O LABIRINTO…

É como se de repente você se encontrasse num labirinto, se perdendo por um longo tempo em busca de uma saída, sabedor que somente existe uma, e que em muitos casos nem mesmo essa única possibilidade de fuga é encontrada. Nesse ponto, dois são os comportamentos possíveis, o de abdicar da incessante e angustiante procura, conformando-se com a desdita, aderindo aos que lá também se encontram, entregues e amorfos, ou continuar na busca corajosa e ousada, que mesmo ante uma impossibilidade, acena com a esperança dos que crêem e perseveram até o fim, sem entregas, sem concessões.

Desde sempre o sistema único nos tem limitado outros e grandes vôos na direção de um basquete mais técnico, ousado, inovador, corajoso, criativo, mantendo-o manietado a pequenos e insidiosos dogmas, a “filosofias” de um mesmo e monocórdio conceito de basquetebol, com suas jogadas hiper padronizadas, sinalizadas, formatadas num padrão aceito por técnicos e jogadores, todos em volta de uma estrela midiática, a prancheta, na qual são apostos rabiscos, borrões, hieróglifos ininteligíveis, mas que congrega à sua volta todo um padrão de impessoalidade e ausência do contato do olhar, impedido pelo biombo retangular estendido à frente de uma equipe carente de um olho no olho, de um recado ao ouvido, de um roçar amistoso e decisivo de mãos numa hora de nervosismos e inseguranças, onde gritos, rosnados e coerções deveriam dar transito absolutamente livre à calma gestual, ao diálogo justo e pertinente, simples e objetivo, congregando humores e carências, na busca do equilíbrio e do bom senso, pois na hora do vamos ver, vencem aqueles que dominam  seus nervos com a frieza dos que sabem para e como ir de encontro à vitoria.

Por tudo isso é que propugno pelo diferente, pela propriedade de algo oposto aos que todos fazem e praticam, caracterizando dessa forma o sentido grupal do novo, do instigante, do imensurável.

Ser proprietário de algo só seu é o caminho mais seguro para a evolução de um segmento social e desportivo, que se espraiado pelas demais equipes, com suas variáveis e soluções, conotam o progresso de uma modalidade mestra nas estratégias, sistemas e conceitos de jogo, impar frente às demais modalidades do desporto coletivo.

Somente depois de três temporadas após a pequena revolução causada pela personalíssima forma de atuar da humilde equipe do Saldanha da Gama no NBB2, é que já vemos sendo implantadas umas poucas opções técnico táticas defendidas e praticadas por aquela equipe desde sua experiência em Vitoria, como a dupla armação, que mesmo sendo inicialmente utilizada no âmago do sistema único, dotou o mesmo de uma substancial melhora técnica, através armadores mais capacitados nos fundamentos, de uma sintomática diminuição dos arremessos de três por parte de algumas equipes, assim como uma lenta, porém progressiva adoção de pivôs mais ágeis e rápidos, em vez dos massivos cincões que ainda habitam o imaginário colonizado de muitos de nossos técnicos, dirigentes, agentes e jornalistas especializados (?) do grande jogo,  ainda imersos no labirinto em que se entronizaram na busca absurda e inócua de pertencerem ( e alguns “acham”que pertencem, de verdade…)a uma filial sucedânea de uma NBA que de forma alguma está interessada em nós pelo desporto e a educação popular, e sim pelos lucros que podem reverter à matriz, onde os maiores compradores de seus produtos da grande loja  na quinta avenida em NY são os…brasileiros.

Enfim, se por uma lufada de sorte e competência, a ENTB se reestruturar em torno de propostas realmente evolutivas, se uma associação de técnicos for estabelecida com seriedade e profunda ética, e se nossos técnicos se dispuserem a enfrentar e procurar uma saída do autofágico labirinto em que se encontram em sua maioria, ai sim teremos alguma chance de evoluirmos na direção de uma já tardia retomada, a da nossa tradição de excelência técnica e acima de tudo criativa, e não subserviente e passiva como atualmente se encontra, numa mesmice endêmica e perigosamente terminal.

Olhando com atenção para as fotos aqui postadas, podemos imaginar o quanto de perda de tempo temos sido assaltados, perante grafismos que nada mais representam do que os sinuosos e enganosos meandros de um labirinto que compõe o mais triste de todos os cenários que emolduram o grande jogo em nosso imenso e injusto país, o nada na direção…do nada.

Amém.

Fotos – Reproduções da TV. Clique nas mesmas para ampliá-las.



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