O QUINTO DIA…

P1010216

Enfim comecei, ou recomecei hoje a trilhar o caminho das pedras, suado e trabalhoso, exatamente como todo trabalho no grande jogo deveria começar, pelos fundamentos. Conclamei a todos que incorporassem o trabalho, mesmo que alguns resistissem à idéia de que já os dominavam, com um singelo argumento, o de que sempre podemos agregar algo de novo ao que sabemos, aperfeiçoando-o, renovando-o, ou simplesmente, recordando-o em seus sutis detalhes.

Volvemos à arte do drible, com suas particularidades somente dominadas por uns poucos, mas cujo teor e carga técnica deve ser do conhecimento de todos, armadores, alas e pivôs, num exercício e grau de linearidade comum e acessível a indistintamente todos que se habilitam a aprendê-lo.

Os cortes, as mudanças de direção, com ou sem troca de mãos, as reversões com a obrigatória troca das mesmas, a manutenção dos cotovelos junto ao corpo, obrigando a bola a ser controlada também junto ao corpo, tornando-a parte integrante de um único movimento, e não um fardo arrastado e descontrolado, e por isto mesmo de comportamento imprevisível.

Tornamos à descoberta progressiva daquele comportamento, instável e volúvel, e por isso de domínio técnico complexo e apaixonante, qualificação única dos corpos esféricos, cujo domínio e total controle por si só justifica um retorno à sua aprendizagem.

Abordamos preliminarmente as técnicas do rebote ofensivo, propondo o giro de 180 graus no ar quando do efetivo domínio do mesmo, propiciando na queda  ao solo a manutenção da tríplice ameaça, posicionamento que todo jogador de qualidade jamais deveria abdicar, tornando-o apto ao drible, ao passe e a um novo arremesso, estando próximo a cesta.

E toda essa sucessão de movimentos fundamentais desenvolvida e praticada na forma de circuitos, onde cadeiras plásticas de baixo custo, balizam os caminhos, os obstáculos e anteposições aos movimentos, na recriação de situações reais de jogo, e onde o técnico promove as correções individualizadas, durante o percurso dos mesmos.

Muito cansaço e suor, premiando o eterno e inesgotável prazer de bem aprender, reaprender, ou mesmo recordar as bases do grande jogo, seus fundamentos. Muitos treinos ainda explorarão as possibilidades e potencialidades das ações fundamentais, que são aquelas que amalgamam o sentido e a compreensão do que venha a ser uma verdadeira equipe, pois seus sistemas de jogo só se tornarão factíveis com o pleno conhecimento e domínio das mesmas.

Amanhã pela manhã continuaremos a saga em busca do soerguimento da equipe, que premiará o esforço consentido de todos. E assim será.

Amém.



6 comentários

  1. Juvenal (Fúria Vermelha) 09.02.2010

    É isso professor, o trabalho não é só MEIO, através dele consegue o resultado FIM, desta forma, o treino é trabalho FIM também.

    Com certeza através do trabalho se conseguem os resultados. Como dizem no velho e cansado jargão, “O sucesso só em antes do trabalho no dicionário” e sinto-me feliz em ver que o senhor se dispõe a trabalhar arduamente.

    Abraços.

  2. Henrique Lima 09.02.2010

    Parabéns Professor por disponibilizar as idéias do senhor e toda a prática do dia a dia no site ! Ajuda muito aos estudiosos e iniciantes, como eu.

    Agurado os próximos treinamentos !!

    Bom trabalho e um abraço, Henrique Lima.

    PS: O senhor vai treinar em dois turnos ? Como está a parte física dos atleta ? Ideal, aceitavel, ruim ?

  3. Basquete Brasil 09.02.2010

    Mas neste momento decisivo prezado Juvenal, o fator que mais importará será a disposição e não a mera disponibilidade dos jogadores, que ao aceitarem voluntariamente o compromisso com eles mesmos de se aperfeiçoarem e se doarem, transferirão todos os previstos ganhos à equipe que defendem,a equipe em seu todo. Por isso propús o intenso trabalho, suado e prazeiroso, mesmo que algumas vezes doloroso.É o único meio que conheço com reais possibilidades de abrir portas ao sempre imponderável sucesso. Lutemos em busca do mesmo, pois é o que nos compromissamos a fazer. Um abraço, Paulo Murilo.

  4. Basquete Brasil 09.02.2010

    Henrique, mesmo carente de instrumental técnico computacional que ficou no Rio, tentarei publicar,como prometi, todo o encaminhamento e execução do pequeno projeto que antecede a retomada do campeonato no próximo dia 26 em São Paulo contra o Pinheiros,e que está sendo realizado em dois turnos (10 às 12 hs e 18 às 20 hs) todos os dias da semana, num tour de force técnico, mas preservando com trabalho compensatório os inevitáveis desgastes. Com bom senso e integral doação aos treinos poderemos levar o projeto a bom termo. Acredito que sim, pois em termos finais trata-se de umas das poucas chances que temos para evoluirmos na tabela, com reais chances de sermos bem sucedidos. A condição fisica somente está razoavelmente comprometida em alguns dos veteranos pelos anos de desgastes, mas nada que não possamos, como afirmei antes,equilibrar tendo o bom senso como efetivo mediador.Torça por nós. Um abraço, Paulo Murilo.

  5. Juvenal (Fúria Vermelha) 09.02.2010

    COm certeza professor, até porque o senhor está treinando coisas que de certo modo todos profissionais deveriam saber fazer perfeitamente, mas existe um certo preconceito em treinar certas coisas com profissionais, como se isso fosse rebaixá-los.

    E mais, se cada um se propuzer a trabalhar no seu máximo, se esforçar o maximo possível a cada treino, não será bom só pro Saldanha, será bom pro Saldanha, pro Senhor e, principalmente, para os atletas coletiva e individualmente que serão vistos de outra maneira.

    MAs é isso, trabalhar e se esforçar ao máximo.

    Saúde professor.

  6. Basquete Brasil 10.02.2010

    Mas pior do que o preconceito apontado por você, prezado Juvenal, a existência de um único sistema de jogo praticado no país, servir de escudo protetor a uma salutar mudança pela coerção e exigencia do mesmo em todas as equipes de base, é que constitui o grande entrave no progresso do grande jogo entre nós. E esse é o ponto que proponho ser modificado através uma inovadora conceituação técnico tática, que nos tire do marasmo e da mesmice que tanto nos tem empobrecido no concerto interno, e no internacional. Um abraço, Paulo Murilo.

Deixe seu comentário