num também pioneiro projeto do Prof. Heleno Fonseca Lima, grande técnico daquela modalidade e graduado funcionário daquele banco, fator que catapultou o vôlei, econômica e financeiramente, ao estágio hoje ostentado.

Na mesma época, o hoje poderoso (?) presidente do COB, Arthur Nuzman, fazia palestras para desportistas para assumir a Federação de Volei do RJ, numa jornada em tudo parecida a do Eduardo Viana “Caixa d’Água” da Silva pela Federação de Futebol. Assisti a uma dessas palestras no Instituto Bennet com o Prof. Raimundo Nonato, mais tarde Diretor Técnico da CBB junto ao Prof. Renato Brito Cunha, seu presidente. Nessa palestra o cunho empresarial já era visível no projeto, que se concretizou rapidamente, e se solidificou na Confederação quando do aporte financeiro do Banco do Brasil.

Bem, de lá para cá todos conhecem muito bem o roteiro percorrido, onde o desporto foi transformado em negócio, grande negócio, que infeliz, ou felizmente, vem se tornando público através a mídia de uma forma geral, desnudando um santo que havia sido regiamente paramentado e alimentado com vultosas verbas públicas.

Quando publiquei o artigo O Dedo Torto, foquei um outro lado da questão, o ético, que muito foi deformado frente aos interesses maiores, não só para os dirigentes, mas para jogadores e técnicos também. Foi um chute (ou cortada) no traseiro de uma modalidade que, ao contrario do que sempre foi propalado, não se massificou, e nem pretendeu fazê-lo, para mergulhar de cabeça no universo da alta competição, onde importantes conquistas técnico táticas foram alcançadas, através o talento de ótimos técnicos, e o emprego de muitas e pródigas verbas, inclusive com um Centro de Treinamento também construído com as mesmas, por sobre uma modalidade que em numero de participantes internacionais sequer chega perto do basquetebol, tolhido em seus patrocínios, e aviltado por mais de vinte anos de administrações espúrias e facciosas, numa travessia que tem sido mantida pelos poderosos do vôlei incrustados no comando do desporto nacional, a quem em hipótese alguma interessa o soerguimento do mesmo, única modalidade capaz de superar seu atual e discutível domínio, daí a facilidade com que verbas do Ministério dos Esportes foram e são direcionadas para a manutenção da corriola que lá se encontra, e sempre sob o vetusto manto do grande e poderoso presidente do COB.

Se uma varredura em regra fosse acionada no desporto nacional, muitos dos desmandos e equívocos acontecidos poderiam ser dirimidos, mudando o foco das formidáveis verbas alocadas nos últimos vinte anos, e que fizeram a independência financeira de muita gente auto elegida como importante, secundarizando interesses de uma nação que se debate em tantas  indefinições e precariedade educacional, na saúde, segurança e transportes, onde um desporto saudável, escolar e mesmo clubístico, poderia ajudar a sanar a maioria das mazelas existentes, dando lugar a um país realmente olímpico, e não essa trágica realidade de um país cultuador do corpo para a riqueza avassaladora das holdings que administram academias por todo o país, a quem não interessa o desporto escolar em cima de um universo cada vez mais jovem, seus clientes em potencial, e a quem não interessa, e nunca interessou massificação de atividades lúdicas e pré competitivas voltadas à juventude brasileira, que é um direito constitucional seu.

Se por alguns momentos o leitor considerar que me afastei do assunto central aqui exposto, acreditem, são todos fatores de uma mesma cadeia de interesses, que se sobrepõe desde as escolas, os clubes, e até a formação acadêmica dos futuros professores de educação física (jamais profissionais de ed. física, atrelados que estão a conselhos que viabilizam a indústria do corpo…), e cujas indefinições propiciam o aparecimento e quase perpetuação de indivíduos voltados aos interesses financeiros, jamais os educacionais, mas que pelas ações, veladas ou não, que praticam, ainda podem ser contestados, pois podem enterrar a verdade, matá-la, jamais…

Mais do que nunca, o dedo ficou tão torto…

Amém.

Foto – Reprodução de matéria publicada pelo jornal O Globo em 15/3/2014. Clique na mesma para ampliá-la.

MAIS PREOCUPANTES MOMENTOS…

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Não estou negligenciando o blog, de forma alguma, simplesmente estou atravessando um período delicado em família, mas que caminha para um bom desfecho, e que tem reduzido, em muito, o tempo que necessito para postar artigos com a segurança que sempre procuro manter desde sempre.

 

A grande e perversa ironia, é que o nosso querido basquetebol, assim como o desporto em geral, vem atravessando tempos e situações piores, o que restringe bastante o horizonte para assuntos alviçareiros e progressistas.

 

Agora mesmo nos deparamos com a solidificação, praticamente unânime, do reinado das bolinhas em nossas equipes e craques de ponta, vide a equipe de Brasília que, em seus últimos jogos inverteu a lógica ofensiva, quando já supera em muito a convergência entre as conclusões de dois e três pontos, como             que balizando às demais equipes, o caminho a ser traçado daqui para diante na forma de atacar, se locupletando da falácia defensiva que vem caracterizando a imensa maioria das franquias, com o apoio dos técnicos estrangeiros aqui aportados para “atualizar” o grande jogo, e que nos brindam com o continuísmo da mesmice travestida de “cornos abajos, acima e laterales”, “cabezas, camisas”, e demais denominações do restrito mundo do sistema único, mas “valorizando e incrementando-o” com a torrente caudalosa, consentida e oportunisticamente apoiada das bolinhas, garantidoras de seus vultosos ganhos dolarizados, face a mixórdia defensiva instalada entre todos, e permitidas pelos mesmos e por nosotros tambien, e que mais do que nunca robustece a realidade de que o Desafio que fiz aos técnicos da liga e do país continua intocado, marginalizado, esnobado, combstanciando a certeza maior de que se presente estivesse em uma equipe, muito poderia ter agregado ao grande jogo, oportunizando uma forma diferenciada de jogá-lo, e que bem sabem aqueles que o conhecem de verdade, fazê-la, por que não, vencedora.

 

 

Com este quadro desalentador, preocupa nossa participação internacional, onde “facilidades e facilitações defensivas” se mostrarão quase inexistentes em nossos adversários, ensinados, treinados e solidificados em princípios defensivos por aqui negados, trocados que são pela falácia de que defesa é representada e praticada com 90% de vontade e 10% de técnica, demonstrando tacitamente nossa ignorância sobre um fundamento basal do jogo. Ontem mesmo, num jogo universitário entre Florida e Kentucky, onde as equipes têm 35seg de posse de bola, contestavam-se arremessos defendendo individualmente ou por zona, sem esmorecimento, fosse o tempo que fosse, utilizando técnicas antecipativas e de pleno domínio do equilíbrio corporal, dentro e, principalmente, fora do perímetro, numa impressionante antítese do que praticamos(?) por aqui…

 

Outro enfoque preocupante, não fosse hilário em seu conteúdo, é o outro “reinado” que ensaia se estabelecer entre nós, o das “pranchetas comunitárias”, aquelas que inicialmente pertenciam, e eram cerimoniosamente passadas aos coachs por seus assistentes, mas que de uns tempos para cá se transformaram em pontes para que estes assumam um lugar que não é o seu, e agora se veem divididas com aqueles jogadores mais engajados taticamente, quando puxam para si as grandes decisões, transformando-as em bazares de trocas, discussões e inenarráveis equívocos, que bem sei onde desaguarão, o que bem sabemos todos nós. Quanto aos coachs, acredito que nem mesmos sabem e avaliam o colossal erro que cometem ao abdicar de seu comando, aquele verdadeiro e solitário comando dos que realmente dominam situações grupais forjadas nos treinos, e não em “soluções” midiáticas grafadas com canetas hidrográficas, “exaustivamente treinadas”, segundo comentaristas que sequer os frequentam para avalizar suas procedências…

 

Terminando, mais um fator que se apresenta promissor em nosso combalido basquetebol, cuja síndrome já comentei por aqui, a do “corner player”, sintomaticamente ilustrada na foto abaixo, onde ávidos  sinais de presença em suas áreas de ação se tornam determinantes, como se fossem capitanias de uma única habilidade que pensam dominar, a inefável bolinha, que com uma simples, técnica e estratégica presença defensiva se tornariam nulas por absurdas que são. Porém, se os técnicos concordam e as incentivam…

 

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

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PREOCUPANTES MOMENTOS…

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Tenho estado muito atarefado com a visita do filho João David, com suas gravações e intermináveis sessões de vídeos e fotos, às quais acompanho com prazer, apesar do cansaço. Mas, eventualmente, como num arraigado exercício profissional, assisto os poucos jogos tupiniquins pela TV, além do parco noticiário na mídia, praticamente voltada aos interesses da NBA, como se todos aqueles que realmente se importam pelo grande jogo comungasse da mesma neurótica e colonizada fixação. Particularmente ainda nutro profundo interesse pelo nosso basquetebol, apesar da terrível provação a que tem sido submetido por um bando de aventureiros arrivistas, acreditando que com a ajuda dos deuses basqueteiros saiamos desse absurdo limbo em que se encontra.

De saída, uma matéria do Fabio Balassiano publicada em seu blog (25/2/14) pincela fortemente no âmago da grave situação na CBB, principalmente nas falhas gritantes de planejamento, organização e gestão dos incentivos públicos de grande monta a que vem fazendo jus.

Mas, ficando de fora um fator decisivo nessa pandega de mau gosto, a verba de 14 milhões injetada na semana antecedente à última eleição na CBB, que garantiu a continuidade da deficitária (em todos os sentidos…) direção que lá se encontrava, e que sucedeu a era do grego melhor que um presente, verba essa liberada pelo mesmo personagem governamental que agora, “exige” prestações de contas a projetos negligentemente gerenciados, numa clara demonstração de se eximir da responsabilidade (ou tirando da reta, se preferirem…) de ter mantido a corriola no poder, aspecto aplaudido (e por certo apoiado) por um COB, sempre interessado em manter distante o soerguimento do grande jogo, única modalidade, que se bem e seriamente gerida, reconquistaria seu lugar de direito na preferência dos jovens brasileiros desde sempre. Ainda mais, quando a pretensa massificação do vôlei se revela pífia, e muito do império de sua elite ameaça ruir também, assim como ocorreu com o basquetebol.

Mas o pior veio numa matéria publicada pelo O Globo de ontem (anexa), onde um certo cientista político, Daniel Cara, Coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, cometeu o seguinte absurdo: (…) Esse avanço é sem dúvida positivo, mas está mais do que provado que, no Brasil, a expansão do acesso é feita em detrimento da qualidade. Muitas escolas com período integral oferecem oficinas dissociadas do projeto pedagógico, como atividades esportivas, apenas para manter a criança na escola.(…)

            Depois de um bestialógico como esse, em que define disciplinas sérias (Ed. Física, Música, Teatro, Dança, Artes Manuais e Industriais…) como oficinas, negando suas importâncias na educação integral e cidadã dos jovens, direito inalienável garantido pela constituição do país, o que podemos dizer, avaliar, projetar para o futuro desse imenso e injusto país, o QUE?

Mas, e o basquetebol, o jogado, como fica Paulo?

Ah, está em plena reforma platina, vide os recentes jogos do Brasília, onde o império das bolinhas se expande aritmeticamente, com os arremessos de dois pontos, ou jogo interior, definamos, se reduzindo drasticamente (creio ser o estudo da NBA propondo uma linha dos quatro pontos ser adotado no planalto bem antes dos ianques…), e que no último jogo contra o Pinheiros alcançou a marca de 17/37 tentativas (no anterior contra o Goiânia foram 16/44!!) e 21/32 nos dois pontos, num jogo em que os paulistas perpetraram 9/26 bolinhas de três, num total de 63 para ambas (26/63)!!

Como vemos, a tecnologia hermana plantou raízes no planalto, acenando o sistema de jogo que utilizaremos e arrasaremos no Mundial em Agosto, onde nossos pivôs já se acomodam ao novo padrão, cada vez mais “queimando” de fora, resultado de uma infectada e purulenta maneira de enxergar defesa, onde, segundo um técnico de nossa elite, 90% dessa difícil arte é física, e somente 10%, técnica, numa inversão absoluta de conceitos e valores (pois só defende quem detém as técnicas para fazê-lo, os tais 90%…) geradores da inestancável hemorragia dos três, agora sedimentada e avalizada pelos sábios técnicos, inclusos os estrangeiros…

Juro pelos deuses, que se quiséssemos desmontar o que ainda resta de útil e bom em nosso basquetebol, não faríamos melhor do que essa corporação está conseguindo, permitindo e incentivando essa “chutação” desenfreada, e incrementando o “vamo lá” ao instruir defesa…

Amém.

Fotos- Bala na Cesta, Globoesporte,Reprodução do jornal O Globo. Clique nas mesmas para ampliá-las.