MEU ANO SABÁTICO…
Precisamente na data de hoje, um ano atrás, publiquei o artigo 1701 neste teimoso, resistente e independente blog, que desde 2004 vem lutando contra a mesmice endêmica técnico/tática, e mesmo estratégica, que lançou o grande jogo ladeira abaixo no plano internacional, fruto de uma realidade trágica que se instalou no plano nacional, sem que absolutamente nada de diferenciado fosse, sequer pensado, para, ao menos, frear os repetidos e cansativos desastres perpetrados por pessoas que no fundo odeiam uma modalidade que nao perdoa a mediocridade e a vassalagem, o mercado de influências, o escambo político, a enganaçao oficializada… Por tudo isso me dei um tempo, mantendo o Basquete Brasil aberto, porém nada postando, até a data de hoje. Mas algo de magico aconteceu neste ano sabático, pois como nunca tinha acontecido em todos os anos de sua existência, foi acessado intensamente nos últimos 365 dias, com a maioria de seus artigos revistos, principalmente os sobre técnicas individuais, algo bastabte esclarecedor…
Resolvi entao reabrir os trabalhos sob a égide dos já cansativos repetidos fracassos de nossas seleçoes, produtos diretos do que é adotado e desenvolvido em nossa formaçao de base, assim como vítimas crueis de preparaçoes equivocadas e destituidas de um mínimo de conhecimento do que vem a ser o grande jogo, o verdadeiro grandíssimo jogo. Por tudo isso, republico um artigo publicado em 9/2/2011, cuja atualidade é inquestionável, e que desnuda o grande vazio que o separa da data de hoje, um vazio doloroso e absurdo hiato de 15 anos, que em hipótede alguma deveria se estender,
Que os magnanimos deuses nos ajudem.
Amém.
DANDO AS CARTAS…
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 por Paulo Murilo– Editar post– 15 Comentários
SELEÇÃO MASCULINA INICIA TESTES FÍSICOS
07/02/2011 22:38 h
Os 16 atletas da seleção brasileira de desenvolvimento realizaram testes físicos específicos para a prática do basquete. O fisiologista Rafael Fachina e o preparador físico Diego Falcão utilizaram fotocélulas para marcar o tempo dos atletas no teste de velocidade. Os jogadores ainda serão avaliados na plataforma twin plates da Globus, que tem como objetivo analisar os saltos.
“Estamos finalizando a primeira fase de avaliações. Os testes servem para verificarmos a resistência e a velocidade dos jogadores. Com os resultados, teremos informações de cunho científico para direcionamento do treino e também fazer um mapa do atleta, para que o preparador saiba o que esperar fisicamente de cada um. Alguns atletas já possuem um ritmo muito bom e outros estão começando a parte do treinamento de alto nível. Após esta primeira etapa, que tem objetivo diagnóstico, faremos mais duas baterias para controle e evolução da performance”, comentou Rafael Fachina.
“Cerca de dois anos atrás o nível de um jogador era bem inferior, mas isso já evoluiu bastante. Nosso dever é continuar e aperfeiçoar essa mudança. Outro objetivo será o de transformá-los em grandes atletas, não só na estatura que já possuem, mas em jogadores rápidos, ágeis e funcionais para o exercício da modalidade. Com isso, teremos um time com velocidade e forte defensivamente.
Além disso, deixar cada um com o melhor nível possível de condicionamento, claro que de acordo com a resposta biológica individual”, disse o preparador físico da seleção de desenvolvimento, Diego Falcao.
18 de Janeiro de 2011 Comente Adicionar aos favoritos Enviar a um amigo Imprimir
NBB
Que tal minha gente, formidável, não?
Sou do tempo em que preparávamos jogadores através doses maciças de fundamentos, com seus posicionamentos exagerados, tanto nas flexões, como nas extensões dos membros inferiores, dos alongamentos nos passes, do controle sutil e básico do centro de gravidade nas paradas, partidas, dribles e fintas com e sem a bola, do posicionamento nos rebotes, onde o saltar mais alto na maioria das vezes cedia o domínio da bola ao mais bem colocado, no controle e domínio do binômio tempo/espaço, da exigência posicional a fundo nos deslocamentos e acompanhamentos defensivos, das longas sessões de arremessos que acompanhavam uma estrita e bem detalhada progressão pedagógica, dos duelos 1 x 1, onde o drible, a finta e a defesa eram exigidos ao máximo em seus fundamentais detalhes, onde as praticas em duplas, trincas e quadras aprimoravam resistências físicas e mentais, onde os técnicos exerciam seus conhecimentos do grande jogo, de seus fundamentos, de seus reais e decisivos objetivos, e quando uma ou outra deficiência de ordem física se manifestava pelas diferenças naturais aos jovens, em obediência e concordância a seus ritmos biológicos, atividades de reforço e de cunho aeróbico, e mesmo anaeróbico, eram utilizados complementarmente aos exigentes fundamentos. E grandes gerações assim foram formadas, vencedoras em mundiais e olimpíadas, plenas de saúde e força, jogadores de altíssima qualidade em que se transformaram, e não somente atletas como o são fabricados nos dias de hoje.
Preparadores físicos definem quem salta, quem corre mais, quem resiste aos trancos, quem arremessa de maiores distancias, quem pode se transformar “em jogadores rápidos, ágeis e funcionais para o exercício da modalidade”, orientando e fornecendo ao “preparador”(?) “informações de cunho científico para direcionamento do treino”, como se fosse a peça mestra e maestra da equipe em seu todo, como cientistas que julgam ser, acima de qualquer liderança, mais propriamente, acima do Técnico Principal, que pelo seu lado abdica servilmente de seu comando e total responsabilidade, permitindo que sua equipe seja transformada num bando experimental de atletas, e não, de jogadores de basquetebol.
“Discurso de velho, de ultrapassado, etc, etc, mas esquecendo que, mais do que eles todos sou um Doutor em Ciencias do Esporte, cuja tese versa coerentemente sobre…Basquetebol, e não “Twin plates da Globus”, seja lá que nome for, mas que bem sei serem absolutamente incapazes de ensinar, vejam bem, ensinar convincente e decisivamente um jovem a driblar, passar, arremessar, defender, rebotear e jogar em equipe, o grande jogo.
Mais uma geração de jovens promissores estará se transformando cientifica e laboratorialmente em atletas de “alta performance”, mas que continuarão a tropeçar nos dribles e nas fintas, a arremessarem orgiasticamente dos três pontos, a passarem fora do tempo, a disfarçarem que defendem, a praticarem o sistema único de suas vidas, “especializando-se” nas posições de 1 a 5, e sendo hipnotizados e manipulados pelas indefectíveis pranchetas, que definem e ordenam o que fazer e como se comportarem como grandes, eficientes e científicos atletas que o instaram a pensar que são, mas que sequer desconfiam do que poderiam vir a ser se jogadores fossem, se como eficientes, inteligentes, criativos e autônomos jogadores fossem ensinados e preparados a se comportarem, a se independerem, tornando-se dessa forma, plenos no conhecimento de si mesmos e na aceitação do espírito comunitário e de uma verdadeira concepção do que venha a ser uma equipe de basquetebol. E ainda fico imaginando se toda essa bateria de testes científicos tivessem sido aplicados num Shaquille, num Jordan, num Bodiroga, num Duncan, num Bogues, com suas dilexias, estaturas e obesidades juvenis, nenhum teria sido aprovado.
Mais uma vez incorreremos no erro, no supremo e suicida erro de substituir o preparo fundamental de jovens jogadores, a plena continuidade de seus estudos, pela premissa cientifica de quem absolutamente nada entende do grande jogo, absolutamente, nada, mas que praticamente, dão as cartas, em nome da ciência. Mas que ciência, a do jogo? Creio que não…
Amém.
15 comentários
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Mais uma vez Parabéns, Um abraço, Thiago
Um abraço, Paulo Murilo.
São variaveis em torno de um único tema, o sistema único de jogo. O diferente quebra essa regra, por isso tem de ser expurgado.Mas um dia, talvez, o encanto possa ser quebrado, a fim de que evoluamos no grande jogo.
Um abraço, Paulo Murilo.
Um abraço, Paulo Murilo.
Sei que querem fazer um trabalho diferenciado, e que anseiam loucamente por resultados a curtissimo prazo, até para justificarem sua gestão.
Mas não vejo este tipo de atitude ou projeto ser tomado em outras modalidades.
Desculpe se estiver falando besteira, e so uma opinião sincera.
Um abraço, Paulo Murilo.
Um abraço, Paulo Murilo.
Como se trata de um direito constitucional do cidadão brasileiro, o não acesso à uma educação de qualidade, ai incluso a educação física, se constitui crime. Bolas e tabelas, assim como traves e redes equipariam as necessarias quadras, claro, se existissem.
Um abraço, Paulo Murilo.