O GRANDE JOGO AGRADECE…

Como mandava o bom senso, e fazendo as honras de uma final condigna, ambas as equipes realizaram um jogo eletrizante, jogando bastante dentro do perímetro, explorando ao máximo seus pivôs, movimentando suas peças permanentemente, defendendo ferozmente o perímetro externo, provando definitivamente que se pode vencer partidas de 2 em 2 pontos, reservando os longos arremessos de 3 para aqueles momentos de liberdade plena, quando o equilíbrio se faz presente, garantindo um máximo de precisão.

E se não fossem alguns excessos cometidos, exatamente nos arremessos de 3, e teríamos assistido a uma partida exemplar no aspecto técnico, e por que não, no tático também.

No técnico pela entrega de todos, tanto no ataque, como, e principalmente na defesa, antepondo os longos arremessos, pressionando os armadores, protegendo as áreas de rebote, e situando-se nas linhas de passes, quebrando a continuidade das jogadas, obrigando o uso da improvisação, que atingiu altos índices durante todo o tempo de jogo. E tudo isso realizado por ambas as equipes, indistintamente, como num duelo de iguais, apostando num final em que um dos dois contendores cometesse um erro crucial. Não só um, mas dois foram cometidos, e venceu aquela equipe que cometeu o grande erro no último lance da prorrogação.

Franca deixou de vencer no tempo normal ao abdicar no último lance de um jogo empatado, do jogo interior, se deixando levar para bem fora do perímetro externo, onde seus armadores equivocadamente se situaram.

Brasília, na última jogada, ao abdicar no último lance da prorrogação do jogo interior, onde uma única cesta de 2 pontos, ou mesmo uma cobrança de lances livres a levaria a vitória, preferiu arriscar um tipo de arremesso que sabiamente havia relegado durante todo os cinco tempos do jogo(foram 5/15 arremessos de 3, contra 21/40 de 2 e 35/38 de lances livres), para numa recaída aos vícios anteriores, e a 5seg do final, lançar um petardo de 3 absolutamente desnecessário e infantil.

Com 21/42 arremessos de 2, 7/26 de 3 e 30/35 de lances livres, a equipe francana levou o quarto jogo para a capital do país, onde não poderá cometer o erro de errar 19 arremessos de 3, que se trocados, pelo menos em sua metade por tentativas de 2, daria a mesma condições mais consistentes de vitória, lembrando que seu poderoso adversário errou 10 arremessos do mesmo tipo, e perdeu por ter arriscado um último também de 3.

No tático, assistimos a uma partida, ai sim, atípica dentro da realidade do nosso basquete, na qual os pivôs voltaram a ter participação ativa e direta durante todo o transcorrer da mesma, numa divisão equânime de funções, com jogadas onde a dinâmica de entradas e saídas de bola nos perímetros provocaram uma ciranda de ações de grande técnica, em produções individuais elogiáveis, e acima de tudo, fazendo renascer o espírito coletivista que sempre caracterizou o grande jogo, sendo a sua marca indelével, abandonada por nossas equipes nos últimos 20 anos, em nome de um pseudo basquetebol elevado à quinta potência do individualismo estelar, cópia canhestra e colonizada da grande liga do norte.

Que tal exemplo afirmado nos dois últimos jogos do NBB3 sirvam de inspiração para a final, ou finais que se desenrolarão nesta semana, transmitido, ainda que em rede cabeada e paga, para milhares de jovens praticantes e técnicos iniciantes espalhados por este continental país, e que solidifique um novo tempo, de um novo modo de jogar o grande jogo.

Fico imensamente feliz em ter insistido e propugnado, quase que solitariamente, por tão fundamentais mudanças, tanto na pregação teórica através esse humilde blog, como no campo prático quando da direção do saudoso Saldanha da Gama, com a luta pela dupla armação, pela utilização dos alas pivôs de grande mobilidade e destreza e pela retomada do jogo eminentemente coletivo, cadenciado, e utente dos arremessos seguros e precisos, como os de curta e media distâncias, destinando os longos aos especialistas e em circunstâncias especiais e seguras, e pela anteposição permanente dos mesmos fora do perímetro, para ao final  podermos reafirmar que também se ganham jogos de 2 em 2 pontos, que se ganham jogos com a produtividade de armadores, alas e pivôs em parcelas iguais, e não às custas de estrelismos e individualismos exacerbados, aceitos e acobertados por muitos e importantes técnicos, e promovidos por uma mídia equivocada e desconectada dos princípios que regem o grande, grandíssimo jogo.

Amém.

Foto- LNB



2 comentários

  1. Diego Felipe 24.05.2011

    Professor, segunda feira, refletindo com meus botões enquanto o meu treinador na universidade comentava com os jogadores, em clima descontraído, sobre os jogos finais do NBB, me perguntei porque o NBB se resumiu a um torneio ‘sul-sudeste’? E porque a direção do NBB não tem interesse em fazer fases regionais e/ou uma segunda divisão? Pois, além do eixo sul-sudeste, há clubes de basquete (alguns até muito bons), pelo norte-nordeste. O que falta pra eles são competições oficiais, para poderem manter um público e renda razoáveis, podendo manter um time constante… E aqui fica outra pergunta: o senhor saberia citar algum grande jogador (do passado ou do presente (se houver)) nordestino?
    (E continuo perseverando e treinando sempre, principalmente os fundamentos, com a ajuda deste blog. Muito Obrigado, professor)
    Abraços, Diego.

  2. Basquete Brasil 25.05.2011

    Prezado Diego, se você tem acompanhado a midia sobre a LNB, já deve saber que alguns participantes do NBB atravessam serios problemas, alguns já pensando em desistir da competição, como Assis e Araraquara, e mais recentemente, Joinville.Problemas sérios aqui no Sudeste, e fico imaginando ai no norte nordeste. Uma liga profissional é de dificil administração, e necessita de muito capital e patrocinio para sobreviver.Por isso, que ainda levará algum tempo até que representantes de sua região possam vir a participar da LNB.
    Quanto a grandes jogadores oriundos do norte nordeste? Filinto, Ulisses,Gilson, Agra, Roberto, Mical, e muitos outros que se destacaram no cenário nacional.
    Continue treinando, e sucesso. Paulo Murilo.

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