O REINO DA PRANCHETA…

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“Estava com saudade das pranchetas, aliás, o público amante do basquete também deve estar”… ( Comentário do narrador da TV, na rodada inaugural do torneio de Fortaleza ontem).
Realmente preocupante tal comentário, onde inermes pedaços de plástico são requestados como protagonistas midiáticos do grande jogo, quando na realidade não passam de soturnos biombos, fortemente situados entre técnicos (?) e jogadores, encobrindo a mais absoluta ausência de conteúdo técnico tático produto de treinamento, ensino e coesão, a não ser aqueles padronizados e formatados em décadas de mesmice e deslavada cópia inter pares, numa espiral que não cessa de ascender, com intervalos catastróficos, como nos recentes e caseiros jogos olímpicos, onde, pela enésima vez, foram grafadas nas mesmas os herméticos hieróglifos advindos de mentes desprovidas do mais comezinho conhecimento do que venha a ser formar,organizar, treinar e fazer competir uma verdadeira, coesa e unida equipe de basquetebol, cujo coletivismo é algo abstrato para a grande maioria dos que ai estão pousando arrogantemente de estrategistas supremos…
Me envergonham os pedidos de tempo, vazios nas mensagens e correções coerentes e fundamentadas, mas repletas de palavrões, esgares e falsas indignações, fruto do acordo comum e corporativo de uma classe que simplesmente emula uns aos outros, nas poses, nas coreografias ao lado e dentro das quadras, nas reclamações, pressões e coerções nas arbitragens, nos discursos, sendo todo esse lastimável espetáculo circense, aprovado e até incensado por comentaristas e narradores compromissados, em sua maioria, com a falsa imagem que passam, de ser todo esse pastiche, pertencente ao espetáculo, que deve ser preservado e ampliado, para incrementar a popularização da modalidade junto aos futuros assistentes e consumidores, no que me parece estar falhando rotundamente, haja vista as ridículas plateias que se perdem nas vastidões de bancadas vazias nas monumentais arenas, de padrão NBA, como apregoam colonizadamente, gerando o eco que nos tem avisado do ridículo posicionamento pelo marketing de uma atividade desportiva que nos fez grandes internacionalmente, não por toda essa enganação marqueteira, e sim pelos altos índices técnicos que ostentávamos na preparação de base, e nas seleções dirigidas e orientadas por técnicos de verdade, e não papagaios osmóticos de pirata, todos ostentando um saber que imaginam possuir, e tendo em seus sovacos pranchetas, que aqui para nós, acredito saberem mais do que eles todos, juntos e corporativados, em torno da capitania hereditária que dominam desde sempre…
Agora mesmo, nascem duas chapas que tentarão assumir a CBB para o ano, sendo que uma delas já desfila com o apoio de 14 federações e mais a associação de jogadores, voto certo na aprovação de contas da mentora, e vagas em seleções, todas elas eleitoras dos que ai estão a décadas, e que, de forma alguma mudarão alguma coisa administrativa e tecnicamente, ainda mais com as verbas governamentais se ausentando, e dívidas a não mais poder, formada pela turma que pratica o principio dos “ cargos de sacrifício” (será?…), e que avalizaram tudo o que ai está, mas preocupada com os excessos da atual e aceita administração, que está pondo em sério risco seu mandatário e exclusivo controle político, não fossem os candidatos a presidente e vice, parte da engrenagem. E nesse ponto urge uma pergunta – Se uma associação de jogadores tem poder de voto, por que não as de treinadores? Já imaginaram 27 associações estaduais e uma nacional incidindo no colégio eleitoral confederativo? Creio que muita coisa mudaria no universo do basquetebol tupiniquim, ou não?…
Mas o preocupante não se refere a administração, que continuará a mesma na atual conjuntura, já que se tornou rotina o que promulgavam nas assembleias para acertos de contas, mas sim o aspecto técnico, que na acepção de termo, é o fator que define em essência a existência de uma confederação esportiva, que justifica a essência do próprio jogo, que muitos aventureiros e arrivistas teimam em transformar em meio de vida, com seus projetos mirabolantes de gestão e publicidade profissional, marqueteiros circenses que são, e que esquecem que na matriz, essas benesses são lastreadas por princípios e bases educacionais voltadas desde sempre a juventude, nas escolas, colégios e universidades, com verbas próprias, berço acadêmico e político de seu inegável poder, assim como em outros países desenvolvidos na Europa e na Ásia. Aqui, o poder do QI ainda impera solene, onde a burocracia partidária e econômica asfixia o mérito, por mais sadio e genuíno que seja, e que não poderia ser diferente no meio sócio desportivo em que estamos doentiamente inseridos…
Entendendo e compreendendo essa estratégica verdade, podemos avaliar com alguma precisão os porquês de nossos repetidos fracassos no mundo do basquetebol internacional, e desde já aceitar o princípio imutável de que, qualquer mudança conjuntural somente será factível pela influência e introdução exógena, pois a endógena está corroída e agônica, sem perspectivas, ao menos, de salvação. A outra chapa será mais do mesmo, apesar de ser liderada por um técnico, que não acredito alcançar a receptividade necessária…
No meu eterno ponto de vista, maturado por meio século de atividade técnica e professoral, o grande nó górdio de nosso basquetebol, ata e desata no fator técnico, em sua concepção e divulgação, tanto na base, como na elite, que é a resultante daquela. Ao nos desvincularmos da influência do hemisfério do norte, com sua política hegemônica, numa realidade antítese da nossa, daremos um enorme passo para reencontrarmos nossa origem desportiva no grande jogo, assim como, ao lutarmos pelo aprimoramento do ensino desportivo nas escolas de educação física, com a reintrodução massiva de conteúdos técnicos e de formação em seus currículos, numa inversão do que ocorreu quando substituídos pelos da área da saúde, resgatando somatoriamente as disciplinas técnicas e didático pedagógicas, onde o ensinar a ensinar retome sua importância perdida nos últimos 30 anos, consubstanciando a real formação do professor e do técnico, teremos de volta a qualidade olvidada e quase perdida para os atuais “ profissionais da educação física”, bacharelados e provisionados por conselhos estaduais e federal, braços armados para o culto ao corpo, viabilizado pelos mesmos em holdings bilionárias que se avolumam por todo o país, a quem não interessa educação física e desportiva nas escolas, principalmente na faixa do ensino médio, clientela a alto, médio e baixo preços oferecidos a mesma, numa cornucópia financeira de valores estratosféricos…
Como descrevi no artigo anterior, somente acredito em alguma substancial mudança, se a mesma vier de fora para dentro, eivada de personagens advindos do grande jogo, como jogadores, técnicos, professores e mesmo dirigentes, todos beneficiários dos aspectos educativos que amealharam em suas formações junto ao mesmo, vivenciando-o e aprendendo a amá-lo desde sempre, e compromissados na tarefa de estender às futuras gerações, os mesmos princípios éticos, morais e físicos de que foram regiamente beneficiados, mesmo que no caminhar por sobre as pedras do sacrifício e da renuncia…
Quem sabe mais tarde, bem mais a frente, saudemos a volta de mais uma temporada, não pela saudade das pranchetas e seus contumazes seguidores, e sim pelo fato de irmos as quadras para testemunharmos a cada dia o surgimento de algo realmente novo, instigante, provocativo, inédito e verdadeiro, nosso, proprietário, e não uma canhestra copia impingida coercitivamente por aqueles que no fundo, bem lá no fundo, odeiam o basquetebol, por não conhecê-lo em toda sua magnitude e profundidade, como se preza a um grande, grandíssimo jogo que é.
Que algum dos deuses em seu eterno plantão, talvez aquele que gostou praticá-lo, inspire um grupo de notáveis (e os temos, com certeza), saídos do anonimato, para formar uma chapa de real qualidade e compromisso, para tentar, ao menos tentar, junto ao mandarinato eleitor, uma terceira via, que nos guie a dias melhores, ao caminho que desaprendemos a trilhar…
Mas também, lá no fundo, tenho a certeza de que dificilmente conseguiremos mudar, pois torna-se inumano lutar contra leis injustas e de caráter unilateral, o que é um eterno desastre, assim como o sistema e a forma única que jogamos…e claro, o império das pranchetas…
Amém.

Foto – Reprodução da TV.

Nota do Editor – Continuamos a lamentar profundamente que uma das chapas mantenha um pretenso vínculo em seu nome promocional com o Basquete Brasil, esse humilde e democrático espaço, mas que nunca se uniu politicamente a quem quer que fosse, e por isso mantendo sua irrevogável independência jornalística e técnica. PM.

FALAR O QUE?…

 

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- O basquete chegou ao fundo do poço Paulo, afundou de vez, e até intervenção da FIBA vem por ai, que vergonha, que fracasso, que…

Calma amigo, calma. Para começar, a FIBA não tem poder intervencionista em nosso país, nossas leis comuns e desportivas não o permitem, quando muito vêm se informar “quando” a grana devida deverá ser paga, se o for, e se a nossa gloriosa CBB ainda ostenta um resquício de seriedade para organizar e se responsabilizar por campeonatos internacionais, ou mesmo, simples torneios. E aí é que se espantarão, pois de há muito a irresponsabilidade e incompetência se instalaram solidamente por aquelas bandas, terreno fértil para arranjos, escambos e protecionismos descarados, tudo avalizado por federações que mantêm o grupelho diretivo com seus votos “desinteressados”, pois estão todos auferindo “cargos de sacrifício”, masoquistas que aparentam ser, mas não o são, mesmo!…

Nada, caro amigo, que eu não tenha publicado à exaustão nesse humilde espaço, nesse Basquete Brasil, que um já proclamado candidato à próxima eleição na falida confederação, anexou a seu nome de campanha, numa clara e indevida apropriação de uma marca que a treze anos se dedica ao grande jogo. a fim de ajudá-lo em seu soerguimento no país, através artigos e discussões técnicas, táticas, pedagógicas, didáticas e comentários democráticos desde sempre, e jamais se associando a candidaturas e pretensões políticas…

Mas no fundo, há males que vêm para bem, e quem sabe, essa vergonheira que uns poucos nos impõem venha nos redimir de tanta incúria e omissões, inclusive a de todos aqueles que poluem os blogs da modalidade com suas “abalizadas opiniões”, lastreadas sordidamente pelo anonimato, covardes que são ao não exporem suas “honradas e impolutas” identidades, protegidas e encobertas por trás dos diáfanos véus da pior e mais danosa política de bastidores…

Por isso, muito pouco podemos almejar no campo diretivo, que se repete e perpetua através das últimas décadas, até o dia em que leis forem estudadas, deliberadas e discutidas no intuito de aprimorarmos a legislação desportiva no país, ensejando políticas eficientes e factíveis para seu desenvolvimento harmônico e democrático junto a juventude brasileira nas escolas, clubes…

No entanto, mesmo frente a essa dolorosa realidade, um aspecto de formidável relevância ainda pode ser discutido, estudado, desenvolvido e aplicado com boas perspectivas de sucesso, a discussão técnico tática, que tanto nos empenhamos nos últimos anos nesse humilde espaço, e que de alguma forma balizou alguns comportamentos, algumas modificações, algum e bem vindo progresso, pois depende de todos nós, professores e técnicos, que em todas as passadas épocas, sob bons e maus comandos administrativos, sempre propugnaram pela troca de saberes e informações, propiciando belos trabalhos, excelentes equipes, mais excelente ainda trabalho de base, preparando jogadores bem treinados nos fundamentos, num processo interrompido a vinte e poucos anos atrás, quando foi instalado em nosso infausto grande jogo o domínio do sistema único, emanado de uma NBA, emergindo na mente acomodada de uma geração de técnicos voltados ao “alto nível”, abandonando a formação de base, abdicando dos fundamentos, e aderindo em massa às pranchetas, com sua jogadas de passo marcado, marca registrada dessa geração de “estrategistas”, dessa geração de marqueteiros e oportunistas em sua grande maioria, claro que as exceções, que são muito, muito poucas, não contam, mas também, pouco somam no frigir dos ovos…

E uma cabal prova do que exponho está publicado no site da LNB, onde as estatísticas finais de uma LDB jogada para bancadas desertas oferece uma trágica realidade sobre a última etapa de acesso de nossos jovens jogadores ao desporto de alto nível, e que posso exemplificar de maneira simples e objetiva, a seguir:

- Em 40 jogos de suas etapas, foram cometidos 1510 erros de fundamentos ( sem contar os arremessos), numa média de 37,75 erros por partida, o que demonstra o abissal fosso no preparo dos fundamentos de uma faixa etária que os deveria ter sob controle, como os grandes países que lideram o basquetebol internacional;

- Aconteceram 7 jogos com mais de 50 erros de fundamentos (uma catástrofe), 9 jogos com 40/49 erros (uma aberração), 18 com 30/39 (constrangedor), 6 com 20/29 (nível infanto juvenil), e absolutamente nenhum, zero, entre 10/19 erros, que seria a razoável meta a ser atingida, numa tácita demonstração de incúria e irresponsabilidade no preparo fundamental dos jovens jogadores, alguns já apontados como grandes craques que garantirão o futuro do nosso basquetebol, o que duvido muito. Mas não faltaram rabiscos ininteligíveis nas midiáticas e ridículas pranchetas, onde “sistemas e filosofias” de jogo eram demonstradas aos olhares atônitos de uma jovem geração incapaz de exequibilizá-las, por desconhecimento prático e fundamental de como fazê-lo, pois o que importava era a sapiência tática de uma turma que necessita urgentemente voltar ao estudo, a pesquisa, ao preparo didático pedagógico, ao estágio supervisionado, e não ao princípio de aprendizagem osmótica a que se acostumaram, como todo papagaio de pirata que se preza. Se as escolas de educação física substituíram a maioria dos créditos das disciplinas desportivas pelas da área biomédica, despreparando-os ao ensino das mesmas, transformando-os em paramédicos de terceira categoria, ases de manga da indústria do corpo, torna-se estratégica e urgente a reformulação curricular, claro, sem os entraves e ingerências de um comprometido sistema confef/cref com a mesma…

Mas uma sobrinha restou, a ENTB, que mesmo implantada da forma mais precária possível, ainda poderia reverter sua obscura origem, e se transformar em um veículo realmente eficiente, desde que entregue a uma direção e coordenação voltada a diversidade técnica presente neste país continente, mas profundamente ancorada no ensino dos fundamentos, fruto de uma ampla discussão entre os verdadeiros formadores existentes no país, hoje afastados pelo corporativismo implantado coercitivamente desde muito, muito tempo…

Muitos outros fatores poderiam, e deveriam ser discutidos, mas por quem realmente se dispusesse a discuti-los, de cara lavada, em torno de uma gigantesca mesa, no intuito maior de soerguer o grande jogo entre nós, com lisura, conhecimento, responsabilidade e, acima de tudo, vontade de acertar o que aí está, vilipendiado, carcomido, mal cheiroso, corrompido a não mais poder…

Falar sobre olimpíadas, para que, e por que, se refletiu o que temos e o que somos? Quem sabe para nos penitenciarmos pela ausência de verdadeiros e bem planejados objetivos, omitidos pela pobreza cultural e técnica daqueles que deveriam planejá-los e executá-los, mas que não o fizeram, exatamente, por não saberem como…

Falar mais o que, o que? Fico por aqui.

Amém.

Fotos – Autorais feitas no Congresso Brasileiro de Justiça Desportiva, realizado em Florianópolis em setembro de 2015, onde expus alguns dos pontos aqui abordados nesse artigo. Clique nas mesmas para ampliá-las.

 

UMA INJUSTA APROPRIAÇÃO…

Um candidato a eleição na CBB no próximo ano, criou uma página no facebook associando seu nome ao Basquete Brasil, o que venho a lamentar profundamente, pois não o conheço pessoalmente, somente sabendo ser o mesmo presidente de uma das federações que vem apoiando o atual presidente da CBB em sua prolongada legislatura, cuja administração critico a longo tempo, e que somente tem se mantido no poder pelo apoio inconteste dos mesmos, inclusive ele próprio.

Então, apesar de nada poder fazer para evitar tal apropriação, pois não tenho a exclusividade da marca, somente declaro estar a mesma, absolutamente dissociada de sua campanha ao pleito, respeitando o posicionamento que esse humilde blog se fez presente e independente na cena do grande jogo, nos já doze  anos de constante e profícua existência técnica e jornalistica em nosso enorme, desigual e injusto país.

Amarildo Rosa Basquete Brasil

 

A FLUIDEZ CONCEITUAL…

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(…)- Ele é um dos técnicos que mais me ajudaram na carreira. Ele me deu liberdade, que era o que eu precisava. Temos uma ótima relação, uma ótima conexão, e fico muito feliz por ter a chance de anatrabalhar com ele. Ele tem esse sucesso porque é louco. Ele acredita em coisas que ninguém mais vai acreditar. Ele é um motivador incrível. Em seus olhos, você pode ver essa força que o incentiva a cada segundo. Ele dá uma energia incrível. Ele não falou nada (sobre a importância de se chegar a uma final olímpica). Talvez não quisesse colocar muita pressão em nós. Mas você pôde ver em quadra que ele planejou o jogo de forma perfeita. O jeito que jogamos é responsabilidade dele. E ele preparou o time de forma ótima.(…)

( Trecho de uma entrevista dada ao Globoesporte em 20/8/16)

Lendo o depoimento do Teodosic acima, sobre o seu técnico Sacha Djordjevic na seleção da Servia, podemos entender com clareza os porquês da esplêndida fluidez que marca uma equipe que se destaca junto a da Croácia pela ininterrupta movimentação ofensiva, acompanhada de uma forte e combativa defesa, dotando as duas de sistemas de jogo sem similares na competição, exceto pela equipe americana, com seu jogo extremamente atlético e dominadora dos fundamentos básicos do grande jogo…

Os balcânicos também dominam com maestria os fundamentos individuais, e mais ainda os coletivos, dotando-os do instrumental necessário a implantação de sistemas de jogo, onde a movimentação contínua de todos os jogadores se torna fluente, exatamente pela naturalidade e firmeza com que manuseiam a bola, em qualquer situação tática que se apresente no transcorrer de uma partida, seja qual for o adversário, pois sempre terá sob controle uma movimentação consciente e espontânea de todos os jogadores em quadra, numa fluidez técnica admirável, fruto de uma coerente preparação de base…

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Enquanto essas mudanças ocorrem em muitos países, ainda teimamos nos “espaçamentos” ofensivos, estratagema utilizado exatamente por aqueles que falham nos fundamentos, quando precisam de muito espaço para tentarem efetuar dribles e fintas em movimento, incapazes que são de os conseguirem em espaços diminutos, onde a técnica se impõe, e nos quais os arremessos mais seguros, pela proximidade com a cesta, são alcançados, dai a preferência pelas longas tentativas, altamente imprecisas quando efetuadas por não especialistas ,e mais ainda quando contestadas fora do perímetro…

No entanto, a fluidez contínua exige uma alta interação tempo/espaço, onde deslocamentos com e sem a bola atingem limites críticos de coordenação e precisão, que são fatores diretamente proporcionais ao maior ou menor domínio que tenham sobre os fundamentos do jogo, e de como são ensinados e treinados a executá-los, e sem os quais a fluidez inexistirá por conceito implícito, gerando um outro de maior e decisiva amplitude, o da fundamentação básica, introduzida nas divisões formativas, nos mais jovens, como o instrumental de seu trabalho e evolução no grande jogo…

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Agora mesmo a equipe sérvia acaba de ser severamente derrotada pelos americanos na final olímpica, exatamente por ter abdicado de seu jogo controlado, paciente e fluido após um primeiro quarto onde o utilizou, equilibrando a partida. Tentando duelar nos longos arremessos (foram 4/24 contra 10/31 dos americanos), estranhamente deu a seu adversário o acesso direto a duas de suas maiores armas, o domínio dos rebotes ante os falhados longos arremessos, e os contra ataques mortais, convertidos impiedosamente dali para frente. Mesmo assim, não devemos e nem podemos conceituar mal sua forma de atuar, que para o mundo Fiba tem sido exemplar, haja vista sua colocação no âmbito das grandes competições internacionais em que tem participado. Croácia, Espanha e Austrália seguem seu exemplo de uma forma de atuar, onde a permanente dupla armação, e a utilização de três homens altos, atléticos, ágeis e velozes, muito tem feito pela evolução técnico tática do grande jogo, fator que se fez presente em nosso basquete no NBB2, prontamente banido em favor da mesmice endêmica que nos sufoca desde sempre Os americanos, num outro e superior patamar, se beneficiam de uma estrutura exemplar de formação de base em suas escolas, colégios e universidades, alimentando continuamente suas equipes de alto nível no âmbito profissional, de uma maneira única e exclusiva…

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Num outro extremo, nossa  seleção travou exatamente na fluidez, com seu basquete tatibitate, praticado em arranques pontuais, jamais no coletivismo que vem sendo apregoado a cinco anos por uma comissão técnica que, de forma alguma, pode dar continuidade a um projeto falho em todos seus aspectos, do convocatório eivado de equívocos, ao técnico tático, ausente nas correções dos funamentos (sim,selecionáveis também devem se exercitar profundamente neles, principalmente na elite…), fator básico para a consecução de qualquer sistema de jogo planejado para ela, e que no caso de dissolução, deve atingir a sua totalidade (mesmo!!!), pois em caso de uma passagem de bastão do hermano para um de seus assistentes (ou todos), ficará caracterizada a continuidade do que ai está, escancarada a todos, e mais, se acontecerem “mudanças” no percurso técnico tático por parte do(s) escolhido(s), ficará provada que a comissão não era tão uníssona como se autodefinia, aguardando somente o momento propício para efetuarem o notório tapetebol.*  Num projeto sério e comprometido, iniciam todos, vencem todos ou caem todos, pois irmanados pelo projeto comum, fator indissociável na vitoria e na derrota.

Precisamos realmente mudar esse cenário de uma mesmice aterradora, obtusa, doentiamente repetida, suicida…

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E como tudo tem um começo, que tal voltarmos a envergar a gloriosa e histórica camiseta listrada de verde e amarelo, nossa marca vitoriosa, pois se os argentinos podem numa olimpíada usar a sua listrada azul e branca, por que não podemos, por que? Pelo menos ela jamais foi desrespeitada, abjurada, negada, e sim glorificada pelos verdadeiros campeões, mantendo a mística do mérito e do merecimento para vestí-la, como deveria ocorrer desde sempre…

Mas só a camisa, Paulo?

Bem, tudo do que é errado no basquetebol brasileiro já comentei à exaustão aqui nesse humilde blog, principalmente nas abordagens na formação de base, quando os formandos das escolas de educação física cursam hoje um semestre de cada modalidade esportiva, quando até os anos setenta cursavam quatro, agora substituídas pelas disciplinas biomédicas, influenciados pela ascendência dos centros de ciências da saúde nesses cursos, em vez dos centros de preparação de professores, que foi uma política naquela década implantada visando a fortíssima e bilionária industria do corpo de hoje…

Com professores e técnicos assim preparados, fica comprometida a formação de base desportiva, inclusive na escola, e que muitas vezes são substituídos por ex atletas e jogadores sem o preparo didático pedagógico mínimo exigido, na tarefa especializada de ensinar jovens desportistas. Sem especialistas bem treinados, nada é possível fazer nas divisões de base, e que no caso do basquetebol, muito se esperava da ENTB, que infelizmente se fundamentou nos conceitos técnicos vigentes, negando o novo, o contraditório, no que seria uma verdadeira escola onde a criatividade e o desafio forjaria técnicos e técnicas realmente inovadoras, corajosas, ousadas, proprietárias…

Comando central da modalidade? Não creio que possa ocorrer com brevidade, a não ser que 14 federações resolvam aderir a algo que possa , realmente, mudar um cenário a que todas(ou quase) se acostumaram, nas benfeitorias e escambos, não arriscando uma posição política corporativamente conquistada, logo…

Com a mesmice cronica estabelecida, e fortemente defendida por um corporativismo retrogrado e imune a “novidades”, pouco, ou quase nada podemos esperar acontecer no âmago de uma modalidade que, para alguns, tem de se manter onde está, não oferecendo perigo de voltar a ser a segunda opção desportiva do brasileiro, cujo amor pelo grande jogo vem sendo orientado, canalizado comercial e economicamente para a liga maior, aquela que joga outro jogo, um tanto parecido com o que se pratica no resto do mundo, ao qual estamos sendo tragados, sugados, tendo como ponto central o ganho financeiro, num universo promissor de mais de 200 milhões de habitantes, com as maiores reservas mundiais de petróleo e água, as duas riquezas que pautarão as disputas sócio políticas deste século, amalgamadas pela força incontrolável da informação, onde o domínio, a influência cultural e desportiva tentarão amaciar seus projetos de conquistas no seio de nossa  juventude, órfã de políticas educacionais absolutamente necessárias a manutenção de sua independência como nação…

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É duro constatar em entrevistas televisivas, que a turma do volei de quadra que comanda o esporte de alto nível no país, teima a não mais poder pela segunda preferência junto a população tupiniquim, mesmo sendo desmentida por matérias na imprensa, como no O Globo de hoje (vide reprodução anexa), onde sequer ocupa uma das cinco primeiras colocações na pesquisa, coerente na liderança do futebol, do handebol, desporto colegial por excelência teimosamente existente, até mesmo na forma da “queimada”, da tradição do lazer praieiro das redes de volei, do histórico basquete, o concorrente a ser afastado a qualquer custo, que foi surrupiado politicamente do patrocínio do Banco do Brasil, sem o qual não teria atingido o nível atual que ostenta, mesmo sem investimentos na formação massiva de base, e da ginástica, o patinho feio e abandonado da escola pública, em benefício da industria do corpo milionariamente inserida nas holdings de academias espalhadas pelo país, para as quais não interessa a perda da clientela jovem, se atendidas pela ed.física escolar, tendo o suporte “regulador” dos confef’s e cref’s da vida…

Enfim, abre-se, por mais um ciclo, os tortuosos caminhos para uma modalidade impar em sua complexidade, profunda e das mais inteligentes, e por isso mesmo criativa e libertadora de mentes e personalidades, quase única na formulação consciente de lideres, que por conta desses atributos sempre sofrerá o combate direto, e nem sempre pautado pela lisura e a ética, para seu controle, e se possível submissão, mas que em pequenas ilhas de excelência sempre se manterá vivo o derradeiro sentimento da indignação, grito primal dos quem tem algo a dizer e somar, e não somente tomar e postergar, e mesmo evitar a constitucional obrigação de educar competentemente a nossa juventude.

Que os piedosos deuses nos ajudem…

Amém

(*) Tapetebol, a arte de puxar o tapete dos pés dos inimigos, e dos amigos também…

Fotos – Autorais e reproduções da TV e da mídia impressa. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

EU (NÃO) ACREDITO…

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(…)- Eu acho que nesta partida foram duas equipes, dois rivais e duas gerações que deram o sangue e deram o seu melhor ali, mas teve só um ganhador. Planejamos o sistema tático, mas não contávamos com a performance e o grande que o Nocioni e o Campazzo tiveram. Conhecendo essa equipe e esses jogadores (da Argentina), nós deveríamos ter nos preparado da forma devida – comentou o veterano de 33 anos, citando o ala, cestinha do jogo, com 37 pontos, e o armador, que assinalou 33.(…)

(Declaração do jogador Nenê ao Globoesporte)

Quer dizer que o mais eficiente jogador da seleção afirma não ter a equipe se preparado de forma devida para esse embate, foi isso mesmo? Se foi, qual deveria ter sido a preparação devida, qual? Seria interessante que ele explicasse, ou não?…

Do meu humilde canto, nada de diferente do que relatei no artigo de ontem, acrescentando algumas minúcias contundentes, começando pelo fato do nosso eterno rival ter arremessado 17/42 de três pontos, e 19/37 de dois, numa inimaginável convergência às avessas histórica, em cima de uma defesa exterior absolutamente ausente e omissa, permitindo vergonhosamente que os hermanos detonassem 42 bolas de três, repito incrédulo, 42!!! sem a mais remota contestação, e claro, sob tal bombardeio 17 caíram, e fim…

Do nosso lado, concluímos 29/57 de dois pontos, ou seja, fomos razoavelmente eficientes dentro da cozinha portenha (de onde não deveríamos ter saído), somados aos 9/26 de três pontos, que deveriam ter sido substituídos, pelo menos na metade pelo jogo interno, mais seguro e impactante, auferindo pontos suficientes para vencer a partida, provavelmente no tempo regulamentar, mesmo com os 12 lances livres perdidos…

Mas como refrear um Marcos (0/6), Raul (0/4), para mencionar dois que perpetraram 0/10 de três num jogo desse calibre, em confronto a um Nocioni e um Campazzo, atuando livres e faturando 38 e 33 pontos respectivamente, como?…

Que tal defendendo com alguma competência, no que teria sido uma obrigatória ação tática, ou não?…

Num jogo com 34 erros de fundamentos (15/19), erramos menos, mas que comparados a ausência de contestação sobre as terríveis 42 bolinhas platinas, soam em um tom menor, apesar do teor negativo dos mesmos…

Enfim, defensivamente erramos quase tudo, demonstrando nossa falência nesse básico fundamento, fator que anulou, e sempre anulará todo e qualquer esforço ofensivo que façamos, ainda se somados aos erros individuais de fundamentos de ataque…

Enfim, precisamos entender de uma vez por todas que, propugnar por sistemas de jogo, coletivismo, fluidez, jogadas milagrosas, pranchetas mágicas, e outros penduricalhos midiáticos, jamais substituirão os fundamentos do grande jogo, que delimitam sua estrutura básica, e cujo conhecimento e domínio exequibilizam sistemas e estratégias que se pretenda empregar, e por não termos solidamente estabelecidos tais conhecimentos, é que perdemos para os que os tem, profundamente desenvolvidos.

No mais, decididamente já não acredito que mudanças possam vir a ocorrer, pois nem mesmo os deuses olímpicos acreditam e compactuam com tanta enganação…

Amém.

Fotos – Reproduções ta TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

SOMOS MERECEDORES?…

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Êita grande jogo, maximizado por uns, minimizado por outros, entre os quais podemos nos incluir sem margem a enganos, erros, estes incidindo decisivamente em nossa indigitada, mal convocada, e equivocadamente treinada e escalada seleção…

Por que afirmo tudo isso, por que? Bem, vencem jogos aqueles que erram menos, é um conceito universal, seja a modalidade esportiva que for. No entanto, nada justifica o erro, os erros anunciados, por conhecidos, enraizados, escancarados à vista de todos, principalmente àqueles que privam na intimidade sutil, ou não, dos fundamentos do jogo…

Fundamentos, principio que rege as estruturas do grande jogo, sejam as individuais como as coletivas, sem os quais nenhum sistema de jogo se torna exequível, mesmo que os mesmos sejam comuns a maioria das equipes, definindo os melhores, os vencedores, exatamente pela similitude dos mesmos…

É onde falhamos, erramos teimosamente, ao instituirmos a falácia de que jogadores adultos, selecionáveis, medalhados, não necessitam se exercitar, ai sim, prezados analistas, “exaustivamente” na prática diária e sistematicamente dos mesmos, mergulhando fundo para o domínio do instrumental “básico e fundamental” para exercer sua profissão, pois antes de serem jogadores, são profissionais, onde o pleno domínio da bola e de seu corpo define os melhores…

Falhamos tática e repetidamente por isso, ano após ano, sem que nada seja feito para dirimir os nefastos defeitos que nos derrotam no alto nível, o que reflete estruturalmente na formação de base, que deveria se espelhar em exemplos mais concretos e educativos da turma de cima, condição exigida para sua evolução, para a evolução do grande jogo entre nós…

Foi o diferencial que influiu, e vem influenciando nessa magna competição, na qual temos visto e testemunhado a definitiva igualdade na habilidade e domínio dos fundamentos entre todos os jogadores, altos, médios e baixos, armadores, alas e pivôs, sendo esses os que mais evoluíram, conquistando sua alforria das amarras impostas por décadas aos “cincões, pivozões”, incluindo-os definitivamente no almejado e duramente perseguido coletivismo, onde a fluidez somente se faz presente com sua efetiva participação e inclusão tática…

Nesse ponto faz-se presente a formidável indagação que tanto nos prejudica – Onde, quando e como perdemos jogos decisivos?…

Convocando politicamente quem não merece, treinando sistemas que dependem do domínio técnico individual de cada jogador da equipe, e não de uns poucos, e o mais enfático, escalando aqueles que, sabidamente, erram repetidamente, ao enfrentarem adversários que independem dessas decisivas limitações…

E sob este cenário é que fracassamos, onde a teimosa autofágia dos arremessos arrivistas de três impõe uma estética suicida, onde pivosões abdicam de seu poder reboteador e intimidador para vir duelar fora do perímetro nas bolinhas que, competentemente contestadas, não podem cair, e até mesmo não o sendo, não caem também, por não serem os especialistas que pensam contritamente ser, e o pior, incentivados por aqueles que deveriam prezar o bom senso em sua orientação técnica…

Nossos adversários, altos, ágeis, rápidos e flexíveis, independendo de seu posicionamento e função dentro da quadra, nos vencem por tudo ai em cima explanado, pois são senhores dos fundamentos do jogo, dotando-os do pleno domínio de seu instrumental básico de trabalho, os fundamentos individuais e coletivos, teimosa e criminosamente esquecidos, omitidos por aqueles que consideram a prancheta e suas midiáticas derivações como o objetivo final de suas intervenções, e por tudo isso é que perdemos, e continuaremos a perder, até o momento que mudem suas colonizadas percepções do grande jogo, pequenino para eles, lastimavelmente…

Mudarão para daqui a alguns minutos (são 13:42hs agora desse sábado decisivo), ou continuarão sua saga de submeterem essa mal treinada, convocada e escalada equipe a mais um vexame? Espero e torço para que não, e que os deuses iluminados pelo glorioso sol desse sábado, nos ofereça uma derradeira chance, imerecida, ou não…

Amém.

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A REALÍSTICA IMPORTÂNCIA DO JOGO INTERNO…

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(…) Todo jogador, quando sonha, pensa se vai decidir uma partida num lance livre ou numa bola de três. Hoje (ontem), foi meu grande momento, e que não faz parte do meu jogo. Eu não sou um cara com muitos pontos de rebote, tanto defensiva quanto ofensivamente, mas aproveitei – disse (…)

Relato do jogador Marquinhos ao jornal O Globo de hoje (10/8/16) sobre sua cesta de tapinha na vitoria sobre a Espanha no torneio olímpico.

Mas deveria fazer obrigatoriamente parte, por sua velocidade, estatura e envergadura, quando jogar próximo a cesta com maior frequência o tornaria um jogador muito mais eficiente do que é, bastando aprimorar seu drible de esquerda e fintas sem a bola, como no jogo em questão, onde ao se colocar em velocidade embaixo da cesta, conseguiu num sutil golpe de direita encestar a bola decisiva, pela qual será sempre lembrado, e não pela torrente de arremessos de três sem a mesma precisa eficiência alcançada, quando próximo ao objetivo final do grande jogo…

Foi o oposto desfecho do jogo anterior, de uma equipe que, sedimentada numa defesa mais agressiva, contestadora e intimidante, se jogou de cabeça no jogo interior com 19/45 conclusões de dois pontos, contra 14/33 de uma Espanha claudicante nas bolas de três (5/19), uma de suas armas, e mais ainda, na falência nos lances livres (22/33), oportunizando um bem vindo equilíbrio a uma equipe que, teimosamente ainda insiste nas imprecisas bolinhas (4/15), vicio que quando superado, acrescentará muita qualidade ao seu jogo, bastando se convencer de um tipo de “continha” que repito seguidamente nesse humilde espaço, quando bastaria substituir a metade das bolas perdidas de três pelas tentativas mais precisas e eficientes de dois, para vencer jogos pegados como esse, com folga considerável. Quem sabe um dia se convencerão desse vencedor expediente, quem sabe…

Corretíssima a limitação ( se é que aconteceu…) imposta aos impulsos peladeiros do Leandro, cedendo espaço a uma válida tentativa de armar seus companheiros enfiados na cozinha espanhola, ação esta muito bem realizada pelos armadores Huertas e Raul, e até mesmo pelo Alex, quando solicitado, porém todos eles comprometidos com uma defesa mais sólida e confiável, nada impossível de ser realizada com competência e empenho, focada como prioritária por todos, em vez do apelo midiático das enterradas e bolinhas de três…

Se tivermos a coragem de enfiar três alas pivôs em constantes deslocamentos, cruzamentos e corta luzes no âmago das defesas que nos aguardam, alimentados sequencialmente por dois armadores que possuímos com boas qualificações (poderiam ser melhores se esse sistema 2-3 fosse desenvolvido prioritariamente), teríamos grandes chances na continuidade deste e dos futuros torneios internacionais que participaremos, e quem sabe, evoluindo tática e tecnicamente a um patamar proprietário e tremendamente eficiente, principalmente pela simplicidade de sua proposta coletivista, ao ser agregadora por princípio…

Temos jogadores para implantá-la? Sim, os temos agora mesmo, e que seriam fundamentais como espelho às novas gerações, saindo dessa mesmice endêmica que nos sufoca, abrindo novos horizontes, novas e confiáveis conquistas, e quem sabe, a nossa recolocação de volta ao primeiro nível internacional. Porém, uma incógnita a ser equacionada, na carente figura de professores e técnicos decididos pelas mudanças, pela busca do novo, do ousado, enfim, pela busca do tempo perdido. Conseguiremos?…

Que a seleção consiga alcançar essas correções,a tempo de disputar o restante dessa magna competição com chances reais de sucesso, e torço ardentemente por isso, se atenderem as correções acima apontadas, mesmo que divergentes do que sugiro, mas diferentes do que ai está escancarado a todos aqueles que amam e desejam o melhor para o grande jogo em nosso imenso e injusto país…

Amém.

Fotos – Autorais e divulgação LNB. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

LAMPEJOBOL…

 

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Tenho agora somente uma hora para redigir esse comentário, pois terei de atender minha filha para um exame pré operatório que tem de realizar daqui a um pouco. Cheguei muito tarde e extremamente cansado da odisseia que enfrentei ontem junto a meu outro filho, frente a uma arena cheia de armadilhas para um homem de 77 anos com um joelho comprometido, que me levou ao solo por duas vezes pela escuridão de uma pirambeira pintada de negro, escondendo mínimos degraus invisíveis a olho nu. Mas sobrevivi e aqui estou  para comentar a absurda atuação de uma equipe nacional absolutamente ingovernável por um simples e irrecorrível fato, o de não possuir o mais recôndito indício de sistema de jogo, mesmo tentando atuar no sistema único, que vigora a solta nesse grande torneio, pelo menos através das equipes que vi atuar, sedimentando, ou não, essa observação logo mais, quando assistirei as equipes da outra chave classificatória, já tendo em mente a grande exceção, a equipe americana dirigida pelo coach K…

Então, o que vi nessa tarde de um basquete tão ambíguo e surpreendentemente negativo, para nós?  Vi o produto direto do que não se deve fazer numa seleção nacional, preterindo jovens em função de veteranos decadentes, com poucas honrosas exceções, Nenê, por exemplo, e um inclassificável Leandro, com sua forma peladeira de atuar, quando um sistema, ou arremedo de sistema, teima em barrar sua vocação internacionalmente reconhecida de “tocar fogo” em sistemas de jogo, aqui e lá nas terras do norte, transformando-o em uma alternativa do caos, que de tão abstrata confunde técnicos, jogadores, comentaristas e público, fazendo-o entoar um “eu acredito” por sobre um leite incompetentemente derramado, através uma comissão técnica composta de quatro (!!!!) luminares do basquete tupiniquim, confrontados com uma realidade que não enchergaram ao substituir o Beep Beep, justamente quando fez nove pontos seguidos da mais pura pelada do aterro, por um jovem grandão que ainda terá de aprender muito, antes de envergar com merecimento a pálida camisa nacional, negada um mês atras, e cada vez mais distante da outrora  vencedora listrada de verde e amarelo…

Quando no placar acima dos mais de 12 mil assistentes clamava uma diferença vergonhosa de 32 pontos de diferença para os consistentes lituanos, deu-se a partida de uma das mais incríveis reviravoltas de que fui testemunha, onde o Leandro chutou para o alto o proclamado jogo coletivista que vem (?) sendo implantado a seis anos nas mãos do hermano, teimoso e cegamente tentado, mas que, frente a uma realidade calcada no domínio de certas capitanias hereditárias presentes nas convocações, ano após ano, onde a mesmice é imperativa, tanto por parte dos donos das posições (e nesse ponto destaco a mídia apoiadora desde sempre…), como pela obtusa limitação imposta pelo sistema único, padronizado e formatado para todos os níveis, como um dogma absoluto e imutável, fatores estes que nos tem levado a situações constrangedoras, como a que assistimos ontem entristecidos empoleirados numa arena inimiga de morte dos mais idosos…

Perdemos para uma equipe que joga junta, acertando e errando jogadas, porém dentro de um sistema comum a praticamente todas que aqui atuarão, mais forte e decisivamente lastreadas num domínio quase perfeito dos fundamentos, ao contrário dos nossos consagrados astros, que pecam no domínio básico dos mesmos, principalmente nos passes, dribles, fintas, rebotes arremessos e posicionamento aceitável nos rebotes, ou seja, todos os princípios que regem o grande jogo, o que anula a predisposição nata à luta, e ao ímpeto do “vamo que vamo” visceral daqueles que, propositalmente ou não, tiveram negados os ensinamentos sobre suas ferramentas básicas de trabalho, os tão esquecidos e abjurados fundamentos…

Desculpem, nada mais falarei sobre o atentado que assisti, a ver o confronto entre jogadores que representam seu país pelo mérito e domínio dos elementos do jogo por um lado, e jogadores “embalados e empurrados” por uma frenética torcida, porém órfãos de um sistema ordenado de jogo, por outro, muito, muito pouco para enfrentarem uma competição dessa envergadura, ainda mais em solo pátrio…

Saberemos o desfecho na continuidade da competição, onde, em hipótese alguma mereceremos assistir a entrada de um jogador para efetuar um arremesso de três, e somente aquele, e sair ato contínuo por ter errado, ficando no ar a pergunta- e se tivesse acertado? Lamentável, constrangedor, e pensar que atitudes como essa vieram das cabeças de quatro técnicos (?) regiamente pagos e sentados num banco olímpico…

Já nem torço mais para que os deuses de plantão nos ajudem e protejam, a não ser que o espírito contestador e peladeiro dê as cartas de vez nessa absurda pantomima…

Amém.

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O PRECIOSO TEMPO PERDIDO…

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Desculpem o atraso na publicação desse artigo, mas tive que enfrentar alguns problemas pessoais e de família, já resolvidos e devidamente remetidos ao passado. Então, vamos aos fatos que observei no jogo preparatório da seleção contra a equipe da Lituânia, nossa primeira barreira no torneio olímpico que se inicia domingo agora…

De cara, podemos anotar sem margem a erro, o quanto de omissão técnico tática ficou presente no encontro, onde quintetos eram feitos e desfeitos, como num comum acordo entre equipes que, de forma alguma queriam estabelecer seus limites antes do encontro decisivo, aquele que dará partida a corrida pela classificação às quartas eliminatórias, numa competição de tiro curto e mortal…

O que salta aos olhos em jogos desse calibre, que honestamente não vejo vantagens maiores (nem como técnico, nem como analista) do que treinamentos intramuros duros, metódicos, específicos e exigentes ao máximo possível, contrapondo e confrontando jogadores da mesma equipe, conhecedores dos sistemas ofensivos e defensivos propostos e treinados pelo técnico, tentando todos os anularem pelo pleno conhecimento que possuem dos mesmos, em meia quadra, por um longo tempo, com empenho máximo, e em alguns casos infringindo regras no aspecto defensivo, utilizando todas as armas e condições possíveis para tal, supervisionados nos detalhes, os mais ínfimos possíveis para a consecução do objetivo maior, recriar todas aquelas possibilidades que os adversários se utilizarão para, frente a propostas que não lhes são comuns (claro, quando sistemas inovadores e ousados forem apresentados) adaptarão comportamentos, que quanto mais previsíveis forem, mais bem estabelecidos estarão os sistemas propostos, logo, prontos para serem bem sucedidos. Em outras palavras, quando uma equipe se propõe a apresentar sistemas evoluídos, a melhor proposta de treinamento tático, é aquela que envolve os próprios componentes da mesma, compromissados na tarefa de desmontá-los, item por item, que no fundo será a proposta mater de todas as equipes que os enfrentarão…

Resumindo, bons e eficientes sistemas de jogo, sejam ofensivos ou defensivos, não são aqueles que dão certo, e sim aqueles que deflagram situações, que quanto mais previsíveis forem, mais eficientes se tornarão. É o princípio básico e estrutural que fundamenta a improvisação, pois só a exercem aqueles que dominam e conhecem profundamente os sistemas que usam lastreados pelos fundamentos integrais do jogo, ou seja, só improvisa quem sabe…

Treinar  escondendo situações de jogo, escamoteando detalhes é pura perda de tempo, mesmo que os contendores aceitem a sutil farsa. Quem sabe a força descomunal do marketing e da mídia exijam tanta e inútil exposição, mas a que preço?…

Acredito que tenhamos ainda muito que a evoluir, aprender, e o mais importante, apreender princípios de estratégia técnica, tática, comportamental, e acima de tudo, profissional.

Será que apresentaremos sistemas inovadores e corajosos, ou continuaremos a manter o sistema único padronizado, formatado a imagem do que ai está implantado, numa mesmice endêmica que nos pune a tanto tempo?…

Bem, não é treinando com a China que aprenderemos a inovar, ou não?

Torço para que sim, mas lá no fundo do meu parco conhecimento do grande jogo pátrio, desconfio que, infelizmente , não…

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las e acessar as legendas.

 

ALTRUÍSMO, ENTREGA, E UMA CAMISA…

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Que bela perda de tempo, ainda mais empacotados numa camisa absolutamente ridícula, “marca texto”, segundo o narrador da TV, bem posto aliás, quebrando de vez a mística perdida de uma camisa gloriosa, fato ausente no vôlei, no futebol, no andebol, todos envergando o amarelo ouro, e não essa aberração patrocinada por quem, absolutamente, odeia o grande jogo…

Mas por que falar em camisa, em mística, tradição e respeito, se na feminina a atual capitã a enchovalhou em plena quadra olímpica, se negando a defendê-la, e agora mesmo um jovem é reconvocado um mês depois de negá-la? Afirmam muitos que camisa não é importante, mas será essa a opinião dos All Blacks, da USA shirt?

Temos como uniforme básico o branco desbotado, o verde como segundo, e esse absurdo como terceiro, e pensar que bem antes do vôlei e do andebol dividíamos a gloriosa amarelo ouro com o futebol, mas tendo como padrão de excelência a listrada verde e amarela. Foram bons tempos, que muitos teimam em esquecer, mas não conseguem, então apelam…

Neste cenário desbotado e inerme, jogamos para o alto, por mais uma vez, a oportunidade de treinarmos nossos homens altos “lá dentro”, quando duelariam com jogadores de 2,14m em diante, numa rara oportunidade de aprimorar nosso claudicante jogo interno, desde sempre preterido pelas bolinhas midiáticas e valorizados pelo mercado dos que nada, ou muito pouco, entendem do grande jogo, do verdadeiro grande jogo…

Exatamente o que fez a Lituânia contra a Austrália na preliminar, quando arremessaram somente 14 bolas de três, e olha que são muito bons nas mesmas. Com homens grandes muito bons dos dois lados, aproveitaram para testar soluções de curta distância, com todas as suas implicações de faltas pessoais, contra ou a favor, passes e deslocamentos curtos e precisos, treinando efetivamente para a competição para valer daqui a uma semana…

E nós, chutando vinte (4/20) contra uma equipe frágil, que para tentar algum equilíbrio se fechava no garrafão, permitindo a enxurrada de nossos especialistas, que pensam que são, mas não são, mesmo, deixando de lado a oportunidade dadivosa de acionar os grandões pelo maior tempo que fosse possível, treinando e habilitando-os em situações reais de jogo…

Vamos ver logo mais contra a Lituânia se conseguiremos dobrá-la “lá de fora”, e vamos ver se retribuímos quando ela se lançar bem “lá dentro” de nossa defesa, num duelo que proclamará vencedora aquela equipe que ganhar as tabelas e concluir com a máxima precisão possível, ou seja, dentro da cozinha adversária, de 2 em 2 e de 1 em 1.

Mas em se tratando de um jogo preparatório, que dali a quatro dias se tornará para valer, desconfio que a nossa turma de especialistas vai se esbaldar, pois afinal de contas as bolinhas põem, segundo os midiáticos, a torcida em êxtase, ainda mais se caírem, o que não vem acontecendo ultimamente. Também desconfio que os bálticos continuarão a treinar seus gigantes, pois para eles, bolinhas, somente em equilíbrio e absoluta estabilidade…

Torço para estar enganado, e que a seleção se encontre no coletivismo e no bom senso de jogar o grande jogo como deve ser jogado, apesar de, bem lá no fundo, duvidar bastante que nossos vícios cedam lugar ao altruísmo e à entrega de todos, única maneira de alcançá-lo de verdade…

Amém.

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