DO SONHO A REALIDADE…

Páginas e páginas centrais hoje são impressas anunciando simpósios, seminários, congressos e imersões sobre a temática chave para o alavancamento decisivo dessa infeliz terra, a educação justa e estratégica de seu povo, direito constitucional relegado e aviltado desde sempre. Fala-se de tudo, discutem a não mais poder sistemas, conceitos, filosofias, projetos e políticas governamentais, sem conclusões plausíveis, num vazio de idéias factíveis a nossa realidade de país pobre de saber e cultura, propositada e politicamente carente de ambas, num projeto de perpetuação da ignorância que beneficia indiscriminadamente direita e esquerda em suas projeções de domínio político, econômico e administrativo. Sem dúvida alguma, um povo analfabeto funcional se torna massa de manobra bem mais em conta para tê-lo no cabresto abjeto e criminoso, a direita ou à esquerda, não importando muito o sentido…

Porém, algo chama a atenção no âmago de todas as propostas largamente anunciadas, a ausência praticamente total de qualquer discussão que incluísse a Educação Física, os Desportos, as Artes, a Música, a Dança, como se não existissem, como se não fossem de básica importância na formação plena de cidadania, num todo cultural que nenhuma nação séria e importante ousa desconhecer, relativizar, omitir, e muito menos alijá-la do contexto educacional de seus povos…

Pobres disciplinas, esquecidos e subjugados mestres e professores, num cenário em que pululam negócios com lucros estratosféricos, como as poderosas holdings do culto ao corpo, a quem não interessa educação física nas escolas, muito menos desportos, sua próxima investida, afinal, trata-se de um mercado promissor que política desportiva nenhuma poderá interferir, numa indústria que movimenta bilhões anualmente, e que cada vez mais investe no mercado adolescente, seu mercado presente/futuro, e um exemplo arrepiante ai está ao lado, com a inclusão em cem escolas municipais das lutas marciais (leia-se MMA), numa investida irresponsável e absurda, pois envolve “mestres” cuja formação didático pedagógica se torna discutível, inclusive, pela legislação em vigor, por não se tratar de licenciados, vínculo indiscutível e pétreo para o exercício no magistério escolar. Frente a tal descalabro, o que virá a seguir, o que, meus deuses?…

Anos atrás postei o artigo a seguir nesse humilde blog, republicando-o pela sua dolorosa atualidade, com um fator a ser aguardado, a punição total, geral e irrestrita de uma quadrilha de maus e corruptos brasileiros, a fim de que sirvam de exemplo aos futuros mandatários e postulantes de políticas mentirosas e criminosas junto aos jovens desse imenso, injusto e desigual país…

Amém.

Fotos – Reproduções da mídia.

A HERANÇA…

domingo, 8 de junho de 2008 por Paulo MuriloSem comentários

È uma sexta-feira radiosa, e bem cedo pego meu velho Fiat 95 e parto para a cidade via Barra da Tijuca. Como moro na Taquara prenuncia-se uma viagem e tanto até meu destino. Mas o que vejo? O trânsito fluindo calmamente, sem atropelos, mudança esta sentida desde antes um pouco do início dos Jogos Pan-Americanos, quando estações do metrô foram inauguradas no sentido Barra-Penha e Barra-Botafogo, transformando a ida de carro praticamente num tour turístico pela belíssima orla do Rio.

Como havia um pouco de tempo sobrando ao meu compromisso na cidade, paro em uma das escolas públicas beneficiadas pelo plano de projeto esportivo anexado ao futuro olímpico de massa, que dotou as escolas cariocas de dependências mínimas, porém decentes, de kits formados por uma quadra coberta, uma piscina de 25 metros e uma mini pista de atletismo, além de uma pequena verba suplementar para que os professores de Ed.Física dessem mais horas de trabalho visando o atendimento comunitário. Converso com os professores e constato o sucesso do projeto, estampado em seus sorrisos de satisfação pelo trabalho que desenvolvem junto aos professores de artes e música, em estreita colaboração com os demais professores das disciplinas tradicionais. Antes de sair dou um pulo na pequena, porém atualizada biblioteca, e na cozinha, onde um estimulante odor de comida bem feita exala no ar. Saio e percorro o trajeto até o autódromo, onde grandes e modernas instalações desportivas foram construídas para os Jogos, e o que vejo meus deuses? Muitas, muitas crianças ocupando as quadras e piscinas, praticando as modalidades oferecidas pela municipalidade, em escolinhas onde os talentos garimpados nos programas desenvolvidos nas escolas da região desenvolvem suas aptidões. Fico feliz e gratificado com a herança deixada pela organização lapidar dos Jogos para a população carioca. E como surpresas ainda poderiam ocorrer, vejo voltarem os pescadores nas lagoas que circundam as dependências do autódromo, como um pouco mais adiante o bairro que serviu de Vila Olímpica, cujas águas límpidas contrastam dramaticamente com a cloaca a céu aberto de antes daqueles benditos Jogos. E chego na Barra, suavemente, rejuvenescido, admirando o quanto o povo desta cidade evoluiu em sua educação no trânsito, quando perante ações sócio-políticas que realmente os beneficiava. E com a ausência de jovens e muitas crianças que pululavam os cruzamentos na ostentação de sua pobreza e abandono, hoje amparados pela sociedade e estudando em tempo integral, fico agradecido do fundo do coração, desejando, ao passar pela monumental sede do COB na Avenida das Américas, saltar e ir agradecer tão contundentes e preciosas dádivas, frutos de uma extraordinária administração dos bens públicos na organização ímpar e patriótica daqueles inesquecíveis Jogos.

E quando no dia seguinte, abro o jornal e me deparo com as autoridades diretivas do Estado e do desporto nacional, onde ministro, governador, prefeito, presidente do COB e benemérito da FIFA, entre outras autoridades empresariais, sempre eles, se abraçam, se beijam e sorriem escancaradamente para as lentes televisivas do mundo inteiro ao ver a cidade maravilhosa escolhida na rodada semifinal para sede das Olimpíadas de 2016, cujos projetos enfocam benfeitorias muito além daquelas que herdamos do Pan, e que relatei emocionado acima, numa exibição explícita de poder além do sonhado, inclusive para cidadezinhas como Madri, Tóquio e Chicago, onde só o projeto de exeqüibilização a ser apresentado no ano que vem na rodada decisiva se eleva no patamar acima dos 50 milhões de reais,e cujas obras complementares às do Pan irão orçar por volta dos 3 bilhões, é que percebo ter sido aquele trajeto até a cidade uma armadilha em forma de sonho a que todos os cidadãos honestos e trabalhadores desse infeliz estado, seus filhos e famílias, caem dia após dia, ano após ano, décadas após décadas, restando aos mesmos, a mim, um urro do fundo de nossas indignadas almas- CANALHAS!

Amém.

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15 ANOS ATRÁS…

Este foi um dos primeiros artigos publicados nesse humilde blog, 15 anos atrás. O que mudou de lá para cá? Pouco, quase nada, infelizmente…

Basquetebol brasileiro-Fracasso ou omissão?

Domingo, 12 de setembro de 2004 por Paulo Murilo–  2 Comentários

Por 44 anos venho lutando pelo basquetebol no Brasil, e gostaria de fazer desta página um fórum de discussão acerca dos diversos motivos que levaram essa modalidade ao retrocesso que constatamos, infelizmente, em nosso país. Para dar partida peço licença para, na forma de um pequeno artigo, expôr algumas constatações que ao longo dos anos testemunhei como técnico e professor de futuros técnicos. Em 1963, no Ginásio Gilberto Cardoso no Rio de Janeiro, a equipe masculina do Brasil sagrou-se bicampeã mundial em uma final com os Estados Unidos, resultado que muitos e atuais jogadores, técnicos, jornalistas e dirigentes teimam em minimizar a qualidade do basquete praticado na época.Na equipe americana seis dos jogadores se profissionalizaram na NBA, onde atuaram por mais de 6 anos, sendo que um deles, Willis Reed, faz parte do Hall da Fama como um dos cinco maiores centros de todos os tempos com suas atuações no New York Knicks. Na equipe brasileira atuavam maravilhosos jogadores com Amauri, Wlamir, Rosa Branca, Ubiratan, Menon, Jatir e muitos outros que fizeram do jogo um espetáculo inesquecível. Quatro deles arremessavam de distâncias equivalentes à linha dos três pontos atuais, Jatir, Vitor, Rosa Branca e Amauri, o fazendo com uma bola de 18 gomos costurados à mão, com uma esfericidade que nem de longe se comparavam às verdadeiras jóias tecnológicas das bolas atuais, corrugadas e com sulcos profundos onde os dedos encontram base e aderência para exercerem total domínio direcional nos arremessos. Tivessem na época tais bolas e uma linha de três pontos todas, afirmo, todas as vitórias da equipe brasileira teria ultrapassado os 100 pontos. Jogávamos com dois armadores, dois alas e um centro, num rodízio permanente de posições, compensando com velocidade e astúcia a inferioridade na altura, principalmente os centros.Jogava-se com a bola nas mãos, em pleno domínio da arte do drible, onde os passes faziam a ligação que antecedia o arremesso, e sempre com um mínimo de três jogadores participando dos rebotes. Por anos dominamos a arte do drible e dos rápidos corta-luzes, onde os armadores dominavam a maior das habilidades, criar espaços onde não existiam, progredir em direção à cesta, estabelecer a superioridade numérica sempre que possível, arremessar como opção, e não como prioridade. Os alas e o centro em permanente rodízio iam sempre de encontro ao passe e não esperando por ele estaticamente. Antecipando o movimento sempre conseguiam o melhor posicionamento ofensivo, obrigando os defensores a se movimentarem e por conseguinte desestabilizarem suas ações. Enfim, jogava-se com a bola sob domínio físico e não, como hoje, sob o domínio do absurdo passing game. No final dos anos setenta e início dos anos oitenta a NBA se encontrava numa fase de afirmação econômica. Era necessário levar público aos ginásios, era fundamental encontrar-se um sistema de jogo que privilegiasse o um contra um, em duelos dentro do jogo, se possivel entre gigantes, e melhor ainda se entre brancos e negros.Nascia o passing game, formula perfeita para gerar duelos individuais, e melhor ainda se respaldado pela proibição da defesa por zona e pela flutuação na defesa individual. Não se ia aos ginásios para ver Lakers versus New York, e sim Jabar versus Willis Reed. O gosto do torcedor americano pelo embate de gigantes no Boxe, no Football teria de ter sucedâneo no Basketball para que despertasse seu altamente lucrativo interesse. O passing game era a solução técnica, como os embates um contra um seria a solução financeira. A divulgação maciça pela mídia, principalmente a televisiva lançou ao mundo o modelo NBA, que com o sucesso alcançado motivou o governo americano a utilizá-lo como sutil propaganda de sua superioridade esportiva, cultural e política perante o mundo. Cometeram um erro porém, ao subestimar a importância das regras internacionais, ao subestimar a FIBA, estando hoje colhendo alguns fracassos pela inabilidade de seus jogadores quando submetidos às mesmas em mundiais e recentemente nas olimpíadas. Mas no caso do Brasil o estrago já tinha sido letal. Nos últimos 20 anos mudamos nossa forma de jogar e adotamos o modelo NBA, o modelo baseado no passing game. Nossos armadores empolgados pelo um contra um passaram de organizadores para finalizadores, esqueceram a arte do drible, assim como os alas simplesmente a aboliram. Da posição básica no ataque, com a bola de encontro ao peito, prontos para o drible, o passe ou o arremesso, retrocederam para a posição da bola acima da cabeça, simplesmente para a execução do passe, dando continuidade a verdadeira coreografia em que se transformou o jogo, ao passing game. O”basquetebol Internacional”, como muitos apregoam, realmente se estabeleceu pela maioria dos países, pois subserviência cultural não é prerrogativa do Brasil, no entanto, alguns deles não descuidaram do ensino dos movimentos básicos, e cito a Argentina, a antiga Iugoslávia, a Lituânia e a Rússia como exemplos. Conseguiram os mesmos manter um excelente nível no domínio dos fundamentos, principalmente o drible, e hoje colhem os resultados desta saudável atitude. Ao esquecermos nossa herança de duas vezes campeões do mundo e três vezes medalhistas olímpicos, mergulhando numa mediocridade técnica na tentativa de imitarmos um sistema planejado, estudado e executado para a manutenção do domínio do modelo NBA, esquecemos também que fundamentando o modelo americano sempre existiu a massificação de jogadores nas escolas e nas universidades, ao contrário da pobreza franciscana de nossa realidade. Transpor modelos estrangeiros fora de nossa realidade é a atitude mais estúpida que se possa tomar, mais é sem dúvida nenhuma a mais fácil de ser utilizada por um grupamento de pseudo técnicos que determinaram omitir nossa passada grandeza em nome de uma realidade absurda e irresponsável. Em 1971 sugeri e ajudei a fundar a primeira associação de técnicos de basquetebol do Brasil, a ANATEBA, onde exerci o cargo de secretário. Mais tarde, em 1976 também ajudei a fundar a BRASTEBA da qual fui o vice-presidente, e no Rio de Janeiro a ATBRJ que como as anteriores logo se desintegraram. Mais recentemente fundou-se em São Paulo a APROBAS, que encontra sérias dificuldades para expandir-se. O fator restritivo é, como foi no passado, o total desinteresse pela discussão dos problemas técnicos, culturais e até sociológicos que submetem nosso desporto aos interesses de um grupo que se apossou do comando do mesmo, um feudo, onde alguns empunham microfones para em transmissões esportivas criticarem e oferecerem soluções táticas e técnicas, visando empregos futuros nas equipes de ponta, numa flagrante falta de ética profissional, já que do outro lado não existem microfones para a defesa. Sofremos de um unilateralismo crônico, ontem no aspecto de sistema de jogo, hoje de divulgação de um modelo em que somente um dos lados exerce o domínio da informação. Sempre tivemos bons e maus dirigentes, grandes e pequenos técnicos, perene falta de incentivos, pouca divulgação da modalidade, intercâmbio pouco desejável, mas alcançávamos resultados, discutíamos mais, e às vezes até brigávamos , procurando adaptar novas tecnologias e novos sistemas à nossa realidade, enfim, sabíamos administrar nossa pobreza. Hoje reina a omissão e prevalece a mesmice, a cópia a falta de imaginação e a ausência de criatividade. E a classe que no fim das contas é a que dita as normas de conduta técnica, de sistemas de jogo, de estratégias a serem seguidas, dentro e fora das quadras, é a classe que peca pela omissão, por que de todas as envolvidas no processo decisório é a que tem por obrigação deter o domínio e o conhecimento do jogo. Por isso considero serem os técnicos, que por seus conhecimentos, estudos e pesquisas deveriam comandar e estruturar as políticas referentes ao desenvolvimento do jogo, os grandes responsáveis pelo seu declínio, por negarem as tradições, os conceitos e a verdadeira índole de nossos jovens, ao trocarem esses valores por soluções estrangeiras sem as devidas adaptações por ser uma solução fácil e desprovida de responsabilidades. Podemos fugir deste modelo? Difícil, porém possível. daí a sugestão para o debate. Até o fim do ano publicarei meu livro, onde estenderei ao máximo esses pontos de vista, e aí sim poderei expor com todas as letras o que vivi, senti e experimentei nos últimos 40 anos de basquetebol.

Amém.

2 comentários

  • M Ponte
  • Yesterday
  • Excelente, Professor.
    Foi visível, real e tristemente, a incentivação deliberada ao jogo egoísta, por ditame midiático e publicitário, com deletérias consequências ao desporto e à sociedade, sem dizer uma irresponsável e mesmo abominável atropelação em massa prol uma sub-cultura (?) de segregação 
  • Basquete Brasil
  • Yesterday
  • E o pior, prezado Ponte, é que nada aprendemos até a data de hoje. Lamentável e constrangedor. Um abraço. Paulo Murilo.

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O ENTER – QUINZE ANOS DE BASQUETE BRASIL…

Quinze anos atrás, 11 de setembro de 2004, às 4hs da madrugada, hesitei em dar um Enter, iniciando a saga do Basquete Brasil. Não por receio de não ser compreendido, ou mal compreendido, haja vista meus sempre contestados posicionamentos e pontos de vista, mas pelo forçado afastamento das quadras, pelo distanciamento movido pelas decepções e pelas injustiças cometidas com o basquete pátrio, pelo avesso sentimento ao que de pior vinha se apossando do comando do grande jogo nesse imenso e pobre país. Pensei muito, e considerei ser profundamente injusto guardar só para mim o pouco que sei e  amealhei pelas andanças da vida, sempre estudando, pesquisando, e trabalhando muito, dentro e fora das quadras, nas salas de aula, do primário à universidade, nos clubes, nas seleções, aqui e lá fora.

A primeira matéria ali estava, na brilhante tela já a algum tempo, como me enfrentando, mais um dos incontáveis desafios que enfrentei por toda a vida, ganhando e perdendo, mas sempre aprendendo, sempre transferindo o saber, sempre buscando novos rumos, novos desafios.

Fui a cozinha e peguei uma xícara de café, voltei ao escritório, e lá estava a página incólume, brilhando, e uma imagem me desafiando com um sorriso no canto da boca, olhando bem dentro de meus próprios olhos.

Não vacilei, e com firmeza e determinação dei o ENTER, e graças aos deuses nunca me arrependi de tê-lo feito.

Amém.

FECHANDO AS CONTAS E PASSANDO A RÉGUA…

Terminou a AmeriCup em Porto Rico, com a previsível vitória dos Estados Unidos, secundado pelo Canadá, e com o Brasil completando o pódio, após decidir o bronze com Porto Rico…

Tudo dentro do mais do que esperado script, claro, para os que entendem de verdade o grande jogo. Contra Porto Rico, e sem as amarras da necessidade premente de classificação ao pré olímpico, a seleção se soltou praticando o basquete anárquico que vem jogando nos últimos vinte anos, ou seja, correria desenfreada, chutação de três (as bolas caíram desta vez…), briga feroz nas táboas, armação para inglês ver, mas com duas boas novidades, três pivôs, que apesar dos evidentes pélvicos sobrepesos (perdessem de 10 a 15 kg cada, e se sairiam muito melhor, principalmente na velocidade e na amplitude vertical nos rebotes), e um empenho defensivo guerreiro, apesar de muitas das jogadoras marcarem com os braços, quando os manuais mais primários dos fundamentos ensinam fazê-lo com as pernas nos deslocamentos laterais, aspecto perfeitamente contornável se orientadas e ensinadas como deve ser feito…

No aspecto tático, se a tendência for a de otimizar o jogo interno, com duas ou três pivôs, os comentários da Hortência lembram em muito boa hora, quanto a necessidade de melhores armadoras para o implemento de tal tendência, não só para que pontuem mais, e principalmente, para que saibam fazer jogar suas companheiras dentro do perímetro, em ações combinadas e coordenadas, abrindo espaços em áreas restritas, objetivando arremessos de curta e médias distâncias, mais eficientes e seguros, deixando os longos nas voltas de dentro para fora do perímetro, e sempre através as especialistas, e não qualquer uma que se arvore em “matadora” de ocasião…

Priorizando os fundamentos individuais e coletivos (sugiro que contratem quem realmente domine a arte de ensiná-los, pois nesse jogo foram 19 erros), aliviando kilogramas em excesso, buscando mais agilidade e destreza (vide as grandes e esguias alas pivôs americanas, assim como suas enxutas armadoras), obteremos a matéria prima para aí sim, empregarmos sistemas de jogo factíveis e realmente eficientes, que se afastem ao máximo da visão limítrofe imposta por pranchetas rabiscadas e vazias de um conteúdo que deveria ser exclusividade do treino, do intenso, detalhado, exaustivo e compreensível treino…

Equipe treinada, conscientizada do que pode realizar, idealizar, criar e improvisar, é produto único e exclusivo do treino, dispensando oportunistas pranchetas, instrumento discutível e midiático de quem faz a mais absoluta questão de impressionar leigos, dirigentes e comentaristas de ocasião, se projetando num proscênio de Folies Bergére, e que ao lado das escatalógicas pantomimas nas laterais da quadra, preenchem a figura mítica do “técnico atuante e vibrante”, quando deveriam observar de dentro para fora, se sua função se coaduna coerentemente ao treino planejado, estudado e desenvolvido por todos os componentes da equipe formada pelos que adentram o espaço do jogo, e não a turma aspone que fica de fora…

Tomadas tais e pontuais providências, teremos em uma ou duas gerações melhores armadoras e alas pivôs, todas esguias e rápidas, dominando os fundamentos, e todo um trabalho espelho para as jovens que se iniciam na prática do grande, grandíssimo jogo…

E para não esquecer jamais – Só improvisa quem sabe, quem domina seus instrumentos básicos de trabalho, o corpo e a volúvel, inquieta e desconcertante bola…

Em tempo – Ao final da LDB, nos quatro jogos decisivos, foram perpetrados 36,5 erros de fundamentos de média por jogo, fato que compromete um trabalho que é enaltecido aos ventos como o de salvação do basquetebol nacional. Realmente preocupante e comprometedor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A RAINHA…

Êita pessoal, sei que estou em falta nos comentários do jogo com os Estados Unidos, falta absoluta de tempo (as obras aqui em casa estão nos acabamentos), e para ser mais objetivo, ter de cair no lugar comum de um jogo desproporcional e de óbvio resultado. Assisti grande parte dele, e como afirmei, se torna doloroso repetir um discurso de décadas, mas que em hipótese alguma, em tempo nenhum, encontrou eco no seio do corporativismo técnico tático que se perpetua neste imenso, carente e injusto país…

Principalmente na preparação, treinamento e orientação de nossos jovens de encontro aos fundamentos básicos do grande jogo, solenemente ignorados e trocados pelos processos sistêmicos de um pessoal que ouviu um galo cantar, sem sequer desconfiar onde ele se encontra, e que por conta, chutam odes pranchetadas no mais sem vergonha do “se colar, colou”, tendo “colado” até o presente momento, aplaudido pela mídia altamente especializada, agentes e administradores, todos embarcados no sonho nababesco e hegemônico de uma liga bilionária, mas que foi incapaz de vencer o último mundial, para tristeza da colonizada claque, e na qual jamais terá cacife econômico e cultural para pertencer…

Por conta disso, primamos pela priorização do sistema único, sem destinar um cem avos de qualquer prazo de preparação minimamente séria voltada ao exclusivo treinamento dos fundamentos, cujo resultado, por mais uma vez, ficou patente neste jogo na Costa Rica. Se torna muito triste, constrangedor até, termos de ouvir os incessantes e teimosos pedidos de narradores e comentaristas pelas salvadoras bolas de 3 pontos, inclusive da incensada e bajulada rainha, que como jogadora foi de um fulgor acima da normalidade, merecedora com  toda justiça pertencer ao Hall of Fame, mas que muito ainda deve como analista do jogo, pois não se percebe nela o menor intuito de sugerir, quiçá ensinar os fantásticos DPJ’s e fintas magistrais com que se comportava e agia nas quadras, assim como sua intocável espacialidade nas velozes e imarcáveis penetrações contra fortíssimas defesas, pontuando ou assistindo genialmente. Sua peroração pelas bolinhas incomoda, pois simplifica uma atitude técnico tática de quem tem pleno conhecimento da carência fundamental de nossas jogadoras, mas sem ter longinquamente arranhada sua realeza tupiniquim, já que no plano internacional possui concorrentes a altura. Se trocasse os discursos motivacionais pelas minúcias técnicas de que foi exemplar junto as jovens jogadoras, sem dúvida alguma faria mais jús a sua realeza, do que se ver envolta por um séquito de adoradores de confesso e constrangedor puxa saquismo explícito…

O resultado não poderia ser outro, quando de um lado temos um grupo de jogadoras absolutamente donas de técnicas individuais e coletivas de jogo baseadas no conhecimento e total domínio dos fundamentos, e do outro, um grupo valente e corajoso, vagamente escudado num sistema anacrônico e equivocado de jogo, e que mesmo assim se situava muito distante das mínimas exigências técnicas que o exequibilizasse, exatamente por não contar com o conhecimento e domínio dos fundamentos, base fulcral para a prática consciente do grande jogo…

No jogo seguinte, contra o Canadá, repetiram-se os fatos acima mencionados, porém com uma novidade de prancheta, que deixou boquiabertos narrador e comentaristas, o fato do estrategista lançar em quadra um trio de pivôs acessorado por uma dupla armação, estratagema que bem poderia ter dado certo, não fossem dois fatores cruciais, começando pela inabilidade das armadoras que se revezavam na quadra, todas mais voltadas a pontuação de fora (foram 5/21 tentativas de 3, e 18/45 de 2 pontos), enquanto as canadenses lançaram 3/15 e 17/42 respectivamente, com ambas as equipes errando terrivelmente nos Lances Livres ( 7/17 e 23/32) e errando absurdos 37 fundamentos (20/17), e o outro e contumaz fator, o melhor embasamento fundamental canadense, que propiciou bolas decisivas através seu melhor conhecimento e domínio por parte das armadoras no quarto final da partida…

Quanto a tentativa do sistema 2-3 ofensivo que tanto defendo como uma válida opção de sistema ambivalente de jogo, pois funciona perfeitamente contra defesas individuais e zonais, mas que necessita de um trabalho muito detalhado na leitura correta e objetiva do jogo, exigindo treinamento, estudo e preparação de alta complexidade, visando ao final a compreensão do que venha a ser improvisação criativa e espontânea individual e grupal, que é o objetivo voltado a simplificação advinda do trabalho profundo e consciente pelo domínio dos fundamentos e consequente domínio maior de uma sistematização de jogo, numa inseparável dualidade voltada a qualidade e excelência na prática do grande, grandíssimo jogo. Logo, escalar e mandar a campo uma formação 2-3 ofensiva, significa muito pouco frente às exigências acima apontadas, sem quaisquer ponderações que se façam presentes…

Enfim, daqui a um pouco disputaremos o bronze com a equipe de Porto Rico, num jogo em que, por mais uma vez, nos veremos frente a uma equipe melhor nos fundamentos do que a nossa, porém com um diferencial, a superioridade nos rebotes, fator que se bem encaixado, poderá nos brindar com um pódio bastante oportuno. Torçamos pelo melhor…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

ERROS NO ATACADO E NO VAREJO…

Foram duas peladas descompromissadas contra a Argentina e o Paraguai, equipes muito fracas e de baixa estatura, fazendo com que as brasileiras atuassem dentro do garrafão com absoluta tranquilidade, apesar de abusarem na tradicional e enraizada chutação de três (5/15 com as platinas e 14/35 contra as paraguaias), num desperdício de energia física, que muito bem poderia ter sido canalizada para acertarem um sistema qualquer de ataque, que por inexistente, descambou para a correria que estas jogadores praticam desde sempre. Defensivamente nem comentar, pela mais completa ausência ofensiva de suas adversárias, e que mesmo assim propiciaram 31 erros de fundamentos em cada uma dessas partidas, que garantiram a passagem da equipe para as semifinais, e a classificação para o Torneio Pré Olímpico. Com a classificação garantida, os jogos finais terão as doses de expectativa e tensão atenuadas, fazendo com os dois jogos se situem na zona de “estudos” para os futuros embates decisivos no Pré, conotando um excelente álibi em caso de derrotas mais severas, o da não assimilação do “processo” inovador por que passa e passará a seleção daqui para diante, o qual aguardarei com ansiedade e curiosidade, pois, pela alta qualificação e profunda experiência na formação, preparação e treinamento alardeadas por seus mentores, será de se pressupor algo de inovador, criativo, e revolucionário para o basquetebol feminino tupiniquim. Logo, seja qual for o resultado de logo mais contra os Estados Unidos, todo um “processo de ponta” estará sendo estabelecido visando o soerguimento da modalidade feminina no país, e que aqui bem para nós, tenho sérias e bem embasadas dúvidas de que dê certo, até mesmo a longo prazo, pelo simples fato de ser uma modalidade especialíssima, e que exige pessoal altamente qualificado em suas especificidades, principalmente na formação de base, onde nenhum destes componentes e patrocinadores do tal processo são possuidores de fundamentação qualificada, a não ser seus monumentais e midiáticos currículos…no masculino.

Em tempo – Ao recomeçar a LDB em sua fase final, até o momento em que escrevo esse artigo, nove jogos foram realizados, com a média de erros de fundamentos no incrível, inadmissível e assustador patamar de 36 por partida, na porta de entrada destes jovens no NBB, fato nada recomendável para suas admissões na liga maior, e muito, muito menos como prospectos a seleção e ao sonho dourado de seus agentes, e boa parte da ufanista mídia dita especializada, a NBA…

No mais, continuamos na ferrenha torcida para que dias melhores arrefeça tanta incompetência…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

FUNDAMENTOS? PRA QUE, SE TEMOS A SOLUÇÃO NA CHUTAÇÃO DE 3…

Meus deuses, que sacrifício assistir uma seleção claudicante, enfrentar uma outra do mesmo nível, porém um pouco melhorzinha nos fundamentos, e mesmo assim vencer um jogo num arrivista arremesso de 3 pontos no apagar das luzes, após uma epopéia dantesca de 45 erros (isso mesmo, 45!!!) de fundamentos para ambas (23/22), numa competição classificatória para uma vaga olímpica, e ainda ter de ler um discurso do estrategista da vez, se penitenciando de que não soube ajudar a seleção como deveria fazê-lo, após um mês de treinos e jogos amistosos, fora a preparação antecedente para os Jogos Pan Americanos, com praticamente todas as jogadoras agora presentes em Porto Rico…

Assistindo pequenos vídeos veiculados pela CBB (no site da CBB, e se não me engano o 33) sobre a preparação fundamental da equipe, o que se vê são movimentos de partes do sistema único de jogo, e não ensino e correção individualizada dos fundamentos de drible, fintas, defesa, passes, rebotes e arremessos, que são os aspectos técnicos mais prementes de aprendizagem, não só das selecionadas, como da totalidade das praticantes do grande jogo em nosso país, que se inspirariam no exemplo maior de os verem na seleção sendo ensinados, corrigidos e treinados, para se aplicarem ao trabalho exaustivo com a devoção e entrega pela busca das habilidades básicas e necessárias à prática correta do basquetebol…

Mas não, o que se ouviu na transmissão pela TV, foram os sugestivos e insistentes apelos da comentarista Hortência pela situação tática, que preconizava passes para a pivô da vez, a fim de que a mesma devolvesse a bola para fora do perímetro para propiciar um arremesso de três, numa proposição simplista frente a mais absoluta ausência de competência técnica e tática de fazê-la jogar em conjunto com as demais companheiras, quiçá dentro de um sistema, mesmo simples, de jogo incisivo, participativo, criativo, e não em rompantes individualizados sem o domínio competente do instrumental básico, a bola, tão maltratada e desconhecida pela maioria das componentes da equipe, e das adversárias também…

Arremessamos 11/34 de 2 pontos, 8/21 de 3, e 21/25 de Lances Livres, com as colombianas arremessando 17/41, 7/17 e 6/16 respectivamente, perdendo o jogo por 6 pontos, mesmo sendo mais eficientes dentro do garrafão brasileiro, chutando menos de 3, porém errando 10 Lances Livres, suficientes para vencer, o que não surpreenderia ninguém, frente a dura realidade da enxurrada de erros cometidas por ambas as equipes, seleções nacionais, frente a imperdoáveis 45 erros de fundamentos, noves fora pranchetas midiáticas, transmitindo mágicas táticas e posicionamentos a jogadoras que pouco, muito pouco conhecem e dominam seus instrumentos de trabalho, o corpo e aquela imponderável e volúvel esfera, a bola, sem os quais sistema nenhum será exequível no grande, grandíssimo jogo…

Fico temeroso com os resultados daqui para frente, quando adversários de maior poder técnico se defrontar com nossa obesa (física, técnica e administrativa) seleção, fruto da maior das ausências, o profundo e cansativo, porém necessário desgaste físico pela procura incessante do domínio técnico e corporal, advindo do conhecimento, treinamento e aperfeiçoamento da base fulcral do grande jogo, seus fundamentos…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.

A CHAVE DO GRANDE JOGO, A MESMA QUE JOGAMOS PELA JANELA DA HISTÓRIA…

O Mundial chegou ao fim, iniciando um novo tempo, o do basquetebol solidário, bem jogado, melhor esquematizado, num equilíbrio bem distribuído entre ações defensivas e ofensivas, vencendo aquele que melhor o manteve, sem oscilações unilaterais, caso da Espanha na maior parte da partida, em contraponto com a Argentina, que se deixou jogar mais pela emoção, do que com o cérebro, preponderante fator na quase surra que levou da objetiva e aparentemente gelada Espanha…

E porque um novo tempo? Pela solidificação do jogo eminentemente coletivo, onde a maior estrela, o MVP Rúbio, que apesar de seus 20 pontos, atuava e regia uma equipe junto a Lull, numa dupla armação coordenada e presente em todos os pontos do perímetro externo, fazendo jogar seus três alas pivôs, entrando e saindo do interno, de acordo com as situações que se apresentavam a cada momento da partida, numa leitura primorosa de jogo, cerne e âmago de um coletivismo exemplar, e não à toa, a FIBA escalou a seleção deste mundial com três armadores e dois alas pivôs, atestando a importância da dupla/tripla armação, aumentando exponencialmente a qualidade do grande jogo. Com uma defesa alçapão, provocando e veladamente permitindo as penetrações dos excelentes armadores argentinos, para estando lá dentro, serem abafados pelos gigantes e móveis espanhóis, no momento em que os passes seriam severamente prejudicados pelo cerco imposto, obrigando arremessos descalibrados, imprecisos e afobados, fatores facilitadores a contestações, gerando a oportunidade dos infindáveis rebotes conquistados (foram 20 a mais, muita coisa para uma decisão), um dos fatores da derrota portenha…

Os espanhóis arremessaram 25/45 de 2 pontos, 6/20 de 3, e 27/33 nos lances livres, pegando 47 rebotes, enquanto os argentinos lançaram 15/34, 7/27 respectivamente, 24/28 lances livres e 27 rebotes, confirmando nos números o equilíbrio na distribuição dos arremessos de quadra, superior ao da equipe argentina, e o enorme diferencial nos rebotes. No entanto, um outro e quase imperceptível fator estratégico, foi pouco notado e analisado pelos comentaristas, o fato da Espanha ter começado com sua armação máxima, enquanto os argentinos somente se utilizaram da infernal dupla Laprovittola e   Campazzo mais adiante, quando o placar já era bem mais desfavorável. Quem sabe a equalização nas estaturas dos armadores tenha sido o argumento para tal adiamento, que custou caro a turma portenha…

Tudo bem claro Paulo, mas explique melhor a defesa alçapão. Tenho na memória a primeira vez que a vi num campeonato mundial, o daqui no Rio de Janeiro em 1963, num jogo decisivo entre Estados Unidos e União Soviética, quando no último ataque americano, que perdia por um ponto, abriram os soviéticos a lateral rente a linha final de sua defesa para a penetração do armador americano de baixa estatura Vinie Ernest, que vendo a avenida a sua frente avançou com determinação, sendo bloqueado limpamente pelos três gigantes soviéticos, perdendo a bola e a partida. É uma opção defensiva, que deve ser muito bem feita, teatralizada, tornando real algo que na realidade não é, e de aplicação muito seletiva, combinada e para um momento decisivo no jogo, podendo funcionar ou não. No caso soviético funcionou naquele decisivo momento, no caso espanhol, funcionou por todo o tempo, pelo fator que mencionei no início deste artigo,  dos argentinos atuarem regidos muito mais pela emoção (principalmente quando se viram diante da nula pontuação de seu melhor jogador, o Scola), do que com o raciocínio objetivo, equilibrado e frio de seus oponentes, e com um detalhe a mais, suas bolas de três, competentemente contestadas não caiam …

Mas num pormenor fundamental se igualaram, a similitude de suas formações de base, num trabalho sério e responsável junto aos mais jovens, principalmente na larga difusão do Mini-Basquete original em seus países, difundido e administrado por professores e técnicos bem formados, supervisionados por associações de técnicos e suas federações, numa cruzada iniciada a 40 anos, e que vem colhendo excelentes resultados de 15 anos para cá, bem ao contrário de nós, vizinhos que preferiram a colonização da matriz, do que o exemplo mais técnico e educativo, trocando-o pelo midiático apelo de um produto econômico financeiro e político, fora de nossa realidade de país culturalmente pobre, carente de educação, e acima de tudo, injusto e cruel para com seus jovens…

Quando acima menciono o Mini Basquete original, o fiz por constatar que bem no início de sua implantação no país, idealizado pela ABRASTEBA, entidade associativa de técnicos de basquetebol, por mim idealizada, aceita e fundada durante o Campeonato Mundial Feminino em São Paulo em 1971, sendo a segunda associação no mundo, somente abaixo da americana fundada em 1927 (a espanhola somente se organizou nos ano 80), já era plano básico a introdução do MIni Basquete entre nós, idealizado pelo presidente da mesma, Antenor Horta e o professor e técnico Heleno Lima, e que dois anos mais tarde serviu de estopim para que a CBB retirasse o apoio logístico da associação, a fim de assumir o Mini como ação de sua alçada, tendo o Hekel Raposo em sua direção, determinando em mais algum tempo o encerramento das atividades da associação. Daí para diante muitas das regras básicas que geriam a administração do Mini Basquete no mundo (espanhóis e argentinos entraram de cabeça em seu desenvolvimento, assim como a França) foram sendo alteradas por aqui através interesses bem conhecidos de técnicos ávidos por títulos, e não por formação de jogadores, como a regra do empate possível ao término dos jogos, a obrigatoriedade de todo jogador só poder atuar em não mais do que dois quartos consecutivos, e pelo menos num quarto em cada partida, eliminando o estrelismo e a figura do banco sem atuar, que dentre outras regras adaptadas, como altura da cesta e tamanho e peso da bola, davam a atividade mais um caráter recreativo do que competitivo, ensinando os movimentos básicos e estimulando o amor pelo esporte…

Enquanto isso mudávamos as regras, aplicávamos as defesas zonais numa idade inadequada, preteríamos jovens coordenados por outros pelo critério da altura, tentávamos especializar a garotada de 1 a 5, incentivávamos a chutação de três, numa idade onde a força motriz ainda é insuficiente, ampliávamos as peneiras, entregavamos o ensino a pessoal inadequado e pouco formado nos ditames didático pedagógicos exigidos para uma boa e eficiente educação de movimentos e atitudes, e iniciavamos um pré processo profissionalizante, onde mentores e agentes se encarregavam do futuro dos jovens craques, onde o fator estudo era de somenos importância. Enquanto Canadá, Argentina, Espanha, Austrália, Nova Zelândia, França, Alemanha e muitos outros países centravam esforços pelo esporte educação, nossos esforços se voltavam ao fulguroso futuro de nossos infelizes prospectos na NBA, panacéia com princípio, meio e fim de um desastre de proporções esperadas e concretizadas, porém, todo esse cenário de terror, alimentou currículos vencedores e premiados de muitos técnicos, alguns dos quais agraciados com seleções nacionais, para darem continuidade ao desastre em que nos encontramos…

Enfim, vai nos custar muito redescobrir o fio da meada perdido, muito mesmo, pois não vejo no âmbito federativo e confederativo qualquer providência que possa vir a enfrentar e contornar um quadro tão assustador, pois ainda estão indelevelmente atados a política do compadrio e do Q.I. institucionalizado, germes pútridos de tudo de errado que aí está, visceralmente escancarado no seio do grande jogo, empobrecendo e aviltando-o da forma mais injusta possível…

No entanto, gostaria de encerrar este artigo com uma foto (O Globo de hoje, 16/9), que retrata com precisão uma de minhas lutas aqui neste humilde blog, e que espelha em tudo e por tudo o quanto de desconhecimento e ignorância ainda nos assalta quando o ponto em questão são os fundamentos, o de arremesso em particular, como esse do MVP do Mundial Rúbio, que para muitos é a antítese do que consideram o equilíbrio perfeito do corpo na vertical, posicionamento estético e estiloso (muitos definem como “mecânica perfeita de arremesso”), mas que ao contrastar em tudo e por tudo com tal e perfeito modelo, define de uma vez por todas o que venha a ser o arremesso técnica e mecanicamente preciso e confiável. E para tanto, e se houver interesse na matéria em questão, acessem um artigo que bem define o que venha a ser controle do centro de gravidade corporal no ar, e o concomitante correto e confiável direcionamento da bola no sentido da cesta que determina o sucesso do mesmo, complementando com o outro artigo da série Anatomia de um Arremesso (acesso no espaço Procurar Conteúdo no blog), onde o detalhe ínfimo da retração do dedo médio na bola, alinhando-o ao anelar e indicador, otimizando a aplicação tripla de força a bola, é parte de um estudo de minha tese de doutorado sobre o assunto (Um estudo sobre um efetivo controle de direcionamento da bola no arremesso com uma das mãos no basquetebol – FMH/UTL 1992).

Claro que muitos vão contestar esse estudo, pois onde já se viu um brasileiro estudar, pesquisar e provar conceitos científicos sobre arremessos, sem pertencer ao mundo acadêmico americano e o globalizado da NBA, como?…

Pois é minha gente tupiniquim, sejam um pouquinho curiosos e pesquisem nesta infindável internet assuntos a respeito, e garanto que não encontrarão um estudo contestatório sequer, e mesmo análogo ao mesmo, e sabem por que? Isso mesmo, acertaram, ele mata a questão, e por isso é lido e consultado lá fora, e mesmo aqui dentro nos artigos que fracionei na série acima mencionada, e que são seguidos e aplicados a granél, porém com uma negação de autoria. Por mim tudo bem, já me acostumei de muito a situações mais restritoras do que essa, pois quando muito desejo do fundo do coração que simplesmente aprendam a arremessar com mais precisão e menos estilo, o que já seria suficiente para melhorarmos bastante…

No mais, que os deuses nos ajudem, um pouco mais do que já o fazem.

Amém.

TERÁ VALIDO A PENA?…

Daqui a um pouco a Argentina tentará o título mundial contra a Espanha na China, contrariando uma grande parte da mídia especializada internacional, que não previa o sucesso platino com uma equipe renovada e liderada por um senhor jogador de 39 anos, derrubando todos os prognósticos contrários, que ultrapassando equipes tidas como favoritas, viu sobrar apenas a espanhola, que medirá sua grande tradição e experiência contra a força de conjunto de uma equipe modelar, que representa um país absolutamente competente na arte do formar jogadores da mais alta qualidade, tendo um dos grandes campeões olímpicos a liderá-los, o Scola…

Será um jogo duríssimo, com ambas as equipes se utilizando da dupla armação com jogadores extremamente habilidosos, inteligentes e letais nos passes, nas infiltrações, e até mesmo nas conclusões precisas de todas as distâncias, alimentando alas pivôs de grande mobilidade, velocidade e força nos rebotes, revertendo de forma definitiva o reinado do sistema único, com suas formações dogmáticas de 1 a 5, deflagradas pela NBA, e copiadas pelo mundo afora, como um inamovível modelo a ser difundido desde a formação de base, e que a partir da influência técnico tática do coach K quando na direção das equipes americanas olímpicas e nos mundiais, subverteu a ordem vigente, a começar com a substituição dos corpulentos pivôs por jogadores mais velozes, hábeis e flexíveis na refinada arte de jogar o grande jogo…

Sem a menor dúvida o jogo está se tornando mais arejado, criativo e inventivo com essa forma de atuar de armadores e alas pivôs, inclusive na formação defensiva, que aos poucos vai se amoldando a jogadores incisivos, em constante movimentação, e de criatividade contínua, muitos furos acima da mesmice técnico tática que vinha asfixiando os “especializados” jogadores de 1 a 5, incensados e deificados por uma plêiade de osmóticos estrategistas copiando uns aos outros, afogados em suas elucubrações fantasiosas transcritas para pranchetas ininteligíveis e absolutamentes inúteis. Fica mais do que claro que as duas equipes finalistas são produtos de um longo e minucioso treinamento nos fundamentos, através professores didático pedagogicamente muito bem preparados e formados em escolas de técnicos e cursos superiores da mais alta qualidade, supervisionados por anos, e não diplomados em cursos de 5 dias, como até bem pouco tempo formávamos (?) nossos técnicos…

Tenho me divertido muito com a mudança dos comentários televisivos feitos por narradores e comentaristas sobre a dupla armação e os cada vez mais velozes e atléticos alas pivôs internacionais, e até mesmo em nossos campeonatos regionais e nacionais, principalmente sobre a desenfreada chutação dos 3 pontos, vício que nos tem levado a resultados amargos e constrangedores no cenário internacional. E pensar que aqui dessa trincheira neste humilde blog venho a 15 anos tentando convencer esse corporativismo insano de que existem outras formas diferenciadas de jogar o grande jogo, inclusive o demonstrando em quadra, bem sei que por pouco tempo na elite do NBB, porém por mais de 40 anos na formação de base em clubes e colégios, em seleções regionais masculinas e femininas, dando cursos em muitas regiões do país, em palestras e conferências aqui e no exterior, desde sempre sugerindo e demonstrando o poder da dupla armação e da trinca de homens altos velozes e atléticos, repito, por mais de 50 anos, e tendo o privilégio de assistir logo mais às 9hs uma decisão de campeonato mundial, onde as duas equipes praticam um sistema ofensivo 2-3 absolutamente lapidar, como um corolário de uma evolução técnico tática negada por muitos, principal e unanimemente por nossos extraordinários e competentes estrategistas, dentro e fora das quatro linhas da quadra. Dá um amargo gosto ouvi-los discursar sobre dupla, e até tripla armação, jogo interior com alas e pivôs, muito aquém dos uzeiros comentários sobre a “importância fundamental” dos arremessos de 3, das enterradas monumentais, das precisas defesas (no entanto jamais explicam que defesas sejam estas), omitindo a importância do domínio dos fundamentos do jogo em toda sua amplitude individual e coletiva, adquirida no treino, no desgastante e doloroso treino, e o fazem por ainda se encontrar arraigados aos rachões, que para a maioria deles é a base na aquisição de rítmo de jogo, assim como os amistosos pré temporadas, substituindo os nada midiáticos treinos, destituídos de glamour, porém inundados de saberes, conquistas e certezas, aquelas, até mais simples, que levam as vitórias, ao trabalho bem feito e acabado…

Veremos não só um grande jogo, mas uma grande aula de como dois países, coesistindo em uma mesma formação de base, com bons professores e técnicos, chegam com méritos a uma decisão mundial, nos deixando uma inquietante questão – Terá valido a pena a subserviência preguiçosa e interesseira ao modelo do sistema único por quase três décadas, ferindo de morte toda e qualquer tentativa de contestá-lo sadia e eticamente, com um outro diferenciado na forma, no ensino, aprendizagem, e na prova em quadra, para vê-lo pujante e completo pela televisão, praticado por países que não o nosso, terá valido?…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV.  

OS HERMANOS E SEU SCOLA MAGISTRAL…

E os hermanos chegaram às semifinais, derrotando a favorita ao título e atual campeã, a Sérvia, por 97 x 87, numa partida memorável, onde um Scola, aos 39 anos, liderou a equipe com maestria, competência, talento,  e acima de tudo, amor a camisa de seu país, onde a negação a ela é algo inimaginável, absolutamente impossível de acontecer, sequer pensar, ao contrário de jogadores que a macularam em nosso imenso, tosco e culturalmente fragilizado país, num comportamento aceito e tolerado por quem abomina a tradição, a mística e a representatividade de um símbolo que em hipótese alguma pode ser desrespeitado. abjurado, negado, ao preço que for…

O grande jogo é cultuado e respeitado na Argentina, desde a formação de base, ensinada, preparada e treinada por professores bem formados nessa complexa modalidade, e cujos frutos vem amadurecendo de vinte anos para cá, pujantes e vencedores. Torna-se emocionante e inspirador termos o privilégio de testemunhar o brilhantismo das grandes equipes argentinas, atuando com uma dupla armação magistral, e alas pivôs, jovens e veteranos primando pela velocidade, agilidade, flexibilidade e profunda prontidão aos detalhes do jogo, numa leitura somente atingida com uma excelente e detalhada formação, espelhada pelos magníficos exemplos de consagrados jogadores, como o Scola nessa equipe que disputa o Mundial…

Talvez não cheguem a grande final, mas o que alcançaram os definem, não como um milagre, ou um produto de um chaveamento menos exigente, mas sim como uma prova cabal na arte de formar jogadores técnicos, fortes fisicamente, e melhor ainda, mentalmente. Se arremessarem um pouco menos da linha dos três, reforçando o jogo interior, será muito difícil de serem batidos, sem a menor dúvida…

Amém.

Foto – Reprodução da TV.