NEM TUDO É INVESTIMENTO…

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P1160377Na primeira partida a diferença foi de 17 pontos, nessa agora foi de 14, quem sabe na próxima baixe para um dígito, dando adeus ao NBB 10, que é o que acontecerá se a primeira colocada na fase classificatória não dirimir os erros repetidos em ambos os confrontos, contra Mogi, que nas palavras do seu melhor jogador, o Shamell, venceu como uma equipe coesa, sem protagonistas, etc,etc…inclusive elogiando a comissão técnica pela excelente estratégia escolhida e aplicada por todos (testemunho este discutível, por se tratar de um jogador sempre em litígio com seus técnicos), indistintamente, testemunho que discordo de pronto, pois o que se viu, repetindo o primeiro confronto, foi a disposição enérgica e decisiva e bem particular do trio americano, secundado por um Jimmy efetivo na defesa e presente no ataque, quase sempre complementando as jogadas e competentes bloqueios da trinca afinadíssima nos fundamentos, não fossem eles egressos da melhor escola de formação de base dentre todos os países que jogam e amam o grande jogo, e também por um Caio ainda muito limitado fisicamente, porém razoavelmente efetivo no combate direto a um Varejão mais limitado ainda…

P1160371P1160368A equipe do Flamengo decisivamente se perdeu pela indefinição tática de que é utente, a começar pela perda, na fase mais decisiva, da prestação técnico tática de seus dois pivôs em plena forma, o J.Batista e o Rhett, vitimizados por uma rotação secundária pela vinda do Varejão, bastante longe da condição técnica e física que ostentou na NBA, sobrando mais ainda para o Alexandre, claramente deslocado no sistema adaptado para atender os minutos obrigatórios (?) destinados ao renomado jogador, culminando com a maior de todas as perdas, por equívocos estratégicos (sim, estratégicos, e não táticos) na figura de seu melhor jogador, o Marcos, restando o trunfo derradeiro pela força anotadora, o Marcelo, que fortemente contestado pouco pode fazer. A equipe, com tantos talentos, possuidora, segundo o técnico Guerra, de um ferramental muito superior à da sua equipe, que tem menos, porém boas ferramentas também, viu-se, de repente, utilizando três armadores em quadra, propondo maior velocidade ofensiva, se perdendo mais ainda pela volúpia da trinca, tentando resolver a grave situação com arremessos irreais de “10 pontos” (foram 10/31 contra 9/25 de Mogi), como que abdicando do projeto sistêmico de sua equipe…

Para o terceiro jogo, decisivo na continuidade da competição, ou volta ao seu modo particular de jogar, mesmo sendo o sistema único, com a dupla armação mais do que testada, e a trinca alta composta de jogadores em plena forma física e técnica, afastando compadrios contratuais, ou não, com uma rotação definida pelas exigências do jogo, e não pela exposição de um poderio não tão determinante que julga ter, a equipe flamenguista poderá alcançar um respiro, uma chance de vencer a partida, ou levar um 3 x 0 nada recomendável a um investimento tido como vencedor. Os paulistas, com sua equipe dentro da equipe, tem todos os ases de manga sobre a mesa, clara e decisivamente pronta para a final. Façam as apostas, e os blefes também…

 

Amém.

Foto – Reproduçao da TV. Clique duplamente para ampliá-la.

OS DOIS PRIMEIROS…

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P1160345E não deu outra, no primeiro jogo do playoff semifinal, a equipe do Flamengo abriu mão do seu enorme potencial ofensivo interno, para duelar com Mogi nas bolas de três, e se deu mal, ainda mais quando se viu contestado em suas 8/28 tentativas (Mogi arremessou 10/31), e assistiu seu adversário, mesmo abusando dos longos arremessos, investir mais vezes no jogo interno (19/33), em anteposição as suas 14/37 tentativas, e aqui vai mais um lembrete que estou cansado de fazer – bastariam optar pelos dois pontos em metade das bolas perdidas de três, no caso seriam 10 tentativas, para engrossar o caldo para a equipe paulista, mas com seu estrategista torcendo ardorosamente ao lado da quadra para que as bolinhas por ele consentidas caíssem, nada poderia ser feito, ou mudado, com ou sem discurso da prancheta. Às vezes, um pequeno exercício aritmético vence jogos, algo simples demais para gênios profundos e eruditos da estratégia…

P1160358P1160362No outro jogo, quase o mesmo panorama, pois o Paulistano, artífice da “nova realidade” do basquetebol tupiniquim, convergiu como de costume (16/31 de 2 pontos e 13/36 de 3), indo a linha do lance livre somente nove vezes (7/9), numa clara demonstração da quase total ausência defensiva do Bauru, permitindo 36 bolinhas absolutamente livres, sofrendo por conseguinte 13 acertos de 3 pontos, contra seus 7/23 de 3, e 15/35 nos 2 pontos, diferença capital para sua derrota por somente 6 pontos (78 x 72). Também, e a exemplo do outro jogo, bastaria ter trocado a metade dos erros nos 3 (11 tentativas) por bolas de 2 pontos, para vencer uma partida em que atuava seriamente desfalcado, originando uma rotação limite, contra um adversário completo…

Infelizmente, e por mais uma vez, testemunhamos o quanto ainda falta de discernimento e estudo verdadeiro do grande jogo por parte de nossos jovens estrategistas, no que concerne a estratégia verdadeira de jogo, que pouco tem a ver com sistema de jogo, pois como é padronizado e formatado por todas as equipes, torna-as altamente previsíveis em seus movimentos básicos, origem da mesmice endêmica em que vivem e produzem um tipo de jogo medíocre, monocórdio, desprovido de criatividade e improviso responsável, onde o padrão coletivista cede terreno ao individualismo desvairado nas penetrações, e principalmente na chutação de três…

Até o momento, com duas partidas realizadas, foram arremessadas 64/136 bolas de 2, e 38/118 de 3, e não duvido nada que com mais algumas, chutarão mais de 3 do que de 2, afinal está em marcha a redenção do basquetebol nacional nas gloriosas asas dos pombos…sem asas, sob a égide de “geniais” estrategistas com suas mágicas pranchetas…

Amém.

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UM (IM)PREVISÍVEL PANORAMA…

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pinheiros-x-bauruAcompanhei pela TV e pelas mídias os playoffs deste NBB 10, assim como uma boa parte dos comentários apostos nos blogs e sites especializados, sendo inclusive informado por um deles, que uma era estava se esgotando, acabando, a era Spurs, sucumbida pelo “novo basquetebol”, o da chutação dos três pontos, da incontrolável velocidade, dos triplos duplos, do exacerbado individualismo, do resultado acima de tudo, todo um corolário de evidências(?), as quais tornavam a continuidade vencedora da equipe texana improvável, segundo a ótica do articulista. Porém, o mais emblemático de tudo é o fato de seu técnico ter sido escolhido para comandar a equipe de seu país para o próximo ciclo olímpico e os mundiais, e que em se tratando de um líder “superado” pelo “modernoso” e incensado modismo, não se coadunará  com tão decisivo momento do grande jogo, deixando no ar uma questão – Afinal, como explicar tamanha blasfêmia, emoldurando um modismo que muito em breve fenecerá ante sistemas defensivos ensaiando o devido troco, num modus operandi permanente, quando ante uma evolução sistêmica ofensiva, é gerada outra defensiva, alternada e sucessivamente, conotando ao grande jogo sua permanente evolução, fruto perene da tradição?…

Em se tratando de basquetebol nacional, a continuidade da mesmice endêmica em sua forma mais devastadora, estratificou de vez, apesar de alguns  tímidos avanços de uma ou duas equipes, que evoluíram um pouco além da hoje aceita dupla armação, e a tríade de alas pivôs ágeis e mais rápidos pela maioria das equipes, adaptando o inamovível sistema único, com sua indefectível classificação de jogadores de 1 a 5, a um movimento sistematicamente criticado e combatido aqui nesta humilde trincheira, desde a efetiva e exitosa aplicação do sistema de dupla armação e três alas pivôs pela equipe do Saldanha da Gama no NBB 2, fato incontestável e inegável, apesar de omitido,mas hoje oportunisticamente (mal) adaptado por quase todos, salvo uma ou duas exceções no âmbito da mídia especializada…

Para o turno semifinal quatro franquias se defrontarão apresentando algumas particularidades, como a do Flamengo, talvez a que mais se aproxima daquele sistema, contando com três muito bons armadores, e uma plêiade de homens altos de grande mobilidade e qualidade, pecando somente pela teimosa mecanização tática de seu estrategista, amarrado a jogadas de passo marcado, de uma previsível prancheta, e de uma excessiva liberação dos chutes de três, absolutamente desnecessários em sua maioria, perante o efetivo e dominador jogo interno de que é possuída. Se liberta dessas amarras, dificilmente poderá ser derrotada, a não ser que sucumba ao jogo particular dos três americanos do Mogi, que constituem quase que uma equipe dentro da equipe, com movimentos e atitudes que ferem muitas vezes os desígnios táticos de seu estrategista, perdendo-se muitas vezes pela ausência de sintonia entre ambos, fator decisivo em algumas derrotas…

Paulistano, líder do desvario convergente no mais alto grau, se marcado e contestado efetivamente fora do perímetro, sendo oportunizado somente nas penetrações, onde poderá encontrar fortíssimos bloqueios, enfrentará grandes problemas contra Bauru, uma equipe que pelos sérios desfalques que sofreu, a começar por seu melhor jogador, o Alex, somente se sairá a contento se pausar e ritmar seu jogo, defendendo o perímetro com dedicação e muita paciência, e se utilizar ao máximo do seu forte jogo interno, duelando com o também forte bloqueio de seu adversário…

As duas equipes, ou pelo menos uma delas, que passarão ao playoff final, poderão encerrar de uma vez por todas este ciclo vicioso que nos tem amargado grandes retrocessos e insucessos técnico táticos, principalmente nas grandes competições internacionais, onde a hemorragia dos três pontos alcançou o pico máximo de sua desditosa evolução, numa autofágica influência, principalmente na formação de base, quem sabe apresentando algo de novo, evoluído, corajoso e determinante, onde o sistema de dupla armação e três alas pivôs interagindo permanentemente fora e dentro do perímetro, consiga atingir a tão sonhada fluidez coletivista, onde a criatividade e o improviso alcance sua forma mais efetiva e brilhante, antítese da saraivada descontrolada e suicida de dezenas de bolinhas lançadas das formas mais bizarras, inconsequentes e irresponsáveis. Somente lamento, e muito, me ter sido vetada  participação neste processo que iniciei na direção da humilde equipe do Saldanha, com conceitos e princípios didático pedagógicos estudados, pesquisados e profundamente adequados a nossa realidade de país carente de cultura e educação, que após oito anos não encontrou respostas convincentes ao desafio  feito a todos aqueles, que ao contrário de mim, tiveram e ainda tem as infindáveis oportunidades de lá estarem, apesar dos erros e equívocos que cometem até hoje, principalmente ao tentar adaptar seu absurdo sistema único àquela proposta, e não partir para desenvolvê-la com coragem e determinação, como deveria sê-lo, pois ao contrário do que apregoam os arautos midiáticos de que”as pranchetas falam”, muito pelo contrário, falseiam conhecimentos e domínio do grande jogo, estabelecendo o verdadeiro óbice do basquetebol nacional, a compreensão e a dimensão de um grande, grandíssimo jogo.

Amém.

yagoooEm tempo – Que maldade e falta do mais primário bom senso, lançar mais um de nossos escassos e imaturos prospectos a uma aventura mercantilista bem ao gosto dos que o empresariam, quando, ao contrário de australianos e canadenses, que os forjam no basquete universitário americano, auferindo no mínimo uma educação de qualidade, aumentam o poderio de suas seleções, e abrem algumas portas no hegemônico universo da NBA. Mas como o importante e básico é a grana em jogo, que se danem os princípios…

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RELEMBRANDO…

Publiquei em 2007, e mais uma vez pergunto – O que mudou de verdade, o que?

 

A ILUSÃO SISTÊMICA.

domingo, 16 de setembro de 2007 por Paulo Murilo

Muito se tem escrito sobre sistemas de jogo, de como jogam os europeus, como agem os americanos, como criam os eslavos, indo da velocidade de “transição” ( ninguém explica o que seja, talvez pela inexistência de tal definição se confrontada com o simplório ritmo de jogo…), até os intrincados termos americanos definidores de jogadas básicas como o dá e segue, os corta-luzes interiores e exteriores, as penetrações por trás da cesta, o jogo de pivôs, os bloqueios, etc.etc., tão ao gosto de narradores e comentaristas, com a desculpa de que se tratam de termos internacionais, argumentação que se dilui ao manusearmos livros de técnica e fundamentos nos mais diversos idiomas, inclusive o nosso. Mas soam bem e aparentam cultura superior, esquecendo os preclaros cronistas que a maioria da população brasileira não conhece o idioma saxão, principalmente os mais jovens.

E páginas e mais páginas são escritas sobre sistemas de jogo, que pela preocupação que despertam parecem existir às dezenas, com particularidades que variam de país para país, até de continentes. No entanto, não se vêem os mesmos descritos e exemplificados em suas nuances e detalhes técnicos, como deveriam fazê-lo, já que os discutem com apaixonada veemência, deixando a audiência basbaque ante tanta sapiência e conhecimento. Um velho e inesquecível professor sempre lembrava que a erudição e o prolixidade era a arma dos enroladores, principalmente quando externada em outro idioma que não o nosso. Entendamos como o popular “se colar, colou…”. Então, que mágicos sistemas são estes que gabaritam técnicos, principalmente estrangeiros, a serem seus fieis depositários? Um deles, já candidato à direção de nossa seleção para o próximo e derradeiro Pré-Olímpico? Afinal, quantos são e como são constituídos esses sistemas? Quais suas decisivas influências? Americanas ou européias? Ocidentais ou orientais?

Sugiro fortemente que se munam de um simples e prosaico lápis, e algumas folhas de papel, e tentem grafar as disposições dos diversos jogadores, das diversas equipes, e dos mais diversos ainda países, ao iniciarem toda e qualquer jogadas de ataque, e mais ainda, com algum esforço, o desenrolar de alguns movimentos das mesmas, num exercício de progressivo encadeamento entre deslocamentos de caráter coletivo, e algumas ações de caráter individual, para chegarem a uma conclusão de assombrosa obviedade, a de que todos, sem exceção jogam rigorosamente iguais. De repente, se darão conta de que o modelo NBA se tornou universal, e que o maior e único beneficiário desse sistema de jogar é a liga mais rica, mais difundida, e por isso mesmo aquela que deve ser preservada em sua dominância político-econômica, mesmo que tenha de “aparentar disfarçadamente” uma aceitação da realidade internacional em torno da FIBA, num exercício estratégico que esconde e camufla sua luta hegemônica e globalizante. Porque o basquete americano é o único, seja amador ou profissional que se nega a seguir as normas, regulamentos e regras aceitas e difundidas no restante do mundo do basquetebol FIBA ? Agora mesmo, varias personalidades americanas foram introduzidas no Hall da Fama da FIBA, como os lendários Dean Smith e Bill Russel, numa prova de suas importâncias para o grande jogo, mesmo que praticado de uma forma diferente, mas que deveria sê-lo da forma como é praticado internacionalmente.

A conclusão a que chegarão após o exercício proposto, é a de que na constatação da existência de um único sistema universal de jogo, o que é lastimável e preocupante, somente duas variáveis ainda podem incidir sobre o mesmo, para sua aplicabilidade com algum caráter personalista, a velocidade e o domínio pleno dos fundamentos. E é exatamente nestes dois pormenores, nestas duas variáveis, é que se encaixam as formas de jogar de muitos países europeus quanto à velocidade, bem menor para os mesmos, como os universitários americanos, os fundamentos para todos, e a variação de velocidades e excelência nos fundamentos para uns poucos, ações estas bem aproveitadas por argentinos, espanhóis, lituanos e croatas, eslovenos e um pouco menos dos gregos. Nosso basquetebol, optou simplesmente pelo modelo cru NBA, sem a base fundamental do mesmo, ou seja, aproveitou o desenho da jogada inicial e seu desenvolvimento, mas sem o suporte exeqüibilizador do mesmo, o pleno, responsável e determinante domínio dos fundamentos do jogo.

Então, como os analistas de plantão, que pouco ou quase nada buscam na origem dos sistemas, alguns dos quais septuagenários, mas que lá estão perpetuados na maior bibliografia existente entre todos os desportos, como, para exemplificar um, que alguns técnicos, inclusive americanos, teimam maliciosamente em requerer autoria, o sistema dos triângulos, que nada mais é do que a aplicação de três dos movimentos básicos do basquete, magistralmente descritos pela geração de um Clair Bee, Dean Smith, Nat Holman, John Wooden , Forrest Allen, e muitos outros que se dignaram doar a seus pósteros livros e estudos magníficos, então, repito, como explicam a existência dos sistemas de jogo? Mas como explicá-los se não definem nem reconhecem a base comum do atual existente? Sim senhores, atualmente só um sistema se mantêm em foco, variando tão somente em ritmo e na excelência de seus praticantes na utilização dos fundamentos do grande jogo. E um outro detalhe de fundamental importância reforça esse conhecimento, o de que a existência do atual e monopolizante sistema sucedeu a outros, bem definidos e largamente utilizados, inclusive e basicamente por nós, em um passado não tão distante assim, quando inovávamos e arriscávamos no novo e no audacioso, sem medos e ressalvas, e que nos levou a muitas e inesquecíveis vitórias. Mas era um tempo de verdadeiros técnicos, de grandes e destemidos jogadores, de formidáveis analistas e colunistas, de dirigentes menos interessados em suas contas bancárias e enganosos prestígios políticos, ao contrário de hoje, onde somente persistem os dirigentes mais politizados e muito mais interessados nas benesses inerentes aos cargos, já que técnicos e jogadores mergulharam de cabeça no modelo NBA, tão à gosto dos mais globalizados e pasteurizados ainda cronistas e analistas de hoje, para os quais os ensinamentos do passado, brilhantes ou não, são relegados a um estorvo que deve ser guardado e esquecido no fundo dos baús da história.

E é em nome desse esquecimento, da negação da história e de seus participantes, daqueles que teimaram estudar, não só os sistemas, mas o teor e a fundamentação dos mesmos, que devemos aceitar e engolir a seco a definitiva implantação do que deveria ser substituído por algo de novo, inédito, audacioso e corajoso, mas que virá, na forma de um eslavo, espanhol ou americano para nos impingir a formula única, e de resultados imprevisíveis, à peso de muitos e muitos dólares, pagos com nossos impostos, sem que possamos sequer argumentar que tantos e sacrificados valores poderiam ser alocados em programas de desenvolvimento e preparação de futuras gerações de técnicos e jogadores, liderados por aqueles que realmente conhecem e dominam a arte de ensinar, treinar e dirigir equipes, que existem, sim senhores, entre nós, faltando somente que os reconheçam e reverenciem, em português mesmo, sem a prepotência daqueles que os negam por ignorância, espírito colonizado, ou mesmo, má fé.

Que os deuses, com o bom senso que os inspiram, nos ajudem a enxergar o óbvio, e que nos faça merecedores de um futuro menos doloroso, ou mais uma vez decepcionante. Amém.

 

4 comentários

  1. Jalber Rodrigues16.09.2007·
  2. Bom Professor,
    o que comentar após esse fantástico artigo?!!!!!
    Apenas agradece lo por nos lembrar sempre que os fundamentos e o poder de decisão do jogador dentro da quadra é que se transformam em eficiência e dão qualidade ao grande jogo, e que as chaves simples ou complexas só funcionam bem diante dos (para os grandes conhecedores do basquete como o professor disse) “skills and drills”.
    Parabéns e obrigado!!!!
  3. Basquete Brasil17.09.2007·
  4. Prezado Jalber,eu é que agradeço sua honrosa audiência,cujo único comentário a esse artigo me encoraja a prosseguir.Sei que ele retrata uma realidade que muitos teimam em negar,já que pressionados pela chaga do imediatismo que tanto nos empurra ladeira abaixo,exigem panacéias milagosas que refreie a inevitável queda.Temos de recomeçar de algum modo,mesmo que do princípio, trabalhando com afinco e bom planejamento nas escolas,nos clubes,nos parques e até sob viadutos,com jovens técnicos que sejam preparados pelos mais veteranos e experientes,sob a ótica do possível,aprendendo de cedo a administrar nossa pobreza,enriquecendo-a com estudo e pesquisas de caso,divulgando esses conhecimentos pela rede que se espraia pelo país,a internet,despertando aqueles comerciantes,industriais e lideres políticos que tiveram em sua juventude o auxilio educacional através a pratica do grande jogo,motivando-os ao premente auxilio,por menor que seja,em materiais e leis, que beneficiem o universo de jovens que clamam por uma política voltada à sua estratégica importância para o país.Que os poucos e quase escassos valores monetários que dispomos sejam alocados nesse projeto,e não colocados à disposição de técnicos estrangeiros e suas poções mágicas a curto prazo, que nada somarão às nossas imediatas e esquecidas necessidades.Desculpe a longa resposta,mas é o que penso,é o que sempre pensei e pratiquei na medida de minhas parcas possibilidades.Um abraço,Paulo Murilo.
  5. Henrique Lima17.09.2007·
  6. Caro Professor,Pelo que parece, na Seleção Masculina além de não saberem usar, usavam sempre os mesmos e previsiveis,
    e as vezes sem lógica sistema de jogo.E claro, maior enfase aos fundamentso nas categorias de base,
    pois isso anda em falta pela gana pela vitória a qualquer preço.Abraçao,
    Henrique Lima
  7. Peço ao senhor que escreva um pouco mais sobre a ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE no basquetebol, se possivel !
  8. Ainda acho que é necessário o estudo dos mesmos mas sempre adaptando tudo à nossa realidade,
    não é melhor assim ?
  9. sobre o artigo dos Sistemas de Jogo,
    acho que não deviamos fechar os olhos para a existencia dos mesmos, mas sim sabermos usa-los.
  10. Basquete Brasil18.09.2007·
  11. Prezado Henrique,concordo com você para o fato de não fecharmos os olhos aos sistemas,novos e antigos,pois se justificam pela interdependência de seus princípios e soluções.O grande desafio se inicia pelo pleno conhecimento de ambos, fator não muito motivante para a grande maioria dos técnicos, o que é lastimável.
    Quanto à sugestão de escrever sobre a especialização precoce que parece ter se transformado em moda no país,será tema que abordarei em breve.Um abraço,Paulo Murilo.

CAMINHOS E DESCAMINHOS DO GRANDE JOGO…

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Voltando ao batente depois de um tempo reflexivo, se deveria, ou não, tecer comentários sobre o peladobol vigente, emoldurado pelas grandiosas emoções de jogos disputados quase no tapa, com médias de 26,2 erros de fundamentos a cada jogo, e com, cada vez mais predominância dos arremessos de três sobre os de dois, e claro, com uma ou duas exceções de equipes que arriscam algo de novo taticamente, muito pouco num cenário devastador de mesmice endêmica, que remete o grande jogo à vala comum da mediocridade, comprovada com a retomada hermana na última competição internacional, e claras evidências de que dificilmente sairemos deste limbo imposto coercivamente desde as categorias de base, em torno de um sistema de jogo anacrônico e absolutamente burro de jogar, exceto para a turma do arromba que o defende ao preço que for, afinal, trata-se de um mercado de trabalho restrito, movido e imposto por um corporativismo, que se não demolido, nos enterrará definitivamente perante o concerto internacional, porém plenamente satisfeito com com o brilhareco tupiniquim, a que se apegam com o desespero dos náufragos em seus estertores…

Desculpem os poucos leitores, mesmo aqueles que ainda se dão ao trabalho de assistir jogos falhos e destituídos de técnicas individuais e coletivas nos fundamentos, e absolutamente pífios taticamente, apesar dos rompantes escatológicos de estrategistas que confiam mais nos rabiscos desconexos em suas hilariantes pranchetas, que para alguns falam e expõem soluções, do que dotar seus jogadores de ensinamentos técnicos, treinamentos plenos de criatividade e improviso, base do espírito coletivista, numa modalidade coletiva, e não portal de egolatrias e pseudo lideranças…

Desculpem mais uma vez, mas acima de tudo, de torcidas distorcidas sou um técnico, um professor de basquetebol, e como tal devo me reportar aos fatos, às reais situações de jogo, e não a rasgos ufanistas desprovidos de lógica, do bem jogar e compreender o grande jogo, realidades cada vez mais ausentes em nossas quadras, agora palco de vedetismos ao lado delas, institucionalização do palavrório mais chulo e ofensivo aos que assistem as transmissões, principalmente os mais jovens, aceito e perdoado pelos que transmitem e comentam, quando não cometem os mais primários erros de informação técnica, e o mais icônico, quando jovens entrevistadoras se dirigem aos jogadores e técnicos opinando sobre sistemas e estratégias de jogo de suas concepções, solicitando dos mesmos opiniões sobre o exposto, quando deveriam obter como respostas uma simples meia volta, envolta no mutismo definidor da fronteira que deveria separar com a mais absoluta clareza uma entrevista, de uma colocação técnico tática equivocada e desprovida de conhecimentos básicos…

E o que vimos de relevante nos jogos classificatórios às quartas do NBB 10, senão a incontida ânsia da mídia pelas prorrogações, claro, em nome das ansiadas emoções, porém um tormento pelo acréscimo exponencial dos endêmicos erros que afligem o grande jogo, onde jogos são perdidos absurdamente pela hemorragia dos três pontos, quando prorrogações bem jogadas deveriam primar pela contagem de 2 em 2, de 1 e1 pontos, otimizando cada sacrificado ataque com maiores percentagens, e não jogando ralo abaixo reservas físicas com bolinhas absurdas e irresponsáveis, de jogadores e estrategistas acima de tudo, pois cúmplices na aventura.que ainda nos custará enormes retrocessos por longos anos, pois não vislumbro qualquer tentativa de enfáticas mudanças a médio prazo, que a cada temporada que passa mais se afastam, exceto por uma ou duas tênues tentativas em franquias da LNB, que sem dúvida alguma evoluíram quanto à utilização da dupla armação, e da movimentação um pouco melhor dos homens altos, agora mais atléticos, flexíveis e velozes dentro do perímetro interno, porém de uma forma ainda muito frágil, já que todos ainda se mantêm presos e manietados pelo sistema único, artifício que garante as jogadas pretensamente marcadas pelos estrategistas, desnudadas em suas midiáticas pranchetas, que seguramente não são levadas em consideração pela maioria dos jogadores, mas que certamente garantem a exposição de vastos conhecimentos táticos pelos mesmos, mas que aos poucos não enganarão mais ninguém, pelo menos aqueles que entendem de fato os meandros e sutilezas do grande jogo…

E aqui cabe um importante ponto, pois de umas semanas para cá, não sei se por um posicionamento da liga, não se vêem mais microfones em grande parte dos  pedidos de tempo, fator altamente positivo, pelo menos evitando espetáculos grotescos e ofensivos entre jogadores e estrategistas, e obrigando os analistas a comentar o que veem a luz do que sabem e dominam, e não o que testemunhavam naqueles intervalos técnicos, na concordância ou discordância do que ouviam, numa situação dúbia e oportunista…

Então, o que pude observar nesta última semana, para efetuar comentários pertinentes? Bem, na refrega das três prorrogações entre Vitória e Minas, noves fora as toneladas de emoções, tivemos 44/81 de bolas de 2 e 29/80 de 3, ou seja, 51 tentativas (em 153 pontos possíveis) falhas no mais difícil dos arremessos, num desperdício de esforço físico brutal, talvez o responsável direto pelas três prorrogações, vide os 35 erros nos fundamentos básicos do jogo, cometidos por exauridos e pouco técnicos jogadores, assim como os 27/52 arremessos de 2 e 16/59 de três perpetrados por Caxias e Mogi para um placar de 63 x 60 para os paulistas, quando a poucos segundos do fim da partida com um ponto de vantagem para Mogi, o atacante Alex do Caxias teve a possibilidade de um arremesso de curtíssima distância preterido por um passe para a lateral visando um arremesso de três do Caferatta, que errou, quando bastaria uma simplória cesta de dois pontos para vencer a partida. Mas não, estão as equipes do “moderno basquete brasileiro” tão aferradas ao autofágico chute de três, que uma vitória só se valoriza se produto do mesmo, com a complacência de seus estrategistas, contorcendo-se nas laterais das quadras para que eles entrem, o que é sinal de alerta para o fosso em que estão lançando o grande jogo, em nome de um modismo irreal e perverso, ao agirem sistematicamente mais como torcedores do que técnicos…

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Mas algo de alentador se descortina nessa dolorosa paisagem, a equipe do Flamengo, que deve vencer este campeonato na medida em que mantenha seu atual sistema de jogo com dois excelentes armadores e três alas pivôs ágeis e velozes trafegando em velocidade pelo perímetro interno, complementado por uma bem postada defesa garantidora dos importantes e estratégicos rebotes, faltando, no entanto, que se utilize bem mais do improviso e criatividade no jogo interno, liberando espaço para arremessos mais precisos e equilibrados, inclusive os de três, quando executados pelos seus dois especialistas, o Marcos e o Marcelo, e não ficando presa a  esquemas e coreografias em nada condizentes com a qualidade individual de alguns bons jogadores que possui. Aliás, ao faltarem 3.8 seg para o final do segundo quarto, foi esquematizada em rabiscados detalhes uma jogada para uma importante cesta, o que realmente aconteceu, e de três pontos. Perguntado pelo repórter sobre o esquema ter dado tão certo, o jogador JP Batista esclareceu que o que ocorreu foi puro improviso dos jogadores, efetivado com sucesso, derrubando a tese da “prancheta que fala”, e mais uma vez desnudando a falibilidade do que vem sendo cansativa e permanentemente apregoado de que “elas realmente falam”, será?…

Sérias dúvidas existem, persistem, e as tenho em profusão, entre as quais uma se sobressai, a de que será esse o verdadeiro caminho a ser trilhado pelo grande jogo entre nós, onde as tentativas de um rígido controle tático por parte da maioria dos estrategistas, se sobrepõe a libertária e criativa improvisação, adquirida na suprema arte do treino, definindo a máxima de que “só improvisa quem sabe e domina os fundamentos individuais e coletivos do grande jogo”? Honestamente tenho uma certeza, a de que não seja esse o caminho a ser seguido, e já provei isso a algum tempo atrás, inclusive propondo um desafio aos técnicos nacionais, que continua de pé, (e lá se vão 8 anos…) pouco ou nada técnico tático mudou, apesar da boa organização, dos apoios e patrocínios, e do emergente interesse redescoberto pelos aficionados pelo grande jogo, que seria muito maior se evoluíssemos técnica e taticamente, que foi a grande arma do voleibol para se impor internacionalmente. Chegaremos lá? Torço para que sim, mas não com a turma que aí está coreografando gestualmente o grande, grandíssimo jogo.

Amém.

Em tempo, infelizmente – Testemunhei ontem um verdadeiro assassinato praticado contra o nosso indigitado basquetebol, um pastiche de jogo entre o Ceará e o Paulistano (72 x 67 para o Ceará), onde ambos perpetraram os seguintes números – 15/40 arremessos de 2 pontos e 11/30 de 3 para o Ceará, e 16/25 e 8/44 respectivamente para o Paulistano (inadmissível arremessar 19 bolas de 3 a mais do que as de 2 pontos), ou seja, somaram ambos 31/65 nos 2 pontos  19/74 nos 3, errando nestes últimos 55 bolinhas (ou 165 pontos pulverizados na mais absoluta mediocridade…), além dos 25 erros de fundamentos (14/11), tudo isso em nome do “moderno basquetebol”, tendência modal absurda e suicida que nossos estrategistas sonham manter e até ampliar no âmbito de nossas seleções de base e da elite, quando na realidade se trata da mais absoluta ignorância e aberração do que venha a ser um basquetebol jogado com correção, lucidez, equilíbrio, bom senso, e sólidos conhecimentos sobre o grande jogo, minimizado até o rés do chão por essa mistificação institucionalizada, gestada, produzida e administrada por uma mídia mais ignorante e ufanista ainda, salvas raríssimas e honrosas exceções, porém insuficientes para estancar essa gigantesca e quase irreversível hemorragia técnico tática, e de preparo convincente e profissional de jogadores, de equipes enfim, e que em tudo e por tudo continuará a facilitar o planejamento de nossos adversários nas competições internacionais, que agradecem penhorados a tanta e imperdoável ignorância desportiva. O fundo do poço ainda está muito longe de ser atingido, essa é a mais triste e lamentável realidade, que convenios com a NBA e os mil penduricalhos mediáticos e comerciais adicionados não evitarão seu desfecho, pois o real e verdadeiro óbice do nosso sofrido basquetebol é técnico, em sua acepção do termo, nada mais do que simplesmente técnico. PM.

Fotos – Reproduções da TV. Clique duplamente nas mesmas para ampliá-las.

ESCANCAROU DE VÊZ…

Ora ora muito bem, eis-me aqui, teimosamente comentando o famigerado duelo das habilidades do Jogo das Estrelas do NBB10, quando, finalmente atingiram a grande proposta do comitê técnico da liga, de elevar ao máximo o patamar desta parceria com a NBA, trombeteada aos ventos como a salvação do nosso indigitado basquetebol, e onde em todas as etapas percorridas deste duelo, as regras do grande jogo foram jogadas para baixo do tapete, em nome do espetáculo grandioso aplaudido por 10 mil pessoas no Ibirapuera, com a maioria dos jovens vestindo camisetas da matriz…

No artigo anterior, postei um vídeo do duelo da NBA deste ano, onde todos nós pudemos atestar a lisura técnica na execução da etapa dos dribles, premissa básica em uma competição de fundamentos, mas que, desde o primeiro aqui realizado, jamais foi obedecida, vencendo sempre aquele que burlava a regra dos dribles, com a conivência dos juízes julgadores, mesmo sendo a esmagadora maioria dos duelistas, armadores de ofício, logo especialistas nos fundamentos do jogo…

Este ano, resolveram a exemplo dos americanos, continuar a promover duelos em duplas, utilizando inclusive pivôs contra alas e armadores, esquecendo porém que, mesmo os atuais gigantes da matriz, deixaram de ser a um bom tempo os corpulentos, lentos e inábeis  jogadores de outrora, cedendo terreno aos modernos, ágeis e atléticos alas pivôs que recheiam as equipes, tão ou mais habilidosos que os armadores, aumentando dramaticamente a técnica individual de todos eles, e claro, ampliando o leque de opções ofensivas de suas equipes…

Absolutamente não é a realidade do nosso basquetebol, onde, desde a base formativa, jogadores altos vão para os rebotes, ou abrem para fora do perímetro para os arremessos de três pontos. Logo, o que poderíamos esperar dos mesmos numa competição de habilidades nos fundamentos, e o que fazer para vencê-la? Creio que a visualização das fotos e dos vídeos abaixo bem esclarecem a resposta, fraudar naquele fundamento que pela sua complexidade trava a velocidade necessária para completar o percurso no menor tempo possível, o drible com mudanças de direção (*), possibilitando chegar nos arremessos finais de três pontos com margem suficiente para tentar um ou vários arremessos…

Creio não ser preciso me estender em mais comentários, pois as imagens contam tudo, com um detalhe a mais, a sempre presença de um juiz gabaritado no foco das ações, impassível e conivente com a burla mais do que consentida. Um detalhe a mais, o segundo colocado, Cauê, cumpriu as etapas com acerto e precisão, e como nos anos anteriores, deveria ele ter sido o vencedor, dando completa razão ao testemunho de seu adversário de que, sem dúvida “era o mais improvável a vencer a disputa”. Infelizmente os juízes e o próprio espírito da grande festividade não estavam de acordo, como nunca estiveram, infelizmente.

Quem sabe para o ano…

Amém.

 

(*) – Ao driblar com mudanças de direção, o jogador não poderá interromper a trajetória descendente da bola em nenhum momento, situado a mão impulsionadora sempre acima e ao lado do hemisfério superior da bola, pois se o fizer por baixo da mesma interrompe a sua trajetória descendente, imobilizando-a em sua mão, permitindo um passo a mais pela ausência do drible, aumentando sua velocidade no percurso, numa violação de “andar com a bola”, e não “conduzír” como muitos definem.

 

Fotos e vídeos – Reproduções da TV. Clique duas vezes nas fotos para ampliá-las.

Sequência de Fotos e Vídeos:

Murilo x Guilherme

Murilo x Felipe

Murilo x Cauê

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IA ME ESQUECENDO…

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Teremos na próxima semana o jogo das estrelas do NBB, e não é que ia me esquecendo de que nada publiquei sobre o do ano passado? Pois é, estou sendo cobrado pelo amigo inquisidor, que nada deixa escapar quando “me esqueço”de algo “tão importante”, para ele, não para mim, ainda mais quando erros são teimosamente repetidos, todos os anos, principalmente na competição de habilidades, que teve como vencedor o americano do Mogi, o Tyrone. Lembro agora que, mesmo tendo origem da melhor escola de fundamentos do mundo, o nosso amigo trapaceou também, e que nada publiquei para no final das contas não me situar como o contumaz inimigo da maior festa do basquetebol nacional, como é definido este jogo das estrelas…

Como não tenho escapatória do olho crítico deste amigo da onça, vamos lá com os argumentos que coletei na internet sobre a fraude em questão, tristemente repetida desde as anteriores competições, conforme publiquei neste humilde blog, agora sutilmente repetida, tornando-a irregular frente aos princípios da correta execução do drible em progressão com  trocas de direção…

No vídeo da última volta do circuito, o americano nitidamente situa a mão impulsionadora por baixo da bola nas duas passagens de obstáculos, conforme o fotograma ampliado, caracterizando a infração, idêntica a todas as competições anteriores, ano após ano, ganhando alguns preciosos centésimos de segundo nos sobre passos executados sem o drible, atitude praticamente oficializada nesta competição, em tudo contrária a sua congênere realizado na matriz, conforme atesta o vídeo anexo, onde o vencedor transpõe os obstáculos com o cotovelo do braço impulsionador colada ao corpo, fazendo com que a mão se situe permanentemente acima e ao lado da bola nas mudanças de direção, e jamais embaixo da mesma. Observem, interrompam a imagem, e atestem uma falha que em todas as competições aqui realizadas sequer um dos endeusados juízes tivesse a coragem de assinalar o grosseiro erro de fundamento,,oficializando a fraude, que já pode ser considerada como oficial, pois afinal de contas se trata de uma festa comemorativa da maior competição do grande jogo neste imenso e cada vez mais injusto país…

Em tempo, o argentino segundo colocado, cumpriu o trajeto obedecendo a correta execução do drible, como determina sua técnica, mas não levou o título, igualzinho aos anos anteriores, conforme a infame tradição…

Finalmente lembro o motivo de nada ter publicado no ano passado, ao sentir que nada mudaria, e que nada mudará este ano também, servindo de excelente, porém triste, exemplo aos mais jovens que se iniciam no basquetebol.

Amém.

Foto e vídeos – Reproduções da TV.

REFLEXIONANDO…

  10801580_416056811852694_60297652605880243_n-002     Em recente artigoFabio Balassiano apontou avanços  substanciais no gerenciamento do basquetebol brasileiro, tanto pela CBB, quanto pela LNB, tendo como foco principal a reforma dos estatutos da primeira, estratificado desde sua fundação, e que finalmente galgou um patamar bastante positivo, principalmente na composição de seu colégio eleitoral, agora acrescido de jogadores e técnicos, algo tido como impossível a bem pouco tempo atrás. No entanto, um nevrálgico ponto deixou de ser analisado, o fato da escolha dos técnicos ter sido feita pelo presidente da ATBB (Associação dos Técnicos do Basquetebol Brasileiro), uma entidade que sucedeu a APROBAS, que deixou de existir pela baixa adesão dos técnicos, assim como a anterior ABRASTEBA, quando do falecimento de seu presidente e mantenedor Moacyr Daiuto, aspecto que parece pode se repetir, face a baixa adesão dos técnicos à nova associação, que com as antecedentes, contava quase que exclusivamente com técnicos paulistas…

Pois bem , numa recente materia do Databasket pela internet, o presidente da ATBB comunica que pessoalmente indicou os dois técnicos para compor o colégio eleitoral da CBB, ao contrário da CBB que que se utilizou do voto universal para indicar os jogadores representativos, e era de se esperar que o mesmo acontecesse pela direção da ATBB, que inclusive se auto nomeou o representante no Conselho Administrativo da CBB, e mais, comunicou que propôs a administração da ENTB com a possibilidade de inclusão de cursos a distância, ou seja, uma entidade que de forma alguma alcançou representatividade nacional, pois conta com baixa adesão de técnicos, experiência que não chega a dois anos de atuação, e como suas duas predecessoras, sendo composta quase exclusivamente por técnicos paulistas, apontando claramente que, em hipótese alguma, permitirão que o controle técnico do basquetebol brasileiro saia de sua direta influência, que data da primeira administração do grego melhor que um presente, que garantiu sua eleição sobre o Renato Brito Cunha, com o decisivo apoio dos paulistas, em troca do domínio absoluto do setor técnico da entidade maior (é bom lembrar que até aquele momento a CBB, com sede no RJ, comandava o setor técnico, época em que o basquetebol brasileiro alcançou suas maiores conquistas internacionais, com três mundiais e cinco medalhas olímpicas), dando início a hecatombe que se instalou entre nós, e que aí está escancarada pela padronização e formatação do nosso indigitado basquetebol, inserido coercitivamente no tenebroso sistema único de jogo, da base até a elite, dando início ao corporativismo exacerbado que tanto nos oprime e humilha…

Mas não satisfeito, ensaia um convite para que durante o jogo das estrelas no Ibirapuera, os técnicos se reunam para num “brain storming” discutirem caminhos e sugestões para que a presidência os representem, mas onde, se já se decidiu fazê-lo sozinho e seus dois parceiros? Parece não, é realmente surreal ( e mais um lembrete, foi durante o Mundial Feminino neste mesmo Ibirapuera em 1971, durante um seminário técnico, que lancei a idéia de fundarmos uma associação de técnicos, que contou com a adesão imediata de mais de 180 técnicos nacionais e alguns internacionais, dando início ãquela que seria a segunda associação nas Américas, perdendo somente para a NABC, fundada em 1926. Foi um concenso absoluto, fruto de uma iniciativa democrática discutida por todos os presentes  Abri mão da da unânime indicação a presidência (aos 32 anos me considerei jovem demais para o cargo, além de algumas rusgas com a CBB), em nome do técnico e professor Antenor Horta, tendo na vice presidência o professor Moacyr Daiuto, ficando como secretário da mesma. A ANATEBA foi dois anos mais tarde dissolvida pela negação da CBB em apoiá-la, quando do lançamento do Mini Basquete no país).

Honestamente, a CBB não pode repetir o brutal erro cometido quando do lançamento da ENTB, levando-a ao fracasso e praticamente sucumbir ao seu péssimo e incompetente projeto de ação. Uma Escola é algo de transcendente importância, e que deve reunir a nata de professores e técnicos, veteranos e alguns jovens promissores, inclusive aqueles que pertençem a associações estaduais de técnicos (aqui no RJ existe uma, e quem sabe em outros estados), para aí sim, reunidos em torno de uma imensa mesa, estabelecerem aquelas importantes discussões para a formação de base, e o estabelecimento de uma autêntica e séria ENTB, e não mais um capítulo de imprevidência e oportuno continuísmo, exclusivo de um grupo no perene comando técnico do grande jogo no nosso imenso e injusto país…

E um dos resultados nefastos dessa influência pode ser descrito por alguns e singelos números que ocorreram nas semifinais e final da LDB, categoria sub 20 de jogadores que já deveriam estar prontos para o NBB, onde alguns já competem e cujos erros nos fundamentos básicos são preocupantes, pois os tornam ineficientes no desenvolvimento de sistemas de jogo, ofensivos e defensivos, os quais somente se tornam produtivos com o pleno domínio dos mesmos, e por essa indiscutível razão, serão extremamente limitados nas ações que exigem criatividade e improviso consciente na consecução dos sistemas propostos, e consequente leitura de jogo. Aqui os resultados:

– Nos 24 jogos desta fase final, foram cometidos 871 erros de fundamentos, ou 36,2 por jogo na média.

– Por equipes :

– Pinheiros 112 (22.4 pj); Flamengo 108 (21.6 pj); Minas 108 (21.6 pj); Paulistano 98 (19.6 pj); Ceará 90 (18.0 pj);  São José 81 (16.2 pj); Franca 76 (15.2 pj); Curitiba 70 (14.0 pj).

– Finalistas :

– Pinheiros/Franca – 25/17 – 42 erros

– Paulistano/Sãp José – 15/20 – 35 erros

– Jogo com mais erros – Paulistano/Minas (28/27) 55 erros.

– Para um razoável padrão na elite de 5-8 erros por equipe, alcançaram os novos jogadores : 1 jogo com mais de 50 erros; 6 entre 40 e 50; 4 entre 30 e 40; 5 entre 20 e 30, e absolutamente nenhum abaixo dos 20 erros. Seria interessante que fossem contabilizados os erros de toda a competição, com resultados assustadores, confiram, ou não se deem ao trabalho, para que, não? Noves fora a endêmica chutação de três…

Complementando o desanimador quadro, o jogo da primeira rodada da Liga Ouro entre Brusque e Cerrado apresentou os seguintes e absurdos números – 32 arremessos de 2 pontos e 74 de 3, sendo que ao fim do segundo quarto perpetraram 3 de 2 pontos e 26 de 3, simplesmente inacreditável!…

Agora a pouco o Paulistano arrasou o Botafogo arremessando 19/29 de 2 pontos e 21/43 de 3, sedimentando a “nova filosofia” de jogo tupiniquim (como ninguem defende, é uma excelente oportunidade de agregar vitórias e recordes aos currículos, e que se explodam os resultados nas seleções mais a frente), até o dia em que as equipes reaprendam a defender, a contestar, mas claro, se derem importância aos fundamentos básicos do jogo, desde a base, preferencialmente, ou mesmo praticá-los na elite, por que não, porque não?…

Mas algo de “positivo” que vem acontecendo nos jogos da seleção dirigida pelo Petrovic, a sua progressiva adesão aos chutes de três (vide o Magnano), inclusive nos contra ataques e por parte dos pivôs, num gritante contra ponto aos seus conceitos croatas de basquetebol, o que seria lastimável se olvidados, espero contrito que não…

No mais, fazendo coro ao meu permanente e atento interlocutor, que me considera um empedernido pessimista, alerto ao mesmo que, muito pelo contrário me considero um irremediável otimista, a ponto de vislumbrar uma tênue esperança em dias melhores para o grande jogo entre nós, na medida, mais tênue ainda, de que afastemos dele aqueles que no fundo o odeiam, pelo simples fato de não o entenderem naqueles pontos que tem de grandioso, sua inesgotável capacidade criativa, ousada e corajosa, mesmo  aviltado e agredido sem maiores contemplações, pois o que tem importado de verdade é a bola sagrada de três, a enterrada monstro, o toco transcedental, o duplo e o triplo duplo, as pranchetas que falam, os palavrões e coerções a jogadores e árbitros, a patética mímica extra quadra, as violentas torcidas de icônicas camisas, os tatibitates craques que exportamos antes do tempo, a importação dos que não servem mais para a matriz, e a continuidade da mesmice endêmica em nossa autofágica forma de jogar, negando as diferenças, o bom senso, o criativo e o ousado, em nome do que aí está  Um novo ciclo olímpico já foi iniciado, e nada parece que aprendemos técnica e taticamente, mas meus deuses, até quando, até quando…

Amém.

 

O PURISTA AINDA SE COÇANDO…

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E a crise Paulo, como você vê a crise, passa ou ainda permanece por quanto tempo? Pergunta marota essa do amigo cutucador profissional, gerando somente uma dúvida, qual crise?…

A do nosso imenso e injusto país, vai demorar bastante, pelo menos umas duas gerações, que se bem e convenientemente educadas, terão alguma chance de contornar a fera, claro, se o forem, numa única e derradeira chance para vislumbrar um futuro menos brutal e humilhante que vivenciamos agora…

A internacional, que teve manipulada a crise combustível  com invasões e guerras, jogando os preços dos carburantes para baixo, até o propício momento em que crises e empobrecimento dos países produtores os tornassem suscetíveis a venda ou apropriação de suas reservas a preço de liquidação (para subirem depois, como já acontece), como nosso pré sal, agora fazendo companhia ao manganês, ao nióbio, ao urânio e em breve ao controle de nossas águas, todo um pacote monitorado por uma reativada quarta frota atlântica (desativada desde 1954), e amaciado com penduricalhos, missangas e balangandãs, enformados em  maciças doses de filmes, música, cultura e desportos, NFL e NBA inclusas, em uma mídia de braços euforicamente abertos e muito bem paga, divulgando e sedimentando um colonialismo disfarçado e bem maquiado em pomposa globalização…

E por conta de uma realidade que não desgruda do nosso pedregoso cotidiano, vemos um NBB coalhado de americanos de  quarta ou quinta linha (lembrando sempre ser a nossa liga uma opção de décima sexta, ou mais, escolhas no mercado internacional), fazendo jogos onde muitas vezes tem seis deles em quadra ao mesmo tempo, numa grave e preocupante distorção no âmago de uma modalidade que pretende se soerguer no cenário desportivo tupiniquim…

Fala-se em crises, aqui e acolá, mais acolá do que aqui, como se o basquetebol válido é o refletido pela matriz, sobrando cavacos de crises caseiras, pouco ou nada relevantes em comparação com as de lá, onde a lonjura pouco ou nada representa pela “importância transcendental” do “melhor basquetebol do mundo”…

E a crise do momento, por lá, responde por dois nomes, Warriors e Cavs, que segundo os mais abalizados experts, os daqui simplesmente transcrevendo os de lá, não poderia acontecer, já que revolucionaram o jogo, o mudaram a tal ponto que todos os países praticantes o adotarão, mais cedo ou mais tarde, inexoravelmente, numa grotesca falácia originada pela doentia necessidade de impor conceitos, dogmas até, numa atividade que se mantém intocada a mais de um século, exatamente por privilegiar o princípio do contraditório, fator básico a toda e qualquer tentativa de evolução. Desde sempre e coerentemente sempre afirmei que – “sucedendo a um avanço técnico tático ofensivo, eclodirá um defensivo, originando o equilíbrio tão necessário a evolução do jogo”, numa frequência sucessiva, sendo esta a chave de sua permanente renovação. Esgares dramáticos de que uma revolução tática deu início a um novo tempo do grande jogo, soa vazio, fútil, e ignorante, pois reflete tão somente a necessidade vital de que algo de realmente novo aconteça, de preferência sob o manto de quem o anuncia, como um arauto salvador de exclusiva genialidade…

E nada acontece, a não ser o ajustamento defensivo fora do perímetro, contestando (não bloqueando ou travando) os longos arremessos, alterando suas trajetórias, tornando-os imprecisos e fugazes, obrigando a consecução dos de dois pontos, equilibrando os jogos…

Mas, na realidade o que acontece é o surgimento ocasional de uns poucos e realmente talentosos jogadores, empírica, científica ou aleatoriamente treinados na arte dos longos arremessos, uma técnica muito difícil e exclusiva de muito poucos, originando decisões fora dos perímetros pouco contestados, e cujos exemplos foram se espraiando rapidamente, principalmente através jogadores medíocres nos fundamentos do drible e das fintas, dentro e fora do garrafão, tornando alguns deles estrelas (?) de um primeiro plano discutível e equivocado, até o momento em que serão forçados a jogar de verdade por força de defesas eficientes e lúcidas o suficiente para provocarem as trocas das tentativas ofensivas de três por dois pontos, atitude esta que já vem se fazendo presente até mesmo na matriz, a NBA, definindo com veracidade o quem é quem na arte de jogar o grande jogo, e não o “corre e chuta” absurdo em que o pretendem transformar, tanto jogadores como técnicos adeptos das modas e das facilidades, pois afinal de contas, “pra que queimar pestanas, tempo e esforço” para vencer campeonatos onde todos aceitam as regras formatadas e padronizados que os regem desde sempre?…

Daí o perigo que algo diferenciado, ousado e corajoso aconteça e deva ser defenestrado, em qualquer nível, em qualquer situação, mesmo em se tratando de seleções nacionais, e os pormenores ai estão se escancarando aos poucos num NBB que vem fornecendo a matéria prima da seleção para as classificatórias ao Mundial, com as equipes que ponteiam a competição convergindo acintosamente nos arremessos de dois e três pontos, numa contraposição pouco ou nada sutil as declarações do técnico croata que, numa bem divulgada entrevista, se mostrava surpreso e temeroso com a hemorragia desvairada dos arremessos de três pontos, em nada conferindo com seus princípios técnico táticos, onde a chutação irresponsável não encontraria aprovação de sua parte, a não ser como uma alternativa complementar de jogo, e não sua maior prerrogativa, como vem acontecendo no NBB…

Ontem mesmo Paulistano e Mogi deram um recado mais do que direto, numa partida com 34/65 arremessos de dois e 18/68 de três pontos, onde vencedor e perdedor arremessaram mais de três do que de dois (18/35 de 2 e 11/37 de 3 para o Paulistano, e 16/30 e 7/31 respectivamente para o Mogi), com ambas as equipes convergindo, num claro posicionamento em defesa desta maneira de jogar, endossada ferozmente pela maioria da mídia dita especializada, e claro, incentivada por seus estrategistas, ambos pretendentes diretos ao cargo maior na seleção. Interessante que o Flamengo, que voltou a jogar com mais eficiência desde o momento em que adotou definitivamente a dupla armação, e a utilização inteligente dos três alas pivôs em movimentação dentro do perímetro, atitude essa que deverá sofrer alguma adaptação com a entrada do pivozão Varejão, vem progressivamente diminuindo os arremessos de três, optando mais pelo jogo interno e pelo sólido contra ataque, numa figuração mais próxima do croata, afinando com seu discurso tático, mesmo tendo sido seu estrategista preterido na direção da seleção que tinha a certeza que herdaria do hermano argentino…

Como vemos, chutação desenfreada passa pelo crivo da moda (“se o Warriors e seus especialistas podem, mesmo com contestações mais presentes, por que não nós que não temos nenhuma?”), por interesses pontuais, deixando de lado exigências trabalhosas demais, como os fundamentos, porém esquecem que a cada temporada sem o apuro dos mesmos, mais acintosa se torna nossa queda na qualidade dos jogadores, e o mais crítico, na formação, onde as bolinhas ganham cada vez mais adeptos, incentivados pela turma que odeia o grande jogo, e só tem olhos às enterradas “monstro”, aos torpedos de três, e aos “tocos fenomenais”…

Este é o quadro com que se deparou o croata Petrovic, que o assustou, e que dará um enorme, senão quase impossível trabalho para reverter, a não ser que fisgue o recado que vem sendo dado por nossos gênios pranchetados, e adira ao processo hemorrágico que nos desgasta e humilha, como fez o Magnano, ou…

…Ou mude de verdade nossa forma de jogar, de ver e sentir o jogo, mas para tanto precisará de pessoas que o auxiliem de verdade na reformulação do basquetebol tupiniquim, basicamente na formação, nas seleções de base, onde se forjam os verdadeiros e sólidos jogadores, e não aprendizes de chutadores de fora, e onde deveriam aprender a defender, a saltar com reversão nos rebotes,  aprimorando o drible, os passes, os bloqueios, readquirindo o gosto pelo arremesso curto e médio, o DPJ, e a eficiente e inteligente leitura de jogo, solidário, comprometido e coletivo. Mas para tanto deverá contar com professores e técnicos experientes e muito bem preparados, e não candidatos a estrategistas ancorados em midiáticas pranchetas que nada dizem ou transmitem, a não ser exercícios da mais pura enganação demagógica, disfarçada em eficiência e conhecimentos táticos para uma embevecida platéia, noves fora o palavreado chulo, grosseiro e ofensivo que as cercam nos dolorosos e constrangedores pedidos de tempo…

Enfim, não sei mais por quanto tempo nos manteremos reféns dessa mesmice endêmica, asfixiante e deletéria, fantasiada de “basquete de alto nível”, mas que na realidade se encontra a algumas décadas deste patamar, pela continuidade da imitação chinfrim dos irmãos do norte no que eles tem de pior, e não partindo para o salto qualitativo que tanto necessitamos, em oposição ao que aí está, formatado e padronizado desde muito, muito tempo.

Que os deuses com sua imensa paciência se apiede de nós, de nossos jovens, do grande, grandíssimo jogo…

Amém.

F0to – Divulgação LNB. Clique duplamente na mesma para ampliá-la.

 



O PURISTA COÇADOR…

Caros leitores, sei estar em falta com vocês, mas aos poucos está se tornando muito difícil escrever e comentar sobre o atual basquetebol brasileiro, pelos motivos que todos vocês já sabem de muito, principalmente pelo marasmo, torpor, imobilidade do mesmo a toda e qualquer iniciativa que priorize a criatividade, o novo, o ousado, o proprietário a uma forma diferenciada de jogar o grande jogo, optando pela mesmice endêmica que o asfixia no aspecto técnico tático e de formação de base, repetidamente a cada temporada, e sem perspectivas de mudanças pelo prazo que for, lamentavelmente…

Mesmo assim, teimam alguns em projetar “revoluções sistêmicas” que prenunciam “novos tempos”, invencionices, ou mesmo pura cópia do que se faz lá fora, na maior, sem discutiveis implicações, seguindo a máxima dos despreocupados em estudar, pois – “se dá certo para eles, por que não para nós? “- E tome de chutação de três, afinal o Curry e os Warriors se dão bem, por que não nos daremos também? E outros mais que já preconizam enfáticos que na real, este é o basquete atual, e não há muito como negar, pois mais dia , menos dia, isso vai se impor no mundo. Será mesmo, em que se baseiam para afirmar tamanho equívoco, suas largas e profundas experiências, ou o clamor de uma mídia daqui, e de lá também, ávida em descobrir a pólvora, again?…

E por conta disso promovem a gênios, estrategistas tupiniquins, comandando jogadores que pecam seguidamente nos fundamentos, que não marcam ninguém, nem a própria sombra (aliás, um eficiente exercício de defesa muito utilizado pelos grandes lutadores de box, mas claro, esnobado por todos eles), porém exigindo aos berros e ameaças que chutem, chutem, quando livres ( que é um lugar comum pela ausência de qualquer impulso opositor contestatório), e que se não o fizessem seriam “pegos lá dentro por ele”, numa ameaça absolutamente condenável e constrangedora frente a uma função educadora e social, que obviamente não interessa, quando um novo umbral do grande jogo se descortina a um novo tempo que o mudará definitivamente, fazendo os puristas se coçarem todos com tanta modernidade. Todos? Mesmo?…

Morro de rir, assistindo essa farsa teatral, ainda mais quando me recordo da equipe do Praia Clube de Uberlândia dos anos sessenta que arremessava logo que transpunha o meio da quadra, se celebrizando com tal modernidade, assim como os mestres dos longos arremessos, da mesma época, como os inesquecíveis Angelin, Dutrinha, Luizinho, Paulo Cesar, Valtinho, Boccardo, Montenegro, Zezé, Zequinha, Conde, e muitos outros realmente especialistas nos longos arremessos, além dos lá de fora, como o Bird, o Roberson, o Riva, o Brabender, todos inseridos em suas equipes, compondo-as, e não fazendo das mesmas suprimentos para as tentativas de  transformar uma modalidade eminentemente coletiva em individual, que celebrizaram alguns midiáticos nominados, ainda mais sob o manto dos três pontos, mas que em hipótese alguma conseguiram mudar o jogo, não mesmo, a não ser o mítico Hank Luizetti (em 1937)  com seu jump shot revolucionário…

Agora mesmo as grandes equipes americanas e européias já se dedicam e se ajustam à defesa fora do perímetro com mais intensidade, perdendo o medo de serem penetradas por alas e armadores contestados lá fora, afinal tentam dois e não três pontos por vez, sendo que algumas delas oferecem a porta de entrada confiando nos bloqueios de homens cada vez mais altos, atléticos, flexíveis e velozes, equilibrando em muito as tentativas de fora, como aconteceu com o Mogi no Sul Americano em jogo contra o Paulistano, quando provocou vários “air balls” e algumas interceptações de passes (o sistema único é pródigo nos passes de contorno, onde uma defesa linha da bola se torna eficiente), virando um jogo contra uma equipe que optou definitivamente pela convergência nos arremessos de dois e três pontos, mantendo estes últimos como prioritários em seu “sistema moderno e revolucionário de jogo”, perdendo-o e a classificação na competição, porém nos brindando com uma obra prima de modernidade no vídeo acima veiculado. Claro, que dentro do medíocre, repetitivo, padronizado, e formatado padrão a que está submetido o grande jogo em nosso país, equipes como esta levam inquestionável vantagem, já que inserida na mesmice endêmica que nos devasta e humilha, pela mais absoluta ausência de criatividade, de ousadia, de coragem para investir em algo realmente novo, e optar pela desenfreada chutação de três, que em absoluto representa evolução, frente a inexistente e competente contestação defensiva, colocando a todos num mesmo barco, onde chutam a valer, ganhando quem mete a última e apaga luz, incapazes que são de efetuarem decentes e eficientes bloqueios , corta luzes, jogo sem a bola, movimentação constante e dinâmica de todos na quadra de ataque, defesa participativa e de constantes coberturas, num exemplo tácito do mais autêntico coletivismo, inescrutável tabu entre nós…

O trágico, é constatar que frente a um mínimo de contestação, como a transferência da velocidade horizontal em vertical (os cortadores e bloqueadores do vôlei o fazem costumeiramente) no intuito de alterar a trajetória de um arremesso, e não travá-lo (daí as sucessivas faltas para três arremessos livres), jamais é treinado, sendo mesmo desconhecido, assim como os próprios arremessos com as devidas técnicas de empunhadura e direcionamento (o purista aqui estudou, pesquisou, e escreveu uma tese de doutoramento exatamente sobre este assunto, não precisando se coçar para fazê-lo…), pouco ou nada são decupados e estudados indivíduo a indivíduo, como deveria sê-lo, abandonando o modelo estético que a maioria absoluta dos analistas conotam como a “mecânica perfeita”, e não só os analistas, mas muitos e muitos técnicos da base e estrategistas da elite, que simplesmente ordenam -”chutem, chutem, assumam a responsabilidade, a confiança, não importando se errarem, pois se não o fizerem pego a todos lá dentro”…

Aliás, basta recordar a atitude defensiva da equipe argentina do Almagro, que simplesmente conjugou o verbo contestar, jogou lá dentro de 2 em 2, e despachou a revolucionária equipe paulista de volta ao campeonato que poderá até vencer, o NBB, com sua constelação de “monstros”, “enterradas magistrais” e chutação despreocupada e irresponsável de bolinhas, emolduradas por midiáticas e ridículas pranchetas, autenticados por estrategistas revolucionários, e analistas que babam nas sobras de um basquetebol, cujos componentes sequer sabem qual a capital deste enorme, injusto e desigual país, que povoam as páginas dos nossos jornais, TVs e redes da web, num servil e colonial exemplo do que não devemos simplesmente copiar e divulgar, e já vejo o dia em que todas estas manifestações serão veiculadas em inglês, macarrônico ou não, para a glória e êxtase dessa “especializada, corporativa e revolucionária turma”…

Amém.

Video – Reprodução da Tv.

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